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46. Mari na City, Chi cago / Bertrand Goldberg, 1964
Fig. 1 / Vista das duas torres
Fig. 2 e 3 / Varandas das unidades habi taci onais
Fig. 4 Varandas Fi g. 5 / Estacionamentos Fig. 6 / Mari na
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46. Mari na City, Chi cago / Bertrand Goldberg, 1964
Fig. 7 / Planta tipo Fig. 8 / Pl anta estúdio
Fig. 9 / Pl anta 2 dormitórios Fi g. 10 / Construção
Fig. 11 / O arqui teto e o modelo
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46. Mari na City, Chi cago / Bertrand Golberg, 1964 *
Este conjunto residencial, erguido junto a um canal de Chicago tem características
formais e urbanas bastante originais e diferenciadas.
Ele é composto por 896 unidades residenciais em duas torres residenciais de 61
pavimentos cada, com 178,8metros de altura. Há unidades como estúdios, de um
dormitório (a maioria) e de dois dormitórios.
Seus dois cilindros têm as plantas com a forma de uma flor, permitindo uma visibilidade
de 360º em torno da cidade, com acesso por terra e pela água. A forma de flor do
conjunto é dada pelo desenho semicircular de todas as sacadas dos apartamentos.
Cada um desses cilindros possui uma divisão bastante nítida, separando claramente os
usos residenciais, de estacionamentos de autos e de barcos. Ìnteressante notar que
apesar desses usos diferenciados a forma volumétrica adotada permanece a mesma.
A maior parte do corpo superior é destinada às habitações residenciais, com varandas de
forma arredondada que dá a característica formal às torres.
A parte intermediária, cilíndrica com 19 pavimentos é destinada aos estacionamentos de
veículos.
Já a parte inferior baixa serve ao comércio, lojas, auditórios, escritórios e numa solução
inusitada cria uma marina ao nível da água que dá acesso e guarda dos barcos dos
moradores e visitantes, com capacidade para 700 barcos.
Lembramos que Chicago é uma cidade à beira dos Grandes Lagos.
A expressão volumétrica é dada pela estrutura de concreto aparente, cilíndrica onde o
autor defende a forma como a de melhor aerodinâmica e cria espaços cinéticos. Por outro
lado a simetria e a eqüidistância dos pontos cria um equilíbrio estático estrutural favorável.
Um núcleo central cilíndrico de infra-estrutura organiza de forma radial os setores das
unidades habitacionais e os estacionamentos em sua volta.
O deck do coroamento superior é destinado a atividades de lazer e convívio como
piscinas, restaurante e belvedere.
Pela sua escala urbana esta edificação é tida como uma cidade dentro da cidade.
* Ver mais em:
- http://www.artic.edu/aic/libraries/caohp/goldberg.html
- http://www.marina-city.com
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47. Swiss Tower, Londres / Norman Foster/ 2004
Fig. 1 e 2 / Vistas externas
Fig. 3 e 4 / Vistas parciais da fachada
Fig. 5 / Bel vedere no ultimo pavimento Fi g. 6 / Domo 40ºandar
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47. Swiss Tower, Londres / Norman Foster, 2004
Fig. 7 / Ìmplantação Fi g. 8 / Planta do 6º pavimento
Fig. 9 / Pl anta 40º pavimento Fig. 10 / Esquema gráfico mostrando os nós
Fig. 11 / Corte Fi g. 12 / Estudos aerodi nâmi cos
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47. Swiss Tower, Londres / Norman Foster, 2004 *
Este edifício de 41 andares e 180 metros de altura tem uma forma cilíndrica ovalada,
marcante na paisagem de Londres, e que lhe valeu o apelido de pepino em inglês.
Esta forma cilíndrica tem como base a figura geométrica de um circulo, de diâmetros
variados; entre 49m na base, 56,5m na parte mais larga e 26,5m no 40º e último andar,
mantendo uma diferença constante entre um andar e outro.
Cada andar tem uma ligeira rotação em direção ao andar seguinte, de modo que os pátios
internos de luz formem uma forma espiral; Esse movimento circular origina uma diferença
de pressões de ar, que circula pelos pátios e potencializa a ventilação do interior,
aliviando o sistema de ar condicionado.
Por essa solução o edifício é considerado como o primeiro arranha-céu ecológico da
cidade de Londres.
Essa manipulação dimensional do volume possibilita plantas de vários tamanhos nos
pavimentos dos escritórios e uma ocupação menor no terreno.
A composição das plantas circulares tipo é formada pelas áreas retangulares de trabalho,
que formam pátios internos triangulares, complementadas com usos de apoio, reuniões,
etc nas áreas remanescentes.
Sua forma geométrica é também derivada de outros importantes aspectos como:
O desejo de uma imagem simbólica bastante forte e inusitada pedida pelo cliente.
A menor resistência oferecida pela estrutura aerodinâmica e tridimensional aos ventos,
fator importante em edifícios altos;
Uma estrutura composta de um núcleo central e uma envoltória metálica externa, em
espiral ascendente, otimizada em suas dimensões, graças a cálculos estruturais
executados por programas complexos de computação.
A estrutura periférica é formada por peças metálicas em forma de duplo V, pintadas de
branco, fechadas por caixilhos em forma de losango com vidros de segurança, planos,
triangulares e todos do mesmo tamanho.
* Ver mais em:
- Canizares. Ana G. Great New Buildings of the World. Barcelona: Harper Collins. 2005.
- Norman Foster. Barcelona: Gustavo Gili, 1997.
- Revista AU no 127
- http://www.fosterandpartners.com/
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48. Edi fício Admi nistrativo BMW, Muni que / Karl Schwanzer / 1972
Fig. 1 / Vista aérea Fig. 2 / Vi sta externa
Fig. 3 / Caixil hos Fig. 4 / Vista interna
Fig. 5 / Vi sta Museu Fi g. 6 / Planta Museu
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48. Edi fício Admi nistrativo BMW Munique / Karl Schwanzer, 1972
Fig. 7 / Pl anta pavimento ti po
Fig. 8 / Corte
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48. Edi fício Admi nistrativo BMW, Muni que / Karl Schwanzer, 1972 *
Este projeto, vencedor de concurso fechado, está situado no parque fabril da ÌBM em
Munique. È um elemento dominante na paisagem que tem como objetivos: uma forma
legível, precisão, perfeição técnica e beleza formal.
Quatro grandes cilindros que se interpenetram dão a forma volumétrica deste conjunto de
edifícios de escritórios de fábrica de automóveis.
Outros quatro cilindros internos menores que abrigam as circulações verticais e os demais
apoios, estruturam os quatros outros externos que são as áreas de trabalhos.
Esses cilindros fazem um devido contraponto vertical na grande massa horizontal que
abriga os outros ambientes do programa arquitetônico.
Destaca-se também no conjunto, o volume circular, mais baixo, do Museu da empresa,
em forma de taça que reproduzimos também nestas imagens, face ao seu interessante
jogo geométrico.
As plantas circulares dos escritórios são livres, com luz natural abundante e amplas
visuais para a paisagem.
Com essas formas cilíndricas, o conjunto apresenta uma forte presença na paisagem,
fixando uma identificação positiva da empresa.
Os caixilhos retangulares modulares em baixo relevo, para receber os vidros inclinados,
são de alumínio e dão o complemento formal adequado para marcar a volumetria.
Há uma interrupção na seqüência vertical dos caixilhos na altura do 15º pavimento para o
devido contraventamento estrutural do edifício e também para as instalações prediais, o
que também contribui para a caracterização formal do edifício.
* Ver mais em:
- Joedkicke, J. Edifícios Administrativos y de oficinas. Barcelona: Gustavo Gili, 1975
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49. Edi fício Ìtália, São Paulo / Franz Heep / 1956
Fig. 1 / Situação Urbana
Fig. 2 e 3 / Vistas externas Fi g. 4 / Vista aérea
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49. Edi fício Ìtália, São Paulo / Franz Heep, 1956
Fig. 5 / Ìmplantação Fig. 6 / Pl anta pavimento térreo
Fig. 7 / Pl anta pavimento ti po
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49. Edi fício Ìtália, São Paulo / Franz Heep, 1956 *
Uma planta elíptica define a geometria deste edifício de escritórios com 45 pavimentos, o
maior da cidade. No seu topo há um terraço e restaurante panorâmicos.
Uma volumetria que marca aquela região da cidade, que tem uma interessante
composição urbana, coincidentemente toda ondulada, formada pelo Edifício Copan, o
Hotel Hilton e a Ìgreja da Consolação.
Esse corpo elíptico monumental está embasado num outro menor que acompanha o
alinhamento curvo da esquina Consolação e Avenida São Luiz e que abriga uma galeria
comercial.
A planta elíptica tem a circulação vertical dos elevadores no centro e os escritórios nas
pontas, com uma estrutura de pilares centrais e distribuídos pela periferia, que suportam
os brise-soleil metálicos móveis, que bem complementam o aspecto visual do edifício.
Pela sua altura, posição e forma este edifício tornou-se um dos cartões postais da cidade.
Outro bloco menor, comercial de lojas em forma de um ¨U¨ aberto, no pavimento térreo
está conjugado à torre, como que abraçando-o.
* Ver mais em:
- Xavier, Alberto. Arquitetura Moderna Paulista. São Paulo: Pini, 1975.
- Barbosa, Marcelo C. Franz Heep. Dissertação de Mestrado Usp, 2004.
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B.3. SEÇÕES DE CÌLÌNDROS
Vinícola Petra, Ìtál ia / Mario Botta, 2003
São edifícios em forma de cilindros secionados, chanfrados.
Obra 50- Opera de Lion de Jean Nouvel
Obra 51- Estação do Largo 13 de João Toscano
Obra 52- Hotel Unique de Ruy Ohtake
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50. Opera de Lyon, França / Jean Nouvel / 1993
Fig. 1 / Vi sta externa Fig. 2 / Vista do acesso
Fig. 3 / Ìnserção urbana Fig. 4 / Vista aérea
Fig. 5 / Sala de ensaios Fig. 6 / Novo Teatro
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50. Opera de Lyon, França / Jean Nouvel , 1993
Fig. 7 / Planta pavimento térreo
Fig. 8 e 9 / Corte transversal e longitudinal
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50. Opera de Lyon, França / Jean Nouvel, 1993 *
Um grandioso volume superior em forma de meio tubo semicircular, composto por arcos
de estrutura metálica é construído como um novo coroamento, neste antigo teatro
clássico.
Este edifício tem uma simples e forte expressão geométrica e enfrenta a difícil dicotomia
do novo x velho, buscando a necessária integração entre a tradição, representada pelo
edifício do século XÌX e seu entorno e a inserção de um complemento de linguagem
contemporânea, de alta tecnologia.
Além das formas puras o arquiteto lança mão, nesse projeto, de recursos
cinematográficos, como se buscasse criar cenários, onde os usuários estivessem
envolvidos entre espelhos, luzes e cores intensas, para garantir uma sensação lúdica,
mágica e de movimento.
Neste projeto há um jogo dramático de materiais pictóricos com negros, vermelhos e
dourados.
Nos projetos de Jean Nouvel registramos um trabalho de grande precisão geométrica,
aliada à busca na transparência de planos e superfícies curvas e o emprego de alta
tecnologia com o rigor detalhista que ela exige.
* Ver mais em:
- Boissère, Olivier. Jean Nouvel. Paris: Terrail, 1996
- Morgan, Cornway Lloyd. Jean Nouvel ÷ The Elements of Architecture de Cornway. New
York: Thames & Hudson, 1999.
- http://www.jeannouvel.com/
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51. Estação Largo 13 de Maio, São Paul o / João Toscano / 1985
Fig. 1 / Vi sta do Ri o Pinheiros
Fig. 2 / Vista da Avenida Marginal
Fig. 3 / Vista aérea com passarel a
Fig. 4 / Vi sta do Ri o Pinheiros Fi g. 5 / Detalhe do pilar
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51. Estação Largo 13 e Maio, São Paulo / João Toscano, 1985
Fig. 6 / Desenho do Arquiteto
Fig. 7 / Pl anta da Plataforma
Fig. 8 e 9 / Elevações
Fig. 10 / Corte transversal
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51. Estação Largo 13 de Maio, S.Paulo / João Toscano, 1985 *
Esta é uma estação intermediária da rede ferroviária metropolitana de S.Paulo, situada na
zona sul, em local de grande movimento, acoplada ao terminal rodoviário do Largo 13 de
Maio, em Santo Amaro.
Como se percebe pela ilustração inicial do arquiteto a figura geométrica geradora do
projeto é o circulo. Ele se decompõe em pórticos de aço arredondados nas laterais,
espaçados a cada 20 metros.
Esses pórticos constituem a estrutura da gare, parte principal do edifício.
Sua seqüência e o ritmo curvo do desenho da gare acabam por representar a forma final
de leitura do conjunto, muito bem implantado no lugar.
Neste caso a estrutura metálica traduz e expressa a forma final da edificação, sem
adereços ou mascaramentos.
O Mezanino interior pendurado nos pórticos é um prisma de seção retangular.
Ao corpo principal está acoplada uma passarela metálica externa, de travessia da
Avenida Marginal lindeira, cuja cobertura também de forma curva, vem se adequar à
solução geral do conjunto.
A aplicação da geometria na Estação do Largo 13 continua na implantação e na planta,
com o desenho da curva suave da estação, bastante adequado ao local e que tem
origem no traçado geral da via férrea. No desenho da estação e também da passarela de
ligação e travessia, nota-se uma modulação radial constante.
Note-se que o circulo completo do croqui inicial do arquiteto foi corrigido e adaptado no
desenho final; o teto resultou plano e horizontal e os pilares que deveriam ser
retangulares, para melhor se ajustarem aos esforços, ganharam um material adicional
curvo, para se ajustar formalmente àquele circulo original.
A passarela de travessia da Marginal e de ligação com o terminal de ônibus tem uma
cobertura metálica em arco circular e seu eixo longitudinal sai perpendicular à estação e
segue com ligeira deflexão até o terminal.
A composição apresenta também o elemento vertical do relógio e da identificação do
nome da estação, dois símbolos remanescentes das estações ferroviárias, bastante
coerentes como a solução geral.
O projeto ganha força e originalidade também pelos belos painéis artísticos criados pela
Arquiteta Odileia Toscano.
* Ver mais em:
- Toscano. João Walter. São Paulo: Unesp, 1993
- Revista Projeto 94
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52. Hotel Uni que, S. Paulo / Ruy Ohtake / 2002
Fig. 1 / Vista externa
Fig. 2 / Vista aérea
Fig. 3 / Detal he da entrada Fig. 4 / Apartamento Tipo
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52. Hotel Uni que, S.Paulo / Ruy Ohtake, 2002
Fig. 5 / Planta pavimento térreo
Fig. 6 / 6º Pavimento
Fig. 7 / Módul o de apartamentos
Fig. 8 / Corte
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52. Hotel Uni que, S.Paul o / Ruy Ohtake, 2002 *
Este edifício tem uma forma inusitada para resolver o programa arquitetônico para um
hotel de luxo. Sua presença na paisagem é forte e de certa forma ignora o entorno,
composto de baixas residências.
Dois grandes arcos semicirculares invertidos dão a forma volumétrica adotada pelo
arquiteto para diferenciar este hotel na capital paulista.
Aqui a forma geométrica precede a solução arquitetônica, cujo programa e os espaços
decorrentes têm que ser ajustados e adaptados a ela.
As duas empenas laterais semicirculares com as janelas circulares dos apartamentos são
revestidas por placas de cobre patinado.
A superfície inferior dessas fachadas em arcos está revestida de laminas de madeira.
A forma adotada confunde quanto ao comportamento estrutural.
A estrutura verdadeira, os pilares de sustentação do volume semicircular, fica escondida
no centro do arco; as empenas laterais de concreto fazem parte do desejo formal e não
contribuem estruturalmente.
* Ver mais em:
- Revista AU 137
- http://www.hotelunique.com.br/splashpage/
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B.4. CONES
Fig. / 1 e 2 Melbourne Central Shopping / Kisho Kurokawa, 1988
Os cones são corpos geométricos obtidos pela revolução completa de um triângulo sobre
um eixo perpendicular, colocado no centro de uma base circular. Podem ser plenos ou
troncos, normais ou invertidos.
2.4.1. Tronco de cone é a parte compreendida entre a base e um plano secante paralelo
à base
Lucil le Hal sell Conservatório Botànico, Texas / Emil io Ambasz, 1980
Com esta forma de sólido será apresentado o seguinte edifício:
Obra 53. Museu Guggenheim de Nova York / Frank Lloyd Wright
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53. Museu Guggenheim, Nova York / Frank Lloyd Wright / 1959
Fig. 1 / Vi sta da Qui nta Avenida em frente ao Central Park
Fig. 2 / Galerias internas Fi g. 3 / Vi sta para o pavimento Térreo
Fig. 4 / Vista do Domo central de cobertura
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53. Museu Guggenheim, Nova York / Frank Lloyd Wright, 1959
Fig. 5 / Pl anta Pavimento Térreo Fig. 6 / Planta de situação
Fig. 7 / Pl anta Pavimento Superior
Fig. 8 / Corte esquemático
Fig. 9, 10, 11 / Esquemas geométricos
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53. Museu Guggenheim, Nova York / Frank Lloyd Wright, 1959 *
O Museu Guggenheim de Nova York representou, espacialmente, uma nova visão na
forma de exposição de obras de artes; uma forma cilíndrica, originada de uma espiral cria
uma galeria contínua e aberta de exposições, que circunda um grande vazio, coroado por
uma cúpula transparente.
O programa arquitetônico inclui, além do Museu, outros ambientes para administração,
depósitos para acervo, sanitários, café, num volume mais baixo, também circular, que se
articula ao bloco maior de exposições.
Praticamente, o esquema de circulação do edifício determina sua forma plástica e
geométrica.
Nas suas plantas podemos verificar a presença de figuras geométricas simples como
círculos, quadrados e retângulos, numa composição harmoniosa que geram os volumes
do edifício.
Seu volume exterior redondo, plástico e dinâmico, rompe deliberadamente a estrutura
ortogonal circundante ao Central Parque e a própria malha viária da cidade de Nova York,
onde ele está implantado.
Geometricamente o Museu Guggenheim de Nova York é uma grande espiral cônica de
concreto armado, de base circular que constitui sua galeria de exposições, onde o usuário
pode subir de elevador e descer as rampas dessa espiral observando as obras de arte
expostas nas suas paredes inclinadas.
Uma grande clarabóia circular ilumina de forma natural e abundante todo o grande vazio
central bem como todas as rampas e as obras de arte expostas, atingindo até o
pavimento térreo de acesso ao museu.
Sua forma circular causou grande impacto na época de construção, gerando inclusive
muitos problemas de aprovação legal.
Há uma grande plasticidade, continuidade e movimento na forma cônica e aberta
proposta por Frank Lloyd Wright neste edifício.
Observamos claramente a obediência a princípios de simetria, equilíbrio e hierarquia,
conforme croquis geométricos apresentados, extraídos do livro Temas de Composición de
Clark, Roger, pág. (183).
* Ver mais em:
- Catálogo do Solomon Guggeinheim Museum de Nova York 1975.
- Pfeiffer. Bruce Brooks. Wright. Germany: Taschen, 2004.
-Clark, Roger. Arquitectura - Temas de Composicion. México: Gustavo Gili, 1997
- Weston, Richard. Plantas, cortes e elevações.Barcelona: Gustavo Gili, 2004.
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B.4.2. CORPOS CÔNÌCOS
Fig. 1 / Pavilhão Ri o Grande do Sul / Ìbirapuera
São os corpos originados das superfícies cônicas, (matematicamente também chamadas de
quádricas), como as elipses, parábolas, hipérboles, ou a combinação delas.
Essas superfícies, geometricamente bastante complexas, podem ser parabolóides,
hiperbolóides, parabolóides-hiperbólicos, etc.
B.2.4.1- Parabolóides
Os parabolóides são superfícies em 3 dimensões que obedecem à determinada equação
quádrica.
Os parabolóides podem ser:
- Parabol óides Elípticos são aqueles obtidos pela rotação de uma parábola ao redor de
um eixo. Possuem uma forma semelhante a uma taça.
Fig. 2 / Parabolóide elíptico
- Parabol óides Hi perból icos são aquelas superfícies tridimensionais regradas formadas
por duas famílias de linhas retas que se cruzam e que cortadas por planos horizontais,
resultam hipérboles e quando secionadas verticalmente geram parábolas.
Os parabolóides-hiperbólicos têm a forma de um sela de cavalo.
Fi g. 3 / Parabol óide Hiperbóli co
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- PARABOLÓÌDES ELÍPTÌCOS
- Parabolói des Elípticos são aqueles obtidos pela rotação de uma parábola ao redor de
um eixo. Possuem uma forma semelhante a uma taça.
- Nessa forma dos Parabolóides Elípticos será apresentada a seguinte obra:
Obra 54. Ìgreja de São Francisco de Assis, Pampulha, Oscar Niemeyer
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54. Ìgreja de São Franci sco de Assis, Pampul ha, B.H. / Oscar Ni emeyer / 1943
Fig. 1 / Vista externa
Fig. 2 / Vi sta da Lagoa
Fig. 3 / Vista externa
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54. Ìgreja S.Francisco de Assi s, Pampulha, B.H. / Oscar Niemeyer, 1943
Fig. 4 / Perspectiva Axonométrica
Fig. 5 / Pl anta
Fig. 6 / Corte transversal
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54. Ìgreja S.Francisco de Assi s, Pampulha, B.H. / Oscar Niemeyer, 1943 *
Esta Ìgreja faz parte do Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte
composto pela Casa de Baile, Cassino, Ìate Clube e o Lago artificial, projetado pelo
arquiteto, na década de 40.
Cinco abóbadas elípticas, autoportantes de concreto armado, com tamanhos e raios
diferentes formam esta cobertura ondulada com muita graça e ritmo.
O concreto é usado aqui na plenitude de todas as suas características estruturais e
beleza plástica.
A abóbada maior cobre a nave, sendo interrompida no início do altar para dar lugar à
outra seqüência mais baixa de arcos que cobre o altar e a sacristia, criando uma
iluminação indireta sobre o altar.
Na entrada, sob o mezanino do coro, à esquerda, estão o batistério e uma escada
helicoidal que leva ao coro.
A planta da nave é trapezoidal e a da sacristia um retângulo que lhe é perpendicular.
Quem olha a planta isoladamente, jamais pode imaginar o volume que a envolve e cobre.
É impressionante a diferença geométrica entre as abóbadas da cobertura e essa planta;
enquanto aquelas são livres, orgânicas, mole, esta é rígida, cartesiana, dura.
A composição volumétrica se completa com o campanário trapezoidal vertical bastante
esbelto e que faz um contraponto vertical às ondulações da cobertura.
Uma marquise inclinada liga o campanário à entrada da fachada para a Lagoa da
Pampulha que tem a forma de uma parábola recoberta por quebra-sois.
A igreja teve a participação de Portinari nos painéis de azulejos da fachada e o mural
interno, numa feliz integração entre arquitetura e artes plásticas.
* Ver mais em:
- Cavalcanti, Lauro. Guia de Arquitetura 1928-1960. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2001
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- PARABOLÓÌDES HÌPERBÓLÌCOS
- Parabolóides Hi perbóli cos são aquelas superfícies tridimensionais regradas formadas
por duas famílias de linhas retas que se cruzam e que cortadas por planos horizontais
resultam hipérboles e quando secionadas verticalmente geram parábolas.
Os parabolóides-hiperbólicos têm a forma de um sela de cavalo.
-Com as figuras dos Parabolóides-Hiperbólicos são apresentadas as seguintes obras:
Obra 55- Piscina da Água Branca S.Paulo / Ìcaro de Castro Melo
Obra 56- Pavilhões Olímpicos em Tóquio / Kenzo Tange
Obra 57-Pavilhão Olímpico Montreal / Frei Otto
Obra 58- Restaurante Manantiales México / Felix Candela
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55. Piscina da Água Branca, S.Paul o / Ìcaro de Castro Mello / 1948
Fig. 1 / Vista aérea
Fig. 2 / Vista interna
Fig. 3 / Pl anta
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55. Piscina da Água Branca, S.Paul o / Ìcaro de Castro Mello, 1948
Fig. 4 / Corte longitudinal
Fig. 5 / Corte transversal
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55. Piscina da Água Branca, S.Paul o / Ìcaro de Castro Mel lo, 1948 *
Esta piscina olímpica, com arquibancadas de plantas trapezoidais, tem capacidade para
4.500 espectadores; demais dependências de apoios como sanitários e vestiários sob
estas arquibancadas completam o programa arquitetônico.
Este edifício representa uma solução volumétrica original para um programa arquitetônico
inédito de piscina coberta, ainda mais se tratando de obra pública.
Exemplo clássico e puro de um volume constituindo a figura geométrica do parabolóide
hiperbólico, conhecida superfície de dupla curvatura, como a sela de um cavalo.
Ele é composto de 15 arcos parabólicos transversais de concreto de diferentes raios e
tamanhos dispostos paralelamente a cada 4 m ao longo de uma curva geratriz
longitudinal. A cobertura de alumínio completa a forma.
A planta geral e o corte mostram figuras fechadas geradas em conseqüência da
construção geométrica espacial de um único e amplo parabolóide-heperbólico.
Pela data da construção nota-se o pioneirismo desse programa em edifício público e o
arrojo da solução plástica e construtiva.
* Ver mais em:
- Xavier, Alberto. Arquitetura Moderna Paulista. São Paulo: Pini, 1975
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56. Pavil hões Olímpi cos de Tóquio / Kenzo Tange / 1964
Fig. 1 / Vista aérea
Fig. 2 / Vi sta externa do pavilhão da piscina
Fig. 3 / Vi sta i nterna do pavilhão da pisci na
Fig. 4 / Detal he dos cabos da cobertura do ginásio Fig. 5 / Detal he da ancoragem superior
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56. Pavilhões Ol ímpicos Tóqui o / Kenzo Tange, 1964
Fig. 6 / Ìmpl antação
Fig. 7 / Corte longitudinal pavilhão da piscina
Fig. 8 / Corte transversal pi scina
Fig. 9 / Corte transversal do ginásio
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56. Pavilhões Ol ímpicos de Tóquio / Kenzo Tange, 1964 *
Fig. 10Estruturas das coberturas do ginásio Fig. 11 / Esquemas geométricos dos
e pi scina pavi lhões
Estes dois edifícios foram construídos para os jogos olímpicos de 1964 em Tóquio; de
ricas formas originais, eles estão implantados num parque urbano da cidade.
O grande pavilhão destinado às competições de natação, judô, patinação, tem
capacidade para 16.246 pessoas; já o menor, destinado às competições de boxe e outros,
abriga um público que pode variar de 3.831 a 5.351 pessoas, dependendo do esporte
praticado.
Os pavilhões olímpicos têm plantas circulares e coberturas metálicas penduradas, em
forma de velas de barco, que seguem a tradição cultural japonesa.
O bloco maior é composto por dois semicírculos distorcidos e opostos com um vazio
central transparente para iluminação; O menor foi definido por um círculo completo
também com cobertura pendurada, mas num só pilar.
Essas coberturas vencem grandes vãos com leveza e beleza plástica; elas têm a forma
geométrica de parabolóides hiperbólicos, que caracterizam plasticamente o conjunto.
Dois arcos de círculos com raios desiguais, helicoidais, cujas extremidades terminam em
pontas, orientam superfícies formadas por uma malha de cabos de aço que sustentam a
cobertura, feita por placas de aço soldadas. Esta solução estrutural e formal lembra
também as estruturas de Frei Otto.
Os dois edifícios têm formas curvas semelhantes. Sobre cada uma dessas figuras
circulares se levantam dois pilares na piscina e um no ginásio menor, que suportam cabos
que vão definir uma complexa geometria de parabolóide-hiperbólicos, que simbolicamente
aludem aos barcos japoneses.
São soluções formais complexas que exigiram materiais e tecnologia adequados para a
sua difícil execução.
* Ver mais em:
- Tange, Kenzo. Estúdio Paperback. Barcelona. Gustavo Gili, 1979
-Clark, Roger. H. Temas de Composicion. México. Gustavo Gili, 1997.
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57. Pavilhão da Al emanha, Montreal / Frei Otto / 1967
Fig. 1 / Vi sta geral
Fig. 2 / Montagem
Fig. 3 / Vi stas internas das malhas dos cabos de sustentação
Fig. 4 / Mastros de apoio Fi g. 5 / Duplos componentes de Cobertura
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57. Pavi lhão Alemanha, Montreal / Frei Otto, 1967
Fig. 6 / Planta pavimento térreo
Fig. 7 / Corte
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57. Pavi lhão Alemanha, Montreal / Frei Otto, 1967 *
Estes pavilhões foram construídos para a Feira Ìnternacional de Montreal no Canadá em
1967. São construções estruturadas com geometria complexa, apresentando superfícies
obtidas por dupla curvatura, na forma de parabolóides hiperbólicos, atirantadas com
malhas de cabos e ancoradas em pilares fixos.
Neste projeto, as superfícies das coberturas são reversas e definidas pelas malhas de
cabos atirantados, fixos nos montantes ou pilares, e cobertas por placas translúcidas ou
opacas, presas nos cabos, conforme as ilustrações.
O pavilhão é estruturado por oito mastros de aços distribuídos de forma aparentemente
aleatória para melhor resistir aos esforços das malhas de aço a ele fixado por peças
especiais e de altura suficiente no seu interior para a exposição de materiais e produtos e
a circulação de pessoas.
As malhas de aço estruturais é que dão as formas, complementadas pelas membranas
plásticas que estão penduradas a 30 cm de distância mediante ganchos e peças
especiais de fixação, conforme se pode ver na ilustração.
Também com essa solução, as coberturas têxteis deixaram de ser artesanais; de meros
tecidos ¨esticados¨ elas se transformaram em sofisticadas soluções de engenharia.
De complexos cálculos matemáticos estruturais e grande intuição física, elas são obtidas
por um método de trabalho baseado em bolhas de sabão no caso das infláveis, ou o
emprego de materiais têxteis, como lonas ou tecidos especiais para as tensionadas.
Essas formas, a exemplo de Gaudi, têm origem em modelos de ensaios no próprio
laboratório de Frei Otto na Alemanha.
Frei Otto tem uma linguagem geométrica peculiar, por trabalhar com estruturas
tensionadas ou pneumáticas. As formas surgem basicamente do sistema construtivo e do
comportamento estrutural de seus elementos.
As formas arquitetônicas são resultados diretos do comportamento da estrutura composta
por malhas de cabos tensionados, que traçam curvas em função dos seus esforços.
São estruturas mínimas, leves e simples, extremamente plásticas, fáceis e rápidas de
montar, que vencem grandes vãos e permitem grande flexibilidade de uso.
Essas coberturas não são definidas para usos específicos, isto é podem abrigar múltiplos
usos, variáveis no tempo. Embora associadas a usos temporários, são construções
duradouras e construtivamente sólidas.
Com estas formas ¨aladas¨, executadas com alta tecnologia, para usos mutantes, Frei
Otto se aproxima daqueles visionários do Archigram.
Ver mais em:
-Drew, Philip. Tercera Generacion. Barcelona: Gustavo Gili, 1973
-Berger, Hors. Light structures / Structures of light. Berlim:Birkhauser, 1996
-Herzog, Thomaz. Construciones pneumáticas. Barcelona, Gustavo Gili, 1977
- Ching, Francis D.K. Arquitetura ÷ Forma, espaço e ordem. São Paulo: Martins Fontes,
2002
328
329
58. Restaurante Manantiales, Méxi co / Feli x Candela / 1958
Fig. 1 / Vi sta externa do Lago de Xochimilco
Fig. 2 / Vista interna do Restaurante
Fig. 3 / Vista da entrada (Foto El oy)
330
58. Restaurante Manantiales, Méxi co / Feli x Candela, 1958
Fig. 4 / Geometria dos parabol ói de-hiperbólicos
Fig. 5 / Estrutura da Cobertura Fig. 6 / Forma da Estrutura da Cobertura e Fundações
Fig. 7 e 8 /Vistas
331
58. Restaurante Manantiales, Méxi co / Feli x Candela, 1958 *
Este Restaurante está localizado no Parque Xochimilco, onde ficavam os mananciais de
água da cidade do México.
Ele é constituído por leves e esbeltas cascas de concreto, numa elegante cobertura que
cria um rico espaço interior,libera toda área do salão e propicia amplas vistas para o
exterior.
Essas delicadas cascas, geometricamente são parabolóides-hiperbólicos, de 6 metros de
altura no centro do salão, que se abrem para fora em planos inclinados. Os arcos
perimetrais têm a forma de parábolas.
Sua geometria em planta é um octógono regular composto no espaço por quatro
parabolóides hiperbólicos (hypars) com bordas totalmente livres de pilares, muito
delgados e contínuos que se apóiam suavemente no solo.
São cascas de cobertura, leves e delicadas, constituem uma forma original extremamente
graciosa e dinâmica.
Para Candela este restaurante é considerado uma de suas obras mais significativas por
atingir as condições plenas de estruturas em cascas: Simplicidade, graça, leveza e
economia.
Esta obra tem todas as qualidades de uma boa arquitetura: proporção, elegância, escala,
leveza, implantação, uso correto do material e honestidade estrutural.
Os espaços arquitetônicos são definidos exclusivamente pela forma estrutural. Segundo
Candela ¨a estrutura ganha vida quando suas forças passam a atuar sobre a mesma após
sua construção e desforma. A estrutura bela perde magia quando revestida ou é
escondida pela arquitetura¨.
Suas formas arquitetônicas são simples como síntese geométrica, mas de grande
complexidade no calculo estrutural.
Candela notabilizou-se pela execução de estruturas em cascas de concreto armado,
muito esbeltas e com formas geométricas livres ou orgânicas. Era antes de tudo um
construtor que buscava a racionalidade e economia.
* Ver mais em:
-Faber, Colin. Las Estruturas de Candela. México: Continental, 1975
- http://www.ferrocement.com/candela/candela.04.it.htmlfelixcandela
332
333
B.5. CORPOS ESFÉRÌCOS
Novo Parl amento Alemão, Berli m / Norman Foster, 1999
As esferas são corpos geométricos redondos gerados pela rotação completa de um
semicírculo em torno seu diâmetro. Todos os pontos eqüidistam do centro. Podem se
apresentar plenas ou secionadas.
B.5.1. Esferas
As construções com formas esféricas são geralmente feitas através das geodésicas
As geodésicas são estruturas compostas por tetraedros regulares, que combinados entre
si, buscam formar uma esfera. Quando secionadas podem ser chamados de domos ou
cúpulas geodésicas.
Serão apresentadas e analisadas as seguintes obras:
Obra 59- La Geode em Paris de Adrien Fainsilber
Obra 60- Pavilhão dos EUA em Montreal de Buckminster Fuller
334
335
59. La Geóde, La Vil lette, Paris / Adrien Fainsi lber / 1985
Fig. 1 / Vista geral
Fig. 2 / Vi sta superior
Fig. 3 / Durante a Construção Fi g. 4 / Detal he da estrutura metálica geodésica e
revesti mento
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59. La Geóde, La Vil lettte, Paris / Adrien Fai nsil ber, 1985
Fig. 5 / Plantas vári os nívei s e Corte
Fig. 6 / Corte Geral
337
59. La Geóde, La Vil lette, Paris / Adrien Fainsil ber, 1985 *
Esta construção Geodésica, chamada La Géode, faz parte do Museu de Ciências, que é
um edifício maior, em forma de paralelepípedo regular, que lhe faz contraste e a ela está
conectada por passarelas.
Este conjunto foi construído no Parque de la Villete em Paris, onde há obras de vários
outros arquitetos, como as folies de Bernard Tschumi, a Cité de la Musique de Christian
de Porztamparc.
Esta é uma estrutura geodésica perfeita construída com 2.580 tubos metálicos de aço
formando triângulos eqüiláteros pré-fabricados, colocados justapostos, mas fixados de
forma independente para controlar suas dilatações.
A manifestação formal e volumétrica dessa estrutura de 36 metros de diâmetro é dada
pelo seu perfeito revestimento externo, feito por placas de aço inoxidável polido.
Esta forma brilhante está ¨pousada¨ sobre um grande espelho d'água que valoriza sua
implantação e cria um efeito visual bastante forte, pelo seu reflexo na água e o contraste
com o edifício contíguo do Museu, em forma ortogonal.
Ìnternamente há uma estrutura independente de concreto que forma um anfiteatro de 360º
com capacidade para 400 espectadores, que podem apreciar um sofisticado sistema de
projeção multimídia.
* Ver mais em:
- Cerver, Francisco Asensio.New European Architecture. Arco colour collection.Arco
Editorial.s/d.
- http://www.lageode.fr/
338
60. Pavi lhão dos EUA, Montreal / Buckminster Fuller, 1967
Fig. 1 / Vi sta externa do Domo geodésico
Fig. 2 / Grande transparência Fig. 3 / Durante Ìncêndio
Fig. 4 e 5 / Etapas da Montagem
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60. Pavi lhão EUA, Montreal / Buckminster Full er, 1967 *
O pavilhão norte-americano na Exposição Ìnternacional de Montreal de 1967, projetado
juntamente como o arquiteto Shoji Sadao, era um grande domo geodésico de 76m de
diâmetro com altura máxima de 61metros e superfície total de 14.000 m2.
O domo é formado por uma capa externa de triângulos, a geodésica propriamente dita, e
uma camada interna de hexágonos tubulares que suportam a cúpula transparente de
acrílico. Em termos de volumetria é uma esfera geodésica, truncada na base, com forma
geométrica fechada, expressão pura de uma tecnologia sofisticada.
De grande transparência, esta construção foi uma novidade revolucionaria do ponto de
vista estrutural e formal, que só rivalizava, na mesma feira, com o Pavilhão alemão de
Frei Otto, em impacto e beleza.
A geodésica é oriunda de pesquisas geométricas com modelos e a partir de cálculos
matemáticos, quando se construiu uma esfera dividindo-a em vários triângulos estruturais.
Construir espaços, com o mínimo de materiais, foi um dos objetivos e princípios de
Buckminster Fuller. Dessa maneira podem-se criar estruturas leves, em forma de domo
esférico, com materiais leves como tubos metálicos ou plásticos e revestidos de material
transparente ou opaco conforme a necessidade.
Esses domos geodésicos apresentam grandes vantagens, como industrialização na
fabricação das peças, leveza, facilidade de transporte, vencem grandes vãos, têm rapidez
de montagem e dispensam mão de obra especializada.
Porém, alguns problemas complementares devem ser solucionados, como a eventual
necessidade de crescimento ou ampliação, possíveis problemas de vedação e controles
acústicos e térmicos.
De ponto de vista da sua presença na paisagem, essas construções podem se tornar
artificialmente onipresentes, ignorando totalmente o lugar onde estão inseridas.
Etapas de Construção da Geodésica
À seguir é mostrada a seqüência geométrica de uma construção geodésica.
Fig. 6 /Seqüência geométrica
* Ver mais em:
- Lopes, João Marcos; Lotufo Vitor. Geodésicas e Cia. São Paulo: Projeto, s/d.
- Baldwin, J. Bucky Works. Nova York: John Wiley, 1996.
- Joedcke, Jurgen. Arquitectura contemporânea. Barcelona: Gustavo Gili,1969.
340
341
B.5.2. SEÇÕES DE ESFERA
Armazém de grãos,Wal lon Branch Bélgica / Smyn & Partners, 1995
São seções ou partes da esfera, nas formas de conchas, cúpulas, calotas.
Serão apresentadas as seguintes obras:
Obra 61- Ìgreja do Jubileu de Richard Meier
Obra 62- Centro Cultural Nova Caledônia de Renzo Piano
Obra 63- Opera de Sydney de Jorn Utzon
Obra 64- Palacete de esportes em Roma de Píer Luigi Nervi
Obra 65- Planetário do Ìbirapuera de Roberto Goulart Tibau
Obra 66- Pavilhão do Vidro de Bruno Taut
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343
61. Ìgreja Jubileu, Roma / Ri chard Méier, 2003
Fig. 1 / Vista externa pelo acesso
Fig. 1 / Vista aérea
Fig. 3 / Vista interna
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61. Ìgreja do Jubi leu, Roma / Richard Méier, 2003
Fig. 4 / Ìmplantação Fig. 5 / Pl anta pavimento térreo
Fig. 6 / Croquis geométricos do arquiteto nas elevações e corte
Fig. 7 / Geometria em pl anta
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61. Ìgreja do Jubi leu, Roma / Richard Méier, 2003 *
Esta igreja católica foi resultado de um concurso público internacional para comemorar o
jubileu do pontificado do papa João Paulo 2º; Ela tem três pavimentos destinados a
cumprir um razoável programa arquitetônico, num terreno triangular bastante exíguo.
A volumetria desse edifício é composta de três conchas curvas e volumes prismáticos
retangulares e cúbicos, numa geometria bastante freqüente nas obras do arquiteto.
Essa variada volumetria formal visa separar e definir claramente as funções do edifício: as
conchas curvas definem as áreas sacras, de culto e as ortogonais as áreas chamadas
profanas.
As conchas foram derivadas de círculos de mesmo raio e alturas diferentes, ligeiramente
deslocados, construídas em concreto protendido moldado no local e revestido com
mármore travertino.
Simbolicamente estas três conchas curvas fazem uma alusão à santíssima trindade,
segundo o arquiteto.
A parte profana, prismática e ortogonal, é formada por quadrados e retângulos, figuras
geométricas recorrentes na obra deste arquiteto.
* Ver mais em:
- Meier, Richard. Arquitecto. Barcelona: Gustavo Gili, 1986
- Méier, Richard. Architect. Livro 3. New York: Rizzoli, 1999
- Revista Projeto números 219 e 289
- http://www.richardmeier.com/
346
347
62.Centro Cul tural Tjibaou, Nova Caledônia / Renzo Piano, 1998
Fig. 1 / Vista Aérea do conjunto
Fig. 2 / Conj unto com habitação Kanak local à frente Fi g. 3 /Vista externa Fig. 4 / Detalhe
Fig. 5 / Vi sta parcial com as estruturas de madeira, alumínio e aço
Fig. 6 / Vista interna
348
62. Centro Cultural Tji baou, Nova Cal edônia / Renzo Piano, 1998
Fig. 7 / Ìmpl antação
Fig. 8 / Corte transversal
Fig. 9 / Croqui do arquiteto Fi g. 10 / Semi círculo com fixação de madei ra e aço
349
62. Centro Cul tural Tji baou, Nova Caledônia / Renzo Piano, 1998 *
Este é um conjunto cultural Jean-Marie Tjibaou, em Nouméa, capital do território francês
da Nova Caledônia, no Pacífico sul, onde o arquiteto mergulhou nas raízes culturais locais
e empregou alta tecnologia para realizar as formas arquitetônicas.
São dez unidades de diferentes tamanhos e funções, com formas originais e implantadas
numa reserva ambiental local.
Dez conchas duplas, baseadas nas formas das cabanas nativas Kanak, construídas com
madeiras locais, aço, alumínio, com alta tecnologia, interligadas por uma grande alameda
contínua.
Cada concha de planta circular, com vedações em leves curvaturas irregulares, tem raios
e alturas diferentes para atender não só a uma intenção plástica de movimento e variação
formal, mas também para servir de ambiente para as várias funções culturais pretendidas.
Na aplicação dos materiais houve a conciliação entre a madeira natural, aplicada de
forma laminada e materiais contemporâneos como aço e alumínio, numa simbiose
saudável entre o natural e o industrializado, entre o passado e o contemporâneo.
Com a preocupação de buscar referências formais na cultura local, o arquiteto se baseou
nos materiais e tecnologia de habitação kanak; em vista disso nota-se uma grande
integração do conjunto com o meio ambiente local.
Note-se também pelo croqui do arquiteto as suas preocupações: implantação a partir do
ponto mais alto dos morros; fragmentação dos volumes dispostos ao longo de uma
grande alameda; formas arredondadas: atender a verticalidade da paisagem natural
composta por pinheiros.
* Ver mais em:
- Revistas AU 94 e Finestra 16.
- http://www.rpbw.com/
350
351
63. Ópera de Sydney / Jorn Utzon, 1967
Fig. 1 e 2 / Vistas externas
Fig. 3 / Vista das escadarias da Plataforma Fig. 4 / Sala de Concertos
Fig. 5 / Vistas da Cobertura
352
63. Ópera de Sydney / Jorn Utzon, 1967
Fig. 6 / Planta pavimento térreo
Fig. 7 / Corte pelo Teatro de Ópera
Fig. 8, 9 e 10 /Maquetes mostrando a cobertura final e a decomposi ção da esfera para obter
as calotas.
Fig. 11 e 12 / Esquemas geométricos
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63. Ópera de Sydney / Jorn Utzon, 1967 *
Este emblemático edifício do período moderno é composto por dois elementos
geométricos bastante distintos: Uma grande plataforma horizontal cartesiana e duas
seqüências de coberturas com formas curvas trabalhadas, apoiadas nessa plataforma.
A monumental plataforma horizontal tem largos degraus de 80 metros de comprimento e
abriga no seu subsolo outros ambientes destinados às atividades culturais, bem como
todo o apoio e infra-estrutura necessários ao funcionamento do complexo.
O volume maior externo é uma sala de concertos com capacidade para 2.679 pessoas
com condições acústicas impecáveis pela forma e tratamento empregados.
O corpo menor, também externo, é o Teatro de Ópera com capacidade para 1.547
pessoas e o fosso de orquestra para 72 músicos.
Há outros espaços públicos situados sob a grande plataforma horizontal como o cine-
teatro, o teatro de arte dramática, o estúdio e, inclusive a sala Utzon de exposições, em
homenagem ao arquiteto.
A característica formal original deste projeto é dada pelas seqüências de abóbadas com
seções e alturas diferentes. São dois conjuntos de abóbadas, colocados ligeiramente em
direções diferentes, que cobrem os dois auditórios principais.
As formas resultantes das abóbadas são atribuídas às velas dos barcos da Baia de
Sydney, ou ainda às conchas existentes na praia local.
Geometricamente essas abóbadas foram obtidas pela decomposição de uma calota
esférica e a dobradura de seus setores, conforme mostramos em imagem específica,
apresentando secções diferentes e formas curvas que terminam em arestas na parte
superior.
As abóbadas foram executadas em concreto armado e revestidas com placas de
mármore branco e azul, formando uma policromia que lembra a composição de escamas,
que reforçam suas características formais e têm grande efeito visual.
As complexas formas das abóbadas causaram difíceis problemas de cálculo estrutural e
de execução, inicialmente previstos para serem com painéis pré-moldados.
Ìgualmente difícil foi a solução dos demais componentes construtivos, como por exemplo,
os forros que acompanham internamente as formas das abóbadas e os grandes painéis
de vidro das fachadas transparentes; afirma-se que a geometria da estrutura dos caixilhos
desses últimos foi inspirada nas penas das asas das gaivotas que voam na área.
Neste projeto estrutura e forma são parceiras e aliadas como método de trabalho.
Abóbadas monumentais assentadas sobre uma extensa plataforma horizontal parecem
criar uma necessária tensão geométrica e física ao criar os espaços arquitetônicos. Uma
interação perfeita e algo mágica.
O arquiteto admite que a fonte de inspiração para o partido arquitetônico monumental,
composto de uma sólida base apoiada no chão e ancorando livres formas aladas, está
localizada nas catedrais góticas.
* Ver mais em:
- Wetson, Richard. Plantas cortes e elevações. Barcelona: Gustavo Gili, 2004.
- Drew, Phillip. Tercera Generacion. Barcelona: Gustavo Gili, 1973
- Gossel, Peter. Architecture in the twentieth century. Germany: Taschen, 1990
- Curtis, William. Modern Architecture since 1900. Oxford: Phaidon, 1987.
- McGillick, Paul. Sydney Architecture.Sydney: Pesaro Publiching, 2005.
- http://www.utzon.dk/
354
355
64. Palacete de Esportes, Roma / Pier Luigi Nervi / 1957
Vista aérea
Fig. 1 / Vi sta geral
Fig. 2 / Vista de uma das entradas
Fig. 3 / Vista interna geral
356
64. Palacete de Esportes, Roma / Píer Luigi Nervi , 1957
Fig. 4 / Vi sta i nterna forro Fi g. 5 / Montagem dos módul os
Fig. 6 e 7 / Plantas dos nívei s térreo, dos serviços e das arquibancadas
Fig. 8 / Corte geral esquemáti co
357
64. Palacete de Esportes, Roma / Píer Luigi Nervi , 1957 *
Este é o menor (palazzeto) dos ginásios de esportes construídos em Roma por Píer Luigi
Nervi.
A geometria básica desse ginásio de esportes é uma grande planta circular que
espacialmente gera uma cúpula composta de trapézios pré-moldados apoiada em pilares
radiais e travada por anéis circulares.
A forma geométrica do edifício é dada por uma cúpula ou calota esférica sustentada por
uma coroa perimetral de 36 pilares em forma de Y, colocados radialmente, e inclinados
segundo a tangente da curva ao nível do beiral.
O conjunto estrutural assim formado, que cobre a sala circular de 50m de diâmetro, se
abre para o solo por meio de um anel circular de fundação de concreto protendido de
81,50m de diâmetro.
A cúpula, calculada como membrana, é formada por 1.620 elementos pré-fabricados de
forma romboide, formada por painéis triangulares abobadados.
O diâmetro na altura do beiral é de 60m e está a 21 m do chão.
A forma para Nervi nunca era gratuita, mas sempre associada à estrutura do edifício,
como resposta ao seu comportamento e aos seus esforços. Para ele a estrutura não é
meramente a ossatura à parte, mas se constitui no edifício mesmo, de sua unicidade.
Defende que deve haver uma correspondência biunívoca entre arquitetura e estrutura.
Em vista dessa visão e do cuidado com a beleza toda a estrutura de suas obras ficavam
aparentes, tanto interna quanto externamente, sem qualquer revestimento.
Neste caso a estrutura, longe das soluções ortogonais convencionais, é orgânica, não só
esqueleto, mas definidora do edifício como um todo, onde os pilares e vigas trabalham em
unicidade e harmonia, onde arquitetura e estrutura constituem uma coisa só.
* Ver mais em:
- Nervi, Pier Luigi Jr. Coleção Estúdio. Barcelona: Gustavo Gili,1982, 2ª. Edição.
358
65. Planetário Ìbirapuera, São Paulo / Roberto Goulart Tibau / 1954
Fig. 1 / Vista externa
Fig. 2, 3 e 4 / Maquete e estrutura de madei ra interior
359
65 Planetário do Ìbirapuera, São Paul o / Roberto Goulart Ti bau, 1954 *
Fig. 5, 6 e 7 / Maquete e desenhos do arquiteto
Este edifício faz parte do Parque Ìbirapuera em S.Paulo, construído em comemoração ao
4º Centenário da cidade de S.Paulo, em 1954.
É uma edificação de uso muito especial e singular, já que foi projetado para abrigar um
equipamento raro e delicado, destinado a projeções do sistema solar no seu teto.
Uma abóbada semi-esférica, com arrojada estrutura de madeira, revestida externamente
de chapas de alumínio, sobre uma base circular de alvenaria definem a volumetria deste
edifício especial destinado a projeções do sistema solar, para um auditório.
Esta cúpula semi-esférica tem um desenho preciso dificilmente obtido com uma arrojada
estrutura de madeira forrada para as projeções e revestida externamente com chapas
lisas de alumínio.
Esta cobertura superior está apoiada sobre uma base circular de alvenaria separada por
uma faixa envoltória de caixilhos.
Uma grande e arrojada marquise trapezoidal, também revestida de alumínio, atirantada
na estrutura da cúpula marca a entrada do mesmo.
* Ver mais em:
- Xavier, Alberto. Arquitetura Moderna Paulistana. São Paulo: Pini 1975
- Revista AU 103
- Fotos da família do arquiteto
360
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66. Pavilhão do Vi dro, Colôni a, Alemanha / Bruno Taut / 1938
Fig. 1 / Vista externa
Fig. 2 / Planta pavimento térreo
Fig. 3 / Pl anta primei ro pavimento
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66. Pavilhão do Vi dro, Colôni a, Alemanha / Bruno Taut, 1938
Fig. 4 / Planta da Cobertura
Fig. 5 / Corte
Fig. 6 / El evação
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66. Pavi lhão do Vi dro, Colôni a, Al emanha / Bruno Taut, 1938 *
Este pavilhão temporário foi construído para uma exposição de produtos fabricados com
vidro, em Colônia na Alemanha, em 1914.
Uma forma esférica ogival, facetada e formada por triângulos e losangos de vidro e
arrematada em ponta definem a geometria deste pavilhão temporário de exposições
sobre o vidro.
O arquiteto buscou, nessa edificação, uma forma bastante inusitada e difícil, procurando
representar todo o potencial do vidro, como material transparente e inovador, uma
verdadeira Arquitetura do Vidro. Ìsso numa época de poucos recursos construtivos e
tecnológicos.
Sua planta do embasamento é circular e a do primeiro pavimento e da cobertura um
polígono regular de 14 lados.
Esse desenho absolutamente simétrico procura fazer a apologia do vidro como um
material lúdico, cósmico e belo pela sua transparência, luminosidade, clareza.
Esses predicados foram traduzidos neste edifício com a criação de espaços definidos
quase que exclusivamente tendo o vidro como material: vidros coloridos, degraus de
vidro, paredes de tijolos de vidro, cascatas.
Ver mais em:
Weston, Richard. Plantas, cortes e elevações. Barcelona: Gustavo Gili, 2005.
364
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C .CORPOS DERÌVADOS DE SUPERFÍCÌES SÌNUOSAS
VR Techno Plaza, Gi fu / Richard Rogers,1995
São corpos compostos pela concordância de superfícies cilíndricas, formando
sinuosidades diversas, em forma de ¨S¨, de ¨U¨, ¨Y¨, etc.
Dentro dessa categoria serão apresentados e analisados os seguintes edifícios:
Obra 67- Conjunto Residência Pedregulho de Afonso Reidy
Obra 68- Centro Administrativo da Bahia de João Filgueiras Lima
Obra 69- ÌBM na França de Marcel Breuer
Obra 70- Baker House de Alvar Aalto
Obra 71- Centro Cultural S.Paulo de Eurico Prado Lopes
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67. Conjunto Residencial Pedregulho, Rio de Janeiro / Afonso Eduardo Rei dy, 1952
Fig. 1 / Vista geral do conjunto
Fig. 2 / Vi sta do acesso pelo andar intermediári o
Fig. 3 / Vi sta externa com lavanderi a em primeiro plano Fig. 4 / Vista panorâmica do andar
368
67. Conjunto Residencial Pedregulho, Rio de Janeiro / Afonso Eduardo Rei dy, 1952
Fig. 5 / Pl antas dos vári os nívei s
Fi. 6 e 7 / Corte e trecho de elevação
Fig. 8 e 9 / Plantas das unidades habitacionais
369
67. Conjunto Residenci al Pedregulho, Ri o de Janeiro / Afonso Eduardo Reidy, 1952
*
Este edifício sinuoso é o maior, de um conjunto residencial completo, constituído de
outros blocos menores retangulares, de uma escola, mercado, lavanderia, centro de
saúde, ginásio de esportes e piscina.
O arquiteto optou por variar a volumetria dos diversos edifícios do conjunto, cada qual
com sua identidade; assim, os demais edifícios residenciais foram tratados como prismas
retangulares, os blocos de serviços como a lavanderia, escola, centro de saúde como
trapezoidais, o ginásio de esportes e a piscina com abóbadas.
A geometria do bloco residencial maior é curva e sinuosa principalmente em decorrência
direta da topografia íngreme e serpetenteada do morro do Pedregulho; Ìgualmente
tiveram influencia nessa conformação a orientação solar e as ricas visuais para a Baia de
Guanabara.
Sobre esta implantação, Carmem Portinho, engenheira da equipe e companheira do
arquiteto afirmou:
¨Aproveitando as linhas acidentadas do terreno o imponente Conjunto Habitacional
Pedregulho encontra-se equilibrado com a flexibilidade do desenho, avocando formas
ondulantes do relevo local. As curvas do prédio principal respondem às curvas da
encosta, segundo uma dialética formal, realçando sobremaneira as suas linhas. Foi o
primeiro conjunto construído no Brasil com visão de programa e concebido atendendo as
possibilidades do concreto armado¨.
Este bloco tem 260 metros de comprimento contém 272 apartamentos, de diferentes tipos
e tamanhos.
Sobre os pilotis, o bloco tem sete pavimentos, separados horizontalmente pelo pavimento
intermediário de acesso, que é uma área comum, toda aberta, áreas culturais e de
vivência, onde os 4 andares superiores tem apartamentos maiores de quatro dormitórios,
inclusive duplex e os 2 de baixo com apartamentos menores , de um dormitório.
Uma particularidade de uso do conjunto é que ele foi feito para moradias de locação e não
para venda, destinadas a funcionários públicos municipais do Rio de Janeiro.
Pioneiramente Reidy criou um dos mais belos conjuntos residenciais modernistas,
combinando os princípios racionalistas com os elementos formais brasileiros.
Elementos como as formas curvas no ginásio de esportes e piscina, os painéis artísticos
de Burle Marx e Portinari e o tratamento dos elementos vazados hexagonais de cerâmica
com requadro vazado de forma quadrada.
* Ver mais em:
- Reidy, Affonso Eduardo. Lisboa: Editorial Blau, 2000
- Reidy, Affonso Eduardo. Rio de Janeiro: O Solar, 1985
- Cavalcanti, Lauro. Guia de Arquitetura 1928-1960. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2005.
370
371
68. Centro Administrativo da Bahia/ Secretari as / João Filgueiras Li ma / 1973
Fig. 1 / Vi sta geral das Secretarias
Fig. 2 / Edi fício das Secretarias
Fig. 3 / Vi sta geral
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68. Centro Administrativo da Bahia, Secretari as / João Filgueiras Li ma, 1973
Fig. 4 / Pl anta dos pil otis
Fig. 5 / Planta do Quarto pavi mento
Fig. 6 /Corte esquemático / Montagem Fig. 7 Componentes pré-fabricados
de concreto
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68. Centro Administrativo da Bahia, Secretari as / João Filgueiras Li ma, 1973 *
Formas curvas sinuosas compõem a volumetria desses edifícios administrativos de
serviço público do governo da Bahia.
Grandes blocos baixos, horizontais com pilotis e plantas livres, flexíveis no uso e até
extensíveis se necessário.
Elas derivam principalmente da topografia ondulada irregular do terreno onde é criado um
solo artificial plano sobre suas partes elevadas e mantendo-se intactos o terreno e a
paisagem natural, evitando onerosos cortes e aterros.
Um sistema de peças pré-fabricadas de concreto para as lajes e fachadas, todas
moduladas em 1,10m, garantem a forma prevista, a rapidez, economia da construção e a
flexibilidade no dimensionamento e uso.
Foi montada uma central de fabricação no próprio canteiro de obras.
A montagem das peças pré-fabricadas foi executada sobre uma plataforma de concreto
fundida no local, apoiada em pilares centrais e vigas vazadas.
O componente da fachada, um prisma retangular vazado foi desenhado para garantir o
controle da iluminação e ventilação naturais nos ambientes internos.
Esse componente construtivo repetido pelas fachadas garante a marca geométrica de
todo conjunto, isto é o elemento em sua repetição consegue garantir a integralidade
formal de todo o conjunto.
Ver mais em:
- Lima, João Filgueiras. Lisboa: Editorial Blau, 2000
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