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A CODIFICAÇÃO DO DIREITO CIVIL

Inicialmente, ao abordarmos a temática acerca da codificação do Direito Civil, nos
remetemos a conceitos simples, porém que são as peças chaves para o entendimento do
assunto. Os autores propõem a indagação a respeito do que venha a ser um código,
exemplificando que esse seria nada mais que é que uma lei disciplinar, portanto, nessa linha
de pensamento, o significado de codificação já nos fica explícito, sendo então uma forma de
sistematizar os códigos, ou seja, organizá-los em matéria única. É histórico esse desejo de
produzir uma unidade que contenha a concentração das normas, de modo que será dela que o
legislador se valerá, é uma forma de materializar o Direito.
Gagliano e Pamplona Filho esclarecem algumas diferenças entre o sentido da
codificação e “figuras afins”, como eles as definem e que podem ser confundidas a
codificação, distorcendo seu significado real. São elas: a incorporação, como uma escolha
aleatória de certas regras jurídicas, deslocando-as do passado e atestando somente sua
validade; a recepção, sendo uma flexibilidade dada a certo ordenamento estrangeiro,
admitindo-o como Direito vigente; e consolidação, sendo um preceito inflexível. Deste modo,
a codificação diferencia-se dessas três matérias sendo, sistemática e reunida em um só corpo,
e também criativa, com o poder de adaptação.
Mesmo com o desejo dos legisladores e a força dos antecedentes históricos, existia
ainda um debate acerca das vantagens e desvantagens de se criar um código único e
trabalhoso, existia a concepção de que era preferível deixar que as normas se desenvolvessem
de acordo com os anseios da sociedade, moldando-se conforme o desenvolvimento humano.
Primeiramente, a principal vantagem trazida pela codificação seria a unificação do Direito, a
fim de organizar suas regras e também a unidade política da sociedade. Ela permitiria ainda a
positivação do que já teria se discutido e que já era aceito e estudado por doutrinadores, como
regras jurídicas. As desvantagens, segundo teóricos como SAVIGNY, que contestava a
codificação afirmando ser ela algo morto, impedindo a evolução das regras; e SALEILLES,
que afirmava que os códigos possuíam um prazo de validade, atendendo as demandas da
sociedade apenas quando são estabelecidos; entre outros pensadores, eram contrários a esta
nova forma de sistematização de princípios e regras.
Ao retroceder mais uma vez a questões históricas, alcançamos o que vem a ser à base
da codificação do Direito Civil, o Direito Romano. É deste rico sistema que são provindos
conceitos civis de extrema importância, como o da teoria da personalidade, posse, capacidade
de direito, entre outros, utilizados em códigos do mundo todo, inclusive no Brasil.
Após uma longa valorização do Direito Natural, minimizando a importância da
codificação civil, o Direito Romano ressurge na idade moderna atentando a necessidade de
um conjunto de regras que regulamentassem a conduta humana, deste modo o texto cita dois
ricos exemplos de códigos elaborados neste período, o de Napoleão (França 1804) e o Código
Civil alemão (Burgerlich Gesetzbuch), os quais foram construídos minunciosamente e
vigoraram e ainda vigoram, como no caso da França, sendo alterado ao decorrer da época,
com muito sucesso, tornando-se posteriormente, importantes fontes no estudo da codificação.
O Código Civil alemão (Burgerlich Gesetzbuch) foi inclusive fonte para a elaboração dos
códigos civis brasileiros de 1916 e 2002.
Em um olhar mais específico, o Direito Civil brasileiro passou por um longo
processo de elaboração até consolidar-se em um código único e vigente, desde antes da
independência, sujeitado a todos os códigos de Portugal, até sua proclamação, em 1822, onde
ainda assim, por não ter um texto próprio elaborado, continuou como dependente da
legislação portuguesa. A “via crucis”, colocada no texto, é a ilustração deste longo e tortuoso
caminho vivido até a codificação da legislação brasileira, onde se passam os anos, mudam os
regimes de governo e uma conclusão não é alcançada. Apenas em 1916, o Brasil consegue
promulgar seu primeiro Código Civil, porém já com incorreções e reparos.
O CC-16, como colocado pelos autores, não atendia a evolução da sociedade, de
modo que foi um código elaborado e voltado ás altas classes sociais primando princípios
supérfluos como a propriedade e inferiorizando o ser humano, ignorando sua dignidade. O
contexto que a Constituição Federal buscava consolidar na sociedade brasileira priorizando
valores como melhorarias a situação do trabalhador e da pessoa humana, defesa dignidade,
igualdade, entre outros, não condiziam com os princípios autoritaristas do código vigente,
sendo assim, necessária a elaboração de um novo Código Civil para o Brasil.
O processo para a concessão de um novo código outra vez foi árduo e pesaroso,
devido ao período de extensão que lhe ocorreu. Com comissão para sua elaboração formada
em 1969, debatida por anos e até esquecida por um tempo, sua retomada gloriosa e cheia de
esperança se deu pelo Senador JOSAPHAT MARINHO, que buscou não retomar os trabalhos
e finalizar a codificação da legislação brasileira.
O CC-02, votado em 2001 e aprovado e publicado em 10 de janeiro de 2002, era um
código não somente contendo normas e regras, mas também causas que valorizam o ser
humano. São três os princípios que regem esta obra, de modo que atendem aos anseios da
sociedade com maestria, sendo eles a eticidade, como uma introdução maior de ética nos
valores jurídicos; sociabilidade, como a palavra já diz, uma proposta social contra o
individualismo do sistema; e operabilidade como forma de resolução de qualquer tipo de
problema, valendo-se também de outras fontes do direito e ampliando o poder interpretativo
do magistrado. Esses princípios que regem e regerão por muito tempo o Código Civil
brasileiro, a fim de obter ainda mais sucesso em sua vigência.