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SAPIENTIA - PIO XII <em revista> n‘ 12 Novembro/2013

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Modelo Dinâmico de Fleuriet versus Modelo de
Kanitz: Um Estudo Comparativo Aplicado em
Empresas de Capital Aberto do Ramo de Energia
Fabrício Augusto Da Cunha
1
; Dorival Izidoro Angelo
2*
1 Discente da Faculdade de Estudos Sociais do Espírito Santo, ES, Brasil
2 Docente da Faculdade de Estudos Sociais do Espírito Santo, ES, Brasil
* dorivalia@uol.com.br
Resumo
A contabilidade é partcipante atva em todos os processos de uma organização, fornecendo dados e informações
que revelam seu posicionamento fnanceiro em determinado período, os quais são utlizados por gestores para
que estratégias possam ser traçadas visando à contnuidade das atvidades e de toda a organização. Partndo da
necessidade de se explorar ferramentas adicionais para auxiliar no processo decisório, esta pesquisa testou dois
conceituados modelos de indicadores de falência: o Modelo de Fleuriet, e o Modelo de Kanitz. Para garantr a
imparcialidade do teste, foram utlizados demonstratvos contábeis de empresas do setor energétco publicados
no site da CVM, com a delimitação aplicada às dez primeiras colocadas no ranking das ‘Maiores & Melhores por
Vendas em 2010’, divulgado pelo Portal EXAME.com, e os dados coletados dos demonstratvos contábeis dos
anos de 2008, 2009 e 2010. Dessa forma, o objetvo da pesquisa foi verifcar qual modelo de indicador de falência
representaria com maior nitdez a situação fnanceira das empresas constantes do estudo. Após a coleta, os
dados foram submetdos aos cálculos em cada modelo, com as especifcidades e característcas desenvolvidas por
seus idealizadores. Os resultados foram considerados individualmente, e submetdo a uma análise comparatva,
buscando pontos divergentes e convergentes. Assim, concluiu-se que o Modelo Dinâmico de Fleuriet foi o que
atendeu ao objetvo principal da pesquisa, pois mostrou mais nitdamente a situação fnanceira das empresas
deste estudo, revelando não somente a capacidade de pagamento de cada uma delas, mas de onde se originam
os recursos utlizados para esse fm, e que muitas delas estavam em situação delicada e, algumas, em situação
insatsfatória, muito ruim, péssima e de alto risco.
Palavras-chave: Situação Financeira, Modelo Dinâmico de Fleuriet, Modelo de Kanitz, Capital de Giro, Índices de Liquidez.
Introdução
A contabilidade está diretamente envolvida em todos os processos de uma organização, fornecendo dados e
informações por meio de demonstrações fnanceiras que revelam o posicionamento contábil de uma empresa em
determinado período, dados esses que são utlizados por gestores e administradores para que estratégias possam
ser traçadas visando à contnuidade das atvidades e, por conseguinte, de toda a organização.
Tão antga quanto à própria existência do patrimônio, a contabilidade, mesmo antes de ser considerada ciência,
sempre se renovou, e muitos foram os que trabalharam buscando respostas para os inúmeros questonamentos
contábeis que rodeiam as mentes daqueles que gerem negócios, introduzindo modifcações na então Ciência Contábil,
com a fnalidade de apresentar resultados com maior transparência e mais segurança para gestores e investdores.
Dentro desse contexto, e surgindo da urgente necessidade de alternatvas que auxiliem no processo decisório,
muitas pesquisas foram feitas utlizando os indicadores tradicionais de liquidez e rentabilidade. Destacaram-se,
porém, aquelas que uniram os já tradicionais índices de liquidez e rentabilidade ao desejo pelo conhecimento do
futuro, resultando nos índices de solvência, conhecidos como termômetros de falência.
Copyright © Todos os direitos reservados
Revisado em Agosto 2013
Aceito em Outubro 2013
SAPIENTIA - PIO XII <em revista> n‘ 12 Novembro/2013
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Com o intuito de encontrar a ferramenta contábil
mais adequada para auxiliar no processo decisório,
verifcou-se a situação fnanceira das empresas de
capital aberto do ramo de energia testando-se dois
conhecidos modelos de solvência: o Modelo Dinâmico
de Fleuriet e o Modelo de Kanitz, os quais foram
comparados objetvando responder ao seguinte
questonamento: “qual modelo representa com maior
nitdez a situação fnanceira das empresas de capital
aberto do ramo de energia?”.
As empresas que consttuem a amostragem deste estudo
têm seus demonstratvos contábeis divulgados no site da
CVM, e são as 10 primeiras empresas de energia classifcadas
no ranking das “Maiores & Melhores por Vendas em
2010”, pelo Portal EXAME.com, e os dados coletados estão
compreendidos nas demonstrações contábeis divulgadas
pelas empresas nos anos de 2008, 2009 e 2010.
O estudo contou com embasamento bibliográfco
de especialistas, tanto na conceituação e aplicação dos
modelos de Fleuriet e de Kanitz, para que todos os aspectos
pudessem ser aproveitados, quanto da metodologia de
pesquisa adotada, a fm de que toda a parte técnica da
pesquisa pudesse fcar devidamente embasada.
Os dados coletados foram submetdos aos cálculos
inerentes aos dois modelos, em cada uma das dez empresas,
de forma independente, para os três exercícios contábeis,
para que cada método fosse analisado separadamente em
várias realidades, a fm de identfcar cada ponto distnto
entre os dois métodos, e as possíveis discrepâncias entre eles.
Dessa forma, foi possível visualizar, com o auxílio dos
respectvos quadros, o desempenho de cada uma das
empresas ao longo do período analisado, comparando,
paralelamente, a evolução nos dois modelos
estudados, percebendo-se simultaneamente os pontos
convergentes e, principalmente, os divergentes.
Por fm, foi concluído no estudo que, apesar de muitos
pontos similares, o Modelo Dinâmico de Fleuriet foi o que
retratou com maior nitdez a situação fnanceira das empresas,
confrmando, então, a hipótese inicial do estudo e respondendo
ao questonamento de pesquisa originalmente proposto.
Material e Métodos
A metodologia utlizada neste trabalho pode ser
classifcada como empírico-analítca aplicada,
1
uma vez
que procurou-se evidências reais do posicionamento
fnanceiro das empresas brasileiras de capital aberto do
ramo de energia em dois modelos de análise distntos:
o Modelo Dinâmico de Fleuriet e o Modelo de Kanitz.
Tipos de metodologia utlizada
Para alcançar o objetvo principal deste estudo,
foram utlizados os tpos de pesquisa classifcados
quanto aos fns e quanto aos meios.
2
Assim, quanto
aos fns, poderá ser considerada como descritva
e explicatva, porque estão sendo descritas as
característcas das empresas estudadas, assim como
explicando a situação fnanceira de cada uma pelo dois
métodos escolhidos para análise.
Universo e Amostra
Considerando-se que o universo é um determinado
conjunto de elementos que possuem as característcas
do objeto de estudo e, a amostra, a parte desse universo
que será escolhida de acordo com algum critério,
2
o
universo desta pesquisa está consttuído das empresas
de capital aberto do ramo de energia que publicam
suas demonstrações contábeis no site da CVM e , a
amostra, está consttuída das 10 primeiras colocadas
no Ranking das “Maiores & Melhores por Vendas em
2010” divulgado pelo Portal EXAME.com.
3
Coleta e tratamento dos dados
Os dados foram coletados no site da CVM (www.
cvm.gov.br)
4
, relatvos aos demonstratvos contábeis/
fnanceiros das empresas pesquisas, referentes aos
anos de 2008 a 2010, e tratados de forma quanttatva
e tabulados de forma comparatva, visando à maior
pratcidade na análise, a fm de identfcar a resposta
para o problema de pesquisa.
5,6
Primeiramente, os dados coletados foram alocados
de forma a atender aos parâmetros para se efetuar os
cálculos utlizando os dois modelos; em seguida, foi
analisada a situação patrimonial de cada empresa pelos
dois métodos adotados nesta pesquisa; por fm, foram
evidenciadas as convergências e discordâncias entre os
dois modelos analisando-os de forma comparatva.
Resultados e Discussão
Utlizando os dados das empresas constantes do estudo,
foram realizados os cálculos de acordo com os parâmetros
estabelecidos pelos autores dos métodos utlizados,
enquadrando-se, portanto, nas defnições conceituais
abordadas no estudo.
Os dados apresentados seguem a ordenação de
empresas, estabelecido no ranking das ‘Maiores & Melhores
por Vendas em 2010’, divulgado pelo Portal EXAME.com, sendo
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dispostos em Quadros, que mostram a variação anual dos
indicadores de cada modelo, as quais trazem auxilio visual para o
acompanhamento das análises de cada empresa estudada.
Petróleo Brasileiro S/A – Petrobrás
De acordo com os dados, a Petrobras encontra-se
em um patamar de solidez fnanceira, oscilando apenas
de excelente, em 2008, para sólida em 2009, o que
se manteve em 2010. Apesar de manter expressivo
saldo de tesouraria, o que a faz suportar a constante
necessidade de capital de giro, e manter seu capital
circulante líquido positvo, a empresa necessitou de
considerável partcipação de recursos de terceiros
para orquestrar suas operações, fazendo o saldo de
necessidade de capital de giro sair de um patamar
negatvo para um saldo positvo que chega a ser quase
metade de seu saldo de tesouraria.
Quadro 1. Resultado do Modelo de Fleuriet para a
Petrobrás.
Ano CCL Ncg T Tipo Situação
2008 1.018 (1.300) 900 I Excelente
2009 18.644 5.002 13.643 II Sólida
2010 49.954 18.136 40.339 II Sólida
A empresa mostra crescimento acentuado de seu fator
de insolvência, mostrando solidez em sua capacidade de
quitação, partndo de 1,97 em 2008 chegando a 4,39 em
2010.
Quadro 2. Resultado do Modelo de Kanitz para a Petrobrás.
Ano 2008 2009 2010
Fator de Insol-
vência
1,97 2,53 4,39
Eletropaulo Metropolitana de São Paulo S.A.
Os dados da empresa Eletropaulo mostram uma situação
fnanceira excelente em todos os períodos analisados. O capital
circulante líquido e o saldo de tesouraria foram positvos nos
três anos, e a empresa não mostrou necessidade de capital
de giro em qualquer deles. Houve uma pequena queda nos
saldos de igual proporção nos períodos analisados, mas não
mudou a classifcação da empresa quanto a sua tpologia
fnanceira.
O fator de insolvência enquadra a empresa como
solvente dentro do termômetro de Kanitz em todo o período
analisado, estando ela acima de 3 em todos os anos.
Quadro 3. Resultado do Modelo de Fleuriet para a
Eletropaulo.
Ano CCL NCG T Tipo Situação
2008 731.119 (654.379) 1.234.298 I Excelente
2009 271.937 (353.483) 625.420 I Excelente
2010 720.685 (771.194) 1.541.879 I Excelente
Quadro 4. Resultado do Modelo de Kanitz para a
Eletropaulo.
Ano 2008 2009 2010
Fator de Insol-
vência
3,54 3,16 3,71
Cemig Distribuição S/A
De acordo com dados, a CEMIG apresenta uma
situação delicada, variando de péssima, passando para
muito ruim, chegando a apresentar-se insatsfatória
em 2010. Apesar de mostrar recuperação dentro do
período, elevando o capital circulante líquido e o saldo
de tesouraria, que mesmo ainda negatvo é maior em
2010 que no ano anterior, mostrou crescente utlização
de capital de terceiros, fazendo a necessidade de capital
de giro elevar-se em mais de 30 vezes em relação ao
saldo do ano anterior, mostrando enorme dependência
de recursos de terceiros.
Quadro 5. Resultado do Modelo de Fleuriet para a Cemig.
Ano CCL NCG T Tipo Situação
2008 (62.808) 19.383 (82.191) IV Péssima
2009 (1.001.632) (24.670) (976.962) V Muito Ruim
2010 713.333 857.776 (144.443) III Insatsfatória
A empresa apresenta um fator de insolvência em
processo de elevação, passando de 2,22 em 2008 para
3,79 em 2010, revelando saúde fnanceira para quitar suas
obrigações.
Quadro 6. Resultado do Modelo de Kanitz para a Cemig
Ano 2008 2009 2010
Fator de Insol-
vência
2,22 2,32 3,79
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Ligth SESA
Apresentando a mesma tpologia de estrutura
fnanceira, a Light SESA é classifcada como sólida em
todo o período analisado. Possui capital circulante
líquido, necessidade de capital de giro e saldo
de tesouraria positvos, mostrando que, mesmo
necessitando temporariamente de capital de giro, o
saldo de tesouraria suporta tais oscilações.
Quadro 7. Resultado do Modelo de Fleuriet para a Ligth SESA.
Ano CCL NCG T Tipo Situação
2008 1.133.679 792.307 341.372 II Sólida
2009 960.087 600.201 359.886 II Sólida
2010 246.226 22.368 223.858 II Sólida
A empresa apresenta fator de insolvência positvo
em todo o período analisado. Há pequenas variações,
partndo de 4,41 em 2008 para 3,65 em 2010, porém
mantém-se solvente em todo o período.
Quadro 8. Resultado do Modelo de Kanitz para a Ligth SESA.
Ano 2008 2009 2010
Fator de Insol-
vência
4,41 4,66 3,65
Companhia Paranaense de Energia – COPEL
A COPEL apresenta ótma situação fnanceira, variando
entre excelente e sólida dentro do período analisado.
Apresenta capital circulante líquido e saldo de tesouraria
positvo em todos os períodos analisados, e ausência de
necessidade de capital de giro em 2008 e 2010. Em 2009
a empresa apresenta uma breve necessidade de capital
de giro positvo, o que é suportado pela folga fnanceira
apresentada pelo saldo de tesouraria.
Quadro 9. Resultado do Modelo de Fleuriet para a Copel.
Ano CCL NCG T Tipo Situação
2008 1.577.979 (287.942) 1.865.921 I Excelente
2009 1.888.791 81.676 1.807.115 II Sólida
2010 1.620.989 (688.505) 2.309.494 I Excelente
De acordo com os dados analisados, o fator
de insolvência da empresa mantém uma média
superior a 6 para o período analisado, mostrando
que tem estabilidade financeira para honrar todos
os compromissos assumidos pela organização.
Quadro 10. Resultado do Modelo de Kanitz para a Copel.
Ano 2008 2009 2010
Fator De Insol-
vência
6,18 6,92 5,97
Companhia Paulista de Força e Luz – CPFL
A empresa apresenta os dois piores
enquadramentos da tipologia financeira,
passando de muito ruim em 2008 para alto risco
em 2009 e permanecendo dessa forma em 2010.
Essa situação fica evidenciada pela ausência de
capital circulante líquido, o qual se encontra
negativo, e pela necessidade de capital de giro
negativo, revelando utilização dos recursos de
curto prazo para cumprir com suas obrigações,
fazendo com que a empresa converta seus
ativos em disponibilidades para arcar com seus
compromissos.
Quadro 11. Resultado do Modelo de Fleuriet para a CPFL.
Ano CCL NCG T Tipo Situação
2008 (469.569) (422.568) (47.001) V Muito Ruim
2009 (92.578) (203.925) 111.347 VI Alto Risco
2010 (490.684) (699.624) 208.940 VI Alto Risco
O período analisado mostra que a empresa vem elevando
sua capacidade de pagamento, saindo de uma situação de
penumbra, para uma situação classifcada como solvente,
mostrando capacidade de quitar suas obrigações.
Quadro 12. Resultado do Modelo de Kanitz para a CPFL.
Ano 2008 2009 2010
Fator de Insol-
vência
-0,17 1,86 1,41
Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia – COELBA
A COELBA apresenta uma variação negatva para o
período analisado. Saindo de uma estrutura classifcada
como sólida, decaiu para a condição de insatsfatória, com
saldo de tesouraria negatvo, e necessidade de capital de
giro positvo, revelando dependência de empréstmos
para suprir a necessidade de capital de giro.
Quadro 13. Resultado do Modelo de Fleuriet para a
Coelba.
Ano CCL NCG T Tipo Situação
2008 185.941 15.744 170.197 II Sólida
2009 70.939 87.202 (16.263) III Insatsfatória
2010 159.785 263.540 (103.755) III Insatsfatória
Para o período analisado, o fator de insolvência mostra
certa estabilidade fnanceira para quitar suas obrigações,
oscilando dentro do período, mas permanecendo acima
de 3, longe da região de penumbra.
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Quadro 14. Resultado do Modelo de Kanitz para a Coelba
Ano 2008 2009 2010
Fator De Insol-
vência
3,64 3,49 3,57
Companhia Hidroelétrica do São Francisco – CHESF
Oscilando entre as estruturas sólida e excelente,
a empresa apresenta uma situação estável. Mantém
um saldo positvo de tesouraria e de capital circulante
líquido, o que a faz arcar com a necessidade de capital
de giro temporária nos períodos de 2008 e 2010, o que
não ocorre em 2009, quando a empresa manteve as
mesmas variáveis positvas, conservando a necessidade
de capital de giro negatva, dispensando capital de
terceiros em suas operações.
Quadro 15. Resultado do Modelo de Fleuriet para a Chesf.
Ano CCL NCG T Tipo Situação
2008 583.724 109.504 474.220 II Sólida
2009 736.396 (42.610) 779.006 I Excelente
2010 1.223.251 32.759 1.190.492 II Sólida
O fator de insolvência de Kanitz revela uma situação
acima das expectatvas para o período analisado,
estando acima de 4 em todos os períodos, mostrando
sólida capacidade de pagamento.
Quadro 16. Resultado do Modelo de Kanitz para a Chesf.
Ano 2008 2009 2010
Fator de Insol-
vência
4,94 5,41 7,21
Companhia de Gás de São Paulo – COMGÁS
Conforme demonstrado, todos os períodos analisados
enquadraram-se na tpologia muito ruim, apresentando
capital circulante líquido, necessidade de capital de giro
e saldo de tesouraria negatvos, indicando corrosão dos
recursos de curto prazo e, consequentemente, utlização
do saldo de tesouraria para cumprir com suas obrigações.
Quadro 17. Resultado do Modelo de Fleuriet para a
Comgás.
Ano CCL NCG T Tipo Situação
2008 (879.702) (342.517) (537.185) V Muito Ruim
2009 (417.173) (12.146) (405.027) V Muito Ruim
2010 (353.985) (156.903) (197.082) V Muito Ruim
Para o período analisado, o fator de insolvência da
empresa oscila próximo à zona de penumbra, partndo de
zero em 2008, elevando-se em 2009 com um breve declínio
em 2010. Contudo, sempre permaneceu acima de zero,
mostrando-se solvente.
Quadro 18. Resultado do Modelo de Kanitz para a Comgás.
Ano 2008 2009 2010
Fator de Insol-
vência
0,77 1,36 1,16
Elektro Eletricidade e Serviços S/A – ELEKTRO
A empresa apresenta, em 2008 e 2009, situação financeira
classificada como excelente, pois não houve necessidade
de capital de giro, e seu capital circulante líquido é positivo,
resultando em saldo de tesouraria positivo. Já em 2010 a
empresa enquadrou-se na tipologia de alto risco, podendo
significar risco de insolvência, o que pode ser explicado pela
utilização de recursos disponíveis para quitar suas obrigações
em detrimento do capital de terceiros, já que a necessidade de
capital de giro permanece negativa.
Quadro 19. Resultado do Modelo de Fleuriet para a Elektro.
Ano CCL NCG T Tipo Situação
2008 725.527 (214.168) 139.695 I Excelente
2009 34.337 (185.446) 219.783 I Excelente
2010 (114.862) (141.518) 26.656 VI Alto Risco
O fator de insolvência para o período
analisado enquadra a empresa como solvente,
não apresentando risco aparente de insolvência,
encontrando-se distante da situação de penumbra.
Quadro 20. Resultado do Modelo de Kanitz para a Elektro
Ano 2008 2009 2010
Fator de Insol-
vência
3,27 3,58 3,09
Análise comparatva entre os dois métodos
A similaridade entre os métodos se dá apenas
por se tratarem de ferramentas que permitem
identfcar uma possível situação de insolvência. São
ferramentas extremamente interessantes do ponto
de vista fnanceiro, mas principalmente do ponto
de vista contábil, pois utlizam dados extraídos das
demonstrações contábeis partndo de abordagens
diferenciadas, objetvando a mesma fnalidade.
No processo de análise, verifcou-se que o Modelo
Dinâmico de Fleuriet utliza o resultado de três variáveis
na determinação do tpo de situação fnanceira. Tal
determinação não toma como base os índices de
liquidez tradicionais, mas, por meio da redefnição do
Balanço Patrimonial, relaciona entre si conjuntos de
contas por similaridade, fazendo conhecida a situação
fnanceira da organização por meio de confronto de
saldos disponíveis e operacionais, conhecendo então
a necessidade de capital de giro.
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Dessa forma, o método revela se uma empresa tem ou não
condições de quitar suas obrigações, e, caso esteja honrando
seus compromissos, se esses têm sido quitados com recursos
próprios ou de terceiros, ou ainda, se tal manutenção está ou
não sendo vantajosa para a operacionalização da organização.
O Modelo de Kanitz, por sua vez, indica a capacidade
de uma empresa quitar suas obrigações baseado na
identfcação do Fator de Insolvência, que é obtdo
multplicando-se os índices de liquidez tradicionais pelas
variáveis criadas pelo professor Kanitz. Obtendo-se fatores
maiores que zero, a empresa tem reduzidas chances de
insolvência, fatores entre zero e -3 colocam a empresa em
uma situação indefnida, e fatores inferiores a -3 revelam
uma empresa com grandes chances de falência.
Entretanto, apesar de tornar conhecida a capacidade
de honrar seus compromissos, o Modelo de Kanitz não
revela a situação fnanceira da organização, mas apenas
se está quitando ou não suas obrigações, tornando
imprescindível a utlização de análises adicionais para que
a situação fnanceira de uma empresa seja conhecida em
sua totalidade, como, por exemplo, indicadores de prazos
médios, ou mesmo a análise individual de cada índice
tradicional de liquidez.
Dessa forma, a análise mostra discordância em quase
todos os períodos analisados, pois Kanitz mostra Fator de
Insolvência positvo para quase 100% das empresas do
estudo, mas não mostra a origem do recurso utlizado para
quitar as obrigações adquiridas pelas organizações, e o único
caso em que o Fator de Insolvência é negatvo, a situação é de
penumbra, não podendo ser considerada como insolvente.
Além disso, é importante destacar que, muitas dessas
empresas consideradas como solventes pelo Modelo de
Kanitz, estão com situação fnanceira classifcada pelo
Modelo de Fleuriet como: Insatsfatória, Péssima, Muito Ruim
e Alto Risco, mostrando que, apesar de solventes, a situação
fnanceira de tais empresas é no mínimo complicada.
Considerando as empresas como organismos vivos,
e que estão igualmente sujeitas a todas as variáveis
possíveis, isto é, mesmas condições de mercado, mesmos
problemas econômicos, mesmas crises e mesmos
incentvos, como se pode explicar que, para um mesmo
segmento operacional, há empresas equilibradas com
patrimônio sólido, e outras caminhando rumo à falência
em plena queda livre?
Esse contexto originou este estudo, que explorou
ferramentas adicionais para que, além de estudar e
controlar o patrimônio, a contabilidade possa oferecer,
também, respostas prátcas para que decisões possam
ser tomadas a tempo de salvar um negócio que viria a
fracassar, ou de resguardar um patrimônio que poderia
ser investdo em uma empresa às portas da falência,
oferecendo suporte diferenciado a seus usuários.
Dentre as muitas ferramentas de que dispõe a
contabilidade, foram estudados dois importantes modelos
de indicadores de solvência, o Modelo Dinâmico de Fleuriet
e o Modelo de Kanitz. Ambos foram confrontados a fm de
evidenciar aquele que mostra mais claramente a situação
fnanceira das empresas contdas neste estudo, respondendo,
então, ao problema de pesquisa, que versou sobre qual
modelo representava com mais nitdez a situação fnanceira
das empresas de capital aberto do ramo de energia.
Depois de efetuados todos os cálculos, e feitas todas
as análises, verifcou-se que o modelo desenvolvido
pelo Professor Kanitz revelou a capacidade de solvência
das empresas estudadas, entretanto, não apontou a
situação fnanceira dessas organizações, divergindo do
objetvo principal desta pesquisa.
Sendo assim, conclui-se que o Modelo Dinâmico de
Fleuriet foi aquele que revelou com mais nitdez a situação
fnanceira das empresas constantes deste estudo,
atendendo, assim, ao problema de pesquisa proposto,
confrmando, então, a hipótese inicial deste estudo,
e contribuindo para que gestores, administradores e
profssionais da área contábil possam contar com mais
essa ferramenta no processo decisório.

Agradecimentos
À Faculdade PIO XII pelo fnanciamento do projeto de
pesquisa.
Referências
1. Martns GA 2000. Manual para elaboração de
monografas e dissertações. São Paulo:Atlas.
2. Vergara SC 2011. Projetos e relatórios de pesquisa
em administração. São Paulo: Atlas.
3. Exame 2011. Especial Maiores & Melhores: As
1000 maiores empresas do Brasil. São Paulo:Abril.
4. CVM 2012. Comissão de Valores Mobiliários. Dados
cadastrais. [htp://www.cvm.gov.br/indexpo.asp].
5. Marion JC 2010. Análise das Demonstrações
Contábeis. São Paulo: Atlas.
6. Blanc G, Fleuriet M, Kehdy R 2003. O modelo
Fleuriet. São Paulo: Elsevier.