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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO

CENTRO DE ESTUDOS SUPERIORES DE BACABAL
CURSO DE DIREITO


GIORJA DA SILVA COSTA SOUSA 20107A226
JAÊNIA BRUNA BARROS ELOI DOS SANTOS 20107A204
JOÃO VICTOR FERNANDES POUSO 20107A211
ROSILDA ALVES DOS SANTOS 20107A217






ARBITRAGEM NO DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO



















Bacabal
2013


GIORJA DA SILVA COSTA SOUSA 20107A226
JAÊNIA BRUNA BARROS ELOI DOS SANTOS 20107A204
JOÃO VICTOR POUSO FERNANDES 20107A211
ROSILDA ALVES DOS SANTOS 20107A217







ARBITRAGEM NO DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO

Trabalho apresentado ao Curso de Direito da
Universidade Estadual do Maranhão - Centro de Estudos
Superiores de Bacabal, para obtenção de parte da
segunda nota da disciplina Direito Internacional.

Professor: Herbeth Barreto Souza






Bacabal
2013



SUMÁRIO

1. Introdução ............................................................................................................................... 4

2. A Arbitragem e a Lei Brasileira: A Lei nº 9.307/96 ............................................................... 5

3. A Arbitragem nos Tratados .................................................................................................... 7
3.1. A Arbitragem nos Tratados de Alcance Global ............................................................... 7
3.1.1. Protocolo Relativo a Cláusulas de Arbitragem (Protocolo de Genebra)................... 8
3.1.2. Convenção sobre o Reconhecimento e a Execução de Sentenças Arbitrais
Estrangeiras (Convenção de Nova Iorque) ........................................................................ 8
3.2. A Arbitragem nas Américas .......................................................................................... 10
3.2.1 Convenção Interamericana sobre Arbitragem Comercial Internacional
(Convenção do Panamá) .................................................................................................... 11
3.2.2. Convenção Interamericana sobre Eficácia Extraterritorial das Sentenças e
Laudos Arbitrais Estrangeiros (Convenção de Montevidéu). .......................................... 11
3.3. A Arbitragem no Mercosul ............................................................................................ 11
3.3.1. Acordo sobre Arbitragem Comercial Internacional do Mercosul
(Acordo de Buenos Aires) ................................................................................................. 12
3.3.2. Protocolo de Cooperação e Assistência Jurisdicional em Matéria Civil,
Comercial, Trabalhista e Administrativa (Protocolo de Las Leñas) ................................. 14
4. A Homologação de Laudos Arbitrais Estrangeiros no Direito Interno Brasileiro ............... 14

5. Considerações Finais ............................................................................................................ 15

Referências ............................................................................................................................... 17

4

1. INTRODUÇÃO
Com a globalização, percebe-se que se torna mais urgente a necessidade da criação
de instrumentos de pacificação internacional que sejam mais eficazes na solução dos problemas;
a arbitragem é um desses mecanismos, uma vez que busca resolver questões com maior
celeridade, sigilo e eficiência.
Esse instituto tem alcançado destaque internacional na solução de litígios
extrajudicialmente, uma vez que as partes escolhem um árbitro para intervir na questão
demandada. Este árbitro é escolhido pela concordância das partes, com o objetivo de intervir.
Para isso, deverá ter conhecimentos bastante abrangentes acerca dos assuntos em questão.
No direito internacional, a arbitragem está servindo para dirimir conflitos entre
pessoas domiciliadas em Estados diversos, assim como as lides que envolvem contratos
internacionais entre elementos de países distintos.
A arbitragem, enfocada sob a óptica do Direito Internacional Privado deve ser
entendida como um mecanismo para dirimir conflitos envolvendo relações internacionais, de
caráter predominantemente privado. Antes, faz-se necessário discorrer acerca do conceito desse
instituto, Paulo Henrique Portela Gonçalves diz: “A arbitragem é o mecanismo de solução de
litígios pelo qual as partes decidem submeter um conflito a um ou mais especialistas em certo
tema, que não pertencem ao Poder Judiciário, mas cuja decisão deverá basear-se no Direito e
tem caráter vinculante”
1
.
Como referência notadamente marcante no cenário jurídico internacional, quanto a
arbitragem, é a Lei Modelo sobre Arbitragem Comercial Internacional, de 1985; elaborada pela
Comissão das Nações Unidas para o Direito Comercial Internacional, que é utilizada como
parâmetro para a elaboração de tratados e de normas de Direito interno em matéria de
arbitragem.
No Brasil, em 23 de setembro de 1996 foi aprovada a Lei nº 9.307/96, que regula o
funcionamento dos mecanismos de Arbitragem no País, em consonância com o Código de
Processo Civil.

1
PORTELA. Paulo Henrique Gonçalves. Direito Internacional Público e Privado. P. 749
5

Dentro desse instituto, encontra-se a “cláusula compromissória”, que pode ser
entendida como a decisão das partes de submeter uma controvérsia à arbitragem, que deve
constar em contrato ou documento à parte, prévios ao eventual litígio, definindo os poderes dos
árbitros e ainda questões que possam ter relevância no procedimento da arbitragem. Ainda há
a possibilidade das partes submeterem um conflito à arbitragem depois do aparecimento do
litígio, através de um “compromisso arbitral”, selado através de um aditivo ao contrato.
Pode-se citar como princípios norteadores da Arbitragem: a autonomia da vontade,
a boa-fé, devido processo legal, imparcialidade do árbitro, livre convencimento do árbitro e
motivação das decisões, a autonomia da cláusula compromissória e a competência.
Na formação do órgão julgador, pode-se destacar que ele deve ser formado por um
ou mais árbitros, em número ímpar. Para primar pela especialidade, os árbitros podem ser
escolhidos exclusivamente para conhecer de determinada controvérsia, ou ainda podem
pertencer a uma instituição permanente, que tenha uma lista de árbitros à disposição, como a
Câmara de Comercio e os Tribunais Arbitrais. No campo internacional destacam-se a
Associação Americana de Arbitragem (AAA), a Câmara Internacional de Comércio (ICC), a
Corte Internacional Arbitral de Londres (LCIA) e a Corte Permanente de Arbitragem (PCA).
Como destaque nas Américas, encontra-se a Comissão Interamericana de Arbitragem comercial
(CIAC).

2. A ARBITRAGEM E A LEI BRASILEIRA: A LEI Nº 9.307/96
As relações comerciais passaram por um processo de globalização, o instituto da
Arbitragem veio garantir que eventuais litígios sejam resolvidos pelos árbitros, com
conhecimento na matéria objeto. No Brasil, a Lei nº 9.307/96, atua nos contratos que possuem
a cláusula arbitral.
Preceituam os artigos 1º e 3º que a Arbitragem é uma faculdade das partes
envolvidos em uma relação jurídica, que será levada a resolução por meio de uma “convenção
de arbitragem”, que poderá ser formalizada na cláusula compromissória. A cláusula
compromissória por sua vez, faz compromisso entre as partes. Podendo ocorrer, entretanto, que
no momento do surgimento do litígio, uma das partes se recuse a cumprir com o pactuado no
contrato. Sendo a cláusula compromissória apenas a previsão de um futuro compromisso como
6

meio de solucionar eventuais litígios durante a execução de um negócio jurídico, representando
apenas a promessa de pactuar eventualmente o compromisso, pode não chegar à meta do juízo
arbitral se não houver acordo entre os litigantes para tanto. No entanto a Lei nº 9.307/96 no
artigo 7º, parágrafos do 1º ao 7º prever tal condição, permitindo que a parte interessada possa
se valer de um juiz para citar a outra parte a fim de se formalizar o compromisso, designando o
juiz audiência especial para tal fim. Contudo, arbitragem só poderá intervir nos litígios
envolvendo direitos patrimoniais disponíveis.
Com relação a cláusula compromissória o Superior Tribunal de Justiça decidiu que:
“Não pode afastar a convenção arbitral nele instituída por meio de
cláusula compromissória ampla, em que se regulou o juízo competente
para resolver todas as controvérsias das partes, incluindo a extensão dos
temas debatidos, sob a alegação de renúncia tácita ou de suposta
substituição do avençado. Assim, uma vez expressada a vontade de
estatuir, em contrato, cláusula compromissória ampla, a sua destituição
deve vir por meio de igual declaração expressa das partes, não servindo,
para tanto, mera alusão a atos ou acordos que não tenham o condão de
afastar a referida convenção”
2
.

Quando se trata da escolha dos árbitros, as partes deverão escolher em número
ímpar. Cabendo o processo de escolha acontecer de comum acordo ou ainda poderão adotar as
regras de um órgão arbitral institucional para a escolha dos árbitros (art. 13 §§ 1º a 3º). Salienta-
se que qualquer pessoa capaz e que tenha a confiança das partes pode ser árbitro; devendo esses
árbitros zelar pela não violação aos bons costumes e à ordem pública.
Com relação aos impedimentos, o artigo 14 da supracitada Lei preceitua que as
partes que possuírem relações com as partes ou com o litígio, não poderão proceder como
árbitros, cabendo a estes revelar, antes de aceitar a função, qualquer fato que venha
comprometer o processo e infrinja a imparcialidade e a independência, as quais devem
caracterizar a Arbitragem.

2
PORTELA. Paulo Henrique Gonçalves. Direito Internacional Público e Privado, citando decisão do Superior
Tribunal de Justiça. P.753
7

A arbitragem estará constituída nos termos do artigo 19, quando houver a aceitação
da nomeação “pelo árbitro, se for único, ou por todos, se forem vários”.
3
Quem pretender
levantar questões referentes à competência, suspeição ou impedimento do árbitro, deverá fazê-
lo na primeira oportunidade que tiver.
Com isso, uma vez acolhida a arguição de suspeição ou impedimento, o
procedimento deverá ser disciplinado conforme o artigo 16 da referida Lei, ou seja o árbitro
será substituído, no entanto, “se for reconhecida a incompetência do árbitro, assim como a
nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção da arbitragem, serão as partes remetidas ao
órgão do Poder Judiciário competente para julgar a causa”
4
. Contudo, se não for acolhida a
arguição de suspeição ou impedimento, o processo da arbitragem terá curso normal.
Os artigos 23 a 33 da Lei nº 9.307/96, disciplina a sentença arbitral, que deverá ser
estabelecida no prazo acordado entre as partes, e em até seis meses, no silencio das partes,
contados da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. A arbitragem termina com
a sentença arbitral, que deverá ser remetida a cópia às partes, podendo em até cinco dias pedir
correção de erros materiais ou esclarecimentos acerca de pontos obscuros.
O Brasil utiliza a sentença arbitral como título executivo (art.31), cabendo ao
Judiciário competente a promoção de tal execução. A homologação de decisão arbitral só será
necessária quando sua procedência é estrangeira (art. 34 a 40), portanto, as sentenças arbitrais
tem o mesmo efeito de uma sentença judicial.

3. A ARBITRAGEM NOS TRATADOS
O Brasil faz parte de alguns dos principais tratados que regulam a arbitragem
internacional.
3. 1. A arbitragem nos tratados de alcance global
Os principais tratados que possuem uma abertura para participação quaisquer estados
do mundo são o Protocolo relativo a cláusulas de Arbitragem (Protocolo de Genebra) e a

3
Lei nº 9.307/96 de 23 de setembro de 1996
4
PORTELA. Paulo Henrique Gonçalves. Direito Internacional Público e privado. P. 754
8

Convenção sobre o Reconhecimento e a Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras
(Convenção de Nova Iorque).

3.1.1. Protocolo relativo a Cláusulas de Arbitragem (Protocolo de Genebra)

O decreto n
o
21.187, de 22/03/1932, veio promulgar o Protocolo relativo a cláusula de
arbitragem, firmado em Genebra a 24 de setembro de 1923.
Por meio desse protocolo, as cláusulas arbitrais firmadas entre as partes que se
submetem a jurisdição de diferentes Estados sejam na matéria comercial ou outra controvérsia
que possa ser solucionada pela arbitragem, passam a ter validade para os Estados que fazem
parte do referido protocolo, mesmo que essa arbitragem ocorra em um Estado diferente daquele
que a jurisdição está sujeita à parte.
O referido protocolo ainda afirma que os Estados contratantes comprometem-se a
facilitar os atos processuais, que seja necessário realizar nos seus territórios, de acordo com as
disposições que regem, nas suas legislações respectivas, o processo de arbitragem por
compromisso.
Cada Estado contratante se compromete a garantir a execução, pelas suas autoridades e
de conformidade com as disposições da sua legislação nacional, das sentenças arbitrais
proferidas no seu território, em virtude dos artigos precedentes.
Os tribunais dos Estados contratantes, dos quais esteja pendente um litígio relativo a um
contrato concluído entre pessoas previstas no artigo 1° e que encerra um compromisso, ou
suscetível de ser executada, remeterão os interessados, a pedido de um deles, ao julgamento dos
árbitros.
Essa transferência não prejudicará a competência dos tribunais, no caso de por qualquer
motivo, o compromisso, a cláusula compromissória ou a arbitragem haverem caducado ou
deixado de produzir efeito.

3.1.2. Convenção sobre o Reconhecimento e a Execução de Sentenças Arbitrais
Estrangeiras (Convenção de Nova Iorque)

Em 23.07.2002, por meio do Decreto 4.311 foi, finalmente, ratificada pelo Brasil e
incorporada ao seu ordenamento jurídico interno a Convenção sobre o Reconhecimento e
9

Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras, celebrada em 1958 em Nova Iorque, mais
conhecida como Convenção de Nova Iorque.
A convenção aqui tratada determina em seu art. II que cada Estado participante da
mesma deverá reconhecer o acordo escrito pelo qual as partes se comprometem a submeter à
arbitragem todas as divergências que tenham surgido ou que possam vir a surgir entre si no que
diz respeito a uma relação jurídica determinada, seja ele contratual ou não, com relação a uma
matéria passível de solução mediante arbitragem.
Ainda em seu art. IV traz os requisitos para que ocorra o reconhecimento e a execução
de sentenças arbitrais estrangeiras em outro Estado, a parte que solicitar o reconhecimento e a
execução fornecerá, quando da solicitação:
a) a sentença original devidamente autenticada ou uma cópia da mesma devidamente
certificada;
b) o acordo original a que se refere o Artigo II ou uma cópia do mesmo devidamente
autenticado.
A parte que solicitar o reconhecimento e a execução da sentença produzirá uma tradução
desses documentos para tal idioma, caso tal sentença ou acordo não tenha sido feito em um
idioma oficial do país no qual a sentença é invocada. A tradução será certificada por um tradutor
oficial ou juramentado ou por um agente diplomático ou consular.
Poderá ser indeferido o reconhecimento da sentença se a outra parte conseguir provar
as circunstâncias descritas no art.V da Convenção de Nova Iorque, que assim afirma:

a) as partes do acordo a que se refere o Artigo II estavam, em
conformidade com a lei a elas aplicável, de algum modo incapacitadas,
ou que tal acordo não é válido nos termos da lei à qual as partes o
submeteram, ou, na ausência de indicação sobre a matéria, nos termos
da lei do país onde a sentença foi proferida; ou
b) a parte contra a qual a sentença é invocada não recebeu notificação
apropriada acerca da designação do árbitro ou do processo de
arbitragem, ou lhe foi impossível, por outras razões, apresentar seus
argumentos; ou
c) a sentença se refere a uma divergência que não está prevista ou que
não se enquadra nos termos da cláusula de submissão à arbitragem, ou
contém decisões acerca de matérias que transcendem o alcance da
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cláusula de submissão, contanto que, se as decisões sobre as matérias
suscetíveis de arbitragem puderem ser separadas daquelas não
suscetíveis, a parte da sentença que contém decisões sobre matérias
suscetíveis de arbitragem possa ser reconhecida e executada; ou
d) a composição da autoridade arbitral ou o procedimento arbitral não
se deu em conformidade com o acordado pelas partes, ou, na ausência
de tal acordo, não se deu em conformidade com a lei do país em que a
arbitragem ocorreu; ou
e) a sentença ainda não se tornou obrigatória para as partes ou foi
anulada ou suspensa por autoridade competente do país em que, ou
conforme a lei do qual, a sentença tenha sido proferida.
5


Outra situação que levará a sentença arbitral não ser executada, é o fato do país não
considerar o objeto da decisão passível de arbitragem ou se a sentença contrariar a ordem
pública.
Caso a parte busque junto a um órgão jurisdicional o não-reconhecimento de um laudo
arbitral, a autoridade perante a qual a sentença está sendo invocada poderá, se assim julgar
cabível, adiar a decisão quanto a execução da sentença e poderá, igualmente, a pedido da parte
que reivindica a execução da sentença, ordenar que a outra parte forneça garantias apropriadas.
Após a homologação da sentença arbitral estrangeira, essa passa a ter plena eficácia no
território nacional, tornando-se obrigatória, desse modo os Estados deverão assegurar sua
aplicação, pois se assim não ocorrer, ensejará a responsabilização internacional desse ente
estatal.

3.2. A Arbitragem nas Américas
Os principais tratados sobre arbitragem presente nas Américas são a Convenção
Interamericana sobre Arbitragem Comercial Internacional (Convenção do Panamá) e
Convenção Interamericana sobre Eficácia Extraterritorial das Sentenças e Laudos Arbitrais
Estrangeiros (Convenção de Montevidéu).


5
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Decreto nº 4.311. Disponível
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4311.htm)

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3.2.1. Convenção Interamericana sobre Arbitragem Comercial Internacional (Convenção
do Panamá)
A Convenção Interamericana sobre Arbitragem Comercial Internacional ou Convenção
do Panamá, firmada em 1975, passando a ser promulgada no Brasil através do Decreto 1.902,
de 09/05/1996.
Este tratado de arbitragem comercial firmado no âmbito da Organização dos Estados
Americanos para uniformizar o procedimento nos países membros têm previsões mais amplas
que a Convenção de Nova York. As partes decidem a forma de nomeação dos árbitros, podendo
estes ser os nativos ou estrangeiros. Na falta de acordo sobre as normas da arbitragem, o
procedimento se dará conforme as regras da Comissão Interamericana de Arbitragem
Comercial (CIAC).
Assim como na Convenção de Nova Iorque, também ocorre na Convenção do Panamá,
quanto à homologação de sentença, pois se o laudo arbitral não for impugnado, ou seja, for
homologado, passa a ter status de título executivo judicial. Porém esta sentença arbitral poderá
ser denegada, e ter execução suspensa, caso venha ocorrer nas situações previstas nos artigos
V e VI da Convenção aqui tratada.

3.2.2. Convenção Interamericana sobre Eficácia Extraterritorial das Sentenças e Laudos
Arbitrais Estrangeiros (Convenção de Montevidéu)

Por meio do Decreto 2.411 de 02/12/1997, o Brasil promulgou Convenção
Interamericana sobre Conflitos de Leis em Matéria de Sociedades Mercantis, concluída em
Montevidéu, em 08 de maio de 1979.
Esse tratado assinado no âmbito da Organização dos Estados Americanos aborda a
eficácia extraterritorial das sentenças judiciais e arbitrais entre os países signatários. Inclui
sentenças judiciais e arbitrais proferidas em processos civis e trabalhistas, além dos comerciais.
As normas dessa convenção só se aplicam aos casos que não estiverem previstos pela
Convenção do Panamá.

3.3. A arbitragem no Mercosul

No âmbito do Mercosul, os principais tratados sobre arbitragem são o Acordo sobre
Arbitragem Comercial Internacional do Mercosul (Acordo de Buenos Aires) e o Protocolo de
12

Cooperação e Assistência Jurisdicional em Matéria Civil, Comercial e Administração
(Protocolo de Las Leñas).

3.3.1. Acordo sobre Arbitragem Comercial Internacional do Mercosul (Acordo de Buenos
Aires)

O acordo de Arbitragem Comercial Internacional do Mercosul, concluído em Buenos
Aires, em 23 de julho de 1998, foi promulgado pelo Brasil através do Decreto n° 4.719/03, de
04 de junho de 2003.
Este acordo tem por objetivo regular a arbitragem como forma de solução de conflitos
surgidos de contratos comerciais internacionais, firmados entre empresários sediados nos países
integrantes do Mercosul, ou seja, proporciona ao setor privado dos Estados-partes do Mercosul,
métodos alternativos para a solução de controvérsias surgidas de contratos comerciais
internacionais concluídos entre pessoas físicas ou jurídicas, de direito privado.
A aplicação desse acordo, tem seus requisitos descritos em seu art. III, que assim afirma:
O presente Acordo se aplicará à arbitragem, sua organização e
procedimentos e às sentenças ou laudos arbitrais, se ocorrer alguma das
seguintes circunstâncias:
a) a convenção arbitral for celebrada entre pessoas físicas ou jurídicas
que, no momento de sua celebração, tenham sua residência habitual ou
o centro principal dos negócios, ou a sede, ou sucursais, ou
estabelecimentos ou agências, em mais de um Estado Parte do
MERCOSUL;
b) o contrato-base tiver algum contato objetivo – jurídico ou econômico
– com mais de um Estado Parte do MERCOSUL;
c) as partes não expressarem sua vontade em contrário e o contrato-base
tiver algum contato objetivo – jurídico ou econômico – com um Estado-
Parte, sempre que o tribunal tenha a sua sede em um dos Estados Partes
do MERCOSUL;
d) o contrato-base tiver algum contato objetivo – jurídico ou econômico
– com um Estado Parte e o tribunal arbitral não tiver sua sede em
nenhum Estado-Parte do MERCOSUL, sempre que as partes
13

declararem expressamente sua intenção de submeter-se ao presente
Acordo;
e) o contrato-base não tiver nenhum contato objetivo – jurídico ou
econômico – com um Estado-Parte e as partes tenham elegido um
tribunal arbitral com sede em um Estado Parte do MERCOSUL, sempre
que as partes declararem expressamente sua intenção de submeter-se ao
presente Acordo.
6


A convenção arbitral visará sempre a equidade e a boa-fé, para tanto deverá ser escrita
e, se inserida em um contrato, além de estar claramente legível e localizada em lugar de
destaque. Ela é autônoma com relação contrato e sua inexistência ou invalidade não implica a
nulidade da convenção arbitral. As questões relativas à existência e validade da convenção
arbitral serão resolvidas pelo tribunal arbitral de ofício ou por solicitação das partes. O tribunal
arbitral terá ainda a faculdade de decidir acerca de sua própria competência. A arbitragem
poderá ser de direito ou de equidade, dependendo da vontade das partes. Na falta de disposição,
será de direito.
A validade formal da convenção arbitral se regerá pelo direito do lugar de celebração,
no entanto se não houverem cumprido os requisitos de validade formal exigidos pelo direito do
lugar de celebração, a convenção será considerada válida se cumprir com os requisitos formais
do direito de algum dos Estados com o qual o contrato-base tem contatos objetivos.
Livremente as partes poderão se submeter tanto a arbitragem institucional ou ad hoc, na
arbitragem institucional o procedimento se iniciará conforme o que disponha o regulamento ao
qual as partes tenham se submetido. Na arbitragem ad hoc a parte que pretenda iniciar o
procedimento arbitral intimará a outra na forma estabelecida na convenção arbitral.
O árbitro deverá ser legalmente capaz e gozará da confiança das partes, e agirá
independente de sua nacionalidade, salvo se as partes não acordarem assim, e isso valerá tanto
para arbitragem com apenas um árbitro, quanto para arbitragem ad hoc com mais de um árbitro.
As medidas cautelares ou a própria competência do tribunal arbitral, serão decididas por
esse pela autoridade judicial competente. A solicitação dirigida por qualquer das partes a uma
autoridade judicial não se considerará incompatível com a convenção arbitral, nem implicará

6
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Decreto n° 4.719. Disponível
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2003/D4719.htm)

14

renúncia à arbitragem. O laudo ou sentença arbitral será escrito, fundamentado e decidirá
completamente o litígio, além de ser definitivo e obrigatório para as partes e não admitirá
recursos, exceto os estabelecidos nos arts. 21 e 22.

3.3.2. Protocolo de Cooperação e Assistência Jurisdicional em Matéria Civil, Comercial,
Trabalhista e Administrativa (Protocolo de Las Leñas)
O Protocolo de Las Leñas, assinado pelo Brasil em 1992, disciplina, do artigo 18 ao 24,
a homologação de sentenças e laudos arbitrais em matéria civil, comercial, trabalhista e
administrativa, proferidos no âmbito dos países que fazem parte do MERCOSUL, para que
produzam efeitos dentre destes.
Segundo o artigo 19 do Protocolo, o reconhecimento e execução de sentenças e de
laudos arbitrais, quando solicitados pelos órgãos jurisdicionais, poderão tramitar através de
cartas rogatórias e serão transmitidos por meio da Autoridade Central, ou mesmo pela via
diplomática ou consular, observando sempre o direito interno. No Brasil, a Autoridade Central
neste tema é o Ministério da Justiça.

4. HOMOLOGAÇÃO DE LAUDOS ARBITRAIS ESTRANGEIROS NO DIREITO
INTERNO BRASILEIRO
É possível que laudos arbitrais proferidos no estrangeiro sejam homologados no Brasil,
havendo a necessidade de que certos requisitos legais sejam cumpridos. Essa questão é
regulada, basicamente, pela mesma legislação que trata da homologação de sentenças judiciais
estrangeiras.
O suporte legal para a homologação de sentenças estrangeiras em território nacional, se
encontra principalmente no artigo 105, I, “i” da Constituição Federal, nos artigos 483 e 484 do
Código de Processo Civil, no artigo 17 da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro e
na Resolução nº 9 do Superior Tribunal de Justiça; normas estas também aplicáveis à
homologação dos laudos arbitrais estrangeiros.
Há, todavia, tratados internacionais que regulam certas especificidades relacionadas ao
tema, bem como os artigos 34 a 40 da Lei 9.307/96, aplicável subsidiariamente aos tratados, ou
mesmo diretamente, quando estes não existam.
15

As disposições legais acima mencionadas, quando citarem o Supremo Tribunal Federal
como competente para homologar laudo arbitral estrangeiro, devem ser interpretadas como
fazendo alusão ao Superior Tribunal de Justiça, em virtude da Emenda Constitucional nº 45,
que modificou em 2004 a competência. Segundo o artigo 105, I, “i” da Constituição Federal,
compete ao STJ, processar e julgar, originariamente “a homologação de sentenças estrangeiras
e a concessão de exequatur às cartas rogatórias”.
Deve-se observar que a sentença arbitral só é passível de homologação se a sua matéria,
conforme o direito interno, puder ser arbitrada. A requisição para a homologação deve ser feita
pelo interessado, obedecendo aos requisitos da petição inicial, previstos no art. 282 do Código
de Processo Civil e às normas dos artigos 3, 5 e 6 da Resolução nº 9 do STJ.
O art. 5º da citada Resolução apresenta os requisitos para a homologação de sentença
estrangeira, aplicáveis aos laudos arbitrais. Segundo este, constituem requisitos indispensáveis
à homologação de sentença estrangeira:

a) haver sido proferida por autoridade competente;

b) terem sido as partes citadas ou haver-se legalmente verificado a revelia;

c) ter transitado em julgado; e

d) estar autenticada pelo cônsul brasileiro e acompanhada de tradução por tradutor oficial ou
juramentado no Brasil.

Faz-se necessário, ainda, o respeito à soberania nacional e à ordem, sob pena de não
homologação. Não é preciso, porém, que a sentença arbitral tenha sido homologada pelo juízo
de origem para que seja passível de homologação no Brasil.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os diversos litígios que surgem na sociedade quer seja no direito interno ou
internacional, necessitam de soluções cada vez mais rápidas e efetivas. Assim, as pessoas
buscam formas alternativas de solução de conflitos, dentre elas a arbitragem, sendo esta um
16

procedimento extrajudicial de resolução de controvérsias, por meio da intervenção de um
terceiro neutro e imparcial, de confiança das partes, com conhecimentos técnicos suficientes
para proferir uma decisão.
Esta arbitragem se qualificará como internacional quando resolver litígios entre pessoas
domiciliadas em países diferentes ou quando envolver elementos internacionais.
O Brasil por meio da Lei 9.307/96 (Lei da Arbitragem) e por meio da participação em
tratados que regulam a arbitragem internacional, veio dar um grande passo para a atualidade
social, visando uma alternativa de solucionar litígios de direitos patrimoniais disponíveis (ou
mercantis internacionais) através de árbitros, e de desafogar o Poder Judiciário de conflitos
entre partes.
Após a abordagem do instituto, é possível verificar suas principais vantagens, como a
celeridade, alcançada pela redução dos prazos e eliminação de atos desnecessários; a economia,
uma vez que as despesas são menores do que de um processo judicial; o sigilo e a flexibilidade
procedimental; e, principalmente, a efetividade da decisão, pois estando as partes mais
satisfeitas com o resultado, as sentenças são cumpridas voluntariamente com mais frequência.
Conclui-se, desta forma, que a arbitragem constitui um método de grande importância
para a resolução de conflitos internacionais privados.











17

REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei Federal nº 9.307 de 23 de setembro de 1996. Dispõe sobre a Arbitragem.
Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9307.htm>.
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Decreto
n° 2.400. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1997/d2400.htm>.

BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Decreto
nº 4.719. Disponível em:<
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2003/D4719.htm>.
PORTELA, Paulo Henrique Gonçalves. Direito Internacional Público e Privado. 6 ed.
Salvador, Juspodivm. 2013.