A GENUINA BASE DA UNIDADE

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Witness Lee

CONTEÚDO
1. A Unidade nos Quatro Grandes Atos de Deus 2. Vida e Luz — a Essência Unidade 3. Babel, Babilônia, e a Grande Babilônia — Resultados da Divisão 4. O Único Lugar da Escolha de Deus para Preservar a Unidade 5. Desfrutando Cristo com Deus na Base da Unidade 6. As Bênçãos da Vida sob o Óleo da Unção e o Regar do Orvalho na Base da Unidade (1) 7. As Bênçãos da Vida sob o Óleo da Unção e o Regar do Orvalho na Base da Unidade (2) 8. O Prejuízo e a Perda da Base da Unidade 9. A Restauração e o Testemunho da Base da Unidade 10. A Revelação Final e Máxima da Unidade Local e Sua Restauração

PREFÁCIO
Este livro é composto de mensagens dadas pelo Irmão Witness Lee in Agosto de 1979 em Anaheim, Califórnia.

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CAPÍTULO UM
A UNIDADE NOS QUATRO GRANDES  ATOS DE DEUS
Leitura Bíblica: Gn 1:26; 2:8­9, 16­17, 22; 12:1­2; Mt 16:16­ 19; Ef 1:22­23; 3:9­11, 21; 4:4­6, 11­12; 5:25­27; Cl 3:10­11; Ap  21:2­3; 22:1­2 Sempre que  falamos   sobre a   base da  igreja, nós  nos  encontramos   engajados   numa   luta   espiritual.   Satanás,   o  inimigo de Deus, odeia essa questão da base da igreja, a qual  tem sido escondida do povo de Deus por séculos. A base da  igreja   está   diretamente   relacionada   com   a   importância   da  igreja.   Certas   porções   da   Palavra   como   Mateus,   Efésios   e  Apocalipse   revelam   a   importância   da   igreja.   Vamos  primeiramente   considerar   a   importância   da   igreja   como  mostrado nesses livros. E assim prosseguir e considerar os  aspectos interiores e exteriores da igreja. Isso nos preparará  para   apreciar   a   unidade   manifestada   nos   quatro   grandes  atos de Deus. PLANEJADA NA ETERNIDADE PASSADA Em Efésios, um livro sobre a igreja, vemos que a igreja  foi planejada por Deus na eternidade passada. De acordo com  o desejo do Seu coração, Deus planejou ter a igreja antes do 
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inicio dos tempos. Portanto, a igreja é segundo o propósito  eterno de Deus, segundo o plano eterno de Deus. Embora a  igreja tenha vindo à existência no tempo, ela foi planejada  por Deus na eternidade. Hoje,   poucos   Cristãos   têm   consideração   pela   igreja.  Eles  tendem  a tomar a  igreja  em  questões  como receber a  salvação,   santidade,   vitória   e   espiritualidade.   Quando   os  Cristãos   falam   da   igreja,   geralmente   é   de   uma   critica   ou  controversa.   Poucos   crentes   prestam   atenção   a   igreja   de  forma   positiva.   Muitos   buscadores   consideram   perda   de  tempo   dedicar   sua   atenção   a   igreja.   Todavia,   no   livro   de  Efésios vemos que a igreja está relacionada com a vontade e  o   desejo   do   coração   de   Deus.   Uma   vez   que   a   igreja   tem  grande importância aos olhos de Deus, não ousamos tomá­la  negligentemente. O CORPO, A PLENITUDE DE CRISTO Efésios   também   revela   que   a   igreja   é   o   Corpo,   “a  plenitude   daquele   que   a   tudo   enche   em   todas   as   coisas”  (1:23). A igreja é o corpo, a plenitude do Cristo todo inclusivo,  infinito e ilimitado. Quão incrível é a igreja! Não é uma mera  associação   ou   organização   religiosa.   A   igreja   é   o   legitimo  Corpo   de   Cristo.   Da   mesma   forma   que   precisamos   de   um  corpo   físico   para   nos   expressar,   assim   também   o   Cristo  infinito e ilimitado precisa de um Corpo como Sua plenitude  a fim de expressar­Se no universo. Certamente, isso é muito  mais importante do que salvação pessoal ou espiritualidade.  Se virmos que a igreja é o Corpo, a plenitude do Cristo todo  inclusivo,   nunca   mais   consideraremos   a   igreja   como   uma  questão insignificante. O OBJETIVO DA MORTE DE CRISTO
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Em Efésios 5:25 Paulo diz que Cristo “amou a igreja e  a   Si   mesmo   se   entregou   por   ela.”   Isso   indica   que   quando  Cristo   morreu   na   cruz,   Ele   Se   entregou   pela   igreja.   O  objetivo da Sua morte foi produzir a igreja. Quando somos  salvos, percebemos que Cristo nos amou e morreu por nós.  Evidentemente,   isso   é   uma   percepção   correta.   No   entanto,  também precisamos ver que Cristo nos amou e morreu por  nós para que possamos ser parte da igreja. Por fim, Ele amou  a igreja e morreu com o objetivo de produzir a igreja. O amor  de   Cristo   manifestado   em   Sua   morte   na   cruz   tinha   um  objetivo definido. Esse objetivo não é ter milhões de crentes  individuais;   é   ter   a   igreja.   Cristo   nos   amou   por   causa   da  igreja. Ele nos amou e morreu por nós para que possamos ser  membros do Seu Corpo, a igreja. A FINALIDADE DOS DONS Efésios 4:11 e 12 diz que Cristo “concedeu uns como  apóstolos, outros como profetas, outros como evangelistas e  outros como pastores e mestres, tendo em vista o aperfeiçoa­ mento dos santos, para a obra do ministério, para edificação  do corpo de Cristo.” Cristo não concedeu tais dons   para a  igreja   com   o   propósito   de   completar   uma   obra   de  evangelismo, ensinamento Bíblico ou edificação. Todos esses  dons foram dados com a finalidade de aperfeiçoar os santos  para a edificação do Corpo. Os apóstolos, profetas, evange­ listas,   pastores   e   mestres   foram   dados   com   vistas   a   um  objetivo: de aperfeiçoar os santos para a edificação da igreja.  No   entanto,   a   igreja   é   negligenciada   em   muitas   obras   e  atividades   no   cristianismo   atual.   Portanto,   precisamos   ser  impressionados com a importância da igreja. De acordo com 
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Efésios, o propósito de Deus está relacionado com a igreja, e  Ele concedeu todos os dons para a edificação da igreja. TORNANDO­SE FILHOS PARA O CORPO Mateus 16 também indica a importância da igreja. Em  16:15 o Senhor diz a Seus discípulos, “mas vós, quem dizeis  que eu sou?” Pedro tomou a liderança e respondeu, “Tu és o  Cristo,   o   Filho   do   Deus   vivo”   (v.   16).   Pedro   recebeu   a  revelação   de   que   Jesus   era   o   Cristo,   Aquele   nomeado   por  Deus para completar a comissão de Deus. Sem duvida, essa  comissão está relacionada com a edificação da igreja. Pedro  viu   que   o   Senhor   Jesus   era   tanto   Cristo   como   o   Filho   de  Deus. Como Filho do Deus vivo, o Senhor produziu os muitos  filhos   de  Deus   que são  os   membros   do  Corpo.   O  Corpo  de  Cristo não pode ser constituído com o homem natural. Pelo  contrario,   Seu   Corpo   pode   ser   constituído   somente   com  aqueles que foram regenerados e se tornaram filhos de Deus. Quando nós cremos no Senhor Jesus, nós O recebemos  como   o   Filho   do   Deus   vivo,   não   somente   como   Salvador   e  Redentor. A maioria dos Cristãos percebe que no momento  em   que   são   salvos   eles   recebem   Cristo   como   Salvador   e  Redentor,   mas   não   muitos   percebem   que   eles   também   O  receberam   como   o   Filho   do   Deus   vivo.   Quando   eu   fui  convertido para Cristo, eu não tinha essa percepção. Nosso  Salvador, Jesus Cristo, é o Filho do Deus vivo. O significado  deste titulo de Cristo é que Ele é Aquele que nos faz filhos de  Deus. Através de receber Cristo como o Filho de Deus, nós  também nos tornamos filhos de Deus. De  acordo com  o livro de Romanos, todos que foram  justificados   pela   fé   em   Cristo   são   membros   do   Corpo   de  Cristo.   No   entanto,   com   o   objetivo   de   sermos   membros   do  Corpo,   nós   precisamos   primeiramente   nos   tornar   filhos   de 
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Deus; isso é, nós precisamos ser “filificados.” Por esta razão,  a   filiação   é   mencionada   no   capítulo   oito   de   Romanos,  enquanto   que   o   Corpo   é   mencionado   no   capítulo   doze.  Somente   através   de   nos   tornarmos   filhos   de   Deus   é   que  podemos nos tornar membros do Corpo de Cristo. PARA A EDIFICAÇÃO DA IGREJA Pedro foi abençoado para ver a revelação de que Jesus  é O ungido para levar a cabo comissão de Deus e também é o  Filho de Deus para produzir os muitos filhos de Deus para  serem   os   membros   do   Corpo,   a   igreja.   Tão   logo   Pedro  declarou   que   Jesus   era   o   Cristo,   o   Filho   do   Deus   vivo,   o  Senhor   prosseguiu   e  falou  a  respeito  da   edificação  da   Sua  igreja: “Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta  pedra edificarei a minha igreja” (v. 18). Isso indica que tudo o  que Cristo é, é para a edificação da igreja. Não somente a  morte de Cristo é para a igreja, mas Ele mesmo, Sua própria  Pessoa com todas as Suas qualificações, títulos, e serviços,  são também para a edificação da igreja. DOIS REINOS Além disso, o Senhor Jesus disse a Pedro que as portas  do   Hades   não   prevaleceriam   contra   a   igreja   edificada.   A  igreja  afeta  as   portas  do Hades. No versículo  19  o Senhor  Jesus falou das chaves do reino dos céus. As portas do Hades  se referem ao reino do poder de Satanás, aqui o reino dos  céus se refere ao reino do governo de Deus. Aqui nós temos  dois reinos: o reino infernal do poder de Satanás e o reino  celestial do reino de Deus. A igreja tem a ver com esses dois  reinos. Satanás, o sutil, é cheio de ódio quando os filhos de  Deus   se   preocupam   com   a   igreja.   Ele   sabe   que   a   igreja   é 
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capaz   de   lidar   com   as   portas   do   Hades.   Ele   sabe   que   as  portas   do   Hades   não   podem   prevalecer   contra   a   igreja  edificada por Cristo sobre a rocha, o qual se refere tanto a  Cristo quanto a revelação dada a Pedro pelo Pai. O Senhor  Jesus não falou que as portas do Hades não prevaleceriam  contra os milhões de Cristãos salvos por meio Dele. Crentes  individualistas não são ameaça para o inimigo. No entanto,  quando os crentes se unem para ser a igreja, Satanás treme,  e as portas do Hades são ameaçadas. A palavra do Senhor  aqui  implica  que enquanto Ele  está edificando a igreja, as portas do Hades irão se levantar  contra  ela. Mas  elas  não podem  prevalecer contra  a  igreja  edificada   por   Cristo.   A   palavra   prevalecer   implica   luta.  Enquanto   a   igreja   é   edificada,   uma   batalha   está   sendo  travada. Todavia, nessa luta as portas do Hades não podem  prevalecer contra a igreja.  Antes   da   restauração   do   Senhor   chegar   a   este   país,  não   havia   nenhuma   espécie   de   luta   espiritual   que   hoje  vemos.   Nós   na   restauração   estamos   em   pequeno   número,  especialmente se comparado com a Igreja Católica Romana e  a maioria das denominações. Embora nós sejamos pequenos  e   aparentemente   insignificantes,   nós   somos   ferozmente  atacados e contrariados. Por detrás desse ataque e oposição  está   o   poder   de   Satanás,   as   portas   do   Hades.   Antes   de   o  Senhor  começar  a  restaurar  a  vida  da  igreja  nesse país,  o  poder   das   trevas   podia   se   dar   ao   luxo   de   descansar.   Mas  agora que o Senhor está em processo de edificação da vida da  igreja adequada, esse poder se levanta contra a igreja. Mas a  igreja   tem   as   chaves   do   reino   dos   céus,   e   essas   chaves  prevalecerão contra as portas do Hades. O conflito entre a igreja e as portas do Hades é uma  grande   indicação   da   importância   da   igreja.   Em   qualquer  lugar que a igreja estiver, ali as portas do Hades não podem 
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prevalecer,   ali   o   reino   dos   céus   é   forte   e   prevalecente.   Na  igreja as chaves do reino funcionam com poder. O TESTEMUNHO DE JESUS Em   Apocalipse,   como   o   ultimo   livro   do   Novo   Testa­ mento, a importância da igreja é ainda mais enfatizada como  o testemunho de Jesus em cada localidade. Cada igreja local  é   um   candelabro   brilhando   Cristo.   Sem   uma   igreja   local  adequada,   o   testemunho   de   Jesus   não   pode   ser   prático   e  prevalecente.

OS ASPECTOS INTERIORES E  EXTERIORES DA IGREJA Tendo visto a importância da igreja, nós agora chega­ mos aos aspectos interiores e exteriores da igreja. De acordo  com   o   princípio   ordenado   por   Deus,   tudo   no   universo  virtualmente   tem   dois   aspectos,   o   aspecto   interior   relacio­ nado com o conteúdo e o aspecto exterior relacionado com a  aparência. Isso também é verdade para a igreja. O aspecto  interior da igreja é o conteúdo da igreja e está relacionado  com o testemunho da igreja. O aspecto exterior da igreja está  relacionado com a base da igreja, com a aparência da igreja.  O   conteúdo   da   igreja   é   o   testemunho   da   igreja,   mas   a  aparência   da   igreja   é   a   base   da   igreja.   Muitos   assim  chamados crentes espirituais se preocupam somente com o  conteúdo da igreja, o testemunho, mas não para a base da  igreja.   Contudo,   é   ridículo   preocupar­se   com   um   aspecto   e  negligenciar o outro. Nós devemos ter uma alta consideração  pelos dois: o conteúdo da igreja e a base da igreja.
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Nossa existência como seres humanos testifica que nós  devemos nos preocupar com os dois aspectos. Como homens,  nós temos um aspecto interior, nosso espírito e nossa alma, e  um   aspecto   exterior   também,   nosso   corpo.   Embora   nós  apreciemos muito nosso espírito e nossa alma, nós também  devemos devotar uma grande atenção para o cuidado com o  nosso   corpo   físico.   Atualmente,   a   maioria   das   coisas   em  nossa cultura são designadas para cuidar da existência física  do   homem.   Nós   não   ousamos   diminuir   a   importância   do  aspecto externo da vida humana. A IMPORTANCIA DA BASE DA IGREJA Embora nós possamos facilmente ver a importância do  aspecto   exterior   da   vida   humana,   nós   podemos   não   ver   a  importância   do   aspecto   exterior   da   igreja.   Muitas   assim  chamadas pessoas espirituais ignoram a base da igreja. Eles  podem   até   declarar   que   esse   aspecto   da   igreja   é  desnecessário   e   não   importante.   Eles   podem   perceber   que  tocar esse aspecto da igreja pode causar problemas. Ao lidar  com   a   espiritualidade   ou   com   o   testemunho   espiritual   da  igreja,   pelo   contrário,   os   problemas   podem   ser   diminuídos.  Mas quando chegamos ao aspecto externo da igreja, a base  da   igreja,   muitos   problemas   se   levantam.   Esse   é   o   motivo  pelo qual aqueles que buscam espiritualidade sempre tentam  evitar a questão da base da igreja. Todavia, assim como nos  preocupamos   com   o   nosso   corpo   físico   com   o   intuito   de  manter   nossa   existência,   assim   também   nós   devemos   nos  preocupar com a base da igreja para uma prática adequada  da vida da igreja. Fora da base da igreja, não tem caminho  para a igreja existir de uma maneira prática. Pelo fato de a  base da igreja ser negligenciada, não há expressão prática da 
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igreja   no   Cristianismo   de   hoje.   Por   isso   nós   vemos   que   a  questão da base da igreja é extremamente crucial. Mais   de   cinqüenta   anos   atrás   na   China,   o   Senhor  levantou um grupo de jovens Cristãos e os trouxe para Sua  restauração. Com o passar do tempo, gradualmente vimos a  base   da   igreja.   De   qualquer   forma,  não   foi   antes   de  1937,  quando   o   Irmão   Nee   entregou   as   mensagens   escritas  The   Normal Christian Church Life, que nós vimos claramente a  importância da base da igreja. Agora, pela misericórdia do  Senhor, essa questão tem se tornado cristalina para nós. A   questão   da   base   da   igreja   expõe   a   seriedade   da  divisão. Sempre que nos voltamos para a base da igreja, nós  devemos   estar   preparados   para   enfrentar   o   problema   da  divisão.   Como   todos   sabem,   hoje   há   centenas   de   divisões  entre   os   Cristãos.   Essas   divisões   estão   todas   relacionadas  com a negligência da base da igreja, não com o conteúdo ou  testemunho da igreja.  A  base  da  igreja  é  a unidade da  igreja.  Quando nós  temos   unidade,   nós   temos   a   base.   Mas   se   perdemos   a  unidade   genuína,   nós   também   perdemos   a   base.   Portanto,  para falar da base da igreja é nos necessário ver a unidade  da   igreja.   Essa   unidade   é   uma   grande   verdade   nas  Escrituras. A UNIDADE DE DEUS NA CRIAÇÃO A Bíblia revela quatro grandes ações ou atividades de  Deus: criação, eleição, a nova  criação e a Nova Jerusalém.  Em cada uma dessas quatro ações nós vemos a questão da  unidade. As primeiras três ações – a criação, eleição do povo  de   Israel  e  a   formação  da   igreja   como a  nova   criação –  já  aconteceram. A vinda da Nova Jerusalém, a nova cidade de 
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Deus, ocorrerá no futuro. Após o milênio, essa nova cidade  será manifestada em plenitude. A criação de Deus  é unicamente uma. Ele não criou  mais   de   um   universo.   Além   disso,   nesse   único   universo,   o  homem   é   o   foco   da   criação   de   Deus.   A   Bíblia   claramente  revela que Deus criou somente um homem. Quando eu era  jovem, eu me perguntava por que Deus não criou bilhões de  pessoas ao mesmo tempo. Parecia para mim que isso seria  mais sábio, da parte de Deus, para o cumprimento da obra  da criação. Certamente Deus era capaz de simultaneamente  criar bilhões de pessoas. No entanto, Ele não fez dessa forma.  Por causa da unidade, Deus criou um homem, Adão. Gênesis 1:26 diz, “E disse Deus: Façamos o homem à  nossa  imagem,  conforme  a  nossa  semelhança;   tenham   eles  domínio.” De acordo com esse versículo, Deus primeiramente  disse,   “Façamos   o   homem.”   Então   Ele   prosseguiu   e   disse,  “tenham eles domínio.” Ao Se referir ao homem criado a Sua  imagem, Deus usou o pronome no plural. Isso indica que o  homem criado por Deus era um homem corporativo. Isso foi  para manter a unidade. Esse princípio é aplicado na igreja hoje. Por um lado,  com referência a igreja, nós podemos falar da igreja em uma  localidade   particular,   como   a   igreja   e   Anaheim.   Mas,   por  outro lado, nós também podemos nos referir à igreja usando  pronomes tais como nós ou nos para denotar os membros da  igreja. Porque a igreja é uma entidade corporativa, ela inclui  todos os crentes em uma localidade. Então, ao se referir à  igreja, nós podemos falar da igreja tanto no singular ou como  nós,   os   crentes   em   Cristo,   no   plural.   Isso   significa   que   a  igreja é uma entidade corporativa e que nós somos a igreja.  Assim   como   a   igreja   é   uma   entidade   corporativa,   assim 
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também,   em   princípio,   o   homem   criado   por   Deus   é   um  homem corporativo. A UNIDADE DE DEUS NA ESCOLHA De   qualquer   forma,   devido   às   repetidas   quedas   do  homem,   o   homem   corporativo   criado   por   Deus   se   tornou  caído.   Pouco   a   pouco   o   homem   criado   para   o   propósito   de  Deus caiu cada vez mais baixo, com o estágio mais baixo em  Babel, ele foi dividido em nações. O homem era de Deus, mas  as muitas nações tiveram sua origem no Maligno. As nações  eram   diabólicas   porque   elas   eram   a   divisão   do   homem  corporativo   criado   por   Deus   para   o   cumprimento   do   Seu  propósito.   Quando   esse   homem   corporativo   se   tornou   as  nações, ele não poderia  mais  realizar o propósito de Deus.  Nesse   ponto,   Deus   foi   forçado   a   desistir   da   humanidade  criada. Então, por causa do Seu propósito eterno, Deus veio  para   chamar   um   homem,   Abraão,   para   ser   o   pai   da   raça  chamada. Ele selecionou uma pessoa de entre a humanidade  caída   para   ser   o   pai   da   raça   chamada.   Assim   como   Deus  tinha   criado   um   homem,   assim   também,   Ele   chamou  somente um homem. Nós podemos pensar que Deus poderia  ter chamado uma multidão. Se nós fossemos Deus no tempo  do   chamamento   de   Abraão,   nós   certamente   teríamos  chamado   muitas   pessoas.   De   qualquer   forma,   isso   seria  contra a natureza de Deus de chamar mais de uma pessoa. A  natureza de Deus é unidade. Portanto, tanto na criação como  na seleção Ele foi fiel a Sua natureza. Quando Paulo fala da  unidade da igreja em Efésios 4, ele fala de um só Espírito,  um só Senhor, um só Deus. Pelo fato de Deus ser unicamente  um,   Ele   é   obrigado   a   seguir   Sua   natureza   em   criar   um  homem e também chamar um homem. Agir diferentemente  seria contrário a Sua natureza.
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Deus não age apressadamente. Ainda que Ele seja o  Deus todo poderoso, Ele nunca faz nada de forma apressada.  Ele   criou   um   homem,   Adão,   e   Ele   selecionou   um   homem,  Abraão. Porque Sua natureza é unidade, Ele criou somente  uma pessoa e chamou somente uma pessoa. Quando   os   descendentes   de   Abraão   estavam   para  entrar   na   boa   terra,   Deus   ordenou   a   eles   que   não   O  adorassem   em   um   lugar   da   escolha   deles   (Dt   12:8).   Pelo  contrário,   eles   foram   ordenados   a   ir   para   um   lugar   da  escolha de Deus, para o lugar onde Ele tivesse escolhido pôr  o Seu nome e habitação (Dt 12:5). Não importando quantos  israelitas pudesse haver, eles foram ordenados a ir para esse  único   lugar   três   vezes   ao   ano.   De   acordo   com   o   conceito  natural,   tal   ordenança   não   tinha   sentido.   Todavia,   Deus  ordenou   isso   para   o   Seu   povo   com   o   objetivo   de   manter   a  unidade.   Contudo,   a   unidade   do   povo   de   Deus   conseqüen­ temente   foi   perdida.   Primeiramente,   a   unidade   da   huma­ nidade   criada   foi   danificada.   Além   disso,   por   causa   da  degradação da nação de Israel, a unidade do povo escolhido  por   Deus   foi   também   destruída.   Alguns   foram   levados   a  Assíria, outros para o Egito e outros tantos para Babilônia.  Tal   divisão   do   povo   de   Deus   foi   uma   frustração   para   o  cumprimento de Seu propósito.

A UNIDADE DE DEUS NA NOVA CRIAÇÃO Ao   produzir   a   igreja   como   a   nova   criação,   Deus  também   agiu   de   acordo   com   Sua   natureza   de   unidade.  Quantas igrejas foram produzidas no dia de Pentecostes? A  resposta,   como   todos   nós   sabemos,   é   que   em   Pentecostes  somente uma igreja veio a existência. O Senhor Jesus viveu  na terra por trinta e três anos e meio. Ao final desses anos, 
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Ele   não   tinha,   como   se   poderia   esperar,   milhões   de  seguidores. Ele não estabeleceu escolas para treinamento de  discípulos.   Durante   os   anos   do   Seu   ministério,   o   Senhor  milagrosamente   alimentou   uma   multidão   em   pelo   menos  duas   ocasiões.   Contudo,   Ele   aparentemente   não   fez   nada  para manter um grande número de seguidores. Então, no dia  de Pentecostes somente cento e vinte estavam se reunindo. Mais   uma   vez   vemos   que   o   caminho   de   Deus   é   a  unidade. Por esta razão, somente uma igreja foi gerada no  dia de Pentecostes, o dia que marcou o começo da vida da  igreja. Isso indica que o começo da igreja foi de uma forma  única de unidade que é de acordo com a natureza de Deus.  As   muitas   igrejas   que   vieram   à   existência   através   da  expansão   da  vida   da   igreja   podem   ser  comparadas   com   os  descendentes   de   Adão   e   Abraão.   Embora   Adão   tivesse  incontáveis descendentes, o fato de na criação de Deus haver  somente   um   homem   permanece.   De   maneira   semelhante,  embora os descendentes de Abraão tivessem que ser como a  areia   do   mar,   Deus   apesar   de   tudo   originalmente   chamou  somente uma pessoa. Agora no Novo Testamento nós vemos  que no dia de Pentecostes somente uma igreja foi produzida  pelo Espírito. Essa igreja é o Corpo e também o novo homem. Como   o   novo   homem,   a   igreja   é   um   homem   corpo­ rativo, assim como Adão era um homem corporativo. Além  disso, o homem como a criação corporativa de Deus se dividiu  em   nações,   assim   também   o   homem   corporativo   da   nova  criação   de   Deus   foi   dividido   em   denominações.   Isso   é  trabalho   de   Satanás.   As   nações   danificaram   o   homem   da  criação de Deus e as denominações têm danificado o homem  corporativo da nova criação de Deus. Assim como o homem  corporativo criado por Deus foi dividido e dispersado, como os  filhos   de   Israel   foram   divididos   e   espalhados,   da   mesma  forma   a   igreja   como   o   novo   homem   tem   sido   dividida. 
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Embora   essa   divisão   seja   uma   frustração   para   o  cumprimento   do   propósito   de   Deus,   Deus   não   pode   ser  derrotado. Seu propósito será cumprido. A UNIDADE DE DEUS NA NOVA JERUSALÉM Finalmente,   o   propósito   de   Deus   será   cumprido  através   da   nova   cidade,   a   Nova   Jerusalém.   Aos   olhos   de  Deus, essa nova cidade já veio à existência. O princípio da  nova cidade é a mesma da criação do homem. Depois que o  homem foi criado por Deus, ele foi colocado em frente a uma  única árvore, a árvore da vida. Ele foi também advertido a  não   comer   da   árvore   do   conhecimento   do   bem   e   do   mal.  Comer da árvore da vida é manter a unidade, mas comer da  árvore do conhecimento do bem e do mal é cair na divisão, é  estar envolvido em morte, trevas, e com o Diabo. Então, o  princípio   de   Deus   em   Sua   criação   foi   criar   um   homem   e  colocá­lo   em   frente   de   uma   única   árvore.   Esse   princípio   é  aplicado também à Nova Jerusalém. Nessa cidade única nós  vemos um trono, uma rua, um rio e uma árvore da vida em  ambos os lados do rio. De acordo com Efésios 1:10, Cristo, que é o centro da  economia de Deus, irá finalmente encabeçar todas as coisas  através da igreja. Efésios 1:10 será cumprido na era da Nova  Jerusalém   no   novo   céu   e   nova   terra.   A   cidade   da   Nova  Jerusalém vai ser usada por Deus para encabeçar todas as  coisas para a unidade. Isso significa que para a eternidade  não haverá divisão, somente unidade. NA BASE DA UNIDADE Do   princípio   em   Gênesis   1   até   a   consumação   em  Apocalipse 22, nós consistentemente vemos a unidade divina.  Deus é um, e o homem criado por Deus também é um. Esse 
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único homem foi colocado em frente de uma única árvore da  vida.  Depois   que  o  homem   corporativo  criado  por  Deus   foi  dividido   em   nações,   Deus   escolheu   um   homem,   Abraão.  Então, séculos depois, Ele produziu uma igreja. Finalmente,  Deus terá uma cidade eterna com um trono, uma rua, um rio  e   uma   árvore.   Em   cada   uma   das  quatro  grandes   ações   de  Deus, portanto, nós vemos o princípio da unidade. Isso deve  nos fazer perceber que a igreja hoje deve estar em unidade e  deve ser edificada na base da unidade. Unidade é a própria  base da igreja. Que o Senhor nos conceda luz a respeito dessa  unidade preciosa.

CAPÍTULO DOIS
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VIDA E LUZ – A ESSÊNCIA DA  UNIDADE
Leitura Bíblica: Gn 2:8­9; Lv 1:1­2a; Sl 36:8­9a; 133:1­3; Is  2:3, 5; Jo 17:11, 17, 21­23; Ef 4:3­6; Ap 21:22­24; 22:1­2; Ef  1:10 No   capítulo   anterior   nós   salientamos   que   as   quatro  grandes ações de Deus no universo estão relacionadas com a  criação, chamamento, nova  criação e a Nova Jerusalém no  novo céu e nova terra. Em cada uma dessas ações nós vemos  a questão da unidade. Na criação de Deus havia somente um  homem   corporativo,   e   no   chamamento   de   Deus   a   Abraão  havia  também  um só homem. Além  disso, a igreja, o novo  homem   é   unicamente   um   como   a   nova   criação   de   Deus.  Finalmente,   a   nova   cidade   no   novo   universo   será   caracte­ rizada pela unidade. Na verdade, a cidade será um homem  corporativo. Portanto, unidade é o elemento básico das ações  de Deus. A UNIDADE ABRANGENTE A razão para essa unidade é que o próprio Deus é um.  Unidade é a Sua natureza. Em todas as ações de Deus nós  vemos uma origem, um elemento e uma essência. Na criação  de Deus nós vemos um Deus e um homem corporativo. Em  Seu chamamento nós também temos um Deus e um homem.  Além   disso,   na   igreja   nós   temos   um   Espírito   e   um   novo  homem. Finalmente, na Nova Jerusalém nós temos o único  Deus Triúno na única cidade caracterizada pelo único trono,  uma   rua,  um   rio  e  uma   árvore.  Então,  a   unidade da   qual  estamos falando não é uma unidade parcial; é uma unidade 
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vasta, completa e abrangente, a unidade em plenitude. Que  todos   nós   sejamos   impressionados   com   a   visão   de   tal  unidade. Se virmos a visão da plenitude da unidade, todos os  germes da divisão serão mortos e seremos livrados de todo o  tipo de divisão. Nesse   capítulo   nós   precisamos   prosseguir   e   ver   a  essência   da   unidade.   O   que   é   a   essência   dessa   grande  unidade, a unidade em plenitude? A essência desta unidade é  vida e luz. UNIDADE PRESERVADA PELA VIDA Gênesis   2:8   diz,   “Então   plantou   o   Senhor   Deus   um  jardim, da banda do oriente, no Éden; e pôs ali o homem que  tinha formado.” Um jardim é um lugar de vida. Depois que  Deus criou o homem, Ele o pôs num lugar que era cheio de  vida.   No   meio   desse   lugar,   o   jardim   do   Éden,   havia   uma  árvore chamada a árvore da vida. Não somente o jardim era  um lugar de vida, mas no centro desse lugar havia a árvore  da   vida.   O   fato   de   o   Criador   colocar   o   homem   em   tal  ambiente   indica   que   Deus   estava   Se   apresentando   para   o  homem como a fonte da vida e também como o suprimento de  vida. O homem, no entanto, não tomou da árvore da vida.  Ao invés disso, ele comeu do fruto do conhecimento e como  resultado   foi   finalmente   dividido   em   nações.   Em   Babel,   o  homem criado por Deus para o Seu propósito foi dividido em  nações. Esse foi o resultado de ser seduzido por Satanás a  comer da árvore do conhecimento. Babel foi a conseqüência, o  resultado de comer do fruto da árvore do conhecimento. Isso  indica que nós devemos nos precaver de tudo que não é vida,  porque tais coisas resultarão em divisão, Babel.
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Como nós veremos, há uma decadência progressiva de  Babel   para   Babilônia   e   de   Babilônia   para   a   grande  Babilônia. Voltando para o inicio do Antigo Testamento, nós  temos   Babel, mas   no final  nós   temos   Babilônia. Então, no  final   do   Novo   Testamento,   nós   temos   a   grande   Babilônia.  Babel, Babilônia e a grande Babilônia são todas da fonte da  árvore   do   conhecimento.   Isso   significa   que   o   resultado   de  tomar da árvore do conhecimento é divisão. Vida ao contrário, é a essência da unidade. A unidade  na economia de Deus, a grande unidade revelada em toda a  Escritura, pode ser preservada somente pela vida. Sem vida,  não pode haver unidade. O corpo do homem ilustra isso. Ainda que haja muitos  membros no corpo, todos os membros são um porque todos  eles   compartilham   uma   vida,   a   vida   do   corpo.   Então,   a  unidade do nosso corpo físico é sua vida. Contudo, quando  um corpo é enterrado, ele finalmente se decompõe porque ele  não tem vida. Quando a vida é removida do corpo físico, os  membros do corpo se separam. Isso ilustra o fato de que a  essência   da   unidade   do   corpo   físico   do   homem   é   sua   vida  física. Se não há vida, não há unidade. Em um sentido muito real, o cristianismo de hoje não é  o corpo; é um cadáver. Os ossos secos em Ezequiel 37 não são  apenas uma ilustração da situação dos filhos de Israel, mas  também podem ser usados como uma ilustração da situação  dos Cristãos hoje. Nessa porção da palavra, o Senhor fez com  que   Ezequiel   tivesse   a   visão   do   vale   cheio   de   ossos   secos,  ossos   que   representam   “toda   a   casa   de   Israel”   (v.   11).  Originalmente, os filhos de Israel eram um corpo vivo. Mas  depois que eles foram divididos e dispersos, eles se tornaram  ossos   secos,   a   essência   da   unidade   foi   perdida,   e   os   ossos  foram separados. De uma forma negativa, isso revela que a  vida é a essência da unidade.
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O homem corporativo criado por Deus foi destinado a  produzir   um   grande   número   de   descendentes.   Como   esses  descendentes   podem   permanecer   um?   Por   educação?   Por  algum   tipo   de   poder?   Por   organização?   A   única   forma   da  unidade   ser   mantida   é   pela   vida,   em   vida   e   com   vida.   Se  Adão   tivesse   comido   da   árvore   da   vida,   todos   os   seus  descendentes,   apesar   de   serem   milhões,   poderiam   ter  mantido   a   unidade.  Mas   porque   Adão  tomou  da   árvore  do  conhecimento, a essência da divisão foi injetada nele, e seus  descendentes   foram   divididos.   A   essência   de   Babel   que   é  manifestada   em   Gênesis   11   foi   colocada   no   homem   em  Gênesis 3. Isso indica que a divisão e divisões são o resultado  de  tomarmos  algo para  dentro do nosso ser, além  de vida.  Esse   elemento   é   o   fator,   fonte   e   essência   da   divisão.   A  essência   da   unidade,   pelo   contrario,   é   vida.   Somente   vida  pode nos manter em unidade. A PRESENÇA DE DEUS SENDO  VIDA PARA ABRAÃO Por causa de Babel, Deus foi forçado a desistir da raça  criada e iniciar uma outra ação – Seu chamamento à Abraão.  O   registro   em   Gênesis   a   respeito   de   Abraão   não   usa   as  palavras luz e vida. Todavia, na verdade, as questões de vida  e   luz   têm   muito   a   ver   com   o   chamamento   de   Abraão.   A  presença de Deus era com Abraão e Sua presença era vida  para ele. Quando Abraão foi chamado por Deus ele não sabia  para   onde   ir.   Ele   não   tinha   um   mapa   ou   qualquer   outra  direção   detalhada. A  presença   de Deus  era   seu  mapa,  sua  orientação e seu suprimento. A presença de Deus era vida e  tudo   para   Abraão.   Fora   da   presença   de   Deus,   Abraão   não 
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tinha nada. Ele certamente foi uma pessoa que desfrutou a  presença de Deus. De   acordo   com   o   registro   no   livro   de   Gênesis,   Deus  apareceu   para   Abraão   algumas   vezes.   Evidentemente,  quando Deus apareceu a ele, Ele falou com ele. Contudo, o  falar de Deus não foi tão importante a Abraão quanto o Seu  aparecimento. Atos 7:2 indica que Abraão foi chamado pela  presença visível do Deus da glória. O FALAR DE DEUS E A BASE DA UNIDADE Quando os descendentes de Abraão, os filhos de Israel,  fizeram o seu êxodo do Egito e foram trazidos ao deserto, eles  construíram um tabernáculo. Deus fez morada nesse taber­ náculo, e como resultado, se tornou a tenda da congregação.  Os   livros   de   Levítico   e   Números   estão   cheios   do   falar   de  Deus. Levítico 1:1 indica que o Senhor falou com Moisés da  tenda da congregação. Dessa forma, o tabernáculo, a tenda  da   congregação   se   tornou   o   centro   do   oráculo   de   Deus,   do  falar de Deus. Quase todo o livro de Levítico é um registro do  falar de Deus da tenda da congregação. Se Moisés e os filhos de Israel tivessem se separado da  tenda da congregação, eles não teriam ouvido a palavra de  Deus. Talvez um filho de Israel dissesse, “Deus está em todo  lugar. Que direito você tem de declarar que Ele fala somente  no tabernáculo? Você é tão restrito e tão exclusivo. Deus é  grande e Ele não está limitado a uma tenda. Você não pode  falar que Deus fala somente nesse lugar. Você simplesmente  não pode limitar o Deus ilimitado para a sua pequena tenda  da   congregação.”   Sim,   Deus   é   grande   e   Ele   é   onipresente.  Mas de acordo com o Antigo Testamento, Ele está feliz em  residir  no  tabernáculo  construído  para  Ele  no  deserto pelo 
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Seu povo. Embora os céus sejam espaçosos, Deus não está  satisfeito em permanecer lá. Além disso, Ele não fala a Seu  povo dos céus; Ele falou com eles da tenda da congregação. Talvez você esteja se perguntando o que isso tem a ver  com   a   base   da   igreja.   O   que   o   falar   de   Deus,   você   pode  perguntar, tem a ver com a base da igreja? O falar de Deus  está   intimamente   relacionado   com   a   base   da   unidade.   Se  estivermos nessa base, a qual é a base genuína, nós teremos  o falar de Deus dia após dia. Mas se não temos o falar de  Deus, então provavelmente nós não temos a base da unidade. De acordo com o livro de Levítico, Deus falou do Santo  dos Santos. O livro de Levítico é o resultado desse tipo de  falar divino. Portanto, o falar de Deus procede da unidade.  Quando essa unidade é perdida, o oráculo de Deus também é  perdido. O   falar   de   Deus   traz   luz,   e   luz   resulta   em   vida.  Quando nós não temos o falar de Deus, nós temos morte e  trevas. Morte e trevas danificam o Corpo e causam separação  dos membros. O cristianismo de hoje está cheio com morte e  trevas porque falta a unidade genuína em vida. RECEBENDO LUZ DO DEUS QUE FALA Muitas vezes Cristãos têm perguntado onde nós conse­ guimos a luz que é transmitida em nossos escritos. A respeito  dessa questão de luz, nós não temos razão de nos vangloriar.  Nós recebemos nossa luz do Deus que fala. Com o objetivo de  receber   luz,   nós   precisamos   do   falar   de   Deus   na   base  adequada   da   unidade.   Hoje   Deus   ainda   fala   na   tenda   da  congregação,   isso   é,   no   centro   da   unidade   e   na   base   da  unidade.   A   tenda   da   congregação   é   o   lugar,   a   base   da  unidade. É nesse lugar que a palavra de Deus é falada para 
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nos   iluminar.   Separado   do   falar   de   Deus   nós   estamos   em  trevas. Mas quando Sua palavra vem, nós estamos na luz.  Onde o falar de Deus está, ai há sempre luz. Muitos de nós podemos testificar que antes de virmos  para   a  Restauração   do  Senhor,   estávamos   em   trevas.  Mas  agora   nós   temos   a   sensação   de   que   tudo   está   claro   e  transparente. Isso é luz. Na medida em que vocês ouvem as  mensagens vocês experiênciam o brilhar de Deus. Em casa  ou   nas   reuniões,   vocês   percebem   que   estão   debaixo   do  iluminar de Deus. Esse iluminar vem do Deus que fala na  base   da   unidade.   Então,   para   aqueles   que   questionam   a  respeito da fonte da luz que temos recebido, nós só podemos  falar que temos luz porque nós estamos na base da unidade. ABUNDANTEMENTE SATISFEITOS Os   filhos   de   Israel   não   somente   desfrutavam   do  oráculo   de   Deus;   mas   também   estavam   abundantemente  satisfeitos pela abundância da casa de Deus (Sl 36:8). A casa  de   Deus   se   refere   ao   templo,   que   era   a   continuação   e  alargamento   da   tenda   da   congregação.   Em   Salmos   36:9   o  salmista   prossegue   e  diz,   “pois   em   ti   está   o  manancial   da  vida; na tua luz vemos a luz.” Esse versículo também está  relacionado com o templo. Somente no templo o povo de Deus  pode desfrutar da fonte da vida. Além disso, foi no templo  que eles puderam ver luz na luz de Deus. Isso é uma grande  indicação de que a essência da unidade dos filhos de Deus é  vida e luz. A VIDA MANTENDO A UNIDADE Isso é confirmado pelo Salmo 133, o qual começa com  as palavras, “Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos 
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vivam   em   união!”   o   salmo   termina   assim:   “ali   o   Senhor  ordena  a bênção, e a vida  para  sempre.” Como esse salmo  deixa claro, a benção da vida está relacionada com a unidade  do povo de Deus. O   Salmo   133   também   fala   do   óleo   e   do   orvalho   do  Hermon. O óleo precioso e o orvalho não são onipresentes.  Pelo contrário, eles são para serem desfrutados somente em  um lugar particular. Se os Israelitas quisessem compartilhar  a   benção   ordenada   pelo   Senhor,   eles   tinham   que   estar   no  lugar da unidade. Isso significa que ao menos três vezes ao  ano,   eles   tinham   que   fazer   uma   jornada   ao   Monte   Sião.  Suponha que alguns da tribo de Dã dissessem, “Porque nós  todos temos que ir a um lugar para adorar a Deus? Isso é tão  restrito, tão sectário e exclusivo demais. Deus está em todo  lugar. Nós podemos estar aqui em Dã e desfrutar cantando  louvores   a   Deus.”   Aqueles   de   Dã   poderiam   desfrutar  cantando, mas a menos que eles fossem ao Monte Sião, eles  não poderiam desfrutar a benção ordenada. O   principio   também   se   aplica   hoje.   Se   nós   estamos  debaixo   das   bênçãos   de   vida   ordenadas   por   Deus,   nós  devemos   estar   na   base   da   unidade.   Os   dissidentes   podem  reivindicar ter a benção ordenada, mas na verdade eles não a  têm. Aqueles que pensam ter, são supersticiosos. Deus não é  nem   exclusivo   nem   restrito,   mas   Ele   é   absoluto.   Ele   é  absoluto a respeito dos Seus princípios e Sua economia. Deus  nunca irá agir contrário a Sua determinação. O versículo 3  do Salmo 133 é muito absoluto. Aqui o salmista diz que é sob  a unidade que o Senhor ordena a sua benção, e vida para  sempre. Na unidade dos irmãos vivendo unidos, o óleo flui, o  orvalho   desce   e   o   povo   de   Deus   desfruta   vida.   Se   vamos  permanecer   nessa   unidade,   devemos   permanecer   em   vida,  porque  a  vida  mantém  a unidade. Isso foi  verdade com  os  filhos de Israel e isso é verdade conosco hoje.
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PRESERVADOS NA VIDA E LUZ Nós temos visto que vida está relacionada tanto com o  homem   corporativo   da   criação   original   de   Deus   como   com  Abraão   e   seus   descendentes,   os   filhos   de   Israel.   Agora  devemos   considerar   como   vida   e   luz   são   a   essência   da  unidade   da   igreja   como   a   criação   de   Deus.   Em   João   17   o  Senhor trata com a questão da unidade, não ensinando Seus  discípulos a respeito disso, mas orando a respeito disso. Essa  oração revela que a unidade pode ser preservada somente na  vida. No versículo 11 o Senhor orou, “Pai santo, guarda­os no  teu nome, o qual me deste, para que eles sejam um, assim  como nós.” Ser guardado no nome do Pai é ser guardado pela  Sua vida, porque somente aqueles que são nascidos e têm a  vida do Pai podem participar do nome do Pai. O Filho deu a  vida   para   aqueles   que   o   Pai   O   deu.   (v.   2).   Portanto,   os  crentes   desfrutam   a   vida   divina   como   a   essência   da   sua  unidade.   Se   formos   guardados   na   vida   do   Pai,   seremos  guardados em unidade. No versículo 17 o Senhor continuou a orar, “Santifica­ os na verdade, a tua palavra é a verdade.” Ser santificado é  ser   separado   do   mundo   para   Deus.   Na   verdade,   ser  santificado é ser preservado. Aqui o Senhor orou ao Pai para  santificar   os   crentes   na   verdade,   que   é   a   palavra   do   Pai.  Assim   como   o   nome   do  Pai   é   uma   questão  de   vida,   assim  também a verdade do Pai é uma questão de luz. Vida e luz  são, então, a própria essência da unidade. João 17:22 diz, “E eu lhes dei a glória que a mim me  deste,   para   que   sejam   um,   como   nós   somos   um”   esse  versículo indica que o Deus Triúno com Sua glória mantém a  unidade dos crentes. Não somos guardados em unidade por  ensinamentos   ou   doutrinas.   Somos   guardados   em   unidade 
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por vida e luz. O próprio Deus Triúno é vida e a Sua palavra  com   o   Seu   falar   é   luz.   Por   meio  dessa   vida   e  luz   é   que   a  unidade é mantida. Essa é a razão de Efésios 4 relacionar a  unidade da igreja, o Corpo de Cristo, com o Deus Triúno, com  o Espírito, com o Senhor e com o Deus Pai. Nas reuniões da igreja nós desfrutamos a presença do  Deus Triúno. Isso é especialmente verdade no partir do pão e  nas   reuniões   de   oração.   Através   das   orações   apresentadas  pelos santos na reunião de oração, eu desfruto a doçura do  Senhor.   Eu   posso   testificar   que   sempre   que   venho   para   a  reunião de oração, eu desfruto da unção do Senhor. Muitos  de   nós   podemos   testificar   que   não   tínhamos   tal   desfrute  antes de vir para a Restauração do Senhor. Mas à medida  que provamos da doçura do Senhor nas reuniões da igreja,  somos supridos de vida e experienciamos o iluminar de vida.  Oh, como eu sou suprido e iluminado nas reuniões de oração  da igreja! O Deus Triúno com Sua glória certamente estão  presentes   conosco.   No   Deus   Triúno   –   o   Pai,   o   Filho   e   o  Espírito – com Sua glória, somos guardados na unidade. Por  esta razão, após as reuniões de oração freqüentemente senti­ mos um amor cheio de frescor pelos santos. Temos também a  sensação de ter experienciado mais edificar. O CICLO DE VIDA, LUZ E UNIDADE É crucial vermos que a unidade entre os filhos de Deus  é   preservada   pela   vida   e   luz.   Não   é   mantida   através   de  doutrina, organização ou esquema. Damos graças ao Senhor  que   na   Sua   restauração   nós   temos   a   vida   e   a   luz.  Primeiramente, nós  somos   esclarecidos  pelo falar de Deus.  Então recebemos o suprimento de vida. Por fim, entretanto,  a vida traz mais luz. Realmente, nós desfrutamos o ciclo de  luz e vida, e vida e luz. Quanto mais luz temos, mais vida 
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desfrutamos;   quanto   mais   vida   desfrutamos,   mais   luz  recebemos.   Luz,   vida   e   unidade   caminham   juntas.   Quanto  mais   luz,   mais   vida;   quanto   mais   vida,   mais   unidade;   e  quanto   mais   unidade,   mais   luz.   Este   ciclo   de   luz,   vida   e  unidade preserva a unidade. Contudo, nós perdemos a unidade sempre que estamos  em   trevas   e   morte.   Trevas   causam   morte   e   morte   causa  divisão. Porém quando nos arrependemos e confessamos ao  Senhor,   somos   purificados   pelo   precioso   sangue.   A  purificação   do   sangue   está   sempre   relacionada   com   o  resplandecer da  luz (1Jo  1:7).  À medida  que somos  limpos  pelo sangue sob o brilhar da luz, novamente experimentamos  a vida. Segundo nossa experiência, podemos testificar que a  vida,   a   luz   e   o   sangue   em   1   João   capítulo   um   também  funcionam como um ciclo que nos mantém na unidade. Mas  quando   estamos   em   trevas,   perdemos   a   unidade,   já   que  perdemos a base genuína  da igreja. O resultado é morte e  divisão. Novamente vemos que a essência da unidade é vida  e   luz.   A   unidade   está   na   vida,   com   a   luz   e   sobre   a   base  apropriada. A UNIDADE DA NOVA CIDADE Luz e vida são também a essência da unidade na nova  cidade, a Nova Jerusalém. Apocalipse 21 e 22 fala da nova  cidade.   No   capítulo   vinte   e   um   vemos   principalmente   a  questão da luz, enquanto que no capítulo vinte e dois temos  primeiramente a questão da vida. Apocalipse 21:23 diz, “A  cidade não necessita nem do sol, nem da lua, para que nela  resplandeçam, porém a glória de Deus a tem alumiado, e o  Cordeiro é a sua lâmpada.” Na Nova Jerusalém não haverá  necessidade de luz natural porque a cidade será iluminada  pela   glória   do   Deus   Triúno.   A   cidade   será   iluminada   pelo 
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resplandecer do Próprio Deus. Além disso, como o próximo  versículo diz, “As nações andarão à sua luz” (v. 24). Isso nos  lembra de Isaias 2:5: “Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na  luz   do   Senhor.”   A   luz   preserva   a   unidade   e   expulsa   a  desordem.   A   luz   na   Nova   Jerusalém   controlará,   regerá,  guiará e manterá tudo em ordem. Portanto, ela preservará a  unidade. Apocalipse 22:1 e 2 diz, “E mostrou­me o rio da água  da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e  do Cordeiro. No meio da sua praça, e de ambos os lados do  rio, estava a árvore da vida.” O rio da água da vida flui do  trono de Deus e do Cordeiro para suprir a cidade. A água da  vida aqui é um símbolo de Deus em Cristo como o Espírito  fluindo a Si mesmo no Seu povo redimido para ser sua vida e  suprimento de vida. Em Apocalipse 22:1 a água da vida é um  rio procedendo do trono de Deus e do Cordeiro para suprir e  saturar   totalmente   a   Nova   Jerusalém.   Nesse   sentido   a  cidade   será   preenchida   com   a   vida   divina   para   expressar  Deus na Sua vida gloriosa. Como   o   versículo   2   diz,   a   árvore   da   vida   cresce   “de  ambos os lados do rio.” A única árvore da vida crescendo de  ambos os lados do rio significa que a árvore é uma videira,  espalhando­se e avançando pelo fluir da água da vida para o  povo   de   Deus   receber   e  desfrutar.   Pela   eternidade,   o  povo  redimido de Deus desfrutará Cristo como a árvore da vida  como porção eterna (Ap 22:14, 19). Como a árvore da vida,  Cristo é o suprimento de vida disponível ao longo do fluir do  Espírito   como   a   água   da   vida.   Onde   o   Espírito   flui,   aí   o  suprimento   de   vida   de   Cristo   é   encontrado.   Pela   água   da  vida   e   pela   árvore   da   vida,   a   nova   cidade   será   ricamente  suprida   pela   eternidade.   Através   desse   suprimento  abundante   de   vida,   a   unidade   da   Nova   Jerusalém   será  mantida   para   sempre.   Não   será   possível   haver   nenhuma 
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divisão.   A   luz   brilhará   por   toda   cidade   e   a   vida   regará   e  suprirá a cidade. Essa vida e luz eliminarão a possibilidade  de   divisão.   Mesmo   as   nações   que   rodeiam   a   nova   cidade  serão   um.   Neste  tempo,   todas   as   coisas   no   céu   e  na   terra  serão encabeçadas em Cristo (Ef 1:10). Essa unidade será a  última,   universal   e   eternal.   Como   salientamos   repetidas  vezes, essa unidade será mantida e preservada na vida e com  a luz. Todas   as   igrejas   na   restauração   do   Senhor   devem  estar na vida e sob o resplandecer da luz. Pelo brilhar da luz  e   através   do   regar   e   suprir   de   vida,   somos   um.   Não   há  necessidade de fazermos arranjos ou organizarmos qualquer  coisa. A essência da nossa unidade não é uma organização –  é vida e luz. Que todos possamos ser impressionados com o  fato de que a unidade pode ser prevalecente e ser preservada  somente pela vida e pela luz.

CAPÍTULO TRÊS
BABEL, BABILÔNIA E A GRANDE  BABILÔNIA — CONSEQUÊNCIAS  DA DIVISÃO
Leitura Bíblica: Gn 2:9b, 17; 11:4, 9; 1Rs 12:26­30; 15:34; 2  Cr 36:5­20; 1Cr 1:11­13a; Ap 17:3­5 DUAS LINHAS Há duas linhas na Bíblia: a linha da vida e a linha da  morte. Essas duas linhas vêm de das duas fontes existentes 
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no universo. Uma dessas fontes é Deus e a outra é o Diabo,  Satanás.   Além   disso,   cada   linha   terá   um   resultado,   uma  conseqüência particular. A linha da vida começa na árvore  da   vida   e   termina   na   Nova   Jerusalém.   A   linha   da   morte  começa   na   árvore   do   conhecimento   e   passa   pela   grande  Babilônia e termina no lago de fogo. A unidade está na linha  da vida, originada com Deus, e resulta na Nova Jerusalém. A  divisão pelo contrário, está na linha da morte, originada com  Satanás, e resulta na grande Babilônia e finalmente no lago  de   fogo.   Se   formos   ver   a   grande   verdade   da   unidade   na  Bíblia, precisamos estar claros dessas duas linhas e no que  elas   resultam.   Então   saberemos   de   onde   a   unidade   e   a  divisão vem.  Muitos Cristãos são negligentes a respeito da divisão  porque eles não vêem a seriedade dessas duas linhas. Nunca  tome a divisão como uma questão insignificante. A divisão é  uma questão extremamente séria, é uma questão de vida ou  morte. Estar  e  em  unidade é  estar na  vida, mas  estar em  divisão é estar na morte. No capítulo anterior ressaltamos  que   a   essência   da   unidade   é   vida   e   luz.   Nesse   capítulo  devemos prosseguir para ver que a conseqüência da divisão é  primeiramente   Babel,   depois   Babilônia   e   finalmente   a  grande Babilônia. NÃO MAIS DIVISÃO Os   quatro   grandes   atos   de   Deus   estão   relacionados  com   a   criação,   o   chamamento,   a   nova   criação   e   a   Nova  Jerusalém no novo céu e nova terra. Fora Deus, a única fonte  adequada   no   universo,   há   uma   outra   fonte,   Satanás,   com  outro elemento e resultado. Na era da Nova Jerusalém, essa  fonte, elemento  e  resultado  serão todos  jogados  no lago de  fogo. Então, no novo céu e nova terra Deus será a única fonte 
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e   somente   Seu  elemento  e   Seu   resultado   irão   permanecer.  Por esta razão, no universo não haverá divisão. Não haverá  mais morte, tristeza, choro, dor e trevas. Podemos dizer que  no   novo   céu   e   nova   terra   não   haverá   mais   pecado,  mundanismo,   carne,   ego,   ou   Satanás.   Não   haverá   nada  negativo. Isso significa que não haverá mais divisão. A   divisão   é   todo­inclusiva.   Isso   inclui   as   coisas  negativas como Satanás, pecados, mundanismo, carne, ego,  velho   homem   e   temperamento   maligno.   Se   formos   ilumi­ nados   a   respeito   da   questão   da   divisão,   veremos   que   isso  inclui todas as coisas negativas. Não pense que a divisão se  auto­sustenta e que ela não está relacionada com coisas como  a carne, o ego e o mundanismo. A divisão não está somente  relacionada com todas as coisas negativas; ela inclui todas as  coisas negativas. Da mesma forma que a divisão é toda inclusiva, assim  também, no mesmo principio, a unidade é toda inclusiva. Ela  inclui Deus, Cristo e o Espírito. Efésios 4:3­6 indica isso. Na  unidade revelada nesses versículos temos Deus o Pai, Cristo  o   Senhor   e   o   Espírito   como   doador   de   vida.   Essa   unidade  inclui tais coisas positivas como nosso espírito regenerado e  nossa   mente   renovada   e   transformada.   Todas   as   coisas  positivas estão incluídas na unidade adequada. A Nova Jerusalém será a consumação final da unidade  e de todas as coisas positivas incluídas nela. Mas o lago de  fogo   será   o   reservatório   da   divisão   e   de   todas   as   coisas  negativas incluídas nela. Podemos dizer que o lago de fogo  será o mar de morte contendo todas as coisas negativas do  universo. O lago de fogo será a lata de lixo final e universal.  A   Nova   Jerusalém,   ao   contrario,   será   a   consumação   e  expressão final da unidade. Essa cidade será caracterizada  por um trono, um rio, uma árvore e uma rua. Na rua irá fluir  o rio de água da vida e em cada lado do rio estará a árvore da 
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vida. Então, podemos chamar de a rua da vida a única rua da  Nova Jerusalém. Essa única rua fará com que a divisão seja  impossível.   Divisão   e   todas   as   coisas   relacionadas   com   ela  serão encontradas somente no lago de fogo. A FONTE DE BABEL A primeira conseqüência da divisão foi Babel. A fonte  de Babel foi a árvore do conhecimento. Se Adão não tivesse  comido da árvore do conhecimento teria sido impossível para  os seus descendentes construir a torre e a cidade de Babel.  De acordo com o relato em Gênesis 3, Adão tomou da árvore  do   conhecimento   do   bem   e   do   mal.   Assim   que   ele   comeu  desse   fruto,   a   árvore   do   conhecimento   entrou   nele   e  subjetivamente se tornou parte dele. O relato em Gênesis 4  indica isso. Nesse capítulo vemos ódio, assassinato, poliga­ mia   e   invenção   de   armas   usadas   para   guerra.   Gênesis   6  revela   uma   decadência   da   situação.   O   homem   se   tornou  carne (v. 3) e “era grande a maldade do homem na terra” (v.  5). Então, assim como o versículo 11 declara, “A terra, porém,  estava   corrompida   diante   de   Deus,   e   cheia   de   violência.”  Quando   Deus   olhou   para   a   terra   observou   sua   corrupção  “porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a  terra”   (v.12).   Como   todos   sabem,   Deus   julgou   toda   aquela  geração   com   a   inundação.   No   entanto,   nem   sequer   esse  julgamento  causou  a  mudança  na   natureza   do homem. De  acordo   com   Gênesis   11,   o   homem   até   mesmo   ousou   lutar  contra   Deus.   Em   Gênesis   11:4   eles   disseram:   “Eia,  edifiquemos   para   nós   uma   cidade   e   uma   torre   cujo   cume  toque   no   céu,   e   façamo­nos   um   nome.”   Em   procurar   fazer  para   eles   um   nome   eles   se   rebelaram   contra   Deus.   A  conseqüência dessa rebelião foi divisão e confusão. Essa foi 
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Babel,  o  primeiro resultado da  divisão.  Como  resultado da  rebelião em Babel a humanidade foi dividida. O SIGNIFICADO DE BABEL A divisão em Babel envolveu idolatria. Alguns histo­ riadores  acreditam  que  nos  tijolos  usados  para  construir a  torre   e   a   cidade   de   Babel   estavam   inscritos   os   nomes   dos  ídolos. Josué 24:2 diz “Assim diz o Senhor Deus de Israel:  Além do rio habitaram antigamente vossos pais, Terá, pai de  Abraão   e   de   Naor;   e   serviram   a   outros   deuses.”   Esse  versículo indica que antes de Abraão ser chamado por Deus  ele servia a outros deuses na terra da caldeia. Isso significa  que ele adorava a ídolos. Portanto, a divisão da humanidade  em Babel envolveu idolatria. Nós vemos nesses capítulos em Gênesis que a divisão  inclui   coisas   negativas   como   ódio,   assassinato,   poligamia,  guerra, corrupção, rebelião e idolatria. A conseqüência desse  elemento   todo   inclusivo   primeiramente   foi   Babel   com   sua  divisão e confusão. O significado de Babel, então, é divisão e  confusão.

A UNIDADE DO POVO DE DEUS Ainda que fosse necessário para Deus desistir da raça  criada,   Ele   não   desistiu   do   Seu   propósito   eterno   com   o  homem. Ao invés disso, de acordo com sua misericórdia, Ele  apareceu   para   um   membro   da   raça   Adâmica,   Abraão,   e   o  chamou   para   fora   de   seu   ambiente.   Nisso   vemos   o 
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chamamento   de   Deus.   Como   ressaltamos,   em   Seu  chamamento   de   Abraão,   Deus   agiu   de   acordo   com   Sua  natureza   de   unidade.   Por   esta   razão,   Ele   escolheu   um  homem,   não   uma   multidão   de   homens.   Deus   encarregou  Abraão de sair de seu país e parentela e ir a uma terra que  Ele daria a Abraão e a seus descendentes. Eventualmente,   debaixo   da   benção   do   Senhor,   os  descendentes   de   Abraão,   os   filhos   de   Israel,   se   multipli­ caram. Depois que os filhos de Israel fizeram o seu êxodo do  Egito,   eles   entraram   na   boa   terra,   a   terra   que   Deus  prometera a Abraão. De acordo com o livro de Deuteronômio,  Deus   ordenou   a   eles   a   não   exercitarem   suas   próprias  vontades com respeito ao lugar da adoração corporativa (Dt  12). Particularmente, eles  deveriam  se humilhar diante de  Deus e aceitar Sua escolha. Por honrar o Senhor na questão  do lugar da adoração corporativa e por aceitar a escolha de  Deus  do único lugar, os filhos de Israel foram preservados  em unidade. De acordo com a escolha de Deus, o templo foi  construído no monte Sião e três vezes por ano o povo de Deus  deveria   fazer   uma   jornada   até   lá.   O   Santo   dos   Santos   no  templo construído no monte Sião era o centro da unidade do  povo de Deus. Esse centro era o lugar do oráculo de Deus e  isso preservou a unidade do povo escolhido por Deus.

DIVISÃO CAUSADA PELO  EGOÍSMO E AMBIÇÃO
Um   dia,   no   entanto,   a   nação   foi   dividida   em   dois  reinos, ao norte o reino de Israel e ao sul o reino de Judá.  Jeroboão se tornou rei do reino da nação do norte e Roboão se 
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tornou o rei da nação do sul. Depois de formada essa divisão  a idolatria entrou. Jeroboão não somente causou divisão; ele  também levantou ídolos a Betel e Dã (1Rs 12:29). Tendo feito  dois   bezerros   de   ouro,   Jeroboão   disse   ao   povo   “Basta   de  subires a Jerusalém; eis aqui teus deuses, ó Israel, que te  fizeram subir da terra do Egito” (v. 28). A fonte desses ídolos  era a ambição egoísta de Jeroboão. Jeroboão levantou outro  centro   de   adoração   porque   temia   a   perda   de   seu   reino.  Primeira Reis 12:26 e 27 diz “Disse Jeroboão no seu coração:  Agora tornará o reino para a casa de Davi. Se este povo subir  para fazer sacrifícios na casa do Senhor, em Jerusalém, o seu  coração se tornará para o seu senhor, Roboão, rei de Judá; e,  matando­me, voltarão para Roboão, rei de Judá.” Para evitar  que   isso   acontecesse   e   preservar   o   seu   reino,   Jeroboão  levantou ídolos em um centro rival de adoração. Isso indica  claramente que a origem dessa idolatria foi sua ambição. Precisamos aplicar essa situação aos Cristãos hoje. As  divisões no cristianismo são causadas por ambição e egoísmo.  Por   certas   pessoas   serem   ambiciosas   em   ter   seu   próprio  império, elas negligenciam a escolha de Deus. Sua ambição é  ter um reino para satisfazer seu desejo egoísta. No Antigo  Testamento   a   escolha   de   Deus   foi   um   único   lugar:   Monte  Sião em Jerusalém. Nesse lugar o templo com os Santos dos  Santos como o oráculo de Deus foi construído. Apesar disso,  Jeroboão,   um   homem   ambicioso,   egoísta   e   interesseiro,  levantou outro centro de adoração. Alguns  podem defender  os seus atos salientando que ele não estabeleceu um centro  de entretenimento carnal, mas um lugar de adoração a Deus.  No entanto, esse centro de adoração era uma desculpa para a  ambição de Jeroboão. O mesmo se aplica hoje. Por causa de  sua   ambição   e   egoísmo,   muitos   líderes   Cristãos   têm  levantado centros de adoração. Aparentemente esses centros  de adoração são levantados para adorar a Deus. Na verdade, 
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esses centros são para preencher a ambição do homem em  ter   um   império.   Então,   num   sentido   muito   real,   os  fundadores   de muitos  grupos  Cristãos  são  os  Jeroboãos  de  hoje.   Esses   centros   de   adoração   levantados   por   esses  Jeroboãos   do presente são  na  verdade  centros  de ambição.  Por essa razão encontramos “ídolos” nesses lugares. De   acordo   com   o   principio   em   1   Reis   12:26­30,   em  muitos   grupos   Cristãos   são  levantados  “ídolos”   para   atrair  pessoas   e  segurá­las.  Esses   “ídolos”   afastam   as   pessoas   de  Deus.   Seguindo   o   exemplo   de   Aarão   no   monte   Sinai,  Jeroboão levantou dois bezerros de ouro dizendo ao povo que  esses eram os deuses que os trouxeram para fora do Egito.  Podemos nos perguntar como os filhos de Israel puderam ser  tão cegos em aceitar esses ídolos como Deus. Por vermos a  situação de fora, podemos vê­la claramente. No entanto, se  estivéssemos lá, provavelmente teríamos seguido Jeroboão e  seriamos um com ele. Hoje   precisamos   estar   claros   sobre   a   situação   do  Cristianismo. Se estivermos debaixo do brilhar da luz divina,  perceberemos   que   em   muitos   grupos   Cristãos   “ídolos”   têm  sido levantados no lugar de Deus. Esses “ídolos” atraem as  pessoas para esses grupos e mantêm­nas lá. O DESEJO PELA CASA DE DEUS Ressaltamos que o falar genuíno de Deus é nos Santos  dos   Santos   no   templo.   Salmos   27:4   expressa   um   profundo  desejo do povo de Deus com respeito à casa de Deus. Esse  versículo diz “Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que  possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,  para contemplar a formosura  do Senhor, e meditar no seu  templo.”   Como   o   salmista   deseja   permanecer   na   casa   do  Senhor para contemplar o Senhor!
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Um desejo semelhante é transmitido no Salmos 84. No  versículo   2   o   salmista   diz   “A   minha   alma   suspira!   sim,  desfalece   pelos   átrios   do   Senhor.”   No   versículo   10   ele  prossegue e diz: “Porque vale mais um dia nos teus átrios do  que em outra parte mil. Preferiria estar à porta da casa do  meu   Deus,   a   habitar   nas   tendas   da   perversidade.”   Aqui  vemos   que   o   desejo   pela   casa   de   Deus   é   tão   forte   que   o  salmista deseja até mesmo estar   nos átrios do Senhor. Ele  estaria feliz em simplesmente ser o porteiro na casa de Deus. Salmos   36   e   23   também   expressam   um   profundo  desejo pela casa do Senhor. Em Salmos 36:8  o escritor diz  que o povo de Deus “se fartarão da gordura da tua casa.” É  na   casa  do   Senhor  que  eles   beberão do  rio das   delicias  de  Deus. Além disso, é na casa que eles desfrutam a fonte da  vida e vêem a luz na luz de Deus (v. 9). Salmos 23 termina  com   as   palavras   “habitarei   na   casa   do   Senhor   por   longos  dias”   (v.   6).   Nos   tempos   do   Antigo   Testamento   os   devotos  desejavam estar no templo onde estava a presença de Deus. Tal aspiração repele o mal. Simplesmente o desejo de  estar   na   presença   de   Deus   na   casa   do   Senhor   repele   o  divisionismo e todas as coisas negativas que ele inclui. Esse  desejo   torna­nos   devotos,   santos,   e,   eventualmente   ser   um  com os filhos de Deus. Pelo fato de os filhos de Israel salmodiarem o Salmo  133 no caminho para o Monte Sião, certamente foi impossível  para eles odiar ou desprezar uns aos outros. Salmos 133 é  um Salmo de unidade. Essa unidade inclui todos os atributos  e   virtudes   positivas.   Por   manter   a   unidade   espontânea­ mente,  desfrutamos   todos   esses   atributos   e  virtudes.  Além  disso, temos a presença de Deus.

A UNIDADE NOS GUARDA DO MALIGNO
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Por   estar   na   unidade   temos   a   benção   ordenada   por  Deus, vida para sempre. No entanto, se algum filho de Israel  se tornar divisivo e se recusar a ir ao templo no Monte Sião,  ele perderá automaticamente todas as coisas positivas. Por  separar­se da unidade do povo de Deus, ele espontaneamente  se torna cheio de coisas negativas como orgulho, ódio, crítica,  fofoca   e   mentiras.   Pretendendo   ainda   estar   em   comunhão  com   Deus,   alguns   podem   levantar   outros   centros   de  adoração.   Mas,   como   o   caso   de   Jeroboão   deixa   claro,   tais  atitudes   divisivas   abrem   o   caminho   para   a   idolatria   e  costumes de coisas malignas entrarem. De   acordo   com   o   relato   no   Antigo   Testamento,   o  pecado   de   Jeroboão,   o   pecado   da   divisão,   abriu   o   caminho  para   todas   as   coisas   malignas   entrarem.   Finalmente,   a  situação do povo de Deus estava tão corrompida que Deus fez  com que Nabucodonosor, rei da Babilônia, queimasse a casa  de Deus, derrubasse os muros de Jerusalém e levasse o povo  para   Babilônia.   Dessa   forma,   o   cativeiro   da   Babilônia   foi  uma conseqüência da divisão. A unidade é representada por  Jerusalém, mas a divisão é representada por Babilônia com  toda a sua maldade. Antes   de   vir   para   a   vida   da   igreja,   muitos   de   nós  éramos de certa forma livres e fazíamos as coisas de acordo  com   as   nossas   preferências.   Mas   podemos   testificar   que  pouco depois de virmos para a Restauração do Senhor, nossa  consciência começou a funcionar de uma maneira adequada.  Pouco a pouco tratamos com as coisas e descontinuamos com  certas práticas. No entanto, sei de muitos casos daqueles que  experienciaram o oposto disso como conseqüência de terem  deixado a vida da igreja. Sua consciência começou a perder a  função   e  as  coisas  mundanas  e negativas  que eles  haviam  posto   de   lado   retornaram   gradualmente.   Muitos   voltaram 
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para   práticas   de   divertimentos   carnais.   Gradualmente,   as  coisas   mundanas,   até   mesmo   coisas   pecaminosas,  retornaram.   Isso   indica   que   a   unidade   nos   guarda   do  maligno, enquanto que a divisão abre a porta para o maligno. Mais de cinqüenta  e cinco anos atrás  uma  jovem  de  uma próspera família veio para uma das reuniões da igreja  em Chefoo. Ela era a própria expressão do mundanismo, com  seu   cabelo   arranjado   em   forma   de   torre.   Mais   tarde   ela  mesma   disse   que   propositalmente   arrumava   seu   cabelo  daquela   forma   como   um   protesto.   À   medida   que   ela  continuou   vindo   as   reuniões   da   igreja,   sua   aparência  começou   a   mudar.   Não   dissemos   nada   nas   reuniões   a  respeito   do   mundanismo.   Falamos   a   respeito   de   amar   a  Cristo e a igreja. Ninguém tentou controlar o comportamento  da   jovem.   Mas   através   de   ter   contato   com   a   igreja,   sua  consciência   começou   a   funcionar.   Espontaneamente,   sem  nenhuma direção humana, ela mudou seu estilo de cabelo e a  maneira de vestir­se. CORRETO COM O TEMPLO Para   os   filhos   de   Israel,   o   templo   era   o   centro   da  unidade.   Portanto,   era   extremamente   sério   para   qualquer  um do povo de Deus estar correto com o templo. Aqueles que  estavam corretos com o templo e através disso mantinham a  unidade, desfrutaram a presença de Deus, a benção de vida e  todas as outras coisas positivas. Mas aqueles que estavam  incorretos com o templo através do divisionismo abriam uma  porta para todos os costumes malignos. O mesmo é verdade  hoje entre os Cristãos. Muitos falam de santidade, vitória e  espiritualidade. No entanto, se desejamos ter essas virtudes,  precisamos estar na unidade adequada.
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Considere   novamente   a   experiência   dos   filhos   de  Israel.   Santidade,   vitória   e   espiritualidade   não   foi   um  resultado   do   seu   esforço.   Eles   tinham   essas   virtudes  simplesmente   porque   eles   estavam   corretos   com   o   templo,  com   o   Santo   dos   Santos   e   com   a   arca.   Quando   eles  permaneceram   na   unidade   por   estarem   corretos   com   o  templo, não havia a necessidade de eles tentarem ser santos,  vitoriosos   ou   espirituais.   Espontaneamente,   como   parte   da  benção   por   estarem   nessa   unidade,   eles   tinham   essas  virtudes.   A   razão   de   muitos   Cristãos   não   terem   vitória,  santidade e espiritualidade é que eles estão incorretos com a  igreja   e   com   a   arca,   Cristo,   no   Santo   dos   Santos.   Se  desejarmos ser santos, espirituais e vitoriosos devemos estar  corretos   com   Cristo   e   a   igreja.   Em   outras   palavras,  precisamos   permanecer   na   unidade   adequada.   Essa   é   a  unidade  que nos  dá  acesso a todas as virtudes e atributos  positivos. Quando eu estava na China continental, o irmão Nee  era   alvo   de   ataques   e   oposições.   Muitos   daqueles   que  atacaram e se opuseram a ele disseram que ele, as igrejas e  os presbíteros estavam errados. A primeira vez que ouvi tais  ataques e oposições, eu temi pela situação. Talvez o irmão  Nee, os presbíteros e as igrejas estivessem errados. Por fim,  entretanto, aprendi que todos os opositores do irmão Nee ou  da   igreja   ou   dos   presbíteros   estavam   mais   errados   ainda.  Percebi que todos os que atacavam a restauração do Senhor  passavam   por   um   declínio   espiritual.   Não   sei   de   nenhum  caso   de   alguém   que   tenha   se   oposto   e   atacado   a   igreja   e  tenha   crescido   espiritualmente.   Pelo   contrário,   eles   se  prejudicaram e suas condições gradualmente pioraram. A única coisa que pode nos preservar espiritualmente  é a unidade. Se permanecermos na unidade, todas as coisas  positivas   serão   nossas.   Mas   se   tomarmos   o   caminho   da 
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divisão,   seremos   visitados   por   todo   tipo   de   costumes  malignos:   ódio,  inveja,  desprezo  e  talvez   até  mesmo  coisas  como idolatria e fornicação. Cedo ou tarde, aqueles que são  divisivos serão levados para a Babilônia como prisioneiros.

A GRANDE BABILÔNIA Apocalipse   17   também   nos   mostra   que   o   mal   está  relacionado com a divisão. Esse capítulo apresenta a visão da  Grande   Babilônia.   De   acordo   com   o   versículo   5,   a   Grande  Babilônia   é   chamada   de   “a   mãe   das   prostitutas   e   das  abominações   da   terra.”   O   versículo   4   expõe   o   fato   de   que  embora essa mulher tenha uma aparência agradável, o mal  está oculto nela: A mulher estava vestida de púrpura e de  escarlata, e adornada de ouro, pedras preciosas e pérolas; e  tinha na mão um cálice de ouro, cheio das abominações, e da  imundícia   da   prostituição.”   Exteriormente,   a   Grande  Babilônia   está   vestida   de   púrpura   e   escarlata   e   estava  adornada com ouro, pedras preciosas e pérolas. Além disso,  ela tem na mão um cálice de ouro. Mas esse cálice está cheio  de  abominações  e da imundícia da sua prostituição. Isso é  uma figura do mundo Cristão de hoje. O mundo Cristão pode  ter um cálice de ouro, mas o conteúdo do cálice é a idolatria,  fornicação e todas as coisas malignas. Esse é o elemento, e a  composição,   da   divisão.   O   ultimo   resultado   da   divisão   é   a  Grande Babilônia revelada em Apocalipse 17. O   cristianismo   de   hoje   está   completamente   em   um  estado   de   divisão.   Essa   divisão   abriu   o   caminho   para   a  idolatria  e   fornicação  espiritual. Em  muitos  casos,  ele tem  aberto   o   caminho   para   idolatria   literal   e   fornicação   física.  Como   nós   temos   enfatizado   repetidas   vezes,   esse   é   o  resultado da divisão.
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A SERIEDADE DA DIVISÃO Quando nos voltamos para o caminho da restauração  do Senhor e viemos para a vida da igreja, as coisas negativas  associadas   com   a   divisão   foram   espontaneamente   jogadas  fora.   No   entanto,   como   enfatizamos   aqueles   que  abandonaram   a   unidade   adequada   automaticamente   se  tornaram   sujeitos   às   coisas   negativas   que   uma   vez   foram  colocadas para fora. Isso deve nos fazer ver que a divisão é  uma questão extremamente séria. Nada é mais mortal que a  divisão.   Satanás   sabe   que   até   mesmo   o   pensamento   de  divisão é suficiente para minar nossa vida Cristã. É como um  cupim que come a estrutura da casa. Portanto, até mesmo o  pensamento de divisão deve ser repudiado. Quando   estamos   na   unidade,   estamos   na   vida   e  desfrutamos   todas   as   virtudes   e   atributos   positivos.   Além  disso, nossa condição  espiritual gradualmente melhora. No  entanto, simplesmente por aceitar um pensamento que traz  discórdia, o caminho é aberto mais uma vez para o maligno  entrar. Nunca devemos pensar que a base da igreja não é uma  questão de vida. A base da igreja é a própria base da nossa  experiência  de vida. Permanecer na unidade é permanecer  em   vida.   Fora   da   base   da   igreja,   é   vão   falar   de  espiritualidade ou santidade. Tais coisas estão diretamente  relacionadas   com   a   unidade.   É   maravilhoso   estar   na  unidade, mas é terrível estar envolvido em divisão. Muitos  Cristãos   hoje   tem   perdido   a   benção   e   a   graça   do   Senhor  simplesmente por causa da divisão. Isso deve ser um alerta  para   nós   na   restauração   do   Senhor.   Que   não   repitamos   a  historia   do   divisionismo   do   cristianismo.   Que   todos   olhem  para o Senhor para que Ele nos preserve em Sua unidade. 
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Devemos   repudiar   até   mesmo   os   pensamentos   divisivos.  Louvado   seja   o   Senhor   pela   unidade!   Que   o   Senhor   nos  mantenha em Sua presença mantendo­nos nessa unidade.

CAPÍTULO QUATRO
O ÚNICO LUGAR DA ESCOLHA DE  DEUS PARA MANTER A UNIDADE
Leitura   Bíblica:   Dt   12:1­8,   11,   13­15,   17­18,   26­28;   14:23;  16:16 Nos   três   primeiros   capítulos   consideramos   certos  princípios   relacionados   à   unidade.   Começando   com   este  capitulo, vamos dedicar nossa atenção a alguns detalhes. O  primeiro   detalhe   é   o   único   lugar   da   escolha   de  Deus   para  manter a unidade. Em Deuteronômio 12, 14, 15 e 16 o único  lugar da escolha de Deus é mencionado pelo menos dezesseis  vezes.   Por   exemplo,   em   Deuteronômio   12:5   Moisés   encar­ regou   o   povo   de   ir   “ao   lugar   que   o   Senhor   vosso   Deus  escolher.”   De   acordo   com   Deuteronômio   14:23,   era   para   o  povo de Deus comer o dízimo perante o Senhor Deus no lugar  que Ele escolhesse. O fato dessa questão do único lugar ser  mencionado repetidas vezes mostra sua importância crucial.
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O   livro   de   Deuteronômio   está   relacionado   com   o  desfrute das riquezas da boa terra, uma terra descrita como  que mana leite e mel. As palavras registradas nesse livro, o  último livro de Moisés, foram dadas em um período em que  os   filhos   de   Israel   estavam   nas   fronteiras   da   boa   terra   e  estavam   prestes   a   entrar   e   a   possuir.   Pelo   fato  de   Moisés  estar   preocupado   com   o   desfrute   deles   da   boa   terra,   ele  gastou um bom tempo para instruí­los a respeito da vida na  boa terra. O livro de Deuteronômio, então, é a palavra falada  por   um   velho   e   amoroso   pai   preocupado   com   o   futuro  desfrute dos filhos.

DESTRUINDO OS LUGARES  PAGÃOS DE ADORAÇÃO Em Deuteronômio 12 o desejo do coração de Deus com  respeito à vida dos filhos de Israel na boa terra é revelado. O  versículo 1 fala dos estatutos e julgamentos que o povo de  Deus deveria guardar na terra. No versículo seguinte Moisés  apresenta o primeiro desses estatutos: “Certamente destru­ ireis   todos   os   lugares   em   que   as   nações   que   haveis   de  subjugar   serviram   aos   seus   deuses”   (Heb.)   No   versículo   3  Moisés prossegue: “E derrubareis os seus altares, quebrareis  as   suas   colunas,   queimareis   a   fogo   os   seus   postes­ídolos,  abatereis as imagens esculpidas dos seus deuses e apagareis  o   seu   nome   daquele   lugar”   (Heb.).   Antes   que   os   filhos   de  Israel   tivessem   um   completo   desfrute   das   riquezas   da   boa  terra,   eles   tinham   que   destruir   completamente   os   centros  pagãos   de   adoração.   Todos   os   centros   pagãos   de   adoração  deveriam ser completamente destruídos. Todos os lugares em  que  os  povos pagãos  tivessem  adorado  ídolos  deveriam  ser 
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destruídos,   não   importando   que   esses   lugares   estivessem  “sobre  as altas montanhas, sobre os outeiros, e debaixo de  toda   árvore   frondosa”   (v.   2).   Era   para   o   povo   de   Deus  derrubar os seus altares, quebrar as suas colunas, queimar a  fogo os seus ídolos de madeira, abater as imagens esculpidas  dos seus deuses. Então, eles deveriam destruir os seus nomes  daquele lugar. Três coisas principais deveriam ser tratadas:  os lugares, as imagens e os nomes. Isso revela que era para a  boa terra ser perfeitamente limpa de todos os centros pagãos  de adoração. Deuteronômio 12:4 diz “Não fareis assim para com o  Senhor vosso Deus.” Isso indica que não era para os filhos de  Israel   adorar   o   Senhor   da   mesma   maneira   que   os   pagãos  adoravam seus deuses.

O LUGAR PARA O NOME DE DEUS
No versículo 5 Moisés profere palavras muito impor­ tantes: “Mas recorrereis ao lugar que o Senhor vosso Deus  escolher de todas as vossas tribos para ali pôr o seu nome,  para sua habitação, e ali vireis.” Depois que todos os lugares  de adoração pagã tivessem sido destruídos, o povo de Deus  deveria   ir   ao   lugar   escolhido   por   Deus.   Nesse   único   lugar  Deus poria Seu nome. O nome de Deus denota Sua pessoa.  Seu   nome   estar  em  um   lugar   particular   significa   que  Sua  Pessoa residiria naquele lugar. Isso indica que o único lugar  que   Deus   escolhera   seria   o   lugar   onde   Deus   residiria,   a  habitação de Deus. UM SIGNIFICADO TIPOLÓGICO De acordo com o principio básico da revelação divina  nas Escrituras, o relato no Antigo Testamento é constituído  de tipos, figuras e sombras de questões encontradas no Novo 
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Testamento.   Se   Deuteronômio   12   consistisse   somente   em  estatutos dados para os filhos de Israel, então esse capítulo  não poderia ser aplicado a nossa situação hoje. Entretanto,  os   estatutos   relatados   nesse   capítulo   têm   um   significado  espiritual.   Se   entendermos   o   significado   espiritual   desses  estatutos, veremos que essa porção da palavra foi escrita não  somente para os filhos de Israel, mas também para nós hoje.  O apóstolo Paulo percebeu que a história do povo de Israel  tem um significado tipológico para os crentes na era do Novo  Testamento. Em 1 Coríntios 10:6 ele diz “Ora, estas coisas  nos foram feitas para exemplo” (Gk.). Em 1 Coríntios 10:11  ele prossegue “tudo isto lhes acontecia como exemplo” (Gk.).  Por   esta   razão,   Paulo   pôde   dizer   em   Romanos   15:4  “Porquanto, tudo que dantes foi escrito, para nosso ensino foi  escrito.” Um dos mais importantes tipos no Antigo Testamento  é a boa terra, a qual é um tipo completo e pleno de Cristo.  Portanto, o desfrute dos produtos da boa terra tipifica nosso  desfrute das insondáveis riquezas de Cristo (Ef 3:8). Antes de  você   vir   para   a   vida   da   igreja,   você   provavelmente   nunca  ouviu sobre o desfrute de Cristo. Essa foi a minha situação.  Eu   sabia   que   Cristo   era   o   filho   de   Deus,   o   Salvador   e   o  Redentor, mas eu nunca tinha ouvido que Ele também podia  ser meu desfrute. De acordo com a tipologia, os filhos de Israel primeiro  desfrutaram   do   cordeiro   Pascal   como   um   tipo   de   Cristo.  Primeira Coríntios 5:7 indica claramente que a Páscoa era  um   tipo   de   Cristo:   “Porque   Cristo,   nossa   páscoa,   já   foi  sacrificado.”   Depois   que   os   filhos   de   Israel   fizeram   o   seu  êxodo do Egito, eles desfrutaram o maná enquanto vagavam  pelo   deserto.   De   acordo   com   1   Coríntios   10:3   e   4,   o   maná  também   era   um   tipo   de   Cristo.   Ele   tipificava   Cristo   como  nosso   alimento   espiritual,   nosso   maná   diário.   Ainda   que 
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alguns Cristãos percebam que o maná é um tipo de Cristo,  não   muitos   vêem   que   a   boa   terra   também   é   um   tipo   de  Cristo. Josué 5:12 diz “E no dia imediato, depois de terem  comido do produto da terra, cessou o maná, e não o tiveram  mais   os   filhos   de   Israel;   porém   nesse   ano   comeram   dos  produtos   da   terra   de   Canaã.”   (Heb.).   Esse   versículo  claramente indica que o maná foi substituído pelos produtos  da boa terra. Se o cordeiro Pascal e o maná tipificam Cristo  como o desfrute do povo de Deus, certamente a boa terra com  os   seus   ricos   produtos   semelhantemente   tipificam   Cristo  para   nosso   desfrute.   Muitos   de   nós   podemos  testificar   que  somente   depois   que   viemos   para   a   vida   da   igreja   na  restauração   do   Senhor   é   que   ouvimos   que   Cristo   é   a   boa  terra para o nosso desfrute.

SOMENTE UM NOME Antes   de   vir   para   a   vida   da   igreja,   muitos   de   nós  adoramos em lugares tipificados pelas montanhas, outeiros e  árvores frondosas (Dt 12:2). Esses foram os lugares onde os  pagãos   adoravam   a   ídolos.   Os   ídolos   de   hoje   podem   ser  encontrados tanto no Catolicismo quanto nas denominações  protestantes.   Alguns   Cristãos   podem   concordar   que   há  idolatria no Catolicismo, mas podem insistir que não existem  ídolos   nas   denominações.   Lembrem­se   das   palavras   de  Moisés em Deuteronômio 12:3 sobre destruir os nomes. Toda  denominação   tem   um   nome   além   do   nome   de   Cristo.   Por  exemplo, a denominação Luterana adota o nome de Lutero.  Em   principio,   ter   um   nome   além   do   nome   de   Cristo   é  levantar   ídolos.   Aqueles   nas   denominações   podem  argumentar   que   esses   nomes   não   são   ídolos,   mas  simplesmente são usados para designá­los como certo grupo 
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de Cristãos. No entanto, usar um nome dessa forma pode ser  comparado   a   uma   mulher   casada   que   toma   um   nome  diferente daquele do marido. Tal prática é deplorável! Ídolos  são encontrados virtualmente em todo lugar no cristianismo  de hoje, por isso em tantos lugares estão outros nomes além  do nome de Cristo. Freqüentemente quando uma capela ou  outro prédio usado para propósitos religiosos é levantado em  nome   de   certa   pessoa.   Em   principio,   isso   é   um   ídolo.  Devemos ter um só nome – o nome de Jesus Cristo. De  acordo com Deuteronômio 12:3, devemos destruir  todos os lugares e todos os nomes. Então, todas as práticas  pagãs   que   têm   sido   adotadas   pelo   cristianismo   devem   ser  eliminadas. Não há espaço para tais coisas na igreja. O livro  “The Two Babylons” prova que o Catolicismo adotou muitos  elementos do paganismo. Por exemplo, Natal e Páscoa ambas  têm   uma   origem   pagã.   Aspectos   do   paganismo   são  encontrados nas somente no Catolicismo, mas até mesmo em  muitas   denominações.   Espiritualmente   falando,   devemos  destruir   todos   esses   lugares,   imagens   e   nomes.   Por   esta  razão,   não   pode   haver   reconciliação   da   restauração   do  Senhor   e   as   denominações   com   suas   altas   montanhas,  outeiros   e   árvores   frondosas   para   adorar   ídolos.   Então,  devemos   ser   cuidadosos   em   não   ter   nenhuma   montanha,  outeiro   ou   árvore.   Devemos   ter   somente   Cristo   e   o   lugar  único da escolha de Deus para manter a unidade. APRENDENDO A TEMER A DEUS Se   virmos   isso   devemos   destruir   todos   os   outros  lugares   e   ir   ao   único   lugar   escolhido   por   Deus,   podemos  prosseguir   e   ver   muitos   outros   pontos   revelados   em  Deuteronômio 12. Primeiramente, podemos aprender a como  temer   a   Deus   por   ir   somente   ao   lugar   que   Ele   escolheu. 
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Deuteronômio 14:23 diz “E, perante o Senhor teu Deus, no  lugar   que   escolher   para   ali   fazer   habitar   o   seu   nome,  comerás os dízimos do teu grão, do teu mosto e do teu azeite,  e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para  que aprendas a temer ao Senhor teu Deus por todos os dias.”  Ir   ao   lugar   escolhido   por   Deus   é   temer   a   Deus.   Mas   ter  liberdade para tomar a nossa própria decisão sobre o centro  de   adoração   é   não   temer   a   Deus.  Pelo   contrário,   é   para  satisfazer nossa concupiscência.  Antes de você vir para a vida da igreja, você pode ter  viajado   de   uma   denominação   para   outra.   Você   foi   de   um  lugar para outro para satisfazer seu próprio desejo e gosto.  Fazer isso é não temer a Deus de uma maneira adequada. Se  O   tememos,   viremos   ao   único   lugar   que   Ele   escolheu.   Deus   não  nos   dá   a   liberdade  de  escolher   o  lugar   de  adoração.   Nessa   questão  devemos   temê­Lo   e  simplesmente  vir   ao   lugar   de   Sua   escolha.   Se   exercitarmos   o   direito   de  fazermos a nossa própria escolha, seguiremos o caminho dos  pagãos, o caminho das nações. De acordo com Deuteronômio  12, era para os filhos de Israel destruir todos os lugares onde  os   pagãos   adoravam   seus   ídolos.   Em   princípio,   temos   que  fazer a mesma coisa quando vimos para a vida da igreja. A  escolha do lugar de adoração é toda do Senhor: não é uma  questão  da  nossa preferência.  Se agirmos de acordo com a  nossa   preferência,   nós   cederemos   a   nossa   vontade,   para  satisfazer   nosso   próprio   desejo   a   respeito   do   lugar   de  adoração.   Comportar­se   dessa   maneira   é   ser   como   uma  mulher que se envolve com um homem que não seja o seu  marido. Isso é fornicação. Assim como a mulher está limitada  a somente um marido, nós estamos limitados ao único lugar  da   escolha   de   Deus   no   que   diz   respeito   a   adoração  corporativa   de   Deus.   Todos   devem   aprender   a   temer   o  Senhor   nosso   Deus.   Com   respeito   às   reuniões   Cristãs, 
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devemos temer a Deus e fazer somente o que é de acordo com  a vontade Dele. Deus nos ordena a destruir todos os centros  de adoração e ir somente ao lugar escolhido por Ele. FAZENDO O QUE É CORRETO  AOS OLHOS DE DEUS Deuteronômio   12:8   diz   “Não   fareis   conforme   tudo   o  que hoje fazemos aqui, cada qual tudo o que bem lhe parece  aos olhos.” É terrível fazer o que é correto aos nossos olhos. O  Senhor   nos   encarregou   de   não   agirmos   dessa   forma.  Entretanto,   hoje   os   Cristãos   falam   que   certas   coisas   são  certas ou erradas. Viver dessa forma é fazer o que é correto  aos nossos olhos. Mas devemos fazer o que é correto aos olhos  de Deus. De acordo com Deuteronômio 12:13, não era para os  filhos   de   Israel   oferecerem   seus   holocaustos   em   todos   os  lugares que lhes parecesse bom: “Guarda­te de ofereceres os  teus   holocaustos   em   qualquer   lugar   que   vires.”   Eles   eram  proibidos   de   oferecerem   holocaustos   nas   montanhas,   nos  outeiros ou debaixo de árvores frondosas. Eles não tinham o  direito   de   adorar   Deus   no   lugar   de   sua   escolha.   Ao   invés  disso,   eles   deveriam   fazer   o   que   era   correto   aos   olhos   de  Deus. Semelhantemente, se tememos a Deus, não devemos  fazer   o   que   é   correto   aos   nossos   olhos.   Pelo   contrário,  devemos   fazer   o   que   é   correto   e   bom   aos   olhos   de   Deus.  Devemos orar: “Senhor, tenha misericórdia de nós para que  possamos não fazer o que é correto aos nossos olhos. Senhor  nos ajude a fazer o que é correto aos Seus olhos.” Devemos  aprender a esquecer o que sentimos a respeito das coisas e  nos importar com o desejo e escolha de Deus. Para nós, certa  coisa pode parecer correta, mas como o Senhor  Se sente a  respeito   disso?   De   acordo   com   o   que   achamos,   pode   ser 
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correto adorarmos em um determinado lugar. Mas o Senhor  pode   considerar   esse   lugar   como   um   centro   de   adoração   a  ídolos. NÃO ABUSAR DA GRAÇA DE DEUS Existem vários motivos de o Senhor nos ordenar a não  fazer   o   que   é  correto   aos   nossos   próprios   olhos,   mas   ir   ao  lugar da escolha Dele. O primeiro desses motivos é que não  devemos abusar da graça de Deus. Foi requisitado aos filhos  de Israel que separassem para o Senhor o décimo, o dizimo  da produção da boa terra. Então, era para eles oferecerem a  Ele as primícias do seu rebanho e do gado. Eles não tinham o  direito de guardar o primogênito ou a melhor parte do dizimo  para   eles.   Não   lhes   era   permitido   comê­los   em   casa.  Deuteronômio   12:17   e   18   diz   “Dentro   das   tuas   portas   não  poderás comer o dízimo do teu grão, do teu mosto e do teu  azeite,   nem   os   primogênitos   das   tuas   vacas   e   das   tuas  ovelhas, nem qualquer das tuas ofertas votivas, nem as tuas  ofertas voluntárias, nem a oferta alçada da tua mão; mas os  comerás   perante   o   Senhor   teu   Deus,   no   lugar   que   ele  escolher.” Esses versículos indicam que os israelitas também  tinham que fazer ofertas votivas e voluntárias no lugar da  escolha de Deus. Sem dúvida, o povo de Deus apresentou o  melhor de sua produção e rebanho como ofertas votivas ou  voluntárias. O ponto aqui é que todas as ofertas – o dízimo,  as primícias, os votos e as ofertas voluntárias – poderiam ser  desfrutadas somente no lugar em que Deus escolhesse por o  Seu nome. Em outras palavras, foi requisitado aos filhos de  Israel ir ao lugar da habitação de Deus com a melhor porção  dos ricos produtos da boa terra. Isso indica que não lhes era  permitido   abusar   da   graça   de   Deus.   Eles   não   tinham   o  direito   de   desfrutar   a   melhor   porção   de   acordo   com   seus 
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gostos   e   preferências.   Particularmente,   eles   tinham   que  desfrutar­los de acordo com os regulamentos de Deus. Eles  não tinham escolha a não ser trazer essas ofertas ao lugar  que Deus tinha escolhido por o Seu nome e Habitação. Esse princípio ainda hoje é aplicado à vida da igreja.  Se   não   viermos   às   reuniões   da   igreja,   não   poderemos  desfrutar   da   melhor   porção   de   Cristo.   Quando   deliberada­ mente ficamos em casa ao invés de ir à reunião, percebemos  que   não   somos   capazes   de   desfrutar   a   melhor   porção   de  Cristo. Apesar de podermos ter algum desfrute do Senhor ao  ler e orar ou na comunhão, não podemos desfrutar aquelas  porções de Cristo tipificadas pelas primícias, os dízimos, as  ofertas   votivas   e   as   ofertas   voluntárias.   Existe   um  regulamento   divino   que   nos   proíbe   de   abusar   da   graça   de  Deus. De acordo com esse regulamento, devemos ir à casa de  Deus, a igreja, para desfrutar da melhor porção de Cristo.  Somos convocados a ir ao lugar que Deus escolheu; não nos é  permitido agir de acordo com nossa preferência ou escolha.  Por aceitar a escolha de Deus, somos subjugados e guardados  de abusar da Sua graça.

O MAIS PERFEITO RELACIONAMENTO  COM O SENHOR
Quando   vamos   ao   lugar   que   Deus   escolheu,   experi­ mentamos o mais perfeito relacionamento de Deus conosco.  Somos forçados a ser um com nossos irmãos em Cristo. De  vez em quando podemos não querer ver certo irmão. Ainda  que   estejamos   presentes   nas   reuniões   da   igreja,   podemos 
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tentar de todas as formas evitá­lo. Se procuramos evitar a  presença de certo irmão, não seremos capazes de desfrutar a  melhor   porção   de   Cristo.   Precisamos   estar   completamente  subjugados.   Devemos   orar,   “Senhor   tenha   misericórdia   de  mim para que eu possa estar correto diante de meu irmão.  Eu   não   quero   ter   problemas   com   ele   e   estar   na   presença  dele.” Isso ilustra o fato de que quando viermos ao lugar que  Deus escolheu, somos tratados com e por Ele ao máximo. Suponha que certo israelita tenha um problema com  outro e como resultado tenha feito todo o possível para evitá­ lo.   Três   vezes   ao   ano   todos   os   varões   Israelitas   eram  ordenados a ir para Jerusalém. Aquele que se recusasse seria  excluído   da   comunhão   do   povo   de   Deus.   Eventualmente,  algum problema entre os Israelitas tinha que ser resolvido.  Caso   contrário,   não   haveria   como   eles   virem   juntos   em  unidade ao Monte Sião para adorar a Deus. À medida que os  Israelitas subiam ao Monte Sião, eles deveriam salmodiar as  palavras do Salmo 133: “Oh! quão bom e quão suave é que os  irmãos   vivam   em   união!”   (Heb.).   Então,   o  único   lugar   que  Deus escolheu preservou a unidade do Seu povo. Enquanto  os   filhos   de   Israel   seguissem   a   escolha   de   Deus,   eles   não  tinham alternativa, exceto ser um. A   situação   é   totalmente   diferente   entre   os   Cristãos  hoje.   Se   um   crente   não   está   feliz   com   o   outro,   ele   pode  simplesmente   ir  a   outro   lugar   de  adoração.  A   maioria   dos  cristãos   consideram­se   livres   para   escolher   o   lugar   para  satisfazer   suas   próprias   paixões.   Por   esta   razão,   entre   a  maioria   dos   Cristãos   não   existe   a   submissão.   Mas   se   não  abusamos   da   graça   de   Deus,   mas   formos   inteiramente  submissos   por   ir   ao   lugar   da   Sua   escolha,   a   unidade   será  preservada.  Não  importa  que  tipo de  disposição  tenhamos,  precisamos   ser   subjugados   por   vir   ao   lugar   que   Deus  escolheu. Caso contrário, seremos excluídos da comunhão do 
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povo  de  Deus.  Se formos subjugados dessa  forma, seremos  preservados na unidade adequada. O LUGAR ONDE O SENHOR  COLOCOU O SEU NOME Agora entramos na questão de como discernir o lugar  que Deus escolheu. O primeiro princípio é que no lugar que  Deus escolheu não deve haver nenhum outro nome além do  nome de Cristo. Qualquer lugar que tiver um nome além do  nome   de   Cristo   não   é   o   lugar   escolhido   por   Deus.   Em  Deuteronômio 12 Deus encarregou o povo a destruir todos os  lugares   com   todos   os   nomes.   Nenhum   nome  era   permitido  permanecer. Entretanto, o único lugar que Deus escolheu foi  o   lugar   que   o   Senhor   escolheu   colocar   Seu   próprio   nome.  Portanto, o lugar que vamos é o único lugar onde o Senhor  pôs   o   Seu   nome.   Por   esta   razão,   quando   nos   reunimos   na  igreja,   nos   reunimos   somente   no   nome   do   Senhor   Jesus  Cristo. Em Mateus 18 o Senhor falou de se reunir no nome  Dele. Toda vez que nos reunimos, devemos vir para dentro do  Seu nome. Não devemos adotar tais nomes denominacionais  como   Metodistas,   Episcopal,   Presbiterianos,   Luteranos   ou  Batistas. Todos esses nomes devem ser destruídos. A HABITAÇÃO DE DEUS O   segundo   princípio   é   que   o   único   lugar   que   Deus  escolheu deve ser a habitação de Deus, o lugar da morada de  Deus. Efésios 2:22 nos ajuda a entender a importância desse  princípio   para   nós   hoje.   Nesse   versículo   nos   é   dito   que   a  habitação   de   Deus   é   nosso   espírito.   Isso   significa   que   o  próprio lugar que Deus escolheu é o nosso espírito. Por esta  razão, discernimos o lugar que Deus escolheu pelo nome e 
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pelo espírito do homem. Hoje a habitação de Deus está em  nosso espírito. Suponha que negligenciemos ou ignoremos o espírito, e  em vez disso vivemos na esfera da mente, emoção e vontade.  Isso dificultará que outras pessoas reconheçam que vivemos  no lugar que Deus escolheu. O lugar que Deus escolheu é o  espírito. Na vida da igreja não devemos ser caracterizados ou  conhecidos   por   nossa   expressão   de   opinião,   mas   pelo  exercício do espírito. Ir ao lugar de habitação de Deus é estar  no espírito. UM LUGAR DE DESFRUTE Terceiro,   o   lugar   que   Deus   escolheu   é   um   lugar   de  desfrute.   Em   Deuteronômio   12   a   palavra   comer   é   usada  algumas vezes. O versículo 7 indica que é no lugar que Deus  escolheu   que   devemos   “comer   diante   do   Senhor.”   No  versículo 18 vemos que o dízimo da produção da boa terra e  as primícias  do rebanho e do  gado  eram  para  ser comidas  diante do Senhor no lugar de Sua escolha. Essas referências  para comer apontam para o desfrute. Portanto, o lugar que  Deus   escolheu   é   um   lugar   de   desfrute.   Se   em   um   lugar  particular   não   sentimos   o   desfrute   do   Senhor,   devemos  questionar   se   aquele  é  ou   não  o   lugar   que  Deus   escolheu.  Onde   encontramos   as   riquezas   de   Cristo   tipificadas   pelos  produtos   da   boa   terra?   No   tempo   das   festas   anuais,   as  riquezas da boa terra eram encontradas no Monte Sião em  Jerusalém.   De   acordo   com   o   princípio,   hoje   podemos  discernir   o   lugar   que   Deus   escolheu   pelo   desfrute   das  riquezas   de   Cristo.   O   lugar   que   Deus   escolheu   é  caracterizado por esse desfrute. UM LUGAR DE REGOZIJO
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Finalmente, o lugar que Deus escolheu é um lugar de  regozijo. Deuteronômio 12:12 e 18 falam de regozijar diante  do   Senhor.   Esse   regozijo   está   relacionado   com   comer   dos  primogênitos e das primícias. Regozijar não é somente estar  feliz. É possível  estar feliz em silêncio, mas para regozijar  devemos expressar alguma coisa e fazer um barulho jubiloso.  A casa de Deus é um lugar de regozijo. O lugar onde o seu  povo se reúne não deve ser somente um lugar de prazer, mas  tem que ser um lugar de regozijo. Nessa   porção   da   Palavra   temos   quatro   maneiras   de  discernir   uma   igreja   genuína   e   adequada.   Uma   igreja  genuína é onde está um único nome, o nome de Cristo. Além  disso, é um lugar onde o espírito do homem é prevalecente,  onde   as   riquezas   de   Cristo   são   desfrutadas   e   onde   nos  regozijamos diante do Senhor. Quando as riquezas de Cristo  se tornam nosso desfrute, espontaneamente seremos cheios  com prazer e regozijo. Então, na vida da igreja temos o nome  do Senhor e o exercício do espírito. Também desfrutamos as  riquezas de Cristo e regozijamos no Senhor. Esse é o lugar  que   Deus   escolheu,   o   único   lugar   que   Ele   escolheu   para  preservar a unidade.

CAPÍTULO CINCO
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DESFRUTANDO CRISTO COM DEUS  NA BASE DA UNIDADE
Leitura Bíblica: Dt 12:5­7, 13­14, 17­18; 1Tm 3:15b­16a; Hb  10:25; Sl 23:6; 27:4; 36:8­9; 42:4; 43:3­4; 66:13, 15; 84:1­8, 10­ 12; 92:10, 13­14; 133:1­3 Deuteronômio   12   é   um   capítulo   rico.   Segundo   o  versículo   2   e   3,  era   para   os   filhos   de  Israel   destruírem   os  centros de adoração, os ídolos as imagens e os nomes. Ídolos  não   são   encontrados   somente   nos   centros   pagãos   de  adoração;  eles  também  são encontrados  no  Catolicismo,  no  Protestantismo   e   nos   grupos   Cristãos   independentes.   Se  formos   iluminados   por   essa   porção   da   Palavra,   espiritual­ mente falando devemos destruir todos esses lugares, ídolos e  nomes. Geralmente,   os   centros   pagãos   estavam   localizados  nas montanhas ou outeiros ou debaixo de árvores frondosas  (Dt 12:2). As montanhas e outeiros significam exaltação de  algo além de Cristo e a árvore frondosa significa coisas que  são   belas   e   atrativas.   Os   vários   centros   de   adoração   no  cristianismo hoje exaltam algo além de Cristo. Em princípio,  esses   centros   de   adoração   estão   nas   montanhas   ou   nos  outeiros,   os   lugares   altos.   No   entanto,   era   para   o   povo   de  Deus ir ao Monte Sião, o único lugar escolhido por Deus para  uma adoração corporativa. A adoração em lugares altos foi  um fator na dispersão dos filhos de Israel. Em princípio, devemos destruir todos os lugares, ídolos  e   nomes.   Fazer   isso   é   fazer   o   que   é   correto   aos   olhos   do  Senhor.   Mas   se   insistirmos   na   nossa   própria   escolha,  fazemos o que é correto aos nossos próprios olhos. Devemos  temer o Senhor e ir ao lugar que Ele escolheu.
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O CAMINHO DA DIVISÃO O cristianismo seguiu o mundo por tomar o caminho  da divisão. Desde o tempo de Babel, o povo do mundo tem  sido divisivo. A  razão para  esse  divisionismo é que o povo  insiste na sua própria escolha ou preferência. Por esta razão,  a sociedade humana hoje é totalmente divisiva. A igreja deve  ser diferente. Como o lugar único escolhido por Deus, a igreja  não   deve   ter   divisão.   Isso   significa   que   a   igreja   não   deve  seguir   os   costumes   das   nações   ou   as   práticas   pagãs   da  sociedade humana. Todavia, desde o século segundo, a igreja  tem sido dividida por tais coisas como opiniões a respeito da  pessoa   de   Cristo.   As   diferentes   escolas   de   Cristologia,   o  estudo   da   pessoa   de   Cristo,   se   tornaram   “montanhas”   e  “outeiros.” Assim, a igreja foi dividida não somente por coisas  malignas,   mas   principalmente   por   coisas   boas,   até   mesmo  por opiniões a respeito de Cristo. Como   todos   sabem,   nos   séculos   após   a   Reforma,   o  cristianismo   teve   centenas   de   divisões.   Após   a   Segunda  Grande   Guerra,   os   grupos   independentes   começaram   a  surgir   nos   EUA.   Em   1963   me   disseram   que   só   no   Sul   da  Califórnia   havia   milhares   desses   grupos.   A   história   do  cristianismo   prova   que   o   aspecto   mais   marcante,   de   o  cristianismo ter seguido o mundo, é uma questão de divisão.  As práticas pagãs de divisão, de seguir nossa própria escolha,  gosto   ou   preferência   é   encontrado   por   todo   o   cristianismo.  Até   mesmo   acolher   o   pensamento   de   divisão   é   tomar   o  caminho do sistema pagão, a prática divisiva do costume das  nações. Quando   os   filhos   de   Israel   entraram   na   boa   terra,  centros pagãos de adoração podiam ser encontrados por toda  parte. Em alguns lugares havia altares, em outros lugares 
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havia pilares dedicados ou símbolos de madeira e ainda em  outros lugares havia imagens de deuses pagãos gravadas. A  terra   de   Canaã   estava   cheia   de   ídolos.   Entretanto,   Deus  encarregou   os   filhos   de   Israel   de   destruírem   todas   essas  coisas   e   virem   ao   único   lugar   escolhido   por   Deus.   Em  princípio, hoje devemos fazer a mesma coisa. Hoje muitos Cristãos consideram as assim chamadas  igrejas,   da   mesma   forma   com   que   comparam   um   par   de  sapatos. Eles podem ir de uma loja de sapato para outra até  acharem algo que satisfaça sua preferência. Alguns Cristãos  gastam   anos   indo   de   um   lugar   de   adoração   a   outro,  continuamente procurando por um lugar que satisfaça o seu  paladar ou desejo. Tais cristãos são passageiros. Antes de eu  vir   para   a   vida   da   igreja,   também   fiz   algumas   dessas  jornadas. Mas quando vim para a igreja na restauração do  Senhor, minha jornada terminou. Eu soube que tinha vindo  para o lugar que Deus escolheu. Deuteronômio 12:5 diz “Mas recorrereis ao lugar que o  Senhor vosso Deus escolher de todas as vossas tribos para ali  pôr o seu nome, para sua habitação, e ali vireis.” Quando os  filhos   de   Israel   entraram   na   boa   terra,   não   era   para   eles  seguirem   as   práticas   das   nações.   Não   era   para   eles  escolherem   lugares   segundo   suas   próprias   preferências;   ao  invés disso, era para eles irem ao único lugar escolhido por  Deus. Como revelado em outros livros do Antigo Testamento,  esse   único   lugar   era   o   Monte   Sião   em   Jerusalém   onde   o  templo, a casa de Deus, foi construído. O CONCEITO DE DEUS SOBRE ADORAÇÃO No   lugar   que   Deus   escolheu   era   para   os   filhos   de  Israel comerem diante do Senhor e se regozijarem (Dt 12:7).  Em nenhum lugar do livro de Deuteronômio diz que o povo 
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de Deus deveria ir ao único lugar e simplesmente começar a  adorar. Claro, era esperado que eles adorassem o Senhor no  lugar   que   Ele   tinha   escolhido,   mas   não   adorar   segundo   o  conceito deles do que é adorar. Ao invés disso, era para eles  adorarem   segundo   o   ensinamento,   conceito   de   Deus   de  adorar.   Segundo   o   conceito   humano   natural   adorar   é  ajoelhar,   se   curvar   ou   prostrar­se   diante   de   Deus.   Até   os  Muçulmanos adoram de tal maneira nas mesquitas. Uma vez  visitei uma mesquita Muçulmana na hora da adoração. Eu  percebi   que   entre   os   adoradores   não   havia   desfrute.   Pelo  contrário,   por   causa   da   falta   de   desfrute,   muitos   daqueles  adoradores aparentavam ser mais velhos do que sua idade  real. A adoração indicada em Deuteronômio 12 não é uma  questão   de   ajoelhar­se,   curvar­se   ou   prostrar­se.   Segundo  esse capítulo, adorar é comer diante do Senhor. Quando eles  vieram para o lugar que Deus escolheu, era para o povo de  Deus comer a melhor porção das ofertas e sacrifícios diante  de Deus. Deuteronômio 12:6 descreve isso: “A esse lugar trareis  os  vossos  holocaustos  e  sacrifícios, e os  vossos  dízimos  e  a  oferta   alçada   da   vossa   mão,   e   os   vossos   votos   e   ofertas  voluntárias, e os primogênitos das vossas vacas e ovelhas.” A  melhor porção dos produtos da boa terra era para ser comida  diante do Senhor no lugar que Ele escolheu. Era ordenado  aos filhos de Israel que separassem o dízimo, a décima parte  dos produtos da boa terra e trazer­los para o lugar que Deus  escolheu. Além disso, era para eles separarem as primícias  dos seus rebanhos e gado. Três vezes ao ano – na festa do pão  asmo, na  festa das semanas e na festa dos tabernáculos –  eles traziam o dízimo e os produtos para a casa de Deus em  Jerusalém. Durante essas festas eles podiam desfrutar todas  essas riquezas na presença do Senhor. Eles eram proibidos,  entretanto, de desfrutar essa porção particular em casa. Eles 
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podiam desfrutar dessa porção somente no tempo das festas  e somente no lugar designado por Deus. Comer das ofertas  era   a   adoração   deles   a   Deus.   Depois   de   trazer   o   dízimo   e  sacrifícios para o lugar adequado, eles os ofereciam em um  altar. Então eles comiam as próprias coisas que eles tinham  oferecido. Tinha  uma porção de Deus, uma  porção para os  sacerdotes   e   uma   porção   para   aquele   que   apresentava   a  oferta. Então, o povo de Deus desfrutava dos ricos produtos  da boa terra diante de Deus e com Deus. Essa era a genuína  adoração a Deus. Você já pensou que é esse o tipo de adoração que Deus  deseja? Em Deuteronômio 12 não há menção de cantar ou até  mesmo   orar.   Segundo   essa   porção   da   Palavra,   a   adoração  adequada é uma questão de comer diante de Deus os ricos  produtos da boa terra. A boa terra é um tipo de Cristo e os  ricos   produtos   da   terra   é   um   tipo   das   riquezas   de   Cristo.  Portanto, a adoração que Deus deseja de nós é que comamos  e   desfrutamos   das   riquezas   de   Cristo   em   Sua   presença.  Espiritualmente falando, todos nós precisamos ganhar mais  peso por comer mais de Cristo. O foco em Êxodo, Levítico,  Números   e   Deuteronômio   é   o   comer   de   Cristo.   Se   não  comermos  Cristo,  não podemos   adorar  a  Deus.  A  adoração  que Deus procura está relacionada com o desfrute de Cristo.  Todas as várias ofertas e sacrifícios em Deuteronômio 12:6  tipificam aspectos de Cristo para o nosso desfrute. Que todos  nós   sejamos   impressionados   com   o  fato  de  que   a   adoração  adequada é uma questão de comer dos produtos da boa terra,  isso é, de desfrutar com Deus e diante de Deus as riquezas de  Cristo no único lugar escolhido por Deus. Por   toda   a   história   do   cristianismo,   esse   tipo   de  adoração tem sido perdido. Mas tenho plena certeza de que o  Senhor   está   restaurando   isso.   Na   igreja   Ele   está   nos  trazendo de volta para a genuína adoração, de volta para o 
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desfrute de Cristo no único lugar que Deus escolheu. Diante  de Deus e com Deus, desfrutamos Cristo na base da unidade.  Louvado seja Ele pelo comer, pelo desfrutar das riquezas de  Cristo! COMENDO E REGOZIJANDO Deuteronômio 12:7 também diz “E vos alegrareis, vós e  as vossas casas, em tudo em que puserdes a vossa mão, no  que  o  Senhor vosso  Deus  vos  tiver  abençoado.”  Isso indica  que   os   filhos   de   Israel   não   somente   comeram   diante   do  Senhor:   eles   também   regozijaram   diante   Dele.   Comer   e  regozijar   andam   juntos.   À   medida   que   os   filhos   de   Israel  desfrutavam dos produtos da boa terra na presença de Deus,  eles regozijavam. Fora as riquezas da terra de Canaã, eles  não tinham nada para comer e, portanto não tinham razão  para   regozijar.   Tanto   o   comer   e   regozijar   depende   das  riquezas.   Freqüentemente   quando   somos   convidados   para  um   jantar   ou   uma   festa,   regozijamos   quando   a   comida   é  servida na mesa. No mesmo princípio, as riquezas de Cristo é  o   fator,   a   causa   do   nosso   regozijo   no   lugar   da   escolha   de  Deus. QUATRO CARACTERISTICAS DA  VIDA DA IGREJA ADEQUADA No capítulo anterior nós ressaltamos quatro caracte­ rísticas da vida da igreja adequada: o nome, a habitação, o  desfrute e o regozijo. O fato de a igreja ser a habitação de  Deus, a morada de Deus, indica que Sua presença está na  igreja.   Deus   não   visita   ou   reside   simplesmente   ali   tempo­ rariamente, como se fosse um hotel. Como a casa do Deus  vivo,   a   igreja   é   a   casa   de   Deus,   a   habitação   de   Deus. 
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Portanto,   a   presença   de   Deus   está   na   igreja.   Na   igreja  desfrutamos   as   riquezas   de   Cristo   e   nos   regozijamos   no  Senhor. Essa é a vida da igreja normal, genuína e adequada.  Aqui temos o nome e a presença do Senhor. Nós vamos às  reuniões da igreja para encontrá­Lo, vê­Lo e para desfrutar  da Sua presença. Aqui nós desfrutamos as riquezas de Cristo  com Deus. À medida que desfrutamos dessas riquezas, nós  nos regozijamos no Senhor. Muitos   de   nós   podemos   testificar   que   em   outros  lugares não temos a realidade ou a atualidade do nome e da  presença  do  Senhor.  Além  disso,  não  temos o desfrute  das  riquezas   de   Cristo   ou   o   regozijo.   Para   a   maioria,   essas  características   não   podem   ser   encontradas   nos   centros   de  adoração Cristãs de hoje. Exteriormente, o nome de Cristo  pode estar lá; mas na realidade o nome do Senhor não pode  ser encontrado lá. Portanto, a presença do Senhor não está  em   tais   lugares.   A.   W.   Tozer   enfatizou   esse   ponto   em   um  artigo   intitulado   “A   Esvaecente   Autoridade   de   Cristo   nas  Igrejas.”   Segundo   nossa   experiência,   podemos   também  testificar que em vários centros de adoração Cristãs não há o  desfrute   de   Cristo   e   não   há   o   regozijo   que   vem   desse  desfrute. No entanto, no lugar escolhido por Deus, a igreja,  temos   o   nome   do   Senhor,   Sua   presença,   o   desfrute   das  riquezas de Cristo e o regozijo no Senhor. HABITANDO NA CASA DO SENHOR Em   Salmos   vemos   como   os   santos   do   Antigo   Testa­ mento   desfrutaram   o   Senhor   no   único   lugar   que   Deus  escolheu. Deixe­nos considerar agora o número de versículos  que testificam esse desfrute. Nesses versículos vemos como o  povo de Deus O adorou através do desfrute das riquezas da  boa terra na presença de Deus. Os santos antigos certamente 
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desfrutaram Cristo com Deus no lugar único da escolha de  Deus. Os versículos que consideraremos são excepcionais em  Salmos   relacionados   com   o   desfrute   das   riquezas   da   boa  terra no lugar da escolha de Deus. Salmos 23:6 conclui com as palavras, “e habitarei na  casa do Senhor por longos dias.” Os Cristãos amam o Salmo  23 principalmente porque ele fala do Senhor como o Pastor.  No entanto, o objetivo final do Senhor nos pastorear é a casa  do Senhor. Segundo esse Salmo, o Senhor nos guia de um  estágio para outro até sermos trazidos a casa do Senhor. Ele  nos faz repousar em pastos verdejantes, Ele nos guia para as  águas de descanso, Ele nos guia pelas veredas de justiça, Ele  nos conduz através do vale da sombra da morte e então nos  traz ao campo de batalha. Finalmente, no entanto, Ele nos  faz   habitar   na   casa   do   Senhor.   É   na   casa   do   Senhor   que  bondade e misericórdia estão conosco todos os dias de nossa  vida. Não devemos simplesmente visitar a casa do Senhor;  devemos habitar lá “para sempre,” isso é, eternamente. No   versículo   6   há   uma   construção   paralela.   Por   um  lado, bondade e misericórdia nos seguirão todos os dias da  nossa   vida.   Por   outro   lado,   devemos   habitar   na   casa   do  Senhor para sempre. Isso é, então, um paralelo entre “os dias  de nossa vida” e “eternamente.” Isso indica que bondade e  misericórdia   estarão   conosco   à   medida   que   habitarmos   na  casa   do   Senhor.   Se   desejarmos   compartilhar   a   bondade   e  misericórdia do Senhor, precisamos estar na casa do Senhor.  Hoje a casa do Senhor é a igreja. Fora da igreja não podemos  ter o  desfrute pleno da  bondade e misericórdia  do Senhor.  Mas na igreja nós desfrutamos a bondade e misericórdia do  Senhor para sempre. UM DESEJO
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Salmos   27:4   diz,   “Uma   coisa   peço   ao   Senhor,   e   a  buscarei: que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias  da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor, e  meditar no seu templo.” Vemos aqui que o único desejo do  salmista é habitar na casa do Senhor todos os dias da sua  vida. A casa do Senhor para nós hoje é a igreja. Se formos  iguais   ao   salmista,   desejaremos   habitar   na   igreja   todos   os  dias da nossa vida. Aqui na igreja contemplamos a formosura  do   Senhor.   Isso   se   refere   à   presença   do   Senhor.   Além   do  mais,   meditamos   no   Seu   templo.   Não   oramos   segundo   o  nosso   desejo,   mas   meditamos   a   respeito   da   Sua   vontade,  procurando a Sua vontade. Se quisermos contemplar a beleza  do Senhor e meditar no Seu templo, precisaremos habitar na  casa do Senhor, a igreja. DESFRUTANDO DAS RIQUEZAS DE CRISTO Salmo 36:8 diz, “Eles se fartarão da abundancia da tua  casa,   e   os   farás   beber   da   corrente   das   tuas   delícias.”   Em  tipologia   a   abundancia   da   casa   do  Senhor   se  refere   à   rica  produção da boa terra. Todas as riquezas que são oferecidas  a Deus na casa se tornam a abundancia da casa do Senhor. O  cumprimento desse tipo está em Cristo; Ele é a realidade da  abundancia   da   casa   do   Senhor.   Na   era   do   Antigo   Testa­ mento, o povo de Deus somente podia desfrutar a abundancia  no lugar que Deus escolhera para Seu nome e habitação. Por  esta   razão,   o  salmista   declara   que   o  povo   de  Deus  estaria  satisfeito com a abundância da Sua casa. Esse versículo também diz, “Tu  os farás beber do rio  duas   tuas   delícias.”   À   medida   que   desfrutamos   da  abundancia da casa de Deus, bebemos do rio das delícias do  Senhor.   Essas   delícias   são   o   rio   de   gozo   para   aqueles   que  vêm   ao   lugar   da   escolha   de   Deus.   Tais   delícias   vêm   do 
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desfrute da abundancia da casa de Deus. Então, na casa do  Senhor somos cheios de gozo enquanto bebemos do rio das  delícias de Deus.  O   versículo   9   prossegue   e   diz,   “Pois   em   ti   está   o  manancial da vida; na tua luz vemos a luz.” Nesse versículo  temos   a   abundancia,   as   delícias,   a   vida   e   a   luz.   Nós  desfrutamos não somente o rio, mas também a fonte. Esse  rico   desfrute   é   nosso   na   casa   de   Deus,   a   igreja.   Na   igreja  estamos   satisfeitos   com   as   riquezas   de   Cristo   e   estamos  cheios de prazer e gozo. Há também o rio das delícias da qual  podemos beber. Além disso, temos a fonte da vida. Essa vida  se torna a luz na qual vemos a luz. Nossas   experiências   de   todos   esses   aspectos   das  riquezas   de   Cristo   se   tornam   a   genuína   adoração   que  rendemos a Deus. Essa adoração é o elemento básico da vida  da igreja. A vida da igreja consiste da adoração que vem do  desfrute   de   Cristo.   Esse   desfrute   nos   enche   com   gozo   e  prazer, prazer que também se torna o rio do qual bebemos.  Finalmente, vamos à fonte da vida, e na luz do Senhor vemos  a   luz.   Aqui   não   há   trevas,   morte,   fraqueza   ou   vazio.   Pelo  contrário,   estamos   satisfeitos   e   gozando   à   medida   que  bebemos das delícias do Senhor e desfrutamos luz e vida. A  adoração produzida por esse desfrute é a adoração que Deus  deseja hoje. Esse desfrute e essa adoração constituem a vida  da igreja normal e adequada. Embora, a religião Cristã não  saiba   nada   sobre   tal   adoração,   o   Senhor   está   restaurando  isso na vida da igreja hoje. INDO COM UMA MULTIDÃO  PARA A CASA DE DEUS

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No   Salmo   42:4   o   salmista   declara,   “Dentro   de   mim  derramo a minha alma ao lembrar­me de como eu ia com a  multidão,   guiando­a   em   procissão   à   casa   de   Deus,   com  brados de júbilo e louvor, uma multidão que festejava.” Aqui  o salmista recorda o desfrute de ir com uma multidão a casa  Deus. Ele lembrou como eles iam a casa de Deus com uma  voz de gozo e louvor. Com uma multidão, ele guardou os dias  santos, os dias da festa. Quando o salmista proclamou essas  palavras,   ele   estava   no   cativeiro,   tendo   perdido   o   desfrute  relacionado   com   a   casa   do   Senhor.   Mas   à   medida   que   ele  lembrou desse desfrute, ele derramava a sua alma. Esse versículo é uma janela pela qual podemos ver o  quanto os santos desfrutavam dos produtos da boa terra na  casa de Deus. Eles iam para a casa do Senhor com gozo e  louvor, entrando na presença de Deus cheios de gozo. Lá na  presença   do   Senhor   eles   desfrutavam   a   melhor   porção  dos  produtos   da   boa   terra.   Em   princípio,   essa   é   a   nossa  experiência   na   vida   da   igreja   hoje.   Nós   vamos   juntos   com  uma multidão para desfrutar Cristo por meio de guardar a  festa.   Todas   as   vezes   que   vamos   às   reuniões   da   igreja  guardamos o dia santo por meio de festejar as riquezas de  Cristo.   Aqui   na   casa   do   Senhor   nós   desfrutamos  verdadeiramente Cristo com Deus. LUZ E VERDADE O Salmo 43:3 diz, “Envia a tua luz e a tua verdade,  para que me guiem; levem­me elas ao teu santo monte, e à  tua habitação.” Luz e verdade não são duas coisas separadas;  elas   são   dois   aspectos   de   uma   coisa.   Como   já   citamos,   no  Evangelho de João temos graça e verdade, mas nas Epístolas  de João temos amor e luz. Verdade é o resplandecer da luz.  Quando a luz resplandece sobre nós, recebemos a verdade, a 
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realidade.   No   entanto,   à   medida   que   vamos   a   Deus   em  comunhão, estamos na luz. Dessa forma, no nosso fim temos  verdade, mas no fim de Deus há a luz. Segundo o Salmo 43:3,  precisamos de ambas a luz e a verdade. Esse versículo indica que luz e verdade nos guiam e  nos levam ao santo monte e aos Seus tabernáculos, isso é,  para a casa de Deus. Dia após dia, somos guiados pela luz e  pela verdade que vem da casa de Deus. Em 1 Timóteo 3:15 e  16   vemos   que   a   igreja,   a   casa   do   Deus   vivo,   é   a   coluna   e  baluarte da verdade. Isso indica que verdade é encontrada  na igreja, a casa de Deus. Quando temos verdade, também  temos luz. Então, tanto luz e verdade estão na igreja. Como   esse   versículo   deixa   claro,   luz   e   verdade   têm  uma função definida e específica: levar­nos ao santo monte e  aos tabernáculos de Deus, isso é, nos guiar ao lugar que Deus  escolheu   e   a   Sua   habitação.   Hoje   muitos   Cristãos   estão  procurando luz e verdade, mas não muitos procuram com o  propósito de serem guiados para o lugar que Deus escolheu.  No   entanto,   se   nosso   propósito   é   sermos   levados   para   o  monte   santo   e   para   a   habitação   de   Deus,   luz   e   vida  certamente virão a nós. Muitos de nós podemos testificar que  antes   de   virmos   para   a   vida   da   igreja,   recebemos   luz   e  verdade   simplesmente   porque   começamos   a   considerar   a  igreja.   Por   pensarmos   em   vir   para   a   igreja,   luz   e  verdade  vieram a nós. Mas quando estamos hesitantes a respeito da  igreja, luz e verdade parecem desaparecer por um período.  No   entanto,   quando   percebemos   que   devemos   tomar   o  caminho da igreja, a luz resplandece novamente, e a verdade  aparece   de   uma   maneira   mais   completa   que   antes.   Então  quando chegamos à vida da igreja, estamos na luz do dia e  recebemos grande quantidade de verdade. Isso testifica que  luz e verdade têm nos guiado para o monte santo de Deus e  nos levado para a habitação de Deus, a igreja.
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APRESENTANDO NOSSAS OFERTAS AO SENHOR Vamos prosseguir com o Salmo 66. O versículo 13 diz,  “Entrarei   na   tua   casa   com   holocaustos;   pagar­te­ei   com   os  meus   votos.”   No   versículo   15   o   salmista   prossegue   e   diz,  “Oferecer­te­ei holocaustos de animais cevados, com incenso  de carneiros; prepararei novilhos com cabritos.” O salmista  percebeu   que   somente  na   casa   de  Deus,  o   templo,  poderia  oferecer holocaustos e sacrifícios. Ele sabia que Somente indo  ao   lugar   da   escolha   de   Deus   poderia   oferecer   sacrifícios   a  Deus. Segundo esse tipo, nós também devemos ir ao lugar da  escolha de Deus, a igreja, se quisermos apresentar as nossas  ofertas   ao   Senhor.   Era   ordenado   aos   filhos   de   Israel   que  fossem   ao   templo   para   que   apresentassem   suas   ofertas   a  Deus. Deus não aceitou nenhuma oferta em nenhum outro  lugar. Se um Israelita de Dã tivesse expressado o desejo de  oferecer   algo   a   Deus   em   Dã,   o   Senhor   teria   dito,   “Eu  não  aceito   uma   oferta   oferecida   a   Mim   ali.   Eu   somente   aceito  ofertas   no   Monte   Sião.”   Deus   não   era   limitado,   mas   Ele  escolheu fazer do templo o ponto central da Sua atenção. Ele  escolheu   o   Monte   Sião   como   o   único   lugar   de   adoração.  Somente   naquele   lugar   Seu   povo   poderia   oferecer   suas  ofertas a Ele. Esse   princípio   é   aplicado   na   vida   da   igreja   hoje.  Muitos   de   nós   podemos   testificar   que   quando   tentamos  oferecer algo a Deus fora da igreja, essa oferta não é muito  prazerosa.   Não   ouso   dizer   que   os   Cristãos   não   podem  oferecem nada a Deus fora da igreja. Mas posso testificar que  fazer isso separado da vida da igreja não é no geral muito  prazeroso.   Segundo   o   tipo,   nossas   ofertas   devem   ser  oferecidas no único lugar que Deus escolheu.
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SUBJUGADOS POR VIR AO LUGAR  QUE DEUS ESCOLHEU Podemos pensar que esse requisito é ridículo. O pensa­ mento de Deus, no entanto, é mais elevado que o nosso. Por  ser limitado ao lugar que Deus escolheu, somos guardados de  abusar da graça de Deus e somos subjugados a respeito de  nossos desejos, temperamentos e disposição. Todos nós temos  nossa   disposição   particular   e   natural,   temperamentos   e  características. Mas não importa como nossas peculiaridades  sejam, todos precisamos ser subjugados. Se permanecermos  em   nossa   vida   natural  e   em   nossa   disposição  natural   com  suas   características   particulares,   será   impossível   termos   o  tipo de adoração que Deus procura. Todos nós precisamos ser  subjugados por vir ao único lugar, para a única base. Isso  significa   que   todos   nós   precisamos   ser   subjugados   pela  igreja. Se não desejarmos ser subjugados, lutaremos com os  presbíteros,   com   outros   irmãos   e   irmãs   e   até   mesmo   com  nosso   marido   ou   esposa.   Até   com   respeito   a   coisas  espirituais, as coisas de Deus, teremos divergências com os  outros.   Podemos   preferir   que   as   questões   sejam   de   uma  forma, mas alguém prefere que seja de outra forma. Como  todos   precisam   ser   subjugados   por   tomar   o   caminho   da  igreja! No Estudo­Vida de Colossenses nós salientamos que a  paz   de   Cristo   deve   ser   o   árbitro   em   nossos   corações.   No  entanto, fora da vida da igreja, é difícil experienciar a paz de  Cristo servindo como árbitro. Sim, a paz de Cristo arbitra em  nossos   corações,   mas   isso   ocorre   no   contexto   da   vida   da  igreja. Em um sentido muito real, a igreja é que é o árbitro.  O   caminho   da   igreja   é   o   caminho   de   ser   subjugado.   Por  sermos   subjugados   pela   base   da   igreja,   somos   preservados  em unidade. O único lugar que Deus escolheu nos guarda de 
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abusarmos da graça de Deus e também nos subjuga. Assim,  esse   único   caminho   nos   dá   o   genuíno   desfrute   de   Cristo.  Quando   temos   o   genuíno   desfrute   de   Cristo,   somos   um.  Somos um no desfrute de Cristo, isso é, em comer dos ricos  produtos   da   boa   terra.   Mas   como   salientamos,   podemos  apresentar nossas ofertas dessa produção somente no lugar  que   Deus   escolheu.   Da   mesma   forma   que   o   salmista,  devemos trazer nossas ofertas à casa de Deus. INCENSO PARA DEUS O   Salmo   66:15   diz,   “Oferecer­te­ei   holocaustos   de  animais   cevados,   com   incenso   de   carneiros;   prepararei  novilhos com cabritos.” Eu aprecio a frase “com incenso de  carneiros.” A versão chinesa fala de uma agradável oferta de  carneiros. Quando nossas ofertas se tornam um incenso para  Deus,   isso   significa   que   há   uma   fragrância   em   nossas  ofertas. Quando trazemos nossos holocaustos para a igreja e  oferecemos   ao   Senhor   na   igreja,   há   o   incenso   que   é  compatível  com  nossas  ofertas. Esse incenso é aromático e  prazeroso para o Senhor. É   impossível   apresentar   ofertas   ao   Senhor   fora   da  igreja, mas com essas ofertas não há fragrância. No entanto,  quando oferecemos algo ao Senhor na igreja, sentimos que  apresentamos nossas ofertas “com incenso de carneiros.” Oh,  [quão bom] é a fragrância das ofertas apresentadas a Deus  na igreja! Além disso, essa fragrância é especialmente para  Deus, porém podemos senti­la. Não podemos experienciar tal  incenso fora da vida da igreja. Somente na vida da igreja as  ofertas   podem   ser   apresentadas   a   Deus   de   maneira  adequada, de uma maneira que é fragrante e O satisfaça. 
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O ENCANTO DA HABITAÇÃO DE DEUS O Salmo 84 é excessivamente rico. Os versículos 1 e 2  dizem, “Quão amável são os teus tabernáculos, ó Senhor dos  exércitos! A minha alma suspira! Sim, desfalece pelos átrios  do Senhor; o meu coração e a minha carne clamam pelo Deus  vivo.” (Heb.). O versículo 1 não fala somente de um lugar de  habitação, mas de muitos lugares de habitação. Sem dúvida  esses   lugares   de   habitação   significam   as   igrejas   locais.   As  igrejas locais podem ser tão afetuosas conosco que até mesmo  ficamos saudosos por elas. Segundo o versículo 2, o salmista  anseia até mesmo pelos átrios do Senhor. Nessa apreciação,  não somente a habitação de Deus é amável; os átrios também  são amáveis. A razão de a habitação de Deus ser amável é  que   o   Deus   vivo   está   lá.   A   presença   de   Deus   nas   igrejas  locais tornam as igrejas amáveis e afetuosas. O   versículo   3   diz,   “O  pardal   encontrou   casa,   e   a  andorinha ninho para si, onde acolhe os seus filhotes, junto  aos   teus   altares,   ó   Senhor   dos   exércitos,   Rei   meu   e   Deus  meu.”   Sem   dúvida,   somos   pardais   e   andorinhas,   pequenas  criaturas   que   são   pequenas   e   frágeis.   Até   os   pardais  encontraram   uma   casa   e   as   andorinhas   encontraram   um  ninho  onde   eles   possam   criar  seus   filhotes.   Quão   doce  é   o  sentimento   do  salmista  a   respeito  da   casa   de  Deus!   É   um  lugar para pequenos pardais permanecerem, um lugar para  as   andorinhas   construírem   um   ninho   para   elas,   onde   elas  possam   criar   seus   filhotes.   Na   casa   de   Deus,   nós,   as  andorinhas e os pardais, encontramos uma casa no altar do  Senhor. No altar do Senhor encontramos um ninho, um lugar  nutridor, um lugar que amamos, um lugar de descanso. Em   tempos   antigos,   tanto   no   tabernáculo   quanto  no  templo, haviam dois altares: um no átrio exterior e outro no  santo lugar. O altar no átrio exterior, o altar de bronze, era o 
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lugar   para   as   ofertas   que   tratavam   das   coisas   negativas,  limpando o povo de Deus e livrando­os de todos os problemas.  O altar no santo lugar, o altar de ouro, era o altar do incenso,  o qual significa o Cristo ressurreto como nossa aceitação a  Deus. Então, esses altares significam Cristo em crucificação  e ressurreição. É aqui que encontramos nossa casa e nosso  descanso na casa de Deus. Todos   os   pequenos,   os   pardais   e   andorinhas,   nas  igrejas locais devem perceber e compreender o significado da  crucificação de Cristo, com tudo que ele consumou e realizou  por   nós.   Eles   precisam   compreender   como  Cristo  é   Aquele  crucificado no altar de oferta e Aquele ressurreto no altar de  incenso.   Através   de   tal   compreensão,   eles   desfrutarão   a  bondade   do   Cristo   crucificado   e   ressurreto.   Nesses   altares  encontramos o verdadeiro lugar de descanso, um ninho que é  substancial que amamos e onde podemos estar descansados.  Quão maravilhoso é esse desfrute na habitação de Deus, as  igrejas locais! No   versículo   4   o   salmista   prossegue   e   diz,   “Bem­ aventurados   os   que   habitam   em   tua   casa;   louvar­te­ão  continuamente.” (Heb.). Não devemos simplesmente visitar a  casa de Deus; devemos habitar lá perpetuamente. Segundo  esse versículo, aqueles que habitam na casa do Senhor são  abençoados. Eles até louvam o Senhor perpetuamente. Toda  vez   que   nos   reunimos,   devemos   gastar   muito   tempo   em  louvores.   Louvar   deve   ocupar   mais   tempo  nas   reuniões   do  que o ensino. Que todos aprendamos a louvar o Senhor. No versículo 5 o salmista continua, “Bem­aventurado o  homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram  os   caminhos   aplanados.”   Na   igreja   temos   nossa   força   em  Deus e nosso coração é cheio com os caminhos de Deus. Se  quisermos experienciar isso, devemos estar na casa de Deus.
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O versículo 6 diz, “Passando pelo vale de Baca, faz dele  um lugar de fontes; e a primeira chuva o cobre de bênçãos.”  Baca significa o que chora. Na vida da igreja devemos passar  através do vale de lágrimas, mas podemos tornar saudável  esse vale, até mesmo em um lugar de fontes naturais. Além  disso, ao invés de lágrimas, a chuva vem para encher o lago.  Tal experiência é encontrada somente na casa de Deus. Além disso, na vida da igreja vamos de força em força  e   cada   um   deles   aparece   diante   de   Deus   (v.   7).   Na   igreja  percebemos   que  “um   dia   nos   teus  átrios   vale   mais   do  que  mil.” Aqueles que desfrutam a vida da igreja podem dizer,  “Preferiria estar à porta da casa do meu Deus, a habitar nas  tendas da perversidade” (v. 10). O versículo 11 indica que a vida da igreja é o lugar da  benção   completa:   “Pois   o   Senhor   Deus   é   sol   e   escudo;   o  Senhor dará graça e glória; não negará bem algum aos que  andam retamente.” Aqui na casa de Deus nós desfrutamos  Deus como o sol e um escudo. O sol é para suprimento e o  escudo é para proteção. Aqui na vida da igreja o Senhor é o  nosso   suprimento   e   segurança.   Além   disso,   aqui   nós  desfrutamos   a  Sua   graça   a   Sua   glória.   Graça   é   o desfrute  interior, enquanto que glória é a expressão exterior. Na vida  da  igreja temos  o desfrute  interior  da  graça  e a  expressão  exterior da glória. Oh quão abençoada é a vida da igreja! O Salmo 84 conclui  com  as palavras, “Ó Senhor dos  exércitos,   bem­aventurado   o   homem   que   em   ti   põe   a   sua  confiança” (v. 12). Podemos confiar em Deus fora da igreja  local, mas é particularmente difícil. Nós podemos testificar,  entretanto, que é muito fácil confiar em Deus na igreja. A  casa de Deus é o local apropriado para exercitarmos nossa  confiança em Deus.

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EXALTADO, MESCLADO, PLANTADO  E FLORESCENDO No   Salmo   92   nós   vemos   ainda   mais   aspectos   do  desfrute   na   casa   de   Deus.   O   versículo   10   diz,   “Mas   tens  exaltado  o  meu  poder,  como  o do boi  selvagem; fui  ungido  com óleo fresco” (Heb.). Na vida da igreja podemos ser tão  fortes   quanto   um   boi   selvagem.   Além   do   mais,   temos   dois  chifres que são exaltados. Isso só é possível na casa de Deus.  Além disso, na casa de Deus somos ungidos, até mesclados  (Heb.),   com   óleo   fresco.   Exteriormente   temos   dois   chifres  exaltados e internamente estamos mesclados com óleo fresco.  Todos   na   vida   da   igreja   podem   ter   chifres   como   um   boi  selvagem e estar mesclados com óleo fresco. Muitos   que   têm   vindo   para   a   vida   da   igreja   têm  experienciado seus chifres serem exaltados. Antes de virmos  habitar na igreja, éramos baixos e derrotados. Mas quando  viemos para o local de habitação de Deus, sentimos que nosso  chifre foi exaltado sobre nosso inimigo. Além disso, sentimos  que nós fomos mesclados com óleo fresco. Na casa de Deus  temos   a   sensação   de   estarmos   mesclados   com   óleo   fresco  todos os dias. Dia após dia sentimos algo muito fresco – isso é  o óleo que está sendo mesclado conosco. A razão de estarmos  frescos é que estamos mesclados com óleo fresco. O   versículo   13   diz,   “Plantados   na   casa   do   Senhor,  florescerão   nos   átrios   do   nosso   Deus.”   Nós   não   podemos  simplesmente   habitar   na   casa   do   Senhor;   temos   que  estar  plantados  lá.  Você tem  estado plantado na  vida  da igreja?  Aqueles que deixam a igreja não foram plantados na igreja.  Uma vez que você foi plantado na casa do Senhor, você não  pode deixá­la. Se   formos   plantados   na   casa   do   Senhor,   nós  frutificaremos   nos   átrios   de   Deus.   Essa   é   uma   expressão 
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muito   significativa.   Nós   estamos   em   ambos   na   casa   e   nos  átrios.   Nossa   raiz   é   fixada   na   casa,   mas   nossos   ramos  atingem os átrios. O frutificar não vem principalmente pela  raiz; ele vem pelos ramos. O   versículo   14   continua,   “Na   velhice   ainda   darão  frutos, serão viçosos e florescentes” (Heb.). Embora seja uma  pessoa  mais  velha, eu sou mais  frutífero hoje do que anos  atrás. Como este versículo diz, ainda dou fruto na velhice e  estou cheio de seiva e verdor. Podemos florescer de tal modo  que,   até   mesmo   quando   somos   velhos   podemos   dar   frutos.  Isso é possível somente na igreja como a casa de Deus. Se  formos   plantados   na   divina   habitação,   floresceremos   nos  átrios   do   nosso   Deus,   dando   frutos   mesmo   em   idade  avançada   e   cheios   de   seiva   e   verdor.   Quanto   mais  habitarmos   aqui,   mais   novos   nos   tornamos.   Esse   é   o  resultado de habitar na casa do Senhor. Esses   versículos   de   Salmo   92   indicam   que   o   único  lugar   que   Deus   escolheu   não   é   somente   o   lugar   adequado  para oferecer sacrifícios e adorar a Deus. É também o lugar  adequado   para   o   crescimento   em   vida.   A   vida   Cristã  adequada   é   uma   vida   que   está   plantada   na   igreja   e   que  floresce nos átrios da vida da igreja. Aqui na vida da igreja  temos   o   genuíno   crescimento   em   vida.   À   medida   que  crescemos, somos cheios com seiva e verdor. Como resultado,  espontaneamente somos santos, espirituais e vitoriosos. Quem   é   mais   santo,   espiritual   e   vitorioso   do   que  aquele que está plantado na casa de Deus? Ninguém  pode  superar eles a esse respeito. Aqueles que habitam na casa do  Senhor   não   têm   a   necessidade   de   procurar   por   santidade,  espiritualidade   ou   a   vitória.   Esses   atributos   espontânea­ mente se tornam deles porque eles estão plantados na vida  da   igreja   e   estão   florescendo.   Porque   eles   estão   cheios   de  seiva e verdor, eles são automaticamente santos, espirituais 
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e  vitoriosos. Isso indica  que o  caminho  adequado para  nós  termos   uma   vida   Cristã   é   estar  na   vida   da   igreja   normal.  Fora da vida da igreja adequada, não podemos ser santos,  espirituais ou vitoriosos. Esses atributos são encontrados na  vida da igreja. Quando somos plantados na vida da igreja,  floresceremos com santidade, espiritualidade e vitória. Como  resultado, adoraremos a Deus não meramente de uma forma  objetiva,   mas   com   uma   adoração   subjetiva,   dispensacional  que vem do desfrute de Cristo na presença de Deus. HABITANDO JUNTOS EM UNIDADE O   último   Salmo   que  consideraremos   aqui   é   o   Salmo  133. O versículo 1 diz, “Oh! quão bom e quão suave é que os  irmãos   vivam   em   união!”   (Heb.).   Esse   versículo   fala   da  bondade e prazer de habitarem juntos em unidade. Segundo  o versículo 2, tal habitar juntos em unidade “É como o óleo  precioso sobre a cabeça, que desceu sobre a barba, a barba de  Arão, que desceu sobre a gola das suas vestes” (Heb.). Note  que   esse   versículo   fala   do   óleo   precioso   e   não   somente   do  óleo. O óleo precioso desce mais devagar do que o óleo. Na  vida da igreja o óleo não corre; pelo contrário, ele se espalha  lentamente,   gradualmente   e   gentilmente.   O   precioso   óleo  espalha da cabeça de Arão até mesmo para as golas de suas  vestes. Isso indica que ele desce da cabeça para todo o Corpo. No versículo 3 o habitar em unidade está relacionado  com o orvalho do Hermom e com o orvalho “que desce sobre  os montes de Sião.” Hermom, uma alta montanha, significa  os céus, da qual o orvalho desce. As montanhas são as igrejas  locais e o orvalho é a graça de Cristo. Esse orvalho que desce  sobre as igrejas locais é muito refrescante. Podemos testificar  que   o   elemento   refrescante   de   Cristo   desce   sobre   nós   nas 
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igrejas locais. Louvado seja o Senhor pelo orvalho celestial  que desce sobre as igrejas locais para o nosso desfrute! O   óleo   e   o   orvalho   trazem   vida.   O   versículo   3   diz,  “Porque ali o Senhor ordena a bênção, e a vida para sempre”  (v. 3, Heb.). Note que esse versículo não diz, “O Senhor deu a  benção”; ele diz “O Senhor ordena a sua benção.” Na vida da  igreja   como   a   casa   de   Deus,   nós   desfrutamos   a   benção  ordenada de vida. Até mesmo no tempo do Antigo Testamento, quando o  povo de Deus ia para um templo material, eles desfrutavam  uma vida maravilhosa na casa de Deus. Eles se reuniam em  volta do templo e ofereciam a melhor porção da rica produção  da   boa   terra.   Então   eles   desfrutavam   dessas   ofertas   com  Deus e na presença de Deus. Essa era a vida deles, o viver  deles e a adoração deles. Eles adoravam o Senhor através de  desfrutar   das   riquezas   da   boa   terra.   Por   esse   ser   o   viver  deles, eles foram plantados e floresceram na casa do Senhor.  Esse é um retrato, uma tipologia, do que pode acontecer na  base da unidade. OS REQUISITOS DE DEUS A base da unidade não é simplesmente uma questão  de   uma   cidade,   uma   igreja.   A   base   da   unidade   é   mais  profunda, rica, elevada e mais plena do que isso. Devemos  aprender   que   nesse   universo   Deus   escolheu   somente   um  lugar e esse lugar é a igreja. Deus requer que venhamos a  esse   lugar   que   Ele   escolheu.   Espiritualmente   falando,  devemos destruir todos os lugares que não sejam a igreja e  todos os nomes que não sejam o de Cristo. Isso significa que  devemos destruir nossa cultura e nosso background religioso.  Você   nasceu   em   uma   determinada   região   desse   país.   Você 
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precisa destruir a influência desse lugar. Talvez você tenha  um background religioso em uma determinada denominação.  Agora   você   precisa   destruir   esse   lugar   denominacional  dentro   de   você.   Os   lugares   que   devemos   destruir   incluem  nossa disposição, temperamento e hábitos. Devemos destruir  tudo o que danifica a unidade do novo homem. Segundo   Colossenses   3:11,   no   novo   homem   “não   há  grego   nem   judeu,   circuncisão   nem   incircuncisão,   bárbaro,  cita, escravo ou livre, mas Cristo é tudo em todos.” A igreja  com Cristo é o único lugar que Deus escolheu. Com o intuito  de cumprir a palavra em Colossenses 3:11, todos os outros  lugares devem ser totalmente destruídos. Devemos destruir  tudo   que   não   seja   a   igreja   com   Cristo.   Então   devemos  simplesmente   estar   na   vida   da   igreja   desfrutando   Cristo  como a riqueza da boa terra. À medida que O desfrutamos  com   Deus,   devemos   ser   plantados   na   casa   do   Senhor,  devemos   crescer   e   devemos   florescer.   Esse   é   o   caminho  adequado para se ter vida Cristã e a vida da igreja. Essa é a  base da unidade. Nessa base não é possível ter divisão, pois a base da  divisão   foi   destruída.   Nosso   temperamento,   disposição,  características   naturais   e   preferências,   foram   todos  eliminados.   Nossa   religião,   cultura   e   formas   particulares  também foram destruídas. Tendo destruído todos os lugares  pagãos,   nós   simplesmente   vamos   ao   lugar   que   Deus  escolheu. A   vida   da   igreja   tem   sido   enfraquecida   por   falta   de  concordância  em  destruir os  lugares pagãos. Deuteronômio  12 tem um grande significado espiritual para nós hoje. Em  nossa   vida   e   cultura   humana   há   vários   lugares   que  permanecem para serem destruídos. Devemos destruir todos  eles e então ir ao único lugar que Deus escolheu, a igreja. Na  igreja não pode haver nada além de Cristo. Cristo deve ser 
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tudo em todos. É fácil dizer isso, mas não é fácil praticar isso  de uma maneira definitiva. No entanto, não temos desculpa  de não praticar esse princípio. Em todo lugar que deve ser destruído há uma coluna  dedicada,   um   símbolo   ou   imagem.   Isso   significa   que   até  mesmo   em   nosso   caráter   e   disposição   pode   haver   tais  colunas, símbolos ou imagens. Então, devemos destruir todos  os   lugares   com   suas   colunas,   símbolos   e   imagens.   Não  preserve nenhum  lugar. Ao invés disso, destrua­os e vá ao  lugar que Deus escolheu. Como salientamos diversas vezes,  esse lugar é a igreja. Tendo vindo para a igreja, devemos ter  somente a Pessoa de Cristo e o caminho único da cruz. Então  desfrutaremos Cristo na igreja como a melhor porção da rica  produção da terra. À medida que O desfrutamos diante de  Deus, esse desfrute se torna a nossa adoração, nossa vida da  igreja   e   até   mesmo   a   nossa   vida   Cristã   diária.   Então  cresceremos e amadureceremos na base da unidade.

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CAPÍTULO SEIS
A BENÇÃO DE VIDA SOB O ÓLEO DA  UNÇÃO E DO ORVALHO NA  BASE DA UNIDADE (1)
Leitura Bíblica: Sl 133:1­3; Jo 17:21­23; Ef 3:16 – 4:6; 1 Jo  2:27; 1Pe 3:7 A   verdade   sobre   a   unidade  é  extensa   e   profunda.   O  pleno significado da unidade genuína revelada na Bíblia está  muito além da nossa apreensão. Por ser difícil a nós entender  a  unidade   revelada  nas  Escrituras,  o Senhor  Jesus   orou  a  respeito   dela   em   João   17   em   vez   de   falar   sobre   ela   como  continuação de Seu discurso a Seus discípulos. Eu creio que o  Senhor Jesus percebeu que seus discípulos não eram capazes  de   entender   a   questão   da   unidade.   Portanto,   Ele   fez   uma  oração com respeito a ela. João   17   é   uma   composição   profunda,   inescrutável   e  misteriosa. Esse capítulo é em si mesmo a prova evidente de  que   a   Bíblia   é   inspirada   por   Deus.   Nenhum   ser   humano  poderia compor tal escrito como o capítulo dezessete de João.  Durante   os   últimos   quinze   anos,   tenho   voltado   a   esse 
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capítulo   muitas   e   muitas   vezes.   Porém,   devo   admitir   que  tenho tocado apenas uma fração da verdade encontrada ali. UM COMO O PAI E O FILHO SÃO UM Os   versículos   21   a   23   são   representantes   das  profundezas desse capítulo. No versículo 21 o Senhor orou:  “A fim de que todos sejam um; e como és Tu, ó Pai, em mim e  eu em Ti, também sejam eles em nós.” O que é a unidade  mencionada nesse versículo? O que significa para nós sermos  um   assim   como   o   Pai   é   no   Filho   e   o   Filho   é   no   Pai?  Realmente essa unidade está além do nosso entendimento.  No  versículo  22 o Senhor continua  a falar: “Eu lhes  tenho  transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um,  como  nós  o somos.” Que é a glória que o Pai  tem  dado ao  Filho e que o Filho tem dado a nós? Além disso, que significa  para   nós   sermos   um   assim   como   o   Pai   e   o   Filho   são   um?  Alguns podem pensar que essa unidade é simplesmente uma  questão   das   três   Pessoas   da   Trindade   divina   não   terem  disputa, discussão ou dissensão. De acordo com esse conceito  de  unidade, ser um  significa  estar  em  harmonia  e  não  ter  desentendimentos.   Aqueles   que   entendem   o   versículo   22  dessa   maneira   dizem   que   se   um   bom   número   de   Cristãos  podem   se   reunir   sem   discussão   ou   dissensão,   eles   são   um  assim como o Pai e o Filho são um.   Essa   compreensão   da   unidade   é   muito   superficial.  Certamente   a   unidade   aqui   não   é   meramente   aquela   de  grupos particulares reunidos em harmonia e conformidade.  Aqui o Senhor diz que Ele tem nos dado a própria glória que  o Pai tem dado a Ele para que possamos ser um no Pai e no  Filho. Isso mostra a unidade que existe na natureza divina e  no ser divino. Os Três do Deus Triúno são um na natureza e  no ser deles.
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A unidade dos Cristãos em Cristo deve ser essencial­ mente a mesma. O uso da palavra glória aqui confirma isso.  Por termos recebido do Filho a própria glória que Ele recebeu  do Pai, podemos ser um assim como o Pai e o Filho são um.  Isso   mostra   que   unidade   não   é   a   mera   soma   de   grupos  individuais,   mas   uma   unidade   que   está   relacionada   com  natureza e essência. Do contrário, a palavra glória não seria  usada  nesse   versículo.  Glória   é  o  próprio  fator  de  unidade  aqui.   A   glória   foi   dada   a   nós   para   que   possamos   ser   um  assim como o Pai e o Filho são um. Por isso, a glória do Ser  divino   é   o   fator   de   unidade   entre   aqueles   que   crêem   em  Cristo.  O versículo 23 diz: “Eu neles e Tu em mim, a fim de  que sejam aperfeiçoados na unidade.” Mais uma vez vemos  que essa não é uma mera unidade de adição. Os Cristãos não  são simplesmente somados juntos para ser um. O versículo  23   é   ainda   mais   forte   do   que   os   versículos   21   e   22   com  respeito   a   unidade,   pois   fala   do   nosso   ser   aperfeiçoado   na  unidade. Isso indica que podemos ser um, mas nossa unidade  pode   estar   apenas   no   estágio   inicial.   Ela   pode   não   ter  crescido ainda ou ter alcançado a perfeição.  Embora   possamos   mostrar   certas   coisas   sobre   esses  versículos,   não  podemos   entendê­los   adequadamente.  Além  disso,   é   difícil   para   nós,   mesmo   após   tê­los   lido   muitas   e  muitas vezes, expor o ponto principal em cada versículo. Isso  prova   que   a   unidade   sobre   a   qual   o   Senhor   orou   nesse  capítulo está muito além da nossa compreensão.  O MESCLAR DO DEUS TRIÚNO  COM OS CRISTÃOS Na   Bíblia   existem   quatro   grandes   capítulos   sobre   a  questão da unidade. Deuteronômio 12, Salmo 133, João 17 e 
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Efésios 4 com a última parte de Efésios 3. Seria uma grande  perda e falta de entendimento separar Efésios 4:1­6 de 3:16­ 21. É muito útil, no entanto, quando todos esses versículos  são  lidos  juntos  como um   todo.  A  unidade mencionada   em  4:1­6 está intimamente relacionada com o que é abordado em  3:16­21. Portanto, a palavra em 4:1 indica isso. Ela mostra  que   esses   versículos   no   capítulo   quatro   são   o   resultado  daquilo que imediatamente os precedem no capítulo três. Em  3:16­21 Paulo orou para que o Pai nos fortalecesse mediante  o   seu   Espírito   em   nosso   homem   interior,   para   que   Cristo  fizesse Sua morada em nossos corações, para que fôssemos  arraigados   e   alicerçados   em   amor   e   fôssemos   fortes   para  compreender   com   todos   os   santos   qual   é   a   largura,   e   o  cumprimento,   e   a   altura,   e   a   profundidade,   e   para   que  conhecêssemos   o   amor   de   Cristo   que   excede   todo   enten­ dimento e para que fôssemos tomados de toda plenitude de  Deus. O resultado é que, segundo o poder que opera em nós,  haja glória para Deus na igreja e em Cristo Jesus. Na luz de  tudo isso, Paulo declara: “Rogo­vos, pois, eu, o prisioneiro no  Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes  chamados.”   Como   o   contexto   deixa   claro,   andar   de   modo  digno   do   Senhor   é   principalmente   preservar   a   unidade   do  Espírito. Nos versículos 4 a 6, Paulo continua a mostra que a  unidade do espírito é o próprio Deus Triúno. Paulo fala do  Corpo e do único Espírito, do único Senhor e do único Deus e  Pai. O fato do Corpo e do Deus Triúno serem mencionados  juntos indica que a unidade é na verdade o mesclar do Deus  Triúno com os Cristãos.  Em Efésios 3 Paulo se refere aos Três do Deus Triúno.  Ele   ora   ao   Pai   para   fortalecer   os   santos   mediante   Seu  Espírito no homem interior para que Cristo possa fazer Sua  morada   em   seus   corações.   Aqui,   temos   o   Pai,   o   Espírito   e  Cristo   (o   Filho).   Então,   no   capítulo   quatro   Paulo   fala   do 
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Espírito, do Senhor e do Pai. Ele se refere ao Deus Triúno  com relação à unidade do Espírito e do Corpo. Isso indica que  a unidade não é meramente uma questão de adição, mas do  mesclar   do   Deus   Triúno   com   os   Cristãos.   Unidade   é   o  mesclar do Deus processado com os Cristãos.  Muitas referências ao Deus Triúno, especialmente nas  Epístolas,   mostram   o   processo   pelo   qual   Deus   passou.   No  Novo Testamento o Deus Triúno – o Pai, o Filho, o Espírito –  é   revelado   claramente   em   relação   à   encarnação,   viver  humano,   crucificação   e   ressurreição   de   Cristo.   Em   Mateus  28:19 o Senhor Jesus incumbiu Seus discípulos a discipular  as   nações   e   batizá­las   “em   nome   do   Pai,   do   Filho   e   do  Espírito.”   Antes   da   ressurreição   de   Cristo,   as   pessoas   não  podiam ser batizadas no nome do Deus Triúno. Somente após  Deus   ter   sido   processado   pela   encarnação   de   Cristo,   viver  humano, crucificação e ressurreição os Cristãos puderam ser  batizados   no   nome   do   Pai,   do   Filho   e   do   Espírito.   Ser  batizado,   imerso,   nesse   nome   do   Deus   processado   é  participar   do   Deus   processado.   Além   disso,   nas   Epístolas  vemos   que   o   Deus   Triúno   processado   é   para   nossa  participação e desfrute. Portanto, consequentemente o Deus  Triúno torna­se mesclado a nós. Essa mescla é a unidade.   A   mera   unidade   de   adição   é   muito   superficial.   A  unidade   revelada   na   Bíblia   é   a   mescla   do   Deus   Triúno  processado   com   Seu   povo   escolhido.   Se   virmos   isso,   então  poderemos entender mais facilmente a oração do Senhor com  relação  à  unidade em  João 17. A unidade em  João 17  é a  mescla   da   divindade   com   a   humanidade.   Porém,   não  queremos   falar   simplesmente   da   divindade   em   si,   mas   da  divindade   após   ter   sido   processada   pela   encarnação,   viver  humano, crucificação e ressurreição. Tendo passado por tal  processo,   o   Deus   Triúno   torna­se   nossa   porção   e   desfrute.  Como o Espírito que dá vida, Ele Se mescla com aqueles que 
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Nele crêem. Com esse conceito de unidade em mente, vamos voltar  a João 17:21. Temos visto que aqui o Senhor orou para que  “todos sejam um; e como és Tu, ó Pai, em Mim e Eu em Ti,  também sejam eles em Nós.” Aqui o Senhor diz que Ele está  no Pai e que o Pai está Nele. Isso, sem dúvida, indica que o  Pai e o Filho estão mesclados. Essa mescla é a unidade entre  o Pai e o Filho. A unidade entre o Pai e o Filho é que o Pai  está no Filho e que o Filho está no Pai. O Senhor orou para  que   fôssemos   um   da   mesma   maneira,   até   mesmo   que  fôssemos um “em Nós”, isto é, no Deus Triúno. UNIDADE NA GLÓRIA DIVINA No versículo 22 o Senhor disse que a glória que o Pai  deu a Ele, Ele tem dado a Seus santos “para que sejam um,  como   Nós   o   somos”.   Glória   é   a   expressão   de   Deus.   Essa  expressão foi dada ao Filho. O Pai deu ao Filho a glória para  expressá­Lo na vida divina. Agora essa glória foi dada a nós  pelo Filho para que possamos ser um assim como o Pai e o  Filho   são   um.   Essa   unidade   é   a   unidade   na   glória   divina  para a expressão corporativa de Deus.  APERFEIÇOADOS NA UNIDADE No versículo 23 o Senhor continua: “Eu neles e Tu em  Mim,  a   fim   de  que  sejam   aperfeiçoados   na   unidade”.  Aqui  vemos a mescla do Deus processado com os que creram. As  palavras Eu, eles e Tu se referem a Cristo, aos Cristãos e ao  Pai  respectivamente. O  Filho está   nos   que creram   e o Pai  está no Filho. Essa é a mescla do Deus Triúno com os santos.  Como resultado de tal mesclar, podemos ser aperfeiçoados na  unidade.
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Talvez você esteja se perguntando o que significa ser  aperfeiçoado na unidade. No dia que cremos em Cristo, nós  entramos nessa unidade. Porém, nós ainda temos problemas  com   nosso   homem   natural,   nossa   constituição   natural   e  nossa disposição natural. Mas, quanto mais experimentamos  Cristo, o Espírito que da  vida, mais  todos esses elementos  naturais são reduzidos. Como eles são reduzidos por meio de  nossa  experiência   do Deus   Triúno,  somos  aperfeiçoados   na  unidade.  Todos nós precisamos ficar impressionados com o fato  de que a unidade revelada na Bíblia não é uma questão de  ajuntar os Cristãos para formar uma união harmoniosa. Tal  conceito   de   unidade   é   natural   e   superficial.   De   novo  queremos   dizer   que   unidade   é   a   mescla   do   Deus   Triúno  processado com os Cristãos. Tendo visto essa unidade como é  revelada em João 17 e Efésios 4, vamos agora considerar o  Salmo 133. 

DOIS ASPECTOS DA UNIDADE
Esse Salmo é tão profundo que é difícil falar sobre ele.  O   versículo   1   diz:   “Oh!   Quão   bom   e   agradável   é   para   os  irmãos viverem juntos na unidade!” Note que o salmista usa  dois   adjetivos   para   descrever   os   irmãos   vivendo   juntos   na  unidade. Ele diz que isso é bom e agradável. O motivo de dois  adjetivos   serem   usados   é   que   nos   versículos   seguintes,  vivendo juntos na unidade é comparado a duas coisas: ao óleo  precioso sobre a cabeça de Arão e o orvalho de Hermon nos  montes   de   Sião.   Esses   dois   adjetivos   apontam   para   dois  aspectos da unidade. A unidade é boa e agradável: boa como  o   óleo   precioso   e   agradável   como   o   orvalho   que   desce. Desses aspectos, o primeiro – Arão – é uma pessoa e o  segundo – Sião – é um lugar. Você já viu que a igreja tem 
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esses dois aspectos? Por um lado, a igreja é uma pessoa; por  outro lado, a igreja é um lugar. Como uma pessoa, a igreja  inclui a Cabeça com o Corpo. Como um lugar, a igreja é a  habitação de Deus. Em outros lugares na Bíblia, vemos que a  igreja é a Noiva, o novo homem e a guerreira. Esses, porém,  são aspectos da igreja como uma pessoa. Na verdade, a igreja  tem   somente   dois   aspectos   principais:   o   aspecto   de   uma  pessoa e o aspecto de uma habitação. Relacionado com esses  dois aspectos da igreja estão o óleo e o orvalho. O ÓLEO QUE SE ESPALHA E O  ORVALHO QUE DESCE Embora   no   versículo   2   da   Versão   King   James  mencione   ungüento,   a   maioria   das   outras   versões   usa   a  palavra  Hebraica  para  óleo.  Esse óleo se refere  ao óleo da  unção   descrito   em   Êxodo   30.   Aquele   óleo   da   unção   é   um  ungüento   composto   formado   pelo   misturar   de   quatro  especiarias   com   azeite   de   oliveira.   Arão,   seus   filhos,   o  tabernáculo e todas as coisas relacionadas com o tabernáculo  eram ungidos com esse ungüento. Segundo o Salmo 133, esse  ungüento,   esse   óleo   da   unção   composto,   estava   sobre   uma  pessoa, Arão. Temos chamado à atenção ao fato de que, em  comparação,   o   orvalho   refrescante,   irrigador   e   saturador  estava sobre um lugar, os montes de Sião.  Nem   o   óleo   da   unção,   nem   o   orvalho   moviam­se  rapidamente.   O  orvalho  não  caia  como  chuva;  ele  descia   e  vinha   de   uma   maneira   gradual.   Da   mesma   maneira,   o  ungüento,   na   verdade,   não   escorria   debaixo   da   barba   de  Arão; ele se espalhava sobre sua barba e então descia para a  gola   de   suas   vestes.   A   raiz   Hebraica   quer   dizer   espalhar,  como o espalhar sobre uma superfície. Ela também significa  estender,   como   estender   uma   cobertura,   uma   coberta   de 
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cama, sobre ela. Por isso, o óleo da unção na cabeça de Arão  se   estendia   sobre   sua   barba;   ele   não   escorria   abaixo  rapidamente sobre sua barba. O ungüento se estendia suave  e lentamente.  No mesmo princípio, o orvalho descia sobre os montes  de Sião. Em nosso hinário, existe um hino sobre “chuvas de  benção”   (Hymns  260).   Tais   chuvas   espirituais   é   um   tanto  Pentecostal em natureza. Tenho uma maior apreciação pelo  espalhar   do   ungüento   e   o   descer   do   orvalho   do   que   pelas  chuvas   de   bênçãos.   Chuvas   não   estão   relacionadas   com  unidade. A unidade genuína é constituída do ungüento que  se espalha e do orvalho que desce.  UNGIDO COM O DEUS TRIÚNO PROCESSADO Temos visto enfaticamente que a verdadeira unidade é  a   mescla   do   Deus   processado  com  os   crentes.  Embora   isso  seja   revelado   no   Novo   Testamento,   não   vemos   no   Novo  Testamento a maneira de praticar essa unidade. A maneira  de   praticar   essa   mescla   está   no   Salmo   133.   O   óleo   no  versículo 2 é um tipo do Deus Triúno processado que hoje é o  Espírito composto todo­inclusivo. Conforme Êxodo 30, o óleo  da   unção   é   um   composto   formado   pela   mistura   de   quatro  especiarias com um him de azeite de oliveira. Esse composto tipifica o Espírito todo­inclusivo que é o  Deus   processado   para   nosso   desfrute.   Nesse   Espírito  composto   não   temos   apenas   a   divindade,   mas   também   a  humanidade de Cristo, a eficácia de Sua morte e o poder de  Sua ressurreição. Em outras palavras, o Espírito composto é  o   Deus   processado   com   os   atributos   divinos,   as   virtudes  humanas,   a   eficácia   da   morte   de   Cristo   e   o   poder   da  ressurreição de Cristo. Na   vida   da   igreja,   esse   Espírito   composto   está  continuamente nos ungindo. O ungüento pode ser comparado 
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à tinta e o ungir à aplicação dela. Quando pinta uma cadeira,  você   pode   dar   uma   demão   de   tinta   após   outra.   Quando   o  Espírito composto nos unge, Ele nos “pinta” e a “tinta” é o  próprio Deus Triúno. Nessa “tinta”, temos a humanidade de  Cristo, a eficácia de Sua morte e o poder de Sua ressurreição. Também   temos   a   divindade   e   o   viver   humano   de  Cristo.   Quando   todos   esses   ingredientes   do   ungüento   são  aplicados   a   nós,   somos   “pintados”   com   o   Deus   Triúno  processado e com todos os elementos do óleo composto. A vida  da igreja adequada é uma vida na unidade que é a mescla do  Deus  Triúno   processado  com   os   crentes.  Quando   permane­ cemos   nessa   unidade,   somos   “pintados”   com   o   ungüento.  Quanto   mais   somos   “pintados”   dessa   maneira,   mais   nossa  constituição   natural,   temperamento  e  disposição  são  elimi­ nados. O que fica é a mescla do Deus Triúno processado com  nossa humanidade elevada. Isso é a unidade. Em tal unidade não é possível ter divisão, nem mesmo  dissensão.  Nessa   unidade não há  espaço  nem  mesmo para  nossa opinião. Embora precisemos experimentar muito mais  da “pintura” divina que nos introduz na unidade, temos tido  pelo menos alguma experiência disso na vida da igreja. Pelo  menos,   até   certo   ponto,   todos   temos   entrado   na   unidade. Quando   estávamos   nas   denominações   ou   nos   grupos  independentes,   achávamos   fácil   sermos   críticos   e   dar  opiniões. Mas na igreja, o elemento discordante e os fatores  divisivos são restringidos. Esse é o efeito da unidade. Quanto  mais a “tinta” do Deus Triúno processado é aplicada ao nosso  ser, mais difícil será para nós sermos divididos. Por   meio   da   aplicação   da   “tinta”   celestial,   somos  introduzidos na unidade genuína, não na unidade superficial  que é segundo o conceito natural. Estamos na unidade que é  o Deus Triúno processado “pintado” em nosso próprio ser. Como temos enfatizado, esse ungüento, essa “pintura” 
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divina   não   escorre   para   baixo;   ela   se   espalha.   Quero   que  minha   casa   seja   pintada   com   tinta   que  vai  fixar,   não  com  tinta que vai escorrer paredes abaixo como água. Do mesmo  modo, quando o ungüento é  aplicado a nós, ele se fixa em  nosso ser interior; ele não escorre para baixo. O   escorrer   do   ungüento   é   como   as   experiências   no  pentecostalismo ou no movimento carismático. Experiências  desse   tipo   passam   rapidamente.   Na   vida   da   igreja,   no  entanto,   a   bênção   espiritual   vem   a   nós   gradualmente,  lentamente   e   suavemente.   Mas,   uma   vez   que   ela   chega,  permanece. Uma vez que a “tinta” é aplicada a nós, ela fica. Depois   que   somos   cobertos   com   o   óleo   da   unção,   a  cobertura   permanece   para   sempre.   Nada   pode   erradicá­la. A unção não nos faz ter muito sentimento em nossa  emoção. Aquelas  experiências  que  vêm  e  vão  rapidamente,  pelo contrário, agitam nosso sentimento. Mas essa não é a  experiência   normal   na   vida   da   igreja.   Na   vida   da   igreja  experimentamos   o   espalhar   gradual   do   ungüento   todo­ inclusivo.   Por   exemplo,   na   reunião   de   oração   da   igreja  podemos receber uma ou duas “camadas” de “tinta” sem ter  muito   sentimento   a   respeito   dela.   Como   temos   visto,   esse  ungüento   tem   muitos   ingredientes.   Quão   gratos   somos   ao  Senhor   por   Sua   restauração.   Dia   a   dia   na   vida   da   igreja,  todos os ingredientes do óleo divino estão sendo forjados em  nós. Por meio da aplicação desses ingredientes em nosso ser  interior,   estamos   espontaneamente   na   unidade.   Encontra­ mos   muitíssima   dificuldade   em   ser   divisivos   ou   mesmo  dissidentes. Quão bom, amável e desfrutável é a unidade na  igreja! A única maneira de sermos divisivos é tomarmos uma  forte   decisão   contrária   ao   nosso   ser   interior.   Somos   um  espontaneamente   porque   fomos   “pintados”   com   todos   os  elementos da “tinta” celestial.
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O DEUS TRIÚNO PROCESSADO  APLICADO A NOSSO SER A   base   da   unidade   é   simplesmente   o   Deus   Triúno  processado aplicado ao nosso ser. Essa é a unidade na qual  nos   encontramos   hoje.   Nós   não   estamos   numa   unidade  produzida pelo ajuntamento daqueles que crêem em Cristo.  Nesse   tipo   de   unidade   é   muito   fácil   ter   subtração   tanto  quanto  adição. Porém, uma vez  que fomos  introduzidos  na  unidade produzida pela aplicação do Deus Triúno processado  ao   nosso   ser,   é   muito   difícil   ter   qualquer   subtração.   Essa  unidade   é   completamente   diferente   da   unidade   no  cristianismo   de   hoje.   A   unidade   no   cristianismo   envolve  adição   e   subtração.   Mas,   a   unidade   nas   igrejas   na  restauração do Senhor envolve a aplicação do Deus Triúno ao  nosso ser interior.  PARA A CABEÇA COM O CORPO O óleo não é para indivíduos; ele é para o Corpo. Ele  não pode ser experimentado por aqueles que estão apartados  e separados do Corpo. Segundo a figura no Salmo 133, o óleo  está   sobre   a  cabeça.  Então,   ele  se  espalha   para   a   barba   e  desce   para   a   gola   das   vestes.   Isso   indica   que   se   somos  individualistas,   não   podemos   experimentar   o   óleo.   Alguns  podem   argumentar   que  podem   contatar  o  Senhor   sozinhos  em casa. Não duvido que possam. A questão crucial, porém, é  se somos um com a igreja ou não. Se somos um com a igreja,  então   podemos   contatar   o   Senhor   sozinhos   em   casa  adequadamente.   Mas,   se   nos   separarmos   da   igreja,   nosso  contato com o Senhor será completamente diferente. Isso é  porque o óleo da unção não é para membros individuais; ele é  para a Cabeça e o Corpo, mesmo para a Cabeça com o Corpo. 
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Por   isso,   para   ser   “pintado”   pelo   óleo,   devemos   estar   na  igreja. Então, desfrutamos espontaneamente a aplicação do  óleo   da   unção   com   todos   os   seus   elementos.   Quão   mara­ vilhosa é a unidade produzida pela aplicação desse óleo! GRAÇA – O DEUS TRIÚNO COMO  NOSSO SUPRIMENTO DE VIDA  PARA NOSSO DESFRUTE Segundo o Salmo 133:3, a unidade também é como o  orvalho que desce sobre os montes de Sião. O óleo da unção  está sobre a pessoa, Arão, mas o orvalho está sobre o lugar,  Sião. O orvalho significa a graça de vida (1Pe 3:7). A graça de  vida é o suprimento de vida. Na vida da igreja não estamos  apenas debaixo do óleo; nós também recebemos o suprimento  e   a   graça   de   vida.   Quando   somos   ungidos,   também   somos  agraciados.  Suponha dois irmãos que vivem juntos numa casa de  irmãos e que estão tendo dificuldades de conviverem juntos.  Porém, através da participação deles na vida da igreja, eles  são agraciados e recebem o suprimento de vida. Espontânea­ mente,   eles   não   vão   apenas   suportar   um   ao   outro,   mas  realmente   amar   um   ao   outro.   Essa   é   a   experiência   do  orvalho, a graça.  O   apóstolo   Paulo   experimentou   a   graça   do   Senhor  abundantemente. Ele orou três vezes para que o “espinho”  que o estava afligindo fosse removido. O Senhor respondeu  que   Sua   graça   era   suficiente   a   ele.   Por   essa   palavra,   o  Senhor indicou que não tiraria o espinho, mas supriria Paulo  com Sua suficiente graça.  Em 2 Coríntios 13:13, Paulo abençoa a igreja com as  palavras: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus,  e a comunhão do Espírito Santo, sejam com todos vós” (Gk). 
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Esse versículo indica que graça é o Deus Triúno processado  para ser nosso suprimento de vida. Enquanto o óleo significa  o  Deus  Triúno  processado que  é  “pintado”  em  nosso ser, o  orvalho significa o Deus Triúno que é nosso suprimento de  vida   para   nosso   desfrute.   Portanto,   na   vida   da   igreja,  diariamente somos ungidos e agraciados. Somos “pintados”  com   o   Deus   processado   e   somos   agraciados   com   o   mesmo  Deus processado como nosso suprimento de vida. Esse óleo e  esse suprimento tornam possível vivermos em unidade. Nas  palavras do Salmo 133, essa unidade é como o óleo da unção  e   o   orvalho.   Debaixo   do   óleo   da   unção   e   do   orvalho,  experimentamos a benção de vida na base da unidade. 

CAPÍTULO SETE
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A BENÇÃO DE VIDA SOB O ÓLEO DA  UNÇÃO E DO ORVALHO NA  BASE DA UNIDADE (2)
Leitura   Bíblica:   Sl   133:1­3;   Jo   1:14,   16­17;   At   4:33;   11:23;  13:43; 14:26; Rm 5:2, 17, 20­21; 1Co 15:10; 2Co 1:12; 9:8,  14; 12:9; 13:14; Ef 2:7; 1Tm 1:14; 1Pe 3:7; 4:10; 5:10a; Gl  6:18; Ap 22:21 Segundo o Novo Testamento, a unidade dos Cristãos  ou   da   igreja,   é   misteriosa,   pois   ela   está   intimamente  relacionada   com   o   Deus   Triúno   processado.   João   17:21­23  indica que os Cristãos são um no Deus Triúno, assim como o  Pai está no Filho e o Filho está no Pai. Por estarem no Deus  Triúno, os Cristãos são um. Além disso, João 17:22 diz que a  glória que o Pai deu ao Filho foi dada pelo Filho aos Cristãos,  para que possam ser um assim como o Pai e o Filho são um.  Então, o versículo 23 prossegue ao falar de ser aperfeiçoados  na   unidade.   Quando   cremos,   entramos   nessa   unidade  misteriosa. Agora, devemos prosseguir em ser aperfeiçoados  gradualmente nessa verdadeira unidade. 

A MESCLA DO DEUS TRIÚNO COM  O CORPO DE CRISTO
Em Efésios 4:4­6 Paulo lista sete aspectos da unidade:  um Corpo, um Espírito, uma esperança, um Senhor, uma fé,  um   batismo   e   um   Deus   e   Pai   de   todos.   Esses   versículos  também mostram a mescla misteriosa do Deus Triúno com o  Corpo  de   Cristo. Essa  mescla   é  a  unidade  dos  Cristãos. O  Espírito  no  versículo 4  é, sem  dúvida,  o Espírito composto  todo­inclusivo que está dentro do Corpo e dá vida ao Corpo. 
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Segundo 1 Coríntios 13:13, o Corpo veio a existência por meio  do   batismo   desse   Espírito   todo­inclusivo.   Tendo   sido  batizados   em   um   Espírito,   devemos   prosseguir   em   beber  desse Espírito. Isso indica que a existência do Corpo depende  do Espírito que dá vida todo­inclusivo. Além disso, o Corpo  continua a existir por meio de o nosso beber desse Espírito.  Qualquer   coisa   que   bebemos   torna­se   mesclada   com   nosso  ser interior, com nosso sangue e com a própria fibra do nosso  tecido orgânico. Isso é o mesmo com o Espírito que dá vida. Efésios 4:5  Paulo coloca junto o único Senhor  com  a  única fé e o único batismo. Nós entramos no Senhor por meio  da fé e do batismo. Ter fé no Senhor significa crer Nele. É  claro, ser batizado Nele é ser colocado Nele. Quando cremos  Nele e fomos batizados Nele, nos tornamos um com Ele; isto  é, fomos mesclados com Ele.  No versículo 6 Paulo diz: “um só Deus e Pai de todos, o  qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.” O  único Deus e Pai está sobre tudo objetivamente, age de um  modo que é parcialmente objetivo e parcialmente subjetivo e  está   em   todos   subjetivamente.   Por   isso,   o   Espírito   está  mesclado com o Corpo, o Corpo está no Senhor e o Pai é sobre  todos, age por meio de todos e está em todos. Essa é uma  figura   do   mesclar   do   Deus   Triúno   com   o   Corpo   de   Cristo.  Nessa   unidade,   temos   a   única   esperança,   a   esperança   da  nossa glorificação vindoura.  Essa  unidade  é completamente diferente da unidade  no cristianismo de hoje, que é uma mera unidade de adição.  Tal   unidade   de   adição   pode   também   levar   a   subtração.   A  unidade   revelada   na   Bíblia   é   a   mescla   do   Deus   Triúno  processado com Seu povo escolhido. Por isso, a unidade nas  Escrituras é uma mescla de pessoas, uma mescla da Pessoa  divina, o Deus Triúno, com as pessoas que crêem em Cristo.  O   Deus   Triúno   que   está   mesclado   conosco   passou   pelo 
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processo   de   encarnação,   viver   humano,   crucificação   e  ressurreição. Essa unidade genuína referindo­se a tal mescla  maravilhosa é a revelação clara em João 17 e Efésios 4.  UM TIPO DA UNIDADE GENUÍNA Agradecemos ao Senhor por existirem tipos no Antigo  Testamento   de   quase   todas   as   coisas   espirituais   no   Novo  Testamento. Um dos tipos da unidade genuína é encontrado  em   Deuteronômio  12.  Nesse  capítulo  a   boa   terra   tipifica   o  Cristo   todo­inclusivo,   enquanto   que   as   montanhas,   os  outeiros  e   as  árvores  frondosas   tipificam   vários  centros  de  adoração.   As   ofertas   mencionadas   nesse   capítulo   tipificam  vários  aspectos  das riquezas  de Cristo. Sim, Deuteronômio  12 é o registro de uma exortação dada aos filhos de Israel ao  entrarem   na   boa   terra.     Mas,   os   detalhes   dessa   exortação  também são tipos, não apenas instruções  que foram dadas  literalmente   por   Deus   ao   povo   na   época.   Podemos   usar   o  cordeiro Pascal como ilustração de algo que tinha tanto um  significado literal quanto simbólico. O próprio cordeiro que  era imolado no período da Páscoa, também era um tipo de  Cristo   como   nosso   Redentor.   No   mesmo   princípio,   o   maná  comido pelos filhos de Israel no deserto era um tipo de Cristo  como nossa comida celestial. Esse princípio também se aplica  à   boa   terra   em   Deuteronômio   12.   A   terra   não   era   apenas  uma   região   física   possuída   pelos   filhos   de   Israel;   ela   era  também um tipo do Cristo todo­inclusivo. Nesse capítulo, o  povo escolhido de Deus foi ordenado a ir ao único lugar da  escolha   Deus.   Esse   lugar   foi   eleito   por   Deus   a   fim   de  preservar a unidade dos filhos de Israel. Esse lugar não era  apenas   uma   localização   atual   na   terra   de   Canaã,   mas  também um tipo da unidade genuína dos Cristãos em Cristo  hoje. 
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O CRISTO CORPORATIVO No Salmo 133 a unidade do povo de Deus é comparada  ao óleo precioso e ao orvalho. O óleo precioso sobre a cabeça  de Arão se espalha sobre a barba e por fim desce para a gola  de suas vestes. Essa figura da unidade está relacionada com  uma   pessoa,   Arão,   um   tipo   de   Cristo   em   Seu   ministério  sacerdotal.   Como   o  Sumo  Sacerdote,   Cristo  serviu   a   Deus,  realizou o propósito de Deus e cumpriu o desejo do coração de  Deus.   Porém,   no   Salmo   133   Arão   não   tipifica   apenas   o  próprio Cristo, mas Cristo com Seu Corpo. Isso significa que  aqui,   Arão,   tipifica   o   Cristo   corporativo,   a   cabeça   com   o  Corpo.   A   igreja   num   sentido   muito   real   é   o   Cristo  corporativo. A igreja é, dessa maneira, uma grande pessoa  universal   com   diversos   aspectos:   os   aspectos   do   Corpo,   da  Noiva, do novo homem e da guerreira. Todos esses aspectos  da igreja estão relacionados com a pessoa.  AS MUITAS IGREJAS LOCAIS No Salmo 133 a unidade do povo de Deus também é  comparada   com   o   orvalho   do   Hermom   que   desce   sobre   os  montes   de   Sião.   Esses   montes   tipificam   as   igrejas   locais.  Cada igreja local é um monte de Sião. Existe uma Sião, mas  os muitos montes significam as muitas igrejas locais. Como  uma pessoa, a igreja é unicamente uma. Como um lugar, a  igreja, por um lado, é a única Sião; mas, por outro lado, ela é  os muitos montes da única Sião. Embora exista uma igreja  no   universo,   contudo,   existem   muitas   igrejas   locais.   Cada  igreja   local   é   um   pico   dentre   os   muitos   montes   de   Sião.  Portanto,   a   pessoa   é   universal,   mas   os   montes   são   locais.  Nossa unidade é como o óleo precioso sobre Arão e como o  orvalho   sobre   os   montes   de   Sião.   A   habitação   de   Deus,   o 
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templo, estava localizada em Sião. Por um lado, a igreja é  uma pessoa; por outro lado, ela é um lugar. Sobre a pessoa  há o óleo e sobre o lugar há o orvalho. A CONSUMAÇÃO FINAL DO  DEUS TRIÚNO PROCESSADO O   óleo   precioso   no   Salmo   133   é   o   óleo   descrito   em  Êxodo  30.  Esse óleo é uma  figura  do  Espírito que dá  vida  todo­inclusivo   e   composto   com   os   elementos   da   divindade,  humanidade, viver humano, a eficácia da morte de Cristo e o  poder da ressurreição de Cristo. Esse Espírito todo­inclusivo  é a expressão do Deus processado. Tenho encargo do Senhor  de   falar   sobre   esse   assunto   repetidamente   até   todos   nós  sermos profundamente impressionados com ele.  No primeiro capítulo do Evangelho de João, é nos dito  que a Palavra, a qual estava no princípio com Deus e que era  Deus,   tornou­se   carne   e   tabernaculou   entre   nós,   cheio   de  graça   e   verdade   (1:1,   14).   Essa   Palavra,   Cristo,   viveu   na  terra por trinta e três anos e meio. Então, Ele passou pela  crucificação   e   na   ressurreição   tornou­se   o   Espírito   que   dá  vida. O Espírito que dá vida é a consumação final do Deus  processado. Em João 14 a 16 vemos que o Senhor Jesus era  um com o Pai. Vê­Lo era ver o Pai (14:9). Em 14:10 o Senhor  Jesus disse: “Não crês que Eu estou no Pai e que o Pai está  em Mim? As palavras que Eu vos digo não as digo por Mim  mesmo;   mas   o   Pai   que   permanece   em   Mim,   faz   as   Suas  obras.” Como o Senhor falou, o Pai trabalhou. Nesse capítulo,  o Senhor continuou a dizer aos discípulos que o Espírito da  realidade,   na   verdade,   era   Ele   mesmo   percebido.   Isso  significa   que   quando   o   Espírito   habitou   nos   discípulos,   o  próprio   Senhor   estava   habitando   neles.   Por   isso,   o   Pai,   o  Filho e o Espírito são o Deus Triúno singular.
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Passando   pelas   várias   etapas   de   um   processo,   esse  mesmo Deus Triúno tornou­se o Espírito todo­inclusivo. João  7:39 diz: “O Espírito até esse momento não fora dado, porque  Jesus não havia sido ainda glorificado.” O Espírito prometido  nos   capítulos   catorze   a   dezesseis   é   o   Espírito   referido   em  7:39. Por receber o Espírito como a consumação final do Deus  Triúno  processado, nós   somos   um  com  o  Deus  Triúno.   Por  essa   razão,   após   falar   do   Espírito   no   capítulo   catorze,   o  Senhor   continua   a   falar   no   capítulo   quinze   que   se   nós  permanecermos   Nele,   Ele   permanecerá   em   nós.   Segundo  14:23, se amarmos o Senhor, o Pai e o Filho virão a nós e  farão morada conosco. Essa morada é uma mútua habitação  para o Deus Triúno habitar nos Cristãos e para os Cristãos  habitarem   no   Deus   Triúno.   Esse   mútuo   habitar   é   uma  questão de mesclar.  Após falar as palavras registradas em João 14 a 16, o  Senhor   Jesus   fez   a   oração   ao   Pai   registrada   no   capítulo  dezessete.   A   linguagem   dessa   oração   é   completamente  divina.   Nessa   oração,   o   Senhor   se   refere   à   mescla  maravilhosa e misteriosa do Deus Triúno processado com os  Cristãos.   Mais   uma   vez   mostramos   que   essa   mescla   é   a  unidade.  O ELEMENTO DA NOSSA UNIDADE Essa unidade se torna real e prática por meio da unção  que   está   sobre   Cristo   a   Cabeça   e   que   se   espalha   sobre   o  Corpo. Desde que permaneçamos no Corpo, compartilhamos  o óleo. Nesse óleo somos um. Por isso, a unção do Espírito  que dá vida todo­inclusivo e composto é o elemento da nossa  unidade.   Isso   significa   que   somos   um   como   membros   da  igreja   e   estamos   debaixo   da   unção   do   Espírito.   Se   não  estamos   debaixo   dessa   unção,   não   podemos   ser   um   com 
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ninguém, nem mesmo com nós mesmos.  A  unidade  não depende  da   nossa  habilidade natural  para se dar bem com os outros. Alguns Cristãos podem até  mesmo ser orgulhosos de ter o tipo de disposição que torna  fácil  para  eles  ser um  com  as  outras pessoas. Porém, esse  tipo de unidade não é a unidade preciosa revelada na Bíblia.  Na   verdade,   é   um   tipo   de   unidade   muito   desagradável   e  inadequada.   Uma   pessoa   que   se   vangloria   desse   tipo   de  unidade, na verdade, não é capaz de ser um com os outros  por um longo período de tempo. Pelo contrário, pode por fim  causar um grande número de tumultos. A unidade genuína  consiste na unção do Espírito todo­inclusivo e composto como  a consumação final do Deus Triúno. Somente debaixo de tal  unção   temos   de   fato   uma   unidade   genuína   e   imutável.  Milhares   de   irmãos   podem   testificar   da   unidade   que  desfrutamos debaixo da unção do Espírito composto. Nossa  unidade tem sua fonte na mescla misteriosa do Deus Triúno  processado   com   os   Cristãos.   Como   mostramos   no   capítulo  anterior, quanto mais somos cobertos com o óleo composto,  mais somos um. Louvado seja o Senhor que o Espírito todo­ inclusivo está continuamente nos “pintando”! HABITANDO NUM DOS “PICOS” O aspecto pessoal da igreja é prático, mas o aspecto do  lugar   é   ainda   mais   prático.   Com   respeito   à   igreja   como   a  pessoa   universal,   podemos   não   ter   quaisquer   problemas.  Porém, com relação à igreja como os montes locais de Sião,  podemos ter problemas, pois podemos não estar felizes com a  igreja   em   nossa   localidade   e   podemos   desejar   mudar   para  outros   lugares.   Mas,   se   mudarmos   para   outra   cidade,   em  breve encontraremos os mesmos problemas naquele lugar. A  razão   é   que   somos   os   mesmos   e   que   somos   a   causa   do 
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problema. Alguns têm me afirmado que nunca deixariam a  vida da igreja. Todavia, descontentes onde estão, eles gostam  de fazer suas escolhas de um “monte.” Posso testificar que no  que me diz respeito, cada “monte” é igual. Não importa onde  estou, eu ainda louvo o Senhor e experimento Sua obra de  transformação.  Aqueles que se mudam de um lugar para outro podem  amar   a   igreja   universal,   mas   eles   tem   problemas   com   a  igreja local. Eles podem declarar que tem visto o Corpo de  Cristo   e   que   amam   a   restauração   do   Senhor.   Porém,   não  importa   em   que   localidade   eles   morem,   eles   sempre   tem  alguma dificuldade com aquele “monte” de Sião. Eles podem  imaginar que uma igreja numa localidade está fora da base.  Mas,   assim   que   se   mudam   dali,   ficam   desapontados,   não  achando esse melhor do que o “monte” do qual acabaram de  se mudar. Não há necessidade de nos mudar de “monte” em  “monte.”  Devemos   simplesmente  habitar  num   dos   picos   de  Sião e desfrutar ali o orvalho que desce de Hermom.  ORVALHO – A GRAÇA DE VIDA Em tipologia, Hermom significa os céus, o lugar mais  elevado no universo e o orvalho significa a graça de vida (1Pe  3:7).   Sem   o   Novo   Testamento,   seria   difícil   para   nós  percebermos   que   o   orvalho   significa   graça.   Cada   Epístola  escrita   por   Paulo   começa   com   uma   palavra   sobre   graça   e  termina com alguma menção de graça. Quando eu era um  jovem cristão nas denominações, eu dizia que graça denota  favor   imerecido.   Segundo   esse   entendimento   de   graça,  receber graça é receber algo que nós não merecemos. Muitos  Cristãos   consideram   tal   favor   imerecido   como   todas   as  bênçãos materiais que eles recebem do Senhor. Por exemplo,  no final do ano, alguns podem contar todas as bênçãos que 
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Deus deu a eles esse ano: um bom emprego, uma casa maior,  um automóvel do último modelo. Porém, segundo a palavra  de Paulo em Filipenses 3:8, tudo fora de Cristo é “esterco.”  Ele considerava tais coisas como emprego, casa e automóvel  como   nada   além   de   “esterco”   em   comparação   a   Cristo.   A  graça   mencionada   nas   Escrituras   não   se   refere   à   mera  bênção   material.   Como   muitos   versículos   no   Novo  Testamento deixam claro, graça  é o Deus  processado como  suprimento de vida para ser nosso desfrute.  Estritamente   falando,   graça   é   um   termo   do   Novo  Testamento.   Quando   usada   no   Antigo   Testamento,   tem   o  significado   de   favor.   Segundo   João   1:17,   a   graça   veio   por  meio de Jesus Cristo. Quando a Palavra tornou­se carne e  tabernaculou entre nós, a graça também veio. Isso significa  que a graça veio com o Deus encarnado. Antes da encarnação  de Cristo, a graça não tinha vindo. A graça veio por meio da  encarnação.  Muitos versículos em Atos falam da graça. Atos 4:33  diz: “Com grande poder os apóstolos davam testemunho da  ressurreição   do   Senhor   Jesus,   e   em   todos   eles   havia  abundante graça.” Esse versículo indica que o grande poder  em   ressurreição   era   a   abundante   graça.   Cristo   em  ressurreição   é   graça.   Tal   graça   não   é   uma   boa   casa,   um  trabalho   ou   um   automóvel.   Ela   é   Deus   experienciado,  recebido, desfrutado e obtido pelos Cristãos. Em Atos 11:23 é  nos dito que em Antioquia, Barnabé viu a graça de Deus. Ele,  é claro, não viu bênçãos materiais. Ele viu que os Cristãos  em Antioquia estavam experimentando Deus em Cristo como  o suprimento de vida deles para o desfrute deles.  Em 1 Coríntios 15:10 Paulo disse: “Mas, pela graça de  Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não  se tornou vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; 
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todavia   não   eu,   mas   a   graça   de   Deus   comigo.”   Podemos  comparar esse versículo com Gálatas 2:20, onde Paulo diz:  “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.” Não foi  o   próprio   Paulo   que   trabalhou   mais   do   que   os   outros  apóstolos;   foi   a   graça   de   Deus   que   estava   com   ele.   Essa  graça,   por   meio   da   qual   Paulo   trabalhou   mais   do   que   os  outros era sem dúvida o próprio Cristo como poder de vida e  suprimento de vida para ele em sua experiência.  Em   Romanos   5:2   Paulo   diz   que   por   intermédio   de  Cristo  “temos  acesso pela fé a esta  graça  na  qual  estamos  firmes.”   A   firmeza   sobre   a   qual   Paulo   está   falando   aqui  certamente não é algo como uma casa ou um trabalho. Ela é  o Deus Triúno que foi processado para tornar­se o Espírito  todo­inclusivo   como   Sua   consumação   final.   Por   meio   de  Cristo, podemos estar firmes no Espírito todo­inclusivo. Em Romanos 5:17 Paulo continua ao dizer que “os que  recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão  em   vida   por   meio   de   um   só,   a   saber,   Jesus   Cristo.”   Se  tivermos a graça abundante, seremos capazes de reinar em  vida. Esse versículo implica que graça é vida e que vida é  graça. Em 1Pe 3:7 Pedro fala da graça  de vida, a herança  tanto do marido e da esposa. Em Romanos 5:21 Paulo fala  sobre   a   graça   reinando   para   a   vida   eterna.   Todos   esses  versículos   indicam   que   graça   é   nada   menos   do   que   Cristo  como nosso poder de vida e suprimento de vida para nossa  experiência e desfrute. Se estamos claros sobre isso, podemos ter uma grande  apreciação do orvalho como um tipo de Cristo no Salmo 133.  Como   o   orvalho,   a   graça,   torna­se   nosso   desfrute,  participaremos na unidade genuína. Porém, se não estamos  debaixo   do   orvalho   que   rega,   refresca   e   nos   satura,   não  podemos ser um com outros Cristãos. É nos montes de Sião  que experimentamos esse orvalho. Se desejamos desfrutar o 
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orvalho   que   tipifica   a   graça   todo­inclusiva,   devemos   estar  num dos picos, os picos do monte Sião.  EXPERIENCIANDO GRAÇA Embora muito de nós tenha experienciado graça, nós  ainda não a conhecemos. Que pena! É possível conhecermos  apenas de um modo doutrinal que Cristo é nosso suprimento  de   vida   para   nosso   desfrute.   Precisamos   conhecer   na  experiência.  Suponha que um irmão esteja tendo um problema com  sua   esposa.   Se   ele   consultar   um   pastor   no   cristianismo,   o  pastor   pode   exortá­lo   com   as   palavras   de   Paulo   sobre  maridos e esposas em Efésios 5. Ele então, pode prosseguir  em   aconselhar  o  irmão  ou  admoestá­lo  com   respeito  a  sua  esposa. Tal instrução, porém, é completamente desprovida de  graça. O que esse irmão precisa, é de alguém que ministre  vida   a  ele   e  ore  com  ele. Dessa  maneira, a  graça  lhe  será  suprida   e   ele   será   capaz   de   enfrentar   a   situação   com   sua  esposa.  Todos   os   irmãos   casados   devem   aprender   a   ir   ao  Senhor e orar: “Senhor, eu preciso de Ti. Eu não posso mais  agüentar   essa   situação.”   Simplesmente   por   se   abrir   ao  Senhor dessa maneira, a graça é dispensada a nós. Através  de tal suprimento de graça, você será capaz de prosseguir. Recentemente   um   irmão   testificou   como   a   situação  entre   ele   e   sua   esposa   chegara   a   um   beco­sem­saida.   Ele  raramente   falava   com   ela   e  ela   raramente  falava  com   ele.  Um   dia,   ele   pediu   a   sua   esposa   para   orar   com   ele.   Após  aquele   tempo   de   oração,   tudo   estava   mudado.   Esse   é   um  testemunho da graça do Senhor.  Os irmãos que vivem juntos podem ter atritos e sentir  que  viver numa  casa de irmãos  é insuportável. Quando os 
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irmãos   se   sentem   dessa   maneira,   devem   ir   ao   Senhor,  contatá­Lo   e   dizer­Lhe   que   não   podem   mais   suportar   a  situação   do   viver   deles.   Enquanto   oram   dessa   maneira,   o  suprimento de graça virá a eles.  Uma   situação   que   aconteceu   na   igreja   em   Chefoo   a  mais   de   quarenta   anos   atrás   ilustra   a   graça   suficiente   do  Senhor. Dois irmãos tinham um sério desentendimento com  respeito a finanças. Um irmão alegava que o outro lhe devia  certa quantia de dinheiro. O outro irmão negava a alegação  desse   primeiro.   Por   fim,   eles   levaram   o   problema   aos  presbíteros   da   igreja   que   se   esforçaram   para   acertar   a  situação. Porém, nenhuma solução surgiu. Pelo contrário, os  irmãos até mesmo discutiram na presença dos presbíteros.  Por fim, disse a esses dois irmãos que aquele que recebeu a  graça   do   Senhor   estaria   disposto   a   esquecer   a   dívida  completamente.   Eu   disse   que   o   “tribunal”   na   igreja   é  completamente   diferente   de   um   tribunal   mundano.   A  diferença   é   que   o   “tribunal”   da   igreja   não   se   importa   por  quem   está   certo   ou   errado;   antes,   ele   supre   graça   ao  encontrar a necessidade. Se você recebe a graça do Senhor,  vai orar a Ele e estará disposto a considerar a questão como  estabelecida.   Os   dois   irmãos   e   os   presbíteros   ficaram  surpresos. Então, sugeri que todos orassem juntos. Após um  tempo   de   oração,   os   dois   irmãos   começaram   a   chorar   e,  então, louvaram ao Senhor. Por fim, eles estavam dispostos a  abandonar tudo e não houve mais problema. Ao invés disso,  todos se regozijaram na graça do Senhor.  DESFRUTANDO A GRAÇA NA  VIDA DA IGREJA Nas   igrejas   locais,   estamos   diariamente   debaixo   do  orvalho,   debaixo   da   graça.   Se   somos   casados   ou   solteiros, 
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velhos ou jovens, estamos debaixo do orvalho que desce sobre  os   montes   de   Sião.   Oh,   como   desfrutamos   da   suficiente,  excelente,   multiforme   e   abundante   graça   do   Senhor!   Essa  graça é o próprio Senhor Jesus Cristo como nosso suprimento  de  vida. Se  desejarmos  desfrutar essa  graça  em  plenitude,  precisamos estar na vida da igreja. Segundo o Salmo 133, a  graça não desce sobre as casas de Cristãos individuais; ela  desce sobre os montes de Sião, que tipificam as igrejas locais.  Dessa maneira, se desejamos desfrutar o orvalho que desce  do Monte Hermom, precisamos estar num dos picos de Sião.  Se aqueles dois irmãos em Cheffo tivessem se separado da  vida da igreja, eles teriam se separado da graça do Senhor.  Ao invés do problema deles ser resolvido por meio da graça  do Senhor na igreja, provavelmente teriam tentado resolvê­lo  num   tribunal   da   lei   mundana.   Carecendo   da   graça   do  Senhor,   teriam   continuado   a   discutir   um   com   o   outro  segundo   o   certo   e   errado.   Mas,   porque   permaneceram   na  vida   da   igreja,   o   orvalho   celestial   desceu   sobre   eles   e  desfrutaram   uma   maravilhosa   solução   para   o   problema  deles. Na vida da igreja o orvalho desce sobre nós ricamente.  Estamos   felizes   porque   temos   o   suprimento   abundante   da  graça todo­inclusiva.  O óleo da unção e o orvalho são encontrados na igreja.  Aqui, experimentamos a unção, a “pintura”, do Deus Triúno  processado.   Simultaneamente,   desfrutamos   o   Deus  processado como graça, como suprimento de vida para nosso  desfrute.   Por   essa   graça,   podemos   viver   uma   vida   que   é  impossível   para   as   pessoas   no   mundo   viverem.   Os   irmãos  podem   amar   suas   esposas   ao   máximo   e   as   irmãs   podem  submeter­se a seus maridos de uma maneira completa. Tal  viver é possível por meio da graça que recebemos nos montes  de Sião.  Nunca   devemos   subestimar   a   importância   da   igreja 
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como   uma   pessoa   corporativa   que   recebe   o   óleo   e   como   o  lugar sob o descer do orvalho. Se nos separamos da igreja  nesses   dois   aspectos,   não   temos   mais   parte   na   unção   e  estamos   terminados   em   relação   ao   desfrute   do   orvalho.  Outros   Cristãos   podem   nos   criticar   por   sustentar   tal  testemunho   com   relação   à   vida   da   igreja.   Eles   podem   nos  acusar   de   restritos   e   sustentar   suas   acusações   com   uma  palavra sobre a onipresença de Deus. Esses Cristãos podem  dizer   que   desde   que   orem   e   lêem   a   Bíblia,   podem  experimentar o Senhor de uma maneira plena fora da vida  da   igreja.   Porém,   muitos   de   nós   podemos   testificar   da  diferença que faz estar da igreja. Sim, podemos orar e ler a  Palavra sozinhos em casa. Quando fazemos isso, recebemos  certa porção de graça. Essa medida de graça, no entanto, não  é tão doce, rica, poderosa, inspiradora ou suficiente como a  graça   que   recebemos   na   igreja.   Posso   testificar   que,   não  importa se as reuniões da igreja são elevadas ou baixas, ricas  ou   pobres,   eu   experimento   o   óleo   e   o   orvalho   sempre   que  venho às reuniões. Quanto mais venho às reuniões, mas sou  preservado na graça do Senhor. Aqueles, pelo contrário, que  se   separam   da   vida   da   igreja,   se   desligam   do   suprimento  pleno  da  graça. Separados  da misericórdia  do Senhor,  eles  podem se encontrar de volta no mundo completamente após  certo período de tempo.  Vamos   às   reuniões   da   igreja,   mesmo   quando   as  reuniões   particularmente   não   pareçam   ser   ricas.  Simplesmente por freqüentar as reuniões somos preservados,  pois   o   orvalho   ainda   desce   nos   montes   de   Sião.   Dessa  maneira, simplesmente por estarmos nas reuniões, estamos  debaixo do orvalho. Nossa experiência tem confirmado isso  muitas e muitas vezes. 

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EXPERIENCIANDO A VERDADEIRA  UNIDADE E PRESERVANDO­A A   unidade   sobre   a   qual   temos   falado   é   o   óleo   sobre  Cristo a Cabeça e o orvalho refrescante que desce sobre os  montes de Sião. Faz  uma tremenda  diferença  se permane­ cermos nessa unidade ou a deixarmos. Os Cristãos hoje se  sentem livres  para  ir  e vir  porque  não  vêem  essa unidade  genuína. Eles não têm o elemento de conservação e preser­ vação que a unidade propicia. Em Sua restauração, o Senhor  nos tem mostrado que a verdadeira unidade é a mescla do  Deus   Triúno   Processado   com   Seu   povo   escolhido.   Por   um  lado,   o   Deus   processado   é   o   Espírito   todo­inclusivo   e  composto que nos ungi e nos “pinta” dia a dia. Por outro lado,  o   Deus   processado   é   o   suprimento   de   vida   para   nosso  desfrute. Debaixo desse óleo da unção e do orvalho, experi­ mentamos a verdadeira unidade. Desde que permaneçamos  na experiência do óleo e do orvalho, não é possível para nós  sermos divididos. Antes, somos preservados na unidade. Esse  é   o   significado   da   palavra   de   Paulo   em   Efésios   4:3   sobre  diligentemente guardar a unidade do Espírito. Na verdade,  essa unidade é simplesmente o próprio Espírito que dá vida  todo­inclusivo. Nós guardamos e preservamos essa unidade  por   meio   de   permanecer   debaixo   do   óleo   da   unção   e   do  orvalho. 

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CAPÍTULO OITO
O DANO E A PERDA DA  BASE DA UNIDADE
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Leitura Bíblica: 1Rs 11:6­8; 12:26­32; 13:33­34; 14:22­24;  15:14, 34; 22:43; 2Rs 12:2­3; 14:3­4; 15:3­4, 34­35; 17:5­12, 18­ 23; 23:29­35; 2Cr 36:5­20; Sl 137:1­6; 1Co 1:10­13a; Rm 16:17­ 18; Tt 3:10 Em Deuteronômio 12 Moisés encarregou  os filhos de  Israel de “certamente destruireis todos os lugares em que as  nações   que   haveis   de   subjugar   serviram   aos   seus   deuses,  sobre   as   altas   montanhas,   sobre   os   outeiros,   e   debaixo   de  toda árvore frondosa” (v. 2, Heb.). Ele também os encarregou  de derrubar os altares, despedaçar as colunas, queimar com  fogo os ídolos de madeira, despedaçar as imagens esculpidas  dos deuses e apagar os seus nomes daquele lugar (v. 3, Heb.).  Tendo   destruído   todas   essas   coisas,   era   para   eles   irem   ao  único lugar da escolha de Deus. Segundo 1Reis, o templo foi  construído em Jerusalém, o lugar que Deus tinha escolhido.  Foi o desejo do coração de Deus que lá fosse o lugar único  para   a  Sua  presença.   Esse  lugar   único   guardou   o  povo   de  Deus da divisão. Então, foi a sabedoria de Deus requerer que  todos os lugares que as nações serviam os seus deuses fossem  destruídos e que o Seu povo viesse a um único lugar da Sua  escolha.

A RECONSTRUÇÃO DOS LUGARES  ALTOS E O SEU SIGNIFICADO Embora   os   filhos   de   Israel   tivessem   destruído   os  lugares   que   as   nações   serviam   seus   deuses   no   alto   das  montanhas   e   outeiros   e   debaixo   de   árvores   frondosas,   e  embora   o   templo   tivesse   sido   construído   em   Jerusalém, 
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eventualmente as próprias coisas que tinham sido destruídas  voltavam. Os lugares altos, as árvores frondosas, os pilares,  os   ídolos   de   madeira   e   os   nomes   de   idolatria   foram  restaurados. De fato, Salomão, aquele que construiu o templo  segundo   o   desejo   de   Deus   na   base   da   unidade,   tomou   a  liderança   em   edificar   os   lugares   altos   mais   uma   vez   (1Rs  11:6­8).  Ele  construiu  os  mesmos  lugares  altos  que Moisés  encarregou   o   povo   de   destruir.   Esses   lugares   altos   estão  relacionados com a fornicação e idolatria. O restabelecimento  dos   lugares   altos   por   Salomão   estava   especialmente  associado   com   prazer   e   luxúria.   Foi   por   causa   das   “suas  mulheres estrangeiras” que ele edificou os lugares altos. Estabelecer um lugar alto é ter uma divisão. Portanto,  o significado dos lugares altos é divisão. A intenção de Deus  com os filhos de Israel no Antigo Testamento era que o Seu  povo fosse guardado em unidade com o objetivo de adorá­Lo  de   maneira   adequada.   Para   preservar   a   unidade   do   Seu  povo, Deus exigiu que eles viessem a um único lugar da Sua  escolha. Os lugares altos, no entanto, eram um substituto e  alternativo para esse único lugar. Isso indica que a divisão é  um   substituto   para   a   unidade.   O   único   lugar,   Jerusalém,  significa unidade, enquanto que os lugares altos significam  divisão.   Assim   como   todas   as   formas   de   mal   e   coisas  abomináveis   estão   relacionadas   com   o   estabelecimento   dos  lugares   altos,   assim   também   nos   termos   do   Novo  Testamento,   todas   as   coisas   más   estão   relacionadas   com  divisão. RELACIONADO A COBIÇA,  AMBIÇÃO E IDOLATRIA Segundo o relato em 1 Reis, dois reis — Salomão, um  bom rei e Jeroboão, um rei perverso — tomaram a liderança 
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em   levantar   os   lugares   altos.   No   caso   de   Salomão,   a  edificação dos lugares altos está relacionada com o prazer da  luxúria.   Salomão   teve   centenas   de   esposas   e   concubinas.  Para satisfazer o desejo das suas esposas e concubinas ele  edificou   os   lugares   altos.   Suas   esposas   “lhe   perverteram   o  coração   para   seguir   outros   deuses”   (1Rs   11:4).   No   caso   de  Jeroboão, a  edificação dos lugares  altos estava  relacionada  com ambição (1Rs 12:26­32). Jeroboão queria manter o seu  império. Temendo que o reino retornasse para a casa de Davi  se o povo fosse para Jerusalém adorar, Jeroboão “fez casas  nos altos” (v. 31, Heb.). Portanto a ambição de Jeroboão foi a  causa de sua decisão em edificar os lugares altos. Além disso,  Jeroboão fez dois bezerros de ouro e disse ao povo, “Basta de  subires a Jerusalém; eis aqui teus deuses, ó Israel, que te  fizeram subir da terra do Egito.” (v. 28). Então ele “pôs um  em   Betel,  e   o  outro  em  Dã”   (v.   29).  Além   disso,  “Jeroboão  ordenou uma festa no oitavo mês, no dia décimo quinto do  mês, como a festa que se celebrava em Judá” (v. 32). O mês  dessa   festa   “ele   tinha   escolhido   a   seu   bel   prazer”   (v.   33).  Jeroboão até “constituiu sacerdotes dentre o povo, que não  eram dos filhos de Levi” (v. 31, Heb.).  Que malignidade está  associada   com   os   lugares   altos!   Os   lugares   altos   estão  relacionados com luxúria, ambição e idolatria. Visto que os  lugares   altos   significam   divisão,   isso   indica   que   a   divisão  entre   os   Cristãos   hoje   está   relacionada   com   essas   coisas  malignas. Poucos   Cristãos   percebem   que   a   divisão   está  relacionada com luxúria, ambição e idolatria. A maioria dos  Cristãos não vai além de dizer que as divisões estão erradas  e   não   estão   de   acordo   com   as   Escrituras   e   que   eles   não  podem concordar com elas. No entanto, aos olhos do Senhor,  divisão envolve coisas tais como luxúria, ambição e idolatria.  Lembrem­se, os lugares altos são uma elevação, algo elevado 
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acima   do   nível   comum.   Isso   indica   que   os   lugares   altos  envolvem exaltação de alguma coisa. Em principio, todos os  lugares   altos,   toda   divisão,   no   cristianismo   hoje   envolve   o  levantar, o exaltar de algo além de Cristo. As coisas que são  exaltadas   podem   não   ser   malignas.   Pelo   contrário,   elas  podem ser muito boas e podem até incluir o estudo da Bíblia  ou o ensino da Bíblia. Certamente ensinar a Bíblia é uma  coisa boa. Mas o estudo da Bíblia pode estar relacionado com  a divisão. Em tal caso, até mesmo se reunir para estudar as  Escrituras se torna um lugar alto; isso pode levar a exaltação  de algo no lugar de Cristo. Hoje é comum os Cristãos elevarem algo no lugar de  Cristo. Por exemplo, alguns elevam a prática do batismo por  imersão. No entanto é correto e bíblico imergir as pessoas,  não é correto exaltar a imersão no lugar de Cristo. Fazer isso  é edificar um lugar alto para a exaltação de uma maneira  particular de batismo. A existência de tal lugar alto sempre  dá   oportunidade   para   o   prazer   da   luxúria   ou   para   o  cumprimento   da   ambição.   No   entanto,   o   único   lugar   da  escolha   de   Deus   mata   nossa   luxúria   e   restringe   nossa  ambição.   Até   mesmo   coisas   muito   boas   como   o   estudo   da  Bíblia   pode   abrir   um   caminho   para   a   luxúria   e   ambição  entrarem, se isso for exaltado em vez de Cristo. Luxúria é  inevitavelmente   seguido   por   idolatria.   Ambição,   de   fato,   é  uma forma de idolatria.  Quando os filhos de Israel estavam para cruzar o rio  Jordão e  entrar na  boa  terra, Moisés, fora a  sua  profunda  preocupação   com   eles,   encarregou­os   a   destruir   os   lugares  pagãos de adoração e vir ao único lugar da escolha de Deus.  Ele emitiu essa incumbência por perceber que essa questão  do   único   lugar   da   escolha   de   Deus   e   destruir   os   lugares  pagãos estavam intimamente relacionados com seus destinos  diante de Deus. Se eles tivessem fé para destruir os centros 
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pagãos   de   adoração   e   viessem   para   o   lugar   que   Deus  escolheu, eles estariam fazendo o que é correto aos olhos do  Senhor. Mas se eles falhassem em cumprir essa exigência,  eles   estariam   fazendo   o   que   é   maligno   aos   Seus   olhos.  Quando eles entraram na boa terra, o povo de Deus destruiu  os   lugares   altos   e   os   nomes   dos   ídolos.   Finalmente,   eles  foram   vitoriosos   em   sua   batalha   em   subjugar   a   terra.  Homens iguais a Samuel e Davi são exemplos daqueles que  seguiram absolutamente a ordem de Deus dada através de  Moisés. Durante o reinado de Salomão o templo foi construído  em   Jerusalém.   Como   nos   é   dito   em   1   Reis   8,   a   glória   do  Senhor encheu o templo. A era da construção do templo foi  uma   época   dourada   da   história   dos   filhos   de   Israel.   No  entanto,   não   muito   depois   de   o   templo   ser   construído,  Salomão,   debaixo   daquele   o   qual   o   templo   foi   construído,  começou a construir os lugares altos. Como temos salientado,  ele fez isso para satisfazer suas esposas e concubinas. Isso  indica   claramente   que   a   reconstrução   dos   lugares   altos  estava relacionada com a luxúria de Salomão. Então, depois  da   morte   de   Salomão,   Jeroboão,   o   rival   de   Roboão,   rei   de  Judá, edificou lugares altos por causa da sua ambição. Em  ambos os casos a construção dos lugares altos provocaram a  ira de Deus. A   descrição   da   construção   dos   lugares   altos   por  Salomão e Jeroboão não são somente um relato de um fato  histórico.   Esse   relato   tem   um   significado   espiritual   e   foi  escrito para o nosso treinamento. “Por tudo quanto, outrora  foi escrito,” diz Paulo em Romanos 15:4, “foi escrito para o  nosso ensino.” Então, o que foi escrito a respeito de Salomão  e Jeroboão foi escrito para a nossa instrução espiritual hoje. Um grande número de questões importantes não são  abrangidas no Novo Testamento de uma forma completa. Eu 
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creio que o Senhor quer que consideremos essas questões na  luz dos tipos e figuras apresentadas no Antigo Testamento.  Por   exemplo,   a   respeito   de   danificar   e   perder   a   base   da  unidade, o Novo Testamento não diz muita coisa. A respeito  disso, não há grande desenvolvimento. Somente três breves  porções da Palavra são voltadas a isso: 1 Coríntios 1:10­13;  Romanos 16:17­18 e Tito 3:10. No entanto, nos tipos e figuras  no Antigo Testamento, a questão da divisão é desenvolvida  de uma maneira completa. Assim como precisamos consultar  o relato da Páscoa em Êxodo para receber um entendimento  completo de Cristo como o Cordeiro de Deus, assim também  precisamos considerar o relato em Deuteronômio, 1 e 2 Reis e  1 e 2 Crônicas para ter um entendimento completo da divisão  e do dano e perda da base da unidade. Segundo o relato no  Antigo   Testamento,   a   divisão   é   causada   pela   luxuria   e  ambição. Salomão foi o exemplo de precedente e Jeroboão um  exemplo  de   sucessor.  O  Antigo  Testamento também   revela  que   somente  o  lugar   único  escolhido  por  Deus   pode tratar  com a ambição e luxúria. O motivo de tanta ênfase a respeito  do lugar da escolha de Deus é que somente esse lugar não dá  oportunidade   para   o   prazer   da   luxúria   e   a   realização   da  ambição. UMA ADVERTÊNCIA Em   1   Reis   8   Salomão   fez   uma   oração   maravilhosa.  Como aquele que escreveu Cântico dos Cânticos, Salomão era  muito profundo em questões espirituais. Apesar disso, em 1  Reis   11   vemos   que   Salomão   “desviara   o   seu   coração   do  Senhor,   Deus   de   Israel,   que   duas   vezes   lhe   aparecera.   E  acerca   disso   lhe   tinha   ordenado   que   não   seguisse   outros  deuses” (vv. 9, 10). No entanto, Salomão “não guardou o que  o Senhor lhe ordenara” (v.10). Quão longe Salomão caiu! Sua 
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queda deve ser uma advertência para nós. Se não aceitarmos  a   restrição   da   escolha   de   Deus,   nós   também   cairemos   da  mesma   forma   que   Salomão.   De   fato,   isso   tem   sido   a  experiência de muitos santos os quais uma vez tiveram parte  na restauração do Senhor. Eles pareciam ser muito úteis ao  Senhor em edificar a igreja. Em certo estágio, eles foram os  Salomãos de hoje edificando o templo ou escrevendo Cântico  dos   Cânticos.   Mas   devido   a   um   tipo   de   luxúria,   eles  finalmente   se  tornaram  divisivos.  Eles   levantaram   lugares  “altos” para satisfação de sua luxúria. Tenho observado isso  tanto na China quanto nos Estados Unidos. LUGARES ALTOS E AMBIÇÃO Em   1963   aqueles   de   certos   grupos   Cristãos   propu­ seram   se   reunir   juntamente   conosco   em   Los   Angeles.   No  inicio   dessa   reunião   conjunta,   dei   uma   mensagem   de  Romanos   14,   prevenindo   os   santos   a   respeito   da   divisão  causada   por   diferentes   opiniões.   Salientei   que   devemos  aprender   a   lição   da   unidade   segundo   Romanos   14.   No  entanto,   após   um   período   curto,   pelo   menos   dois   “lugares  altos” foram levantados: um “lugar alto” que elevava o falar  em línguas e outro “lugar alto” que elevava o ensinamento da  doutrina   bíblica.   Aqueles   envolvidos   com   esses   “lugares  altos,”   essas   divisões,   não   tinha   o   menor   interesse   com   o  único lugar da escolha de Deus. Em outras palavras, eles não  tinham o genuíno interesse pela unidade. Pelo contrário, eles  se preocuparam somente com a satisfação do seu desejo, sua  luxúria. Além disso, alguns se tornaram divisivos por causa  da   sua   ambição.   Como   resultado,   ambiciosos   em   serem  lideres, eles deixaram a restauração do Senhor. Por causa da  sua ambição não poder ser cumprida na vida da igreja, eles  voltaram   as   suas   costas   para   a   igreja   e   até   mesmo 
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começaram   a   se   opor   a   ela.   Primeiro,   eles   respeitaram  grandemente   a   restauração   do   Senhor.   Mas   simplesmente  por   causa   da   sua   ambição   pela   liderança   não   ter   sido  cumprida   na   restauração,   eles   saíram   e   levantaram   um  pequeno “outeiro” para o cumprimento da sua ambição. Esse  “outeiro,” outro “lugar alto,” foi a causa da divisão. É crucial que prestemos atenção para todos os pontos  em Deuteronômio 12. Devemos aprender a temer o Senhor  nosso Deus e não fazer o que é correto aos nossos olhos. De  preferência, temendo o Senhor, devemos fazer o que é correto  aos Seus olhos. Nada nos requer temer mais a Deus do que  manter a unidade. Se alguns Cristãos estão para estabelecer  um   lugar   de   entretenimento   mundano,   devemos   imediata­ mente   condenar   essa   prática.   No   entanto,   não   muitos  condenarão   energicamente   o   estabelecimento   de   uma  reunião   Cristã   divisiva.   Em   grande   parte,   a   maioria   dos  cristãos   dirá   simplesmente   que   não   concordam   com   essa  reunião. Alguns podem até justificá­la, dizendo que ela ajuda  as   pessoas   a   conhecer   a   Bíblia   e   a   seguir   o   Senhor.  Aparentemente   tal   reunião   é   destinada   a   prestar   ajuda  espiritual. Na realidade isso é uma divisão que tem origem  na luxúria ou ambição de alguém. Em tal “lugar alto” algo  além de Cristo é exaltado. Quando eu fui pela primeira vez a Xangai em 1933,  encontrei um irmão que particularmente era muito ativo na  vida da igreja. Ele tinha vindo para a vida da igreja em 1927  e era alguém que buscava o Senhor. Um dia o irmão Nee me  mostrou   que   esse   irmão   tinha   a   ambição   de   ser   um  presbítero. Finalmente, em 1948, vendo que o seu desejo pelo  presbitério não tinha sido cumprido, ele deixou a igreja. Ele  começou uma reunião em sua casa e contratou um pregador  itinerante para ministrar. Ele voltou suas costas completa­ mente contra a igreja. Além disso, o pregador contratado por 
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ele escreveu um longo livro criticando e difamando o irmão  Nee e espalhando rumores sobre ele. Após vinte e dois anos  na vida da igreja, esse irmão deixou a igreja para levantar  certo tipo de “lugar alto.”

NÃO ELEVANDO NADA NO   LUGAR DE CRISTO Se você investigar a situação do cristianismo hoje, você  aprenderá que toda divisão é a exaltação de alguma coisa. É  bom ensinar a Bíblia. Mas o estudo da Bíblia não deve se  tornar uma elevação que separa o povo de Deus. O mesmo é  verdade a respeito de orar­ler. Você pode descobrir que orar­ ler é muito proveitoso. No entanto, você não deve elevar isso  insistindo que orar­ler seja praticado nas reuniões. Se você  elevar o orar­ler, você fará até mesmo que o orar­ler se torne  uma causa de divisão. Precisamos pedir ao Senhor que nos  conceda misericórdia para que não elevemos nada no lugar  de   Cristo.   Se   mantivermos   uma   atitude   de   elevar   nossa  opinião ou preferência, nós edificaremos um “lugar alto,” um  lugar de divisão. Foi isso o que aconteceu entre aqueles que  desejaram ter aquela reunião conjunta em Los Angeles em  1963. Aqueles que se opuseram ao falar em línguas elevaram  sua   postura   e   preferência,   enquanto   que   aqueles   que  defenderam   isso   elevaram   sua   postura   e   preferência.  Nenhum dos grupos desejavam guardar minha palavra sobre  se importar com os sentimentos dos outros. Eles desejaram  ter   seu   próprio   caminho.   Tal   desejo   levou­os   a   edificar  “lugares altos.”  Todos nós, especialmente os jovens, devem aprender a  não elevar nada além do Senhor Jesus. Somente Ele deve ser 
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exaltado. Na vida da igreja não devemos ter nenhum “lugar  alto.”  Ao  invés  disso,  devemos  todos  estar  no  mesmo nível  para exaltar a Cristo. UMA QUESTÃO DE GRANDE IMPORTÂNCIA  Os “lugares altos” construídos por Salomão e Jeroboão  danificaram seriamente a base da unidade. Se essa questão  dos “lugares altos” não fosse de grande importância, o Antigo  Testamento não o mencionaria  repetidas vezes. Em 1 Reis  14:22 e 23 é nos dito que “fez Judá o que era mau perante o  Senhor,”   porque   “também   os   de   Judá   edificaram   os   altos,  estátuas, colunas e postes­ídolos no alto de todos os elevados  outeiros e debaixo de todas as árvores frondosas” (Heb.). A  palavra   usada   sempre   a   respeito   dos   outeiros   e   árvores  frondosas mostra que essa prática era comum e amplamente  difundida.   Uma   vez   estabelecido,   esses   “lugares   altos”   não  eram facilmente removidos, até mesmo por bons reis como  Asa. Embora Asa tenha feito o que era correto aos olhos do  Senhor   e   tenha   removido   “todos   os   ídolos   que   seus   pais  fizeram,”   os   “altos,   porém,   não   foram   tirados,   todavia   o  coração de Asa foi, todos os seus dias, totalmente do Senhor.”  (1Rs   15:12,   14).   O   povo   poderia   ter   se   desculpado   ou  justificado a existência dos “lugares altos” dizendo que eles  não os usavam para a adoração das colunas ou dos postes­ ídolos, mas para sacrificar a Deus e para oferecer incenso a  Ele.   Com   respeito   à   Josafá,   nos   é   dito   que   “ele   andou   em  todos os caminhos de Asa, seu pai; não se desviou deles e fez  o   que   era   reto   perante   o   Senhor.   Todavia   os   altos   não   se  tiraram; neles o povo ainda sacrificava e queimava incenso”  (1Rs 22:42,43). Além disso, embora Joás também tenha feito  o que era correto aos olhos do Senhor, os “lugares altos” não  foram  derrubados durante o seu reinado. Pelo contrário “o 
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povo   ainda   sacrificava   e   queimava   incenso  nos   altos”   (2Rs  12:3). Por vezes repetidas nos é dito que o povo “sacrificava e  queimava incenso nos altos” (2Rs 14:3­4; 15:3­4, 34­35). RESTRINGIDOS PELA ESCOLHA DE DEUS Se  estivéssemos lá  naquele  tempo, talvez  tivéssemos  apoio daqueles que sacrificavam nos “lugares altos.” Aqueles  que foram para os “lugares altos” poderiam ter argumentado  que   era   inconveniente   viajar   uma   longa   distância   até  Jerusalém três vezes ao ano. Os Cristãos ainda usam esse  tipo   de   desculpa   hoje.   Parece   que   para   toda   a   divisão   no  cristianismo uma desculpa é oferecida para justificá­la. No  entanto,   no   tempo   do   Antigo   Testamento   o   Senhor   não  aceitava   nada   oferecido   a   Ele   nos   “lugares   altos.”   Ele  considerava   todo   sacrifício   oferecido   lá   como   sendo  abominação, por eles terem sido oferecidos em um lugar de  divisão, em um lugar que abriu uma porta para o prazer da  luxúria e deu oportunidade para a perseguição da ambição.  Somente a adoração, as ofertas e o incenso no lugar único da  escolha de Deus eram considerados genuínos. Aquele lugar  matou a luxúria e não deu oportunidade para a ambição. Até  mesmo apresentar uma oferta genuína em outro lugar que  não   fosse   o   único   lugar   da   escolha   de   Deus   criava   uma  oportunidade   para   o   prazer   do   desejo   egoísta.   Qualquer  “lugar   alto,”   até   mesmo   aqueles   que   as   ofertas   genuínas  eram   oferecidas,   causava   danos   à   base   da   unidade.   Esses  “lugares altos” eram usados pelas pessoas em sua luxúria e  ambição para o cumprimento do seu propósito egoísta. Da   minha   experiência   na   restauração   do   Senhor   na  China   continental,   posso   testificar   que   o   único   lugar   da  escolha   de   Deus   não   deixa   oportunidade   para   prazer   da  luxúria ou para o exercício da nossa ambição. Durante todos 
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os anos na China, eu estive debaixo do ministério do irmão  Nee. Em todas as minhas pregações eu era igual a ele. Todos  os   “lugares   altos”   foram   despedaçados   e   assim   não   havia  espaço   para   o   prazer   da   luxúria   ou   para   a   realização   da  ambição   egoísta.   O   mesmo   é   verdade   entre   nós   hoje.  Importamo­nos somente em exaltar Cristo. Se mantivermos  a base da unidade, a escolha única de Deus, sem elevar nada  além   de   Cristo,   não   será   possível   haver   divisão.   Na  restauração do Senhor elevamos a Cristo e somente Cristo.  Podemos   falar  grandes   coisas   a   respeito   da   vida,   mas   não  elevamos a vida ao ponto de fazê­la um “lugar alto.” Certos  irmãos   entre   nós   são   muito   perspicazes   e   têm   uma   boa  capacidade natural. Mas sua perspicácia e habilidade devem  ser restritas pela base da escolha de Deus. Essa restrição os  irá   guardar   de   elevar   algo   em   lugar   de   Cristo.   Nós   na  restauração do Senhor podemos testificar que, em contraste  com o cristianismo de hoje, não temos nenhum “lugar alto.”  No cristianismo os “lugares altos” são encontrados em toda  parte.   Cada   denominação   e   grupo   independente   é   uma  elevação, um “lugar alto.” Como temos citado repetidamente,  essas   elevações   estão   todas   relacionadas   com   a   luxúria   ou  ambição. LEVADOS AO CATIVEIRO Segundo   o   relato   no   Antigo   Testamento,   depois   da  base   da   unidade   ter   sido   danificada,   na   verdade   ela   foi  perdida.   Israel,   o   reino   do   norte,   foi   conquistado   pelos  assírios   e   Judá,   o   reino   do   sul,   foi   conquistado   pelos  babilônios.   Por   causa   do   pecado   de   Jeroboão   em   ter  levantado   lugares   altos,   a   nação   de   Israel   foi   levada   ao  cativeiro pelos Assírios. Em Sua ira, Deus escolheu tirá­los  da   terra   sagrada.   Segunda   Reis   17:22   e   23   diz,   “Assim, 
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andaram   os   filhos   de   Israel   em   todos   os   pecados   que  Jeroboão tinha cometido; nunca se apartaram deles, até que  o   Senhor   afastou   a   Israel   da   sua   presença.”   Quando   os  Israelitas   estavam   na   terra   sagrada,   eles   estavam   na  presença   do   Senhor.   Mas   quando   foram   levados   a   Assíria,  eles foram tirados da presença do Senhor. O cativeiro de Israel deveria ter sido um alerta para  Judá. O reino  de Judá, no entanto, não atentou para esse  alerta. Como 2 Reis 17:19 diz, “Também Judá não guardou os  mandamentos   do   Senhor,   seu   Deus;   antes,   andaram   nos  costumes   que   Israel   introduziu.”   Aqueles   em   Judá  edificaram   mais   lugares   altos   e   deram   mais   oportunidade  para o maligno entrar. Isso forçou o Senhor a enviar Faraó­ Neco (2Rs 23:29­35). Faraó­Neco removeu Jeoacaz do reinado  e fez Eliaquim rei, mudando o seu nome para Jeoaquim (2Rs  23:34).   Jeoacaz   foi   levado   para   o   Egito,   onde   morreu.   Por  Judá não ter removido os lugares altos, o Senhor finalmente  mandou o exército Babilônico sob o comando de  Nabucodo­ nosor.   Finalmente,   o   templo   foi   destruído   e   um   grande  número de pessoas foi levado ao cativeiro. Anteriormente,   todos   os   filhos   de   Israel   estavam   na  boa terra. Eles eram um único povo com um único centro de  adoração   em   Jerusalém.   Primeiramente,   eles   danificaram  essa   unidade   edificando   lugares   altos   pela   terra.   Mas  finalmente   eles   perderam   essa   unidade   pela   invasão   dos  Assírios   e   pelos   Babilônicos.   Tendo   sido   expulsos   da   boa  terra,   o   povo   de   Deus   se   tornou   os   Judeus   Egípcios,   os  Judeus Assírios ou os Judeus Babilônicos. A base da unidade  foi perdida totalmente. Salmo 137:1­6 é uma descrição da condição deles na  Babilônia. O povo de Deus estava em uma terra estranha e  eles não podiam cantar a música do Senhor. Ao invés disso,  as   margens   do   rio   da   Babilônia   eles   se   assentavam   e 
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choravam se lembrando de Sião. Que figura do cristianismo  de   hoje!   A   grande   maioria   dos   Cristãos   foi   levada   para   o  cativeiro. A base da unidade não foi somente danificada —  ela foi completamente perdida. Poucos Cristãos têm alguma  percepção do que a base da unidade é. Como resultado do seu  cativeiro, muitos dos filhos de Israel até mesmo esqueceram­ se   da   sua   língua.   Eles   finalmente   se   tornaram   Egípcios,  Assírios e Babilônicos. Esse é um retrato vivo do cristianismo  de   hoje.   Que   o   Espírito   Santo   nos   fale   mais   a   respeito   do  dano e da perda da base da unidade.

CAPÍTULO NOVE
A RESTAURAÇÃO E O TESTEMUNHO  DA BASE ADEQUADA DA UNIDADE
Leitura Bíblica: Ed 1:1­11; 2:1­2; 3:1­6, 8­13; 6:14­18; 7:6­9;  8:28­30; 9:1­7; 10:1; Sl 126:1­6; Is 35:10; 51:11

No   capítulo   anterior   vimos   que   os   lugares   altos  causaram   danos   e   prejuízos   à   base   da   unidade.   Antes   de  Salomão   e   Jeroboão   edificarem   lugares   altos,   os   filhos   de  Israel foram preservados em unidade por meio do templo em  Jerusalém, o único lugar da escolha de Deus. Nessa época de 
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festas anuais, o povo de Deus se reunia em unidade. Quando  subiam ao Monte Sião entoavam as palavras do Salmo 133:  “Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!” Entre­ tanto,   para   satisfazer   sua   cobiça,   Salomão   foi   levado   a  edificar   lugares   altos.   Esses   lugares   altos   danificaram   a  genuína unidade do povo de Deus e atrapalharam muitos de  subirem   a   Jerusalém   para   adorar.   Outros   foram   a   esses  lugares altos com pretensão de adorarem a Deus. Contudo,  nesses lugares altos havia ídolos. Além disso, para levar a  cabo sua ambição, Jeroboão também construiu lugares altos.  Esses   lugares   altos   foram   construídos   em   morros   altos   e  debaixo   de   árvores   frondosas,   indicando   quão   gerais   e  comuns eram. UMA FIGURA DA SITUAÇÃO ATUAL Os lugares altos foram a causa de todas as atitudes  malignas.   Tais   que   os   lugares   altos   significam   divisão,  indicando que divisão é uma fonte maligna. Os lugares altos  surgem por meio da carne e da ambição. Salomão construiu  lugares   altos   por   causa   da   cobiça,   enquanto   Jeroboão   os  construiu por causa da ambição. Portanto, a cobiça e ambição  foram os principais fatores da edificação desses lugares altos.  Nos   termos   de   hoje,   divisão   é   o   resultado   da   carne   e   da  ambição. No cristianismo atual há vários “lugares altos”; em  todos   os   lugares   o   cristianismo   está   repleto   de   divisões.  Todos esses “lugares altos” são elevações onde algo além de  Cristo   é   exaltado.   Por   isso   vemos   que   a   situação   do  cristianismo   hoje   é   cumprimento   do   que   é   tipificado   no  Antigo Testamento. Primeiramente,   a   unidade   do   povo   de   Deus   foi  danificada pelos lugares altos. Esse dano provocou a ira de  Deus. Incapaz de tolerar tal situação, Ele enviou o exército  assírio para invadir o reino do norte de Israel. A experiência 
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de Israel deveria ter sido um alerta a Judá, o reino do sul. No  entanto,   aqueles   em   Judá   continuaram   a   adorarem   nos  lugares   altos.   Embora   alguns   tenham   sido   levados   cativos  para o Egito, pelo Faraó­Neco, o povo recusou atender a esse  alerta. Por fim, o exército babilônico não somente conquistou  a terra de Judá, como também destruiu o templo e levaram  um grande número de pessoas para o cativeiro na Babilônia.  Além disso, os vasos do templo foram levados para Babilônia  e colocados nas casas dos ídolos. Assim, a base da unidade  não   foi   somente   danificada,   mas   totalmente   perdida. Essa   é   uma   ilustração   da   situação   dos   Cristãos   de  hoje. As denominações e grupos independentes são “lugares  altos”,   divisões.   Em   cada   um   desses   “lugares   altos”   algo  diferente   de   Cristo   é   exaltado.   Muitas   coisas   boas   e  espirituais são elevadas e utilizadas para causar divisões. A RAZÃO DAS DIVISÕES De   acordo   com   Romanos   14   há   uma   razão   para   os  Cristãos   estarem   divididos.   Entretanto,   muitos   Cristãos  estão   acostumados   com   a   existência   de   “lugares   altos.”  Alguns podem até sentir que os “lugares altos” de hoje são  corretos e necessários. Pensam assim porque nasceram em  um ambiente repleto de divisões, com “lugares altos” de toda  variedade.   Pelo   fato   de   estarem   tão   acostumados   com   a  divisão,   podem   ter   pouco   sentimento   a   respeito   dela.   O  sentimento   de   Paulo   em   Romanos   14,   pelo   contrário,   era  totalmente diferente. Aqui ele nos encorajar a não discutir  sobre   tais   coisas,   como   comida   e   observar   os   dias.   Com  relação a essas coisas, deveríamos abster de expressar nossa  opinião, preservando assim a unidade dos Cristãos. No capítulo anterior, fiz referência à reunião conjunta  dos   grupos   Cristãos   que   permaneceram   por   um   tempo   em  Los Angeles, em 1963. Os membros desses grupos estavam 
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ansiosos   para   virem   para   a   prática   da   vida   da   igreja.  Ouvindo seus interesses e propósitos para ter uma reunião  conjunta, dei a eles uma palavra de Romanos 14. Indiquei  que,   se   pretendemos   praticar   a   vida   da   igreja,   devemos  tomar   o   caminho   estabelecido   por   Paulo   neste   capítulo.  Alguns Cristãos falam sobre a vida do corpo em Romanos 12,  mas   negligenciam   os   princípios   de   Romanos   14.   Sem  Romanos   14   é   impossível   ter   a   vida   do   corpo   descrita   em  Romanos 12. Por séculos, os Cristãos estiveram divididos por  opiniões   sobre   doutrina   e   práticas.   Por   exemplo,   Cristãos  estão   divididos   por   causa   do   batismo.   Há   discussões   não  somente sobre a maneira do batismo, mas também sobre a  água que é usada e o nome no qual os cristãos são batizados.  As   opiniões   relacionadas   ao   batismo   têm   causado   muitas  divisões,   tornando­as   elevações,   pois   exaltam   uma   opinião  particular. Portanto, é de crucial importância que sigamos o  caminho   exemplificado   por   Paulo   em   Romanos   14.   Muitos  destes grupos Cristãos asseguraram­me que tomariam esse  caminho. Entretanto,   poucas   semanas   depois,   os   problemas  aumentaram. Alguns insistiam em tocar pandeiro e falar em  línguas   nas   reuniões.   Outros   se   opunham   firmemente   a  essas   práticas.   Conseqüentemente,   nenhum   grupo   estava  disposto   a   ceder   e   a   se   importar   com   os   sentimentos   dos  outros   para   manter   a   unidade.   Por   fim,   não   foi   possível  continuar   aquelas   reuniões.   Os   membros   desses   grupos  esperavam   que   todos   fossem   iguais   a   eles.   Entretanto,   se  temos tal expectativa, não será possível ter a vida da igreja.  A   vida   da   igreja   deve   ser   todo­inclusiva,   capaz   de   incluir  todos os tipos de Cristãos genuínos. Em Romanos 14, Paulo não teve a intenção de abordar  as questões de comida e observar os dias. Ao invés disso, ele  disse, “Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais 
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todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua  própria mente” (v. 6). Essa foi a atitude de Paulo e deve ser a  nossa atitude hoje. Nós   não   devemos   tentar   moldar   os   outros   a   nós  mesmos. Por exemplo, apesar de não falarmos em línguas,  não devemos proibir outros a falarem em línguas. Por outro  lado, aqueles que falam em línguas não devem insistir que  outros   também   façam   o   mesmo.   Se   tivermos   essa   atitude,  não seremos sectários e não haverá “lugares altos” entre nós. Alguns nos acusam de sermos limitados. Contudo, não  somos limitados, pois recebemos todos os Cristãos genuínos.  Os   que   são   limitados   são   aqueles   que   insistem   em   certa  doutrina   ou   prática.   Sua   insistência   em   questões   particu­ lares   pode   fazer   com   que   elas   sejam   elevadas   e   ocupem   o  lugar de Cristo. A BASE DA UNIDADE TOTALMENTE PERDIDA Todas   as   divisões   no   cristianismo   são   elevações   que  envolvem tanto cobiça como ambição. A divisão é a porta de  entrada   para   todo   tipo   de   maldade.   Considere   o   mal   que  Jeroboão fez. Ele fez dois bezerros de ouro e colocou um em  Betel   e   outro   em   Dã.   Ele   também   edificou   uma   casa   nos  lugares   altos   e   estabeleceu   sacerdotes   dentre   todo   tipo   de  pessoas. Ele “ordenou uma festa no oitavo mês, no décimo  quinto   dia   do   mês,   como   a   festa   que   se   fazia   em   Judá   e  ofereceu   sacrifícios   a   tais   bezerros.”   Todos   esses   pontos  podem   ser  aplicados  ao   cristianismo  de   hoje.  Por   exemplo,  somente   Cristãos   genuínos   que   têm   a   vida   de   Cristo,   que  amam  ao  Senhor  e que conhecem  a  Palavra, deveriam ser  sacerdotes.   Porém,   alguns   dos   ministros   do   cristianismo  atual nem mesmo crêem que Cristo é o Filho de Deus. Além  do   mais,   no   cristianismo   há   muitos   festivais,   tais   como   o  Natal e a Páscoa, os quais foram ordenados e estabelecidos 
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pelo homem. Assim como os filhos de Israel foram levados  cativos   e   sofreram   a   perda   total   da   base   da   unidade,   os  Cristãos   de   hoje   foram   levados   para   Babilônia.   A   base   da  unidade   não   foi   somente   danificada,   ela   foi   totalmente  perdida. Pouquíssimos Cristãos têm idéia do que é a base da  unidade. Quem hoje, se importa com a genuína unidade? É  raro   encontrar   Cristãos   com   esta   preocupação.   A   unidade  genuína do povo de Deus em Cristo foi perdida há séculos.  Por essa razão, a situação do cristianismo hoje é completa­ mente babilônica. Embora alguns falem sobre unidade, isso  não corresponde à genuína unidade revelada nas Escrituras.  Quando   falamos   da   base   da   unidade,   dificilmente   alguém  pode   entender­nos.   Para   muitos   Cristãos   a   linguagem   da  unidade é uma língua desconhecida. A RESTAURAÇÃO DE TODAS AS  COISAS POSITIVAS O Antigo Testamento revela não apenas a destruição e  perda  da base da  unidade, mas  também,  a restauração  do  testemunho   dessa   base.   Jeremias   profetizou   que  depois   de  setenta   anos   de   cativeiro   em   Babilônia,   o   Senhor   traria   o  povo de volta a boa terra. Jeremias 29:10 diz: “Assim diz o  SENHOR: Logo que se cumprirem para a Babilônia setenta  anos, atentarei para vós outros e cumprirei para convosco a  minha boa palavra, tornando a trazer­vos para este lugar.”  Esdras 1:1 refere­se a essa profecia de Jeremias. No primeiro  ano de Ciro, rei da Pérsia, o Senhor despertou o espírito de  Ciro, fazendo­o proclamar por todo o seu reino a necessidade  da  edificação da  casa  de Deus   em   Jerusalém.  Isso ocorreu  “para que se cumprisse a palavra do SENHOR, pela boca de  Jeremias”,   indicando   que   o   retorno   à   Jerusalém   não   foi  iniciado   pelo   homem.   De   acordo   com   o   registro   nítido   da  Bíblia, ele foi iniciado pelo próprio Deus.
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Quando   o   povo   de   Deus   estava   em   Babilônia,   não  ofereceram ali sacrifício para Ele. Em lugar algum é­nos dito  que em Babilônia eles ofereceram oferta queimada todas as  manhãs e noites. Sem dúvida, homens como Daniel, Esdras e  Neemias   oraram,   porém   eles   não   estavam   na   base   para  oferecerem sacrifícios a Deus. Em Babilônia não havia altar.  Sem um altar era impossível a eles oferecerem algo a Deus.  Além disso, em Babilônia o povo de Deus não poder celebrar  as festas anuais. Que situação lamentável! Babilônia era um  bom   lugar   para   jejuar,   mas   não   para   festejar.   Lá   era  adequado para chorar, mas não para se regozijar. Salmo 137:  diz:   “Às   margens   dos   rios   da   Babilônia,   nós   nos   assenta­ vamos e chorávamos, lembrando­nos de Sião.” Quando a base  da   unidade   foi   perdida,   quase   tudo   se   perdeu.   O   povo   de  Deus  perdeu  as  riquezas  da boa  terra,  o  altar  e  as  festas.  Somente   no   lugar   escolhido,   o   Monte   Sião,   poderiam  desfrutar de todas essas riquezas. OS VASOS E O ALTAR Quando   o   Senhor   moveu   o   espírito   do   povo   para  retornar a Jerusalém, não houve somente a restauração da  base da unidade; houve também um restauração espontânea  de   todas   as   coisas   positivas   que   tinham   sido   perdidas.   Os  vasos que Nabucodonosor “tinha trazido de Jerusalém e que  tinha posto na casa de seus deuses” retornaram a Jerusalém  (Ed 1:7­11). Além disso, uma vez que o remanescente do povo  retornou,   “eles   estabeleceram   o   altar   sobre   as   suas   bases”  (Ed 3:3; Hb). O povo de Deus sabia que o lugar do altar não  era em Babilônia, mas somente no único lugar da escolha de  Deus, em Jerusalém. O altar não poderia ser edificado em  qualquer lugar na boa terra. Ele teria que ser edificado no  Monte Moriá, o lugar em que Abraão ofereceu Isaque a Deus.  Qualquer um que procurasse apresentar uma oferta a Deus, 
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tinha que ir ao único, definitivo e específico lugar. Hoje, o único lugar é a unidade. Todas as vezes que a  unidade foi perdida, automaticamente os Cristãos perderam  o   lugar   para   estabelecer  o  altar.  Como resultado,  eles   não  têm   caminho   para   apresentar   uma   oferta   adequada   ao  Senhor. Antes de virmos para a vida da igreja, muitas vezes  tentamos   nos   oferecer   ao   Senhor.   Eu   posso   testificar   que  várias   vezes   consagrei­me   a   Ele.   Mas,   por   meio   de   nossa  experiência, podemos testificar que tal consagração não foi  genuína.   Sem   retornar   a   única   base   da   unidade   não   há  maneira de fazer qualquer oferta a Deus. Após o retorno do  povo   de   Deus   a   Jerusalém,   eles   estabeleceram   um   altar   e  começaram   a   novamente   oferecer   sacrifícios.   Foi   o   mesmo  com a nossa experiência. Depois de virmos para a vida da  igreja, encontramo­nos capazes de nos consagrar ao Senhor  de maneira adequada e genuína. A FUNÇÃO ADEQUADA DA CONSCIÊNCIA Somente após o retorno do cativeiro, o povo de Deus  tratou com seus casamentos mistos com os pagãos (Ed 9:1­7).  Sua consciência não poderia tolerar por muito mais tempo tal  prática  pagã.  Este foi  o  resultado espontâneo do retorno à  base   da   unidade.   Certamente   houve   muitos   casamentos  mistos em Babilônia. Entretanto, somente após o retorno do  cativeiro, foram tocados na consciência e trataram com esses  casamentos. O   mesmo   acontece   na   restauração   do   Senhor   hoje.  Somente   após   virmos   para   a   vida   da   igreja   que   nossa  consciência   começou   a   funcionar   de   forma   adequada.   Nós  “cingimos o lombo” e nos tornamos cuidadosos em guardar as  questões que anteriormente tinham sido danificadas. Antes  de   virmos   para   a   restauração   do  Senhor,   estávamos   livres  para   nos   envolver   em   certos   entretenimentos   mundanos. 
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Mas, depois que começamos a viver a vida da igreja, todo o  nosso ser foi cingido. Começamos a buscar um viver piedoso e  um   desejo   ardente   pelo   orar­ler   a   Palavra.   De   forma  espontânea   começamos   a   exercitar   cuidadosamente   nossa  consciência.  Essa  atitude não é resultado de ensinamentos  ou regras. Simplesmente é uma questão de retornar a base  da   unidade.   Ao   virmos   para   a   vida   da   igreja,   tivemos   um  desejo pelo viver piedoso. Muitos comportamentos negativos  começaram   a   ser   abandonados   e   muitas   práticas   positivas  começaram   a   se   tornar   nossa   experiência.   Por   exemplo,  sentíamos   que   não   mais   deveríamos   praticar   o   Natal.  Ninguém   nos   cobrou   para   não   continuar   a   celebração   do  Natal. Espontaneamente começamos a ter o sentimento de  não mais celebrá­lo. Começamos também, a descartar muitas  coisas   negativas   para   desfrutar   das   positivas.   Isso   mostra  que quando a unidade é restaurada, tudo o que é positivo é  restaurado com ela. ASPIRAÇÕES SANTAS Nada   é   mais  satisfatório   do  que  a  base   da   unidade.  Para   os   santos   do   Antigo   Testamento   o   pensamento   de  entrar   nos   átrios   da   casa   do   Senhor   estimulava   santas   e  divinas aspirações  interiores. Muitos Salmos  ilustram isso.  Esses   Salmos   estão   repletos   de   aspirações   de   santidade,  divindade,   viver   piedoso   e   da   presença   do   Senhor.   As  aspirações divinas eram despertadas pelo simples fato de se  pensar na casa de Deus. A PRESENÇA DE DEUS A presença de Deus está essencialmente relacionada à  base   da   unidade.   Antes   de   vir   para   a   vida   da   igreja,   eu  amava   o   Senhor   verdadeiramente.   Entretanto,   não   tinha 
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muito   desfrute   da   Sua   presença.   Mas,   quando   vim   para   a  vida   da   igreja   comecei,   de   maneira   pratica,   a   desfrutar  diariamente   da   presença   do   Senhor.   Mesmo   durante   um  trabalho   desgastante,   tinha   desfrute   da   Sua   presença.   De  acordo com a minha experiência, testifico que participar da  vida   da   igreja   faz   uma   tremenda   diferença   em   nossa   vida  cristã. Muitos   entre   nós   podem   dar   o   mesmo   testemunho.  Antes de virmos para a igreja, estávamos em Babilônia. Nós  amávamos e buscamos o Senhor, mas não tínhamos o pleno  desfrute de Sua presença. Entretanto, depois de virmos para  a vida da igreja, muitos desejos e aspirações santas foram  despertadas em nós. Mais do que nunca, aspiramos estar na  presença   do   Senhor.   Isso   é   o   resultado   espontâneo   de  retornar   à   base   da   unidade,   o   único   lugar   da   escolha   de  Deus. Quando o povo de Deus retornou à Jerusalém, todas as  coisas positivas que tinham sido perdidas durante o cativeiro  em Babilônia foram restauradas. Todas as coisas sagradas,  divinas,   celestiais   espontaneamente   voltaram.   Tem   sido   o  mesmo conosco na restauração do Senhor hoje. ENCHIDOS DE REGOZIJO O Salmo 126:1­2 diz: “Quando o SENHOR restaurou a  sorte de Sião, ficamos como quem sonha. Então, a nossa boca  se encheu de riso, e a nossa língua, de júbilo.” O povo que  voltou a Deus foi enchido de riso e regozijo porque todas as  coisas   positivas   foram   restauradas.   Entretanto,   antes   de  retornarem a Jerusalém, eles não tiveram tal desfrute. Mas,  depois que retornaram, desfrutaram tantas coisas excelentes  que pareciam estar sonhando. Isaias   35:10   e   51:11,   versículos   que   são   muito  semelhantes, também nos fala da alegria da volta do povo a  Deus.   Esses   versículos   declaram   que   “os   resgatados   do 
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SENHOR   voltarão   e   virão   a   Sião   com   cânticos   de   júbilo;  alegria eterna coroará a sua cabeça.” O fato de essa questão  ser repetida mostra sua importância, pois qualquer coisa que  é   repetida   na   Bíblia   é   de   especial   importância.   Durante   o  tempo   de   Isaias,   o   cativeiro   babilônico   ainda   não   havia  acontecido.   Contudo,   Isaias   falou   acerca   da   alegria,   do  desfrute   da   salvação   de   Deus   ao   Seu   povo   resgatado.   Ele  previu   a   alegria   do   retorno   dos   cativos.   Não   creio   que  Salomão   e   seus   contemporâneos   foram   tão   alegres   quanto  Zorobabel, Josué o sacerdote, Esdras e todos os outros que  voltaram   do   cativeiro   à   Jerusalém.   Eles   experimentaram  muito mais a alegria da salvação de Deus do que Salomão.  Por essa razão, o escritor do Salmo 126 declarou que eram  como quem sonham. A UNIDADE TODA INCLUSIVA Como agradecemos ao Senhor por restaurar a genuína  unidade, a unidade que foi perdida pelo cristianismo! Esta  unidade é todo­inclusiva; ela inclui todas as coisas positivas.  As divisões, ao contrário, incluem todas as coisas negativas.  Visto   que,   quando   nos   voltamos   para   a   unidade,   todas   as  coisas   divinas,   celestiais   e   espirituais   retornam.   A   razão  disso é que todas essas coisas existem na unidade. Por um  lado, admitimos que somos tão pequenos e temos um longo  caminho a percorrer. Por outro lado, podemos testificar que  as riquezas do Senhor certamente são encontradas na Sua  restauração. A única base da unidade está aqui e todas as  riquezas   espirituais   estão   incluídas   nessa   base.   Todas   as  coisas divinas e espirituais são nossas na base da unidade. O TESTEMUNHO DO SENHOR  NA BASE DA UNIDADE
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O testemunho do Senhor hoje anda junto com a base  da unidade. Este testemunho não depende de nosso empenho  e   esforço   próprio.   Podemos   melhorar   nossas   mentes   a   nós  mesmos;   somente   para   incorrer   mais   uma   vez   ao   erro.   O  testemunho  do Senhor não depende de nossos esforços; ele  depende do Seu trabalho em nós na base da unidade. Depois  de virmos para a vida da igreja, a aspiração por divindade,  santidade e espiritualidade foram despertadas dentro de nós  espontaneamente. Isso não foi nossa própria obra; foi total­ mente a obra do Senhor. Por estarmos na base adequada, a  base   da   unidade,   a   palavra   de   Deus   é   transparentemente  aberta a nós. Isso é totalmente devido à benção do Senhor na  base   da   unidade.   Onde   a   restauração   da   base   da   unidade  está, há também o testemunho do Senhor. Quando   o   povo   de   Deus   no   Antigo   Testamento  retornou a Jerusalém, todas as coisas que pertenciam a Deus  retornaram: o altar, as ofertas, o templo, as festas e o rico  desfrute.   Entretanto,   aqueles   que   permaneceram   em  Babilônia   não   tiveram   participação   no   testemunho   do  Senhor.   As   coisas   divinas   não   eram   encontradas   em  Babilônia;   elas   estavam   em   Jerusalém,   o   único   lugar   da  escolha de Deus. Embora o retorno do povo de Deus tenha  sido fraco  ou inadequado em muitos  aspectos, não se pode  negar que o testemunho do Senhor estava com eles, não com  os que estavam na Babilônia. Além do mais, o retorno do povo de Deus à base da  unidade   também   foi   usado   por   Deus   para   gerar   a   Cristo.  Maria,   a   mãe   do   Senhor   Jesus,   era   uma   descendente  daqueles   que   retornaram   do   cativeiro.   Se   os   cativos   não  retornassem,   não   teria   havido   um   caminho   para   Cristo  nascer em Belém. Não teria havido um canal, um meio, para  Ele vir de acordo com as profecias. Daí, o retorno do cativeiro  em Babilônia foi uma preparação necessária para a vinda de 
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Cristo.   No   mesmo   princípio,   creio   que   a   restauração   do  Senhor hoje será usada por Deus como uma preparação para  a   volta   do   Senhor.   O   Senhor   pode   usar   totalmente   Sua  restauração por causa da Sua volta!

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CAPÍTULO DEZ
A REVELAÇÃO FINAL E MÁXIMA  DA UNIDADE LOCAL E A  SUA RESTAURAÇÃO
Leitura Bíblica: Gn 1:1; Ml 1:1­2; Mt 1:1; 16:16­18; 18:17; Jo  1:1, 14; 20:17; At 8:1a; 13:1a; 14:23; 1Co 1:2a; Gl 1:2; Ap 1:4­ 5a, 11, 20; 3:22; 22:17a Nos   capítulos   anteriores   dedicamos   muita   atenção   a  várias   porções   do   Antigo   Testamento.   Nesse   capítulo  precisamos   ter   uma   visão   mais   abrangente   do   Novo  Testamento   com   respeito   à   revelação   final   e   máxima   da  unidade local e a sua restauração. UMA VISÃO PANORÂMICA DA REVELAÇÃO DE  DEUS DO ANTIGO TESTAMENTO Se   tivermos   uma   visão   panorâmica   da   Bíblia   e  considerarmos a Bíblia como um todo, veremos que ela revela  quatro   figuras   principais.   Primeiramente,   a   Bíblia   revela  Deus como o Criador. O primeiro versículo da Bíblia, Gênesis  1:1 diz, “No princípio, criou Deus os céus e a terra.” (Heb.).  Deus estava no princípio e todas as coisas foram criadas por  Ele.   Malaquias   1:1   e   2   revelam   que   esse   Deus   é   também  Aquele   que   ama   a   Israel.   Portanto,   o   Antigo   Testamento  revela Deus como o Criador de todas as coisas e como Aquele  que ama um povo em especial, Israel. De certo modo, esse é  um   resumo   da   revelação   de   Deus   no   Antigo   Testamento. 
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Podemos chamar esse Deus de o Deus de Israel. Esse termo  também é usado no Antigo Testamento. Os Judeus, evidente­ mente, amam muito o Antigo Testamento porque ele revela  que o único Deus no universo, Aquele que criou os céus e a  terra, é também o mesmo Deus que ama Israel. CRISTO E A IGREJA Como   todos   sabem,   o   Novo   Testamento   continua   a  revelar muito mais a respeito de Deus. Por esta razão, nós  que cremos em Cristo não podemos dizer que a revelação de  Deus no Antigo Testamento é uma revelação plena de nosso  Deus, pois ela trata de uma revelação parcial e incompleta  Dele. Mateus 1:1 diz, “Livro da genealogia de Jesus Cristo,  filho de Davi, filho de Abraão.” Quão diferente é a abertura  do   Novo   Testamento   em   relação   ao   primeiro   versículo   do  Antigo Testamento! Essa Pessoa que é citada em Mateus 1:1  é revelada adiante em Mateus 16. Nesse capítulo o Senhor  perguntou aos Seus discípulos, “Quem diz o povo ser o Filho  do   homem?”   Depois   de   os   discípulos   terem   dado   algumas  respostas, o Senhor direcionou Sua pergunta especificamente  para eles: “Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou?”  (v.15).   Recebendo   revelação   do   Pai   nos   céus,   Simão   Pedro  respondeu e disse, “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (v.  16).   O   Senhor   reconheceu   que   essa   revelação   não   veio   de  carne e sangue, mas do Pai. Então, Ele prosseguiu e disse,  “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e  as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (v. 18). O  que temos aqui não é Israel amado por Deus—temos a igreja  edificada por Cristo. João   1:1   diz,   “No   princípio   era   o   Verbo,   e   o   Verbo  estava com Deus, e o Verbo era Deus.” No versículo 14 nos é 
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dito que “o Verbo se fez carne e tabernaculou entre nós, cheio  de graça e de verdade.” Esse Verbo que estava no princípio  com Deus e que se tornou carne é o próprio Deus que criou  todas as coisas, mas Ele é muito mais. Em nossa pregação do  evangelho precisamos dizer isso aos nossos amigos Judeus.  Precisamos ensinar­lhes a verdade de que o Deus que criou  todas   as  coisas   se tornou   homem  por  meio  da   encarnação.  Também   devemos   dizer­lhes   que   Deus   não   parou   somente  como   Aquele   que   amou   a   Israel.   Segundo   o   Evangelho   de  João,   Ele   se   tornou   um   homem.   Portanto,   conhecer   Deus  apenas como Deus é conhecê­Lo de uma maneira incompleta. Depois de ter vivido na terra por trinta e três anos e  meio, Cristo foi crucificado e entrou para a ressurreição. No  dia   de   Sua   ressurreição,   Cristo   disse,   “Vai   ter   com   meus  irmãos e dize­lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu  Deus e vosso Deus” (Jo 20:17). Em Mateus temos Cristo e a  igreja. Em João temos o Filho de Deus e Seus muitos irmãos,  os quais são a igreja. Após Sua ressurreição, Cristo começou  a   chamar   os   discípulos   de   irmãos,   pois   por   meio   de   Sua  ressurreição   eles   foram   regenerados   (1Pe   1:3)   com   a   vida  divina   liberada  por  Sua   morte  transmissora  de vida,  como  indicado em João 12:24. Ele era o unigênito do Pai, como a  expressão   individual  do   Pai.   Agora,   por  intermédio  de  sua  morte   e   ressurreição,   o   unigênito   do   Pai   se   tornou   o  “primogênito entre  muitos  irmãos”  (Rm  8:29). Seus  muitos  irmãos são os muitos filhos de Deus e a igreja (Hb 2:10­12),  como a expressão coorporativa de Deus o Pai no Filho. Nesse   ponto   vemos   a   partir   da   revelação   na   Bíblia,  três principais personagens: Deus, Cristo e a igreja. Deus é  corporificado   em   Cristo   e   Cristo   é   expresso   por   meio   da  igreja. Essa é a revelação no final dos Evangelhos. AS IGREJAS LOCAIS
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A partir de agora prosseguiremos do livro de Atos até o  livro de Apocalipse. Aqui não vemos somente Deus, Cristo, e  a igreja; temos também as igrejas. Em Mateus 16 o Senhor  diz,   "Eu   edificarei   a   Minha   igreja."   Esta   igreja   é   única,   a  igreja universal tipificada por Sião. Mas da mesma maneira  que Sião tem muitos picos, também a igreja universal tem  muitas expressões locais. Em Mateus 18, onde o Senhor fala  de   levar   uma   questão   a   igreja,   nós   vemos   uma   destas  expressões   locais.   Podemos   também   comparar   a   igreja  universal   a   uma   árvore   e   as   igrejas   locais   aos   galhos   da  árvore. Em Mateus 18 nós vemos um dos galhos desta árvore  universal. Aqui está uma igreja local para a qual podemos  levar nossos problemas. Além disso, tal igreja também pode  tratar   com   certas   pessoas   e   até   fazer   com   que   elas   sejam  consideradas como gentios ou publicanos. No   livro   de   Atos   nós   lemos   sobre   a   igreja   em  Jerusalém (8:1) e de uma outra igreja em Antioquia (13:1).  Segundo Atos 14:23, os apóstolos ordenavam presbíteros em  cada   igreja.   As   igrejas   referidas   aqui   são   aquelas  estabelecidas   nas   províncias   da   Ásia   Menor.   Primeira  Coríntios 1:2 fala de "a igreja de Deus que está em Corinto."  Além   disso,   em   Gálatas   1:2   Paulo   se   refere   "as   igrejas   da  Galácia," uma região do Império Romano que incluía muitas  localidades. Da mesma maneira que existem muitas igrejas  locais   no   estado   da   Califórnia   hoje,   também   existia   várias  igrejas na região da Galácia na época de Paulo. No   livro   de   Apocalipse   a   revelação   divina   na   Bíblia  alcança sua consumação. A igreja universal como o Corpo de  Cristo é expresso pelas igrejas locais. As igrejas locais, como  a   expressão   do   um   Corpo   de   Cristo   (Ap   1:12,   20),   são  localmente uma. Apocalipse 1:4 diz, "João, às sete igrejas que  se encontram na Ásia." A Ásia era uma província do Império  Romano antigo em que estava as sete cidades mencionadas 
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em   1:11.   As   sete   igrejas   estavam   naquelas   sete   cidades  respectivamente, não todas em uma cidade. Apocalipse não  trará com a igreja universal, mas com as igrejas locais em  várias cidades. Vimos que a igreja é primeiramente revelada  como   universal   em   Mateus   16:18   e   então   como   local   em  Mateus   18:17.   Em   Atos   a   vida   da   igreja   era   praticada   de  maneira local, como a igreja em Jerusalém (8:1) e a igreja em  Antioquia (13:1) e as igrejas nas províncias da Síria e Cilícia  (15:41). Sem as igrejas locais, não existe nenhuma pratica­ lidade e realidade da igreja universal. A igreja universal é  praticável nas igrejas locais. Ao conhecer a igreja universal­ mente,   também   devemos   conhecê­la   localmente.   É   um  grande avanço para nós conhecermos e praticarmos a vida da  igreja.  Com  relação  à  igreja,  o livro  de Apocalipse está   na  fase   avançada,   pois   é   escrito   para   as   igrejas   locais.   Se  quisermos   conhecer   este   livro,   devemos   avançar   da  compreensão da igreja universal para a realidade e prática  das igrejas locais. UMA CIDADE, UMA IGREJA Em 1:11 a voz disse para João, "O que vês, escreve em  um   livro   e   manda   às   sete   igrejas:   para   Eféso,   Esmirna,  Pérgamo,   Tiatira,   Sardes,   Filadélfia   e   Laodicéia."   Este  versículo   é   composto   em   uma   maneira   muito   importante.  Aqui vemos que o enviar deste livro "para  as  sete igrejas"  equivale a enviá­lo para as sete cidades. Isto deixa claro que  a   prática   da   vida   da   igreja   era   de   uma   igreja   para   uma  cidade,   uma   cidade   com   uma   igreja.   Em   nenhuma   cidade  havia mais de uma igreja. A jurisdição de uma igreja local  deve abranger toda a cidade em que a igreja está; não deve  ser maior ou menor que o limite da cidade. Todos os crentes  dentro daquele limite devem constituir a única igreja local  dentro   daquela   cidade.   Conseqüentemente,   uma   igreja 
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equivale a uma cidade, e uma cidade equivale a uma igreja.  Isto é o que nós chamamos as igrejas locais. GRAÇA E PAZ DA PARTE DO DEUS TRIÚNO  PARA AS SETE IGREJAS Apocalipse 1:4 e 5 são versículos muito significativos.  "João, às sete igrejas que se encontram na Ásia: Graça e paz  a   vós   outros,   da   parte   Daquele   Que   é,   Aquele   que   era,   e  Aquele que há de vir, e da parte dos sete Espíritos que se  acham   diante   do   Seu   trono,   e   de   Jesus   Cristo,   a   fiel  Testemunha, o Primogênito dos mortos, e o Soberano dos reis  da   terra."   Segundo   estes   versículos,   graça   e   paz   são  transmitidas para as sete igrejas do Deus Triúno. Note que  nestes versículos existem três "da parte de": Daquele Que é,  e Daquele Que era, e Daquele Que há de vir (o Pai); da parte  dos sete Espíritos (o Espírito); e da parte de Jesus Cristo (o  Filho). Que revelação plena do Deus Triúno! Como Deus, o  Pai eterno, Ele estava no passado, Ele está no presente, e Ele  está vindo no futuro. Como Deus, o Espírito, Ele é o Espírito  sete vezes intensificado para operação de Deus. Como Deus o  Filho,   Ele   é   a   Testemunha,   o   testemunho,   a   expressão   de  Deus, o Primogênito dos mortos para a igreja, a nova criação,  e o Soberano dos reis da terra para o mundo. Desta maneira,  o Deus Triúno concede graça e paz as igrejas. A   revelação   de   Deus   nestes   versículos   é   muito   mais  completa do que a revelação em Gênesis 1:1. O Deus revelado  em Gênesis não podia ser chamado Jesus, pois em Gênesis  ainda   não   temos   a   encarnação.   De   acordo   com   João   1,   o  mesmo Deus que é o Criador em Gênesis 1 é a Palavra que se  tornou carne e tabernaculou entre nós. Quando a Palavra se  tornou carne, Ele recebeu o nome Jesus. Em Apocalipse 1:5,  Jesus é a Fiel Testemunha e o Soberano dos reis da terra.  Apocalipse 1:4 e 5 contém a última revelação na Bíblia. A 
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revelação nas Escrituras começa com Deus como o Criador e  consuma com o Deus Triúno processada dando graça e paz  para   as   igrejas   locais.   De   acordo   com   a   Revelação   1:4,   o  Espírito se tornou os sete Espíritos, isto é, o Espírito todo­ inclusivo. Além disso, o Filho se tornou a Testemunha fiel, o  Primogênito   dos   mortos,   e   o   Soberano   dos   reis   da   terra.  Tendo   passado   por   meio   da   encarnação,   viver   humano,  crucificação,   ressurreição   e   ascensão,   Ele   foi   entronizado  acima de todos ao reis. Esse Deus Triúno processado não está  diretamente relacionado a indivíduos ou a igreja de um modo  geral, mas as igrejas. Por essa razão, Apocalipse 1:4 e 5 diz  especificamente que a graça e paz procede do Deus Triúno  para as sete igrejas. O PROGRESSO DA REVELAÇÃO DIVINA A   revelação   de   Deus   começou   com   Ele   mesmo   e  continuou com Cristo e o Espírito até atingir Sua meta nas  igrejas   locais.   Sem   as   igrejas   locais,  não  temos   a   meta   da  revelação divina. Aqui a deficiência entre os Judeus e muitos  Cristãos,   e   mesmo   muitas   pessoas   assim   chamadas  espirituais fica evidente. Os Judeus têm Deus, a maioria dos  Cristãos   tem   Deus   e   Cristo,   e   os   Cristãos   com   algum  progresso também têm o Espírito, mas muito poucos Cristãos  têm a vida da igreja adequada nas igrejas locais. Hoje, nas  igrejas locais, nós temos Deus, Cristo, o Espírito, e a igreja. O resultado do progresso da manifestação de Deus é a  igreja. Deus foi encarnado em Cristo, Cristo é compreendido  e experimentado como o Espírito que dá vida para nós, e o  Espírito flui nas igrejas. Quando experienciamos e temos a  percepção de Cristo como o Espírito que dá vida, o resultado  é a vida da igreja. A igreja é o Corpo, a plenitude de Cristo. O  progresso dessa revelação é Deus, Cristo, o Espírito, a igreja, 
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e as igrejas locais. Isso é a revelação de Deus em Sua Palavra  santa. Em   Apocalipse   22:17   vemos   uma   expressão  maravilhosa: "O Espírito e a Noiva diz..." Aqui nós temos um  sujeito composto—o Espírito e a Noiva. O Espírito é o Deus  Triúno processado, todo­inclusivo que dá vida, e a Noiva é a  igreja composta de todas as igrejas com todos os santos. O  fato de o Espírito e a Noiva falarem a mesma coisa indica  que o Deus Triúno se tornou totalmente um com Seu povo  redimido. Que maravilhoso! Precisamos ficar profundamente impressionados com o  progresso   da   revelação   divina   na   Bíblia.   Temos   salientado  que   no   Antigo   Testamento   temos   Deus   como   o   Criador   e  como   Aquele   que   ama   Israel.   Em   Mateus   e   João   vemos   a  genealogia de Jesus Cristo e a Palavra que se tornou carne e  tabernaculou entre nós. Além disso, nestes livros lemos sobre  a igreja edificada por Cristo e dos muitos irmãos do Filho de  Deus que são a igreja. Em Atos a igreja foi é estabelecida em  várias   cidades.   A   maior   parte   das   Epístolas   foi   escrita  particularmente para as igrejas locais. Por fim, no livro de  Apocalipse vemos que graça e paz são dadas as igrejas locais  provenientes   do   Deus   Triúno   processado.   Finalmente,   de  acordo   com   Apocalipse   22:17,   o   Espírito   e   a   Noiva   falam  como um, indicando que o Deus Triúno é verdadeiramente  um com Seu povo redimido. NOSSA IGREJA LOCAL Se   estivermos   claros   quanto   à   revelação   na   Bíblia,  devemos perceber que o lugar adequado para desfrutar Deus  hoje é nas igrejas locais. Em particular, precisamos estar em  uma   igreja   local   definida   para   que   possamos   dizer   que   é  nossa igreja local. Embora eu ame todas as igrejas, eu devo  ser   honrado   e   testemunhar   que   nenhuma   igreja   é   tão  querida   e   amável   para   mim   quanto   a   igreja   em   Anaheim 
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porque a igreja em Anaheim é minha igreja local. Todos nós  devíamos ter o mesmo sentimento sobre a igreja em nossa  cidade. Quão lamentável é a situação da maioria dos cristãos  hoje! Por não estarem na vida da igreja, eles são órfãos sem  uma casa. Esta era nossa condição antes de virmos para a  vida da igreja na restauração do Senhor. Não apenas éramos  órfãos—éramos   errante.   Antes   de   virmos   para   as   igrejas  locais, nós nunca tivemos a sensação de que voltamos para  casa ou que alcançamos nosso destino. Mas no dia em que  vimos para a vida da igreja, nós soubemos que voltamos para  casa. Depois de vaguear por anos, nós finalmente alcançamos  nosso destino. Alguma coisa profunda interior disse, "Este é  o   lugar".   Muitos   cristãos   buscadores   hoje,   pelo   contrário,  estão   ainda   excursionando;   eles   estão   viajando   de  denominação em denominação. Mas  no dia em  que  viemos  para   a   vida   da   igreja,   nossa   viagem   errante   cessou.   As  igrejas  locais   são o  que Deus   deseja   hoje.  Esta  é a   ultima  estação da Sua revelação. Todos   os   cristãos   genuínos   crêem   que   Cristo   é   o  próprio Deus que criou o universo, que se tornou um homem,  que morreu na cruz para nossa redenção, e que ressuscitou  completamente   de   entre   os   mortos.   Todos   os   cristãos  verdadeiros   receberam   este   Cristo   como   seu   Salvador   e  Redentor. Porém, é possível ser tal genuíno Cristão e ainda  estar experiencialmente ou nos Evangelhos ou em Atos. Nós  devemos ser cristãos no livro de Apocalipse; isto é, devemos  estar na consumação final e máxima de Deus. Devemos ser  cristãos   que   desfrutam   o   Deus   Triúno   processado,   todo­ inclusivo,   que   dá   vida,   mesclado   com   as   igrejas.   Se  estivermos   nesta   realidade,   então   seremos   cristãos   em  Apocalipse. É fácil para os crentes verem a igreja universal, mas é 
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difícil  eles  verem   as  igrejas  locais.  A  revelação das  igrejas  locais é o desvendar final do Senhor com relação à igreja. Ela  foi   dada   aqui   no   ultimo   livro   da   Palavra   divina.   Para  conhecer   plenamente   a   igreja,   os   crentes   devem   seguir   o  Senhor dos Evangelhos, através das Epístolas, para o livro  de Apocalipse até que estejam habilitados para ver as igrejas  locais como desvendadas lá. Em Apocalipse a primeira visão  é   com   respeito   às   igrejas.   As   igrejas   com   Cristo   como   seu  centro é o enfoque na administração divina para o cumpri­ mento do propósito eterno de Deus. Temos visto as quatro figuras principais reveladas na  Bíblia: Deus, Cristo, a igreja, e as igrejas. Nosso Deus não é  meramente o Criador em Gênesis 1. Ele é o Deus processado  em Apocalipse 1:4 e 5. Ele é Aquele que É, que Era, e que Há  de  vir; Ele  é os  sete Espíritos; e Ele é Jesus  Cristo, a fiel  Testemunha, o Primogênito dos mortos, e o Soberano dos reis  da Terra. Quão abençoados somos por conhecer Deus desta  maneira e ter tal visão panorâmica da Bíblia! Que privilégio  ouvir tal palavra relacionada à revelação final e máxima de  Deus   nas   Escrituras!   Hoje   em   nossa   igreja   local   podemos  apreciar   o   Deus   Triúno   processado,   todo­inclusivo,   que   dá  vida. O ESPÍRITO FALANDO AS IGREJAS Em Apocalipse 2 e 3 temos dito repetidamente que o  Espírito fala às igrejas. Isto é muito diferente da expressão  do   Antigo   Testamento,   "Assim   diz   o   Senhor".   Visto   que   o  Espírito   hoje   fala   as   igrejas,   devemos   estar   em   uma   das  locais igrejas a fim de ouvir o Seu falar. O Espírito hoje está  falando diretamente para as igrejas. Portanto, é vital para  nós   estarmos   em   uma   das   igrejas,   em   uma   igreja   que  possamos designá­la como nossa igreja local.

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CANDELABROS DOURADOS Em Apocalipse as igrejas, tipificadas pelos candelabros  de   ouro,   são   o   testemunho   de   Jesus   (1:2,   9)   na   natureza  divina,   brilhando   localmente   na   noite   escura,   contudo  coletivamente.   As   igrejas   devem   ser   da   natureza   divina— dourada.   Elas   devem   ser   as   hastes,   até   o   candelabro,   que  sustenta as lâmpadas com o óleo (Cristo como o Espírito que  dá   vida),   brilhando   de   fato   na   escuridão   e   coletivamente.  Elas   são   candelabros   individuais   localmente,   contudo   ao  mesmo tempo elas são um grupo, uma coleção de candelabros  universalmente.   Elas   não   estão   brilhando   apenas   local­ mente, mas  também  sustentando universalmente o mesmo  testemunho tanto para as localidades como para o universo.  Elas   são   da   mesma   natureza   e   da   mesma   forma.   Elas  sustentam a mesma lâmpada para o mesmo propósito e são  completamente identificados umas com as outras, não tendo  qualquer   distinção   individual.   As   diferenças   das   igrejas  locais registradas em capítulos dois e três são todas de uma  natureza   negativa,   não   de   uma   natureza   positiva.  Negativamente,   em   seus   fracassos,   eles   são   diferentes   e  separam   umas   das   outras;   mas   positivamente,   em   sua  natureza,   forma   e   propósito,   elas   são   absolutamente  idênticas e conectadas umas as outras. O SIGNIFICADO IMPLÍCITO  DO DEUS TRIÚNO Ao   longo   dos   séculos,   poucos   cristãos   tocaram   as  profundezas   do   significado   dos   candelabros   como   símbolos  das igrejas locais. De acordo com nosso conceito natural, um  candelabro   é   simplesmente   um   objeto   sustentando   uma  lâmpada que brilha na escuridão. O candelabro em Êxodo 25  é de ouro puro, e o candelabro em Zacarias 4 e Apocalipse 
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também   são   de   ouro.   Substancialmente,   o   candelabro   é  dourado.   Com   o   candelabro   nós   vemos   três   coisas   impor­ tantes: o ouro, as hastes e as lâmpadas. O candelabro tem  implicação direta com o significado do Deus Triúno. O ouro é  a substância com a qual o candelabro é feito, as hastes são a  corporificação  do  ouro,   e  as   lâmpadas   são  a   expressão  das  hastes.  O   ouro  tipifica   o  Pai   como  a  substância,  as   hastes  tipifica o Filho como a corporificação do Pai, e as lâmpadas  tipificam o Espírito como a expressão do Pai no Filho. Desta  maneira,   o   significado   do   Deus   Triúno   está   diretamente  implicado no candelabro. Substancialmente, o candelabro é  um,   mas   expressivamente,   é   sete   porque   é   um   candelabro  com sete lâmpadas. Na base o candelabro é um; no topo, é  sete. Devemos discutir se ele é um ou sete? Em substância, o  candelabro   é   um   pedaço   de   ouro,   mas   ele   sustenta   sete  lâmpadas.   Isto   misteriosamente   indica   que   substancial­ mente o Deus Triúno é um. Em substância, Ele é um, mas  em expressão, Ele é Espírito sete vezes intensificado. O Pai  como a substância é corporificado no Filho como a fôrma, e o  Filho é expresso como o Espírito sete vezes intensificado. Como   podemos   provar   que   as   sete   lâmpadas   são   o  Espírito expressando Cristo? As sete lâmpadas são primeira­ mente   mencionadas   em   Êxodo.   Se   tivéssemos   apenas   o  registro em Êxodo, entretanto, seria difícil percebermos que  estas sete lâmpadas é o Espírito. Prosseguindo de Êxodo até  Zacarias, nós vimos que as sete lâmpadas são os sete olhos  de Cristo e os sete olhos de Deus (Zc 3:9; 4:10). Continuando  para Apocalipse, nós vemos que os sete olhos do Cordeiro são  os   sete   olhos   os   quais   é   o   Espírito   intensificado   de   Deus.  Conseqüentemente, nós temos uma forte base para dizer que  as sete lâmpadas é o Espírito sete vezes intensificado como a  expressão de Cristo.
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O DEUS TRIÚNO CORPORIFICADO  E EXPRESSADO Temos   visto   que   o   candelabro   tem   implicação   direta  com o significado do Deus Triúno; simboliza o Deus Triúno  corporificado e expressado. Deus o Pai como o ouro divino é  corporificado   em   Cristo   o   Filho   e   então   é   completamente  expresso pelo Espírito. A expressão difere da incorporação. A  incorporação   deve   ser   exclusivamente   única   porque   nosso  Deus é exclusivamente um. Deste modo, a incorporação deve  ser   uma   haste.   A   expressão,   porém,   deve   ser   completa,   e  completa no mover de Deus. Lembre­se que sete é o número  para completação no mover de Deus. Ao longo dos séculos,  Deus foi expresso em Seu mover. Esta é a razão que as sete  lâmpadas tipificam o Espírito intensificado como a expressão  de Cristo no mover completo de Deus. Esta é a compreensão  prática da Trindade. A Trindade é para o dispensar de Deus para dentro da  humanidade.   Deus,   o   Ser   divino,   é   primeiramente   corpori­ ficado em Cristo e então expressado por meio do Espírito sete  vezes intensificado. Agora temos não somente o Deus Triúno;  no   candelabro   temos   o   Deus   Triúno   substancialmente   e  solidamente corporificado e expressado. O ouro foi moldado  em uma base sólida. Outrora, era apenas ouro, mas agora é  uma   haste.   O   ouro   foi   moldado   em   uma   haste   para   o  cumprimento   do   propósito   de   Deus.   Sem   a   haste,   não   há  maneira de o propósito de Deus ser cumprido. Como vimos,  esta haste, a qual é um tipo de Cristo, é expresso pelas sete  lâmpadas   significando   os   Espíritos   de   Deus.   Os   sete  Espíritos de Deus não são separados de Deus; eles são os sete  olhos de Deus e do Cordeiro, o Redentor. Eles também são os  sete olhos da pedra da edificação (Zc 3:9). Portanto, eles são  os sete olhos com a redenção de Cristo para a edificação de 
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Deus. Sempre que estes olhos olham para as pessoas, elas  são redimidas e edificadas na casa do Deus.

A REPRODUÇÃO DE CRISTO  E O ESPÍRITO
Em Êxodo 25 a ênfase está na haste, em Zacarias 4 a  ênfase está nas lâmpadas, e em Apocalipse 1 a ênfase está na  reprodução.   Tanto   em   Êxodo   quanto   em   Zacarias   o  candelabro é um, mas em Apocalipse ele foi reproduzido e se  tornou sete. Primeiramente, em Êxodo a ênfase está na haste  —   em   Cristo.   Segundo,   em   Zacarias   a   ênfase   está   nas  lâmpadas   —   no   Espírito.   Eventualmente,   em   Apocalipse  tanto a haste quanto as lâmpadas, isto é, Cristo e o Espírito,  são   reproduzidos   como   as   igrejas.   Em   Êxodo   e   Zacarias  existem   apenas   sete   lâmpadas,   mas   aqui   em   Apocalipse  existem quarenta e nove lâmpadas, pois cada candelabro tem  sete   lâmpadas.   Conseqüentemente,   o   único   candelabro   se  tornou sete e as sete lâmpadas se tornaram quarenta e nove.  Os   candelabros   com   suas   lâmpadas   em   Apocalipse   são   a  reprodução de Cristo e o Espírito. Quando Cristo é percebido,  Ele é o Espírito, e quando o Espírito é percebido, nós temos  as igrejas como a reprodução. CONTEÚDO, EXISTÊNCIA E EXPRESSÃO A   igreja   não   é   somente   universalmente   uma,   mas  também expressada localmente nas muitas cidades. Em todo  o universo há somente um Cristo, um Espírito e uma igreja.  Porque   então   existem   as   sete   igrejas?   Por   causa   da  necessidade   de   uma   expressão.   Para   a   existência,   uma   é 
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suficiente. Mas para a expressão, muitas são necessárias. Se  quisermos   conhecer   a   igreja,   precisamos   conhecer   o   seu  conteúdo, existência e expressão. Substancialmente, a igreja,  e   até   mesmo   todas   as   igrejas,   são   uma.   Em   expressão,   as  muitas igrejas são os muitos candelabros. O que é a igreja? A  igreja é a expressão do Deus Triúno e essa expressão é vista  em   muitas   localidades   na   terra.   A   igreja   não   é   expressa  apenas   por   um   candelabro,   mas   por   sete   candelabros.   Em  Apocalipse 1 existem sete candelabros com quarenta e nove  lâmpadas   brilhando   no   universo.   Este   é   o   testemunho   de  Jesus. A igreja é o testemunho de Jesus. Isso significa que a  igreja   é   a   expressão   do   Deus   Triúno   substancialmente   e  expressivamente.   Substancialmente,   ela   é  da   mesma   subs­ tância em todo o universo; expressivamente, ela é os muitos  candelabros   com   as   lâmpadas   brilhando   nas   trevas   para  expressar   o   Deus   Triúno.   O   Pai   como   a   substância   é  corporificado   no   Filho,   o   Filho   como   a   corporificação   é  expresso   por   meio   do   Espírito,   o   Espírito   é   plenamente  concretizado e reproduzido como as igrejas e as igrejas são o  testemunho   de   Jesus.   Se   virmos   essa   visão,   ela   nos  governará e nunca seremos divisivos. Temos visto que os candelabros é o ouro divino corpori­ ficado em uma forma substancial para cumprir o propósito  de   Deus   em   Seu   mover.   A   expressão   da   posição   está   no  brilhar da luz. À medida que a expressão brilha, o brilhar  cumpre   o   propósito   eterno   de   Deus.   Assim,   o   candelabro  significa não somente o Deus Triúno, mas também o mover  do   Deus   Triúno   em   Sua   corporificação   e  expressão.  Temos  visto   também   que   as   igrejas   locais   são   a   reprodução   da  corporificação e da expressão do Deus Triúno. Não devemos  nos satisfazer em dizer que as igrejas locais são o candelabro  brilhando na noite escura. Embora isso esteja correto, é um 
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pouco superficial. Precisamos ver que as igrejas locais são a  reprodução da corporificação e expressão do Deus Triúno. NA IGREJA LOCAL SOBRE  A BASE DA UNIDADE Salientamos   que   quando   o   povo   de   Deus   no   Antigo  Testamento perdeu a base da unidade, eles espontaneamente  perderam   muitas   coisas   espirituais   e   santas.   No   entanto,  quando   eles   retornaram   para   Jerusalém,   para   a   base   da  unidade, todas estas coisas santas e espirituais espontânea­ mente   retornaram.  O  princípio  hoje  é  o mesmo  na   restau­ ração do Senhor. Hoje o nosso Deus, o Deus Triúno, é o Pai  corporificado no Filho e o Filho consumado como o Espírito  todo­inclusivo.   Hoje   este   Espírito   está   falando   as   igrejas.  Portanto,   com   o   intuito   de   ouvir   o   falar   deste   Espírito,  devemos estar em uma dessas igrejas. Finalmente, o Espírito  e   a   Noiva,   constituídos   de   todas   as   igrejas   com   todos   os  santos,  serão  um   e falarão  com  uma   só  voz.   Hoje  estamos  ouvindo o falar do Espírito. Mas o dia está chegando quando  juntos   o   Espírito   e   a   Noiva   dirão   “Vem!”.   Louvado   seja   o  Senhor   por   esta   visão!   Com   tal   visão   clara   diante   de   nós,  sabemos onde devemos estar hoje – na unidade local, isto é,  na igreja local na base da unidade. Se não estivermos na unidade local, não estamos na  igreja de uma maneira genuína  e prática. Além disso, não  podemos ter a plena experiência do Deus Triúno processado,  todo­inclusivo.   A   razão   de   muitos   Cristãos   estarem   em  carência   espiritual   é   que   eles   não   têm   nem   a   unidade  genuína   e   nem   a   plena   experiência   do   Espírito   todo­ inclusivo. Eles têm a Bíblia, mas não tem muita experiência  de Cristo como vida. Eles têm o nome de Cristo, mas não tem  nem  uma  pequena   realidade  da  Sua  pessoa.  Tantas  coisas 
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espirituais estão faltando porque a base da unidade tem sido  danificada e até mesmo perdida. Somente nesta base é que  podemos ter a plena experiência do Deus Triúno processado.  Lembre­se,  a dispensação do  Deus  Triúno,  segundo  Apoca­ lipse 1:4 e 5 é para as igrejas locais. A BASE DA LOCALIDADE A base da unidade da qual estamos falando é a base da  localidade.   Mais   de   vinte   anos   atrás   em   Taipei,   um   certo  cristão proveniente da América, um amigo íntimo nosso, era  o médico da nossa família. Embora ele tenha me ouvido dar  mais de trinta mensagens a respeito da base da igreja, um  dia   ele   me   disse   que   ele   simplesmente   não   era   capaz   de  entender essa questão da base da localidade. Eu expliquei a  ele   muito   cuidadosamente,   mas   ele   ainda   não   a   entendia.  Finalmente, ele admitiu que ele tinha algum entendimento  da base da unidade, mas não da base da localidade. O irmão T. Austin­Sparks tinha a mesma dificuldade.  Muitos anos atrás ele e eu tivemos por cerca de vinte longas  conversas, cada qual durou por volta de duas a três horas, a  respeito da base da igreja. Num determinado ponto ele me  disse que ele não era capaz de entender aquele termo, a base  da   localidade.   Eu   mostrei   a   ele   que,   como   ele   sem   dúvida  havia percebido, foi permitido aos filhos de Israel construí­ rem um templo somente em um lugar particular, no Monte  Moriá,   onde   Abraão   ofereceu   o   seu   filho   Isaque.     Aquele  lugar único era o terreno sobre o qual o templo foi edificado.  Esse   terreno   preservou   a   unidade   do   povo   de   Deus.   Eu  prossigo   e   digo   que   não   era   permitido   ao   povo   de   Deus  edificar   um   templo   em   Babilônia,   mesmo   que   o   templo  tivesse o mesmo tamanho e projeto que o templo original em  Jerusalém. Um templo edificado em Babilônia não poderia 
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ser o centro da unidade. Pelo contrário. Tal templo teria sido  o   centro   da   divisão.   Foi   requerido   a   todos   aqueles   que  retornaram do cativeiro que retornassem a base da unidade,  ao   Monte   Sião,   onde   o   templo   fora   reedificado.   Então,   o  templo no Monte Sião foi edificado na base da unidade. Isso  ilustra a genuína unidade dos crentes hoje, uma unidade com  a   base   adequada,   na   base   da   localidade.   Creio   que   o   Sr.  Austin­Sparks entendeu isso, mas não desejou admitir. Na  verdade não é difícil entender qual é o significado da base da  localidade. A razão de muitos terem dificuldade com isto é  que eles não desejam desistir dos seus conceitos. A NECESSIDADE DE ESTAR  NA UNIDADE LOCAL Segundo o livro de Apocalipse, a unidade dos crentes  em Cristo é a unidade local. Na verdade, todos os que não  estão   na  unidade local  não  estão na   unidade. Aqueles  que  não estão em uma igreja local não estão verdadeiramente na  igreja. Com o intuito de estar na igreja nós devemos estar na  igreja local. No mesmo princípio, se estivermos na unidade,  devemos estar na unidade local, na unidade prática em nossa  localidade. A unidade local é muito prática e pessoal. Se você  não   está   pessoalmente   nessa   unidade,   você   não   está   na  unidade verdadeiramente e você não está na igreja. Por esta  razão, no título deste capítulo falamos da revelação final e  máxima   da   unidade   local.   Como   louvamos   o   Senhor   pela  revelação e restauração dessa unidade!

A RESTAURAÇÃO DA VIDA DA IGREJA Essa unidade local foi danificada e em sua totalidade  perdida no tempo em que a Igreja Católica foi estabelecida. O 
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imperador Constantino  o Grande  iniciou  o estabelecimento  da Igreja Católica no começo do século quarto. Em 325 A.D.  ele   convocou   um   conselho   em   Nicéia   para   estabelecer  disputas   teológicas   que   estavam   causando   um   conflito   em  todo o seu império. Ele usou a sua influência política para  produzir   uma   certa   espécie   de   unidade.   No   final   do   sexto  século a Igreja Católica estava completamente formada com  o   estabelecimento   do   sistema   papal.   Naquele   tempo   a  unidade   local   estava   absolutamente   destruída   e   perdida. Durante   os   séculos   seguintes,   um   período   conhecido  como A Era das Trevas, a Bíblia foi trancada e afastada do  povo e a verdade sobre a salvação obscurecida. Então, com a  Reforma, a Bíblia foi destrancada na linguagem do povo e a  verdade da justificação pela fé foi restaurada. Na questão da  justificação,   Martinho   Lutero   foi   ousado.   No   entanto,   na  questão   da   igreja,   ele   foi   covarde.   Ele   foi   até   mesmo   um  instrumento   no   estabelecimento   da   igreja   estatal   na  Alemanha.   A   primeira   igreja   estatal   foi   estabelecida   na  Alemanha   por   meio   da   assistência   de   Lutero.   Lutero   não  somente cometeu essa terrível tolice, mas também perseguia  os   crentes   que   enfatizavam   a   experiência   de   vida.   Por  exemplo,   Schwenckfeld   foi   chamado   de   demônio.   Nas  décadas que seguiram, muitos que tinham fé, foram perse­ guidos e até martirizados por causa de sua fé, algumas vezes  pelas   mãos   da   igreja   estatal   que   foram   estabelecidas   em  muitos países Europeus.

A RESTAURAÇÃO NO SÉCULO DEZOITO
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No  início do século dezoito, diversos crentes  fugiram  para Bohemia para escapar da perseguição. Zinzendorf tinha  tanto o amor quanto o encargo de cuidar desses refugiados.  No   entanto,   entre   eles   havia   disputas   sobre   doutrina   e  prática.   Quando   estas   disputas   fizeram   com   que   fosse  impossível   para   os   crentes   continuarem   juntos   pacifica­ mente, Zinzendorf fez com que todos os lideres assinassem  um   acordo   em   que   eles   deixariam   de   lado   as   diferenças   e  vivessem   juntos   em   unidade.   Durante   a   próxima   reunião  para   a   mesa   do   Senhor,   eles   experienciaram   o   poderoso  derramar do Espírito. Desta  maneira  a prática  da  vida  da  igreja foi restaurada, ao menos de uma maneira inicial. A RESTAURAÇÃO COM OS IRMÃOS UNIDOS Outro   tipo   de   reação   à   formalidade   religiosa   e   o  entorpecimento é a dos místicos tais como Madame Guyon e  Fenelon.   Embora   essa   reação   tenha   ocorrido   no   século  dezessete,   não   houve   restauração   da   vida   da   igreja   até   o  século dezoito. A prática da vida da igreja sob a liderança de  Zinzendorf   foi   muito  boa,   mas  ela   não  foi  adequada.  Além  disso, no inicio do século dezenove o Senhor deu um passo  adiante em direção a restauração da vida da igreja com um  grupo de crentes na Grã­Bretanha, especialmente com John  Nelson Darby. Por aproximadamente vinte e cinco anos, os  Irmãos Unidos sob a liderança de Darby experienciaram uma  maravilhosa restauração da vida da igreja, uma restauração  que   foi   mais   completa   e   adequada   do   que   aquela   sob   a  liderança de Zinzendorf um século antes. No entanto, devido  aos   debates   sobre   a   doutrina,   a   unidade   foi   perdida   e   os  Irmãos Unidos foram divididos. À medida que os anos passa­ ram, eles foram divididos em mais de cem divisões. Pelo fato  de a unidade ter sido severamente danificada, a presença do  Senhor com eles diminuiu grandemente.
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A RESTAURAÇÃO NA CHINA Nos anos 20 o Senhor levantou um grupo de jovens na  China sob a liderança de Watchman Nee. O Irmão Nee uma  vez me disse que o Senhor foi forçado a vir à China porque,  no que diz respeito à vida prática da igreja, a China ainda  era   um   solo   virgem,   enquanto   que   os   Estados   Unidos   e   a  Europa  haviam  sido  estragados. Não havia  como o  Senhor  ter   um   inicio   adequado   para   uma   vida   da   igreja   nem   na  Europa   nem   nos   Estados   Unidos.   Então,   Ele   semeou   a  semente da restauração da vida da igreja no solo virgem da  China. A   primeira   igreja   estabelecida   na   restauração   do  Senhor foi edificada em 1922 em Foochow, a cidade natal do  Irmão   Nee.   Depois   que   fui   salvo   em   1925,   fui   contatar   o  Irmão Nee por meio dos seus escritos. Seus escritos ajuda­ ram muitos de nós a ver os erros das denominações. Viemos  a   perceber   que   embora   tivéssemos   o   nome   do   Senhor,   o  evangelho e a Bíblia, tínhamos que largar muitos aspectos do  cristianismo   organizado.   Sob   a   liderança   do   Irmão   Nee,  estudamos a história da igreja, biografias e todos os impor­ tantes   escritos   espirituais   e   doutrinais.   Por   meio   do   nosso  estudo   ganhamos   um   conhecimento   detalhado   do   cristia­ nismo.   Gradualmente   viemos   a   discernir   as   práticas   que  deveríamos adotar: imersão, presbitério, santidade prática, a  espiritualidade pentecostal adequada. Aqueles que visitavam  as nossas reuniões ficavam freqüentemente atribulados pelo  fato de que eles não conseguiam nos categorizar. Para alguns  parecia  que  éramos  Batistas,  mas para  outros  parecia  que  éramos Presbiterianos ou Irmãos de Plymouth. Em   1932   a   igreja   foi   estabelecida   em   minha   cidade  natal,   Chefoo.   Nós   não   sabíamos   como   praticar   a   vida   da  igreja. Somente sabíamos que amávamos o Senhor Jesus e 
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que não podíamos concordar com o cristianismo tradicional.  Viemos juntos com um coração pelo Senhor e com a Bíblia.  Não   sabíamos   como   nos   reunir,   em   particular   como   ter   a  mesa do Senhor. Apesar disso, nós desfrutávamos a doçura  da presença do Senhor. O LIMITE DA LOCALIDADE Em 1930 o Irmão Nee visitou a Europa, Canadá e os  Estados Unidos. Durante o percurso da sua visita, ele viu a  confusão  e a divisão entre as reuniões  dos  Irmãos Unidos.  Preocupado   com   a   situação,   ele   resolveu   reestudar   o   Novo  Testamento   preocupando­se   com   o   limite   da   reunião   local.  Por meio desse estudo ele viu que o limite da reunião devia  ser o limite da localidade a qual a reunião está. Essa verdade  do limite da localidade foi publicada na  The Assembly Life.  Nesse livro o Irmão Nee colocou uma forte ênfase no que ele  chamou de limite local. A BASE LOCAL Em 1937 ele viu outra luz a respeito da unidade local  da igreja. Do limite local ele prosseguiu para ver a base local.  Convocando uma reunião urgente com os cooperadores, ele  deu   mensagens   publicadas   mais   tarde   em  The   Normal   Christian Church Life. Esse livro enfatiza a base local. Em  1937 a questão da unidade local foi totalmente restaurada  entre   nós.   Ficamos   totalmente   claros   de   que   a   prática   da  vida da igreja requer de nós que estejamos na base local, isso  é, na base da unidade. Desde   que   essa   questão   da   base   da   localidade   foi  restaurada,   inúmeros   cristãos   têm   argumentado   conosco   a  respeito   dela.   Alguns   disseram,   “Ao   dizer   que   vocês   são   a  igreja  local,  vocês  estão  se  orgulhando.  Como vocês   podem 
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dizer   que   vocês   são   a   igreja   e   que   nós   não   somos?   Vocês  proclamam   dizendo   que   são   a   igreja   em   Shanghai.   Nós  também   não   somos   a   igreja   em   Shanghai?”   No   inicio  estávamos   preocupados   com   tais   criticas.   Não   tínhamos   a  experiência para tratar com isso. Mais tarde, por sustentar  tal verdade da unidade, aprendemos a como tratar com as  várias criticas, objeções e argumentos. UMA ILUSTRAÇÃO EFICAZ  DA UNIDADE LOCAL Se alguém tentar argumentar com você a respeito da  base da unidade, mostra­lhe como ilustração a situação dos  filhos   de  Israel   na  terra   de  Canaã.   Jerusalém  era   o  único  lugar,   o   único   centro,   escolhido   por   Deus   para   manter   a  unidade do Seu povo. Finalmente, o povo de Deus foi levado  cativo,   alguns  para  o   Egito,   outros   para   a   Assíria   e  ainda  outros para Babilônia. Originalmente o povo de Deus era um,  com   um   único   centro   de   adoração   no   monte   Sião   em  Jerusalém.   Mas   eles   foram   divididos   em   pelo   menos   três  grandes   divisões.   Depois   de   passados   os   setenta   anos   de  cativeiro na Babilônia, Deus ordenou ao povo que retornas­ sem   a   Jerusalém.   O   remanescente   do   povo   retornou.   Por  retornar   a   Jerusalém,   eles   espontaneamente   formaram  quatro   grupos   entre   o   povo   de   Deus.   Antes   do   retorno   do  cativeiro,   havia   somente   três   grupos   –   aqueles   no   Egito,  Assíria   e   Babilônia.   Embora   esses   três   grupos   fossem  divisões, o quarto grupo, constituído por aqueles que tinham  retornado a Jerusalém, não eram uma divisão. Sim, o quarto  grupo era um grupo distinto, pois ele era uma restauração,  não uma divisão. Talvez alguns do povo de Deus que escolheram perma­ necer em Babilônia dissessem, “Irmãos, vocês não devem ser  tão   limitados.   Deus   está   em   todo   lugar.   Não   precisamos 
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voltar   a   Jerusalém   para   adorá­Lo.   Considere   Daniel.   Ele  amou o Senhor e O serviu sem voltar a Jerusalém. Se ele  pôde   permanecer   na   Babilônia,   então   estamos   livres   para  fazer   a   mesma   coisa.”   Sob   a   soberania   do   Senhor,   Daniel  permaneceu na Babilônia até mesmo depois do ano em que  Ciro emitiu o decreto ordenando que os cativos retornassem  a   Jerusalém   (2Cr   36:22;   Dn   1:21;   10:1).   Antes   de   isso  acontecer, ele orava diariamente com suas janelas voltadas  para   Jerusalém.   Isto   indica   que   Daniel   desejava   voltar   à  Jerusalém; no entanto, não lhe foi dado a oportunidade para  fazer   isso.   Portanto,   seu   caso   não   deve   ser   usado   como  desculpa para permanecer na Babilônia, isto é, permanecer  na divisão. Para o povo de Deus, permanecer no Egito, Assíria ou  Babilônia   era   permanecer   na   divisão.   Aqueles   que   retor­ naram   para   Jerusalém   não   causaram   tal   divisão.   Pelo  contrário,   eles   compartilharam   a   restauração   da   genuína  unidade.  Entre os  quatro grupos,  somente eles  podiam  ser  considerados   como   a   nação   de   Israel.   Embora   aqueles   que  permaneceram   na   Babilônia   pudessem   ser   inumeramente  maior   do   que   os   que   retornaram   para   Jerusalém,   os   que  retornaram podiam ser considerados como a nação de Israel,  enquanto que os que ficaram não podiam. Em princípio, o mesmo é verdade com respeito à  nação de Israel hoje. São aqueles que retornaram a boa terra  que   são   reconhecidos   como   a   nação   de   Israel,   não   os   que  ainda   estão   espalhados   por   toda   a   terra.   Por   exemplo,   o  número de Judeus em Nova Iorque pode exceder o número  dos   que   estão   em   Israel.   No   entanto,   como   até   mesmo   as  Nações Unidas reconhecem, os Judeus em Israel compõe a  nação   de   Israel,   enquanto   que   os   Judeus   em   Nova   Iorque  não.   Os   de   Nova   Iorque   podem   amar   a   nação   de   Israel   e  podem   dar   liberalmente   para   sustentá­la.   No   entanto, 
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simplesmente porque eles não retornaram para a terra dos  seus pais, eles não podem ser considerados como a nação de  Israel. Para ser parte da nação de Israel, uma pessoa deve  ser não somente um Judeu – ele deve ser um Judeu na base  adequada, isto é, na boa terra. AQUELES QUE CONSTITUEM A IGREJA Podemos   aplicar   o   mesmo   princípio   contido   nessa  ilustração   com   respeito   à   situação   da   igreja   hoje.   Quando  tomamos   a   posição   de   que   somos   a   igreja   em   Anaheim,  outros   cristãos   podem   protestar.   Eles   podem   perguntar,  “Como vocês podem dizer que vocês são a igreja em Anaheim  e que nós não?” Se alguém levantar esta questão, descubra  onde ele está. Cheque se ele está em uma denominação ou  em   algum   outro   grupo   Cristão   divisivo.   Se   ele   estiver   em  uma   divisão,   então   no   sentido   prático   ele   não   é   parte   da  igreja   em   sua   localidade.   Muitos   dos   cristãos   de   hoje   são  como   os   Judeus   que   não   retornaram   a   terra   de   Israel.  Somente   os   Judeus   que   retornaram   a   base   original   da  unidade, a terra de seus pais, são parte da nação de Israel.  No   mesmo   princípio,   para   ser   parte   da   igreja   local,   uma  pessoa não deve ser apenas um cristão, mas também ser um  cristão   na   base   da   unidade.   Somente   aqueles   crentes   que  abandonaram toda base divisiva e voltaram para a base da  unidade   constituem   a   igreja.   Não   importa   quão   poucos  possam ser em número, aqueles que retornaram a base da  unidade são a igreja em sua localidade. Se nós que reunimos na base da unidade em Anaheim  não somos a igreja em Anaheim, o que nós somos? Eu peço  àqueles   que   se   opõem   ao   nosso   testemunho   a   respeito   da  igreja   que   nos   dê   um   nome.   O   fato   é,   nós   não   temos   um  nome.   Nós   simplesmente   nos   reunimos   como   a   igreja   em 
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nossa localidade. Quando falar da base da unidade, aprenda a usar a  ilustração   do   retorno   do   cativeiro   dos   filhos   de   Israel.  Também enfatize a situação da nação de Israel hoje. Muitos  dos Judeus na cidade de Nova Iorque podem ser melhores do  que os da Palestina. No entanto, pelo fato de os da Palestina  estarem em uma base adequada, eles são a nação de Israel.  De modo semelhante, os cristãos que retornaram a base da  unidade são a igreja, não necessariamente por serem mais  espirituais   que   os   outros,   mas   porque   voltaram   à   base  adequada, para a base da unidade. PAGANDO O PREÇO PARA PERMANECER  NA BASE DA UNIDADE Você sabe por que muitos do povo de Deus permane­ ceram na Babilônia ao invés de fazer uma longa jornada de  volta a Jerusalém? A razão é que eles estavam estabelecidos  confortavelmente na Babilônia e não queriam pagar o preço  para retornar a boa terra. O mesmo é verdade para muitos  Judeus   nos   Estados   Unidos   hoje.   Eles   podem   ser   muito  devotados   à   nação   de   Israel,   mas   acham   inconveniente  voltarem para lá para ser parte daquela nação. Tendo uma  posição   estabelecida   na   sociedade   Americana,   eles   podem  preferir   ser   Judeus   Americanos.   Isso   indica   que   eles   não  desejam   pagar   o   preço   para   se   posicionar   na   única   base.  Desculpe   dizer,   o   mesmo   é   verdade   para   muitos   cristãos.  Muitos deles viram alguma verdade sobre a unidade. Mas o  problema é que eles não desejam pagar o preço. Retornar a  base da unidade fará com que muitos percam suas posições,  nomes,   reputação   ou   popularidade.   Pela   misericórdia   do  Senhor,   escolhemos   tomar   o   caminho   estreito   da   cruz   e  permanecer na base da unidade. Não temos escolha exceto  tomar a escolha do Senhor, mesmo que sejamos difamados, 
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desprezados e criticados. Devemos pagar o preço para perma­ necer na base da unidade local, não importando que coisas  malignas possam dizer sobre nós. Louvado seja o Senhor por todas as coisas espirituais e  celestiais que tem se tornado a nossa experiência nessa base!  Aqui na unidade local e única temos a presença do Senhor, o  altar e as festas. Nada se compara ao desfrute das riquezas  espirituais na base adequada. Quão feliz estou por estar com  todos vocês na unidade local! A menos que o Senhor nos guie  a   fazer   uma   migração   genuína   para   outra   localidade,  devemos   simplesmente   permanecer   em   nossa   igreja   local,  não mudando para satisfazer a nossa preferência ou gosto.  Simplesmente estejamos na igreja onde o Senhor nos colocou.  Louvamos ao Senhor pela visão a respeito da destruição dos  lugares altos e a restauração da unidade local. Aleluia pela  revelação da unidade local e sua restauração! É nosso privi­ légio ter uma porção nessa restauração hoje.

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