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Artigo

Breves considerações acerca da Teoria do Reconhecimento de Axel Honneth
com enfoque nos Padrões de Reconhecimento








Autora:
Karine Giotti Souza Cruz

Orientador:
Pablo Farias Souza Cruz







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Breves considerações a respeito da Teoria do Reconhecimento de Axel
Honneth com enfoque nos Padrões de Reconhecimento

Sumário: 1 – Introdução; 2 – Teoria de Axel Honneth e sua estruturação no
pensamento desenvolvido por Winnicott; 3 - Influência de T. H. Marshall na
demonstração de Honneth do processo de ampliação dos direitos
fundamentais; 3.1 – Considerações necessárias a respeito da Moral e das
Regras de Trato Social como forma de integração e (in) evolução social; 3.1.1 –
Moral; 3.1.2 – Regras de Trato Social; 3.1.3 – Formas de interação social x
atuação do Direito; 4 - Sistematização da teoria do reconhecimento; 5 –
Padrões de Reconhecimento; 5.1 – Amor; 5.2 – Direito; 5.3 – Solidariedade;
5.3.1 – Solidarismo social; 6 – Desrespeito aos padrões de reconhecimento e a
consequente patologia social; 7 - Conclusão.
Resumo: O presente trabalho tem por finalidade demonstrar a origem e a
evolução do que se entende por Teoria de Reconhecimento, tendo por base os
ensinamentos de Axel Honneth. Dessa forma, é possível perceber o quão
importante é a análise dos Padrões de Reconhecimento estabelecidos pela
referida Teoria (amor, direito e solidariedade) para o atual desenvolvimento
produtivo da sociedade, uma vez que, em sua falta, esta, como um todo,
“adoece” e perde suas características mais importantes e peculiares, que a
distingue dos demais grupos de atores sociais estabelecidos ao redor do
mundo. Extremamente importante, ainda, a relação do “amor”, do “direito” e
da “solidariedade” com a evolução dos Direitos Fundamentais, que são, de
certa forma, consequência das reivindicações dos grupos que representam as
minorias sociais.
Abstract: This paper aims to demonstrate the origin and evolution of what is
understood by the Theory of Recognition, based on the teachings of Axel
Honneth. Thus, we can notice how important the analysis of the Recognition
Standards established by the mentioned Theory (love, law and solidarity) are
to the current productive development of society, since, in its absence, it, as a
whole, becomes “ill” and loses its most important and peculiar features, which
distinguishes it from other established groups of social actors set around the
world. It is of extreme importance still, the relationship of "love", "law" and
"solidarity" with the evolution of Fundamental Rights, which are, in a way,
consequences of the demands of groups that represent social minorities.
3

1 – Introdução:
A origem do conceito de reconhecimento se deu pela obra de G. W. F.
Hegel, denominada “escritos de Jena” (escrito entre os anos de 1801 e 1806
durante o período em que Hegel lecionava em Jena). Porém, conquistou uma
maior projeção filosófica, sendo reinserido no debate filosófico e das ciências
políticas e sociais, a partir dos escritos sobre a Dialética do Senhor e do
Escravo na Fenomenologia do Espírito, conforme escrito por Júlia Valente e
Luiz Phillipe de Caux.
Apesar de a palavra reconhecimento ter origem alemã (“Anerkennung”),
explicam Bethânia Assy e João Feres Júnior que:
“o conceito filosófico de reconhecimento não significa
simplesmente a identificação cognitiva de uma pessoa, mas sim, tendo esse
ato como premissa, a atribuição de um valor positivo a essa pessoa, algo
próximo do que entendemos por respeito”
1
.

Duas obras, formuladas pelos precursores na busca da concepção
dialógica da identidade social e cultural em 1992, são essenciais para a
percepção da contemporânea reformulação existente da teoria do
reconhecimento, quais sejam, o ensaio “The Politics of Recognition” do
canadense Charles Taylor, escrito em 1994 e o livro “Luta por
Reconhecimento” do alemão Axel Honneth, publicado em 2009.
Charles Taylor enfatiza o conceito de reconhecimento visando uma
melhor compreensão dos vários conflitos existentes dentro do meio social,
sejam por motivos religiosos, culturais, das minorias políticas, etc, haja vista
que “o devido reconhecimento não é apenas uma cortesia que nós devemos às
pessoas. É uma necessidade humana vital”
2
. Além disso, esclarece-se que:
“nossa identidade é em parte formada pelo reconhecimento
ou pela falta dele, e muitas vezes pelo reconhecimento errôneo (misrecognition)
por parte dos outros, e, assim, uma pessoa ou grupo de pessoas pode sofrer
um dano real, uma distorção real, se as pessoas ou a sociedade em torno lhe

1
ASSY, Bethânia e FERES JÚNIOR, João. Reconhecimento. In: BARRETO, Vicente Paulo (coord.).
Dicionário de filosofia do direito. São Leopoldo: Unisinos – Rio de Janeiro: Renovar, 2006, p. 705).
2
TAYLOR, Charles. The politics of recognition. In: GUTMANN, Amy (Ed.). Multiculturalism:
Examining the politics of recognition. Princeton University Press, 1994, p. 26 – tradução de Júlia Leite
Valente e Luiz Philipe de Caux.
4

espelharem em retorno uma imagem limitada, aviltante ou desprezível dela
própria”
3
.
Axel Honneth é atual responsável pela tradição do conhecimento crítico
da Escola de Frankfurt, embora sua tese seja criticada pelo fato de o
reconhecimento ser visto, hodiernamente, de forma errônea como a luta de
grupos minoritários de forma a estimular as especificidades culturais, levando
“alguns autores a criticar Honneth e Taylor por re-essencializar identidades,
fomentar a ideia do self-soberano e negligenciar o fato de haver
reinvindicações socialmente injustificáveis”
4
.

2 – Teoria de Axel Honneth e sua estruturação no pensamento
desenvolvido por Winnicott:
Sua teoria foi estruturada em duas partes: De um lado, procurou
salientar as carências da interpretação dada pela teoria crítica desenvolvida
por Habermas, sustentando que tal teoria necessita ser analisada
horizontalmente, em uma dimensão intersubjetiva social, principalmente pelo
fato de propor que a racionalidade comunicativa seria anterior ao conflito
social, deixando, em segundo plano, a luta por reconhecimento e, de outro
lado, Honneth empenha-se em desenvolver sua própria versão de teoria crítica
ex negativo, concluindo, em “Kritik der Macth”, que a sociedade deveria estar
preocupada em interpretar-se a partir de uma única categoria: a do
reconhecimento.
Segundo Giovani Saavedra e Emil Sobottka, em “Kampf um
Anerkennung”, Axel aprimora a conclusão acima exposta e, desenvolvendo-a
de forma consequente, insere os primeiros elementos da sua teoria a partir da
categoria da dependência absoluta, desenvolvida por Winnicott, que
demonstra a primeira fase do desenvolvimento infantil, na qual a mãe e o bebê
se encontram em uma situação simbiótica, não havendo entre eles nenhum
tipo de limite de individualidade, resultando em uma espécie de “unidade”.
Aos poucos, esta relação vai se transformando, justamente pela necessidade
de um retorno gradativo da mãe às tarefas diárias, de forma a ampliar a
relação de independência entre ambos.

3
TAYLOR, Charles. The politics of recognition. In: GUTMANN, Amy (Ed.). Multiculturalism:
Examining the politics of recognition. Princeton University Press, 1994, p. 25 – tradução de Júlia Leite
Valente e Luiz Philipe de Caux.
4
MENDONÇA, Ricardo Fabrino. Dimensão intersubjetiva da auto-realização em defesa da teoria do
reconhecimento. Ver. bras. Ci. Soc. Vol. 24, nº 70. São Paulo: Junho de 2009. A referência, em especial,
é direcionada a americana Nancy Fraser.
5

Após os 6 (seis) primeiros meses de vida, a criança necessita se
acostumar com a ausência da mãe, o que incita o desenvolvimento de
capacidades no bebê que o estimulam a se diferenciar do seu ambiente (seria
esta a fase da relativa independência de Winnicott), admitindo que sua mãe
possui direitos próprios e que não faz parte do seu mundo subjetivo. A criança
participa desta nova experiência pelo que Honneth chama de destruição (uma
espécie de luta que a criança tem consigo mesma para reconhecer a mãe como
um ser independente e com reivindicações e desejos próprios) e fenômeno de
transição (fase do reconhecimento recíproco, onde mãe e bebê começam a
vivenciar uma experiência de amor recíproco sem que haja necessidade de um
retorno ao estágio “simbiótico”), sendo que somente ocorrerá este segundo
mecanismo (o fenômeno de transição) se a criança tiver desenvolvido com a
“destruição” uma experiência elementar de confiança na dedicação da mãe.
A partir de então, Honneth traça os princípios norteadores do primeiro
nível de reconhecimento, que se caracteriza pelo fato de a criança
experimentar a confiança nos cuidados da mãe, desenvolvendo, dessa forma,
uma relação saudável consigo mesma (autoconfiança). Esse primeiro estágio de
ampliação da autoconfiança é visto por Axel como o alicerce das relações entre
os adultos. Em um segundo momento, analisando o segundo nível de
reconhecimento, este autor aprofunda ainda mais seus estudos e percebe que
o amor é a essência de toda a moralidade, chegando à conclusão de que o
desenvolvimento do auto-respeito ajuda a melhorar a participação na vida em
coletividade. Dessa forma, sob uma perspectiva honnethiana, percebe-se uma
intensa crítica às sociedades tradicionalistas, ancoradas na concepção de
status (onde um sujeito só conseguiria o devido reconhecimento social em
função da posição ocupada na comunidade, bem como se fosse reconhecido
como membro ativo dela). Com a evolução da sociedade, fica notório que o
sistema jurídico não mais permite atribuir privilégios e exceções às pessoas
simplesmente em função do status. “O direito então, deve ser geral o suficiente
para levar em consideração todos interesses de todos os participantes da
comunidade”
5
.



5
SAAVEDRA, Giovani Agostini e SOBOTTKA, Emil Albert; Texto: “Introdução à teoria do
reconhecimento de Axel Honneth”, 2008, pág 11.
6

3 - Influência de T. H. Marshall na demonstração de Honneth do
processo de ampliação dos direitos fundamentais:
Antes de, efetivamente, esclarecer a relação entre direitos fundamentais
e a teoria do reconhecimento de Honneth, é necessário ter em mente que a
vida em coletividade implica em organização e provoca a existência do Direito,
que, com o intuito de formular os alicerces da justiça e segurança, é uma das
maneiras de obtenção do bem-estar social. Surge devido à exigência dos
indivíduos de ordem e equilíbrio social, constituindo simplesmente um meio
eficaz que possibilita o convívio e o progresso sociais, desde que reflita os fatos
sociais, entendidos por Émile Durkheim como “maneiras de agir, de pensar e
de sentir, exteriores ao indivíduo, dotadas de um poder de coerção em virtude
do qual se lhe impõem”
6
.
“O Direito deve ser uma expressão da vontade social, e, assim, a
legislação deve apenas similar os valores positivos que a sociedade estima e
vive. (...) Se o homem em sociedade não está propenso a acatar os valores
fundamentais do bem comum, de vivê-los em suas ações, o Direito será inócuo,
impotente para realizar a sua missão”
7
.
Analisada essas questões iniciais, percebe-se que, Axel Honneth,
influenciado por T. H. Marshall, se esforça para demonstrar que o direito
moderno deve ser restabelecido como um processo de ampliação dos direitos
fundamentais, cujos
“atores sociais só conseguem desenvolver a consciência de
que eles são pessoas de direito, e agir consequentemente, no momento em que
surge historicamente uma forma de proteção jurídica contra a invasão da
esfera da liberdade, que proteja a chance de participação da vontade na
formação pública e que garanta um mínimo de bens materiais para a
sobrevivência”
8
.
Adiantando um pouco o segundo modelo de reconhecimento defendido
por Honneth (o Direito), ressalta-se que seria a consolidação dos direitos
fundamentais uma consequência, via de regra, das reivindicações de grupos
que representam as minorias, resultando na inserção no direito positivado de
reconhecimento recíproco. A luta pelo reconhecimento fica evidente com a

6
DURKHEIM, Émile, As Regras do Método Sociológico, Cia. Editora Nacional, São Paulo, 1960, cap. I.
Sobre a presente definição, v. José Florentino Duarte, O Direito como Fato Social, Sérgio Antônio Fabris
Editor, Porto Alegre, 1982, p. 17 e segs.
7
NADER, Paulo. Introdução ao estudo do direito/ Paulo Nader – Rio de Janeiro; Forense, 2008, págs. 18
e 19.
8
SAAVEDRA, Giovani Agostini e SOBOTTKA, Emil Albert, citando - HONNETH, Axel. Kampf um
Anerkennung: Zur moralischen Grammatik sozialer Konflikte. Frankfurt am Mais: Suhrkamp, 2003, p.
190.
7

própria evolução dos direitos fundamentais: Os de primeira geração pedem
uma atuação negativa por parte do Estado, de forma a permitir a ampla
liberdade entre os indivíduos (direitos negativos, representados pelo lema
“Liberdade” da Revolução Francesa de 1.789); os de segunda geração
ressaltam a necessidade de uma intervenção estatal, ainda que mínima, para
garantir a igualdade entre os indivíduos, bem como a participação dos
mesmos nas escolhas públicas (representados pelo lema “Igualdade” da
Revolução Francesa de 1.789); os de terceira geração têm uma maior
preocupação com o Estado Social e com uma justiça que permita não só uma
igualdade formal, mas também uma igualdade material entre os atores sociais
(representados pelo lema “Fraternidade” da Revolução Francesa de 1.789).
Sabrina Naritomi diz que:
“deste processo histórico de consolidação dos direitos
fundamentais pode-se deduzir que a imposição de cada nova classe de direitos
e deveres esteve relacionada à pressão de grupos desfavorecidos”
9
.
O reconhecimento recíproco das pessoas de uma dada coletividade
como pessoas dotadas de direitos (ou pessoas jurídicas), contempla tanto as
capacidades abstratas de uma orientação moral como as concretas, que
permitem uma existência digna, dando azo ao desenvolvimento do auto-
respeito por parte do sujeito de direitos. Sendo assim, analisando a forma de
reconhecimento do direito, são ressaltadas as propriedades gerais do ser
humano, enquanto que no caso da valoração social, a relevância consiste nas
singularidades, o que torna o indivíduo diferente dos demais. Esta última seria
a terceira forma de reconhecimento: a comunidade de valores ou
solidariedade, que deve ser contemplada como um tipo normativo ao qual
correspondem as mais variadas formas de auto-relação.
Honneth procura demonstrar que, com a evolução da sociedade
(tradicional para moderna), surgiu um tipo de individualização que não pode
ser negada. A solidariedade “deveria ser vista, então, como um meio social a
partir do qual as propriedades diferenciais dos seres humanos venham à tona
de forma genérica, vinculativa e intersubjetiva”
10
, fazendo uma espécie de
integração e avaliação social de valores estabelecidos pela auto-compreensão
social, tendo por base, a moralidade.

9
HONNETH, Axel. Luta por Reconhecimento: a gramática moral dos conflitos sociais, p. 191. No
mesmo sentido: NARITOMI, Sabrina. Princípio constitucional da solidariedade: um direito-dever de
redistribuição de reconhecimento?... p. 82.
10
SAAVEDRA, Giovani Agostini e SOBOTTKA, Emil Albert; Texto: “Introdução à teoria do
reconhecimento de Axel Honneth”, 2008, p. 13.
8

3.1 – Considerações necessárias a respeito da Moral e das
Regras de Trato Social como forma de integração e (in) evolução social
3.1.1 – Moral
Aqui cabem algumas considerações acerca da Moral, norteadora dos
padrões que os próprios atores sociais estabelecem para que o convívio em
sociedade se dê de forma amena, e das Regras de Trato Social.
A ideia de Moral, que se fundamenta na noção de “bem”, surgiu na
Grécia antiga, mas foi entendida ao longo da história de maneiras distintas,
haja vista que acompanha o que a sociedade, como um todo e numa época
específica, considera “correto”, “bom”. Alguns exemplos podem ser citados
nesse sentido: no estoicismo, a moral compreendia desprendimento, saber
enfrentar a dor, o sofrimento, de forma branda, suave, (muito ligada à ideia de
virtude, do “ser virtuoso”); já para o epicurismo, a ideia de bem estaria
intimamente ligada à ideia de prazer, de divertimento, observados certos
limites.
Atualmente, segundo Paulo Nader, “consideramos bem tudo aquilo que
promove o homem de uma forma integral e integrada. Integral significa a plena
realização do homem, e integrada, o condicionamento a idêntico interesse do
próximo”
11
.
A análise da Moral deve ser observada sobre dois aspectos, quais sejam,
a moral natural e a moral positivada. Enquanto aquela não é convencionada
pelos atores sociais, sendo uma ideia essencialmente ligada à natureza, esta é
uma interpretação criada pelo homem, devendo ser ponderada de acordo com
a época e o local em que ele está inserido, sendo subdividida em três setores
distintos, denominados por Heinrich Henkel como:
• Moral autônoma: entendida como a noção de “bem” que cada ser
humano possui intrinsecamente, norteando o seu “dever-ser” sem restrições
ou condicionamentos estabelecidos pela coletividade.
• Ética dos sistemas religiosos: entendida como a noção de “bem” que
os cultos, seitas religiosas transmitem aos seus fiéis, de forma a influenciar na
vida e o comportamento destes. Deve ser um todo coerente e harmônico, para

11
NADER, Paulo. Introdução ao estudo do direito/ Paulo Nader – Rio de Janeiro; Forense, 2008, p. 36.
9

que possa criar certa obrigatoriedade de comportamento dos seus seguidores,
estabelecendo o que é “correto” ou não.
• Moral social: entendida como a noção de “bem” que a sociedade como
um todo entende como “correta” num dado lugar e em determinado tempo. É o
que orienta a conduta dos indivíduos e, de certa forma, influencia o Direito
(apesar das distinções de ordem formal e quanto ao conteúdo existente entre
eles), já que, este, como uma ciência social aplicada, deve estar sempre se
reestruturando, devido à mobilidade social. Segundo Paulo Nader:
“Se o Direito envelhece, deixa de ser um processo de adaptação, pois
passa a não exercer a função para a qual foi criado. Não basta, portanto, o ser
do Direito, é indispensável o ser atuante, o ser atualizado. Os processos de
adaptação devem-se renovar, pois somente assim o Direito será um instrumento
eficaz na garantia do equilíbrio e da harmonia social”
12
.
Sendo assim, segundo a Teoria do “mínimo ético”, desenvolvida por
Jellinek, o Direito deve representar “o mínimo de preceitos morais necessários
ao bem-estar da coletividade. ‘Para o jurista alemão toda sociedade converte
em Direito os axiomas morais estritamente essenciais à garantia e preservação
de suas instituições’”
13
.

3.1.2 – Regras de Trato Social
Segundo Paulo Nader, “as regras de trato social são padrões de conduta
social, elaboradas pela sociedade e que, não resguardando os interesses de
segurança do homem, visam a tornar o ambiente social mais ameno, sob
pressão da própria sociedade”
14
.
São conhecidas como Convencionalismos Sociais e Usos Sociais,
percebidas, notadamente, nas regras de etiqueta, de linguagem, de educação,
de protocolo, de amizade, dentre outras. Seu objetivo é tornar possível o
diálogo entre os atores sociais, reduzindo as disputas entre eles, fazendo com
que a integração social se dê de forma agradável e saudável. Para que seja
eficiente, pressupõe a existência tanto do Direito quanto da Moral, uma vez
que sua natureza não é independente, mas, sim, complementar.

12
NADER, Paulo. Introdução ao estudo do direito/ Paulo Nader – Rio de Janeiro; Forense, 2008, p. 19.
13
NADER, Paulo. Introdução ao estudo do direito/ Paulo Nader – Rio de Janeiro; Forense, 2008, p. 43.
14
NADER, Paulo. Introdução ao estudo do direito/ Paulo Nader – Rio de Janeiro; Forense, 2008, p. 44.
10

Algumas características básicas das regras de trato social: são normas
que se referem apenas às aparências, ao mundo exterior; constituem uma
forma de se apresentar a outra pessoa; impõem deveres, mas não direitos;
criam padrões de conduta que “devem ser obedecidos” independentemente da
vontade/consciência de cada indivíduo; não acarretam sanções estatais,
apesar de se submeter à crítica, à reprovação e à censura sociais, etc.
Analisando o aspecto histórico, notória é a evolução das regras de trato
social, principalmente no que tange à sua natureza complementar, tendo em
vista que em épocas passadas, os instrumentos de controle social se
mantinham indiferenciadas. Importante ressaltar que Léon Duguit percebeu,
dentro do emaranhado de normas que governam a sociedade, a existência da
chamada norma da solidariedade, conceituada por Bustamante y Montoro
como “não fazer nada que atente contra a solidariedade social, em qualquer de
suas formas, e fazer tudo que conduza a realizar e a desenvolver a
solidariedade social mecânica e orgânica”
15
(que serão vistas em breve).
3.1.3 – Formas de interação social x atuação do Direito
Observando as pessoas que formam grupos sociais e,
consequentemente, a própria sociedade, percebe-se que estas se relacionam
pela necessidade de convivência entre os atores sociais (já que o ser humano é
um ser essencialmente social que só não vive em comunidade em três
hipóteses, segundo Santo Tomás de Aquino – mala fortuna
16
, corruptio
naturae
17
e excellentia naturae
18
) buscando seus objetivos, já que é somente
através dela que o ser humano desenvolve suas faculdades e todas as suas
potencialidades.
Segundo Paulo Nader, “os processos de mútua influência, de relações
interindividuais e intergrupais, que se formam sob a força de variados
interesses, denominam-se interação social”
19
, pressupondo a existência de

15
NADER, Paulo. Introdução ao estudo do direito/ Paulo Nader – Rio de Janeiro; Forense, 2008, p. 46,
cita - A. S. Bustamante y Montoro, Introducción a la Ciencia del Derecho, 3ª ed., Cultural S.A., La Habana,
1945, p. 37.
16
“Mala fortuna” se dá quando, por um infortúnio, ocorre o isolamento do ator social (como, por
exemplo, no caso de naufrágios).
17
“Corruptio naturae” se caracteriza quando, devido a uma alienação mental (desprovimento de
Inteligência), o ser humano se distancia dos demais indivíduos.
18
“Excellentia naturae” ocorre quando o homem em questão possui uma grande espiritualidade, de tal
forma a possibilitar seu distanciamento da sociedade como um todo.
19
NADER, Paulo. Introdução ao estudo do direito/ Paulo Nader – Rio de Janeiro; Forense, 2008, p. 25.
11

uma cultura e do conhecimento por parte dos integrantes da sociedade das
normas de conduta, as regras de trato social, do Direito em si e da Moral,
adotadas pelo corpo social.
A interação social se dá através de três formas específicas denominadas
cooperação, competição e conflito, sendo que as duas primeiras formas serão
disciplinadas pelo Direito apenas quando existirem relações potencialmente
conflituosas.
A cooperação se dá quando as pessoas conjugam seus esforços, visando
um mesmo objetivo e valor intrínsecos, trabalhando em conjunto para a
consecução do fim pretendido (sendo, portanto, uma relação direta e positiva).
Já na competição, há uma disputa sendo que, pelo fato de terem o mesmo
objetivo, uma pessoa deseja a exclusão da outra para obtenção do que deseja.
Por fim, existe o conflito que “se faz presente a partir do impasse, quando os
interesses em jogo não logram uma solução pelo diálogo e as partes recorrem
à luta, moral ou física, ou buscam a mediação da justiça”
20
, entendendo ter
esta última forma (o conflito) uma íntima e direta relação com o
desenvolvimento e complexidade social (quanto maior este, maior será aquele).
Necessário, ainda, destacar que “a sociedade sem o Direito não
resistiria, seria anárquica, teria seu fim. O Direito é a grande coluna que
sustenta a sociedade. Criado pelo homem, para corrigir a sua imperfeição, o
Direito representa um grande esforço para adaptar o mundo exterior às suas
necessidades de vida”
21
.
4 - Sistematização da teoria do reconhecimento:
Em sua obra “Luta por Reconhecimento”, Axel Honneth faz a principal
sistematização de uma teoria do reconhecimento, observando os escritos de
Hegel (que demonstra uma dinâmica muito ampla do reconhecimento,
envolvendo, inclusive, relações afetivas e sociais, bem como o componente da
solidariedade que vai além do cunho jurídico propriamente dito), e, ao
contrário de Taylor, busca uma sólida fundamentação do que, efetivamente,
seria a luta por reconhecimento. Honneth constrói a ideia de que é a própria
experiência do desrespeito a causa, emotiva e cognitiva, da resistência social e
da inquietação da sociedade, mesmo que se leve em consideração o processo

20
NADER, Paulo. Introdução ao estudo do direito/ Paulo Nader – Rio de Janeiro; Forense, 2008, p. 25.
21
NADER, Paulo. Introdução ao estudo do direito/ Paulo Nader – Rio de Janeiro; Forense, 2008, p. 28.
12

prático das experiências individuais como motivos indutores da ação, tendo
uma exigência comum por amplas relações de reconhecimento. Nesta obra, em
suas páginas 204 e seguintes, o autor expressa “in verbis”:
“(...) uma pessoa desenvolve a capacidade de sentir-se
valorizada somente quando as suas capacidades individuais não são mais
avaliadas de forma coletivista. (...) Em função dessa mudança estrutural existe,
porém, no centro da vida moderna uma permanente tensão, um permanente
processo de luta, porque nesta nova forma de organização social há, de um
lado, uma busca individual por diversas formas de auto-realização e, de outro, a
busca de um sistema de avaliação social”.
“Essa espécie de tensão social que oscila
permanentemente entre a ampliação de um pluralismo valorativo que permita
o desenvolvimento da concepção individual de vida boa e a definição de um
pano de fundo moral que sirva de ponto de referência para avaliação social da
moralidade faz da sociedade moderna uma espécie de arena na qual se
desenvolve ininterruptamente uma luta por reconhecimento (...) Além disso,
com o processo de individualização das formas de reconhecimento surge nesta
esfera de reconhecimento a possibilidade de um tipo específico de auto-
relação: a autoestima”
22
.
Diante do exposto, cabe dizer que a construção das identidades
individuais e/ou coletivas está intimamente ligada ao reconhecimento do outro
e pelo outro, ressaltando o que cada pessoa pensa sobre si mesma e de como
deseja que os outros a vejam.
Honneth, juntamente com Hegel, propõe uma tipologia progressiva de
formas de reconhecimento: AMOR, DIREITO e SOLIDARIEDADE, que possuem
três maneiras de desrespeito (MAUS TRATOS e VIOLAÇÃO, PRIVAÇÃO DE
DIREITOS e DEGRADAÇÃO MORAL e INJÚRIA, respectivamente) especificadas
ao longo do presente trabalho. E é em contraposição a essas formas de não-
reconhecimento que se desenvolvem as desavenças sociais, tendo por
consequência sua vagarosa superação. Quando o sujeito social sente, vivencia
o reconhecimento, passa a ter um auto-relacionamento positivo, enquanto
que, se vivencia o desrespeito, consequentemente, a sua auto-relação positiva
se perde. E, em uma análise mais global, se cada indivíduo ou grupo de
indivíduos perde essa intersubjetividade, a sociedade, como um todo,
“adoece”.
Os mais recentes subsídios trazidos ao debate, apesar de não
completamente aceitos por Honneth, são de Nancy Fraser, filósofa política
americana, que visualiza, em sua obra denominada “Redistribution or

22
SAAVEDRA, Giovani Agostini e SOBOTTKA, Emil Albert; Texto: “Introdução à teoria do
reconhecimento de Axel Honneth”, 2008, pp. 13 e 14.
13

recognition?: a political-philosophical exchange”, a problemática sob um
aspecto econômico, uma vez que se baseia na diferença e na nítida relação
entre respeito e condição financeira (lutas por reconhecimento – subordinação
de status – e lutas por redistribuição – motivadas pelas desigualdades de
classes sociais –).

5 – Padrões de Reconhecimento:
Quanto aos padrões de reconhecimento propriamente ditos, fazem-se
precisos os seguintes comentários:

5.1 – Amor:
A esta primeira forma de reconhecimento, correspondem os modos de
desrespeito denominados, por Honneth, de maus tratos e violação. Porém, a
violação não se dá diretamente à integridade física, mas sim à psíquica, à
autoconfiança, que, segundo Winnicott, é adquirida com o tempo por meio de
um longo processo intersubjetivo de socialização que surge através da
dedicação afetiva. Materializa-se na dependência de afetuosidade que cada
indivíduo precisa para suprir, ou reduzir, as carências humanas. As principais
relações amorosas, para Honneth, são: Primárias – fortes ligações emotivas,
mas com poucas pessoas; Relações eróticas – ligação entre dois parceiros;
Relações de amizade e entre pais e filhos. Presume-se que esta primeira forma
de reconhecimento é vista por Axel como a mais importante para que os atores
sociais construam uma identidade estável e uma personalidade intacta, já que
sem ela, seria impossível o desenvolvimento das demais formas de
reconhecimento e, portanto, de um bom convívio social.

5.2 – Direito:
A esta segunda forma de reconhecimento viabilizada pela dimensão de
auto-respeito, corresponde o modo de desrespeito intitulado de privação de
direitos, onde o núcleo de personalidade lesado é o da integridade social e,
consequentemente, do auto-respeito, uma vez que toda súbita retirada da
autonomia deve ser vista como associada a um tipo de sentimento. Para
Honneth, a habilidade de cada pessoa deve ser dimensionada de acordo com
seu envolvimento com relação à universalização e à materialização do direito,
ou seja, com o grau de responsabilidade moral individual, apesar da situação
14

de desrespeito jurídico presente no quotidiano dos atores sociais, explicitando,
ainda, a relação dos sujeitos de direitos com a consciência dos deveres e das
obrigações para com os demais indivíduos. Para que a sociedade seja
saudável, necessário é permitir a participação de todos os cidadãos,
independentemente de suas singularidades e predileções, nos julgamentos
políticos da comunidade em que vivem. “Obedecendo à mesma lei, os sujeitos
de direito se reconhecem reciprocamente como pessoas capazes de decidir com
autonomia individual sobre normas morais”
23
.

5.3 – Solidariedade:
A esta terceira forma de reconhecimento, correspondem as formas de
desrespeito denominadas degradação moral e injúria, onde o componente da
personalidade que é ameaçado é a dignidade, constituindo uma espécie de
degradação à autoestima, uma vez que a pessoa é impedida da possibilidade
de construir e desenvolver uma imagem positiva de si mesma. O que sobressai
na ideia da solidariedade é o reconhecimento social das singularidades
individuais que são antagônicas à igualdade que uniformiza as diferenças. “É
a autoestima, por oposição à dignidade de todos os sujeitos de direito que se
manifesta aqui. A relação entre as dimensões do direito”
24
. É ensejadora da
valorização das singularidades e da identidade de cada indivíduo,
necessitando, portanto, de relações simétricas entre os membros da sociedade,
fazendo com que sejam reconhecidas as características de cada um como
indispensáveis, essenciais, para a sociedade, viabilizando a criação de estimas
recíprocas entre os indivíduos, que contribuem, com suas propriedades
pessoais, para uma melhor postura do outro, a ponto de se ver nele.

5.3.1 – Solidarismo social:
Importante notar que a solidariedade não consiste apenas na alteridade
onde os atores sociais interagem com a finalidade de ajudarem o outro,
pensando, exclusivamente, no bem-estar do próximo a ponto de se ver nele,
mas também como uma forma de solidarismo social (melhor denominada
entrosamento social), cujo objetivo é a reciprocidade do reconhecimento, uma
interação social por cooperação.

23
HONNETH, Axel. Luta por Reconhecimento: a gramática moral dos conflitos sociais, p. 182.
24
SOUZA, Jessé. Uma teoria crítica do reconhecimento, Lua Nova, nº 50, 2000, pp. 151-152.
15

Léon Duguit, tendo por base os ensinamentos de Émile Durkheim,
dividiu as formas de solidariedade social em: Solidariedade por semelhança
(ou mecânica) e Solidariedade por divisão (ou orgânica), sendo aquela
caracterizada quando o grupo social desenvolve um trabalho unindo esforços
para a realização do seu objetivo, não havendo separação das atividades a
serem desenvolvidas e, justamente por isso, pode ser percebida em sociedades
menos desenvolvidas. Já a Solidariedade por divisão consiste na separação do
trabalho em etapas e de acordo com a sua natureza, de forma a permitir uma
maior especialização e celeridade no desenvolvimento do trabalho e do objetivo
proposto.
Para Duguit, o “Direito se revelaria como o agente capaz de garantir a
solidariedade social e a lei seria legítima enquanto promovesse tal tipo de
interação social”
25
. Sendo assim, percebe-se que a sociedade, para que
consiga evoluir (de maneira “saudável”), deve estabelecer e buscar como um
fim primordial o desenvolvimento da solidariedade (não somente a da utópica,
baseada na alteridade, mas também naquela que permite um entrosamento
social, haja vista que a sociedade se desenvolve e amadurece com a interação
entre os indivíduos que a compõe, já que o ser humano é um ser
essencialmente social, levando em consideração suas singularidades que
permitem formas diferentes de agir e de pensar).

6 – Desrespeito aos padrões de reconhecimento e a consequente
patologia social:
Honneth, observando todas essas formas de reconhecimento, e dos
consequentes desrespeitos, adotou o conceito psicanalítico de patologia para
explicitar, de forma mais clara, sua teoria do reconhecimento, que deve, por
sua vez, ser capaz de apontar a série dos sintomas que os atores sociais
permitem transparecer (reações externas de sentimentos patológicos interiores
ou psíquicos) quando atingidos por essas formas de desrespeito em seu estado
patológico. Para que o estudo em questão seja acreditado, somente as
experiências de injustiça que geram fenômenos patológicos devem ser
analisadas, haja vista que são o estopim par excellence da luta por
reconhecimento e demonstram que a experiência de desrespeito age como
forma de freio social, podendo ocasionar a paralisia do indivíduo ou do grupo

25
NADER, Paulo. Introdução ao estudo do direito/ Paulo Nader – Rio de Janeiro; Forense, 2008, p. 27.
16

social, já que o ser humano não consegue agir de forma neutra a ela. Neste
sentido, G.H. Mead diz que quando o ser humano participa da nítida prática
de desrespeito mútuo, é obrigado a reinterpretar a situação de forma que o
seu “eu prático” começa a atuar.
Porém, apesar de negativo, é justamente este aspecto que demonstra o
quanto o ator social é dependente do reconhecimento social, já que como o
indivíduo está sempre ligado a um complexo emaranhado de relações
intersubjetivas, é dependente estruturalmente do reconhecimento dos outros
atores sociais. Isto posto, entende-se que a experiência de desrespeito deve ser
tamanha que sirva, inclusive, de base motivacional para a luta por
reconhecimento e para posterior desenvolvimento da sociedade de forma mais
justa e igualitária, tendo em vista que, para G.H. Mead, quanto maiores as
necessidades do sujeito, individualmente considerado, de ver respeitadas as
várias especificidades das pessoas, maior será a sua alteridade, ou seja, sua
capacidade de descentralizar suas egoísticas aspirações de maneira que ele
consiga se colocar na perspectiva do outro, mantendo sua identidade pessoal
conservada. Para Honneth, existe uma interdependência entre as autonomias
privada e pública, sendo o “Eu”, visão individualista do próprio sujeito,
anterior à sociedade jurídica na qual está inserido.
“As forças que conduzem o movimento de reconhecimento
são os impulsos incontroláveis do “Eu” que se expressam prontamente quando
encontram a concordância do outro generalizado. Ao estarem decididos pela
não legitimação das normas, a desafiam (necessidade psíquica) e passam a se
dedicar pela ampliação de reconhecimento jurídico, sendo este um padrão de
reconhecimento amplo, universal, direcionado a toda a comunidade. Esse
“enriquecimento” da comunidade, diz, Honneth na esteira de Mead, é o que se
pode chamar de luta por reconhecimento”
26
.
Axel Honneth salienta que, ao contrário do que os modelos utilitaristas
dizem para explicar os movimentos sociais, a emersão destes deve ser
entendida a partir de uma semântica coletiva que torne possível a
interpretação das experiências individuais de injustiça, a partir de um círculo
intersubjetivo de sujeitos que experimentam da mesma patologia social (não
apenas como uma vivência isolada de um indivíduo).

26
SOUSA, Bruno Stigert, em sua dissertação citando - HONNETH, Axel. Luta por Reconhecimento... p.
145.

17

Um fator importante a ser ressaltado é que, quanto maior a influência
da luta de reconhecimento de um determinado grupo para que haja mudança
na postura social, maior será a criação de um tipo de interpretação
subcultural, que ressaltará a relação entre sentimento individual de injustiça
e luta generalizada por reconhecimento, além de resultar na formação de
diversos tipos de sociedades, cada uma com suas características peculiares
que se amoldam de acordo com os objetivos que os atores sociais buscam a
partir da luta coletiva por reconhecimento. Honneth procura esclarecer que,
acompanhando os acontecimentos históricos, existe, com o passar dos anos,
um processo de desenvolvimento moral, sendo que o modelo de luta por
reconhecimento deve tornar efetivos dois objetivos, quais sejam, de ajudar na
interpretação e na compreensão da origem das lutas sociais e de permitir o
processo de desenvolvimento moral.

7 – Conclusão:
Em que pese tais considerações, seria possível mensurar se houve uma
“involução” ou uma “evolução” da sociedade, além da constatação de qual o
atual desenvolvimento dela. O início do processo de formação moral é
mensurado a partir de um momento histórico em que o modelo de
reconhecimento amor/direito/solidariedade (modelo tripartite) ainda não
tenha se distinguido, para que se possa verificar o que cada esfera de
reconhecimento carrega internamente e qual a valoração e importância
atribuídas a elas ao longo do tempo. É de extrema importância que cada uma
seja bem desenvolvida, não permitindo que a sociedade evolua tendo por base
relações patológicas que dificultarão a intersubjetividade saudável entre os
indivíduos pertencentes a esta comunidade. Por derradeiro, deve-se ressaltar
que, quando os indivíduos se unem com a finalidade de encontrar o
reconhecimento silenciosamente perdido pela sociedade, volta-se a ter um
pouco deste, tendo em vista que representaria mais um progresso social em
busca do tão sonhado (e, porque não, necessário) reconhecimento.




18

Bibliografia:

● SOUSA, Bruno Stigert de. Dissertação de Mestrado - "O
Constitucionalismo Solidário: responsabilidade, democracia e inclusão",
defendida em 26/08/2010 conforme quadro publicado pela UERJ, no
endereço:http://www.direitouerj.org.br/2005/download/outros/Defesa_Dissert
acoes_mestrado_2010.pdf, pesquisado no dia 28/02/11;

● VALENTE, Júlia Leite e DE CAUX, Luiz Philipe. Texto: O que é a
Teoria do Reconhecimento?
Endereço na internet: http://www.polos.ufmg.br/arquivos/downloads/texto-
o-que-e-a-teoria-do-reconhecimento, pesquisado no dia 06/12/2010.

● NADER, Paulo. Introdução ao estudo do direito/ Paulo Nader – Rio de
Janeiro; Forense, 2008, p. 27.

● SAAVEDRA, Giovani Agostini e SOBOTTKA, Emil Albert; Texto:
“Introdução à teoria do reconhecimento de Axel Honneth”.
Endereço na internet: http://redalyc.uaemex.mx/pdf/742/74211531002.pdf,
pesquisado no dia 06/12/2010.

● ASSY, Bethânia e FERES JÚNIOR, João. Reconhecimento. In:
BARRETO, Vicente Paulo (coord.). Dicionário de filosofia do direito. São
Leopoldo: Unisinos – Rio de Janeiro: Renovar, 2006.

● TAYLOR, Charles. The politics of recognition. In: GUTMANN, Amy
(Ed.). Multiculturalism: Examining the politics of recognition. Princeton
University Press, 1994 – tradução de Júlia Leite Valente e Luiz Philipe de
Caux.

● MENDONÇA, Ricardo Fabrino. Dimensão intersubjetiva da auto-
realização em defesa da teoria do reconhecimento. Ver. bras. Ci. Soc. Vol. 24,
nº 70. São Paulo: Junho de 2009.

● HONNETH, Axel. Kampf um Anerkennung: Zur moralischen
Grammatik sozialer Konflikte. Frankfurt am Mais: Suhrkamp, 2003.

● HONNETH, Axel. Luta por Reconhecimento: a gramática moral dos
conflitos sociais.

●SOUZA, Jessé. Uma teoria crítica do reconhecimento, Lua Nova, nº 50,
2000.