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RESOLUÇÃO DE EQUAÇÕES POR MEIO DE DETERMINANTES


Determinante de uma matriz de segunda ordem

Seja a matriz:

=
d c
b a
M

O determinante desta matriz é:

bc ad
d c
b a
− = = ∆

Exemplo:

=
4 1
2 3
M

10 1 2 4 3
4 1
2 3
= × − × = = ∆

Vamos supor o sistema de duas equações com duas incógnitas x e y:

f dy cx
e by ax
= +
= +


Este sistema de equações pode ser escrito na forma matricial:

=

f
e
y
x
d c
b a


Esta equação gera três matrizes:

1
a
. Matriz formada pelos coeficientes das incógnitas, ou seja:

=
d c
b a
M

Seu determinante é:


2
bc ad − = ∆

2
a
. Matriz em que se modifica a matriz M, substituindo-se a primeira coluna pela coluna de
resultados das equações:


=
d f
b e
M
X


Seu determinante é:

bf ed x − = ∆
3
a
. Matriz em que se modifica a matriz M, substituindo-se a segunda coluna pela coluna de
resultados das equações:

=
f c
e a
M
Y

Seu determinante é:

ce af y − = ∆
A teoria dos determinantes demonstra que:




=
x
x e


=
y
y

Ou seja:

d c
b a
d f
b e
x = e
d c
b a
f b
e a
y =
-------------------------------------------------------------------------------------------
Exercício 1
Resolver o sistema de equação:

11 3
7 2
= +
= +
y x
y x

=
3 1
1 2
M

=
3 11
1 7
X
M

=
11 1
7 2
Y
M

3
5 1 1 3 2 = × − × = ∆ 10 11 1 3 7 = × − × = ∆x 15 1 7 11 2 = × − × = ∆y

2
5
10
= =


=
x
x 3
5
15
= =


=
y
y

--------------------------------------------------------------------------------------------------------

Generalização

Seja o sistema de n equações com n incógnitas:
1
x ,
2
x , ............
n
x

1 1 2 12 1 11
b x a x a x a
n n
= + ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ + +
2 2 2 22 1 21
b x a x a x a
n n
= + ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ + +
....................................................
....................................................
....................................................
n n nn n n
b x a x a x a = + ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ + +
2 2 1 1


Este sistema pode ser escrito na forma matricial:


⋅ =


⋅ ×

⋅ ⋅
⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅
⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅
⋅ ⋅
⋅ ⋅
n n nn n n
n
n
b
b
b
x
x
x
a a a
a a a
a a a
2
1
2
1
2 1
2 22 21
1 12 11


Este sistema de equações gera n + 1 matrizes. A primeira matriz, que chamamos de M, é
formada pelos coeficientes das incógnitas:

⋅ ⋅
⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅
⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅
⋅ ⋅
⋅ ⋅
=
nn n n
n
n
a a a
a a a
a a a
M
2 1
2 22 21
1 12 11


As n matrizes seguintes, que chamaremos de
i
Mx para i = 1, 2, ......n, são construídas,
partindo da matriz M e substituindo-se a coluna i pela coluna de resultados
n
b b b ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅
2 1
, .
4

⋅ ⋅
⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅
⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅
⋅ ⋅
⋅ ⋅
=
nn n n
n
n
a a b
a a b
a a b
Mx
2
2 22 2
1 12 1
1

⋅ ⋅
⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅
⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅
⋅ ⋅
⋅ ⋅
=
nn n n
n
n
a b a
a b a
a b a
Mx
1
2 2 21
1 1 11
2
...........

..............................

⋅ ⋅
⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅
⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅
⋅ ⋅
⋅ ⋅
=
nn n n
n
n
n
b a a
b a a
b a a
Mx
2 1
2 22 21
1 12 11


A teoria de matrizes demonstra que:



=
1
1
x
x ,


=
2
2
x
x .....................................


=
n
n
x
x

onde ∆ é o determinante da matriz M e
i
x ∆ é o determinante da matriz
i
Mx
para i = 1, 2, 3, ........................,n

Determinante de uma matriz de ordem 3

Seja a matriz:

i h g
f e d
c b a


Seu determinante é:

bdi afh ceg cdh bfg aei
i h g
f e d
c b a
− − − + + =

Seria muito difícil decorar este resultado. Entretanto pode-se usar um arranjo através do
qual se calcula este determinante usando uma maneira sistemática conhecida como regra de
Cramer, em homenagem ao seu criador , o matemático Gabriel Cramer:
Parte-se da matriz original e acrescenta-se, à direita, duas colunas. Estas colunas
adicionais são a repetição das duas primeiras colunas dessa matriz:

5
h g i h g
e d f e d
b a c b a


Assinala-se três diagonais como indicado abaixo:

h g i h g
e d f e d
b a c b a


Multiplica-se os três elementos de cada diagonal assinalada, e soma-se esses produtos:
Resulta:

cdh bfg aei P + + =
1


Assinala-se outras três diagonais com inclinação invertida:

h g i h g
e d f e d
b a c b a


Multiplica-se os três elementos de cada diagonal assinalada, e soma-se esses produtos:
Resulta:

bdi afh ceg P + + =
2


O determinante resulta:

bdi afh ceg cdh bfg aei P P
i h g
f e d
c b a
− − − + + = − =
2 1

-----------------------------------------------------------------------------------------------------
Exercício 2
Resolver o sistema de equações:

12 3 3
13 2 3
8 2
= + +
= + +
= + +
z y x
z y x
z y x


6
1 3 3 1 3
3 1 2 3 1
1 2 1 1 2
3 1 3
2 3 1
1 1 2
= ∆



3 1 1 1 2 2 3 3 1 1 1 1 3 2 1 3 3 2 × × − × × − × × − × × + × × + × × = ∆ = 9

Semelhantemente:

3 1 12
2 3 13
1 1 8
= ∆x = 18
3 12 3
2 13 1
1 8 2
= ∆y = 27
12 1 3
13 3 1
8 1 2
= ∆z = 9


2
9
18
= =


=
x
x 3
9
27
= =


=
y
y 1
9
9
= =


=
z
z
------------------------------------------------------------------------------------------------------

QUATRO PROPRIEDADES DOS DETERMINANTES

Vamos tomar por base a matriz abaixo que chamaremos
p
M

=
p
M

3 2
4 6

Seu determinante fica:

3 2
4 6
= 10 2 4 3 6 = × − ×

Propriedade 1

Pode-se substituir qualquer linha ou coluna por outra linha que seja a soma de quaisquer
duas linhas ou colunas. O valor do determinante não se altera.

Vamos verificar, esta propriedade, utilizando a matriz
p
M exemplificada.
Vamos substituir a segunda linha por outra que seja a soma das duas linhas originais e
calcular o determinante:

7 8
4 6
= 10 8 4 7 6 = × − ×

7
Vemos que o valor do determinante não se alterou.
Vamos substituir, nesta última matriz, a segunda coluna por outra que seja a soma das suas
duas colunas originais e calcular novamente o determinante:

15 8
10 6
= 10 8 10 15 6 = × − ×

Mais uma vez constatamos que o valor do determinante não foi alterado.

Portanto, podemos dizer, por exemplo, que:

d b c a
b a
d c
b a
+ +
=


Propriedade 2

Se tomarmos duas linhas,
a
l e
b
l e substituirmos
b
l por outra linha de valor
b a
l l − , o valor
do determinante muda de sinal algébrico, isto é, o valor do novo determinante é igual ao
valor original multiplicado por –1.
Vamos partir, novamente, da matriz
p
M exemplificada:

3 2
4 6


Vamos substituir a segunda linha por outra que seja a diferença entre a primeira e a
segunda, e calcular o determinante.

1 4
4 6
= 10 4 4 1 6 − = × − ×

Vemos que houve, apenas, a mudança do sinal algébrico.

Vamos partir, novamente, da matriz
p
M e substituir a primeira linha por outra que seja a
diferença entre a segunda e a primeira, e calcular o determinante:

3 2
1 4 − −
= ( ) ( ) 10 2 1 3 4 − = × − − × −

Mais uma vez constatamos que o resultado consiste apenas na mudança do sinal algébrico.



8

Portanto, podemos dizer, por exemplo, que:

d b c a
b a
d c
b a
− −
− =

Propriedade 3

Quando se divide todos os elementos de uma linha por um mesmo número, o determinante
fica dividido por esse número.

Vamos partir da matriz
p
M e dividir a primeira linha por 2, e calcular novamente o
determinante.

3 2
2 3
=
2
10
5 2 2 3 3 = = × − ×

Portanto, podemos dizer, por exemplo, que:

=
d c
b a
d c
n
b
n
a
n× e =
d c
b a
m
d
m
c
n
b
n
a
m n × ×

Propriedade 4

Vamos considerar o determinante da seguinte matriz de terceira ordem:

h g
f e
c b a
0
0

Note-se que, com exceção da primeira linha, as demais linhas têm o primeiro elemento
igual a zero. Neste caso, tem-se a propriedade:

h g
f e
c b a
0
0
h g
f e
a× =




9
Exemplo:
Seja o determinante:

6 3 0
2 4 0
1 2 3
= ∆

Resolução pela regra de Cramer:

3 0 6 3 0
4 0 2 4 0
2 3 1 2 3


∆ = = × × − × × − × × − × × + × × + × × 6 0 2 3 2 3 0 4 1 3 0 1 0 2 2 6 4 3

0 3 2 3 0 0 0 6 4 3 − × × − − + + × × = =
= 3 2 3 6 4 3 × × − × × = ( ) 3 2 6 4 3 × − × ×

Este resultado confirma a validade da igualdade:


6 3 0
2 4 0
1 2 3
=
6 3
2 4


Redução de um determinante de ordem 3 para ordem 2.

Seja o determinante:


8 4 2
8 9 3
6 4 2
= ∆p

O cálculo deste determinante, pela regra de Cramer, resulta o valor 12.
Vamos dividir cada linha pelo valor do primeiro elemento da mesma linha. Pela
propriedade 3, resulta a igualdade:

8 4 2
6 9 3
6 4 2
= ∆p =
4 2 1
2 3 1
3 2 1
12
4 2 1
2 3 1
3 2 1
2 3 2 × = × ×

Vamos chamar a primeira, a segunda e a terceira linha de
1
l ,
2
l e
3
l respectivamente.
10
Vamos substituir a segunda linha por outra igual a diferença
2 1
l l − e a terceira por
3 1
l l − .
Pela propriedade 2, resulta a igualdade:


( ) ( )
1 0 0
1 1 0
3 2 1
12
1 0 0
1 1 0
3 2 1
12 1 1

− × =

− × × − × − = ∆p


Pela propriedade 4, teremos como resultado:

p ∆ =
1 0
1 1
12 1


× × = 12 1 12 1 = × ×

Conclusão:
O método descrito permitiu reduzir um determinante de ordem 3 para um determinante de
ordem 2, multiplicado por um coeficiente específico.

Generalização: redução de um determinante de ordem n para um determinante de
ordem n-1.

Seja um determinante de ordem n, contendo as linhas
1
l ,
2
l ,
3
l ,...............
n
l
Vamos supor que os primeiros elementos de cada linha sejam respectivamente
11
a ,
21
a ,
31
a ,...............
1 n
a .

a) Divide-se os elementos de linha
1
l por
11
a , os elementos de
2
l por
21
a , e assim
sucessivamente.
b) Substitui-se a linha resultante
2
l pela linha
2 1
l l − , a linha
3
l pela linha
3 1
l l − , e assim
sucessivamente.
Resulta a equivalência

Para os determinantes de ordem 3 > n , faz-se reduções sucessivas da ordem até resultar
um determinante de terceira ordem. Nesta situação calcula-se o determinante, de terceira
ordem resultante, utilizando-se a regra de Cramer.
-----------------------------------------------------------------------------------------------------
Exercício 3:

Calcular o determinante:

determinante ( ) × × × × × × − = ×

1 31 21 11
1
....... 1
n
n
a a a a n n determinante ( ) ( ) 1 1 − × − n n

11
6 2 2 1
8 14 2 2
12 6 6 3
4 4 8 2
− −
− −
− −
= ∆q


Solução:

1) Dividimos cada linha pelo seu primeiro elemento:

6 2 2 1
4 7 1 1
4 2 2 1
2 2 4 1
1 2 3 2
− −
− −
− −
× × × × = ∆q =
6 2 2 1
4 7 1 1
4 2 2 1
2 2 4 1
12
− −
− −
− −
×

2) Subtraímos cada linha da primeira linha:

( )
8 4 2 0
6 9 3 0
6 4 2 0
2 2 4 1
12 1
3
× × − = ∆q
8 4 2 0
6 9 3 0
6 4 2 0
2 2 4 1
12× − =


Utilizando a propriedade 4, resulta:

8 4 2
6 9 3
6 4 2
12× − = ∆q
Pela regra de Cramer tem-se:

q ∆ = ( ) 8 3 4 4 6 2 2 9 6 4 3 6 2 6 4 8 9 2 12 × × − × × − × × − × × + × × + × × × − = 144 −
---------------------------------------------------------------------------------------------------------