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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ - UTFPR
DEPARTAMENTO ACADÊMICO DE QUÍMICA E BIOLOGIA
BACHARELADO EM QUÍMICA TECNOLÓGICA/LICENCIATURA QUÍMICA
Físico Química A

Prática 6

Propriedades de líquidos e estrutura molecular, densidade e índice de refração
As substâncias, estejam elas puras ou em misturas, podem ser caracterizadas através de suas
propriedades físico-químicas intensivas e extensivas. Dentre estas temos, por exemplo, a massa molar de uma
substância pura, o volume molar, o índice de refração, a densidade, a viscosidade e outras mais de substâncias
puras e de misturas. Tais propriedades estão diretamente relacionadas com a estrutura molecular do sistema,
isto é, estão relacionadas com as ligações intermoleculares e intramoleculares e também com o arranjo
espacial dos átomos que constituem as moléculas. Todavia as relações interativas das moléculas de uma dada
substância (entre si e com o meio de dispersão em que se encontram, quando de uma mistura) não deixam de
ser função da estrutura molecular.
Como isto a prática em questão irá determinar a densidade e o índice de refração de substâncias puras
e de misturas e procurar estabelecer relações destas com outras propriedades que estão intimamente
relacionadas com a estrutura molecular do sistema.
Densidade
Os estados da matéria podem, de forma simplificada, ser agrupados em sólido, líquido e gasoso. Uma
das propriedades macroscópicas que geralmente distingue esses três estados da matéria é a densidade ou
massa específica (massa/volume), pois em geral (mas nem sempre) a densidade de gases é menor do que a de
líquidos, e essa menor ainda do que a de sólidos. A densidade é uma grandeza intensiva, isto é, não depende
da quantidade de matéria. De forma geral, se a substância ou a mistura é homogênea, então a sua densidade é
a mesma em todos os pontos do volume que ocupa. A densidade depende do tipo de substância, mas é em
geral influenciada pela temperatura, pela pressão e pela composição da mistura.
A determinação da densidade, tanto de líquidos como sólidos, pode ser obtida, medindo-se a massa
de líquido ou de sólido, que ocupa um volume conhecido, empregando-se o método do volume exato, o
método do picnômetro, ou o método do empuxo.
A obtenção da densidade pelo método do picnômetro é de grande precisão, uma vez que o cálculo do
volume é feito pela medida direta da massa de líquido conhecido. Porém é necessário tomar algumas
precauções para evitar a possibilidade de erros, como por exemplo, os causados por bolhas de ar formadas
dentro do líquido, ou pela propagação de erros inerentes à execução da série de medidas (massa do
picnômetro vazio, massa do picnômetro cheio com um líquido referência, massa do picnômetro cheio com
líquido-problema).
Índice de Refração
O índice de refração é outra propriedade físico-química, associada à densidade de líquidos e
relacionada com a estrutura molecular, empregada comumente em laboratórios de análise e de pesquisa.
A definição do índice de refração (n) é a razão entre a velocidade da luz no vácuo e na amostra
analisada. Esse índice é dependente da temperatura, da pressão, da natureza da substância e do comprimento
de onda da luz. Tratando-se de uma mistura homogênea, solução, o índice de refração depende também da
sua concentração. Conseqüentemente, o índice de refração é usado para identificar substâncias puras e para
determinar a concentração de soluções. Como se pode ver o índice de refração é uma propriedade que está
relacionada com a estrutura molecular do sistema. Uma destas relações é a refração molar (R
M
) de uma
substância, para um determinado comprimento de onda em uma dada temperatura,a qual é obtida pela
equação de Lorenz-lorentz:

=

2
−1

2
+2

Onde : n é o índice de refração, M a massa molar e  a densidade.
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A refração molar de uma substância é, aproximadamente, igual à soma das refrações molares dos
grupos, átomos ou grupos específicos de átomos, nela existentes. A refração molar é, portanto, uma
propriedade intensiva e constitutiva, com dimensões de volume molar.
Uma propriedade microscópica que está relacionada com o índice de refração é a polarizabilidade. A
polarizabilidade é uma medida da redução da intensidade do campo elétrico existente entre as placas de um
capacitor, quando é colocada uma molécula entre estas. O campo polariza a molécula, orientando-se dentro
dele. Essa grandeza pode ser medida pela permissividade relativa (ou constante dielétrica), . Trata-se da
relação entre as capacitâncias do dielétrico considerado e a do vácuo no capacitor de mesma forma
geométrica, respectivamente C e C
0
: C/C
0
= . A polarizabilidade () indica qual a distorção introduzida pelo
campo na distribuição de cargas elétricas. Ela ser calculada, fazendo-se algumas considerações, a partir da
seguinte expressão: =
3

4
, onde N é a constante de Avogadro.
É necessário fixar a temperatura e a freqüência em que é calculada a refração molar.

Volume molar parcial
Uma substância tem propriedades capazes de caracterizá-la, tais como índice refração, volume e
temperatura de fusão. Essas propriedades consistem em valores bem definidos de grandezas físicas. Mas
quando estudamos misturas homogêneas, soluções, outras propriedades também são importantes, dentre
esta estão as grandezas molares parciais.
Denomina-se por X uma grandeza termodinâmica extensiva qualquer (U, H, V, ...), sua diferencial total,
em termos de temperatura (T) e pressão (p), para um sistema cuja a composição não varia será:
=

+

Como X é, na realidade, função da quantidade de matéria (n) presente no sistema, a diferencial total
deverá ser escrita na forma mais geral:
=

,
+

,
+

,,

,
Onde: n
i
é a quantidade de matéria do componente i e n
j
a quantidade de matéria de todos os outros
componentes.
O termo

,,

=

chama-se de grandeza ou propriedade molar parcial.
Uma propriedade molar parcial fácil de visualizar é o volume molar parcial, o qual pode ser
interpretado como a contribuição volumétrica que um componente de uma solução faz para o volume total da
solução.
Imagine um volume enorme de água pura (V
i
). Quando um mol de água é adicionado a V
i
, o volume
final (V
f
) é igual a V
i
+ 18,0 mL. Assim podemos constatar que 18,0 mL/mol é o volume molar de um mol de
água pura (V = m/). Porém quando um mol de água é acrescido a um volume enorme de etanol, por exemplo,
o volume deste é acrescido somente de 14,0 mL. A razão para essa diferença é que o volume ocupado por um
dado número de moléculas de água depende das moléculas que as rodeiam. Quando uma quantidade grande
de etanol está presente, cada molécula de água está rodeada por moléculas de etanol e a somatória dos
volumes de cada molécula resulta em somente 14,0 mL. A quantidade 14,0 mL/mol é o volume molar parcial
da água em etanol puro.
O volume molar parcial de um componente numa solução varia com a composição da solução porque
o ambiente de cada tipo de molécula muda com a composição da solução, o que resulta numa variação das
forças intermoleculares que agem entre as moléculas.
O volume molar parcial

de uma componente i em uma dada composição da solução é definido por:

=

,,

.
O volume molar parcial do componente i a uma dada composição é o coeficiente angular de um
gráfico de volume total em função da fração molar do componente i, (na composição desejada) sendo a
composição de todos os outros componentes constantes.
A definição implica que quando a composição de uma mistura binária é alterada pela adição de dn
A
de
A e de dn
B
de B, o volume total da mistura será alterado de:
=

,,

+

,,

=

+

Uma vez conhecidos os volumes parciais dos dois componentes da mistura a uma composição de
interesse, pode-se determinar o volume total da mistura usando a fórmula: =

+

Outras duas relações importantes que se tem são:

=

,,

e

=

,,

Objetivo
- Determinar algumas propriedades de líquidos puros e de misturas destes que estão relacionadas com a
estrutura molecular, densidade e índice de refração;
- Reconhecer uma propriedade parcial molar;
- Relacionar comportamento ideal e não ideal de uma mistura (solução);

Materiais e Reagentes
- Termômetro
- picnômetro de 5 mL e 10 mL
- Refratômetro de Abbé
- Balança – 0,1 mg
- 11 frascos para guardar as soluções
- Banho termostatizado
- 2 bureta de 50 mL
- 2 balão volumétrico de 50 mL
- 2 béquer de 50 mL
- Algodão e acetona (mesa Prof.)
- Etanol comercial (mesa Prof.)
- Etanol P.A (mesa Prof.)
- Metanol P.A (mesa Prof.)
- 1-propanol P.A (mesa Prof.)
- 1-butanol P.A (mesa Prof.)
- n-hexano P.A (mesa Prof.)
- papel toalha (mesa Prof.)

Procedimento Experimental
Propriedades relacionadas com a estrutura molecular
-Meça no refratômetro de Abbé o índice de refração (n) do etanol comercial, metanol P.A, etanol P.A, 1-
propanol P.A, 1-butanol P.A, n-hexano P.A.
- Não se esqueça de medir a temperatura ambiente e das substâncias.
- Com o auxílio de um picnômetro e uma balança determine a densidade de cada substância.
- Faça uma tabela dos índices de refração medidos.

Pós laboratório
Calcule as refrações molares (R
M
) e as polarizabilidades () para cada substância e interprete os valores
obtidos, relacionando-os com as características estruturais da molécula em questão. Compare os valores de
índice de refração (n) obtidos com os encontrados em literatura.

Propriedades que dependem da composição da mistura e da estrutura molecular
- Com o auxilio de duas buretas de 50 mL, uma com água destilada e a outra com etanol, e um balão
volumétrico de 50 mL prepare as soluções indicadas na tabela 1.
- Com as soluções preparas meça para cada uma o índice de refração, no refratômetro de Abbé, e a densidade
empregando um picnômetro. Organize seus dados em tabela, por exemplo, como na tabela 2.
- As instruções da utilização do refratômetro e do picnômetro serão passadas pelo professor.
- Não se esqueça de medir a temperatura das soluções e a ambiente.



Tabela 1: Soluções preparadas para avaliar propriedades de líquidos puros e misturas destes.
Sol. V
Etanol

(mL)*
V
Água

(mL)*
V
Solução

(mL)*

solução

(g.cm
-3
)
n
álcool

(mol)
n
água

(mol)
n
total

(mol)
1 0 50 50
2 5 50
3 10 50
4 15 50
5 20 50
6 25 50
7 30 50
8 35 50
9 40 50
10 45 50
11 50 0 50
* lembre-se de acertar os algarismos significativos em função dos instrumentos de medidas.

Tabela 2:Densidade, ínidice de refração e volumes parciais molares das mistura água/etanol
Sol. x
a

[fração
molar da
água]
x
e

[fração
molar do
etanol]

[Vol. parcial
molar da solução]
(cm
-3
.mol
-1
)

solução


(g.cm
-3
)
n

[índice de
refração]

[Vol. parcial molar da
água]
(cm
-3
.mol
-1
)

[Vol. parcial molar do
etanol]
(cm
-3
.mol
-1
)
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11

Pós laboratório
- Termine de completar os dados das tabelas 1 e 2 com base nos dados coletados no laboratório.
- Construa os gráficos de volume parcial molar da água versus fração molar do etanol e de volume molar
parcial do etanol versus fração molar do etanol. Discuta estes gráficos.
- Construa o gráfico do índice de refração versus a composição da mistura etanol/água. A partir deste gráfico é
possível determinar a composição de uma amostra de etanol/água? Justifique sua resposta.
- Construa o gráfico da densidade versus a composição da mistura etanol/água. A partir deste gráfico é
possível determinar a composição de uma amostra de etanol/água qualquer? Explique.
- Como seria o comportamento das misturas etanol/água se estas fossem ideais? Faça uma relação entre os
resultados obtidos e o comportamento ideal das soluções.

Referência
ATKINS, P.W., Physical Chemistry, 6a Ed. (reimpressão), Oxford, Oxford University Press, 1999.
CASTELLAN, G., Fundamentos de Físico-Química, 1ª Ed. (reimpressão),Rio de Janeiro, LTC, 1996.
RANGEL, R.N., Práticas de Físico-Química, 3a Ed. revista e ampliada, São Paulo, Edgard Blücher, 2006.
MIRANDA-PINTO, C.O.B de, SOUZA, E. de, Manual de Trabalhos Práticos de Físico-Química, Ed. UFMG, Belo
Horizonte, 2006.