You are on page 1of 15

REVISTA ATOR-REDE

Edição Especial ANO 1 VOL 1 Número 1 2013
RESUMO ORIGINALMENTE APRESENTADO NO
9º Seminário Nacional e 2º Congresso Luso-Brasileiro de História da Ciência e da Tecnologia
Módulo: Engenharia, técnica e tecnologia.

A trajetória sociotécnica de Fernando Luiz Lobo Barboza Carneiro:
O Engenheiro Civil do “Ensaio Brasileiro”.

Eduardo Nazareth Paiva
Engenheiro Civil – Programa de Engenharia Civil da COPPE-UFRJ
Pós-doutorando – Estudos CTS – HCTE - UFRJ
edu@coc.ufrj.br

RESUMO
Como explicar e representar um fato tecnocientífico? Predominantemente, opta-se por
desmembrá-lo, ou seja, analisá-lo em fóruns estratificados. Desta forma, cumprem os seus papéis
especializados os artigos em revistas, os congressos, as matérias na mídia em geral, os prêmios, as
patentes, etc. Para representar um fato tecnocientífico pelo modelo de tradução, procuraremos
encontrar um ambiente que busque simular a simultaneidade das influências dos contextos
sociohistóricos e tecnocientíficos que coexistiam quando da construção de um determinado fato.
Experimentalmente, apresentaremos a trajetória de um inventor e do seu invento na forma
metacinematográfica. Para isto buscou-se inspiração no filme Napoleon, produzido na França, em
1927, por Abel Gance, utilizando telas triplas, lentes grande-angulares e cenas simultâneas. Assim,
nossa abordagem, denominada modelagem por tradução, procurará analisar e traduzir as ligações
em rede, produzidas pelos interesses veiculados e vinculados por aqueles que estavam em cena,
quando da construção do fato tecnocientífico em questão. Em especial, analisaremos a trajetória do
método para determinação da resistência à tração dos concretos por compressão diametral,
inventado nos Laboratórios do Instituto Nacional de Tecnologia, no Rio de Janeiro, em 1943, pelo
Engenheiro Civil Fernando Luiz Lobo Barboza Carneiro. Pesquisaremos como ele alcançou
projeção internacional, sendo adotado pelas principais instituições normativas do mundo nesta área
(RILEM, CEB, ASTM, ISO, etc) e citado em centenas (ou até mesmo milhares) de publicações
especializadas em todo o mundo.
ABSTRACT
This article presents a sociotechnical approach in the construction of the tecnoscientific fact.
In this approach, called models by translation, we intends studying the links in the net, created by
translation of the interests from that who were on the stage, when the fact was constructed.
Specially, we will analyze the method’s trajectory for determination of the splitting tensile strength
of molded concrete cylinders by diametrical compression, invented in the Instituto Nacional de
Tecnologia`s Laboratory, in Rio de Janeiro, at 1943, by Brazilian Civil Engineering, Fernando Luiz
Lobo Barboza Carneiro. We will seek to know how it arrived to obtain international projection, why
it has been adopted in the main normative organizations of the world in its area (ABNT, RILEM,
CEB, ASTM, ISO, etc) and how it has been quoted by hundred (or even until thousands) of
articles written by specialists worldwide. We will seek explanations to the fact of the method has
been known worldwide as “Brazilian test” in the most languages in the world. We seek to identify
the controversies arisen, by the way, between its discover and its establishment. We will seek to
characterize, sometimes implicitly, the creation of the net made up of its actants (actors), humans
and no humans, kept across the forces (fluidness) of the links from the interests involved between
these same actants. At last, it is propose a methodology and a resource paradidactic to
representation of the sociotechnical process of the construction of a fact, based in its sociohistorical
and tecnoscientific contexts. For this we will adopt a narrative model with three columns
(sociohistorical, sociotechnical and tecnoscientific contexts) inspired in the three simultaneous
screens of the movie Napoleon, produced by Abel Gance, in 1927.
REVISTA ATOR-REDE
Edição Especial ANO 1 VOL 1 Número 1 2013



INTRODUÇÃO

A ação de escrever consiste de uma insistente procura e o adequado uso das palavras, de
maneira a traduzir o que se tem na mente. Sabe-se também que muito do que pensamos é resultado
de coisas preestabelecidas ao longo de nossos processos de aprendizagem. Este contexto por vezes
induz o escritor e o leitor a caminhos previsíveis. Façamos, inicialmente, uma reflexão em relação a
questões elementares sobre alguns dos temas que serão desenvolvidos pelo trabalho. Por exemplo,
como nosso leitor responderia a questões como estas:

O que se tem em mente quando se vai escrever (ou ler) sobre um inventor?

O que se pode dizer sobre uma invenção brasileira?

Em relação à primeira questão apresentada, o trabalho parte do princípio que o seu leitor
possa ter uma concepção sobre a tecnociência na qual os inventores caracterizam-se como seres
dotados de poderes capazes de impulsionar as coisas, de criar os fatos, de explicar a natureza e de
mudar o destino da humanidade.

Já a segunda questão, em um primeiro momento de reflexão, pode ser contagiada de
preconceitos de ordem eminentemente culturais na medida que o inventor brasileiro não está isento
das influências que advém da sua identidade histórica nacional. Torna-se difícil conceber que algo
brasileiro possa vencer na medida em que, segundo a frase atribuída ao presidente da França, De
Gaulle, “Este não é um país sério”. Ou ainda, porque quando lembrado ou citado como sendo
“brasileiro”, na maioria das vezes ressalta-se o que ou quem fracassou, como pode ser visto na
descrição do cientista João Dellacruz feita em (LATOUR, 1988, p. 146-148), na qual este brasileiro
se desdobra entre a dependência do que está no exterior, a hiperinflação, as carências do norte do
seu país, os golpes militares, a sua localização distante das metas dos norte-americanos, japoneses,
belgas, enfim quando serve de exemplo pelo fato de não interessar a ninguém.



RECURSOS METODOLÓGICOS: A POLARIDADE E A SIMETRIA

Uma forma de tornar possível a construção de um conceito mais amplo sobre temas
preestabelecidos é se explorar as opiniões extremas e antagônicas sobre estes mesmos temas. No
caso do que é “brasileiro”, polarizar nossa visão do que é tipicamente brasileiro possibilita-nos
construir um campo de visão mais amplo. Este novo espaço contínuo permite-nos, até porque não
nos proíbe, distinguir a nossa posição em relação a estes dois referenciais extremos adotados.
Chamaremos este mecanismo de ajuste pela polaridade.

Para fins de uma primeira análise, façamos um experimento com o adjetivo “brasileiro” e o
que ele traz de significado, que ligações ele estabelece. Tocar na questão do que suscita este
adjetivo torna-se relevante na medida em que o invento a ser estudado é denominado
internacionalmente como “ensaio brasileiro”.

Em termos sucintos, vejamos como ficaria esta visão polarizante. Selecionamos duas
expressões colhidas em publicações de dois antropólogos: RIBEIRO (1995) e BARBOSA(1992).
Esperamos que elas apresentem-se como representativas, pelo menos para fins de demonstração do
recurso metodológico.
REVISTA ATOR-REDE
Edição Especial ANO 1 VOL 1 Número 1 2013

Em nossa visita aos opostos, o polo positivo do que é tipicamente brasileiro, pode ser
retratado em descrições como em RIBEIRO (1995, p.448-449): “Na verdade o que somos é a nova
Roma. Uma Roma tardia e tropical. O Brasil é já a maior das nações neolatinas, pela magnitude
populacional, e começa a sê-lo também por sua criatividade artística e cultural. Precisa sê-lo no
domínio da tecnologia da futura civilização, para se fazer potência econômica, de progresso auto-
sustentado. Estamos construindo na luta para florescer amanhã como uma nova civilização,
mestiça e tropical, orgulhosa de si mesma. Mais alegre, porque mais sofrida. Melhor, porque
incorpora em si mais humanidades. Mais generosa, porque aberta à convivência com todas as
raças e todas as culturas e porque assentada na mais bela e luminosa província da Terra”.

De outra forma o nosso polo oposto apresenta-nos, segundo BARBOSA (1992, p.136) a
seguinte expressão: “Nesse contexto do discurso negativo, a nossa identidade histórica, isto é, a
percepção de nossas origens e de nossas raízes é aprendida de forma simétrica inversa do discurso
positivo. Somos originários de um país (Portugal) que sempre foi incompetente e inepto da
condução de seus próprios negócios e na nossa colonização. Essa é uma constatação que ocorre
desde cedo, estimulada pelo ensino oficial de história, e que vem sempre calcada na comparação
com o universo anglo-saxão, percebido como o simétrico de tudo aquilo que gostaríamos de ser,
mas infelizmente não somos em termos institucionais”.

Assumindo-se que embora estas posições sejam consideradas opostas elas colaboram na
consubstanciação do que é ser “brasileiro”, com isto podemos concluir que elas facilitam a
construção e a compreensão de uma terceira posição alcançada pelo que denominaremos de
mecanismo de ajuste pela simetria. Esta posição poderia ser:

“Nestes tempos de passagem para o terceiro milênio, onde a velocidade das mudanças, os
impactos da tecnologia e os efeitos dos processos de globalização despertam a atenção da
humanidade, nós brasileiros somos um enigma. Por um lado somos a esperança de uma proposta
nova de jeito de ser: miscigenado, ambiental, alegre e tropical. Por outro lado somos vistos como
‘grupo de risco’, ou região geográfica predestinada a processos de convulsão originados das
nossas desigualdades sociais, econômicas e políticas”.

O MODELO DE DIFUSÃO E O MODELO DE TRADUÇÃO

O trabalho abordará o invento e seu inventor com uma concepção alternativa ao modelo de
difusão segundo o qual os inventores e suas invenções perpassam os passivos grupos sociais e
somente são afetados por eles no final de suas trajetórias, quando algo vai mal. (LATOUR, 1988,
p.128-132).

O modelo a ser adotado, denominado de tradução, diferentemente do modelo de difusão,
considera determinante os interesses dos envolvidos, ao longo do processo de construção dos fatos
técnico-científicos. Estes interesses são os responsáveis pela construção de uma rede, integrada por
humanos e não humanos, onde a força das ligações existentes entre os interesses dos envolvidos
nesta rede é o que determina a estabilização das invenções, das idéias, dos laboratórios e das
máquinas.

Embora este modelo tenha seus atrativos, por admitir uma forte dose de intuição, ao mesmo
tempo ele apresenta dificuldades em sua implementação, na medida em que escrever sobre um
inventor e sua invenção transforma-se em escrever sobre ele e sobre aqueles (humanos e não
humanos) que influenciaram nos processos de fechamento das chamadas “caixas pretas” e que
levaram ao resultado final da estabilização do inventor e seu invento.
REVISTA ATOR-REDE
Edição Especial ANO 1 VOL 1 Número 1 2013
Importante ressaltar desde então que embora este fechamento de caixas pretas apresente
resultados finais evidentes estes resultados não são definitivos pois a dinâmica dos fatos e dos
artefatos pode implicar em que estas mesmas caixas pretas sejam reabertas podendo assim reverter
os processos de estabilização até então estabelecidos.

Ou seja, para descrever o fato tecnocientífico pelo modelo de tradução faz-se necessário
abrir-se mão de uma narrativa linear e sequencial. Mas como fazê-lo?

Adotaremos como estratégia seguir o tecnocientista e o seu invento, correlacionando os seus
contextos sociohistórico e tecnocientífico desde antes da construção dos seus fatos notórios
identificando e julgando a relevância dos interesses envolvidos de forma a estabelecer as ligações
entre o inventor, seu invento e os seus mundos repletos de ocorrências fortemente influenciadas por
seus passados, por seus aliados, pelos interesses mobilizados, pelos actantes não humanos, pelos
desvios estratégicos, pelos contra-laboratórios, pelos centros de cálculo, entre outras coisas. Esta é a
nossa missão nesta empreitada.



A INVENÇÃO ENQUANTO CONSTRUÇÃO SOCIOTÉCNICA

Como representar um fato tecnocientífico? Predominantemente, pelo modelo de difusão,
opta-se por desmembrá-lo, ou seja, acaba-se por analisá-lo em fóruns estratificados. Desta forma,
cada um a sua maneira, cumprem os seus papéis os artigos em revistas e congressos especializados,
as matérias de jornais e revistas populares e ainda os outros meios de informação eminentemente
orais.

Para representar a construção do fato tecnocientífico pelo modelo de tradução, procuraremos
encontrar um ambiente que pudesse simular a simultaneidade das influências dos contextos
sociohistóricos e tecnocientíficos. Sugestivamente, utilizaremos como recurso paradidático
apresentar a trajetória do inventor e seu invento na forma metacinematográfica. Para isto escolheu-
se um filme muito especial: Napoleon. Produzido na França, em 1927 por Abel Gance utilizando
telas triplas, lentes grande-angulares e cenas simultâneas (ver figura 1). Este filme, com estas
inovações, marcou a história da cinematografia mundial recebendo adjetivos como monumental,
revolucionário, clássico e sendo mesmo considerado por muitos como um dos maiores épicos do
cinema mudo. Cabe aqui ressaltar que a França sempre teve larga tradição cinematográfica sendo
inclusive local inconteste da primeira exibição cinematográfica pelos irmãos Lumiere, em 1815,
podendo ser considerada ponto de passagem obrigatório deste tipo de produção desde esta época até
os dias de hoje (vide o Festival de Cannes).

O filme Napoleon além das possibilidades didáticas relacionadas à projeção tripla, apresenta
uma trajetória curiosa na medida que, mesmo sendo uma quase unanimidade entre os especialistas,
enquanto proposta inovadora, não vingou, não estabilizou enquanto uma forma de fazer cinema,
ficando a explicação de que ela seria “inviável economicamente”. Será que foi esta a razão? Não
está no escopo do trabalho esclarecer esta questão mas sim fazer uma provocação ao nosso leitor
pois o surgimento posterior do cinerama, do cinema 3D, das grandes produções de milhões de
dólares colocam-nos dúvidas sobre a inviabilidade puramente econômica da projeção tripla de
Gance. Então por que ela não vingou? Por que ele não é considerado o pai do cinema 3D ou do
cinerama?



REVISTA ATOR-REDE
Edição Especial ANO 1 VOL 1 Número 1 2013
Nosso objetivo é explorar as possibilidades desta idéia, pelo menos conceituais, de se
apresentar uma estória, no nosso caso a estória (documentário) da trajetória do inventor e seu
invento, em seus aspectos considerados simplificadamente como sociohistóricos de um lado,
técnocientíficos de outro e sociotécnicos ao centro, expondo todos, abstratamente de forma
simultânea, para apreciação e análise do seu leitor (simuladamente espectador).

Consideramos relevante esclarecer ao leitor que nossa maior contribuição pretende ser o
enfoque sociotécnico de forma que este possa funcionar como uma cena “dobradiça” (BIJKER, s.d.,
p. 98), articulando as cenas dos enfoques tipicamente sociais ou técnicos frequentemente
encontrados de forma isolada nos nossos meios de divulgação populares, enciclopédicos ou
especializados. Sabemos que não existem fronteiras claramente definidas entre estes enfoques e que
eles se confundem no trato de algumas questões. Consideraremos que estas são evidências da
indissociabilidade existente entre eles e que elas podem ser identificadas como coagulações das
ligações, quase sempre fluidas, entre os elementos da rede sociotécncia dentro de nosso modelo por
tradução.

Nosso estudo de caso será a invenção do Método para determinação da Resistência à Tração
dos Concretos e consequentemente a trajetória do seu inventor, o engenheiro, pesquisador e
professor Fernando Luiz Lobo Barbosa Carneiro. Este estudo, seguindo a proposta de se fazer uma
analogia metacinematográfica com o filme Napoleon, será apresentado esquematicamente como na
figura 2, ou seja, tendo o desenvolvimento do seu texto situado segundo cada um dos três enfoques
considerados (sociohistorico, sociotécnico e tecnocientífico) dentro de sua coluna correspondente.




Figura 1: Ilustração de cena em tela tripla de Napoleon de Abel Gance, produção de 1927.



ENFOQUE

SOCIOHISTÓRICO


ENFOQUE

SOCIOTÉCNICO

ENFOQUE

TECNOCIENTÍFICO
Figura 2 - A diagramação esquemática da projeção tripla dos enfoques - uma analogia da
simultaneidade com o filme Napoleon.



REVISTA ATOR-REDE
Edição Especial ANO 1 VOL 1 Número 1 2013

O I.N.T. E A CONSTRUÇÃO CIVIL NO BRASIL

O período da construção (com alvenaria de pedra
revestida com argamassa de areia e cal) de fortes e
fortalezas ao longo do litoral brasileiro, quase sempre
resultado de expedições militares, no período entre
1500 e 1850, é considerado o primeiro período da
construção civil no Brasil. É deste período a alteração
dos ciclos econômicos do pau-brasil, da cana-de-açúcar
e do ouro. Todos estes ciclos tiveram forte e alternada
sustentação na exploração do trabalho escravo indígena,
depois africano e de uma forte emigração portuguesa
em mais de 600 mil pessoas. Neste período o Brasil
vive diversos movimentos de libertação com destaque
para a Inconfidência Mineira (1789).

O segundo período da construção civil, que vai até
1930, destaca-se pelo desenvolvimento da construção
ferroviária por empresas inglesas e norte-americanas,
pela construção de usinas, pelo surgimento das escolas
de engenharia e das construtoras nacionais. A Estrada
de Ferro (E.F.) Mauá (1854), a E.F. Recife e a E.F.
Central do Brasil (1858) são marcos das primeiras
grandes solicitações econômicas que a engenharia
brasileira teve de atender. A primeira usina hidroelétrica
brasileira para uso público fora construída em 1889 em
Juiz de Fora, por iniciativa de Bernardo Mascarenhas, -
a usina Marmelos Zero, posteriormente ampliada em
1896 com a Marmelos I e em 1914 com a Marmelos II,
projeto do engenheiro Asdrubal Teixeira de Souza.

A I Guerra Mundial provocou no Brasil um surto de
desenvolvimento industrial e econômico bem como da
expansão urbana. Paralelamente, o crescimento da
massa trabalhadora passava a exigir que os governos
republicanos levassem em consideração a questão
social. Como isto não ocorria, toda uma série de
reivindicações era apresentada pelo movimento
AS ORIGENS DE NOSSO CONSTRUTOR

Iniciamos nossa viagem antes mesmo do
nascimento do inventor ou, dizendo de outra forma, do
nosso construtor do fato tecnocientífco conhecido
internacionalmente como “brazilian test”. Em Ouro
Preto, Minas Gerais, as famílias de seus bisavós, os
Carneiro, portugueses e os Barboza, mineiros uniam-se.
Seu avô materno, Fernando Lobo, muda-se para Juiz de
Fora, onde desenvolve durante a maior parte de sua
vida atividades de prestigioso advogado e de político
abolicionista e republicano, incansável defensor dos
ideais democráticos. O mesmo destino segue a família
de sua avó paterna, dos Horta Barboza, que também
para ali se transfere após o falecimento de seu chefe, o
conselheiro Luiz Antônio Barbosa da Silva, ex-
governador da província.

Seu pai, o engenheiro Luiz Barboza Lobo Carneiro
foi durante 30 anos (1877-1917) o diretor-técnico da
empresa Trajano de Medeiros & Cia, a principal
indústria metalúrgica brasileira no início do século,
única fabricante de material rodante (vagões)
ferroviário que havia no Brasil (ROCHA, 1994) e
empreiteira de obras públicas, como a perfuração de
túneis da Estrada de Ferro Central do Brasil, na Serra
do Mar, e construção de pontes, como a ponte pênsil de
São Vicente.

Coube ao seu pai, contando com a valiosa
colaboração do engenheiro metalurgista sueco Aaxel
Sahlin, dirigir nessa empresa os estudos para a
implantação da indústria siderúrgica no Brasil, com a
construção de uma usina próxima de Juiz de Fora, com
a capacidade anual de 160.000 toneladas de ferro e aço.
Esta teria sido a primeira usina siderúrgica brasileira
com capacidade verdadeiramente industrial,
antecipando-se de trinta anos à de Volta Redonda, se o
AS ORIGENS DO CONCRETO

O concreto é um material artificial composto de
brita ou outros agregados, ligados por meio de um
aglomerante, geralmente hidráulicos. Utilizado em
construções de toda natureza por mistura simples (
manual ou mecânica, através de betoneira) de seus
constituintes, com adição de água. Em seguida, é
vazado em formas ou moldes, ou projetado.

A dosagem da mistura, bem como fatores externos
(temperatura, higrometria, socagem, vibração), influi
nas suas características físicas e mecânicas.

As primeiras aplicações do concreto armado datam
de 1848. Em 1877, Joseph Monier depositou uma
patente que especifica o papel das armaduras de ferro
em uma viga submetida à flexão (a armadura tem por
objetivo principal aumentar a resistência à tração, que é
bastante baixa).

Empregando fórmula simples, Hennebique começou,
por volta de 1890, a construir grandes obras de concreto
armado. Auguste Perret foi o primeiro a extrair, a partir
do emprego do concreto armado, os princípios de uma
nova arquitetura.

O CONCRETO NO BRASIL

Embora deva ter havido obras anteriores, a primeira
obra em concreto armado com data segura no Brasil é o
revestimento do túnel na garganta João Ayres (MG), na
antiga E.F. Central do Brasil (1901).

O principal introdutor e divulgador do concreto
armado no país foi o alemão Lamber Riedlinger, que,
em 1912, fundou a firma (mais tarde Cia. Construtora
Nacional) que foi responsável por diversas obras
REVISTA ATOR-REDE
Edição Especial ANO 1 VOL 1 Número 1 2013
operário sob a forma de diversos movimentos. Este
período conturbado teve em 1930 seu auge com a
indicação do paulista Júlio Prestes para a sucessão de
Washington Luís, o que provocou a reação do grupo
dominante de Minas Gerais. Isto possibilitou a
Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas que
neste mesmo ano assumiu o poder e o poder legislativo
foi dissolvido.

A queda da Bolsa de Nova York gerou a crise
cafeeira e uma parte do capital nela empregado foi
transferido para a produção de algodão e para o setor
industrial. A fim de fazer face ao desenvolvimento da
indústria, foram criados o Ministério do Trabalho,
Indústria e Comércio, as escolas técnicas, a Justiça do
Trabalho e a legislação trabalhista. Paralelamente foi
criado o Ministério da Educação e Saúde e foi
promovida a reforma do ensino.

O I.N.T. E A TECNOLOGIA DO CONCRETO

A terceira fase da construção no Brasil foi a da sua
industrialização propriamente dita (1930-1950).
Ampliaram-se os volumes das obras e a ênfase dada à
pesquisa tecnológica, principalmente de materiais
disponíveis no Brasil, sem esquecer a formação de
maior contingente de especialistas de formação
acadêmica. A grande estrela da engenharia brasileira
depois da era ferroviária foi entretanto o concreto
armado, técnica em que conseguimos vários recordes
mundiais, e em que chegamos a ficar entre os países
mais avançados do mundo. O suporte tecnológico para
a industrialização da construção foi dado por duas
instituições: o Gabinete de Resistência dos Materiais da
Escola Politécnica de São Paulo, depois Instituto de
Pesquisas Tecnológicas (IPT) e a Estação Experimental
de Combustíveis e Minérios, depois Instituto Nacional
de Tecnologia (INT), no Rio de Janeiro.

projeto não tivesse sido suspenso em 1916, em
conseqüência da Primeira Guerra Mundial.

Esta usina possuiria uma central hidroelétrica
própria, e era este um aspecto em que seu pai possuía
grande experiência, tendo projetado e construído em
1908 a usina termoelétrica da Cia Força e Luz
Cataguazes-Leopoldina, a primeira totalmente projetada
e construída por empresa nacional.

É neste cenário que em 28 de janeiro de 1913
nasce, no Rio de Janeiro, o nosso inventor, Fernando
Luiz Lobo Barbosa Carneiro. Ele e seus 7 irmãos são
criados em uma chácara rua Marquês de São Vicente na
Gávea, então zona rural, em meio a plantações de
milho, hortas, pomares e até uma vaca leiteira. A
empresa Trajano de Medeiros foi forçada a cessar suas
atividades e pedir falência depois de enfrentar inclusive
movimentos grevistas por dificuldades financeiras (a
empresa e seus funcionários ficaram meses sem
receber), associadas à conjuntura econômica criada pela
Primeira Guerra Mundial. Seu pai, a pedido do
Presidente da República, Wenceslau Brás, deslocou-se
para a região do Rio São Francisco onde muito
contribuiu com sua dedicação para o desenvolvimento
da navegação fluvial da região (ROCHA, 1994).

No Rio de Janeiro, Lobo Carneiro teve sua
educação primária obtida por intermédio de professora
particular. O ginasial foi cursado no Colégio Rezende,
para onde ia de bonde, aquele menino quieto, e onde se
formou recebendo a medalha Silva Ramos por honra ao
mérito por ter sido o melhor aluno do seu ginasial.

Fez seu curso de engenharia na Escola Politécnica
da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal
do Rio de Janeiro. Estagiou ainda estudante, em um dos
maiores centros de cálculo em concreto armado no
Brasil, o escritório do engenheiro Emílio Baumgart,
pioneiras de porte: ponte Maurício de Nassau (Recife),
hotéis Glória e Copacabana Palace (Rio de Janeiro), etc.
Outros pioneiros importantes foram os engenheiros
Carlos Euler, Luiz Betom Paes Leme e Mário Martins
Costa.

O CONCRETO BRASILEIRO NO MUNDO

O principal nome do concreto armado foi,
entretanto, o engenheiro Emílio H. Baumgart, que
trabalhou com Riedlinger e, em 1926, fundou seu
próprio escritório de projetos, de onde saíram grandes
projetistas e calculistas do concreto armado:
engenheiros Antônio Alves de Noronha, Arthur E.
Jerman, Paulo R. Fragoso e muitos outros. Entretanto é
na determinação da resistência à tração dos concretos
que ocorre a maior contribuição brasileira nesta área.


O MÉTODO PARA A DETERMINAÇÃO DA
RESISTÊNCIA À TRAÇÃO DOS CONCRETOS
POR COMPRESSÃO DIAMETRAL

O método para a determinação da resistência à
tração dos concretos é baseado nos resultados obtidos
do ensaio de compressão diametral de cilindros de
concreto. Ele foi apresentado pela primeira vez no V
Congresso da Associação Brasileira de Normas
Técnicas (A.B.N.T.) em setembro de 1943, pelo
engenheiro brasileiro Fernando Luiz Lobo Carneiro
depois de pesquisas experimentais realizadas no
Instituto Nacional de Tecnologia (I.N.T.), situado no
Rio de Janeiro, Brasil. O pesquisador, depois de
observar o caminho das fissuras dos cilindros de
concreto quando submetidos à compressão diametral,
identificou que as mesmas seguiam o plano vertical que
continha as geratrizes de contato do cilindro com as
placas da prensa de compressão.

REVISTA ATOR-REDE
Edição Especial ANO 1 VOL 1 Número 1 2013
O I.N.T. E A METROLOGIA BRASILEIRA

Neste período o INT, a partir da sua seção de Física
Industrial e Medidas Físicas, envolvem-se, juntamente
com o IPT, na elaboração de um projeto de lei
metrológica para o Brasil. Dois projetos de lei resultam
deste processo, um é proposto inicialmente pelo
deputado Teixeira Leite e outro substitutivo assinado
pelo deputado Barros Penteado. O INT tem posição de
destaque nos debates sobre a metrologia nacional
realizando reuniões, lideradas pelo engenheiro-
pesquisador Paulo Sá, então Chefe da Seção de
Materiais de Construção do INT, nas quais consegue
reunir representantes de cerca dos 40 mais importantes
laboratórios brasileiros. Além disto, o INT acompanha
os trâmites dos projetos no Legislativo durante mais de
dois anos, quando em 10 de novembro de 1937 ocorre o
Golpe que dissolve o Congresso. O senador Waldemar
Falcão, relator e defensor do projeto, foi nomeado
ministro do Trabalho, Indústria e Comércio. Isto fez
com que o INT se fortalecesse, reestruturando-se e
obtendo novas competências, como pode ser visto no
decreto número 778 de 08/10/1938.

Assim que assumiu a Pasta, Waldemar Falcão
solicitou ao INT que fizesse uma revisão no projeto.
Em 4 de agosto de 1938 o decreto-lei era assinado e o
INT era incumbido de sua regulamentação. Fonseca
Costa constitui a chamada “Comissão Metrológica”,
composta por representantes do INT, da Universidade
do Brasil, da Universidade do Distrito Federal, do IPT e
do Observatório Nacional.

Em janeiro de 1939, a comissão propõe um projeto
de regulamentação para ser apreciado por uma
comissão mais ampla incorporando representantes do
Ministério da Educação, Viação, das Forças Armadas,
da Casa da Moeda, da Confederação das Indústrias, da
Federação das Associações Comerciais e da Academia
pioneiro no projeto de grandes obras de concreto e o
introdutor no Brasil desse tipo de consultoria. Tal
estímulo levou Lobo Carneiro a trabalhar, por muito
tempo depois, como calculista de concreto armado.
Formou-se em 1934, recebendo a Medalha Gomes
Jardim como melhor aluno do curso geral.

A ENTRADA PARA O INT

Lobo Carneiro, recém-formado, recebe dois
convites para iniciar a sua carreira de engenheiro. Um
deles, para trabalhar como monitor e depois como
assistente do professor de Mecânica Racional da Escola
Politécnica, o Prof. Sudré da Gama, que havia ficado
impressionado com sua monografia. O outro foi do
paraninfo da sua turma o engenheiro-pesquisador do
INT, Paulo Sá, e do secretário do INT na época, o Dr.
Ivan Lins, ambos parentes afins. Na tomada de decisão
pelo INT pesou muito o fato de Lobo Carneiro sempre
ter ficado impressionado com a atuação de dois tios
seus, Carlos Chagas e Astrogildo Machado, ambos os
pesquisadores eméritos do Instituto Manguinhos, depois
Fundação Instituto Oswaldo Cruz (FIOCRUZ).

Entra para o INT em 1935 quando o instituto,
dirigido por Fonseca Costa, estabelecia e consolidava
suas equipes e os novos campos de atuação. Até 1937,
enquanto Paulo Sá montava o Laboratório de Materiais
de Construção, Lobo Carneiro colabora nos estudos de
octanagem de gasolina comandados por Heraldo de
Souza Matos, dentro da pesquisa do álcool-motor.

A partir de 1937 o INT inicia uma série de
investigações sobre as correlações entre as resistências
do concreto à tração e à compressão.

Nesta época o método mais difundido para a
determinação da resistência à tração baseava-se na
flexão de um corpo de prova cúbico.
De acordo com as Leis da Elasticidade, em
especial da teoria dos contatos de Hertz, um cilindro
quando carregado por duas forças distribuídas, segundo
as suas duas geratrizes opostas, num friso estreito (de 5
a 10% do seu diâmetro) causará tensões de compressão
na direção vertical e tensões de tração na direção
horizontal (ver figura 3 e figura 4).



Figura 3. Compressão diametral - distribuição das
tensões de tração e compressão nos planos diametrais:
(a) - horizontal; (b) - vertical (MEDINA, 1997).
REVISTA ATOR-REDE
Edição Especial ANO 1 VOL 1 Número 1 2013
Brasileira de Ciências, além dos participantes
anteriores. A regulamentação é finalmente promulgada
pelo decreto número 4257, de 15 de junho de 1939.

Paralelamente, Fonseca Costa é designado para
adquirir, na França, os padrões de pesos e medidas a
serem adotados no Brasil. A II Guerra Mundial impõe
dificuldades ao cumprimento desta meta e ele acaba
indo a Washington, EUA, no Bureau of Standards, onde
encerra a sua missão.

O I.N.T. E O PETRÓLEO BRASILEIRO.

É ainda em 1938 que a descoberta de petróleo em
território nacional é finalmente oficializada, sendo
acompanhada pela criação do Conselho Nacional do
Petróleo (CNP), do qual o INT faz parte, representado
na figura de seu diretor, Fonseca Costa.

O I.N.T. E A GUERRA

Nesta época, fruto da necessidade de se determinar
a resistência à tração do concreto, inicialmente para
pistas de concreto em estradas de rodagem e
posteriormente para pistas de aeroportos, o INT passou
a realizar um grande número de ensaios de tração em
concreto para fins de projeto e controle de qualidade de
obras de construção em curso. Em grande parte, estas
solicitações eram consequência da construção das bases
aéreas militares, empreendimento no qual o INT, na
figura dos engenheiros-pesquisadores Lobo Carneiro e
Paulo Maurício Pereira, fez parte integrando o chamado
“esforço de guerra” através da sua participação na
comissão militar mista Brasil-EUA. Estas bases
militares, especialmente aquelas localizadas em Natal,
Recife e Santa Cruz (Distrito Federal), serviram de
pontos estratégicos para a movimentação das tropas e
materiais bélicos, constituindo-se assim fator relevante
da participação brasileira na vitória das forças aliadas

Em 1939, atendendo a um convite do então
presidente do recém-criado Conselho Nacional do
Petróleo, o general Júlio Caetano da Horta Barbosa, seu
parente, vai para Montevidéu, Uruguai, com a missão
de formar-se tecnicamente, a fim de contribuir para a
instalação da primeira refinaria estatal de petróleo,
projeto este que acabou sendo adiado pela emergência
da guerra.
Em 1941, Lobo Carneiro retorna ao INT
encontrando uma instituição mais fortalecida.
Em 1942, ele recebe a incumbência de ensaiar os
roletes de concreto para a determinação das suas
capacidades portantes para serem utilizados na
movimentação da Igreja de São Pedro para ampliação
da Avenida Presidente Vargas. Mesmo o projeto não
tendo sido levado adiante, quando esta decisão foi
tomada vários ensaios já haviam sido realizados. Os
resultados dos ensaios despertaram a sua curiosidade,
na medida que, primeiro: os corpos de prova rompiam
segundo o plano diametral vertical que continha a força
de compressão aplicada; e segundo: os resultados da
resistência à compressão diametral eram equivalentes
aos valores de resistência à tração dos concretos. Isto
levou Carneiro a estudar teoricamente estes fatos e
conduziu-lhe a escrever o método para a determinação
da resistência à tração dos concretos por compressão
diametral.

O ENSAIO É BRASILEIRO OU JAPONÊS?

Lobo Carneiro apresentou seu novo método na 5.a
Reunião da ABNT (1943), em 16 de setembro de 1943
(ABNT, 1943), e neste mesmo ano, sob a forma de
apêndice, no seu livro sobre dosagens de concreto
(CARNEIRO, 1943).

Em junho de 1947, o INT é convidado a participar
da reunião de fundação da RILEM e como os







Figura 4: Relações e distribuições das tensões ao longo
dos planos diametrais quando o corpo de prova está
sujeito à compressão diametral, sendo suas cargas
aplicadas de forma distribuída segundo uma superfície
plana (friso ou régua estreita). (Extraída de
CARNEIRO, 1949)
REVISTA ATOR-REDE
Edição Especial ANO 1 VOL 1 Número 1 2013
na II Guerra Mundial.

Cabe-nos ressaltar que os ensaios de tração eram
realizados seguindo-se o método de flexão em vigotas
cúbicas, largamente utilizadas até então.

O I.N.T. E SEU ENVOLVIMENTO
TECNOLÓGICO.

Em 1942, o INT, através de sua Seção de Materiais
de Construção, recebeu da empresa de engenharia
Estacas Franki Ltda, a solicitação para a realização de
ensaios para a determinação da capacidade de suporte
de roletes de concreto de 50 cm de diâmetro. Estes
roletes de concreto iriam ser usados no transporte da
Igreja de São Pedro, localizada na esquina da antiga rua
São Pedro com a rua dos Ouvires (atual Miguel Couto).
Este transporte seria necessário devido às obras de
ampliação da Avenida Presidente Vargas, no centro do
Rio de Janeiro. O projeto da Franki, já realizado em
outros países, era içar, por meio de macacos
hidráulicos, o prédio da Igreja, e assim reconstituir sua
fundação sobre os roletes e depois movimentá-la (pelo
movimento de rotação dos roletes) até a sua nova
localização, a cerca de dez metros de distância. Cabe
salientar que a experiência da Franki era com roletes de
aço. Em função das dificuldades oriundas da II Guerra
Mundial, que canalizava a produção siderúrgica para a
indústria bélica, foi necessária a adoção de roletes de
concreto. Mesmo tendo em conta o valor histórico do
prédio da Igreja, uma das únicas igrejas de nave elíptica
e onde estava enterrado o Padre José Maurício (a maior
figura musical brasileira do período colonial), o Prefeito
Henrique Dodsworth, pressionado por sua oposição, às
vésperas do período eleitoral, que buscava ridicularizá-
lo chamando-o de “caduco” e compondo inclusive um
samba de deboche sobre aquilo que eles consideravam
uma idéia extravagante, avaliou a empreitada como
muito arriscada (as análises técnicas indicaram que as
representantes de cada um dos dezesseis principais
laboratórios de ensaios do mundo, que se fariam
presentes, poderiam apresentar uma contribuição
técnica, Fonseca Costa, diretor e porta-voz do INT
nesta reunião, solicita que Lobo Carneiro traduzisse
para o francês o trabalho apresentado na ABNT (1943).
Desta forma o trabalho é apresentado e distribuído aos
presentes nesta reunião.

Apenas em 1953, depois do método já ter sido
adotado em alguns países como a Noruega e a então
União Soviética, a reunião da RILEM decide publicá-
lo, o que acontece em março de 1953 (RILEM, 1953-a).
Entretanto um representante inglês traz a notícia de que
o japonês Tsunéo Akasawa havia publicado o mesmo
método, como resultado de sua tese de doutorado na
Universidade de Tóquio, em novembro de 1943, no
Jornal do Instituto de Engenharia Civil Japonês. Assim
a RILEM decide publicar o trabalho de Akasawa em
novembro de 1953 (RILEM, 1953-b).

Este fato levou a uma controvérsia onde
notadamente entre os ingleses encontra-se textos como
“this method was proposed in 1943 by the Japanese
Akasawa and later by the Brasilian Carneiro in 1949”.
(NILSSON, 1961).

Desde então, segundo relato do próprio Carneiro
(1999), tentaram-se sem sucesso o estabelecimento de
contatos e a busca de quaisquer outras informações
sobre Akasawa. Ele nunca enviou qualquer
comunicação à RILEM, nem tão pouco deixou sinais de
outras publicações. Suspeita-se que ele tenha morrido
na II Guerra Mundial ou mesmo que tenha mudado o
ramo profissional para outro não tecnocientífico.

Mas por que, mesmo depois da republicação do
artigo pela RILEM, ninguém mais reivindicou os
direitos de autoria do método para Akasawa? Foi a


Lobo Carneiro, após a realização de diversos ensaios
experimentais, propôs o método para determinação da
resistência à tração dos concretos por compressão
diametral.
O método foi adotado pela C.E.B.(1964),
ASTM(1966) e pela I.S.O.(1980) tornando-se
internacionalmente conhecido como “ensaio brasileiro”,
recebendo esta denominação nos mais diversos idiomas.


OS PROCEDIMENTOS PARA EXECUÇÃO DO
ENSAIO DE LABORATÓRIO PARA
DETERMINAÇÃO DA RESISTÊNCIA À
TRAÇÃO DE CORPOS DE PROVA
CILÍNDRICOS POR COMPRESSÃO
DIAMETRAL


Sinteticamente, o método consiste da determinação
da resistência à tração a partir da aplicação e rotura por
compressão diametral de corpos de prova de concreto,
da seguinte forma:

a) Coloca-se um corpo de prova CP cilíndrico ( com
15 cm de diâmetro e 30 cm de altura) na posição
horizontal entre as duas placas de aplicação de
esforços de uma prensa. Interponha-se duas réguas
estreitas ( entre 5 a 10 % do diâmetro do CP, ou seja
entre 0,75 e 1,50 cm) segundo as geratrizes verticais
das duas faces do CP cilíndrico conforme pode ser
visto na figura 5. Importante ressaltar que a não
colocação ou a colocação fora dos limites pré-
estabelecidos destas réguas (geralmente construídas
em madeira), também chamadas de frisos ou
taliscas, produzem perturbações e consequentemente
maus resultados;

REVISTA ATOR-REDE
Edição Especial ANO 1 VOL 1 Número 1 2013
paredes da Igreja com cerca de um metro de espessura
eram de materiais muito heterogêneos - pedra, madeira,
e restos de estátuas - o que tornava difícil a previsão
precisa de seu comportamento durante o transporte) e
decidiu não gastar os cinco milhões de cruzeiros
previstos (CASTRO&SCHWARTZMAN, 1981, p.3).

Os ensaios para determinação da capacidade
portante dos roletes levou o à invenção do ensaio de
compressão diametral, inventado em 1943 pelo
engenheiro Fernando L. Lobo Carneiro e hoje
universalmente conhecido como brazilian test.

A PARTICIPAÇÃO INTERNACIONAL DO I.N.T.

Este era um período em que a engenharia brasileira
possuía destaque no campo do concreto armado tanto
que participava ativamente das reuniões internacionais
do Comitê Europeu (C.E.B.), influindo em muitos
aspectos nas suas recomendações técnicas.
Em 1947, porta-vozes dos maiores Laboratórios de
Ensaios do mundo reuniram-se em Paris, na França,
com o objetivo de fundar uma organização
internacional que servisse de fórum de discussões dos
assuntos relacionados aos ensaios e pesquisas de
laboratórios para materiais e estruturas. O Brasil foi
representado pelo INT, na figura do seu diretor Fonseca
Costa. Ele levou como contribuição técnica brasileira
àquela reunião de fundação da RILEM a proposta de
Lobo Carneiro para determinação da resistência à tração
dos concretos por compressão diametral. Este método
passou, a partir de então, a ser adotado em diversos
países até vir a ser considerado reconhecido
internacionalmente, sendo adotado inclusive pelas
organizações de padronização de ensaios mundiais. É
fato reconhecido internacionalmente que a engenharia
brasileira assumiu posições de liderança em obras de
concreto armado, conseguindo 23 recordes mundiais.

Guerra? E o seu Laboratório? E a sua tese de
doutorado? E os seus aliados? Por que todos se
paralisaram do lado de Akasawa quando a controvérsia
se estabeleceu? Por que ninguém se apresentou como
seu porta-voz?

O PORTA-VOZ DOS CP’S CILÍNDRICOS

Sintetizando esta abordagem sociotécncia, cabe
ressaltar que se por um lado os corpos de prova
cilíndricos não quiseram se comportar com uma
resistência viável para o projeto de transporte sobre
roletes da Igreja de São Pedro em 1943, por outro lado
eles iniciaram uma comunicação promissora com Lobo
Carneiro.
Eles rompiam sempre segundo o plano vertical que
continha as geratrizes de suas faces circulares. Além
disto os valores da tensão de rotura eram sempre
equivalentes à resistência à tração ou ainda cerca de 8 a
10 vezes menor que a resistência a compressão para
este mesmo corpo de concreto, se ensaiado axialmente.
Estes valores eram valores muito próximos dos
valores de resistência à tração determinados pelos
ensaios de flexão em corpos de prova cúbicos (até então
predominantemente utilizados).
Enfim, Carneiro colocava os corpos de prova
cilíndricos na prensa, sempre segundo determinadas
condições, e pronto: eles rompiam da mesma forma e
segundo as suas tensões de tração.
Carneiro aplicou as teorias da elasticidade e propôs
o novo método, inicialmente no Brasil na ABNT e foi
muito bem recebido. Neste momento ele adquiriu
reconhecimento e conquistou aliados importantes.
Este método foi levado para a reunião de fundação
da International Union of Testing and Research
Laboratories (RILEM), em Paris, em junho de 1947 e
por ela foi disseminado naquele momento através de
exemplares entregues em mãos por Fonseca Costa aos
representantes dos dezesseis países presentes.

Figura 5: Lobo Carneiro, com Dirceu Veloso, sendo
entrevistado e, ao final, ensaiando o “Brazilian Test”
em 01/06/99. (Fotos: Álvaro Vianna exceto a foto
central, com a esposa - Dona Zenaide – destaque
especial, publicada em matéria de 19/11/2001- Planeta
COPPE )

b) carrega-se o CP por compressão diametral até a sua
rotura, que se fará segundo um plano vertical que
contém as suas geratrizes;

Figura 6: Representação esquemática da forma da
rotura por compressão diametral (Extraída de SILVEIRA,
1944).
REVISTA ATOR-REDE
Edição Especial ANO 1 VOL 1 Número 1 2013

São eles:

1926 Marquise Jóquei Clube RJ, balanço de 22,4 m.
1926 Ponte Pres. Sodré – Cabo Frio– RJ, arco de 67m.
1928 Edifício A Noite -Rio de Janeiro, 102,8m altura.
1929 Edifício Martinelli –São Paulo,105,6m de altura.
1930 Elevador Lacerda Salvador–BA,73,5m de altura.
1930 Galpão Campo dos Afonsos – RJ- arco de 93,1m.
1930 Ponte Emílio Baumgart - SC -viga reta de 68m.
1931 Mon. Do Cristo Redentor – RJ - 38 m de altura.
1937 Ponte Mayrink – Santos - arcos flexíveis de 48m.
1937 Viaduto Mayrink – Santos - viga reta de 78,6m.
1937 Marquise Jóquei Clube SP - balanço de 25,2m.
1938 Ponte rio Mucuri – MG - viga reta de 39,3m.
1943 Cúpula Quitandinha –Petrópolis diâm. de 46,4m.
1949 Ponte Galeão - Rio - vigas de conc. Prot..
1952 Ponte Rio da Antas – RS - arco de 186m.
1953 Ponte rio São Francisco – BA vigas de conc. Prot.
1960 Ponte "do Estreito" (rio Tocantis) 140m de vão.
1962 Ponte Brasil-Paraguai - arco de 303m.
1964 Edifício Itália - São Paulo-altura de 151m.
1968 Museu de Arte Moderna - SP vão livre de 74 m.
1969 Edifício garagem "San Siro"- SP altura de 90,3m.
1975 Ponte Colombo Sales-SC vigas conc. Prot..
1982 Barragem de Itaipú - altura de 190m.

Dez anos após a primeira publicação do método, ou
seja, em 1953, descobre-se que um Japonês, Tsúneo
Akasawa, havia inventado o mesmo método. Tudo
registrado em publicação técnica e em um fórum
competente (AKASAWA, 1943). Mas Akasawa, sai de
cena, ou o que pode ter sido mais trágico, a Guerra
muda a sua trajetória.

Fonseca Costa, como porta-voz do INT e dos
Laboratórios Brasileiros de Materiais e Estruturas na
reunião que fundou a RILEM, ao levar o trabalho de
Carneiro no local e no tempo certo faz com que o
mundo se interessasse pelo método e o referenciasse a
sua autoria e por conseqüência os seus créditos à Lobo
Carneiro.

No final da década de 50, Lobo Carneiro recebe
uma notícia alvissareira de seu colega professor,
Jacques de Medina, que regressava do aperfeiçoamento
em Mecânica dos Solos aplicada à construção de
Estradas e Pavimentos na França. Segundo Medina o
pesquisador francês R. Peltier havia incluído o método
de Carneiro em um manual de laboratório
denominando-o de “essai brésilien” (R. PELTIER –
Manual du Laboratoire Routier – Paris e Étude
théorique de léssai brésilien - Bull. RILEM número 19,
Octobre, 1954). Este fato pioneiro e interessante leva
Lobo Carneiro a acompanhar mais de perto a difusão de
seu método. É na França que seu método recebe o
reconhecimento fundamental para a o seu processo de
difusão. Em 1964, Lobo Carneiro, vai para França onde
realiza estágio técnico, como bolsista do Governo
Francês, principalmente nos laboratórios de Saint-Remy
– lés Chevreuse, sob a orientação de Robert l’Hermite,
fundador e então Secretário Geral da RILEM. Durante
esta estada na França, e estimulado pelas
comemorações do 4.o centenário do nascimento de
Galileo, Carneiro realizou pesquisas bibliográficas em
Paris e Florença, das quais resultou o artigo “Galilée,



Figura 7: Fotografia do Laboratório de Materiais do
INT. O corpo de prova cilíndrico rompido. (Extraída de
CARNEIRO, 1947)

b) a resistência à tração será determinada pela seguinte
equação:
L D
P 2
T



 



onde:


T
= resistência à tração sob a forma de tensão

P = a carga de rotura

D = diâmetro do corpo de prova

L = comprimento do corpo de prova
REVISTA ATOR-REDE
Edição Especial ANO 1 VOL 1 Número 1 2013

Além deste recordes são também notáveis as
estruturas de concreto de Brasília (palácios, catedral,
etc), quase todas de autoria do Engenheiro Joaquim
Cardoso, e a Ponte Rio-Niterói, que se destaca
especialmente pela quantidade, em volume, de concreto
empregado em sua construção além de obras notáveis
como o Estádio de Futebol Mário Filho (Maracanã),
considerado o maior do mundo. No campo do concreto
protendido, o principal nome foi o engenheiro Roberto
R. Zuccolo.

A engenharia brasileira teve também liderança
mundial na normalização e na pesquisa tecnológica do
concreto armado, adotando práticas e critérios que só
mais tarde foram seguidos por outros países.

Nesses campos destacaram-se o Instituto de Pesquisas
Tecnológicas, de São Paulo, além do Instituto Nacional
de Tecnologia, no Rio de Janeiro, e os engenheiros Ary
F. Torres, Telêmaco van Langendonck, Paulo A. de Sá,
além do Engenheiro Fernando L. Lobo Carneiro. O
extraordinário desenvolvimento do concreto armado a
partir da década de 1920 foi uma bem sucedida
iniciativa brasileira de nacionalização da engenharia
estrutural, substituindo em prédios, pontes, viadutos,
etc, as estruturas de aço importadas por estruturas de
concreto, de projeto e materiais nacionais.

fondateur de la résistance des matériaux/Galileo,
Founder of the Science os the Strenght of Material”,
publicado nas duas línguas pela revista da RILEM em
1965 e republicado em 1997 em edição comemorativa.

Ele também foi publicado em espanhol, com tradução
pelo físico Julio Palacios, pela “Revista de la Real
Academia de Ciências, Físicas, Exacts y Naturais de
Madrid”. Cabe registrar que este artigo teve várias
republicações posteriores.

Depois de percorrer esta trajetória o método e seu
inventor passam a serem pontos de passagem
obrigatórios para todos os especialistas e laboratórios de
ensaios para determinação da resistência à tração dos
concretos. Por sua vez, isto leva a um fortalecimento
dos corpos de prova cilíndricos de concreto. Além
disto, eles adquirem diversos aliados: a engenharia de
pavimentos, a geologia, os computadores e suas
modelagens numéricas, os laboratórios que migram dos
CPS’s cúbicos para os cilíndricos, etc. Desta forma
eles, os corpos de prova cilíndricos, acabam
fortalecendo o método de seu maior porta-voz, Lobo
Carneiro. Com isto os corpos de prova cilíndricos e o
método passaram a ser cada vez mais adotados tanto em
laboratórios de ensaios de concreto como em outros de
outras áreas.

Os diversos organismos de padronização
internacional adotaram o método: a ASTM(1962),
CEB(1964), RILEM (1966) e ISO (1980). Com isto
consagrou-se a sua estabilização que embora não seja,
por definição, definitiva apresenta-se como uma
conquista merecida de Lobo Carneiro e de seus aliados,
humanos e não humanos especialmente pela capacidade
demonstrada na manutenção das suas ligações e na
condução dos seus interesses, todos em forma de uma
rede mais do que tecnocientifica ou sociohistorica
isoladamente, mas sim como uma rede sociotécnica.








Figura 7: Fotografia do Laboratório de Materiais do
INT. O corpo de prova cilíndrico colocado na prensa de
aplicação das cargas de compressão. (Extraída de
CARNEIRO, 1947)
REVISTA ATOR-REDE

ANO 1 VOL 1 Número 1 2013

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Julga-se relevante ressaltar que o desenvolvimento geral do texto foi fundamentalmente baseado
nas informações obtidas na entrevista realizada com o Professor Lobo Carneiro (CARNEIRO, 1999).
Entretanto, não poderia deixar de reconhecer a importância das diversas contribuições informais recebidas
através dos relatos e testemunhos obtidos junto a pessoas que foram contatadas ao longo da realização do
trabalho. Por dificuldades de se identificar o ponto onde estas contribuições afetaram o texto tornou difícil
o seu registro específico nele. De forma análoga pode ser considerado o tratamento dado ao chamado
conhecimento enciclopédico (LAROUSSE, 1988).



AGRADECIMENTOS

O autor agradece aos Professores Ivan Marques e Fernando Manso a oportunidade da realização
do trabalho. Ao Professor Lobo Carneiro e a Dona Zenaide pela compreensão e participação. Ao pessoal
do Laboratório de Estruturas e de Geotecnia da COPPE e do Laboratório de Materiais de Construção da
Escola de Engenharia da UFRJ, em especial aos funcionários França, Luzidele, Bill, Álvaro Vianna,
Maria da Glória e aos Prof.s Eduardo Baptista, Lídia Shehata , Ronaldo Batista, Eduardo Magluta , Ney
Roitman, Jacques de Medina e Laura Motta além do Caíque, que fez a filmagem da entrevista. Enfim a
todos, incluindo os que, certamente, esqueci, mas que colaboraram para a realização deste trabalho.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas - V Reunião da Associação
Brasileira de Normas Técnicas - Texto de Fernando Lobo Carneiro - Ensaio de
tração indireta em concreto - paginas 127 a 129 - 16 de setembro de 1943
Akasawa, Tsunéo. Méthode pour léssai de traction des bétons. Journal of the Japanese
Civil Engineering Institute. Novembro. 1943.
Akasawa, Tsunéo. Réf. Número 6, publ. Bulletin RILEM, número 16 (anccienne série).
P. 13-23. Novembro. Paris. 1953.
Barbosa, Lívia. O jeitinho brasileiro - A arte de ser mais igual que os outros. Editora
Campus. 153p. Rio de Janeiro. 1992.
Bijker, Wiebe E. The Social Construction of Fluorescent Lighting, or How na Artifact
was invented in its diffusion stage. Texto utilizado na disciplina COS 717 - 99/1.
COPPE/UFRJ. 1999.
Carneiro, Fernando L. Lobo B. Carneiro. Dosagem de Concretos. Instituto Nacional de
Tecnologia. Gráfica Olímpia. 111p. Rio de Janeiro. 1943.
Carneiro, Fernando L.L.B. & Barcellos, Aguinaldo. Résistance à la traction des bétons -
Une nouvelle méthode pour la détermination de la resistance à la traction des
bétons (suivi de: Aguinaldo BARCELLOS - Corrélation entre la résistance à la
traction et la résistance à la compression des bétons) - Travaux presentés à la
“Reunion Internationalle des Laboratoires d’Essai”(fondation de la RILEM - Juin
1947), publ. Instituto Nacional de Tecnologia. Rio de Janeiro. 1949.
Carneiro, Fernando L. L. - réf. Número 4, publ. Bulletin RILEM, número 13 (ancienne
série) p. 103-127. Mars 1953. Paris. 1953.
Carneiro, Fernando Lôbo. “Um novo método para a determinação da resistência à
tração dos concretos. Instituto Nacional de Tecnologia. Rio de Janeiro. 1943.
Carneiro. Fernando L. Lobo B. Entrevista concedida a Eduardo Nazareth Paiva em 01
de junho de 1999. Local: Sala de Reuniões do Laboratório de Estruturas. Programa
de Eng. Civil da COPPE/UFRJ. Presentes: Dona Zenaide Monteiro Moraes
REVISTA ATOR-REDE

ANO 1 VOL 1 Número 1 2013
Carrneiro, Prof. Dirceu Velloso e equipe de produção ( Álvaro Vianna e Carlos
Henrique ).
Grande Enciclopédia Larousse Cultural. Editora Universo. São Paulo. 1988.
Latour, Bruno. Cinencia en action. Editorial Labor S.A., 278p. Traduçao: Eduardo
Aibar, Roberto Mendez e Estela Pionisio. Do original: Science in Action. Espanha.
1992.
Latour, Bruno. Science in Action. Harvard University Press. 274p. EUA. 1987.
Medina, Jacques de. Mecânica dos Pavimentos. Editora da UFRJ. Rio de Janeiro. 1997.
Montoya, P. J., Meseguer, ª G. Cabré, F. M. Hormigon armado. Vol. 1. Editora Gustavo
Gili. Barcelona, Espanha. 1991.
Orchard, D. F. Concrete Technology. Vol. 2. Editora John Wiley & Sons. Grã-Bretanha.
1962.
Ribeiro, Darcy. O povo brasileiro - A formação e o sentido do Brasil. Companhia das
Letras.470p. São Paulo. 1995.
RILEM. Fifty year of evolution of Science and Technology of building materials and
structures. Aedificatio Publishers. Germany. 1997.
Rocha, João Augusto de Lima. Discurso de saudação ao Prof. Lobo Carneiro por
ocasião da entrega do título Doutor Honoris Causa pela UFBa. Salvador. 1987.
Silveira, Icarahy da. “Ensaio de compressão diametral em solos”. Artigo publicado na
Revista Municipal de Engenharia, da Secretaria Geral de Viação e Obras, números
3 e 4, vol. XI, julho e outubro de 1944. Rio de Janeiro. 1944.
Troxell, G. E., Davis, H. E. Introdução à Execução e Ensaio do Concreto Simples.
Tradução de Eládio Petrucci e Herberto Albrecht. Do original (sem data):
Composition and Properties of Concrete. In: Manual do Engenheiro Globo. 2° Vol.
2° Tomo. Editora Globo. Porto Alegre. 1977.
Troxell, G. E., Davis, H. E.. Composition and Properties of Concrete. Editora McGraw-
Hill. EUA. 1956.





ORGANIZAÇÕES PARA NORMALIZAÇÃOE PADRONIZAÇÃO TÉCNICA

American Association os State Highway and Transportation Officials (AASHTO).
American Society for Testing and Material (ASTM).
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Comité Européen du Béton (C.E.B.).
International Organisation for Standardisation (ISO)
Réunion Internationale des Laboratoires déssai et de recherches sur les materiaux et les
constructions (RILEM).