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SETEMBRO/2012

OBSERVATÓRIO TECNOLÓGICO
IMPRESSÃO 3D

Este relatório apresenta o conceito de impressão 3D e os benefícios da sua utilização
no processo fabril. Adicionalmente traz um panorama do mercado mundial e nacional
do mercado de impressão 3D. A impressão 3D é o uso de técnicas de manufatura
aditiva para a fabricação de protótipos, moldes, produtos finais ou componentes.
Embora a literatura denote expressamente os benefícios da adoção da impressão 3D
para uma gama de setores industriais, inexistem estudos quantitativos que denotem
sua difusão no setor industrial, especialmente na produção de bens finais. A
expectativa futura dos especialistas é pela substituição dos processos de manufatura
tradicionais pelas técnicas de impressão 3D.

Diretoria de Inovação e Meio Ambiente
Gerência de Desenvolvimento e Inovação

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Expediente
Sistema FIRJAN – Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro
Presidente Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira

Diretoria Geral do Sistema FIRJAN
Diretor Augusto Franco Alencar

Diretoria Regional do SENAI-RJ
Diretora Maria Lucia Telles

Diretoria de Inovação e Meio-Ambiente
Diretora Marilene Carvalho

Gerência de Desenvolvimento e Inovação
Gerente Ana Carolina Machado Arroio

Coordenação
Rafael de Jesus Gonçalves


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1. O que é impressão tridimensional (3D)?
A impressão tridimensional (3D) compreende um conjunto de técnicas de
manufatura aditiva
1
que possibilita empresas e indivíduos, com acesso aos
dados tridimensionais em um computador, literalmente imprimir objetos
sólidos. Sua principal característica é permitir criar partes de peças em qualquer
forma geométrica ou material. A escolha da técnica está intimamente ligada à
precisão desejada no equipamento, ao tempo de prototipagem, ao custo e
principalmente ao material – termoplásticos, ligas de titânio, papel, entre
outros – que se deseja transformar
2
.
Diferente da manufatura subtrativa que utiliza ferramentas para o desgaste do material
– processos de usinagem –, na manufatura aditiva o objeto desejado é obtido
produzindo-se camada por camada. Cabe denotar que, tanto nas técnicas aditivas
quanto nas técnicas subtrativas modernas, os sistemas de desenho e manufatura são
auxiliados por um software/computador.
Na literatura, a impressão 3D é também qualificada como uma técnica de
prototipagem rápida ou manufatura rápida. A primeira denominação decorre do fato da
impressão 3D ser previamente concebida para fabricação de protótipos. A segunda,
por sua vez, está intrinsecamente ligada à possibilidade que essa tecnologia traz hoje
para fabricação rápida de moldes, produtos finais ou componentes.
Os benefícios da impressão 3D incluem tanto questões relacionadas ao processo de
criação
3
, quanto ao melhor uso dos recursos
4
. O quadro abaixo sintetiza alguns dos
benefícios descritos na literatura.

1
Para saber mais sobre as diferentes técnicas disponíveis, ver Anexo I. É importante denotar que
literatura técnica – Gebhardt (2012); Gibson et. al (2010) – qualificam a impressão 3D como uma técnica
desenvolvida por pesquisadores do MIT, enquanto que comercialmente muitas publicações tratam
impressão 3D e manufatura aditiva como palavras sinônimas.
2
Os requisitos que definem a escolha das técnicas de impressão 3D estão descritos no anexo II.
3
Informação disponível em: < http://www.paramountind.com/rapid-manufacturing.html > Data de
acesso: 01/08/2012
4
Informação disponível em: <
http://www.econolyst.co.uk/pdf/publications/Rapid%20Manufacturing%20-
%20Moving%20towards%202020.pdf > Data de acesso: 05/08/2012

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Figura 1 – Quadro de benefícios da impressão 3D

2. Panorama do mercado mundial
Segundo a consultoria Wohlers Associates, a receita anual a partir da impressão
3D foi aproximadamente US$ 1,7 bilhão em 2011, registrando somente nesse
ano um crescimento de 29.4%. O relatório da consultoria também indica que a
manufatura de bens finais utilizando impressão 3D cresceu sua participação de zero
para 24% no total da receita obtida pela indústria entre os anos de 2003 e 2011
5
. A
figura abaixo segmenta o mercado de impressão 3D em fornecedores da
tecnologia, prestadores de serviço e clientes.

Figura 2 – Mercado de Impressão 3D

5
Informação disponível em: < http://plasticsnews.com/headlines2.html?id=25642 > Data de acesso:
20/08/2012

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O mercado de fabricantes de equipamentos de impressão 3D está
concentrado nos Estados Unidos, Alemanha e Suécia. Nos últimos
anos, observa-se que os principais players desse mercado estão
adquirindo empresas ou até mesmo se fundindo. O exemplo mais
recente está nas empresas Stratasys e Objet. Com a fusão dessas empresas, estima-se
que o valor de mercado do grupo ultrapasse US$ 1,4 bilhão em 2012
6
.
Segundo artigo publicado na Engineering.com, as maiores empresas no mercado hoje
são a 3D Systems e Stratasys/Objet. Em 2011, A 3D Systems faturou cerca de US$ 230
milhões, enquanto que o grupo recém fundido teve uma receita de US$ 277 milhões
7
.
A figura abaixo apresenta alguns fornecedores da tecnologia e seu país de origem.

Figura 3 – Relação de empresas fornecedoras de equipamentos de impressão 3D

6
Informação disponível em: < http://gfxspeak.com/2012/04/16/3d-printer-makers-stratasys-and-objet-
to-merge/ > Data de acesso: 10/08/2012
7
Informação disponível em: <
http://www.engineering.com/3DPrinting/3DPrintingArticles/ArticleID/4348/Is-the-Stratasys-Objet-
Merger-Good-News-for-Engineers.aspx > Data de acesso: 13/08/2012

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Segundo levantamento realizado pela VCE Solutions, hoje existem
cerca de 260 prestadores de serviço em tecnologias de impressão
3D no mundo
8
. Uma análise sobre o modelo de negócio dessas
empresas denota a existência de um mercado robusto para o uso da
impressão 3D como tecnologia de prototipagem rápida e fabricação de moldes.

O desafio está no uso da tecnologia para produção de bens finais. No
mundo, o uso da impressão 3D para fabricação de produtos finais
ocorre principalmente nos seguintes setores:







8
Informação disponível em <
http://imi.maine.com/pdf/DigitalManufacturing2011/Digital%20Manufacturing%20Service%20Bureaus
%20by%20VCE%20Solutions.pdf > Data de acesso: 12/07/2012
• Medicina: implantes maxiofacial e cranial; prótese auditiva
personalizada; entre outras.
• Odontologia: pontes, coroas, implantes dentários, entre outras;
• Entretenimento (brinquedos): avatares de jogos eletrônicos;
• Automotiva e Aeronáutica: Fabricação de peças;

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3. O mercado nacional
Inexiste hoje uma pesquisa estruturada sobre o mercado de impressão 3D no Brasil.
Entretanto, em 2010, o Sistema FIRJAN realizou uma pesquisa na área de fabricação
mecânica com 290 gestores de empresas fornecedoras de produtos ou serviços
voltados à cadeia produtiva de óleo e gás ou que atuem na área fim. Essa pesquisa
identificou categorias de fabricação mecânica cujas inovações tecnológicas são
consideradas importantes para a competitividade das empresas nos próximos 20 anos.
A pesquisa tratou a impressão 3D como uma subárea da prototipagem rápida.
Os resultados da pesquisa indicaram que apenas 8% dos entrevistados (23 gestores)
avaliaram a área de prototipagem rápida como importante em termos de inovação
tecnológica nos próximos 20 anos. Esses 23 gestores foram questionados se já
possuem a tecnologia de impressão 3D. O gráfico abaixo consolida as respostas.
Gráfico 1 – Número de gestores de empresas da cadeia produtiva de petróleo & gás
que indicaram possui tecnologia de impressão 3D

Fonte: Elaborado a partir de dados da Prospecção tecnológica na área de fabricação mecânica
da cadeia produtiva de petróleo & Gás
É importante ressaltar que o Brasil já tem a sua primeira impressora 3D desenvolvida
localmente. A Cliever, como é chamada a impressora 3D, foi o primeiro protótipo
concebido pela RAIAR, empresa incubada na PUC-RS
9
. A máquina está avaliada em R$
4 mil e o custo da matéria prima para a produção das peças gira em torno de R$ 60 o

9
Informação disponível em: < http://www.tecmundo.com.br/campus-party-brasil-2012/19122-campus-
party-recebe-primeira-impressora-3d-fabricada-no-brasil.htm > Data de acesso:

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quilo, suficiente para produzir 50 peças de 8 centímetros quadrados cada. A matéria
prima utilizada no equipamento é o plástico ABS.

4. Considerações finais
A manufatura rápida é um desenvolvimento recente em tecnologia de fabricação, que
permite empresas e indivíduos com acesso aos dados tridimensionais no computador,
a capacidade de literalmente imprimir objetos sólidos camada por camada. Sua
principal característica é permitir criar partes de peças de qualquer forma geométrica
ou material. A escolha do processo está fortemente ligada à precisão desejada
no equipamento, ao tempo de prototipagem, ao custo e principalmente ao
material que se deseja transformar.
Os exemplos mais encontrados na literatura do uso da impressão 3D são protótipos,
moldes, implantes médicos, aparelhos auditivos, coroas dentais, bem como
peças (pequena escala) da indústria automobilística e aeronáutica. Não foi
identificado estudo quantitativo sobre empresas que utilizam a impressão 3D na
produção de bens finais. Contudo, a percepção dos pesquisadores, é de que
poucas empresas utilizem essa tecnologia.
No entanto, as oportunidades que a impressão 3D apresenta são significativas. O uso
dessa tecnologia permite eliminar a necessidade de grande parte do
investimento de capital associado com a fabricação, possibilita a fabricação de
geometrias complexas personalizadas e tem o potencial para reduzir a pegada
de carbono da produção global. A perspectiva é de que a impressão 3D possa
resultar em uma nova revolução industrial. O quadro abaixo apresenta os setores e
suas potenciais aplicações com a impressão 3D.

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Figura 5 – Setores e potenciais aplicações da impressão 3D


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ANEXO I – Técnicas de Impressão 3D
Técnica Descrição
Estereolitografia
(SLA)
É o processo pioneiro da prototipagem rápida e baseia-se na foto-
polimerização de uma resina pela incidência de luz ultravioleta (UV). Os
polímeros líquidos sensíveis à luz se solidificam quando expostos à radiação
ultravioleta. Uma fonte de raio laser ultravioleta, com alta precisão de foco,
traça a primeira camada, solidificando a secção transversal do modelo e
deixando as demais áreas líquidas. Em seguida, um elevador mergulha
levemente a plataforma no banho de polímero líquido e o raio laser cria a
segunda camada de polímero sólido acima da primeira camada. O processo é
repetido diversas vezes até o protótipo estar completo. Os suportes são
retirados e o modelo é introduzido num forno de radiação ultravioleta para ser
submetido a uma cura completa.
Sinterização a
Laser Seletivo
(SLS)

Este processo constrói objetos tridimensionais através da superposição de
camadas, utilizando materiais a base de pó. As camadas são ligadas pela ação
do calor de um equipamento de emissão de laser. Essa camada do pó
solidificada é depositada em um cilindro. Em seguida são depositadas novas
camadas de pó sobre a camada sinterizada, que também irão sofrer a ação do
laser, repetindo-se o processo até o final da formação do objeto.
Manufatura de
Objetos em
Lâminas (LOM)
Neste processo as camadas de material, na forma de tiras revestidas de
adesivo, são grudadas umas nas outras formando-se o protótipo. O material
consiste de bobinas de papel laminado com cola termoplástica. Um rolo coletor
avança a tira de papel sobre a plataforma de construção, onde há uma base
feita de papel e fita com espuma nas duas faces. A seguir, um rolo aquecido
aplica pressão para fixar o papel à base. Uma fonte de raio laser com alta
precisão de foco corta o contorno da primeira camada sobre o papel e então
quadricula a área em excesso. Após o corte da primeira camada a plataforma é
abaixada para que o rolo coletor avance a tira de papel e exponha material
novo. Então a plataforma se eleva até um ponto ligeiramente inferior à altura
original, o rolo aquecido liga a segunda camada a primeira e a fonte de raio
laser corta a segunda camada. Este processo é repetido até a construção da
peça estar completa.

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Modelagem por
Deposição de
Material Fundido
(FDM)
No processo FDM os filamentos de resina termoplástica aquecida são
extrudados a partir de uma matriz em forma de ponta que se move num plano
X-Y. A matriz de extrusão controlada deposita filetes de materiais muito finos
sobre a plataforma de construção, formando a primeira camada do
componente. A plataforma se desloca no sentido vertical para que possa ser
depositada a nova camada de material sobre a camada anterior. O processo é
repetido até a construção total do protótipo. As resinas termoplásticas
geralmente usadas são: ABS, poliéster, polipropileno, entre outros.
Impressão
tridimensional
(3DTM)
A impressão tridimensional (3DTM) é uma técnica de manufatura aditiva
concebida por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachussetts
(MIT) no final da década de 80. Nesse caso, o software projeta uma série de
camadas do objeto e envia suas descrições para a impressora 3D. Na
impressora, um material em pó – cerâmico, metálico ou plástico – é depositado
segundo as camadas sequenciais projetadas. De acordo com o material em pó
depositado em cada camada, um fluído ligante é seletivamente fornecido
utilizando-se uma técnica de impressão por jato de tinta (um cabeçote). A
imagem abaixo demonstra como é realizado o processo de impressão 3D.













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ANEXO II – Requisitos para escolha da técnica de impressão 3D
A figura 6 apresenta uma classificação de alguns processos de prototipagem de acordo
com o estado de agregação do material original – sólido, pastoso, líquido ou gasoso.


Figura 6 – Classificação dos Processos de Prototipagem Rápida - Fonte: Gebhardt (2002)

Além do material de origem, os processos de prototipagem rápida são qualificados
segundo: i) o custo para fabricação de um protótipo; ii) a sua precisão; iii)
velocidade de construção; iv) resistência mecânica e; v) tamanho máximo de
peças.




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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Gebhardt A. (2002) Materials in Rapid Prototyping: today’s limits and future
possibilities. Computer Aided Materials Engineering. Workshop, Trieste, Italy,
December 5-7, 2002
__________ (2012) Understanding Additive Manufacturing: rapid prototyping, rapid
tooling, rapid manufacturing. Hanser Gardner Publications, 2012.
Gibson et. al (2010) Additive manufacturing technologies: rapid manufacturing to
direct digital manufacturing. New York: Springer, 2010.