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Presidente da República

Luiz Inácio Lula da Silva

Vice-Presidente
José Alencar Gomes da Silva

Ministra de Estado do Meio Ambiente


Marina Silva

Secretário-Executivo do Ministério do Meio Ambiente


Claudio Roberto Bertoldo Langone

Secretário de Recursos Hídricos


João Bosco Senra

Chefe de Gabinete
Moacir Moreira da Assunção

Diretor de Programa de Estruturação


Márley Caetano de Mendonça

Diretor de Programa de Implementação


Julio Thadeu Silva Kettelhut

Ministro de Estado da Justiça


Márcio Thomaz Bastos

Secretário de Direito Econômico


Daniel Krepel Goldberg

Presidente do Conselho Federal Gestor do


Fundo de Defesa de Direitos Difusos
Marcelo Takeyama
Equipe de Elaboração - SRH/MMA
Celso Marcatto
Franklin de Paula Júnior
Luiz Augusto Bronzatto
Marco José Melo Neves
Ney Albert Murtha
Myrian Luiz Alves
Maria do Carmo Zinato
Maria Manuela Martins Alves Moreira

Revisão
Lígia Souto Ferreira
Lara Regitz Montenegro
Rachel Landgraf de Siqueira
Priscila Maria W. Pereira

Colaboração
Bráulio Gottschalg Duque
Ednaldo Mesquita
Roberto Moreira Coimbra
Ricardo Crema

Projeto Gráfico
Ely Borges

Ilustrações
Adão Rodrigues Moreira

Técnicos Responsáveis pela Elaboração da Proposta ao CFDD


André Pol
Percy Soares Neto

Coordenação do Plano Nacional de Recursos Hídricos – SRH/MMA

Diretor de Programa de Estruturação


Márley Caetano de Mendonça

Gerente de Apoio à Formação da Política


Luiz Augusto Bronzatto

Equipe Técnica
Adriana Lustosa da Costa
Danielle B. S. de Alencar Ramos
Hugo do Vale Christofidis
Jaciara Aparecida Rezende
Marco José Melo Neves
Percy Soares Neto
Rafael Egashira
Rodrigo Laborne Mattioli
Roseli dos Santos Souza
Simone Vendruscolo

Equipe de Apoio
Lucimar Cantanhede Verano
Marcus Vinícius T. Mendonça
Rosângela de Souza Santos
PREFÁCIO
No âmbito do poder executivo, o Ministério do Meio Ambiente, de
maneira transversal, procurou dar mais um passo para a implemen-
tação da Política Nacional de Recursos Hídricos ao construir, entre
2003 e 2005, um planejamento estratégico para a gestão de águas
no País, o Plano Nacional de Recursos Hídricos – PNRH. Aprovado
por unanimidade pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos –
CNRH, em janeiro de 2006, o PNRH tem espaço temporal até 2020.
Sob a coordenação da Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério
do Meio Ambiente – SRH/MMA e com o apoio da Agência Nacional
de Águas - ANA, o PNRH – ou Plano de Águas do Brasil - foi elabora-
do de forma pactuada entre os diversos segmentos da sociedade.
Envolveu os demais ministérios e outras instâncias do poder público
(governos e Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos), usuários da
indústria, turismo, agropecuária, abastecimento de água, geração
de energia, entre outros, além de representações da sociedade civil,
populações tradicionais, povos indígenas, quilombolas e organiza-
ções não governamentais.
No marco da Década Mundial e Brasileira da Água (2005-2015), o
PNRH tornou-se uma conquista da sociedade brasileira, pois, cons-
truído de maneira participativa, objetiva orientar a gestão de águas
sob a ótica do desenvolvimento sustentável e da inclusão social.
Inserido no Planoplurianual do governo federal - PPA, é, também,
instrumento fundamental para a formulação e a gestão das políti-
cas públicas.
O PNRH parte de três desejos centrais: garantir água de melhor qua-
lidade e em quantidade suficiente para todos; minimizar conflitos
pelo uso da água, bem como melhor preparar-se para os eventos crí-
ticos, como secas e inundações; entender a conservação da água co-
mo valor socioambiental relevante.
Este manual dos usos da água, publicado com o apoio do Conselho
Federal de Gestão do Fundo de Defesa de Direitos Difusos do
Ministério da Justiça, conta um pouco da história da interação com
as águas no Brasil. Transmite algumas das propostas do PNRH e a
importância da construção de Planos Estaduais e de Bacias
Higrográficas.
Por fim, sob olhar de uma nova cultura das águas, o MANUAL ofe-
rece dicas para que a nossa relação com esse bem natural possa sig-
nificar uma vida mais saudável para todos. Cuidar da água é cuidar
da vida. É estabelecer uma relação de respeito com a fonte da exis-
tência.
Marina Silva
Ministra do Meio Ambiente
APRESENTAÇÃO
Mais de 7 mil pessoas, durante dois anos e meio, participaram de re-
uniões, oficinas, seminários, encontros públicos, e contribuiram na
elaboração do Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), que, em
janeiro de 2006, foi aprovado pelos membros do Conselho Nacional
de Recursos Hídricos (CNRH), por unanimidade, sendo lançado pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a Ministra Marina Silva, no dia 3
de março do mesmo ano, em solenidade no Palácio do Planalto.
Com isso, o país atendeu a uma das metas da Agenda da Cúpula de
Johanesburgo (Rio + 10) de elaboração de planos de gestão inte-
grada de recursos hídricos.
O PNRH estabelece diretrizes e políticas públicas para o uso racional
da água no País até 2020. É uma conquista da sociedade no que con-
cerne ao uso múltiplo das águas, de forma que a demanda possa ser
atendida com bases sustentáveis para o consumo humano, animal,
na agricultura e na indústria, dentre outros. O Plano também contri-
bui para evitar os erros que historicamente vêm sendo cometidos, in-
clusive em relação ao desperdício e à contaminação dos recursos hí-
dricos.
Documento de tal importância, o PNRH vem ganhando evidência in-
ternacional pela forma como nasceu, fruto de uma metodologia
que não só permitiu, mas também promoveu a participação de vári-
os segmentos da sociedade em sua elaboração.
A partir de 2006, podemos dizer que, com todos os documentos do
PNRH prontos, a Secretaria, sua equipe e todos os órgãos do Sistema
Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH) possu-
em um mapa da estrada que devemos trilhar para chegar à boa e in-
tegrada gestão de recursos hídricos do país. Nosso desejo, que com-
partilhamos com você, é voltar a ter água limpa em nossos rios, em
quantidade suficiente para todos os que dela precisam e que sua ges-
tão seja negociada, planejada e executada a várias mãos.
Este Manual, oportunamente lançado nos 10 anos da Lei no
9.433/97 - Lei de Águas, é apenas um instrumento inicial para apoi-
ar ações cada vez mais articuladas e multiplicadas, que promovam
maior participação da sociedade na consolidação do Sistema e da
Política Nacional de Águas, enriquecendo e contribuindo para o seu
aprimoramento.
Na prática, todos sabemos que teremos de enfrentar muitos desafi-
os e que os órgãos colegiados do SINGREH terão um longo caminho
pela frente até que a situação atual de cada bacia hidrográfica esteja
bem definida, com regras mais claras, precisas e negociadas por to-
dos os atores do processo. Mas já podemos celebrar algumas con-
quistas que, certamente, nos incentivarão a continuar trabalhando
por esse ideal, pois já temos um Plano, agora precisamos implemen-
tá-lo. Participe conosco.

João Bosco Senra


Secretário de Recursos Hídricos
Ministério do Meio Ambiente
1 MUNDO
A QUESTÃO DA ÁGUA NO BRASIL E NO

ÁGUA: VIDA E DESENVOLVIMENTO | 11


A DINÂMICA DA ÁGUA NA TERRA: DOIS
CONCEITOS BÁSICOS | 15
A ÁGUA NO MUNDO: SINAL DE ALERTA | 17
ÁGUA NO BRASIL | 20
A SITUAÇÃO CRÍTICA DA ÁGUA CONVIDA AO
PLANEJAMENTO | 27

2 GERENCIAMENTO
A POLÍTICA, O SISTEMA NACIONAL DE
DE RECURSOS HÍDRICOS E O
PLANO NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS
POLÍTICA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS | 30
SISTEMA NACIONAL DE GERENCIAMENTO DE
RECURSOS HÍDRICOS - SINGREH | 32
OS INSTRUMENTOS DA POLÍTICA NACIONAL DE
RECURSOS HÍDRICOS | 34
O PLANO NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS| 36
O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DO PNRH | 38
EVENTOS REALIZADOS | 40
DOCUMENTOS ELABORADOS | 44
COMO AS AÇÕES ESTÃO ORGANIZADAS | 46

3 AS REGIÕES HIDROGRÁFICAS BRASILEIRAS | 49


4 PRECIOSOS CUIDADOS DO DIA-A-DIA | 75
GLOSSÁRIO | 102
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS | 106
1
1
A questão da
água
no Brasil
e no mundo

9
10
ÁGUA: VIDA E DESENVOLVIMENTO

O Planeta Terra abriga um complexo


sistema de organismos vivos no qual a
água é elemento fundamental e
insubstituível. Sem água não existe vida!
Ela é responsável pelo equilíbrio da
“comunidade vida”, da qual nós, seres
humanos, fazemos parte. A água é
também insumo indispensável à produção
e recurso estratégico para o
desenvolvimento econômico. Todas as
atividades humanas dependem da água.
Navegação, turismo, indústria, agricultura
e geração de energia elétrica são alguns
exemplos de seu uso econômico.

O acesso à água é um direito humano


fundamental. Toda pessoa deve ter água
potável em quantidade suficiente, com
custo acessível e fisicamente disponível,
para usos pessoais e domésticos,
conforme previsto na legislação brasileira
e na Agenda 21.

Cuidar da água é uma questão de


sobrevivência; depende da decisão e da
ação de cada pessoa, comunidade e da
sociedade em geral. Somente com
sensibilidade, criatividade, determinação e
participação será possível construir as
respostas técnicas, científicas, ecológicas,
sociais, políticas e econômicas para a
gestão da água na perspectiva do
desenvolvimento sustentável, com
inclusão social e justiça ambiental.

11
Renato Soares

“Enquanto meu pai, meu avô, meus


primos, olham aquela montanha e
vêem o humor da montanha e
vêem se ela está triste, feliz ou
ameaçadora, e fazem cerimônia
para a montanha, cantam para ela,
cantam para o rio (...) o cientista olha
o rio e calcula quantos megawatts
ele vai produzir construindo uma
hidrelétrica, uma barragem (...) Ali
não tem música, a montanha não
tem humor, e o rio não tem nome. É
tudo coisa”.

AILTON KRENAK

12
AS DIMENSÕES E OS VALORES DA ÁGUA

Cada sociedade possui uma relação peculiar


com a água, que reflete a diversidade de valores
e de experiências acumuladas. Como referência
cultural e social, a água encontra grande
expressão nas artes, nas religiões, na mitologia,
no folclore, na ciência e na política.

A água tem sido muitas vezes utilizada como


instrumento de dominação. Com a crescente
politização da sociedade e com o
aprimoramento legal e institucional para a
gestão democrática e participativa dos recursos
hídricos, essa situação de injustiça em relação ao
acesso e ao uso da água vem sendo devidamente
enfrentada.

A conservação e as formas de uso da água


também têm forte relação com questões de
gênero. Mulheres e crianças das regiões de
maior escassez de água no mundo são mais
penalizadas com serviços pesados de transporte
desse precioso líquido. São as mulheres que, na
maioria das vezes, lidam com a água no espaço
doméstico, controlando seu uso e cuidando da
manutenção de sua qualidade. Homens e
mulheres têm visões diferenciadas, até mesmo
contrárias, em relação às prioridades de uso e
conservação da água. O grande desafio é
garantir que essas diferentes visões se somem,
se complementem, permitindo, dessa maneira,
que a gestão de recursos hídricos caminhe em
direção à sustentabilidade.

13
De forma simplificada, podemos dizer que a água dos la-
gos, rios, oceanos, vegetação, animais e solo evapora-se.
O vapor de água se move na atmosfera, podendo vir a se
concentrar na forma de nuvens. A água das nuvens pode
se precipitar retornando aos oceanos, rios e ao solo, ou
permanecer na atmosfera.

14
A DINÂMICA DA ÁGUA NA TERRA: DOIS
CONCEITOS BÁSICOS
O CICLO DA ÁGUA
A dinâmica da água no nosso planeta acompanha aquilo
que chamamos ciclo hidrológico ou ciclo da água. Esse ciclo
caracteriza-se pelo movimento constante da água e por sua
passagem por diferentes estados físicos (sólido, líquido e ga-
soso), dependendo da maior ou menor quantidade de ener-
gia (calor) que a Terra recebe do Sol. Parte da água que che-
ga à superfície da Terra evapora-se novamente. O restante
pode seguir diversos caminhos, envolvendo:
a infiltração no solo, ficando disponível para as plantas
ou alimentando os lençóis freáticos constituindo-se em
águas subterrâneas;
o escoamento pelas encostas dos morros, formando sul-
cos e canais de drenagem, até atingir lagos, córregos, ri-
os e, por fim, os oceanos;
a formação de camadas de gelo e geleiras em regiões de
clima frio;
a absorção pelas plantas e o consumo de água pelos ani-
mais. Parte da água absorvida retorna novamente para a
atmosfera através da transpiração das folhas e dos poros
dos animais.
A BACIA HIDROGRÁFICA
Bacia hidrográfica é uma área da superfície terrestre, delimi-
tada pelos pontos mais altos do relevo, na qual a água pro-
veniente das chuvas escorre para os pontos mais baixos do
relevo, formando um curso de água (rio) ou lago. É como o
piso que recolhe toda a água que cai em um determinado lo-
cal e a encaminha para as partes mais baixas (ralo).
Nas bacias hidrográficas existem entradas e saídas de água.
A precipitação (chuva) e o fluxo de água subterrânea são as
entradas. As saídas ocorrem pela evaporação, pela transpi-
ração das plantas e animais e pelo escoamento das águas su-
perficiais (rios e córregos) e subterrâneas.
É muito importante entender o conceito de bacia hidrográ-
fica. Ele é a base de toda a gestão das águas no Brasil. Ao
adotar a bacia hidrográfica como delimitação territorial pa-
ra a gestão das águas, se está respeitando a divisão espacial
que a própria natureza fez.
A bacia passa a ser a unidade de planejamento, integrando
políticas para a implementação de ações conjuntas visando
o uso, a conservação e a recuperação das águas. Ocorre, po-
rém, que a delimitação territorial por bacia hidrográfica po-
de ser diferente da divisão administrativa, ou seja, da divi-
são por estados e municípios. Nesse sentido, a gestão por
bacia hidrográfica pode proporcionar uma efetiva integra-
ção das políticas públicas e ações regionais, o que por si só é
bastante positivo.
15
69%
Geleiras e cobertura
permanente
24.060.000 km3

30%
Águas subterrâneas 0,9%
0,3% 10.530.000 km3 Outros
incluindo umidade do solo,
placas de gelo flutuante,
Rios e lagos pântano, solo
3 permanentemente
93.000 km congelado
342.000 km3

Água doce
2,5%
do total global

Água salgada
97,5%
do total global

16
A ÁGUA NO MUNDO: SINAL DE ALERTA
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.
Thiago de Mello
Da água doce existente no nosso planeta, cerca de 68,9%
encontra-se nas geleiras, calotas polares ou em regiões
montanhosas; 30% são águas subterrâneas; 0,9 %
compõe a umidade do solo e pântanos, e apenas 0,3%
constitui a porção superficial da água doce presente em
rios e lagos (Shiklomanov e Rodda, 2003).
A água doce não está distribuída uniformemente pelo
globo. A distribuição da água está relacionada com os
diversos ecossistemas da Terra. Dependendo dos
ecossistemas que compõem o território de um país, esse
pode ter mais ou menos água disponível.
Segundo a Organização das Nações Unidas - ONU, um
ser humano precisa de 20 a 50 litros de água por dia,
uma média de 1.000 litros/hab.ano, para beber,
cozinhar, tomar banho e lavar roupas e utensílios.
Kuwait, Emirados Árabes, Ilha Bahamas e Faixa de Gaza
são 4 dos países do Oriente Médio que praticamente não
têm mais água, com disponibilidade hídrica variando
entre 10 e 66 l/hab.ano. Contrapondo estes baixos
números, estão Canadá, Rússia asiática, Guianas e
Gabão, com uma média superior a 100.000 l/hab/ano.

Quase 24% de toda a população do


continente africano já sofrem com o estresse
hídrico (consumo de água superior aos
recursos renováveis de água doce). Grande
parte do Peru e algumas áreas do México e
América Central também já se encontram
nesse estado, segundo a Comissão
Econômica para a América Latina e o Caribe -
CEPAL. Na China, Índia e Tailândia, a situação
é crítica.

17
www.botulinux.net/.../Manaus/esgoto.jpg.html

18
Manaus - AM
O aumento da população mundial; a poluição
provocada pelas atividades humanas; o consumo
excessivo e o alto grau de desperdício de água
contribuem para reduzir ainda mais a disponibili-
dade de água para uso humano. A população
mundial aumentou três vezes durante o século
XX; no mesmo período, o volume de água utiliza-
do aumentou aproximadamente nove vezes. Ou
seja, o crescimento populacional e o consumo de-
senfreado tornam-se cada vez mais incompatíve-
is com a quantidade de água disponível.

DOENÇAS DE VEICULAÇÃO HÍDRICA

Água não tratada pode se


transformar num poderoso
difusor de doenças.

Em todo o mundo, aproximadamente 1,1 bi-


lhão de pessoas não possuem acesso à água po-
tável e cerca de 2,4 bilhões de pessoas convivem
com estruturas de saneamento inadequadas.
Como resultado dessas condições precárias de
saneamento e acesso à água de qualidade, qua-
se 3,8 milhões de crianças morrem, a cada ano,
de doenças de veiculação hídrica, ou seja, aque-
las que têm sua transmissão relacionada com a
água.

Segundo a Organização Mundial de Saúde -


OMS, para cada R$1,00 investido em sanea-
mento básico, economiza- se de R$ 4,00 a R$
5,00 em gastos com saúde pública. Nesse senti-
do, preservar a qualidade da água é promover a
saúde dos seres humanos.

19
O Brasil possui a maior “disponibilidade hídrica” do
planeta, correspondendo a 11,2% do deflúvio
médio mundial (parcela da água que escoa nos
rios), equivalente a 5.744 Km3 de água por ano
(WRI, 1998).

NORTE
45,3%
DA ÁREA
NORDESTE
68%
18,3%
DA ÁREA
DA ÁGUA 6,98%
DA POPULAÇÃO
3,3%
28,91%
CENTRO OESTE DA ÁGUA
DA POPULAÇÃO

18,8%
DA ÁREA
15,7%
DA ÁGUA
6,41%
DA POPULAÇÃO

SUDESTE
Distribuição da água, 10,8%
da superfície e DA ÁREA
6%
da população DA ÁGUA 42,65%
(em % do total do País) DA POPULAÇÃO
Fonte: Consumo Sustentável: manual de educação (2002)

6,5%
DA ÁGUA 15,5%
DA POPULAÇÃO
SUL
6,8%
DA ÁREA

ÁGUA NO BRASIL
Conforme o quadro demonstra, apesar da relativa abun-
dância, o Brasil possui uma distribuição regional dos recur-
sos hídricos superficiais bastante diferenciada.
Comparando os recursos hídricos disponíveis com a distri-
buição geográfica da população, tem-se uma clara idéia da
gravidade da situação das regiões nordeste e sudeste. A re-
gião norte, ao contrário, apresenta grande disponibilidade
hídrica, quando comparada com a sua população. A baixa
disponibilidade hídrica no semi-árido, aliada à irregularida-
de das chuvas, impõe uma maneira diferenciada de relacio-
namento com esse recurso, envolvendo o respeito aos pro-
cessos naturais a ele relacionados e a otimização das dispo-
nibilidades existentes. Essa região demanda a implementa-
ção de estratégias de convivência com o Semi-árido, basea-
das, principalmente, em tecnologias poupadoras de água,
envolvendo: coleta, armazenamento e manejo da água de
chuva; construção e manutenção de pequenos barramen-
tos; implantação de barragens subterrâneas, entre outras.

20
Da mesma forma, o meio urbano do País também demanda es-
tratégias específicas. O crescimento da população urbana, alia-
do à concentração e ampliação da atividade industrial, provoca
elevação considerável nas demandas hídricas, tanto para o abas-
tecimento público, como para a diluição de efluentes.
No que se refere à captação de água e lançamento de esgotos,
dados da ONU indicam que, para cada 1.000 litros de água utili-
zados pelos seres humanos, resultam 10.000 litros de água polu-
ída (ONU, 1993). No Brasil, mais de 90% dos esgotos domésticos
e cerca de 70% dos efluentes industriais são lançados direta-
mente nos corpos de água, sem qualquer tipo de tratamento.
Como conseqüência, os corpos de água das regiões brasileiras
mais densamente povoadas encontram-se praticamente “mor-
tos”, sem capacidade de depurarem efluentes. Soma-se ao que
foi apresentado acima o fato de que a abundância relativa de
água no Brasil tem levado a uma certa “cultura do desperdício”.
A população brasileira incorporou em sua prática cotidiana roti-
nas extremamente perdulárias (esbanjadoras) no que se refere
ao consumo de água. Como agravante desse processo, os siste-
mas de coleta, tratamento e distribuição de água do País, parte
importante deles antigos e com sérios problemas de manuten-
ção, acumulam perdas que variam entre 40 e 60% do total da
água tratada.
O aumento da demanda por água, somado ao crescimento das
cidades, à impermeabilização dos solos, à degradação da capa-
cidade produtiva dos mananciais, à contaminação das águas e
ao desperdício conduzem a um quadro preocupante em relação
à sustentabilidade do abastecimento público, especialmente em
algumas regiões metropolitanas brasileiras.
No meio rural, a utilização de agrotóxicos de forma inadequada,
aliada à redução da cobertura vegetal, à remoção das matas cili-
ares e da vegetação protetora das áreas de recarga, ao uso de
quantidades crescentes de fertilizantes, à movimentação de so-
los em áreas de declividade acentuada e em áreas de preserva-
ção permanente, à degradação de pastagens, entre outros, pro-
vocam o aumento da erosão e do assoreamento, degradando a
qualidade da água, principalmente nas regiões de agricultura in-
tensiva.
É importante salientar que a redução da quantidade e a degra-
dação da qualidade da água não afetam a sociedade de forma
homogênea. Atingem, com maior rigor, a população residente
nas periferias dos grandes centros urbanos e nas comunidades
de agricultores de baixa renda. É exatamente essa parcela da po-
pulação brasileira que demanda políticas específicas visando al-
terar o atual quadro de exclusão, permitindo o acesso dessas fa-
mílias à água de qualidade e em quantidade suficiente para su-
prir, no mínimo, suas necessidades básicas.

21
Aqüifero Guarani

22
ÁGUAS SUBTERRÂNEAS
As águas subterrâneas correspondem à água que infiltra
no subsolo, preenchendo os espaços formados entre os
grânulos minerais e fissuras das rochas. Essas águas ten-
dem a migrar continuamente, abastecendo nascentes, le-
itos de rios, lagos e oceanos.
O Brasil possui grandes reservas subterrâneas (da ordem
de 112 mil km³. Estima-se que 51% do suprimento de
água potável do Brasil sejam originários dos recursos hí-
dricos subterrâneos.

AQÜÍFERO GUARANI
O Aqüífero Guarani, maior reservatório subterrâ-
neo de água doce das Américas e um dos maiores
do mundo, está localizado na Bacia Sedimentar do
Paraná, no Centro-Leste da América do Sul, abran-
gendo 4 países: Brasil, Argentina, Uruguai e
Paraguai.
De seus 1,2 milhão de Km², cerca de 840 mil
Km²(71% do total) estão em território brasileiro,
envolvendo os estados de Minas Gerais, Mato
Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo,
Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.

Os recursos hídricos subterrâneos brasileiros estão sujei-


tos a uma série de riscos, sendo dentre eles importante ci-
tar:
a exploração excessiva, que pode provocar o esgota-
mento dos aqüíferos;
a contaminação das águas subterrâneas por efluentes
sanitários e industriais, agro-tóxicos, fertilizantes, subs-
tâncias tóxicas provenientes de vazamentos como, por
exemplo, tanques de combustível. A gravidade da con-
taminação está diretamente relacionada à toxicidade,
persistência, quantidade e concentração das substân-
cias que alcançam os mananciais subterrâneos.
Para garantir a sustentabilidade, a utilização das águas
subterrâneas deve ter por base a capacidade de recarga
dos aqüíferos, a disponibilidade original do reservatório,
a manutenção da qualidade de suas águas e a democra-
tização do acesso a esses recursos hídricos.
23
24
ÁGUAS TRANSFRONTEIRIÇAS
Águas transfronteiriças são aquelas que
ultrapassam as fronteiras de um ou mais
países. Por exemplo, as águas do rio
Amazonas são transfronteiriças, pois nascem
no Peru e recebem contribuições (afluentes)
de vários países antes de atravessarem toda a
região norte do Brasil. A gestão dessas águas
normalmente envolve a negociação e assina-
tura de tratados internacionais de coopera-
ção, respeitando a soberania de cada país.
Esses tratados procuram definir normas
comuns de uso das águas e de manejo das
bacias.

Os principais tratados de cooperação assina-


dos pelo Brasil envolvendo águas transfrontei-
riças são: Tratado de Cooperação Amazônica
(rio Amazonas) e o Tratado da Bacia do Rio da
Prata (com Bolívia, Paraguai, Argentina e
Uruguai), envolvendo os rios Paraguai, Paraná
e Uruguai. Outros rios de menor porte tam-
bém são compartilhados com outros países,
como o rio Quaraí (com o Uruguai – que
também possui um Tratado de Cooperação), o
rio Apa (com o Paraguai), Lagoa Mirim e rio
Chuí (com o Uruguai) e o rio Oiapoque (com a
Guiana Francesa).

25
26
Paulo Guilherme Cabral | Bonito-MS
A SITUAÇÃO CRÍTICA DA ÁGUA
CONVIDA AO PLANEJAMENTO

Como visto anteriormente, a situação atual dos


recursos hídricos aponta para um quadro de crise.
A crise em torno da água reflete a crise de cons-
ciência da nossa civilização e do modelo de
“desenvolvimento” mundial atual, desigual,
excludente e esgotante dos recursos naturais. A
degradação ambiental e as desigualdades sociais
são verso e reverso de um mesmo processo
histórico, que tem como conseqüência a insusten-
tabilidade da vida, do meio ambiente e das
sociedades humanas. Especialmente no contexto
da gestão dos recursos hídricos, a busca da
sustentabilidade configura-se como o caminho
possível para reverter o quadro atual de degrada-
ção, alicerçando as bases para a construção
coletiva de um novo modelo de desenvolvimento.
No processo de construção desse novo modelo de
gestão sustentável dos recursos hídricos, o grande
desafio é o de estabelecer uma relação de poder
compartilhada e descentralizada, criando oportuni-
dades de participação social, construindo consen-
sos, dirimindo conflitos e pactuando a unidade na
diversidade.
Para poder participar de forma efetiva é desejável e
necessário, porém, conhecer conceitos, leis, orga-
nismos, estruturas e os instrumentos de gestão dos
recursos hídricos. Tanto a Política quanto o Sistema
Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos
são a base de qualquer ação que vise implementar o
modelo de gestão proposto.
Conheça a Política, os componentes do Sistema e os
instrumentos de gestão definidos na legislação
brasileira de recursos hídricos.

27
2
28
2
A Política,
o Sistema de
Gerenciamento
e o Plano Nacional
de Recursos
Hídricos

“Uma coisa é pôr idéias arranjadas,


outra é lidar com país
de pessoas, de carne e
sangue, de mil e tantas
misérias”
Guimarãres Rosa

29
POLÍTICA
NACIONAL DE
RECURSOS
HÍDRICOS
Breve Histórico
A primeira lei a tratar de recursos hídricos no Brasil, o
Código de Águas, foi promulgada em 1934, com o
objetivo de harmonizar o uso das águas para fins de
geração de energia elétrica, agricultura e demais usos.
A Constituição Federal de 1988 introduziu um avanço
importante em relação à gestão dos recursos hídricos
no Brasil, ao considerar a água como bem de domínio
público e ao instituir o Sistema Nacional de
Gerenciamento de Recursos Hídricos – SINGREH. Essas
medidas foram consolidadas na forma da Lei nº
9.433/97, que estabeleceu a Política Nacional de
Recursos Hídricos (1997).

Lei das Águas


A Lei Federal nº 9.433/97, conhecida como Lei das
Águas, estabelece a Política e cria o Sistema Nacional
de Gerenciamento de Recursos Hídricos. São
fundamentos da Lei nº 9.433/97:
o consumo humano e a dessedentação de animais
como usos prioritários em situações de escassez;
a água como recurso natural limitado e dotado de
valor econômico;
o uso múltiplo das águas;
a bacia hidrográfica como unidade territorial para a
implementação do gerenciamento das águas e
atuação do SINGREH;
a gestão descentralizada e participativa dos recur-
sos hídricos.
30
Dentre os objetivos definidos na Lei nº 9.433/97 para a
Política Nacional de Recursos Hídricos, é importante
destacar: a garantia da disponibilidade de água para as
gerações atuais e futuras, em padrões de qualidade
adequados aos respectivos usos; a utilização racional e
integrada com vistas ao desenvolvimento sustentável e
à prevenção e à defesa contra eventos hidrológicos críti-
cos de origem natural (cheias e secas) ou decorrentes do
uso inadequado dos recursos hídricos.
A Lei nº 9.433 estabelece, como diretrizes para a gestão
de recursos hídricos:
a associação dos aspectos de quantidade e de quali-
dade;
a adequação às diversidades físicas, bióticas, demo-
gráficas, econômicas, sociais e culturais das diversas
regiões do País;
a integração com a gestão ambiental, com a gestão
dos sistemas estuarinos e costeiros, e a articulação
com a gestão do uso do solo.

WWF-Brasil | Augusto Coelho

31
SISTEMA
NACIONAL DE
GERENCIAMENTO DE
RECURSOS HÍDRICOS
(SINGREH)

O SINGREH constitui-se de um conjunto de mecanismos


jurídico-administrativos, sejam leis, instituições ou ins-
trumentos de gestão, com a finalidade de colocar em
prática a Política Nacional, dando suporte técnico e insti-
tucional para o gerenciamento de recursos hídricos no
País. O Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos
Hídricos é assim formado:

CONSELHO NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS (CNRH):


organismo colegiado, consultivo, normativo e delibera-
tivo composto por representantes dos setores usuários
de água, governo e sociedade civil organizada. Tem
como competências, dentre outras: promover a articula-
ção do planejamento de recursos hídricos com os plane-
jamentos nacional, regionais, estaduais e dos setores
usuários; arbitrar os conflitos existentes entre Conselhos
Estaduais de Recursos Hídricos; estabelecer critérios
gerais para a outorga de direito de uso de recursos hídri-
cos; analisar propostas de alteração da legislação perti-
nente a recursos hídricos, e estabelecer diretrizes com-
plementares para a implementação da Política Nacional
de Recursos Hídricos.

CONSELHOS DE RECURSOS HÍDRICOS DOS ESTADOS E


DO DISTRITO FEDERAL: da mesma forma que o CNRH,
são organismos colegiados, consultivos, normativos e
deliberativos, compostos por representantes dos seto-
res usuários de água, governo e sociedade civil organiza-
da. As competências dos conselhos estaduais, com algu-

32
ma variação de Estado para Estado, acompanham as do
CNRH, só que no âmbito estadual.

COMITÊS DE BACIA HIDROGRÁFICA: organismos colegi-


ados, consultivos e deliberativos, que constituem a base
do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos
Hídricos. São compostos por representantes dos gover-
nos da União, Estados, Distrito Federal, municípios,
entidades civis de recursos hídricos e dos diversos seto-
res de usuários das águas da bacia hidrográfica.
Também conhecidos como “parlamentos das águas”,
os comitês podem ser de rios federais ou de rios estadu-
ais, conforme a dominialidade de suas águas. Dentre as
atribuições dos Comitês, é importante destacar: promo-
ver o debate sobre questões relacionadas aos recursos
hídricos e articular a atuação das entidades intervenien-
tes; arbitrar conflitos relacionados aos recursos hídri-
cos; aprovar o Plano de Recursos Hídricos da Bacia e
acompanhar sua execução; estabelecer os mecanismos
de cobrança pelo uso de recursos hídricos e sugerir os
valores a serem cobrados; entre outras.

ÓRGÃOS PÚBLICOS: dos Poderes Públicos Federais,


Estaduais e do Distrito Federal, cujas competências se
relacionem com a gestão de recursos hídricos.

SECRETARIA DE RECURSOS HÍDRICOS (SRH): órgão do


núcleo estratégico de governo, subordinado ao
Ministério do Meio Ambiente (MMA), responsável pela
formulação da Política Nacional juntamente com o
CNRH, exercendo ainda o papel de secretaria-executiva
deste, bem como a coordenação do Plano Nacional de
Recursos Hídricos.

AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS (ANA): vinculada ao


Ministério do Meio Ambiente (MMA), cuja função prin-
cipal é a de implementar os instrumentos da Política
Nacional de Recursos Hídricos, outorgar, fiscalizar e
cobrar o uso dos recursos hídricos de domínio da União.

AGÊNCIAS DE ÁGUA (OU DE BACIA): atuam como secre-


taria executiva dos Comitês, oferecendo suporte admi-
nistrativo, técnico e financeiro para a implementação
de suas decisões.

33
OS INSTRUMENTOS
DA POLÍTICA
NACIONAL
DE RECURSOS
HÍDRICOS

A Lei nº 9.433/97 estabelece os instrumentos para possi-


bilitar a implementação da Política Nacional de Recursos
Hídricos:

PLANOS DE RECURSOS HÍDRICOS: Plano Nacional de


Recursos Hídricos, Planos Estaduais de Recursos Hídricos
e os Planos de Recursos Hídricos por bacia hidrográfica.
Os dois primeiros são planos estratégicos que estabele-
cem diretrizes gerais sobre os recursos hídricos do País
ou do Estado. O Plano de Recursos Hídricos por bacia
hidrográfica é o instrumento de planejamento local
onde se define como conservar, recuperar e utilizar os
recursos hídricos daquela bacia.

ENQUADRAMENTO DOS CORPOS D'ÁGUA: em classes,


segundo usos preponderantes, com o objetivo de asse-
gurar às águas qualidade compatível com os usos mais
exigentes a que forem destinadas, e diminuir os custos
de combate à poluição das águas, mediante ações pre-
ventivas permanentes.

OUTORGA: dos direitos de uso de recursos hídricos é o


instrumento pelo qual o Poder Público autoriza o usuá-
rio a utilizar as águas de seu domínio, por tempo deter-
minado e em condições preestabelecidas. Tem como
objetivo assegurar o controle quantitativo e qualitativo
dos usos da água superficial ou subterrânea, e o efetivo
exercício do direito de acesso à água. Os critérios de

34
outorga, utilizados pelo Poder Público, são definidos
pelos Conselhos de Recursos Hídricos e Comitês de
Bacia Hidrográfica.

COBRANÇA PELO USO DA ÁGUA: é um mecanismo edu-


cador, que reconhece a água como bem econômico e dá
ao usuário uma indicação de seu real valor, incentivan-
do a racionalização do uso da água e obtendo recursos
para o financiamento de programas e intervenções con-
templados nos planos de recursos hídricos. Os critérios
gerais da cobrança são definidos pelos Conselhos de
Recursos Hídricos. Os Comitês de Bacia Hidrográfica
definem os valores a serem cobrados.

SISTEMA NACIONAL DE INFORMAÇÕES SOBRE


RECURSOS HÍDRICOS: é um sistema de coleta, trata-
mento, armazenamento, recuperação e difusão de
informações relevantes sobre recursos hídricos e fatores
relacionados à sua gestão.
Governo do Maranhão | Mauro Vasconcelos

35
O PLANO
NACIONAL
DE RECURSOS
HÍDRICOS

O PNRH é um instrumento de longo prazo, pactuado en-


tre o Poder Público, os usuários (indústria, irrigação,se-
tor de abastecimento de água, geração de energia, entre
outros) e a sociedade civil (associações comunitárias,
ONGs, sindicatos, universidades, escolas entre outros),
que fundamenta e orienta a gestão das águas no Brasil.
O Plano tem como característica uma permanente flexi-
bilidade, não devendo ser entendido como um planeja-
mento episódico, mas como um processo essencialmen-
te dinâmico, flexível, permanente, participativo e sob
uma abordagem integrada e multi-disciplinar.
O PNRH, como o próprio nome indica, tem como abran-
gência todo o País e foi construído, por meio de uma am-
Políticas públicas, tipos de planos, âmbitos geográficos e entidades
coordenadoras no processo de planejamento de recursos hídricos no Brasil.
Fonte: Lanna, 1999
pla mobilização social, envolvendo os diversos segmen-
tos interessados na gestão integradas dos recursos hí-
dricos, a saber: Governo, usuários e sociedade civil. O fu-
turo é uma janela aberta a todas as possibilidades e o
Plano permite a antecipação do que é provável ou im-
provável acontecer, fornecendo as ferramentas básicas
para o melhor gerenciamento dos recursos hídricos.
Desta forma, pode-se agir estrategicamente, isto é, pre-
ventivamente (evitando perdas e minimizando o que
tende a ser negativo) e pró-ativamente (provocando as
mudanças desejadas e aproveitando as oportunidades).
Como um documento-guia, o Plano tem por objetivo ori-
entar as políticas públicas e as decisões de governo e
das instituições que compõem o SINGREH no que se re-
fere aos recursos hídricos. Ele propõe a implementação
de programas e diretrizes nacionais e regionais, bem co-
mo a harmonização e a adequação de políticas públi-
cas, visando estabelecer o equilíbrio entre a oferta e a de-
manda de água. Desta forma, busca-se assegurar as dis-
ponibilidades hídricas em quantidade e qualidade para
o seu uso racional e sustentável.
A elaboração do PNRH foi coordenada pela Secretaria
de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente
(SRH/MMA), com o acompanhamento constante do
Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) e o apo-
io da Agência Nacional de Águas (ANA). Sua implemen-
tação está sob a responsabilidade de todos os órgãos
do SINGREH e de todo brasileiro, cada um de acordo
com a sua atribuição.
O PNRH adota a Divisão Hidrográfica Nacional, aprova-
da pelo CNRH (Resolução nº 32/2003), que define 12
Regiões Hidrográficas para o território brasileiro, com-
postas por bacias hidrográficas próximas entre si, com
semelhanças ambientais, sociais e econômicas, como
base territorial para o planejamento em tnrno da gestão
dos recursos hídricos. Além disso, foram consideradas
algumas áreas especiais, nominadas Áreas Especiais de
Planejamento, que demandam ações específicas, como
as áreas úmidas (Pantanal e outras), a Amazônia, o se-
mi-árido, as águas subterrâneas e a área costeira, todas
com características ambientais, regionais ou mesmo ti-
po de problemas relacionados à água.

37
O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DO PLANO NACIONAL

Ilustração: Adão Rodrigues Moreira

Foi necessário muito esforço, dedicação e a ousadia de


um conjunto de atores e instituições do país para a ela-
boração do Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH).
Seu processo de construção foi oficialmente iniciado pe-
lo governo federal no Ano Internacional da Água Doce,
por meio do Decreto Presidencial n° 4.755, de 20 de ju-
nho de 2003, que estabeleceu como competência da
SRH/MMA a coordenação da elaboração do Plano e o au-
xílio no acompanhamento de sua implementação, ca-
bendo ao CNRH, órgão colegiado e deliberativo máximo
do SINGREH, a deliberação sobre a sua aprovação e a de-
terminação das providências necessárias ao cumprimen-
to de suas metas.

38
A metodologia para a elaboração do Plano Nacional, es-
tabelecida pela Secretaria de Recursos Hídricos do
Ministério do Meio Ambiente - SRH/MMA, por meio do
Grupo Técnico de Coordenação e Elaboração do PNRH –
GTCE, permitiu a incorporação das diversas particulari-
dades regionais do país e de importante contribuição
da sociedade, com o estabelecimento de um processo
social e político de negociação entre as diferentes insti-
tuições, atores sociais e segmentos econômicos com in-
teresse sobre a água.
O GTCE, integrado por técnicos da SRH/MMA e da
Agência Nacional de Águas - ANA, identificou as dife-
rentes visões que a sociedade tem sobre a água, consi-
derando os aspectos técnicos, políticos, culturais, eco-
nômicos e sociais, num exercício permanente de refle-
xão e ação.
Este processo foi ainda impulsionado pelos trabalhos
desenvolvidos pela Câmara Técnica do Plano Nacional
de Recursos Hídricos – CT/PNRH, que acompanhou, ana-
lisou e emitiu pareceres que subsidiaram as delibera-
ções do CNRH sobre o PNRH.
A instituição, por meio da Portaria Ministerial n° 274/04,
das 12 Comissões Executivas Regionais - CER, uma para
cada Região Hidrográfica Brasileira, compostas por 200
membros, que represetam os sistemas estaduais de
Gerenciamento de Recursos Hídricos, os usuários da
água, a sociedade civil e o poder público federal, com as
funções de articulação técnica e política do PNRH nas
respectivas Regiões, consistiu em importante inovação
neste processo, ao qual se somam um conjunto de reu-
niões, oficinas temáticas e setoriais, seminários regio-
nais e encontros públicos em todas as unidades da
Federação.
Veja o quadro das reuniões de construção do PNRH, que
resultaram na ampliação do debate sobre as águas no
Brasil, bem como na produção de farta documentação
sobre a estruturação do arranjo institucional e da base
técnica; na definição de variáveis e atores relevantes; na
consolidação de cenários exploratórios e na proposição
de diretrizes, metas e programas, que se tornaram insu-
mos fundamentais para a construção do PNRH.

39
EVENTOS REALIZADOS
DURANTE O PROCESSO DE ELABORAÇÃO DO PNRH

Oficina Temática "Aspectos Ambientais e os Recursos


Hídricos: propostas do MMA e IBAMA ao PNRH"
Brasília, março de 2004
Resultado: Envolvimento de representantes das secreta-
rias e órgãos vinculados do MMA, num exercício trans-
versal de troca de experiências e de pactuação intra-
institucional

Oficina Temática "Olhares de Gênero sobre o


Planejamento dos Recursos Hídricos"
Brasília, março de 2004
Resultado: Debate dos representantes de instituições go-
vernamentais e não-governamentais sobre os aspectos
relevantes do papel do gênero humano na gestão dos re-
cursos hídricos e os impactos econômicos.

Fórum de Secretários Estaduais de Recursos Hídricos


Brasília, março de 2004
Resultado: Apresentação da dinâmica de articulação re-
gional do PNRH.

Oficina Setorial "Sociedade Civil no PNRH -


Ampliando o debate em torno das águas do Brasil"
Brasília, fevereiro de 2005
Resultado: Ampliação do envolvimento da sociedade ci-
vil no processo de construção do PNRH, envolvendo re-
presentantes de ONGs, movimentos sociais, instituições
acadêmicas e técnico- científicas, entre outros.

Oficina Temática "Ecorregiões Aquáticas do Brasil"


Brasília, maio de 2005
Resultado: Envolvimento de estudiosos e pesquisadores
em um debate qualificado sobre as Ecorregiões Aquáticas
do Brasil.
40
Oficina Setorial "Segmento Usuários - Ampliando o
debate sobre as águas brasileiras"
Brasília, junho de 2005
Resultado: Ampliação do envolvimento do segmento
usuários da água no processo de construção do PNRH,
contando com representantes dos setores público e pri-
vado, de geração de energia hidrelétrica; turis-
mo/esporte/lazer; agricultura/ irrigação; indústria; sane-
amento; pesca e aqüicultura; navegação fluvial.

Oficina Temática "Aspectos institucionais, legais e


tecnológicos para o manejo das águas de chuva
no meio rural e urbano"
Brasília, julho de 2005
Resultado: Fortalecimento do intercâmbio entre a comu-
nidade técnico-científica, o Governo Federal e a socie-
dade, para a inclusão resultados concretos em relação
ao tema no conteúdo do PNRH.

Seminários Regionais em cada uma das 12 Regiões


Hidrográficas
12 Regiões Hidrográficas, setembro de 2005
Resultado: Apresentação aos membros das Comissões
Executivas Regionais da proposta metodológica para a
elaboração dos 12 Cadernos Regionais e debate em tor-
no das diretrizes e programas do PNRH.

Encontros Públicos Estaduais em cada um dos 26 es-


tados e no Distrito Federal
27 Unidades da Federação, outubro de 2005
Resultado: Ampliação da consulta ao conjunto da socie-
dade, recolhendo críticas e sugestões como contribui-
ção à elaboração do PNRH, bem como propostas para di-
retrizes, metas e programas.

41
Oficina Temática "Gestão de Recursos Hídricos
Transfronteiriços"
Brasília, outubro de 2005
Resultado: Identificação de aspectos prioritários e subsí-
dios para a formulação de diretrizes, metas e programas
do PNRH voltadas para o aumento da eficiência na ges-
tão de recursos hídricos transfronteiriços, envolvendo
representantes do governo federal; dos governos esta-
duais e das CERs, com área em bacia de rios transfrontei-
riços; de organizações da sociedade civil, além dos mem-
bros da Câmara Técnica de Gestão dos Recursos Hìdricos
Transfronteiriços - CTGRHT.

Oficina Temática "Aspectos Políticos, Sócio-Culturais


e a Água"
Belo Horizonte, outubro de 2005
Resultado: Envolvimento dos representantes dos povos
indígenas e comunidades tradicionais como quilombo-
las, ribeirinhos, ciganos, agroextrativistas, faxinais, en-
tre outros, incorporando o olhar dessas populações na
construção das diretrizes, metas e programas do PNRH.

"Seminário Nacional de Diretrizes, Metas e


Programas"
Brasília, novembro de 2005
Resultado: Consolidação das contribuições levantadas
durante o processo de elaboração do PNRH, estabele-
cendo as diretrizes, metas e programas que o compõem.

Reunião plenária do CNRH para apreciação do PNRH


Brasília, janeiro de 2006.
Resultado: Aprovação do Plano Nacional de Recursos
Hídricos (PNRH), por meio da Resolução nº 58, de 30 de
janeiro de 2006.

Reunião no Palácio do Planalto


Brasília, março de 2006.
Resultado: Lançamento do Plano Nacional de Recursos
Hídricos pelo Presidente da República.
Apresentação do PNRH no Fórum Mundial do
México
Cidade do México, março de 2006
Resultado: Cumprimento do compromisso assumido na
Cúpula Mundial de Joanesburgo para o desenvolvimen-
to sustentável (Rio + 10); nas Metas de
Desenvolvimento do Milênio e nas deliberações da Iª
Conferência Nacional do Meio Ambiente.

Lançamento dos Cadernos Setoriais


Brasília, novembro de 2006
Resultado: Renovação do pacto entre todos os setores
usuários de recursos hídricos no sentido de implemen-
tar as diretrizes e programas do Plano.

Lançamento dos Cadernos Regionais nas Feiras


Ambientais de cada região hidrográfica
12 Regiões Hidrográficas, nov. e dez. de 2006
Resultado: Renovação do pacto interinstitucional, com
ênfase nas ações locais realizadas por mobilizadores, au-
mentado a visibilidade do PNRH em todo o território na-
cional.

Com o estímulo e a ampliação das discussões no pa-


ís em relação à água, respeitando a diversidade étni-
ca, biológica, geográfica e cultural brasileira e, prin-
cipalmente, reforçando a estrutura descentralizada
e participativa de se fazer gestão de água no Brasil,
buscou-se a incorporação da pluralidade de visões
e saberes a este processo de construção coletiva de
política pública, como um exercício de cidadania e
de empoderamento da sociedade brasileira.
Esse conjunto de ações desenvolvidas no decorrer
no processo de elaboração do PNRH resultou, ain-
da, em um importante acervo técnico a respeito
do tema.

43
DOCUMENTOS ELABORADOS NO PROCESSO DE
CONSTRUÇÃO DO PNRH

Cartilha "Documento de Introdução ao Plano


Nacional de Recursos Hídricos" (4 edições)
Apresenta informações relevantes para o conjunto da so-
ciedade brasileira, visando facilitar o entendimento so-
bre as questões relacionadas à preservação e conserva-
ção da quantidade e qualidade da água no Brasil.

Página eletrônica do Plano Nacional de Recursos


Hídricos, acessível no endereço:
http://pnrh.cnrh-srh.gov.br/ 1° Semestre de 2004
É mais uma forma de disponibilizar de maneira rápida,
ampla e com baixo custo as informações geradas duran-
te seu processo de construção.

Volume I do PNRH: Panorama e estado dos


Recursos Hídricos do Brasil
Apresenta uma visão panorâmica sobre os recursos hí-
dricos no Brasil e avalia a disponibilidade de água em
qualidade e quantidade e as demandas pelo uso, como
subsídio para a análise retrospectiva e histórica da ges-
tão das águas no país, bem como para a avaliação de
conjuntura das dimensões analisadas. Também apresen-
ta a estratégia dos atores relevantes, explicitando confli-
tos e alianças pelo uso dos recursos hídricos.

Volume II: Águas para o Futuro: uma Visão para


2020
Apresenta os cenários prováveis para o horizonte tem-
poral de quinze anos (2005 a 2020).

Volume III: Diretrizes


Estabelece as diretrizes de abrangência nacional para
efetivar a gestão integrada e as metas de curto, médio e
longo prazo.

44
Volume IV: Programas Nacionais e Metas
Estabelece medidas e programas estruturais e não es-
truturais a serem implementados no nível nacional e em
Regiões Hidrográficas ou Situações Especiais de
Planejamento críticas.

Resumo Executivo do PNRH


Apresenta informações e resultados dos quatro volu-
mes anteriores, de maneira resumida e em linguagem
coloquial. Neste documento, são destacadas as propos-
tas de metas, estratégias, diretrizes, medidas, progra-
mas e ações prioritários para a área de recursos hídricos
no Brasil.

Cadernos Setoriais
Trazem informações sobre os cinco setores usuários da
água bruta: agropecuário, energia hidrelétrica, sanea-
mento, transporte hidroviário e indústria e turismo.

Cadernos Regionais
Descrevem cada Região Hidrográfica de forma abran-
gente e ilustrada, a partir de diversas perspectivas, co-
mo a ambiental, a política, a econômica, a sócio-
cultural e físico-territorial.

45
COMO AS AÇÕES DO PLANO ESTÃO ORGANIZADAS

A organização do Plano em programas e subprogramas


visa dar condições para o alcance dos objetivos estraté-
gicos que todos os brasileiros devem procurar alcançar:
Mais água disponível, superficial ou subterrâ-
nea, e com melhor qualidade.
Diminuição dos conflitos de uso da água, exis-
tentes ou potenciais, ou causados por eventos
críticos, como inundações, secas e outros.
Percepção da conservação da água como um va-
lor social e ambiental importante.
São objetivos claros e simples, e para realizá-los precisa-
se levar em conta a diversidade social e ambiental do
Brasil e as várias instituições envolvidas. Para facilitar o
trabalho, foram pensados 13 programas, que estão or-
ganizados em quatro componentes:
Ações voltada para o ordenamento institucio-
nal, instrumentos da política, capacitação e co-
municação social relacionados à gestão integra-
da dos recursos hídricos. Possui quatro progra-
mas relacionados ao fortalecimento de todos os
órgãos do Sistema (SINGREH), ao desenvolvi-
mento dos instrumentos da política (cobrança,
outorga, enquadramento, sistema de informa-
ções e outros planos) para que cada comitê pos-
sa usá-los plenamente e à capacitação daqueles
que querem participar desse processo de imple-
mentação.
Ações voltadas para as articulações entre os di-
versos setores e instituições, que usam ou cui-
dam das águas. Possui também quatro progra-
mas relacionados a projetos que envolvem di-
versas instituições, como os de avaliação de im-
pactos, de gestão em áreas onde acontecem

46
eventos críticos (inundações, secas e outros),
gestão da oferta da água, incluindo o reuso, e da
gestão, incluindo os conflitos entre os usos múl-
tiplos, o saneamento em áreas urbanas e a con-
servação do solo e água em áreas rurais (micro-
bacias), assim como projetos de despoluição das
bacias hidrográficas e melhor uso da água para
irrigação.
Ações voltadas para algumas áreas especiais do
país, seja por suas características ambientais, re-
gionais ou o tipo de problema relacionado à
água. Essas áreas são chamadas Situações
Especiais de Planejamento e os programas estão
relacionados às águas subterrâneas, áreas cos-
teiras, a região amazônica, o semi-árido brasilei-
ro e o pantanal.
Ações voltadas para o próprio processo de im-
plementação do plano, monitorando, avaliando
e corrigindo os rumos com atualizações. Esse
componente tem apenas um programa e sua im-
portância é muito grande para que o processo
não pare e se aperfeiçoe ao longo do tempo.

47
3
48
3
As Regiões
Hidrográficas
As informações descritas a seguir em
relação às 12 Regiões Hidrográficas
Brasileiras são uma síntese do
“Documento Base de Referência para a
Construção do Plano Nacional de
Recursos Hídricos”. Mais informações
poderão ser obtidas no sítio:
http://pnrh.cnrh-srh.gov.br

49
50
REGIÃO HIDROGRÁFICA AMAZÔNICA

A mais extensa rede hidrográfica do globo terrestre, ocu-


pa uma área de 7.008.370 km2, desde as nascentes nos
Andes Peruanos até sua foz no Oceano Atlântico, sendo
64,88% inseridos no território brasileiro. Compõem a
Região a Colômbia (16,14%), Bolívia (15,61%), Equador
(2,31%), Guiana (1,35%), Peru (0,60%) e Venezuela
(0,11%). No Brasil, os principais formadores do rio
Amazonas, pela margem direita, são os rios Javari,
Purus, Madeira, Tapajós e Xingú. Pela margem esquer-
da, contribuem o Iça, Japurá, Negro, Trombetas, Paru e
o Jarí. A porção nacional apresenta área de aproximada-
mente 3.870.000 km2 e população aproximada de 7 mi-
lhões e 800 mil habitantes, compartilhada por sete esta-
dos: 100% do Acre, Amazonas, Amapá, Rondônia e
Roraima, 76,2% do Pará e 67,8% do Mato Grosso. A va-
zão média de longo período estimada da região é de
131.947 m3/s (73,5% do total do País). A floresta, carac-
terística marcante da Amazônia, apresenta grande vari-
edade de ecossistemas, entre os quais se destacam as
matas de terra firme, várzeas, igapós, campos abertos e
cerrados.
A Amazônia abriga uma infinidade de espécies vegetais
e animais, incluindo mais de 1,5 milhão de espécies ve-
getais catalogadas; 3 mil espécies de peixes; 950 de pás-
saros; e ainda insetos, répteis, anfíbios e mamíferos.
As reservas indígenas envolvem mais de 200 etnias e
ocupam, aproximadamente, 25% da área desta região
hidrográfica. De maneira geral, a Região Hidrográfica
Amazônica apresenta um baixo grau de intervenção an-
trópica (humana), ressaltando- se, porém, o avanço ob-
servado no denominado “arco do desmatamento”, situ-
ado na parte sul desta região, onde predomina o cerra-
do, que vem sendo substituído gradativamente por pas-
tagem e pela cultura de cereais. A baixa densidade de-
mográfica deste território, associada à alta quantidade
de água existente, faz com que a região não apresente
problemas de disponibilidade hídrica em grande escala.
Existem problemas relacionados com qualidade da
água; esses, porém, ocorrem de forma localizada, nor-
malmente nas áreas de maior concentração humana.

51
52
REGIÃO HIDROGRÁFICA DO TOCANTINS-ARAGUAIA

A região abrangida pelas bacias dos rios Tocantins e


Araguaia, seu afluente principal, distingue-se das baci-
as da Região Hidrográfica Amazônica devido às caracte-
rísticas naturais observadas e aos processos históricos
de ocupação. Essas duas características lhe conferem
certa individualidade, integrando-a à paisagem do
Planalto Central. Trata-se de uma região de transição en-
tre os biomas de Amazônia e Cerrado. A área da região
hidrográfica é de aproximadamente 922.000 km2, com
população aproximada, em 2000, de 7 milhões e 200
mil habitantes, sendo 72% situados em áreas urbanas.
A densidade demográfica é de 8 hab/km2, bem menor
2
que a densidade demográfica do País (19,8 hab/km ). A
3
vazão média da região é da ordem de 13.624 m /s, ou se-
ja, 7,6% do total do País.
O rio Tocantins nasce no Planalto Central, Estado de
Goiás, a cerca de 1.000 m de altitude, sendo formado
pelos rios das Almas e Maranhão. Seu principal tributá-
rio, o rio Araguaia, possui 2.600 km de extensão, onde
se encontra a Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do
mundo (350 km de comprimento e 80 km de largura). A
extensão total do rio Tocantins é de 1.960 km, tendo sua
foz no complexo estuarino de Marajó, onde também de-
ságuam os rios Pará, Guamá e Acará.
Nessa região existem várias usinas hidrelétricas, como a
de Tucuruí, Serra da Mesa, Lajeado e Canabrava, além
de um parque agroindustrial crescente e atividade mine-
rária significativa, abrigando o Complexo Mineral de
Carajás (ferro, manganês, cobre, ouro, níquel, etc.), que
representa o maior complexo de exploração mineral do
País.

53
54
REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO NORDESTE OCIDENTAL

A Região Hidrográfica Atlântico Nordeste Ocidental pos-


sui população de aproximadamente 5 milhões e 300 mil
habitantes (2005) em uma área de 274.000 km2, sendo
9% da porção oriental do Estado do Pará e 91% no
Maranhão, incluindo as bacias hidrográficas dos rios
Gurupi, Turiaçu, Pericumã, Mearim, Itapecuru, Munim,
e a região do litoral do Maranhão. Essa região hidrográ-
fica contempla porções de diferentes ecossistemas, dos
quais os mais importantes são a floresta equatorial, res-
tinga, mata de transição, floresta estacional decidual
(mata caducifólia). Em grande parte da região observa-
se o uso e manejo inadequados dos solos, acarretando
processos erosivos, salinização e, em alguns casos, for-
mação de áreas desertificadas. A vazão média da região
3
é de 2.683 m /s (1,5% do país).
A água subterrânea representa a principal fonte de abas-
tecimento da população do estado do Maranhão, em es-
pecial nas regiões de clima semi-árido, onde muitos rios
são intermitentes. Estima-se que mais de 70% das cida-
des do Estado utilizam água proveniente de poços.
De maneira geral, a região não enfrenta grandes proble-
mas em relação à qualidade das águas dos rios devido
ao reduzido porte das cidades e a não existência de gran-
de concentração de indústrias. Na região metropolitana
de São Luis e alguns núcleos urbanos ribeirinhos, po-
rém, observam-se problemas de contaminação das
águas pelo lançamento de esgotos sem tratamento, o
que provoca restrições em relação ao seu uso.

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56
REGIÃO HIDROGRÁFICA DO PARNAÍBA

A Região Hidrográfica do Parnaíba ocupa uma área de


2
aproximadamente 333.000 km , uma população de
3.630.431 habitantes, com uma vazão média de 763
m3/s, bem inferior à média nacional, que é de 19 l/s.km2.
Esta região apresenta grandes diferenças, tanto em ter-
mos de desenvolvimento econômico e social, quanto no
que se refere à disponibilidade hídrica. A carência de
água tem sido historicamente apontada como um dos
principais motivos do baixo índice de desenvolvimento
econômico e social, sobretudo nas áreas mais afastadas
da região litorânea, da Zona da Mata e da calha do rio
Parnaíba.
Em contraposição, os aqüíferos da região apresentam o
maior potencial hídrico da região Nordeste, podendo,
se explorados de maneira racional, representar uma fon-
te sustentável de água para o abastecimento público.
Nesta região existe um elevado potencial turístico, prin-
cipalmente nas áreas litorâneas, em função da região
do Delta do Parnaíba, no eixo Fortaleza-Jeriquaquara e
na região dos Lençóis Maranhenses.
Na porção sul, existe o Parque Nacional da Serra da
Capivara, com o sítio arqueológico do primeiro homem
americano, de 50.000 anos. Há uma tendência de que
essa região se torne uma extensão das áreas agrícolas
atualmente em expansão no cerrado nordestino (pro-
dução de soja).

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58
REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO NORDESTE ORIENTAL

A região Hidrográfica Atlântico Nordeste Oriental tem


uma população de 21.606.881 habitantes e abrange
uma área aproximada de 287.000 km2, onde estão con-
centradas cinco importantes capitais do Nordeste (For-
taleza, Maceió, Natal, João Pessoa e Recife), dezenas de
grandes núcleos urbanos e um significativo parque in-
dustrial. Essas características lhe conferem alta deman-
da hídrica em contraposição a existência de uma baixa
oferta de água. Essa situação faz com que seja uma das
regiões de maior conflito pelo uso da água no País. A va-
3
zão média da região é da ordem de 779 m /s, (0,43% da
vazão do País).
As bacias costeiras dos rios situados entre o Ceará e
Alagoas contemplam uma enorme diversidade de rios,
córregos e riachos, a maioria dos quais de caráter inter-
mitente. A diversidade fisiográfica determina, ainda, si-
tuações diferenciadas na qualidade das águas superfici-
ais. A produtividade dos poços para captação da água
subterrânea é baixa, com média de 2 m3/h, sendo fre-
qüente observar teores elevados de sais nessas águas,
impossibilitando o uso direto para abastecimento huma-
no. Políticas públicas mal planejadas e conduzidas leva-
ram a região a apresentar mais de 70% dos poços em
condições precárias de uso ou desativados.
Nos últimos dez anos, foram instalados, nessa região,
equipamentos para remoção do alto teor de sais da
água (dessalinizadores). A utilização dessa tecnologia,
porém, deve estar obrigatoriamente associada ao mane-
jo racional de seu rejeito; caso contrário, existem gran-
des riscos de impactos negativos, principalmente no
que se refere à salinização de solos. Apesar das mencio-
nadas restrições, muitas vezes, as águas subterrâneas re-
presentam a única alternativa de abastecimento de cida-
des no semi-árido nordestino. Essas mesmas políticas
provocaram a maior concentração de áreas em processo
de desertificação do país.
A Região Hidrográfica Atlântico Nordeste Oriental con-
templa fragmentos da Floresta Atlântica, Caatinga, pe-
quena área de Cerrado e ecossistemas Costeiros e
Insulares, todos seriamente comprometidos devido ao
processo histórico de desmatamento.

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A Região Hidrográfica do São Francisco coincide com a totali-
dade da bacia hidrográfica desse importante rio, conhecido
como “rio da integração nacional”. O rio São Francisco e seus
168 afluentes drenam uma área total de aproximadamente
638.000 km2. Este rio tem 2.700 km de extensão e abrange se-
te unidades da federação: Alagoas (2,3%), Bahia (48,2%),
Distrito Federal (0,2%), Goiás (0,5%), Minas Gerais (36,8% da
área da bacia), Pernambuco (10,9%) e Sergipe (1,1%). A par-
tir da confluência do rio Grande, seus afluentes se situam em
região semi-árida, apresentando características de intermi-
tência, ou seja, secam parte do ano e, no período chuvoso,
apresentam grandes torrentes.
REGIÃO HIDROGRÁFICA DO SÃO FRANCISCO

A vazão média anual máxima é de 2.850 m3/s (1,59% do país).


A região hidrográfica apresenta uma população de 12 mi-
lhões e 800 mil habitantes (2005). Nesta região estão presen-
tes diferentes biomas, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga,
além de ecossistemas Costeiros e Insulares. O cerrado cobre
praticamente metade da área da bacia, ocorrendo desde
Minas Gerais até o sul e o oeste da Bahia, enquanto a caatinga
predomina no nordeste da Bahia, onde as condições climáti-
cas são mais severas.
Do ponto de vista econômico, merece destaque a produção
mineral, principalmente no Alto Rio da Velhas, trecho onde se
situa a região metropolitana de Belo Horizonte e a região de-
nominada Quadrilátero Ferrífero, onde se concentram gran-
des empreendimentos minerários. A região correspondente
ao trecho sub-médio concentra grandes projetos de irriga-
ção. A maior limitação para a expansão da irrigação não está
relacionada com a falta de terras aptas, mas sim com a dispo-
nibilidade de água. Em algumas áreas dessa região existem in-
tensos conflitos pelo uso da água, principalmente no entorno
de perímetros irrigados. Estima-se que o potencial total em
termos de área irrigada no trecho sub-médio esteja próximo
de 800.000 ha.
No Vale do São Francisco, por sua vez, existem mais de 20 mi-
lhões de hectares de terras agronomicamente aptas para irri-
gação. Impactos ambientais podem ser observados em algu-
mas áreas onde se concentra a agricultura irrigada. Desses, é
importante destacar a salinização de solos, provocados por
processos de irrigação mal conduzidos, e a desertificação.
Essa região apresenta alta susceptibilidade a processos erosi-
vos. Cerca de 13% da área total da bacia apresenta perda de
solo superior a 10 t/ha.ano, que representa o limite de tole-
rância para a maioria dos solos tropicais. Como exemplo des-
se processo de degradação em curso nessa região hidrográfi-
ca pode ser mencionado o Núcleo de Desertificação de
Cabrobó, situado na margem esquerda do rio São Francisco,
em Pernambuco.
Em 2002, foi criado o Comitê de Integração da Bacia
Hidrográfica do rio São Francisco, organismo colegiado, con-
sultivo e deliberativo, que tem por atribuição: promover o de-
bate sobre questões relacionadas aos recursos hídricos e arti-
cular a atuação das entidades intervenientes; arbitrar confli-
tos relacionados aos recursos hídricos; aprovar o Plano de
Recursos Hídricos da Bacia e acompanhar sua execução; entre
outras.

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62
REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO LESTE

Esta Região agrega os cursos de água, em geral de pe-


quena dimensão, que ocorrem desde o Estado de
Sergipe até o norte do Espírito Santo. Abrange uma
2
área de 388.000 km e uma população de 14 milhões de
habitantes. A vazão média da região é de 1.492 m3/s
(0,83% do total).
A região apresenta uma enorme diversidade de rios, cór-
regos e riachos, com situações bastante diferenciadas
no que se refere a qualidade das águas superficiais.
Observa-se elevada concentração de ferro, fósforo e alu-
mínio, além de turbidez elevada, nos rios Pardo, Salinas
e Jequitinhonha, em função do garimpo e da dragagem
para mineração. Na região do Recôncavo Baiano, as fon-
tes de poluição envolvem os efluentes do Pólo
Petroquímico de Camaçari, além de agrotóxicos e eflu-
entes domésticos. Fragmentos dos biomas Mata
Atlântica, Caatinga, pequena área de Cerrado e
Formações Costeiras e Insulares compõem o quadro na-
tural da vegetação desta região. No entanto, esses bio-
mas encontram-se quase totalmente devastados,devi-
do, principalmente, à expansão da atividade agrope-
cuária sobre os sertões.
O Recôncavo Baiano e a Zona da Mata foram desmata-
dos para a implantação da cultura canavieira, e as ma-
tas úmidas do sul da Bahia foram substituídas pelas
plantações de cacau. Ainda hoje, o extrativismo vegetal,
principalmente para exploração de madeireiras, repre-
senta uma das atividades de maior impacto sobre o me-
io ambiente regional.
Além das atividades industriais, concentradas na região
de Salvador, e da mineração, o turismo (na orla maríti-
ma) representa importante fonte econômica regional. A
população flutuante nos pólos turísticos litorâneos de-
manda grande quantidade de água de qualidade e ser-
viços de saneamento básico adequado. No entanto, ob-
serva-se que as cidades não possuem capacidade para
suprir, de forma satisfatória, essa demanda, o que oca-
siona graves problemas de poluição dos mananciais e
desabastecimento de água durante o verão.

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64
REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO SUDESTE

A Região Hidrográfica Atlântico Sudeste abrange uma


2
área de aproximadamente 215.000 km , com uma popu-
lação de 25 milhões e 200 mil habitantes. Seus principa-
is rios em extensão são o Paraíba do Sul e o Doce, com
respectivamente, 1.150 e 853 km. Além desses, a região
hidrográfica é formada por diversos corpos d'água pou-
co extensos, que formam as bacias dos rios São Mateus,
Santa Maria, Reis Magos, Benevente, Itabapoana,
Itapemirim, Jacu, Ribeira e áreas litorâneas do Rio de
Janeiro e de São Paulo. A região apresenta uma vazão
média da ordem de 3.179 m³/s (1,77% do país).
A Região Hidrográfica Atlântico Sudeste possui expres-
siva relevância nacional devido ao elevado contingente
populacional e à importância econômica do grande e di-
versificado parque industrial instalado. Essa região loca-
liza-se em uma das mais complexas e desenvolvidas áre-
as do País.
Existe um grande potencial de conflitos no que se refere
ao uso dos recursos hídricos nessa região, pois, ao mes-
mo tempo em que apresenta uma das maiores deman-
das hídricas nacionais, possui uma das menores dispo-
nibilidades relativas. A escassez, sobretudo no litoral do
Rio de Janeiro e de São Paulo, e em partes da bacia do
rio Doce, coloca os recursos hídricos na condição de re-
curso estratégico.
O grande desafio nessa região envolve a compatibiliza-
ção entre a promoção do crescimento econômico e soci-
al com preservação ambiental, e a gestão voltada para o
uso múltiplo das águas. Nesta região hidrográfica fo-
ram criados e estão em plena atividade dois Comitês de
Integração de Bacia Hidrográfica de rios de domínio da
União, o do rio Doce e o do rio Paraíba do Sul.

65
A Região Hidrográfica do Paraná apresenta grande impor-
tância no contexto nacional, possuindo, aproximadamen-
te, 32% da população nacional (54.639.523 habitantes),
concentrada, sobretudo, em grandes cidades. Sua área cor-
2
responde a aproximadamente 880.000 km , abrangendo
parte dos estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do
Sul, Minas Gerais, Goiás, Santa Catarina e Distrito Federal
3
A vazão média é de 11.453 m /s (6,38% do país). A região
apresenta os biomas Mata Atlântica e Cerrado. Entre os
principais formadores do rio Paraná destacam-se o rio
Grande, que nasce na Serra da Mantiqueira e corre ao lon-
66
REGIÃO HIDROGRÁFICA DO PARANÁ

go de 1.300 km no sentido leste-oeste, e o rio Paranaíba,


que é formado por muitos afluentes, dos quais o mais se-
tentrional é o São Bartolomeu, que nasce na Serra dos
Pirineus, nas proximidades de Brasília. O rio Paraná possui
uma extensão de 2.570 km (até sua foz no rio da Prata),
que somados aos 1.170 km do rio Paranaíba, seu afluente
principal, totalizam 3.740 km, sendo o terceiro rio mais ex-
tenso das Américas.
O rio Paraná é um rio transfronteiriço, fazendo a divisa do
Brasil com o Paraguai. Esta região possui a cidade mais po-
pulosa da América do Sul, São Paulo, com 10,9 milhões de
habitantes, além de outros grandes centros urbanos como
Brasília (2,3 milhões de hab.), Curitiba (1,7 milhão de hab.),
Goiânia (1,2 milhão), Campinas (1 milhão hab.), Campo
Grande (750 mil hab.) e Uberlândia (585 mil hab.).
O crescimento de grandes núcleos urbanos em rios de cabe-
ceira, como São Paulo, Curitiba e Campinas, tem gerado
grande pressão sobre os recursos hídricos. Isso porque, ao
mesmo tempo em que aumentam as demandas, diminu-
em as disponibilidades, devido à contaminação da água
por efluentes domésticos, industriais e drenagem urbana.
Esta região é a que apresenta, também, a maior diversida-
de de conflitos entre usuários de recursos hídricos. São
exemplos os conflitos existentes entre: abastecimento hu-
mano e diluição de efluentes em cidades como Brasília e
Goiânia; irrigação e geração hidrelétrica no Triângulo
Mineiro; irrigação e o abastecimento nos rios Araguari,
Piracicaba, Sorocaba, Ivaí e Grande São Paulo; indústria e o
abastecimento humano na região do baixo rio Pardo/Mogi
e entre a hidrovia Tietê-Paraná e a geração de energia elé-
trica. As áreas agrícolas desta região hidrográfica abran-
gem 81.555.609 ha, sendo cerca de 57% dessa área desti-
nada a pastagens, 23% à lavoura, e 20% são áreas de ma-
tas nativas ou plantadas. Entre as atividades agrícolas, des-
tacam-se a pecuária e o cultivo de laranja, soja, cana-de-
açúcar e café.
O parque industrial é o mais avançado do País, destacando-
se os setores de metalurgia, mecânica, química e farma-
cêutica. Em 2003, foi criado o Comitê de Integração de
Bacia Hidrográfica do rio Piracicaba, importante sub-
afluente do Paraná.

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68
REGIÃO HIDROGRÁFICA DO PARAGUAI

A importância ecológica desta Região Hidrográfica nos


contextos nacional e internacional se assemelha à da
Região Hidrográfica Amazônica. Abriga ecossistemas es-
peciais, conhecidos em seu conjunto como Pantanal,
uma das maiores extensões úmidas contínuas do plane-
ta, considerado, pela UNESCO, no ano de 2.000,
Reserva da Biosfera Mundial, e Patrimônio Nacional pe-
la Constituição Federal de 1988. O rio Paraguai nasce
em território brasileiro e sua bacia possui uma área de
363.000 km2 (no País), com 1 milhão e 900 mil habitan-
tes. Fazem parte da bacia os estados de Mato Grosso do
Sul (52%) e Mato Grosso (48%). A vazão média da re-
gião é de 2.368 m3/s (1,32% do total do País).
O Paraguai é um rio transfronteitiço, sua nascente está
em território Brasileiro e suas águas avançam pelo
Paraguai e Argentina, compondo a Bacia do Prata. Seus
principais afluentes pela margem esquerda são os rios
Cuiabá, São Lourenço, Taquari, Miranda e Negro.
A Região Hidrográfica se divide em duas áreas principa-
2
is: Planalto (215.963 km ), terras acima de 200 m de alti-
2
tude, e Pantanal (147.629 km ), terras abaixo de 200 m
de altitude, com baixa capacidade de drenagem e sujei-
tas a grandes inundações. Observa-se na região a pre-
sença de vegetação de Cerrado e Cerradão. Parte dessa
vegetação se encontra bastante alterada em função da
expansão das atividades agro-industriais, voltadas para
a exportação. A pecuária extensiva é a principal ativida-
de econômica da região, concentrada nos campos natu-
rais das planícies do Pantanal. A mineração de ouro, dia-
mante, calcário, ferro e manganês também é uma ativi-
dade importante, principalmente em áreas do Planalto,
o que representa um risco para o ambiente pantaneiro.
Desde a década de 70, a expansão da pecuária e da soja
em áreas do Planalto tem sido associada ao desmata-
mento e à erosão. Pelo fato de vários rios da região, co-
mo o Taquari e São Lourenço, apresentarem elevada ca-
pacidade de transporte de sedimentos, a deposição dos
mesmos no Pantanal vem se elevando, fato que acarreta
o assoreamento dos rios.
69
70
REGIÃO HIDROGRÁFICA DO URUGUAI

A região Hidrográfica do Uruguai configura-se impor-


tante região agro-industrial de elevado potencial hidre-
létrico. Abrange uma área de aproximadamente
2
174.000 km , com uma população de 3 milhões e 800
mil habitantes, sendo os principais tributários do rio
Uruguai formados pela confluência dos rios Pelotas e
Peixe. O rio Uruguai tem uma extensão de 2.200km, sen-
do um dos formadores da Bacia do Prata. Todos os seus
afluentes são perenes, entre os quais se destacam, pela
margem direita, os rios Chapecó e Canoas e, pela mar-
gem esquerda, os rios da Várzea, Piratinim, Ijuí, Ibicuí e
3
Quaraí. A vazão média da região é de 4.121 m /s (2,29%
do país).
A região apresenta, em termos de vegetação, nas nas-
centes do rio Uruguai, Campos e a Mata de Pinheiros, e
na direção sudoeste a Mata do Alto Uruguai (Mata
Atlântica). Essa região encontra-se intensamente des-
matada; apenas áreas restritas conservam a vegetação
original. As principais alterações são conseqüência da
expansão agrícola, notadamente das lavouras de arroz
irrigado na região da Campanha, soja e trigo no
Planalto. Nas áreas localizadas junto aos vales, verifi-
camse pequenas propriedades onde se desenvolvem a
suinocultura e a avicultura intensivas.
Os desafios dessa região relacionados com recursos hí-
dricos envolvem a poluição dos cursos de água por eflu-
entes urbanos, industriais, suinocultura e avicultura
(principalmente no rio Chapecó). Além disso, há proble-
mas de conflito entre usos para abastecimento humano
e irrigação de arroz nas bacias dos rios Ibicuí, Santa
Maria e Quaraí.

71
A Região Hidrográfica Atlântico Sul tem grande importância
para o País. Abriga um expressivo contingente populacional,
possui alto grau de desenvolvimento econômico e grande po-
tencial turístico.

72
REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO SUL

Essa região tem inicio ao norte, próximo à divisa dos esta-


dos de São Paulo e Paraná, abrangendo os rios que desá-
guam na baía de Paranaguá, se estendendo até o arroio
Chuí, no extremo sul do País. A maior parte dos rios é de pe-
queno porte e escoam diretamente para o mar. As exce-
ções mais importantes são os rios Itajaí e Capivari, em
Santa Catarina, que apresentam maior volume de água.
Na região do Rio Grande do Sul ocorrem rios de grande por-
te como o Taquari-Antas, Jacuí, Vacacaí e Camaquã, que es-
tão ligados aos sistemas lagunares da Lagoa Mirim e dos
Patos. A região abrange uma área de aproximadamente
2
187.000 km (2,2 % do País), com uma população de apro-
ximadamente 11 milhões e 600 mil habitantes e uma va-
3
zão média anual de 4.174 m /s (2,3% do total).
A vegetação original predominante é a Floresta Atlântica,
onde se visualiza intensa ação antrópica. Estima- se que,
na região, apenas 12% dessa vegetação está preservada. A
Mata de Pinheiros, conhecida como Floresta de Araucária,
é encontrada, em pequenas extensões, em áreas acima de
600/800 metros de altitude. Em função da intensa ativida-
de madeireira iniciada nas primeiras décadas do século pas-
sado, registra-se forte degradação nessa fisionomia. Na re-
gião litorânea destacam-se os manguezais e restingas. As
formações naturais dos campos, que ocorrem predomi-
nantemente nas áreas altas de Planalto do Rio Grande do
Sul, foram alteradas devido ao uso do fogo, ao superpas-
toreio e à implantação de lavouras.
Além da forte demanda para abastecimento humano e ani-
mal, a irrigação representa o maior consumo de água des-
ta região, principalmente para o cultivo de arroz, que ocor-
re em extensas áreas do Rio Grande do Sul e Santa
Catarina. Esses cultivos representam importante fonte de
poluição difusa na região, em função do uso intensivo de
insumos químicos na agricultura.
Em relação às atividades mineradoras, destacam-se: pro-
dução de carvão (Candiota e baixo Jacuí/RS, e região de
Criciúma e Tubarão/SC), extração de argila (unidade hidro-
gráfica do Litoral Sul Catarinense) e de ouro (rio
Camaquã/RS). Essas atividades provocam a contaminação
de águas superficiais e subterrâneas e a erosão dos solos.

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4
74
4
Preciosos
cuidados
do dia-a-dia
Desde 2006, o Brasil tem um plano para cuidar de suas
águas – o Plano Nacional de Recursos Hídricos. Mais de 7 mil
pessoas participaram diretamente de sua elaboração, mas
colocá-lo em prática depende da colaboração de todos.
São diversas as formas e os instrumentos de implementação
das recomendações do Plano das Águas. Confira algumas
iniciativas simples, que você pode adotar na sua residência e
comunidade.

Vamos cuidar das águas do Brasil!

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76
FIQUE POR DENTRO!
Os documentos produzidos durante o processo de ela-
boração do Plano Nacional de Recursos Hídricos já estão
disponíveis na Internet. Eles podem ser guardados em
seu computador, para leitura ou impressão. No sítio ele-
trônico do PNRH, são encontradas também informações
sobre as 12 Regiões Hidrográficas; as Comissões
Executivas Regionais (CERs) e as formas de comunicação
com seus coordenadores, além de outros conhecimen-
tos interessantes. O sítio é: http://pnrh.cnrh-srh.gov.br.
Acompanhe passo-a-passo a implementação do Plano,
recebendo em seu e-mail os boletins eletrônicos da
Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio
Ambiente (SRH/MMA) e do Conselho Nacional de
Recursos Hídricos (CNRH). Cadastre-se na sessão “Recur-
sos Hídricos” do sítio http://www.mma.gov.br. Sobre
os demais instrumentos da Política Nacional de Recursos
Hídricos, acesse http://www.ana.gov.br.
Encontre todas as leis, decretos e resoluções relaciona-
dos ao tema no sítio eletrônico do CNRH. Lá também en-
contrará outras informações sobre o trabalho das
Câmaras Técnicas, cada uma sobre um tema diferente. O
sítio é http://www.cnrh-srh.gov.b/ .
Muitos dos órgãos do SINGREH têm seus próprios sítios
eletrônicos. Outros se comunicam por meio de listas de
discussões, boletins eletrônicos ou jornais. O sítio da
Rede Interamericana de Recursos Hídricos (RIRH) dedica-
do ao Brasil pode facilitar a busca desses meios de comu-
nicação e intercâmbio de experiências. Faça sua busca
no sítio http://brasil.rirh.net .
Existem, também, outros grupos constituídos em forma
de redes e fóruns, os quais proporcionam informações
bastante atualizadas sobre as ações dos órgãos do
SINGREH em geral. Alguns deles são o Fórum Nacional
de Comitês de Bacia e a Rede Brasileira de Organismos de
Bacia (REBOB). O sítio é http://www.rebob.org.br.

Procure manter-se informado!

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HIDRATAÇÃO E ALIMENTAÇÃO
Se a água que chega à sua casa não é tratada, é necessá-
rio filtrá-la e depois fervê-la (por 5 a 10 minutos) antes
de consumí-la, pois os filtros de barro, embora limpem
as impurezas, não matam os microorganismos que cau-
sam doenças ao ser humano.
Se a água que chega à sua casa é tratada, verifique sem-
pre se sua caixa d´água está limpa, para evitar que a
água se contamine em sua residência.
Cuide de sua alimentação e beba muita água durante o
dia. O corpo humano é uma máquina viva que precisa
de energia para o seu bom funcionamento. A alimenta-
ção deve ser equilibrada, ou seja, um pouco de proteí-
nas, carboidratos, gorduras, vitaminas e sais minerais.

Você sabia que...


O ser humano não pode viver com menos de 20 litros de
água por dia, entre o que bebe e o que utiliza para suas
necessidades de alimentação e higiene. Sem esta quan-
tidade, é difícil sobreviver por mais de uma semana. Daí
a importância e o valor da água para a manutenção da vi-
da no planeta.

Para alguns, basta abrir a torneira, em suas casas, para


que a água jorre em abundância. Entretanto, para mi-
lhares de pessoas, em áreas rurais de países em desen-
volvimento, é necessário gastar até cinco horas por dia
para ir buscá-la, a muitos quilômetros de distância.

Além da escassez, a contaminação da água também


põe em risco a vida humana, a saúde, o bem-estar soci-
al, a diversidade biológica e a qualidade da alimentação
dos seres vivos. Por isso mesmo, ambas – a quantidade e
a qualidade da água - são responsáveis por conflitos e
tensões em algumas nações do planeta.

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Sabesp | Odair Marcos Faria Marcos Borges Dias
HIGIENE PESSOAL E BEM-ESTAR
Lave sempre as mãos com sabão antes de qualquer refei-
ção, depois de ter usado o banheiro, ter trocado fraldas ou
ter tocado em animais de estimação. Isso evita que a mão le-
ve à boca microorganismos capazes de transmitir doenças.
Cuide de sua higiene pessoal e de sua família. Tomar banho,
cortar unhas e os cabelos, vestir roupas limpas, escovar os
dentes, lavar as mãos e andar calçado são atitudes que ga-
rantem a higiene corporal, o próprio bem estar e previnem
determinadas doenças.
Informe outras pessoas sobre isso, sempre que tiver
oportunidade.

Você sabia que...


Existem bactérias e fungos que, em contato com as pesso-
as, não causam mal. Entretanto, há outros que produzem
toxinas e fermentações que causam sérios danos à saúde.
São inúmeras as doenças transmitidas ao homem por meio
da água: diarréia, hepatite, tétano, leptospirose e toxo-
plasmose, entre outras.
Quando os cientistas começaram a entender os micróbios,
como eles se reproduziam e como invadiam o corpo do ser
humano, causando doenças e devastando populações inte-
iras, perceberam que seria muito mais lógico evitar as doen-
ças do que tentar combatê-las com remédios e outros trata-
mentos. Para se evitar uma doença, é preciso viver em ambi-
entes limpos.
Ao cuidar do saneamento ambiental ( abastecimento de
água, esgotamento sanitário, manejo de residos sólidos ur-
banos e manejo de águas pluviais) o município está cuidan-
do da saúde de sua população, evitando que se contami-
nem com a água que bebem ou com os alimentos que inge-
rem, vindos dessa água (peixes e alimentos irrigados).
Além de ser responsabilidade do Estado, todos nós pode-
mos contribuir, buscando informações, junto à prefeitura
de seu minicípio, sobre coleta seletiva e as melhores formas
de descarte de seu lixo. Existem muitas cidades do mundo
cujos rios foram recuperados e ficaram livres de poluição de-
pois do tratamento do lixo e do esgoto.

81
PIA DA COZINHA
Evite que as torneiras fiquem pingando. Lembre-se de que
“gota a gota, a água se esgota”. Troque as peças danificadas
sempre que for necessário.
Molhe e ensaboe tudo de uma vez, com a água acumulada na
pia após tampar o ralo. Não deixe a torneira aberta. Abra-a
somente para o enxágüe final.
Instale um aerador em sua torneira. Ele é um dispositivo
barato, fácil de colocar, economiza bastante água e evita
perdas fora do jato.
Quando encher um recipiente com água para esquentar ou fer-
ver, não o encha mais do que o necessário, para que a água
não derrame nem se evapore à toa. Especialmente para cozi-
nhar legumes, use pouca água para não perder o sabor e o
valor nutritivo.
Dependendo do que for fervido, não jogue a água fora. Use-a
para cozinhar o arroz, outro alimento ou fazer uma sopa mais
tarde.
Para fazer cubos de gelo, use formas flexíveis, que permitem
remover o gelo sem ter de colocá-lo sob o jato de água para
desprender-se.
Se em seu município você pode beber água de torneira, deixe
uma garrafa de água na geladeira ou a moringa sempre cheia,
com água fresca. Assim, caso saia água quente da torneira
quente, no início, você não precisará bebê-la nem desperdiçá-la.
Ao lavar as verduras, você pode usar um recipiente cheio e
lavar todas de uma só vez. Se preferir lavar sob o jato de água,
tampe o ralo da pia, pois pode aproveitar essa água para lavar
as vasilhas depois.
Evite usar água corrente para descascar vegetais ou frutas. Se
precisar limpar a faca, use a água de uma pequena bacia ou
feche a torneira, logo em seguida.
Não use água corrente para empurrar resíduos ou coisas para
o ralo. Recolha os resíduos com uma bucha ou toalha de
papel, e jogue-os na lixeira. Se puder ter uma lixeira para pro-
dutos orgânicos, poderá fazer compostos que serão usados
em seu jardim, posteriormente. Economize duas vezes – a
água e o adubo – e tenha mais qualidade em seu jardim, com
produtos orgânicos!
Se deseja jogar fora o óleo usado em frituras, coloque-o
em garrafas plásticas (por exemplo, as garrafas PET de
refrigerante), feche-as e jogue-as no lixo normal ou orgâ-
nico. Segundo a SABESP, um litro de óleo jogado no
ralo da pia da cozinha contamina cerca de 1 milhão de
litros de água, o equivalente ao consumo de uma pessoa
no período de 14 anos.

82
PIA DO BANHEIRO
Enquanto se lavar e não estiver usando a água, não a deixe
escorrendo.
Em muitos casos, é melhor colocar a tampa no ralo da pia e
enchê-la.
Se quiser água morna, tampe a pia e comece a enchê-la, po-
is, ao final, a água que ao princípio estava fria se misturará à
água quentes. Assim, ambas as temperaturas se misturam
e a água ficará morna, sem desperdício.
Use escova, bucha ou seus dedos para remover pequenas
sujeiras ao lavar qualquer objeto, no lugar do jato d´água
da torneira. Não espere que a força da água faça o trabalho
sozinha.
Feche a torneira enquanto escovar os dentes. Dessa manei-
ra, uma família de cinco pessoas pode economizar até 40 li-
tros de água por dia.
Enxágüe e limpe seu barbeador em um recipiente com
água. Não o faça com água corrente.
Instale algum dos dispositivos existentes no mercado pa-
ra economizar água nas torneiras. Há vários tipos: redu-
tores para baixar o consumo, misturadores para a cozi-
nha, aeradores e outros. Informe-se nas casas especiali-
zadas.

83
VASO SANITÁRIO
Atualmente, existem vários modelos de vasos sanitários.
Alguns deles são de baixo consumo de água e usam so-
mente 6 litros por descarga. São melhores do que as vál-
vulas de descarga diretamente na parede. Se for constru-
ir ou reformar, não pense duas vezes antes de usá-los.
Observe periodicamente se as válvulas de descarga, as
bóias e a válvula de fechamento do vaso sanitário estão
funcionando bem, para evitar que a água escape ou
transborde. Se for necessário, substitua as peças por ou-
tras de melhor desenho ou qualidade, pois são fáceis de
encontrar.
Dê descargas somente quando houver algo que produza
mal odor. Se for somente papel higiênico, deixe-o lá até
que seja necessário dar uma descarga. Não utilize o vaso
sanitário como lixeira para jogar fora absorvente higiêni-
co, tocos de cigarro, algodão ou outros objetos. Você po-
de comprometer a tubulação, entupindo-a ou rompen-
do-a, o que pode lhe custar caro.

Você sabia que...


Pesquisas comprovam que numa residência com
quatro pessoas, a descarga sanitária é acionada, em
média, 16 vezes ao dia. Então, se cada descarga gas-
ta 30 litros, o total do consumo diário é de 480 li-
tros. Quando multiplicamos por 30 dias chegamos a
um total de 14.400 litros ou 14,4 m3 de consumo ao
mês.
Quando é feita a substituição de antigos equipa-
mentos por produtos com nova tecnologia já exis-
tentes no mercado, que utilizam 6 litros por descar-
ga, e dividimos o cálculo acima por 5, o consumo é
de 2.880 litros ou 2,88 m3/mês.
Essa conta revela uma economia de 11.520 li-
tros/mês ou uma redução de 80% no consumo de
água nas descargas sanitárias.

redução de 80%
84
CHUVEIRO
Tome duchas mais breves e feche a torneira enquanto en-
saboa o corpo ou os cabelos. Depois, enxágüe somente
até tirar toda a espuma.
Caso goste de cantar enquanto toma banho, escolha can-
ções mais curtas.
Não se barbeie nem depile no chuveiro, pois, para isso,
não é necessário molhar todo o corpo.
Aproveite a água que sai fria da ducha, no início, e guar-
de-a em um balde ou outro recipiente. Ela pode ser útil pa-
ra o vaso sanitário, para lavar alguma roupa, regar plan-
tas ou outra necessidade doméstica.
Se está construindo ou reformando sua casa, aproveite pa-
ra mudar o aquecedor a gás ou elétrico de lugar: para que
a água quente não de-
more muito a sair na
ducha, esse equipa-
mento precisa estar
mais próximo do ba-
nheiro. Caso isso
não seja possível,
procure fazer o iso-
lamento térmico da
tubulação para evi-
tar perdas de calor.

LIMPEZA DA CASA E DAS ROUPAS


Use um balde para medir e controlar a quantidade de
água para a lavagem do piso ou outros lugares. Não utili-
ze mangueiras, pois gasta-se água desnecessariamente.
Esfregue com as mãos ou escova as partes mais sujas das
roupas para evitar lavagem dupla ou tripla.
Use sua máquina de lavar somente quando tiver roupas
suficientes para enchê-la, a não ser que sua máquina te-
nha ajuste manual de quantidade de água.
Algumas pessoas conseguem guardar a água perfumada
que sai da lavadora – com sabão e com amaciante – para
serem usadas nos vasos sanitários. O sistema pode ser ins-
talado quando construir sua casa ou reformá-la. Uma ou-
tra opção é usar a água para lavar o passeio da casa, o
quintal ou para outro uso menos nobre. Se a água do en-
xágüe final não tiver amaciante, pode ser usada para re-
gar suas plantas.
85
FORA DAS EDIFICAÇÕES
Recentemente, algumas cidades estão obrigando as
construtoras e incorporadoras a instalar medidores em
cada apartamento, com o objetivo de que cada morador
tenha informações precisas sobre seu consumo.
A maioria dos edifícios, entretanto, ainda possui uma
única conta de água, onde se somam o consumo indivi-
dual de cada apartamento e o consumo coletivo.
Portanto, engana-se quem acha que o condomínio é
quem paga a água e não o morador – seu consumo está
embutido na conta do condomínio e é você quem paga
uma das parcelas.
O consumo do condomínio também está muito relacio-
nado à orientação sobre procedimentos a serem adota-
dos pelos funcionários da limpeza. Observe se deixam a
mangueira ligada, jorrando água, enquanto estão ensa-
boando o piso dos corredores; qual o horário de rega
dos canteiros, jardineiras ou jardins; e se usam a água pa-
ra lavar passeios, usando a mangueira como se fosse vas-
soura. Tudo isso influencia sua conta de água.
Você sabia que...
Considerando o nível tecnológico atual, um edifício co-
mercial deve ter um consumo de no máximo 30 li-
tros/pessoa/dia. "Basta verificar na conta de água o con-
sumo médio do prédio nos últimos seis meses, dividir pe-
lo número de usuários do prédio e dividir novamente pe-
los dias úteis do mês. Se o resultado estiver acima de 30 li-
tros, é possível economizar". Um prédio residencial não
pode passar de 180 litros/pessoa/dia.(www.h2c.com.br )

JARDINAGEM
Regue as plantas somente quando for necessário, caso
não seja época de chuva ou se realmente está muito se-
co. Faça-o bem cedo ou depois que o sol se pôr, para evi-
tar a evaporação.
Regue de maneira que a água infiltre até a raiz das plan-
tas, sem encharcar o solo. Não deixe a água escorrendo
pelo passeio e, muito menos, causando erosão do solo.
Aproveite a água da chuva, desenhando sistemas de cap-
tação de água no telhado e armazenando-a de forma
adequada. Essa é a melhor água para regar suas plantas
em época de seca.
86
Para maior economia, planeje, selecione bem e distribua
adequadamente as plantas que usará no paisagismo de
seu jardim. Existe grande variedade de plantas nativas em
cada região, inclusive cactáceas, que requerem pouca
água e são ornamentais, formando belos arranjos.
Reduza a evaporação da irrigação de suas plantas, co-
brindo o solo do jardim com pedaços de madeira, folhas
secas, pedrinhas ou outro material que achar mais inte-
ressante para a decoração que planejou. Esses materiais
mantêm o solo úmido por baixo deles.
Ao regar com aspersores, ajuste o grau de giro de acordo
com a área a ser irrigada, para evitar que reguem áreas pa-
vimentadas, que não necessitam água. Caso use man-
gueiras, adapte aquelas peças que permitem o controle
do fluxo.
Na época de seca corte a grama, mas não a recolha. Isso
evita a evaporação, protegendo-a contra ressecamento.
Não fertilize o gramado em excesso. Quanto mais cresce a
grama, mais água demanda.
Não corte o gramado muito rente ao solo. A altura conve-
niente é de 5 a 8 cm para manter as raízes saudáveis, per-
mitir que o solo tenha alguma sombra natural e retenha a
umidade.
Mantenha afiadas as lâminas da podadora, pois do con-
trário podem arrancar as raízes ou enfraquecer o grama-
do, tornando-o mais susceptível a pragas e enfermidades.
Isso aumentará, consequentemente, seu consumo de
água para mantê-lo mais bonito.
Na época de seca, não desperdice água no gramado, mes-
mo que fique amarelado. Normalmente as gramíneas fi-
cam inativas nessa época e revivem quando caem as pri-
meiras chuvas.
Você sabia que...
A classificação da qualidade da água, geralmente, é esta-
belecida em função dos usos que se pretende para ela.
Assim, a presença de certas impurezas na água, nem sem-
pre indicam que a mesma está poluída.
Algumas substâncias presentes na água são necessárias pa-
ra os organismos que a consomem e para os que nela vi-
vem. A água está poluída quando apresenta substâncias
estranhas à sua composição, de forma que seu uso seja pre-
judicado.

87
A água absolutamente pura, ou seja, composta apenas
pelas moléculas de hidrogênio e oxigênio, não se encon-
tra disponível na natureza, podendo ser obtida somente
em laboratórios.
Em seu estado natural, apresenta certa quantidade de
oxigênio dissolvido necessário para a sobrevivência dos
peixes e outros animais aquáticos. Apresenta também
substâncias minerais benéficas para os seres que a con-
somem e também determinada quantidade de alimento
para os organismos aquáticos.
Como conseqüência da ação do homem sobre a nature-
za, uma serie de substâncias são lançadas nas águas, alte-
rando em maior ou menor grau as suas características na-
turais, tornando-as impróprias ou prejudicando a sua uti-
lização. Exemplos: o lançamento de esgoto sanitário do-
méstico ou industrial sem qualquer tratamento nos rios
ou em galerias de água de chuva.

CAIXAS D´ÁGUA E CISTERNAS


Desinfete e limpe sua caixa d´água e/ou cisterna periodi-
camente. Normalmente, não há necessidade de esvaziá-
las para estas operações, mas informe-se melhor com a
companhia de saneamento de sua cidade ou órgãos liga-
dos à saúde.
Mantenha-as fechadas. Pássaros ou outros pequenos
animais podem deixar cair algo que contamine sua água,
ou até afogar-se.

PISCINA
Normalmente, não é preciso esvaziá-la para limpeza. Há
produtos químicos e equipamentos que, quando bem
usados, mantêm a água com boa qualidade. Se for real-
mente necessário, aproveite a água para regar um gra-
mado ou outro uso menos nobre, enquanto a esvazia.

LIMPEZA DE AUTOMÓVEL
Use uma toalhinha ou esponja macia e balde para lavar
seu carro, no lugar de mangueira.
Apóie e dê preferência a serviços de lavagem de carros
que reúsam a água.

88
Marcos Borges Dias Marcelo Penalva

89
90
NAS ESCOLAS
Não importa se você é professor(a), pai, mãe ou aluno: ob-
serve o funcionamento dos sistemas de abastecimento, sa-
neamento básico e drenagem da água de chuva da escola
para aproveitar todas as oportunidades de promover o uso
racional desse precioso recurso.
Proponha e ajude a implementação de Programas de
Combate ao Desperdício de Água e projetos para conhecer e
preservar a bacia hidrográfica onde está situada sua escola.
Você sabia que...
Programas de Combate ao Desperdício de Água são com-
postos de:
ações sociais, relacionadas com práticas educativas, mu-
dando atitudes e hábitos, e cultivando valores;
ações tecnológicas, como torneiras economizadoras, tor-
neiras com arejadores ou bacias sanitárias de volume de des-
carga reduzido, com caixa acoplada de 6 litros, ou com vál-
vula de ciclo fixo de 6 litros; e
ações de ordem econômica, relacionadas às tarifas da con-
cessionária do serviço de distribuição de água.
NO TRABALHO
Sempre que puder, sugira às lideranças de locais de uso cole-
tivo (escolas, indústrias, edifícios comerciais, repartições pú-
blicas e outros) que observem as contas de água do edifício.
Observe suas próprias contas, em sua residência. Este proce-
dimento poderá indicar aumentos de consumo incomuns
que podem representar vazamentos ou desperdício de água
pelos usuários.
Proponha e ajude a implantação de sistemas de gestão am-
biental (SGA) ou a Agenda Ambiental na Administração
Pública (A3P). (Consulte: www.mma.gov.br)
Você sabia que...
Sistemas como o SGA e a A3P consistem, entre outras coi-
sas, na análise dos procedimentos empregados na realiza-
ção das atividades da organização e seus impactos na água,
no ar, no solo, na geração de ruídos e odores, e na alteração
da paisagem. Também analisam a redução, a reciclagem ou
a eliminação dos resíduos sólidos (lixo) e líquidos (efluentes
ou esgotos).
91
Esses sistemas incluem Programas de Gestão ou
Programas de Combate ao Desperdício, destinados ao
uso racional dos recursos, como sugerido nos itens ante-
riores.
De modo geral, resultam em economia nas compras, no
consumo de água e energia, no controle e prevenção de
poluição e outros benefícios.
Sugira ou instale sistemas para reutilizar a água, usando
qualquer método já disponível ou construa o seu, adap-
tado às características de sua empresa ou instituição.
Vigie as torneiras de água para que estejam sempre fe-
chadas, depois de usá-las ou após o uso por outra pes-
soa.
Se achar conveniente, coloque ou sugira a colocação de
adesivos com mensagens educativas e simpáticas, lem-
brando a todos, de cada setor, para fechar bem as torne-
iras e apagar as luzes ao sair por último do ambiente de
trabalho.
No caso de indústrias, sugira ou ajude a instalação de me-
didores de consumo de água nos diversos setores e pro-
cessos. Se for preciso, experimente diferentes técnicas e
equipamentos até confirmar quais resultados são me-
lhores para cada situação específica.
Observe as descargas industriais: muitas vezes encare-
cem os tratamentos de efluentes ou contaminam o meio
ambiente ao redor das instalações.
Impeça de todas as maneiras a contaminação de aqüífe-
ros ou corpos d´água superficiais evitando, por exem-
plo, armazenar substâncias tóxicas de maneira inade-
quada, que possam ser lavadas ou infiltradas pela chuva.
Adquira ou sugira a aquisição de equipamentos de alta
pressão de água que permitam uma limpeza efetiva e
com grande economia.
Cuide da água resultante da lavagem de qualquer objeto
ou matéria-prima, fazendo algum tipo de tratamento ca-
so contenha substâncias tóxicas, antes de deixar que re-
gresse à natureza.
Observe a conveniência de implantar Sistema de
Aproveitamento de Água de Chuva.

92
Você sabia que...
O Sistema de Aproveitamento de Água de Chuva pode ser
implantado em qualquer edificação nova ou existente e
precisa somente de alguns cuidados para garantir a quali-
dade da água, quando for usada como água potável:
o sistema de filtragem deve retirar os materiais orgâni-
cos, para que não haja decomposição posteriormente;
o reservatório deve ser fechado, para evitar incidência
da luz solar e reduzir a quantidade de oxigênio em con-
tato com a água, pois ambos – luz solar e oxigênio - ali-
mentam a formação de algas.
Nas indústrias, a água de chuva pode substituir a água po-
tável em usos de grande consumo, tais como: resfriamen-
to de equipamentos, irrigação de jardins, lavagem de pi-
sos, higienização de veículos e outros. Além disso, devido
às suas características, a água de chuva não gera incrusta-
ções nas tubulações e nos equipamentos.
Algumas cidades estão aprovando lei que obriga as novas
edificações a captarem a água de chuva e utilizarem nas
descargas de vasos sanitários, lavagem de pisos, irrigação
de jardins e em outros fins não-potáveis. A água de chuva
pode ser utilizada em residências, edifícios, instalações co-
merciais e, principalmente, indústrias.
O sistema gera redução nos gastos com água tratada e, o
mais importante, proporciona inúmeros benefícios ecoló-
gicos:
evita que água tratada seja utilizada desnecessaria-
mente para fins não potáveis como irrigação de jar-
dins, lavagem de pisos, piscinas, descargas sanitárias,
processos industriais, etc;
reduz o volume de água captada para tratamento e,
conseqüentemente, preserva os mananciais de abas-
tecimento;
reduz a incidência de enchentes;
favorece a recarga do lençol freático.
Sempre que possível, os estacionamentos e pátios dos edi-
fícios devem ser arborizados e pavimentados com brita ou
outro tipo de piso vazado, que permitem a infiltração da
água de chuva e reduzem o calor irradiado por esse tipo de
área. Observe se não há vazamentos de óleo nos veículos
automotores, para evitar contaminação do solo.
93
94
Cuidados com a água em sua cidade
Observe se o serviço de saneamento de sua cidade realiza
campanhas para reduzir o nível de consumo de água. Em
cidades onde há abastecimento normal, a população ten-
de ao consumo excessivo.
Procure saber o número telefônico do serviço de abasteci-
mento de sua cidade para informar vazamentos que ob-
servar em espaços públicos. Essas perdas afetam todos os
moradores, tanto pela possível falta de água nas residên-
cias, quanto pelo seu custo final.
Você sabia que...
No município, a oferta e a demanda de água devem ser
equilibradas racionalmente e deve-se prestar um serviço
eficiente e controlado. É sabido que na distribuição local
da água existem perdas consideráveis devido a grandes fu-
gas nas canalizações principais e nas instalações clandes-
tinas.
Um estudo realizado em 15 cidades latino-americanas
mostrou que os sistemas municipais perdiam entre 40 e
70 % da água. As soluções para este problema permitiri-
am uma grande economia de água e uma maior eficiência
no serviço.
Procure conhecer como é feita a gestão da água em sua ci-
dade. Informe-se para poder contribuir.
Procure saber para onde vai o lixo que sai de sua casa.
Procure, com sua família ou com seus colegas de trabalho
ou funcionários, fazer um plano para cuidar das águas
contaminadas pelos lixões. Comece por reduzir a quanti-
dade de resíduos que vocês jogam fora.
Quando for separar aquilo que não é lixo, primeiro
selecione o que pode ser reutilizado. Somente então,
separe o que será reciclado e procure uma associação de
catadores, ferro-velho, loja de móveis usados ou outra
empresa que compre esse material.
Você sabia que...
Cada brasileiro produz, em média 700g de lixo por dia, po-
dendo chegar a muito mais. Todos geram algum tipo de re-
síduo, mas alguns geram mais do que outros, dependen-
do de seu estilo de vida e de seu grau de conscientização a
respeito desse assunto.

95
A maior parte do lixo é orgânica: cascas de frutas e legu-
mes, restos de comida, podas de jardim e outras. Tudo is-
so pode ser transformado em adubo ou composto, mas,
na maioria das vezes, é jogado fora da casa, transporta-
do até lixões e acaba contaminando as águas, pela infil-
tração do chorume (líquido negro) gerado em sua de-
composição.
No Brasil, das 125 mil toneladas de lixo urbano produzi-
das anualmente, 76% vai parar nos lixões a céu aberto,
contaminando o meio ambiente e prejudicando a saúde
pública. Muitas vezes, a chuva leva parte dos resíduos
para os córregos ou nascentes.
Parte desses resíduos poderia ter sido vendida para in-
dústrias que reciclam papel, alumínio, plástico, vidro,
metais e alguns outros materiais. Parte poderia ter sido
transformada em belos artesanatos ou utensílios do-
mésticos. E ainda outra parte poderia ter sido evitada,
se as pessoas usassem menos produtos descartáveis e
evitassem tantas embalagens quando fazem suas com-
pras. Parte poderia se tornar adubo orgânico.
Uma tonelada de papel reciclado evita o corte de cerca
de 20 árvores, economiza 8 mil litros de água e ainda so-
bra em torno de 3 metros cúbicos de espaço disponível
nos aterros sanitários para outros resíduos, ao longo do
tempo. Um quilo de vidro reutilizado evita a extração de
6 quilos de areia dos rios e a energia economizada com
a reciclagem de uma única garrafa de vidro é suficiente
para manter acesa uma lâmpada de 100 W durante 4 ho-
ras. Ou seja: quando uma pessoa cuida do lixo de sua ca-
sa, está cuidando das águas de seu município, tanto em
termos de qualidade, quanto em termos de quantidade,
deixando bastante para seus filhos.
Procure saber para onde vai a água que sai de sua casa
pelos ralos e vasos sanitários. Se essa água está indo pa-
ra os córregos ou rios, a poluição das águas aumenta ca-
da vez que alguém jogar alguma substância tóxica na
pia ou no vaso sanitário – venenos, remédios, detergen-
tes que não são biodegradáveis, restos de comida e mui-
to mais.

96
97
Cuidados com a água na área rural
Nivele suas terras para assegurar a uniformidade e uma
melhor distribuição da água no solo e nas plantas.
Sempre que puder, use curvas de nível, para que a água
de chuva seja retida, evitando erosão e aumentando a ca-
pacidade de infiltração no solo.
Adote a técnica de irrigação mais adequada para con-
seguir uma economia mais significativa de água. Solicite
assessoria especializada dos órgãos de apoio à agri-
cultura do seu município ou estado, sem custos ou a
custos que se recuperam rapidamente, para alcançar os
benefícios do bom manejo do solo e da água em sua pro-
priedade.
Conscientize-se de que, muitas vezes, o custo que paga
pelo uso da água é inferior do que seu valor verdadeiro,
e que chegará o momento em que custará muito mais,
em caso de escassez. Por isso, prepare-se, com técnicas e
equipamentos, para usá-la bem.
Aproveite ao máximo a água de chuva e somente irrigue
quando necessário. Aproveite técnicas que evitam
perdas, desperdícios e evaporação. Consulte os especia-
listas.
Instale equipamentos de medição das vazões para con-
trolar adequadamente as quantidades de água apli-
cadas em sua lavoura.
Não use agrotóxicos sem supervisão técnica pois essas
substâncias podem fazer mal não somente à saúde das
pessoas, mas também contaminam as águas da região,
98
pois, com as chuvas, boa parte infiltra nos lençóis sub-
terrâneos de água ou são carregados para os rios.
Curiosidade – Barraginhas
Com o objetivo de recuperar áreas degradadas pelo es-
corrimento das águas de chuvas sobre solos compac-
tados, desenvolveu-se a tecnologia social que consiste
na construção de barraginhas contentoras de enxur-
radas. Esse processo, num primeiro momento, freia a de-
gradação do solo, evitando a desertificação e, num se-
gundo momento, reabastece o lençol freático, revitaliza
mananciais, nascentes e córregos, suavizando a seca. As
barraginhas podem ser complementadas com curvas de
nível, outro mecanismo para contenção de erosões, as-
soreamentos e fontes poluidoras veiculadas pelas
águas.

Esse sistema força a recarga das reservas subterrâneas e


armazena água de boa qualidade no solo, por meio da
infiltração ocorrida durante o ciclo chuvoso. Isso
ameniza os efeitos das secas e veranicos em lavouras lo-
calizadas em partes úmidas de baixadas. Além disso,
permite-se o plantio de pomares, hortas e canaviais nas
partes baixas das barraginhas, bem como a construção
de cacimbas e cisternas para o fornecimento de água
para consumo humano e animal, diminuindo ou elimi-
nando a necessidade do caminhão pipa nessas regiões.
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O projeto gera renda, emprego, sustentabilidade
agrícola e fortalecimento regional, levando à redução
do êxodo rural.

99
Wigold Schaffer
Recuperação de mata ciliar em 1 ano | Atalanta | SC

Wigold Schaffer

Recuperação de mata ciliar em 3 anos | Atalanta | SC


Aldem Bourscheit

100
Água e Floresta
Proteja e ajude a proteger locais onde existam florestas,
matas e bosques. É preciso preservar para manter a quan-
tidade de água de que precisamos para nosso abasteci-
mento, para a irrigação e outros usos.
Peça orientação a engenheiros florestais de órgãos gover-
namentais quando for necessária alguma retirada de
árvore dessas áreas. Ele informará sobre como fazer isso
de forma cuidadosa e sobre onde reflorestar para com-
pensar a perda.
Promova a recomposição da mata ou vegetação nativa, es-
pecialmente em: áreas de recarga, que são os topos de
morro, algumas encostas e terrenos arenosos; margens
de corpos d´água que devem estar cobertas por mata
ciliar ou de galeria; e áreas sujeitas a erosão.
Promova o uso de produtos e, se for o caso, empregue pro-
cessos industriais que não propiciem o desmatamento de
florestas.
Plante sempre, evite impermeabilizar o solo.
Proteja as nascentes.

Você sabia que...


As florestas, matas ou bosques são fundamentais no con-
trole da quantidade e qualidade de água doce no planeta.
Quando chove, as águas vão lentamente se infiltrando no
solo das florestas, contribuindo naturalmente para o ar-
mazenamento de grande quantidade de água subter-
rânea que abastecem os poços e as nascentes que
formam rios, córregos e represas.
Toda erosão é resultado da ação de chuva ou outro tipo de
água corrente, que vai levando partículas do solo para
outro lugar mais baixo, quase sempre um córrego, lagoa
ou rio, assoreando-o. É preciso combater a erosão para ga-
rantir água limpa.
As matas ciliares são importantes especialmente em áreas
de agricultura intensa, pois evitam que as enxurradas
levem os agrotóxicos e nutrientes diretamente para a
água dos rios, mudando suas características e sua quali-
dade.

101
GLOSSÁRIO

AFLUENTE - Ou tributário, qualquer curso de água que


deságüe em um rio principal, lago, ou lagoa.
ÁGUA – Fase líquida de um composto químico formado
por aproximadamente 2 partes de hidrogênio e 16 partes
de oxigênio, em peso. A natureza contém pequenas
quantidades de água pesada, gases e sólidos (sobretudo
sais) em solução.
ÁGUA DOCE - Água que ocorre na natureza com baixa
concentração de sais ou geralmente considerada ade-
quada para produzir água potável
ÁGUA SALGADA - Água onde a concentração de sais é re-
lativamente elevada (mais de 10.000mg/l)
AQÜIFERO – Formação geológica capaz de armazenar e
fornecer quantidades significativas de água. Representa
um reservatório de água subterrânea.
ÁGUA POTÁVEL - Água que, em função de suas qualida-
des químicas, físicas e biológicas e de suas características
de odor e sabor, são próprias para consumo humano.
ANTRÓPICO – Ação realizada pelo ser humano em suas
atividades de ocupação do território, produção econômi-
ca e no convívio com o ambiente natural.
ASSOREAMENTO - É o processo de obstrução de rios, ca-
nais, lagos, represas por areia, argila e/ou outros sedi-
mentos.
ATOR SOCIAL – Indivíduo ou instituição que representa
algo para a sociedade, encarna um papel, uma idéia, um
projeto, uma reivindicação, uma promessa, uma denún-
cia, dentro de um cenário.
ATORES RELEVANTES - São grupos de influência com in-
teresse direto no sistema em estudo que tenham capaci-
dade de influir sobre outros atores e nas variáveis.
AUTODEPURAÇÃO DA ÁGUA - Processo natural de puri-
ficação da água, que reduz a poluição orgânica e restitui
o oxigênio consumido.

102
BIOMA – Estruturas ecológicas com fisionomias distintas
de solo e clima, e com estruturas florestais e de fauna ca-
racterísticas, que se distribuem ao longo de um território.
CENÁRIOS - São imagens de futuro configuradas a partir
da “combinação coerente de hipóteses" sobre os prováveis
comportamentos de variáveis determinantes de um siste-
ma. Trata-se da descrição de um futuro - possível, imaginá-
vel ou desejável – para um objeto e seu contexto, e do cami-
nho ou trajetória que o conecta com a situação de origem.
Cenários são estórias sobre a maneira como o mundo (ou
uma parte dele) poderá se mover e se comportar num hori-
zonte de tempo futuro.
CONDICIONANTES DO FUTURO - São as variáveis percebi-
das como relevantes para a Região Hidrográfica, que pro-
vocam mudanças ou descontinuidades significativas na tra-
jetória rumo ao futuro.
CORPO D'ÁGUA – Qualquer rio, córrego, riacho, lago, la-
goa, brejo ou aqüífero.
DEJETO – Denominação genérica para qualquer tipo de
produto residual, excretas, restos, resíduos ou lixo.
DESERTIFICAÇÃO – Processo de degradação ambiental
que ocorre nas regiões áridas, semi-áridas e sub-úmidas se-
cas do globo, resultante de variações climáticas e, princi-
palmente, por ação antrópica, com impactos negativos
imediatos na qualidade de vida da população.
DIRETRIZES - São as instruções que norteiam o estabeleci-
mento de ações para se alcançar o objetivo do Plano (ex.:
promover a melhoria da oferta de água em quantidade e
qualidade nos grandes centros urbanos).
EFLUENTE – Rejeito industrial ou doméstico na forma líqui-
da ou gasosa, lançado no ambiente.
EMPODERAMENTO – Criação de poder nos sem-poder, so-
cialização do poder entre todos os cidadãos e reforço da ci-
dadania ativa junto aos movimentos sociais.
EROSÃO – Desgaste do solo devido ao vento, à chuva, ou a
outras forças da natureza. A erosão pode ser acelerada pe-
la ação humana.

103
ESTUÁRIO – Foz de um rio ou baía, onde se misturam a
água doce do rio e a água salgada do mar. Constituem
um dos mais diversificados ecossistemas.
EUTROFIZAÇÃO – Processo de degradação das caracte-
rísticas de um corpo d'água pelo aumento do nível de nu-
trientes. Ocorre geralmente em lagos e lagoas, e resulta
na superprodução de algas, na redução de oxigênio dis-
solvido na água e na redução da biodiversidade aquática.
ÉTICA DO CUIDADO – Referente à conduta humana de
compaixão e zelo pelo próximo e por toda a comunidade
de vida. Sentimento de responsabilidade por tudo o que
existe e vive.
ÉTICA INTERGERACIONAL – Compromisso com o bem
estar das gerações atuais e futuras.
ÉTICA DA RESPONSABILIDADE – Princípio que deve norte-
ar as ações da vida pública e se aplica a ações que envol-
vam grupo de pessoas, de forma que cada pessoa envol-
vida deve responder pelas conseqüências previsíveis das
próprias ações. Todos os cidadãos são responsáveis pelo
que é público e comum a todos.
IMPACTO AMBIENTAL – Alteração provocada ou induzi-
da pelo ser humano, com efeito temporário ou perma-
nente das propriedades físicas, químicas e biológicas do
meio ambiente.
INCERTEZAS CRÍTICAS - São os componentes de maior
instabilidade e incerteza no curto e médio prazos, com
significativos impactos futuros, que podem levar a im-
portantes mudanças no quadro regional.
JUSANTE – Termo que se refere a uma área ou a um pon-
to que fica abaixo de outro, ao se considerar um fluxo
d'água. O contrario é montante.
MANANCIAL – Reserva de água, de superfície ou subter-
rânea, utilizada para abastecimento humano, animal, in-
dustrial ou para irrigação.
MEIO AMBIENTE - conjunto de condições, leis, influên-
cias e interações de ordem física, química e biológica,
que permite, abriga e rege a vida em todas as suas for-
mas.

104
METAS - São a quantificação do que se pretende realizar
em um prazo estabelecido (ex.: enquadramento de todos
os rios de domínio da União até o ano de 2015).
MONTANTE – Termo que se refere a uma área ou a um pon-
to que fica acima de outro, ao se considerar um fluxo
d'água. O contrario é jusante.
PROGRAMAS - São as instruções, meios e ações necessári-
os à realização das diretrizes e à obtenção das metas, que
ajudarão a enraizar socialmente e difundir as boas práticas
de planejamento e gestão dos recursos hídricos (ex.: pro-
grama de proteção e recuperação de mananciais).
SEDIMENTAÇÃO – Processo de deposição de partículas no
leito de um corpo d'água.
SUSTENTABILIDADE – Processo de desenvolvimento por
meio da utilização dos recursos naturais que possibilita a sa-
tisfação das necessidades humanas, sem comprometer o
capital natural e sem lesar o direito das gerações futuras de
verem atendidas também as suas necessidades.
TRATAMENTO DE ÁGUA – Processo de alteração das carac-
terísticas da água de determinado manancial, para possibi-
litar seu uso. Termo geralmente utilizado para designar a
conversão da água não potável em potável.
VARIÁVEIS - São fenômenos, fatos ou processos que ca-
racterizam um determinado sistema (nossas 53 variáveis).
Exemplos: crescimento demográfico; extensão territorial
de um país; meios de transporte mais utilizados; reestrutu-
ração industrial; desconcentração das atividades econômi-
cas; instabilidade financeira; quantidade água superficial
disponível; dinâmica de uso e ocupação do solo, etc.
VARIÁVEIS DEPENDENTES - Sofrem maior influência da
configuração do sistema, ou seja, seu comportamento de-
pende do comportamento de outras variáveis.
VARIÁVEIS MOTRIZES - Identificadas por sua capacidade
de influir na conformação do sistema, ou seja, a variação
de seu comportamento determina o comportamento de
um conjunto de outras variáveis.

107
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Conselho Nacional de Recursos Hídricos


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Ministério do Meio Ambiente
Secretaria de Recursos Hídricos

SGAN Qd. 601, Lote I, Ed. CODEVASF, 4º andar | CEP 70830-901 Brasília DF
Fones: (61) 4009 1291/1292 | Fax: (61) 4009 1820

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