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NOTA DE SOLIDARIEDADE DOS MOVIMENTOS SOCIAIS E REINVIDICAÇÃO DE

JUSTIÇA PELA MORTE DOS COMPANHEIROS ACAMPADOS NA CHAPADA DO
APODI/RN
Por nossos mortos, nem um minuto de silêncio.
Toda uma vida de luta!
Nós, movimentos sociais do campo e da cidade, igreja, sindicato e instituições que
defendem a luta pela terra e pela justiça social e repudiam a terrível história de
criminalização dos movimentos sociais, vimos, por meio dessa nota, manifestar nossos
pesares e solidariedade ao Movimento das/os ra!alhadoras/es "urais #em erra $M#%
e &s famílias dos companheiros de luta, que foram !rutalmente assassinados nessa
'ltima terça $()%, logo após ato das *ornadas de +uta do M#/"N,
-oi com grande consternação que rece!emos a notícia dos assassinatos dos
tra!alhadores rurais e lutadores do M#, -rancisco +ac. /urgel -ernandes, mais
conhecido como 01hacal2, e -rancisco 3lcivan Nunes de 4aiva, conhecido como 01ivan2,
Na manhã do dia () de maio, as/os agricultoras/es sem terra do 3campamento
5divan 4into em 3podi6"N, articularam um ato de paralisação do tr7nsito na 8"69(:,
como forma de reivindicar ações efetivas para a reforma agr;ria popular na região e a
paralisação das o!ras do 4erímetro <rrigado da 1hapada do 3podi6"N, nomeado pelo
povo como 04rojeto da Morte2,
=s companheiros 1hacal e 1ivan regressavam para sua cidade natal, no município
de <ta'6"N, com o intuito de visitar seus familiares, logo após participarem do ato de
paralisação da 8"69(:, quando foram vítimas de disparos e e>ecutados com tiros de
armas de cali!re ?@ e AB,
5sse acampamento do M# surgiu de uma articulação unit;ria dos movimentos
sociais da região, h; cerca de oito meses, se forjando na contraposição ao 4rojeto da
Morte, capitaneado pelo Cepartamento Nacional de =!ras contra as #ecas 6 CN=1#, que
consiste na desapropriação de ?A,B:: $treze mil oitocentos e cinquenta e cinco% hectares
para a implementação de um projeto de fruticultura irrigada, so! o comando de quatro
grandes empresas, deslocando de maneira forçada cerca de ),(((,(( $seis mil
agricultores%, que vivem em A( comunidades na região h; cerca de cinquenta anosD a
reivindicação histórica por terra para centenas de famílias sem terra da regiãoD e a disputa
de projeto para o campo !rasileiro, 3 implantação do projeto ser; o fator de
desarticulação da e>periEncia agroecológica, da agricultura camponesa familiar e da
democratização da terra, ao priorizar a monocultura e a e>ploração de grandes e>tensões
de terra, com grande utilização de agrotó>icos, causando diversos pro!lemas aos
recursos naturais e & vida humana, sendo assim !andeira nacional de luta e da unidade
dos movimentos sociais,
3inda nessa conjuntura, a história !rasileira mostra um cen;rio de criminalização
da luta e impunidade alarmantes, mas que não pode prosseguir escrita com sangue de
tra!alhadoras/es sem que justiça seja feitaF
Cesta forma, repudiamos a violEncia contra os companheiros 1hacal e 3lcivan,
lutadores da terra na região do oeste potiguar, 5>igimos o m;>imo empenho na apuração
dos fatos, responsa!ilização r;pida dos e>ecutores, alGm de ações efetivas e
comprometidas com a "eforma 3gr;ria 4opular urgentemente e a paralisação imediata
das o!ras do 04rojeto da Morte2, para que a 1hapada continue sendo fonte de vida e
tra!alho para as famílias que por ela lutam, 3ssim, nosso luto ser; lutaF
Vamos juntos ecoa ma!s um "!to#
Po just!$a aos com%an&e!os 'ue tom(aam na )uta*
Pe)a C&a%a+a +o A%o+!*
Luta, Constu! Re-oma A".!a Po%u)a*
Ass!nam#
1entro de "eferEncia em Cireitos Humanos I 1"CH
C15 J-5"#3 I /estão Movimente6se
/rupo de 5studos em Cireito 1rítico, Mar>ismo e 3mGrica +atina I /5C<1
Movimento de Mulheres 1amponesas $MM1%
"ede Nacional de 3dvogados e 3dvogadas 4opulares I "5N34/"N
#er6tãoK 3ssessoria *urídica e 5ducação 4opular