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O filme Uma Mente Brilhante narra a história verídica do matemático John Nash que se revela um

grande matemático desde a sua chegada à universidade. Além de sua genialidade Nash também é
notado pelo seu estranho comportamento social. O filme é baseado no livro A Beautiful Mind: A
Biography of John Forbes Nash Jr., de Sylvia Nasar. Nascido numa família de classe média numa
pequena cidade do Leste da Virginia, ele fascinou o mundo intelectual há mais de 50 anos com uma
surpreendente descoberta. Seu trabalho pioneiro sobre a "teoria do jogo" tornou-o o astro da "Nova
Matemática" na década de 50 - mas sua ascensão mudou de rumo drasticamente quando seu
brilhantismo intuitivo foi afetado pela esquizofrenia. Enfrentando desafios que destruíram muitas outras
pessoas com essa doença, John Nash lutou com a ajuda de sua devotada mulher, Alicia, e, depois de
décadas de dedicação, conseguiu superar a tragédia e chegou até a receber o Prêmio Nobel de 1994.
O matemático voltou a lecionar na Faculdade onde se formou.

Esquizofrenia:-

A Esquizofrenia é uma doença mental de curso crônico, grave e hereditária. Suas características são a
presença de alucinações e delírios. As alucinações (vivências sensoriais) podem ser auditivas (sons que
existem apenas para o indivíduo), visuais (imagens), olfativas (odores), gustativas (sabores), táteis
(contato), cinestésicas (de movimento). Os delírios são pensamentos distorcidos e também podem
ocorrer de várias maneiras, como: acreditar que está sendo perseguido por mafiosos; que foi
implantado um chip em seu corpo; que a TV está falando consigo, etc. São delírios persecutórios, de
comando e influência, dentre outros.
Atualmente, os medicamentos mais modernos beneficiam os pacientes controlando seus sintomas;
melhorando sua qualidade de vida; podendo permitir em alguns casos que mantenha um trabalho e
preservando algumas de suas funções cognitivas.

O que podemos observar no filme, relacionado à Esquizofrenia:-

-- comportamento diferente, estranho;

-- interesse apenas aos estudos;

-- isolamento; afeto achatado, introversão;

-- pouca habilidade nos relacionamentos;

-- alucinações visuais – colega de quarto, a sobrinha, o funcionário do departamento de defesa;

-- delírios de perseguição.

Estes são sintomas encontrados na esquizofrenia, com a observação de que as alucinações mais
comuns são as auditivas e não visuais.


A esquizofrenia é uma condição humana possível de ser compreendida e para qual há caminhos de
superação. Ela é um transtorno mental que acontece devido a alterações no funcionamento do
cérebro. Estas alterações levam a pessoa a entender e experimentar as coisas de uma forma
diferenciada, o que causa dificuldades nas relações com o seu mundo interior, com outros pessoas e na
vida familiar. Ela é uma doença que tem tratamento.
Ela afeta cerca de 0,7% da população e aparece normalmente no período entre o final da
adolescência e começo da vida adulta.

Seus principais sintomas são:
Delírios:
A pessoa passa a acreditar que a realidade se apresenta de uma maneira diferente, suas ideias e
pensamentos apresentam conteúdos que para ela são verdade, mas que não estão realmente
acontecendo. Por exemplo, ela pode acreditar que está sendo perseguida, que está sendo filmada e,
como consequência, que tem poderes especiais ou uma missão muito importante no mundo. Estas
crenças são uma convicção para a pessoa e não se desfazem com nenhuma argumentação.

Alucinações:
Os cinco sentidos também ficam afetados. A pessoa passa a ter percepções sem que haja um estímulo
externo. Por exemplo, ouvir vozes que comentam o seu comportamento ou dão ordens, sem haver
ninguém falando. Também pode sentir odores e sabores diferentes em alimentos saudáveis, ter visões
de objetos que não existem, ou outras sensações táteis, como formigamento.

Alterações do Pensamento:
Os pensamentos podem ficar confusos. A pessoa pode ter a sensação que seus pensamentos podem
ser lidos por outras pessoas, ou roubados ou que podem ser controlados. Pode acreditar também que
pensamentos estranhos foram colocados em sua cabeça. Esta confusão dos pensamentos se expressa
na forma como se comunica, aparentando dizer coisas sem sentido.

Perda da Vontade e Déficits Cognitivos:
A pessoa passa a ter uma perda da vontade para realizar suas atividades. Em parte por não sentir
prazer em realizá-las e em parte por dificuldades novas, como, por exemplo, relativas à memória ou
devido à dificuldade para realizar tarefas corriqueiras de forma organizada.

Alteração do Afeto:
Há uma dificuldade em expressar os sentimentos e emoções, passando a impressão de que perdeu
estas capacidades. Na realidade a pessoa continua tendo seus sentimentos e emoções e fica
angustiada por não conseguir demonstrá-las. É como se as pessoas estivessem alheias ao que se passa
à sua volta e a vida fosse um filme monótono em branco e preto.

Como evolui:
É importante saber que a esquizofrenia evolui através de crises agudas e períodos de remissão. As crises
agudas se bem tratadas podem ser controladas em torno de um mês. Os períodos de remissão se bem
tratados podem durar anos, durante os quais a pessoa tem a possibilidade de redesenhar o seu
caminho de vida. A esquizofrenia é um transtorno mental crônico, isto é, precisa de tratamento por
tempo indeterminado. Geralmente as crises ocorrem porque a pessoa abandona os tratamentos, por
isso seguir os tratamentos é fundamental.

Tratamento psiquiátrico:
O tratamento psiquiátrico se baseia na relação de confiança entre a pessoa com esquizofrenia, a
família e o médico. O principal objetivo é tratar a crise quando acontece e prevenir as recaídas, de
forma que a pessoa tenha condições internas de redesenhar seu caminho na vida. O tratamento se
baseia no uso de medicamentos que são denominados de antipsicóticos. Não existe um antipsicótico
que se melhor que os outros, cada pessoa se adapta melhor com o uso de um deles. É fundamental
conversar com o psiquiatra sobre como a pessoa com esquizofrenia se sente e também como a família
está percebendo a pessoa, estas informações são muito importantes para negociar com o médico
estratégias de enfrentamento da doença, as doses dos medicamentos e a relação custo-benefício
considerando os efeitos colaterais e efeitos terapêuticos.

Tratamentos Psicossociais:
Os tratamentos psicossociais tem como objetivo a reinserção social da pessoa com esquizofrenia e
ajudar a família neste processo. São tratamentos voltados a ajudar a pessoa lidar com as questões do
dia a dia, entender melhor as questões que vive no seu íntimo e na interação com as pessoas,
estabelecendo um cotidiano que seja confortável e produtivo. Estes tratamentos também ajudam a
pessoa a ampliar e dar significado a sua rede de relacionamentos na comunidade em que vive e nas
relações familiares. Os principais tratamentos psicossociais são: psicoterapia, terapia ocupacional e o
serviço social.

Superacão:
A superação (recovery) é uma jornada pessoal que cada pessoa com esquizofrenia pode trilhar para
uma vida com qualidade. Este processo vem sendo compartilhado por pessoas com transtorno mental
desde a década de 80, a partir do relato das suas experiências pessoais. Baseia-se em: encontrar e
manter a esperança; reestabelecimento da identidade; encontrar sentido na vida e; tornar-se
responsável pelo seu processo de superação.
Tenha informações mais detalhadas, com exemplos, nos nossos livretos "Conversando Sobre a
Esquizofrenia".