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O SR. LUIZ COUTO ( PT/PB.

Pronuncia o seguinte Discurso )
Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados. No dia 11/06/07 completou-
se o 11º aniversário da ocorrência de um trágico acontecimento em nosso país.
Na data de 11 de junho de 1996, véspera do Dia dos Namorados, centenas de
famílias, jovens, crianças, aproveitavam o dia, iam às compras e se reuniam na
praça de alimentação do OSASCO PLAZA SHOPPÌNG na cidade de Osasco-SP.
Sequer imaginavam que dentro de poucos instantes seriam atores de cenas de
completo horror e destruição. Uma violenta explosão sacudiria o Shopping, devido
a um vazamento de GLP ÷ Gás Liquefeito de Petróleo o conhecido gás de
cozinha no subsolo do edifício. O acidente, que causou a morte de 42 pessoas e
feriu outras 472, daria início a uma luta em busca de justiça pelos familiares das
vítimas. Uma luta desigual, que perdura até os dias de hoje nos tribunais
brasileiros. O laudo do Ìnstituto de Criminalística, à época, teria confirmado uma
série de erros na instalação de GLP do Shopping. Teria ocorrido vazamento em
uma tubulação de gás desativada e incompatibilidade entre alguns materiais
utilizados. O vazamento teria se espalhado por bolsões que ficavam sob o
primeiro piso propiciando a explosão.O cheiro de gás era comum e alvo de
reclamações de clientes e empregados do Osasco Plaza Shopping, o que levou a
administração do centro comercial a convocar a Empresa Ultragás para verificar a
possibilidade de vazamento. Por duas vezes os técnicos da Ultragás estiveram no
local e não acusaram vazamento de gás. Como o odor persistia, os
administradores do shopping convocaram uma empresa concorrente da Ultragás
para que desse o seu parecer. Também os técnicos dessa empresa não
constataram a existência de vazamentos.
Cinco dias antes da explosão, a Ultragás entregou, no Osasco Plaza
Shopping, uma tonelada e meia de gás o que nos leva à seguinte indagação:
Diante da suspeita de vazamento devido ao forte cheiro que exalava no shopping,
a primeira providência a se tomar era a interrupção do fornecimento de gás e a
condenação da rede de distribuição. Se a Empresa Ultragás não teve esses
procedimentos cautelares, devia-se ao fato de que ou seus técnicos estavam
convictos de que não havia vazamento ou foram negligentes e imperitos. É o que
se pode deduzir da atitude de uma empresa que nasceu em 1938 e que é
sabedora de que há um procedimento operacional para a instalação de GLP ou
de gás natural, e que a atividade gasista é um serviço técnico de engenharia
altamente especializado conforme sua normatização pelo Decreto Federal n°
23.569 de 11/12/1933, além de ser submetido às normas do Sistema
CONFEA/CREA's. As empresas e profissionais ligados aos serviços de instação
de gás, desde o projeto até a sua execução, são passíveis de responsabilização
segundo as normas do Código Civil, do Código de Defesa do Consumidor, do
Código Penal e dos demais diplomas normativos que regem as profissões ligadas
à engenharia, arquitetura, agronomia e outras afins. Mas não foi isso o que
aconteceu no Caso Osasco Plaza Shopping.
Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados. Vamos imaginar
a cena daquele trágico dia. Pessoas sorrindo, brincando, se amando e de repente
um ruído assustador e um conseqüente mar de corpos despedaçados, mutilados,
centenas de feridos e ensangüentados. Quem foi o verdadeiro causador de toda
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essa tragédia? Onde estão os responsáveis diretos por esse acontecimento?
Onde ficou a responsabilidade da distribuidora de gás, do Corpo de Bombeiros e
dos Engenheiros da Prefeitura Municipal que aprovaram o conjunto técnico de
gás de maneira irregular? Quais forças impediram a responsabilização desses
profissionais e empresa?! O Estado Paulista é hoje o campeão em acidentes com
o GLP e o comércio clandestino de botijões de gás. A certeza da impunidade dos
verdadeiros responsáveis por esses acidentes mantém uma atitude de inércia das
autoridades estaduais frente a essa questão.
Passo a me utilizar do Parecer Técnico do Professor Engenheiro
Ìndustrial Mecânico e de Segurança do Trabalho e Conselheiro do CREA-SP,
Lucas Daniel Mora. Esse parecer refere-se aos processos CREA SF 1.351/00 e
SF 0.100/00, aprovado integralmente pelos 38 Conselheiros da Câmara
Especializada de Engenharia Mecânica e Metalurgia do CREA-SP, em 08 de
novembro de 2001. Segundo o entendimento técnico desse Professor, para que
se proceda à instalação de GLP ou de gás natural, deve-se observar que entre os
procedimentos técnicos exigidos para a instalação do conjunto operacional do
projeto e execução de gás encontra-se o teste de estanqueidade, que permite a
verificação de possíveis vazamentos ao ser aplicados ar pressurizado ou gás
inerte na tubulação. Caso se verifiquem vazamentos, o que ocorrem em pelo
menos 15% das instalações, efetua-se o reparo que pode ser a solda, a
substituição de componentes, a substituição do sistema de vedação, etc. Esses
procedimentos técnicos são baseados nos conhecimentos científicos de
transferência de calor e massa, termodinâmica aplicada, mecânica de fluídos,
processos de fabricação, metalografia, materiais de construção entre outros. Ao
final, o engenheiro é responsável pela obra desde o projeto até o laudo de
inspeção que dá a garantia ao profissional dos materiais utilizados, procedimentos
de emergência, recomendações, fotografias dos testes realizados, etc e da A. R.T
(Anotação de Responsabilidade Técnica) e do prazo de validade para a execução
de uma nova inspeção na instalação.
Entretanto, a despeito de todas essas exigências técnicas e da
responsabilidade do Engenheiro responsável pelo projeto e execução, a empresa
fornecedora de gás só poderá proceder ao primeiro abastecimento, se toda a
instalação estiver dentro das normas. Para isso, o responsável técnico deverá
acompanhar a vistoria por parte da Companhia e corrigir qualquer item que esteja
fugindo à normas e executar correções que visem melhorar as condições de
segurança. O Engenheiro não é o responsável pelo abastecimento ou
fornecimento de gás pois a Companhia fornecedora do produto é quem exerce
essa atividade. À época dessa terrível tragédia vigorava a Portaria n° 16 de
19/07/91, editada pelo Departamento Nacional de Combustíveis e que
determinava em seu artigo 4° que a distribuidora somente poderia abastecer uma
instalação centralizada, após a comprovação de que tanto a construção quanto os
ensaios e testes tivessem sido realizados de acordo com as normas vigentes. O
Parágrafo Único desse artigo acrescentava que o fornecimento de GLP deveria
ser suspenso pela distribuidora caso fosse constatado que a instalação
centralizada não detivesse as condições técnicas e de segurança previstas no
projeto. Esta Portaria foi revogada pela Resolução ANP de n° 15 e 18/05/2005.
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O mais estranho, Senhoras e Senhores Deputados, é que apesar de
todas essas normas em vigor, o Ministério Público do Estado de São Paulo não
colocou a Empresa Ultragás no pólo passivo da Ação Civil Pública ajuizada contra
a Administradora Osasco Plaza Shopping S/C Ltda e contra a B-7 Participações
S/A. Quais motivações teriam impedido o Órgão do Parquet Paulista de buscar a
responsabilização da Empresa Ultragás? Por que as promotoras de Justiça
Criminal Marilú de Fátima Scarati de Castro Abreu, esposa do Ex-Secretário de
Segurança Pública do Governo Alckimin, Sr. Saulo de Castro Abreu Filho e Ana
Lúcia Cardoso da Silva de Arrochela Lobo alteraram o curso dos processos
criminal e civil pela Ação Civil Pública n° 1959/96, instaurada pelo Ministério
Público? Por que escamotearam as provas documentais trazidas pelo Presidente
do Ìnquérito Policial, Flávio Augusto de Souza Nogueira e que responsabilizavam
a Ultragaz e seus responsáveis técnicos como os principais responsáveis pela
tragédia de Osasco?
Faço questão de destacar algumas publicações da imprensa sobre o
caso:"A empresa distribuidora de gás ao Shopping ÷ a Ultragás ÷ ao contrário do
que sempre afirmou, publicamente, seu influente advogado (o ex-ministro da
Justiça José Carlos Dias), tinha pleno conhecimento da instalação, cheia de
gambiarras e defeitos técnicos (como a falta de acessibilidade para manutenção),
da rede de tubulação por onde circulava o GLP, o que foi comprovado pela ata de
reunião de 23/02/1995, realizada ainda durante a construção do Shopping.¨
(Jornalista Mauro Chaves ÷ Jornal O Estado de São Paulo ÷ 17/06/2000).
"Omissão ÷ entre os documentos levantados pela Associação Nacional de
Proteção às Vítimas e Explosões (ANPVDE) consta uma ata de reunião em que o
vendedor técnico da Ultragaz, Alexandre Toledo, faz observações sobre a
construção da tubulação de gás do Shopping. 'Essa ata reforça que a empresa foi
negligente, porque sabia que a ligação de gás era inadequada, feita diretamente
no subsolo, e mesmo assim continuou fornecendo gás', afirma o residente da
ANPVDE, Antonio Ribas Paiva. Procurada pela reportagem do DÌÁRÌO, a
Ultragaz não retornou às ligações.¨ (Jornalista Luisa Alcalde ÷ Jornal "Diário de
São Paulo " ÷ 11/06/2002). "A ANPVDE chegou a essa conclusão quando a
presidente da entidade, JACY MALAGOLÌ, assistia o depoimento de Souza
(ANTONÌO CARLOS DE SOUZA) na 6ª Vara Civil do Fórum de Osasco, no ano
passado¨. Surpreendentemente após ter relatado o risco, Souza confessou ao
Juiz CARLOS DÌAS MOTTA " que já havia informado ao seu chefe, Pregion¨
(ANDRÉ LUÌZ PEDRO PREGÌON), afirma Jacy. Ele também teria confessado que
não adiantava fazer testes porque a tubulação estava condenada. Para o
Procurador de Justiça e Coordenador do Centro de Apoio Operacional das
Promotoras de Justiça do Consumidor, MARCO ANTONÌO ZANELLATO, essa
declaração representa um indício de prova forte. " A Ultragaz não quis se
manifestar¨. (Jornalista LUÍSA ALCALDE ÷ Jornal "Diário de S. Paulo¨ ÷
09/04/2003). "Osasco Plaza! Aquilo não terminou não! Aliás, causa-me muita
estranheza ali a atuação do Ministério Público Estadual! Causa-me muita
estranheza a atuação da Polícia! Aquilo não terminou não! Ìsto vai longe ainda!
Tem tanto para ser dito ali! Há tanta coisa para ser desvendada! Há tanta sujeira
por trás daquilo lá! " (Jornalista Milton Parron ÷ Rádio Bandeirantes ÷ 07/11/2000)
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Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados. Em junho de
1999, o TJ paulista condenou os donos e administradores do shopping a indenizar
familiares e vítimas do Caso Osasco. Os réus recorreram ao STJ que através da
3ª turma, manteve a decisão da ustiça Paulista. Recentemente, o STJ manteve a
decisão do TJ de São Paulo e absolveu Marcelo Marinho de Andrade Zanotto e
Antonio das Graças Fernandes, administradores do Shopping que haviam sido
condenados a 8 anos de reclusão em regime fechado. O Ministro Gilson Dipp,
destacou o fato de que os responsáveis pela construção teriam modificado a
planta original sem avisar os réus, além dos mesmos terem tido a cautela de
buscar descobrir através da Ultragás e de sua concorrente, a razão do forte cheiro
de gás que exalava no shopping.
Mas, essa luta dos familiares das vítimas do Osasco Plaza está longe
de ter fim, pois o Ministério Público não se deu por vencido, insistindo em buscar
responsáveis que não sejam a Empresa Ultragáz. Finalizo, Sr. Presidente, lendo o
desabafo da Senhora Janaina Kulczar Palosqui, irmã de uma das vítimas da
tragédia ocorrida no Osasco Plaza Shopping: "Gostaria de conseguir expressar
meus sentimentos em relação a situação do caso Osasco Plaza Shopping, nestes
11 anos apenas escrevendo! Vergonha deste País que nada faz, deste País sem
Justiça, deste país corrupto, deste País sem caráter. Mas ainda acredito na
JUSTÌÇA, naqueles que não são compráveis pela corrupção. Chega dos grandes
empresários ser beneficiados com seus dinheiros na compra da corrupção. Que a
justiça seja feita em prol das VÌTÌMAS DO OSASCO PLAZA. Mais um ano, mais
um aniversário, 11 ANOS da nossa dor, da nossa aflição, 11 anos das nossas
vidas ser reviradas igual aos escombros no dia 11/06/1996. Quero a minha vida
de volta. Quero a minha família. Quero a dignidade de ver o verdadeiro
CULPADO ser CONDENADO. QUERO JUSTÌÇA. Não é possível a minha irmã
ter sido vitima FATAL desta tragédia e ATÉ AGORA não ter sido feito JUSTÌÇA.
QUERO JUSTÌÇA. Temos vitimas que necessita do fim desta historia de horror,
tragédia, corrupção. Chega BRASÌL PELO AMOR DE DEUS. FAÇA JUSTÌÇA.
Ouvi essa musica abaixo que retrata um pouco do que estou sentindo em relação
a nossa historia. E ainda acredito no poder do HOMEM DE BEM e sei que terá
um FÌM. UM FÌM. Fim da corrupção. JUSTÌÇA SEJA FEÌTA AQUÌ E AGORA. 11
ANOS, BASTA. Sou Janaina Kulczar Palosqui, irmã da Vitima Fatal Luciana
Kulczar Palosqui do Acidente do Osasco Plaza Shopping em 11/06/1996 as
12:13.¨
Segue abaixo a musica de Biquini Cavadão, Composição, Ìndisponível:
"Quem foi que disse que amar é sofrer?
Quem foi que disse que Deus é brasileiro,
Que existe ordem e progresso,
Enquanto a zona continua no congresso?
Quem foi que disse que a justiça tarda mas não falha?
Que se eu não for um bom menino, Deus vai castigar!
Os dias passam lentos
Aos meses seguem os aumentos
Cada dia eu levo um tiro
Que sai pela culatra
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Eu não sou ministro, eu não sou magnata
Eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém
Aqui embaixo, as leis são diferentes
Eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém
Aqui embaixo, as leis são diferentes
Quem foi que disse que os homens nascem iguais?
Quem foi que disse que dinheiro não traz felicidade
Se tudo aqui acaba em samba?
no país da corda bamba, querem me derrubar!!
Quem foi que disse que os homens não podem chorar?
Quem foi que disse que a vida começa aos quarenta?
A minha acabou faz tempo, agora entendo por que ....
Cada dia eu levo um tiro que sai pela culatra
Eu não sou ministro, eu não sou magnata
Eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém
Aqui embaixo, as leis são diferentes (4X)
Os dias passam lentos
Os dias passam lentos
Cada dia eu levo um tiro
Cada dia eu levo um tiro
Eu não sou ministro, eu não sou magnata
Eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém
Aqui embaixo, as leis são diferentes... "
Era o que tinha a dizer.
Sala das Sessões 12 de junho de 2007.
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