Índice

Apresentação ................................................................3 Porque a juventude deve ser socialista ..........................5 Pontos para o programa estudantil-secundarista .........15 Anexo I Organização ................................................................27
A situação exige a organização da juventude ..........................27 A importância dos grêmios secundaristas ..............................28 Obstáculos a serem vencidos .................................................29 Construir Grêmios livres e independentes ..............................29 Proporcionalidade na formação da direção do Grêmio.............30 Assembléia estudantil e reuniões ampliadas ..........................30 Jornal do Grêmio ...................................................................30

Anexo II Trabalho e estudo........................................................32
O estudo e o trabalho devem estar juntos ..............................32 O movimento estudantil está diante de tres grandes problemas: 1) o desemprego; 2) destruição da escola pública; 3) a violência................................................................................34 Dois grandes problemas da juventude: desemprego e impossibilidade de estudar.....................................................37 A juventude dos bairros está sem escola e trabalho................39 Contra a destruição da educação, organizar o movimento estudantil com uma política revolucionária ............................40

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Por que a juventude tem de ser socialista?

“Progressão continuada” = promoção automática ...................42 O POR defende a educação vinculada à produção social.........45 Enem: Nao avalia nada ..........................................................46 O que você sabe sobre o Enem? .............................................47 Nossa campanha contra o Enem ............................................49

Anexo III Violência nas escolas...................................................51
Para acabar com a violência nas escolas ................................51 Nada de militarizar a escola ...................................................53

Anexo IV Grêmios ......................................................................55
Campanha junto aos grêmios.................................................55 Que organização de grêmios devemos alcançar? ....................56 Nossa luta pelos Grêmios livres e independentes....................57 Que grêmios precisamos? ......................................................58 O grêmio nas escolas .............................................................59 Organizar os grêmios estudantis independentes .....................59

Anexo V Contra as aulas de Religião .........................................61
Implantação das aulas de religião ..........................................61

Anexo VI Luta antiimperialista ...................................................64
Combater a Alca: Frente Única Antiimperialista .....................64 Devemos defender a luta do povo palestino ............................66 Por que nós estudantes temos de condenar a guerra dos Estados Unidos contra o Iraque ..........................................................67 A luta contra a Alca e a Base de Alcântara tem de continuar ..68 Os estudantes têm de assumir a luta antiimperialista ............69 Os estudantes devem se mobilizar contra a guerra imperialista ..............................................................................................70

Anexo VII Aliança com a classe operária......................................74
Os Estudantes devem lutar ao lado da classe operária ...........74

Anexo VIII Os estudantes e o novo governo...................................76
Defesa do voto nulo programático ..........................................76 As eleições e o novo governo...................................................77

Anexo IX Funcionamento da Corrente Proletária ........................79
Como funciona a Corrente Proletária da Educação Secundarista .........................................................................79

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Apresentação

A juventude tem retomado as mobilizações nos últimos anos. Os movimentos nas escolas e universidades, os protestos contra a globalização, as manifestações políticas e contra a guerra imperialista têm contado com a participação massiva dos jovens. No entanto, juntamente com o crescimento da participação política da juventude, destaca-se a ausência de uma direção revolucionária que expresse seu combate ao capitalismo. E não há outra forma da juventude se libertar plenamente: tem de ajudar a destruir o sistema de exploração do homem pelo homem. A política dominante nas direções do movimento é a do estalinismo contra-revolucionário e do reformismo, com a participação minoritária das correntes de esquerda democratizantes. O controle dessas correntes sobre as organizações estudantis as leva à conciliação de classes, ao peleguismo, à burocratização e distanciamento dos estudantes. E à anulação dessas organizações enquanto instrumento de luta e unificação dos estudantes. O trabalho revolucionário no movimento estudantil tem de partir de uma realidade bastante difícil. A elaboração do
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Por que a juventude tem de ser socialista?

programa revolucionário, que responda aos problemas colocados pela política burguesa de destruição do ensino público e ligue essa luta com a emancipação dos estudantes no socialismo, se dá simultaneamente à defesa da independência das organizações estudantis e do próprio movimento. Ao mesmo tempo, é somente se estiver munido da política revolucionária, aquela que é capaz de expressar teoricamente as tendências de luta e as necessidades dos estudantes, o movimento estudantil será capaz de se desenvolver de forma independente. O POR tem militado pela construção de uma corrente proletária no movimento secundarista. Uma corrente proletária significa que procura expressar e se apoiar na política da classe operária para atuar no movimento estudantil. Ou seja, sabe que a emancipação do estudante está ligada à conquista do socialismo, que só pode ser resultado da revolução proletária. Elabora a luta pelas reivindicações estudantis a partir da necessidade de erguer o movimento estudantil para que se entenda, a partir da própria experiência, a necessidade de juntar-se à classe operária em sua luta revolucionária. Nesta publicação, reproduzimos alguns textos que fazem parte da luta do POR para construir uma corrente proletária secundarista, resultado da elaboração coletiva do partido e de estudantes que atuam conosco com esse mesmo objetivo. O primeiro deles é uma argumentação sobre a necessidade da juventude de se somar à luta pelo socialismo. O segundo são os pontos do programa que elaboramos para fundamentar uma corrente proletárioa estudantil. A terceira parte é um conjunto de anexos, que são artigos publicados em nossos boletins, que também apontam para os princípios que defendemos em nossa intervenção cotidiana. A síntese desse material constitui um passo pequeno mas fundamental para a construção do partido revolucionário no meio estudantil secundarista.

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Porque a juventude deve ser socialista

1. O regime capitalista não pode trazer nada de bom para a juventude. O mesmo dizemos para o conjunto da população trabalhadora. A exploração do trabalho e a acumulação de capital (propriedade privada dos meios de produção) geram concentração de riquezas nas mãos de uma minoria burguesa e pobreza, miséria, para a maioria explorada. Faz parte do funcionamento econômico capitalista o esmagamento constante das condições de vida das massas. Estas criam toda a riqueza vendendo sua força de trabalho. Os capitalistas, que são donos dos meios de produção (fábricas, máquinas, terras, matérias-primas), se apropriam da riqueza produzida e pagam para a classe operária um salário que mal dá para sobreviver. Milhões estão obrigados a passar com um salário mínimo, que mal dá para comprar a cesta-básica de um trabalhador. Milhões não têm emprego. Está aí por que se estima que 50 milhões de brasileiros vivem abaixo da pobreza absoluta, que significa passar fome e morrer cedo. O capitalismo mata de fome crianças, adultos e velhos. A juventude trabalhadora é parte dessa situação.
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Por que a juventude tem de ser socialista?

2. O capitalismo chegou ao auge do desenvolvimento tecnológico. No entanto, as maravilhas da tecnologia não trazem o fim da miséria da maioria e não amenizam sequer o saque das potências imperialistas contra as nações atrasadas (semicoloniais). Pelo contrário, os surtos de inovação provocam destruição de postos de trabalho e potencializam a superprodução. O desemprego mundial se agiganta, os salários rebaixam, precarizam as relações de trabalho e as potências se tornam mais saqueadoras. Resultam, portanto, em mais opressão social e opressão nacional. A juventude sofre na carne o desemprego tecnológico. A burguesia falseia com o argumento de que o aumento da produtividade alcançada com as novas tecnologias criará as condições para um futuro melhor às novas gerações. Na realidade, intensifica-se a exploração e aumenta a concentração monopolista do capital. Falseia também com a propaganda de que o desemprego se deve a que as novas tecnologias exigem novas qualificações. Assim a solução apresentada é qualificar a mão-de-obra jovem e requalificar a adulta. O que verificamos, no entanto, é que sobra mão-de-obra qualificada e que não há interesse real da burguesia em qualificar um número ainda maior, basta ver a decadência geral do sistema de ensino. A tecnologia como forma de capital só pode ser utilizada como meio de intensificação da exploração do trabalho e, consequentemente, de eliminação de emprego. Serve também para aumentar o poderio das multinacionais e das potências que arrancam riquezas no mundo inteiro. A juventude se depara com o capitalismo em decomposição e com a campanha de que lhe falta qualificação e experiência. A maioria das novas gerações não terá outro futuro, no capitalismo, senão a fome e a miséria. 3. A exploração do trabalho traz conseqüências particulares para a juventude. Começamos por destacar o desemprego, o emprego sacrificante, os baixos salários e as

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Pontos para o programa estudantil secundarista

dificuldades de estudo. A juventude é um momento da vida em que a capacidade produtiva se manifesta. Essa capacidade combina as potencialidades mentais (intelectuais) e físicas. O que coloca para os jovens a combinação do trabalho intelectual e manual, ou seja, teórico e prático. Esse momento da vida implica incorporar a juventude na produção social e num novo momento de aprendizado escolar. A continuidade do desenvolvimento das capacidades intelectuais, que têm início na infância, depende do vínculo com produção social. Mas o capitalismo impossibilita a unidade entre a teoria e a prática, entre a educação e a produção social. Mutila as capacidades dos jovens. Incorpora uma parte como mão de obra barata e a submete a uma intensa exploração. Assim, impõe aos jovens uma situação oposta às necessidades de ensino. Esgota e mutila suas capacidades. Uma outra parcela é marginalizada do processo produtivo. Não tem emprego. Por esse meio, também é mutilada. 4. Cresce a desintegração de uma ampla camada da juventude que desde cedo é golpeada pela miséria de sua família. Concentra-se nos bairros, favelas e cortiços que refletem as conseqüências sociais da exploração do trabalho e do desemprego. Parte dela é empurrada para a “marginalidade”. O que mostra o bloqueio da sua capacidade produtiva e intelectual. O capitalismo a impossibilita de acesso à produção social e a afasta da escola. A miséria se transforma em criminalidade. A esse contingente cada vez maior, a burguesia e seu Estado têm como resposta a violência policial e judiciária. O aumento da criminalidade entre a juventude aumenta os assassinatos de jovens. As chamadas instituições de recuperação, reeducação, reintegração social, como a Febem, na verdade reproduzem a opressão. A barbárie da Febem retrata a barbárie do capitalismo. 5. Está presente a opressão racial contra a juventude

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Por que a juventude tem de ser socialista?

negra, que constitui a maioria nos bairros pobres. Acresce a isso a discriminação burguesa aos migrantes nordestinos e seus filhos. A opressão racial e discriminações são continuidade da opressão de classe. Os jovens negros recebem o maior impacto da sociedade de classe. As raízes históricas da escravidão colonialista continuam a se projetar no capitalismo de nossos dias. Por mais que o Estado e seus tentáculos, como a escola, Igreja, Ongs, procurem amenizar a opressão racial e os preconceitos discriminatórios contra as camadas mais pobres, o fato é que essas formas de opressão são mantidas. A escola e as Igrejas procuram disfarçá-las por meio de propaganda ideológica. Mas perante o trabalho se manifestam, provocando seleção, diferenciações salariais etc. E perante à repressão do Estado, os negros e nordestinos são alvo de todas as arbitrariedades. A burguesia, seus governantes e suas instituições promovem a ideologia da igualdade e justiça. Mas, na vida econômica e nas relações sociais concretas, o capitalismo reproduz toda sorte de opressão racial e de discriminação social. A ideologia de igualdade racial do capitalismo não corresponde às relações econômicas e sociais. 6. Ao mesmo tempo em que se aplica a lei das armas contra esses milhares de jovens, o Estado desenvolve ações hipócritas que vão do assistencialismo ao culturalismo burguês, disfarçado de popular. A religião também é utilizada para conter a revolta da juventude oprimida. O Estado e Igrejas atuam em conjunto para canalizar ideologicamente a juventude, obscurecendo a raiz capitalista da miséria e da opressão social. Procura-se desenvolver valores de adaptação da juventude como força produtiva a ser explorada. O conformismo, o pacifismo e a religiosidade são largamente cultivados pelas instituições que se encontram penetradas nos bairros populares. A escola sintetiza a ação do Estado e das religiões, disseminando tais valores contrários à luta de classe e a toda forma de

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Pontos para o programa estudantil secundarista

revolta oposta à opressão capitalista. As constantes campanhas pela “paz”, contra a violência, pela “cidadania”, pelo trabalho voluntário e de incentivo à cultura enlatada são trazidas de fora para dentro dos bairros operários. Atuam sobre os jovens e suas famílias com a idéia de que terão uma vida melhor no futuro. Impedem aos oprimidos compreenderem que a miséria e a violência são duas faces da exploração do trabalho. Objetivam esconder o inimigo dos explorados, que é a classe burguesa. Assim, a paz apregoada é a paz da submissão dos oprimidos aos opressores. Tudo que se referir à organização revolucionária da juventude contra o capitalismo é combatido por um conjunto de instituições, financiadas pelos exploradores. 7. A capacidade produtiva latente e a energia criadora da juventude, ao serem bloqueadas e sofrerem mutilações, se convertem em revolta. Na maior parte das vezes, a revolta se expressa como reações individuais e, quando coletivas, são despolitizadas. Mas o importante é que expressam o instinto de revolta contra a opressão vivida. Não se conformam com a miséria, o desemprego, a discriminação, repressão policial e as perseguições. Essas manifestações de rebeldia, tidas como criminosas pela ordem burguesa, são combatidas pela repressão e pela catequese ideológica. A burguesia age no sentido de esvaziar o conteúdo social que está por trás das revoltas instintivas dos jovens. São tratadas como desajustes da juventude que não se esforça por superar sua condição social, de forma a se incorporar ao trabalho, escola etc. Ao contrário, o instinto de revolta, que se manifesta de maneira caótica e deformada, demonstra que a juventude não aceita passivamente a agressão e violência com que a sociedade de classe atua sobre suas vidas. O problema está em superar o caráter individual e anárquico da contestação. É preciso transformar a revolta instintiva em consciência de classe. 8. A grande maioria da juventude compõe as classes so-

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Por que a juventude tem de ser socialista?

ciais oprimidas, ou seja, a classe operária, a camponesa e a classe média urbana. Constituem a nova geração de força de trabalho a ser explorada pela classe capitalista. Uma parte é incorporada ao trabalho e outra se soma ao exército de desempregados. A sociedade burguesa não tem como superar suas contradições econômicas, que levam em um pólo o aumento da concentração de riquezas e em um outro o da miséria. O futuro da maior parte das novas forças de trabalho é de sacrifício. De geração em geração, o capitalismo em decadência reserva a seus novos integrantes maior violência. Está aí um ponto de partida para se compreender o lugar da juventude na sociedade de classe. A juventude proletária que chega a vender sua força de trabalho passa a ocupar um lugar estratégico na produção social. Viverá as condições de exploração e opressão nos locais de trabalho, compondo o conjunto da classe operária. A parcela que permanecer no exército de desempregados não deixará de fazer parte da classe operária. Trata-se apenas do contingente jovem que se agrega à massa de desempregados. A juventude proletária, pelo lugar que ocupa nas relações de produção, tem pela frente a tarefa de cumprir o papel revolucionário na luta de classes. Mas a juventude oprimida é mais ampla. Os filhos de camponeses pobres e da classe média urbana arruinada são também golpeados. Unidos à classe operária fortalecem o movimento de transformação histórica. 9. A classe operária é a classe revolucionária. Encontra-se em total antagonismo à propriedade privada dos meios de produção e toda forma de exploração do trabalho. Encarna a produção social e assim tem a faculdade de transformar a propriedade privada em propriedade coletiva dos meios de produção. Eis por que somente a classe operária pode contrapor-se à burguesia com um programa socialista. A organização da juventude sob o programa da classe operária é a condição para emancipá-la da ideologia

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Pontos para o programa estudantil secundarista

burguesa e de suas formas pequeno-burguesas. A luta contra a sociedade de classe permite elevar a consciência política, compreender as leis de funcionamento do capitalismo e de sua transformação para a sociedade sem classes, ou seja, para a sociedade comunista. 10. Desde que Marx e Engels revelaram as leis das transformações e demonstraram que a classe operária se constituía na classe capaz de pôr fim à exploração do trabalho, sepultando a propriedade privada dos meios de produção, a burguesia passou a travar uma luta mortal contra o socialismo científico. Combate o comunismo com todo tipo de mentiras e falsificações. A propaganda burguesa contra o comunismo procura, particularmente, atingir desde cedo as crianças e a juventude. Desenvolve a idéia de que só no capitalismo há liberdade. E que as diferenças de classe são naturais, podendo ser superadas pelo esforço individual. Por meio da concorrência, o capitalismo é apresentado como o regime da oportunidade e da liberdade. Na realidade, a classe capitalista promove a concorrência entre os trabalhadores no mercado de trabalho, opõe os jovens operários aos operários adultos diante da escassez de postos de trabalho e empurra os jovens para disputa entre si desde a escola até o trabalho. Alimenta os preconceitos entre a juventude operária e da classe média. A verdadeira liberdade no capitalismo é a do patronato comprar a força de trabalho, dispensá-la quando lhe convier, manter milhões vivendo na penúria e sustentar com muito dinheiro as instituições defensoras da sociedade de classe. A juventude oprimida transforma seu instinto de revolta combatendo a ideologia burguesa da liberdade de exploração, da concorrência entre os explorados e dos preconceitos e assimilando por meio da luta o programa da classe operária, o socialismo científico. 11. A consciência socialista se alcança e se desenvolve por meio da organização da juventude, em oposição à ex-

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Por que a juventude tem de ser socialista?

ploração capitalista. Essa organização vai desde os organismos sindicais, grêmios estudantis, comitês de bairro até o partido revolucionário. Esse último, o partido, é o instrumento da organização socialista mais avançada. Nenhuma outra forma de organização pode substituí-lo ou superá-lo. Isso por que o partido marxista, por sua natureza, elabora o programa da revolução socialista. Organiza a militância no interior dos movimentos sociais, dirigindo as lutas para a destruição do capitalismo. Os demais organismos são auxiliares. Permitem a organização das massas, que resistem aos ataques da burguesia. Mas para que cumpram o objetivo de defesa dos explorados contra os exploradores têm de ter em sua direção a política do proletariado, que se materializa no partido operário revolucionário. 12. A maior parte da juventude ainda se encontra desorganizada e dispersa. O que favorece a atuação dos organismos da burguesia para manter sua alienação social e política. As direções sindicais e estudantis, comprometidas com os interesses e a ideologia da burguesia, desestimulam a organização de massa, bloqueiam os instintos de revolta e promovem o descrédito na necessidade da formação política revolucionária. Combatem o método da luta de classe, substituindo-o pela política da colaboração de classe. Atuam contra a estratégia de destruição do capitalismo, iludindo com a possibilidade de reformas sociais e humanização das relações de exploração do trabalho. Escondem a ditadura de classe da burguesia, escondendo o caráter de classe da democracia burguesa. Obscurecem a opressão das nações imperialistas sobre os povos oprimidos, defendendo uma nova ordem econômica internacional e a paz mundial sob o regime capitalista. As organizações da juventude se encontram penetradas dessas posições pró-capitalistas. A luta por organizar os jovens em oposição a toda forma de opressão exige o combate às direções adaptadas à política de conciliação de classe e a constru-

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Pontos para o programa estudantil secundarista

ção de direções verdadeiramente socialistas. Essa tarefa depende de avançar a organização da juventude no partido operário revolucionário. 13. A Corrente Proletária Secundarista se organiza sobre a base de princípios e programa do Partido Operário Revolucionário em construção. A luta contra o capitalismo e pelo socialismo no meio da juventude não é senão trabalhar para que o programa da classe operária dê expressão consciente aos instintos de revolta da juventude oprimida. Não há dois programas, um da juventude socialista e outro da classe operária. O programa é um só: o da emancipação de todos os explorados pela via da transformação da sociedade capitalista em socialista. A juventude militante se organiza em torno do programa proletário e dedica sua energia para que as leis da história sejam realizadas pela revolução social. Essa tarefa implica trabalhar no seio da juventude proletária, camponesa e da classe média urbana. Partindo da opressão sofrida pela juventude, extraindo suas necessidades e transformando-as em reivindicações, a Corrente Proletária Secundarista toma a frente das lutas e organiza o movimento sob a estratégia da revolução social. Da mesma forma que só há um programa, o movimento da juventude combate o sistema de exploração do trabalho ao lado da classe operária e dos camponeses pobres, constituindo um só movimento antiimperialista e anticapitalista. Para derrotar a classe capitalista e destruir o seu Estado opressor, a classe operária necessita reunir a maioria oprimida e ganhar posição de dirigente da luta de classes. É assim que o programa proletário refletirá e dará unidade às mais diversas lutas de todos os explorados. A juventude socialista tem um papel decisivo para a conquista da unidade e coesão da maioria explorada em torno da classe operária.

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1. Os estudantes não constituem em si classe social. Duas classes oprimidas formam a massa estudantil: os filhos de operários e os da pequena burguesia. Temos jovens proletários, camponeses e de classe média urbana. 2. No capitalismo, confrontam-se duas políticas totalmente definidas: a da burguesia e a do proletariado. A burguesia exerce seu poder político e constitui sua ideologia de classe dominante a partir do seu poder econômico. A essência de sua política é o domínio da maioria explorada por meio da ditadura de classe burguesa. O Estado capitalista, o conjunto de suas instituições e seus partidos são instrumentos dessa ditadura econômica, social e política sobre o proletariado e demais oprimidos. O proletariado luta para se emancipar e emancipar toda sociedade do regime de propriedade privada dos meios de produção, transformando-o em propriedade coletiva. Esse objetivo histórico de transformação do capitalismo em socialismo exige que a

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política do proletariado tenha por estratégia a destruição da ditadura de classe da burguesia, portanto, de seu poder político, materializado no Estado burguês. A luta de classe entre burguesia e proletariado levará à insurreição da maioria oprimida para a tomada do poder. A classe operária, por ser a classe que coletivamente arca com a produção capitalista, é a única classe que tem possibilidade de criar um novo Estado e impor um governo operário e camponês contra a classe exploradora. Para derrotar a ditadura de classe da minoria é preciso edificar transitoriamente a ditadura da maioria - a ditadura do proletariado. O Estado Operário se assentará na mais ampla democracia da maioria explorada. 3. A política pequeno-burguesa reflete a contradição entre o proletariado e a burguesia. Isso por que é uma classe intermediária. Sofre a pressão da luta entre as duas classes fundamentais. A pequena burguesia não tem como ter uma política própria. Como classe, segue ou a burguesia ou ao proletariado. A política pequeno-burguesa pretende reformar o capitalismo, ao contrário da política operária que objetiva destruí-lo e substituí-lo pela sociedade socialista. A reforma do capitalismo serve aos interesses da classe burguesa.

4. A Corrente Proletária Estudantil do Partido Operário Revolucionário (POR) expressa no interior dos estudantes a política do proletariado. Essa tem por estratégia a destruição do capitalismo por meio da revolução socialista. Seu conteúdo, portanto, é antiimperialista e anticapitalista. A defesa da política proletária implica derrotar a política pequeno-burguesa de reforma do capitalismo, que domina o movimento estudantil. Esta se acoberta de socialista. Mas, na verdade, o conteúdo de sua política é democrático-burguesa. Contrapõe-se à defesa da estratégia da revo16

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lução proletária. Serve de canal para a política eleitoral dos partidos adaptados ao Parlamento e ao capitalismo. Assim, mantém as reivindicações democráticas estudantis nos limites do que julga possível alcançar no interior do capitalismo e por meio de suas instituições. Sem que se derrote ideológica e organizativamente essa orientação pequeno-burguesa, a maioria estudantil não terá como pôr em pé um movimento independente da burguesia e vinculado ao movimento da classe operária. 5. A Corrente Proletária Secundarista parte da necessidade de se constituir uma fração revolucionária que organize os estudantes mais avançados politicamente e mais destemidos na atuação prática. Compreende que o movimento estudantil é parte da luta de classe. De forma que a organização independente dos estudantes frente à política burguesa e pequeno-burguesa ocorrerá se se construir uma fração que encarne o programa da classe operária e o traduza frente aos problemas da educação. Que responda a todo tipo de opressão sofrida pela juventude. Partindo das reivindicações mais elementares, uma poderosa corrente estudantil proletária poderá vincular as massas estudantis oprimidas ao movimento geral da maioria explorada. Enquanto os estudantes não constituírem essa fração revolucionária, seu movimento permanecerá limitado à política corporativista de suas direções.

6. A luta por romper o isolamento dos estudantes perante o movimento operário e camponês é uma tarefa que poderá ser cumprida construindo o partido operário revolucionário. A Corrente Proletária Secundarista trabalha em torno do objetivo de levar aos estudantes a necessidade da organização do partido operário revolucionário. Uma corrente que não coloque claramente essa necessida-

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de e não trabalhe em torno dela não tem como ajudar as massas estudantis a se colocarem sob a direção da política proletária. 7. O capitalismo já comprovou que não pode dar acesso à maioria trabalhadora a todos os níveis da educação. A universalização do ensino fundamental sequer pôde ser cumprida plenamente. O ensino médio é restrito a uma minoria. O ensino superior é limitado a uma ultra-minoria. A luta pelo acesso à educação das massas oprimidas é uma tarefa democrática que só pode avançar por meio da luta de classe e da estratégia da destruição do capitalismo. A escola se encontra totalmente desvinculada da produção social. Assim, não tem como desenvolver o ensino científico e transformador da realidade. A divisão entre a prática e a teoria é um reflexo da sociedade de classe. A escola expressa essa divisão social do trabalho. Dessa forma, a escola é deformadora do conhecimento e obstáculo à aprendizagem e desenvolvimento pleno das faculdades humanas. A defesa da escola vinculada à produção social, assim como a do direito universal ao ensino a todos, está em contradição com a exploração, a divisão capitalista do trabalho e a opressão às faculdades intelectuais das massas. A luta pela escola vinculada à produção social é parte do programa anticapitalista.

8.A escola da sociedade capitalista não tem como objetivo a aprendizagem científica e a elevação cultural de toda população. O baixo nível de aprendizado é conseqüência de uma escola completamente desvinculada da produção social (do trabalho). Ela expressa a separação entre a teoria e a prática, entre o trabalho intelectual e o trabalho manual. O conhecimento ministrado nas escolas não comparece como necessidade prática e nem pode ser verificado na rea-

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lidade, ou seja, na produção social. Professores e estudantes não estão inseridos numa relação de conhecimento prático e teórico, que traga problemas e exijam soluções. A escola desvinculada da produção social não desenvolve as faculdades intelectuais e físicas. É sempre uma escola que exige que os alunos decorem as fórmulas, os “pontos” e transcrevam mecanicamente nas avaliações. Os professores comparecem como os donos do conhecimento (dos pontos e das fórmulas) e o cérebro dos alunos como recipientes que deverão ser preenchidos. Os mais “modernos métodos” da pedagogia acabam se reduzindo a aprendizagem decorativa. Aprender para essa escola é decorar e responder decorativamente. Há inúmeros outros fatores que agravam essa situação, como o aluno faminto, o desempregado, as péssimas condições de trabalho e ensino e o sucateamento das escolas pelo governo.

9. A avaliação na escola capitalista não pode ser um instrumento próprio da aprendizagem. Ela não tem a função crítica e autocrítica. Não se constitui em um meio de verificação da assimilação coletiva e individual. A avaliação nessa escola é sempre punitiva, individualizadora, seletiva e concorrencial. É falsa a afirmação de que nessa escola não se aprende por causa dessa ou daquela forma de avaliação. A avaliação punitiva é externa ao conhecimento. Funciona como instrumento de pressão para a aprendizagem mecânica e repetitiva. A intervenção do governo na escola chega ao ponto de determinar uma avaliação de fora para dentro, completamente alheia ao que se passa na sala de aula. A reforma educacional tem como base as avaliações externas. As verbas e os salários estão submetidos ao desempenho dos alunos e professores, segundo os critérios da reforma destruidora da educação. Na verdade, o que se pretende é cortar gastos com a educação.

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10. A escola é uma correia de transmissão dos interesses, ideologia e valores da classe burguesa. Está organizada sob o controle do Estado. Os governos, por meio dos organismos estatais - ministério, secretarias e diretorias de ensino -, impõem a política educacional. Esta corresponde à divisão de classe da sociedade, em que é preciso sustentar a opressão da minoria capitalista sobre a maioria trabalhadora. A educação ditada pelo Estado mantém a opressão de classe e incute o servilismo, passividade e obscurece o domínio burguês. A relação da escola com o Estado reproduz a divisão de classe da sociedade e expressa a ditadura de classe da burguesia. A ferrenha centralização estatal sobre as escolas é a condição para a classe burguesa, por meio de políticas governamentais, manter sob seu controle o ensino e assegurar a concretização da ideologia dominante. O currículo, o conteúdo das disciplinas, o livro didático, as campanhas, as relações sociais que envolvem a educação, a proibição de grêmios livres, a proibição da livre expressão e organização nas escolas, tudo isso constituem a escola como instituição de uma classe - a classe capitalista.

11. A defesa da autonomia da escola frente ao Estado é uma reivindicação democrática. Questiona a centralização e controle da educação por parte da classe burguesa e de seu Estado. Coloca o funcionamento da escola nas mãos dos trabalhadores e estudantes. A única função do Estado é manter financeiramente as escolas para que possam ter condições de ensino e trabalho. A autonomia da escola implica eliminar todos os órgãos que exercem o controle e aplicam a política educacional e eleger diretamente os responsáveis pela educação. A revogabilidade de mandato

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será parte da democracia escolar. Conforme amplia a decomposição do capitalismo, mais a burguesia necessita eliminar e combater a autonomia das escolas. A escola do capitalismo é centralizadora e antidemocrática. Os governos ditos democráticos dizem respeitar a autonomia escolar, dando aos conselhos de escola poder de gestão. Mas, na verdade, não passa de uma caricatura de controle da educação pelos representantes de escola. São organismos burocráticos, limitados pelo poder dos diretores e da burocracia estatal. A autonomia das escolas é uma reivindicação que a burguesia não poderá cumprir. Será parte da luta pelo fim do controle das escolas pela minoria capitalista. 12. A juventude é educada a não ver a luta de classes e a não participar dela. Padece de todos os males do capitalismo sem saber de onde vêm e se é possível combatê-los. A essência dos ensinamentos burgueses para a juventude centra-se no cultivo da incapacidade desta pensar os problemas com sua própria cabeça e realizar experiências próprias. Sempre são tidos como imaturos para se posicionar social e politicamente diante das grandes questões do país, do trabalho, da escola etc. Dependem da família, dos educadores, do governo e do Estado. Suas revoltas individuais ou coletivas são tomadas como provas de imaturidade ou desajustes típicos da adolescência. Não se admite que o descontentamento expressa a opressão da sociedade de classe e que a juventude constitui uma força social revolucionária. A formação política e ideológica da juventude está marcada pelo conformismo, pela explicação alheia e pela repressão. A família, Igreja e a escola atuam poderosamente para que o conformismo, individualismo e servilismo obscureçam a visão crítica, canalizem a revolta e bloqueiem a ação transformadora da juventude no seio do movimento social. Ao contrário, a juventude está com a mente

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aberta para compreender as contradições do sistema de exploração e opressão e tem disposição para defender uma nova sociedade. 13. A escola permite a presença coletiva da juventude. No entanto, sua estrutura e funcionamento reforça o individualismo. Não pode haver vida política justamente porque esta pressupõe elaboração e ação coletiva. Essas, por sua vez, pressupõem independência frente a escola hierárquica, condicionada a uma autoridade estatal pré-estabelecida e que funciona à base da divisão entre uma cúpula que manda e a maioria que executa. Impõe-se uma disciplina vertical, autoritária, centrada no indivíduo e contraposta às manifestações estudantis, coletivas e independentes. O palavreado de liberdade, participação e responsabilidade, propagado pela doutrina do Estado, está em consonância com a disciplina pré-estabelecida do poder, que objetiva sufocar as revoltas sociais frente às contradições da sociedade de classe. É essa orientação que regulamenta as organizações estudantis e condicionam suas atividades. 14. Os grêmios estudantis são previstos na legislação estatal à imagem e semelhança do verticalismo e autoritarismo escolar. Os estudantes estão impedidos de terem grêmios livres e independentes. São desestimulados e até mesmo cerceados de liberdade de imprensa. O jornal e boletins dependem da autorização e está previsto um professor que servirá de filtro ao pensamento dos estudantes. O direito de divulgação, de assembléias e uso da escola para atividades políticas é cerceado. O trâmite burocrático, que passa do professor responsável pelo grêmio até o diretor e que pode chegar ao delegado de ensino, funciona como obstáculo e censor da vontade coletiva dos estudantes. A interferência da burocracia escolar, que segue as prescri-

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ções repressivas do Estado, chega ao ponto de montar as chapas dos grêmios, determinar quem pode ou não participar e direcionar os rumos das eleições. O Estado pré-estabelece um estatuto único a todos os grêmios, de forma a impossibilitar que os próprios estudantes o redijam e o aprovem, seguindo o princípio da independência política, da democracia e do método da luta coletiva. A conquista da real liberdade de expressão, organização e manifestação é ponto de partida para um vigoroso movimento estudantil oposto a toda forma de opressão da sociedade capitalista. 15. O obstáculo à independência dos grêmios não se apresenta apenas por parte do Estado e da estrutura escolar. A política que dirige as organizações centralizadoras, como UMES e UBES, colabora com o intervencionismo governamental na existência dos grêmios. Não fazem movimentos pelos direitos democráticos dos secundaristas terem liberdade real. Ocorre que a conquista de grêmios livres é parte da luta pelas reivindicações e pela politização geral da juventude. Não se trata apenas de uma questão organizativa, mas dos grêmios como instrumentos de aglutinação das forças estudantis contra os ataques do capitalismo aos explorados e, particularmente, contra a opressão sofrida pela maioria jovem. Esse conflito contrapõe os estudantes aos governos e ao Estado. O problema está em que as direções da UMES, UBES etc estão presas à política estatal, que favorece a formação de uma casta de dirigentes fisiológicos e burocráticos. Essas direções são avessas à luta de classe e ao vínculo das massas estudantis aos problemas gerais da classe operária, camponeses pobres e demais explorados. Submetem-se às pressões dos governos, do Parlamento e dos partidos burgueses. São movidos pelo eleitoralismo, pelo pacifismo burguês, pelas campanhas assistencialistas e por pequenos conflitos de

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interesses particulares contra o Estado (carteirinhas escolares, critérios de avaliação etc). As reivindicações vitais que levam os jovens a rechaçarem a opressão e a enfrentarem a ditadura de classe da burguesia são marginalizadas. Mais do que isso: essas direções combatem qualquer manifestação contrária a sua política de adaptação do movimento estudantil à democracia burguesa. A conquista de grêmios livres e independentes é uma tarefa política que depende não só de combater a repressão estatal mas também a política burocrática das direções. 16. A juventude enfrenta todos os males do capitalismo em decomposição. Há alguns tormentos que lhe atingem em cheio: o desemprego, o emprego estafante, as dificuldades de estudo ou mesmo a impossibilidade de estudar. Quando tem algum trabalho, sofre tamanha exploração que lhe tira a energia para o estudo. Se tem tempo para estudar, não tem emprego e vive sobressaltado pelas necessidades elementares. Na melhor das hipóteses, está empregado e freqüenta escola. Nesse caso, a escola é um peso que carrega com muito custo. A maioria da juventude se depara com todas essas variantes. O capitalismo não lhe permite ter uma jornada de trabalho compatível com uma jornada de estudo. Milhares de jovens anualmente estão prontos para ingressarem na produção, garantirem sua sobrevivência e prosseguirem os estudos, casos em que não tenham de abandonar prematuramente a escola. Ocorre que uma boa parte não encontra emprego. Esse problema vem se agravando devido às contradições da economia capitalista e de sua crise estrutural. Milhões de jovens vêm sendo empurrados para a miséria, fome e desespero. O capitalismo desperdiça o enorme potencial criador da juventude e reserva-lhe toda sorte de violência. A forma de exploração do trabalho chegou a um ponto alto de incompatibilidade com a vida da família trabalhadora e especialmente com as

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novas gerações. Trata-se da decadência do regime de exploração, na sua fase mais alta de desenvolvimento mundial, que contraditoriamente se manifesta na forma de barbárie social. A luta da juventude e sua politização se chocam abertamente contra a exploração e a barbárie. 17. Por forças dessas circunstâncias históricas, os estudantes necessitam compreender porque são tão golpeados, que leis econômicas, políticas e sociais provocam tantos distúrbios em suas vidas e como enfrentar realidade tão adversa. Os descontentamentos e revoltas instintivas têm de se transformar em consciência revolucionária. O que será possível lançando-se a construir o partido da revolução socialista. O capitalismo não é um sistema indestrutível. E também não cairá por si só. Sua transformação está colocada há muito tempo, uma vez que suas forças produtivas alcançaram pleno desenvolvimento, chegando a época imperialista. Revoluções proletárias ocorreram e retrocederam. O que confirma a tese do marxismo científico de que a fase imperialista é de decomposição do capitalismo, portanto de guerras, revoluções e contra-revoluções. A burguesia mundial se aproveitou da degenerescência das revoluções proletárias, que se degeneraram em restauração capitalista para realizar uma grande campanha contra as transformações e o socialismo cientifico de Marx, Engels, Lenin e Trotsky. De fato, a restauração burguesa nos países revolucionários romperam o processo mundial de destruição do capitalismo e de construção das bases da sociedade comunista. No entanto, o capitalismo continuou em sua marcha de desintegração e vem recolocando para a classe operária e a juventude a necessidade de retomada dos movimentos socialistas. Os jovens combativos estão sendo chamados a romper a cadeia de alienação da política e ideologia da classe burguesa – do imperialismo – e retomar a compreensão das leis de funcionamento da história.

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Essa é a tarefa para vencer a crise de direção, organizar o partido por meio do programa da revolução e ditadura proletárias e soldar a juventude ao movimento do proletariado e da maioria oprimida mundial. 18. A juventude brasileira oprimida faz parte da estrutura social de um país capitalista semicolonial. Sofre os impactos da opressão imperialista, incluindo o colonialismo cultural. Não só carrega o peso do parasitismo da burguesia nacional como também da burguesia internacional. Não é por acaso que os planos econômicos, sociais e educacionais ditados pelo imperialismo, tendo à frente os Estados Unidos, resultam em mais desemprego, destruição da escola e saúde públicas. Por todos os poros penetram a dominação cultural e as campanhas de arregimentação da juventude por detrás do colonialismo imperialista. A burguesia nacional, seus governos e partidos abrem as portas não só para o saque econômico como também para a dominação ideológica traçada pelo aparato mundial das potências. O nacionalismo burguês do passado fracassou e se esgotou pela impossibilidade da burguesia semicolonial ser independente do imperialismo e impor as condições de soberania nacional. As tentativas de reformas e de uma cultura nacional não passaram de caricaturas. A juventude deve compreender o lugar que ocupa no país semicolonial para combater corretamente o imperialismo tendo por estratégia a destruição do capitalismo. As reivindicações de emprego, salário, escola, saúde e lazer estão associadas ao combate pelas reivindicações antiimperialistas de independência nacional e de derrocada do capitalismo para se construir a sociedade sem classes.

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Anexo I Organização

A situação exige a organização da juventude
Estamos diante de uma crise econômica e social que se agrava cada vez mais. O desemprego que atinge a maior parte da juventude é prova disso. Mas o problema é ainda maior: quando se arruma um emprego, o salário mal dá para comer; parte dos empregos está terceirizada, o que significa perda de direitos trabalhistas; os patrões não querem assinar carteira profissional; cresce o emprego temporário, que traz o desemprego em seguida; avança o subemprego. E a escola? O governo e a burguesia dizem que os jovens precisam se qualificar para ter emprego. Mas o que fazem com a escola pública? Fecham salas de aula, reduzem carga horária, lotam sa-

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las com até 50 alunos, impedem o estudo regular depois de certa idade, centenas de jovens não têm vaga nas escolas de seu bairro, os professores trabalham como doidos por um salário minguado, o ensino nada tem a ver com a vida prática, com as necessidades do trabalho, nada tem a ver com a produção social. E aqueles que têm algum emprego, como podem estudar? Levam uma vida do cão. Chegam à sala de aula quebrados. Não é preciso estender mais essa descrição, para se ver como a juventude está sob intensa opressão do sistema capitalista de exploração do trabalho. Está claro que é falso o argumento dos exploradores e de seus governos de que o desemprego atinge a juventude por falta de qualificação. A sociedade capitalista destrói constantemente postos de trabalho e desmorona a escola pública. Essa é uma das razões fundamentais para que os estudantes e toda juventude se organizem em movimentos. Que construam os grêmios. Que construam os comitês de luta dos bairros. Que atuem nos sindicatos. Que se coloquem em luta coletiva contra essa estrutura econômica e social que esmagam nossas vidas.

A importância dos grêmios secundaristas
Em cada escola deveria ter um grêmio ativo. Mas na maioria das escolas eles não existem e naquelas que existem poucos são atuantes. E por quê? Muitas são as razões. A mais importante, ao nosso ver, é a falta de uma direção política dos estudantes e de toda juventude explorada. A direção da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e da União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas (UMES) está sob o controle de um grupo que

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não trabalha por politizar os estudantes, não organiza movimentos que tenham por base a defesa do emprego e da escola e que também não tem interesse de ajudar os estudantes a organizarem os grêmios. Está na hora de trabalhar duramente para pôr em pé os grêmios. São eles que permitem a coletivização dos problemas, dão expressão organizativa às lutas e ajudam os estudantes a se formarem politicamente.

Obstáculos a serem vencidos
Os grêmios são regulamentados pelo Estado. A regulamentação serve justamente para dificultar sua criação. Para serem criados, devem estar sob a supervisão do diretor e de um professor. Ora, os grêmios pertencem aos estudantes, por que então devem nascer sob o controle externo de alguém? Justamente, para que os estudantes não os criem por necessidade da luta e para impor desde o início uma característica de grêmio puramente festivo. Esse tipo de grêmio está amarrado à direção da escola, a direção da escola está amarrada à delegada de ensino e a delegada de ensino está amarrada ao governo. Um grêmio assim nasce morto para os estudantes. Não serve para suas causas e não ajuda a elevar a consciência política da juventude. Mas esses obstáculos devem ser vencidos com luta pelos GRÊMIOS LIVRES E INDEPENDENTES.

Construir Grêmios livres e independentes
Devemos convocar reuniões na escola e constituir uma Comissão de Organização do Grêmio Livre e Independente. Essa Comissão deve tirar um boletim pela construção do Grêmio. Explicar o que é e para que serve. Os estudantes devem participar ativamente na sua construção. Compreendido isso, a Comissão deve marcar a eleição, dando prazo para a inscrição de chapas.

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Se o diretor for democrático e educador, vai reconhecer o direito dos estudantes terem seu próprio grêmio. Caso contrário, os estudantes terão de luta pelo direito democrático de ter o grêmio. Um grêmio conquistado na luta ganha solidez, porque é fruto do movimento legítimo dos estudantes.

Proporcionalidade na formação da direção do Grêmio
Somos da opinião que havendo mais de uma chapa, deve haver proporcionalidade na constituição da diretoria do Grêmio.Por exemplo, se a chapa 1 tiver 70% dos votos, fica com 70% da diretoria e 30% para a chapa 2. E assim por diante. Quanto mais democrático for o Grêmio, mas combativo e atuante será.

Assembléia estudantil e reuniões ampliadas
Não há um verdadeiro grêmio sem assembléia estudantil. Quando há um grande problema a ser decidido, então o grêmio deve convocar a assembléia. Ela serve para que os estudantes participem ativamente do movimento estudantil. A assembléia assegura a democracia do grêmio, permite a discussão coletiva e garante as decisões. A diretoria deve também fazer reuniões ampliadas para ganhar colaboração dos estudantes mais atuantes e que darão continuidade ao grêmio.

Jornal do Grêmio
A idéia de um professor ser responsável pelo grêmio é o de ser responsável pelo jornal. Isso não é correto, por mais que gostemos do professor e deste ter boas intenções. Os estudantes devem ter independência para escrever e se responsabilizar pelo que escreve. O jornal é a voz política do Grêmio. A consciência e a compreensão dos estudantes não po-

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dem ser substituídas por ninguém. Devem aprender com o movimento estudantil e corrigir seus erros por experiência própria. Somente um pensamento livre pode levar a uma prática livre e transformadora. A subserviência da mente é própria da opressão por aqueles que não querem ser questionados e combatidos. Não aceitamos a idéia de que os estudantes ainda são jovens e não ainda não têm capacidade de compreensão política. O jornal deve trazer secções culturais e informativas, mas em sua essência deve ser político.

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Anexo II Trabalho e estudo

O estudo e o trabalho devem estar juntos
Sabemos que é preciso ter um sentido para os estudos. Ouvimos que estudar é necessário para se adquirir conhecimentos e ter um futuro assegurado no trabalho. Essa idéia separa o estudo do trabalho. Explicam que primeiro tem de conseguir terminar a escola e sair dela bem preparado para depois encontrar um emprego. Como a concorrência no mercado de trabalho é grande, dizem que quanto mais preparado mais fácil arrumar uma colocação e ter um melhor salário. Quem é que diz isso? São eles: o governo, os responsáveis pela Secretaria da Educação e os patrões. Têm feito uma verdadeira campanha na televisão, jornais e nas escolas. Muitas vezes, pegamos nossos professores e nossos pais repetindo a campanha do governo sem pensar sobre a ligação do trabalho e o ensino. Devemos dizer: Governo deixe de enrolar. O estudo e o
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trabalho não podem ser dois momentos separados na vida da juventude. Queremos e precisamos da escola e do trabalho ao mesmo tempo. Para isso, o trabalho tem de estar de acordo com nossa idade e não ultrapassar a jornada de 4 horas. O restante de nosso tempo dedicaremos aos estudos e ao lazer. A escola, por sua vez, tem de estar vinculada ao trabalho (à produção social). É na produção social que desenvolvemos a verdadeira capacidade de pensar, de resolver problemas e aprender a ciência. Devemos de cara dizer não à jornada de trabalho de 8 horas ou mais e aos trabalhos mutiladores. Existem milhões de jovens escravizados pelos capitalistas e que sequer conseguem freqüentar um curso. Existem outros milhões que trabalham o dia inteiro e quando vão ao curso noturno já estão acabados. A maioria da juventude é arrastada para o subemprego. Em todos esses casos, os patrões usam e abusam da força de trabalho do jovem, pagando um salário miserável e arrancando-lhes até a última gota de energia. Vejam bem: os que estão trabalhando ou não podem freqüentar a escola ou freqüentam uma escola que não tem nada a ver com o conhecimento e ainda tem de suportá-la na pior das canseiras. E a grande maioria da juventude não tem trabalho e não consegue sequer terminar o ensino médio. Temos aí a verdadeira realidade. A escola está separada do trabalho. Dizer que primeiro tem de se qualificar estudando para depois encontrar emprego é uma falsificação feita pela burguesia e seu governo. Acontece que o sistema econômico capitalista já não pode assegurar emprego para milhões de trabalhadores. Se é jovem, dizem que não tem experiência. Se já chegou aos 30 anos, é considerado velho para o trabalho. Vemos que milhares e milhares de trabalhadores com muito experiência e inclusive com um grau de escolaridade avançado estão desempregados.

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É desta observação da realidade que nós do movimento estudantil devemos tirar as conclusões: A bandeira de emprego e trabalho deve ser levantada por todos os trabalhadores e estudantes; Nenhum jovem fora da escola e do trabalho; Jornada de trabalho de 4 horas e o restante do tempo dedicado ao estudo; Salário calculado de acordo com as necessidades.

O movimento estudantil está diante de tres grandes problemas: 1) o desemprego; 2) destruição da escola pública; 3) a violência
A luta pelo trabalho é ponto de partida O movimento estudantil tem de tomar nas mãos a bandeira de NENHUM JOVEM SEM EMPREGO, NENHUM JOVEM FORA DA ESCOLA. O emprego é a única fonte de existência da maioria. No entanto, anualmente os capitalistas têm destruído milhões de postos de trabalho. Milhares e milhares de pais de família perdem o trabalho e não encontram outro. A juventude se defronta com o mesmo problema. As novas gerações prontas para o trabalho batem na porta das agências de emprego e recebem dos capitalistas um NÃO. Uma grande parcela volta para a casa e encontra pais e irmãos sem trabalho. E aqueles que estão empregados recebem um salário que não dá para o sustento da casa. A parcela da juventude empregada está submetida a uma violenta jornada de trabalho. A maioria não tem nenhum direito trabalhista. Os que estão estudando chegam zonzos na sala de aula. Está aí por que a luta pelo trabalho e contra a exploração capitalista é o ponto de partida da juventude. Levantemos nas escolas e nas ruas a bandeira de: NENHUM JOVEM SEM EMPREGO, NENHUM JOVEM FORA DA ESCOLA. Esse conteúdo se expressa na luta pela

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reivindicação de: JORNADA DE TRABALHO DE NÃO MAIS DE 4 HORAS PARA A JUVENTUDE E O RESTANTE DO TEMPO NA ESCOLA. POR UM SALÁRIO COMPATÍVEL COM AS NECESSIDADES. APLICAÇÃO DE TODOS OS DIREITOS TRABALHISTAS. FIM DE TIPO DE TRABALHO QUE MUTILA FÍSICA E MENTALMENTE OS JOVENS. Defendemos a escola pública, gratuita, laica e científica vinculada à produção social Que escola o governo nos oferece? Na sua maioria com salas superlotadas. Os professores ganham uma porcaria, carregam uma jornada que os esmaga e há muitas faltas. Os estudantes não sabem para que estudam. O ensino é repetitivo, decorativo. Os professores já não conseguem dar aula, tamanho o desinteresse da maioria. Uma boa parte das escolas está caindo aos pedaços. Até mesmo escolas de lata foram improvisadas pelo governo. A tal da reforma do ensino só veio piorar as coisas. De nada adianta abolir a repetência se o problema está em que não se aprende nada. As avaliações do Saresp e Enem não têm nada a ver com ensino e aprendizagem. O problema é que a escola está desvinculada do trabalho. A maioria dos estudantes que estão em condições de trabalhar não tem emprego e vive na miséria. A pobreza da família operária se projeta no ensino. A escola pública abriga justamente a grande maioria de filhos de operários e desempregados. Os salários mal dão para comer, quando se tem algum empregado na família. Para agravar, a reforma do governo favorece ainda mais a privatização do ensino. Procura gastar menos com o ensino público e abrir espaço para as escolas particulares. Ao lado da defesa do emprego, a defesa da escola pública deve ser o ponto de partida do movimento estudantil. Nossa resposta: ESCOLA PÚBLICA, GRATUITA, LAICA E CIENTÍFICA LIGADA À PRODUÇÃO SOCIAL; FIM DA

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ESCOLA PARTICULAR COM SUA TOTAL ESTATIZAÇÃO. NÃO À REFORMA DO GOVERNO DESTRUIDORA DA ESCOLA PÚBLICA. A violência é obra do capitalismo Reclama-se que o jovem está se tornando mais violento. Que se deixa influenciar mais facilmente pela marginalidade. Que já não é educado por valores familiares, religiosos e morais. Que perdeu o interesse pela escola. E que a violência vem tomando conta do ensino. Chega-se a reconhecer hipocritamente que o desemprego influencia para que essa catástrofe da crise social entre os jovens aconteça. Mas tudo se faz para esconder o essencial: o capitalismo apodrecido está matando massivamente jovens. Todas as chagas da marginalidade são criação do desemprego e da miséria. Mas desemprego e miséria são, por sua vez, produtos da exploração capitalista. A resposta da burguesia e seu governo tem sido aumento da polícia e, portando, militarização da sociedade. Como não se resolve a causa, atacam-se os efeitos com medidas repressivas e violentas. As campanhas de Jovem Cidadão, Criança Esperança, Comunidade Solidária, Paz e Cidadania, Trabalho Voluntário etc. não passam de catequese capitalista e disfarce à violência dos baixos salários, da fome, do desemprego e da matança de jovens. As fábricas estão demitindo milhares impunemente. As multinacionais (Volks, Mercedez etc.) destróem centenas de postos de trabalho, reduzem salários e acabam com antigos direitos trabalhistas. Essa violência passa como não violência social. Passa como normalidade econômica. É normal se matar de fome. Trata-se de uma normalidade que, quando os operários reagem com a greve, ocupação da fábrica e manifestações de rua, os patrões usam da violência policial. É com essa violência que o capitalismo se mantém.

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Devemos dizer: a parcela da juventude jogada na marginalidade é vítima da burguesia e de seu Estado. Ao contrário, lutamos por desmascarar as falsas campanhas de paz, amor, cidadania, trabalho voluntário como solução. É por meio da luta que os explorados e a juventude enfrentarão o desemprego, a fome, o analfabetismo, a ignorância. Apoiamo-nos nas reivindicações de emprego a todos, salário mínimo real, escola e saúde públicas para enfrentar a exploração capitalista e lutar pelo socialismo. Os mentirosos, falsificadores e manhosos dirão que a solução está em votar bem Não será pondo votos em urnas que os trabalhadores e juventude enfrentarão a crise social. Será organizando um grande movimento em todo país por emprego, salário, escola e saúde públicas. Não podemos aceitar subordinar nossas reivindicações à representação burguesa no parlamento e ao Estado capitalista com seu respectivo governo. Temos nossas organizações próprias e com elas podemos lutar nas ruas. Contra O DESEMPREGO E A DESTRUIÇÃO DA ESCOLA PÚBLICA, LUTAMOS POR ORGANIZAR UM GRANDE MOVIMENTO DE MASSA QUE UNA A JUVENTUDE À CLASSE OPERÁRIA. Que a UNE, UBES, UMES, CUT e sindicatos convoquem uma grande manifestação nacional pelo emprego, salário, escola pública e pelas conquistas trabalhistas

Dois grandes problemas da juventude: desemprego e impossibilidade de estudar
O jovem é neste início de década o principal afetado pelo desemprego, segundo o relatório do IBGE. Assim começa a matéria do jornal Estado de São Paulo de 13 de junho. O Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE) apurou que na faixa de 17 a 18 anos o desemprego atinge 13,4% dos jovens e na de 18 a 24 anos chega a 12,5%. Na verdade, é

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muito mais. O fato é que milhões de jovens brasileiros estão fora da produção porque não têm trabalho. Essa situação oprime o jovem que não pode ter auto-sustento, passa necessidade e se vê em meio a uma grande crise social. É daí que decorrem muitos males, que arrebentam a vida da juventude. A explicação de que o jovem não encontra emprego porque falta experiência profissional ou porque não está capacitado é mentira dos governos e de seus representantes. A verdade é que o capitalismo já não cria empregos mais do que destrói. Todos os anos são milhares de postos de trabalho fechados, superando em muito os que são abertos. O outro problema é o da impossibilidade de estudar. A maioria mal faz o ensino fundamental. E tem de interromper os estudos porque não pode ingressar no ensino médio (colegial). Eis as razões: 1) A parcela que arruma emprego tem uma jornada pesada e exerce atividades estafantes; 2) A parcela desempregada se vê sem meios econômicos e desmotivada; 3) Não há vagas para todos; 4) A legislação impede àqueles que estão fora da idade e da série freqüentarem o ensino regular. Notem quantos obstáculos à continuidade dos estudos aos jovens. Não se trata de lamentar essa barbaridade, mas de identificar a origem dela e travar a luta. Como dissemos é o sistema capitalista de exploração do trabalho que cria o desemprego e empurra a juventude para a miséria. É esse mesmo sistema que lhe nega a continuidade dos estudos. O movimento estudantil, portanto, deve ter como um dos objetivos essenciais lutar pelo direito ao emprego e ao ensino em todos os níveis. O que significa lutar contra a exploração do trabalho e toda forma de opressão social. A CORRENTE PROLETÁRIA ESTUDANTILSECUNDARISTA defende: 1) Emprego a todos jovens, com jornada máxima de 4

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horas e o restante do tempo dedicado aos estudos; 2) Emprego compatível com suas condições de desenvolvimento físico-mental;3) Salário calculado segundo as necessidades reais; 4) Escola para todos e fim de toda legislação proibitiva aos estudos; 5) Fim do ensino desvinculado do trabalho e educação ligada à produção social (escola científica).

A juventude dos bairros está sem escola e trabalho
A maioria dos jovens que mora nos bairros operários não conseguiu vaga nas escolas públicas. O governo impõe os critérios para poder estudar: 1) O jovem não pode ficar um ano sequer sem estudar; 2) Não pode estar fora da idade estipulada por série; 3) Não pode ter repetido ou parado de estudar por algum tempo, porque acaba ficando fora da idade para a série; 4) Não pode fazer suplência e depois voltar ao regular no ensino médio. E mesmo que esteja dentro desses violentos critérios, ainda tem de enfrentar filas e listas de espera porque não há escola para todos. Por outro lado, a juventude não tem conseguido trabalho. Quando consegue, as condições são precárias: 1) Não tem carteira assinada; 2) O contrato é temporário; 3) Está sujeito à exploração das coopergatos (cooperativas); 4) A jornada de trabalho é monstruosa; 5) O salário não dá para viver. Como se vê, de um lado, não tem trabalho e, de outro, não tem escola. Os patrões não admitem porque dizem que não têm experiência, falta qualificação ou não tem idade. A escola não os aceita porque estão fora da idade e de série. A juventude está espremida. Precisa do trabalho e da escola. Tanto os governos quanto os patrões os excluem. É possível derrotar essa política dos patrões e governos Não dá para ficar parado esperando que caia do céu o

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emprego e a escola. A primeira coisa é ter claro o objetivo de nossa luta. Ou seja: 1) Nenhum jovem fora da escola, nenhum jovem sem trabalho; 2) jornada de 4 horas no trabalho e o restante na escola; 3) Um salário que dê para viver. Sabemos que sozinho não conseguiremos nada. É preciso a unidade da juventude. A união entre os que estão na escola e os que querem estudar. Para isso, é preciso: 1) Que os grêmios das escolas realizem uma ampla campanha para ter vagas para todos; 2) Uma campanha para criação de escolas em todos os níveis, inclusive suplência para aqueles que querem fazer; 3) Que o sindicato dos professores (Apeoesp) também faça a campanha, juntamente com os grêmios; 4) Que realizemos nos bairros operários o cadastro de todos os que estão sem escola e trabalho; 5) Que convoquemos assembléias nos bairros para aprovar a luta pela escola e pelo trabalho; 6) Exigir o governo passe-livre para estudantes e desempregados. Como vimos, somente a luta coletiva e a mobilização direta poderá derrotar a política dos patrões e dos governos contra a juventude, que necessita do trabalho e da escola.

Contra a destruição da educação, organizar o movimento estudantil com uma política revolucionária
O governo FHC vem também pisoteando a educação. Fechou escolas, as salas de aula estão superlotadas, reduziu as vagas para o ensino médio, entregou a educação fundamental para os prefeitos (municipalização), arrochou mais os salários dos professores, aumentou a exploração do trabalho, ampliou as telessalas, criou os ciclos para diminuir os gastos, introduziu o ensino religioso e favoreceu a privatização. Tudo isso para ajustar a educação aos cortes de verbas e impor maior controle totalitário do Estado sobre as escolas. É claro que se o nosso ensino já era péssimo. Com tais

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medidas, a situação se tornou intolerável. A “escola de cara nova” do governo é de arrepiar os miolos. Para defender o ensino, é preciso organizar o movimento estudantil com uma política de combate e não de corpo-mole da direção da UNE, UBES e UMES. A bandeira da paz é própria de quem não quer lutar. Dizemos o contrário: combate sem trégua aos exploradores. O pacifismo amortece e anula a revolta dos oprimidos. Está colocado a campanha por um programa de defesa da escola pública, gratuita, laica e vinculada à produção social. Eis alguns pontos: 1. Fim da escola particular e criação de um sistema único, público e gratuito. Estatização de todo o sistema educacional, expropriando os empresários da educação e pondo fim à mercantilização do ensino; 2. Controle das escolas pelos trabalhadores da educação e estudantes. Fim do controle burocrático pelo Estado, Secretária da Educação, Delegacias de Ensino e politiqueiros. Constituição de verdadeiros conselhos de base, com poder de decisão, ligados entre si, e que dirijam de fato a educação. Essa é autonomia de que precisamos. 3. Fim de toda a reforma neoliberal da educação. Nada de remendar no Parlamento a reforma privatista de FHC. Que os estudantes e trabalhadores organizados discutam quais são as mudanças que o ensino necessita para atender as necessidades da maioria oprimida. Em defesa de uma escola científica e ligada ao trabalho (vinculada à produção social). 4. Constituição de uma rede de grêmios independentes, sem nenhum interferência externa ao movimento estudantil. Fim da legislação que atrela os grêmios aos diretores de escola. Liberdade total de reunião, expressão e manifestação nas unidades escolares.

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“Progressão continuada” = promoção automática
Durante todo o período eleitoral, o governador Geraldo Alckmin enfrentou críticas dos país, alunos e professores quanto à chamada progressão continuada. Todo mundo vê que por detrás da progressão continuada está a promoção automática. Reclama-se que os alunos saem da escola com o diploma na mão sem saber nada. A progressão continuada, criada em 1998, faz parte do conjunto de medidas adotadas pela reforma educacional imposta pelo Banco Mundial (BIRD) e aplicada por FHC/Covas/Alckmin. Tem como objetivo acabar com a repetência para reduzir as despesas do Estado. Não importa se o aluno aprendeu ou deixou de aprender. O que importa para o governo são duas coisas: 1. Evitar a repetência porque um aluno custa ao Estado de São Paulo cerca de R$50,00/mês; 2. Gastar pouco com a educação para continuar pagando os juros da dívida externa e, com isso, atrair novos empréstimos dos organismos internacionais (FMI, BIRD). Como se vê, a progressão continuada é uma das medidas do plano neoliberal, que tem como essência o corte de gastos nos serviços públicos (saúde, previdência e educação). A grande inovação de Alckmin Assim que soube dos resultados eleitorais, Alckmin reafirmou sua intenção se manter a vergonhosa “progressão continuada”. Porém, para esconder o fato de que os alunos passam sem saber, o governador resolveu impor um exame todo o ano para todos os alunos (Saresp anual). Para os professores, que o próprio Secretário da Educação Chalita diz que “não estão preparados para isso”, Alckmin criará as “capacitações”, para “treiná-los para a ”progressão continuada". O governo responsabiliza os alunos e professores pelo fracasso escolar e prepara mais punições: provão do saresp

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e capacitação. Como se isso eliminasse os graves problemas educacionais. As novas punições servirão para agravar a destruição do ensino público. Estudantes e professores unidos para enfrentar a reforma educacional do governo Os grêmios e todos os organismos estudantis devem se somar com os sindicatos dos trabalhadores da educação para enfrentar de conjunto as medidas neoliberais aplicadas na educação. Desde já, organizar o movimento de resistência para combater nas ruas a reforma educacional que vem destruindo a escola pública. Desde já, levantamos nossas principais reivindicações: 1. Nenhum aluno fora da escola. Abertura de todas as escolas e salas fechadas e criação de novas unidades; 2. Nenhum centavo do povo para pagar os banqueiros agiotas. Mais verbas para a educação e serviços públicos em geral; 3. Fim da rede privada de ensino e criação de um único sistema educacional, mantido pelo Estado e sob o controle dos trabalhadores; 4. Fim dos vestibulinhos e vestibulares; 5. Melhoria das condições de ensino e de trabalho; 6. Reposição imediata das perdas salariais dos educadores. Fim dos 8 anos de congelamento salarial e eliminação da farsa do bônus. 7. Nenhum estudante fora do trabalho (todo jovem deve ter garantido 4 horas de trabalho e o restante na escola). Defesa da combinação trabalho/escola. 8. Defesa de uma escola vinculada à produção social, portanto de uma escola onde verdadeiramente se aprende e se produz conhecimento. Defender a aprendizagem É preciso ter claro que o baixo nível de aprendizado é

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conseqüência de uma escola completamente desvinculada da produção social (do trabalho). Ela expressa a separação entre a teoria e a prática, entre o trabalho intelectual e o trabalho manual. O conhecimento ministrado nas escolas não comparece como necessidade prática e nem pode ser verificado na realidade, ou seja, na produção social. Professores e estudantes não estão inseridos numa relação de conhecimento prático e teórico, que traga problemas e exijam soluções. Assim, a escola desvinculada da produção social não desenvolve as faculdades intelectuais e físicas. É sempre uma escola que exige que os alunos decorem as fórmulas, os “pontos” e transcrevam mecanicamente nas avaliações. Os professores comparecem como os donos do conhecimento (dos pontos e das fórmulas) e o cérebro dos alunos como recepientes que deverão ser preenchidos. Os mais “modernos métodos” da pedagogia acabam se reduzindo a aprendizagem decorativa. Aprender para essa escola é decorar e responder decorativamente. Há inúmeros outros fatores que agravam essa situação, como o aluno faminto, o desempregado, as péssimas condições de trabalho e ensino e o sucateamento das escolas pelo governo. Nessa escola, a avaliação não pode ser um instrumento próprio da aprendizagem. Ela não tem a função crítica e autocrítica. Não se constitui em um meio de verificação da assimilação coletiva e individual. A avaliação nessa escola é sempre punitiva, individualizadora, seletiva e concorrencial. Não devemos cair na armadilha de que nessa escola não se aprende por causa dessa ou daquela forma de avaliação. A escola da sociedade capitalista não tem como objetivo a aprendizagem científica e a elevação cultural de toda a população. Cabe-nos denunciar a destruição da educação por parte do governo e defender uma nova escola, a escola vinculada à produção social. Partindo desse ponto, defen-

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der as condições de trabalho e ensino. Inclusive exigir o fim da intervenção do governo na escola e em todo o processo de ensino. A escola tem de estar sob o controle de quem estuda e ensina.

O POR defende a educação vinculada à produção social
No capitalismo, a divisão social do trabalho impede a burguesia edificar um sistema de ensino enraizado no processo de produção. A escola atual não pode objetivar que as massas trabalhadoras tenham acesso às leis que regem o funcionamento e as transformações da natureza e da sociedade. Impossibilita a aprendizagem e o exercício do conhecimento através da atividade prática. No sistema capitalista, os assalariados são utilizados como mera força de trabalho, a ser consumida em função da acumulação de capital. Uma escola enraizada na produção social coloca aos trabalhadores o conhecimento como ferramenta de transformação, que necessariamente conduz à destruição do poder capitalista e de toda fornia de opressão. Tanto o governo quanto os refomnistas falam da unidade entre a teoria e a prática. Pura idade! Os reformistas (PT) com]atean a idéia marxista de que, para superar essa divisão entre teoria eprádca, éprecisodesáuiromodo capitalistadeproàução, través da revolução social. Por isso, estão sanpre apresentando emendas ás reformas educacionais do Estado burguês. Ao contrário, o POR parte da idéia de que a desagregação do capitalismo e o bloqueio das forças produtivas (trabalho humano e tecnologia) provocam o desmoronamento da escola capitalista. A burguesia (proprietária dos meios de produção e apropriadora de toda a riqueza) é incapaz de desenvolver plenamente as forças produtivas e colocar o conhecimento a serviço das transformações. Essa tarefa

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está reservada unicamente à classe revolucionária: o proletariado. Isso pelo lugar que ocupa nestas relações, o proletariado é a única força social que encarna e que pode destruir os laços que bloqueiam as forças produtivas e que impossibilitam a elevação material e cultural das massas oprimidas. Partimos das reivindicações mais elementares das massas trabalhadoras (emprego atodos, salário mínimo vital, acesso irrestrito a todos os níveis de educação etc) e do método da ação direta (greves, ocupações etc) para o objetivo estratégico da destruição do sistema de exploração do trabalho. Portanto, vinculamos as necessidades urgentes do ensino como parte do programa proletário da revolução social.

Enem: Nao avalia nada
O governo impõe as medidas de destruição do ensino público: fechou escolas, superlotou salas de aula, arrochou os salários dos professores, reduziu a grade curricular (número de aulas de disciplinas), sucateou as condições de aprendizagem e criou as telessalas. O ensino médio foi violentamente atingido. É parte da reforma do governo a imposição das avaliações. De fora para dentro, o governo organiza as provas e mede os resultados. Com o Saresp, o governo reprovou 50 mil alunos, só em São Paulo. Com o Provão, dá nota às faculdades. E com o Enem, engana os alunos que a nota servirá para o acesso às universidades. Essas provas não avaliam nada. Só servem para o governo esconder sua responsabilidade de destruição das condições de ensino. O que pode melhorar a educação é o ensino passar para o controle dos trabalhadores, ampliar as verbas para a educação, reduzir a jornada de trabalho dos professores, acabar com a superlotação das classes, criar escolas e ligar a educação ao trabalho.

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O movimento estudantil tem de se organizar para rejeitar os provões e lutar por um programa de defesa da escola pública, laica e gratuita.

O que você sabe sobre o Enem?
O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) contará com 1,8 milhão de estudantes, atraídos pela propaganda governamental de que a nota obtida servirá para ajudar a entrar nas universidades e faculdades. A pergunta que fazemos: Por que o governo está interessado em realizar um exame como esse? O governo fala que o Enem tem dois objetivos: 1) Que os estudantes que forem bem na prova estarão sendo ajudados a entrar na Universidade; 2) E que o Enem é uma forma de avaliação em que se aplica a capacidade de raciocínio e conhecimentos múltiplos. Mas a verdade é: O Enem é um meio de favorecimento dos donos das escolas privadas.E por quê? Porque estarão economizando dinheiro com o vestibular. Essas escolas são as que aceitam a nota do Enem, como se fosse a do vestibular, para atrair uma parcela da juventude a estudar nas instituições particulares. Ao estudante não basta passar no Enem, têm de ter dinheiro para pagar altas mensalidades. As universidades públicas (USP, UNICAMP, UNESP) dizem que aceitam até 20% da nota da primeira fase. Portanto, somente os melhores colocados. Na segunda fase, o Enem não serve. É bom lembrar que esses já são os que têm possibilidade de ser aprovados nos vestibulares para tais universidades públicas. O Enem serve para fortalecer a privatização do ensino superior. A maior parte dos estudantes serão levados a freqüentar os cursos nas faculdades privadas. Essas faculdades têm crescido e se tornado verdadeiros negócios para os capitalistas da educação. Por outro lado, os estudantes sem nenhuma perspectiva para alcançar as faculdades pú-

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blicas usam os míseros salários para encher os bolsos dos mercenários do ensino. Outros, chegam a se endividar através de financiamentos bancários. Está aí por que as escolas privadas estão satisfeitas com o Enem. Que valor tem o Enem na Fuvest? Quem diz isso? O estudo do Núcleo de Apoio aos Estudos de Graduação da USP afirma que o peso do Enem na Fuvest não interfere em nada nos resultados dos vestibulares da Fuvest. Diz que apenas 2,7% foram ajudados ou prejudicados pelo Enem, de um total de 121.247 inscritos. Portanto, não será com o Enem que a maioria dos estudantes chegará à universidade pública. O acesso à universidade pública é barrado pelo vestibular. Os aprovados no vestibular são os que têm melhores condições financeiras para pagar um cursinho e também os que obtém as melhores notas no Enem. Dados confirmam: 1. As maiores notas do Enem são para os alunos que estudam na rede privada. 2. As maiores notas do Enem são para os alunos que têm uma renda familiar acima de 50 salários mínimos. A grande maioria dos filhos de operários e classe média arruinada, que estudam na rede pública, ficaram com notas inferiores. Desses, quase 40% têm renda familiar de até um salário mínimo (R$200,00). São esses que não terão acesso à universidade pública e estão sendo ludibriados pela propaganda das faculdades privadas. O Enem é parte da reforma educacional do governo O governo vem impondo a destruição da escola pública, através da reforma privatista do Banco Mundial. Para isso, fechou escolas, reduzir o número de salas de aula, superlo-

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tou outras, eliminou disciplinas da carga horária dos alunos, demitiu professores e impôs um brutal arrocho salarial. O Enem como o Provão e o Saresp não avaliam nada. A conversa mole de que se trata de um exame para medir a capacidade de raciocínio dos alunos é uma grande mentira. O Enem e outras avaliações governamentais servem unicamente para acobertar a responsabilidade do governo de destruir a educação e ampliar a privatização do ensino. O gasta um dinheirão para promover o Enem. Um dinheiro público aplicado em favor do ensino privado. Para onde deve ir o Enem? Nossa luta é pelo fim de todo e qualquer vestibular. Defendemos o livre acesso de tos estudantes à Universidade. Faz parte dessa luta a defesa da Universidade Pública, Gratuita, Científica e Autônoma. O que implica se colocar pelo fim da mercantilização do Ensino, em todos os níveis. Nós do movimento secundarista exigimos que a UNE, UMES, UBES trabalhem em torno dessas reivindicações. E que mandemos o Enem para aquele lugar.

Nossa campanha contra o Enem
O governo marcou para o dia 25 de agosto o “Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM)”. Inscreveram-se 1,85 milhão de estudantes. Os jovens que estão no último ano do ensino médio e os que terminaram são atraídos pela propaganda governamental de que o resultado obtido nessa prova servirá como passagem livre para as universidades. O próprio governo diz que 312 faculdades aceitam o resultado do Enem como nota para o vestibular. Dessas escolas, somente 37 são públicas. O Enem para ter acesso à universidade é uma farsa. A grande maioria não terá nenhum benefício. Os estudantes devem dizer não a essa mentira. Vamos boicotar o Enem.

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O que está por detrás do Enem é a reforma privatista da educação, que prevê avaliações realizadas pelo governo, a exemplo do Saresp e Provão. O Enem, como os outros exames, não avalia nada. Todos eles servem unicamente para acobertar a responsabilidade do governo de destruir a educação pública e ampliar a mercantilização do ensino. A juventude e o movimento estudantil organizado (grêmios, UNE, UMES, UBES etc.) têm de se colocar contra as avaliações determinadas pelo governo. Levantar a bandeira do livre acesso a todos os níveis de ensino. Portanto, fim dos vestibulares. E se colocar pela estatização de todo o sistema de ensino, sob o controle dos trabalhadores. Ou seja, fim da rede privada. Como se vê, o nosso movimento está em choque contra a reforma educacional de FHC/Banco Mundial. Sabemos que essa luta implica organização e mobilização direta dos estudantes com os demais trabalhadores. Diante da isca do Enem, defendemos: 1. Fim dos vestibulares. Acesso a todos à universidade. Fim dos cursinhos que só servem para enriquecer os capitalistas da educação. Fim da disputa entre os estudantes por vagas, concorrência imposta pela mercantilização do ensino. As capacidades intelectuais dos jovens não podem ser joguetes nas mãos de empresários e governo. 2. Fim de toda rede privada de ensino. Estatização de todas as escolas sem nenhuma indenização a seus proprietários. Um único sistema de ensino, público, gratuito, laico e vinculado à produção social. Autonomia da educação, total controle do ensino pelos estudantes, professores e funcionários. 3. Condições materiais para os jovens estudarem: combinação do trabalho com os estudos. Emprego a todos os jovens, jornada máxima de 4 horas e o restante do tempo na escola, salário calculado de acordo com as necessidades, trabalho de acordo com as condições físicas e mentais, proteção trabalhista contra as arbitrariedades patronais. Colegas estudantes, vamos boicotar o exame do Enem!

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Anexo III Violência nas escolas

Para acabar com a violência nas escolas
• Nenhum jovem fora da produção • Jornada de 4 horas no trabalho e o restante na escola • Proibição do trabalho noturno para jovens • Proibição do trabalho incompatível com seu desenvolvimento físico e mental. • Um salário calculado segundo as necessidades • Acesso à escola pública a todos em todos os níveis • Sistema único de ensino público, gratuito e laico, com o fim do ensino privado; fim da mercantilização da educação; fim do vestibular • Não à militarização da escola • Não à interferência da religião e do governo na escola • Por uma escola científica, ligada à produção social • Por uma escola controlada pelos trabalhadores e estudantes • Que nenhum pai de família esteja desempregado • Que nenhuma família ganhe menos do que um salário mínimo que atenda as reais necessidades (R$2.000,00).
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SEM LUTA POR ESSAS CONDIÇÕES NÃO SE PODE ENFRENTAR A VIOLÊNCIA E ACABAR COM A DESTRUIÇÃO DO HOMEM PELO HOMEM Nós estudantes, os professores e funcionários devemos lutar contra as falsas soluções apresentadas pelo governo sobre a violência nas escolas. O que está sendo implantado? * Ronda escolar reforçada por mais policiamento; * Contratação de dois mil vigias; * Ocupação de zeladorias por policiais (passarão a morar na escola); * Instalação de câmeras no interior das escolas; * Adestrar os professores em ética e cidadania. Para acobertar a militarização capitalista da escola, o governador Alckmin diz que quer “uma educação para o trabalho”, pois reconhece que uma das principais causas da violência é o desemprego. Devemos denunciar a farsa governamental de uma escola que prepara os jovens para o emprego. Ocorre que não existem empregos para a maioria. Repetimos: não existem empregos. Por onde então começar o combate à violência? • Por emprego a todos jovens com uma jornada de trabalho que não ultrapasse 4 horas, fim da jornada de trabalho infanto juvenil que consome até mais de 8 horas, fim do trabalho incompatível com o desenvolvimento fisico e mental, fim do trabalho escravo (não pago e imposto), um salário calculado segundo as necessidades. • Nenhuma criança ou jovem fora da escola. Que não faltem vagas. Que os estudantes-trabalhadores possam continuar os estudos em todos os níveis. • Que a escola esteja ligada à produção social (ao processo do trabalho, criador da existência do homem ; ligado

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à indústria e à agricultura.) Que se aprenda pela unidade teoria e prática. • Fim da militarização capitalista da escola. A polícia é o braço arnado do Estado para reprimir os movimentos sociais. O desvio da juventude e de trabalhadores desempregados para o crime é obra da exploração do trabalho, sustentada pelo Estado. Nós estudantes da Corrente Proletária Estudantil - Secundarista chamamos a todos para a campanha.

Nada de militarizar a escola
A cada acontecimento violento na escola, a imprensa estampa sempre a mesma resposta: aumentar o policiamento dos locais de estudo. Recentemente foi revelado que um terço das escolas estão vigiadas por câmaras de segurança. Querem nos fazer acreditar que os traficantes de drogas serão afugentados. E os estudantes socialmente desajustados não se sentirão livres para praticar atos de vandalismo. Assim, nós estaremos imunes a situações trágicas. Trata-se de falsa solução. As drogas, gangues, depredações, tiroteios, ameaças, mortes são conseqüências. É como a febre do doente. Sem se acabar com a infecção, não se acaba com a febre. Onde está a raiz da violência marginal? Está no desemprego, miséria e na falta de perspectiva de vida para a juventude. Sabemos que dirão: nas escolas particulares de ricos também há violência. É verdade, por toda parte há violência. Estamos diante de um problema geral, que não diz respeito apenas à escola. Mas essa constatação não nega as causas acima apontada. Pelo contrário, confirma-a. A violência marginal generalizada expressa a crise social generalizada. E tudo isso se deve ao sistema capitalista de exploração do trabalho, que está apodrecido. O governo, os exploradores capitalistas e seus defensores procuram con-

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ter a crise social e a conseqüente violência com a violência policial, com a militarização da sociedade e com a repressão política e cultural. Acobertam que são os donos do poder econômico e mandantes da polícia os responsáveis pelo desemprego, fome de milhões de família e escravidão no trabalho. Nós estudantes, devemos dizer: nada de polícia nas escolas, nada de militarizar a sociedade, nada de câmaras para controlar nossas vidas. Contra a violência: a solução é emprego a todos, um salário mínimo de 2000,00 Reais, escola ligada à produção, jornada de trabalho compatível com os estudos e fim do capitalismo. Nossa bandeira é de emprego, salário e ensino gratuito a todos em todos os níveis contra a exploração do trabalho, a violência marginal e a militarização da sociedade.

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Anexo IV Grêmios

Campanha junto aos grêmios
Nos bairros mais afastados (bairros operários) a maioria dos jovens ficou sem escola. As exigências do governo são muitas para aceitar a matrícula. O governo tudo faz para negar a vaga. Por isso, exige idade, não ter repetido nenhuma série, não ter abandonado a escola e não ter feito suplência. Mas por que a juventude é obrigada a desistir de estudar? Justamente porque precisa arrumar um emprego para ajudar a família. Quando arruma o emprego, não consegue chegar no horário ou quando chega está tão exausto que dorme na sala de aula. E quando repetem é porque não consegue decorar o conteúdo que é passado, que nada tem a ver com a realidade. Devemos organizar uma campanha nos bairros por meio dos grêmios estudantis. Uma campanha para abrir mais escolas e pelo fim de todas essas exigências do governo. Direito à escola a todos que querem estudar.
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Que organização de grêmios devemos alcançar?
Em muitas escolas ainda não existe grêmio. É preciso construí-los. E os grêmios existentes padecem de graves limitações. São elas: 1) não são livres e independentes. Estão sob o controle do diretor e do professor ‘responsável’. É preciso independizá-los, conquistando o direito dos estudantes terem sua própria organização; 2) não se caracterizam como instrumento de luta dos estudantes, sendo reduzidos a clubes festivos; 3) faltam-lhes um jornal crítico, que analise os problemas e ajude os estudantes a elevarem sua consciência social e política. Esses três pontos reunidos demonstram que o movimento secundarista ainda não atingiu uma organização coletiva e não estruturou em cada escola uma direção política. Tal atraso se explica por muitas razões. Achamos as mais importantes: 1) as organizações superiores, como União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas (UMES), estão sob o domínio da política do PCdoB/UJS e do PT, que fazem delas aparelhos para o eleitoralismo. Acabam subordinando as entidades estudantis às políticas parlamentares e governamentais. É por isso que não fazem movimentos coletivos em defesa das reivindicações da juventude e não as unificam ao movimento operário e camponês; 2) A repressão da Diretoria de Ensino contra a liberdade dos estudantes se organizarem livremente nas escolas. Os estudantes são condicionados a não pensarem de acordo com suas próprias experiências; 3) A despolitização da juventude é grande devido a atuação desses fatores. Mas a crise social se amplia e está exigindo da juventude atuação e nova organização. A tarefa é criar uma rede de grêmios livres e independentes, articulados entre si por meio de inter-grêmios, que podem ser organizados por região e inter-regionais.

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Nossa luta pelos Grêmios livres e independentes
Em nossos Boletins da Corrente Proletária da Educação-Secundarista, temos defendido: 1. Que os Grêmios devem ser organizados e dirigidos pelos estudantes, sem depender de professores ou diretores. Temos capacidade para isso. Não aceitamos a idéia de que é preciso um professor para coordenar ou supervisionar. O controle externo do Grêmio tira sua liberdade e independência organizativa e política. Nesse sentido, a legislação governamental e sua aplicação nas escolas é repressiva e viola o direito da juventude pensar e agir com seu próprio pensamento e aprender com suas experiências políticas e sociais. 2. Os Grêmios devem expressar as necessidades dos estudantes e aspirações no seio da sociedade em que vivemos. São muitas as contradições: desemprego massivo, superexploração no trabalho quando existe, pobreza da maior parte da juventude, escolas caindo aos pedaços, ensino totalmente desvinculado do trabalho (da produção social), falta de escolas, exclusão de grande parte da juventude do grau médio, violência, repressão policial, discriminações raciais etc. Todos esses problemas atingem a vida da maioria, portanto devem ser enfrentados pelo movimento estudantil. 3. A juventude deve se politizar e elevar a consciência social de trabalhadores explorados no capitalismo. Quem explora? Quem fica com a riqueza? Por que existe, de um lado, tanta fartura e desperdício e, de outro, tanta miséria e carência? O que são os partidos? O que defendem? Por que o Brasil é submetido aos credores internacionais? Por que os banqueiros mandam no Estado e no governo? Por que o capitalismo pode ser transformado em socialismo? A juventude deve saber de tudo e lutar pelo que compreende correto. Suas idéias se formarão na luta de classe, que é por onde se manifestam os movimentos sociais na socieda-

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de de classe, que é o capitalismo. Para isso, os Grêmios devem ser livres e independentes. 4. Ser livre e independente significa também que os estudantes elegem sua direção, que tenham um jornal feito por eles, que se reúnam sem a vigilância externa, que conquistem o direito democrático de reunião e de assembléia nas escolas, que divirjam entre si, que construam a democracia interna do movimento estudantil, que combatam as falsas direções políticas, que possam se posicionarem e lutarem por qualquer problema da sociedade.

Que grêmios precisamos?
O grêmio estudantil é uma organização que representa os interesses dos estudantes. Quando os estudantes reivindicam a formação de um grêmio e se mobilizam para que ele exista em sua escola, estão lutando pela garantia de uma conquista democrática. Estão defendendo algo conseguido através da luta de outros estudantes. Não estão pedindo nenhum favor à direção ou aos professores da escola. O grêmio que queremos não pode ter nenhuma interferência do Estado, diretores, conselho de escola, APM etc. Deve ser um organismo de ação dos estudantes, totalmente independente. A importância dos grêmios está em que permite a organização dos alunos para lutar por um ensino público, laico e gratuito em todos os níveis. Para que seja um canal para a defesa da reivindicação do emprego a todos os jovens, jornada de 4 horas de trabalho e o restante na escola e pela conquista de uma escola vinculada à produção social. Portanto, os grêmios devem ser organismos vivos para enfrentar os governos e a classe capitalista, responsáveis pela destruição da escola pública. Devem ser democráticos, portanto organizados a partir das assembléias por escola e assembléias gerais de estudantes. Devem ter como objetivo

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central a unidade dos estudantes com a classe operária. Os estudantes com sua força apóiam o programa da classe operária pelo fim do capitalismo e pela conquista do socialismo.

O grêmio nas escolas
O grêmio tem de ser uma instituição sob total controle dos estudantes, enfim, os alunos escolhem a data da reunião, como será a eleição do grêmio, enfim, o grêmio tem que ser dos alunos e para os alunos sem qualquer intervenção da direção da escola, pois o grêmio defende os interesses dos estudantes. Soubemos que em uma escola a direção, depois que acabou o prazo para inscrições de chapas, empurrou pela garganta dos alunos uma única chapa para assumir o grêmio. Essa chapa foi escolhida a dedo para baixar a cabeça para a diretoria, enfiar o rabo entre as pernas e acatar todas as decisões da diretoria, uma marionete nas mãos da direção. Estão fazendo isso só para dizer que, nas decisões árbitrárias dessa escola, o órgão representante dos alunos esteve presente e foi ouvido. Esses alunos deveriam ter vergonha de ser fantoches nas mãos da direção. - Fora chapa única, joguete na mão da direção! - Fora direção autoritária e antidemocrática! - Fora Imposição! - Estudantes, o grêmio é de vocês, organizem uma eleição, montem chapas, exerçam os seus direitos, organizem os nossos grêmios sem qualquer intervenção da direção da escola!

Organizar os grêmios estudantis independentes
O grêmio estudantil é um organismo que representa os interesses dos estudantes. Quando os estudantes reivindi-

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cam a formação de um grêmio e se mobilizam para que ele exista em sua escola, estão lutando pela garantia de uma conquista democrática, estão defendendo um instrumento conseguido através da luta de outros estudantes. Não estão pedindo nenhum favor à direção ou aos professores da escola. Os grêmios não devem ter interferência do Estado, diretores, conselho de escola, professores e APMs (Associação de Pais e Mestres). Os grêmios devem ser totalmente independentes. É importante que o grêmio exista nas escolas, para que os alunos possam lutar pelo ensino público e gratuito em todos os níveis e se organizem para conquistar suas reivindicações. Por isso, os grêmios precisam ser independentes e atuantes. Devem ser organismos vivos, atentos aos interesses dos alunos e às medidas impostas pelo governo contra os trabalhadores e, em particular, aos estudantes. Devem estar organizados de tal forma que respeitem o conjunto dos estudantes da escola e não aos conchavos com direção e politiqueiros eleitoralistas. Devem ser democráticos, promovendo a participação massiva dos estudantes em assembléias e não decidir por cima da vontade coletiva dos alunos. O grêmio deve, também, procurar a unidade com os trabalhadores e, principalmente, com a classe operária. Os grêmios não podem ser organismos isolados em cada escola e com uma política corporativa. O isolamento dos grêmios não possibilita o enfrentamento com o governo. Os grêmios independentes do Estado e das direções de escola só podem estar sob a base da política e direção revolucionárias. Ou seja, um grêmio que defende o programa de derrubada do sistema capitalista e de implantação do socialismo.

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Anexo V Contra as aulas de Religião

Implantação das aulas de religião
Esse ano temos uma novidade: o ensino religioso. A Igreja exigiu colocar a religião como uma disciplina do currículo obrigatória a todas as escolas. O governo cedeu para contar com apoio político da Igreja às suas reformas. Acontece que o governo vem aplicando as medidas de cortes de recursos à educação pública. Fechou escolas, superlotou salas, municipalizou parte do ensino fundamental, reduziu o ensino médio, ampliou as telessalas, colocou a polícia na escola no lugar de funcionários e demitiu milhares de professores. Para completar a reforma, impôs as aulas religião fora do horário regular e obriga os alunos a freqüentarem dizendo que não se trata de religião, mas sim de “ética, cidadania etc.”. Argumentos mentirosos. Veja o que governo diz: “as sociedades globalizadas, mas profundamente marcadas por desigualdades de condições
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de acesso a bens essenciais, encontram-se ... à mercê da violência urbana, dos conflitos étnicos e religiosos, do desemprego e da fome, da falência do núcleo familiar tradicional ... Portanto, os projetos educacionais devem incluir o ensino religioso – para restaurar valores humanos, de compromisso moral e ético...”. Trata-se da maior demagogia e falsidade. Isso porque é o governo e o sistema econômico capitalista que implantam a fome e a miséria para a maioria da população, o desemprego, o salário mínimo de R$180,00 e a destruição da saúde e educação públicas. Como essas medidas são duras, precisa enganar os alunos com a reza de “valores humanos”. Não queremos domesticação O ensino religioso tem a função de ludibriar a juventude, desviar sua atenção dos verdadeiros problemas e das formas de luta para combater tais medidas. Uma parcela do professorado (que enfrenta na pele a rebeldia dos estudantes em sala de aula) e dos pais considera que o ensino religioso poderá ajudar na “educação” da juventude. Nada mais falso. A imposição do ensino religioso é um dos mecanismos da burguesia e de seu governo para manter a exploração do trabalho e domesticar a juventude. Trata-se do fortalecimento do controle da Igreja sobre a educação pública, visto que a Igreja já é proprietária de grande parte da rede de ensino privado. É necessário que os estudantes e professores digam não ao ensino religioso. Defendemos o ensino laico e científico A reivindicação do ensino laico e de nenhuma ingerência dc Estado e da religião é a defesa do ensino científico. A implantação do ensino religioso é parte da desagregação da escola. Para o capitalismo e os exploradores da população, não há interesse em ter uma escola em que se

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tenha o verdadeiro conhecimento da realidade, o desenvolvimento da crítica e aprendizagem obtida pela unidade da teoria e da prática. A escola que temos é de ensino decorativo, desvinculado do trabalho e que não desperta interesse da juventude. A religião vem reforçar esse tipo de escola. Devemos defender a escola laica e científica em oposição ao obscurantismo (superstições, crenças e outras formas de domínio) pregado pela religião e a toda essa forma de ensino imposto pelo Estado.

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Anexo VI Luta antiimperialista

Combater a Alca: Frente Única Antiimperialista
Foi marcado para a semana de 1º a 7 de setembro um plebiscito nacional sobre a Alca. A Alca (Área de Livre Comércio das Américas) é uma iniciativa dos Estados Unidos para ampliar o seu domínio sobre toda a América do Sul e Central. A potência norte-americana exige que os governos aceitem as imposições de abertura total dos mercados para que as suas multinacionais possam desovar suas mercadorias, que eliminem as barreiras comerciais para a circulação de bens e serviços (o livre acesso do capital estrangeiro aos setores da saúde e educação), que dêem maior liberdade para o capital financeiro, que permitam o controle militar direto dos Estados Unidos em suas fronteiras (a exemplo da Base de Alcântara) e que promovam mudanças nas leis trabalhistas para que as empresas possam reduzir os chamados encargos sociais e rebaixar os salários. Eis aí por que os Estados Unidos estão pressionando para que a Alca seja rapidamente implantada. Os governos
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latino-americanos são submissos ao imperialismo. Estão endividados até a medula com os credores internacionais. Portanto, estão de joelhos perante os Estados Unidos e esmolando alguma vantagem que por ventura possa ser concedida pela potência norte-americana. Por outro lado, o plebiscito nacional contra a Alca vem sendo encaminhado nos moldes do plebiscito realizado contra a dívida externa. O resultado pode ser o mesmo: não virar em nada. Sequer se colocava radicalmente contra o pagamento da dívida externa. Dizemos isso porque os plebiscitos não estão acompanhados da verdadeira luta antiimperialista e anticapitalista. Nosso método para combater a Alca O rechaço à Alca implica a luta antiimperialista. Trata-se do combate pela expulsão do imperialismo das semicolônias latino-americanas. Significa enfrentamento e expropriação do grande capital nacional e internacional, responsáveis pela sangria dos países e miséria das massas trabalhadoras. Tarefa essa que só poderá se realizada pelo proletariado, aliado aos camponeses e setores médios arruinados. A construção da frente única antiimperialista é uma tática que se opõe às frentes eleitoreiras e é a via para unir os explorados em torno do programa e direção da classe operária. A bandeira de “Uma outra América é possível” é burguesa. Nossa posição: “Estados Unidos Socialistas da América Latina" Sob o capitalismo, não é possível uma integração dos países latino-americanos. Tais países são semicoloniais e, portanto, submetidos ao imperialismo. Experiências de integração regional foram realizadas ao longo da história da América Latina. A última delas é o Mercosul. Todas fracassaram sob a direção dos governos comprometidos com o

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capital colonialista e imperialista. Somente a classe operária e os camponeses pobres poderão criar um movimento antiimperialista e socialista pela derrubada do domínio das potências. A juventude estudantil é muito importante para potenciar a aliança operária e camponesa em uma frente única antiimperialista. Existem aqueles que dizem lutar contra a Alca defendo o Mercosul. Devemos criticar e rechaçar essa posição. Os estudantes devem levantar a bandeira da classe operária que é a dos Estados Unidos Socialistas da América Latina. Como atuar na campanha do plebiscito Defendemos que o plebiscito seja claramente antiimperialista. Que diga: Expulsar o imperialismo da América Latina e Central com a luta dos explorados. Que diga: Fora a Alca. Que o plebiscito não tenha um fim em si mesmo. Que seja apenas um instrumento para chamar os trabalhadores e a juventude a constituir uma frente única antiimperialista, de luta e de massa. Os grêmios devem convocar os estudantes para organizar a campanha com esse conteúdo.

Devemos defender a luta do povo palestino
Estamos assistindo todos os dias a invasão de Israel sobre os territórios da Palestina. Desde 1948, quando os países vencedores da 2ª Guerra Mundial (Estados Unidos, Inglaterra) impuseram o Estado de Israel contra o povo palestino, que os combates não pararam. Os palestinos foram arrancados de suas terras e de seu território para dar lugar a um Estado que servisse aos interesses dos Estados Unidos. O povo palestino tem reagido aos tanques, bombas e mísseis israelenses com paus, pedras (as Intifadas). Nesse momento, são dezenas de jovens que entregam suas vidas

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Pontos para o programa estudantil secundarista

servindo de homens-bombas para defender o seu povo. O governo de Israel é fascista e age de acordo com as ordens dos Estados Unidos. Os estudantes não podem ficar calados diante de tamanha violência. Não podem confiar em que a ONU solucione o problema. A ONU é um organismo controlado pelos Estados Unidos. Devemos defender as reivindicações dos palestinos e lutar contra a guerra sionista de Israel e se colocar pela autodeterminação dos povos. Somente a vitória dos palestinos em luta contra Israel e seus aliados imperialistas poderá dar lugar a um Estado Palestino livre e democrático.

Por que nós estudantes temos de condenar a guerra dos Estados Unidos contra o Iraque
A guerra dos Estados Unidos contra o Iraque é quase inevitável, a não ser que os trabalhadores e a juventude no mundo inteiro saiam às ruas e lutem contra o ataque imperialista. O governo norte-americano justifica sua guerra com o argumento de que se trata de acabar com os arsenais de armas químicas do Iraque. Isso é falso. Os Estados Unidos têm a maior indústria armamentista e vendem armas no mundo todo. O que os Estados Unidos querem é se apossar de um país que tem petróleo. Para isso, tem de derrubar o governo de Saddam Hussein. Outras potências como a França e Alemanha temem perder mais ainda influência econômica e militar nessa região do Oriente Médio. Por isso, defendem que o Iraque se submeta às decisões da ONU para que inspetores do imperialismo vasculhem o país à procura dos supostos arsenais químicos. O governo iraquiano aceitou a volta dos inspetores. Entretanto, os Estados Unidos não querem nem saber disso, querem a guerra. O governo da Inglaterra apoia os Esta-

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dos Unidos procurando tirar vantagens da aliança militar com a maior potência do mundo. Em vários países, Inglaterra, Itália e Estados Unidos, as manifestações contrárias à invasão dos Estados Unidos ao Iraque já começaram. É importante que os estudantes e toda a juventude operária se lancem à luta contra a prepotência dos capitalistas internacionais. A vitória dos Estados Unidos reforça seu poder econômico e militar de intervenção no mundo todo. Na América Latina, essa ofensiva vem sendo imposta através dos planos neoliberais, da implantação da Alca e das bases militares. A classe operária e a juventude tem de levantar a bandeira de autodeterminação dos povos oprimidos e derrota do imperialismo. Não à guerra dos Estados Unidos contra o Iraque! Combater o imperialismo organizando uma frente única antiimperialista!

A luta contra a Alca e a Base de Alcântara tem de continuar
Mais de 10 milhões, no plebiscito, disseram não à Alca. O importante do movimento foi o fato de ter dado um primeiro passo de tomada de consciência sobre o significado econômico, social e militar da implantação da Alca e da instalação da Base militar norte-americana de Alcântara. Quanto à Alca, os operários, camponeses, a juventude e demais oprimidos disseram não ao aumento do domínio econômico do imperialismo sobre a América Latina. Quanto à Alcântara, disseram não à ofensiva militar dos Estados Unidos. Alca e Alcântara são duas faces de uma mesma moeda. O poder econômico do imperialismo vem acompanhado do domínio militar. Basta dar uma olhada na quantidade de bases militares que estão sendo instaladas no mundo todo para ver a ofensiva militarista. Basta ver que os mono-

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pólios exigem maior submissão dos países atrasados para que entendamos a necessidade da luta contra o imperialismo. Os governos e as burguesias desses países são coniventes e atuam contra seu próprio povo. Por isso, não podem travar a luta antiimperialista e acabam sendo entreguistas. A Alca/Alcântara tem tudo a ver com a guerra dos Estados Unidos contra o Afeganistão e a que está sendo preparada contra o Iraque. Tem também tudo a ver com o massacre de Israel contra os palestinos. O crescimento do domínio imperialista tem como conseqüência o maior atraso econômico dos países semicoloniais (oprimidos) e maior ataque dos capitalistas contra os trabalhadores (desemprego, rebaixamento salarial, destruição de conquistas sociais e fome). Só a classe operária e demais explorados podem resistir a essa voracidade dos capitalistas. Dissemos que o plebiscito foi apenas um passo. De nada adiantará caso pare aí. É preciso dar continuidade a esse movimento organizando os trabalhadores e a juventude, saindo às ruas em manifestações crescentes. É preciso que a classe operária tome a frente constituindo os comitês de frente única antiimperialista. A juventude deve participar ativamente da luta antiimperialista.

Os estudantes têm de assumir a luta antiimperialista
As reformas de FHC são ditadas pelos Estados Unidos, FMI, Banco Mundial e outros agentes do imperialismo. O objetivo principal é o de gastar menos com os serviços sociais (saúde, educação etc), intensificar a exploração do trabalho, aumentar impostos, favorecer as multinacionais e banqueiros. Trata-se da submissão do Brasil ao imperialismo por intermédio do governo e da burguesia brasileira. A Alca que vem aí é mais uma medida em favor dos monopóli-

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os, contra a economia dos países atrasados e, sobretudo, de esmagamento da vida da população. Nós estudantes respondemos: Fora o imperialismo! Abaixo o governo e a burguesia brasileira entreguista! Luta antiimperialista para conquistas a independência nacional e colocar a economia sob o controle da classe operária e demais trabalhadores! Fora com a Alca!

Os estudantes devem se mobilizar contra a guerra imperialista
Contra a vontade da maior parte da população mundial, os Estados Unidos vão à guerra. O verdadeiro objetivo é de apossar da segunda maior reserva de petróleo do mundo, que está sob o solo do Iraque. A ocupação militar desse país permitirá aos Estados Unidos um maior controle do Oriente Médio. Mas os interesses econômicos da burguesia norte-americana vão além. Os Estados Unidos têm uma gigantesca indústria armamentista. O que levou a uma superprodução de material bélico. Esse ramo tem um importante peso na sua economia interna. A guerra é um meio de usar parte desse grande arsenal. Os monopólios e a oligarquia financeira estão por detrás do governo Bush; e este transforma os interesses econômicos em guerra contra um povo oprimido, cuja única capacidade de defesa está na sua disposição de sacrifício e de heroísmo. O imperialismo provocará um genocídio e continuará a espalhar a mentira de que seu objetivo é pôr fim aos perigos do armamento de um governo ditatorial e do terrorismo. O imperialismo continuará falsificando com o argumento de que a guerra genocida é para a paz mundial e concórdia entre os povos. Mas a democracia das potências e sua paz são as do esmagamento dos povos e governos que ousam defender sua

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Pontos para o programa estudantil secundarista

soberania, sua autodeterminação. A cooperação e a liberdade das potências são as da escravização dos povos pelo capital financeiro e monopólios industriais e comerciais. O imperialismo é o domínio exercido pela minoria que concentra o capital financeiro e o poder militar sobre a maioria dos países que compõem o mundo. Esse domínio não tem como ser mantido apenas por meios econômicos. É preciso o uso de uma poderosa máquina de guerra. A violência reacionária é própria da constituição do capitalismo como um sistema de exploração do trabalho e de domínio dos mais fortes países contra os mais fracos. Mais ainda: as guerras são utilizadas para destruir riquezas diante das crises de superprodução. Por meio da destruição de forças produtivas em grande escala, a burguesia reanima seus negócios. É por meio também das guerras que a burguesia imperialista reparte o mundo entre si e subjuga ainda mais as fracas nações. As duas grandes guerras mundiais são exemplos disso. As potências não têm como manter sua máquina econômica funcionando sem que utilize largamente o saque das nações subjugadas. Os pesados endividamentos, a exploração dos recursos naturais, o controle monopolista dos ramos fundamentais da produção, o manejo do mercado internacional, imposição de acordos comerciais que desnacionalizam ou quebram ramos internos, todas essas características estão a nossas vistas e são próprias do sistema capitalista na sua fase última de desenvolvimento, que é a do imperialismo. Ocorre que o capitalismo é um sistema econômico em decomposição. O que quer dizer que já não pode desenvolver as forças produtivas uma vez que estas já se encontram altamente desenvolvidas e não mais cabem nas relações de produção sob a forma dos monopólios e do parasitismo do capital financeiro. Essas mesmas forças produtivas estão encarceradas no interior de cada país, sendo que o merca-

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do mundial se estreitou enquanto que a capacidade de produção aumentou enormemente. A alta concentração de riqueza nas sete maiores potências tem, em contrapartida, a concentração da pobreza no restante do mundo. É essa lei de funcionamento do capitalismo que precisa ser compreendida, para assim se compreender que as guerras provocadas pelas potências são erupções violentas e bárbaras da decomposição. Aqueles que se colocam contra a guerra, mas não admitem que esta é uma conseqüência do capitalismo que apodrece e se negam a dizer claramente que se trata de um ataque sanguinário do imperialismo, serão inconseqüentes no combate a esse mal. Não haverá paz sob o imperialismo. Mesmo que a maioria da população mundial aspire a paz, a burguesia monopolista levará seus governos a acionar as guerras. Há um outro lado que deve ser observado. Ainda que não se tenha uma guerra declarada, os povos oprimidos estão sob a coação armada das potências imperialistas. A paz sob o imperialismo será sempre a da dominação. Será sempre uma máscara colocada na face do capitalismo para esconder as raízes das guerras e de outras formas de opressão. Aqueles que apoiam o desarmamento do Iraque pelos inspetores da ONU, como solução pacífica, acabam por se colocar no campo do intervencionismo imperialista. Isso porque viola o princípio da autodeterminação dos povos. As potências possuem uma máquina infernal de guerra, que movimenta bilhões de dólares no comércio de armas. Elas têm todo tipo de material bélico de alta destruição. E é com esse poder que o imperialismo arma e desarma os países semicoloniais. A maior ameaça à humanidade é o arsenal nuclear dos Estados Unidos. Aceitar o intervencionismo “pacífico” ou não-pacífico significa admitir o imperialismo como força controladora do mundo. A ONU é um organismo mundial do imperialismo. Foi criada para garantir a partilha do mundo pelas potências.

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A luta da classe operária, demais explorados e da juventude contra a guerra de opressão nacional levado a cabo pelos Estados Unidos tem de se colocar no terreno da luta de classes e do levante dos povos oprimidos. Combater a guerra imperialista é enfrentar a burguesia em cada país. Trata-se de defender a expropriação dos monopólios, impor o controle operário da produção e dirigir-se a derrubar a burguesia do poder do Estado. Essa tarefa histórica não será realizada de uma hora para outra. Mas deve estar presente no combate antiimperialista à guerra. A bandeira que no momento se contrapõe frontalmente ao colonialismo imperialista é a da defesa da autodeterminação dos povos, que implica inclusive o direito do Iraque se armar. Somente o povo iraquiano pode decidir o destino do governo Saddan e do armamento. A luta para derrotar a ofensiva militar dos Estados Unidos exige que a classe operária, camponeses, demais explorados e a juventude constituam um grande movimento de frente única antiimperialista. Viva a resistência mundial contra a guerra do imperialismo! Defendamos o direito incondicional da autodeterminação dos povos! Constituir os comitês de frente única antiimperialista!

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Anexo VII Aliança com a classe operária

Os Estudantes devem lutar ao lado da classe operária
A reforma de FHC/Dornelles ataca fundo as condições básicas de sobrevivência da classe operária e demais assalariados. E por quê? Porque permite aos capitalistas acabarem com direitos trabalhistas duramente conquistados pelos trabalhadores. Exemplos: o 13o salário poderá ser parcelado e até mesmo não pago; a licença maternidade corre o risco de ser extinta; redução de férias, horário de alimentação e descanso semanal. Enfim, mais de 50 direitos poderão ser alterados para que os burgueses explorem mais e lucrem mais. Todo mundo fala que é uma escândalo o Brasil ter tantas condições econômicas e um povo tão oprimido pela miséria. Entretanto, o governo e os capitalistas impõem mais violência trabalhista sobre a maioria que produz. Os estudantes conscientemente devem ser colocar do lado da classe operária na sua luta contra a exploração.
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Levantamos a bandeira: Abaixo a reforma trabalhista de FHC/Dornelles! Defesa de todos os direitos sociais! Reajuste imediato dos salários! Emprego a todos! Readmissão dos demitidos! Redução da jornada de trabalho sem reduzir os salários (escala móvel das horas de trabalho)! Nenhum jovem sem emprego!

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Anexo VIII Os estudantes e o novo governo

Defesa do voto nulo programático
As eleições são o campo político da burguesia. Os partidos em disputa pelo poder representam a classe capitalista (PSDB, PMDB, PFL, PDT e outros). José Serra, Ciro Gomes e Garotinho são raposas que enganam os trabalhadores. O PT acabou por fazer parte dos partidos burgueses. A aliança de Lula com o empresário Alencar (PL) diz tudo sobre o programa capitalista do PT. O fato é que não existe nenhum partido revolucionário, verdadeiramente socialista e vinculado a classe operária que possa usar as eleições como meio para combater as ilusões dos explorados no voto e nos governos burgueses. O Partido Operário Revolucionário (POR) ainda está em construção e impedido de ter suas candidaturas. Frente a isso, defende que os trabalhadores e a juventude anulem o voto em defesa de um programa proletário.

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Pontos para o programa estudantil secundarista

As eleições e o novo governo
Os estudantes e os explorados sentiram a enorme campanha eleitoral que foi feita nesse ano. Rios e rios de dinheiro foram gastos para convencer a população a votar. Os partidos políticos, as Igrejas, as escolas, sindicatos e associações de bairro atuaram para levar a propaganda eleitoral dentro de nossas casas e cabeças à procura de votos. Tudo se prometeu. Desde o emprego aos jovens e adultos, aumento do salário mínimo, remédios de graça, mais hospitais públicos, fim da violência, escola para todos até o fim da promoção automática. Tudo para arrancar votos. Todos os candidatos, inclusive Lula, fizeram parte dessa festa da caça aos votos. Mas quem sustenta essa riquíssima eleição? São os empresários, banqueiros, latifundiários e grandes comerciantes. Esses capitalistas abriram os cofres para eleger seus representantes para o poder legislativo (deputados e senadores) e para a Presidência da República. Trata-se da velha expressão: Toma lá e dá cá (elegem seus renresentantes para servir seus interesses). Portanto, quem comanda as eleições é a classe burguesa, atuando sobre os trabalhadores para que depositem o voto nos candidatos que servirão aos interesses da classe capitalista. O povo não exerce nenhuma influência sobre os candidatos eleitos e nas decisões do Estado. Os explorados e estudantes foram chamados a confiar no governo Lula, na esperança de que será um governo diferente. Atraídos também pela condição de Lula, um operário que despontou das greves do início dos anos 80. Esperançosos de que colocará um basta ao desemprego, à miséria, à violência e à falta de escolas públicas. Sabemos que a situação do Brasil é grave. O FMI e outros bancos internacionais exigirão que o governo continue pagando a dívida externa e aplicando os planos econômicos (neoliberais). O governo eleito assumiu que cumprirá com todos os acordos. Cumprir com os acordos significa

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descarregar o peso da crise nos ombros dos trabalhadores. Os explorados terão de continuar arcando com as demissões, o salário mínimo de fome, as altas tarifas, a falta de saúde e educação. Essa experiência nos mostrará que não devemos ter ilusão nas eleições e nas promessas de candidatos. Os trabalhadores e a juventude têm de arrancar pela força suas reivindicações. O que quer dizer usar toda forma de luta coletiva contra a exploração capitalista. Desde já, dizemos sem temor que o governo de Lula trairá as necessidades e as esperanças da povo pobre e da juventude oprimida. Nós, estudantes, filhos de operários e trabalhadores pobres, não vamos poder abaixar a cabeça. Temos de exigir nossos direitos: emprego e escola para todos.

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Anexo IX Funcionamento da Corrente Proletária

Como funciona a Corrente Proletária da Educação - Secundarista
A Corrente Proletária Secundarista se reúne em plenárias regionais e gerais. Nelas se discutem os principais temas e problemas da escola, da política nacional e internacional. O Boletim Corrente Proletária tem seu conteúdo elaborado coletivamente e todos trabalham em torno de sua divulgação. Os militantes da Corrente Proletária têm por método organizar a juventude em um movimento independente do Estado e dos partidos burgueses. A Corrente Proletária também se coloca contra o sistema de exploração capitalista do trabalho e defende o fim da exploração do homem pelo homem, lutando pelo socialismo. A luta contra o imperialismo é uma parte da luta contra o capitalismo. Para elevar a capacidade política e teórica, a Corrente Proletária faz permanente cursos de formação. É importante que a juventude se organize em torno das lutas e do socialismo científico. Participem da Corrente Proletária.
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