MUTAÇÃO PATRIMONIAL E O CÂMBIO Werno Herckert Em toda célula social, principalmente, aquela que trabalha com câmbio há, constantemente

, variação de estrutura patrimonial. O câmbio é um agente externo (hexógeno) que movimenta os meios patrimoniais da empresa. Em doutrina contábil o movimento do capital é conceituado como agente de transformação enquanto que na Física é entendido como deslocamento de um móvel em relação a um referencial. As empresas importadora e exportadora são influenciadas pelo câmbio (fenômeno econômico) e a baixa do valor de compra da moeda estrangeira (dólar) beneficia as empresas importadoras, enquanto nas exportadoras a baixa traz menor resultado. No Brasil, a política econômica adotada de baixar o preço de compra do dólar traz dificuldades às empresas exportadoras, trazendo como efeito interno à diminuição ou até anulação da lucratividade. Os prejuízos tornam inviável a sobrevivência na temporalidade do movimento, pois, para ter economicidade é necessário que existam lucratividade e harmonia nas suas oito funções patrimoniais (liquidez, resultabilidade, estabilidade, economicidade, produtividade, invulnerabilidade, elasticidade e socialidade). Não havendo resultado ocorre o definhamento que levar pode à falência se não se tomar medidas emergenciais. A derrocada da empresa traz enorme prejuízo à comunidade, ao Estado e a sociedade, pois, gera o desemprego (fenômeno econômico), fenômeno este que interessa, também, a Contabilidade estudar por afetar a vida do capital. Exemplo de tal desastre de baixa cambial, quando não acompanhada de incentivos aos que exportam, é o da empresa gaúcha Reichert, com matriz em Campo Bom-RS.

Tal empreendimento, com 72 anos de atividade no setor exportador de calçados, com 99% de sua produção exportada foram duramente atingida pela baixa do dólar, não suportou a carga de produzir, manter empregos, pagar impostos e entrou em crise. Mesmo figurando entre as 250 maiores exportadoras do país, exportadoras de calçados, favorecendo a balança comercial da Nação, gerando divisas de 85,l milhões de dólares em 2006, não foi contemplada com compensações que garantissem a continuidade de suas operações. Com unidades fabris em Feliz, Criciumal, Bom Princípio, Vale Real, Humaitá, Três de Maio e Boa Vista o problema deverá atingir, também, Reifer Calçados, do mesmo grupo, que tem espaços de produção em Restinga Seca e Teutônia. (Ver Correio do Povo, 29.05.07, Economia, pg. 11.). As medidas emergenciais, sejam do Governo ou dos Bancos, nem sempre resolvem o problema se não forem competentes e, faltando-lhes eficácia não alcança o objetivo esperado. A organização que depende de empréstimos de terceiros para funcionar, com juros altos, em geral, desaparece do mercado. A empresa industrial, via de regra, precisa funcionar com vigoroso capital próprio para ter economicidade. Empréstimos podem ser feitos quando a dinâmica patrimonial traz resultado com esse empréstimo e cobre tempestivamente a amortização e custo do empréstimo. Em 2003 publiquei o livro Patrimônio e as influências ambientais, Reas, Três de Maio onde tratei sobre as influências endógenas e exógenas como forças que modificam a estrutura patrimonial, criam fenômenos patrimoniais, buscando doutrinariamente explicar sobre a força das influências externas, tal como prega o Neopatrimonialismo Contábil. A realidade a cada momento comprova a verdade que a ciência proclama sobre a relação ambiental ou dos entornos da riqueza das empresas. Por longo período os estudos contábeis estiveram centrados apenas no que sucedia internamente das empresas, mas, a partir da primeira metade do século XX a posição se modificou e ganhou intensidade na Teoria Geral do Conhecimento Contábil de Lopes de Sá.

A referida doutrina passou a sinalizar para modelos qualitativos que apresentam soluções para o equilíbrio com as diversas influências externas que tangem o patrimônio da célula social e para isso os cientistas neopatrimonialistas estão pesquisando e estudando novas formas de neutralizar as forças negativas que tangem a estrutura patrimonial.