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MATUS, C. O plano como aposta. In: GIACOMONI.J. (Org.

) Planejmento e
orçamento governamental. Brasilia: ENAP, 2006
Carlos Matus em seu texto O plano como aposta mostra como um plano é
determinado pelas tomadas de decisões o agente que toma as decisões pode controlar
totalmente os resultados de sua pratica ou submeter- se a processos nos quais é
arrastado por circunstâncias que não pode controlar.
Em um primeiro caso agente decide e conhece os objetivos que pode alcançar.
No outro ele não decide quanto a nada, só pode esperar que o futuro seja bom, podendo
apenas criticar e julgar esta realidade ou agradecer seu destino. Desse modo, o agente
gestor situa- se entre dois extremos entre as variáveis que controla e as que não
controla. Nas palavras do autor, o processo de governo situa se em uma zona
intermediária entre certeza absoluta e o puro azar, ou seja, possui dose de ambos os
lados.
Temos então, segundo o autor, duas propostas centrais a da Planificação
instrumental ou Tradicional e a do Planejamento estratégico situacional. O primeiro
caracterizado pelo determinismo e economicismo tecnocrático (técnica neutra) sendo
um sistema controlado por agente onde o plano é unidimensional com base econômica
e o outro fundamentado a uma teoria do jogo semicontrolado a serviço da pratica
racional da ação humana, ou seja, multidimensional envolvendo as outras esferas além
da econômica.
O autor faz a distinção da teoria da planificação em um sistema controlado de
um semicontrolado. Segundo MATUS (2006, p 118) :
O sistema controlado por um jogador se os outros participantes do
jogo têm comportamentos predizíveis e propõem ao máximo uso
dos limitados recursos que possuem, a fim de aumenta-los a cada
jogada. ( MATUS, 2006 p 118)
Nesse tipo de sistema existe um calculo cientifico apoiado em conhecimento
de leis de comportamento de outros atores que podem cooperar ou competir por
recursos existentes. Em contraposição, ao jogo semicontrolado se todos os atores
participantes são estrategistas criativos que cooperam e entram em conflito pelos
recursos distribuídos durante o jogo. Nesse Caso, segundo MATUS(2006, p 119):
O suporte essencial para tomar uma decisão no jogo é o
julgamento do apostador, fundamentado, em parte, por cálculos
parciais bem estruturados e, em parte, por preferências
explicitas quanto aos aspectos nebulosos ou não bem
estruturados. (MATUS, 2006, p.119)
Outro aspecto tratado pelo autor é sobre a questão do acesso limitado a
informação e recursos para ganhar o jogo, na hipótese de abundancia de recursos
econômicos ainda não seria possível ter todas informações importantes para se obter
plena eficácia , ou seja, um agente não tem como ter certeza de todos os resultados de
suas decisões ou mesmo como os outros agentes e suas decisões vão afetar o jogo.
O autor menciona e define quatro grandes problemas em um jogo
semicontrolado onde jogar bem implica em dominar a complexidade intelectual do
jogo, em síntese genérica são:
 Saber explicar a realidade do Jogo
 Saber delinear propostas de ação sob forte incerteza
 Saber pensar estratégias para lidar com os outros jogadores e com
situações, calculando o que se pode fazer em cada instante e o que se
pode alcançar os objetivos.
 Saber fazer no momento oportuno e com eficácia , recalculando e
completando o plano com complemento de improvisação subordinada.
Cada um desses tópicos é explicado por Matus o plano é visto como um recurso
para alcançar metas de ação, as definições de como o plano pode se portar onde a
tomada de decisões afeta a estrutura e por consequência toda a sua execução.
Um aspecto importante sobre a Planificação estratégica situacional é que essa
propõe o conceito de plano modular, onde os planos são feitos em situações pontuais.
Assim temos os módulos explicativos (macroproblemas, megaproblemas), de ação
(projetos de ação, operações de ação) de gestão (organismos que assumem
responsabilidades por problemas e operações e módulos complementares ( cenários ,
planos de contingência).