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São Boaventura de Bagnoreggio

Como seguidor e atualizador do pensamento agostiniano, em Boaventura
encontramos a subordinação da razão e da filosofia, respectivamente, à fé e teologia. Assim
Boaventura mantém sua base na metafísica da causalidade onde: “toda causa produz um
efeito que se lhe assemelha” (MONDIN, 123). Se Deus é criador, com Ele suas criaturas se
assemelham em maior ou menor grau. Portanto “a condição transcendental da imago Dei
pertence à própria essência da criatura” (MONDIN, 124).
Se tudo é criado por Deus, então todas as coisas são imitações de Deus, embora
diferenciadas em: Vestígio (Vestigium), que abarca toda criatura; Imagem (Imago), que
abrange todo intelecto espiritual racional; Semelhança (Similitudo), que envolve aqueles que
são conformes a Deus.
Divide ainda a Imago em: (imago naturalis/artificialis) (imago naturalis/connaturalis)
(MONDIN, 124 – 125)
 Imago naturalis: semelhança ao modelo por forma natural;
 Imago artificialis: semelhança por forma acidental;
 Imago naturalis: natureza da coisa;
 Imago connaturalis: natureza do modelo
Mas o questionamento disso é em que medida o homem é imago Dei? Antes de
responde-la, Boaventura apresenta os modos para assemelhar-se com Deus, dos quais o
homem só faz parte dos três últimos, enquanto os dois primeiros se referem à substância de
Deus (MONDIN 125 – 126):
 Por comunidade de Natureza (ex. Trindade)
 Por participação de Natureza Universal (ex. Homem e Cavalo = Animais)
 Por proporcionalidade ou relações (ex. cocheiro e marinheiro = guias de
cavalos e embarcações respectivamente)
 Por causa e efeito (ex. Pai e Filho)
 Por ordem (ex. modelo e cópia)
Ao homem, então, cabem a semelhança por vestígio e imagem, pela última se
acentua em relação a todas as criaturas, dado que esta representa sua estrutura interior, pois
comparável à Trindade, possuindo: Origem, Ordem e Distinção como faculdades interiores,
que atuam através da memória, inteligência e vontade.
Por fim, o homem é imago Dei, enquanto possui consciência de sua semelhança com
Deus. Apesar de esta existir no homem, a imago Dei só se constitui no mesmo quando se torna
consciente disso. Essa consciência de si, o leva a total atenção e amor à Deus, sabendo ser
participação do Ser Divino (MONDIN, 127). Nisso se constitui a história da salvação havendo a
constituição, deformação e restauração da imago Dei (MONDIN, 128).

Santo Tomás de Aquino
Entre os comentadores das obras de Tomás, tornou-se comum dizer que o pensador
“batizou” Aristóteles, deixando as categorias platônicas, usadas por grandes mestres até o
momento, e assumindo as categorias Aristotélicas à luz da revelação. Porém, quando se trata
da doutrina da imago Dei, Tomás apresenta significativa influência platônica.
Para desenvolver essa doutrina faz uma análise dos termos imago e exemplar,
imagem e modelo respectivamente, e suas implicações (MONDIN, 130):
Imago: semelhança, ou similitudo, que é uma igualdade proporcional;
imitação, que é uma relação de espelhamento; subordinação, neste caso por ser
posterior e inferior ao modelo;
Exemplar: imitação; prioridade; originalidade; ambos em relação de
superioridade às implicações da imago.
Por conseguinte discorre a respeito dos graus de exemplaridade, onde Deus é o
modelo supremo e único das coisas. Essa exemplaridade é possível pela essência presente nas
coisas, que permite participar do ser de Deus. Quanto maior a possibilidade de ser e menor a
atuação, maior a distância para o modelo, pois Deus é ato puro (Ele É). Dessa mesma forma é
que Deus cria: primeiro as coisas que mais se assemelham e sucessivamente com as que
menos assemelham-se. A partir da ideia de causalidade, Deus cria e sendo assim o homem é
cópia, ou seja, imagem de Deus (MONDIN, 132).
Se é legítimo confrontar o homem com as outras criaturas buscando traços
peculiares, e analisá-lo por suas atividades, é legítimo buscar respostas dos questionamentos
da humanidade em Deus (MONDIN, 132).
Para o santo de Aquino, no homem se espelha o ser divino, enquanto totalidade,
alma e corpo, apesar de a imago Dei ser, por excelência, propriedade da alma devido ao fato
de que possui as faculdades espirituais: o conhecer e o querer, tendo o conhecimento
prioridade sobre a vontade, pois da primeira vem a propriedade de ser homem, enquanto da
segunda, ser bom ou mau (MONDIN, 133).
Quando em relação às demais criaturas, o homem se assemelha mais a Deus sendo
imago enquanto aquelas se caracterizam como vestigium. Quando em relação com os anjos, se
torna complexo pois há aspectos em que esses se aproximam mais (por natureza), e aspectos
que o homem mais se aproxima (por função = governador do mundo) (MONDIN, 135).
Imago Dei trata-se de uma semelhança efetiva, real e objetiva, embora não se trate
de um retrato fiel da substância de Deus, dado que o homem é limitado e imperfeito. Desses
limites e imperfeições teria acontecido o pecado, esse porém não elimina a imago Dei, apesar
de danificá-la significativamente, e dessa fala-se em três modos de relação, permanecendo
salvas as duas primeiras enquanto a terceira é perdida com o pecado (MONDIN, 138):
 À criação: razão – sabedoria divina
 À Trindade: Faculdades da alma (memória, intelecto e vontade)
 À graça: hábitos gratuitos – virtudes sobrenaturais