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1.

Diga quando e onde a Convenção Interamericana de Direitos
humanos foi adotada internacionalmente, quando entrou em vigor,
para o Brasil, e se houve ou não, por parte do Brasil, a formulação
de declaração interpretativa.
A Convenção Americana de Direitos Humanos ou o Pacto de San
Jose da Costa Rica foi subscrito durante a Conferência Especializada
Interamericana de Direitos Humanos, em 22 de novembro de 1969, na
cidade de San José da Costa Rica, e entrou em vigência em 18 de
julho de 1978.
O Brasil só passou a ser signatário do referido tratado em 25 de
setembro de 1992. Vindo este a ser incluso no ordenamento jurídico
nacional em 6 de novembro de 1992 por meio do decreto 678.
Houve por parte do Brasil formulação da seguinte declaração
interpretativa: "O Governo do Brasil entende que os arts. 43 e 48, alínea
d, não incluem o direito automático de visitas e inspeções in loco da
Comissão Interamericana de Direitos Humanos, as quais dependerão da
anuência expressa do Estado".
ARTIGO 43
Os Estados-Partes obrigam-se a proporcionar à Comissão as informações que esta
lhes solicitarem sobre a maneira pela qual o seu direito interno assegura a aplicação
efetiva de quaisquer disposições desta Convenção.
ARTIGO 48
A Comissão, ao receber uma petição ou comunicação na qual alegue violação de
qualquer dos direitos consagrados nesta Convenção procederá da seguinte maneira:
d) se o expediente não houver sido arquivado, e com fim comprovar os fatos, a
Comissão procederá, com conhecimento das partes a um exame do assunto exposto
na petição ou comunicação. Se for necessário e conveniente, a Comissão procederá a
uma investigação para cuja eficaz realização solicitará, e os Estados interessados lhe
proporcionarão, todas as facilidades necessárias;


2. Refira o fato que foi objeto da denúncia perante a Comissão
Interamericana de Direitos Humanos

O fato motivador da denúncia foi em relação à omissão do estado
em punir o agressor da denunciante, mesmo após duas tentativas de
homicídio. No ano de 1983 o professor universitário Marco Antonio
Heredia Viveiros atentou contra a vida da esposa Maria da Penha Maia
Fernandes. Utilizando-se de arma de fogo o marido alvejou a esposa
enquanto essa dormia, alegando posteriormente, que o fato fora
praticado por um ladrão (sendo este ato fator culminante de uma série
de agressões praticadas contra a vítima durante a vida matrimonial). O
tiro deixou Maria da Penha paraplégica.
Em uma segunda tentativa duas semanas depois da primeira, o
réu tentou eletrocutar a esposa enquanto essa se encontrava no banho.
O comportamento agressivo do réu do qual era vitima a denunciante e
suas filhas causava-lhe temor de forma que esta não tinha condições de
optar por uma separação. O crime foi premeditado, já que dias antes do
atentado Heredias tentou convencer a esposa a fazer um seguro de vida
do qual ele seria beneficiário e também incorreu na tentativa de obrigar a
vitima a se desfazer de um veículo de sua propriedade.
A investigação começou em junho de 1983, mas a denúncia só foi
apresentada em setembro de 1984 e a condenação a dez anos de
prisão só viria oito anos depois, e ainda assim, sendo posteriormente
anulada mediante recurso interposto pela defesa. O recurso foi
equivocadamente acolhido, já que foi interposto fora do prazo previsto
pelo Código de Processo Penal Brasileiro.
Após três anos o tribunal julgou procedente o recurso interposto
indevidamente. A defesa alegava que houve vícios nas perguntas
formuladas ao júri, portanto o julgamento foi anulado vindo a ocorrer
novo julgamento somente três anos após essa decisão. O réu foi
novamente condenado, com pena fixada em dez anos e seis meses de
prisão, mas não ficou preso. Novo recurso da defesa foi interposto,
nesse alegava-se que provas dos autos haviam sido ignoradas. Na data
da propositura da denúncia à Comissão Interamericana de Direitos
Humanos, essa apelação ainda não havia sido julgada e já se totalizava
quinze anos desde a prática do crime. Período esse em que o acusado
aguardava em liberdade.
Além da omissão do estado em punir o agressor da denunciante,
a denúncia também evidenciou que a situação não era um caso a parte,
que no Brasil tal situação era identificada em diversos outros casos,
especialmente casos de violência doméstica. E que o estado não havia
tomado medidas eficazes para o enfrentamento da violência contra a
mulher.

3. Que obrigações assumidas internacionalmente, perante a
Convenção Americana de Direitos Humanos, foram violadas pelo
Estado Brasileiro, no caso Maria da Penha, segundo a
compreensão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos?
(referir e transcrever os artigos respectivos da Convenção
Interamericana de Direitos Humanos).

As obrigações assumidas e violadas pela República Federativa do
Brasil conforme entendimento da Comissão Americana de Direitos
Humanos no caso Maria da Penha referem-se ao desrespeito aos
direitos e liberdades da pessoa sem discriminação de qualquer espécie,
as garantias judiciais, a igualdade perante a lei, bem como a previsão de
proteção judicial para àqueles que fosse necessária. As prerrogativas
foram referidas nos seguintes artigos da Convenção Americana de
Direitos Humanos:

1. Os estados Partes nesta Convenção comprometem-se a respeitar os direitos e
liberdades nela reconhecendo e a garantir seu livre e pleno exercício a toda pessoa
que esteja sujeita à sua jurisdição, sem discriminação alguma por motivo de raça, cor,
sexo, idioma, religião, opiniões políticas ou de qualquer outra natureza, origem nacional
ou social, posição econômica, nascimento ou qualquer outra condição social.
8. Garantias J udiciais
1. Toda pessoa tem direito a ser ouvida, com as dividas garantias e dentro de um
prazo razoável, por um juiz ou tribunal competente, independente e imparcial,
estabelecido anteriormente por lei, na apuração de qualquer acusação penal formulada
contra ela, ou para que se determinem seus direitos ou obrigações de natureza civil,
trabalhista, fiscal ou de qualquer outra natureza.

2. Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua inocência
enquanto não se comprove legalmente sua culpa. Durante o processo, toda pessoa
tem direito, em plena igualdade, às seguintes garantias mínimas:

a) direito do acusado de ser assistido gratuitamente por tradutor ou intérprete,
se não compreender ou não falar o idioma do juízo ou tribunal;
b) comunicação prévia e pormenorizada ao acusado da acusação formulada;
c) concessão ao acusado do tempo e dos meios adequados para a preparação
de sua defesa;
d) direito do acusado de defender-se pessoalmente ou de ser assistido por um
defensor de sua escolha e de comunicar-se, livremente e em particular, com
seu defensor;
e) direito irrenunciável de ser assistido por um defensor proporcionado pelo
Estado, remunerado ou não, segundo a legislação interna, se o acusado não
se defender ele próprio nem nomear defensor dentro do prazo estabelecido
pela lei;
f) direito da defesa de inquirir as testemunhas presentes no tribunal e de obter
o comparecimento, como testemunhas ou peritos, de outras pessoas que
possam lançar luz sobre os fatos.
g) direito de não ser obrigado a depor contra si mesma, nem a declarar-se
culpada, e
h) direito de recorrer da sentença para juiz ou tribunal superior.
3. A confissão do acusado só é válida se feita sem coação de nenhuma
natureza.
4. O acusado absolvido por sentença passada em julgado não poderá se
submetido a novo processo pelos mesmos fatos.
5. O processo penal deve ser público, salvo no que for necessário para
preservar os interesses da justiça.

24. Igualdade Perante a Lei
Todas as pessoas são iguais perante a lei. Por conseguinte, têm direito, sem
discriminação, a igual proteção da lei.

25. Proteção Judicial

1. Toda pessoa tem direito a um recurso simples e rápido ou a qualquer outro recurso
efetivo, perante os juízes ou tribunais competentes, que a proteja contra atos que
violem seus direitos fundamentais reconhecidos pela constituição, pela lei ou pela
presente Convenção, mesmo quando tal violação seja cometidas por pessoas que
estejam atuando no exercício de suas funções oficiais.
2. Os Estados Partes comprometem-se:
a) a assegurar que a autoridade competente prevista pelo sistema legal do Estado
decida sobre os direitos de toda pessoa que interpuser tal recurso;
b) a desenvolver as possibilidades de recurso judicial; e
c) a assegurar o cumprimento pelas autoridades competentes, de toda decisão em que
se tenha considerado procedente o recurso.


A comissão também entendeu que houve por parte do estado o
descumprimento de dispositivos da Declaração Americana dos Direitos e
Deveres do Homem do qual o país é também signatário:

Artigo I
Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança de sua pessoa.

Artigo XVIII
Toda pessoa pode recorrer aos tribunais para fazer respeitar os seus direitos. Deve
poder contar, outrossim, com processo simples e breve, mediante o qual a justiça a
proteja contra atos de autoridade que violem, em seu prejuízo, qualquer dos direitos
fundamentais consagrados constitucionalmente.

O parecer da comissão também identificou desrespeito à
Convenção de Belém do Pará, Convenção Interamericana para Prevenir
e Erradicar a Violência Contra a Mulher, especificamente aos seguintes
dispositivos:

Artigo 3

Toda mulher tem direito a ser livre de violência, tanto na esfera pública como na esfera
privada.

Artigo 4

Toda mulher tem direito ao reconhecimento, desfrute, exercício e proteção de todos os
direitos humanos e liberdades consagrados em todos os instrumentos regionais e internacionais
relativos aos direitos humanos. Estes direitos abrangem, entre outros:

a. direito a que se respeite sua vida;

b. direito a que se respeite sua integridade física, mental e moral;

c. direito à liberdade e à segurança pessoais;

d. direito a não ser submetida a tortura;

e. direito a que se respeite a dignidade inerente à sua pessoa e a que se proteja sua
família;

f. direito a igual proteção perante a lei e da lei;

g. direito a recurso simples e rápido perante tribunal competente que a proteja contra
atos que violem seus direitos;


Artigo 5

Toda mulher poderá exercer livre e plenamente seus direitos civis, políticos, econômicos,
sociais e culturais e contará com a total proteção desses direitos consagrados nos
instrumentos regionais e internacionais sobre direitos humanos. Os Estados Partes
reconhecem que a violência contra a mulher impede e anula o exercício desses direitos.

Artigo 7

Os Estados Partes condenam todas as formas de violência contra a mulher e convêm em
adotar, por todos os meios apropriados e sem demora, políticas destinadas a prevenir,
punir e erradicar tal violência e a empenhar-se em:

a. abster-se de qualquer ato ou prática de violência contra a mulher e velar
por que as autoridades, seus funcionários e pessoal, bem como agentes e
instituições públicos ajam de conformidade com essa obrigação;

b. agir com o devido zelo para prevenir, investigar e punir a violência contra a
mulher;

c. incorporar na sua legislação interna normas penais, civis, administrativas e
de outra natureza, que sejam necessárias para prevenir, punir e erradicar a
violência contra a mulher, bem como adotar as medidas administrativas
adequadas que forem aplicáveis;

d. adotar medidas jurídicas que exijam do agressor que se abstenha de
perseguir, intimidar e ameaçar a mulher ou de fazer uso de qualquer método
que danifique ou ponha em perigo sua vida ou integridade ou danifique sua
propriedade;

e. tomar todas as medidas adequadas, inclusive legislativas, para modificar
ou abolir leis e regulamentos vigentes ou modificar práticas jurídicas ou
consuetudinárias que respaldem a persistência e a tolerância da violência contra
a mulher;

f estabelecer procedimentos jurídicos justos e eficazes para a mulher
sujeitada a violência, inclusive, entre outros, medidas de proteção, juízo oportuno
e efetivo acesso a tais processos;

g. estabelecer mecanismos judiciais e administrativos necessários para
assegurar que a mulher sujeitada a violência tenha efetivo acesso a restituição,
reparação do dano e outros meios de compensação justos e eficazes;

h. adotar as medidas legislativas ou de outra natureza necessárias à vigência
desta Convenção.

4. Apresente uma das atribuições da Comissão Interamericana de
Direitos Humanos entre as listadas na Convenção Americana de
Direitos Humanos.

Dentre as inúmeras atribuições da comissão Interamericana de Direitos
Humanos, ressalta-se a que foi relevante para que o Brasil elaborasse
uma lei direcionada ao combate a violência doméstica a recomendação
para adoção de medidas em prol da defesa dos direitos humanos
inclusive adequando suas leis internas a essa necessidade. Tal
atribuição é prevista no Art. 41 alínea b da Convenção:

Formular recomendações aos governos dos Estados-Membros, quando o
considerar conveniente, no sentido de que adotem medidas progressivas em
prol dos direitos humanos no âmbito de suas leis internas e seus preceitos
constitucionais, bem como disposições apropriadas para promover o devido
respeito a esses direitos.




REFERENCIAS:

http://www.cidh.oas.org/annualrep/2000port/12051.htm em 13 de setembro de 2013
às 15:00 horas.

http://www.infoescola.com/direito/pacto-de-sao-jose-da-costa-rica/ ____ em 13 de
setembro de 2013 às 15:00 horas.

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D0678.htm em 13 de setembro de 2013
às 15:00 horas.

http://portal.mj.gov.br/sedh/ct/legis_intern/conv_americana_dir_humanos.htm

http://www.cidh.oas.org/basicos/portugues/b.Declaracao_Americana.htm

http://www.cidh.oas.org/basicos/portugues/m.Belem.do.Para.htm