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Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas

Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences


vol. 42, n. 1, jan./mar., 2006

Probióticos e prebióticos: o estado da arte

Susana Marta Isay Saad*

Departamento de Tecnologia Bioquímico-Farmacêutica, Faculdade de Ciências Farmacêuticas,


Universidade de São Paulo

Unitermos
A microbiota intestinal humana exerce um papel importante tanto • Probióticos
na saúde quanto na doença e a suplementação da dieta com • Prebióticos
• Alimentos funcionais
probióticos e prebióticos pode assegurar o equilíbrio dessa
• Lactobacillus
microbiota. Probióticos são microrganismos vivos, administrados
• Bifidobacterium
em quantidades adequadas, que conferem benefícios à saúde do • Oligossacarídeos
hospedeiro. Prebióticos são carboidratos não-digeríveis, que afetam
beneficamente o hospedeiro, por estimularem seletivamente a
proliferação e/ou atividade de populações de bactérias desejáveis
no cólon. Um produto referido como simbiótico é aquele no qual
um probiótico e um prebiótico estão combinados. O presente artigo
apresenta o estado da arte sobre probióticos e prebióticos, relatando
*Correspondência: novos conceitos, os benefícios que esses ingredientes alimentícios
S. M. I. Saad
Departamento de Tecnologia
conferem à saúde humana e os possíveis mecanismos envolvidos,
Bioquímico-Farmacêutica discutindo efeitos a eles atribuídos e salientando para novas
Faculdade de Ciências Farmacêuticas
descobertas relatadas, baseadas em evidências científicas. Outros
Universidade de São Paulo
Av. Prof. Lineu Prestes, 580 aspectos, como a seleção e a aplicação de probióticos e de
05508-000 - São Paulo, SP - Brasil prebióticos, também são discutidos.
E-mail: susaad@usp.br

INTRODUÇÃO de maneira a assegurar tanto o bem-estar quanto a saúde,


como também o risco mínimo de desenvolvimento de do-
Com o aumento na expectativa de vida da população, enças ao longo da vida. Nesse contexto, os alimentos fun-
aliado ao crescimento exponencial dos custos médico- cionais e especialmente os probióticos e prebióticos são
hospitalares, a sociedade necessita vencer novos desafi- conceitos novos e estimulantes (Roberfroid, 2002).
os, através do desenvolvimento de novos conhecimentos São considerados alimentos funcionais aqueles que,
científicos e de novas tecnologias que resultem em modi- além de fornecerem a nutrição básica, promovem a saú-
ficações importantes no estilo de vida das pessoas. A nu- de. Esses alimentos possuem potencial para promover a
trição precisa se adaptar a esses novos desafios, através saúde através de mecanismos não previstos através da
do desenvolvimento de novos conceitos. A nutrição nutrição convencional, devendo ser salientado que esse
otimizada é um desses novos conceitos, dirigida no senti- efeito restringe-se à promoção da saúde e não à cura de
do de maximizar as funções fisiológicas de cada indivíduo, doenças (Sanders, 1998).
2 S. M. I. Saad

O trato gastrintestinal humano é um micro- Diversas outras definições de probióticos foram publicadas
ecossistema cinético que possibilita o desempenho normal nos últimos anos (Sanders, 2003). Entretanto, a definição
das funções fisiológicas do hospedeiro, a menos que mi- atualmente aceita internacionalmente é que eles são mi-
crorganismos prejudiciais e potencialmente patogênicos crorganismos vivos, administrados em quantidades adequa-
dominem. Manter um equilíbrio apropriado da microbiota das, que conferem benefícios à saúde do hospedeiro (Food
pode ser assegurado por uma suplementação sistemática and Agriculture Organization of United Nations; World
da dieta com probióticos, prebióticos e simbióticos Health Organization, 2001; Sanders, 2003). A influência
(Bielecka, Biedrzycka, Majkowska, 2002). Em virtude benéfica dos probióticos sobre a microbiota intestinal hu-
desse fato, nos últimos anos, o conceito de alimentos fun- mana inclui fatores como efeitos antagônicos, competição
cionais passou a concentrar-se de maneira intensiva nos e efeitos imunológicos, resultando em um aumento da re-
aditivos alimentares que podem exercer efeito benéfico sistência contra patógenos. Assim, a utilização de culturas
sobre a composição da microbiota intestinal (Ziemer, bacterianas probióticas estimula a multiplicação de bacté-
Gibson, 1998). Os prebióticos e os probióticos são atual- rias benéficas, em detrimento à proliferação de bactérias
mente os aditivos alimentares que compõem esses alimen- potencialmente prejudiciais, reforçando os mecanismos
tos funcionais (Figura 1). naturais de defesa do hospedeiro (Puupponen-Pimiä et al.,
2002).
PROBIÓTICOS, PREBIÓTICOS E Prebióticos são componentes alimentares não dige-
SIMBIÓTICOS ríveis que afetam beneficamente o hospedeiro, por estimu-
larem seletivamente a proliferação ou atividade de popu-
Os probióticos eram classicamente definidos como lações de bactérias desejáveis no cólon. Adicionalmente,
suplementos alimentares à base de microrganismos vivos, o prebiótico pode inibir a multiplicação de patógenos, ga-
que afetam beneficamente o animal hospedeiro, promoven- rantindo benefícios adicionais à saúde do hospedeiro. Es-
do o balanço de sua microbiota intestinal (Fuller, 1989). ses componentes atuam mais freqüentemente no intestino

FIGURA 1 - Reações dos ingredientes alimentares probióticos e prebióticos com a microbiota intestinal, relativo a seus
efeitos sobre a saúde. Adaptado de Puupponen-Pimiä et al. (2002).
Probióticos e prebióticos: o estado da arte 3

grosso, embora eles possam ter também algum impacto Os prebióticos avaliados em humanos constituem-se dos
sobre os microrganismos do intestino delgado (Gibson, frutanos e dos galactanos (Cummingns, Macfarlane,
Roberfroid, 1995; Roberfroid, 2001; Gilliland, 2001; 2002). A maioria dos dados da literatura científica sobre
Mattila-Sandholm et al., 2002). efeitos prebióticos relaciona-se aos fruto-oligossacarídeos
Um produto referido como simbiótico é aquele no (FOS) e à inulina e diversos produtos comerciais estão
qual um probiótico e um prebiótico estão combinados. A disponíveis há vários anos (Puupponen-Pimiä et al., 2002).
interação entre o probiótico e o prebiótico in vivo pode ser A inulina e a oligofrutose pertencem a uma classe de
favorecida por uma adaptação do probiótico ao substrato carboidratos denominados frutanos e são considerados
prebiótico anterior ao consumo. Isto pode, em alguns ca- ingredientes funcionais, uma vez que exercem influência
sos, resultar em uma vantagem competitiva para o sobre processos fisiológicos e bioquímicos no organismo,
probiótico, se ele for consumido juntamente com o resultando em melhoria da saúde e em redução no risco de
prebiótico. Alternativamente, esse efeito simbiótico pode aparecimento de diversas doenças, conforme ilustrado na
ser direcionado às diferentes regiões “alvo” do trato figura 1. As principais fontes de inulina e oligofrutose
gastrintestinal, os intestinos delgado e grosso. O consumo empregadas na indústria de alimentos são a chicória
de probióticos e de prebióticos selecionados apropriada- (Cichorium intybus) e a alcachofra de Jerusalém
mente pode aumentar os efeitos benéficos de cada um (Helianthus tuberosus) (Carabin, Flamm, 1999; Kaur,
deles, uma vez que o estímulo de cepas probióticas conhe- Gupta, 2002).
cidas leva à escolha dos pares simbióticos substrato-mi- Frutano é um termo genérico empregado para des-
crorganismo ideais (Holzapfel, Schillinger, 2002; crever todos os oligo ou polissacarídeos de origem vege-
Puupponen-Pimiä et al., 2002; Mattila-Sandholm et al., tal e refere-se a qualquer carboidrato em que uma ou mais
2002; Bielecka, Biedrzyck, Majkowska, 2002). ligações frutosil-frutose predominam dentre as ligações
glicosídicas. Os frutanos são polímeros de frutose linear ou
AS FIBRAS E OS PREBIÓTICOS ramificada ligados por ligações β(2→1) ou β(2→6), en-
contradas, respectivamente, na inulina e nos frutanos do
As fibras da dieta estão incluídas na ampla catego- tipo levanos (Carabin, Flamm, 1999).
ria dos carboidratos. Elas podem ser classificadas como Os frutanos do tipo inulina dividem-se em dois gru-
solúveis, insolúveis ou mistas, podendo ser fermentáveis ou pos gerais: a inulina e os compostos a ela relacionados - a
não-fermentáveis. A nova definição de fibra da dieta su- oligofrutose e os fruto-oligossacarídeos (FOS). A inulina,
gere a inclusão de oligossacarídeos e de outros a oligofrutose e os FOS são entidades quimicamente simi-
carboidratos não-digeríveis. Deste modo, a inulina e a lares, com as mesmas propriedades nutricionais. Essas
oligofrutose, denominadas de frutanos, são fibras solúveis semelhanças química e nutricional são conseqüentes à
e fermentáveis, as quais não são digeríveis pela α-amilase estrutura básica (ligações β(2→1) de unidades frutosil, al-
e por enzimas hidrolíticas, como a sacarase, a maltase e a gumas vezes terminadas em uma unidade glicosil), bem
isomaltase, na parte superior do trato gastrintestinal como à sua via metabólica em comum. A única diferença
(Carabin, Flamm, 1999). entre a inulina, a oligofrutose e os FOS sintéticos é o grau
Como os componentes da fibra da dieta não são ab- de polimerização, ou seja, o número de unidades individu-
sorvidos, eles penetram no intestino grosso e fornecem ais de monossacarídeos que compõem a molécula
substrato para as bactérias intestinais. As fibras solúveis são (Carabin, Flamm, 1999).
normalmente fermentadas rapidamente, enquanto as inso- A inulina é um carboidrato polidisperso, constituído
lúveis são lentamente ou apenas parcialmente fermentadas de subunidades de frutose (2 a 150), ligadas entre si e a
(Puupponen-Pimiä et al., 2002). A extensão da fermentação uma glicose terminal, apresentando um grau médio de
das fibras solúveis depende de sua estrutura física e quími- polimerização de 10 ou mais. A oligofrutose e os FOS são
ca. A fermentação é realizada por bactérias anaeróbicas do termos sinônimos utilizados para denominar frutanos do
cólon, levando à produção de ácido lático, ácidos graxos de tipo inulina com grau de polimerização inferior a 10. Seus
cadeia curta e gases. Conseqüentemente, há redução do pH nomes derivam de oligossacarídeos (carboidratos com
do lúmen e estimulação da proliferação de células epiteliais menos de 10 subunidades de monossacarídeos) compos-
do cólon (Carabin, Flamm, 1999). tos predominantemente de frutose. O termo oligofrutose
Os prebióticos identificados atualmente são é mais freqüentemente empregado na literatura para des-
carboidratos não-digeríveis, incluindo a lactulose, a inulina crever inulinas de cadeia curta, obtidas por hidrólise
e diversos oligossacarídeos que fornecem carboidratos que parcial da inulina da chicória. O termo FOS tende a des-
as bactérias benéficas do cólon são capazes de fermentar. crever misturas de frutanos do tipo inulina de cadeia
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curta, sintetizados a partir da sacarose. Os FOS consis- ao gênero Lactobacillus, destacam-se Lb. acidophilus,
tem de moléculas de sacarose, compostas de duas ou três Lb. helveticus, Lb. casei - subsp. paracasei e subsp.
subunidades de frutose adicionais, adicionadas tolerans, Lb. paracasei, Lb. fermentum, Lb. reuteri, Lb.
enzimaticamente, através de ligação β(2→1) à johnsonii, Lb. plantarum, Lb. rhamnosus e Lb.
subunidade frutose da sacarose (Carabin, Flamm, 1999; salivarius (Collins, Thornton, Sullivan, 1998; Lee et al.,
Biedrzycka, Bielecka, 2004). 1999; Sanders, Klaenhammer, 2001).
Os frutanos são os polissacarídeos não-estruturais
mais abundantes na natureza, após o amido. Eles estão OS PROBIÓTICOS E PREBIÓTICOS E A
presentes em grande variedade de vegetais e, também, em MICROBIOTA INTESTINAL
algumas bactérias e fungos (Carabin, Flamm, 1999).
Bifidobactérias fermentam seletivamente os Em condições normais, inúmeras espécies de bacté-
frutanos, preferencialmente a outras fontes de rias estão presentes no intestino, a maioria delas anaeróbias
carboidratos, como o amido, a pectina ou a polidextrose estritas. Essa composição torna o intestino capaz de res-
(Fooks, Fuller, Gibson, 1999). A alta especificidade dos ponder a possíveis variações anatômicas e físico-químicas
FOS como substratos para bifidobactérias resulta da ati- (Lee et al., 1999). A microbiota intestinal exerce influên-
vidade das enzimas β-frutosidases (inulinases) associ- cia considerável sobre série de reações bioquímicas do
adas a células específicas, as quais hidrolisam hospedeiro. Paralelamente, quando em equilíbrio, impede
monômeros de frutose da extremidade não-redutora da que microrganismos potencialmente patogênicos nela pre-
cadeia de inulina ou de determinados açúcares em que sentes exerçam seus efeitos patogênicos. Por outro lado,
o resíduo de frutose ocorre na posição β(2-1). Essas o desequilíbrio dessa microbiota pode resultar na prolife-
hidrolases são produzidas por alguns bolores e levedu- ração de patógenos, com conseqüente infecção bacteriana
ras e só esporadicamente por bactérias (Biedrzycka, (Ziemer, Gibson, 1998).
Bielecka, 2004). A microbiota saudável é definida como a microbiota
A velocidade de fermentação e a atividade de normal que conserva e promove o bem-estar e a ausência
carboidratos não-digeríveis são fatores primordiais para a de doenças, especialmente do trato gastrintestinal. A cor-
saúde intestinal do hospedeiro. Novos tipos de oligos- reção das propriedades da microbiota autóctone
sacarídeos com velocidades de fermentação controladas desbalanceada constitui a racionalidade da terapia por
serão desenvolvidos, de modo a assegurar a fermentação probióticos (Isolauri, Salminen, Ouwehand, 2004). A influ-
uniforme, ao longo do cólon, da área proximal para a distal ência benéfica dos probióticos sobre a microbiota intesti-
(Puupponen-Pimiã et al., 2002). nal humana inclui fatores como os efeitos antagônicos e a
competição contra microrganismos indesejáveis e os efei-
PRINCIPAIS BACTÉRIAS EMPREGADAS NOS tos imunológicos (Puupponen-Pimiä et al., 2002). Dados
ALIMENTOS FUNCIONAIS PROBIÓTICOS experimentais indicam que diversos probióticos são capa-
zes de modular algumas características da fisiologia diges-
Bactérias pertencentes aos gêneros Lactobacillus tiva, como a imunidade da mucosa e a permeabilidade
e Bifidobacterium e, em menor escala, Enterococcus intestinal (Fioramonti, Theodorou, Bueno, 2003). A ligação
faecium, são mais freqüentemente empregadas como de bactérias probióticas aos receptores da superfície ce-
suplementos probióticos para alimentos, uma vez que elas lular dos enterócitos também dá início às reações em cas-
têm sido isoladas de todas as porções do trato gastrintes- cata que resultam na síntese de citocinas (Kaur, Chopra,
tinal do humano saudável. O íleo terminal e o cólon pare- Saini, 2002).
cem ser, respectivamente, o local de preferência para O conhecimento da microbiota intestinal e suas
colonização intestinal dos lactobacilos e bifidobactérias interações levou ao desenvolvimento de estratégias ali-
(Charteris et al., 1998; Bielecka et al., 2002). Entretanto, mentares, objetivando a manutenção e o estímulo das
deve ser salientado que o efeito de uma bactéria é espe- bactérias normais ali presentes (Gibson, Fuller, 2000).
cífico para cada cepa, não podendo ser extrapolado, inclu- É possível aumentar o número de microrganismos pro-
sive para outras cepas da mesma espécie (Guarner, motores da saúde no trato gastrintestinal (TGI), através
Malagelada, 2003). da introdução de probióticos pela alimentação ou com
Dentre as bactérias pertencentes ao gênero o consumo de suplemento alimentar prebiótico, o qual
Bifidobacterium, destacam-se B. bifidum, B. breve, B. irá modificar seletivamente a composição da microbiota,
infantis, B. lactis, B. animalis, B. longum e B. fornecendo ao probiótico vantagem competitiva sobre
thermophilum. Dentre as bactérias láticas pertencentes outras bactérias do ecossistema (Crittenden, 1999).
Probióticos e prebióticos: o estado da arte 5

AS VANTAGENS NUTRICIONAIS E OS tinal por esses prebióticos é conseqüente à alteração da


MECANISMOS DE ATUAÇÃO DOS composição dessa microbiota por uma fermentação espe-
PREBIÓTICOS E PROBIÓTICOS cífica, a qual resulta em uma comunidade em que há pre-
domínio de bifidobactérias (Kaur, Gupta, 2002).
Embora os prebióticos e os probióticos possuam A Figura 2 mostra o destino dos probióticos e dos
mecanismos de atuação em comum, especialmente quanto prebióticos no organismo humano, os prebióticos como
à modulação da microbiota endógena, eles diferem em sua fatores bifidogênicos e os principais mecanismos de atu-
composição e em seu metabolismo. O destino dos ação dos probióticos.
prebióticos no trato gastrintestinal é mais conhecido do que
o dos probióticos. Assim como ocorre no caso de outros OS EFEITOS ATRIBUÍDOS AOS PROBIÓTICOS
carboidratos não-digeríveis, os prebióticos exercem um E PREBIÓTICOS
efeito osmótico no trato gastrintestinal, enquanto não são
fermentados. Quando fermentados pela microbiota Os benefícios à saúde do hospedeiro atribuídos à
endógena, o que ocorre no local em que exercem o efeito ingestão de culturas probióticas que mais se destacam são:
prebiótico, eles aumentam a produção de gás. Portanto, os controle da microbiota intestinal; estabilização da
prebióticos apresentam o risco teórico de aumentar a di- microbiota intestinal após o uso de antibióticos; promoção
arréia em alguns casos (devido ao efeito osmótico) e de da resistência gastrintestinal à colonização por patógenos;
serem pouco tolerados por pacientes com síndrome do diminuição da população de patógenos através da produ-
intestino irritável. Entretanto, a tolerância de doses baixas ção de ácidos acético e lático, de bacteriocinas e de outros
de prebióticos é geralmente excelente. Os probióticos, por compostos antimicrobianos; promoção da digestão da
outro lado, não apresentam esse inconveniente teórico e lactose em indivíduos intolerantes à lactose; estimulação
têm sido efetivos na prevenção e no alívio de diversos do sistema imune; alívio da constipação; aumento da ab-
episódios clínicos, envolvendo diarréia (Marteau, Boutron- sorção de minerais e produção de vitaminas. Embora ain-
Ruault, 2002). da não comprovados, outros efeitos atribuídos a essas cul-
Três possíveis mecanismos de atuação são atribuí- turas são a diminuição do risco de câncer de cólon e de
dos aos probióticos, sendo o primeiro deles a supressão do doença cardiovascular. São sugeridos, também, a diminui-
número de células viáveis através da produção de compos- ção das concentrações plasmáticas de colesterol, efeitos
tos com atividade antimicrobiana, a competição por nutri- anti-hipertensivos, redução da atividade ulcerativa de
entes e a competição por sítios de adesão. O segundo Helicobacter pylori, controle da colite induzida por
desses mecanismos seria a alteração do metabolismo rotavirus e por Clostridium difficile, prevenção de infec-
microbiano, através do aumento ou da diminuição da ati- ções urogenitais, além de efeitos inibitórios sobre a
vidade enzimática. O terceiro seria o estímulo da imunidade mutagenicidade (Shah, Lankaputhra, 1997; Charteris et
do hospedeiro, através do aumento dos níveis de al., 1998; Jelen, Lutz, 1998; Klaenhammer, 2001; Kaur,
anticorpos e o aumento da atividade dos macrófagos. O Chopra, Saini, 2002; Tuohy et al., 2003).
espectro de atividade dos probióticos pode ser dividido em Alguns efeitos atribuídos aos prebióticos são a modu-
efeitos nutricionais, fisiológicos e antimicrobianos (Fuller, lação de funções fisiológicas chaves, como a absorção de
1989). cálcio e, possivelmente, o metabolismo lipídico, a modulação
Assim como ocorre no caso de outras fibras da di- da composição da microbiota intestinal, a qual exerce um
eta, prebióticos como a inulina e a oligofrutose, são resis- papel primordial na fisiologia gastrintestinal, e a redução do
tentes à digestão na parte superior do trato intestinal, sendo risco de câncer de cólon (Roberfroid, 2002). Diversos estu-
subseqüentemente fermentados no cólon. Eles exercem um dos experimentais mostraram a aplicação da inulina e da
efeito de aumento de volume, como conseqüência do au- oligofrutose como fatores bifidogênicos, ou seja, que estimu-
mento da biomassa microbiana que resulta de sua fermen- lam a predominância de bifidobactérias no cólon. Conseqüen-
tação, bem como promovem um aumento na freqüência de temente, há um estímulo do sistema imunológico do hospedei-
evacuações, efeitos estes que confirmam a sua classifica- ro, uma redução nos níveis de bactérias patogênicas no intes-
ção no conceito atual de fibras da dieta. Quando adiciona- tino, um alívio da constipação, uma diminuição do risco de
dos como ingredientes funcionais a produtos alimentícios osteoporose resultante da absorção diminuída de minerais,
normais, prebióticos típicos, como a inulina e a oligofrutose, particularmente o cálcio. Adicionalmente, haveria uma redu-
modulam a composição da microbiota intestinal, a qual ção do risco de arteriosclerose, através da diminuição na sín-
exerce um papel primordial na fisiologia gastrintestinal tese de triglicérides e ácidos graxos no fígado e diminuição do
(Roberfroid, 2002). Essa modulação da microbiota intes- nível desses compostos no sangue (Kaur, Gupta, 2002).
6 S. M. I. Saad

FIGURA 2 - Os prebióticos como fatores bifidogênicos e os mecanismos de atuação dos probióticos

A MODULAÇÃO DA MICROBIOTA ção de toxinas ou invasão das células epiteliais (dependen-


INTESTINAL E ALTERAÇÃO DO do do mecanismo de patogenicidade) por bactérias
METABOLISMO MICROBIANO patogênicas. Adicionalmente, os probióticos competem com
as bactérias indesejáveis pelos nutrientes disponíveis no
A resistência aumentada contra patógenos é a carac- nicho ecológico. O hospedeiro fornece as quantidades de
terística mais promissora no desenvolvimento de nutrientes que as bactérias intestinais necessitam e estas
probióticos eficazes. O emprego de culturas probióticas indicam ativamente as suas necessidades. Essa relação
exclui microrganismos potencialmente patogênicos e refor- simbiótica impede uma produção excessiva de nutrientes, a
ça os mecanismos naturais de defesa do organismo qual favoreceria o estabelecimento de competidores
(Puupponen-Pimiä et al., 2002). A modulação da microbianos com potencial patogênico ao hospedeiro. Além
microbiota intestinal pelos microrganismos probióticos disso, os probióticos podem impedir a multiplicação de seus
ocorre através de um mecanismo denominado “exclusão competidores, através de compostos antimicrobianos, prin-
competitiva”. Esse mecanismo impede a colonização dessa cipalmente as bacteriocinas (Kopp-Hoolihan, 2001; Calder,
mucosa por microrganismos potencialmente patogênicos, Kew, 2002; Guarner, Malagelada, 2003).
através da competição por sítios de adesão, da competição Microbiota intestinal desbalanceada causa altera-
por nutrientes e/ou da produção de compostos antimicro- ções como a diarréia associada a infecções ou ao trata-
bianos (Kaur, Chopra, Saini, 2002; Guarner, Malagelada, mento por antibióticos, a alergia alimentar, o eczema
2003). atópico, doenças inflamatórias intestinais e artrite. Assim
Os probióticos auxiliam a recompor a microbiota in- sendo, a correção das propriedades de uma microbiota
testinal, através da adesão e colonização da mucosa intes- autóctone em desequilíbrio constitui-se a base da terapia
tinal, ação esta que impede a adesão e subseqüente produ- por probióticos (Isolauri, Salminen, Ouwehand, 2004).
Probióticos e prebióticos: o estado da arte 7

No caso específico de pacientes que sofrem da macrófagos, por um aumento nos níveis de citocinas, por
síndrome do intestino irritável, há evidências de que a um aumento da atividade das células destruidoras naturais
microbiota intestinal desses pacientes é alterada, promo- (NK - “natural killer”) e/ou dos níveis de imunoglobulinas.
vendo fermentação anormal no cólon. Embora ainda não Merece destaque o fato de que esses efeitos positivos dos
esteja claro se uma relação causal nesse sentido existe ou probióticos sobre o sistema imunológico ocorrem sem o
se a microbiota alterada é conseqüência de uma disfunção desencadeamento de uma resposta inflamatória prejudici-
intestinal, a restauração do equilíbrio dessa microbiota, al. Entretanto, nem todas as cepas de bactérias láticas são
através da administração de probióticos, pode resultar em igualmente efetivas. A resposta imune pode ser aumenta-
benefícios terapêuticos (Verdu, Collins, 2004). da, quando um ou mais probióticos são consumidos
As bactérias intestinais estão envolvidas em gran- concomitantemente e atuam sinergisticamente, como pa-
de variedade de atividades metabólicas e essas ativida- rece ser o caso dos Lactobacillus administrados em con-
des sofrem alterações pela dieta. É importante destacar junto com Bifidobacterium (Kopp-Hoolihan, 2001; Calder,
que algumas das atividades metabólicas estão associadas Kew, 2002; Van de Water, 2003).
à síntese de compostos carcinogênicos e determinados A microbiota intestinal pode conferir atividade
estudos mostram que as bactérias probióticas podem au- imunomodulatória durante uma idade crítica ou um perío-
xiliar na degradação de alguns desses compostos do da vida crítico, quando aberrações imunorregulatórias
(Morotomi, 1997). podem induzir doenças clínicas. Não se conhece, com
A alteração do metabolismo microbiano pelos precisão, o quanto propriedades probióticas, como a ade-
probióticos ocorre por meio do aumento ou diminuição da rência e a colonização, são requeridas para que essa ati-
atividade enzimática. Uma função vital das bactérias vidade imunomodulatória ocorra. Para a imunorregulação,
láticas na microbiota intestinal é produzir a enzima β-D- propriedades específicas de aderência podem ser
galactosidade, auxiliando a quebra da lactose no intestino. requeridas. A colonização parece estar associada com a
Essa ação é fundamental, particularmente no caso de in- maturação dos mecanismos de imunidade humoral, uma
divíduos com intolerância à lactose, os quais são incapa- vez que há relatos de que recém-nascidos colonizados por
zes de digeri-la adequadamente, o que resulta em descon- Bacteroides fragilis e Bifidobacterium spp. apresenta-
forto abdominal em grau variável (Lourens-Hattingh, vam mais células secretoras de IgA e IgM circulantes.
Viljoen, 2002). Diversas evidências têm demonstrado que Esses resultados sugerem que a microbiota intestinal hu-
o consumo de quantidades adequadas, de cepas apropri- mana é importante na imunorregulação e que diferenças
adas de bactérias láticas (incluindo bactérias láticas não- qualitativas na composição dessa microbiota podem alte-
probióticas como Lactobacillus bulgaricus e rar a homeostase imunológica do indivíduo (Isolauri,
Streptococcus thermophilus) é capaz de aliviar os sinto- Salminen, Ouwehand, 2004).
mas de intolerância à lactose. Desta maneira, consegue- A ação de microrganismos durante a fabricação de
se incorporar produtos lácteos e os nutrientes importantes produtos contendo culturas ou no trato digestivo influencia
que fazem parte desses produtos de volta à dieta de indi- favoravelmente a quantidade, a biodisponibilidade e a
víduos intolerantes à lactose, anteriormente obrigados a digestibilidade de alguns nutrientes da dieta. A fermenta-
restringir a ingestão desses produtos. Outros efeitos des- ção de produtos lácteos por bactérias láticas pode aumen-
critos foram a redução ou supressão da atividade de tar a concentração de determinados nutrientes, como vi-
enzimas fecais, como a β-glicuronidase, a nitrorredutase, taminas do complexo B. As bactérias láticas caracterizam-
a azorredutase (Lee et al., 1999; Kopp-Hoolihan, 2001). se pela liberação de diversas enzimas no lúmen intestinal.
Essas enzimas exercem efeitos sinérgicos sobre a diges-
O ESTÍMULO DA IMUNIDADE DO tão, aliviando sintomas de deficiência na absorção de nu-
HOSPEDEIRO E DA ABSORÇÃO E trientes (Kopp-Hoolihan, 2001).
BIODISPONIBILIDADE DE DETERMINADOS A hidrólise enzimática bacteriana pode aumentar a
NUTRIENTES biodisponibilidade de proteínas e de gordura e aumentar a
liberação de aminoácidos livres. Além de ácido lático,
O efeito dos probióticos sobre a resposta imune tem ácidos graxos de cadeia curta, como propiônico e butírico,
sido bastante estudado. Grande parte das evidências de também são produzidos pelas bactérias láticas. Quando
sistemas in vitro e de modelos animais e humanos sugere absorvidos, esses ácidos graxos contribuem para o pool de
que os probióticos podem estimular tanto a resposta imu- energia disponível do hospedeiro e podem proteger contra
ne não-específica quanto específica. Acredita-se que es- mudanças patológicas na mucosa do cólon. Além disso,
ses efeitos sejam mediados por uma ativação dos uma concentração mais elevada de ácidos graxos de ca-
8 S. M. I. Saad

deia curta auxilia na manutenção de um pH apropriado no 2002). Entretanto, é importante salientar que diversas outras
lúmen do cólon, crucial para a expressão de muitas enzimas hipóteses têm sido levantadas e que o efeito real dos
bacterianas sobre compostos estranhos e sobre o metabo- probióticos no controle de colesterol ainda é questionável
lismo de carcinógenos no intestino (Kopp-Hoolihan, 2001). (Lourens-Hattingh, Viljoen, 2001).
Assim, a produção de ácido butírico por algumas bactéri- Tanto as bactérias patogênicas como probióticas
as probióticas neutraliza a atividade de alguns carcinó- podem entrar no trato urogenital através de diversas vias.
genos da dieta, como as nitrosaminas, resultantes da ativi- Entretanto, elas entram predominantemente através do
dade metabólica de bactérias comensais em indivíduos que cólon e reto via períneo. Após entrarem no cólon, os mi-
consomem dietas com alto teor de proteínas (Wollowski, crorganismos probióticos podem alterar a sua microbiota
Rechkemmer, Pool-Zobel, 2001). favoravelmente e determinadas cepas podem atingir a
vagina e o trato urinário como células viáveis (Reid et al.,
OUTROS POSSÍVEIS EFEITOS ATRIBUÍDOS ÀS 2001). Assim sendo, a melhoria da saúde urogenital de
CULTURAS PROBIÓTICAS mulheres pode ser atribuída ao fato de infecções do trato
urinário e genital estarem freqüentemente associadas a
Outros possíveis efeitos dos probióticos são a sua bactérias do cólon. Desta maneira, o cólon funcionaria
atuação na prevenção de câncer, na modulação de reações como fonte de microrganismos tanto benéficos como
alérgicas, na melhoria da saúde urogenital de mulheres maléficos para os tratos urinário e genital. Entretanto,
(Kopp-Hoolihan, 2001) e nos níveis sanguíneos de lipídeos estudos clínicos controlados são necessários para
(Pereira, Gibson, 2002). Além desses possíveis efeitos, substanciar esses achados preliminares (Kopp-Hoolihan,
evidências preliminares indicam que bactérias probióticas 2001; Vrese, Schrezenmeir, 2002).
ou seus produtos fermentados podem exercer um papel no A atuação dos probióticos na redução do risco de
controle da pressão sanguínea. Estudos clínicos e com aparecimento de câncer é, possivelmente, realizada atra-
animais documentaram efeitos anti-hipertensivos com a vés da neutralização dos efeitos genotóxicos e muta-
ingestão de probióticos (Kopp-Hoolihan, 2001). gênicos. Entretanto, embora a pesquisa voltada à preven-
É provável que o efeito benéfico dos probióticos na ção do câncer seja muito promissora, os resultados são,
modulação de reações alérgicas seja exercido através do ainda, muito preliminares para se desenvolver recomenda-
desenvolvimento da função de barreira da mucosa. Outra ções dos probióticos nesse sentido (Kopp-Hoolihan, 2001).
possibilidade é que um estímulo microbiano reduzido du- É possível que diferentes cepas utilizem diferentes meca-
rante a primeira infância resulte em maturação mais len- nismos de ação. Assim, é necessário que mais trabalhos
ta do sistema imune, tendo em vista o fato de que foi ob- sejam realizados para identificar cepas específicas e ca-
servado que crianças alérgicas eram menos freqüen- racterísticas de cada cepa responsáveis por efeitos anti-
temente colonizadas por lactobacilos, predominando os tumor específicos e os mecanismos através dos quais
coliformes e Staphylococcus aureus. Assim sendo, os esses efeitos são mediados (Rafter, 2003).
probióticos são capazes de atenuar a inflamação intestinal
e as reações de hipersensibilidade em pacientes com aler- POSSÍVEL MECANISMO DOS PROBIÓTICOS E
gia alimentar, funcionando como um meio de prevenção DOS PREBIÓTICOS NA INIBIÇÃO DO
primária da alergia em indivíduos suscetíveis (Kopp- CÂNCER DE CÓLON
Hoolihan, 2001; Van de Water, 2003).
Quanto ao efeito probiótico benéfico sobre a concen- O câncer de cólon é uma das causas mais importan-
tração sanguínea de lipídios, apesar de poucos estudos clí- tes de morbidade e mortalidade por câncer entre homens
nicos de curta duração terem sido realizados, todos mostra- e mulheres. Criptas aberrantes são lesões precursoras
ram que a ingestão de probióticos exerceu influência sobre putrefativas, a partir das quais os adenomas e carcinomas
os lipídios de uma maneira similar, reduzindo os níveis de podem se desenvolver no cólon. Estudos com ratos mos-
colesterol total, de colesterol LDL e de triglicérides (Kopp- traram que a administração de oligofrutose e inulina na
Hoolihan, 2001). As bactérias probióticas fermentam os dieta suprimiu significativamente o número de focos de
carboidratos não-digeríveis provenientes dos alimentos no criptas aberrantes no cólon, quando comparado à dieta
intestino. Os ácidos graxos de cadeia curta resultantes dessa controle. Essa inibição era mais pronunciada em ratos
fermentação possivelmente causam diminuição das concen- alimentados com inulina do que naqueles que recebiam
trações sistêmicas dos lipídeos sanguíneos, através da inibi- oligofrutose. O papel desempenhado pela inulina e a
ção da síntese de colesterol hepático e/ou da redistribuição oligofrutose na redução da formação das criptas
do colesterol do plasma para o fígado (Pereira, Gibson, aberrantes, um marcador pré-neoplásico precoce do poten-
Probióticos e prebióticos: o estado da arte 9

cial maligno no processo de carcinogênese do cólon, suge- OS PREBIÓTICOS E O ESTÍMULO DA


re que eles têm potencial para suprimir a carcinogênese no BIODISPONIBILIDADE DE DETERMINADOS
cólon. Essa prevenção provavelmente ocorre através da MINERAIS E A INFLUÊNCIA SOBRE O
modificação da microbiota do cólon (Kaur, Gupta, 2002; METABOLISMO LIPÍDICO
Roberfroid, 2002). Entretanto, não há evidências em huma-
nos de que os prebióticos sejam capazes de prevenir a Diversos estudos com ratos e hamsters e alguns com
iniciação do câncer de cólon (Wollowski, Rechkemmer, humanos mostraram que a oligofrutose e/ou inulina aumenta
Pool-Zobel, 2001). a biodisponibilidade de cálcio (Roberfroid, 2002). O aumento
O mecanismo através do qual os probióticos poderi- da biodisponibilidade do cálcio poderia ser devido à transfe-
am inibir o desenvolvimento de câncer de cólon ainda são rência desse mineral do intestino delgado para o grosso e do
desconhecidos. Entretanto, vários mecanismos de atuação efeito osmótico da inulina e da oligofrutose, o qual resulta-
são sugeridos, incluindo o estímulo da resposta imune do ria na transferência de água para o intestino grosso, permi-
hospedeiro, a ligação e a degradação de compostos com tindo, assim, que o cálcio se torne mais solúvel. A melhor
potencial carcinogênico, alterações qualitativas e/ou quan- biodisponibilidade do cálcio no cólon poderia ser, também,
titativas na microbiota intestinal envolvidas na produção de resultante da hidrólise do complexo cálcio-fitato, por ação de
carcinógenos e de promotores (ex: degradação de ácidos fitases liberadoras de cálcio bacterianas. A melhor absorção
biliares), produção de compostos antitumorígenos ou foi associada à diminuição de pH nos conteúdos do íleo, ceco
antimutagênicos no cólon, alteração da atividade metabóli- e cólon. Essa diminuição resulta em aumento na concentra-
ca da microbiota intestinal, alteração das condições físico- ção de minerais ionizados, condição esta que facilita a difu-
químicas do cólon e efeitos sobre a fisiologia do hospedeiro são passiva, a hipertrofia das paredes do ceco e o aumento
(Hirayama, Rafter, 2000; Rafter, 2003). As bifidobactérias, da concentração de ácidos graxos voláteis, sais biliares,
que colonizam o cólon em detrimento dos enteropatógenos, cálcio, fósforo, fosfato e, em menor grau, magnésio, no ceco
podem ligar-se ao carcinógeno final, promovendo sua remo- (Kaur, Gupta, 2002).
ção através das fezes (Kaur, Gupta, 2002). Enquanto o efeito sobre a colesterolemia é controver-
so, o efeito hipolipidêmico da inulina e da oligofrutose foi
EFEITOS FISIOLÓGICOS DOS PRODUTOS DE observado em alguns estudos com ratos. Dados experimen-
FERMENTAÇÃO DOS PREBIÓTICOS NO tais conduziram à formulação da hipótese de que os fruto-
TRATO GASTRINTESTINAL. OS PREBIÓTICOS oligossacarídeos poderiam reduzir a capacidade lipogênica
E A CONSTIPAÇÃO INTESTINAL hepática, através da inibição da expressão gênica das
enzimas lipogênicas, resultando em secreção reduzida de
A inulina e a oligofrutose são ingredientes com baixo lipoproteínas de muito baixa densidade (VLDL)-
valor energético e, conseqüentemente, de baixo valor calórico triacilglicerol. Essa inibição poderia ser conseguida via pro-
(1 a 2 kcal/g), sendo utilizados em dietas de pessoas obesas. dução de ácidos graxos de cadeia curta ou via modulação
Estudos in vivo realizados em animais mostraram que a da insulinemia, através de mecanismos ainda não identifica-
suplementação da dieta com frutanos do tipo inulina diminuiu dos, mas que estão sendo investigados (Roberfroid, 2002;
o pH do ceco e aumentou o tamanho do seu pool de ácidos Kaur, Gupta, 2002; Delzenne et al., 2002).
graxos de cadeia curta, predominando o acetato, seguido do Por outro lado, deve ser salientado que tentativas de
butirato e do propionato. Possivelmente, esse aumento está reproduzir efeitos similares aos observados em ratos, em
relacionado ao efeito dos frutanos sobre o tecido intestinal, humanos, com a administração de inulina e oligofrutose,
levando a hiperplasia da mucosa e ao aumento da espessura geraram resultados conflitantes (Williams, Jackson, 2002).
da parede, tanto no intestino delgado quanto no ceco, fenôme- Essa disparidade de resultados poderia ser atribuída ao
nos estes que são acompanhados de um aumento no fluxo san- emprego de doses bastante inferiores nesses estudos, uma
guíneo (Kaur, Gupta, 2002). vez que grande parte dos indivíduos apresentava sintomas
Muitos fatores contribuem para o desenvolvimento gastrintestinais adversos, com o consumo diário de doses
de constipação intestinal, particularmente no envelheci- superiores a 30 g de inulina. Deste modo, estudos futuros
mento, como mudanças na dieta e na ingestão de fluidos, sobre o efeito hipolipidêmico da inulina em humanos deve-
diminuição na ingestão de produtos contendo fibras, rão levar em conta as características dos indivíduos seleci-
ingestão de medicamentos, diminuição da motilidade intes- onados, a duração do estudo e o histórico do indivíduo em
tinal e inatividade física. Diversos estudos em humanos termos de dieta, uma vez que essas são importantes variá-
sugerem que a fermentação de carboidratos estimula a veis que podem exercer influências consideráveis sobre as
motilidade do cólon (Kaur, Gupta, 2002). enzimas (Kaur, Gupta, 2002).
10 S. M. I. Saad

OS PREBIÓTICOS E A EXCREÇÃO DE uso humano, o histórico de não patogenicidade e não es-


NITROGÊNIO E A GLICEMIA tarem associadas a outras doenças, tais como endocardite,
além da ausência de genes determinantes da resistência
Estudos em ratos mostraram que o consumo de aos antibióticos (Collins, Thornton, Sullivan, 1998; Lee et
inulina e oligofrutose reduz a uremia e transfere boa par- al., 1999; Saarela et al., 2000; Stanton et al., 2003).
te da excreção de nitrogênio do rim para o cólon. Entretan- Entretanto, deve ser salientado que os probióticos
to, a extrapolação desses resultados para o que ocorre no devem, necessariamente, resultar em efeitos benéficos
homem é questionável, tendo em vista as diferenças na mensuráveis sobre a saúde, substanciados por estudos
estrutura do trato digestivo e na microbiota do cólon (Kaur, conduzidos no hospedeiro ao qual ele se destina. Em ou-
Gupta, 2002). tras palavras, probióticos destinados para o uso em huma-
O efeito da inulina e da oligofrutose sobre a glicemia nos requerem comprovação da eficácia através de ensai-
e a insulinemia ainda não foi elucidado e os dados dispo- os em humanos (Food and Agriculture Organization of
níveis a esse respeito são, algumas vezes, contraditórios, United Nations; World Health Organization, 2001; Sanders,
indicando que esses efeitos dependem da condição fisio- 2003). Outrossim, um critério definitivo para a seleção de
lógica (em jejum ou estado pós-prandial) ou de doença cepas probióticas irá depender da indicação clínica, além
(diabetes). É possível que, como ocorre no caso de outras de considerações de segurança ou biológicas, como a
fibras, a inulina e a oligofrutose influenciem na absorção capacidade de sobreviver ao trânsito gastrintestinal e a
de macronutrientes, especialmente de carboidratos, retar- tolerância à acidez e à bile. Adicionalmente, não se pode
dando o esvaziamento gástrico e/ou diminuindo o tempo de aceitar o fato de que uma determinada cepa probiótica
trânsito no intestino delgado. Adicionalmente, uma será efetiva para todos os indivíduos ou mesmo para um
gliconeogênese induzida por inulina e oligofrutose poderia mesmo indivíduo em diferentes fases de uma doença
ser mediada por ácidos graxos de cadeia curta, especial- (Shanahan, 2002).
mente o propionato (Kaur, Gupta, 2002).
CRITÉRIOS PARA A ESCOLHA DE
FREQÜÊNCIA E DOSE DE INGESTÃO DE PROBIÓTICOS PARA A FABRICAÇÃO DE UM
PROBIÓTICOS E PREBIÓTICOS. PRINCIPAIS PRODUTO ALIMENTÍCIO
CRITÉRIOS PARA A SELEÇÃO DE
PROBIÓTICOS O potencial probiótico pode diferir até mesmo para
diferentes cepas de uma mesma espécie. Cepas de uma
Para garantir um efeito contínuo, tanto os probióticos mesma espécie são incomparáveis e podem possuir áre-
quanto os prebióticos devem ser ingeridos diariamente. Alte- as de aderência distintas, efeitos imunológicos específicos
rações favoráveis na composição da microbiota intestinal e seus mecanismos de ação sobre a mucosa saudável e a
foram observadas com doses de 100 g de produto alimentí- inflamada podem ser distintos (Isolauri, Salminen,
cio contendo 109 unidades formadoras de colônias (ufc) de Ouwehand, 2004).
microrganismos probióticos (107 ufc/g de produto) e com Para a utilização de culturas probióticas na tecnologia
doses de 5 a 20 g de inulina e/ou oligofrutose, geralmente com de fabricação de produtos alimentícios, além da seleção de
a administração durante o período de 15 dias. Assim sendo, cepas probióticas para uso em humanos, através dos critéri-
para serem de importância fisiológica ao consumidor, os os mencionados anteriormente, as culturas devem ser empre-
probióticos devem alcançar populações acima de 106 a 107 gadas com base no seu desempenho tecnológico. Culturas
ufc/g ou mL de bioproduto. Para garantirem o estímulo da probióticas com boas propriedades tecnológicas devem apre-
multiplicação de bifidobactérias no cólon, doses diárias de 4 sentar boa multiplicação no leite, promover propriedades
a 5 g de inulina e/ou oligofrutose são eficientes (Jelen, Lutz, sensoriais adequadas no produto e ser estáveis e viáveis
1998; Charteris et al., 1998; Niness, 1999; Roberfroid, 1999). durante armazenamento. Desta forma, podem ser manipula-
A seleção de bactérias probióticas tem como base os das e incorporadas em produtos alimentícios sem perder a
seguintes critérios preferenciais: o gênero ao qual perten- viabilidade e a funcionalidade, resultando em produtos com
ce a bactéria ser de origem humana, a estabilidade frente textura e aroma adequados (Oliveira et al., 2002). Além dis-
a ácido e a bile, a capacidade de aderir à mucosa intesti- so, com relação às perspectivas de processamento de alimen-
nal e de colonizar, ao menos temporariamente, o trato tos, é desejável que essas cepas sejam apropriadas para a
gastrintestinal humano, a capacidade de produzir compos- produção industrial em larga escala, resistindo a condições de
tos antimicrobianos e ser metabolicamente ativo no intes- processamento como a liofilização ou secagem por “spray
tino. Outros critérios fundamentais são: a segurança para drying” (Stanton et al., 2003).
Probióticos e prebióticos: o estado da arte 11

Uma seleção adequada de cepas deve ser conduzida (Buriti et al., 2005a; Buriti, Rocha, Saad, 2005b).
para o processamento de produtos lácteos probióticos Entretanto, é importante salientar que um produto
(Vinderola, Reinheimer, 2003). A sobrevivência das bac- probiótico deve conter uma ou mais cepas bem definidas,
térias probióticas no produto alimentício é fundamental, uma vez que os efeitos probióticos são específicos para
necessitando alcançar populações suficientemente eleva- determinadas cepas em especial. Assim sendo, a validação
das (tipicamente acima de 106 UFC/ml ou g) para ser de da função probiótica ou o monitoramento do impacto
importância fisiológica ao consumidor (Jelen, Lutz, 1998). probiótico de uma preparação de microrganismos com uma
O consumo de quantidades adequadas dos microrganismos composição desconhecida é cientificamente inaceitável
probióticos desejados nos bioprodutos (109 a 1010 UFC / (Sanders, 2003).
100 g de produto) são suficientes para a manutenção das Os frutanos são não cariogênicos, uma vez que não
concentrações ativas fisiologicamente (quantidade intes- são utilizados como substrato por Streptococcus mutans,
tinal de 106 a 107 UFC/g) in vivo (Charteris et al., 1998). microrganismo responsável pelo aparecimento de cárie.
Esses alimentos devem permanecer com algumas Em virtude de possuírem cadeias de diferentes tamanhos,
características inalteradas após a adição do microrganis- a inulina e a oligofrutose conferem propriedades distintas
mo para serem considerados probióticos como, por exem- aos produtos alimentícios aos quais são adicionadas (Kaur,
plo, conter pelo menos 107 UFC/g de bactérias probióticas Gupta, 2002).
viáveis no momento da compra do produto. Esta é uma A oligofrutose, composta de oligômeros de cadeias
concentração recomendada por alguns autores (Rybka, curtas, possui propriedades similares às do açúcar e de
Fleet, 1997; Vinderola, Reinheimer, 2000). Entretanto, xaropes de glicose, apresentando 30 a 50% do poder
vários autores propõem que a dose mínima diária da cul- adoçante e maior solubilidade que o açúcar. Sendo assim,
tura probiótica considerada terapêutica seja de 108 e 109 esse frutano é freqüentemente empregado em conjunto
UFC, o que corresponde ao consumo de 100 g de produto com edulcorantes de alto poder adoçante, para substituir
contendo 10 6 a 10 7 UFC/g (Lee, Salminen, 1995; o açúcar, resultando em um perfil adoçante bem balance-
Blanchette et al., 1996; Hoier et al., 1999). ado. A oligofrutose também é utilizada no sentido de con-
ferir consistência a produtos lácteos, maciez a produtos de
PRINCIPAIS APLICAÇÕES DE PROBIÓTICOS E panificação, diminuir o ponto de congelamento de sobre-
PREBIÓTICOS NA INDÚSTRIA DE ALIMENTOS mesas congeladas, conferir crocância a biscoitos com
baixo teor de gordura e, além disso, substituir o açúcar
Inúmeros lacticínios probióticos são disponíveis comer- também no sentido de atuar como ligante em barras de
cialmente e a variedade desses produtos continua em expan- cereais (Kaur, Gupta, 2002).
são (Stanton et al., 2003). Muita pesquisa em termos de Constituída de cadeias longas, a inulina é menos
probióticos encontra-se voltada para produtos como leites solúvel que a oligofrutose e, quando dispersa na água ou no
fermentados e iogurtes, sendo estes os principais produtos leite, forma microcristais que interagem para dar origem a
comercializados no mundo, contendo culturas probióticas. uma textura cremosa. Conseqüentemente, é empregada
Outros produtos comerciais contendo essas culturas incluem como substituto de gordura em produtos lácteos, patês,
sobremesas à base de leite, leite em pó destinado a recém- molhos, recheios, coberturas, sobremesas congeladas e
nascidos, sorvetes, sorvetes de iogurte e diversos tipos de produtos de panificação (Kaur, Gupta, 2002).
queijo, além de produtos na fórmula de cápsulas ou produtos
em pó para serem dissolvidos em bebidas frias, alimentos de POSSÍVEIS EFEITOS ADVERSOS DOS
origem vegetal fermentados e maionese (Stanton et al., 1998; PREBIÓTICOS E PROBIÓTICOS
Gardiner et al., 1999; Ingham, 1999; Davidson et al., 2000;
Oliveira et al., 2002; Stanton et al., 2003). Testes padrões de toxicidade, conduzidos com
Diversos tipos de queijo foram testados como veícu- frutanos do tipo inulina em doses bastante superiores às re-
los para cepas probióticas de Lactobacillus e de comendadas, não detectaram evidências de toxicidade,
Bifidobacterium, revelando-se apropriados, entre eles, o carcinogenicidade ou genotoxicidade. Assim como no
Cheddar (Dinakar, Mistry, 1994; Gardiner et al., 1998; Mc caso dos demais tipos de fibra, o consumo de quantidades
Brearty et al., 2001), o Gouda (Gomes, Vieira, Malcata, excessivas de prebióticos pode resultar em diarréia,
1998); o Crescenza (Gobbetti et al., 1997), o Árzúa-Ulloa flatulência, cólicas, inchaço e distensão abdominal, estado
(Menéndez et al., 2000), o Caciocavallo Pugliese (Gobbetti este reversível com a interrupção da ingestão. Entretanto,
et al., 2002) e queijos frescos (Roy, Mainville, Mondou, a dose de intolerância é bastante alta, permitindo uma faixa
1997; Vinderola et al., 2000), incluindo o Minas frescal de dose terapêutica bastante ampla. Além disso, esses
12 S. M. I. Saad

sintomas gastrintestinais subjetivos são dificilmente interação entre os compostos vegetais não-digeríveis,
mensuráveis (Carabin, Flamm, 1999; Holzapfel, Schillinger, seus metabólitos intestinais, a microbiota intestinal e o
2002). Quanto aos probióticos, estudos clínicos controla- hospedeiro abrirá novas possibilidades de produzir no-
dos com lactobacilos e bifidobactérias não revelaram efei- vos ingredientes para produtos alimentícios nutricio-
tos maléficos causados por esses microrganismos. Efeitos nalmente otimizados que promovem a saúde do hospe-
benéficos causados por essas bactérias foram observados deiro, através de reações microbianas no intestino.
durante o tratamento de infecções intestinais, incluindo a
estabilização da barreira da mucosa intestinal, prevenção AGRADECIMENTOS
da diarréia e melhora da diarréia infantil e da associada ao
uso de antibióticos (Lee et al., 1999). A autora agradece à Fundação de Amparo à Pesqui-
Paralelamente, apesar de muitas cepas de bactérias sa do Estado de São Paulo pelo auxílio financeiro (Proces-
láticas, particularmente as de Lactobacillus spp., serem re- so 03/13748-1).
sistentes a determinados antibióticos, essa resistência normal-
mente não é mediada por plasmídios, não sendo transmissível. ABSTRACT
Entretanto, há descrição de cepas portadoras de plasmídios
de resistência, particularmente cepas de Enterococcus resis- Probiotics and Prebiotics: the state of the art
tentes à vancomicina. Cepas com plasmídios de resistência
não devem ser empregadas como probióticos humanos ou The gut microbiota plays an important role in both human
animais, por serem, possivelmente, capazes de transmitir os health and disease, and the supplementation of the diet
fatores de resistência para bactérias patogênicas, dificultan- with probiotics and prebiotics may ensure an appropriate
do a cura de infecções (Salminen et al., 1998; O´Brien et al., equilibrium of this microbiota. Probiotics are live
1999; Saarela et al., 2000). microorganisms that, when administered in adequate
Apesar das culturas probióticas de Lactobacillus amounts, confer a health benefit on the host. Prebiotics
spp. e de Bifidobacterium spp. serem consideradas segu- are nondigestible carbohydrates that beneficially affect
ras (GRAS - “generally recognized as safe”), é necessá- the host by selectively stimulating the growth and/or
ria a determinação da segurança na utilização da cepa antes activity of a limited number of bacteria present in the
do lançamento e da divulgação de um novo produto. As- colon. A product referred as symbiotic is one in which
sim, uma avaliação crítica da segurança tornará os bene- probiotics and prebiotics are combined. This article
fícios dos probióticos acessíveis ao consumidor (Salminen presents the state of the art about probiotics and
et al., 1998; O’Brien et al., 1999). prebiotics, reporting new concepts, the benefits these food
ingredients provide for the human health, and the possible
CONCLUSÃO mechanisms involved, discussing health claims attributed
to them, and pointing out recent findings reported, based
Uma microbiota intestinal saudável e microeco- on experimental scientific evidence. Other aspects, such
logicamente equilibrada resulta em um desempenho as selection and applications of probiotics and prebiotics
normal das funções fisiológicas do hospedeiro, o que irá are also discussed.
assegurar melhoria na qualidade de vida do indivíduo.
Este resultado é de suma importância, particularmente UNITERMS: Probiotics. Prebiotics. Functional food.
nos dias de hoje, em que a expectativa de vida aumen- Lactobacillus. Bifidobacterium. Oligosaccharides.
ta exponencialmente. O papel direto dos microrganis-
mos probióticos e indireto dos ingredientes prebióticos, REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
no sentido de propiciar, no campo da nutrição preven-
tiva, essa microbiota intestinal saudável e equilibrada ao BIEDRZYCKA, E.; BIELECKA, M. Prebiotic effectiveness
hospedeiro, já está bem estabelecido. O efeito dos mi- of fructans of different degrees of polymerization. Trends
crorganismos probióticos e dos ingredientes prebióticos Food Sci. Technol., Amsterdam, v.15, p.170-175, 2004.
pode ser potencializado, através de sua associação,
dando origem aos alimentos funcionais simbióticos. BIELECKA, M.; BIEDRZYCKA, E.; MAJKOWSKA, A.
Apenas uma pequena fração dos mecanismos para a Selection of probiotics and prebiotics for synbiotics and
ocorrência dos efeitos probióticos e prebióticos foi confirmation of their in vivo effectiveness. Food Res. Int.,
elucidada. Entretanto, estudos nesse sentido são cada Amsterdam, v.35, n.2/3, p.125-131, 2002.
vez mais intensos. Melhor compreensão sobre a
Probióticos e prebióticos: o estado da arte 13

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