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SÁBADO, 24 DE AGOSTO DE 2013

Elementos da filosofia de Olavo de Carvalho
Postado por Ronald Robson
Notas para uma leitura de “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”
(Record, 2013)
! A obra de Olavo de Carvalho possui uma intuição fundamental a de que só a
consciência individual é capaz de conhecimento "1#! O que a afirmação possa ter de
banal" em aparência" se esvai se notarmos que aí se fala de “consciência individual”" não
se tratando tão somente de “su#eito”" o voc$bulo descarnado de uso corrente na
metafísica dos %ltimos s&culos! 'ma coisa & su#eito enquanto meramente contraposto a
ob#eto em teoria do conhecimento( outra coisa & a modalidade de e)istência hist*rica de
um ser dotado de consciência" que por definição s* pode ser individual! + nisso importa
prestar atenção , sutile-a vocabular porque aí se afirma uma subst.ncia e se afirma uma
sua propriedade “consciência individual”" a primeira" e “capacidade de conhecimento”"
a se/unda! 0e um ponto de vista bio/r$fico" a subst.ncia atuali-a essa sua propriedade
em um trauma de emergência da razo "2#" que consiste no descompasso entre o
crescente ac%mulo de e)periências do indivíduo" no decorrer do tempo" e a sua
capacidade mais limitada de coerenciar e dar e)pressão a essa massa de fatos que" a
princípio amorfa" pode se ordenar 1 , medida que o indivíduo a e)pressar a si mesmo 1
a ponto de nela se tornar discernível uma forma! A cada est$/io traum$tico corresponde
um padrão de autoconsciência" um ei)o central de estruturação do indivíduo" ao menos
a nível psicol*/ico" que se pode melhor compreender mediante uma teoria das doze
camadas da personalidade "3# pois" caracterolo/icamente" o desenvolvimento da
psique pode ser apreciado em do-e camadas distintas" umas inte/rativas 2formam um
quadro inte/rado est$vel3" outras divisivas 2estabelecem uma ruptura da ordem anterior
que" assim" propicia uma nova ordem3! A terceira camada" por e)emplo" a qual em /eral
& ob#eto de escolas como a behaviorista e a 4estalt 1 que equivocadamente" como fa-em
outras escolas" tomam uma camada da psique por sua pr*pria subst.ncia "4# 1"
compreende aquele período de esforço co/nitivo concentrado para aquisição de saberes
que permitam , pessoa 2criança" aqui3 se orientar no mundo com al/um /rau de
independência" ao menos física( a quarta camada" divisiva e decisiva ao seu modo" que
afinal foi o verdadeiro ob#eto de estudo de 5reud e 6lein" abarca a hist*ria pulsional do
indivíduo preocupado sobretudo com sua afetividade" com o querer e sentir7se querido(
e com a quinta camada" inte/rativa e de individuação 28un/3" #$ começa a sur/ir o
problema ob#etivo de quais são os prop*sitos reais do indivíduo e como alcanç$7los 1 a
questão dei)a de ser de afetividade" passa a ser de poder! + assim por diante" a passar
por camadas que apenas podem ser alcançadas" mas não necessariamente" como a da
síntese individual 2oitava3" a da personalidade intelectual 2nona3 ou mesmo a do destino
final 2d&cima se/unda3!
! A identificação de em que camada se est$" o indivíduo s* pode fa-ê7la por meio de
um /esto de assentimento aos seus pr*prios atos e pensamentos! +ssa aceitação" se vista
antropolo/icamente" tem seu fundamento no princ!pio de autoria "$# cada indivíduo &
respons$vel pelos seus atos" e essa asserção & universal( não e)iste re/istro de nenhuma
cultura na qual o ato de um indivíduo devesse ser atribuído a outrem 2o que" para al&m
da constatação de fato" demonstra e)istir a constante antropol*/ica de que um homem &
um todo" ele & seus atos" e estes não lhe podem ser alheados3! 9as essa aceitação tem no
princípio de autoria apenas seu fundamento" não o seu meio ou m&todo" mesmo porque
tal princípio s* abarca os atos individuais que são testemunhados socialmente! Para
al&m destes" e)istem outros de outra ordem e de maior import.ncia 1 os atos sem
testemunha "%#! +stes são os atos de que o indivíduo s* se reconhece autor por uma
obri/ação interior" não e)terna( , medida que neles se reconhece" inte/ra a sua
personalidade e" assim" fica menos , mercê de quaisquer automatismos de pensamento
ou comportamento! +sta outra ordem de ob#eto de consciência & incorporada ao
indivíduo especificamente atrav&s do método da con"isso "&# uma ve- que toda
e)pressão social depende de uma e)pressão individual e interior" e uma ve- que esta s*
se torna possível ap*s uma condensação de si/nificado sob a forma do #uí-o" este" antes
de se tornar proposição 1 em sentido l*/ico 1 dotada de compreensibilidade p%blica"
deve ser afirmado pelo indivíduo de si para si mesmo 1 o indivíduo deve" em suma"
confessar para si aquilo que ele #$ sabia" mas de que não estava ciente at& então! A esse
recenseamento socr$tico do que se sabe e não se sabe se/ue7se o processo de e#truso"
pelo qual o indivíduo d$ forma lin/:ística e simbolicamente articul$vel , pr*pria
e)periência!
! O trauma de emer/ência da ra-ão reprodu- na escala privada um problema central
de qualquer filosofia da cultura as mediaç;es entre indivíduo e sociedade( ou" se se
quiser di-er de outro modo" entre e)pressão particular e símbolos disseminados
socialmente! A esse desenvolvimento psicol*/ico do indivíduo corresponde" & evidente"
um desenvolvimento epistemol*/ico" que pode ser apreendido não apenas nessa escala"
a individual" mas tamb&m na escala social! A teoria dos $uatro discursos "'#" assim"
tenta descrever em amplitude hist*rica e pessoal 1 uma filosofia da cultura e uma
peda/o/ia" portanto 1 a unidade entre os quatro tipos de discurso estudados por
Arist*teles 2o po&tico" o ret*rico" o dial&tico" o analítico3" ao mesmo tempo intentando
rever a interpretação do corpus l*/ico deste o discurso humano" di- a teoria" & uma
potência %nica que se atuali-a de quatro formas 1 e)pressando estruturas /erais de
possibilidade 2po&tica3" estruturas /erais de verossimilhança 2ret*rica3" estruturas /erais
de probabilidade 2dial&tica3 e estruturas /erais de certe-a 2l*/ica ou analítica3! As
mediaç;es entre o indivíduo e o conhecimento" sobretudo o difundido socialmente"
podem" então" dar7se atrav&s desses quatro níveis 1 de um p*lo estritamente mais
simb*lico" o primeiro" at& um p*lo" por oposição" mais analiticamente discernível! +stão
em #o/o aí diferentes níveis de credibilidade do discurso humano( mas estão" tamb&m"
as diferentes formas de reivindicação indevida de credibilidade" o que requer estudo
tanto da er!stica "(# quanto das condiç;es epistemol*/icas do saber científico" ou se#a"
uma "iloso"ia da ciência "10#! <$ que se considerar ainda" todavia" as formas pr*prias
que o discurso adquire" umas sendo mais adequadas ou menos a discursos neste ou
naquele nível 1 e então h$ de se atentar aos "undamentos meta"!sicos dos gêneros
liter%rios "11#" cu#a teoria" /rosso modo" ao levar em conta a modalidade de e)istência
espaço7temporal da lin/ua/em e do ser humano que se serve dela" aplica ao discurso
distinç;es espaciais" temporais e num&ricas 2de n%mero em acepção anti/a discreto ou
contínuo3" delas e)traindo os princípios da “narração” 2tempo3" “e)posição” 2espaço3 e
da “prosa” e do “verso” 2n%mero3! As articulaç;es específicas e em diferentes /raus
desses princípios em uma obra lhe dão a sua feição substantiva 1 o seu /ênero!
)! =e o discurso & o meio eminente pelo qual o indivíduo se apossa do saber" a
finalidade deste" enquanto ser dotado de consciência" não & se limitar ao mero domínio
discursivo do saber! > che/ar ao pr*prio saber" o que & ademais verificar suas pr*prias
condiç;es de e)istência! >" numa palavra" che/ar , base metafísica primeira" ,
investi/ação daquela fai)a da realidade que Platão visava em sua “se/unda nave/ação”"
para al&m das “id&ias” e rumo ao mundo dos princ!pios "12# que as re/em" entre os
quais o de identidade tem prima-ia! ?udo o que e)iste é na medida em que tem
possibilidade de sê7lo" de modo que as atuali-aç;es das notas de cada ente têm seu
esteio em uma estrutura de possibilidades pree)istente 1 por e)emplo" a pr*pria
possibilidade ontol*/ica 2da qual a l*/ica & s* e)pressão discursiva3 de que al/o se#a a
atuali-ação de uma potência! A possibilidade da possibilidade condu- a inteli/ência ,
investi/ação do que de mais substantivo e duradouro possa ter um ente! 9as" nesse
caso" a palavra investi/ação não & a mais apropriada! ?rata7se mais" via confissão" da
aceitação desse corpo de possibilidades em tudo embutido( trata7se de um conhecimento
por presen&a "13#" de treinar a consciência para que" ao inv&s de falar , realidade" dei)ar
que esta lhe fale como o conceito de um ente #$ est$ potencialmente em sua subst.ncia"
como toda a mineralo/ia #$ est$ nos minerais" o indivíduo deve se esforçar para
perceber que o problema da verdade est$ submetido ao problema da presença
substantiva da realidade! 9esmo a mais refinada t&cnica l*/ico7analítica & apenas um
meio de retornar ao que sempre aí #$ esteve! > tomar consciência de uma presença que
abarca a n*s e a tudo o mais! +is o ne)o remoto entre conhecimento e e)istência!
)! +ventualmente & necess$rio" para romper o v&u das limitaç;es co/nitivas de uma
determinada civili-ação e retornar a essa aceitação da presença" proceder , cr!tica
cultural "14#" que poderia ser definida provisoriamente como o ato pelo qual uma
consciência individual investe contra as estruturas simb*licas ou políticas que lhe
embotam a sensibilidade! ?ais estruturas podem" por um lado" ser tão s* simb*licas e
discursivas 1 nas artes" nas ciências e na comunicação p%blica 1" ou" por outro" podem
mesmo che/ar ao cerceamento físico da liberdade de consciência! Aqui" o ob#eto de
crítica cultural mais e)tensa & a metamorfose da id&ia de imp&rio ao lon/o da hist*ria do
ocidente e a id&ia correlata de “reli/ião civil”" com o que se investe no rastreio dos
fundamentos remotos da ideolo/ia coletivista e cientificista contempor.nea!
Cientificismo e nova pa# romana" separados sob outros aspectos" dão as mãos no
achatamento do hori-onte total da e)periência humana 2lon/amente preparado" por
e)emplo" desde as id&ias de volonté générale e de quantificação /eral das ciências
físicas3! O drama da vida humana" antes concebido como de almas substantivas a viver
su' specie aeternitatis" passa a ser o de pap&is sociais limitados a um mundo espaço7
temporal inteiramente fechado 2v$rios e)emplos poderiam ser colhidos na cultura /eral
0ostoi&vs@i seria um autor ainda li/ado , primeira perspectiva( #$ os persona/ens de
Aal-ac se conformariam quase que s* , feição da se/unda3! Com a ne/ação da via de
acesso , universalidade da e)periência" em /rau metafísico" vem tamb&m a ne/ação da
pr*pria possibilidade de conhecimento do indivíduo! +)istiria um vínculo indissol%vel
entre a ob#etividade do mundo e a individualidade da e)periência" a qual & preterida em
um meio cultural de politi-ação /eral 2/ramscismo3 e disseminação de substitutivos das
e)periências realmente fundadoras do conhecimento 2“Bova +ra”3 1 ou se#a
coletivismo" no fim das contas" & sub#etivismo! + & contra este que se afirma o
conhecimento como intuicionismo radical "1$# ao contr$rio do que & comum pensar" o
que h$ de mais ob#etivo e especificamente humano no conhecimento & o que os anti/os
l*/icos chamavam de “simples apreensão”" ou se#a" o ato pelo qual a consciência toma
ciência da presença de um determinado dado da realidade! O “raciocínio”" a construção
silo/ística e suas derivadas" & posterior e & uma aptidão de ordem construtiva e"
portanto" mais dada a erros! O que & di-er o homem erra mais na e)pressão interior do
que apreende do que na apreensão em si( pois os m&todos mais refinados da l*/ica
apenas desencavam" analiticamente" al/o que #$ estava dado na primeira intuição! +
cada intuição" por sua ve-" inau/ura uma cadeia potencialmente ilimitada de outras
intuiç;es( disso trata a teoria da tripla intui&o "1%# o ato pelo qual o indivíduo intui
2primeira intuição3 &" ao mesmo tempo" intuição de al/o 2se/unda intuição3 e intuição
das condiç;es desse ato intuitivo 2terceira intuição3! Csso e)plicaria ainda" por e)emplo"
certos simbolismos naturais" como a identificação do “sol” ou da “lu-” com o
conhecimento em in%meras culturas" porquanto em sociedades primitivas" sem o recurso
do fo/o" s* se vê al/o 1 e a visão & o sentido identificado mais diretamente ao
conhecimento 1 quando h$ lu- natural( então o indivíduo percebe que intui" percebe que
intui al/o e percebe a possibilidade que funda essa intuição paralelamente a uma
situação natural! Csso" por fim" afirma a possibilidade de conhecimento ob#etivo contra
todo o discurso contempor.neo de que s* e)istem verdades convencionais" ine)istindo
as ob#etivas e" por assim di-er" naturais!
)! 'm capítulo adicional de crítica cultural volta7se para a parala#e cognitiva "1&#"
que teria se disseminado em lar/a escala na modernidade! +la se definiria como o
deslocamento entre o ei)o da e)periência individual e o ei)o da formulação teor&tica!
Ou" dito de outro modo ela seria respons$vel pela formulação de id&ias que são
desmentidas pelas pr*prias condiç;es concretas de que o indivíduo depende para
formul$7las! A obra de 9aquiavel seria e)emplar nesse sentido" toda construída sobre
dados intrinsecamente conflitantes" mas sobretudo conflitantes com aquilo que o pr*prio
9aquiavel sabia 1 ou deveria saber 1 ser manifestamente falso" porque patente , sua
e)periência mais imediata! A manifestação a/uda da parala)e co/nitiva se encontraria
na mentalidade revolucion%ria "1'#" caracteri-ada basicamente por duas invers;es a
inversão temporal" pela qual o revolucion$rio passa a levar em conta o futuro hipot&tico
pelo qual trabalha como o par.metro de #ul/amento de suas aç;es" não mais prestando
contas ao passado 2e" afinal" a nin/u&m" pois por definição sua sociedade ut*pica se
afasta , medida que o processo revolucion$rio avança" nunca se concreti-ando e"
portanto" nunca havendo tribunal no qual se possa #ul/ar abertamente aç;es ou id&ias3( e
a inversão de su#eito e ob#eto" pela qual o revolucion$rio" no ato mesmo de atacar os
advers$rios de sua sociedade futura" os toma na verdade como os atacantes que lhe
impedem a consecução de seus planos" de modo que a relação causal entre um e outro &
invertida! A parala)e co/nitiva e" em especial" a mentalidade revolucion$ria
inviabili-am um ambiente intelectual no qual o m&todo confessional leve o indivíduo a
se dar conta do conhecimento que lhe & imediatamente presente 1 a primeira" porque fa-
do su#eito do conhecimento um ser diverso do indivíduo autor de sua pr*pria vida( a
se/unda" porque" al&m disso" ameaça destruir todas as bases sociais de convivência
humana" #$ que revolu&o consiste em concentração de poder nas mãos de uma elite
revolucion$ria com vistas , instauração de um pro#eto de sociedade" o que rouba aos
indivíduos liberdade" senão mesmo" em %ltima inst.ncia" a pr*pria e)istência física"
como o demonstram os totalitarismos revolucion$rios do s&culo passado!
)! A teoria pol!tica "1(# deriva não tanto de al/uma proposta contr$ria ao estado de
coisas analisado nesses estudos de crítica cultural" mas de adaptação metodol*/ica "20#
ao tipo específico de ob#eto da ciência social! =ua premissa fundamental & a de que
poder "21# & possibilidade de ação" em sentido /eral" mas na política tem o sentido
estrito de possibilidade de determinar a ação alheia! +m sentido universal o homem s*
tem três poderes" o de /erar" destruir e escolher" que correspondem respectivamente ao
poder econDmico" o poder militar e o poder intelectual ou espiritual" os quais podem ser
e)ercidos ativa e passivamente e correspondem tipolo/icamente ,s castas dos
produtores" dos nobres e dos sacerdotes! O primeiro se e)erce pela promessa de um
benefício" o se/undo pela ameaça de um malefício e o terceiro pelo convencimento ou
cooptação! +m cada civili-ação" os três tipos de poderes tendem a se cristali-ar em
/rupos específicos 2ho#e em dia seriam" em ordem respectiva" o /lobalismo ocidental" a
aliança russo7chinesa e o Cslã3" mas a especificação de quais são estes /rupos &
procedimento posterior , detecção de quem pode ser su(eito da história "22# não
podendo ser um a/ente individual" porque perecível a curto pra-o e limitado
/eo/raficamente em sua ação" s* o podem ser as tradiç;es" as or/ani-aç;es esot&ricas
2ou sociedades secretas3" as dinastias reais e nobili$rquicas ou demais entidades de
nature-a similar! Assim" C/re#a Cat*lica e movimento revolucion$rio" nessa acepção
específica" são su#eitos da hist*ria" mas não =ão 5rancisco nem Eênin! O poder
realmente decisivo" a lon/o pra-o" & o de ordem sacerdotal ou intelectual!
)! +ssa multiplicidade de assuntos e disciplinas recoberta na produção de um %nico
fil*sofo não & fortuita! +le mesmo define "iloso"ia "23# como a busca da unidade do
conhecimento na unidade da consciência e vice7versa! Fualquer outra definição
quedaria parcial" tornando difícil apontar no que se distin/uem fundamentalmente um
fil*sofo e um cientista" um fil*sofo e um poeta "24#! O cientista pode produ-ir
conhecimento sem que para tanto tenha de se empenhar no res/ate confessional pelo
qual cada novo dado conhecido se inte/ra ao con#unto daquilo que ele" enquanto
indivíduo" & naquele momento( o poeta pode produ-ir uma obra s* com base em
intuiç;es manifestamente contr$rias , sua índole e , pr*pria verdade" pois o que lhe
importa & a unidade daquele momento e)pressivo! O fil*sofo não se limita a nada disso"
pois seu esforço & direcionado por uma técnica "ilosó"ica específica" que consiste em
sete pontos
“G! A anamnese pela qual o fil*sofo rastreia a ori/em das suas id&ias e assume a
responsabilidade por elas!
H! A medita&o pela qual ele busca transcender o círculo das suas id&ias e permitir que a
pr*pria realidade lhe fale" numa e)periência co/nitiva ori/in$ria!
I! O e#ame dialético pelo qual ele inte/ra a sua e)periência co/nitiva na tradição
filos*fica" e esta naquela!
J! A pes$uisa histórico)"ilológica pela qual ele se apossa da tradição!
K! A hermenêutica pela qual ele torna transparentes para o e)ame dial&tico as sentenças
dos fil*sofos do passado e todos os demais elementos da herança cultural que se#am
necess$rios para a sua atividade filos*fica!
L! O e#ame de consciência pelo qual ele inte/ra na sua personalidade total as aquisiç;es
da sua investi/ação filos*fica!
M! A técnica e#pressiva pela qual ele torna a sua e)periência co/nitiva reprodutível por
outras pessoas!” "2$#
NNN
R+5+ROBCCA=
"1# “+sboço de um =istema de 5ilosofia”" apostila do =emin$rio de 5ilosofia Pdoravante
referido como =d5Q! "2# “O trauma de emer/ência da ra-ão”" Curso de
Astrocaracterolo/ia 2GRRS7GRRH3! "3# “As do-e camadas da personalidade humana e as
formas pr*prias de sofrimento”" apostila do =d5( Curso “Conceitos 5undamentais da
Psicolo/ia” 2J a GR de setembro de HSSR" Tir/inia3! "4# “O que & psique”" apostila do
=d5! "$# Aula IH do Curso On7Eine de 5ilosofia Pdoravante referido como CO5Q
2GJUGGUHSSR3! "%# Aula H do CO5 2HGUSIUHSSR3! "&# * +iloso"ia e seu ,nverso - .utros
/studos 2Tide" HSGH3( Aulas R 2SLUSLUHSSR3 e GI 2SJUSMUHSSR3 do CO5! "'# *ristóteles
em Nova 0erspectiva1 ,ntrodu&o 2 3eoria dos 4uatro 5iscursos 2Tide" HSGI3! "(#
6omo vencer um de'ate sem precisar ter razo1 6oment%rios 2 7dialética er!stica8 de
*rthur 9chopenhauer 2?opboo@s" GRRM3! "10# /dmund :usserl 6ontra o 0sicologismo
2CAE" GRRL( apostila3( Curso “5ilosofia da Ciência C” 2GS a GK de maio de HSGS"
Tir/inia3! "11# .s ;êneros <iter%rios1 9eus +undamentos =eta"!sicos 2in * 5ialética
9im'ólica1 estudos reunidos" > Reali-aç;es" HSSM3! "12# “=obre o mundo dos
princípios”" aula do =d5 2HSUSJUHSSR3! "13# “O problema da verdade e a verdade do
problema”" apostila do =d5 2HS de maio de GRRR3( “Conhecimento e presença”" apostila
do =d5 2HMUSRURR3( Aula GS do CO5 2GIUSMUHSSR3! "14# * Nova /ra e a Revolu&o
6ultural1 +rit(o" 6apra - *ntonio ;ramsci 2CAE" =tella CaVmmi" GRRJ3( . ,m'ecil
6oletivo ,1 *tualidades ,nculturais >rasileiras 2> Reali-aç;es" HSSL3( . ,m'ecil
6oletivo ,,1 * longa marcha da vaca para o 're(o 2> Reali-aç;es" HSSW3( . ?ardim das
*"li&@es1 de /picuro 2 ressurrei&o de 6ésarA /nsaio so're o materialismo e a religio
civil 2> Reali-aç;es" HSSS3( . m!nimo $ue você precisa sa'er para no ser um idiota
2Record" HSGI3! "1$# “+sboço de um sistema de filosofia”" apostila do =d5( aula IH do
CO5! "1%# “A tripla intuição”" apostila do =d5! "1&# “Cntrodução , parala)e co/nitiva”"
transcrição de aula de HLUSWUHSSL" =ão Paulo( =a$uiavel, ou * 6on"uso 5emon!aca
2Tide" HSGG3! "1'# “A +strutura da 9entalidade Revolucion$ria”" conferência reali-ada
em Aucareste" GLUSLUHSGG( “Resumo de A 9ente Revolucion$ria”" partes C e CC" =d5
2GRUSLUHSSR3! "1(# Curso “?eoria do +stado”" em GG aulas" P'C7PR 2HSSI7HSSJ3( .s
/B* e a Nova .rdem =undial 2Tide" HSGH3 Pdebate com Ale)ander 0u/inQ! "20#
“Problemas de m&todo nas ciências humanas”" apostila do =d5! "21# “?eses sobre o
Poder”" apostila do =d5! "22# “Fuem & o su#eito da hist*riaX”" apostila do =d5! "23# *
+iloso"ia e seu ,nverso! "24# “Poesia e 5ilosofia”" in * 5ialética 9im'ólica! "2$# *
+iloso"ia e seu ,nverso" p! GII!
YYY
+ste & um esboço /rosseiro" sum$rio e bastante pessoal do que se poderia chamar 1 e
que tanto mais & assim chamada quanto mais se a desconhece 1 de a o'ra de Olavo de
Carvalho! Bão & uma síntese dela" mas & pelo menos um mapa preliminar" pelo qual s*
eu respondo 2creio que ao pr*prio Olavo não a/radaria3! ?omei a iniciativa de desenh$7
lo" com todas as falhas e omiss;es que aí se assinalarem 2muita coisa ficou de fora3"
pensando no leitor que" lendo . m!nimo $ue você precisa sa'er para no ser um idiota"
o mais recente livro de Olavo de Carvalho 2or/! 5elipe 9oura Arasil3" pudesse de certa
forma perceber a unidade mais ampla que os GRI te)tos do livro testemunham e" dessa
forma" se interessar em conhecer melhor a obra do homem! ?omando por paralelo as
seç;es desses “elementos da filosofia de Olavo de Carvalho”" eu apontaria os se/uintes
te)tos do livro como os mais relevantes aos respectivos temas
C 1 “O poder de conhecer”" p! IW( “A mensa/em de Ti@tor 5ran@l”" p! JR(
“Redescobrindo o sentido da vida”" p! KI( “'m capítulo de mem*rias”" p! RG!
CC 1 “=em testemunhas”" p! JG!
CCC 1 “Fuem eram os ratosX”" p! HLG( “0a fantasia deprimente , realidade temível”" p!
IHJ( “O testemunho proibido”" p! JSK( “Como ler a Aíblia”" p! JSR( “0ebatedores
brasileiros”" p! JKL( “Zenão e o paralítico”" p! JLS!
CT 1 “8esus e a pomba de =talin”" p! IKK( “+spírito e personalidade”" p! LGS!
T 1 “+spírito e cultura o Arasil ante o sentido da vida”" p! KR( “A ori/em da burrice
nacional”" p! LM( “Cavalos mortos”" p! RJ( “Os hist&ricos no poder”" p! RL!
TC 1 “Fue & ser socialistaX”" p! GGR( “A mentalidade revolucion$ria”" p! GWL( “Ainda a
mentalidade revolucion$ria”" p! GRG( “A mentira estrutural”" p! GRL( “A revolução
/lobalista”" p! GKR( “A fossa de Aabel”" p! HWM( “A ciência contra a ra-ão”" p! IRI!
TCC 1 “Os donos do mundo”" p! KJG( “O que est$ acontecendo”" p! KJI( “Fuem manda
no mundoX”" p! KJK( “=alvando o triunvirato /lobal”" p! KMS( “<ist*ria de quin-e
s&culos”" p! GLW( “Onipresente e invisível”" p! GLH( “Eula" r&u confesso”" p! JMH!
TCCC 1 “A tra/&dia do estudante s&rio no Arasil”" p! KRK( “=e você ainda quer ser um
estudante s&rio!!!”" p! KRR( “Pela restauração intelectual do Arasil”" p! LSJ!
0ito isso" de resto afirmo que . m!nimoAAA" se bem lido" pode ser uma boa introdução ao
estudo s&rio do pensamento de Olavo de Carvalho 2embora se#a bastante *bvio que a
maior parte dos te)tos se inte/re s* a uma terça parte da obra do fil*sofo 1 a de crítica
cultural( as duas outras" a de hist*ria da filosofia e de produção filos*fica propriamente
dita" têm de ser buscadas em outros livros e cursos3! A or/ani-ação que 5elipe 9oura
Arasil deu aos te)tos & primorosa" em seç;es e subseç;es" apondo7lhes ainda notas
muito elucidativas 2,s quais se somam" tamb&m boas" as do editor3! 'm %nico defeito
tenho a notar a ausência de um índice remissivo! 'm bom índice tornaria o livro uma
ferramenta de consulta 1 e at& de estudo" limitado que se#a 1 bastante eficiente" com
entradas onom$sticas e tem$ticas" o que seria ao fim bom complemento ao sum$rio #$
formidavelmente bem estruturado que encontramos ao começo! =eria uma felicidade ver
essa ausência sanada em uma edição futura do livro!
5inalmente" e a/radecendo7lhes a paciência dese#o a todos uma boa leitura!