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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO

CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS
CURSO DE ENGENHARIA MECÂNICA














ANÁLISE ESTRUTURAL DO VEÍCULO TERRESTRE MINI BAJA UTILIZANDO O
MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS




São Luís
2006

1
HAIRTON DE J ESUS SOUSA









ANÁLISE ESTRUTURAL DO VEÍCULO TERRESTRE MINI BAJA UTILIZANDO O
MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS


Trabalho de conclusão de curso
apresentado à Universidade Estadual do
Maranhão – UEMA, como requisito parcial
para obtenção do grau de Bacharel em
Engenharia Mecânica.

Orientador: Prof.º M.Sc. Paulo César
Marques Doval.
Co-orientador: Prof.º Dr. Henrique Mariano
Costa do Amaral.





São Luís
2006

2
SOUSA, Hairton de J esus.

Método dos elementos finitos aplicados à análise
estrutural do veículo terrestre mini baja. / Hairton de J esus
Sousa. – São Luís, 2006.

67 f.: il.

Monografia (Graduação em Engenharia Mecânica).
Universidade Estadual do Maranhão, 2006.

1. Elementos finitos 2. Análise estrutural 3. AutoCad e
COSMOS/M I. Título.
CDU: 629.3:004.896

3
HAIRTON DE J ESUS SOUSA

ANÁLISE ESTRUTURAL DO VEÍCULO TERRESTRE MINI BAJA UTILIZANDO O
MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS


Trabalho de conclusão de curso
apresentado à Universidade Estadual do
Maranhão – UEMA, como requisito parcial
para obtenção do grau de Bacharel em
Engenharia Mecânica.

Aprovado em / / .



BANCA EXAMINADORA

________________________________________
Prof. MSc. Paulo César Marques Doval
(Orientador)
________________________________________
Prof. Dr. Henrique Mariano Costa do Amaral

________________________________________
Prof. MSc. Clodoaldo César Malheiro Ferreira



4
AGRADECIMENTOS

Acima de tudo a Deus pelo dom da vida.
Aos meus pais, Maria do Socorro chaves Sousa e André de J esus Sousa,
em especial a minha mãe, a quem dedico de coração toda a minha gratidão pela
oportunidade de estudar, pelo apoio dado e pela confiança dada.
Aos meus irmãos Ideraldo, Oldair, Alex, Heráclito e Batista pelo apoio,
incentivo e paciência, sempre na busca por dias melhores.
A minha esposa Rosa Maria Soares Lisboa Sousa, minha sogra e meu
sogro pela paciência.
Ao orientador Prof. MSc. Paulo César Marques Doval, ao co-orientador
Prof. Dr. Henrique Mariano Costa do Amaral e ao Prof. MSc. Clodoaldo César
Malheiro Ferreira, à inestimável contribuição de conhecimento.
Aos guerreiros, Aldir e Washington pela batalha vencida. Eles sabem a
que me refiro.
Ao advogado Dário, meu muito obrigado.
A Professora Zulene e ao Engenheiro Mecânico Lindemberg Trindade
pelo apoio e orientação na normalização deste trabalho;
Aos amigos da Universidade Estadual do Maranhão, professores,
funcionários, pela ajuda, pela amizade, incentivo, companheirismo, compreensão,
orientação e pela luta no decorrer da minha estada nesta instituição;
A todos aqueles que contribuíram, direta ou indiretamente, para
realização deste trabalho.



5






















“Não é conhecer muito, mas o que é
útil, que torna um homem sábio”.
Thomas Fuller, M.D.

6






RESUMO

Este trabalho consiste em, através do uso de softwares (AUTOCAD 2000 e
COSMOS/M V. 2.8), verificar o comportamento estrutural de um veículo terrestre
(mini baja), utilizando modelos computacionais. Tendo como objetivo, determinar a
resposta por superposição modal através da determinação dos modos e freqüências
da estrutura, para utilização em pista de terra de acordo com o material utilizado e
também analisar o sistema de acordo com entradas periódicas, utilizando para isso o
Método dos Elementos Finitos como ferramenta estratégica.

Palavras-chave: Autocad, COSMOS/M, Análise Estrutural e Elementos Finitos.









7




ABSTRACT

This work consist of studing the structural behavior of use softwares (AUTOCAD
2000 and COSMOS/M V. 2.8) for two land vehicles (mini baja) through the means of
two models for computers. It is aimed at determining the response by modal
overplacing through the indication of modes and frequencies of the structure for use
in land tracks according for the material used and also analyze the system according
to periodic entrances using the Finite Element Method as a strategical tool.

Keywords: Autocad, COSMOS/M, Structural Analyzes and Finite Element.











8
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 Carga estática.............................................................................. 20
Figura 2 Diagrama de corpo livre para um elemento finito......................... 24
Figura 3 Massa distribuída continuamente................................................ 25
Figura 4 Massa concentrada somente nos nós.......................................... 26
Figura 5 Representação física do modelo massa-mola............................. 29
Figura 6 Sistema de um grau de liberdade................................................ 31
Figura 7 Aplicação da segunda lei de Newton em sistema com dois
graus de liberdade 34
Figura 8 Montagem da matriz de rigidez.................................................... 40
Figura 9 Montagem da Matriz de amortecimento....................................... 42
Figura 10 Definição dos nós, elementos e condição de contorno................ 48
Figura 11 Primeiro modo de vibração, aço 1020.......................................... 50
Figura 12 Segundo modo de vibração, aço 1020........................................ 51
Figura 13 Terceiro modo de vibração, aço 1020.......................................... 51
Figura 14 Quarto modo de vibração, aço 1020............................................ 52
Figura 15 Quinto modo de vibração, aço 1020............................................ 52
Figura 16 Primeiro modo de vibração, Alumínio 6061................................. 54







9
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 Propriedades mecânicas do Aço 1020......................................... 45
Tabela 2 Propriedades do elemento........................................................... 45
Tabela 3 Propriedades mecânicas da liga de alumínio 6061..................... 46
Tabela 4 Propriedades do elemento........................................................... 46




















10
LISTA DE QUADROS

Quadro 1 Definição das coordenadas 3D.................................................... 47
Quadro 2 Definição dos elementos.............................................................. 47
Quadro 3 Freqüências naturais, aço 1020................................................... 49
Quadro 4 Deslocamento dos nós, aço 1020................................................ 50



















11
LISTA DE SIGLAS

BEA Análise de Elementos de Contorno
CAD Desenho Auxiliado por Computador
DCL Diagrama de Corpo Livre
FEA Análise por Elementos Fínitos
FEM Mecanismo de Elementos Finitos
SAE Society Automotive Engineer
SAE-Brasil Sociedade dos Engenheiros Automotivos do Brasil
AISI Instituto Americano do Ferro e Aço
















12
LISTA DE SÍMBOLOS

a Aceleração
F Força ou Carga
m Massa
L Comprimento
u Deslocamento
K Rigidez
δ Deformação
E Módulo de elasticidade
σ Tensão
t Tempo
y Deformação resultante
u’ 1º derivada do espaço em relação ao tempo
u” 2º derivada do espaço em relação ao tempo
C.G Centro de Gravidade
F(t) Força em função do tempo
[M] Matriz massa da estrutura
[K] Matriz rigidez da estrutura
[C] Matriz de amortecimento da estrutura
{U} Matriz dos deslocamentos nodais
{U’} Matriz das velocidades nodais
{U”} Matriz das acelerações nodais
c Amortecimento
ε Deformação axial

13
I Momento de Inércia
θx Rotação no plano x
θy Rotação no plano Y
θz Rotação no plano z
Ux Deslocamento no eixo x
Uy Deslocamento no eixo y
Uz Deslocamento no eixo z
ã Freqüência natural
v Coeficiente de Poisson
T Período
















14
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO......................................................................................... 16
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA............................................................... 18
2.1 Cargas estáticas..................................................................................... 18
2.2 Cargas dinâmicas................................................................................... 20
2.2.1 Classificação das cargas dinâmicas........................................................ 21
2.3 Graus de liberdade de um sistema mecânico..................................... 22
2.4 Roteiro de análise pelo método dos elementos finitos...................... 22
2.4.1 Sistemas contínuos.................................................................................. 24
2.4.2 Sistemas discretos................................................................................... 25
2.5 Modelo matemático do problema dinâmico........................................ 27
2.5.1 Derivação de equações............................................................................ 27
2.5.2 Solução de equações............................................................................... 28
2.6 Modelo físico do problema dinâmico................................................... 28
2.6.1 Rigidez e massa no modelo dinâmico...................................................... 29
2.7 Formulação das equações do movimento........................................... 30
2.7.1 Formulação da equação do movimento para um grau de liberdade ....... 30
2.7.2 Formulação da equação do movimento para dois graus de liberdade.... 33
2.7.3 Formulação da equação do movimento para n graus de liberdade......... 36
2.7.4 Equilíbrio dinâmico de sistemas com n graus de liberdade..................... 38
2.7.5 Montagem da matriz de rigidez da estrutura a partir das matrizes de
rigidez dos elementos.............................................................................. 40
2.7.6 Montagem da matriz de amortecimento do conjunto a partir das
matrizes de amortecimento de cada componente................................... 42

15
2.8 Superposição modal.............................................................................. 43
2.9 Fenômeno da ressonância.................................................................... 44
2.10 Estudo de caso....................................................................................... 44
3 METODOLOGIA...................................................................................... 54
4 RESULTADOS, DISCUSSÕES E SUGESTÕES.................................... 57
5 CONCLUSÃO.......................................................................................... 58
REFERÊNCIAS........................................................................................ 59
GLOSSÁRIO............................................................................................ 60
ANEXOS................................................................................................... 62
APÊNDICE............................................................................................... 63



16
1 INTRODUÇÃO

Os Mini Baja foram inspirados nas competições do deserto americano da
Baja, Califórnia nos Estados Unidos, onde já é disputada há mais de trinta anos, lá
surgiram os buggies e os gaiolas. Como os protótipos dos estudantes são bem
menores, surgiu o nome Mini. Em 1991, foi criada a Society Automotive Engineer
(SAE), que é a Instituição organizadora do evento pelo mundo. No Brasil a primeira
competição ocorreu em 1994, com apenas dois participantes. Atualmente já passam
de cinqüenta participantes, a competição já encontrá-se na 12º edição e tornou-se
um referencial de criatividade e qualidade de aprendizado entre os estudantes de
engenharia de todo o país de acordo com a revista Engenharia Automotiva e
Aeroespacial, nº 4, janeiro/fevereiro (2001, p.66-68). No Maranhão a Universidade
Estadual no ano de 2001, participou pela primeira vez da competição, indo até o
Estado de São Paulo no Autódromo de Interlagos.
Dentre algumas características técnicas do veículo Mini Baja temos:
- Motor de 10 Hp, 4 tempos refrigerado a ar e movido a gasolina (motor de
cortador de grama).Fabricante: Briggs & Stratton;
- Comprimento aproximado: 2600 mm, bitola dianteira 1350 mm, bitola
traseira 1400 mm, entre eixos 1450 mm, tanque de combustível 3.5 l e
autonomia 1.5 h;
- Altura do veículo, 1500 mm;
- Altura solo, 250 mm;
- Suspensão independente tipo duplo V e traseiro eixo rígido;
- Freios: disco ventilado de fabricação própria, acionamento hidráulico;
- Direção mecânica tipo pinhão/cremalheira;

17
- Estrutura tipo gaiola (tubular).
Considerando-se a importância da integridade estrutural do Mini Baja em
caso de capotamento, este trabalho nasceu da necessidade de dimensionar de
forma segura a estrutura do veículo de pequeno porte para uma pessoa para
competição em piso de terra. No Brasil, a competição é organizada pela Sociedade
dos Engenheiros Automotivos SAE-Brasil (acesso em: www.saebrasil.org.br). Diante
do problema a ser desenvolvido, procurou-se dimensionar a estrutura tipo gaiola, a
partir do conhecimento das normas técnicas preestabelecidas. A importância maior
deste trabalho é despertar e motivar os acadêmicos de Engenharia Mecânica para
que participem de projetos como este do Mini Baja.
Objetivos específicos em relação ao projeto podem ser citados tais
como; oferecer aos acadêmicos um projetor desafiador que envolva as tarefas de
planejamento e manufatura para se produzir um veiculo terrestre, colocar em
práticas os conhecimentos adquiridos durante o curso, divulgação do projeto Mini
Baja junto à comunidade em geral, diminuição ou fim da evasão de acadêmicos do
curso de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual do Maranhão e que se
obtenha o sucesso almejado.
O método dos elementos finitos e de modelagem implementados aos
softwares, são importantes procedimentos para análise estrutural que inicialmente
seriam difíceis ou impossíveis á mão livre. Por estes motivos devem ser vistas como
ferramentas estratégicas para se construir um produto com qualidade.





18
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Um dos problemas enfrentados por engenheiros quando lidam com
estruturas é justamente combinar partes e analisá-las. Atualmente as principais
universidades brasileiras já trabalham com modelagem e análise estrutural Por isso
é importante a observação do desenvolvimento de novas técnicas. O uso do Método
dos Elementos Finitos, implementado em softwares tem ajudado designers e
engenheiros a obterem um melhor entendimento dos problemas complexos e de
difíceis soluções por meio dos métodos convencionais. A concepção básica do FEM
é dividir a estrutura a ser analisada em diversas partes ou elementos. Cada
elemento tem uma forma estrutural especifica que é interconectada com elementos
adjacentes ao qual são chamados de pontos nodais (nós). Várias equações podem
ser formuladas para cada elemento ao qual podem relatar uma quantidade física. O
comportamento da estrutura é realizado a partir da soma do comportamento dos
diversos elementos, assim pode-se analisar e prever o comportamento.estrutural do
Mini Baja.
Com a implementação de vários carregamentos e condições de contorno,
as equações podem ser montadas e resolvidas, tornando possível encontrar
parâmetros desconhecidos. Em muitos casos, pode ser estudado como à tensão e a
deformação é distribuída na estrutura.

2.1 Cargas estáticas

Uma estrutura é considerada estática, quando é carregada lentamente
até atingir a sua carga máxima e para esta determina-se a configuração deformada e

19
as forças internas nos elementos. Assim, as cargas são aplicadas tão lentamente e
geram movimentos tão lentos na estrutura, que em qualquer instante a resposta
pode ser calculada. As deformações resultantes na estrutura, associadas às forças
aplicadas se desenvolvem também lentamente e atingem seus valores máximos
quando o carregamento externo também for máximo. É como se a estrutura, até
chegar à carga máxima, percorresse um caminho que pudesse ser registrado como
uma sucessão de fotografias de problemas estáticos.
Os modelos estáticos de elementos finitos encarregam-se de determinar
a resposta estrutural ao longo de todos os elementos partindo da hipótese de que a
condição deformada era unicamente determinada a partir da contabilização da
rigidez (k) da estrutura. A ação das cargas externas são internamente absorvidas
pelas forças elásticas que se manifestam decorrente da condição deformada da
estrutura. Com relação à leitura da Lei de Hooke (Mecânica dos matérias, p.18) diz
que, alguns materiais obedecem a uma relação linear entre tensão/ deformação.
Assim sendo a energia fornecida à estrutura por intermédio do carregamento externo
é absorvida unicamente como energia de deformação. Na prática o modelo estático
de elementos finitos está muito longe de representar a realidade dos problemas de
engenharia. Logo podemos concluir que, as cargas estáticas não variam com o
tempo e a estrutura é carregada tão lentamente que cada estágio do carregamento é
tratado como um problema estático.



20










I
Figura 1. Carga estática.

2.2 Cargas dinâmicas

As cargas dinâmicas tiram a estrutura da sua condição de equilíbrio, é o
caso das estruturas que estão sujeitas a carregamentos que variam com o tempo,
chamados de carregamentos dinâmicos, estes carregamentos movem os
componentes da estrutura e apresentam variações consideráveis de velocidade
sujeitos portanto a acelerações.
Uma grande quantidade de aplicações em engenharia envolve
componentes sujeitos a essas cargas dinâmicas pois, sob a ação dessas cargas, as
estruturas comportam-se de modo bastante diferente do comportamento
apresentado sob a ação de cargas estáticas. A natureza das forças que se
manifestam ao analisarmos o comportamento de cada trecho da estrutura sob ação

21
de cargas dinâmicas merece um cuidadoso estudo. Assim cargas dinâmicas
ocasionam acelerações nos elementos de uma estrutura ou na estrutura inteira.
Essas acelerações estão associadas às variações de velocidade que ocorrem na
mesma. Como os elementos da estrutura possuem massa, sob efeito das
acelerações presentes surgirão forças de inércia e forças elásticas que irão provocar
vibrações de acordo com o Principio Fundamental da Dinâmica:
F =m . a (1)
A maioria dos componentes mecânicos está sujeita a cargas que variam
com o tempo e, portanto possuem características dinâmicas. Nos veículos terrestres
como o Mini Baja, a estrutura está sujeitas a toda sorte de ações ocasionadas por
acelerações repentinas, frenagens violentas, pisos irregulares que geram impactos,
reduções acentuadas de marchas etc. Esses eventos acarretam no veículo e em
seus componentes, acelerações de diversas intensidades e em diferentes direções.
Como conseqüência a estrutura e os componentes mecânicos deverão ser
dimensionados considerando que as forças que estão atuando possuem
características totalmente diferentes da estrutura estática.
É fundamental identificar com a força aplicada atua ao longo do tempo,
bem como identificar algumas características dinâmicas do componente a ser
dimensionado.

2.2.1 Classificação das cargas dinâmicas

O projeto de estruturas deve considerar os carregamentos medidos
experimentalmente. Muitas vezes, na impossibilidade de prever todos os possíveis
carregamentos, surgem os carregamentos de projeto, de modo que se possam

22
prever as situações mais severas da utilização da mesma. Podemos citar as
seguintes cargas dinâmicas:
a) Cargas periódicas – repetem-se identicamente em intervalos de
tempos iguais, ocasionando vibrações na estrutura. A cada período (T) que o
fenômeno se repete é chamado de ciclo.
b) Cargas senoídais – são cargas periódicas mais simples, a variação
com o tempo é chamada de harmônica ou seja, executa um movimento harmônico.
c) Cargas não periódicas ou de impacto – podem atuar durante um
intervalo muito pequeno de tempo e refere-se a uma colisão real de dois corpos. São
consideradas perigosas para as estruturas.

2.3 Graus de liberdade de um sistema mecânico

Com relação à leitura, Avelino (Elementos Finitos a base da Tecnologia
CAE, 2005, p.26), o número de graus de liberdade de um sistema mecânico é o
número de componentes de deslocamento que são requeridos para localizar
completamente todas as massas constituintes do sistema em um determinado
tempo. Nas estruturas reais a massa é sempre continuamente distribuída e o
sistema é composto por infinitas massas elementares. Portanto, qualquer estrutura
real deve ser considerada um sistema de infinitos graus de liberdade. Para cada
grau de liberdade podemos ter até, três de translação (Ux, Uy e Uz) e três de
rotação (θx, θy e θz), dependendo do elemento utilizado. Dentre alguns tipos de
elementos temos; vigas, tubos, sólidos e cascas.



23
2.4 Roteiro de análise pelo método dos elementos finitos

a) Criação do modelo da estrutura obedecendo um eixo de referência;
b) Determinação da rigidez de cada elemento.

• Sistema de equação para um elemento:
(F)
e
=[k]
e
.{u}
e
(2)
• Determinação da rigidez da estrutura
{K}=[K] . {u} (3)
• Sistema de equação para a estrutura
[K] =Σ . [K]
e
(4)
• A partir dos deslocamentos nodais são calculados:
a) Deslocamento dentro dos nós (u)
b) Deformações dentro dos elementos (δ)
c) Tensões dentro dos elementos (σ)
A rigidez (K) de um elemento é verificada por intermédio da relação
(Força x Deslocamento), tais forças justificam o equilíbrio de cada elemento na
estrutura.
A partir do conhecimento das cargas atuantes na estrutura e da sua
condição de apoio serão determinados os deslocamentos por intermédio da
Equação Matricial:
O diagrama de corpo livre (DCL), é necessário para definir as cargas que
agem nos elementos. Temos que incluir todos os momentos, torques e forças pois,
muitos erros nas análises de forças ocorrem por que o diagrama é desenhado
incorretamente.

24











Figura 2. Diagrama de corpo livre para um elemento finito.

2.4.1 Sistemas contínuos

Em uma estrutura real a massa é distribuída continuamente e está
sujeita a forças de inércia. Ao focalizarmos nossa atenção para apenas um elemento
de interesse, está massa é isolada do resto do sistema por intermédio do diagrama
de corpo livre. Cada pequena massa está sujeita a forças de inércia. Como a
estrutura tem infinitas massas elementares, as forças de inércia presentes em cada
uma delas devem ser contabilizadas, pois solicitarão a estrutura. Um exemplo típico
é uma barra forçada a vibrar, as pequenas massas distribuídas ao longo da barra
estão sujeitas a acelerações e forças de inércia. Cada massa é localizada por
intermédio de uma coordenada “x”, que em cada instante ela se desloca e que varia
com o tempo.

25
Assim sendo, a massa de um tubo distribuído continuamente ao longo do
seu comprimento, sofrem deslocamentos e acelerações que devem ser definidos
para cada ponto e que para serem definidos, são necessários equações diferenciais
parciais com variáveis independentes da coordenada “x” e do tempo “t”.
A partir do entendimento do equilíbrio dinâmico de um elemento
diferencial do tubo, pode-se entender o comportamento dinâmico do tubo inteiro, em
seus infinitos pontos.






Figura 3. Massa distribuída continuamente.

2.4.2 Sistemas discretos

O estudo do comportamento dinâmico de uma estrutura ou um
componente mecânico pode ser efetuado considerando-o como um sistema discreto.
As considerações a respeito da simulação da estrutura como uma montagem de
elementos finitos, e não diferencial continuam válidas e serão consideradas.
De acordo com a Redução de Guyan (Elementos Finitos a base da
Tecnologia CAE, 2005, p.282), que diz que a massa aplicada é considerada
somente em alguns nós do modelo, ao qual a representação da massa é feita de
forma discretizada. A conseqüência é que somente nos nós escolhidos em que há

26
os maiores esforços, as forças de inércia serão contabilizadas e ao se colocar
massa em alguns graus de liberdade limitados, as equações dinâmicas serão
reduzidas, pois só serão contabilizadas forças de inércia onde há massa.
Poderíamos dizer de forma simplificada que o modelo discretizado da estrutura é um
imenso mar de molas que contabiliza ponto a ponto nodal a rigidez da estrutura.





Figura 4. Massa concentrada somente nos nós.

No modelo discretizado há infinitos pontos a ser analisado, para se obter
um resulta mais satisfatório deve ser calculados somente os deslocamentos,
velocidades e acelerações de alguns pontos, que são os nós, julgando que um
determinado número de nós escolhidos é suficiente para representar a configuração
deformada da estrutura inteira em cada instante do seu movimento de forma
aproximada.
A partir do conhecimento dos deslocamentos nodais, podemos calcular
os deslocamentos dentro dos elementos. Não podemos esquecer que a rigidez e a
inércia são conceitos que serão utilizados no âmbito da estrutura e a partir do
entendimento do que ocorre em um grau de liberdade do modelo sob ação dinâmica,
podemos entender o ocorre com a toda à estrutura do Mini Baja. Este é o primeiro
passo para o tratamento matemático do problema dinâmico.
O modelo discretizado da estrutura para propósito de estudo da análise

27
dinâmica é um imenso mar de molas, massas e amortecedores que contabilizam
ponto a ponto a rigidez da estrutura, a massa associada e o amortecimento
presente, sob a ação das forças externas que solicitam a estrutura.

2.5 Modelo matemático do problema dinâmico

A intenção do modelo matemático é representar todas as importantes
partes do sistema de modo que se possa obter através da derivação matemática ou
analítica, determinar as equações que governam o comportamento do sistema. A
solução das equações nos dá resultados de deslocamento, velocidade e aceleração
de várias massas do sistema, estes resultados podem ser interpretados e
analisados.

2.5.1 Derivação de equações

Quando somente o modelo matemático de derivação é disponível,
podemos utilizar os princípios da dinâmica e derivam-se as equações que descreve
a vibração do sistema. As equações de movimento podem ser derivadas
convenientemente desenhando o diagrama de corpo livre de todas as massas
envolvidas. O diagrama de corpo livre da massa pode ser obtido, isolando todas as
massas e indicando todas as forças externas aplicadas, as forças de reação e as
forças de inércia. As equações de movimento de um sistema de vibração são
geralmente em forma de equações diferenciais ordinárias para um sistema discreto e
parcialmente diferencial para um sistema continuo. A equação pode ser ainda linear
e não linear dependendo do comportamento do sistema. Os seguintes princípios

28
podem ser utilizados para derivação; Segunda lei de Newton para movimento, o
Princípio de D´ Alembert e o Princípio de Conservação de Energia.

2.5.2 Solução de equações

As equações de movimento podem ser resolvidas encontrando-se a
resposta do sistema de vibração, dependendo da natureza do problema, podemos
usar métodos tradicionais de solução de equações diferenciais, tais como o Método
de matrizes e o Método numérico. O Método numérico envolve o uso de
computadores para resolver as equações.

2.6 Modelo físico do problema dinâmico

A partir do entendimento do Método dos Elementos Finitos em análise
estática, é sabido que para elaboração do modelo de cálculo está ligado à
capacidade de entender a natureza física do fenômeno que pretendemos
representar. Este é o primeiro passo para o entendimento do fenômeno físico
dinâmico que ocorre em cada ponto e, como conseqüência, a elaboração do modelo
físico adequado para representá-lo. Do ponto de vista físico, o estudo do sistema
massa-mola permite-nos entender o que ocorre com o corpo preso à extremidade de
um tubo ao ser afastado da posição de equilíbrio, o corpo tenderá a vibrar.





29









Figura 5. Representação física do modelo massa-mola

2.6.1 Rigidez e massa no modelo dinâmico

A rigidez desempenha papel importante na discretização de problemas
estruturais, o elemento mola de um veículo ou em um componente mecânico
representa a rigidez. O seu estudo permiti-nos tirar algumas conclusões em relação
ao significado físico em qualquer modelo de análise. As estruturas possuem diversos
componentes de rigidez (k), que são representados no caso mais geral como molas
translacionais e rotacionais. Para pequenas deflexões a relação força-deslocamento
é linear.

F
k
y
= (5)




30
2.7 Formulação da equação do movimento

A análise estrutural tem por objetivo determinar a relação entre as cargas
variáveis que atuam nos nós da estrutura e os deslocamentos da estrutura inteira,
que também variam com o tempo. Logo a rigidez está sempre presente através, da
matriz de rigidez do elemento [k]
e
, e no âmbito da estrutura por intermédio da matriz
de rigidez da estrutura [k]. Os conceitos de rigidez, inércia e amortecimento estão
presentes.
Para este estudo, iremos considerar o Método dos Elementos Finitos para
sistemas discretos envolvendo um número limitado de graus de liberdade para
equacionar o problema dinâmico da estrutura e, assim determinar o comportamento.
A formulação das equações do movimento de um sistema dinâmico constitui a tarefa
mais importante do processo de análise. Segundo a aplicação da 2º Lei de Newton
e considerando o diagrama de corpo livre, teremos a equação de movimento:

m . u” +c . u’ +k . u =F(t) (6)

2.7.1 Formulação da equação do movimento para um grau de liberdade

De acordo com R. C. Hibbeler (Mecânica Dinâmica 8º edição, p.446),
sistemas com um grau de liberdade, requerem apenas uma coordenada para definir
a sua posição. É fundamental ter em mente, que o conhecimento detalhado de como
o sistema de um grau de liberdade se comporta em termos de vibração livre e
forçada, é a chave para o entendimento para o sistema de n graus de liberdade.
Vamos considerar uma estrutura constituída por apenas um elemento

31
finito de mola de constante “k”, a estrutura está fixada em um nó, com massa “m”
concentrada em outro nó, na outra extremidade. O amortecimento presente é
representado simbolicamente pelo amortecedor “c”. A força externa provoca
deslocamento “u” na estrutura. Entretanto, neste caso a força externa varia com o
tempo F(t) e o deslocamento “u” também varia com o tempo “t”.
As equações do movimento de qualquer sistema dinâmico podem ser
obtidas a partir da aplicação da 2º lei de Newton ou Princípio Fundamental da
Dinâmica. Temos basicamente um sistema massa-mola em que será feita a análise
do comportamento dinâmico do corpo por intermédio do diagrama de corpo livre.







Figura 6. Sistema de um grau de liberdade.

Considerando as forças agentes na direção horizontal e aplicando a 2º
Lei de Newton, teremos as seguintes forças que agem sobre o corpo na direção
horizontal:
- F(t) =força externa variável com o tempo, aplicada ao corpo
- F elástica =força que a mola aplica no corpo
- F amortecida =força que o amortecedor aplica no corpo
A intensidade da força elástica é proporcional à deformação da mola. A

32
intensidade da força do amortecedor é proporcional à velocidade.. A velocidade de
uma partícula é dada pela primeira derivada da coordenada que define sua posição,
ou mais propriamente, a primeira derivada em relação ao tempo, e a aceleração é
dada pela segunda derivada ou seja, a aceleração é dada pela derivada da
velocidade em relação ao tempo. Logo:

du
v =u’ = _____ (7)

dt

dv d
2
v
a =_____ =_____ = u” (8)

dt dt
2



A equação (6) contabiliza a ação de todas as forças que atuam em um
corpo de massa “m”, e constitui o ponto de partida para o estudo do comportamento
dinâmico de um grau de liberdade da estrutura. O entendimento claro do que ocorre
em um grau de liberdade permite entender o que ocorre na estrutura inteira.
Outro aspecto importante é que o sistema massa-mola serve apenas para
como pano de fundo para discutir as leis fundamentais do problema dinâmico, que
tem um sentido muito mais geral do que um simples sistema massa/mola/
amortecedor, estamos estudando no caso mais geral, o que ocorre com o

33
movimento de um nó na estrutura. A mola representa a rigidez da estrutura em um
determinado ponto e em dada direção, o amortecedor representa o mecanismo que
permite contabilizar a perda de energia no movimento vibratório, e a massa
representa a propriedade de inércia, em função da presença de massa.

2.7.2 Formulação da equação do movimento para dois graus de liberdade

Sistemas que requerem duas coordenadas independentes para descrever
seu movimento são chamados de dois graus de liberdade. Podemos ter como
exemplo o motor do veículo Mini Baja, assumindo que o sistema vibra em um plano
vertical, podemos idealizar a massa “m” como uma barra, o momento de inércia “J ”
suportado e duas molas de rigidez K
1
e k
2
. O deslocamento do sistema em qualquer
tempo pode ser especificado por uma coordenada linear x(t), indicando o
deslocamento vertical do centro de gravidade (C.G) e uma coordenada angular,
denotando a rotação de uma massa “m” sobre o centro de gravidade, nós podemos
usar x
1
(t) e x
2
(t) como coordenadas independentes para especificação do
movimento do sistema e a massa é tratada como um corpo rígido tendo dois tipos de
movimento. É fundamental entender o que ocorre em um grau de liberdade, para
posteriormente entender o comportamento dinâmico do conjunto.
Vejamos como montar o conjunto de equações diferenciais que traduzem
as vibrações forçadas para dois graus de liberdade de um modelo discretizado em
elementos finitos. O tratamento matemático e de aplicação será visto a partir de um
exemplo simples, tomando-se como base à 2º Lei de Newton aplicada a cada grau
de liberdade com massa do modelo discretizado, onde as massas estão
concentradas nos nós da estrutura. O amortecimento presente nesse sistema é

34
representado pelo amortecedor entre os nós. Exemplifiquemos para dois graus de
liberdade.














Figura 7. Aplicação da segunda lei de Newton sem sistema com dois
graus de liberdade.

Sob a ação das forças externas variáveis com o tempo atuante nos nós A
e B, o conjunto inteiro se deforma, essa configuração deformada varia de instante a
instante.
A partir da aplicação da segunda lei de Newton nos dois graus de
liberdade da estrutura na qual estão localizadas as massas, podemos gerar as
equações diferenciais que traduzem o equilíbrio dinâmico da estrutura. A estrutura

35
está se movimentando sob a ação das forças variáveis com o tempo, cada massa
localizada nos nós “A” e “B”, se movimentam também. Tomando cada massa como
uma entidade isolada, podemos aplicar o diagrama de corpo livre, a soma das forças
externa com as forças aplicadas pelos elementos e pelos amortecedores em cada
massa fornece a resultante, que é o produto da massa pela aceleração,
matematicamente pode ser representado e podemos observar que:
- Durante um instante “t”, a massa m
A
nó “A” puxa para a direita a mola,
esta reage e aplica uma força em sentido contrário para a esquerda, fazendo surgir o
efeito da mola “a” no nó “A”.
- A massa m
A
se movimenta para a direita, o amortecedor trabalha em
sentido contrário à velocidade e aplica uma força em sentido contrário para a
esquerda, fazendo surgir o efeito do amortecedor “a” no nò “A”.
- Como a massa m
A
aproxima-se da massa m
B
, a mola “b” encontra-se
comprimida nesse instante, assim ela aplica uma força para a esquerda na massa
“A”, fazendo surgir o efeito da mola “b” no nó “A”.
Efetuando o somatório das forças atuantes na massa m
A
, e aplicando a
segunda lei de Newton, temos:
F
A
(t) – k
a
x U
A
– k
b
(U
A
– U
B
) – c
a
x U’
A
– c
b
(U’
A
– U’
B
) =m
A
x U”
A
, (10)

massa m
B
nó “B”
No mesmo instante “t”, podemos montar para a massa m
B
a segunda lei
de Newton, utilizando raciocínio semelhante. Vale lembrar que para a mola k
b
e para
o amortecedor c
b
as forças aplicadas na massa “B” terão intensidade e sentidos
contrários àquelas aplicadas na massa “A”, pelo princípio da ação e reação, as
forças aplicadas pela mola “c” e amortecedor “c” na massa “B” surgem

36
imediatamente, usando o mesmo raciocínio. Assim, fazendo o somatório das forças
atuantes na massa m
B
e aplicando a segunda lei de Newton, temos:
F
B
(t) – k
c
x U
B
+k
b
(U
A
– U
B
) – c
c
x U’
B
+c
b
(U’
A
– U’
B
) =m
A
x U”
B
(11)
Efetuando os produtos das equações e agrupando convenientemente os
termos envolvendo acelerações, velocidades, deslocamentos e forças nodais,
podemos apresentar o sistema de duas equações diferenciais da seguinte forma:
m
A
x U”
A
+(c
a
+c
b
) x U’
A
– c
b
x U’
B
+(k
a
+k
b
) x U
a
- k
b
x U
B
=F
A
(t) (12)
m
B
x U”
b
- c
b
+U’
A
+(c
b
+c
c
).U’
B
- k
b.
U
a
+(k
b
+k
c
).U
b
=F
B
(t) (13)
Equações relacionando as forças nodais variáveis com o tempo nos nós
“A” e “B” da estrutura e as correspondentes acelerações nodais, velocidades nodais
e deslocamentos nodais.
O exemplo abordado permite-nos ter uma idéia física do procedimento de
geração da equação matricial que traduz o equilíbrio dinâmico de um sistema com
dois graus de liberdade que se movimentam e que têm massa concentrada neles.
Podemos notar que sistemas com dois graus de liberdade, as matrizes de massa,
rigidez e amortecimento tem dimensão 2 x 2.

2.7.3 Formulação da equação do movimento para n graus de liberdade

A partir do entendimento de como um grau e dois graus de liberdade
funcionam em uma determinada estrutura, podemos partir para o estudo de como “n”
graus de liberdade funcionam em uma determinada estrutura, ou seja estudar o
comportamento dinâmico de “n” graus de liberdade. Nas análises dinâmicas, os
movimentos associados aos diversos graus de liberdade da estrutura são traduzidos
por milhares de equações diferenciais simultâneas, os movimento dos diversos

37
pontos nodais estão acoplados entre si, a resolução das equações merece uma
estratégia numérica. Os carregamentos dinâmicos geram tensões variáveis com o
tempo
Nas estruturas reais teremos, então, muitos componentes de
deslocamentos, velocidades, acelerações e forças nodais. Então a solução desta
equação na forma matricial é que será foco deste trabalho. Temos abaixo a equação
do movimento para “n” graus de liberdade:
[M] . {U”}+[C] . {U’}. [K] . {U}={F(T)} (15)

Podemos obter as equações que traduzem o equilíbrio dinâmico para
toda a estrutura da seguinte forma:
- Segunda lei de Newton aplicada a todos os graus de liberdade que
contem massa do modelo;
- Estabelecer um sistema de referências de modo a introduzir uma
convenção de sinais para as cargas aplicadas na estrutura como um todo e para os
deslocamentos nodais.
- Organizar a identificação de cada um dos nós do modelo por meio de
numeração dos mesmos.
- Em função das cargas aplicadas em um instante “t”, as mesmas são
concordantes com o sentido positivo adotado para as forças nodais aplicada nos nós
da estrutura.
Para os problemas encontrados no dia-a-dia das aplicações de
Elementos Finitos, as concentrações físicas são semelhantes, porém o número de
componentes de deslocamentos, velocidades e acelerações nodais são muito
maiores, permitindo-nos estabelecer que sistemas com “n” graus de liberdade, as

38
matrizes de massa, rigidez e amortecimento tem dimensão “n x n”.
As inúmeras equações diferenciais geradas a partir da condição de
equilíbrio de cada grau de liberdade com massa são resolvidas com auxilio de
computadores e softwares de análise (FEA) e (BEA) que se encarregam de dar
conta dessas tarefas por meio de rotinas apropriadas, e a maneira mais eficiente de
armazenar essas informações é processá-las por meio de matrizes, o uso da
notação matricial deve ser entendido como uma questão administrativa, pois
somente na forma matricial as soluções das equações diferenciais podem ser
resolvidas de forma racional.

2.7.4 Equilíbrio dinâmico de sistemas com “n” graus de liberdade

Para uma estrutura que se movimenta sob a ação das forças variáveis
com o tempo. Cada massa, localizada nos nós , se movimentam também. Tomando
cada massa como uma entidade isolada, podemos aplicar nela o diagrama de corpo
livre (DCL). A soma das forças externas com as forças aplicadas pelos elementos e
pelos amortecedores em cada massa fornece a resultante, que é o produto da
massa pela aceleração.
Obtemos assim a equação que exprime a relação geral entre todas as
forças, deslocamentos, velocidades e acelerações nodais para a estrutura inteira.
Para os problemas encontrados no dia-a-dia das aplicações de Elementos Finitos,
as considerações físicas são semelhantes, porém o número de componentes de
deslocamentos, velocidades e acelerações são muito maior, permitindo-nos
estabelecer a seguinte generalização:


39

I II III IV V VI VII

0
" 0 ( ) ' 0 ( ) 0 ( ) 0
. . .
0
" 0 ( ) ' 0 ( ) 0 ( ) 0
mA
U A ca cb cb U A ka kb kb UA FA t
mB
U B cb cb cc U B kb kb kc UB FB t
⎛ ⎞ + − + − ⎛ ⎞ ⎛ ⎞ ⎛ ⎞ ⎛ ⎞ ⎛ ⎞ ⎛ ⎞
+ + = ⎜ ⎟
⎜ ⎟ ⎜ ⎟ ⎜ ⎟ ⎜ ⎟ ⎜ ⎟ ⎜ ⎟
⎜ ⎟
− + − +
⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠
⎝ ⎠
(16)
I – Matriz que contabiliza as massas de toda estrutura;
II – Matriz coluna que contém as acelerações nodais, dos graus de
liberdade que se movimentam;
III – Matriz que contabiliza os amortecimentos presentes em toda a
estrutura;
IV – Matriz coluna que contém as velocidades nodais, dos graus de
liberdade que se movimentam;
V – Matriz de rigidez da estrutura correspondente aos graus de liberdade
que se movimentam;
VI – Matriz coluna que contém os deslocamentos nodais, dos graus de
graus de liberdade que se movimentam;
VII – Matriz coluna que contém as forças nodais, nos graus de liberdade
que se movimentam.

Sistema com “n” graus As matrizes de massa, rigidez,
de liberdade e amortecimento tem dimensão
“n x n”






40
2.7.5 Montagem da matriz de rigidez da estrutura a partir das matrizes de rigidez dos
elementos

A matriz de rigidez nada é mais do que uma matriz que indica relações
entre propriedades do elemento, no caso de tubos, as relações entre forças
aplicadas nas extremidades e os deslocamentos.






Figura 8. Montagem da matriz de rigidez.


k -k
[k]
e
= (17)
-k k


0 A

k
a
-k
a
0
[k]
a
= (18)
-k
a
k
a
A

41
A B

kb -kb A
[k]
b
= (19)
-kb kb B



B C

K
c
-k
c
B
[K]
c
= (20)
-k
c
k
c
C



0 A B C
k
a
-k
a
0 0 0
-k
a
k
a
+k
b
-k
b
0 A
[k] = (21)
0 -k
b
k
b
+k
c
-k
c
B
0 0 -k
c
k
c
C

A e B, nós que se movimentam
O e C, nós restritos

42
2.7.6 Montagem da matriz de amortecimento do conjunto a partir das matrizes de
amortecimento de cada componente

O procedimento de montagem da Matriz de amortecimento do conjunto é
semelhante á de rigidez.






Figura 9. Montagem da Matriz de amortecimento


c -c
[C]
e
= (22)
-c c


0 A
c
a
-c
a
0
[C]
a
= (23)
-c
a
c
a
A



43
A B

c
b
-c
b
A
[C]
b
= (23)
-c
b
c
b
B

B C
c
c
-c
c
B
[C]
c
= (24)
-c
c
c
c
C


0 A B C
c
a
-c
a
0 0 0
[C] = c
a
c
a
+c
b
-c
b
0 A (25)
0 -c
b
c
b
+c
c
-c
c
B
0 0 -c
c
c
c
C

2.8 Superposição modal

A análise modal reflete o comportamento dinâmico básico da estrutura e
constitui uma indicação de como a mesma responderá ao carregamento dinâmico
agente sobre ela ou seja, pode-se determinar a configuração deformada da estrutura
em um instante “t”. A análise modal (autovalores e autovetores), consiste em calcular
os modos e freqüências naturais de vibração da estrutura.

44
Convém mencionar que, ao calcularmos os modos e freqüências de uma
estrutura, utilizando um software de análise por elementos finitos, esse considera
nulo o amortecimento. Por outro lado, mesmo sendo pequeno o amortecimento
presente, ele tem forte influência na resposta da estrutura sob ação do
carregamento dinâmico.

2.9 Fenômeno da ressonância

Quando se projeta qualquer estrutura, é desejável determinar as
freqüências naturais do conjunto e de seus subconjuntos, para prever e evitar
problemas de ressonância durante a operação. A estrutura do Mini Baja pode ter um
número infinito de freqüências naturais com as quais irá vibrar prontamente. O
número de freqüências naturais que são necessárias ou desejáveis de se calcular irá
variar de acordo com a situação. A abordagem mais complexa é feita por meio da
análise com elementos finitos (FEA) para dividir a estrutura em um grande número
de elementos discretos. A condição denominada ressonância pode ocorrer se a
freqüência forçada ou de operação aplicada ao sistema for a mesma que qualquer
uma das freqüências naturais da estrutura. Assim sendo algumas freqüências de
excitação em confronto com algumas freqüências naturais tornam-se problemáticas.
Logo devemos evitar excessivas amplitudes de vibração

2.10 Estudo de caso

O presente estudo consiste na modelagem utilizando os softwares
Autocad e aplicação do Método dos Elementos Finitos que está implementado no

45
COSMOS/M, na estrutura de um veículo terrestre Mini Baja, a partir da aplicação de
massa em determinados pontos. Foram utilizados dados técnicos do último projeto
de forma a prever aproximadamente o comportamento da estrutura, a partir de
entradas periódicas buscando-se um comparativo das freqüências de acordo com o
material utilizado e uma possível otimização. Fez-se à análise utilizando o material
Aço carbono 1020 e uma Liga de alumínio 6061. Lembrando que, isto não é, de
maneira alguma, um tratamento completo do complexo assunto que é a análise das
solicitações.
• Definição das propriedades dos materiais e dos elementos
utilizados para construção da gaiola
A função da gaiola de proteção é evitar que o piloto usando cinto de
segurança seja esmagado caso o veículo capote. O projeto da gaiola é julgado
considerando-se este fato.
A gaiola de proteção deve ser construída em tubos com no mínimo de
0,18% de carbono. Os tubos devem ter um diâmetro mínimo de 25,4 mm (1”) e uma
espessura de parede mínima de 2,1 mm (0,083”) . A variação dos materiais e da
geometria dos tubos será permitida desde que apresentem um “EI” equivalente
• Propriedades mecânicas do Aço carbono 1020 laminado a quente
Tabela 01. Propriedades mecânicas do Aço 1020
Módulo de elasticidade (E)
Gpa
Resistência
máxima em tração
Mpa (ε)
Elongação do corpo de
ensaio de 50.8 mm (%)
Dureza Brinell
(HB)
209 379 25 111
Fonte: Projeto de Máquinas,p.846
Tabela 02. Propriedades do elemento
Tipo de Elemento

Diâmetro externo
(mm)
Espessura de parede
(mm)
Densidade em massa
Kg/m
3

Pipe =Tubo 32 3,25 7,8
Fonte: Norma SAE/BRASIL

46
• Propriedades mecânicas da Liga de Alumínio 6061

Tabela 03. Propriedades mecânicas da liga de Alumínio 6061
Módulo de elasticidade (E)
Gpa
Resistência
máxima em tração
Mpa (ε)
Elongação do corpo de
ensaio de 50.8 mm (%)
Dureza Brinell
(HB)
71.7 310 12 95
Fonte: Projeto de Máquinas,p.846

Tabela 04. Propriedades do elemento
Tipo de Elemento

Diâmetro externo
(mm)
Espessura de parede
(mm)
Densidade em massa
(Mg/m
3
)

Pipe =Tubo 32 3,25 2,8
Fonte: Norma SAE/BRASIL
O material do tubo é considerado homogêneo, isotrópico e obedece a
lei de Hooke.

• Definição da geometria do modelo de elemento finito e criação do
modelo, através dos nós e elementos

Para criação da geometria e dimensões da estrutura tivemos como base
as normas da Sae-Brasil. A estrutura foi modelada inicialmente no software Autocad
2000 no qual foram definidas coordenadas 3D para organização dos pontos ou nós
e dos respectivos elementos que estão relacionados.






47
NÓS X Y Z NÓS X Y Z NÓS X Y Z
1 100 50 25 15 87.50 200 47 29 92.50 210 77
2 131 50 25 16 100 200 47 30 138.50 210 77
3 100 110 25 17 131 200 47 31 100 260 67
4 131 110 25 18 143.50 200 47 32 131 260 67
5 84.50 190 25 19 100 260 47 33 92.50 260 77
6 100 190 25 20 131 260 47 34 138.50 260 77
7 131 190 25 21 92.50 38 53 35 92.50 162 135
8 146.50 190 25 22 138.50 38 53 36 137.50 162 135
9 100 260 25 23 92.50 80 53 37 92.50 210 135
10 131 260 25 24 138.50 80 53 38 138.50 210 135
11 96.25 44 39 25 92.50 110 53 39 131 200 25
12 134.75 44 39 26 138.50 110 53 40 100 200 25
13 96.25 110 39 27 95.50 80 78
14 134.75 110 39 28 138.50 80 78
Quadro 1. Definição das coordenadas 3D

ELEMENTO ELEMENTO ELEMENTO
1 (1-2) 25 (12-14) 49 (29-30)
2 (3-4) 26 (4-5) 50 (24-28)
3 (1-3) 27 (16-19) 51 (23-27)
4 (2-4) 28 (17-20) 52 (22-28)
5 (3-5) 29 (11-21) 53 (21-27)
6 (5-6) 30 (12-22) 54 (30-34)
7 (6-7) 31 (13-25) 55 (29-33)
8 (7-8) 32 (14-26) 56 (33-34)
9 (4-8) 33 (15-29) 57 (28-36)
10 (6-40) 34 (18-30) 58 (27-35)
11 (7-39) 35 (19-31) 59 (30-38)
12 (9-10) 36 (20-32) 60 (29-37)
13 (1-11) 37 (31-33) 61 (34-38)
14 (2-12) 38 (32-34) 62 (33-37)
15 (3-13) 39 (21-22) 63 (36-38)
16 (4-14) 40 (22-24) 64 (37-38)
17 (5-15) 41 (24-26) 65 (35-37)
18 (15-16) 42 (21-23) 66 (35-36)
19 (16-17) 43 (23-25) 67 (29-38)
20 (17-18) 44 (18-26) 68 (9-40)
21 (8-18) 45 (15-25) 69 (10-39)
22 (9-19) 46 (3-15) 70 (16-40)
23 (10-20) 47 (4-18) 71 (17-39)
24 (11-13) 48 (18-29)
Quadro 2. Definição dos elementos


48









Figura 10. Definição dos nós, elementos e condição de contorno

• Definição dos carregamentos aplicados

Com relação à leitura, Guyan (Elementos Finitos a base da Tecnologia
CAE 2005, p.282), diz que através do Método de Redução para cálculo dos modos e
freqüências naturais de vibração em que as massas podem ser consideradas
concentradas em somente alguns graus de liberdade, os modos e freqüências
podem ser determinadas, sem afetar tais valores. Ao colocar massa em alguns
graus de liberdade limitados, as equações dinâmicas serão reduzidas , pois só serão
contabilizadas forças de inércia onde há massa. Normalmente os graus de liberdade
escolhidos para colocar as massas são chamados de graus de liberdade máster
(mestre) e os demais slaves (escravo)
A redução de Guyan se baseia na simples relação estática elástica entre os graus de
liberdade máster e slaves .
Em relação à estrutura do Mini Baja, foi utilizado o sistema discretizado

49
(lumped mass), no qual a massa fica concentrada em determinados nós. Os nós
escolhidos foram; 3,4,5,6,7,8,16,17,19,20, 29, 30, 33 e 34.
Nestes nós estão concentradas as massas, consideradas do piloto (80
Kg), do motor (20 Kg) e do tanque de combustível (5 Kg) para efeito de análise.

• Análise do modelo estrutural (aço 1020)

Para a estrutura do Mini Baja feito com Aço 1020, foram verificadas 5
freqüências naturais (ã) de acordo com os carregamentos aplicados. As mesmas
foram consideradas dentro da faixa de tolerância.
1º Freqüência (ã) 2º Freqüência (ã) 3º Freqüência (ã) 4º Freqüência (ã) 5º Freqüência (ã)
45.74 Hz 55.05 Hz 58.51 Hz 104.90 Hz 143.58 Hz
Quadro 3. Freqüências naturais (aço 1020)
Os deslocamentos foram considerados apenas em alguns nós já
considerados anteriormente, devido á massa estar discretizada, os quais são:











50
Nó Ux Uy Uz Rx Ry Rz
3 0 0 0 0 0 0
4 0 0 0 0 0 0
5 7.394e-002 1.340e-2 8.343e-0023 3.369e-002 2.476e-002 -1.151e-001
6 7.376e-002 5.230e-004 4.599e-002 -1.036e-002 2.605e-001 -2.201e-001
7 7.288e-002 -1.156e-002 -3.662e-002 -9.100e-003 2.523e-001 -6.705e-022
8 7.220e-002 -2.437e-002 -7.245e-002 -6.453e-002 2.287e-001 -1.666e-001
16 1.448e-001 6.493e-005 4.398e-002 -6.345e-003 2.887e-001 1.907e-002
17 1.449e-001 -4.227e-004 -3.631e-002 1.577e-003 2.874e-001 8.647e-003
19 5.688e-002 4.222e-005 6.327e-004 -1.781e-002 4.165e-001 1.224e-001
20 5.735e-002 .3.282e-004 -5.906e-004 1.173e-002 4.194e-001 1.251e-001
29 2.264e-001 -1.977e-003 6.540e-002 -2.771e-002 2.713e-001 1.618e-002
30 2.267e-001 5.723e-003 -5.974e-002 2.299e-002 2.697e-001 1.468e-002
33 1.969e-001 -2.518e-002 3.542e-002 -4.221e-002 3.410e-001 5.457e-002
34 1.969e-001 6.144e-003 -3.483e-002 2.663e-002 3.353e-002 5.698e-002
Quadro 4. Deslocamento dos nós (aço 1020)










Figura 11. Primeiro modo de vibração =45,74 Hz, aço 1020

51











Figura 12. Segundo modo de vibração =55,05 Hz, aço 1020












Figura 13. Terceiro modo de vibração =58,51 Hz, aço 1020

52












Figura 14. Quarto modo de vibração =104,90 Hz, aço 1020











Figura 15. Quinto modo de vibração =143,58 Hz, aço 1020

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• Análise do modelo estrutural (liga de alumínio 6061 )

O mesmo procedimento utilizado para análise do aço 1020, será utilizado
para o alumínio 6061.

1º Freqüência 2º Freqüência 3º Freqüência 4º Freqüência 5º Freqüência
26.79 Hz 36.01 Hz 39.47 Hz 85.86 Hz 124.54 Hz
Quadro 5. Freqüências naturais (liga de alumínio 6061)

Os deslocamentos foram considerados apenas em alguns nós já
considerados anteriormente, devido á massa estar discretizada, os quais são:
Nó Ux Uy Uz Rx Ry Rz
3 0 0 0 0 0 0
4 0 0 0 0 0 0
5 7.394E-002 1.340E-002 8.343E-002 3.639E-002 2.476E-001 -1.151E-001
6 7.376E-002 5.230E-004 4.599E-002 -1.036E-002 2.606E-001 -2.201E-002
7 7.288E-002 -1.156E-003 -3.662E-002 -9.100E-003 2.523E-001 -6.705E-002
8 7220E-002 -2.437E-002 -7.215E-002 -6.153E-002 2.287E-001 -1.666E-001
16 1.448E-001 6.503E-005 4.398E-002 -6.345E-003 2.887E-001 1.907E-002
17 1.499E-001 -4.226E-004 -3.631E-002 1.577E-003 2.874E-001 8.647E-003
19 5.668E-002 4.233E-005 6.327E-004 -1.781E-002 4.188E-001 1.224E-001
20 5.375E-002 -3.280E-004 -5.906E-004 1.173E-022 4.194E-001 1.251E-001
29 2.264E-001 -1.977E-003 6.540E-002 -2.721E-002 2.713E-001 1.618E-002
30 2.267E-001 5.723E-003 -5.974E-002 2.299E-002 2.697E-001 1.468E-002
33 1.969E-001 -2.518E-003 3.542E-002 -4.221E-002 3.410E-001 5.457E-002
34 1.969E-001 6.195E-003 -3.483E-003 2.663E-002 3.354E-001 5.698E-002
Quadro 6. Deslocamento dos nós (liga de alumínio 6061)

54











Figura 16. Primeiro modo de vibração f =26.79 Hz, Al 6061

3 METODOLOGIA

Diante da necessidade de se projetar e criar um veículo terrestre de
pequeno porte para uma pessoa para pista de terra, mais precisamente entre os
anos de 2000 e 2001, um grupo de acadêmicos da Universidade Estadual do
Maranhão do curso de Engenharia Mecânica, mobilizaram-se para tal feito,
idealizaram participar de uma competição de carros tipo gaiola no Estado de São
Paulo no Autódromo de Interlagos. Foi uma forma encontrada de motivar e fazer
com que estes estudassem com afinidade.
De inicio ficou-se um pouco perdido por onde começar, foi necessário até
mesmo ir a outras universidades que já haviam participado da competição para
conhecer o projeto de onde retornaram cheios de idéias.

55
Para realização do projeto Mini Baja, foi formada uma equipe de vinte
acadêmicos e um professor(a) orientador (a), de modo que foi feito um planejamento
e algumas etapas foram definidas.
A 1º etapa, consistiu na identificação da necessidade ou seja, o que se
pretendia com este projeto, geralmente nesta etapa as idéias são mal definidas.
A 2º etapa é o desenvolvimento das informações na pesquisa de suporte,
para esta etapa a equipe foi dividida em sub-equipes tais como; estrutura, motor,
transmissão, motor, direção, freio, elétrica e marketing. Este é um momento de
pesquisas (de campo, bibliográfica em arquivos técnicos da biblioteca, leitura de
revistas especializadas em mobilidade, utilização de softwares comerciais de
engenharia com o Autocad, Solidworks e Cosmo/M, pesquisas na internet e até
compra de livros técnicos específicos.
Na 3º etapa já foi possível estabelecer objetivos de forma mais razoável e
racional, de forma que as idéias apareceram mais naturalmente.
Na 4º etapa foram definidas as especificações de tarefas para as
respectivas sub-equipes. cada uma possuía um coordenador que era responsável
em fiscalizar as atividades dos participantes, o mesmo tinha o objetivo de cobrar por
resultados, caso contrário tinha o poder de eliminar do projeto determinado
participante desinteressado.
Na 5º etapa buscaram-se tantas alternativas quanto possíveis para os
diversos componentes, foram feitas comparações e debates em relação a modelos
de outras universidades. Este é um momento de concepção e invenção ou seja, é
gerado o maior número de soluções criativas sem considerar valor ou qualidade.
Na 6º etapa as possíveis soluções da etapa anterior foram analisadas, na
qual podem ser aceitas, rejeitadas ou modificadas.

56
Na 7º etapa foi de decisão das soluções. na qual foram escolhidas as
mais promissoras ou seja, é a soma dos melhores componentes, desenhos,
materiais e processos de fabricação.
Na 8º etapa chegou-se ao projeto detalhado, todas as informações são
somadas, todos os modelos de engenharia feitos, fornecedores identificados,
levantamento de custos, recursos financeiros para o projeto, métodos de soldagem,
processo de fabricação e mão de obra.
Na 9º etapa consistiu na construção real do Mini Baja e dos testes de
campo.
Na 10º etapa foi feito um relatório em que são descritos todos os
materiais, custos, programas comerciais utilizados, processo de tratamento térmico
na estrutura se realizado, métodos de produção com os respectivos resultados que
será avaliado pela instituição organizadora. O relatório de projeto tem que ser
entregue na data prevista, caso contrário a equipe perde ponto.
Durante todo o projeto é fundamental o processo de iteração que irá
permitir mudanças se necessário.

4 RESULTADOS, DISCUSSÕES E SUGESTÕES

Feita a modelagem da estrutura fez-se uma simulação e se observou,
reações do sistema por meio das freqüências de vibração e deslocamentos de
alguns nós onde haviam fixações e das energias envolvidas. Pode-se perceber que
há algumas variações de acordo com o material utilizado até mesmo no inicio da
simulação (o deslocamento não começa do zero). Isso é aceitável tendo em vista
que foi necessário fazer uma subtração de posições entre pontos e centros de

57
gravidade da estrutura, podendo ocorrer arredondamentos, ocasionando tais fatos
(deslocamentos de 1 milímetro podem ser desconsiderados frente aos demais).
Inicialmente foram calculados 14 modos estáticos associados com os graus de
liberdade de junção e aplicando as condições de contorno. Percebe-se que a
deformação ocorre praticamente nas proximidades do ponto que sofre
deslocamento/rotação
Não foi observado o fenômeno da ressonância para ambas as estruturas, o que nos
leva a concluir que as freqüências encontradas são consideradas toleráveis.
Soluções mais refinadas dependem de uma análise mais detalhada, em
que podemos aplicar fatores de segurança, cargas de impacto e aceleração de
gravidade para um melhor entendimento de como a estrutura se comporta de acordo
com o material utilizado e dos carregamentos aplicados. Tornando possível avaliar
modos de falhas.
Para futuros trabalhos de análise por Elementos Finitos, sugiro que deva
ser utilizado como ferramenta estratégica para solução de problemas mais
complexos.

5 CONCLUSÃO

Levando-se em consideração que os dados foram considerados
compatíveis com os modelos e que não tivemos grandes problemas durante o
projeto, pode-se afirmar que o mesmo foi bem sucedido.
Os valores dos deslocamentos encontrados em alguns pontos mais críticos foram
considerados razoáveis para este tipo de veículo. Sem dúvida que a estrutura pode
ser melhorada, pois a função da engenharia é determinar dimensões, formas e

58
materiais adequados. Agora temos a possibilidade de análise da estrutura e outros
componentes do Mini Baja, tais como suspensão e transmissão.
Os problemas na utilização dos softwares foram poucos, apenas em
relação aos COSMOS/M, devido ao aluno ser iniciante em tal pacote computacional
e o pouco tempo de uso do software.
O espaço não permite um tratamento completo de todos os detalhes
envolvidas no projeto, mas esperamos que está apresentação, dêem algumas idéias
a respeito da forma de como este projeto deve integrar uma ampla variedade de
requisitos, em geral conflitantes, até se obter um modelo ideal.
Para explicação deste projeto foi necessário á utilização de vários
conceitos, no qual espero ter sido compreendidos
Finalmente, em termos de simulação pode-se dizer que o projeto foi
satisfatório, apesar do pouco tempo para um estudo mais detalhado. Entretanto,
espera-se que este projeto venha dar subsídios a outros projetos que ainda virão
sobre este tema, tendo como foco o sucesso da equipe do Mini Baja da
Universidade Estadual do Maranhão.










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REFERÊNCIAS

ALVES, Avelino Filho. Elementos Finitos a base da Tecnologia CAE – São Paulo:
Editora Érica, 2005;
MARTIN, Harold Clifford. Introduction to Finite Element Analysis – Washington:
Editora McGraw-Hill, 1973;
RAO, Singiresu S. Mechanical Vibration – Massachusetts: Editora Addison Wesley
Publising, 1995;
GILLESPIE, Thomas D. Fundamentals of Vehicle Dynamics – Michigan: Publising
by Society of Automotive Engineers, 1992;
GERE, J ames G. Mecânica dos Materiais – São Paulo: Editora Thomson, 2003;
Lashkari, M. Cosmo/M (mimeo);
FINKELTEIN, Ellen. Autocad 2000 a Bíblia – Rio de J aneiro: Editora Ciência
moderna, 2000;
KALAMEJ A, Alan J . Autocad para Desenhos de Engenharia – São Paulo: Editora
Makron Books, 1996;
Revista ENGENHARIA AUTOMOTIVA E AEROESPACIAL, São Paulo: Editora. SAE
BRASIL, n. 4, janeiro/fevereiro. 2001 (p.66-68);
Internet, acesso em: www.saebrasil.org.br







60
GLOSSÁRIO

Rigidez – é uma propriedade do elemento e está relacionada com a
tensão/deformação .
Pontos nodais – é a junção de elementos.
Estática – parte da física que estuda as forças que não variam no tempo.
Dinâmica – parte da física que estuda os corpos cujo movimento é acelerado.
Diagrama de corpo livre – esboço geral do formato de uma determinada parte da
estrutura, indicando todas as forças e momentos.
Equação Linear – podem ser representadas por equações diferenciais.
Matrizes – tabela formada por “m” linhas e “n” colunas (indicada por m x n), formada
por números reais.
Coordenadas 3D – sistema de referência tri-dimensional.
Elementos Finitos – método numérico para solução de estruturas complexas.
Discretização – são determinados pontos onde é acrescentada massa.
Tensão – é definida como força por unidade de área.
Nó – extremidade dos elementos.
Gaiola – estrutura tubular.
Homogêneo – significa que as propriedades do material são uniformes nele todo.
Isotrópico – é aquele cujas propriedades independem da orientação ou da direção
do material.
Dureza – é um indicador de resistência ao desgaste
Período – tempo necessário para completar um ciclo do movimento.
Módulo de elasticidade – é uma medida de rigidez do material em sua região
elástica.

61
Aço carbono – são chamados de “usinagem livre” e não são considerados aços liga .
Alumínio – metal ferroso muito utilizado.
























62











ANEXOS














63











APÊNDICE













64
Tela principal do Software Autocad 2000














65
Tela principal do Software COSMOS/M V. 2.8