You are on page 1of 16

1

Leitura de ficção literária aprimora a Teoria da Mente
David Comer Kidd e Emanuele Castano


Compreender os estados mentais alheios é uma habilidade crucial que torna possíveis as
complexas relações sociais que caracterizam as sociedades humanas. Contudo, poucas
pesquisas investigaram o que promove essa habilidade, conhecida como Teoria da Mente
(TM), em adultos. Apresentamos cinco experimentos que mostram que a leitura de ficção
literária levou a um melhor desempenho em testes de TM afetiva (experimentos 1 - 5) e TM
cognitiva (experimentos 4 e 5), em comparação com leitura de não-ficção (experimento 1),
leitura de ficção popular (experimentos 2 - 5) ou nenhuma leitura (experimentos 2 e 5).
Especificamente, os resultados mostram que a leitura de ficção literária temporariamente
melhora a TM. De maneira mais ampla, sugerem que a TM pode ser influenciada pelo
envolvimento com obras de arte.

A capacidade de identificar e compreender os estados subjetivos alheios é um
dos produtos mais surpreendentes da evolução humana. Ela permite a movimentação
bem-sucedida de relações sociais complexas e ajuda a sustentar as respostas
empáticas que as mantêm (1-5). Déficits nesse conjunto de habilidades, comumente
referidas como Teoria da Mente (TM), estão associados com psicopatologias marcadas
por dificuldades interpessoais (6-8). Mesmo quando a habilidade está intacta, o
desligamento da TM tem sido associado ao rompimento das relações interpessoais e
intergrupais positivas (9).
Os pesquisadores distinguem entre TM afetiva (habilidade de detectar e
compreender as emoções alheias) e TM cognitiva (inferência e representação de
crenças e intenções alheias) (7, 8). O componente afetivo da TM, em particular, está
ligado à empatia (positivamente) e ao comportamento antissocial (negativamente) (7,
8). Assim, não é de surpreender que incentivemos a TM em nossos filhos, fazendo-os
prestar atenção nos estados emocionais alheios: “você acha que ele ficou feliz ou triste
com o que você fez?”. Esses incentivos explícitos para entender os outros geralmente
diminuem quando as crianças parecem envolver-se nas relações interpessoais com
habilidade e empatia. Práticas culturais, porém, podem promover e refinar a
sensibilidade interpessoal ao longo da vida. Uma dessas práticas é a leitura de ficção.
Correlações entre familiaridade com a ficção, empatia autorrelatada e
desempenho em um teste avançado de TM afetiva têm sido relatadas (10, 11), e
evidências experimentais limitadas sugerem que a leitura de ficção aumenta a empatia

1
Tradução por Angela Naschold
autorrelatada (12, 13). A ficção parece também expandir nosso conhecimento sobre a
vida dos outros, auxiliando-nos a reconhecer sua semelhança com a nossa (10, 11, 14).
Embora a ficção possa explicitamente transmitir valores sociais e reduzir o
estranhamento de outros, a relação observada entre familiaridade com ficção e TM
pode dever-se a características mais sutis do texto. Ou seja, a ficção pode mudar como
e não somente o que as pessoas pensam sobre as outras (10, 11, 14). Pressupomos
que a ficção afeta processos da TM porque nos força a nos envolvermos na construção
de personagens e na leitura da mente. No entanto, não é qualquer tipo de ficção que
consegue isso. Nossa proposta é que a ficção literária é que força o leitor a envolver-se
em processos da TM.
A categoria de ficção literária tem sido contestada com base na ideia de que é
meramente um marcador de classe social, mas aspectos do romance literário moderno
separam-no dos suspenses ou romances mais vendidos. Miall e Kuiken (15–17)
enfatizam que, por meio do uso sistemático de dispositivos estilísticos fonológicos,
gramaticais e semânticos, a ficção literária desfamiliariza seus leitores. A capacidade
da ficção literária para desacomodar as expectativas dos leitores e desafiar seu
pensamento também se reflete na distinção que Roland Barthes (18) faz entre textos
escrevíveis e legíveis. Enquanto os textos legíveis, tais como a maioria da ficção de
gênero popular, objetivam entreter seus leitores – na sua maior parte, passivos –, os
textos escrevíveis, ou literários, envolvem criativamente seus leitores como escritores.
De maneira semelhante, Mikhail Bakhtin (19) definiu a ficção literária como sendo
polifônica e propôs que os leitores de ficção literária devem contribuir eles próprios
para uma cacofonia de vozes. A ausência de uma perspectiva autoral única aciona o
leitor para ingressar em um vibrante discurso com o autor e seus personagens.
Bruner (20), assim como Barthes e Bakhtin, propôs que a literatura envolve os
leitores em um discurso que os força a preencher lacunas e a buscar “significados em
um espectro de significados possíveis” (p. 25). Bruner argumenta que, para adquirir
essa posição escrevível, a ficção literária aciona a pressuposição (foco em significados
implícitos), a subjetivação (ao retratar a realidade “através do filtro da consciência dos
protagonistas da história” (p. 25)) e múltiplas perspectivas (ao perceber o mundo
simultaneamente de diferentes pontos de vista). Esses aspectos imitam os da TM.
Nosso argumento é que a ficção literária, que consideramos ser tanto
escrevível quanto polifônica, envolve singularmente os processos psicológicos
necessários para que se tenha acesso a experiências subjetivas dos personagens. Assim
como na vida real, os mundos da ficção literária estão repletos de indivíduos
complicados cujas vidas interiores raramente são fáceis de discernir e demandam
exploração. Os mundos de ficção, porém, colocam menos riscos do que o mundo real e
apresentam oportunidades de considerar as experiências alheias sem que se
enfrentem as consequências potencialmente ameaçadoras desse envolvimento. De
modo mais crítico, enquanto muitas de nossas experiências sociais mundanas podem
ser roteirizadas por convenção e informadas por estereótipos, as apresentadas na
ficção literária com frequência rompem nossas expectativas. Os leitores de ficção
literária devem basear-se em recursos mais flexíveis para inferir os sentimentos e
pensamentos dos personagens – ou seja, devem envolver-se em processos da TM. Ao
contrário da ficção literária, a ficção popular, que é mais legível, tende a retratar o
mundo e os personagens como internamente coerentes e previsíveis (21). Portanto,
ela pode reafirmar as expectativas dos leitores e, assim, deixar de promover a TM.
Para testar nossa hipótese geral de que a ficção literária aprimoraria a TM,
primeiramente comparamos os efeitos da leitura de ficção literária com os da leitura
de não-ficção (experimento 1) e então focalizamos o teste de nossas previsões no que
tange aos diferentes efeitos da leitura de ficção literária e de ficção popular
(experimentos 2 – 5).
Apesar da dificuldade em quantificar com precisão a literariedade, algumas
obras, em especial, são consideradas como bons exemplos de literatura e reconhecidas
com prêmios de prestígio (por exemplo, o Prêmio Nacional do Livro). Embora
selecionados por meio de um processo inerentemente inexato, é mais provável que os
textos premiados incorporem características gerais de literatura do que os best-sellers
da ficção de gênero (por exemplo, histórias românticas e de aventura). Na ausência de
um meio claro para quantificar a literariedade, foram utilizados os julgamentos de
especialistas (isto é, jurados de prêmios literários). Assim, para estudar os efeitos da
leitura de ficção literária, selecionamos obras literárias de ficção de escritores
canônicos ou premiados e comparamos seus efeitos na TM com a leitura de não-
ficção, a leitura de ficção popular ou a ausência de leitura.
No experimento 1 (22), 86 participantes aleatoriamente receberam um de seis
textos curtos (três de ficção literária e três de não-ficção) para ler. Em seguida, os
participantes fizeram um teste de crença falsa como medida de TM cognitiva (23) e um
teste avançado de TM afetiva, conhecido como Teste de Leitura da Mente pelos Olhos
2

(TLMO (6)), no qual se solicitou que identificassem emoções expressas por meio da
face. A familiaridade dos participantes com a ficção foi avaliada usando-se o Teste de
Reconhecimento de Autor (24), um índice de exposição geral à ficção que evita
problemas de respostas socialmente desejáveis. Também foram avaliados o afeto (25),
o envolvimento com o texto (escala de transporte) (26) e informações demográficas.
Para a tarefa de TM cognitiva, solicitou-se que os participantes indicassem a
probabilidade de um personagem agir de acordo com a própria crença falsa do
personagem ou com a crença verdadeira do participante. Os participantes (n = 13) que
não conseguiram indicar probabilidades e os outliers univariados (>3.5 DP da média; n
= 6) foram excluídos da análise. As probabilidades foram comparadas em uma análise
de variância (ANOVA) 2 x 2 (situação de crença falsa versus situação de não-crença
falsa). Não houve nenhum efeito principal para o tipo de cenário, o que sugere
ausência de evidência de tendenciosidade egocêntrica (F
1,63
= 1,47, P = 0,22). O nível
de estimativas falsas foi baixo nas duas situações (média geral ± desvio padrão, 6,61 ±
9,79).
Escores para a tarefa de TM afetiva foram computados somando-se o número
de identificações corretas de emoções identificadas facialmente (6) e analisados
usando-se ANOVA, com a situação e o Teste de Reconhecimento de Autor como
fatores interparticipantes (Tabela 1). Os escores foram mais altos na situação de ficção
literária do que na situação de não-ficção (Tabela 2). Escores mais altos no Teste de
Reconhecimento de Autor (indicando mais familiaridade com a ficção) previram
escores mais altos no TLMO. Quando colocados como covariáveis, a escolaridade, o
gênero, a idade, o transporte, o afeto negativo, a tristeza autorrelatada e o tempo
médio despendido nos itens do TLMO não alteraram significativamente o efeito
principal da situação (P = 0,05). Mais tempo despendido nos itens do TLMO previu
melhor desempenho (β = 0,23, P = 0,02). Nenhuma outra covariável se aproximou da
significância (valores de P > 0,14).

2
Nota de Tradução: em inglês, Reading the Mind in the Eyes Test (RMET).
O objetivo do experimento 2 era reproduzir e estender os achados do
experimento 1 usando-se textos diferentes e uma medida diferente de TM afetiva, a
Avaliação Diagnóstica de Precisão Não-Verbal 2 – teste de Faces Adultas
3
(ADPNV2-FA)
(27). O experimento 2 também foi criado para diferenciar diretamente os efeitos da
ficção literária versus os da ficção popular (28).
Os participantes (n = 114) receberam aleatoriamente para ler um de três
excertos de textos de finalistas recentes do Prêmio Nacional do Livro (situação de
ficção literária), um de três excertos de recentes best-sellers do Amazon.com (situação
de ficção popular) ou nenhum texto (situação de não-leitura) (22). Os participantes
então completaram a medida da TM cognitiva usada no experimento 1 e a ADPNV2-FA
antes de responder o Teste de Reconhecimento de Autor, a escala de transporte e
questões demográficas. O desempenho na tarefa da TM cognitiva de crença falsa foi
analisado como no experimento 1, mas nenhum efeito significativo foi detectado
(valores de P > 0,13).
Os escores da ADPNV2-FA foram computados somando-se erros em todos os
itens de afeto negativo (22). Médias não-transformadas são relatadas, mas escores de
log transformado foram usados em uma ANOVA com situação experimental e Teste de
Reconhecimento de Autor como fatores interparticipantes (ver a Tabela 1). Não
emergiu nenhuma interação, mas escores mais altos no Teste de Reconhecimento de
Autor foram fracamente associados com menos erros na ADPNV2-FA. O efeito
principal abrangente da situação foi marginalmente significativo, e as comparações
emparelhadas revelaram diferenças significativas entre situações coerentes com nossa
hipótese. Menos erros foram cometidos na situação de ficção literária do que nas
situações de não-leitura e de ficção popular, ao passo que não houve diferença entre
as duas últimas (P = 0,98) (ver a Tabela 2). Assim como no experimento 1, a
escolaridade, o gênero e a idade não foram covariáveis significativas (valores de P >
0,34) e não alteraram o efeito principal abrangente, crítico da situação (P = 0,08). O
transporte não se correlacionou com os escores da ADPNV2-FA (P = 0,94).
O experimento 3 (N = 69) objetivava reproduzir a comparação entre ficção
literária e ficção popular (22). Os textos de ficção popular eram três histórias de uma

3
Nota de Tradução: em inglês, Diagnostic Analysis of Nonverbal Accuracy 2 — Adult Faces test
(DANVA2-AF).
antologia editada de ficção popular (29), e os textos de ficção literária eram três
histórias de uma coleção dos vencedores do Prêmio Henry PEN-O 2012 de contos (30).
O afeto dos participantes foi avaliado por meio da Escala de Afeto Positivo e Negativo
(EAPN) e de um relato de tristeza de item único. Usando-se a mesma estratégia
analítica do experimento 1, descobriu-se que escores do TLMO eram mais altos na
situação de ficção literária do que na situação de ficção popular. Não houve nenhum
efeito envolvendo o Teste de Reconhecimento de Autor (para o teste, ver Tabela 1;
para médias, ver Tabela 2). Escolaridade, gênero e tempo médio despendido nos itens
do TLMO não foram covariáveis significativas (valores de P > 0,12) e não alteraram o
efeito da situação (P = 0,04).
Nos experimentos 1 e 2, não foi observado nenhum efeito sobre a medida de
TM cognitiva, uma tarefa de crença falsa. Como os participantes claramente não
fracassaram no uso da TM cognitiva em nenhuma das situações, é possível que a tarefa
não tenha sido suficientemente sensível. Portanto, um quarto experimento incluiu o
teste Yoni (7). O teste Yoni é uma nova medida que foi empregada em somente alguns
estudos. No entanto, o teste foi validado (7, 8, 31) e tem a vantagem de avaliar a TM
cognitiva e afetiva.
No experimento 4, foram usados quatro dos textos utilizados no experimento
3, juntamente com duas histórias novas, uma para cada situação (isto é, ficção literária
e ficção popular), das mesmas fontes (22). Os participantes (N = 72) completaram o
TLMO e o teste Yoni. Para os 24 testes de TM cognitiva e os 24 de TM afetiva no teste
Yoni, os participantes devem basear-se em mínimas pistas linguísticas e visuais para
inferir os pensamentos e as emoções de um personagem, respectivamente. Outros 16
testes de controle adicionais requerem a identificação de relações espaciais. Para cada
tipo de item, há números iguais de provas, exigindo inferências de primeira ordem e
de segunda ordem (mais difíceis).
Os escores do TLMO foram mais altos na situação de ficção literária do que na
situação de ficção popular (para testes, ver a Tabela 1; para médias, ver a Tabela 2). Os
escores do Teste de Reconhecimento de Autor previram os escores do TLMO.
Colocadas como covariáveis, as variáveis de sujeito (ou seja, escolaridade, idade e
gênero) não atingiram significância (valores de P > 0,14), embora o tempo despendido
nos itens do TLMO tenha atingido (β = 0,21, P = 0,04). Entretanto, o efeito da situação
foi apenas levemente alterado e permaneceu significativo (P = 0,05).
O desempenho no Yoni foi analisado por meio de uma análise mista de
covariância (ANCOVA), tendo o tipo (afetivo versus cognitivo) e o nível de dificuldade
(primeira ordem versus segunda ordem) dos testes como fatores intrassujeitos, a
situação e o Teste de Reconhecimento de Autor como fatores intersujeitos e os
escores na tarefa de controle como uma covariável (31). Um efeito principal da
situação emergiu (F
1.67
= 4,47, P = 0,03, ω
p
2
= 0,04), mas nenhum outro efeito
envolvendo a situação ou os escores no Teste de Reconhecimento de Autor atingiu
significância (valores de P > 0,27). Outros efeitos significativos, mas que não são
relevantes para as hipóteses, são descritos nos materiais suplementares (22). Os
participantes na situação de ficção literária (0,89 ± 0,08, 95% intervalo de confiança
(IC) = 0,86, 0,92) tiveram desempenho com maior acuidade em todos os testes de TM
do que os participantes na situação de ficção popular (0,85 ± 0,10, IC = 0,82, 0,87).
Um quinto experimento (22) objetivou reproduzir o experimento 4 com uma
amostra maior (N = 356) e testar as influências das variáveis do sujeito (isto é,
escolaridade, idade e gênero) e possíveis confusões. Como nos experimentos 3 e 4,
três obras de ficção literária foram tomadas de uma coleção dos vencedores do Prêmio
Henry PEN-O 2012 (30) e três obras de ficção popular foram extraídas de uma
antologia (29). Os participantes foram aleatoriamente designados a uma situação de
ficção literária, de ficção popular ou de controle sem leitura; realizaram as tarefas do
TLMO e Yoni; relataram seu afeto no momento (EAPN), juntamente com dois itens
adicionais que avaliavam tristeza e felicidade; e completaram o Teste de
Reconhecimento de Autor. Os participantes, nas duas situações de leitura,
completaram a escala de transporte e dois itens adicionais que avaliavam até que
ponto eles apreciaram a leitura do texto e o quanto eles achavam que o texto
representava a “literatura excelente”. Todos os participantes relataram sua idade,
gênero, etnia e maior nível de escolaridade antes de serem testados e gratificados.
Os textos literários (3,54 ± 1,31,IC = 3,28, 3,80) foram menos apreciados do que
os textos populares (4,07 ± 1,53, IC = 3,80, 4,34; F
1.223
= 7.62, P = 0,006, ω
p
2
= 0,02),
mas foram vistos como melhores exemplos de literatura (4,84 ± 1,40, IC = 4,56, 5,11)
do que os textos populares (4,43 ± 1,60, IC = 4,15, 4,72; F
1.223
= 4,04, P = 0,04, ω
p
2
=
0,01). O transporte relatado não diferiu significativamente entre as situações (F
1.223
=
3,20, P = 0,07, ω
p
2
= 0,00), embora tenha sido ligeiramente mais alto na situação
literária (3,90 ± 0,41, IC = 3,83, 3,98) do que na situação popular (3,81 ± 0,39, IC = 3,73,
3,88). Nenhuma dessas variáveis foi correlacionada (valores de P > 0,11) com
desempenho, nem no TLMO, nem na tarefa Yoni (controlando o desempenho nos
testes físicos).
Os resultados do TLMO foram analisados nos experimentos anteriores. O efeito
da situação foi significativo (ver a Tabela 1). Os escores foram significativamente mais
altos na situação de ficção literária do que nas situações de ficção popular e de não-
leitura (ver a Tabela 2). As duas últimas situações não diferiram (P = 0,65). Um efeito
principal significativo de escores do Teste de Reconhecimento de Autor emergiu (ver a
Tabela 1). Adicionados como covariáveis, gênero, escolaridade, idade, afeto positivo,
afeto negativo, tristeza, felicidade e tempo despendido em itens do TLMO não se
relacionaram significativamente com escores do TLMO (valores de P > 0,23), e o efeito
da situação foi apenas ligeiramente alterado (P = 0,06).
A estratégia analítica usada no experimento 4 também foi empregada para a
tarefa Yoni. O principal efeito de situação (F
2.351
= 0,64, P = 0,52) não foi significativo,
mas houve uma interação significativa entre situação e os dois fatores intrassujeitos –
dificuldade e tipo de teste (F
2.35
1 = 3,42, P= 0,03). A interação de escores do Teste de
Reconhecimento de Autor, dificuldade do teste e tipo de teste aproximou-se da
significância (F
1.351
= 2,88, P = 0,09), o que não ocorreu com nenhum outro efeito
envolvendo situação ou Teste de Reconhecimento do Autor (valores de P > 0,11).
Outros efeitos significativos, que não são relevantes para as hipóteses, são descritos
nos materiais suplementares (22). Para entender a interação de três vias incluindo a
situação experimental, uma ANCOVA de medidas repetidas, tendo tipo de item
(cognitivo, afetivo) e situação como fatores e o desempenho na tarefa de controle
como covariável, foi realizada separadamente para testes de primeira e segunda
ordem. Nos testes de primeira ordem, houve um efeito principal da covariável (β =
0,20, P < 0,001, ω
p
2
= 0,03) e de situação (F
2.351
= 4,21, P = 0,01, ω
p
2
= 0,01). Nenhum
outro efeito se aproximou da significância (valores de P > 0,87). Comparações
emparelhadas revelaram que os escores eram mais altos na situação de ficção literária
(0,98 ± 0,02, IC = 0,97, 0,99) do que na situação de ficção popular (0,96 ± 0,06, IC =
0,95, 0,97; t = 2,85, P = 0,004) e de não-leitura (0,97 ± 0,05, IC = 0,96, 0,98; t = 2,01, P =
0,04). A situação de ficção popular e a situação de não-leitura não diferiram (P = 0,33).
Em testes de segunda ordem, nenhum efeito envolvendo situação ou escores de Teste
de Reconhecimento de Autor se aproximou da significância (valores de P > 0,16).
A diferença entre testes de primeira e segunda ordem, que apareceu somente
no experimento 5, pode dever-se a seu poder estatístico maior, que permitiu que essa
diferença fosse detectada. Os testes Yoni de segunda ordem podem exigir um
conjunto de habilidades cognitivas mais avançadas (por exemplo,
metarrepresentação), que são menos facilmente influenciadas pela manipulação do
que as outras tarefas, todas as quais são tarefas de TM de primeira ordem.
O experimento 1 mostrou que a leitura de ficção literária, em relação à não-
ficção, melhora o desempenho na tarefa de TM afetiva. Os experimentos 2 a 5
mostraram que esse efeito é específico da ficção literária. Em medidas cognitivas,
nenhum efeito emergiu na tarefa de crença falsa usada nos experimentos 1 e 2. Como
as taxas de erro na tarefa de crença falsa foram muito baixas, a medida pode não ter
sido suficientemente sensível para captar os efeitos das manipulações. No entanto, na
tarefa Yoni, mais exigente, usada nos experimentos 4 e 5, o efeito nos testes cognitivos
estava presente e era indistinguível daquele dos testes afetivos.
O Teste de Reconhecimento de Autor previu os escores do TLMO nos
experimentos 1, 4 e 5 e o sucesso na ADPNV2-FA (marginalmente) no experimento 2,
mas não previu o desempenho na tarefa Yoni ou, anomalamente, no TLMO no
experimento 3. Portanto, mesmo sendo, de modo geral, coerente com achados
anteriores (10-12), nosso padrão de resultados sugere a necessidade de outras
pesquisas sobre a relação entre medidas de familiaridade com a ficção e o
desempenho em diferentes tarefas de TM.
Os resultados dos cinco experimentos sustentam nossa hipótese de que a
leitura de ficção literária aumenta a TM. Explicações existentes focadas no conteúdo
da ficção não conseguem dar conta desses resultados. Primeiro, os textos que
utilizamos variaram amplamente de assunto. Segundo, é improvável que as pessoas
aprendessem muito mais sobre as outras lendo algum dos textos curtos. Terceiro, os
efeitos foram específicos para ficção literária. Propomos que, ao fazer com que os
leitores assumam um papel escrevível ativo para formar representações de estados
subjetivos dos personagens, a ficção literária emprega a TM. A evidência que
relatamos aqui é coerente com essa visão, mas vemos esses achados como
preliminares, sendo necessário realizar ainda muita pesquisa.
Primeiro, nossos achados demonstram os efeitos de curto prazo da leitura de
ficção literária. Entretanto, consideradas em conjunto, a relação entre o Teste de
Reconhecimento de Autor e desempenho na TM e a descoberta de que é
especificamente a ficção literária que facilita processos da TM sugerem que a leitura
de ficção literária pode levar a melhorias estáveis na TM. Como o Teste de
Reconhecimento de Autor não distingue entre exposição à ficção literária e exposição
à ficção popular, é necessário que se façam mais pesquisas para testar essa importante
hipótese.
Em segundo lugar, a ficção literária, como muitos estímulos extraídos do
mundo real, é heterogênea e complexa. Embora não seja claramente quantificável, a
literariedade possui validade ecológica como construto, conforme sugerido pela
concordância dos participantes com os jurados de prêmios quanto à literariedade dos
textos no experimento 5. Com base nas estratégias usadas por pesquisadores que
estudam videogames violentos (por exemplo, (32)) e ficção (12), a literariedade foi
mantida relativamente constante em cada situação, enquanto aspectos
potencialmente geradores de confusão variaram. O afeto autorrelatado, juntamente
com transporte, apreciação e literariedade percebida dos textos, não foram
responsáveis pelos efeitos da situação. Análises posteriores testaram os papéis de
aspectos linguísticos superficiais dos textos. Frequências de termos de emoção
negativa e positiva, palavras sociais, palavras cognitivas, palavras longas (mais de seis
letras) e autorreferências foram computadas em cada texto usando-se o software
Linguistic Inquiry and Word Count (LIWC) (33). Os escores padronizados do TLMO ou
da ADPNV2-FA de todos os experimentos foram analisados por meio de ANCOVA,
tendo a situação experimental e os escores do Teste de Reconhecimento de Autor
como fatores e todas as seis variáveis do LIWC como covariáveis (dados das situações
de não-leitura não foram incluídos). A frequência de palavras de emoção negativa (β =
0,09, P = 0,05, ω
p
2
= 0,00) previu positivamente escores da TM, mas nenhum outro
efeito de variáveis do LIWC se aproximou da significância (valores de P > 0,17). Os
efeitos principais de situação (F
1.515
= 12,02, P < 0,001, ω
p
2
= 0,02) e os escores do Teste
de Reconhecimento de Autor (β = 0,23, P < 0,001, ω
p
2
= 0,05) permaneceram
significativos. Esse resultado sugere que o efeito da literatura observado nos
experimentos pode não ser facilmente reduzido a características linguísticas
superficiais. Pesquisa futura, especialmente na direção apontada por Miall e Kuiken
(15–17), bem como por Bruner (20), pode revelar aspectos mais sutis, porém
quantificáveis, que distingam a ficção literária.
Os presentes achados marcam somente um passo em direção à compreensão
do impacto de nossas interações com a ficção; acredita-se que tais experiências
contribuam para o desenvolvimento da consciência e enriqueçam nossa vida cotidiana
(34). De fato, certamente muitas consequências da leitura nos processos cognitivos e
afetivos são independentes de seus efeitos sobre a TM, e parece provável que muitos
desses podem resultar da leitura de ficção popular, bem como de ficção literária. De
modo semelhante, enquanto a ficção literária parece capaz de promover a TM, essa
capacidade não capta totalmente o conceito de literariedade, que inclui, entre outras,
questões estéticas e estilísticas não abordadas nesta pesquisa. Esperamos que
pesquisas posteriores focalizem outras formas de arte, como peças teatrais e filmes,
envolvendo a identificação e interpretação das experiências subjetivas alheias (10, 28).
A literatura tem sido implantada em programas destinados a promover o bem-
estar social, tais como os que almejam fomentar a empatia em médicos (35) e as
habilidades de vida em prisioneiros (36). A literatura também é, claramente, uma
disciplina exigida em toda a educação de nível médio nos Estados Unidos, mas
reformistas têm questionado sua importância: um novo conjunto de padrões de
educação que foi adotado por 46 estados americanos (os Principais Padrões Estaduais
Comuns) controvertidamente reivindica menos ênfase na ficção na educação
secundária (ver (37)). Debates sobre o valor social de tipos de ficção e as artes de
modo mais amplo são importantes, e parece essencial suplementá-los com pesquisa
empírica. Esses resultados mostram que a leitura de ficção literária pode refinar a TM
de adultos, uma capacidade social complexa e crítica.


Referencias e Notas
1. C. Batson, in The Handbook of Social Psychology, D.T. Gilbert, S.T. Fiske, G. Lindzey,
Eds. (McGraw-Hill, Boston, 1998), pp. 282–316.
2. F. B. de Waal, The antiquity of empathy. Science 336, 874–876 (2012). Medline
doi:10.1126/science.1220999
3. R. Saxe, S. Carey, N. Kanwisher, Understanding other minds: Linking developmental
psychology and functional neuroimaging. Annu. Rev. Psychol. 55, 87–124 (2004).
Medline doi:10.1146/annurev.psych.55.090902.142044
4. C. L. Sebastian, N. M. G. Fontaine, G. Bird, S.-J. Blakemore, S. A. De Brito, E. J. P.
McCrory, E. Viding, Neural processing associated with cognitive and affective Theory of
Mind in adolescents and adults. Soc. Cogn. Affect. Neurosci. 7, 53–63 (2012). Medline
doi:10.1093/scan/nsr023
5. S. G. Shamay-Tsoory, The neural bases for empathy. Neuroscientist 17, 18–24
(2011). Medline doi:10.1177/1073858410379268
6. S. Baron-Cohen, S. Wheelwright, J. Hill, Y. Raste, I. Plumb, The “Reading the Mind in
the Eyes” Test revised version: A study with normal adults, and adults with Asperger
syndrome or high-functioning autism. J. Child Psychol. Psychiatry 42, 241–251 (2001).
Medline doi:10.1111/1469-7610.00715
7. S. G. Shamay-Tsoory, J. Aharon-Peretz, Dissociable prefrontal networks for cognitive
and affective theory of mind: A lesion study. Neuropsychologia 45, 3054–3067 (2007).
Medline doi:10.1016/j.neuropsychologia.2007.05.021
8. S. G. Shamay-Tsoory, H. Harari, J. Aharon-Peretz, Y. Levkovitz, The role of the
orbitofrontal cortex in affective theory of mind deficits in criminal offenders with
psychopathic tendencies. Cortex 46, 668–677 (2010). Medline
doi:10.1016/j.cortex.2009.04.008
9. E. Castano, in The Oxford Handbook of Personality and Social Psychology, K. Deaux
and M. Snyder, Eds. (Oxford Univ. Press, New York, 2012), pp. 419–445.
10. R. Mar, K. Oatley, J. Hirsh, J. dela Paz, J. Peterson, Bookworms versus nerds:
Exposure to fiction versus non-fiction, divergent associations with social ability, and
the simulation of fictional social worlds. J. Res. Pers. 40, 694–712 (2006).
doi:10.1016/j.jrp.2005.08.002
11. R. Mar, K. Oatley, J. Peterson, Exploring the link between reading fiction and
empathy: Ruling out individual differences and examining outcomes. Communications
34, 407–428 (2009). doi:10.1515/COMM.2009.025
12. M. Djikic, K. Oatley, M. Moldoveanu, Reading other minds: Effects of literature on
empathy. Scientific Study of Literature 3, 28–47 (2013). doi:10.1075/ssol.3.1.06dji
13. P. M. Bal, M. Veltkamp, How does fiction reading influence empathy? An
experimental investigation on the role of emotional transportation. PLoS ONE 8,
e55341 (2013). Medline doi:10.1371/journal.pone.0055341
14. E. Schiappa, P. Gregg, D. Hewes, The parasocial contact hypothesis. Commun.
Monogr. 72, 92–115 (2005). doi:10.1080/0363775052000342544
15. D. Miall, D. Kuiken, Foregrounding, defamiliarization, and affect: Response to
literary stories. Poetics 22, 389–407 (1994). doi:10.1016/0304-422X(94)00011-5
16. D. Miall, D. Kuiken, Beyond text theory: Understanding literary response. Discourse
Process. 17, 337–352 (1994). doi:10.1080/01638539409544873
17. D. Miall, D. Kuiken, What is literariness? Three components of literary reading.
Discourse Process. 28, 121–138 (1999). doi:10.1080/01638539909545076
18. R. Barthes, S/Z: An Essay (Hill and Wang, New York, 1974).
19. M. Bakhtin, Problems of Dostoevsky’s Poetics (Univ. Minnesota, Minneapolis,
1984).
20. J. Bruner, Actual Minds, Possible Worlds (Harvard Univ., Cambridge, MA, 1986).
21. R. Gerrig, D. Rapp, Psychological processes underlying literary impact. Poetics
Today 25, 265–281 (2004). doi:10.1215/03335372-25-2-265
22. Materials and methods are available as supplementary materials on Science Online.
23. B. A. Converse, S. Lin, B. Keysar, N. Epley, In the mood to get over yourself: Mood
affects theory-of-mind use. Emotion 8, 725–730 (2008). Medline
doi:10.1037/a0013283
24. D. J. Acheson, J. B. Wells, M. C. MacDonald, New and updated tests of print
exposure and reading abilities in college students. Behav. Res. Methods 40, 278–289
(2008). Medline doi:10.3758/BRM.40.1.278
25. D. Watson, L. A. Clark, A. Tellegen, Development and validation of brief measures
of positive and negative affect: The PANAS scales. J. Pers. Soc. Psychol. 54, 1063–1070
(1988). Medline doi:10.1037/0022-3514.54.6.1063
26. M. C. Green, T. C. Brock, The role of transportation in the persuasiveness of public
narratives. J. Pers. Soc. Psychol. 79, 701–721 (2000). Medline doi:10.1037/0022-
3514.79.5.701
27. S. Nowicki, Manual for the Receptive Tests of the Diagnostic Analysis of Nonverbal
Accuracy 2 (Department of Psychology, Emory Univ., Atlanta, GA, 2010).
28. R. Mar, K. Oatley, The function of fiction is the abstraction and simulation of social
experience. Perspect. Psychol. Sci. 3, 173–192 (2008). doi:10.1111/j.1745-
6924.2008.00073.x
29. G. Hoppenstand, Ed., Popular Fiction: An Anthology (Longman, New York, 1998).
30. L. Furman, Ed., The PEN/O. Henry Prize Stories 2012: The Best Stories of the Year
(Anchor, New York, 2012).
31. S. G. Shamay-Tsoory, Recognition of ‘fortune of others’ emotions in Asperger
syndrome and high functioning autism. J. Autism Dev. Disord. 38, 1451–1461 (2008).
Medline doi:10.1007/s10803-007-0515-9
32. B. J. Bushman, C. A. Anderson, Comfortably numb: Desensitizing effects of violent
media on helping others. Psychol. Sci. 20, 273–277 (2009). Medline
doi:10.1111/j.1467-9280.2009.02287.x
33. J. Pennebaker, R. Booth, M. Francis, Linguistic Inquiry and Word Count (LIWC):
LIWC2007 (LIWC.net, Austin, TX, 2007).
34. N. Humphrey, Consciousness Regained (Oxford Univ., Oxford, 1983).
35. M. F. McLellan, A. H. Jones, Why literature and medicine? Lancet 348, 109–111
(1996). Medline doi:10.1016/S0140-6736(96)03521-0
36. J. Billington, ‘Reading for Life’: Prison reading groups in practice and theory. Critical
Survey 23, 67–85 (2011). doi:10.3167/cs.2011.230306
37. S. Mosle, What should children read? New York Times, 22 November 2012;
http://opinionator.blogs.nytimes.com/2012/11/22/what-should-children-read/?r=1.
38. D. DeLillo, The Angel Esmeralda (Scribner, New York, 2011), pp. 47–54.
39. L. Davis, The Collected Stories of Lydia Davis (Farrar, Straus, & Giroux, New York,
2009), pp. 333–337.
40. A. Chekhov, in Anton Chekhov’s Short Stories, R. E. Matlow, Ed. (Norton, New York,
1979; original work published 1884), pp. 1–3.
41. C. Mann, How the potato changed the world. Smithsonian Magazine, November
2011; www.smithsonianmag.com/history-archaeology/How-the-Potato-Changed-the-
World.html.
42. C. Gandel, Bamboo steps up. Smithsonian Magazine, 21 March 2008;
www.smithsonianmag.com/specialsections/ecocenter/greener-living/bamboo.html.
43. R. Dunn, The story of the most common bird in the world. Smithsonian Magazine, 2
March 2012; www.smithsonianmag.com/science-nature/The-Story-of-the-Most-
Common-Bird-in-the-World.html.
44. F. Ali, T. Chamorro-Premuzic, Investigating theory of mind deficits in nonclinical
psychopathy and Machiavellianism. Pers. Individ. Dif. 49, 169–174 (2010).
doi:10.1016/j.paid.2010.03.027
45. L. Erdrich, The Round House (Harper Collins, New York, 2012).
46. T. Obreht, The Tiger’s Wife (Random House, New York, 2011).
47. J. Ward, Salvage the Bones (Bloomsbury, New York, 2011).
48. G. Flynn, Gone Girl (Crown Publishers, New York, 2012).
49. D. Steele, The Sins of the Mother (Random House, New York, 2012).
50. W. Young, Cross Roads (FaithWords, Nashville, TN, 2012).
51. H. A. Elfenbein, N. Ambady, Predicting workplace outcomes from the ability to
eavesdrop on feelings. J. Appl. Psychol. 87, 963–971 (2002). Medline
doi:10.1037/0021-9010.87.5.963
Acknowledgments: Data are available in spreadsheet format from authors by request.
This research was funded by a Prize Fellowship and a Dissertation Fellowship by the
New School for Social Research to the first author, and a Faculty Development Award
by the New School for Social Research to the second author. We are grateful to
Andrew Marzoni for his insight into literary /













Tabela 1. Análises TLMO e ADPNV2-FA.
Experimento Variável Independente Teste P ω
p
2

Exp. 1 TLMO Situação
Teste de Reconhecimento de Autor
Teste de Reconhecimento de Autor x Situação
Exp. 2 ADPNV2-FA Situação
Teste de Reconhecimento de Autor
Teste de Reconhecimento de Autor x Situação
Exp.3 TLMO Situação
Teste de Reconhecimento de Autor
Teste de Reconhecimento de Autor x Situação
Exp. 4 TLMO Situação
Teste de Reconhecimento de Autor
Teste de Reconhecimento de Autor x Situação
Exp. 5 TLMO Situação
Teste de Reconhecimento de Autor
Teste de Reconhecimento de Autor x Situação

Tabela 2. Médias (ajustadas para outros termos nos modelos) e desvios padrão de
escores de TLMO e ADPNV2-FA. Intervalos de confiança de 95% são apresentados
entre parênteses. X, sem dados. Médias na mesma linha que compartilham os mesmos
sobrescritos diferem em P < 0,05.

Experimento Ficção Literária Ficção Popular Nenhuma Leitura Não-ficção

Exp. 1 TLMO
Exp. 2 ADPNV2-FA
Exp. 3 TLMO
Exp. 4 TLMO
Exp. 5 TLMO