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MANUAL TÉCNICO

GesTãO de ResídUOs sóLIdOs eM CANTeIROs de ObRAs

Raquel Naves blumenschein

2007 SEBRAE/DF - Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Distrito Federal

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode der fotocopiada, gravada, reproduzida ou transmitida sob qualquer meio eletrônico ou mecânico sem o prévio consentimento do autor.

Estudo realizado por SEBRAE-DF:

SIA Trecho 3, lote 1.580 - CEP 71200-030 - Brasília, DF. Telefone (61) 3362-1600 Internet: www.df.sebrae.com.br E-mail: webmaster@df.sebrae.com.br

CONSELHO DELIBERATIVO DO SEBRAE/DF

Banco de Brasília S/A - BRB, Banco do Brasil S/A - BB, Caixa Econômica Federal - CAIXA, Companhia de Planejamento do Distrito Federal - CODEPLAN, Federação das Associações Comerciais e Industriais do Distrito Federal - FACI-DF, Federação das Indústrias de Distrito Federal - FIBRA, Federação do Comércio do Distrito Federal - FECOMÉRCIO, Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e Turismo do Distrio Federal - SDET, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - SEBRAE/NA, Federação da Agricultura e Pecuária do Distrito Federal - FAPE/DF e Universidade de Brasília - UnB

FICHA TÉCNICA

Presidente do Conselho Deliberativo Antônio Rocha da Silva

Diretoria Executiva Flávio Resende Queiroga Maria Eulalia Franco José Carlos Moreira De Luca

Coordenação Unidade de Atendimento Coletivo - Indústria Gerente: Aluizio Carlos Vilela Projeto: Excelência das Empresas Coletoras de Resíduos Sólidos do DF Parceiros: Sebrae Nacional, a Universidade de Brasília por meio do Centro de Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília – CDT/UnB e o Lacis/FAU/CDS-UnB, o Sindicato da Indústria da Construção Civil – Sinduscon-DF, a Associação das Empresas Coletoras de Entulho e Similares do Distrito Federal - Ascoles, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAI DF, a Associação Brasileira de Cimento Portland Regional Centro-Oeste - ABCP, a Cooperativa Ambiental dos Coletores e Recicladores de Resíduos Sólidos do Distrito Federal – Coopercoleta Ambiental. Gestor do Projeto: Daniel Hudson Senna Barreto

Colaboradores: Rosa Maria Sposto e Maria Vitória Ferrari Tomé Revisão: Elisabeth Fernandes Capa, projeto gráfico e editoração: Anderson Araújo

B658m

BLUMENSCHEIN, Raquel Naves Manual técnico: Gestão de Resíduos Sólidos em Canteiros de Obras. Brasília: SEBRAE/DF. 2007. 48 p.

1. Gestão ambiental – 2. Gestão de resíduos – 3. Resíduos sólidos – 4. Resíduos urbanos – 5. Reciclagem – 6. Can- teiros de obras – 7. SEBRAE/DF – I. Título

CDU 504.05

Gestão de Resíduos sólidos em CanteiRos de obRas

1

a gestão de RsCd

4

2

a geração de RsCd

7

3

a gestão de RsCd em canteiros de obras

9

3.1 Redução dos RsCd

10

3.2 Reutilização de RsCd

11

3.3 Reciclagem de RsCd

11

3.3.1 Composição dos RsC

13

3.3.2 aplicação dos agregados reciclados

14

3.3.3 Consolidando a reciclagem

15

4

Preparação para o PGRsC

16

4.1 Conscientização da mais alta hierarquia da empresa

16

4.2 Conhecimento da legislação sobre o tema

16

4.3 Definição de um grupo de coordenação

18

5

Plano de redução de resíduos

19

5.1 Planejamento

19

5.2 Projeto

19

5.3 Construção

20

5.4 manutenção

21

6

Plano de Reutilização

23

7

Plano de gestão de resíduos sólidos nos canteiros de obras

24

7.1 Preparação do canteiro de obra

24

7.2 Preparação dos trabalhadores no canteiro de obra

29

7.2.1 apresentação do PGRsC no canteiro de obra

29

7.2.2 a conscientização e treinamento dos trabalhadores

31

7.3 os procedimentos do PGRsC

32

8

monitorando a implantação no canteiro

36

9

Benefícios e dificuldades

37

10

Conclusões e recomendações

38

11 Referências

39

sumário

4

apresentação

Este Manual Técnico é resultado de pesquisas que vem sendo aplica- das pelo Laboratório do Ambiente Construído, Inclusão e Sustentabilidade da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e do Centro de Desenvolvimento Sus- tentável da Universidade de Brasília – Lacis/FAU/CDS-UnB em parceria com o Sebrae-DF e o Sinduscon-DF.

A elaboração deste manual está entre as metas de Extensão do Lacis como Projeto de Ação Contínua do Decanato de Extensão da Universidade de Brasília.

As informações contidas neste documento visam contribuir com a gestão de resíduos sólidos em canteiros de obras e fortalecem, no Distrito Fe- deral, projetos como:

I.

O Projeto de Excelência das Empresas Coletoras de Resíduos da Construção do DF que foi concebido e tem sido implantado sob

a

coordenação do Sebrae no Distrito Federal em parceria com, o

Sebrae Nacional, a Universidade de Brasília por meio do Centro de Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília

CDT/UnB e o Lacis/FAU/CDS-UnB, o Sindicato da Indústria

da Construção Civil – Sinduscon-DF, a Associação das Empresas

Coletoras de Entulho e Similares do Distrito Federal - Ascoles,

o

Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAI DF, a

Associação Brasileira de Cimento Portland Regional Centro-Oeste - ABCP, a Cooperativa Ambiental dos Coletores e Recicladores de Resíduos Sólidos do Distrito Federal – Coopercoleta Ambiental.

II.

O

Programa de Gestão de Resídous Sólidos em Canteiros de Obras

(PGRSC) que foi concebido e tem sido implantado sob a coordenação do Lacis/FAU/CDS/UnB em parceria com o Sindicato da Indústria da Construção do DF – Sinduscon-DF, o Sebrae-DF e a Câmara Brasileira da Indústria da Construção - CBIC;

Gestão de Resíduos sólidos em CanteiRos de obRas

introdução

O gerenciamento dos resíduos sólidos de construção nos canteiros

de obras de pequeno, médio e grande portes, é indispensável para a qualidade da gestão ambiental nos centros urbanos. Uma gestão adequada dos resíduos popularmente chamados de “entulho” reduz custos sociais, financeiros e ambi- entais. Os “entulhos” são as sobras das construções, ou seja, de processos cons- trutivos, e de demolições, e devem ser gerenciados do projeto à sua destinação final, para que impactos ambientais sejam evitados.

Estudos demonstram que 40% a 70% da massa dos resíduos urbanos são gerados em canteiros de obras, conforme observado por alguns pesquisa- dores como Hendriks (2000) e Pinto (1999). Pode-se dizer que 50% do entulho são dispostos irregularmente na maioria dos centros urbanos brasileiros de médio e grande porte.

A destinação inadequada de resíduos oriundos do processo construtivo gera problemas como o esgotamento de aterros sanitários (esses resíduos che- gam a mais de 50% do volume de resíduos depositados em aterros), a obstrução do sistema de drenagem urbana, a proliferação de insetos e roedores. Provoca, ainda, a contaminação de águas subterrâneas pela penetração através do solo

de metais de alta toxidade e de chorume, o desperdício de materiais recicláveis,

e o conseqüente prejuízo aos municípios e à saúde pública.

Com a aprovação da Resolução 307 do Conama de 05/07/2002 que dispõe sobre o gerenciamento de resíduos de construção e demolição, aos pou- cos se percebe um avanço na busca da minimização dos impactos causados pelos resíduos sólidos gerados em canteiros de obras. De acordo com a 307 os geradores de resíduos são responsáveis pela gestão dos resíduos, certificando- se de que sejam quantificados, armazenados, transportados e encaminhados para locais onde possam ser aproveitados ou depositados corretamente.

Considerando que em torno de 80% de uma caçamba é totalmente recic- lável e é matéria prima para processos produtivos, destaca-se a responsabilidade dos geradores no fortalecimento do processo de reciclagem desses resíduos, o que significa assegurar a qualidade da segregação, ou seja, que os resíduos sejam sepa- rados seletivamente de acordo com a classificação da Re-solução 307 do Conama.

O objetivo deste manual técnico é fornecer informações sobre a gestão

adequada dos resíduos sólidos gerados nos canteiros de obras às empresas construtoras de pequeno, médio e grande portes, e aos responsáveis por obras, como engenheiros e arquitetos, fortalecendo o atendimento à Resolução 307 do Conama de 05/07/2002.

O conteúdo está estruturado em dois blocos: o primeiro bloco compõe-

se de conceitos relevantes para compreensão do tema e fundamentam a elabo- ração e implantação de um plano de gestão de resíduos sólidos de construção,

o qual é apresentado no segundo bloco.

5

Gestão de Resíduos sólidos em CanteiRos de obRas

4

01 a gestão de RsCd

Os resíduos sólidos da construção e demolição (RSCD) são aqueles gerados nos canteiros de obras. São popularmente chamados de “entulho” e provenientes de construções novas, reformas, reparos, demolições ou resul- tantes da preparação e da escavação de terrenos.

Normalmente podem incluir, entre outros: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e com- pensados, forros, argamassa, gesso, gesso acartonado, telhas, pavimento as- fáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica, sacos de cimento, sacos de argamassa, caixas de papelão.

Os resíduos gerados em canteiros de obra são as sobras do processo construtivo que é definido como o processo de produção de um dado edifício, desde a tomada de decisão até a sua ocupação.

Os RSCD criam sérios problemas hoje enfrentados pelas cidades. A

baixa cobertura de serviços de coleta e a situação precária das áreas destina- das à disposição final tornam urgente a implantação de políticas que diminuam

o volume dos resíduos sólidos produzidos pela indústria da Construção. Ao

mesmo tempo, faz-se necessária, a busca de soluções para o problema da dis- posição, como o fortalecimento do processo de reciclagem e a reutilização de produtos. O mau gerenciamento desses resíduos contribui para o acelerado esgotamento das áreas de disposição final do lixo urbano, os custos adicionais de governos e o desperdício de recursos naturais não renováveis.

A minimização dos impactos causados pelos RSCD requer um sistema

de gestão que integre diversos fatores, entre eles, sua forma de geração, acondi- cionamento, sistemas de coleta e de disposição, utilização e destinação final e

a quantificação destes resíduos (CHERMONT, 1996). A integração desses fa-

tores implica ainda a integração de agentes (setor produtivo, setor público, pes- quisa e terceiro setor), instrumentos (legais, econômicos e técnicos) e ações (planejamento, operação e normatização técnica).

Os RSCD são gerados nos canteiros de obras, acondicionados em ca- çambas, coletados por empresas transportadoras de entulho ou por indivíduos que utilizam carroças ou veículos de pequeno porte, que os destinam para áreas definidas pelo poder público. Normalmente são os aterros sanitários ou áreas que precisam de aterramento.

Os custos envolvidos no transporte, as distâncias entre as áreas de recebimento e os centros urbanos, a falta de conscientização sobre os impactos

causados no meio ambiente, a falta e a dificuldade de fiscalização potencializam

a clandestinidade. Quando os resíduos são dispostos irregularmente o poder

público se encarrega de coletá-los e enviá-los a áreas licenciadas. A disposição clandestina compromete a saúde do cidadão, a drenagem urbana e a estabili- dade das encostas e degrada a paisagem urbana.

Gestão de Resíduos sólidos em CanteiRos de obRas

Um Sistema Integrado de Gerenciamento de RSC envolve questões complexas, particularmente, no processo de produção da cadeia principal da cadeia produtiva da indústria da construção, ou seja, no processo construtivo.

Primeiro, a necessidade de assegurar o cumprimento de legislações específicas, que definem e organizam as responsabilidades relativas à geração, coleta, transporte, acondicionamento e disposição final. A Resolução 307 do Conama define como responsabilidade do Município a elaboração do Plano Municipal de Gestão de Resíduos da Construção e como responsabilidade dos geradores o Projeto de Gestão de Resíduos.

Segundo, há dificuldades inerentes ao processo construtivo, que en- volve e depende de um grande número de atores, conferem ao processo de produção características físicas e organizacionais peculiares. Essas característi- cas potencializam a geração de resíduos (demonstrado pelo nível de perdas e desperdícios) e pela cultura vigente a qual não se preocupa com a gestão de resíduos sólidos, seu destino, tampouco com a sua reutilização.

Terceiro, as dificuldades e complexidades inerentes à implantação de um Sistema Integrado de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, requerem a in- tegração de diversos fatores, entre eles: formas de geração e disposição, atores, instrumentos, ações e recursos. A falta de dados como: tipologia e quantidade de resíduos gerados, caracterização dos resíduos por regiões urbanas, identifi- cação de agentes recicladores, entre outros, é mais um desafio a ser superado pelos responsáveis pela gestão de RSCD.

O quadro 01 resume as principais responsabilidades e agentes rele- vantes à gestão dos resíduos oriundos de processos construtivos.

5

Gestão de Resíduos sólidos em CanteiRos de obRas

6

Quadro 1

Principais responsabilidades na gestão dos RSCD

Fonte: Adaptado de Blumenschein, R.,

2004

Agente

Responsabilidades

Estado

Introdução de instrumentos de regulamentação direta e econômica visando à regulamentação do gerenciamento da coleta; Transporte e fiscalização de disposição; Estabelecimento de padrões de fiscalização e a utilização de entulho para aterramentos; Busca do fortalecimento das atividades recicladoras; Estabelecimento de metas para redução do uso de recursos naturais escassos; Incentivos ao uso de resíduos oriundos de construção e demolição; Proibição da extração de areia e cascalho; Fortalecimento da produção de agregados reciclados; Estabelecimento de áreas legais de disposição de resíduos sólidos.

Geradores

Redução das perdas e da geração de resíduos através da adoção de métodos construtivos mais racionais; Gerenciamento de resíduos sólidos durante o processo construtivo; Conscientização da necessidade de utilizar materiais reciclados, de viabilizar as atividades de reciclagem, e de assegurar a qualidade dos resíduos segregados; Investimento em Pesquisa e Desenvolvimento.

Clientes,

Estabelecimento de critérios de especificação que visem à utilização de materiais reciclados e adoção de princípios de sustentabilidade; Exigir a adoção de sistema gestão de resíduos em canteiros de obras; Definição de critérios de racionalização e padronização na definição dos métodos construtivos visando a produzir edifícios flexíveis e de fácil demolição.

empreendedores,

arquitetos,

engenheiros e

consultores.

Transportadores

Exigir o exercício da atividade de transportar de maneira consciente e responsável, levando os resíduos às áreas destinadas oficialmente pelo município; Conscientização de seus motoristas sobre os impactos causados por resíduos dispostos irregularmente; Contribuição para os programas de controle e fiscalização do volume e características do resíduo produzido.

Processadores dos

 

resíduos

Assegurar a qualidade dos agregados reciclados.

Universidades e Instituto de Pesquisa

Implementação de laboratórios, desenvolvimento de pesquisa aplicada, assessoria parlamentar, cursos, consultoria, integração de agentes, entre outros.

Gestão de Resíduos sólidos em CanteiRos de obRas

barreira Cultural

a geração de RsCd

O processo construtivo relaciona-se diretamente ao planejamento,

gerenciamento, projeto, construção e comercialização de um dado edifício. É

o processo pelo qual materiais e componentes - terra, energia e combustível,

água, máquinas, ferramentas e mão-de-obra - são agrupados e organizados para

a produção de um determinado produto: edifícios de variadas funções (residen-

cial, comercial, industrial, hospitalar, educacional entre outros), e/ou obras de infra-estrutura (saneamento, hidroelétrica, abastecimento de água etc.).

O produto final do processo de produção de um edifício envolve

grande número de diferentes organizações, com papéis definidos em sua e- xecução: proprietários de terra e/ou imóvel, empreendedores, construtores, planejadores, financiadores, arquitetos, engenheiros, consultores especiais, mão-de-obra, fornecedores e usuários. Apesar de compartilhar o objetivo de produzir um edifício ou uma obra de infra-estrutura, são organizações inde- pendentes, com culturas, procedimentos e objetivos específicos. O sucesso e a qualidade deste processo estão diretamente ligados a esta estrutura, pois são dependentes das relações estabelecidas entre os vários participantes.

Os atrasos, os altos custos e os desperdícios que potencializam as per- das e a geração dos resíduos, são resultados, principalmente, da comunicação falha entre os seus participantes: informação ineficiente e incompleta dos docu- mentos técnicos; falta de planejamento, coordenação e monitoramento de de-

cisões entre os projetos técnicos; falta de compatibilização dos projetos e da lin- guagem técnica independente, entre os diferentes projetos. Essas são caracte- rísticas de um processo de produção linear, tradicional como esquematizado na figura 1. As fases trabalham desintegradas umas das outras, o que não permite

a troca de informação para compatibilizar a informação técnica e as correções necessárias antes de se iniciar a edificação, evitando erros e retrabalhos.

de se iniciar a edificação, evitando erros e retrabalhos. Programa de Projeto de Projetos necessidades arquitetura
Programa de Projeto de Projetos necessidades arquitetura Complementares
Programa de
Projeto de
Projetos
necessidades
arquitetura
Complementares
Construção utilização
Construção
utilização
arquitetura Complementares Construção utilização Feedback inexistente 02 F igura 1 Processo Construtivo

Feedback inexistente

02

Figura 1

Processo Construtivo

Tradicional.

Fonte: Blumenschein

R., 2004

7

Gestão de Resíduos sólidos em CanteiRos de obRas

8

Além disso, as características físicas de um processo de produção complexo como é o construtivo exigem que o recebimento, o armazenamento e a aplicação dos materiais respeitem planejamentos e procedimentos técnicos. Problemas que se evidenciam no Brasil, principalmente, em processos con- strutivos de pequeno porte como construção de pequenos edifícios, reformas e autoconstruções, são construções executadas por empresas que não possuem certificação do PBQP-H ou sistema de qualidade de acordo com os requisitos da ISO-9001. A falta de qualidade nos processos construtivos exacerba a gera- ção de resíduos.

Alguns estudos desenvolvidos em programas de pós-graduação em

diferentes universidades no Brasil e por alguns Sindicatos da Indústria da Con- strução classificam as perdas em seis grupos:

Perdas inevitáveis decorrentes de fatores climáticos

Perdas inerentes ao processo construtivo

Perdas agregadas resultantes de materiais aplicados para sanar in- correções de projetos ou incompatibilidade entre os mesmos.

Perdas de produtividade referentes ao uso indevido do tempo de tra- balho.

Perdas evitáveis decorrentes de desperdício.

Gestão de Resíduos sólidos em CanteiRos de obRas

a gestão de RsCd em canteiros de obras

A gestão responsável dos resíduos gerados em canteiros de obras re-

quer uma compreensão das complexidades do processo de construção de um edifício e as dificuldades em combinar as formas de disposição dos resíduos.

Entre as complexidades e os desafios do gerenciamento dos resíduos sólidos gerados em canteiros de obras cita-se:

O volume do resíduo produzido (que justifica todo o esforço para a redução de sua geração);

O número de participantes no processo construtivo (que torna o fluxo de informação falho) ;

O número de agentes do setor produtivo, setor público e terceiro setor que compartilham a responsabilidade pelo gerenciamento dos resíduos sólidos (quando o setor público não cumpre com a sua responsabilidade enfraquece as ações e os esforços do setor produtivo e do terceiro setor);

Os recursos escassos para financiamento de projetos de pesquisa de novos materiais produzidos pela reciclagem de resíduos;

Os recursos escassos dos municípios para atacarem os problemas de gestão ambiental;

O potencial de reciclagem (desperdiçado) dos resíduos sólidos ori- undos do processo construtivo (em torno de 80% dos resíduos de uma caçamba são recicláveis);

A necessidade e responsabilidade do setor público de instituir instru- mentos que controlem e estimulem a gestão dos resíduos gerados em canteiros de obras;

A responsabilidade e o compromisso do setor produtivo em atender às legislações referentes ao tema.

Esta complexidade requer uma combinação adequada das formas de

disposição. Em primeiro lugar a não geração do resíduo, ou seja, a redução da geração do resíduo na fonte. Segundo, uma vez que o resíduo foi gerado sua reutilização deve ser considerada. A terceira forma de disposição possível é

a reciclagem. A quarta alternativa é a recuperação de energia, ou seja, a in- cineração. E finalmente, a quinta forma de disposição é o aterro sanitário.

Considerando que a legislação pertinente, que proíbe a partir de julho de 2004

o encaminhamento dos resíduos sólidos da construção a aterros sanitários e

domiciliares, e considerando ainda, o potencial de reciclagem do resíduo da construção, o foco da gestão dos resíduos da construção deve ser na redução, na reutilização e na reciclagem dos resíduos gerados nos canteiros de obra.

O responsável por construções tem, portanto a responsabilidade, ao

elaborar seus projetos de gestão de resíduos, de incluir um Plano de Redução de Resíduos; um Plano de Reutilização de Resíduos e um Plano de Gestão de

Resíduos nos Canteiros de Obras. Este último depende e influencia diretamente

a qualidade do processo de reciclagem dos resíduos da construção.

03

9

Gestão de Resíduos sólidos em CanteiRos de obRas

10

Figura 2

Interdependência de decisões no processo construtivo

Fonte: Blumenschein

R., 2004

3.1 Redução dos RsCd

Para se compreender o mecanismo da geração de resíduos, é ne-

cessário que se analise o processo construtivo de edificações ou de obras de infra-estrutura que é constituído por cinco fases básicas:

Inicial (que inclui o planejamento e a análise de viabilidade do em- preendimento);

Elaboração de projeto;

Construção (execução);

Utilização (que implica na utilização da edificação e na realização de manutenção e reformas);

Demolição (em geral ocorre quando acaba a vida útil da edificação).

Ressalta-se que todos os participantes envolvidos nas diversas fases têm responsabilidades de prevenir e reduzir a geração de resíduos.

decisão de construir Reformar ou construir?
decisão de
construir
Reformar ou
construir?
resíduos. decisão de construir Reformar ou construir? Projeto Prevenção qualitativa e quantitativa
Projeto Prevenção qualitativa e quantitativa Compatibilização de projetos
Projeto
Prevenção
qualitativa e
quantitativa
Compatibilização
de projetos
demolição Construção Assegurar a qualidade do resíduo Qualidade do processo construtivo Asseguarar
demolição
Construção
Assegurar a
qualidade do
resíduo
Qualidade do
processo construtivo
Asseguarar
durabilidade
Gestão de materiais
e resíduos
manutenção
Aumento da vida
útil do edifício

O gráfico acima ilustra a interdependência das decisões tomadas em cada uma das fases do processo de projeto, produção, utilização e demolição de um edifício ou obra de infra-estrutura. A redução da geração do resíduo está diretamente ligada ao processo construtivo como um todo, em todas as fases, as quais, devidamente integradas, reduzem o nível de perdas, diminuindo a ge- ração de resíduos.

Gestão de Resíduos sólidos em CanteiRos de obRas

Entre os fatores que influenciam a geração de perdas, ressaltam-se, entre outros:

A escolha da tecnologia (que influenciará na maior ou menor gera- ção de perdas);

Falhas de projeto;

A não compatibilização de projetos;

A falta de procedimentos padronizados de serviços;

O armazenamento e transporte inadequados de materiais no canteiro.

3.2 Reutilização de RsCd

A reutilização dos resíduos e materiais pode ser considerada tanto na

fase de construção quanto na fase de demolição. A reutilização hoje se torna de fundamental importância tendo em vista a escassez de matéria-prima cada vez maior no planeta.

A reutilização de materiais, elementos e componentes depende do

projeto e de critérios norteadores na tomada de decisão sobre sistemas cons- trutivos e tecnologias construtivas. Na busca de mais racionalização, em fase de projeto procura-se especificar materiais e equipamentos com maior durabili- dade e maior número possível de utilizações. Quanto ao processo de demolição, quando este for imprescindível, seja pelo fim da vida útil total do edifício, ou por motivos de forças maiores como, por exemplo, na ocorrência de incêndio, ou outro fenômeno, deve-se ten- tar proceder ao desmonte mantendo as partes intactas e/ou separadas para fu- turas reutilizações, seja em novos edifícios, seja em reciclagem. Observa-se que este objetivo será mais facilmente alcançado quanto maior for a racionalização definida na fase de projeto (uso de elementos padronizados e pré-fabricados).

3.3 Reciclagem de RsCd

O conceito de reciclagem relaciona-se ao ciclo de utilização de um material ou componente que uma vez se tenha tornado velho, possa se tornar novo, prolongando a vida útil do material, completando, assim, o ciclo: ‘novo- velho-novo’. A nova utilização de um material ou componente implica uma série de operações, em geral de coleta, desmonte e tratamento, podendo voltar ao processo de produção. Este conceito se fundamenta na gerência ambiental, social econômica de recursos naturais, visando à gerência do ciclo de vida de materiais. Baseia- se, portanto, em um dos pilares da política ambiental, conhecida como gerência de cadeia integrada, incluindo a gerência do ciclo de vida dos materiais de cons- trução, nas fases de produção, construção, demolição, reúso ou reciclagem e disposição.

11

Gestão de Resíduos sólidos em CanteiRos de obRas

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Figura 3

Processo construtivo como processo de reciclagem

Fonte: Adaptado de Hendriks (2000), Blumenschein R.,

2004.

A reciclagem se fundamenta em princípios de sustentabilidade, impli- cando a redução do uso de recursos naturais (fontes de energia e matéria-prima primária) e na manutenção da matéria-prima no processo de produção o maior tempo possível. Minimiza. desta forma a necessidade de que matérias-primas primárias sejam extraídas desnecessariamente, conforme esquematizado na figura 3.

materiais básicos Material de Construção Prevenção Construção Demolição separação Tratamento tratamento
materiais básicos
Material de Construção
Prevenção
Construção
Demolição
separação
Tratamento
tratamento
Material de Construção
mercado
Resíduo de
Alfalto
concreto triturado
Resíduo misto
Plástico
triturado
Resíduo de pedra
triturada
Madeira
Areia
Metal
Graduada
Produção de outros materiais

Gestão de Resíduos sólidos em CanteiRos de obRas

3.3.1 Composição dos RsC

Os resíduos sólidos provenientes de canteiros de construção dividem- se em resíduos minerais, papéis, madeira, vidros, metais, gessos, plásticos, en- tre outros. A resolução 307 do Conama, de 05/07/2002, em seu artigo terceiro caracteriza os RSCD em quatro classes:

Classe A – são os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agrega- dos, tais como: de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação. Exemplos: cacos de cerâmica, tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento, concreto, argamassa, entre outros.

Classe B – são os resíduos recicláveis para outras destinações, tais como: plástico, madeira, papel, papelão, metais, vidro e outros.

Classe C – são os resíduos em que não foram desenvolvidas tecno- logias ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua reciclagem, ou recuperação, tais como os produtos oriundos do gesso.

Classe D – são resíduos perigosos, oriundos do processo de cons- trução, tais como: tintas, solventes, óleos e outros, ou aqueles con- taminados oriundos de demolições, reformas e reparos de clínicas radiológicas, instalações industriais e outros.

Algumas estatísticas apontam porcentagens entre 60% a 80% de RSC passíveis de serem reciclados (resíduos classe A e resíduos classe B de acordo com a Resolução 307). Uma composição considerada resultante de caracte- rizações de diferentes estudos ilustrada no gráfico 1 (PINTO; FASIO; JOHN, FURNAS, 1999, 1996, 2000, 2003) confirma esta afirmação.

Argamassa Tijolos e Blocos 63% 29% Orgânicos 1% Outros 7%
Argamassa
Tijolos e Blocos
63%
29%
Orgânicos
1%
Outros
7%

gráFico 1

Composição dos RSC no Brasil

Fonte: Blumenschein,

R. 2004

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Gestão de Resíduos sólidos em CanteiRos de obRas

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3.3.2 aplicação dos agregados reciclados

Os resíduos sólidos provenientes de canteiros de obras, particular- mente os resíduos classe A e classe B, de acordo com a classificação da Reso- lução 307 do Conama, são os resíduos com possibilidades de serem absorvidos por processos de reciclagem. Os resíduos classe B, ou seja, papel, papelão, metal, plástico, entre ou- tros, podem ser absorvidos por processos de reciclagem por indústrias exter- nas a CPIC. Já os resíduos classe A (que se apresentam em maior quantidade)

podem ser absorvidos pela cadeia principal da CPIC. Estes, uma vez reciclados, podem ser utilizados na execução de bases e sub-bases de pavimentação, na confecção de blocos para vedação, entre outros.

A metodologia para identificação da aplicação dos RSC, aplicada espe-

cialmente aos resíduos classe A, vem respeitando alguns passos fundamentais (HENDRIKS, 2000; JOHN, 2000). Entre eles:

A caracterização dos resíduos com base em químicas, físicas e de microestrutura dos resíduos, visando inclusive a detectar possíveis riscos ambientais relacionados principalmente a metais tóxicos;

A caracterização dos resíduos permite identificar a relação entre fa- tores tecnológicos com a estrutura dos poros; e relação entre estru- tura dos poros e propriedades do material.

Com base na análise anterior parte-se para identificação das possíveis aplicações dos resíduos de acordo com as necessidades da aplicação especifi- cada. O processo de avaliação requer estudos de desempenho dos resíduos de acordo com a aplicação definida. Uma vez definidos a aplicação e o processo de produção do resíduo,

também se define a análise do seu ciclo de vida e, portanto, a avaliação de seus diferentes impactos ambientais. Esta análise inclui os impactos que podem ser identificados durante o processamento, a aplicação e pós-aplicação, conside- rando possíveis riscos ao solo, lençóis freáticos, ar e (dependendo do processo de aplicação) também aos usuários.

importante ressaltar que a qualidade do agregado reciclado de-

pende da qualidade dos resíduos a serem processados (HENDRIKS, 2000). As- sim, quanto melhor forem selecionados os resíduos, maiores serão as chances de produzir um agregado de qualidade. Os resíduos classe A, por exemplo, uma vez processados podem produzir agregados com potencial de substitui- ção do cascalho, brita e areia. Por isso não devem estar misturados a resíduos orgânicos, gesso e outras substâncias que possam influenciar suas proprie- dades, afetando seu desempenho como agregado.

É

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3.3.3 Consolidando a reciclagem

Além dos fatores técnicos relacionados à aplicação dos resíduos, a consolidação de um sistema de reciclagem depende de fatores como a densi- dade populacional, obtenção de agregados naturais e o nível de industrialização (IBAM, 2001). Além disto, devem ser consideradas as condições de recebi- mento e comercialização que dependem do estudo de viabilidade econômica do processo de reciclagem. O primeiro fator refere-se à capacidade da região ou município de alimentar um processo de reciclagem de acordo com o volume de resíduos

produzidos pela indústria da construção local, a qual deverá alimentar os agen- tes recicladores com matéria-prima. Em outras palavras a capacidade local de ofertar resíduos de qualidade não implica estímulo à geração de resíduo, mas apenas, o diagnóstico do volume de resíduo gerado para estudo de viabilidade de instalação de um processo de reciclagem.

O segundo fator diz respeito às dificuldades da região ou do município

de produzir agregados naturais como a areia, o cascalho e a brita. Esta dificul- dade tende a estimular a busca de alternativas. A dificuldade de acesso a jazidas naturais pode justificar investimentos em tecnologia de reciclagem.

O terceiro fator está diretamente ligado à conscientização da socie-

dade sobre a importância e as vantagens da reciclagem. O estudo de viabilidade econômica para consolidação de um sistema de reciclagem deve considerar fatores relacionados a condições de recebimento dos resíduos e aspectos da comercialização, entre eles:

Localização das áreas legalizadas, visto que as distâncias interferem no custo do transporte, que por sua vez influencia no custo do agregado;

Quantidades a serem recebidas pelas áreas de recebimento (o que depende da localização dessas áreas na malha urbana);

Origens dos resíduos (que requer sistema de controle e fiscalização que deve ser compartilhado com o município);

A qualidade dos resíduos (que depende do gerador e a implantação de projetos de gestão de resíduos nos canteiros de obras, assim como de técnicas de demolição que assegurem a qualidade do re- síduo);

Qualidade do acondicionamento e transporte do resíduo;

Disponibilidade de matéria-prima natural, qualidade e preços;

Qualidade, quantidade e custo de produção dos agregados reciclados.

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04 Preparação para o PGRsC

Com base nos conceitos e princípios apresentados neste manual, serão identificadas as etapas a serem cumpridas no processo de elaboração e implantação do Plano de Gestão de Resíduos Sólidos de Construção (PGRSC) por empresas construtoras e/ou por responsáveis por canteiros de obras.

Para que se obtenha sucesso no processo de elaboração e implantação do PGRSC é importante que a empresa se prepare. Esta preparação envolve

a conscientização e o comprometimento da mais alta hierarquia da empresa,

o conhecimento da legislação federal, estadual e municipal referente à gestão de resíduos da construção e a definição de um grupo de coordenação do seu processo de elaboração e implantação.

4.1 Conscientização da mais alta hierarquia da empresa

O primeiro passo para a elaboração e implantação do PGRSC é consci-

entização da mais alta hierarquia da empresa da sua importância e benefícios para o seu capital reputacional. Esta conscientização naturalmente levará ao comprometimento com a realização de um processo eficiente e Plano.

A presença desta alta hierarquia, por exemplo, na apresentação da in-

tenção de elaborar e implantar o PGRSC, e no momento de apresentar o plano já elaborado para os profissionais que irão implantá-lo, fortalece o processo e assegura os resultados positivos esperados. A sua participação e de seus re- presentantes nos momentos-chave do processo de elaboração e implantação demonstra o comprometimento da empresa e suas expectativas com relação aos resultados. Desta forma, os colaboradores que estarão no canteiro com a responsabilidade de realizar as ações necessárias poderão ser mais facilmente envolvidos e conscientizados sobre suas responsabilidades.

A conscientização da alta hierarquia pode ser feita a partir de um de

seus integrantes, ou a partir de um participante da empresa ou externo a ela, que lhe apresente os conceitos contidos neste Manual, os impactos causados no meio ambiente pela gestão inadequada dos “entulhos”, a legislação perti- nente e as diretrizes para a elaboração de um PGRSC.

4.2 Conhecimento da legislação sobre o tema

A gestão ambiental brasileira está em processo de aprovação de uma

política federal para a questão dos resíduos sólidos que propõe uma abordagem geral e estruturada. Em setembro de 2007 foi apresentada pelo Governo Fe- deral a proposta da Política Nacional de Resíduos Sólidos e Política Nacional de Saneamento Básico, que tramitam no Congresso. A proposta dessas políticas, entre outros objetivos, visa a potencializar a reciclagem e o controle de geração de resíduos e inclui mecanismos que interferem no mercado, como a utilização de instrumentos econômicos no gerenciamento de resíduos sólidos.

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Dentre os instrumentos legais que tentam proteger os espaços urba- nos dos impactos causados pelos resíduos sólidos, podem ser citados o Esta- tuto da Cidade, a Agenda 21 das Cidades, a Agenda 21 dos Recursos Naturais e os códigos de obras e a Resolução 307 do Conama.

O Estatuto da Cidade, em sua sexta diretriz, determina “ordenação e

controle do uso do solo, de forma a evitar (entre outras) a poluição e a degrada- ção ambiental” (Lei n. 10257, de 10 de julho de 2001:34), o que significa que a lei visa a mediar conflitos entre usos e ocupações incompatíveis na cidade.

Entre as estratégias definidas pela agenda 21 das Cidades Susten- táveis há a preocupação de “promover mudanças nos padrões de produção e de consumo da cidade, reduzindo custos e desperdícios e fomentando o de- senvolvimento de tecnologias urbanas sustentáveis” (Agenda 21 das Cidades:

15) implicando na redução e desperdícios de matérias-primas, assim como, na gestão adequada de resíduos.

A Agenda 21 de Gestão de Recursos Naturais enfatiza, entre outras

ações, a proteção do uso do solo tanto na extração de matérias-primas da cons- trução, quanto na disposição de tóxicos e poluentes em sua superfície.

A questão tem sido tratada, no contexto do setor produtivo, no sentido

de levar as empresas construtoras a considerarem o impacto causado pelos re- síduos sólidos produzidos durante a obra por meio do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade no Habitat, de 03/12/99 (PBQP-H). O PBQP-H foi lançado em 1990, pelo Governo Federal, visando a apoiar o esforço industrial na promoção qualidade e produtividade, permitindo a redução de desperdícios e custos na execução de obras e aumentando a competitividade. O programa foi adotado pela Caixa Econômica como requisito para liberação de financiamen- tos nos Estados que aderirem ao programa.

O PBQP-H definiu quatro níveis de qualidade técnica (A, B, C e D) a serem

seguidos pelas empresas de acordo com cronogramas acordados localmente.

Para as empresas que estiverem aplicando o nível A o PBQP-H incluiu em suas diretrizes: “consideração do impacto no meio ambiente dos resíduos sólidos e líquidos produzidos pela obra (entulhos, esgotos, águas servidas). Exige que se defina um destino adequado aos mesmos”, como parte do Plano de Qualidade a ser elaborado pelas construtoras. No entanto, a falta de áreas de disposição faz todo o processo parecer abstrato, pois, qual a razão de separar resíduos no canteiro se não há áreas específicas para recebê-los, tampouco um sistema que propicie seu processamento para futuras utilizações?

O Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), após discutir o

problema dos Resíduos Sólidos da Construção Civil, na sua Câmara Técnica Especializada de Controle Ambiental, emitiu a Resolução 307, em 05 de junho de 2002. A Resolução visa, principalmente, a organizar o problema referente à disposição dos RSCD. Seu principal instrumento, o PIGSC (Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos Sólidos), incorpora o Plano Municipal de Geren- ciamento de Resíduos Sólidos da Construção (PMRSC) e o Projeto de Geren- ciamento de Resíduos Sólidos (PGRS).

O primeiro visa a definir locais específicos para disposição dos re-

síduos com potencial para reciclagem e para os resíduos perigosos; sua elabo-

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ração e implantação são responsabilidade do Município.

O segundo deve ser elaborado pelos geradores de resíduos (empre- sas construtoras de pequeno, médio e grande porte, ou os responsáveis por canteiros de obras, como engenheiros ou arquitetos), estabelece responsabili- dades como segregação, quantificação, acondicionamento, coleta, transporte e a destinação; deve ser aprovado de acordo com o Plano Municipal.

Uma vez que a empresa tenha tomado a decisão de elaborar e implan- tar um PGRSC é importante que se faça o levantamento das legislações perti- nentes que complementam as legislações federais, tanto na esfera municipal, quanto na estadual.

4.3 Definição de um grupo de coordenação

Para a elaboração e implantação do PGRSC a empresa deve definir um grupo de trabalho e uma coordenação da Gestão de Resíduos Sólidos na Empresa. Conseqüentemente deverá identificar uma equipe operacional que auxiliará ao longo de todo o processo. Cabe à coordenação identificar as res- ponsabilidades e os papéis para cada membro do grupo.

Os profissionais que farão parte da coordenação e do grupo opera- cional devem acreditar e se comprometer com a sua implantação. A empresa deverá definir as responsabilidades com relação à elaboração e coordenação do PGRSC e deverá envolver gestores de obras, os responsáveis pela obra, os responsáveis por serviços, ou seja, engenheiros, mestres e encarregados. A participação na elaboração do PGRSC da equipe que deverá implantá-lo é indis- pensável para o sucesso de sua implantação.

Este grupo terá como responsabilidade a elaboração do PGRSC que engloba um Plano de Redução da Geração de Resíduos, um Plano de Reutiliza- ção de Resíduos e um Plano de Gestão de Resíduos nos Canteiros de Obras.

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Plano de redução de resíduos

O Plano de redução de resíduos deve considerar todas as fases do processo de produção de um edifício ou obra de infra-estrutura.

Todos os participantes do processo (planejamento, projeto, execução) devem estar conscientes de suas responsabilidades na redução da geração de resíduos.

5.1 Planejamento

Nesta fase deve ser considerada a qualidade do processo como um todo desde os projetos até sua construção. A qualidade do projeto e da cons- trução está diretamente ligada à qualidade da coordenação das equipes, que de- verá se certificar de que o fluxo de informação seja eficiente (tempo e qualidade de informação técnica) para integrar a equipe de projetistas e responsáveis pelo processo construtivo.

No momento do planejamento para a escolha da tecnologia a ser uti- lizada, deverá se buscar a menor geração de resíduos, meio da aplicação de critérios norteadores como racionalização padronização e otimização. Informa- ções sobre o ciclo de vida dos materiais a serem empregados nas diversas tec- nologias, desde a extração da matéria-prima até o seu potencial de reciclagem, concluida a sua vida útil, devem ser consideradas. Materiais que permitam sua reciclagem, finda a sua vida útil, devem priorizados.

A capacidade dos colaboradores no canteiro de usar a tecnologia pro- posta deve ser considerada, visto que a qualidade dos serviços oferecidos por esses colaboradores pode potencializar ou minimizar a geração de resíduos em canteiros de obras

No planejamento, decisões importantes podem ser tomadas como, por exemplo, quando o incorporador opta por deixar o acabamento de seus produtos (apartamentos, salas comerciais e outros) a escolha de seu cliente. Tal decisão evita “quebradeiras” desnecessárias e desperdício de materiais, que acabaram de ser aplicados e são retirados para atender “gostos” e necessidades específicas.

5.2 Projeto

Há dois tipos de projeto a serem considerados: do produto e da produção. Quanto ao projeto do produto, que engloba projetos de arquitetura, instalações, estrutura e especiais, ressalta-se a necessidade de aplicar princípios de padronização e racionalização, devendo-se dar preferência à utilização de componentes padronizados e semi ou pré-fabricados. Os projetos deverão ser detalhados e compatibilizados entre si em todas as suas fases, visando a asse- gurar a qualidade e a racionalização do processo, tentando eliminar as casuali- dades das decisões no canteiro de obra. Como exemplo têm-se os projetos de alvenaria, projetos de revestimento, projetos de contra pisos e lajes, etc.

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Para o projeto da produção, são essenciais as questões como recebi- mento de material, incluindo forma de empacotamento e armazenamento no canteiro, transporte (vertical e horizontal) e fluxo de materiais no canteiro.

O arquiteto e os engenheiros projetistas têm uma grande responsabi- lidade ao conceber e desenvolver projetos. As tipologias de edificações carac- terizadas por formas mais compactas, a flexibilidade do projeto, a utilização de pré-fabricados de fácil montagem e desmontagem, com dimensões padroniza- das (que permitam a sua reutilização no futuro), e o uso de materiais e compo- nentes certificados e/ou produzidos a partir de resíduos reciclados podem ser apontadas como boas alternativas.

Quanto à flexibilidade dos projetos, ressalta-se que esta influenciará de fato o aproveitamento futuro da edificação e de suas partes, já que, freqüente- mente, o usuário quer ampliar melhorar ou até mesmo personificar a sua edifi- cação, visando a alcançar maior nível de satisfação. Desta forma, é preferível a utilização de um sistema construtivo que permita ampliações e outras modifica- ções (planejadas anteriormente, em fase do projeto), em vez de soluções fecha- das sem possibilidade de futuras intervenções ou, quando a única alternativa para a intervenção é a demolição.

5.3 Construção

Nesta fase é importante proceder ao controle da qualidade dos diver- sos serviços. Controle da padronização, do uso adequado de equipamentos para execução dos serviços, da utilização de colaboradores capacitados para cada serviço, da gestão adequada dos materiais no canteiro para que os crono- gramas sejam cumpridos, dentre outros, são fundamentais para que a execução seja realizada com qualidade, visando à otimização do produto final, que é a edificação.

Durante a construção a qualidade da execução dos trabalhos assegura a minimização de perdas e a durabilidade da edificação. Essas perdas serão in- corporadas ao edifício (por exemplo, espessuras muito grandes de argamassa de revestimento), ou então serão visíveis na forma de resíduos, ou entulhos. Os resíduos produzidos durante a fase de construção resultam das perdas do pro- cesso construtivo em suas etapas diversas, como planejamento, projeto, mate- riais, etc. A escolha adequada de tecnologias é fundamental no processo, já que influenciará na geração maior ou menor de perdas. Desta forma, por exemplo, pode-se citar que o uso de elementos pré-fabricados gera menor porcentagem de perdas que o uso do bloco cerâmico em alvenarias sem estudo de modula- ção.

Um outro exemplo é a prática de embutimento de instalações na alve- naria após a execução do emboço, por meio de corte, que sem planejamento e

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projeto prévios propicia maior geração de perdas.

Já a passagem de instalações no interior de blocos projetados especial-

mente para este fim, ou mesmo, o projeto detalhado de alvenaria, onde se pode projetar o trecho que será cortado diferentemente dos demais, proporcionará minimização das perdas. Visando à racionalização e à minimização de perdas e, conseqüentemente, à geração de resíduos no canteiro de obras, há neces- sidade de monitoramento e gerenciamento logístico, incluindo procedimentos formalizados para o controle da qualidade na entrega, no armazenamento, no transporte e na aplicação do material no canteiro.

Todo e qualquer trabalho em uma determinada empresa objetivando a melhoria da qualidade e as diminuições de perdas deve ser levado em conjunto com programas de qualidade. Estes programas na prática são implantados por meio da contratação de consultores, especialistas na área, os quais traçam pla- nos e medidas a serem tomadas para a redução de perdas no canteiro. Em geral, é realizado a partir de um diagnóstico dos focos de geração de resíduos no canteiro de obra e da identificação de suas causas: esta fase é compreendida como uma espécie de diagnóstico da qualidade no canteiro, visando a mapear os focos de resíduos e a identificação das suas causas.

O diagnóstico das perdas no canteiro de obras permite à empresa estabelecer indicadores que, ao longo do seu processo de produção, poderão subsidiar decisões para a escolha da melhor tecnologia, buscando minimizar a geração de resíduo. Após o diagnóstico e a identificação dos focos de perdas no canteiro, deve-se elaborar um plano para as medidas corretivas a serem im- plantadas pela empresa visando à melhoria do processo e à minimização das perdas.

5.4 manutenção

A redução de resíduos nesta fase está diretamente ligada à qualidade

da construção e da manutenção da edificação. Uma edificação deve ser pro- jetada e construída com base em princípios de qualidade e desempenho ade- quados, proporcionando a minimização de defeitos e a redução de gastos com a manutenção. O uso de materiais e componentes que aumentem a vida útil da edificação e de suas partes deve ser levado em conta, o que acarretará um gasto menor ao longo de sua vida útil.

Há dois tipos de manutenção, a preventiva e a corretiva, que evitam desgastes prematuros e preservam a vida útil da edificação. Um instrumento indispensável, que norteia as ações relevantes à manutenção, é o manual do usuário, o qual deve ser entregue junto com a edificação.

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Este manual preferencialmente deve focar em:

Critérios e diretrizes de uso, operação e manutenção;

Datas de vistorias e troca/manutenção de materiais e/ou equipamen- tos;

Critérios de uso de equipamentos;

Diretrizes para treinamento de usuários em posição de gerência. Este último ponto é particularmente relevante para gestores públicos.

A manutenção aumenta, portanto, a vida útil da edificação e depende

da conscientização por parte dos usuários (proprietários, ou não) sobre a res- ponsabilidade de cuidar da edificação visando ao prolongamento de sua durabi- lidade. Quando é finda a vida útil total do edifício, ocorre a demolição.

A demolição gera resíduos em grandes quantidades e a qualidade

desses influencia a qualidade da reciclagem. A qualidade dos resíduos da de- molição depende da tecnologia utilizada na construção da edificação, a qual per- mite que componentes e materiais sejam reutilizados quando demolidos e na

tecnologia de demolição, que deve se fundamentar nos princípios da primeira. Esta última assume procedimentos que assegurem que edifícios sejam des- montados, e não simplesmente “quebrados”.

Gestão de Resíduos sólidos em CanteiRos de obRas

Plano de Reutilização

O Plano de Reutilização deve ser implantado com responsabilidade e controle da qualidade da aplicação dos resíduos por parte das empresas cons- trutoras.

Em primeiro lugar, devem-se identificar os resíduos passíveis de reuti- lização desde que o controle de qualidade seja mantido. Podem ser citados al- guns exemplos nas fases de construção, como a utilização de sobras de madeira provenientes da construção de formas em equipamentos de armazenamento e transporte de materiais na obra, como palets, ou, ainda, restos de blocos cerâmi- cos, ou de concreto, para uso em encasque ou enchimento de contrapisos.

A especificação de materiais que possam ser utilizados mais de uma vez ao longo do processo construtivo também deve ser incentivada como, por exemplo, escoramento metálico, formas metálicas, entre outros, que têm maior durabilidade do que aqueles em madeira. Um fluxo de reutilização de materi- ais pode ser desenvolvido pela empresa visando a facilitar a identificação dos materiais passíveis de reutilização, tendo sempre como referência o critério da aplicação com qualidade.

Apesar do esforço empreendido por muitas construtoras para a mi- nimização de perdas, e do uso de materiais passíveis de reutilização, pode-se afirmar que sempre há a geração de resíduo. Mesmo que a empresa tenha implantado um sistema da qualidade e que tenha uma otimização nos seus pro- cessos, ainda haverá resíduo no canteiro, sendo necessário o estabelecimento de planos para sua reutilização e/ou fortalecimento de sua reciclagem.

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07 Plano de gestão de resíduos sólidos nos canteiros de obras

A introdução de um processo de reciclagem faz parte de um plane-

jamento maior que envolve o setor produtivo e o setor público. Cabe ao setor público estabelecer o modelo a ser implantado, e ao produtivo cumprir com a sua responsabilidade de acordo com as regras estabelecidas por esse modelo.

Um processo de reciclagem depende de diferentes fatores, incluindo

a qualidade do resíduo, a qual depende, por sua vez, de uma adequada segrega-

ção na fonte de sua geração. Envolve, portanto, um canteiro preparado, enge- nheiros, encarregados e colaboradores conscientes de suas responsabilidades,

e procedimentos que norteiem o processo de segregação dos resíduos, inclu- indo sua quantificação, armazenamento e correta destinação.

7.1 Preparação do canteiro de obras

O canteiro de obras deve ser planejado visando a atender às necessi-

dades de se estabelecer um sistema de gestão de resíduos, incluindo:

Áreas para armazenamento dos diferentes resíduos;

Áreas para disposição dos resíduos no canteiro até coleta e trans- porte;

Contâineres para armazenamento e acondicionamento dos resíduos, adequadamente instalados e sinalizados;

Instalação de filtros para a água da lavagem da betoneira.

O projeto inclui croquis com detalhamento de depósitos temporários

para resíduos, fluxo do transporte do resíduo no canteiro, descrição do armaze- namento e coleta adequados, incluindo equipamentos necessários.

É importante que se tenha uma boa identificação visual das áreas des-

tinadas ao armazenamento dos diferentes resíduos no canteiro.

a) Áreas para depósito temporário

Os depósitos temporários são espaços onde são colocados contâi- neres (improvisados na própria obra, ou adquiridos no mercado), destinados a receberem o resíduo temporariamente, no final de serviços, ou no final do dia. Uma vez ali depositados, os resíduos são encaminhados para armazenamento em local adequado na obra, até que se tenha um volume que justifique coleta por empresas coletoras, as quais o transportarão ao seu destino final, ou para reutilização.

Em cada pavimento, ou em locais que se façam necessários, devem ser colocados depósitos temporários para os resíduos que tendem a ser de pequeno volume, como, por exemplo, resíduos de instalações elétricas e hi- dráulicas, gesso acartonado, papelão, entre outros. A partir de certo volume

Gestão de Resíduos sólidos em CanteiRos de obRas

o resíduo é encaminhado para ser coletado e receber sua destinação final. Os

resíduos que tendem a ser gerados em maior volume, como por exemplo, os de classe A (restos de cerâmica, argamassa, blocos, concreto, etc.), devem ser encaminhados ao armazenamento no final do período em que foi gerado.

Em função do volume de resíduo gerado, dependendo da fase da obra

e da tecnologia empregada, devem-se dimensionar áreas ou baias apropriadas

a cada situação.

dimensionar áreas ou baias apropriadas a cada situação. b) Filtro para água da betoneira Para minimizar

b) Filtro para água da betoneira

Para minimizar o impacto da água oriunda da lavagem da betoneira no solo, ou na rede de esgoto, sugere-se a instalação de um filtro de decantação de simples construção. O filtro constitui-se de um buraco em torno de 1,50 m a 1,70 m de profundidade, com uma camada de brita de 50 cm a 70 cm no fundo. Na boca do buraco pode ser colocada uma peneira para coar a água antes de ser colocada no filtro.

A limpeza do filtro deve ser feita periodicamente e os seus resíduos são depositados em conjunto com os resíduos classe A, pois são resíduos de cimento.

Figura 04

Depósito temporário de resíduos

Fonte:

TCI Engenharia e Construções Ltda., Goiânia, 2003

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Figura 5

Construção do filtro da água oriunda da lavagem da betoneira

Fonte: Construtora Villela e Carvalho

– Distrito Federal,

2004

Figura 6

O filtro sendo utilizado

Fonte: Construtora Villela e Carvalho

– Distrito Federal,

2004

Fonte: Construtora Villela e Carvalho – Distrito Federal, 2004 Gestão de Resíduos sólidos em CanteiRos de
Fonte: Construtora Villela e Carvalho – Distrito Federal, 2004 Gestão de Resíduos sólidos em CanteiRos de

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c) Fluxo dos resíduos no canteiro

Os resíduos são transportados até depósitos temporários e até contâi- neres ou baias de armazenamento para coleta e/ou reutilização. É necessário certificar-se quanto à disponibilidade de carrinhos e caminhos adequados para circulação dentro do canteiro de obras, já previstos na fase de planejamento e gestão do canteiro.

Na definição do fluxo dos resíduos no canteiro devem-se evitar trans- tornos e interferências no desenvolvimento da obra, particularmente em can- teiros com áreas reduzidas.

d) Áreas de armazenamento dos resíduos

Os resíduos devem ser armazenados no canteiro até serem coletados por empresas coletoras e/ou agentes recicladores. Para as áreas de armaze- namento devem ser considerados os acessos para coleta, principalmente dos resíduos gerados em maior volume. Os resíduos classe A, e os resíduos classe B, como madeiras e metais (principalmente em obras que não utilizam estru- tura pré-cortada e montadas), são os resíduos que tendem a ocupar mais es- paço na obra.

Essas áreas de armazenamento devem ser instaladas com a preocupa- ção de evitar o acúmulo de água, não ser de fácil acesso às pessoas externas e permitir a quantificação adequada dos resíduos que serão coletados.

quantificação adequada dos resíduos que serão coletados. F igura 7 Container de Resíduos classe A –

Figura 7

Container de Resíduos classe A – restos de tijolos, argamassa e cimento.

Fonte: Construtora

Moreira Ortence,

Goiânia/Go, 2003.

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e) Áreas para coleta dos resíduos

A coleta deve ser feita a partir do momento que os contâineres de

armazenamento estiverem preenchidos, e poderá ser realizada por empresas coletoras e/ou agentes recicladores.

É importante ressaltar que o acesso às áreas para coleta deve estar

localizado em locais estratégicos que não perturbe o andamento da obra.

7.2 Preparação dos trabalhadores no canteiro de obra

Esta etapa inclui a sensibilização e conscientização dos colaboradores que estão executando as ações definidas no PGRSC. A sensibilização dos cola- boradores do canteiro de obra é o segundo passo para a implantação do PGRSC elaborado pela empresa construtora.

A sensibilização deve acontecer em dois momentos distintos: o primeiro, na apresentação do PGRSC no canteiro a ser implantado; e o segundo momento, ao longo da construção até a sua finalização.

7.2.1 apresentação do PGRsC no canteiro de obra

A apresentação do PGRSC no canteiro de obra deve envolver todos os

níveis hierárquicos da empresa, e deve ser feita em cada obra com a participa- ção de todos, desde a alta administração, ou os seus representantes (que são reconhecidos como representantes da alta hierarquia pelos colaboradores), e todos os colaboradores, incluindo encarregados, pedreiros, pintores, eletricis- tas, serventes, entre outros.

Para a apresentação do PGRSC sugere-se que os colaboradores de-

vam ser preparados para receber o novo conteúdo. Há várias maneiras de fazer a introdução deste novo conteúdo, entre outros:

Mostrar um vídeo no tema;

Contar (ou ler) uma história;

Usar um teatro de fantoches;

Uma palestra com PowerPoint;

Uma palestra com cartazes;

Apenas uma palestra;

Exposição de cartazes com uma abertura especial, como um café da manhã especial, ou lanche da tarde;

Realização de uma oficina, que permita apresentar o conteúdo e es- timule os colaboradores a produzir cartazes sobre o tema.

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O conteúdo a ser introduzido aos trabalhadores pode incluir:

A crise ambiental;

O impacto ambiental dos resíduos sólidos urbanos quando deposita- dos inadequadamente;

O volume dos resíduos sólidos oriundos de canteiros de obras;

Os impactos causados pelos resíduos sólidos oriundos de canteiros de obras, conseqüentemente a importância da redução das perdas;

A legislação pertinente;

A responsabilidade de cada um;

A composição dos resíduos e o seu potencial para reciclagem; O que se pode produzir com os agregados produzidos a partir da reciclagem dos resíduos;

O PGRSC proposto pela empresa.

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7.2.2 a conscientização e treinamento dos trabalhadores

Após a apresentação do PGRSC no canteiro de obras, a empresa de- verá definir uma campanha de conscientização e consolidação do conteúdo in- troduzido na sensibilização. Campanhas em que há oportunidades de participa- ção Têm maior probabilidade de sucesso.

Abaixo se identificam algumas sugestões para a campanha de consci- entização e treinamento:

Criar um mascote para estar presente no material de conscientiza- ção, com a participação dos trabalhadores na escolha;

Elaborar cartazes, contendo as classes dos resíduos segundo a Re- solução 307 do Conama de 05/07/2202;

Distribuição de cartilhas;

Mostra de vídeos (de 3 a 5 minutos) na hora do almoço, do café da manhã, ou treinamento de segurança e qualidade;

Propor uma premiação ou um concurso para o(s) trabalhador (es) que melhor atuar na implantação do PGRSC;

Propor um concurso de esculturas produzidas com resíduos, valori- zando os resíduos como material utilizável;

Estipular que a renda obtida com a venda dos resíduos segregados seja usada em benefício dos trabalhadores;

Distribuir camisetas (com o mascote, por exemplo) aos que sobres- saírem na implantação.

Durante a conscientização e o treinamento deverá ser enfatizada a cul- tura do canteiro limpo, onde aspectos de organização e limpeza influenciam na qualidade do ambiente, e a importância e responsabilidade de cada um na minimização de perdas e geração de resíduos. O treinamento com relação à coleta seletiva deverá deixar claro para os colaboradores, as diferentes classes dos resíduos (de acordo com a Resolução 307 do Conama) e quais resíduos pertencem a qual classe.

A campanha de conscientização e o treinamento dos colaboradores poderão envolver organizações especializadas em educação ambiental, car- tazes de conscientização, sinalização de disposição dos resíduos nos canteiros, e principalmente conversas periódicas, que deverão ser mais freqüentes no início da implantação e, posteriormente, semanais. É necessário ressaltar a im- portância de fortalecer a auto-estima dos participantes do projeto e a valoriza- ção do indivíduo, podendo para isto, por exemplo, ser considerado o retorno da arrecadação com a comercialização dos resíduos e sorteio de camisetas para os colaboradores no canteiro de obras.

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7.3 os procedimentos do PGRsC

No Plano de Gestão de Resíduos Sólidos no Canteiro de Obra devem estar definidos procedimentos com relação às responsabilidades referentes à segregação, limpeza, transporte interno, quantificação do resíduo gerado, ar- mazenamento, transporte e destinação final dos resíduos.

a) Responsabilidade

As responsabilidades com relação a cada atividade referente à gestão dos resíduos no canteiro de obra, devem estar claramente compreendidas e

aceitas entre os colaboradores como: a separação do resíduo após cada serviço,

o armazenamento, o acompanhamento da coleta, a quantificação, o registro da quantificação e a emissão de relatórios.

Com relação à segregação, os projetos pilotos demonstram mais re- sultados quando se assume o princípio de “quem gera o resíduo é responsável pela sua separação, limpeza e armazenamento (temporário ou para coleta)”. Pode-se também considerar que quem gera separa, mas quem limpa é uma equipe de limpeza específica, ficando a critério da empresa a definição da res- ponsabilidade. Esta questão envolve, particularmente, os terceirizados, cujo compromisso com a gestão dos seus resíduos deve estar registrado em cláu- sulas contratuais.

b) segregação dos resíduos

Os resíduos devem ser segregados na sua fonte de geração, ao tér- mino de um dia de trabalho ou ao término de um serviço, visando a assegurar

a qualidade do resíduo e potencializar a sua reciclagem. O objetivo é segregar

os resíduos de acordo com a classificação da Resolução 307, separando-os na classe A, B, C e D em depósitos distintos para futura utilização no canteiro, ou fora dele.

A segregação assegura a qualidade do resíduo, garantindo assim a

qualidade de seu processamento e futura aplicação como agregado reciclado. Enfatiza-se, novamente, a importância de se assegurar o comprometimento de terceirizados com a correta segregação dos resíduos em cláusulas contratuais.

É necessário enfatizar a importância de sinalizar sistematicamente os

locais, contâineres e baias de disposição e armazenamento de cada resíduo no canteiro, para facilitar a memorização, pelos colaboradores, dos resíduos e suas respectivas classes, formas de armazenamento e destinações.

Gestão de Resíduos sólidos em CanteiRos de obRas

c) armazenamento temporário dos resíduos segregados O resíduo deve ser encaminhado para depósito temporário ou

c) armazenamento temporário dos resíduos segregados

O resíduo deve ser encaminhado para depósito temporário ou arma- zenamento para coleta (dependendo do resíduo e do serviço em execução), no momento de sua geração, ou ao finalizar a tarefa do dia, ou ao finalizar um serviço.

O armazenamento temporário refere-se aos resíduos gerados em menor volume e que podem ficar em contâineres em posições estratégicas para posterior encaminhamento àqueles de coleta, ou área de coleta definitivos, ou seja, quando são retirados do canteiro.

d) Identificação e Quantificação

Todo o resíduo gerado na obra deve ser identificado e quantificado, de acordo com o tipo de depósito, baia ou container, que serão separados em classes A, B, C e D. A quantificação deve ser registrada em relatórios mensais, permitindo à empresa estabelecer controle e parâmetros da quantidade e tipo de resíduo gerado. Estes dados mais tarde poderão ser cruzados como, por exemplo, com a descrição da tecnologia utilizada e permitir comparações entre diferentes processos construtivos. Os dados também permitem que a empresa identifique o número de caçambas reduzidas, a partir do momento que há a coleta seletiva e escoamento dos resíduos recicláveis na porta do canteiro.

e) transporte interno

No transporte interno dos resíduos, ou seja, no canteiro de obras, deve-se considerar o uso de equipamentos que facilitem a vida do trabalhador. Ao final de um serviço, os resíduos deverão ser transportados até a área de

Figura 18/19

Segregação de resíduos de papel

Fonte: Vagon

Engenharia,

Brasília/DF, 2004

33

Gestão de Resíduos sólidos em CanteiRos de obRas

34

Figura 20

Transporte de resíduos no canteiro

armazenamento por carrinhos, ou verticalmente por condutores.

O profissional que tem a responsabilidade pelo transporte interno deve ser definido em cada empresa. Ressalta-se que os testes demonstram eficiência da aplicação do princípio de quem gera, transporta e armazena.

do princípio de quem gera, transporta e armazena. Os tubos para condução vertical dos resíduos, em

Os tubos para condução vertical dos resíduos, em obras verticais, são instrumentos eficientes para disposição rápida em contâineres estacionados estrategicamente para recebê-los, e uma vez cheios deverão ser coletados por transportadores de entulho.

f) armazenamento para coleta

Os resíduos deverão ser armazenados de maneira a permitir uma co-

leta rápida e sem conflitos com as atividades do canteiro. A coleta que pode vir

a causar maiores conflitos é aquela referente a dos resíduos classe B, madeira

e metal (este último em obras que não usam estruturas pré-cortadas e monta- das).

Os resíduos classe B, (papel, papelão, metal e madeira) que provavel- mente serão vendidos a agentes recicladores, deverão ter um espaço adequado, referente ao espaço a ser ocupado para armazenamento, visto que alguns agen- tes só coletam acima de uma determinada quantidade ou volume. Para o arma-

zenamento do papelão é importante que seja feita proteção da chuva, visto que

o resíduo seco é mais facilmente escoado. Como a maioria do papelão gerado

em canteiros de obra é oriunda de embalagens de materiais de revestimento, nesta etapa da obra é mais fácil alocar locais de armazenamento protegidos.

Gestão de Resíduos sólidos em CanteiRos de obRas

g) acondicionamento

Os contâineres de armazenamento deverão ser providos de fecha- mento para evitar entrada de insetos, ratos e outros vetores de doença.

Outro aspecto do armazenamento é a necessidade de se ter dispositi- vos de fechamento (tampa) para evitar a “contaminação dos resíduos”, princi- palmente dos resíduos classe A, de maior potencial para reciclagem. Ressalta- se que a contaminação é ocasionada pela indisciplina de se misturar resíduos, principalmente, orgânicos, gesso ou materiais perigosos, com resíduos classe A, o que poderia comprometer a qualidade do material processado e sua poste- rior aplicação.

Os resíduos deverão ser adequadamente acondicionados para o trans- porte. É de res-ponsabilidade do gerador certificar que, ao longo do transporte, não haverá perda do resíduo nas vias urbanas, sujando ou colocando em r.

h) transporte e destinação

O transporte dos resíduos deverá ser feito por empresas coletoras e

ou cooperativas, lembrando que os transportadores também são responsabili- zados pela destinação e gerenciamento dos resíduos.

O gerador (construtor) deverá assegurar que os resíduos sejam en-

caminhados a áreas destinadas pelo setor público, áreas de processamento, ou áreas de transbordo, ou aterros de inertes.

O transportador deverá ter documento que especifique a origem e

a destinação do resíduo, em se tratando principalmente de resíduos classe A,

para ser apresentado à fiscalização caso necessário. A empresa ou o respon- sável pela obra deve arquivar uma cópia do documento.

Com relação aos resíduos classe B, estes poderão ser encaminhados

a agentes recicladores por meio de venda, ou por meio de doações (principal-

mente cooperativas e/ou catadores). A venda dos resíduos permitirá que a ar- recadação possa ser retornada aos traba-lhadores, sendo um estímulo a mais para a implantação do projeto, conforme já comentado anteriormente. É ne- cessário, também neste caso, a empresa, ou o responsável pela obra guardar um recibo que declare a correta destinação do resíduo que está sendo retirado da obra.

35

Gestão de Resíduos sólidos em CanteiRos de obRas

36

08 monitorando a implantação no canteiro

O processo de monitoramento da qualidade da implantação pode ser facilitado se a empresa desenvolve uma lista de verificação de aspectos a serem observados pela equipe de coordenação. Esta lista de verificação também pode auxiliar na elaboração do Procedimento Operacional de Gestão de Resíduos em Canteiros de Obra, o qual pode ser integrado ao sistema de qualidade da empresa.

Abaixo se apresenta uma proposta para uma lista de verificação:

1. A preparação do canteiro inclui:

baias/container de resíduos classe B – papel container para sacos de cimento baias de resíduos classe B – madeira baias de resíduos classe B – plástico baias de resíduos classe B – metal

2. A conscientização dos colaboradores está sendo feita com:

baias de resíduos classe B - vidro caçamba de resíduos classe A caçamba de resíduos classe C caçamba de resíduos classe D caçamba de resíduos classe C e D – juntos

(

) palestra diária

( ) palestra mensal

(

) palestra semanal

( ) cartazes específicos para o programa

(

) palestra quinzenal

3.

Os incentivos à participação incluem:

(

) reversão da verba arrecadada com os RS para os trabalhadores

(

) concurso de frases sobre a campanha

(

) concurso de desenhos

(

) concurso de esculturas produzidas com resíduos do canteiro

(

) divulgação de depoimentos de trabalhadores

(

) criação de mascote escolhido por voto de todos

(

) outro (especificar).

4. Os espaços/baias para armazenamento dos RS estão adequadamente sinalizados?

5. A sinalização está adequada?

6. Os espaços/baias de armazenamento dos RS estão adequadamente instalados de

maneira a evitar o acúmulo de água?

7. Os espaços de armazenamento dos RS estão fora do canteiro?

8. Os espaços de armazenamento dos RS estão dentro do canteiro?

9. Se localizados fora do canteiro, o acesso dos pedestres aos RS está fácil?

10. A limpeza do canteiro (parte externa da edificação) está:

( ) excelente

11. A limpeza do canteiro (parte interna da edificação) está:

( ) excelente

12. A empresa instalou filtro para água da lavagem da betoneira?

13. A empresa apresentou planilha de quantificação dos resíduos?

14. A quantificação apresentada está adequada?

15. A empresa apresentou planilha de destinação dos resíduos com comprovantes de

controle?

16. A empresa está comercializando os resíduos segregados?

17. A empresa já elaborou o Procedimento Operacional referente à Gestão de RS em

canteiros de obra?

18. A segregação dos RS classe A está:

(

(

) boa

) boa

(

(

) ruim

) ruim

(

) excelente

(

) boa

(

) ruim

19.

A segregação dos RS classe B está:

 

(

) excelente

(

) boa

(

) ruim

Gestão de Resíduos sólidos em CanteiRos de obRas

Benefícios e dificuldades

Com base nos resultados alcançados no Programa de Gestão de Re- síduos Sólidos em Canteiros de Obras no Distrito Federal e Goiânia, identifi- cam-se a seguir alguns benefícios e algumas dificuldades de implantação de um Plano de Gestão de Resíduos em Canteiros de Obras:

a) benefícios

Melhoria no ambiente de trabalho;

Limpeza e organização do canteiro - Obras mais limpas;

Pessoal operacional mais educado;

Redução de acidentes na obra com melhores condições de saúde e segurança;

Imagem positiva da empresa no mercado;

Menor impacto ambiental e social que pode ser capitalizado em mar- keting;

Maior empenho da diretoria em buscar novas tecnologias;

Menor custo pela redução de desperdício;

Redução de RS depositados em aterros e meio ambiente – 60% a

80%;

Redução do número de caçambas – 50%;

Subsídio à empresa no atendimento às Normas 14000; PBQP-H nível

A e Resolução 307 do Conama.

b) Dificuldades

A falta de áreas específicas para recebimento dos resíduos classe A;

Espaços reduzidos em canteiros de obras;

Falta de agentes coletores na malha urbana com capacidade de cole- tar resíduos classe B;

Falta de preparo de agentes coletores e recicladores;

Falta de incentivos aos agentes coletores, envolvendo capacitação;

Falta de integração de agentes

A

não prioridade na agenda dos municípios para a destinação de

áreas e integração de agentes;

A dificuldade em envolver alguns agentes líderes nos canteiros de obras, sejam engenheiros, mestres e encarregados;

A dificuldade de envolver os trabalhadores terceirizados;

Canteiros muito grandes tendem a apresentar focos de resíduos

inadequados.

09

37

Gestão de Resíduos sólidos em CanteiRos de obRas

38

10 Conclusões e recomendações

Os problemas ambientais são responsabilidade dos principais atores da sociedade: o Estado, a Sociedade e o Mercado, o que requer instrumentos de gerenciamento dos recursos naturais, implicando um Estado capaz de regu- lar e regulamentar as questões relacionadas ao meio ambiente com base em uma estrutura forte, ágil e integrada.

Além disso, para que o Estado possa exercer seu papel, é necessário enfatizar a participação e conscientização dos agentes envolvidos no processo

de produção da IC, em relação aos papéis a serem efetivamente exercidos, prin- cipalmente os geradores (empresas construtoras e geradores de menor porte)

e transportadores locais. A atuação adequada e eficiente de cada agente é im- prescindível para uma gestão integrada.

As dificuldades de apresentar soluções viáveis e ágeis a um dos maio- res desafios da gestão ambiental relacionam-se, portanto a diferentes fatores

e aspectos, entre eles à falta de integração dos agentes relevantes do setor pú-

blico; do setor privado e do setor de pesquisa; à falta de integração dos instru- mentos de gestão (legais, econômicos e sociais); às complexidades inerentes ao processo construtivo e ao processo de gestão de resíduos sólidos em geral;

e à necessidade de fortalecer a pesquisa relativa ao tema.

A ineficiência do sistema de fiscalização, a cultura vigente - que aceita resíduos em lotes vazios, beira de córregos, ruas desertas, uso para aterra- mento, entre outros; a falta de capacitação técnica dos municípios; a falta de recursos aliada à cultura dos municípios de que um sistema integrado de gestão

de resíduos gera um alto custo; a falta de dados precisos com relação ao volume gerado; a falta de integração entre os órgãos municipais (responsáveis pelo meio ambiente, limpeza urbana, planejamento, entre outros) e a cultura “do eu falo sozinho” (característica dos órgãos municipais), torna ainda muito lento

o processo de atendimento à Resolução 307. Enquanto não se atende a essa

norma, o solo urbano continua recebendo as cargas do mau gerenciamento dos entulhos.

Há necessidade, portanto, de integração, principalmente entre os atores e agentes públicos e do setor produtivo, objetivando compartilhar a re- sponsabilidade da gestão dos resíduos sólidos oriundos dos processos cons- trutivos da CPIC, potencializando o compartilhamento de recursos e ações.

Aos geradores cabe reduzir as perdas e a geração de resíduos por meio da adoção de métodos construtivos mais racionais; introduzir um sistema eficiente de gestão de resíduos sólidos durante o processo construtivo; consci- entizar-se da necessidade de utilizar materiais reciclados; viabilizar as atividades de reciclagem, assegurando a qualidade dos resíduos segregados; e investir em Pesquisa e Desenvolvimento.

Ao setor público, particularmente nos municípios, cabe elaborar pla- nos diretores de resíduos sólidos, definindo regras para os principais atores, e as ações necessárias à gestão de resíduos sólidos, estabelecendo procedimen- tos de fiscalização e incentivando o adensamento da cadeia de valor dos re- síduos da construção.

Gestão de Resíduos sólidos em CanteiRos de obRas

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ABNT/NBR 10.157/87 – Aterros de resíduos perigosos – Critério para projeto, cons- trução e operação. ABNT/NBR 11.174/90 – Armazenamento de resíduos classes II – Não inertes e III

– INERTES.

ABNT/NBR 11.175/90 – Incineração de resíduos sólidos perigosos– Padrões de de- sempenho. ABNT/NBR 12.235/92 – Armazenamento de resíduos sólidos perigosos. ABNT/NBR 12.980/93 – Coleta, varrição e acondicionamento de resíduos sólidos ur- banos.

ABNT/NBR 13.028/93 – Elaboração e apresentação de projeto de disposição de rejei- tos de beneficiamento, em barramento, em varrição. ABNT/NBR 13.221/05 - Transporte terrestre de resíduos – Procedimentos. ABNT/NBR 13.463/95 – Coleta de resíduos sólidos. ABNT/NBR 13.464/95 – Varrição de vias e logradouros públicosABNT/NBR 13.896/97

– Aterro de resíduos não perigosos – Critério para projeto, implantação e operação.

ABNT/NBR 14.879/02 – Coletor- compactador de resíduos sólidos– Definição do vo- lume. ABNT/NBR 15.112/04 – Resíduos da construção civil e resídua inertes – Aterros – Di- retriz para projeto, implantação e operação. ABNT/NBR 15.113/04 – Resíduos sólidos da construção civil e resíduos inertes – Ater- ros – Diretrizes para projeto, implantação e operação.

ABNT/NBR 15.114/04 - Resíduos sólidos da construção civil áreas de reciclagem – Di- retrizes para projetos, implantação e operação. ABNT/NBR 15.115/04 – Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil

– Execução de camadas de pavimentação – Procedimentos.

ABNT/NBR 15.116/04 – Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil

– Utilização em pavimentação e preparação de concreto sem função estrutural – Re- quisitos. NR-25 - Resíduos Industriais.

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