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Universidade Federal da Paraíba – UFPB

Centro de Ciências Sociais Aplicadas – CCSA
Relações Internacionais – P2 – Notrno ! 2"#$%2
&isciplina' (eoria Política )oderna
&ocente' *ills +opes
&iscentes' Brna Silva Santos
)a,rlon Carlos Silva de So-a
U) .S(U&/ S/BR. A INS(I(UI01/ &/ .S(A&/ CI2I+
3A S(U&4 /N (5. INS(I(U(I/N /F CI2I+ S(A(US6
7o8o Pessoa9 de-e:bro de 2"#$%
R.SU)/
A partir do momento que o homem decide fazer uma mudança racional saindo
de seu estado de natureza para o estado civil, uma série de políticas revolucionárias
começou a surgir de vários filósofos e teóricos que tentaram esclarecer, explicar e
justificar esse episódio. A ideia do pacto social entre os indivíduos foi o instrumento
principal para a criaço do !stado "ivil de acordo com alguns dos principais filósofos
que fundamentaram o assunto, sendo assim chamados de contratualistas. # presente
artigo tem por finalidade apresentar o pensamento de quatro teóricos que firmaram a
teoria do !stado, sendo eles, $aruch !spinosa, %homas &o''es, (ohn )oc*e e (ean+
(acques ,ousseau, comparando as idéias que so semelhantes e as que so divergentes
entre eles.
PA+A2RAS;C5A2.' !stado de natureza- !stado "ivil- .acto /ocial- )i'erdade.
ABS(RAC(
0rom the moment that the man decides to ma*e a rational change out of his state
of nature to the civil state, a series of revolutionar1 politics 'egan to emerge from
various philosophers and theorists 2ho have tried to clarif1, explain and justif1 this
episode. %he idea of the social contract 'et2een individuals 2as the main cause for the
creation of the /tate "ivil instrument according to some of the leading philosophers that
underlie the su'ject, so called contractualists. %his article aims to present the thought of
four theorists 2ho signed the theor1 of the state, namel1, $aruch /pinoza, %homas
&o''es, (ohn )oc*e and (ean+(acques ,ousseau, comparing the ideas that are similar
and 2hich are different 'et2een them.
<.4=/R&S' /tate of nature- 3arital /tatus- /ocial .act- 0reedom.
2
2I&A . /BRA &/S AU(/R.S
Espinosa (1632-1677)
$aruch de !spinosa 45678+5699: foi um filósofo holand;s. < considerado um
dos pensadores filósofos da linha racionalista, da qual faziam parte )ei'niz e =escartes.
$aruch de !spinosa nasceu em Amsterd, descendente de judeus aprendeu a
língua he'raica na nova escola judaica. >iveu numa época em que a &olanda
presenciava um grande crescimento econ?mico. .orém, suas ideias eram consideradas
nocivas pelos teólogos e religiosos. 0oi acusado de 'lasfemador e afastado da /inagoga
de Amsterd, sendo deserdado pela família. .ara so'reviver, teve que tra'alhar como
polidor de lentes para lunetas. !spinosa pu'licou poucas o'ras em vida. /ofreu muitas
perseguiç@es da imprensa. # conservadorismo religioso e filosófico fez com que vivesse
no ostracismo em 'oa parte de sua vida. /omente no século AA que as ideias de
!spinosa foram reconhecidas.
As o'ras de !spinosa mais conhecidasB C# $reve %ratadoD, E# %ratado da
"orreço do Fntelecto e a éticaD, que esto inclusas na primeira parte de sua C0ilosofiaD
4566G+5667:- C#s .rincípiosD 45667:, C%ratado %eológico+.olíticoD 4569G:, quando foi
o'rigado a sair da cidade onde vivia, >oors'urg. 0aleceu em &aia, em 5699. Ho mesmo
ano, foi pu'licada a maior parte de suas o'ras, C#'ras .óstumasD
5
.
Hobbes (1588-1679)
.rimeiro materialista moderno &o''es corajosamente sustentou, numa época
profundamente religiosa, que no existia su'stIncia espiritual. < mais conhecido por sua
filosofia política, que afirma que é racional indivíduos se su'meterem a um so'erano
forte para assegurar a ordem e a paz. &#$$!/, %homas nasceu na Fnglaterra. Após se
formar em #xford foi preceptor do conde de =evonshire e viajou muito pela !uropa,
conhecendo os intelectuais da época, como =escartes, Jalileu e Jassendi. 3al voltara K
Fnglaterra, teve que fugir para a 0rança em 56LG, antes da deflagraço da Juerra "ivil
inglesa, durante a qual apoiou os realistas. Hesse período, foi preceptor do futuro rei
exilado, "arlos FF. Fniciou sua trilogia filosófica com O Cidadão 456L8:.
1
Disponível em: httpBMM222.e+'iografias.netM'aruchNdeNespinosaM
3
/ua grande o'ra, Leviatã, foi pu'licada em 56O5, mas atraiu a atenço
desfavorável das autoridades francesas, e &o''es teve que retornar K Fnglaterra no
momento em que a "ommon2ealth de #liver "rom2ell chegava ao fim. &o''es
continuou a escrever e gozou de uma vida intelectual ativa até morrer, aos P5 anos
8
.
Locke (1632-1704)
"omo o primeiro dos grandes filósofos empiristas ingleses, )oc*e quis
determinar os limites do conhecimento humano. Qma vez que isso se dá através dos
sentidos, sua aquisiço deve ser gradual, limitada pela natureza finita de nossa
experi;ncia, que deixa algumas coisas fora do nosso alcance. )oc*e nasceu na
Fnglaterra. # pai de )oc*e lutou ao lado dos parlamentaristas na Juerra "ivil inglesa.
)oc*e permaneceu fiel K idéia de que o povo, no o monarca, é o so'erano supremo.
!studou na Restminster /chool e em #xford, onde se formou em medicina e, mais
tarde, tornou+se professor. Hessa época, seu contato com a escolástica aristotélica no o
atraiu para a filosofia. A partir de 569O, porém, passou alguns anos na 0rança, onde
estudos da filosofia de =escartes provocaram nele um duradouro impacto.
!m 56S5, pouco após seu protetor, o conde de /haftes'ur1, ser julgado por
traiço, partiu para a &olanda, onde tra'alhou em seu Ensaio sobre o entendimento
humano. =efendeu ativamente a ascenso de Juilherme de #range e retornou K
Fnglaterra após a ,evoluço Jloriosa de 56SS. !m 56PG, )oc*e pu'licou o Ensaioe
os Dois tratados sobre o governo, as o'ras que lhe valeram sua reputaço
7
.
Rousseau (1712-1778)
(ean+(acques ,ousseau é conhecido como o primeiro filósofo do ,omantismo e
por seu Contrato social, em que afirma que o ser humano é inatamente 'om e tem seu
comportamento corrompido pela sociedade. .roduziu tam'ém peças, poesia, mTsica e
uma das mais notáveis auto'iografias da literatura européia.
Ao fugir de casa aos 56 anos, ,ousseau foi para a 0rança, onde ele se tornou
protegido de senhora de Rarens, que o converteu ao catolicismo e se tornou sua amante.
,ousseau ganhou a vida como preceptor, mTsico e escritor, primeiro em )1on e, após
59L8, em .aris. Ali viveu com uma mulher com quem teve cinco filhos ilegítimos,
todos entregues a um orfanato. "ola'orou com a Enciclopédia de =iderot.
2
=isponível emB httpBMMfilsofos+vidaeo'ra.'logspot.com.'rM8GGPMGSMho''es.html
3
=isponível emB httpBMMfilsofos+vidaeo'ra.'logspot.com.'rM8GGPMGSMloc*e.html
4
!m 59OG, seu Discurso sobre as ciências e as artes ganhou o pr;mio da Academia
de =ijon. Ho su'seqUente Discurso sobre a origem da desigualdade, desenvolveu suas
idéias so're a influ;ncia corruptora da sociedade. !m 5968 pu'licou Emilio, em que
exp@e sua teoria educacional, e es'oçou sua teoria política em O contrato social. 0oi
perseguido por essas o'ras e teve seus livros queimados em sua Jene'ra natal. !le
entrou em um período contur'ado, e em certa altura hospedou+se com =avid &ume na
Fnglaterra, mas suas acusaç@es paranóicas ao seu anfitrio o levaram de volta a .aris
L
.
#% .S(A&/ &. NA(UR.>A 5U)ANA
4
=isponível emB httpBMMfilsofos+vidaeo'ra.'logspot.com.'rM8GGPMGSMrousseau.html
5
C# homem é o lo'o do homemD, diz &o''es. /endo todos iguais, no há como
um indivíduo exercer poder so're outro, mas a partir dessa igualdade gera a
desconfiança, que dela advém a guerra.
/eja para atacar ou defender, a guerra é a'surda e há muitas injustiças, pois pela
aus;ncia de leis é impossível definir o que é justo, no havendo possíveis vencedores. A
propriedade tam'ém se torna impossível de defender dentro do estado de natureza.
/egundo &o''es a origem do !stado ocorre a partir do momento em que o
homem procura uma maior satisfaço e cuidado com sua própria vida, ou seja, o mesmo
'usca fugir da guerra e das situaç@es precárias vividas em seu estado de natureza, sendo
necessário que haja um poder comum a todos capaz de defender a sociedade e garantir+
lhes uma segurança suficiente
O
.
A natureza humana ama a li'erdade e o domínio so're os outros, mas o desejo
de ter uma vida satisfeita faz o homem a'dicar de sua li'erdade para prestar o'edi;ncia
ao so'erano, so'erano este que foi esta'elecido por meio do pacto em decorr;ncia de
sua segurança. ! por viver em meio a uma guerra de todos contra todos, o homem sente
a necessidade de instituir o !stado.
A Tnica maneira de instituir um tal poder comum, capaz de defend;+los das
invas@es dos estrangeiros e das injTrias uns dos outros, garantindo+lhes assim
uma segurança suficiente para que, mediante seu próprio la'or e graças aos
frutos da terra, possam alimentar+se e viver satisfeitos, é conferir toda sua
força e poder a um homem, ou a uma assem'léia de homens, que possa
reduzir suas diversas vontades, por pluralidade de votos, a uma só vontade.
4&#$$!/, %homas, p.65:
.ara &o''es o homem no é um animal naturalmente social, o mesmo se
encontra dentro de uma sociedade artificial que precisa ser mantida artificialmente e
racionalmente, no entanto, o pacto deve ser garantido e renovado a todo o momento,
para que assim haja uma sociedade. A partir disso se discorre o poder político podendo
apenas ser mantido por meio da força. !sse monopólio da força faz com que aconteça a
unio de todos em um Tnico indivíduo, sendo este o garantidor da segurança a todos,
para &o''es isso se chama !stado.
"edo e transfiro meu direito de governar+me a mim mesmo a este homem, ou
a esta assem'léia de homens, com a condiço de transferires a ele teu direito,
autorizando de maneira semelhante todas as suas aç@es. 0eito isto, K multido
5
&#$$!/, %homas. +eviat8. /o .auloB ,ideel, 8GGO, p.65.
6
assim unida numa só pessoa se chama !stado, em latim civitas. 4&#$$!/,
%homas, p.65:
/endo assim, o medo da morte em guerra e o desejo de uma vida satisfatória e de
posse, faz com que os indivíduos atuem de forma racional, e através do pacto social
instituam um poder político, que os garantirá a sua segurança em troca de sua li'erdade.
CVquele que é portador dessa pessoa se chama so'erano, e dele se diz que possui poder
so'erano. %odos os restantes so sTditos.D 4&#$$!/, %homas, p.65:.
"onseqUentemente, a fundaço do !stado "ivil faz criar uma desigualdade
dentro do estado de natureza, por meio da transfer;ncia de direito o so'erano torna+se
mais poderoso que todos os outros, sendo estes os sTditos. # so'erano mantém seu
direito natural, permanecendo assim em seu estado de natureza, ao qual no faz parte do
contrato social. # so'erano, o grande )eviat, é assim caracterizado por deter o maior
poder vivente na terra. !le no é su'metido K ordem jurídica, nem a qualquer outro tipo
de restriço, pois conserva seu direito natural.
C< esta a geraço daquele grande )eviat, ou antes WXY daquele =eus 3ortal, ao
qual devemos, a'aixo do =eus Fmortal, nossa paz e defesa.D 4&#$$!/, %homas, p.65:.
!spinosa afirma que o indivíduo no necessariamente age de acordo com a
razo, mas que muitas vezes as paix@es so o que determinam as aç@es humanas, e o
filósofo ao contrário de &o''es no faz uma separaço entre a razo e a natureza
humana. Zuando o homem age em comunho com a razo, ele está agindo de acordo
com as leis da natureza, ou seja, a aço que o homem realiza racionalmente é a que mais
se ajusta com as leis da verdadeira natureza humana.
.ara !spinosa, os homens no so motivados apenas pelas leis da natureza, mas
os afetos tam'ém os motivam. ! ao desenvolver da verdadeira teoria dos afetos,
!spinosa irá retratar que a mente no se para do corpo, pois a mente nada mais é que a
idéia do corpo
6
.
(á )oc*e afirma que a condiço natural dos homens é esta'elecida através de um
estado de total li'erdade de aç@es e escolhas, além de desfrutar integralmente de seus
'ens e de suas pessoas, ou seja, direito a propriedade privada, o'viamente que essas
garantias estejam sempre dentro dos limites do direito natural, porém no é necessário
autorizaço de nenhum outro homem e sem depend;ncia de sua vontade.
6
"&AQ[, 3arilena. .spinosa' :a ?iloso?ia da liberdade. /o .auloB 3oderna,
5PPO. 4"oleço )ogos:. 558 p.
7
!sse estado, marcado pela igualdade e pela aus;ncia de su'ordinaço ou
sujeiço, pode ser chamado de Cestado de li'erdadeD, mas definitivamente no pode ser
confundido com um Cestado de permissividadeD, o homem tem a sua li'erdade de agir,
mas desde que no atente a sua própria vida, nem de outrem que esteja so're os seus
cuidados, exceto se existir um o'jetivo mais no're que a sua própria conservaço. /o're
esse assunto o autor fala queB
# Cestado de HaturezaD é regido por um direito natural que se imp@es a
todos, e com respeito K razo, que é este direito, toda a humanidade aprende
que, sendo todos iguais e independentes, ninguém deve lesar o outro em sua
vida, sua saTde, sua li'erdade ou seus 'ens- todos os homens so o'ra de um
Tnico "riador todo+poderoso e infinitamente sá'io, todos servindo a um
Tnico senhor so'erano, enviados ao mundo por sua ordem e a seu serviço-
portanto sua propriedade, daquele que os fez e que os destinou a durar
segundo sua vontade e de mais ninguém. 4)#"\!,8G++], p.76:
.ara )oc*e o indivíduo no deve apenas se preocupar em zelar pela sua própria
vida, e tam'ém no a'andonar o seu am'iente, ele deve Cvelar pela conservaço do
restante da humanidadeD, ou seja, a própria populaço que tem que assegurar a
execuço da lei da natureza o que significa que eles esto aptos para punir aqueles que
no a seguem, pois segundo o autorB
Hada valeria a lei da natureza, assim como todas as outras leis que dizem
respeito aos homens nesse mundo, se no houvesse ninguém que, no estado
de natureza, tivesse poder para executar essa lei e assim preserva o inocente e
refrear os transgressores. ! se qualquer um no estado de natureza pode punir
o outro por qualquer mal que ele tenha cometido, todos podem fazer o
mesmo. 4)#"\!, 8G++], p.79:
Ao contrário de &o''es e )oc*e onde o estado de natureza é um am'iente
totalmente hostil, marcado pela selvageria onde o mais forte é quem manda, e que seria
necessário um pacto entre eles para esta'elecer um estado mais civilizado, igualitário.
,ousseau vai afirmar o oposto, para ele, aquela fase 4estado de natureza: tinha
características positivas, uma dessas características, seria que o am'iente natural era
'astante a'undante e acolhedor, o que coincidentemente teria sido criado exatamente
para o homem.
#utra característica é a aus;ncia da vida em conjunto, ou seja, é uma época
marcada pelo isolamento, exceto para reproduço, contrariando outros pensadores que
8
dizem que o estado de natureza é um cenário onde os homens vivem em conjunto,
segundo o autor nessa época o homem no tinha.
casa, nem ca'anas, nem propriedade de nenhuma espécie, cada qual se
a'rigava a esmo e em geral por uma Tnica noite- os machos e as f;meas
uniam+se fortuitamente conforme o caso, a ocasio e o desejo 4...:. )ogo que
tinham forças para procurar seu alimento, Wos filhosY no tardavam em deixar
a própria me e, como quase no havia outro meio de encontrar+se seno o de
no se perder de vista, logo chegavam ao ponto de nem sequer se
reconhecerem uns aos outros. 4,#Q//!AQ, 5PP7, p.OS:
Zuanto ao processo de natureza humana K sociedade civil, !spinosa no é to
radical quanto &o''es em suas afirmaç@es. =e acordo com !spinosa, a pot;ncia da
natureza é maior que a pot;ncia do homem, o indivíduo que no juntar a sua pot;ncia
com a do outro estará condenado K solido e K morte. =essa forma, o estado de natureza
humana na viso espinosana no é uma natureza desfavorável a sociedade civil, mas é,
pelo contrário, adequado ela. A partir disso, afirma o autor que os homens por natureza
almejam o !stado "ivil e nunca o diluiro por completo.
2% CRIA01/ &AS +.IS
Assim como )oc*e, ,ousseau acredita que a aplicaço das leis só é legítima
com a participaço de todos os cidados do !stado, ou seja, um parlamento.
nem se o príncipe se encontra acima das leis, pois ele é mem'ro do !stado-
nem se a lei pode ser injusta, pois que ninguém é injusto consigo mesmo-
nem em que sentido somos livres e sujeitos Ks leis, pois que estas so apenas
registros de nossas vontades. 4,#Q//!AQ, 8GG8, O7+OL:
9
!le ainda diz que as leis so Ccondiç@es de associaço civilD e que devem ser
regidas pelo povo, pois só eles sa'em o que a sociedade necessita. Hem tudo o que um
homem ordena mesmo que ele seja um so'erano pode ser considerado uma lei, mas sim
um decreto, e tam'ém essa ordem no constitui um ato de so'erania, mas de
magistratura.
=iferentemente &o''es diz que apenas o so'erano é quem legisla, ou seja, só ele
que dita as regras e sem a presença dele as leis no so validas
S
.
7
Rousseau, J. J. Do Contrato Social, Ed. Ridendo Castiat !o"es, 2##2.
8
&#$$!/, %homas. +eviat8. /o .auloB ,ideel, 8GGO, p.P5.
$
C!ntendo por leis civis aquelas leis que os homens so o'rigados a respeitar, no
por serem mem'ros deste ou daquele !stado em particular, mas por serem mem'ros de
um !stado.D 4&#$$!/, %homas, p. PG:
&o''es ainda comenta que há apenas um aspecto que diferencia as leis naturais
das leis civis, isso acontece quando o so'erano aprova uma lei e esta por sua vez no
está correspondendo com a lei permanente de =eus. 3esmo que o so'erano seja a maior
autoridade, ele no tem capacidade para mudar as leis que so determinadas por =eus,
pois as leis naturais so imutáveis.
# homem tende a deso'edecer a lei, e a Tnica forma de garantir o'edi;ncia é
quando o so'erano esta'elece puniç@es e castigos aos que violarem as leis civis, ou seja,
o medo da puniço garante a o'edi;ncia das leis e o desconhecimento da mesma no é
desculpa, diz &o''es.
.ara !spinosa as leis que so expressas no direito civil, é a condiço da
exist;ncia real no direito natural, onde o homem apenas realiza e concretiza sua
pot;ncia, preservando no ser a expresso da pot;ncia coletiva, quando vivem em
decorr;ncia das leis civis.
$% CO!"#$ . +IB.R&A&.
Ha questo do conatus, em termos genéricos, tanto &o''es quanto !spinosa
compreende o conceito sendo o empenho de preservar a exist;ncia, ou seja, os homens
se esforçam em permanecer na exist;ncia.
=e acordo com os autores o conceito de conatus admite duas distinç@es, e a
primeira é fundamentada em conceitos físicos de movimento e pot;ncia. !m &o''es, o
conatus é um poder infinito de movimento, podendo ser apenas limitado por um
impedimento externo, onde expressa uma analogia de movimento e repouso entre um
corpo e um am'iente exterior. .ara !spinosa, o conatus tam'ém pode ser interrompido
por forças externas, mas tal evento no é caracterizado pelo simples fato do movimento
contínuo. "ontudo, !spinosa diz que o conatus no vem de uma analogia de movimento
e inércia, mas que ele parte de uma noço de intensidade, ou seja, parte de uma pot;ncia
de agir.
A outra distinço é a acepço positiva ou negativa do conatus. Ho pensamento
ho''esiano, o conatus se esforça em preservar 'uscando sempre mais, pois tem medo
da falta, ou seja, o que mo'iliza o homem no é o desejo de vida, mas sim o medo da
1#
morte violenta. ! o conatus da filosofia espinosana no é caracterizada pela idéia de
falta ou qualquer tipo de negatividade, ele traz consigo o desejo de vida, para muito
além de uma procura por mais pot;ncia.
# conceito de conatus e o conceito de li'erdade esto diretamente ligados.
&o''es admite uma idéia negativa de li'erdade, assim como na concepço de conatus.
.ara ele a li'erdade é colocada em forma de movimento se opondo a o'stáculos
externos, ou seja, a li'erdade é caracterizada pela perpetuaço de movimento.
!spinosa retrata que a li'erdade é a aço dentro dos conformes da razo,
portanto deve+se agir apenas quando for uma necessidade de sua própria natureza em
conjunto com as leis de sua natureza, ou seja, 'uscando o que é Ttil de forma racional.
Ao agir racional, o homem está tam'ém se conservando na exist;ncia e aumentando sua
pot;ncia de agir, e a concepço positiva de !spinosa no conatus leva a compreender
tam'ém a li'erdade de forma positiva.
A maior diferença existente entre os dois autores, é que, para &o''es, os homens
so livres no estado de natureza porque no há impedimentos quanto ao seu movimento
e porque eles t;m uma li'erdade de aço. (á !spinosa, ao contrário, diz que os homens
so conduzidos pelas paix@es, e que eles so servos dessas mesmas paix@es.
@% .SCRA2I&1/ A +IB.R&A&.
A respeito da escravido, tanto )oc*e quanto ,ousseau possui idéias parecidas
em suas afirmaç@es, )oc*e fala que a li'erdade natural é no su'misso a qualquer
o'rigaço exceto a da lei da natureza e que a escravido nada mais é do que o estado de
guerra continuado entre um conquistador legítimo e seu prisioneiro. ,ousseau diz que é
nulo o direito de escravizar, no só porque é ilegítimo, mas tam'ém porque é algo
a'surdo e que no resulta em nada positivo.
&o''es fala que a negaço do livre ar'ítrio está ligado ao ponto de vista
mecInico da natureza, pois li'erdade seria o sentido de movimento. C.orque de tudo o
que estiver amarrado ou envolvido de modo a no poder mover+se seno dentro de certo
espaço, sendo esse espaço determinado pela oposiço de algum corpo externo, dizemos
que no tem li'erdade de ir mais alémD. 4&#$$!/, %homas, p. 97:
Assim, direito a li'erdade é todo aquele que tem a capacidade de produzir coisas
pela força e engenho de suas próprias mos sem ser impedido de fazer o que tem
vontade e quando tiver vontade, diz &o''es.
11
3as ele diz ainda que, a su'misso é uma o'rigaço em conjunto com a
li'erdade e aquele que deso'edecer ao so'erano estará indo de encontro com a própria
vida, pois ao renunciar ao so'erano e as suas leis automaticamente ele retorna ao estado
de natureza. < perceptível que &o''es é a favor da servido, para ele o homem deve ser
su'misso ao so'erano, para que o so'erano cumpra com o seu dever, que é garantir a
segurança de todos dentro da sociedade.
!spinosa fala da li'erdade como livre ar'ítrio dentro da teologia do pecado e
tam'ém a identifica com o poder de escolher o que é 'om ou ruim dentro dos valores de
ética e moral que so postos. %anto uma quanto Cconsideram o corpo a causa das
paix@es da alma e julgam as paix@es vícios em que caímos por nossa culpa contrariando
as leis da natureza e a vontade de =eusD. 4!/.FH#/A, $aruch, p. O7:
# autor fala que a servido no é fruto dos afetos, mas sim das paix@es e que a
passividade é ter vontade, pensar, existir, desejar. CAlienados, no só no reconhecemos
o poderio externo que nos domina, mas o desejamos e nos identificamos com ele. A
marca da servido é levar o apetite+desejo K forma limiteB a car;ncia insaciável que
'usca interminavelmente a satisfaço fora de si, num outro que só existe
imaginariamenteD. 4!/.FH#/A, $aruch, p. 69:
A servido além de seus efeitos tem duas grandes conseqU;ncias, a primeira é
que ela o coloca em contradiço consigo mesmo, fazendo com que seu conatus perca a
refer;ncia por estar confuso entre o exterior e interior, e a segunda é a intersu'jetividade
que faz com que cada um se oponha a todos os outros, havendo uma luta de todos contra
todos
P
.
B% .S(A&/ &. *U.RRA
/o're o estado de guerra )oc*e define como sendo um Cestado de inimizade e
de destruiçoD, se alguém vir a atentar de modo explícito contra a vida do próximo isto
o coloca em um estado de guerra com aquele que foi atentado, e com isso coloca a sua
vida em poder do próximo ou ele mesmo podendo retirá+la, ou qualquer outro que
venha a se juntar em sua defesa. C< razoável e justo que eu tenha o direito de destruir
$
"&AQ[, 3arilena. .spinosa' :a ?iloso?ia da liberdade. /o .auloB 3oderna,
5PPO. 4"oleço )ogos:. 558 p. 6S.
12
aquele que me ameaça com a destruiçoD 4)#"\!, 8G++],p.7P:, com isso o autor afirma
que qualquer um é autorizado a matar um ladro que no lhe faz mal fisicamente, mas
só de ter a intenço de lhe rou'ar o dinheiro ele já se coloca em um estado de guerra
com voc;.
!sse estado de guerra só termina quando se há o recurso da lei, tanto para
reparar o mal sofrido quanto para prevenir todo mal futuro.
C... onde no existe tal recurso, como no estado de natureza, devido K
inexist;ncia de leis positivas e de juízes competentes com autoridade para
julgar, uma vez iniciado o estado de guerra ele continua, e a parte inocente
tem o direito de destruir a outra quando puder, até que o agressor proponha a
paz e deseje a reconciliaço em tais termos que possa reparar quaisquer erros
que já tenha cometido a assegurar o futuro da vítimaD. 4)#"\!, p. LG:
Além disso, quando a justiça por algum motivo distorce as leis, para proteger
alguém ou algum partido isso tam'ém o coloca em estado de guerra com seus cidados.
.ara ,ousseau o estado de guerra, no pode existir, já que os homens no estado
de natureza como vivem no isolamento e no possuem relaç@es freqUentes com outros,
possa esta'elecer tanto um estado de guerra quanto um estado de paz, ou seja, eles no
so inimigos. Ho estado social como já está presente uma autoridade so'erana capaz de
aplicar leis o estado de guerra tam'ém no seria possível.
.ara &o''es, o estado de natureza é um estado de guerra, e explica que quando o
homem está na condiço de simples natureza, sendo esta uma li'erdade a'soluta, no
existem so'eranos e nem sTditos, ento vivem uma anarquia e em condiço de guerra
podendo ser levados a evitar tal condiço pelas leis da natureza. ! mesmo vivendo em
condiço de natureza, é preciso conhecer as leis divinas antes mesmo das leis civis.
CZuer os homens queiram, quer no, t;m de estar sempre sujeitos ao divino poder.D
4&#$$!/, %homas, p. 55S:.
!spinosa afirma que quanto ao estado de guerra, os homens esto sempre
querendo sua auto+preservaço, vivendo em constante luta pela so'reviv;ncia para
garantir sua exist;ncia.
Hessa condiço de guerra a li'erdade do homem, é quando ele tem a capacidade
de se defender dos outros indivíduos impondo os seus interesses para a sua própria
so'reviv;ncia. .ara garantir sua so'reviv;ncia o homem irá utilizar de todos os meios
possíveis que esto ao seu alcance, podendo até utilizar dos meios mais 'rutais.
13
=entro dessa condiço natural, para !spinosa, no existe moral, impossi'ilitando
a noço de justiça que é caracterizada pela aus;ncia de leis e de religio.
C% S/CI.&A&. CI2I+
)oc*e diz que a sociedade civil foi iniciada quando =eus decidiu que o homem
no deveria mais ficar sozinho e su'meteu+o a uma sociedade, logo a primeira
sociedade civil foi entre mulher e homem 4Ado e !va:, para daí ser iniciada outras
formas de sociedade como a de pais e filhos, e com o tempo patro e servidor.
C!sta sociedade se acompanhada de uma ajuda e de uma assist;ncia mTtuas
e, além disso, tam'ém de uma comunho de interesses, necessária no
somente para unir seu cuidado e sua afeiço, mas tam'ém a sua descend;ncia
comum, que tem o direito de ser alimentada e mantida por eles até ser capaz
de prover suas próprias necessidadesD. 4)#"\!, p.O6:
.ara ,ousseau a sociedade civil, criou no homem a moralidade e a razo, que
antes era inexistente no estado de natureza, porém, além de perder diversas vantagens
encontradas na natureza ao se esta'elecer uma sociedade civil ele vai ganhar outras
equivalentes.
... suas faculdades se exercitam e desenvolvem, suas idéias se estendem, seus
sentimentos se eno'recem, toda a sua alma se eleva a tal ponto, que, se os
a'usos dessa nova condiço, no o degradassem com frequ;ncia a uma
condiço inferior aquela de que saiu, deveria a'ençoar incessantemente o
ditoso momento em que foi dali desarraigado para sempre, o qual
transformou um animal estTpido e limitado num ser inteligente, num homem.
4,#Q//!AQ, 8GG8, p.7G:
5G
!m relaço ao !stado "ivil &o''es fala que a sociedade política é um resultado
artificial de um pacto firmado voluntariamente e deixa 'em explícito que sua
prefer;ncia é a monarquia, mas independente de qualquer forma de governo seja ela,
monarquia, democracia ou aristocracia, a partir do momento em que homens firmam um
pacto, estes entregam seus direitos naturais a'solutos ao representante, ao so'erano e
imediatamente ficam su'metidos a uma so'erania indivisível. "om isso, &o''es
acredita que a separaço de poder é a causa que leva K dissoluço de um !stado.
.ara &o''es o poder político possui algumas característicasB
1#
. Rousseau, J. J. Do Contrato Social, Ed. Ridendo Castiat !o"es, 2##2.
14
5: # poder tem que ser a'soluto e o representante no está su'metido as leis que
cria-
8: # poder tem que ser centralizado em legislativo, executivo e judiciário-
7: # poder tem que ser autoritário para colocar ordem e controlar as re'eli@es
4políticas, culturais: da sociedade-
L: # poder tem que ser mediador e dominador de todo o campo econ?mico.
3esmo que a ess;ncia do pacto firmado seja voluntária, o !stado tem um papel
fundamental para garantir que o contrato seja respeitado e que haja paz no convívio
entre os homens, essa ordem só é alcançada pela presença de força do !stado.
Assim como os direitos naturais foram passados para o so'erano, a propriedade
tam'ém passou a ser regulamentada pelas leis do !stado, e só ele possui a legitimaço e
uma relaço jurídica com a propriedade, 'em como na justiça, o !stado é o Tnico que
tem direito de julgar e ouvir quanto ao que se trata das leis e as ocorr;ncias.
!m !spinosa, o contrato social é controverso. Alguns comentadores dizem que
ele é contratualista, quando fala do pacto social e transfer;ncia de direitos no %ratado
%eológico+.olítico, no capítulo A>F. #utros dizem que ele no é contratualista, pois
tanto no %ratado %eológico+.olítico quanto no %ratado .olítico ele afirma que pela
palavra dada o indivíduo no se o'riga, que o contrato social é vinculado K sua
utilidade, e partir do momento em que !spinosa trata isso ele estaria assegurando que o
contrato no é totalmente eficaz quanto K constituiço do .oder .olítico. #utra
afirmaço é de que !spinosa é contratualista no %ratado %eológico+.olítico, mas
extingue a idéia de contrato no %ratado .olítico.
Ho %ratado .olítico, quanto K idéia de que o direito é a pot;ncia, sendo essa
pot;ncia a ess;ncia atual, !spinosa leva esse pensamento ao extremo, de forma a dizer
que a transfer;ncia de direito de um homem para outro é inviável, porque este ao
transferir seu direito teria que a'rir mo da sua ess;ncia.
# !stado civil vem para ultrapassar o !stado de Hatureza, ou seja, os indivíduos
fazem suas próprias leis conforme seus interesses e suas próprias forças, seria ento uma
guerra de todos contra todos. A vida social e política no !stado "ivil t;m como
finalidade esta'elecer a paz, a segurança e a li'erdade individual. # direito "ivil e
!stado "ivil nasce a favor do direito natural e do estado de natureza, para que juntos
exerçam sua funço na garantia de li'erdade e segurança.
Ao contrário de &o''es, !spinosa tem prefer;ncia pela democracia, pois esta
garante os direitos naturais e o desejo natural de governar e no ser governado, e que ao
15
cumprir com as leis, cada um aca'a por o'edecer a si mesmo, pois é o agente da
legislaço.
!spinosa ainda comenta so're a dominaço dos espíritos e a li'erdade política,
Cregimes políticos violentos so conservados por meio da superstiço, do medo de
castigos, da esperança de 'enefícios, da censura do pensamento e da palavra, da
su'misso aos poderes religiosos e teológicosD 4!/.FH#/A, $aruch, p.9S:
!le fala em garantir tr;s condiç@es sem as quais nenhuma forma política pode
conservar+seB
5: A legislaço deve se referir excepcionalmente as aç@es externas dos cidados, e
nunca se referir ao que se passa no íntimo de suas consci;ncias-
8: Hos momentos de tenso e dificuldade nenhum particular nem qualquer grupo
de particulares pode se apresentar como advogado das leis-
7: A legislaço e as instituiç@es no podem estar em contradiço com as ideologias,
costumes políticos dos cidados
55
.
D% C/NC+US1/
.artimos de um !stado que era impossível haver paz estando numa condiço
natural, as Tnicas leis existentes eram as leis do estado de natureza, onde so'reviver e
suprir as próprias necessidades era o interesse de todos os indivíduos. .ara proteger a
vida, o homem estava em constate luta pela so'reviv;ncia, numa guerra de todos contra
todos. A Tnica alternativa encontrada por parte dos autores e a'ordada ao longo da
pesquisa foi por meio do pacto social.
11
"&AQ[, 3arilena. .spinosa' :a ?iloso?ia da liberdade. /o .auloB 3oderna,
5PPO. 4"oleço )ogos:. 558 p.9P.
16
# homem já no queira mais viver com medo de perder a vida e a propriedade,
ento esta'elece um contrato entre os indivíduos, com o intuito de eleger um
representante que tenha a força capaz de defend;+los da guerra, garantindo assim sua
segurança, o homem, por sua vez, a'andona sua li'erdade, prestando serviços ao
so'erano que por eles foi eleito. A partir disso, o !stado "ivil é constituído, mas para
sua manutenço so expostas diversas recomendaç@es e filosofias diferentes de acordo
com cada teórico.
"ontudo, conclui+se que no estado de natureza o homem estava insatisfeito com
a sua vida e resolve mudar para o !stado "ivil almejando a segurança, propriedade e
li'erdade, mas ao mesmo tempo em que ele migra para a sociedade, automaticamente
ele perde sua li'erdade, tendo que se adequar as leis do !stado "ivil.
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