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DESCOMPLICANDO A VENTILAÇÃO
MECÂNICA
Prof. Rodrigo Queiroz
“A tarefa não é tanto ver o que ninguém viu ainda, mas pensar
o que ninguém pensou sobre algo que todos vêem”. Arthur
Schopenhauer - filósofo alemão (1788-1860).
Material produzido pelo Prof. Rodrigo Queiroz
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Material didático Iniciado em 2009 - Revisado em Julho de 2013 ainda em construção.
Ajudem, apontem erros, sugiram, conto com vocẽs.
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Prefacio ou um Predifícil
Com os avanços na área da saúde, houve uma drástica mudança no perfil
epidemiológico dos pacientes que nós assistimos. Cada vez são mais complexos os
casos, não falo isso somente no ambiente hospitalar não, mas em todos os níveis de
atenção.
Comumente os pacientes são descarregados da UTIs para as enfermarias ainda
necessitando de suporte ventilatório, hemodinâmico, monitorização multiparamétrica,
etc... Mas será que os setores que não lidam com tecnologia de ponta estão preparados
para tal? Tem pessoal treinado? Tem pessoal suficiente? O certo é que precisamos de
uma linguagem mais clara para aproximar a tecnologia daqueles que realmente cuidam...
Na minha rotina vejo pacientes em ventilação mecãnica prolongada onde os
proprios acompanhantes que ajustam a FIO2 e a pressão de suporte! Será porque isso
acontece? Já pensou se o odontólogo fosse reponsável por prescrever e executar a
escovação dos dentes de todos os seus pacientes? Assim é o caso da aspiração e mesmo
de algusns ajustes no aparelho de ventilação mecãnica. Será que estamos evoluindo para
pensar neste sentido? O certo é que será impossível (ou melhor já é!) manter estes
procedimentos centrados entre uma ou outra disciplinas da área da saúde.
Pense rápido, quantos pacientes temos ventilados na emergência agora? Quantos
na UTI? Quantos nas enfermarias? Quantos desses já poderiam estar em casa e estão
internados esperando por uma infecção, acentuação da fraqueza adquirida, ulcera de
pressão, depressão, delirium...? Será que não precisamos melhorar nosso treinamento
em saúde?
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Que bixo é esse?
Cada capítulo será desenvolvido no sentido de favorecer o entendimento seja
você um leigo ou um “PHD” na área. Como tudo na vida, vamos começar do começo.
A definição de ventilação mecânica aqui no Brasil, está no maior documento,
ou pelo menos o mais citado, mais referenciado, que é o III consenso de Ventilação
Mecânica da Associação de Medicina Intensiva (AMIB): A ventilação mecânica é
um método de suporte de vida em que um aparelho movimenta gases para dentro dos
pulmões, promovendo oxigenação e ventilação (CARVALHO et al, 2007).
Obviamente que precisamos aproximar/situar mais o leitor agora, pois caso
contrário você estaria lendo o III Consenso, não é verdade? Brincadeiras a parte,
perceba que dentro do conceito mencionado, temos uma bomba que movimenta um gás
e promove ventilação e oxigenação. Vamos lá, pense nestes tópicos que destaquei em
negrito, vamos conversar um pouco sobre eles agora.
Entendendo a ventilação sem ajuda de aparelhos
Em nosso dia à dia nem lembramos que estamos respirando. Mas antes de entrar
no assunto vamos entender a diferença entre respiração e ventilação. Respiração tem
uma conotação rotineira de inalar e exalar o ar dos pulmões, porém cientificamente o
termo respiração envolve aspectos fisiológicos também à nivel celular. Então, para o ato
de renovação do Gás dos nossos pulmões, a nomeclatura mais correta seria ventilação,
ventilar, ventilado...
Mas como íamos conversando, nem lembramos que estamos ventilando, já
um cliché nos cursos da área, (- Você, antes dessa passagem, estava ventilando e nem
se deu conta!). Talvez agora você esteja percebendo isso enquanto lê este que vos
escreve. Pense que você agora esta voluntariamente movimentando uma massa de Gás
para dentro do seu peito, e isso você pode fazer voluntariamente, ou seja, como está
fazendo agora (Fala a verdade, você acabou de puxar o ar fundo e perceber que estava
ventilando...).
Antes de puxar o ar fundo (voluntariamente), vocẽ estava, de maneira
involuntária, ventilando do mesmo modo. São área cerebrais diferentes que são capazes
de controlar um mesmo processo. O controle voluntário é mediado pelo córtex e o
involuntário por regiões especializadas do tronco cerebral localizadas no bulbo e da
ponte (centro respiratário).
O centro respiratório é dotado de sensores capazes de identificar alterações na
Pressão Parcial de Dióxido de Carbono (Paco2) e no PH sanguineo. Além desse sensor
central, existem outros localizados na aorta e carótidas.
Resumindo, o sistema nervoso central (SNC) comanda uma bomba capaz de
moviemntar uma massa de gás para dentro e para fora de nosso peito. Uma bomba de
ventilação que não é mecãnica, não é artificial, é fisiológica, natural e é muscular.
Observem a figura 1, tem um resuminho do que discutimos sobre o processo
de ventilação até agora. Quando puxamos o ar (inpiração) seja voluntariamente
ou involuntariamente, foi porque o SNC mandou, aí os musculos se contrairam
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(principalmente o diafragma) aumentou o espaço dentro da caixa torácica. Onde tem
mais espaço tem menos pressão (gradiente de pressão), logo o ar do ambiente tende a se
deslocar (fluxo) para dentro do peito, mais especicamente para os alvéolos (ventilação
alveolar).
Figura 1. Introdução à biofísica da ventilação alveolar
Agora, quando paramos de inspirar, ou seja, o músculo para de contrair e
começa a relaxar, o espaço começa a diminuir, e como ele está cheio de ar, a presão no
interior do pulmão está maior, logo ar tende a sair.
Fiz um vídeo, não está tão profissional assim, porém permite um melhor entendimento
desta parate inicial...
Fisioterapia respiratória e biofísica da respiração - vídeo aula
Entrando O2 (oxigenação) e saindo CO2 (ventilação)
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Como estudamos desde as nossas séries iniciais, o ar ambiente é rico em O2
(oxigênio), assim, durante a inspiração levamos uma grande quantidade deste gás para
dentro dos alvéolos. Também fisiologia básica, os alveolos são envoltos por capilares
que contém conteúdo sanguineo pobre em oxigênio, logo, a pressão deste gás é maior
nos alvéolos. Por diferença de pressão, o oxigênio adentra no capilar e é bombeado até
as células.
Entendendo um pouquinho mais...
Um contínuo ciclo, que deve ser preservado à
todo custo.
Por diferença de concentração o oxigênio que chegou até o alvéolo passa para
o capilar pulmonar, e o dióxido de carbono (CO2) sai do capilar para o alvéolo. Num
contínuo ciclo, que deve ser preservado à todo custo.
Observem na figura abaixo como a quantidade de oxigẽnio é maio dentro do
alvéolo, isso gera uma pressão do gás em direção ao capilar.
Figura 2 - Exemplificando o mecanismo de difusão de gases
Como surge o CO2
As celulas liberam CO2 (dióxido de carbono ou gás carbônico) na corrente
sanguínea, que é um subprobuto (lixo) do seu metabolismo.
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Figura 3 - Representação da reações durante o metabolismo delular.
Esse processo ocorre continuamente, e a ventilação pulmonar é o processo
que controla a quantidade deste gás de maneira ideal dentro do organismo. Isso é bem
basiquinho.
Caso tenha interesse, seguem mais algumas linha só para clarear um pouco mais
o processo. Acho que vale apena, caso contrário, pule para o quadro azul e boal leitura.
Continuar lendo ou pular para o Quadro azul
A fermentação alcoolica ou glicólise é um processo biológico no qual açúcares,
entre eles a glicose, são convertidos em energia celular. Essa fase é denominada
anaeróbia pois não necessita da presença de oxigẽnio. Nesta fase temos o dióxido de
carbono como um dos resíduos metabólicos.
Essa reação apresentada é mediada por enzimas livres no citosol, na qual a
glicose é oxidada produzindo duas moléculas de piruvato, duas moléculas de ATP e
dois equivalentes reduzidos de NADH
+
, que serão introduzidos na cadeia respiratória.
Entendendo um pouquinho mais...
Regulação da ventilação alveolar. Prenda o ar...
E sinta!
Um grupo disperso de neurônios localizados no bulbo (Centro
Respiratório – CR) fica inativo durante alguns segundos após a expiração,
isso varia de pessoa para pessoa.
O disparo do CR é ocasionado pelo excesso de gás carbônico e de
íons hidrogênio que causam um efeito direto excitatório neuronal.
Ocorre então uma súbita e automática descarga elétrica que faz a
musculatura inspiratória se contrair, acarretando um aumento do diâmetro
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torácico, fazendo cair rapidamente a pressão intra-pulmonar (ponto de
inflexão inferior da figura 4), gerando um influxo de gás para os alvéolos (o
diafragma é responsável por até 80 % dessa atividade).
O oxigênio não exerce efeito direto significativo sobre o CR. Pelo
contrário, atua quase exclusivamente sobre os quimiorreceptores da carótida
e aorta transmitindo sinais neuronais adequando ao centro respiratório para o
controle da ventilação.
Como tem mais CO2 dentro dos capilares do que no alvéolo, o CO2 passa para
o alvéolo e é eliminado durante a expiração. Essa renovação do gás alveolar entrando e
saindo O2 e CO2 é chamada de ventilação alveolar!
Entendendo a ventilação com ajuda de aparelhos
Mas essa bomba muscular, entremeada por aspectos humorais pode falhar.
Imagine uma pessoa que tenha sua função cerebral alterada. Bebeu, sem capacete, caiu
de moto e pumm, bateu a cabeça. Ou um vaso é obstruido, ou rompido e o tecido é
cerebral é lesado. Ou mesmo durante uma cirurgia, onde é preciso sedar o paciente.
Lembre-se o SNC controla a ventilação, se ele não estiver legal ela não vai ocorrer de
forma satisfatória.
Diversas são as causas de dificuldade ventilatória que podem evoluir para
a necessidade de instituição de meios artificiais que sejam capazes de promover a
oxigenação e a ventilação do paciente, ou seja, entrada de O2 e saída de CO2.
Indicações comuns de VM... certamente
estarão presentes em seu dia a dia
profisional
● Reanimação devido à parada cardiorrespiratória
● Hipoventilação e apnéia
● Insuficiência respiratória devido a doença pulmonar intrínseca e
hipoxemia
● Falência mecânica do aparelho respiratório
● Fraqueza muscular / Doenças neuromusculares / Paralisia
● Comando respiratório instável (trauma craniano, acidente vascular
cerebral, intoxicação exógena e abuso de drogas).
● revenção de complicações respiratórias
● Restabelecimento no pós-operatório de cirurgia de abdome
superior, torácica de grande porte, deformidade torácica, obesidade
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mórbida
● Parede torácica instável.
● Redução do trabalho muscular respiratório e fadiga muscular
Vamos fazer uma pequena correlação com os Gráficos
Em geral os autores deixam esta parte por último, começam explicando os
modos, parâmetros, porém, vou pedir licença poética.
Lembre-se, temos que controlar a saída e entrada de gases (CO2 e O2), e muitas
vezes este ajuste deve ser fino. Então temos que compreender as informações que são
transmitidas pela Máquina.
Imagine uma linha reta, acima dela a pressão é alta, abaixo dela a pressão tende
a diminuir gradualmente. Como falamos anteriormente, quando estamos ventilando e
puxamos o ar (inspiramos), existe um disparo neuronal que excita a nossa musculatura,
principalmente o diafragma. Uma vez excitado o diafragma se contrai e desce,
aumentando o espaço dentro da caixa torácica.
Com o aumento do espaço ocorre uma queda de pressão. Agora, se o
sistema respiratório estiver conectado à um sensor que seja capaz de expressar isso
graficamente, o que vocẽ acha que aconteceria com a linha reta que nos falamos antes?
Vamos pensar????
Num ciclo espontâneo de um paciente em ventilação mecãnica a primeira fase
ocorre justamente isso que vocẽ acabou de desvendar, o grafíco vai para baixo! A
pressão diminuiu!!! Ele inspirou!!!
O paciente é que inicia todo processo ventilatório através de um esforço
inspiratório, percebido no gráfico como uma inflexão inferior conforme a Figura 4. Essa
inflexão nos mostra quando ocorre a despressurizarão do sistema.
Figura 4. Termos clínicos comuns utilizados – paciente tem drive ou tem trigou.
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Mas quando o centro respiratório para de funcionar, ou o músculo tem
problema, ou o pulmão ou a caixa torácica não se expande.
Esses e outros problemas fazem com que o ciclo não se inicie espontaneamente,
termos então que controlar todo o processo. Ventilação controlada.
A figura 5 nos mostra bem essa situação, no primeiro momento não percebemos
inflexão inferior, assim, logicamente quem iniciou o ciclo foi o ventilador (ventilação
controlada). Já no segundo momento percebemos que o paciente fez cair a pressão
no sistema, o gráfico nos mostra uma forma de onda que não está completamente
controlada – foi assistida pelo ventilador (ventilação assisto controlada)
Figura 5 - Gráfico mostrando a diferença entre um ciclo controlado e um espontâneo
Mais algumas pitadas
de Fisiologia
O quantidade de gás que
entra e sai do pulmão durante o
tempo deve ser capaz manter
equilibrada as taxas de O2 e
CO2 no sangue.
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Na realidade, o grande objetivo
é manter os tecidos oxigenados,
e expulsar o excesso de CO2
produzido pelo metabolismo,
evitando acidemia e acidose.
Lembra que lá no citoplasma celular existe uma reação (glicólise), onde enzimas
oxidam e quebram a molécula de glicose em ácido pirúvico?
O grande objetivo é a produção de energia (duas moléculas de ATP), além
disso, produz dois equivalentes reduzidos de NADH
+
, que serão introduzidos na cadeia
respiratória, e vão produzir mais energia. Eis a questão, nem tudo é tão lindo assim.
Dessa primeira reação (glicólise), é liberado CO2 e isso precisa ser eliminado!!!!!
Se ele se acumular no sangue (O CO2 produzido) e não for elimidado dos
através dos pulmões, ele regirá com a água e formará o ácido carbõnico (H2CO3),
tornando o sangue ácido, fazendo o PH cair, gerando acidose.
Se o oxigẽnio não entrar no sangue, a cadeia respiratória não ocorrerá
adequadamente, pois ele é aceptor final de elétrons da cadeia respiratória, fase da
respiração celular que ocorre dentro da mitocõndria.
A falta de oxigênio faz com que os elétrons não sejam removidos do complexo.
Retrogradamente, os outros componentes da cadeia respiratória passam a reter elétrons,
por não poder passá-los adiante. Com a parada na progressão dos pares de elétrons,
cessa a produção de ATP e a célula morre por falência energética.
Equação Geral da Respiração Aeróbica

C6H12O6 + 6 O2 + 36 ADP ===> 6 CO2 + 6 H2O + 36 ATP
Acidemia e acidose???????
Pesquisem, estudem mais sobre isso!!!!
Ventilando o paciente
O que é?
Consiste em um método de suporte ventilatório (total ou parcial) para o
tratamento de pacientes com insuficiência respiratória aguda ou crônica agudizada.
Para que serve?
1. Manutenção das trocas gasosas - correção da hipoxemia e da acidose respiratória
associada à hipercapnia.
2. Aliviar o trabalho da musculatura respiratória
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3. Reverter ou evitar a fadiga da musculatura respiratória
4. Diminuir o consumo de oxigênio
5. Reduzir o desconforto respiratório
6. Permitir a aplicação de terapêuticas específicas.
Como se faz?
Através da utilização de aparelhos (ventiladores mecânicos) que, devido à geração
de um gradiente de pressão, intermitentemente, insuflam as vias respiratórias com
volumes de ar (volume corrente - VT).
1. Ventilação mecânica invasiva
Utiliza-se uma prótese introduzida na via aérea, isto é, um tubo oro ou nasotraqueal
(menos comum) ou uma cânula de traqueostomia.
2. Ventilação mecânica não invasiva.
Utiliza-se uma máscara (pronga nasal em neo-pediatria) como interface entre o
paciente e o ventilador artificial.
O interessante é que o paciente pode estar entregue (chamados de ciclos
controlados) participando (ciclos assistidos) ou a maquina só oferece uma ajudinha,
como se fosse um pezinho para subir num muro – como (ciclos espontâneos).
Entendendo mais um pouquinho: Ajustando o equipamento.
O volume de ar é então enviado pela maquina (fase inspiratória). Após o fim da
fase inspiratória a maquina para de enviar o volume de gás e abre a válvula para a saída
passiva de ar dos pulmões – seria uma forma de recuo elástico (fase expiratória).
Neste ar, podemos controlar a:
- Concentração de oxigênio (FIO2) necessária para obter-se uma taxa arterial de
oxigênio (pressão parcial de oxigênio no sangue arterial- PaO2) adequada.
- Controla-se ainda, a velocidade com que o ar será administrado (fluxo
inspiratório - .V).
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- O número de ciclos respiratórios que os pacientes realizam em um minuto
(freqüência respiratória - f)
- Tempo da fase inspiratória (TI).
- Volume de ar que deve ser administrado (VT – volume corrente) ou a pressão
máxima a ser atingida (PI).
- Controlamos também qual deve ser a pressão que deve permanecer nos
pulmões após o fim da fase expiratória (PEEP).
Avançando mais um pouquinho....
Logicamente que não é tão simples assim, além de existirem outros controles,
temos que lembrar da uma relação física imposta ai: o recipiente que irá receber o
volume de gás é o pulmão de uma pessoa. Assim, não podemos esquecer que os
tecidos são vivos (epitélio brônquico, alveolar, capilares...), elásticos, e que oferecerão
resistência.
Alguns cálculos são importantes, como:
1. O volume ideal de gás à ser administrado – volume corrente
2. Resistência
3. Complacência
Quando está indicada
Em situações de urgência, especialmente quando o risco de vida não permite
boa avaliação da função respiratória, a impressão clínica é o ponto mais importante na
indicação de VM, auxiliada por alguns parâmetros de laboratório.
ADMITINDO UM PACIENTE EM VENTILAÇÃO MECÂNICA
Você sabe realmente indicar?
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INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA AGUDA
OU CRÔNICA AGUDIZADA.
Problemas
CHOQUE
TCE + AVE
PO
VENTILAÇÃO RÁPIDA E SUPERFICIAL
Perfil do pacientes internados na UTI do HGPV sob uso de suporte ventilatório
invasivo.*
PERÍODO DE ANÁLISE 11/08/10 a 10/09/10
● 55, 5% homens, com idade média de 57,4 anos (Máx 92 / Min 19 anos).
● Diagnóstico principal: 44% AVE
● Modo mais utilizado: PCV 55%, PSV 44%
● Sinais clínicos mais evidenciados na ficha médica da emergência: Redução do
NC (27%), Aumento do WOB (38%).
*Dados parciais do livro de registro de atendimentos do Estágio Supervisionado em Fisioterapia –
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB.
Obs 1. Critérios mais freqüentemente utilizados
NC, WOB, CIANOSE
FR e Pao2 P/F
Obs 2. Oxigenação tecidual - CHOQUE
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A concentração de hemoglobina (Hb), o débito cardíaco (DC), o conteúdo arterial de
oxigênio (CaO2) e as variações do pH sangüíneo.
Obs 3. Falência mecânica do aparelho respiratório – TCE + AVE
- Fraqueza muscular / Doenças neuromusculares / Paralisia; e
- Comando respiratório instável (trauma craniano, acidente vascular cerebral,
intoxicação exógena e abuso de drogas).
Obs 4. Prevenção de complicações respiratórias - PO
– Restabelecimento no pós-operatório de cirurgia de abdome superior, torácica de
grande porte, deformidade torácica, obesidade mórbida; e
– Parede torácica instável
Obs 5. Redução do trabalho muscular respiratório e fadiga muscular. VENTILAÇÃO
RÁPIDA/SUPERFICIAL
PARAMETRAGEM BÁSICA DO VENTILADOR
MODO
Mais comumente admitimos em PCV.
PARÂMETROS PROGRAMÁVEIS
1° PI (p/ VC = 8ml/kg)
2° PEEP
3° FR
4° TI
5° FIO2
6° SENSIBILIDADE
PARÂMETROS APRESENTADOS
1° VC
2° FRa
3° I:E
PARAMETRAGEM VENTILATÓRIA
PARÂMETROS PROGRAMÁVEIS
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O AMBÚ substitui a VM, não precisa pressa, nem grito!!!
Lembre-se do DODO (Desobstrução, oxigenação, decúbito, oximetria)
- MODO
1. PCV
2. PSV sempre que o paciente estiver interagindo, e/ou queremos estimular sua
participação, usado ainda como método de desmame.
- PRESSÃO INSPIRATÓRIA (PI)
Manter expansibilidade e entrada de ar adequada, inicial de 20 a 25 cmH20, sendo
ajustada para mais ou para menos, mantendo VC adequado, entre 5- 8ml/kg, evitando
hiperdistensão, cuidado ao ultrapassar pico de 35 cmh20.
- PEEP
Adequada para manter oxigenação São > 90%, Pao2 > 60mmhg, P/F > 250. Evitando
Pressão média maior que 15 cmh20.
Iniciando em 5 cmH20, elevando quando necessário.
Sua redução deve ser bem discutida, evitando o desrecrutamento.
Acima de 10 cuidados na aspiração (rápida e evitar desconexão desnecessária). Pensar
em sistema fechado.
- FREQUÊNCIA RESPIRATÓRIA
Iniciar de 12 – 20 ipm
Corrigir de acordo com a pco2, e a I:E.
- SENSIBILIDADE
Priorizar fluxo
Adequar para evitar esforço excessivo e nem auto-ciclagem (0,5 – 2l/min)
-FIO2
Iniciar com 100% reduzir gradualmente para SPO2 > 90, priorizando valores inferiores
à 60%.
- PS
Quando não desejamos esforço do paciente, titular para Vc do espontâneo igual ao
assistido.
Ps > 7-10 cmH20 para vencer resistência do tubo.
Evitando e corrigindo a retenção de CO2
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FR –
PI –
I:E –
Peep –
Avaliar broncoespasmo, dieta, febre, agitação.
Hipercapnia permissiva.
Normocapnia obrigatória.
Evitando e corrigindo a hipoxemia
Peep
Fio2
Ti
Avaliar DC, BH, Agitação, SVO2.
CUIDADOS GERAIS COM O PACIENTE EM VENTILAÇÃO MECÃNICA
● Responsabilidade do Fisioterapeuta
Mecânica
Terapia de Higiene Brônquica - THB
Terapia de Expansão Pulmonar – TEP
Recrutamento Alveolar - RA
Desmame da Ventilação Mecânica
Treinamento Muscular Ventilatório – TMV.
● Responsabilidade da equipe
Rigor na avaliação das trocas
Conforto ventilatório
Redução do consumo de O2.
Adequada PCo2
Adequado PH
J Bras Pneumol. 2007;33(Supl 2):S 54-S 70
Prática
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Você deverá se dirigir à Unidade de Terapia intensiva, e realizará as etapas
solicitadas abaixo.
1. Uso do Jaleco
2. Apenas 3 componentes por vez
3. Higienização das mãos conforme seqüência da ANVISA
4. Uso de luva de procedimento
5. Preencha os campos abaixo para cada ventilador diferente que estiver em
funcionamento na unidade.
Ventilador Modo PI Peep
FRp
FRa
TI
I:E
FiO2
SENS
VC Alarme Ppico Alarme apnéia Alarme FR
Ventilador Modo PI Peep
FRp
FRa
TI
I:E
FiO2
SENS
VC Alarme Ppico Alarme apnéia Alarme FR
Ventilador Modo PI Peep
FRp
FRa
TI
I:E
FiO2
SENS
VC Alarme Ppico Alarme apnéia Alarme FR
Ventilador Modo PI Peep
FRp
FRa
TI
I:E
FiO2
SENS
VC Alarme Ppico Alarme apnéia Alarme FR
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Prática Vritual
Escolha um paciente em ventilação mecânica. Preencha os campos abaixo, e envie
para o professor Rodrigo Queiroz através do e-mail rofisio@gmail.com. Teça um breve
comentário se concorda ou discorda da estratégia ventilatória implementada.
Leito: (_____________)
Sinopse do caso (procedência, fatores preciptantes da IOT, complicações e demais
aspectos gerais da HDA).
Diagnóstico principal:
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
Diagnósticos secundários/ patologias pregressas
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
Glasgow/Ramsey RX
Data/hora
SSVV: FC ( )
FRp/a ( /
) PA (_____/
______/______)
Spo2 ( )
PIC ( )
PVC ( )
T°C ( )
Respiratório
Dist. Tubo
Carina
TOT ( ) TQT ( )
Fixado ( )
Expansibilidade SIMÉTRICA (
) D>E ( )
E>D ( )
Interação
Ausculta
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Secreção
Hemodinâmico
DVAs ( ) Corado ( )
Pulso radial
palpável (
)
Perfusão <
3s ( )
Renal BH ( )
Infeccioso Leuco
Bt
GASO Data/hora
PH
Decúbito > 45° PcO2
Pico ≤ 35 HCO32
Cuff/ platô ≤ 30 PaO2
P/F
SaO2
Resutado:
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ANEXOS
Calcular VCideal – Peso ideal
Peso ideal = altura – 152,4 x 0,91 + (52,5 Homem e 45,5 Mulher)
Reprogramar a FiO2 necessária para uma PaO2 satisfatória
PaO2 ideal = 109-idade x 0,42
FiO2 ideal = PaO2 ideal x FiO2 enc / PaO2 enc
Relação entre a pressão arterial de oxigênio e a fração inspirada de oxigênio (PaO
2
/
FiO
2
, Valor Normal (VN) acima de 200), sendo:
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PaO
2
: pressão arterial de oxigênio;
FiO
2
: fração inspirada de oxigênio.
Gradiente alvéolo-arterial de oxigênio (GA-aO
2
), calculado através da seguinte
fórmula:
GA-aO
2
= PAO
2
- PaO
2

Sendo:
PAO
2
= pressão alveolar de oxigênio;
PaO
2
= pressão arterial de oxigênio.
A pressão alveolar de oxigênio (PAO
2
) é calculada pela fórmula:
PAO
2
= {(PB - PH
2
O) xFiO
2
} - PaCO
2

Sendo:
PB = pressão barométrica;
PH
2
O = pressão de vapor de água;
FiO
2
= fração inspirada de oxigênio;
PaCO
2
= pressão parcial de CO
2
no sangue arterial.
Valores normais para FiO
2
de 21%: 10 a 15 mmHg.
Valores normais para FiO
2
de 100%: 10 a 65 mmHg.
Shunt pulmonar (valores normais de 3% a 5%), calculado através da seguinte
fórmula:
Shunt = (CcO
2
- CaO
2
)/(CcO
2
- CvO
2
)
Sendo:
CcO
2
= conteúdo capilar de oxigênio;
CaO
2
= conteúdo arterial de oxigênio;
CvO
2
= conteúdo venoso de oxigênio.
O conteúdo capilar de oxigênio é calculado pela seguinte fórmula:
CcO
2
= (Hb x1,34) + (PAO
2
x 0,0031)
Sendo:
Hb = hemoglobina;
PAO
2
= pressão parcial de oxigênio no alvéolo.
A pressão parcial de oxigênio no alvéolo (PAO
2
) é calculada pela fórmula:
PAO
2
= {(PB - PH
2
O) x FiO
2
} - PaCO
2

Sendo:
PB = pressão barométrica;
PH
2
O = pressão de vapor de água;
FiO
2
= fração inspirada de oxigênio;
PaCO
2
= pressão parcial de CO
2
no sangue arterial.
O conteúdo arterial de oxigênio (CaO
2
, VN = 17 a 20 ml/dl) foi calculado pela
seguinte fórmula:
CaO
2
= (1,34 x Hb x SaO
2
/100) + (PaO
2
x 0,0031)
Sendo:
Hb = hemoglobina;
SaO
2
= saturação arterial de oxigênio;
PaO
2
= pressão parcial de oxigênio no sangue arterial.
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O conteúdo venoso de oxigênio (CvO
2
, VN = 12 a 15 ml/dl), foi calculado pela
seguinte fórmula:
CvO
2
= (1,34 x Hb x SvO
2
/100) + (PvO
2
x 0,0031)
Sendo:
Hb = hemoglobina;
SvO
2
= saturação venosa de oxigênio;
PvO
2
= pressão venosa de oxigênio.
Diferença arteriovenosa de oxigênio (DavO
2
, VN = 4 a 5 ml/dl), DavO
2
=CaO
2
-CvO
2
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