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Universidade Federal de Pernambuco
Faculdade de Direito do Recife
Direito Administrativo 2
Profª Larissa Medeiros
Estudo Dirigido

Aluna: Anna Clara Leite Pestana
Turma: M7


1. Em que diferencia a invalidação da convalidação dos atos administrativos e quais os limites
de cada uma?

A invalidação (ou anulação) é uma espécie do gênero extinção do ato administrativo.
Trata-se da retirada do mundo jurídico de um ato com vício de legalidade ou legitimidade
(ofensa à lei ou ao direito como um todo). É sempre um controle de legalidade, e não de
mérito. A anulação pode ser obrigatória, quando o vício é insanável, ou facultativa, quando
sanável a irregularidade. Importante destacar que tanto atos vinculados quanto os
discricionários podem ser anulados. Como a anulação incide sobre atos inválidos, ela produzirá
efeitos ex tunc, ou seja, retroativos até o momento da prática do ato. Nesse sentido, embora o
ato nulo não gere direito adquirido, devem ser resguardados os efeitos já produzidos em
relação aos terceiros de boa-fé. A invalidação pode ser feita pela Administração (autotutela),
de ofício ou mediante provocação, ou pelo Poder Judiciário, mediante provocação.
Importante observar, entretanto, que são inúmeras as decisões dos Tribunais
Superiores e obras doutrinárias que reconhecem limites formais e materiais à competência
administrativa de anular seus atos.
Quanto à limitação formal, no processo de invalidação desenvolvido na esfera
administrativa, éa necessária a observância das garantias do contraditório e da ampla defesa.
Desse modo, os beneficiários do ato inválido devem ser necessariamente convocados para
tomarem ciência do vício que o acomete e, querendo, apresentarem manifestação. Como
ressaltou Celso Antônio Bandeira de Mello, “não se anula ato algum de cotas para o cidadão, à
revelia dele“. Ainda acerca dessa matéria destaca-se precedente do STF: RE nº 158.543 da
relatoria do Ministro Marco Aurélio.
No plano material, duas limitações têm sido destacadas: os institutos da decadência
administrativa e da convalidação, ambos decorrentes da necessidade de estabilização das
relações jurídicas.
Inspirada na segurança jurídica, a decadência cria uma barreira temporal à
Administração, impondo-lhe a impossibilidade de anular atos depois do decurso de certo
período, o qual, no âmbito do processo administrativo federal, é de 05 anos, ressalvados os
casos de má-fé (art. 54 da Lei nº 9.784/99). Por analogia, esse prazo tem sido aplicado nas
demais esferas da federação que não dispunham de leis acerca do tema. Segundo Celso
Antônio Bandeira de Mello, na hipótese de ato emitido com má-fé, o prazo prescricinal seria
de 10 anos, mediante aplicação do art. 205 do Código Civil, já que, para o referido autor, não
haveria ato administrativo nulo ou anulável imprescritível.
Por sua vez, a convalidação ocorre toda vez que o ato esteja viciado por defeito
sanável e não tenha havido impuganação de algum interessado contra seu conteúdo. São
considerados vícios sanáveis os que dizem respeito à competência do sujeito, à forma do ato
e à vontade do agente público. Nesses casos, o princípio da segurança jurídica abona a tese de
obrigatoriedade da convalidação, em que pese a lei que regula o processo administrativo
federal sugerir que se trata de uma faculdade (art. 55 da Lei nº 9.784).
Por fim, deve ser ressaltado que, na visão de Celso Antônio Bandeira de Mello, não
podem ser anulados certos tipos de atos administrativos, mesmo não tendo ocorrido a
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decadência. Trata-se dos atos ”ampliativos da esfera jurídica dos interessados” que
beneficiaram uma gama de sujeitos de boa-fé, criando situações de fato e de direito
irreversíveis. Exemplo: licenciamento irregular de loteamento cujo vício somente fora
descoberto após inúmeras famílias pobres terem feito edificações.



2. Afirma o STJ que, “consoante a teoria dos motivos determinantes, o administrador vincula-
se aos motivos elencados para a prática do ato administrativo. Nesse contexto, há vício de
legalidade não apenas quando inexistentes ou inverídicos os motivos suscitados pela
administração, mas também quando verificada a falta da congruência. Construa um exemplo
em que se tenha incongruência na motivação do ato administrativo.

A emissão de um ato administrativo que determina a suspensão das atividades de um
montadora de veículos, por exemplo, deixa expresso o motivo fático que determinou tal
decisão: a fábrica é uma poluidora do meio ambiente. O fundamento jurídico que
fundamentam tal atitude seria a legislação ambiental, que visa à proteção ambiental,
permitindo que haja a paralisação de atividades que degradam o meio ambiente. Se,
entretanto, a empresa tem seu nível de emissão de poluentes dentro dos limites
regulamentares, ela pode contestar esse motivo perante o Judiciário (ou perante a própria
Administração, mediante recurso administrativo), comprovando sua inexistência.



3. A propósito da delegação de competência, afirma Odete Medauar: “transferida a
competência para a prática do ato, nenhuma reserva cabe mais à autoridade delegante,
ficando o delegado responsável pelo exercício ou prática das atividades delegadas, pois seria
absurdo que o delegante transferisse atribuições e continuasse responsável pelos atos que não
praticou”. Posicione-se diante da afirmação aqui colacionada, pesquisando na doutrina e na
jurisprudência, colacionando, se possível, precedentes que corrobore ou não o pensamento
aqui exposto, quanto à responsabilidade do delegante e do delegado em relação aos atos
objeto de delegação.

As decisões adotadas no exercício de delegação devem mencionar explicitamente essa
circunstância e serão consideradas editadas pelo delegado. A delegação, portanto, não
transfere apenas a execução, mas também a responsabilidade pelo ato delegado. Nesse
sentido: “Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contra ela
cabe o mandado de segurança ou a medida judicial” (Súmula 510 do STF).
Em julgado do Superior Tribunal de Justiça, infere-se o mesmo entendimento:

ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR
(PAD). COMISSAO PERMANENTE. MEMBROS DESIGNADOS PELO MINISTRO DO ESTADO
DAEDUCAÇAO. LEGITIMIDADE. COMPETÊNCIA DELEGADA.
1. Discute-se no presente mandamus a suposta incompetência do Ministro de Estado da
Educação para constituir comissão de Processo Administrativo Disciplinar contra servidor
de Universidade Pública Federal.
2. A Lei n. 8.112, de 1990, em seu art. 141, inciso I, declara ser da competência do Presidente
da República a aplicação da penalidade de demissão de servidor; competência essa,
contudo,delegável, como previsto no art. 84, incisos IV e VI, e parágrafo único,
da Constituição da República, e nos arts. 11 e 12 do Decreto-lei n. 200/67. Para essa finalidade
foi editado o Decreto n.3.035/1999.
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3. Nas hipóteses de demissão e cassação de aposentadoria ou disponibilidade de servidores, a
competência para julgar processos administrativos disciplinares e aplicar penalidades poderá
ser subdelegada pelo Ministro de Estado da Educação aos dirigentes das instituições federais de
ensino vinculadas àquele Ministério (art. 1º, 3º, do Decreto n. 3.035/1999).
4. Todavia, tal subdelegação não pode ser considerada como uma excludente de competência
do Ministro de Estado da Educação. Se uma determinada competência pode ser delegada,
automaticamente, esta poderá ser avocada, porquanto são dois institutos jurídicos conexos e
de "mão dupla", em decorrência da própria disposição do princípio da hierarquia que estrutura
aAdministração Pública.
5. A competência do Ministro de Estado da Educação para a instauração de PAD resulta não só
do Decreto n. 3.669/2000, mas também do Decreto n. 3.035/1999, uma vez que são
dois regramentos normativos que não se colidem, pois o art. 1º daquele Decreto determina a
delegação de competência do Ministro de Estado da Educação, mas sem prejuízo do disposto
no Decreto n.3.035/1999.
6. Desse modo, considerando que, por delegação de competência, cabe ao Ministro de Estado
da Educação julgar processos administrativos disciplinares e aplicar penalidades
contra servidores públicos, há que se concluir que também possui competência para instaurar o
próprio PAD, não havendo, portanto, qualquer vício de incompetência na portaria ora atacada.
7. Não há nulidade por incompetência da autoridade para aplicar a penalidade, tendo em vista
que o ato foi praticado no exercício de poder delegado expressamente pelo Presidente
da República, nos termos do Decreto n. 3.035/99. Precedentes: MS 8.834/DF, Rel. Min. Gilson
Dipp, Terceira Seção, DJ 28.4.2003; MS 8.374/DF, Rel. Min. Felix Fischer, Terceira Seção,
DJ 11.11.2002.
8. Ademais, no caso dos autos, a determinação para apuração da responsabilidade pelo
Ministro de Estado da Educação se deu em razão do Relatório de Demandas Especiais da
Secretaria de Controle Interno (Processo Assim, nos termos do art. 143, 3º, da Lei n.
8.112/1990, cabe à autoridade que tiver ciência de irregularidade a apuração imediata dos
fatos, que "poderá ser promovida por autoridade de órgão ou entidade diverso daquele em que
tenha ocorrido a irregularidade, mediante competência específica para tal finalidade, delegada
em caráterpermanente ou temporário pelé Presidente da República [...] ".
9. À luz do princípio da autonomia universitária de que trata o art. 207 da Constituição da
República, não há que se confundir a noção de autonomia com a de total independência
da instituição de ensino, sendo forçoso concluir que a universidade não se tornou, em razão do
referido princípio, ente absoluto, dotado da mais completa soberania.
Segurança denegada.
(STJ, MS 15.165/DF, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em
08/02/2012, DJe 05/03/2012)

Em regra, portanto, há ausência de responsabilidade solidária entre o delegante e o
delegatário. A responsabilidade é pessoal e direta do agente que pratica o ato.
Há, no entanto, duas exceções a essa regra: o caso de conluio entre delegante e
delegatório para a prática de ato ilícito; e a hipótese de culpa in eligendo pelo delegante, ou
seja, decorrente da má escolha daquele em quem se confia a prática de um ato.


4. Eleja um dos princípios do processo administrativo, dentre os elencados na Lei nº 9.784/99,
e sobre ele discorra.

Segundo o art. 2º da Lei 9784/99, “a Administração Pública obedecerá, dentre outros,
aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade,
moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.”
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Acerca do princípio da eficiência, expresso tanto na Lei de Processo Administrativo
como na própria Constituição Federal a partir da EC nº19/98, pode-se dizer que ele propõe
que a Administração Pública aproxime-se da administração so setor privado, no sentido de
priorizar a aferição de resultados, com autonomia dos entes administrativos e redução do
controle das atividades-meio. Esse modelo identifica-se com a noção de administração
gerencial.
Tal princípio possui dois aspectos, conforme leciona a Professora Maria Sylvia Di
Pietro: quanto à forma de atuação do agente público (espera-se o melhor desempenho
possível de suas atribuições a fim de obter os melhores resultados); quanto ao modo de
organizar, estruturar e disciplinar a asministração pública (exige-se que este seja o mais
racional possível, no intuito de alcançar os melhores resultados na prestação dos serviços
públicos).
A eficiência envolve, como corolério, uma série de conceitos: boa qualidade,
adequação das prestações às necessidades da sociedade, rapidez, simplicidade,
economicidade, etc. Em suma, o administrador deve sempre procurar a solução que melhor
atenda ao interesse público, levando em conta oótimo aproveitamento dos recursos públicos,
conforme uma análise de custo/benefício correspondente.
Importante destacar que a eficiência integra o controle de legalidade ou legitimidade,
de modo a peritir, em tese, a apreciação pelo Poder Judiciário de um ato administrativo
quanto à sua eficiência. Deveras, a atuação eficiente é uma obrigação do administrador e não
uma questão de oportunidade ou conveniência, não integrabdo, portanto, o controle d
emérito.



5. No processo administrativo, é sempre possível a desistência do interessado? E, se operada a
desistência, o processo ainda assim pode prosseguir?

Sim, conforme o art 51 da Lei 9784/99, o interessado, desde que mediante
manifestação escrita, poderá desistir total ou parcialmente do pedido formulado no processo
administrativo. Entretanto, a desistência ou renúncia do interessado, conforme o caso, não
prejudica o prosseguimento do processo, se a Administração considerar que o interesse
público assim o exige.