Índice

Apresentação .......................................................3 Balanço do congresso da Conlutas........................5 Caso MTL (Movimento Terra e Liberdade) Um choque para a Conlutas/PSTU .....................17
Motivos da cisão, segundo o MTL ..........................19 1. Rompimento do funcionamento da Conlutas baseado em acordos. .............................................19 2. Divergências ditas estratégicas ..........................21 Resposta do PSTU ao MTL .....................................22 A essência da crise às portas do 1º Congresso ......25

Congresso da Conlutas .......................................28 Ao 1º Congresso da Conlutas Conlutas – uma nova Central? ............................31
Que obstáculos enfrenta o movimento dos trabalhadores e que tarefa temos pela frente ...........34

Manifesto ao Conat Combater a burocracia sindical, sem romper com a CUT .........................................................38
Luta pela independência e democracia sindicais ....40 Superar a crise de direção ......................................42
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Combater o eleitoral-sindicalismo...........................43 Tarefas do Conat ....................................................44 Base programática da frente classista e antiburocrática .......................................................44

Publicado no Massas 319 Congresso da CUT e da Conlutas .......................46
CECUT de São Paulo - uma caixa eleitoral do PT Luta pela independência da CUT ....................................47 Enfrentamento com a burocracia lulista..................48 CONAT - a responsabilidade da divisão ...................49

Publicado no Massas 320 ENE e Conat demonstraram burocratismo e inconseqüência das cisões da UNE e da CUT ......52 Principais colocações do CONAT .......................55
Objetivos do CONAT ................................................56 O programa da “nova entidade” ...............................57 Nada de concreto com a frente eleitoral ...................57 CONAT não elegeu a direção para a Conlutas .........58 Sobre o Plano de Lutas............................................59 As posições do POR no Conat ..................................60

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Apresentação

O Partido Operário Revolucionário se manifestou, desde o início, contra a cisão da CUT, realizada pelo PSTU. Caracterizou e caracteriza a direção da CUT como uma burocracia traidora e estatizante. Defendeu a necessidade de constituir as frações revolucionárias para intervir nos sindicatos e na Central, assentadas no programa da classe operária e no método da luta de classe. Interveio com essa política no I Conat (2006), que aprovou a convocação do I Congresso (2008), para constituir a direção e aprovar os estatutos da Conlutas. Mas a cisão constituía uma decisão política do partido morenista. Depois de dois anos, o I Congresso não pôde dar um passo à frente – eleger sua direção e aprovar seu estatuto. Antecedeu o Congresso o chamado de unificação à Intersindical, que não respondeu positivamente, e o rompimento de agrupamentos internos, como o MTL, MES e MAS. A política do PSTU determinou as diretrizes da Conlutas para o próximo período. O objetivo do POR, nesse folheto, é dar continuidade às discussões e apresentar nossas posições frente aos principais pontos aprovados no I Congresso. Para melhor com-

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preensão, publicamos também o balanço que fizemos do I Conat e o manifesto. Nossas divergências com o PSTU e com as correntes que se colocaram de acordo com a cisão da CUT e constituição da Conlutas não impediram que o POR participasse de todo o processo. Não somos críticos alheios aos acontecimentos que envolveram a formação da Conlutas. Há outras correntes que se reivindicam do trotsquismo contrárias à cisão. No entanto, ou tiveram a conduta de não intervir e atacar à distância, ou se aliaram à burocracia cutista. O POR tem feito uma luta no campo dos princípios e do programa da classe operária. Esse segundo folheto, acreditamos, não só completa nossas formulações iniciais como confirma nossas teses contrárias à cisão e formação de uma nova central. Julho de 2008

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Balanço do congresso da Conlutas

Massas 361
1. O I Congresso da Conlutas, realizado no início de julho, contou com 2805 delegados, sendo 175 sindicatos e cerca de 500 representações de oposições, movimentos populares e estudantis. Esteve reunida, portanto, uma importante vanguarda militante. No entanto, a pequena expressão da classe operária indicou o curso do congresso e o conteúdo das resoluções aprovadas. A forte presença festiva de estudantes contribuiu para a dispersão, nos moldes de congressos da burocracia cutista. O funcionalismo público (servidores federais, estaduais e municipais) contou com boa parte dos delegados. A composição social pequeno burguesa (classe média arruinada) e a hegemonia partidária do PSTU marcaram o Congresso. O I Congresso demonstrou o não-avanço da construção da Conlutas no seio da classe operária. Reafirmou-se como um aparato sindical e estudantil do PSTU. Os setores que fizeram oposição eram minoritários e superestruturais. Entre eles destacaram-se: FOS, Conspiração Socialista, parte do PSOL,

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LBI e Estratégia. A FOS e a Conspiração Socialista compuseram um bloco com parte do PSOL, identificada com “Unidos pra Lutar”. Os oposicionistas se mostraram completamente heterogêneos. Mas em grandes traços oscilaram entre o sectarismo delirante e o oportunismo sindicalista. Assim, essa fração não foi capaz de combater as teses do centrismo, encarnado pelo PSTU,quanto ao caráter da Central, da caracterização dos governos latino-americanos etc. O PSTU, que no Conat de 2006 cantarolava que estava “nascendo uma nova alternativa para os trabalhadores”, agora, repetia incessantemente que o “I Congresso foi uma grande vitória”. O exitismo do centrismo mal disfarçava a crise aberta com o rompimento do MTL, MES e MAS. Esse balanço tem o objetivo analisar as resoluções aprovadas e os rumos da Conlutas. 2. O Congresso repetiu o burocratismo do Conat: não elegeu sua direção. Foi aprovada a resolução da Federação Metalúrgica de MG, defendida pelo PSTU, sobre o funcionamento da Conlutas. Manteve a forma de Coordenação de entidades e movimentos e instituiu uma Secretaria Executiva da Coordenação, composta de 21 membros, escolhidos por aqueles que compõem a Coordenação e com mandato de 2 anos. Integrou na Coordenação as entidades estudantis (DCEs, CAs e grêmios estudantis). O PSTU ao criar esse sistema de direção, embora timidamente tivesse colocado na resolução que essas propostas “não devem ser tomadas como modelo de direção”, foi obrigado a se contrapor a um dos princípios elementares da democracia operária, que é a eleição direta e composição proporcional da direção de uma Central. A presença, com direito a voto, de entidades estudantis na direção da Conlutas, revelou o quanto está distorcida e o quanto o PSTU necessita dos estudantes para fazer valer suas propostas. Não por acaso, mais de 25% dos delegados eram estudantes. A posição contrária, que reivindicava eleição direta, não teve força política e social para questionar as manobras que garantiam a hegemonia do PSTU na condução da Conlutas. Manteve-se o

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caráter de uma direção federativa de entidades, sob o controle do PSTU. Se no Conat não se constituiu uma Central, com estatuto e direção eleita, no I Congresso, em que se esperava um avanço nesse sentido, tudo permaneceu na mesma, com o agravante de reforçar o federalismo com a presença de organizações estudantis. De forma indireta e controlada, será formada a Secretaria Executiva da Coordenação, que de fato responderá pela Conlutas. 3. Reafirmou-se o caráter sindical, popular e estudantil da Conlutas, rejeitou o peso majoritário (mais de 60%) da representação da “classe trabalhadora” e materializou em 10% a presença dos estudantes nos organismos diretivos. A resolução votada: “As representações de cada um dos setores, nas instâncias da Conlutas (congresso, coordenação nacional, estadual e regional) devem ter peso diferenciados. A representação dos estudantes não poderá exceder 10% do total de delegados ao congresso ou representantes com direito a voto nas reuniões da coordenação”. Por meio dessa resolução, o PSTU rejeitou o caráter proletário da Conlutas, onde o peso do proletariado teria de ser maioria. As correntes que se opuseram se limitaram a diluir o proletariado em nome da “classe trabalhadora”, que envolve os assalariados em geral, com presença marcante do funcionalismo. Nesse ponto, ficou demonstrado que havia um acordo prévio do PSTU com agrupamentos que faziam oposição de que os estudantes não teriam peso superior a 5%, conforme constava do documento divulgado no dia do congresso pela Federação Sindical dos Metalúrgicos de MG, que dizia “ A representação dos estudantes não poderá exceder a 5% do total de delegados ao Congresso...”. A pressão dos estudantes por maior participação fez com que o PSTU rompesse o acordo e aceitasse os 10%. Uma Central Sindical como expressão da luta revolucionária tem de necessariamente estar dirigida pela classe que encarna a luta contra o capitalismo, que é o proletariado. A rejeição da proposta, embora limitada, das correntes oposicionistas traçou o caráter e o conteúdo de classe da Conlutas. A posição do PSTU de reforçar a partici-

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pação estudantil e a da oposição de que mais de 60% deveriam ser de representantes da classe trabalhadora expuseram a principal contradição e deformação da Conlutas. A presença de delegados do proletariado fabril era ultra-minoritária. Um plenário constituído por maioria pequeno-burguesa não tinha como discutir seriamente o problema do caráter proletário da Central. 4. Com o discurso contrário ao imposto sindical e ao reconhecimento nos moldes determinados pela reforma sindical de Lula, o Congresso votou pela legalização da Conlutas. A resolução diz assim: “A Conlutas lutará pela sua legalização e vai reivindicar do Estado seu pleno reconhecimento e legalização como Central Sindical e Popular. Obviamente, a Conlutas deve fazer isso sem admitir que este reconhecimento e legalização imponham qualquer tipo de restrição à sua independência e autonomia frente ao Estado e aos patrões... A Conlutas mantém sua posição contrária ao imposto sindical e à decisão de não receber o que caberia pela lei aprovada no Congresso Nacional”. O PSTU procurou combater todos aqueles que denunciavam a legalização da Conlutas como Central sindical, discursando que isso não significava aceitar as imposições do governo, como fez a CUT. Dizia que a legalização permitia negociar e assinar acordos para os sindicatos que compõem sua base. Está aí o problema. Mesmo que não venha a abocanhar a fatia que lhe cabe do imposto sindical, a legalização determinada pelo Estado permite à Conlutas fazer o mesmo que as burocracias da centrais legalizadas pretendem, ou seja, negociar por cima das decisões das assembléias de base. A legalização de uma Central deve ser uma imposição da luta dos trabalhadores e não uma dádiva do Estado para fortalecer as burocracias sindicais. O reconhecimento do Estado e da burguesia de uma Central sindical é uma conquista da luta de classes. Na realidade, a Conlutas não é uma Central nascida de um levante dos trabalhadores, mas o resultado de uma ação política do PSTU.

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5.O debate da relação da Conlutas com os partidos mostrou a debilidade de correntes que faziam oposição e permitiu desvelar a demagogia do PSTU. A resolução aprovada diz: “Os sindicatos e a própria Conlutas, para poderem cumprir seu papel, necessitam ter capacidade de unir na luta todos os trabalhadores e explorados, independentemente de sua posição ideológica ou opção partidária...esta definição não significa rechaço aos partidos políticos do campo da classe trabalhadora”. Uma ala da oposição manifestou-se contrária à resolução com o argumento da independência da Conlutas em relação a todos os partidos. Enfatizou que é tarefa combater a partidarização da Conlutas. Tratava-se de um clara denúncia da partidarização da Conlutas pelo PSTU e das alianças eleitorais desse partido com o reformismo do PSOL. Ao denunciar o PSTU, o delegado dessa ala acabou assumindo uma posição reacionária diante da colocação expressa na resolução de “não rechaçar os partidos políticos do campo da classe trabalhadora”. Uma outra ala oposicionista estava de acordo com a resolução, mas votou contra denunciando que a prática do PSTU não correspondia ao conteúdo da resolução. A confusão é total: não se vota contra uma resolução correta porque os proponentes não têm uma prática condizente. Por que a relação entre a Conlutas e os partidos políticos foi colocada em discussão e votação? Ocorre que a Conlutas se constituiu como um aparato sindical em torno da política do PSTU. Aqueles que se opuseram à resolução e apresentaram uma outra resolução são exatamente os que foram arrastados pela aventura divisionista da CUT, em nome de uma nova Central. Agora, querem pôr limites burocráticos à hegemonia do PSTU. Para isso, apóiam-se numa resolução anti-partidária. E igualam os partidos burgueses com os partidos de esquerda, que se reivindicam da luta contra o capitalismo. O marxismo há muito formulou a posição de não comprometer o caráter de frente única dos sindicatos submetendo-os à organização partidária. Somente nesse sentido se pode falar em autonomia das organizações operárias frente aos partidos da classe operária. O partido da revolução proletária tem o dever de

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lutar pela direção dos sindicatos e expressar em seu interior, segundo os organismos da democracia proletária, o seu programa. Uma das tarefas é convencer o proletariado a expulsar de suas organizações os partidos burgueses e reduzir o máximo possível a influência da política pequeno-burguesa expressa por correntes de esquerda. As forças que combatem essa tarefa em nome da autonomia e da não partidarização acabam se submetendo à política burguesa e se tornando parte da burocracia. 6. A discussão sobre a fusão com a Intersindical não pôde avançar, embora fosse pretensão do PSTU. A Intersindical divulgou sua posição, aprovada no II Encontro Nacional, contrária à unificação imediata com a Conlutas: “a) construir uma plataforma unitária de lutas e impulsionar através de organismos a exemplo do Fórum Nacional de Mobilizações [...] ; b) para fazer avançar a unidade [...] é necessária a construção de uma Central Sindical, ampla, plural, classista [...] independente e autônoma frente aos patrões, ao Estado e aos partidos políticos; c) organizar o debate com outras organizações, como a Conlutas [...]”. Na realidade, essa colocação resultou do acordo estabelecido no II Encontro devido à divisão da Intersindical, onde setores de sindicalistas eram contra a fusão com a Conlutas e parte do PSOL a favor. Mesmo assim, o I Congresso votou / a “referendar a proposta de discussão apresentada pela Coordenação Nacional da Conlutas aos companheiros da Intersindical visando construir as condições para a unificação das duas organizações. Buscar, no prazo de tempo mais curto possível, um calendário de discussões para que o debate da unificação possa fluir [...] na perspectiva de realização de um Congresso de unificação em 2009”. Houve uma posição contrária à unificação com a Intersindical, caracterizando como reformista e burocrática. Mais uma confusão. A unificação de organizações sindicais se deve à necessidade de preservar a unidade organizativa do proletariado. As direções reformistas e burocráticas são divisionistas. Para se chegar à unificação, é preciso que a política divisionista

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seja derrotada. Por isso, os marxistas lutam pela unidade das organizações operárias. No caso da Conlutas e Intersindical, verificamos que ambas estão se constituindo como instrumentos da política do PSTU, do PSOL e de setores sindicalistas. Não há uma diferença de essência para se dizer que a Intersindical é reformista e burocrática e a Conlutas não. Sem dúvida, não devemos desconsiderar as diferenças de grau e de política, mas não é por meio dessas diferenças que se deve rechaçar a unificação Conlutas e Intersindical. Tendo isso claro, podemos entender o significado de tal unificação. Alimentaria a ilusão de que a unificação possibilitaria constituir a almejada Central Sindical e Popular ou a Central Sindical, ampla, plural classista e independente, capaz de quebrar o poder da burocracia da CUT. Não se constitui uma Central proletária por meio de junção de aparatos.

7. No ponto sobre conjuntura nacional, o debate sobre as eleições contou com três posições. O PSTU apresentou a resolução assinada pelo Sindicato Metalúrgico de São José dos Campos que dizia: “Não votar neste congresso um posicionamento de entidade em defesa da Frente de Esquerda..., mas indicar que os trabalhadores nas eleições façam uma opção de classe e votem nos candidatos dos Partidos da classe que sejam oposição ao governo”. Entre os opositores manifestaram as seguintes posições: 1) que a Conlutas fizesse um chamado à construção de “uma alternativa proletária de uma Conferência Nacional de Esquerda Revolucionária para discutir um programa e o lançamento de anticandidaturas revolucionárias nos municípios. Usar a tribuna eleitoral para impulsionar uma “Frente Operária Revolucionária” que defenda a “preparação da greve geral”; 2) abertura de um debate sobre as eleições e que a Conlutas não indicasse candidatos para não ser confundida pelos partidos (PSTU/PSOL). A inconseqüência dos opositores saltou às vistas. No primeiro caso, as “anticandidaturas” compareceram como uma aberração e futilidade para combater a política eleitoral do PSTU, que é legalizado e atua

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com candidaturas nas eleições. A aberração se tornou mais grotesca ao se vincular as “anticandidaturas” à preparação de uma greve geral, independente se existe ou não uma tendência para a greve geral. No segundo, o agrupamento de oposição queria tapar o sol com a peneira, porque o PSTU já está na frente de esquerda e a Conlutas é um instrumento do PSTU. A resolução aprovada – a do PSTU – é demagógica, haja vista os acordos eleitorais entre o PSTU e os reformistas do PSOL. As discussões e as votações não expressaram a tática revolucionária de atuação nas eleições. 8. O conteúdo de classe do governo Lula e a bandeira que o expressa evidenciou o eleitoralismo do PSTU e seus seguidores. A resolução aprovada foi a do Sindicato Metalúrgico de SJC, com o apoio do bloco interno à Conlutas chamado “Unidos pra a Lutar”. A essência era a de “reafirmar que a Conlutas faz oposição de esquerda ao governo federal, aos governos estaduais e municipais e busca organizar a luta para derrotar o projeto comum que os une”. Conclui levantando também a bandeira de “governo socialista dos trabalhadores”. Estão aí as duas consignas do PSTU: oposição de esquerda ao governo e governo dos trabalhadores, que sofreu o acréscimo, certamente em função dos acordos prévios, da palavra socialista. Ambas são bandeiras adaptadas à tática eleitoral do reformismo. Os proponentes das anticandidaturas se opuseram com a abstração de “construção de uma alternativa revolucionária e genuinamente socialista”. Adaptaram-se ao vocabulário dos eleitoralistas (construção de uma alternativa...). Para eles, “construir uma alternativa” seria lançar as “anticandidaturas” e “preparar a greve geral”. Outro agrupamento denunciou a conduta da Conlutas de se abster de um combate mais geral contra o governo Lula, que caracterizava corretamente de burguês e pró-imperialista. A critica é procedente. No entanto, ao ficar no meio do caminho, torna-se inconseqüente. A formulação de “oposição de esquerda” ao governo Lula é tipicamente eleitoral. Não se trata de uma oposição revolucionária, que exige a defesa de

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um programa de transição da revolução socialista. O PSTU é uma corrente centrista que, de um lado, assume posições sindicalistas e, de outro, desenvolve posições político-eleitorais democratizantes. Está aí por que tende a se adaptar aos aparatos sindicais e às frentes eleitorais de esquerda, a ponto de se sujeitar ao PSOL. 9. O congresso não tomou posição em relação aos governos da América Latina e Venezuela. O PSTU e o bloco “Unidos pra Lutar” defenderam a seguinte resolução: “não votar um posicionamento enquanto entidade a favor ou contra os governos Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador), na medida em que há diferenças sobre esse tema e ainda não há amadurecimento suficiente desse debate na Conlutas”. A Conlutas se absteve de caracterizar Chávez como nacionalista/burguês e seus aliados como Evo e Correa. Essa manobra do PSTU se deu em função de que no interior da Conlutas há posições favoráveis ao apoio a tais governos. Os oposicionistas à formulação da maioria defendiam a importância de a Conlutas se colocar diante desses governos. Às portas do I Congresso, o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), Movimento Esquerda Socialista (MES) e Movimento de Ação Sindical (MAS) romperam com a Conlutas sob o argumento de que o PSTU pretendia impor suas posições contrárias a Chávez, Evo e Correa. Para conservar os defensores desses governos, a Coordenação Nacional fez a concessão de que o Encontro Latino Americano e Caribenho (ELAC) se absteria a ter uma caracterização de tais governos. No I Congresso, o PSTU usa a artimanha de que não havia “amadurecimento” para se decidir sobre o caráter de classe desses governos e a posição frente a eles. Até parece que esses governos acabaram de chegar ao poder e os “revolucionários” não tiveram tempo para decidir o que são e para onde vão. Mas a realidade é outra. Todos esses governos já se mostraram fiéis à grande propriedade dos meios de produção e incapazes de mover um dedo contra as multinacionais e o capital financeiro. O seu nacionalis-

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mo não vai além de se tornarem sócios do grande capital estrangeiro em certos ramos, como o do petróleo. Nos recentes acontecimentos da Colômbia, a posição de Chávez em favor da libertação dos reféns das FARCs esteve a serviço da atuação do imperialismo francês. A longa experiência com esses governos demonstra que não irão além da demagogia nacionalista e do palavreado anti-americano. Estão justamente na fase de recuo na própria demagogia. Um Congresso de uma Central que se diz “alternativa dos trabalhadores”, “classista e independente” e “socialista” que se abstém diante de governos burgueses demonstra adaptação ao capitalismo e incapacidade de se contrapor às pressões do nacionalismo burguês. PSTU e o bloco Unidos pra Lutar tiveram uma posição oportunista. 10. O PSTU impôs à Conlutas o apoio à política de cotas às mulheres e aos negros. A resolução aprovada é a de reservar uma parte dos cargos de direção das entidades dos trabalhadores para as mulheres. E a defesa de cotas para os negros terem acesso à universidade. Nesse ponto, não há diferença entre a política do reformismo petista e a do PSTU. A posição contrária às cotas partiu do reconhecimento da “profunda desigualdade” existente no país e da presença da “ideologia machista” na sociedade, mas considerou um erro a Conlutas defender cotas de mulheres em suas entidades e estrutura diretiva. Em relação aos negros, usou o argumento de que é preciso exigir “aumento imediato de verbas à educação pública (15%) e o fim do vestibular e vagas para todos no ensino superior”. Não há novidade nessa colocação. O PSTU, desde os primeiros momentos da elaboração da política de “reparação histórica” e de “ações afirmativas” do Estado pelo PT/CUT, se adaptou à essa orientação do reformismo. Passou a expressar os interesses particulares de uma pequena camada de negros e mulheres da classe média. O reformismo frente a essa questão se caracteriza justamente por não levantar as reivindicações do conjunto dos explorados (negros e brancos). Com a cotas, faz uma distinção entre os explorados negros (a mino-

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ria que se incluiria nas cotas e a grande maioria excluída). As cotas não passam de migalhas dos capitalistas a uma fatia da pequena burguesia negra e servem para acobertar a opressão de classe e racial. O I Congresso fracassa em não se contrapor à farsa das cotas e não levantar as bandeiras das massas proletárias negras e das mulheres. 11.Um dos pontos polêmicos foi o da relação da Conlutas com as organizações militares. Havia duas colocações: o apoio à greve da polícia e admitir ou não organizações militares no seio da Conlutas. Sobre o apoio à greve de policiais, embora com divergências de uma seita (LBI), havia maior concordância. A confusão se deu em relação à incorporação de entidades de policiais. O PSTU, corretamente, disse da importância de dividir a repressão. Chegou a usar o hino da Internacional Comunista para mostrar que a vitória dos trabalhadores dependerá de ganhar os soldados para luta revolucionária. A confusão entre a tarefa de fraturar o aparato repressivo se confundia com a de admitir a presença organizada da polícia na Conlutas. Os grupos que se opunham se apoiavam no fato da polícia constituir o braço armado do Estado burguês e, por isso, não era possível sua presença na Central. A aprovação da formulação do PSTU abre a brecha de organizações militares reivindicarem filiação à Conlutas. Como se vê, trata-se de uma questão sensível. Há necessidade de se atuar sobre os soldados pobres e destruir o aparato repressivo. O ponto de partida do problema não poderia ser o de filiação ou não de sindicatos de policiais à Conlutas. Teria de ser o da política militar da Conlutas frente ao Estado e todo o seu aparato repressivo. Inclusive a necessidade da auto-defesa para enfrentar a repressão sobre os camponeses foi levantada e rejeitada pelo PSTU. Aqui está a complicação. O PSTU foi contra determinar uma política militar para a Conlutas, mas foi favorável à filiação de entidades militares. 12. O Plano de Ação aprovado foi o apresentado pelos Sindicatos dos Metalúrgicos de SJC, Químicos de SJC e

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Federação Nacional dos Gráficos, com os adendos de campanha contra a criminalização dos movimentos sociais, contra o Reuni e Enade, contra a terceirização nos serviços públicos, pela liberdade de organização sindical etc. Os defensores enfatizaram a unificação das campanhas salariais no segundo semestre e um dia nacional de mobilização pelo salário e pelos direitos. A contraposição a esse plano foi feita pelo agrupamento que dizia “construir a greve geral desde as bases sindicais e populares para derrotar o governo Lula e suas reformas anti-operárias”. Mais uma vez, numa questão fundamental, a Conlutas deixou de cumprir o objetivo de um organismo de luta. Está evidente que a crise econômica se avoluma e se acelera. O que significa aumentar a miséria da maioria. A expropriação dos salários por meio da inflação e do custo de vida comparece como um ponto essencial. A taxa de desemprego, que foi contida nos últimos anos, tende a crescer. O I Congresso teria de responder a esses três pontos. Que bandeira corresponde à miséria? Salário mínimo vital de R$2.750,00. Que bandeira corresponde à elevação da inflação e do custo de vida? A escala móvel de reajuste de salário. Que bandeira corresponde ao desemprego? Escala móvel das horas de trabalho. Sem dúvida, há muitos outros pontos da exploração do trabalho e da opressão de classe que teriam de ser tratados, como o caso da juventude oprimida, dos camponeses pobres etc. Particularmente sobre a questão da terra, não houve a discussão, apenas se aprovou o relatório do I Seminário Agrário da Conlutas.

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Caso MTL (Movimento Terra e Liberdade) Um choque para a Conlutas/PSTU

Massas 360
Assim começa o artigo de Eduardo Almeida: “Às vésperas da realização do Congresso da Conlutas, fomos surpreendidos com a saída da corrente MTL, que, junto com o MES, tem peso importante na direção do PSOL. O MAS (grupo petista de Santa Catarina) está também seguindo o MTL. Felizmente, vários setores do PSOL seguem construindo a Conlutas” (Opinião Socialista, nº 342). O tom de lamento expõe o estado de espírito de um dos mais destacados membros da direção nacional do PSTU. Como poderia emergir inesperadamente uma ruptura tão importante para o futuro da Conlutas bem na ante-sala do seu congresso? O PSTU já havia anunciado antecipadamente o êxito do 1º Congresso da Conlutas. A decisão do MTL esmaece a cor da vitória tão desejada. Como diz Almeida, a cisão pode in-

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fluenciar a direção do PSOL, que estava propensa a aderir à Conlutas. No Encontro Nacional da Intersindical, em abril, a posição majoritária do PSOL foi de participação no 1º Congresso da Conlutas. Travou dura batalha contra os opositores, venceu com a resolução de participar, mas não pôde sustentá-la frente à possível divisão da Intersindical. O que faria o PSOL no congresso dirigido pelo PSTU sem a força da Intersindical? Comparecer apenas com uma fração seria adentrar à Conlutas com a bandeira a meio pau. Na luta interna, o PSTU poderia arriá-la de vez, embora venha se mostrando conciliador e unitarista. Assim, o PSOL, que venceu o Encontro da Intersindical, teve de recuar. Mas os partidários de Heloísa Helena e outros grupos do PSOL haviam decidido comparecer em Betim (MG) por conta própria, como ato de auto-afirmação política. Os cálculos do PSTU eram de que a divisão da Intersindical progredisse, de que não ficasse apenas no âmbito do Encontro e de que posteriormente não se curasse a ferida, em prejuízo da Conlutas. A atuação do MTL na Conlutas constituía uma força respeitável e um instrumento para arrastar a Intersindical, inteira ou despedaçada, unida ou dividida. Tinha-se em conta que o PSOL fez apenas um recuo tático não cindindo a Intersindical. O MTL era parte dessa manobra. Com o abandono da Conlutas, o MTL torna as negociatas do PSTU com o PSOL mais complicadas, por se tratar de um movimento que organiza a luta no campo e, nesse sentido, é bem diferente da burocracia partidária voltada à vida eleitoral. O consolo de Almeida está em que outros setores do PSOL não seguiram o MTL, como fez o MES e o MAS. Esperança de que estes outros setores – não nomeados por Almeida – venham a influenciar o PSOL a aderir à Conlutas? Ou apenas um desabafo? Pareceu-nos mais um desabafo, mas só os acontecimentos futuros dirão se havia

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Balanço da experiência de cisão da CUT e formação da Conlutas

algum fundamento para a esperança. O certo é que a cisão litigiosa do MTL com o PSTU resulta em duro golpe na Conlutas.

Motivos da cisão, segundo o MTL 1. Rompimento do funcionamento da Conlutas baseado em acordos.
Em forma de manifesto – “Em Defesa da Unidade Sindical e Popular” – o MTL dá explicações sobre a ruptura com a Conlutas. Refere-se às deliberações da reunião de 8 e 9 de junho da Coordenação Nacional da Conlutas, que tornaram impossível a permanência do MTL e outras correntes. Em tom de denúncia, acusa o PSTU de exercer hegemonia na Coordenação e se valer de uma “política de maioria artificial”. Assim, o MTL se apóia em duas ordens de causas para deixar a Conlutas: 1. na organização da Conlutas; 2. nas posições políticas evidenciadas na reunião de 8 e 9. Dá a entender que rompe para não se sujeitar a uma “maioria artificial”, constituída pelo PSTU. Esta é a seqüência dos argumentos do Manifesto. Vamos segui-la. O MTL entende que “a Conlutas foi construída a partir de acordos entre grupos que a compõem, uma estrutura aberta, transitória, que tem dentro de seus organismos e também com os setores com os quais discute a Unificação vários debates de caráter estratégico: o mais importante deles é o caráter da nova Central que queremos construir, e consequentemente, qual a base social real que sustentará esta nova estrutura”. Esta colocação tem duas idéias fundamentais: a primeira de que a Conlutas dependeu de acordos de organizações para nascer; a segunda refere-se à indefinição inicial do “caráter da nova Central”, que, portanto, deveria ser resolvido como um problema estratégico. O MTL estaria deixando a Conlutas justamente porque a forma de acordos de organizações estava inviabilizada e o PSTU

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estava impondo com sua “maioria artificial” um caráter à nova Central à revelia de outras organizações. Na reunião da Coordenação Nacional, o PSTU deixou claro que as propostas divergentes deveriam ir ao plenário do Congresso. Essa posição não foi aceita pelo MTL, por considerar que o PSTU passou a impor sua “maioria artificial”. Maioria na Coordenação e também no Congresso, segundo conta na ponta do lápis. MTL apresenta a composição do Congresso: “26,36% de sindicatos; 0,91% de Federações, Confederações e Sindicatos Nacionais; 24,16% de minorias e oposições; 8,83% de setores populares urbanos; 8,57% de movimentos do campo; 5,97% dos cortes de opressão e 25,19% de estudantes”. Conclusão: “Na medida em que há um debate estratégico aberto, com posições distintas representativas na realidade da classe e no processo de reorganização em curso, não legitimaremos o PSTU a estabelecer maioria artificial a partir de um processo de eleição de delegados sem controle, a representação estudantil, por exemplo, equivale a 25% da delegação do Congresso da Conlutas”. O MTL afirma que não desconhecia o fato do PSTU “inflar a representação de círculos partidários reduzindo a representação do movimento sindical e particularmente do mundo do trabalho, utilizando-se da legitimidade do movimento estudantil”. E se pergunta: “o que mudou”? Resposta: “A declaração formal do PSTU de que a única forma de se tratar as diferenças é no bate crachás dentro do Congresso”. Portanto, esgotou-se o acordo de organizações para formar a Conlutas. A crise do funcionamento da Conlutas sobre a base de acordos de organizações tornou visível que se baseava na política de negociações de cúpula e de consensos entre correntes, movimentos, organizações sindicais etc. O MTL acha que a política de acordos deveria continuar e o PSTU acha que as divergências apresentadas na Coordenação Nacional deveriam ser votadas no Congresso. Mas o MTL tem as contas da representação e considera que o PSTU se

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sobrepõe à política de acordo com uma política de maioria artificial.

2. Divergências ditas estratégicas
Entramos na segunda ordem de argumentos. Divergência quanto à ELAC ( Encontro latino-americano e caribenho) e quanto à Intersindical. Esses são os dois pontos alegados. Na reunião da Coordenação Nacional, o PSTU fez aprovar uma resolução que reafirma a convocatória da ELAC. Qual a divergência do MTL? Diz que com a ELAC o PSTU pretende uma “articulação orgânica com a ultra-esquerda latino-americana, fechando suas portas à pluralidade de posições internacionais existentes em seu interior e fora dela”. O MTL não indica a que ultra-esquerda se refere e porque é ultra-esquerda. Mas a questão está na posição das correntes frente a governos, como de Hugo Chaves, Evo Morales e Rafael Correa. O MTL, de fato, apóia estes governos. Diz que defende a autonomia da Conlutas frente ao Estado, aos governos e aos partidos e que não assina qualquer medida de qualquer governo contra os trabalhadores. Mas que Chaves, Morales e Correa “se enfrentam com as oligarquias e com o imperialismo defendendo na prática os interesses dos trabalhadores latino-americanos”. Está aí a base política para o apoio a esses governos. A defesa de autonomia das organizações das massas frente ao Estado perde todo sentido. Para amenizar a divergência com o MTL, o PSTU e seus aliados na Coordenação Nacional fizeram constar no ponto 2 da Resolução a seguinte formulação: “Acerca dos objetivos do Encontro, a Coordenação Nacional reafirma que a Conlutas não propõe que sejam tomadas deliberações acerca da caracterização dos governos da América Latina, mais precisamente os governos da Venezuela, Equador e Bolívia”. Está aí a concessão do PSTU ao MTL e seus aliados. Os delegados poderiam debater as

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caracterizações, mas não deliberar sobre elas. De nada adiantou a conciliação. Vejamos o atrito em torno da Intersindical. Diz o MTL que o PSTU mudou de posição frente à Intersindical. Antes tinha por objetivo a unificação; agora busca “a disputa fracional na base das correntes que compõem a Intersindical”. O MTL considera que a tarefa é alcançar a unificação e não fortalecer a Conlutas em contraposição à Intersindical. Mas não enfrenta a explicação do porquê da resistência de uma das alas da Intersindical à unificação, resistência exposta no seu Encontro Nacional. Como já foi constatado, o MTL está umbilicalmente vinculado ao PSOL e o PSOL está umbilicalmente vinculado à Intersindical. O cordão umbilical é tão forte que, mesmo que a posição majoritária no Encontro Nacional da Intersindical fosse pelo comparecimento no 1º Congresso da Conlutas, de nada valeu. Ocorre que o PSTU controla folgadamente a Conlutas, a presença do PSOL implica disputa de hegemonia. A força dos aparatos partidários e sindicais pende mais à divisão do que à unificação. O MTL teria de se definir de que lado ficaria. Seu cordão umbilical o puxou para fora da Conlutas. Se assim não o fizesse, teria de seguir a nova orientação do PSTU de fracionar a Intersindical.

Resposta do PSTU ao MTL
A Conlutas divulgou, em 13 de junho, uma nota sobre o afastamento do MTL. Considera a decisão “inexplicável”. Critica a atitude que “foi tomada à revelia do processo de discussão e eleição dos delegados, que houve na base em todo o país”. Considera que ainda não tem elementos para se “posicionar sobre as motivações”. Mas a nota se refere “às diferenças existentes acerca da realização da ELAC”. A Conlutas diz não entender a ruptura, uma vez que a resolução da Coordenação Nacional foi “construída em comum acordo”. Por outro lado, reconhece que o MTL vo-

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tou contra. Essas considerações da nota parecem mais reclamações. Está evidente que não houve, de fato, nenhum “comum acordo”. O que vale é o voto contrário, o restante é formalidade. A suposição de que o MTL poderia ter rompido com a Conlutas em virtude de pontos do temário do Congresso (Correções no Sistema de Direção; Natureza Sindical e Popular; Caráter de Classe de Nossa Luta; Fortalecimento da Conlutas e Unificação) levou a que o PSTU chamasse a atenção do MTL para o fato de que as discussões “recém se iniciaram e não há posições definidas sobre os mesmos”. Em forma de suposição, a nota transparece que o MTL condicionou sua permanência “a que a Conlutas assumisse suas posições”. O teor da nota, por si só, mostra que não houve disposição do PSTU e seus aliados exporem as razões verdadeiras do rompimento, muito bem sabidas dos membros da Coordenação. Quatro dias depois de editada a “Nota da Conlutas sobre o afastamento do MTL”, essa organização publicou suas explicações, acima analisadas por nós. O MTL deixou evidente que a Conlutas deveria continuar a funcionar por acordos e que sua relação com a Intersindical deveria ser de busca da unidade fraternal. No “Opinião Socialista” de 19 de junho, Eduardo Almeida, da direção do PSTU, e José Weil, da Liga Internacional dos Trabalhadores, publicaram o artigo “Sobre a Necessidade de Unir os que Lutam”, cujo objetivo é mostrar para a sua militância e para os aliados na Conlutas que o ELAC é amplo o suficiente para estarem presentes os opositores de Chaves e seus defensores. Nesse sentido, estaria garantida a frente única tanto na Conlutas quanto no ELAC. Segundo Almeida e Weil, “para os das direções do MES-MTL e Coletivo Luiz Carlos Prestes, a ‘única’ posição correta é estar com Chavez. Quem não apóia seu governo ‘cai do lado oposto’, ou seja, do imperialismo”. Para demonstrar o ultimatismo do MTL, Almeida e Weil justifi-

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cam: “No ELAC estarão centenas de dirigentes sindicais e populares que estão a favor e contra esses governos. Mas que estão dispostos a encaminhar juntos planos dos trabalhadores”. Mais uma das formalidades do PSTU, que serve à política de convivência pacífica, sobre a base de acordos, entre correntes distintas, até que as contradições se manifestem, como acaba de ocorrer com o abandono do MTL da Conlutas. Almeida e Weil retomam o sentido conciliador da resolução sobre o ELAC, que objetivou salvar a política de acordos. Dizem: “Como todos sabem, não era proposta de nenhuma das organizações convocantes definir no ELAC uma posição sobre temas polêmicos como a caracterização do governo Chavez, mas sim tirar um plano de lutas. E isso deveria incluir tanto aqueles que apóiam como os que não apóiam Chavez”. A abstração política do PSTU foi respondida com realismo político pelo MTL e prestistas. Para eles, não há que ter plano de luta algum na Bolívia, Venezuela e Equador, sem que expressem apoio aos governos “nacionalistas revolucionários”, com assim os definem. Não há que desconhecer que o MTL e MAS tem raízes no estalinismo e castrismo. Raízes que obrigam essas organizações a se submeterem aos governos burgueses do tipo nacionalista e populista. Finalmente, Almeida e Weil deixam o pedestal da abstração e concluem que para o MTL “o encontro tem de votar o apoio a Chávez ou então o evento estará do lado do imperialismo”. A posição do PSTU de que se discuta, mas não se decida sobre a caracterização desses governos, comparece como uma manobra para manter a unidade formal de aparatos sindical-partidários. Chegou ao seu limite com o MTL e MAS. A realidade da luta de classe e do processo político não permite adiar posições frente a tais governos e nem neutralizar conflitos de posições. Em nota à parte, na forma de manifesto, com o título “Um grave erro: A Negação do Caráter de Frente Única da Conlutas”, o PSTU diz não acreditar que o MTL tenha

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rompido com a Colutas em razão das divergências apresentas sobre o governo Chávez. Procura também rebater a acusação de “hegemonismo”, com o argumento genérico de que o “PSTU tem peso entre seus delegados porque desde o início esteve presente na sua construção”. Evita assim entrar no mérito da composição social e sindical do 1º Congresso, exposta numericamente pelo MTL, a partir da qual acusa o PSTU de contabilizar uma “maioria artificial”. O PSTU então supõe que a saída do MTL se deve à possibilidade de ter assumido a posição de uma corrente sindical do PSOL que “leva à divisão dos trabalhadores em boa parte do mundo, ‘com a central sindical do PC’, a ‘central do PS’”. Sendo assim, o MTL estaria usando as divergências e as críticas sobre o hegemonismo do PSTU para se alinhar com “a concepção de criar centrais sindicais para responder interesses eleitorais dos partidos, e não a necessidade de unidade para lutar que têm os trabalhadores”. O PSOL estaria caminhando para construir uma “corrente sindical de partido”, que como tal leva à fragmentação e à negação da “necessidade de uma entidade de frente única”, no caso, a Conlutas. Tudo indica que o PSTU esteja se referindo à decisão de uma importante ala do PSOL, que inclui o MES-MTL, aos quais se juntou o MAS prestista, de manter a Intersindical como aparato, e com isso se afastar da Conlutas. Frente a isso, o PSTU faz a profissão de fé de “unificação da Conlutas com a Intersindical”. Ao mesmo tempo, conclama “o restante do PSOL a seguirem o caminho dos companheiros desse partido que continuam na Conlutas”. Quixotescamente, chama o MTL-MAS que “revejam sua atitude e retornem à Conlutas”.

A essência da crise às portas do 1º Congresso
O POR, desde o início, se posicionou contra cindir a CUT e constituir uma nova Central. Nosso principal argumento: não há um movimento de massa no seio da

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classe operária que esteja rompendo com a burocracia estatizante da CUT e se dirigindo a criar um novo organismo centralizador da luta de classe. Portanto, a Conlutas, encabeçada pelo PSTU, não passaria de um aparato de correntes e agrupamentos sindical-populares. Sem expressar uma ruptura das massas proletárias, não teria como fazer frente à burocracia da CUT, que continuaria a comandar boa parte do movimento sindical. O caráter de frente única dos sindicatos, da Central e de organismos criados na luta se deve ao seu caráter de massa. É um erro grave confundir o caráter de frente única desses organismos com a política de frente única de correntes e aparatos. Não por acaso, o MTL acusa o PSTU de mudar a política de acordos, que serviu de base para a constituição da Conlutas. Não se criará uma nova central sindical com a política de frente única do PSTU ou de quem quer que seja. A Conlutas, como resultado de “frente única de movimentos sociais”, resultante da unificação “de vários setores do movimento sindical e popular”, não responde ao processo histórico da luta de classe e constituição de organismos das massas. Não é com a soma de “movimentos sociais” que se porá em pé uma central que cumpra a tarefa de poderosa centralização da classe operária e dos demais explorados. Os tais “movimentos sociais” a que se refere o PSTU não superaram seu caráter de aparatos e não deixarão de sê-lo somados à Conlutas. Basta que se tome o exemplo do MTL, organização controlada pela política do estalinismo, do castrismo e do nacionalismo pequeno-burguês. O pequeno peso do proletariado e o grande peso estudantil no Conlutas comprovam que essa organização não expressa as massas oprimidas e o combate em seu seio pela independência política e organizativa frente à burguesia e seus agentes. Não será por essa somatória e por essa “frente única” que a burocracia da CUT, Força Sindical e de outras frações será derrotada.

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O POR trabalha por construir uma fração revolucionária, programática, no seio do proletariado e, portanto, no interior dos sindicatos e da CUT pela expulsão da burocracia, pela independência e democracia sindicais. A essência da crise PSTU/Conlutas e MTL/PSOL/Intersindical está no caráter de aparato da Conlutas e da Intersindical.

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Congresso da Conlutas

Massas 358
Nos dias 3 e 6 de julho, a Conlutas realizará seu 1º Congresso. Os organizadores esperam dar mais um passo no seu fortalecimento. A Conlutas se originou como movimento de rompimento com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), por iniciativa política do PSTU, sob argumento de que se tornara “chapa branca” com sua integração no governo de Lula. Em 2006, foi realizada a Conferência Nacional dos Trabalhadores (Conat), que aprovou a cisão e constituição de uma nova organização sindical e popular (na realidade, não bem definida). O POR atuou no sentido de não se confirmar a divisão e de se constituir uma fração revolucionária programática para combater, no interior dos sindicatos e da própria CUT, a burocracia e a estatização. O Conat constituiu uma coordenação, mas não aprovou um estatuto, necessário para definir seu caráter e funcionamento. No mesmo processo, houve uma outra ruptura com a CUT, impulsionada partidariamente pelo PSOL, constituindo a Intersindical. A Conlutas/PSTU trabalha na perspectiva de atrair a Intersindical.
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Assim, é bem provável que não se dê importância aos estatutos da nova organização devido à espera de solução das divergências na Intersindical em torno da fusão. Tanto é que, em abril, a Intersindical fez um Encontro Nacional para decidir sobre a participação no 1º Congresso da Conlutas. As divergências foram acirradas, ao ponto de não se levar a bom termo a proposta de fusão. A decisão ficou adiada. Um dos pontos da discussão foi o do caráter da Conlutas. A quase unanimidade no Encontro Nacional de que era preciso definir o caráter sindical da nova organização – contra o caráter sindical, popular e estudantil dado até agora à Conlutas – só serviu para que o setor contrário à fusão endurecesse sua posição. Zé Maria, da Coordenação da Conlutas e destacado membro do PSTU, diz que é preciso “paciência e generosidade políticas” para se chegar à fusão. Reconhece que há divergências e ressalta as convergências. Tudo no abstrato, evidentemente. O fato é que ainda desta vez se frustrou a tentativa de fundir a Conlutas e Intersindical. O exitismo do 1º Congresso estaria garantido antecipadamente se o setor da Intersindical, ligado ao PSOL, tivesse conseguido aprovar sua proposta de participação. Entendemos que a paciência e a generosidade soltas ao vento por Zé Maria, salvo engano, estejam dizendo que não será ainda desta vez que se consagrará a definição programática, estatutária e organizativa da Conlutas. Como a ruptura com a CUT não se deu por um processo de luta de massa, mas por decisão do comitê central do PSTU, apoiado em algumas dezenas de sindicatos sob seu controle, a fusão com a Intersindical virá por meio de negociatas de cúpula e de aparelhos. A Conlutas necessita desesperadamente de um acordo desse tipo para fortalecer o aparato sindical e para justificar a decisão de dividir a CUT. Em forma de um balanço genérico, o jornal “Opinião Socialista” avalia que “avança na base a ruptura com a CUT” e que “importantes entidades sindicais se desfiliam enquanto nas categorias cresce o desgaste das direções ligadas à CUT”. Esta apreciação demonstra bem o erro de dividir a Central em lugar de constituir a fração revolucio-

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nária opositora à burocracia. Com a política de desfiliação de uma porção de sindicatos da CUT e de filiação na Conlutas se espera derrocar a burocracia vinculada ao PT. Por esse caminho, a Conlutas só se fortalecerá constituindo uma nova burocracia, inicialmente de aparência pseudodemocrática, e, em seguida, autoritária. Não será com a somatória de sindicatos desfiliados da CUT que se porá em pé uma organização de massa, independente e revolucionária. As massas em luta aberta contra a classe capitalista expulsarão a burocracia da direção dos sindicatos, derrubarão a cúpula vendida das centrais estatizadas e criarão amplas organizações vinculadas à ação direta. O partido do proletariado tem o dever de expressar e mesmo antecipar as necessidades organizativas das massas. Mas não será cindindo a CUT e sindicatos (a burocracia criará novo sindicato onde perder com a desfiliação) e criando um novo aparato que se expressará o combate contra a burocracia e sua política de conciliação de classe. É preciso entender o processo de estatização da CUT. Ela vem com a ascensão do PT/Lula ao poder. Ou seja, com as ilusões democráticas da classe operária, dos pobres e oprimidos da cidade e do campo em solucionar seus problemas por meio de um partido e governo mascarados de reformistas. Confirmou, por essa via política, a tese de Trotsky que os sindicatos da época imperialista do capitalismo ou estarão em guerra aberta contra a exploração ou estarão estatizados por uma direção aburguesada. A tarefa que propõe não é de criar novos sindicatos ou centrais, mas de combater pela independência e democracia sindicais, para opor a luta dos explorados aos aparatos burocráticos. Se for necessário criar novas organizações, a luta das massas indicará o caminho. O POR expressou essa posição perante o PSTU e os agrupamentos que a ele se alinharam pela cisão. Em todo momento nos opusemos às campanhas de desfiliação. Contudo, não deixamos de atuar em frente única contra a burocracia cutista, tanto nas lutas como nas eleições sindicais.

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Ao 1º Congresso da Conlutas Conlutas – uma nova Central?

É conhecida a posição do POR contrária à cisão da CUT e formação de uma nova Central. Também é sabido que em nenhum momento o POR deixou de atuar nas atividades da Conlutas. E por quê? Porque entendemos que só a experiência dirá se estamos corretos ou não. E porque a necessidade da unidade organizativa da classe operária continua vigente. A estatização da CUT e as divisões criadas pela burocracia, no caso a Força Sindical, CGT etc. inviabilizaram a centralização nacional do proletariado. É claro que não estamos diante de um fenômeno particular do Brasil. As frações da burocracia sindical estatizante há muito vêm fracionando as centrais. Não há país em que não se tenha mais de uma central. A social-democracia foi pródiga em romper a unidade organizativa dos trabalhadores e o estalinismo se juntou a ela nessa tarefa contra-revolucionária. A frança da década de 1930 deve servir-nos de referência, embora existam outros exemplos de igual importância histórica. É um bom exemplo porque a Oposição de Esquerda trotskista travou
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importante combate contra a divisão da CGT, provocada pela social-democracia e assumida pelo estalinismo. Como se vê, há precedentes que nos obrigam a encarar a divisão da CUT – conduzida pelo PSTU e outros agrupamentos – sob demonstrações e considerações feitas pelo marxismo. Não é o caso, nesse momento, de rever tudo o que o POR expôs durante todo o processo de formação da Conlutas. Apenas sintetizamos o essencial. 1º) Não havia uma tendência e um movimento de uma importante camada do proletariado de constituir uma nova central, como resposta à estatização da CUT e às traições da burocracia petista e estalinista; 2º) A cisão ocorria em uma situação de reordenação legal da burocracia, que se confirmou recentemente com a aprovação de uma legislação e que permitiu aos estalinistas (PCdoB) saírem da CUT e formarem uma central própria; 3º) A Conlutas não teria como expressar um setor majoritário da classe operária, para que fosse uma central operária capaz de organizar a maioria oprimida, que vai muito além do proletariado; 4º) A grande maioria dos sindicatos ficaria sob o controle da burocracia cutista e não cutista. Estávamos de acordo com os argumentos de que a estatização da CUT e sua integração no governo Lula passaram a ser poderosos obstáculos às lutas, à democracia sindical e à independência organizativa dos trabalhadores. Mas não estávamos e não estamos de acordo que a saída para a burocratização e estatização seja a divisão da CUT e formação de uma nova central. Propusemos e propomos que a Conlutas se tornasse uma fração classista e revolucionária, que funcionasse como frente única para se opor à estatização e trabalhar pelo programa de independência da classe operária. Mas o fato é que a Conlutas seguiu o caminho da formação de uma nova organização. O 1º Congresso vem no sentido de consolidar essa posição. É necessário que se faça uma avaliação precisa das condições da Conlutas se tornar uma central de massa e proletária. A crise aberta pelo rompimento do MTL, MES e MAS traz luz sobre a natureza da Conlutas de frente única de movi-

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mentos sociais e organizações. Não se pode pôr em pé uma central sindical sobre a base de acordos de direções de movimentos e organizações. O MTL deve ser totalmente rechaçado por defender o apoio dos sindicatos e das massas aos governos burgueses nacionalistas. No entanto, sua ruptura se deu sob a acusação de “maioria artificial” do PSTU. Não passaria de simples acusação se não apresentasse dados da composição social do 1º Congresso. Segundo a sua estimativa, a representação de sindicatos é minoritária, apenas 26,36%. É preciso que se tenha claro qual é a força de operários na composição da Conlutas. Ainda segundo o MTL, a representação estudantil chega a 25,19%. Se for assim, somados aos outros setores (professores etc.), a composição da Conlutas é majoritariamente pequeno-burguesa. A dificuldade de definir claramente o caráter da Conlutas se deve à sua composição social. Acreditamos que, mesmo que os dados do MTL não sejam precisos, a presença do trabalhador de fábrica é minoritária. Pela composição social começa a caracterização de uma organização de massa. Isso explica as dificuldades nas discussões entre as várias posições dentro e fora (Intersindical) da Conlutas sobre sua natureza. Central sindical? Organização ampla? Inicialmente, não faltou a delirante proposta de soviet, por grupetos inconseqüentes. O certo é que a ausência de uma definição precisa expressa o caráter super-estrutural da Conlutas. Que central será, se em sua base não predominam sindicatos operários? Que organização ampla é essa que não tem a presença majoritária do operariado? Como se vê, não se determina o caráter de uma organização pela vontade subjetiva das correntes e direções de movimentos. Quatro mil delegados no 1º Congresso reúnem uma vanguarda importante para a luta contra a burguesia e seu Estado, caso esta seja vinculada ao movimento das massas. Mas não é somente pelo número de delegados que se caracteriza que organização se está constituindo com a Conlutas.

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Caso se decida pela central sindical, o Congresso tem de ter claro que esta não passará de uma caricatura, pelas razões acima expostas. Caso se pretenda uma organização ampla, então permanecerá a indefinição. Para quê se rompeu com a CUT? Para quê a campanha de desfiliação dos sindicatos da CUT? Só pode ter um propósito: constituir uma nova central. Para se formar uma Conlutas ampla e de frente de movimentos, não era preciso cindir a CUT. Atuaria como um comando unificado dentro e fora da CUT, garantido pela democracia operária. Seria uma fração classista de combate à estatização da CUT e dos sindicatos (a CUT foi estatizada porque os sindicatos foram estatizados). Sejamos claros, o impasse na definição da Conlutas está no fato desta não poder se converter em uma Central de massa. O plano de ir fortalecendo a Conlutas por meio da desfiliação dos sindicatos da CUT não tem como se realizar. A idéia de transformar a Conlutas em uma Central por meio de somatória de sindicatos desfiliados da CUT e de movimentos é um grande erro do PSTU. Uma Central nasce como resultado de profundas tendências do proletariado em confrontar a burguesia e o Estado por meio da luta de classe. Não queremos e não devemos fazer nenhuma luta partidária faccional contra a Conlutas. Sabemos distinguir os adversários da Conlutas: a burocracia, os petistas (entre eles O Trabalho, que infelizmente se diz trotskista) e PCO, que não atua no interior da Conlutas, mas que pouca importância tem. A Conlutas deve corrigir seu erro de origem e constituir-se como fração classista e revolucionária para atuar dentro e fora da CUT e dos sindicatos.

Que obstáculos enfrenta o movimento dos trabalhadores e que tarefa temos pela frente
A situação econômica vem sofrendo alterações neste primeiro semestre. Está evidente que a crise imobiliária nos Estados Unidos reflete uma mudança do quadro econômico financeiro mundial. Despontam tendências de que-

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da no crescimento da economia. A possibilidade de recessão global deixa-se transparecer nos EUA, na Europa e no Japão, que concentram a maior parte da produção e do comércio. China, Índia, Brasil, Rússia etc. não terão como resistir a uma depressão nas principais potências. Não podemos prever o ritmo, mas nos últimos meses há combinação explosiva de alta inflacionária com desaceleração econômica. A alta do petróleo e dos alimentos, enfim, da maior parte das matérias primas configuram um ambiente de crise mundial. Já na se pode proclamar que o Brasil está imune ao que se passa com a economia norte-americana. A propaganda de Lula sobre os firmes fundamentos macroeconômicos do Brasil está sendo desmentida pela volta do déficit das contas correntes, pela maior desvalorização do Real, da volta da inflação, da necessidade de aumentar o superávit primário etc. As vantagens com que contou o governo Lula e a burocracia para ludibriarem os explorados estão ficando para trás. A rápida alta do custo de vida atinge em cheio os assalariados. A marcha do emprego ascendente em alguns setores não tem como ser mantida, uma vez que começa a haver retração. O governo Lula ainda procura disfarçar sua política de proteção ao grande capital fazendo reajuste no Bolsa Família. Mas já não tem como fazer demagogia com a bandeira de recuperação do salário mínimo. A greve dos professores em São Paulo e a greve nacional dos Correios podem estar indicando uma tendência mais geral de luta. No segundo semestre, virão as campanhas salariais dos principais sindicatos operários. A burocracia da CUT e da Força Sindical há anos que aboliu a luta pelo aumento dos salários. Agora, sentirá a pressão dos trabalhadores que têm seus ganhos reduzidos pela alta inflacionária, mais ainda no custo de vida. Os burocratas contiveram por anos as reivindicações dos trabalhadores. Desorganizaram profundamente a clas-

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se operária nos últimos tempos, destruindo conquistas organizativas, como a CUT pela base, desfigurando a democracia sindical e assumindo as causas da burguesia. Não esqueçamos que os reformistas, estalinistas e toda sorte de direitistas sindicais só puderam agir como trava ao movimento operário porque controlam a direção dos sindicatos. Para combatê-los, temos de estar onde estão os burocratas. Só assim é possível travar o combate pela direção das lutas presentes e futuras. O 1º Congresso da Conlutas tem de aprovar um programa de defesa integral da vida dos explorados, determinar as tarefas e ter claro o objetivo estratégico da revolução proletária. Não se defende a vida das massas sem se lutar pelo fim da grande propriedade dos meios de produção. A crise em desenvolvimento mostrará para a classe operária, os camponeses pobres, a classe média urbana arruinada e a juventude oprimida que, sob o capitalismo, só pode esperar a fome e toda forma de barbárie. Alguns pontos do programa de defesa da vida das massas devem ser imediatamente assumidos e trabalhados junto a elas. Frente à grande miséria da maioria e a demagogia assistencialista de Lula, está colocada a defesa do salário mínimo vital de R$ 2.750,00; frente ao desemprego massivo existente e a retomada das demissões, escala móvel das horas de trabalho; frente à alta inflacionária e do custo de vida, reposição das perdas, aumento real e escala móvel de reajuste dos salários. É necessário que se aprovem também as reivindicações da juventude oprimida: nenhum jovem desempregado, nenhum jovem fora da escola, jornada de trabalho de não mais de 4 horas e o restante do tempo para se dedicar aos estudos e lazer. Diante dos camponeses, expropriação dos latifúndios e do agronegócio e entrega das terras a comitês agrários. Fim da repressão ao movimento camponês. Estas reivindicações devem encabeçar a lista e determinar as tarefas da Conlutas. Certamente, deve-se responder

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com o programa revolucionário ao ataque do imperialismo às nações e povos oprimidos. Não deixando, porém, de caracterizar de burgueses os governos nacionalistas, de mostrar sua incapacidade de enfrentar o grande capital financeiro e multinacional e combater sua política de sustentação do capitalismo. O Congresso deve rechaçar, em uma resolução, o rompimento do MTL com a Conlutas em defesa de Chávez, Evo Morales etc. A luta pela independência das organizações dos trabalhadores é fundamental para combater a burguesia e desenvolver suas forças revolucionárias contra a grande propriedade capitalista, seus governos e seu Estado.

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Manifesto ao Conat Combater a burocracia sindical, sem romper com a CUT

Tratamos imediatamente sobre o tema da ruptura com a CUT e da constituição de uma nova Central porque esta será a principal decisão do Conat. Desde as primeiras reuniões da Conlutas, o POR participou com a seguinte posição: constituir uma frente única de luta classista e anti-burocrática, não dividir a CUT, atuar dentro e fora dela e dos sindicatos. Para se consolidar a frente classista, levantamos a necessidade de um programa discutido nas bases e aprovado em uma plenária nacional de delegados. Os comitês de base frentista organizariam as atividades segundo um plano e sob a coordenação também eleita na plenária. Como se vê, diferente de outras correntes de esquerda que se declararam contra o movimento da Conlutas, tomando-o como definitiva cisão da CUT, afirmamos a sua importância como instrumento de organização e mobilização contraposto ao bloqueio imposto pela burocracia às lutas e à independência política do movimento operário.
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Não tivemos dúvidas, no entanto, de que o objetivo traçado pelos seus organizadores, sendo a principal força o PSTU, de desfiliar sindicatos da CUT e constituir uma outra Central não era o caminho correto para combater e derrotar a burocracia, grande parte dela formada por petistas. Muitos estranharam o fato do POR comparecer nas plenárias da Conlutas para se colocar contra a decisão de formar uma nova Central e também e tirar delegados ao Conat, de acordo com esse propósito. Entendemos que as posições devem se desenvolver de acordo com a experiência. Constituímos uma posição no interior da Conlutas por uma frente única de luta - quanto a isso atuamos em todas as campanhas - e formulamos lealmente a posição contrária à divisão da CUT - quanto a isso atuamos contrários às medidas de desfiliação. Trabalhamos por fortalecer a Conlutas como frente única, mas não a fortalecemos como fração divisionista da CUT. Sem dúvida, estamos diante de uma contradição, mas explicável pela própria divergência criada entre as organizações do campo classista com a proposta de desfiliação da CUT. Achamo-nos no dever revolucionário ir até o fim na defesa da unidade das organizações proletárias. No Brasil, é recente a experiência de divisão de uma Central envolvendo uma ala da esquerda que se reivindica do marxismo. Mas as experiências do movimento sindical internacional do passado trazem importantes lições. O marxismo sempre combateu as divisões burocráticas ou ultra-esquerdistas. Temos a convicção de que o movimento de divisão da CUT liderado pelo PSTU compõe-se de traços burocráticos e ultraesquerdistas. Parece um contra-senso, mas é o que refletem setores do sindicalismo que não encontram força aparelhista para se expressar no interior da CUT amplamente estatizada e aqueles que, de tão mergulhados no subjetivismo, não vêem que a maior parte dos trabalhadores continuarão sob o comando ou a influência da burocracia cutista. Não é por acaso que existem aqueles que

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querem um novo aparelho controlado pela cúpula sindical e aqueles que chegam ao absurdo de proporem uma organização soviética. As correntes que estão contra a divisão da CUT e não lutam no interior da Conlutas em favor de uma frente classista acabam reforçando os aparatos burocráticos. Entendemos que o correto é atuar no interior da CUT contra a sua estatização e atuar no movimento da Conlutas em favor da frente única e contra a divisão da CUT. A vanguarda que se aglutinou em torno da Conlutas tem um papel importante na luta pela independência política dos explorados, na defesa das reivindicações e na mobilização de massa. Por isso, não pode virar as costas para a CUT que mantém sob seu controle não só a maioria dos sindicatos, mas também os mais estratégicos.

Luta pela independência e democracia sindicais
De fato, a CUT chegou a um grau extremo de burocratização. A particularidade está em que a Central está sob a direção do PT. Passou a ser parte do governo com a vitória eleitoral de Lula. O PT no poder do Estado completou o processo de estatização. Para cumprir a função de correia de transmissão da política governamental petista, foi necessário recrudescer a burocratização da CUT: limitou-se ao extremo seu Congresso, descaracterizou-se a representação operária, impossibilitou-se a expressão política das posições minoritárias, impôs-se a paralisia frente aos ataques dos capitalistas e encastelou sua direção. É preciso ter claro que a burocratização da CUT se deu concomitantemente ao fortalecimento do reformismo petista. O PT se apoiou em grande medida nos sindicatos e na CUT para se construir como aparato eleitoral. O petismo forjou ao longo dos anos uma casta de burocratas, cuj principal escola foi a do reformismo, e assim aprenderam manejar a política de conciliação de classe e a controlar aparelho sindical com mãos de ferro. As esquerdas que por longo período construíram o PT o apoiaram eleitoralmente e que em Congressos da CU che-

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Balanço da experiência de cisão da CUT e formação da Conlutas

garam a propor moção de apoio ao PT têm ou não ree ponsabilidade quanto à burocratização da Central? O balanço da relação do PT com a CUT e das correntes de esquerda com o PT/CUT deve também ser feito por aquele que trabalham pela formação de uma nova organização sindical. Apresentamos sinteticamente nosso balanço porque este demonstra que a burocratização é um fenômeno de direção. A direção burocrática leva fatalmente à estatização das organizações operárias, que pode ser mais direta, como agora, ou mais indireta, como no passado. É com esse fenômeno que estamos lidando. É preciso derrotar a política burguesa do PT no seio dos sindicatos, ou seja, no seio do proletariado e dos trabalhadores em geral. O reformismo, cuja principal política é a de conquistar apoio eleitoral das massas e sustentar as ilusões democráticas dos oprimidos no Estado burguês, anula o quanto pode as organizações sindicais, submetendo-as às disputas interburguesas. Vicentinho avalizou a reforma da Previdência do governo FHC/PSDB para mostrar à burguesia o lugar do PT no quadro partidário institucional. O presidente da CUT, Marinho, tornou-se ministro do Trabalho no governo do PT como capacho bem formado pelo capital. Vicentinho e Marinho sintetizam a total adaptação da burocracia petista ao capitalismo. A expressão maior da submissão à burguesia é o próprio Lula, considerado até pouco tempo como “referência da classe operária” por quase todas as correntes de esquerda. A burocracia não é homogênea, divide-se em frações vinculadas a interesses particulares das frações capitalistas. A direção burocrática leva a divisões no movimento sindical segundo esses interesses e suas manifestações na política eleitoral. A divisão entre CUT e Força Sindical é uma cunha burocrática no seio do movimento operário, que necessita da unidade para enfrentar com força o poder da classe capitalista. O trabalho revolucionário no seio dos explorados implica demonstrar o papel divisionista do reformismo petista e

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do direitismo forcista. Não será constituindo uma nova organização minoritária de esquerda, que não expressa uma poderosa tendência de ruptura das massas com a CUT, que se derrotará a burocracia. A tarefa é justamente o contrário: organizar a luta pela independência da CUT, pela democracia sindical e pela unidade das organizações operárias.

Superar a crise de direção
As massas se iludiram com o reformismo do PT. Deslocaram-se eleitoralmente dos tradicionais partidos burgueses à procura de saída para a miséria, a fome, o desemprego, a discriminação etc. A ausência de um poderoso partido revolucionário dificulta a ação direta da maioria oprimida. Os sindicatos carecem de uma direção programática, voltada inteiramente à destruição do capitalismo pela revolução social. A tarefa de quebrar o poder das direções burocráticas reformistas e direitistas liga-se indissoluvelmente à construção do partido-programa. O que exige desenvolver uma política oposta ao corporativismo e ao aparelhismo sindical. A burocracia continuará dominando enquanto não tiver de se confrontar com posições do partido marxista-leninista-trotskista. A exploração e a crise do capitalismo levam os assalariados a se chocarem com a política de colaboração da burocracia, mas é preciso o partido do proletariado para varrer a direção pró-capitalista. Não se trata de disputar corporativamente o aparelho sindical com a burocracia, mas de constituir uma direção revolucionária para os sindicatos. Estes devem não apenas defender os interesses económicos dos trabalhadores, mas servirem sobretudo de auxiliares da revolução proletária. O enfrentamento às direções burocráticas se dará na base, no movimento operário, que se expressará no interior dos sindicatos. A posição de criar uma nova Central minoritária de es-

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querda vem das correntes e sindicalistas que carecem do programa da revolução e que não podem desenvolver uma política de superação do reformismo. Evidencia-se a luta de aparatos, acobertada com a análise de que a CUT é uma casca vazia. Desconhece-se que o problema está na burocracia sindical como um todo, que vai da CUT à Força sindical, e que controla a esmagadora maioria dos sindicatos. Não é por acaso que uns querem que o Conat aprove a nova Central, outros querem que deixe mais para frente, ou que o Conlutas continue a ser o que é, e outros ainda querem um soviet a fórceps. No mesmo sentido, discute-se se o Conat deve parir uma central de sindicatos ou que também agregue movimentos sociais. Trata-se de uma confusão criada por um movimento supra-estrutural, desvinculado das amplas massas proletárias. Uma nova central terá de constituir uma nova fração burocrática para disputar o aparelho, pois não expressará a constituição de uma direção revolucionária e será um fator a mais do divisionismo sindical.

Combater o eleitoral-sindicalismo
Nas plenárias da Conlutas, o PSTU apresentou uma moção em favor de uma frente de esquerda eleitoral, que certamente será defendida no Conat. A moção corresponde à posição do PSTU de aliança com o PSOL e PCB. Declara-se pela candidatura de Heloísa Helena, sob critério eleitoral. Está claro que se objetiva colocar o Conat a serviço de tal frente, acordada por cima. O eleitoral-sindicalismo deve ser rejeitado. Não se constituiu ou se constituirá uma frente sob a base de um programa antiimperialista e anticapitalista. O PSOL está interessado em se potenciar eleitoralmente e o PSTU vê nisso uma aliança vantajosa. Os ex-petistas já desencadearam sua campanha lançando candidaturas a governador e definindo os principais postos da lista eleitoral. Indicaram predisposição em compor regionalmente com o PDT, PPS etc.Colocar o Conat sob a política da es-

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querda reformista pequeno-burguesa significa inviabilizar uma frente de luta classista. Caracterizamos a frente de esquerda proposta pelo PSTU de eleitoreira, contrária a uma frente revolucionária de combate ao capitalismo e ao Estado burgués. O critério de apoiar um caudilho, sendo ele grande ou pequeno, não se coaduna com a tática marxista de usar as eleições como tribuna e como auxiliar ao método da ação direta. Os acordos armados por cima entre PSOL,PSTU e PCB não correspondem a um movimento pela intervenção classista nas eleições contrários à disputa interburguesa entre PT e PSDB. O Conat deve rejeitar a frente eleitoreira proposta pelo PSTU ao PSOL e aprovar que se convoquem plenárias de base em todo país para se discutir o programa e a linha de intervenção nas eleições, e que em uma plenária nacional se decida definitivamente o programa, a frente e as candidaturas.

Tarefas do Conat
1. Afirmar a Conlutas como frente de luta, classista e antiburocrática; 2. Rejeitar a divisão da CUT; 3. Aprovar um programa proletário antiimperialista e anticapitalista; 4. Traçar campanhas em torno das reivindicações das massas e em torno de bandeiras antiimperialistas; 5. Aprovar uma resolução de formação de oposições classistas, antiburocráticas, programáticas e frentistas nos sindicatos dirigidos pela burocracia; 6. Aprovar uma moção de convocação de plenárias para se discutir a formação de uma frente classista para intervir nas eleições;

Base programática da frente classista e antiburocrática
1. Defesa da vida das massas: salário mínimo calculado de acordo com as necessidades reais da família traba44

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lhadora; escala móvel das horas de trabalho; escala móvel dos salários; saúde pública a todos; aposentadoria a todos mantida pelo Estado aos 30 e 25 anos de trabalho; 2. Defesa da elevação cultural dos explorados: ensino público e gratuito a todos e em todos os níveis; expropriação sem indenização do ensino privado, sistema único estatal de ensino sob o controle de quem estuda e trabalha; escola vinculada à produção social; jornada de trabalho da juventude compatível com os estudos; 3. Combate à opressão imperialista: autodeterminação dos povos; não pagamento das dívidas interna e externa; expropriação do grande capital industrial e financeiro; fim do intervencionismo econômico e militar das potências sobre os povos oprimidos e as nações semicoloniais; 4. Combate à opressão latifundiária sobre os camponeses: expropriação sem indenização dos latifúndios e do agronegócio; entrega das terras aos camponeses; controle operário da agroindústria; 5. Combate à repressão capitalista: direito irrestrito de greve, revogação de toda legislação antigreve; fim da violência latifundiária contra os camponeses pobres; fim da violência contra a juventude pobre e de toda discriminação; 6. Combate ao entreguismo da burguesia nacional: fim das reformas neoliberais; rompimento de todos acordo com FMI/BIRD/AIA; nacionalização de toda fonte de riqueza natural; recuperação das estatais privatizadas; 7. Fim do sistema capitalista: transformação da propriedade privada dos meios de produção em propriedade social; governo operário e camponês (ditadura do proletariado)

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Publicado no Massas 319 Congresso da CUT e da Conlutas

No início de maio, ocorreu o Congresso da Conlutas (Conat) e, em junho, os congressos estaduais da CUT (Cecut). Configurou-se mais uma divisão no movimento sindical. Desta vez, a cisão foi promovida pelas esquerdas que reivindicam o marxismo - o PSTU, que controla uma pequena porção de sindicatos, arrastou por trás de si uma série de agrupamentos, de sindicalistas antipartidários a seitas ultraesquerdistas. A principal divisão anterior, ligada à fundação da CUT, foi a da CGT/Força Sindical. Tratou-se, no momento, de um racha da direita sindical com a burocracia reformista ligada ao PT. Essa cisão por si só é grave: inúmeros sindicatos operários ficaram sob o comando da Força Sindical. Depois de um periodo de disputa pelo controle do maior número possível de sindicatos entre CUT e Força, chegou-se a um acordo tácito de cessar a rivalidade, circunscrevendo a concorrência a situações particulares e pontualizadas. A decisão do Congresso da Conlutas de constituir um organismo chamado de “mais do que uma Central” efetiva
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uma nova divisão pela esquerda. Sem dúvida, tal decisão aumenta as dificuldades frente à tarefa de combater a divisão da burocracia cutista, forcista e cegetista e de defender a unidade organizativa sindical da classe operária. Neste Massas publicamos um relato dos Congressos em que o POR esteve presente e atuou com claras posições contrárias à burocracia estatizante da CUT e contrárias à divisão encabeçada pelo PSTU. No entanto, é importante expor alguns pontos essenciais dos Congressos.

CECUT de São Paulo - uma caixa eleitoral do PT Luta pela independência da CUT
Evidenciou o que ocorrerá no Congresso nacional da CUT: aprovação do apoio eleitoral à candidatura de Lula. A burocracia cutista procurou esconder por algum tempo a orientação partidária da Central pelo PT. Em Congressos passados, as esquerdas (PSTU/PCO/Trabalho) chegaram a propor moções de apoio da CUT a Lula, com o argumento de que se tratava de uma candidatura operária. A corrente Articulação rejeitava que a CUT se pronunciasse nesse sentido com o argumento da autonomia da Central e do suprapartidarismo. Mascarava assim o controle petista da Central e seu aparelhamento eleitoral. Aquilo que as esquerdas citadas pretendiam, quando consideravam a candidatura de Lula uma referência para a classe operária, hoje é praticada descaradamente. A CUT foi colocada inteiramente a serviço do PT, ou seja, de uma política governamental, de uma variante da política burguesa. É importante expor essa memória histórica, porque as esquerdas que foram expulsas do PT defenderam a subordinação da Central à política eleitoral do reformismo e hoje a burocracia faz exatamente isso, cumpre essa orientação. O PSTU lidera um movimento de cisão da Central e propõe que a sua nova organização apóie uma frente eleitoral com os ex-petistas do PSOL, sob a candidatura da senadora Heloisa Helena (mas como fracassou a frente, o PSTU

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recuou). O PCO participa no CECUT apenas de corpo presente, ignora o principal tema do apoio à candidatura de Lula. Especialmente, o balanço desse CECUT não pode ser feito sem verificar a adaptação das esquerdas em congressos passados à candidatura de Lula. Fez parte do processo de estatização da CUT. O POR pode defender com a mesma clareza do passado que o Congresso da CUT deveria votar uma resolução de ruptura com o governo Lula, de total independência frente ao Estado, nenhum apoio a qualquer candidatura burguesa e um plano de reivindicações dos explorados para a ação direta.

Enfrentamento com a burocracia lulista
A fuga do PSTU da CUT e a desfiliação de mais de uma centena de sindicatos enfraqueceram o pólo oposicionista. A oposição se resumiu à Frente de Esquerda Socialista (FES), cuja maior força se encontra no sindicato dos sapateiros de Franca. Trata-se de um agrupamento também ex-petista, influenciado pelo PSOL, portanto não rompido com o reformismo. A delegação do “O Trabalho” procurou se colocar no campo oposicionista em vários pontos da pauta do Congresso, mas no essencial continuou plenamente petista. Defendeu a candidatura de Lula, apresentando uma carta de exigências, portanto esteve do lado da Articulação/PT e PCdoB. A carta de exigência do “O Trabalho” foi ridícula frente às demonstrações de traição do governo Lula às massas e a sua política de proteção ao grande capital. Ao formarem as chapas, negou-se estar com a oposição, e ingressou na chapa da Articulação. Procurou assegurar um postinho no aparelho da CUT e manter o alinhamento petista. Pode-se dizer, portanto, que “O Trabalho” esteve no campo da burocracia situacionista, de forma oportunista se aproximou da oposição em alguns momentos do Congresso. A Frente de Esquerda Socialista não constituiu uma oposição revolucionária, embora tenha feito uma oposição

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radical à Articulação /PT. Isso porque não tem o programa da revolução proletária, expressando posições sindical-reformistas do PSOL. Mas foi importante o fato de se opor ao objetivo da Articulação/PCdoB/O Trabalho de colocar a CUT e os sindicatos a serviço da reeleição de Lula e de crescimento de suas bancadas parlamentares e de governos estaduais. Nesse sentido, o POR se aliou com a FES, mas se viu na obrigação de defender em plenário uma resolução própria. Eis a resolução: “O papel da CUT é manter sua independência frente ao Estado e aos partidos burgueses. Não deve se envolver na disputa interburguesa que se configura nas eleições de 2006. A tarefa da CUT é a de impulsionar a luta dos trabalhadores em defesa das reivindicações elementares, tais como emprego, salário, direitos trabalhistas e terra aos camponeses pobres.” Essa resolução foi lida e votada, como posição minoritária em um plenário repleto de petistas e de burocratas. Está evidente que o combate à burocracia se dá na batalha pela independência de classe das organizações dos explorados e da democracia sindical.

CONAT - a responsabilidade da divisão
A votação se o Congresso da Conlutas deveria ou não romper com a CUT e constituir uma nova central resultou única e exclusivamente da posição do POR. O isolamento de nossa posição contrária ao divisionismo era esperado. A omissão daqueles que achavam que não era hora de fazer a ruptura constituiu um crime político. Mas a esmagadora decisão não modifica o fato do PSTU e seus seguidores estarem cometendo uma aventura em nome de combater a burocracia, quando na realidade acabará por fortalecê-la. Urna vez aprovada a divisão, decidiu-se pela nova organização; e mais uma vez voltou o problema de fundo da divisão. Duas posições compareceram: constituir uma nova central, aprovando um estatuto e elegendo uma direção; ou constituir uma nova organização, com um estatuto,

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mas não elegendo sua direção no Congresso, mantendo a coordenação da Conlutas, que poderá ser acrescida com o ingresso de novos sindicatos, movimentos etc. A divergência que parecia ser apenas de forma entre os proponentes da divisão revelou o essencial da ruptura com a CUT. O PSTU defendeu que não se elegesse a direção e caracterizou que a organização nascente seria mais do que uma central sindical, porque englobaria não só sindicatos. Evidenciou-se, na realidade, a fraqueza do CONAT para fundar uma nova central. Os delegados representavam, na sua grande maioria, sindicatos de trabalhadores da pequena burguesia. Sem falar da representação estudantil que teve algum peso na composição social do Conat. Ao não se eleger uma direção no Congresso, não se fundou uma nova Central, apenas se adotou um estatuto para a Conlutas. Uma das razões fundamentais do POR se contrapor à formação de uma nova central era a de que não se tratava da ruptura das massas operárias com a CUT, que levaria a arrancar a maioria dos sindicatos das mãos da burocracia. O Conat expressou exatamente essa caracterização do POR, a ponto do PSTU ter manobrado para que não transparecesse a aventura ultra-esquerdista, tão bem expressa pelas seitas que queriam a todo custo aprovar a nova central com característica soviética (COCEP, etc). Resultado: o Congresso de maioria pequeno-burguesa não aprovou a Central e não elegeu uma direção. Manteve-se a Conlutas, acrescida de filiações individuais, como se fosse um sindicatão. Os ultra-esquerdistas que seguiram a virada do centrismo (PSTU e sindicalistas antipartidários) não se conformaram com a democracia do Conat, regulamentada pelo poder do PSTU. Como levar a ruptura com a CUT nestas condições? Somente a irresponsabilidade e o aventureirismo explica esse fenômeno. O POR reconheceu que a Conlutas agregou um importante setor da vanguarda classista, por isso atuou desde o início

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com a convicção de que era necessário lutar até onde fosse possível para evitar o grave erro ultra-esquerdista e oportunista de deixar a burocracia da CUT com as mãos livres para controlar a maioria dos sindicatos operários. A defesa de que a Conlutas deveria se constituir uma frente revolucionária de combate à estatização dos sindicatos, pela defesa da independência e democracia operárias e por um programa anticapitalista e antiimperialista revelou-se correta e mantém sua vigência.

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Publicado no Massas 320 ENE e Conat demonstraram burocratismo e inconseqüência das cisões da UNE e da CUT

No início de Maio, se realizaram em Sumaré os encontros organizados pelas correntes que propõem a cisão da UNE e da CUT: o ENE - Encontro Nacional dos Estudantes - e o Conat - Congresso Nacional de Trabalhadores. A Corrente Proletária/POR, que vem atuando nos fóruns da Conlute e da Conlutas contra a ruptura com a UNE e a CUT e pela constituição de frentes revolucionárias para lutar contra a burocracia no interior das entidades, atuou desde antes dos encontros defendendo a não-ruptura e levou ao Conat delegados com esta posição. Não trabalhou para a construção desses encontros, já que seu principal objetivo seria justamente a ruptura, como aconteceu. O ENE, realizado em apenas um dia (uma quinta-feira), e sem delegação (aberto a todos os que “quisessem” participar e pagassem a taxa de inscrição), reuniu cerca de 800 estudantes, de 200 entidades (CAs e DCEs). Realizado também

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neste ano, o Coneb (Conselho de Entidades de Base) da UNE foi o maior de todos, reuniu cerca de 3500 delegados de CAs, com mais de 5000 estudantes no total. Essa gritante diferença numérica já demonstra o quanto a aventura puxada principalmente pelo PSTU abandona a maioria da base estudantil sob influência da burocracia da UJS/PCdoB. Além disso, o próprio conteúdo das bandeiras aprovadas no ENE e a forma de organização da Conlute desmentem que ela seja contraposta à burocracia da UNE. O burocratismo esteve presente não só na organização do ENE (taxas para inscrição de delegados que impediam a participação dos mais pobres, sem critério de voto por delegação), mas na própria votação da constituição da Conlute, que em vez de ter sua coordenação eleita de acordo com a proporcionalidade das forças que se organizaram para participar do Encontro se manteve composta pelas “entidades que já aderiram à Conlute”, continuando subordinada à vontade das diretorias de cada entidade, e não das decisões políticas coletivas das bases. Até hoje essa coordenação não divulgou oficialmente as resoluções do Encontro, mas a principal campanha tirada para este ano pela Conlute foi “mais verbas para a educação”, bandeira também aprovada no Coneb. Também há a bandeira de “verba pública somente para a educação pública”, mas a resolução sobre estatização do ensino privado se refere apenas às “faculdades em crise”. Dessa forma, nem um nem outro se colocaram de forma consequente pelo ensino público para todos, que só pode acontecer com a estatização sem indenização de toda a rede privada sob controle dos que estudam e trabalham. A criação de uma nova entidade ficou de ser discutida em uma “campanha nacional junto com CAs, DAs, DCEs, Grêmios, Executivas de Curso (...) que culmine com um Congresso Nacional de Estudantes no segundo semestre de 2007". Ainda assim, as resoluções que falam em ”considerar os setores que ainda estão dentro da UNE" não passam de formalidade, já que na prática a política de cisão da UNE tem se refletido também em rachas dentro do movi-

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mento estudantil em cada universidade e em boicotes à atuação frentista, como demonstraram a atuação do Lado B (PSTU) nas eleições do DCE/USP e a convocação de Assembléias paralelas (com suas resoluções depois canceladas pelos próprios organizadores) à revelia da maioria dos estudantes na mesma universidade para eleição de delegados para o Conat. No Conat, a única proposta de não ruptura com a CUT foi a da Corrente Proletária/POR, que propõs que ela se constituísse como uma fração revolucionária no interior da entidade. Mesmo a LER, que se diz contrária à ruptura, se absteve deste debate, colocando apenas depois que já havia sido aprovada a criação da nova central a proposta de que ela atuasse dentro da CUT. Mas, apesar de terem aprovado a constituição da Conlutas como central e seu estatuto, venceu depois a proposta do PSTU de que não se elegesse uma direção, argumentando que a organização nascente seria mais do que uma central sindical, englobando não só sindicatos. Assim como no caso da Conlute, se manteve a coordenação composta pelas entidades, que poderá ser acrescida de novos sindicatos, movimentos, etc. Uma coordenação indicada pelas diretorias dos sindicatos é burocrática, pois não se submete à base numa eleição de congresso, e sim aos interesses das diretorias, que podem mudá-las à sua vontade. Uma entidade que nasce sem estatutos e direção é uma fraude, não é uma organização democrática. A Corrente Proletária/POR reconheceu que a Conlutas e a Conlute agregaram um importante setor da vanguarda classista, por isso atuou desde o início com a convicção de que era necessário lutar até onde fosse possível para evitar o grave erro ultra-esquerdista e oportunista de deixar a burocracia da CUT com as mãos livres para controlar a maioria dos sindicatos operários. A defesa de que a Conlutas e a Conlute deveriam se constituir como frentes revolucionárias de combate à estatização das entidades representativas de estudantes e trabalhadores, pela defesa da independência e democracia operárias e por um programa anticapitalista e antiimperialista revelou-se correta e mantém sua vigência.

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Principais colocações do CONAT

Maio de 2006
Nos dias 05, 06 e 07 de maio, realizou-se em Sumaré-SP o 1º CONAT (Congresso Nacional de Trabalhadores), promovido pela CONLUTAS (Coordenação Nacional de Lutas). Estiveram presentes 2.729 delegados (de 3.542 inscritos), 235 observadores e 208 convidados nacionais, num total de 3550 pessoas. Além disso, havia representantes da LIT de outros países. No dia 05/05, houve a aprovação de parte do Regimento Interno e painel sobre “Conjuntura Nacional e Internacional e Desafios para a Organização dos Trabalhadores” e grupos de trabalho também sobre o tema “Conjuntura Nacional. No dia 06/05, teve a discussão em grupos sobre “Concepção, princípios e programa estatutos da CONLUTAS” e plenária geral sobre o regimento e conjuntura. No dia 07/05, ocorreu a plenária decisiva, que formalizou a Conlutas. Os problemas políticos se manifestaram logo no primeiro dia. Não havia acordo com o Regimento de funcionamento do congresso, que tinha o mesmo formato dos congressos da burocracia sindical cutista. Ou seja, mesas
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com palestrantes como forma de guia para as discussões que ocorreriam nos grupos, um caderno de teses onde as propostas das correntes compareciam retalhadas e recusa de defesa das teses em plenário. As correntes, que defendiam mudanças no regimento, protestavam no plenário, mas em seguida se ajustavam à diretriz imposta pelo PSTU.

Objetivos do CONAT
A Conlutas foi criada em 2004, por iniciativa de setores de oposição que atuam no movimento sindical, estudantil, sem-terra, sem-teto, populares etc., tendo à frente o PSTU. Desde o início, a vanguarda que buscou construí-la tinha em vista a formação de uma “nova entidade”, de “uma alternativa de luta para os trabalhadores”, que fosse uma outra central sindical ou um organismo mais amplo (aglutinando desempregados, estudantes, movimentos populares etc.). Usavam de argumentos corretos como o de burocratização da CUT para justificar a cisão. Como resultado dessa posição, o PSTU e seus aliados iniciaram o processo de desfiliação de sindicatos, daqueles que estão sob seu controle, da CUT. O Conat tinha a função de criar outra “entidade” que agrupasse os que já se desfiliaram, aqueles que estão em processo de retirada e os movimentos estudantil e popular. Por isso, nesse ponto, havia somente duas posições: a) a de criação de nova Central, com caráter amplo; b) a de combater a burocracia da CUT, sem dividir a CUT. A posição de não cindir a CUT e constituir a fração revolucionária para intervir dentro e fora da CUT foi defendida POR. Todas as demais estavam pela divisão. A corrente Estratégia ficou no meio do caminho. Duas outras questões acompanhavam essa primeira: decidir o que seria a Conlutas e aprovar “frente classista”, que previa a aliança com o PSOL e PCB, encabeçada por Heloisa Helena. Para isso, foi necessário trazer a candidata Heloisa Helena para que o PSTU mostrasse sua força ao PSOL, que reluta compor com o PSTU.

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O programa da “nova entidade”
A Conlutas nasce reivindicando a bandeira do reformismo petista de “governo dos trabalhadores”. Todos discursavam sobre o socialismo, mas uma parte das correntes, que reivindicam a cisão com a CUT, se colocou contra o partido. Posicionavam pela independência em relação a todos os partidos - burgueses e revolucionários. O PSTU para acomodar esses agrupamentos aceitou a pressão das correntes apartidárias. Chamou atenção as posições sobre a Alca e a divida externa. Quanto à Alca, além de uma resolução de repúdio, foi aprovado “exigir do governo Lula a realização de um plebiscito oficial”, aproveitando o ano eleitoral. Em relação à dívida externa, apesar de se colocar pela suspensão do pagamento, aprovou-se a participação na campanha Jubileu Sul e a realização de uma auditoria de toda a dívida contraída, auditoria que o Jubileu chama de “cidadã”. A auditoria da divida e a campanha Jubileu não diferem das resoluções do congresso da CUT. Em relação à Reforma da Previdência, aprovou-se a campanha pela sua anulação por meio de atos e abaixo-assinados. Quanto aos crimes da burguesia – corrupção, assassinatos etc -, rechaçou os Tribunais Populares, que coloca nas mãos do proletariado, camponeses e juventude o julgamento e a punição dos crimes de classe, com o argumento de que essa bandeira está “acima da capacidade das massas”. Combateu o salário mínimo vital e a escala móvel das horas de trabalho. A recusa se apoiou no palavreado de que “não estão massificados na classe” e que é necessário se defender o piso do Dieese, “que é histórico”.

Nada de concreto com a frente eleitoral
A “frente classista” com o PSOL e o PCB não ganhou força no CONAT, nem com a presença de Heloisa Helena. A candidata Heloisa Helena reafirmou a necessidade de ampliar a frente eleitoral com todos aqueles que combatem as reformas neoliberais e a corrupção que envolveu o governo
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Lula. Enfatizou que era preciso ser “humilde” para que obtivesse adesão de “muitos descontentes”. A frente classista proposta pelo PSTU não foi colocada em votação. O PSTU preferiu não atritar com seus aliados que estão pela criação da Conlutas. Alegando que “o atual estágio de construção da Conlutas e a pouca maturidade dessa discussão” poderia levar a uma “equivocada... tomada de posição no Congresso sobre esse tema”, preferiu não bater de frente com os opositores. Em relação à intervenção nas eleições, houve também a defesa do voto nulo, expresso por um agrupamento intitulado Conspiração Socialista, que reúne grupos que compunham a Oposição Alternativa (na Apeoesp) e independentes. O POR apresentou uma resolução que mostrava não ser contrário à formação de uma frente, mas esta deveria ser revolucionária, pautada pelo método da democracia operária, com a constituição de plenárias de base para a elaboração do programa e escolha das candidaturas, majoritariamente operárias. A maioria dos delegados votou contra essa frente.

CONAT não elegeu a direção para a Conlutas
Um dos pontos polêmicos do Conat foi o estatuto, que previa a criação da Conlutas e a não eleição de sua direção. Foram apresentadas duas propostas: a) que a direção deveria ser eleita no Congresso, com base na proporcionalidade direta e qualificada; b) que a direção deveria seria composta por representantes indicados pelas entidades e movimentos que integram a nova entidade. A primeira, foi apresentada pelos grupos minoritários e a segunda pelo PSTU. Como tinha a maioria dos delegados, venceu a segunda proposta. Conforme o estatuto aprovado, “A cada reunião da Coordenação Nacional as entidades, movimentos indicarão seus representantes para compô-la, podendo, a seu critério, manter os mesmos representantes para todas as reuniões ou substituí-los sempre que julgarem adequado.” Trata-se de um representante com direito a voz e voto nas

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Balanço da experiência de cisão da CUT e formação da Conlutas

reuniões de Coordenação. Ainda mais, caberá à Coordenação Nacional a formação de grupos de trabalho e a designação de membros para comporem a Comissão de Finanças, além de membros para o Conselho Fiscal. Haverá também uma Coordenação Estadual e Regional e/ou Municipal, com os mesmos poderes no âmbito em que atuam. A maneira como funcionará a coordenação e os critérios para a escolha de representantes das entidades será definido por um Regimento Interno a ser elaborado pela própria Coordenação Nacional. Em relação ao caráter da Conlutas, foram apresentadas 5 propostas: 1) “Constituir a Conlutas como fração revolucionária da CUT”, defendida pela Corrente Estratégia. É bom lembrar que essa corrente não se colocou contra a cisão da CUT, preferiu se abster na polêmica central do Conat. Depois de votada a criação da “nova entidade”, a Estratégia defendeu que fosse uma fração da CUT; 2) “Construir a Conlutas como uma central dos trabalhadores”, defendida pelo CEDS e FOS; 3) “É hora de construir a COCEP (Central Operária, Camponesa, estudantil e popular), pela LBI; 4) “Construir uma central de tipo soviética”, proposta do POM e FT; 5) “A Conlutas com caráter mais amplo do que uma central sindical, incorporando outros setores explorados no seu interior”, defendida pela PSTU. Com grande maioria, venceu a proposta do PSTU. Finalmente, o PSTU defendeu que a Conlutas será composta por entidades, movimentos e filiados individuais. Defendeu também que as plenárias convocadas para encaminhar as lutas não deverão ter caráter deliberativo. Para acomodar todas as forças, o PSTU colocou-se por abrir uma discussão sobre o estatuto apresentado e que no próximo congresso (daqui dois anos) fosse votado por inteiro.

Sobre o Plano de Lutas
Na discussão do Plano de Lutas, A Coordenação da Conlutas apresentou uma “Plataforma” como “guia para a ação”, alegou conter a maioria das propostas apresentadas

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no “caderno de teses”. A LBI apresentou uma resolução que tinha como essência construir a greve geral contra o governo burguês de Lula-FMI e que tinha como conclusão: “A única maneira de derrotar as reformas capitalistas do governo burguês de Lula é armar os trabalhadores com um eixo ofensivo de enfrentamento com o governo do PT, levantando a bandeira do Abaixo o governo Lula-FMI. Este eixo deve orientar a mobilização permanente dos trabalhadores rumo à construção da greve geral...”. As duas propostas foram para votação. Venceu a da Coordenação.

As posições do POR no Conat
O POR interveio no Congresso por meio do documento “Combater a burocracia sindical, sem romper com a CUT”. Constava de 6 pontos: a) sobre a constituição de uma nova central; b) luta pela independência e democracia sindicais; c) superar a crise de direção; d) combater o eleitoral-sindicalismo; e) tarefas do Conat; f) base programática da frente classista e antiburocrática.

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