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Curso de Graduação em Engenharia Química

Análise e Otimização
de Processos Químicos
Capítulo 2
Introdução à Estimativa de Custos
Prof. Adilson J. de Assis
n
u
c
o
p
PI
15038
Universidade Federal de Uberlândia
Faculdade de Engenharia Química
Núcleo de Modelagem, Controle e Otimização de Processos
1 de abril de 2004
Conteúdo
2 Introdução à Estimativa de Custos 61
2.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61
2.2 Objetivos da Engenharia Econômica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62
2.3 Valor Temporal da Moeda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64
2.4 Medidas Quantitativas de Rentabilidade e Lucratividade . . . . . . . . . . 66
2.4.1 Tempo de Retorno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
2.4.2 Retorno do Investimento Original - ROI . . . . . . . . . . . . . . . 67
2.4.3 Valor Presente Líquido − NPV . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68
2.4.4 Taxa de Fluxo de Caixa Descontado ou Retorno − DCFRR . . . . 68
2.4.5 Preço de venda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
2.4.6 Lucro de risco ou Venture Profit - VP . . . . . . . . . . . . . . . . 70
2.4.7 Custo anualizado - C
A
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
2.4.8 Taxa de juro nominal e efetiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
2.4.9 Anuidades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
2.5 Estimativa de Custos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73
2.5.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73
2.5.2 Estimativa de Custos pelo Método Bare Module . . . . . . . . . . . 75
2.5.3 Estimativa de Custos de Capital Utilizando o CAPCOST . . . . . . 87
2.5.4 Fontes de Estimativa de Custos de Equipamentos . . . . . . . . . . 91
2.6 Comparação Sistemática de Alternativas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91
2.6.1 Única alternativa é: não faça nada . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92
2.6.2 Alternativas independentes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92
2.6.3 Alternativas mutuamente exclusivas . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92
2.6.4 Alternativas dependentes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93
2.7 Análise de Sensibilidade para Avaliação Econômica . . . . . . . . . . . . . 94
2.8 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95
2.9 Anexos - Figuras para Estimativa de Custo de Equipamentos . . . . . . . . 103
60
Capítulo 2
Introdução à Estimativa de Custos
2.1 Introdução
A estimativa de custos na análise e síntese de processos é uma atividade imprescindível.
Isto porque a decisão final acerca de qual alternativa de projeto escolher, após satisfeitas as
restrições técnicas, ambientais, logísticas, etc., será sempre tomada através de uma análise
econômica, que emprega conceitos da chamada Engenharia Econômica. As alternativas de
projeto podem ser em vários níveis, indo desde um simples equipamento, ou modificação
neste, passando por uma expansão em uma unidade, ou até uma planta inteira.
Este capítulo não possui a pretensão de esgotar o assunto. Na verdade, o objetivo aqui
é apresentar apenas uma introdução ao mesmo, já que este será visto em detalhes na
disciplina Planejamento Econômico de Indústrias Químicas.
Existem vários tipos de estimativa, dependendo da finalidade da mesma e do nível de
atualização do projeto:
1. Estimativa da ordem de grandeza: baseada no conhecimento de custos similares
de uma planta já existente. Os custos dos equipamentos são realizados usando
fatores de escala e correção com a inflação. Normalmente requer apenas o Diagrama
de Blocos do processo - precisão: ± 40%; Esforço: 1 (referência)
2. Estudo de estimativa: baseada no conhecimento dos principais equipamentos,
incluindo bombas, compressores, turbinas, colunas, vasos, aquecedores, trocadores
de calor. Cada equipamento é dimensionado de modo preliminar e o custo determi-
nado. Requer o PFD do processo e os custos são tomados a partir de gráficos ou
correlações - precisão: ± 25%; Esforço: 2 a 4
1
3. Estimativa preliminar: os equipamentos são dimensionados com mais precisão;
baseada em dados suficientes para fazer um orçamento: layout, tubulações, instru-
mentação, utilidades e eletricidade. Necessita do PFD, diagramas de elevação, etc.
- precisão: ± 12%; Esforço: 3 a 10
4. Estimativa definitiva: baseada em quase todos os dados finais: especificação
de todos os equipamentos, utilidades, instrumentação, eletricidade e facilidades.
Requer PFD final, desenhos dos vasos, diagramas de elevação, balanço de massa e
1
A maioria dos projetos individuais realizados por estudantes estão nesta categoria.
61
2.2. Objetivos da Engenharia Econômica ufu-fequi-nucop
energia, e P&ID preliminar; faltam apenas detalhes - precisão: ± 6%; Esforço: 5 a
20
5. Estimativa detalhada - engenharia completa do processo e todas as facilidades e
utilidades. Orçamento de todos os fornecedores dos equipamentos mais dispendiosos.
No fim desta etapa deve ser iniciada a construção. Requer o PFD e P&ID finais, e
todos os demais diagramas - precisão: ± 3%; Esforço: 10 a 100
2.2 Objetivos da Engenharia Econômica
O objetivo principal da Engenharia Econômica é avaliar alternativas de investimento.
Uma situação típica de alternativas é apresentada no exemplo que se segue.
Para resolver este problema, o quê é necessário saber?
• Conhecimento e habilidade para encontrar as possíveis possibilidades ou alternati-
vas:
1. Conhecimento técnico (tecnologia) de processos químicos: termodinâmica, fenô-
menos de transporte, operações unitárias, materiais de construção, etc.;
2. Criatividade (brainstorming);
• Conhecimento econômico para selecionar o melhor candidato:
1. Valor temporal da moeda: como comparar moeda ($) em tempos diferentes;
(GERAL
2
)
2. Medidas quantitativas de rentabilidade e lucratividade: como se de-
termina o lucro de um investimento; (GERAL)
3. Estimativa de custos: como determinar os custos antes da compra/aquisição
dos equipamentos; (ENGENHEIRO QUÍMICO)
4. Comparação sistemática de alternativas: como assegurar que seleciona-
mos o “melhor” investimento; (GERAL)
Embora os Engenheiros Químicos não tenhamos uma formação em Economia e Admi-
nistração, senão noções básicas destes assuntos, o conhecimento destas áreas é de suma
importância no dia-a-dia de uma indústria, já que a lucratividade e o estudo de novos in-
vestimentos dependem das variáveis micro e macro econômicas, nacionais e internacionais.
Assim, o profissional deve buscar em nível de pós-graduação uma formação complementar
nestas áreas, tanto em nível de mestrado (stricto sensu), quanto de especialização (lato
sensu ou os hoje muito comuns MBAs - “Mestre” em Administração de Negócios).
2
GERAL: pode ser realizado por um economista, contador, administrador, etc. Não constitui tarefa
exclusiva do engenheiro químico.
62
2.2. Objetivos da Engenharia Econômica ufu-fequi-nucop
Exemplo:
Após ser admitido em uma indústria, você recebe como primeira tarefa de seu chefe
imediato o seguinte problema:
Deseja-se aumentar a produção em 35% em um pro-
cesso, mas a coluna de destilação empregada está na
sua capacidade máxima. Avaliar as seguintes possíveis
alternativas e determinar a mais atraente do ponto de
vista econômico:
1. Construir uma outra torre de destilação em pa-
ralelo à existente;
2. Substituir os pratos por recheio na coluna exis-
tente;
3. Aumentar o número de pratos na coluna exis-
tente;
4. Contratar a produção extra de outra em-
presa/companhia;
Qual destas é a melhor escolha?
$ LUCRO
contrato 1
contrato 2
compostos químicos
de baixo valor
compostos químicos
de alto valor
$ LUCRO
investidor
investidor
produtor
produtor
BANCO
EMPRESA
PROJETO
Figura 2.1: Esquema típico de financiamento em uma indústria química (Turton, 2003)
63
2.3. Valor Temporal da Moeda ufu-fequi-nucop
3
Ao realizar um investimento necessita-se de capital. Geralmente tal capital é captado
nos bancos através do sistema de lançar ações no mercado. A Figura 2.1 mostra o esquema
geral do fluxo de investimento e de produção. A partir de uma idéia (projeto), estabelece-
se um acordo com uma companhia que deseja utilizar tal idéia, no caso a agregação de
valor a uma substância química, que por sua vez capta no mercado financeiro os recuros
necessários para implementar o projeto. Após entrar em operação, os lucros são divididos
entre a empresa e o financiador.
A seguir, será detalhado um pouco mais cada um dos quatro itens anteriores.
2.3 Valor Temporal da Moeda
Por quê há um valor temporal (ou valor no tempo) da moeda?
Quem possui a moeda (capital) necessita condescender (permitir) sua utilização por ter-
ceiros. Então, a pessoa usando o capital necessita pagar para auferir o benefício. A isto
se chama JURO. Além dos juros, a moeda tem seu valor alterado com o tempo devido
à inflação, cuja taxa depende de variáveis micro e macroeconômicas, sendo ditada por
complexas relações de mercado, envolvendo dentre outras coisas a lei de oferta e procura.
Como caracterizar o valor da moeda no tempo?
A forma mais simples é usar uma taxa de juro, de tal modo que o efeito do tempo seja
proporcional ao montante de dinheiro envolvido. Em empresas, é comum trabalhar com
o conceito de fluxo de caixa, o qual é uma planilha de entradas e saídas de capital.
Símbolos comuns em fluxo de caixa:
P - valor presente
F - valor futuro
i - taxa de juro (do Inglês: interest)
n - número de períodos de tempo
O fluxo de caixa ($) em cada período de tempo do investimento está mostrado na Fi-
gura 2.2.
positivo
negativo
tempo
0 1
2
3 4
5
6 ...
Figura 2.2: Fluxo de caixa para um investimento
Exemplo 1: Dado o montante P, qual será seu valor futuro, após um período de tempo,
se ele for investido a uma taxa de juros i?
3
Turton, R., Bailie, R. C., Whiting, W. B., Shaeiwitz, J. A. Analysis, synthesis, and design of
chemical processes. 2a. ed, Prentice-Hall, 2003
64
2.3. Valor Temporal da Moeda ufu-fequi-nucop
0 1
2
P
F=?
F = P + P.i ou
F = P(1+i)
Exemplo 2: Determinar a relação entre P e F para n períodos de tempo, com juro com-
posto.
0 1
2
P
... n
F=?
F = P(1 + 1)
n
ou
P =
F
(1 +i)
n
= F(1 +i)
−n
Como a moeda possui um valor que depende do tempo, o dinheiro no futuro possui menor
valor, devido à inflação. Este decréscimo é caracterizado como o “valor da moeda”, o que
está representado na Figura 2.3.
$
$
$
Figura 2.3: Representação do valor temporal da moeda
Para um investimento ser compensador, a entrada líquida no futuro necessita ser maior
que o gasto ou dispêndio original.
Observação importante: Como a moeda possui valor diferente no tempo, iremos
expressar valores para diferentes investimentos no mesmo período de tempo, para o
propósito de comparação. Caso contrário, não poderíamos comparar qual investimento
seria melhor, se o tempo não fosse o mesmo. Em geral, comparam-se investimentos
65
2.4. Medidas Quantitativas de Rentabilidade e Lucratividade ufu-fequi-nucop
numa base de tempo anual, e, por isso, chama-se valor anualizado. Também é usual
representar todos os investimentos no tempo corrente, ou seja, quando o investimento
é ao longo de um certo tempo, maior que a base de tempo, corrige-se o valor para o
presente, tendo então o que é conhecido como sendo valor presente.
Este procedimento está ilustrado na Figura 2.4, cujo valor presente é dado por:
P =
C
1
(i + 1)
+
C
2
(i + 2)
2
+
C
3
(i + 3)
3
+
C
4
(i + 4)
4
que é o somatório de cada parcela C
n
corrigida para o presente, neste caso n = 4.
0
C
1
C
2
C
3
C
4
Figura 2.4: Equalização dos períodos de tempo para um investimento.
Observações:
• Há inúmeras tabelas que relacionam P, F e valores anuais, para taxas de juros e
períodos especificados; ver por exemplo Secção 9 do Perry (7
a
edição);
• Muitos projetos possuem fluxo de caixa desiguais. Os cálculos de valores no tempo
são facilmente realizados utilizando planilhas eletrônicas, tais como Excel (Microsoft
TM
),
Calc (OpenOffice
TM
)
4
, etc.;
• Estes conceitos são úteis também nas finanças pessoais (taxa de amortização, em-
préstimo de cartão de crédito, financiamentos, etc.).
2.4 Medidas Quantitativas de Rentabilidade e Lucrati-
vidade
Quando se deseja investir um montante de capital, há inúmeras possibilidades: investi-
mento no mercado financeiro, construção de uma unidade industrial, expansão de uma
unidade existente, etc. Como decidir qual investimento será o melhor? Assim sendo:
4
O pacote OpenOffice
TM
é equivalente ao Office da Microsoft
TM
, porém é gratuito e pode ser baixado
a partir do sítio www.openoffice.org na versão em Inglês, sendo que há também a versão em Português.
66
2.4. Medidas Quantitativas de Rentabilidade e Lucratividade ufu-fequi-nucop
• Necessitamos de um método sistemático para COMPARAR custos e entradas em
tempos diferentes;
• Necessitamos comparar a rentabilidade do projeto com um padrão ou desempenho
aceitável mínimo;
• Várias medidas são utilizadas: algumas são úteis e usadas comumente; algumas não
são recomendadas, mas são usadas.
Exemplo:
Podemos investir capital dando um retorno anual (a juro composto) de 15%. O projeto
seguinte é rentável? Podemos investir?
PERÍODO FLUXO DE CAIXA ($)
0 -91.093,00
1 20.000,00
2 40.000,00
3 40.000,00
4 40.000,00
5 30.000,00
O fluxo de caixa representa a quantidade líquida na empresa. Perceber que o fluxo de
caixa no instante de tempo igual a zero corresponde ao investimento inicial, e, por ser
uma saída, possui valor negativo; os valores que se seguem representam os lucros (receitas
- custos
5
) anuais.
2.4.1 Tempo de Retorno
Esta medida é comumente usada como uma avaliação rápida e grosseira da rentabilidade.
Também é chamada de Tempo de Pagamento (Payout Time). O Tempo de Retorno é
definido em unidade de tempo (meses ou anos):
Tempo de retorno =
investimento
lucro anual (sem impostos) + depreciação
Exemplo: Qual é o tempo de retorno de um projeto que envolve um investimento ori-
ginal de $ 91000 e produzirá um lucro anual (fluxo de caixa positivo) de $ 30000, sem
depreciação.
Tempo de retorno = 91000/30000 3 anos
OBS: não foi considerado o valor monetário no tempo.
2.4.2 Retorno do Investimento Original - ROI
Possui um cálculo simples e possui valores típicos de 15 ou 30%, antes dos impostos. É
definido como:
ROI =
lucro anual médio
capital fixo + capital de trabalho
5
receitas: entradas brutas de capital; custos: de capital e de manutenção.
67
2.4. Medidas Quantitativas de Rentabilidade e Lucratividade ufu-fequi-nucop
expresso em unidades de %/ano.
Exemplo: Calcular o ROI para um projeto com capital fixo de 91 k$, sem capital de
trabalho, e um lucro anual médio de 34 k$.
ROI = 34/91 ×100 37%
2.4.3 Valor Presente Líquido − NPV
O NPV
6
considera explicitamente um valor específico de moeda. É definido como sendo
o valor presente de todos os fluxos de caixa, sendo que para N períodos componentes na
vida do projeto, com fluxo de caixa em cada período dado por C, o NPV é calculado como
sendo:
NPV =
N

n=1
C
n
/(1 +i)
n
=
N

n=1
C
n
(1 +i)
−n
Exemplo: Considere o exemplo da página 67, item 2.4. Calcule o NPV para este projeto
a um juro de 15% a.a.:
NPV = −91 + 20/1, 15 + 40/(1, 15)
2
+. . . = 0
O que significa um NPV igual a zero? Para uma empresa, interessam as entradas antes
ou depois do NPV zerar?
Quanto maior o NPV para os lucros melhor; o contrário é desejável para os custos.
2.4.4 Taxa de Fluxo de Caixa Descontado ou Retorno − DCFRR
O DCFRR
7
também é chamado de Fluxo de Caixa Descontado (DCF) ou Taxa Interna
de Retorno (IRR) e é definido como a taxa de juro que resulta em um NPV igual a zero
(NPV = 0):
NPV =
N

n=1
C
n
(1 +i)
−n
= 0
Perceber que quanto maior a Taxa de Retorno, melhor será o investimento, pois isto
significa que o investimeneto se pagará mais rapidamente. O mesmo é válido quando se
compara a Taxa de Retorno com as taxas pagas pelo mercado financeiro. Isto porque um
investimento só é compensador se este prover uma Taxa de Retorno maior que a taxa
de juros oferecida pelo mercado financeiro! No exemplo anterior, verificou-se que a taxa
de juro que zerou o NPV foi a de 15%. Isto significa que DCFRR = i = 0,15 ou 15%.
Utilizando o mesmo exemplo, verifique o NPV para valores maiores e menores de i, para
um tempo fixo e comparar com o NPV obtido usando a taxa de juros paga pela poupança,
em valor anual. A poupança geralmente é o investimento padrão do mercado financeiro
pela sua garantia governamental até certo valor, embora há outros que ofereçam mair
taxa de retorno, porém com maior risco.
ALGUMAS QUESTÕES PARA REFLEXÃO:
6
Net Present Value
7
Discounted Cash Flow Rate or Return
68
2.4. Medidas Quantitativas de Rentabilidade e Lucratividade ufu-fequi-nucop
• Como a inflação afeta as análises anteriores?
• Como a depreciação afeta estes cálculos?
• Como os impostos governamentais afetam estes cálculos?
Exemplo: Comparação de Projetos
Considere dois investimentos, ambos com 5 anos de vida útil, a serem avaliados, antes dos
impostos.
A B
Capital, fixo + trabalho 3 ×10
6
3 ×10
5
Receita, antes dos impostos ($/ano) 1 ×10
6
2 ×10
5
Projeto A:
NPV = −3 ×10
6
+
10
6
(1 +i)
1
+
10
6
(1 +i)
2
+
10
6
(1 +i)
3
+
10
6
(1 +i)
4
+
10
6
(1 +i)
5
Projeto A:
NPV = −3 ×10
5
+
2 ×10
5
(1 +i)
1
+
2 ×10
5
(1 +i)
2
+
2 ×10
5
(1 +i)
3
+
2 ×10
5
(1 +i)
4
+
2 ×10
5
(1 +i)
5
Assim:
A B
i = 10% 790.800 458.200
i = 20% -9.387 298.120
i*(NPV=0) 19% 60%
Perceber que para a taxa de 10%, o projeto A é superior, sendo que o inverso acontece
para a taxa de 20%. Portanto, a superioridade do projeto dependerá da taxa de juros
selecionada. Neste caso, a taxa de retorno é de 19% para o investimento A e de 60% para
o investimento B. Além disto, uma alta taxa de retorno favorece projetos com pagamentos
de receitas no início. Observar que a receita do projeto A corresponde a 33,3% do capital
investido e do projeto B 66%. Na prática, fica o desafio de conseguir projetos com altas
taxas de retorno, o que é o desejo de todo investidor.
Comparação de projetos com tempo de vida diferentes - alternativas possíveis:
• Coloque a vida útil de ambos os projetos na mesma base de tempo (mínimo
múltiplo comum) e calcule o NPV;
• Converta todas as receitas e custos para uma base anualizada.
No exemplo anterior, usando uma base anualizada:
69
2.4. Medidas Quantitativas de Rentabilidade e Lucratividade ufu-fequi-nucop
A B
i = 10% 208.600 120.870
i = 20% -3.139 99.685
Para projetos com o mesmo tempo de vida, as conclusões são as mesmas calculadas pelo
NPV com i fixo.
• Estudar o exemplo 10.9, página 394 do Seider.
2.4.5 Preço de venda
Pode ser calculado utilizando um desejado retorno do investimento. Valor típico: 20%
2.4.6 Lucro de risco ou Venture Profit - VP
V P = S −COS −impostos governamentais −r C
TCI
onde:
S = preço de venda
COS = custos (matéria prima, utilidades, etc.)
r = retorno do investimento (tipicamente r = 20%)
C
TCI
= custo de capital total investido
2.4.7 Custo anualizado - C
A
C
A
= r C
TCI
+COS
2.4.8 Taxa de juro nominal e efetiva
Taxa de juro nominal: r = i.m, onde
m = número de períodos por ano e
r = juro por unidade do principal por ano, sem composição
r i
eff
≡ taxa de juro efetiva
Capital após um ano:
S
1
= P(1 +i)
m
S
1
= P(1 +r/m)
m
S
1
= P(1 +i
eff
)
Portanto:
i
eff
=
_
1 +
r
m
_
m
−1
Exemplo: A taxa de juro é de 3% por semestre (ou 6% a.a., composta semestralmente).
Determine a taxa de juro efetiva e a nominal por ano.
r = 0, 03 ×2 = 0, 06 ⇒ taxa nominal
i
eff
=
_
1 +
0,06
2
_
2
−1 = 0, 0609 ⇒ taxa efetiva
70
2.4. Medidas Quantitativas de Rentabilidade e Lucratividade ufu-fequi-nucop
2.4.9 Anuidades
São pagamentos iguais durante um certo tempo, a juro composto, em intervalos de tempo
iguais. Sendo R ≡ pagamentos uniformes pagos regularmente:
S = R(1 +i)
n−1
+R(1 +i)
n−2
+R(1 +i)
n−3
+. . . +R(1 +i) +R
a primeira parcela da expressão é o 1
o
pagamento, no fim do período, que rende (n-1)
períodos; a última parcela da expressão corresponde ao último pagamento, e, portanto,
não rende juros. Multiplicando a expressão anterior por (i+1), obtemos:
S(1 +i) = R(1 +i)
n
+R(1 +i)
n−1
+. . . +R(1 +i)
2
+R(1 +i)
Subtraindo uma expressão da outra, obtemos:
S.i = R(1 +i)
n
−R
ou:
S = R
_
(1 +i)
n
−1
i
_
Sendo S o valor no futuro dos pagamentos iguais capitalizados ao longo do tempo (também
representado como F):
F = S = P(1 +i)
n
As duas expressões anteriores permitem eliminar a variável S, por substituição, obtendo
assim uma expressão que relaciona o valor presente (calculado na estimativa de custos)
com as parcelas iguais R, pagas regularmente quando se faz um investimento:
R
_
(1 +i)
n
−1
i
_
= P(1 +i)
n
ou
R = P
_
i(1 +i)
n
(1 +i)
n
−1
_
Perceber que nesta expressão, o valor da prestação R é dado pela multiplicação do valor
presente P por um fator [. . .] que depende somente da taxa de juros e do tempo. É
comum nas lojas que vendem bens financiáveis ver uma tabela colada atrás da calcula-
dora do vendedor com duas colunas: tempo versus “fator de multiplicação”; este fator de
multiplicação é justamente a quantia calculada em [. . .], para uma dada taxa de juros que
a loja cobra pelo financiamento.
Exemplo: Deseja-se obter o montante de R$ 20.000,00 ao fim de 2 anos. Com juro com-
posto de 1% ao mês, quanto se deve economizar mensalmente para se obter o montante
desejado ao fim do período?
i = 0,01
n = 2 × 12 = 24
20.000 = R
_
(1 + 0, 01)
24
−1
0, 01
_
∴ R = R$ 741,47
71
2.4. Medidas Quantitativas de Rentabilidade e Lucratividade ufu-fequi-nucop
Perceber que se não houvesse juro, R$ 741,47 × 24 = R$ 17.745,27; quantia bem menor
que a desejada!
Exemplo: Duas alternativas de bombas, A (aço-carbono) e B (alumínio), estão sendo con-
sideradas. As duas possuem custo instalado, manutenção, valor de venda como sucata
e tempo de vida diferentes. Deseja-se selecionar uma das bombas com base no valor
presente quando taxa de juro efetiva é de 10%.
A B
custo instalado $ 18.000 $ 25.000
manutenção anual 4.000 3.000
valor de venda (suc.) 500 1.500
vida útil 2 anos 3 anos
Solução:
6 anos é o menor período de tempo (mínimo múltiplo comum entre 2 e 3) no qual podem
ser comparadas, em uma base comum; a bomba A, neste período, será trocada 2 vezes e
vendida 3 vezes; a bomba B será trocada 1 vez e vendida 2 vezes; observar que o custo de
manutenção aparece mesmo no fim do ano de troca, pois ele se refere ao período anterior.
Assim, o custo de manutenção constitui uma anuidade a ser paga de $ 4.000,00, com taxa
de juro de 1% a.a., durante 6 anos. O Valor Presente da Bomba A (P
A
) será dado por
(ver Figura 2.5):
P
A
= −18000 −4000
_
(1 + 0, 1)
6
−1
0, 1(1 + 0, 1)
6
_

17500
(1, 1)
2

17500
(1, 1)
4
+
500
(1, 1)
6
P
A
= −61.554, 00
O Valor Presente da Bomba B (P
B
) será dado por (ver Figura 2.6):
P
B
= −25000 −3000
_
(1 + 0, 1)
6
−1
0, 1(1 + 0, 1)
6
_

23500
(1, 1)
3
+
1500
(1, 1)
6
P
B
= −54.875, 00
Apesar da Bomba B possuir custo instalado maior, ela deve ser selecionada porque apre-
senta o menor valor presente dentre as alternativas.
Quando os fluxos de caixa ocorrem em diferentes tempos, cada fluxo de
caixa deve ser levado até o futuro (ou trazido até o presente), no mesmo
instante de tempo, para realizar comparações. Nunca se deve comparar
projetos com diferentes tempos de duração (diferentes fluxos de caixa) sem
colocá-los num período de tempo comum!
72
2.5. Estimativa de Custos ufu-fequi-nucop
4000 4000 4000 4000 4000 4000
18000 18000 18000
500 500 500
BOMBA A
0 1 2 3 4 5 6
Figura 2.5: Fluxo de caixa para a Bomba A em 6 anos.
4000
0 1 2 3 4 5 6
BOMBA B
25000
3000 3000 3000 3000
25000
3000
1500 1500
Figura 2.6: Fluxo de caixa para a Bomba B em 6 anos.
2.5 Estimativa de Custos
2.5.1 Introdução
Nas secções anteriores vimos como calcular a rentabilidade em um projeto ou investi-
mento. Entretanto, isto só é possível se formos capazes de estimar os custos do mesmo,
que se dividem em custos de capital e custos de produção:
CUSTOS DE CAPITAL CUSTOS DE PRODUÇÃO
• equipamentos fixos • manufatura
• capital de trabalho • custos fixos
≈ 15% do investimento permanente total • gerais
73
2.5. Estimativa de Custos ufu-fequi-nucop
O procedimento geral de estimativa de custos é o mesmo para ambos os casos: usar da-
dos históricos para desenvolver correlações e aplicar fatores de correção para situações
específicas.
Se os fornecedores de equipamentos informam estimativas/orçamento/cotação, en-
tão, por quê a estimativa de custos é uma habilidade necessária ao engenheiro? Algu-
mas razões:
• necessidade de investigar várias alternativas;
• necessidade de avaliar a(s) proposta(s) do fornecedor de equipamento;
• necessidade de confidencialidade;
• possibilidade de automatizar a estimativa de custos de um projeto inteiro e
realizar inúmeras simulações (em computador) em espaço de tempo reduzido;
• estudos de análise e otimização de processos com a finalidade de aumentar lucros
e reduzir custos;
Sempre que um funcionário em uma empresa utiliza seu tempo para realizar uma
tarefa, esta está custando dinheiro para a empresa na forma de homem/mulher-hora.
Portanto, a toda atividade está associado um custo. Em geral, quanto mais precisos são os
resultados requeridos, maior o tempo para adquirí-los e, portanto, maior o custo. Assim,
na estimativa de custos há a necessidade de balancear a precisão necessitada com o custo
da estimativa. Peters & Timmerhaus, pg. 160-162 informam que o grau de detalhamento
do processo influenciará na precisão dos resultados como mostrado na Tabela 2.1.
NOME PRECISÃO APLICAÇÃO DETALHE DO PROCESSO
ordem de mag-
nitude
-30 a +50% “peneiramento” de in-
vestimento
diagrama de blocos
estudo -15 a +30% finaliza escolhas mais
importantes
PFD + projeto preliminar dos equi-
pamentos mais importantes
definitivo -5 a +15% custo P&I, Balanço de Massa e Energia
detalhado, especificação dos equipa-
mentos
Tabela 2.1: Detalhamento de estimativa de custos (Peters & Timmerhaus, pg. 160-162)
O custo total de uma estimativa poderá ser muitos $100k; entretanto, o mesmo esforço
será requerido posteriormente na fase de projeto. Portanto, parte do custo total é na
verdade um pré-investimento.
A primeira estimativa que se faz do custo de capital é bem GROSSEIRA, podendo ser
feita de acordo com uma das duas formas que se seguem:
74
2.5. Estimativa de Custos ufu-fequi-nucop
1. “turnover ratio” (TR): deve possuir valores entre 0,2 a 8,0; em processos industriais
geralmente fica entre 1,0 a 1,25. É calculado da seguinte forma:
TR =
vendas anuais brutas
custo de capital fixo
2. Fator de Lang (LF):
LF =
custo de capital total

custo de cada item de equipamento
TIPO DE PLANTA LF para capital fixo
Processamento de sólidos (cimento) 3,1
Processamento de sólidos (alumina) 3,6
Processamento de fluidos 4,7
2.5.2 Estimativa de Custos pelo Método Bare Module
O método mais utilizado para a estimativa de custo de capital é o Método Bare Module-
BM, que é composto pelas etapas:
1. custo histórico para equipamento (material comum, baixa pressão, temperatura am-
biente); deve ser corrigido para capacidade, material, P, T, inflação;
2. FOB: Free On Board preço do equipamento pronto para ser enviado para o com-
prador;
3. custo bare module: custo do equipamento + despesas de instalação;
4. custo total module-TM: custo bare module + taxas de contrato + contingências
8
;
5. custo BM da unidade de processo: soma do custo BM - contingência adicionada;
6. custo Battery Limit: custo de equipamento de processo;
7. custos offsite: custo de facilidades de apoio;
A Tabela 2.2 resume as várias estimativas que são feitas para o custo de um equipamento.
O método Bare Module-BM provê custos dentro dos limites do chão-de-fábrica (Battery
Limits). Este deve ser o custo para pequenas modificações. Caso contrário, todos os outros
custos necessitam ser estimados.
• Battery Limits: o processo;
• custos administrativos: escritório, laboratórios, cantinas, etc.;
textitoffsites: armazenamento, tratamento de resíduos/efluentes, etc.;
• utilidades: vapor, ar comprimido, combustível, etc.
8
eventualidades e incertezas que podem ou não acontecer
75
2.5. Estimativa de Custos ufu-fequi-nucop
CUSTO DESCRIÇÃO
FOB free on board: custo do equipamento pronto para
ser despachado pelo fornecedor
Instalado = FOB + envio + desembalagem, ins-
peção e içamento (guindaste)
L+M= (instalado - envio) + tubulações + ins-
trumentos + elétrico + isolamento + fundações
+ estrutura + offsites
L+M=FOB*(fator L+M)
custo físico da planta = L+M + envio Geralmente não se correlaciona custo de envio
BM= custo acima + custos de engenharia locais
+ custo de campo
BM = FOB*(fator BM)
Home Off = 9% de L+M
campo = 10 a 15% de L+M
Estimativa grosseira: fator BM = (L+M)*1,4
TM=investimento total em capital fixo = BM +
taxas contratuais + contingências
TM = Total Module
Contratuais = 3 a 5% de BM
Contingências = 10 a 15% de BM
Investimento Total = custo acima + royalties
+ terreno + equipamentos/parte de reserva +
custos legais + capital de trabalho + juros du-
rante a construção
capital de trabalho = 10% do capital fixo inves-
tido (pode variar bastante)
válido para um módulo isolado, não para fábricas
iniciando das fundações
custo turnkey=investimento total + despesas
de start up
Nota: O custo TM não prevê despesas com melhoria do local, offsites, utilidades, etc. Estes custos
podem variar dependendo do equipamento considerado. Turton (pg. 68) sugere 35% do custo BM para
este fator.
Tabela 2.2: Resumo do método de estimativa de custo Bare Module
76
2.5. Estimativa de Custos ufu-fequi-nucop
Fator de Capacidade
O custo de um equipamento geralmente segue a lei de potência, a qual relaciona o custo
de dois equipamentos de mesmo gênero, mais com dimensões diferentes, através de um
expoente, que pode ser fixo em toda a faixa de tamanho do equipamento, ou variar de
intervalos a intervalos:
CUSTO
A
CUSTO
B
=
_
FATOR
A
FATOR
B
_
n
(2.1)
Utilizando a Equação 2.1 é possível estimar o custo de um trocador de calor A (CUSTO
A), de área de troca térmica A (FATOR A), a partir do conhecimento do custo de outro
trocador B (CUSTO B), com área B (FATOR B), com “n” conhecido. Cada equipamento
possui um FATOR característico, e este deve ser escolhido de modo a estar mais direta-
mente possível correlacionado com o custo do equipamento.
Qual é o FATOR correto para um trocador de calor casco-tubo?
• capacidade térmica;
• área de troca térmica;
• número de tubos;
A maioria dos equipamentos possui o valor de “n” menor que 1,0 (n < 1, 0); isto
significa que o custo de um trocador de calor não dobra quando a área de troca térmica
deste duplica! ou, em outras palavras,
Quanto maior o equipamento, menor é o custo deste por unidade de
capacidade.
O valor de n para vários equipamentos é em torno de 0,6, o que é conhecido como regra
seis décimos. Tal regra permite calcular o custo de um equipamento (ou de uma unidade
inteira) a partir do conhecimento do custo de outro equipamento (ou unidade) similar,
mas com dimensão diferente, quando não se conhece n para o equipamento específico. A
Tabela 2.3 mostra valores típicos de n. No Perry (7a. ed) pode-se encontrar tabelas mais
completas.
Questão: O que limitaria o uso da lei de potência?
77
2.5. Estimativa de Custos ufu-fequi-nucop
Tipo de equip. faixa da correla-
ção
unid. de capaci-
dade
Expoente do
custo, n
Compressor recí-
proco com impeli-
dor a motor
0,75 a 1490 kW 0,84
Trocador de calor
casco-tubo, CS
1,9 a 1860 m
2
0,59
Tanque vertical,
CS
0,4 a 76 m
3
0,30
Soprador centrí-
fugo
0,24 a 71 m
3
/s CNTP 0,60
Vaso enjaquetado
com revestimento
interno vítreo
0,2 a 3,8 m
3
0,48
Tabela 2.3: Valores típicos do expoente do custo.
ANO M.Swift Eng-News Nelson-Farrar Chem Eng
1970 280 140 340 130
1980 700 300 900 250
1986 817 318
1990 910 400 1200 300
1995 1028 381
2000 1089 510 1500 394
2000/1970 3,9 3,6 4,4 3,0
Nota:
M.Swift = Marshall & Swift Equipment Cost Index
Eng-News = Engineering News Record Index
Chem Eng = CEPCI = Chemical Engineering Plant Cost Index (www.che.com)
Tabela 2.4: Índices de inflação comumente utilizados na correção de custos com o tempo.
78
2.5. Estimativa de Custos ufu-fequi-nucop
Componentes do índice peso do componente, %
Equipamentos, maquinaria e suportes:
(a) Equipamentos fabricados 37
(b) Maquinário de processo 14
(c) Tubulações, válvulas e conexões 20
(d) Instrumentos e controle de processo 7
(e) Bombas e compressores 7
(f) Equipamentos e materiais elétricos 5
(g) Suporte de estrutura, isolamento e pintura 10
100
61 % do total
Mão-de-obra de construção e instalação 22
Construções, materiais e mão-de-obra 7
Engenharia e supervisão 10
Total 100
Tabela 2.5: Componentes do índice de inflação CEPCI
Fator de Inflação
O fator de inflação permite converter os dados históricos de custos de capital para o tempo
no qual o equipamento está sendo adquirido. Tais índices são específicos para a indústria
e são encontrados em gráficos ou tabelas (como a Tabela 2.4).
Questões:
• Onde se obtêm dados atualizados do Fator de Inflação?
• Por quê não se deve utilizar os índices de preço ao consumidor, os quais são repor-
tados periodicamente nos jornais locais e nacionais?
O índice CEPCI é composto pelos componentes e pesos mostrados na Tabela 2.5, onde se
vê que os itens (a) e (c) possuem maior peso. Percebe-se também que devido ao fato de
ser contabilizado custo de mão-de-obra e engenharia e estes variarem de modo diferente
de país para país, os índices de inflação calculados para os EUA devem ser usados com
certa parcimônia em outros lugares, sendo que fornecem apenas uma estimativa mais ou
menos precisa do custo dos equipamentos atualizados no tempo. A Figura 2.7 mostra
uma cópia da página da revista Chemical Engineering com seus indicadores econômicos.
Assim, conhecendo o custo de um equipamento num ano (cujo índice de inflação também
seja conhecido), pode-se atualizar ao custo no tempo futuro utilizando o índice de inflação
correspondente. Exemplo: O custo de compra de um equipamento é C
1
no ano cujo
índice de inflação é I
1
. Calcular o custo do equipamento no ano cujo índice de inflação é
I
2
:
C
2
= C
1
_
I
2
I
1
_
Fator de Material e Condições
O Fator de Material será responsável pela correção do custo do equipamento em função
do material (ex., aço inoxidável) e condições mais severas de T e P. Por exemplo, para
79
2.5. Estimativa de Custos ufu-fequi-nucop
Figura 2.7: Índices de inflação da Chemical Engineering.
80
2.5. Estimativa de Custos ufu-fequi-nucop
um trocador de calor casco-tubo:
• operando a uma pressão de 3 MPa, o Fator de Material é de 1,25; isto significa que
o custo do equipamento será 25% maior quando comparado com outro que operaria
em condições normais de T e P;
• casco e tubos de aço inox, ao invés de aço carbono: fator = 3,0 (ou + 200% no custo
do equipamento);
• comprimento do tubo diferente do padrão; para um fator de comprimento de 2, o
fator de material será de 0,8 ou 1,2 (∼ 20%);
Exemplo de estimativa de custo de um trocador de calor casco-tubo
Virtualmente todos os equipamentos possuem preço de compra estimados como função
do tamanho característico. Para um trocador de calor casco-tubo, por exemplo, a área de
transferência de calor é a variável-chave. A Figura 9.1 do Seider correlaciona log Cp x log
A, sendo Cp o preço de compra do equipamento - purchased cost e A a área em
m
2
. Dentro de certos intervalos (100 ≤ A ≤ 1000 m
2
), a curva se aproxima de uma reta
com inclinação 0,7 (lembrar que a figura está no formato log x log) o que quer dizer que
nesta região é válida a lei de potência que vimos anteriormente:
Cp
1
Cp
2
=
_
A
1
A
2
_
0,7
o expoente menor que 1 indica que o custo do equipamento por unidade de área diminui
com o aumento da área deste. Isto quer dizer que um trocador de calor com área A
1
tem custo menor que trocadores de calor menores com área total A
1
. Tal característica é
conhecida como economia de escala.
9
Os dados fornecidos na figura são para 1982, ano no qual o índice de custo de planta CE
(Chemical Engineering Plant Cost Index) era de 315. Portanto:
1982 −→ 315 −→ C
1982
p
hoje −→ I −→ C
p
C
p
= C
1982
p
I
315
custo FOB atual: equipamento básico (CS e P próx. atmosférica)
A seguir devemos corrigir o custo C
p
com o Fator de Pressão, F
P
(Fig. 9.1b) e com o
Fator de Material, F
M
(Fig. 9.1a), obtendo assim o Fator Bare-Module ou F
BM
:
F
BM
∝ F
P
×F
M
lido na Fig. 9.1c. Finalmente, calcula-se o custo Bare-Module (BM), que é o custo do
trocador de calor instalado, fabricado com o material e suporta a pressão desejados:
C
BM
= C
P
×F
BM
9
Alguns equipamentos possuem expoente maior que 1. Ex: extrusor (1,15)
81
2.5. Estimativa de Custos ufu-fequi-nucop
Exemplo de estimativa dos custos de instalação de um trocador de calor casco-
tubo
No exemplo anterior vimos como calcular o custo instalado de um trocador de calor casco-
tubo utilizando o custo FOB e o fator de correção F
BM
, lidos a partir de uma figura. O
fator F
BM
é uma composição de diversas despesas, detalhadas na Tabela 2.6. Notar que
CUSTO fração FOB
(equipamento)
Despesas Diretas de Projeto
Materiais Diretos
Preço FOB do equipamento, C
p
$ 10.000 1,00 C
p
Mat. para instalação, C
M
= 0, 71C
p
7.100 0,71 C
p
Mão-de-obra, C
L
= 0, 63C
p
6.300 0,63 C
p
TOTAL (mão-de-obra e mat. diretos) $ 23.400 2,34 C
p
Despesas Indiretas de Projeto
Seguro, impostos, frete, C
FIT
= 0, 08(C
p
+C
M
) 1.400 0,14 C
p
Construção do suporte, C
O
= 0, 70C
L
4.400 0,44 C
p
Despesas de Engenharia, C
E
= 0, 15(C
p
+C
M
) 2.600 0,26 C
p
Custo TOTAL indireto $ 8.400 0,84 C
p
Capital BM investido $ 31.800 3, 18 C
p
Tabela 2.6: Custos de instalação típicos de um trocador de calor
o fator de multiplicação final (3,18) é bem próximo daquele que é lido no gráfico citado
anteriormente. Algumas despesas estão detalhadas a seguir:
• Material de instalação: concreto para fundações, aço para estrutura de suporte, tu-
bulações, instrumentos, materiais elétricos, isolamento, pintura.
• Construção do suporte: benefícios associados aos salários (seguro saúde, férias, li-
cença por doença, etc.), taxas sociais, construções temporárias, estradas, estaciona-
mento, maquinaria, serviço de limpeza/adaptação do terreno, etc.
• Despesas de engenharia: salário do engenheiro projetista e de processo, designers,
serviços de escritório, etc.
No exemplo acima, F
BM
= 3, 18. Isto significa que um F
P
× F
M

= 1, para o trocador
casco-tubo convencional, com tubo de teflon (Fig. 9.1c). Se F
P
= 1 (pressão de 1 atm),
F
M
= 1 (tubo de teflon, carcaça de aço-carbono).
Resumo do método de cálculo do custo FOB e instalado
1. Calcular o custo de compra (C
o
p
) do equipamento básico (aço carbono e pressão
próxima à atmosférica) utilizando um gráfico, tabela ou correlação, levando em
consideração a dimensão característica;
2. Calcular o fator de pressão (F
P
) e o fator de material (F
M
) caso o equipamento não
seja aço carbono e estiver operando numa pressão superior à atmosférica;
82
2.5. Estimativa de Custos ufu-fequi-nucop
3. Calcular o fator de custo de instalação (F
BM
);
4. Utilizando C
o
p
e F
BM
, e quando se aplicar F
P
e F
M
, calcular o custo instalado F
BM
,
que é o custo para modificações ou pequenas unidades;
5. Atualizar o custo F
BM
com a correção da inflação;
As Figuras 2.17 a 2.22 apresentam custos de vários equipamentos em função do tamanho
característico, assim como os fatores F
P
e F
BM
.
Turton (2003) (Apêndice A, pág. 915) propõe a seguinte correlação para o cálculo do
custo de compra C
o
p
, em 2001:
log
10
C
o
p
= K
1
+K
2
log
10
(A) +K
3
[log
10
(A)]
2
onde K
1
, K
2
e K
3
são constantes ajustadas e tabeladas para cada equipamento e A é a
capacidade ou parâmetro de tamanho do equipamento. Para o cálculo do fator de pressão
em vasos verticais e horizontais, baseado nas recomendações da ASME para o projeto
de vasos de pressão:
F
P,vaso
=
(P + 1)D
2[850 −0, 6(P + 1)]
+ 0, 00315
0, 0063
, para t
vaso
> 0, 0063m
onde t
vaso
é a espessura do vaso mínima permitida. Se t
vaso
< 0, 0063, F
P,vaso
= 1.
Para pressões abaixo de -0,5 barg, F
P,vaso
= 1, 25. Para outros equipamentos,
log
10
F
P
= C
1
+C
2
log
10
(P) +C
3
[log
10
(P)]
2
onde P deve estar em barg (1 bar = 0 barg) e C
1
, C
2
e C
3
são constantes ajustadas e
tabeladas (págs. 926-928). Assim,
C
BM
= C
o
p
F
BM
= C
o
p
(B
1
+B
2
F
M
F
P
)
onde B
1
e B
2
são constantes tabeladas (pág. 932) e F
M
é lido numa carta (Págs. 929-
931)
Exemplo: Estime o custo BM (custo instalado), em 2001, de uma torre de 3 m de
diâmetro e 30 m de altura, em aço inox (SS). A torre contém 40 pratos perfurados SS e
opera a 20 barg.
Os custos do vaso da torre e dos pratos são calculados separadamente e depois adicionados.
Para a torre:
1. Volume = 212,1 m
3
2. Para vasos verticais (ou torres): K
1
= 3, 4974, K
2
= 0, 4485 e K
3
= 0, 1074 sendo
A = volume em m
3
. Assim, C
o
p
= $132.500
3. F
BM
= 2, 25 + 1, 82F
M
F
P
(para vasos verticais)
4. F
P,vaso
= 6, 47, com P = 20 barg e D = 3 m.
F
M
= 3, 11 e F
BM
= 38, 87
83
2.5. Estimativa de Custos ufu-fequi-nucop
5. C
BM,vaso
= $5.150.000
Para os pratos:
1. Área da torre = 7,0686, C
o
p
= $4.570
2. C
BM
= C
o
p
NF
BM
f
q
N = 40 f
q
= 1, 0, pois o número de pratos é maior que 20.
F
BM
= 1, 83, portanto C
BM,pratos
= $335.000
Preço total:
C
BM,torre+pratos
= $5.150.000 + $335.000 = $5.485.000
Por quê não foi realizada a correção com a inflação? A mesma estimativa poderia
ser realizada utilizando as figuras no fim deste capítulo.
Exemplo: Na pasta da disciplina no servidor FEQUI-SERV encontra-se uma planilha do
Excel que realiza a estimativa de uma coluna de destilação debutanizadora. São realizadas
duas estimativas: (1) ordem de grandeza; (2) estudo de estimativa. O nome do arquivo
é: distillationcostestimateV.xls.
Capital Investido Total
O Capital Investido Total está detalhado na Tabela 2.7. É comum utilizar a expressão:
Custo total BM para a unidade do processo, equipamen-
tos reservas, tanques de armazenamento, tanque pul-
mão, vasos, catalisadores
C
TBM
Custo de preparação do sítio e serviços (5% C
TBM
) C
sitio
+C
serv
Custos alocados para utilidades e outros serviços (custos
de fornecimento ou ampliação de utilidades, tratamento de
efluentes, etc.)
C
aloc
Investimento permanente indireto C
DPI
Custo de contingências (15% C
DPI
) C
cont
Capital depreciável total C
TDC
Custo do terreno (2% C
TDC
) C
land
Custos de Royalties C
royal
Custo de Start Up (10% C
TDC
) C
start
Total do investimento permanente C
TPI
Capital de trabalho (matéria-prima, etc.) C
WC
CAPITAL TOTAL INVESTIDO C
TCI
Tabela 2.7: Total de Capital Investido.
C
TPI
corrigido
= F
ISF
×C
TPI
onde F
ISF
é o fator de investimento do sítio, sendo alguns valores característicos:
84
2.5. Estimativa de Custos ufu-fequi-nucop
EUA ... 1,00 (região do Golfo)
EUA ... 0,95 (Sudoeste)
Japão ... 1,15
Custos alocados em utilidades e facilidades:
Vapor $ 50/pph
Eletricidade $ 203/kW
Água de resfriamento $ 58/gpm
Água de processo $ 347/gpm
Fluido refrigerante $ 1.130/ton
Disposição de efluente líquido $ 3/1000 gpy
Custos de manufaturamento
São custos relacionados com todas as unidades de produção e não incluem itens de capital.
Podem ser:
• Diretos: São os custos operacionais que variam com a taxa de produção: matéria-
prima, mão-de-obra, tratamento de resíduos, utilidades, abastecimento, manutenção
e reparo, laboratórios, patentes e royalties, etc.;
• Fixos (indiretos): São custos independentes das mudanças na quantidade produ-
zida: impostos, apólices de seguro, administração da planta, depreciação, etc.;
• Gerais: São custos associados a manter um negócio em funcionamento: corpora-
ções, vendas, financeiros, Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), etc.;
Os custos diretos geralmente aumentam linearmente com a produção. Para estimar os
custos diretos de manufaturamento necessita-se selecionar previamente a tecnologia do
processo a ser empregada. Existem dois níveis de estimativa que podem ser feitas:
1. Estimativa Grosseira: consiste na estimativa total da planta/unidade;
2. Boa Precisão: combina resultados obtidos em simuladores de processo (Ex., As-
pen, Hysys) com informações especificação de equipamentos (ex., eficiência de bom-
bas, etc.). Determina-se também o balanço total de combustível e vapor da planta.
Para efeito de análise e otimização, assim como quando o propósito é comparar tecnologias,
pode-se considerar que os custos de manufatura podem ser calculados conhecendo:
1. Investimento de capital fixo (FCI): C
TM
ou C
GR
2. Custo de mão-de-obra de operação: C
OL
3. Custo de utilidades: C
UT
4. Custo de tratamento de resíduos: C
WT
5. Custo de matérias-primas: C
RM
85
2.5. Estimativa de Custos ufu-fequi-nucop
Turton (2003) recomenda as seguintes expressões para o cálculo do custo operacional
(COM):
COM = 0, 280FCI + 2, 73C
OL
+ 1, 23(C
UT
+C
WT
+C
RM
)
com depreciação do capital fixo
COM
d
= 0, 180FCI + 2, 73C
OL
+ 1, 23(C
UT
+C
WT
+C
RM
)
sem depreciação do capital fixo.
Exemplo: As seguintes informações de custos foram obtidas para uma unidade que pro-
duz 92.000 t/a de ácido nítrico.
Investimento de capital fixo $ 11.000.000
Custo de matéria-prima $ 7.950.000 /ano
Custo de tratamento de resíduos $ 1.000.000 /ano
Custo de utilidades $ 356.000 /ano
Custo de mão-de-obra direta $ 300.000 /ano
Custos fixos $ 1.500.000 /ano
Utilizando os valores acima, foram estimados:
COM
d
= $14.245.000/ano/92.000t/ano = $155/t
Ver Turton (2003), cap. 6, para estimativa detalhada de custos operacionais, preços de
utilidades, etc.
OBSERVAÇÕES RELATIVAS AOS CUSTOS DE PROCESSAMENTO
• não utilize índices-padrão de inflação para estimar custos de energia e matéria-prima,
pois os preços destes podem variar subtamente devido a incidentes internacionais;
• despesas com pessoal não devem ser escaladas (colocadas em função de) com pro-
dução quando o tamanho do equipamento pode ser aumentado;
• levar em consideração, quando estimar salário/mão-de-obra, presença de turnos ro-
tativos, encargos sociais, horas-extras, etc. Nos EUA: = 4,4 x salário anual;
• a seleção do equipamento influencia fortemente o custo de manutenção e tratamento
de resíduos;
• lembrar os custos de operação fora dos limites de chão-de-fábrica (ex., laboratórios);
• custos operacionais dependem do total (custo incremental de vapor mudam signifi-
cativamente);
OBSERVAÇÕES GERAIS
• Não “se apaixone” por um projeto! Não se deve continuar a investir só porque já
houve investimento prévio;
• Envolva investidores e pessoas com o conhecimento do projeto desde o início deste;
86
2.5. Estimativa de Custos ufu-fequi-nucop
• Não seja demasiadamente conservativo em um ambiente de rápidas mudanças tec-
nológicas;
• Não permita que seu chefe direcione suas decisões;
• Sempre utilize listas de checagem (checklists) para considerar todos os fatores
importantes quando planejando um projeto e estimando custos para assegurar que
nada foi esquecido e que possa comprometer a viabilidade do projeto posteriormente;
• Faça um protótipo dos procedimentos-chave técnicos antes da decisão final;
• Realize uma ampla análise de sensibilidade e considere a probabilidade das consi-
derações - chave não serem preenchidas;
• Tendo assegurado que suas premissas estão corretas, ao lado das informações utili-
zadas, defenda seu projeto com argumentos sensatos e persevere até o fim na sua
defesa; Lembre-se que a recusa de um projeto não necessariamente quer dizer que
o mesmo seja ruim; pode ser uma falta de visão da diretoria da empresa ou um
momento inadequado para o mesmo; saiba também ceder quando for necessário;
2.5.3 Estimativa de Custos de Capital Utilizando o CAPCOST
A estimativa de custo de equipamentos ou de uma unidade de processo pode ser feita
utilizando o software CAPCOST
TM
, disponível para o sistema operacional Windows.
O CAPCOST é um software de distribuição gratuita que acompanha o livro: “Analysis,
Synthesis, and Design of Chemical Processes” de R. Turton, R.C. Bailie, W.B. Whiting, e
J.A. Shaeiwitz (Prentice-Hall, 1998). Seu objetivo é permitir ao usuário uma estimativa
rápida do custo total modular (total module) ou o custo “grass roots”
10
de um equipa-
mento ou de uma unidade inteira, utilizando para isto informações básicas para os mais
importantes equipamentos (área, tamanho, pressão de operação e material de constru-
ção). A utilização do CAPCOST é bastante simples e intuitiva. Os custos são corrigidos
utilizando o Chemical Engineering Plant Cost Index - CEPCI, que no ano de 1996 era de
382.
Etapas na utilização do CAPCOST
1. Entrar com o valor do índice CEPCI – Chemical Engineering Plant Cost Index
(default = 382 – meados de 1996);
2. Entrar com o número da unidade (default = 100, o número da unidade necessita ser
divisível por 100) – os equipamentos serão numerados como: no. da unidade + 1,
no. da unidade + 2, etc.;
3. Entrar com o nome do processo – geralmente um nome descritivo, tal como, Ácido
Acrílico, Dimetil Éter ou DME, etc.;
10
“Grass Roots” refere-se aos gastos na construção de uma unidade completamente nova na qual se inicia
a construção na preparação do terreno, ou com o terreno na grama (“grass field”). O termo “Total Module
Cost” refere-se ao custo de pequenas a moderadas expansões ou alterações a uma unidade existente.
87
2.5. Estimativa de Custos ufu-fequi-nucop
4. Clique “Continue”;
5. A próxima tela é o primeiro passo para entrar o equipamento a ser manufaturado.
Os seguintes equipamentos são disponíveis:
• Trocadores de calor
• Torres (com pratos e recheio)
• Vasos (horizontais e verticais)
• Bombas (com dispositivos impulsores elétricos)
• Compressores, sopradores e ventiladores
• Dispositivos impulsores para compressores e sopradores
• Turbinas
• Aquecedores a chama (reativos e não reativos)
• Evaporadores e vaporizadores
• Equipamento adicionado pelo usuário
6. Selecione uma das opções e clique em “Add Equipment”. Uma série de janelas
irão aparecer nas quais deverão ser supridas informações acerca do equipamento em
particular. Uma vez que todas as informações foram fornecidas, clique no botão
“Calculate” e o custo aparecerá. Podem aparecer alguns avisos acerca da faixa de
validade dos parâmetros e o que será feito caso algum parâmetro fornecido estiver
fora da faixa aceitável.
7. Clique depois no botão “Next Equipment” e escolha a partir do menu o desejado,
reiniciando o processo.
8. O usuário também tem a opção de editar ou apagar um equipamento previamente
adicionado na unidade, utilizando os botões apropriados que aparecem na lateral
esquerda da segunda janela aberta pelo programa. Para importar um arquivo já
previamente gravado, escolha a opção “restart”.
Exemplo
Uma pequena expansão em uma unidade química existente está sendo investigada e o
PFD preliminar do processo é mostrado na Figura 2.8. A expansão envolve a instalação
de uma nova coluna de destilação, com um refervedor, condensador, bombas, e outros equi-
pamentos associados. Uma lista dos equipamentos , dimensões, material de construção e
pressão de operação é dada na Tabela 2.8 (que foi construída utilizando os conhecimentos
prévios de Operações Unitárias e Materiais da Indústria Química). Usando o software
CAPCOST, calcule o custo total BM (Bare Module) para esta expansão no ano 2000.
Resultados obtidos utilizando o CAPCOST:
Chemical Engineering Plant Cost Index (CEPCI) = 400, ano 2000
Total Purchased Equipment Cost = $199.000
88
2.5. Estimativa de Custos ufu-fequi-nucop
Figura 2.8: PFD para a unidade em expansão.
Total Bare Module Cost (CS and 0 barg) of Plant = $620.000
Total Bare Module Cost of Plant = $702.000
Total Module Cost of Plant = $828.000
Total Grass Roots Cost of Plant = $1.045.000, em USD
89
2.5. Estimativa de Custos ufu-fequi-nucop
Equipamento no. capacidade/ tama-
nho
material de cons-
trução
pressão operacio-
nal (barg

)
E-101 Área = 170 m
2
Tubo - CS Tubo = 5,0
Condensador do topo Casco-tubo (cabeçote
flutuante)
Casco - CS Casco = 5,0
E-102 Área = 205 m
2
Tubo - SS Tubo = 18,0
Refervedor Casco-tubo (cabeçote
flutuante)
Casco - CS Casco = 6,0
E-103 Área = 10 m
2
CS em ambos Interno = 5,0
Resfriador do pro-
duto
(tubo duplo) Externo = 5,0
P-101A/B Potência de eixo = 5
kW
Aço fundido Sucção = 5,0
Bombas do refluxo centrífuga (cast steel )
T-101 Diâmetro = 2,1 m Vaso - CS Coluna = 5,0
Coluna de aromáticos Altura = 23 m Pratos - SS
32 pratos perfurados
V-101 Diâmetro = 1,8 m Vaso - CS Vaso = 5,0
Balão de refluxo Comprimento = 6 m
Horizontal
CS = aço carbono; SS = aço inox

barg = bar manométrica, então 0,0 barg = 1,0 bar
Tabela 2.8: Informações dos equipamentos necessárias à estimativa de custo.
CARACTERÍSTICAS E CUSTOS DE CADA EQUIPAMENTO
(informações fornecidas pelo programa CAPCOST)
Heat Exchanger, E-101 Pump, P-101
Shell and Tube - Floating Head Centrifugal Pump
Area (m
2
) = 170 Material of Construction = Cast Steel
Material of Construction = CS/CS Power (kW) = 5
Tube Side Pressure (barg) = 5 Suction Pressure (barg) = 5
Shell Side Pressure (barg) = 5 Number of Spares = 1
Equipment Cost = $ 20553 Equipment Cost = $ 13755
Bare Module Cost = $ 67824 Bare Module Cost = $ 62144
Heat Exchanger, E-102 Tower, T-101
Shell and Tube - Floating Head Tower Material of Construction= CS
Area (m
2
) = 205 Diameter (m) = 2.1
Material of Construction = SS/CS Height/Length (m) = 23
Tube Side Pressure (barg) = 18 Pressure (barg) = 5
Shell Side Pressure (barg) = 6 Number of Trays = 32
Equipment Cost = $ 23146 Tray Material of Construction = SS
Bare Module Cost = $ 102136 Vessel Cost = $ 85425
Heat Exchanger, E-103 Internals Cost = $ 40620
Double Pipe Exchanger Bare Module Cost = $ 421760
Area (m
2
) = 10 Process Vessel, V-101
Material of Construction CS/CS Material of Construction = CS
Pressure (barg) = 5 Vessel Orientation = Horizontal
Equipment Cost = $ 1270 Diameter (m) = 1.8
Bare Module Cost = $ 2476 Height/Length (m) = 6
Pressure (barg) = 5
Equipment Cost = $ 13782
Bare Module Cost = $ 45434
90
2.6. Comparação Sistemática de Alternativas ufu-fequi-nucop
2.5.4 Fontes de Estimativa de Custos de Equipamentos
A maioria dos livros relativos a projeto (design) e análise de investimento para engenharia
traz figuras e tabelas que podem ser utilizadas na estimativa de custos de equipamentos
de processo. A seguir, as pricipais referências nesta área, dentro da Engenharia Química,
são destacadas.
1. DOUGLAS, J. M. Conceptual Design of Chemical Processes, McGraw-Hill,
1988.
2. PERRY, R. H., D. W. GREEN, J. O. MALONEY. Perry’s Chemical Engineers’
Handbook, 7th ed., McGraw-Hill, USA, 1997.
3. SEIDER, W. D., J. D. SEADER, D. R. LEWIN. Process Design Principles:
Synthesis, Analysis, and Evaluation, Wiley, 1999.
4. TURTON, R., R. C. BAILIE, W. B. WHITING, and J. A. SHAEIWITZ. Analysis,
Synthesis, and Design of Chemical Processes, 2nd. ed, Prentice-Hall, 2003.
5. REMER & BUCHANAN. Estimating the Cost of Doing a Cost Estimate. Inter-
national Journal of Production Economics, 66, pp. 101-104, 2000.
6. HASELTIME. Improve your Capital Cost Estimating. Chemical Engineering
Progress, pp. 26-32, Jun, 1996.
7. − .Pitfalls in Profitability Analysis. Hydrocarbon Processing, pp. 111-115, Jan,
1976.
2.6 Comparação Sistemática de Alternativas
Há uma maneira sistemática de fazer escolhas entre várias alternativas?
Algumas considerações nos métodos quantitativos de comparação:
• Todos os (projetos) candidatos necessitam satisfazer necessidades mínimas, tais
como: segurança, qualidade, etc;
• Todos os custos e benefícios podem ser quantificados em $ (Questão: Como quan-
tificar riscos à vida humana?);
• No início, assume-se que não existem incertezas;
A análise depende do cenário a ser considerado:
• Única alternativa é: não faça nada;
• Alternativas independentes;
• Alternativas mutuamente exclusivas;
• Dependência por contingência (relacionada, não independente);
91
2.6. Comparação Sistemática de Alternativas ufu-fequi-nucop
2.6.1 Única alternativa é: não faça nada
Comparando uma alternativa com não faça nada significa que em uma grande compa-
nhia pode-se investir o dinheiro no mercado financeiro com um retorno igual a MARR
(Market Return Rate); sempre tem-se a alternativa de deixar o dinheiro aplicado em um
investimento financeiro a um certo juro. Este rendimento define o valor mínimo ou in-
ferior do MARR. Caso a taxa de retorno do investimento for inferior àquela paga pelo
mercado financeiro, opta-se por investir neste, apesar de em certos casos ter-se maior
vulnerabilidade.
2.6.2 Alternativas independentes
Deve-se comparar cada uma das alternativas com MARR; o investimento será aceito se:
NPV > 0 a i=MARR
DCFRR > MARR
Desde que são independentes, admite-se que existe capital suficiente para todas as alter-
nativas aceitáveis.
2.6.3 Alternativas mutuamente exclusivas
Os possíveis procedimentos de seleção são:
• Investimento com maior DCFRR > MARR;
• Investimento com maior NPV > 0;
• Investimento com maior DCFRR;
As alternativas anteriores parecem razoáveis, mas são incorretas! Qual é o melhor valor
para o investimento? A medida que se aumenta o valor investido, aumenta-se também o
lucro líquido. Entretanto, para um investimento na fabricação de um produto, é comum
ocorrer a saturação do mercado. Isto significa que aumentando o valor do investimento,
não há aumento no lucro líquido. Isto não ocorre no mercado financeiro, onde, teori-
camente, o lucro aumenta linearmente com o valor investido, independente da quantia
deste. Este casos estão ilustrados na Figura 2.9. Neste ponto, necessita-se relembrar um
conceito-chave: quer-se um retorno maior que MARR para cada $ investido!!
Usando o valor presente líquido como base:
• Calcular o NPV para cada alternativa;
• Determinar a alternativa com o maior NPV positivo;
• Selecionar o maior NPV positivo;
• Se não houver NPV positivo, rejeitar todas as alternativas, a não ser que seja soli-
citado a aceitar a menor perda, por questões de negócios inevitáveis.
Usando o fluxo de caixa descontado como base:
92
2.6. Comparação Sistemática de Alternativas ufu-fequi-nucop
investimento
contínuo
lucro
líquido
do MARR
inclinação
Figura 2.9: Lucro líquido de um investimento em dois cenários diferentes.
• Calcular o DCFRR para o menor investimento e aceitar se DCFRR > MARR. Se
não, tomar o próximo;
• Repita para o investimento seguinte;
• Continuar até que todos os investimentos sejam considerados;
2.6.4 Alternativas dependentes
Razões que levam à projetos dependentes:
• Existe um limitado capital para o investimento;
• Várias alternativas atingem o mesmo objetivo;
• Uma alternativa requer uma alternativa específica a priori para ser selecionada
(dependência contingente).
Neste caso, a análise é complexa e requer todas as combinações para ser calculada, como
ilustrado na Tabela 2.9 Por quê um caso seria não possível (alternativa 1)?
Comparar todos os casos possíveis como alternativas mutuamente exclusivas, usando tanto
o NPV quanto o DCFRR.
Quando deseja-se fazer uma recomendação, TEM-SE CERTEZA ACERCA DA MESMA?
Para segurança do consultor, é conveniente saber responder a perguntas do tipo “E SE?”
(What If ?)
• A vazão de produto (vendido) ou o preço mudar;
• Houver mudança no custo de energia;
• O tempo de vida do projeto mudar (novas tecnologias);
• Houver mudança no custo da matéria-prima;
93
2.7. Análise de Sensibilidade para Avaliação Econômica ufu-fequi-nucop
alternativas definir casos individuais pela combi-
nação de possíveis alternativas
1 2 3 4 5 6 7 8
A 0 X 0 0 X X 0 X
B 0 0 X 0 X 0 X X
C 0 0 0 X 0 X X X
Possível?
(S ou N em cada coluna)
Tabela 2.9: Análise de alternativas dependentes em um investimento.
2.7 Análise de Sensibilidade para Avaliação Econômica
Alguns parâmetros na análise envolve incertezas consideráveis. Deve-se, portanto:
• Determinar a provável faixa de variação;
• Avaliar a rentabilidade na faixa considerada;
• Determinar se as conclusões-chave mudam;
• Se as conclusões mudarem, necessita-se considerar probabilidade mais cuidadosa-
mente, ou seja, o quê tem maior possibilidade de ocorrer?
Os resultados são geralmente analisados na forma gráfica. A Figura 2.10 mostra a análise
de sensibilidade do NPV em função do parâmetro preço de venda. Partindo de um
retorno desejado (NPV fixado), determina-se o preço de venda mais provável do produto.
Já as Figuras 2.11 e 2.12 mostram a determinação do valor mais provável de venda do
rentável +
não rentável −
0 NPV
valor mais
provável
Parâmetros, por
exemplo, preço
de venda
valor neutro
(breakeven)
(evita perdas, mas
não tem lucros)
Figura 2.10: Determinação do breakeven.
94
2.8. Exercícios ufu-fequi-nucop
produto quando se verifica a influência da taxa de produção sobre a receita (ou o
custo) nas situações de custo variável variar linearmente e não linearmente com a taxa de
produção, respectivamente.
O que ocasionaria uma variação não-linear da receita (ou do custo) em função da
taxa de produção?
LUCRO
breakeven
receitas
ou
custos
receita
custo fixo +
custo variável
custos fixos
taxa de produção
Figura 2.11: Determinação da região de lucro em um produto: custo variável linear.
Para a situação da presença de dois parâmetros na análise há duas alternativas: (i)
gráficos tridimensionais; (ii) gráficos bidimensionais, com linhas de nível. A Figura 2.13
ilustra a situação da análise da influência dos parâmetros P
1
e P
2
sobre o NPV, simulta-
neamente.
No caso de incertezas é recomendável que sejam feitos 3 cálculos:
1. usando os valores mais prováveis dos parâmetros;
2. usando a combinação dos piores casos;
3. usando a combinação dos melhores casos;
2.8 Exercícios
1. Em 1994 sua companhia comprou um trocador de calor (área de troca térmica =
50 m
2
), para uma aplicação de resfriamento de água a temperaturas e pressões
moderadas, por $ 6.500. Em 1997, foi comprado outro trocador (área de troca
térmica = 120 m
2
) para uma aplicação similar, por $ 11.000. Estime o custo de um
95
2.8. Exercícios ufu-fequi-nucop
receitas
ou
custos
custos fixos
taxa de produção
receita
LUCRO
custo fixo + (não linear)
custo variável
breakeven
Figura 2.12: Determinação da região de lucro em um produto: custo variável não linear.
trocador de calor similar com área de troca térmica de 90 m
2
para uso hoje. (Obs:
assuma o fator de inflação de 2003)
2. O que significa o termo “economia de escala”? Quando este conceito não se aplica a
um processo ou equipamento? Dê um exemplo de quando ele não se aplica.
3. Na resolução do Problema 1, como seus resultados seriam afetados caso fossem
utilizados índices de inflação diferentes (exemplo: Marshall & Swift e CEPCI).
4. Uma unidade de separação de gases leves de uma certa refinaria consiste de duas
colunas em série que são alimentadas por uma mistura de propano, butanos e outros
hidrocarbonetos mais pesados. A primeira coluna, uma depropanizadora, separa
o propano (e pequenas quantidades de propileno) do restante do material mais
pesado. A segunda coluna, a debutanizadora, separa os butanos do restante dos
outros hidrocarbonetos. Um PFD e um sumário dos equipamentos estão mostrados
nas Figuras 2.14 e Tabela 2.10, respectivamente.
Usando o programa CAPCOST, estime o custo total modular e o custo “grass roots”
desta unidade de processo.
5. Você necessita estimar o custo de substituição do reator que sua companhia irá
realizar em 2005. No passado, dois reatores similares foram comprados e os custos
são mostrados abaixo. No ano de 2002 CEPCI foi de 397 e alguém estimou que tal
índice aumentaria numa taxa média de 2% a.a. entre 2000 e 2005. O aumento no
volume do reator em 1995 foi devido a um aumento na capacidade de processamento;
entretanto, o desenvolvimento de um catalisador melhorado irá reduzir o volume do
reator para 55 m
2
.
96
2.8. Exercícios ufu-fequi-nucop
P
2
P
1 NPV
P
2
P
1
aceita
rejeita
Figura 2.13: Influência de dois parâmetros no NPV.
Ano da compra Volume, m
3
Custo no ano de construção
Reator 1 1985 30 $1, 5 ×10
6
Reator 2 1995 65 $2, 5 ×10
6
6. Qual é o preço de compra estimado, em meados de 2004, de um trocador de calor
casco-tubo, de aço inox, com 1200 m
2
? A pressão de trabalho é de 5 barg. Con-
sultando o banco de dados de sua empresa foram encontrados os seguintes valores
para trocadores de calor similares (porém projetados para uma pressão na carcaça
de 25 barg), em aço inox, comprados em 1993:
Área, m
2
Preço de compra
500 $ 30.000
1500 $ 64.700
7. Um vendedor possui uma loja de máquinas que manufaturam partes metálicas
usando equipamentos de usinagem computadorizados. O vendedor calcula o custo
do serviço baseado no custo das matérias-primas, o custo para operar a máquina
computadorizada, o custo de mão-de-obra do operador, o custo de peças de re-
posição, e o custo de envio do material acabado ao sítio onde será utilizado. As
informações seguintes foram utilizadas para estimar o custo para produzir pratos
perfurados de aço carbono (CS), de 3 m de diâmetro, incluindo os suportes para os
pratos.
Dados dos pratos
Espessura dos pratos = 3/8 pol
Furos = 1/4 pol de diâmetro em um quadro de 1 pol quadrada
Densidade do aço carbono = 7860 kg/m
3
Peso dos suportes ≈ peso do prato
Dados da máquina
97
2.8. Exercícios ufu-fequi-nucop
Figura 2.14: PFD para a unidade 200 - Planta de separação de gases leves.
Tempo para perfurar um buraco = 5 s
Custo de mão-de-obra de usinagem (incluindo honorários) = $ 25 por hora
Custo da hora de operação da máquina = $ 216 por hora ($ 0,30 por furo)
Custo de peças de reposição = uma broca nova de perfuração custa $ 10 e
necessita ser trocada após 1000 furos realizados
Custo da folha de aço carbono = $ 0,28 por lb
Peças para o suporte dos pratos = $ 50 por prato
Considerando os dados acima, estimar o preço de venda de um prato perfurado de
3 m de diâmetro.
8. Um processo químico para produzir 10.000 t por ano de polietileno de alta densidade
(HDPE) custou $ 32 milhões em 1990. Estime o custo de uma planta similar para
produzir 7.500 t por ano de HDPE hoje (assuma meados de 2004).
9. Um certo vendedor estima o custo de um vaso horizontal feito de aço carbono em
função do volume (V) da parte cilíndrica do vaso (V = πd
2
h/4) mais o diâmetro
(d) das cabeças ou peças terminais. Este custo pode ser expresso como segue:
Custo($) = AV
n
+Bd
m
onde V e d são dados em m
3
e m, respectivamente. Sabe-se que os expoentes
destes vasos são constantes em uma ampla faixa, sendo n = 0,7 e m = 0,4. Nos
98
2.8. Exercícios ufu-fequi-nucop
anos passados, vários destes vasos foram construídos, sendo mostrados abaixo as
dimensões e custos de dois deles:
Data da compra Comp. do vaso, m Diam. do vaso, m Preço de compra, $
1989 3 1,2 7.100
1995 5 2,0 17.500
Usando estas informações, estime o custo hoje de um vaso com um diâmetro de 1,7
m e comprimento de 4,0 m.
10. Uma planta química contém os seguintes equipamentos. Avalie o custo total BM
para os equipamentos e para a planta inteira. Assumindo que não há custos alocados
para utilidades e facilidades relacionadas, estime o investimento direto permanente.
Dois aquecedores a chama-direta, queimando gás (gas-fired heater), cada um tendo
uma carga térmica de 20.000.000 Btu/h. Os tubos são de aço carbono e os aquece-
dores operam a 225 psia.
Três colunas de destilação com 8 ft de diâmetro, 25 pratos perfurados, 2 ft de espa-
çamento, construída usando aço inox 316 e operando a 200 psia.
11. Estime o custo total BM para instalar 9 compressores centrífugos de 600 hp cada
feitos em aço carbono tendo motores elétricos com proteção contra explosão, um
secador rotatório a vácuo com 140 ft
3
de volume e uma centrífuga de aço carbono
processando 0,005 m
3
/s.
12. Considere o trocador de calor esquematizado na Figura 2.15. A corrente fria tem
uma capacidade calorífica de C = 40.000 Btu/h-

F. Seus coeficientes de transferência
de calor são h
i
= h
o
= 50 Btu/(ft
2
h

F). Para um trocador de aço inox com
cabeçote flutuante, construído para suportar pressões de até 100 barg, estime o
custo instalado BM.
170
o
F
90
o
F
140
o
F
80
o
F
Figura 2.15: Esquema do trocador de calor do exercício 12.
13. Peters e Timmerhaus
11
derivaram uma expressão para o diâmetro ótimo de um tubo
balanceando o custo do tubo (o qual aumenta com com o diâmetro do tubo) contra
a potência requerida para bombear uma quantidade específica de fluido através do
11
Peters, M. S. e Timmerhaus, K. D. Plant Design and Economics for Chemical Engineers, 3a.
ed., McGraw-Hill, New York, 1980, p. 379
99
2.8. Exercícios ufu-fequi-nucop
tubo (a qual diminui com o aumento do diâmetro do tubo). Para tubos maiores que
1 in de diâmetro, estes autores chegaram a:
D
i,otim
= Q
0,448
f
ρ
0,132
µ
0,025
c
_
0, 88K(1 +J)H
y
(1 +F)XEK
f
_
0,158
= 3, 9Q
0,45
f
ρ
0,13
onde D
i
= diâmetro ótimo do tubo (in), Q
f
= vazão volumétrica (ft
3
/s), ρ =
densidade (lb/ft
3
), µ
c
= viscosidade (cP), K = $0,055/kWh, J = 0,35, H
y
= 8760
h/ano, E = 0,5, F = 1,4, K
f
= 0,2, e, X = $0,45/ft. Muitos engenheiros na indústria
utilizam uma regra prática que a velocidade no tubo é uma constante, apesar de
utilizar diferentes valores para gases e líquidos. Utilizando a equação acima, você
pode derivar uma regra prática para o cálculo da velocidade do fluido? Quais são
as limitações desta regra (incluindo sua aplicação no Brasil)? Ou seja, para quais
casos ela não se aplica? Se o fator de custo anual K
f
mudar de 0,2 para 0,4, como
a resposta encontrada é afetada?
14. Considere o projeto da coluna de destilação para separar benzeno e tolueno do pro-
cesso HDA (Capítulo 1). Assuma que α = 2,5. Para o caso em que a vazão de
alimentação seja 100 mol/h, a composição de benzeno seja de 0,05, e deseja-se recu-
perar 99,5% de benzeno, com pureza de 0,99, calcule o número de pratos requeridos
na separação. Utilize a equação de Smoker ou o método de McCabe-Thiele. Assuma
que R = 1, 2R
m
. No dimensionamento da coluna, considere os casos: (a) a corrente
de alimentação está a 100

F; (b) a alimentação está nas condições de líquido sa-
turado (neste caso calcule também a carga térmica do trocador de calor necessário
para aquecer a alimentação). Compare o calor fornecido total e o número de pratos
nos dois casos e analise o impacto dos seus resultados na estimativa de custo da
separação, nos dois casos.
15. Uma regra empírica comumente utilizada em projeto é que a temperatura de apro-
ximação em um trocador de calor necessita ser 10

F na faixa indo da temperatura
ambiente até o ponto de ebulição de orgânicos (valores menores, por exemplo, 3

F, são utilizados para refrigeração e valores maiores, por exemplo, 50

F, para al-
tas temperaturas). A fim de avaliar esta regra prática, considere o sistema simples
mostrado na Figura 2.16, onde tenta-se recuperar calor de uma corrente de efluente
através da produção de vapor.
O custo total anual (TAC) deste processo é a soma dos custos anualizados dos dois
T
in
= 366
W
s
T
S
=267 120 90
T
1
W
C
100
F
A
S
, U
S
A
C
, U
C
Figura 2.16: Esquema da etapa de recuperação de calor do exercício 15.
trocadores de calor mais o custo da água de refrigeração, menos o valor do vapor
100
2.8. Exercícios ufu-fequi-nucop
produzido:
TAC = C
A
A
S
+C
A
A
C
+C
W
W
C
−C
S
S
Escreva as equações para o balanço de energia para os trocadores e mostre que a
equação do custo total anual (TAC) pode ser escrita como sendo:
TAC = C
A
FC
p
U
C
_
T
1
−100
T
1
−130
_
ln
T
1
−120
100 −90
+C
A
FC
p
U
S
ln
T
in
−T
S
T
1
−T
S
+C
W
FC
p
30
(T
1
−100) −C
S
FC
p
∆H
S
(T
in
−T
1
)
Desde que T
S
= 267 e T
1
necessita ser maior que T
S
podemos simplificar a expressão
acima assumindo que (T
1
− 100)/(T
1
− 130)

= 1. Com esta aproximação, mostre
que o valor ótimo de T
1
é dado por:
0 = −
C
A
/U
S
T
1
−T
S
+
C
A
/U
C
T
1
−120
+
C
W
30
+
C
S
∆H
S
Apesar desta equação ser relativamente simples para resolver em T
1
, suponha que
queiramos encontrar os intervalos da resposta. Isto é, sabemos que T
1
necessita
ser menor que T
in
e que deve ser maior que T
S
. Portanto, pode-se escrever (após
resolver para T
1
−T
S
, que é o termo mais sensível na equação acima):
C
A
/U
S
C
A
/U
C
T
S
−120
+
C
W
30
+
C
S
∆H
S
< T
1
−T
S
<
C
A
/U
S
C
A
/U
C
T
in
−120
+
C
W
30
+
C
S
∆H
S
Calcule estes limites para o caso onde: C
A
=$11,38/ano, F = 51.100 lb/h, C
p
= 1,0
Btu/lb-

F, U
C
= 30 Btu/h.ft
2
.

F, U
S
= 20 Btu/h.ft
2
.

F, C
W
= $0,07388/[(lb/h).ano],
∆H
S
= 933,7 Btu/lb, T
S
= 267

F, T
i
n = 366

F, C
S
= $21,22/[(lb/h).ano].
101
2.8. Exercícios ufu-fequi-nucop
E
q
u
i
p
a
m
e
n
t
o
E
-
2
0
1
E
-
2
0
2
E
-
2
0
3
E
-
2
0
4
T
-
2
0
1
T
-
2
0
2
P
-
2
0
1
A
/
B
P
-
2
0
2
A
/
B
V
-
2
0
1
V
-
2
0
2
T
i
p
o
C
F
C
F
C
F
C
F
T
o
r
r
e
T
o
r
r
e
B
C
B
C
V
H
V
H
Á
r
e
a
1
5
5
m
2
4
5
m
2
8
5
m
2
2
0
m
2
-
-
-
-
-
-
P
c
a
s
c
o
1
5
b
a
r
g
4
b
a
r
g
5
b
a
r
g
4
b
a
r
g
-
-
-
-
-
-
P
t
u
b
o
4
b
a
r
g
1
5
b
a
r
g
4
b
a
r
g
5
b
a
r
g
-
-
-
-
-
-
M
O
C
C
S
C
S
C
S
C
S
C
S
C
S
C
S
C
S
C
S
C
S
D
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m
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r
o
-
-
-
-
0
,
9
5
m
1
,
0
0
m
-
-
1
,
2
5
m
1
,
2
5
m
L
o
u
H
-
-
-
-
1
9
,
0
m
2
1
,
0
m
-
-
3
,
7
5
m
3
,
7
5
m
P
p
r
o
j
e
t
o
-
-
-
-
1
5
b
a
r
g
5
b
a
r
g
-
-
1
5
b
a
r
g
5
b
a
r
g
I
n
t
e
r
n
o
s
-
-
-
-
3
6
P
P
4
0
P
P
-
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-
-
M
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C
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-
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-
S
S
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-
P
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t
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-
-
-
-
-
-
1
,
3
k
W
1
,
2
k
W
-
-
P
d
e
s
c
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r
g
a
-
-
-
-
-
-
1
6
b
a
r
g
6
b
a
r
g
-
-
C
F
=
c
a
b
e
ç
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e

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B
C
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t
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s
p
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r
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o
P
r
o
b
l
e
m
a
4
.
102
2.9. Anexos - Figuras para Estimativa de Custo de Equipamentos ufu-fequi-nucop
2.9 Anexos - Figuras para Estimativa de Custo de Equi-
pamentos
Figura 2.17: Custo de compra de trocadores de calor (Seider et al., 1999).
103
2.9. Anexos - Figuras para Estimativa de Custo de Equipamentos ufu-fequi-nucop
Figura 2.18: (b) Fator de pressão; (c) Fator BM do custo de um trocador de calor (Seider
et al., 1999).
104
2.9. Anexos - Figuras para Estimativa de Custo de Equipamentos ufu-fequi-nucop
Figura 2.19: Custo de compra de vasos cilíndricos de processo (a) horizontal (b) vertical
(Seider et al., 1999).
105
2.9. Anexos - Figuras para Estimativa de Custo de Equipamentos ufu-fequi-nucop
Figura 2.20: Custo de compra de vasos cilíndricos de processo (c) fator de pressão (d)
fator BM (Seider et al., 1999).
106
2.9. Anexos - Figuras para Estimativa de Custo de Equipamentos ufu-fequi-nucop
Figura 2.21: Custo de compra pratos perfurados e eliminador de névoa. Os custos são
por prato. Para no. de pratos menor que 20, multiplique o custo por f
q
(Seider et al.,
1999).
107
2.9. Anexos - Figuras para Estimativa de Custo de Equipamentos ufu-fequi-nucop
Figura 2.22: Custo de compra de sopradores e compressores de gás (Seider et al., 1999).
108