Acção de Formação: Auto-avaliação das Bibliotecas Escolares Módulo 3 – Tarefa 2 – 2ª parte João Carlos Costa DRLVT, Turma

9 Comentário ao artigo da colega Teresa Castanheira
Measuring performance […] is relatively new for librarians. Although used to providing statistical evidence e.g. number of loans per year we have not so often been asked to provide qualitative information. It can seem new and strange and even threatening, and yet another burden which reduces the time available for actually doing the job. But it is possible, by careful planning, to manage more formal self-evaluation within an already busy schedule and make it work to improve your success.1 Self-evaluation should be a regular part of normal school life which involves everyone: staff, pupils, parents, governors, inspectors and the wider community. It should be a constant process in a cycle which includes identifying priorities for improvement; monitoring provision; and evaluating outcomes.2 Embora já se tenha vindo a percorrer um caminho significativo, não se encontra instituído, como prática corrente nas escolas, o “prático reflexivo”. Há uma vasta bibliografia sobre o assunto, mas não faz parte da cultura da escola incorporá-la nas reflexões sobre a prática docente.3

A auto-avaliação realizada nas escolas portuguesas, bem como a auto-avaliação das bibliotecas escolares (BEs) tem vindo a evoluir nos últimos anos de uma prática pouco consistente para um processo mais estruturado e mais abrangente do que o que até então se praticava, que pouco mais era do que um levantamento de dados sobre as classificações obtidas pelos alunos e uma recolha de opiniões dos docentes sobre a quantidade de matéria leccionada e algumas actividades efectuadas ao longo do ano lectivo. No entanto, algo está a mudar, e certamente que o novo modelo de direcção das escolas e a criação do cargo de professor bibliotecário, associado a uma formação, que se revelava indispensável, para que se institua uma reflexão e um levantamento dos pontos fortes e pontos fracos no funcionamento das BEs, orientado para o estabelecimento de medidas de melhoria trouxe novas coordenadas ao trabalho das escolas, em que o trabalho de colaboração constitui certamente um dos principais aspectos visados e em que é necessária uma aposta séria, coerente e que conduza a resultados concretos e mensuráveis. No seu trabalho, a colega Teresa Castanheira põe o dedo na ferida: «As aulas continuam a ser essencialmente dentro da sala de aula e as metodologias transmissivas são preponderantes.»4 E este é necessariamente um dos constrangimentos com que as BEs se confrontam, e em que «a capacidade de mobilização para outro tipo de aulas dependerá muito da forma como o Professor Bibliotecário apresentar o trabalho a desenvolver com parceiros exteriores à Biblioteca Escolar»5. Muito depende, portanto, da atitude tomada pelos professores bibliotecários, mas também da plena integração da auto-avaliação das bibliotecas na auto-avaliação de toda a escola, da elaboração de um conjunto de estratégias que envolva a generalidade dos docentes, alunos e Encarregados de
1 Scott, Elspeth S. (2002), «How good is your school library resource centre? An introduction to performance measurement» in 68th IFLA Council and General Conference. 2 McNicol, Sarah (2004), «Incorporating library provision in school self-evaluation» in Educational Review, Volume 56, Issue 3. 3 Castanheira, Teresa (2009) [Em linha], «Análise à realidade da escola» (Trabalho realizado para a acção de formação «Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares», pág. 1, Fórum da Formação da Rede de Bibliotecas Escolares, URL: xxx. Consulta: 21 de Novembro de 2009. 4 Ibid, pág. 2 5 Ibid., págs. 2/3

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Acção de Formação: Auto-avaliação das Bibliotecas Escolares Módulo 3 – Tarefa 2 – 2ª parte João Carlos Costa DRLVT, Turma 9 Comentário ao artigo da colega Teresa Castanheira

Educação (EE) e de que o Projecto Educativo de Escola faça eco, integrando a biblioteca de forma clara e evidente em todo o processo de ensino e aprendizagem, preocupação que deverá possuir reflexos evidentes no investimento que os órgãos de gestão, tanto executivo como pedagógico, nela terão que fazer. Concordo plenamente que «o Plano de Acção a oferecer pelo professor bibliotecário [deva] ter mesmo uma forte componente de acção e menos de discurso» e que esteja atento «a quem precisa urgentemente de ajuda e [planifique] actividades para concretizar a ajuda envolvendo a BE», o que será «um excelente começo», as quais «têm obrigatoriamente de ser significativas, diferentes das que se fazem dentro da sala de aula, relevantes em termos das aprendizagens, envolverem activamente o aluno na construção do seu conhecimento e, claro, terem a ver com o currículo»6, estando no entanto muito dependentes de uma liderança que, «em contexto escolar é muito difícil de exercer, porque não faz parte da cultura das escolas»7. No entanto, há que reconhecer que o trabalho do professor bibliotecário [PB] depende também de factores externos, de entre os quais não será de menosprezar a existência de parcerias, nomeadamente com outras escolas, e de uma Rede de Bibliotecas Escolares activa, que permita a troca de experiências, a divulgação de boas práticas em todas as áreas, nomeadamente na dos recursos educativos e na literacia da informação, porque disso poderá depender o sucesso do programa e das bibliotecas escolares. Todos temos imenso a aprender uns com os outros, e por vezes falta-nos o tempo para nos encontrarmos, para trocarmos ideias e experiências, concretizarmos procedimentos e a criação de recursos, que poderão ser partilhados, e creio firmemente que o projecto SERonline é uma óptima oportunidade para o fazermos. Faltam, por isso, soluções mais concretas, eventuais medidas que possam ser tomadas para que a recolha de evidências não seja um fim em si mesmo, mas um meio de atingir metas graduais que conduzam à melhoria e ao sucesso. Não creio que um professor bibliotecário, uma equipa de biblioteca ou até mesmo uma escola consigam, trabalhando isoladamente, evoluir de forma satisfatória sem a colaboração de outros professores bibliotecários, outras equipas de biblioteca e outras escolas. E creio que aqui estará uma das chaves, quiçá a mais importante, para o sucesso.
João Carlos Costa Novembro de 2009

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Ibid., pág. 3 Ibid., pág. 4 Página 2