Esta tradução foi executada a partir de fontes de domínio público, e é amparada pelo art. 14 da Lei 9.

610/94,
seu conteúdo sendo inteiramente extraído do site: http://www.sacred-texts.com/mas/md/index.htm.

















Esta tradução foi executada a partir de fontes de domínio público, e é amparada pelo art. 14 da Lei 9.610/94,
seu conteúdo sendo inteiramente extraído do site: http://www.sacred-texts.com/mas/md/index.htm.

ALBERT PIKE



MORAL E DOGMA
DO RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO




TRADUÇÃO

CELES JANUÁRIO GARCIA JUNIOR
GLAUCO BONFIM RODRIGUES
Esta tradução foi executada a partir de fontes de domínio público, e é amparada pelo art. 14 da Lei 9.610/94,
seu conteúdo sendo inteiramente extraído do site: http://www.sacred-texts.com/mas/md/index.htm.

SUMÁRIO


Biografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . IX
Prefácio do Autor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . XI
Capítulo I – Aprendiz . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1
Capítulo II – O Companheiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
Capítulo III – O Mestre . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85

IX

BIOGRAFIA


Albert Pike, nascido em 29 de
Dezembro de 1809, era o mais velho dos
seis filhos de Benjamin e Sarah Andrews
Pike. Pike foi educado em um lar cristão
e frequentava uma igreja Episcopal. Pike
passou no exame vestibular em Harvard
quando tinha 15 anos de idade, mas não
pôde prosseguir, porque não possuía
fundos suficientes. Após viajar para o
oeste, até Santa Fé, Pike situou-se no
Arkansas, onde trabalhou como editor de
um jornal antes de ser admitido no
tribunal. No Arkansas, conheceu Mary Ann Hamilton, e casou-se com
ela em 18 de Novembro de 1834. Dessa união nasceram 11 filhos. Ele
possuía 41 anos quando solicitou sua admissão na Western Star Lodge
No. 2 (Loja da Estrela do Oriente) em Little Rock, Arkansas, em 1850.
Membro ativo na Grand Lodge of Arkansas, Pike assumiu os 10 Graus
do Rito de York entre 1850 e 1853. Recebeu os 29 graus do Rito
Escocês em março de 1853, de Albert Gallatin Mackey, em Charleston,
S.C. O Rito Escocês foi introduzido nos Estados Unidos em 1783.
Charleston foi o local do primeiro Supremo Conselho, que regeu o Rito
Escocês nos Estados Unidos até o Supremo Conselho do Norte ser
estabelecido na cidade de Nova Iorque em 1813.

A fronteira entre as Jurisdições do Norte e do Sul, ainda hoje
reconhecida, foi firmemente estabelecida em 1828. Mackey convidou
Pike a participar da Suprema Corte da Jurisdição do Sul em 1858, em
Charleston, e nos anos seguintes, se tornou o Grande Comandante da
X

Suprema Corte. Pike manteve suas funções até sua morte, apoiando-se
em várias ocupações, tais como editor do Memphis Daily Appeal, de
fevereiro de 1867 a setembro de 1868, e sua prática advocatícia. Mais
tarde, abriu um escritório de advocacia em Washington, DC, e defendeu
uma série de processos perante o Supremo Tribunal dos Estados
Unidos. Pike empobreceu por conta da Guerra Civil, permanecendo
assim por grande parte da vida, frequentemente contraindo empréstimos
para despesas básicas do Supremo Conselho, antes do conselho votar a
seu favor , em 1879, uma anuidade de $1,200 por ano para o resto de
sua vida. Albert Pike faleceu em 2 de abril de 1892, em Washington, DC.

Percebendo que uma revisão do ritual era necessária para que o
Rito Escocês da Maçonaria viesse a sobreviver, Mackey encorajou Pike a
rever o ritual, para assim produzir um ritual padrão, para o uso de todos
os estados da Jurisdição do Sul. A revisão teve início em 1855 e após
algumas alterações, o Supremo Conselho aprovou a revisão de Pike, em
1861. Mudanças menos significativas foram feitas em dois graus em
1873, após corporações do Rito de York no Missouri contraporem
objeções de que os graus 29º e 30º revelavam os segredos do Rito de
York.

Pike é mais conhecido pela sua grande obra, Morals and Dogma of
the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry, publicado em 1871.
Morals and Dogma não deve ser confundido com a revisão de Pike, do
ritual do Rito Escocês. Estas são obras separadas. Walter Lee Brown
escreveu que Pike “destinou-o [Morals and Dogma] a ser um suplemento
para aquele grande ‘sistema interligado de instruções morais, religiosas e
filosóficas’ desenvolvido em sua revisão do ritual Escocês.”

Morals and Dogma era tradicionalmente dado ao candidato após a
sua recepção do 14º grau do Rito Escocês. Esta prática foi interrompida
XI

em 1974. Morals and Dogma não é mais dado a candidatos desde 1974. A
Bridge to Light (Uma Ponte para a Luz), de Rex. R. Hutchens, é concedido
aos candidatos hoje. Hutchens lamenta que Morals and Dogma seja lido
por tão poucos Maçons. A Bridge to Light foi escrito para ser “uma ponte
entre as cerimônias dos graus e suas leituras de Morals and Dogma”.




XII

PREFÁCIO DO AUTOR.

A obra seguinte foi preparada com a autorização do Supremo
Conselho do Trigésimo Terceiro Grau, para a Jurisdição Sul dos Estados
Unidos, pelo Grande Comandante e agora é publicada por sua direção.
Contém os Ensinamentos do Rito Escocês Antigo e Aceito daquela
Jurisdição, e é especialmente destinado para leitura e estudo pelos Irmãos
daquela Obediência, em conexão com os Rituais dos Graus. Espera-se e
expecta-se que cada um se apresente com uma cópia, e se torne
familiarizado com ela; por este propósito, como o custo da obra consiste
inteiramente em sua impressão e encadernação, ela será fornecida a um
preço moderado e considerável.

Será proporcionada aos Irmãos do Rito Escocês nos Estados
Unidos e no Canadá, a oportunidade de comprá-la, mas não será
proibida a outros Maçons; porém não serão solicitados que comprem.

Ao preparar esta obra, o Grande Comendador foi quase Autor e
Compilador, igualmente; uma vez que extraiu uma metade inteira de seu
conteúdo das obras dos melhores escritores e dos pensadores mais
filosóficos ou eloquentes. Talvez tivesse sido melhor e mais aceitável se
tivesse extraído mais e escrito menos. Ainda, talvez metade dele seja de si
próprio; e, ao incorporar aqui os pensamentos e palavras de outros,
modificou e adicionou continuamente à linguagem, muitas vezes
interligando, nas mesmas sentenças, suas próprias palavras às deles. Não
se destinando ao mundo em geral, ele sentiu a liberdade de elaborar, a
partir de todas as fontes acessíveis, um Compêndio de Moral e Dogma
do Rito, para re-moldar sentenças, alterar e acrescentar palavras e frases,
combiná-las com suas próprias e usá-las como se fossem suas próprias,
para serem tratadas ao seu prazer, e assim, úteis para formar o conjunto
mais valioso para os propósitos tencionados. Reclama para si, portanto,
XIII

pouco do mérito da autoria, e não se preocupou em distinguir o que é
seu próprio do que tomou de outras fontes, desejando, inteiramente, que
cada porção do livro, por sua vez, seja vista como tendo sido tomada
emprestada de algum escritor mais antigo e melhor.

Os ensinamentos destas Leituras não são sacramentais, na
medida em vão além do reino da Moralidade, para aqueles domínios do
Pensamento e da Verdade. O Rito Escocês Antigo e Aceito usa a palavra
“Dogma” em seu sentido verdadeiro, de doutrina ou ensinamento; não
é dogmático no sentido odioso do termo. Todos estão completamente
livres para rejeitar e discordar de qualquer coisa aqui que possa lhe
parecer falsa ou insalubre. Apenas é requerido que se pese o que é
ensinado e que se dê uma audiência justa e um juízo despreconceituoso.
Obviamente, as antigas especulações teosóficas e filosóficas não são
incorporadas como parte das doutrinas do Rito; mas porque é de
interesse e proveito saber o que o Intelecto Antigo pensava sobre estes
assuntos, e porque nada prova tão conclusivamente a diferença radical
entre a nossa natureza humana e a animal, quanto a capacidade da mente
humana de entreter tais especulações sobre si mesmo e a Divindade.
Mas, quanto a essas mesmas opiniões, podemos dizer, nas palavras do
douto canonista Ludovico Gómez: “Opiniones secundum varietatem
temporum senescant et intermoriantur, aliaeque diversae vel
prioribus contrariae reniscantur et deinde pubescant.”








XIV











Os títulos dos Graus mostrados aqui mudaram em algumas
instâncias. Os títulos corretos são os seguintes:

1º Aprendiz
2º Companheiro
3º Mestre
4º Mestre Secreto
5º Mestre Perfeito
6º Secretário Íntimo
7º Preboste e Juiz
8º Intendente dos Edifícios
9º Eleito dos Nove
10º Eleito dos Quinze
11º Eleito dos Doze
12º Mestre Arquiteto
13º Real Arco de Salomão
14º Eleito Perfeito
15º Cavaleiro do Oriente
16º Príncipe de Jerusalém
17º Cavaleiro do Oriente e do Ocidente
18º Cavaleiro Rosa-Cruz
XV

19º Pontífice
20º Mestre da Loja Simbólica
21º Noaquita ou Cavaleiro Prussiano
22º Cavaleiro do Real Machado ou Príncipe do Líbano
23º Chefe do Tabernáculo
24º Príncipe do Tabernáculo
25º Cavaleiro da Serpente de Bronze
26º Príncipe de Misericórdia
27º Cavaleiro Comandante do Templo
28º Cavaleiro do Sol ou Príncipe Adepto
29º Cavaleiro Escocês de Santo André
30º Cavaleiro Kadosh
31º Inspetor Inquisidor
32º Mestre do Real Segredo

XV
I




17
MORAL E DOGMA



CAPÍTULO I.

APRENDIZ


A RÉGUA-DE-DOZE-POLEGADAS E O MAÇO

Força, desregulada ou mal regulada, não é apenas
desperdiçada no vazio, como a pólvora queimada a
céu aberto, e o vapor não confinado pela ciência; mas, golpeando
no escuro, seus golpes encontrando apenas o ar, recuam e se
contundem. É destruição e ruína. É o vulcão, o terremoto, o
ciclone; – não crescimento ou progresso. É Polifemo cego,
golpeando a esmo, precipitando-se entre as afiadas rochas pelo
ímpeto de seus próprios golpes.
A

18

A Força cega do povo é uma Força que deve ser
economizada e também gerenciada, assim como a Força cega do
vapor, que levanta os pesados braços de ferro e gira as grandes
rodas, é feita para furar e tornear o canhão e tecer o mais delicado
laço. A força cega do povo precisa ser regulada pelo Intelecto e o
intelecto é para as pessoas, e para a Força das pessoas, o que a fina
agulha da bússola é para o navio – sua alma, sempre aconselhando
a enorme massa de madeira e ferro, e sempre apontando para o
norte. Para atacar as cidadelas construídas por todos os lados
contra a raça humana por superstições, despotismos, e
preconceitos, a Força deve ter um cérebro e uma lei. Por isso, suas
façanhas conquistam resultados permanentes, e aí há progresso
real. Então ocorrem conquistas sublimes. O Pensamento é uma
força, e a filosofia deve ser uma energia, encontrando seu alvo e
seus efeitos no aprimoramento da humanidade. Os dois grandes
motores são a Verdade e o Amor. Quando todas estas Forças são
combinadas, guiadas pelo Intelecto, reguladas pela RÉGUA do
Direito, e da Justiça, e com movimento e esforço combinados e
sistemáticos, a grande revolução preparada pelas eras começará a
marchar. O PODER da Própria Divindade está em equilíbrio com
Sua SABEDORIA. Em consequência, o único resultado é a
HARMONIA.

Como a Força é mal regulada, as revoluções se provam
falhas. Por isso é que, tão frequentemente, insurreições vindas
daquelas altas montanhas que tiranizam o horizonte moral, a
Justiça, a Sabedoria, a Razão e o Direito, construídas da mais pura
neve do ideal, após uma longa queda de rocha a rocha, depois de

19
terem refletido o céu em sua transparência e terem sido enchidas
por cem afluentes, no caminho majestoso do triunfo,
repentinamente se perdem em charcos, como um rio da Califórnia
nas areias.

A marcha da raça humana adiante requer que as alturas ao
seu redor fulgurem com nobres e duradouras lições de coragem.
Feitos de ousadia deslumbram a história, e formam uma classe das
luzes que orientam o homem. São as estrelas e os coriscos do
grande mar de eletricidade, a Força inerente nas pessoas. Esforçar-
se, enfrentar todos os riscos, perecer, perseverar, ser verdadeiro
para si mesmo, lutar corpo-a-corpo com o destino, surpreender a
derrota pelo pequeno terror que inspira, ora enfrentar poderes
injustos, ora desafiar o triunfo intoxicado – estes são os exemplos
que as nações precisam e a luz que as eletriza.

Existem Forças imensas nas grandes cavernas do mal sob a
sociedade; na horrível degradação, sordidez, desgraça e penúria,
vícios e crimes que fedem e lentamente fervem na escuridão nessa
populaça inferior ao povo, das grandes cidades. Aí o desinteresse
desaparece, cada um uiva, procura, tateia e se rói por si mesmo.
Ideias são ignoradas, e não há pensamento de progresso. Essa
populaça tem duas mães, ambas madrastas – a Ignorância e a
Miséria. O querer é seu único guia – somente para o apetite
desejam satisfação. Todavia, até estes podem ser utilizadas. A
humilde areia na qual pisamos, lançada na fornalha, derretida,
purificada pelo fogo, pode se tornar um cristal resplandecente.
Eles têm a força bruta do MALHO, mas seus golpes servem à

20
grande causa, quando desferidos dentro das linhas traçadas pela
RÉGUA controlada pela sabedoria e discrição.

Todavia, é esta mesma Força das pessoas, este poder
Titânico dos gigantes, que constrói as fortificações de tiranos e é
incorporada em seus exércitos. Daí então a possibilidade de tais
tiranias, como as sobre as quais se tem dito que “Roma cheira pior
sob Vitélio do que sob Sula. Sob Cláudio e sob Domiciano há uma
deformidade de baixeza correspondente à feiura da tirania. A sujeira dos
escravos é um resultado direto da baixeza atroz do déspota. Dessas
consciências contraídas é exalado um miasma que reflete seus mestres; as
autoridades públicas são impuras, corações são colapsados, consciências
encolhidas, almas debilitadas. É assim sob Caracala, é assim sob Cômodo, é
assim sob Heliogábalo, enquanto do senado Romano, sob César, emana
apenas o odor espesso peculiar ao ninho da águia”.

É a força das pessoas que sustenta todos estes
despotismos, o mais baixo e também o melhor. Essa força age
através dos exércitos; e estes mais comumente escravizam do que
libertam. O despotismo, aí, aplica a RÉGUA. A Força é o MAÇO
de aço no arco da sela do cavaleiro ou do bispo em armadura. Pela
força, a obediência passiva sustenta tronos e oligarquias, reis
Espanhóis e senados Venezianos. O Poder, em um exército
manejado pela tirania, é a enorme soma total da fraqueza absoluta;
e assim, a Humanidade trava guerra contra a Humanidade, a
despeito da Humanidade. Assim um povo se submete de bom
grado ao despotismo, seus trabalhadores se submetem a serem
desprezados, e seus soldados a serem chicoteados; por isso é que
batalhas perdidas por uma nação são, frequentemente, progresso

21
alcançado. Menos glória é mais liberdade. Quando o tambor
silencia, a razão às vezes fala.

Tiranos usam a força do povo para acorrentar e subjugar –
isto é, subjugam o povo. Então, o fazem de arado, como os
homens fazem com bois jungidos à canga. Assim, o espírito de
liberdade e inovação é reduzido por baionetas, e princípios são
assolados por tiros de canhão; enquanto os monges se misturam
com os soldados, e a Igreja militante e jubilosa, Católica ou
Puritana, canta Te Deums pelas vitórias sobre a rebelião.

O poder militar, não subordinado ao poder civil,
novamente o MALHO ou MAÇO da FORÇA, independente da
RÉGUA, é uma tirania armada, nascida adulta, como Ateneia
brotada do cérebro de Zeus. Ele desova uma dinastia, e começa
com César para apodrecer em Vitélio e Cômodo. Atualmente,
tende a começar onde, antigamente, as dinastias terminavam.

O povo constantemente oferece imensa resistência, apenas
para terminar em imensa fraqueza. A força do povo é exaurida no
prolongamento indefinido de coisas desde há muito tempo mortas;
ao governar a humanidade pelo embalsamento de velhas e mortas
tiranias de Fé; restaurando dogmas dilapidados; redourando
santuários desbotados e carcomidos; caiando e maquiando
superstições antigas e estéreis; salvando a sociedade pela
multiplicação de parasitas; perpetuando instituições aposentadas;
reforçando a adoração de símbolos como os meios reais de
salvação; e atando o cadáver do Passado boca a boca ao vivo
Presente. Por isso é que uma das fatalidades da Humanidade é ser

22
condenada a eternas lutas com fantasmas, com superstições,
fanatismos, hipocrisias, preconceitos, as fórmulas do erro e os
argumentos da tirania. Despotismos, vistos no passado, tornam-se
respeitáveis, como a montanha eriçada de rochas vulcânicas, áspera
e horrenda, parece ser, através da neblina da distância, azul, macia
e bela. A visão de uma única masmorra da tirania vale mais, para
dissipar ilusões e criar um ódio sagrado ao despotismo, e
direcionar a FORÇA corretamente, do que os tomos mais
eloquentes. Os Franceses deveriam ter preservado a Bastilha como
uma lição perpétua; a Itália não deve destruir as masmorras da
Inquisição. A Força do povo manteve o Poder que construiu suas
celas obscuras e colocou os vivos em seus sepulcros de granito.

A FORÇA do povo não pode, por sua ação irrefreável e
espasmódica, manter, e continuar em ação e existência, um
Governo livre, uma vez criado. Tal Força deve ser limitada,
refreada, conduzida pela distribuição em canais diferentes e por
cursos indiretos, para escapes, de onde se questionaria quanto à lei,
ação e decisão do Estado; assim como os antigos sábios reis
Egípcios conduziram a canais diferentes, por subdivisão, as águas
abundantes do Nilo, e as compeliram a fertilizar e não devastar a
terra. Deve haver o jus et norma, a lei e Régua, ou Escala, da
constituição e da lei, dentro da qual a força pública deve agir. Faça-
se uma brecha em qualquer uma delas e o grande martelo a vapor,
com seus golpes velozes e pesados, reduz todo o mecanismo a
átomos e, por fim, desconjuntando-se violentamente, repousa
inerte e morto em meio à ruína que forjou.


23
A FORÇA das pessoas, ou a vontade popular, exercida e
em ação, simbolizada pelo MALHETE, regulada, guiada por, e
agindo dentro dos limites da LEI e da ORDEM, simbolizada pela
RÉGUA DE VINTE E QUATRO POLEGADAS, tem como
seu fruto: LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE
– liberdade regulada pela lei; igualdade de direitos aos olhos da lei;
irmandade com seus deveres e obrigações, bem como com seus
benefícios.

Você ouvirá falar em pouco tempo da PEDRA BRUTA e
da PEDRA PERFEITA, como parte das joias da Loja. A Pedra
Bruta é dita como “uma pedra, como retirada da pedreira, em seu estado
rude e natural”. A Pedra Perfeita é dita como “uma pedra preparada
pelas mãos dos trabalhadores, para ser ajustada pelas ferramentas de trabalho
dos Companheiros”. Não devemos repetir as explicações destes
símbolos dadas pelo Rito de York. Você poderá lê-las em seus
manuais impressos. São declaradas para aludirem ao
autoaperfeiçoamento do trabalhador individual, – uma
continuação da mesma interpretação superficial.

A Pedra Bruta é o POVO, como uma massa, rude e
desorganizado. A Pedra Perfeita, ou Pedra Cúbica, símbolo da
perfeição, é o ESTADO, os regentes derivando seus poderes do
consentimento dos governados; a constituição e as leis dizendo a
vontade do povo; o governo harmonioso, simétrico, eficiente, –
seus poderes propriamente distribuídos e devidamente ajustados
em equilíbrio.

Se delinearmos um cubo sobre uma superfície plana, assim:

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Teremos visíveis três faces e nove linhas externas,
desenhadas entre sete pontos. O cubo completo tem três faces a
mais, formando seis; três linhas a mais, formando doze; e um
ponto a mais, formando oito. Como o número 12 inclui os
números sagrados 3, 5, 7, e 3 vezes 3, ou 9, e é produzido pela
soma dos números sagrados 3 e 9; enquanto seus próprios dois
dígitos 1, 2, a unidade ou mônada, e dúada, somadas juntas, geram
o mesmo número sagrado 3; ele foi chamado de número perfeito –
e o cubo se tornou o símbolo da perfeição.

Produzido pela FORÇA, agindo pela RÉGUA; martelado
de acordo com as linhas mensuradas pela Escala, a partir da Pedra
Bruta, é um símbolo apropriado da Força do povo, expressa como
a constituição e lei do Estado; e as três faces visíveis representam
os três departamentos do próprio Estado, – o Executivo, que
executa as leis; o Legislativo, que faz as leis; o Judiciário, que
interpreta as leis, as aplica e as reforça, entre pessoa e pessoa, entre
o Estado e os cidadãos. As três faces invisíveis são a Liberdade, a

25
Igualdade e a Fraternidade, – a alma tríplice do Estado, – sua
vitalidade, espírito e intelecto.

* * * * * *

Apesar da Maçonaria não usurpar o lugar nem imitar a
religião, a oração é parte essencial de nossas cerimônias. É a
aspiração da alma em direção à Inteligência Absoluta e Infinita,
que é a Suprema Divindade Única, mais delicada e
desentendidamente caracterizada como um “ARQUITETO”.
Certas faculdades do homem são dirigidas para o Desconhecido –
o pensamento, a meditação, a oração. O desconhecido é um
oceano, do qual a consciência é a bússola. Pensamento, meditação,
oração, são os grandes misteriosos pontos apontados pela agulha.
É um magnetismo espiritual que assim conecta a alma humana
com a Divindade. Estas irradiações majestosas da alma penetram a
sombra em direção à luz.

É um escárnio superficial dizer que a oração é absurda
porque não nos seria possível, por meio dela, persuadir Deus a
mudar Seus planos. Ele produz efeitos pré-conhecidos e pré-
planejados, através da instrumentalidade das forças da natureza,
todas elas Suas forças. Nossa própria é parte destas. Nossa livre
agência e nossa vontade são forças. Não deixamos absurdamente
de fazer esforços para alcançar riqueza ou felicidade, prolongar a
vida, e manter a saúde, só porque não podemos, por qualquer
esforço, mudar o que está predestinado. Se o esforço também é
predestinado, não menos será o nosso esforço, criado de nossa
livre vontade. Portanto, do mesmo modo, oramos. A Vontade é

26
uma força. O Pensamento é uma força. A Oração é uma força. Por
que não seria da lei de Deus que a oração, tal como a Fé e o Amor,
tivesse seus efeitos? O homem não deve ser compreendido como
um ponto de partida, nem o progresso como um objetivo, sem
essas duas grandes forças, a Fé e o Amor. A oração é sublime.
Preces que pedem e clamam são dignas de pena. Negar a eficácia
da oração é negar a da Fé, do Amor e do Esforço. Apesar disso, os
efeitos produzidos, quando nossa mão, movida por nossa vontade,
lança um seixo no oceano, nunca cessam; e toda palavra
pronunciada é registrada no ar invisível para toda a eternidade.

Toda Loja é um Templo, e no todo e em seus detalhes,
simbólica. O próprio Universo forneceu ao homem o modelo dos
primeiros templos edificados à Divindade. O arranjo do Templo
de Salomão, os ornamentos simbólicos que formavam suas
decorações principais, e o vestuário do Sumo Sacerdote, tudo fazia
referência à ordem do Universo, como então entendido. O
Templo continha muitos emblemas das estações – o sol, a lua, os
planetas, as constelações da Ursa Maior e da Ursa Menor, o
zodíaco, os elementos, e outras partes do mundo. O Mestre dessa
Loja, a do Universo, é Hermes, de quem Khūrūm é o
representante, que é uma das luzes da Loja.

Para instrução adicional quanto ao simbolismo dos corpos
celestiais, dos números sagrados e do templo e seus detalhes, você
deve aguardar pacientemente até seu avanço na Maçonaria, neste
meio tempo exercitando seu intelecto estudando-os por si só.
Estudar e procurar interpretar corretamente os símbolos do

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Universo é o trabalho do sábio e do filósofo. É decifrar a escrita
de Deus, e penetrar em Seus pensamentos.

Isto é o que é perguntado e respondido em nosso
catecismo, no que diz respeito à Loja.

* * * * * *

Uma “Loja” é definida como uma “reunião de Maçons,
pontualmente congregados, tendo a escritura sagrada, o esquadro e o compasso,
e um alvará, ou certificado de constituição, autorizando-os a trabalhar”. A
sala ou lugar no qual se reúnem, representando uma parte do
Templo do Rei Salomão, também é chamada de Loja; e isto é o
que nós agora estamos considerando.

Diz-se que é suportada por três grandes colunas,
SABEDORIA, FORÇA e BELEZA, representadas pelo Mestre,
o Primeiro Vigilante e o Segundo Vigilante; e estas são as colunas
que sustentam a Loja, “porque Sabedoria, Força e Beleza são a perfeição
de tudo, e nada pode perdurar sem elas”. “Porque”, diz o Rito de York, “é
necessário que haja Sabedoria para conceber, Força para sustentar e Beleza
para adornar todos os empreendimentos grandes e importantes”. “Não sabeis”,
diz o Apóstolo Paulo, “que sois o templo de Deus, e que o Espírito de
Deus habita em vós? Se algum homem profanar o templo de Deus, Deus o
destruirá, pois o templo de Deus é sagrado, e o templo sois vós”.

A Sabedoria e o Poder da Divindade estão em equilíbrio.
As leis da natureza e as leis morais não são meros mandatos
despóticos de Sua vontade Onipotente; pois então poderiam ser

28
mudadas por Ele, e a ordem se tornar desordem, e o bom e o
certo se tornarem mau e errado; honestidade e lealdade, vícios; e
fraude, ingratidão e vício, virtudes. O poder Onipotente, infinito,
existindo só, necessariamente não seria forçado à consistência.
Seus decretos e leis poderiam não ser imutáveis. As leis de Deus
não são obrigatórias para nós porque são decretos de Seu
PODER, ou expressão de Sua VONTADE; mas porque
expressam sua infinita SABEDORIA. Não são certas porque são
Suas leis, mas são Suas leis porque são certas. Do equilíbrio entre a
sabedoria infinita e a força infinita resulta a harmonia perfeita, na
física e no universo moral. Sabedoria, Poder e Harmonia
constituem uma tríade Maçônica. Eles têm outros e mais
profundos significados, que podem em algum tempo lhe ser
desvelados.

Quanto a uma explicação mais normal e ordinária, pode-se
acrescentar que a sabedoria do Arquiteto é apresentada em
combinação, como apenas um Arquiteto hábil pode fazer, e como
Deus tem feito em todo lugar, – por exemplo, na árvore, na
estrutura humana, no ovo, nas células do favo de mel – força, com
graça, beleza, simetria, proporção, leveza e ornamentação. Essa é,
também, a perfeição do orador e do poeta – combinar força,
resistência, energia, com a graça de estilo, as cadências musicais, a
beleza das figuras, o jogo e irradiação de imaginação e fantasia; e
assim, em um Estado, a força guerreira e industrial do povo, e sua
força Titânica, devem ser combinadas com a beleza das artes, com
as ciências e com o intelecto, se o Estado quiser escalar as alturas
da excelência e o povo ser realmente livre. Harmonia nisto, como
em todo o Divino, material, e humano, é o resultado do equilíbrio,

29
da simpatia e ação oposta dos contrários; uma única Sabedoria
sobre eles mantendo o travessão da balança. Reconciliar a lei
moral, responsabilidade humana, livre arbítrio, com o poder
absoluto de Deus; e a existência do mal com Sua absoluta
sabedoria e bondade e misericórdia, – estes são os grandes enigmas
da Esfinge.

Você ingressou na Loja entre duas colunas. Elas
representam as duas que estavam no pórtico do Templo, em cada
lado da grande entrada oriental. Esses pilares, de bronze, de quatro
dedos de espessura, tinham, de acordo com as descrições mais
autênticas – estas no Primeiro e no Segundo Livro dos Reis, e
confirmadas em Jeremias – dezoito cúbitos de altura, com um
capitel de cinco cúbitos de altura. O eixo de cada uma delas era de
quatro cúbitos de diâmetro. Um cúbito tem 30 1/2 cm. Isto é, o
eixo de cada coluna tinha pouco mais de trinta pés e oito
polegadas de altura, cada capitel pouco mais de oito pés e seis
polegadas de altura, e o diâmetro do eixo seis pés e dez polegadas.
Os capitéis estavam enriquecidos com romãs de bronze, cobertas
com redes de bronze, e ornamentados com grinaldas de bronze; e
parecem ter imitado a forma dos pericarpos do lótus ou lírio
Egípcio, um símbolo sagrado para os Hindus e Egípcios. O pilar
ou coluna da direita, ou do sul, era chamado, como a palavra
Hebraica é reproduzida em nossa tradução da Bíblia, JACHIN; e
o da esquerda, BOAZ. Nossos tradutores dizem que a primeira
palavra significa “Ele estabelecerá”, e a segunda “nele está a
força”.


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Essas colunas eram imitações, feitas por Khūrūm, o artista
Tírio, das grandes colunas consagradas aos Ventos e ao Fogo, na
entrada do famoso Templo de Malkarth, na cidade de Tiro. É
costumeiro, em Lojas do Rito de York, ver-se um globo celestial
em uma e um globo terrestre na outra; mas estes não são
justificados, se o objetivo for imitar as duas colunas originais do
Templo. O significado simbólico dessas colunas deixaremos por
agora inexplicado, acrescentando apenas que os Aprendizes
Iniciados guardam suas ferramentas de trabalho na coluna
JACHIN; e lhe dando a etimologia e significado literal dos dois
nomes.

A palavra Jachin, em hebraico, é ןיכי. Era provavelmente
pronunciada Ya-kayan, e significava, como um substantivo,
Aquele que fortalece; e por isso, firme, estável, ereto.

A palavra Boaz é זעב, Baaz. זע significa Forte, Força,
Poder, Refúgio, Fonte de Força, um Forte. O ב prefixado
significa “com” ou “em”, e dá à palavra a força do gerúndio
Latino roborando – Fortalecendo.

A palavra anterior também significa ele estabelecerá, ou
plantará numa posição ereta, – do verbo ןוכ, Kūn, permaneceu
ereto. Provavelmente significava Ativo e Energia Vivificante e
Força; e Boaz, Estabilidade, Permanência, no sentido passivo.

Das Dimensões da Loja, nossos Irmãos do Rito de York
dizem, “ilimitadas e cobrem não menos do que a abóbada Celeste”. “A esse

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objeto,” dizem eles, “a mente do Maçom é continuamente dirigida e para ali
ele espera enfim chegar pela a ajuda da escada teológica que Jacó, em sua visão,
viu ascendendo da terra para o Céu; as três voltas principais eram
denominadas Fé, Esperança e Caridade; e que nos admoesta a ter Fé em
Deus, Esperança na Imortalidade e Caridade para com toda a
Humanidade”. Da mesma forma, uma escada, algumas vezes com
nove voltas, é vista no painel, repousando na base da terra, e seu
topo nas nuvens, com estrelas brilhando sobre ela; é considerado
que isto representa aquela escada mística que Jacó viu em seu
sonho, apoiada na terra, e seu topo alcançando o Céu, com os
anjos de Deus subindo e descendo por ela. O acréscimo das três
primeiras voltas ao simbolismo é totalmente moderno e impróprio.

Os antigos contavam sete planetas, assim arranjados: a Lua,
Mercúrio, Vênus, o Sol, Marte, Júpiter e Saturno. Havia sete céus e
sete esferas desses planetas; sobre todos os monumentos a Mitra
existem sete altares ou piras, consagrados aos sete planetas, assim
como as sete lâmpadas do castiçal dourado do Templo. Que estes
representavam os planetas, nos assegura tanto Clemente de
Alexandria, em seu Stromata, quanto Fílon, o Judeu.

Para retornar à sua fonte no Infinito, a alma humana,
afirmavam os antigos, tinha que ascender tal como havia descido,
através das sete esferas. A Escada pela qual reascende tem, de
acordo com Marsílio Ficino, em seus Comentários sobre as Enéadas de
Plotino, sete degraus ou passos; e nos Mistérios de Mitra, levados a
Roma sob os Imperadores, a escada, com suas sete voltas, era um
símbolo referente a esta ascensão através das esferas dos sete
planetas. Jacó viu os Espíritos de Deus subindo e descendo por

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ela; e acima dela a Própria Divindade. Os Mistérios Mitríacos eram
celebrados em cavernas, onde portais eram marcados nos quatro
pontos equinociais e solsticiais do zodíaco; e as sete esferas
planetárias estavam representadas, as quais as almas necessitavam
atravessar na descida do céu das estrelas fixas para os elementos
que envolvem a terra; e sete portais eram marcados, um para cada
planeta, através dos quais elas passavam, descendo ou voltando.

Aprendemos isto de Celso, em Origem, que diz que a
imagem simbólica desta passagem entre as estrelas, usadas nos
Mistérios Mitríacos, era uma escada se estendendo da terra para o
Céu, dividida em sete degraus ou estágios, para cada um dos quais
havia um portal, e na cúpula um oitavo, o das estrelas fixas. O
símbolo era o mesmo que o dos sete estágios de Borsippa, a
Pirâmide de tijolos vitrificados, perto da Babilônia, construída em
sete estágios, cada um de cor diferente. Nas cerimônias Mitríacas o
candidato atravessava os sete estágios da iniciação, passando por
diversos processos temíveis – e destes a escada alta com sete voltas
ou degraus era o símbolo.

Você vê a Loja, seus detalhes e ornamentos, por suas
Luzes. Você já ouviu o que se diz serem estas Luzes, das maiores
às menores, e como elas são faladas por nossos Irmãos do Rito de
York.

A Bíblia Sagrada, o Esquadro e o Compasso não são
somente estilizados como Grandes Luzes na Maçonaria, mas
também são tecnicamente chamados de Mobília da Loja; e, como
você viu, se assegura que não existe Loja sem eles. Isto, algumas

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vezes, tem sido um pretexto para excluir Judeus de nossas Lojas,
porque eles não podem estimar o Novo Testamento como um
livro sagrado. A Bíblia é parte indispensável da mobília de uma
Loja Cristã, apenas porque é o livro sagrado da religião Cristã. O
Pentateuco Hebraico numa Loja Hebraica, e o Alcorão numa
Muçulmana, pertencem ao Altar; e algum destes, mais o Esquadro
e o Compasso, propriamente entendidos, são as Grandes Luzes
pelas quais um Maçom deve andar e trabalhar.

A obrigação do candidato deve sempre ser tomada sobre o
livro ou livros sagrados de sua religião, qual seja que ele considere
mais solene e obrigatório; e por isso lhe perguntaram qual era a sua
religião. Não temos nenhuma outra preocupação quanto a seu
credo religioso.

O Esquadro é um ângulo reto, formado por duas linhas
retas. É adaptado somente a uma superfície plana e pertence
unicamente à geometria, à medição da terra, à trigonometria que
lida apenas com planos, e com a Terra, que os antigos supunham
ser plana. O Compasso descreve círculos, e lida com a
trigonometria esférica, a ciência das esferas e céus. O primeiro,
portanto, é um emblema do que concerne à terra e ao corpo; o
ultimo, do que concerne aos céus e à alma. Ainda assim, o
Compasso também é usado na trigonometria plana, para se erigir
perpendiculares; por isso, você é lembrado de que, apesar de neste
Grau ambas as pontas do Compasso estarem sob o Esquadro,
você está agora lidando apenas com os significados morais e
políticos dos símbolos, e não com suas significações filosóficas e
espirituais, ainda assim o divino sempre se mistura com o humano;

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o espiritual se mescla com o terreno; e existe algo espiritual nos
deveres mais comuns da vida. As nações não são apenas corpos
políticos, mas também espíritos políticos; e ai dos povos que,
buscando apenas o material, se esquecem de que possuem uma
alma. Neste caso temos uma raça petrificada em dogma, que
pressupõe a ausência de uma alma e a presença somente da
memória e do instinto, ou desmoralizada pelo lucro. Tal natureza
nunca pode liderar a civilização. A genuflexão perante o ídolo ou
perante o dinheiro atrofia o músculo que caminha e a vontade que
se move. A absorção hierática ou mercantil diminui o brilho de um
povo, abaixa seu horizonte ao abaixar seu nível, e o priva do
entendimento do objetivo universal, ao mesmo tempo humano e
divino, que forma as nações missionárias. Um povo livre, se
esquecendo de que tem uma alma a cuidar, devota todas as suas
energias ao avanço material. Se faz guerra, esta é subserviente aos
seus interesses comerciais. Os cidadãos copiam o Estado, e
estimam a riqueza, a pompa e luxo como os grandes bens da vida.
Tal nação cria fortuna rapidamente e a distribui muito mal. Daí os
dois extremos, de monstruosa opulência e monstruosa miséria;
todos os prazeres para alguns, todas as privações para o resto, quer
dizer, para o povo; Privilégio, Exceção, Monopólio e Feudalismo
emergem do próprio Trabalho: uma situação falsa e perigosa, que,
fazendo do Trabalho um Ciclope cego e acorrentado, na mina, na
forja, na oficina, no tear, no campo, entre gases venenosos, em
celas miasmáticas, em fábricas sem ventilação, alicerça seu poder
público sobre a miséria privada, e planta a grandeza do Estado no
sofrimento do indivíduo. É uma grandeza mal constituída, na qual
todos os elementos materiais estão combinados, e na qual não
entra nenhum elemento moral. Embora um povo, qual uma

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estrela, tenha o direito de eclipsar, a luz deve retornar. O eclipse
não deve degenerar em noite.

As três menores, ou as Luzes Sublimes, você ouviu que são
o Sol, a Lua e o Mestre da Loja; também ouviu o que nossos
Irmãos do Rito de York dizem a respeito delas, e porque acreditam
que são as Luzes da Loja. Mas o Sol e a Lua em nenhum sentido
iluminam a Loja, senão simbolicamente, e portanto não são eles as
luzes, mas sim as coisas das quais são símbolos. O Maçom do Rito
de York não diz do quê são símbolos. Nem a Lua, em qualquer
sentido, governa a noite com regularidade.

O Sol é o símbolo antigo do poder vivificante e generativo
da Divindade. Para os antigos, a luz era a causa da vida; e Deus era
a fonte da qual toda a luz fluía; a essência da Luz, o Fogo
Invisível, desenvolvido como chama manifesta como luz e
esplendor. O Sol era a Sua manifestação e imagem visível; e os
Sabeus, adorando o Deus-Luz, pareciam adorar o Sol, no qual
viam a manifestação da Divindade.

A Lua era o símbolo da capacidade passiva da natureza de
procriar, a fêmea, da qual o poder e energia fecundante era o
macho. Era o símbolo de Ísis, Astarte, e Ártemis, ou Diana. O
“Mestre da Vida” era a Divindade Suprema, acima de ambos, e
manifesto através de ambos; Zeus, o Filho de Saturno, se torna Rei
dos Deuses; Hórus, filho de Osíris e Ísis, se torna o Mestre da
Vida; Dionísio ou Baco, tal como Mitra, se torna o autor da Luz,
da Vida e da Verdade.


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* * * * * *

Os Mestres da Luz e da Vida, o Sol e a Lua, são
simbolizados em todas as Lojas pelo Mestre e pelos Vigilantes: e
isto torna dever do Mestre dispensar luz aos Irmãos, por si
próprio, e através dos Vigilantes, que são seus ministros.

“Nunca mais se porá o teu sol”, diz ISAÍAS a Jerusalém, “nem a
tua lua minguará, porque o Senhor será a tua luz perpétua, e os dias do teu
luto findarão. E todos os do teu povo serão justos, para sempre herdarão a
terra.”. Tal é um modelo de povo livre.

Nossos ancestrais nórdicos adoravam uma Divindade tri-
una; ODIN, o PAI Todo-Poderoso; FREA, sua esposa, emblema
da matéria universal; e THOR, seu filho, o mediador. Mas acima
de todos estava o Deus Supremo, “o autor de tudo o que existe, o
Eterno, o Antigo, o Ser Vivo e Terrível, o Buscador de coisas ocultas, o Ser
que nunca muda”. No Templo de Elêusis (um santuário iluminado
apenas por uma janela no teto, representando o Universo),
estavam representadas as imagens do Sol, da Lua e de Mercúrio.

“O Sol e a Lua”, diz o erudito Ir.·. DELAUNAY,
“representam os dois grandes princípios de todas as gerações, o ativo e o
passivo, o macho e a fêmea. O Sol representa a verdadeira luz. Ele derrama
seus raios fecundos sobre a Lua; ambos projetam suas luzes sobre sua
descendência, a Estrela Flamejante, ou HÓRUS, e os três formam o grande
Triângulo Equilátero, no centro do qual está a letra omnífica da Cabala, pela
qual se diz que a criação foi realizada.”.


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Os ORNAMENTOS de uma Loja são o “Pavimento
Mosaico, a Orla Dentada e a Estrela Flamejante”. O Pavimento
Mosaico, axadrezado com quadrados ou losangos, representa o
andar térreo do Templo do Rei Salomão; e a Orla Dentada, “aquela
linda orla que o envolvia”. Diz-se que a Estrela Flamejante no centro é
um “emblema da Divina Providência, e comemorativa da estrela que surgiu
para guiar os homens sábios desde o Oriente até o local de nascimento de nosso
Salvador”. Mas “não se via pedras” no Templo. As paredes eram
cobertas com pranchas de cedro e o piso com pranchas de abetos.
Não existe evidência de que tivesse existido tal pavimento ou piso
no Templo, nem tal madeiramento; na Inglaterra, antigamente, a
Tábua de Traçar era envolta por uma orla dentada; e somente na
América tal orla é colocada em volta do pavimento Mosaico. As
tésseras, na verdade, são os quadrados ou losangos do pavimento.
Na Inglaterra, também, “a borda dentada ou denticulada” é chamada
de “tesselado” porque tem quatro franjas (em inglês, “tassels”), que
representam Temperança, Força, Prudência e Justiça. Foi chamada
de Orla Dentada, mas trata-se de um uso impróprio das palavras.
É um “pavimento tesselado” com uma borda dentada o
envolvendo.

O pavimento, alternadamente preto e branco, simboliza,
intencionalmente ou não, os Princípios do Bem e do Mal do credo
Egípcio e Persa. É o combate entre Miguel e Satã, entre os Deuses
e os Titãs, entre Balder e Lóki; entre a luz e a sombra, que é a
escuridão; Dia e Noite; Liberdade e Despotismo; Liberdade
Religiosa e Dogmas Arbitrários de uma Igreja que pensa por seus
devotos, da qual o Pontífice se declara infalível, e da qual os
decretos de seus Conselhos se constituem um evangelho.

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As faces desse pavimento, se losangulares, serão
necessariamente dentadas ou denticuladas, como um serrote; e
para completá-lo e finalizá-lo uma bordadura é necessária. É
complementado por tesselas como ornamentos aos cantos. Se
estes e a bordadura têm algum significado, ele é fantasioso e
arbitrário.

Encontrar na ESTRELA FLAMEJANTE de cinco
pontas uma alusão à Divina Providência é igualmente fantasioso; e
fazê-la um comemorativo da Estrela que guiou os Magos, é dar-lhe
um significado comparativamente moderno. Originalmente,
representava SÍRIUS, ou a estrela-Cão, o precursor da inundação
no Nilo; o deus ANÚBIS, companheiro de Ísis em sua busca pelo
corpo de OSÍRIS, seu irmão e marido. Então, se tornou a imagem
de HÓRUS, o filho de OSÍRIS, ele mesmo também simbolizado
pelo Sol, o autor das Estações do Ano, e o deus do Tempo; Filho
de Ísis, que era a natureza universal, ele próprio a matéria
primitiva, fonte inexaurível de Vida, centelha de fogo incriado,
semente universal de todos os seres. Era HERMES, também, o
Mestre do Conhecimento, cujo nome em grego é o do Deus
Mercúrio. Tornou-se o caráter ou sinal sagrado e poderoso dos
Magos, o PENTALFA, e é o emblema significativo da Liberdade,
flamejando com uma radiação constante em meio a elementos
tumultuosos de bem e de mal das Revoluções, e de céus
promissoramente serenos e estações férteis para as nações, após as
tormentas de mudanças e tumultos.


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No Oriente da Loja, sobre o Mestre, incluída em um
triângulo, está a letra hebraica YOD [י ou ]. Nas Lojas Inglesas e
Americanas, a Letra G.·. a substituiu como a inicial da palavra
GOD, com tão pouca razão quanto seria se, ao invés da letra
própria, fosse usada a inicial D de DIEU em Lojas Francesas. O
YOD é, na Cabala, o símbolo da Unidade, da Deidade Suprema, a
primeira letra do Nome Sagrado; é, também, um símbolo das
Grandes Tríades Cabalísticas. Para compreender seus significados
místicos, você deve abrir as páginas do Zohar e do Siphra
Dtzenioutha, e outros livros cabalísticos, e ponderar
profundamente sobre seu significado. É suficiente dizer que ela é a
Energia Criativa da Divindade, e que é representada como um
ponto, esse ponto no centro do Círculo da imensidão. É para nós,
neste Grau, o símbolo da Divindade não manifestada, do
Absoluto, que não possui nome.

Nossos Irmãos franceses colocam esta letra, YOD, no
centro da Estrela Flamejante. E, em velhos ensinamentos, nossos
antigos Irmãos Ingleses disseram “a Estrela Flamejante ou Glória, no
centro, nos remete ao grande luminar, o Sol, que ilumina a terra, e por sua
influência genial dispensa bênçãos à humanidade”. Também nos mesmos
ensinamentos, o chamavam de emblema da PRUDÊNCIA. A
palavra Prudentia significa, em seu sentido original e completo,
Previsão; e, adequadamente, a Estrela Flamejante tem sido
considerada como emblema da Onisciência, ou o Olho que Tudo
Vê, que, para os Iniciados Egípcios, era o emblema de Osíris, o
Criador. Com o YOD no centro, tem o significado cabalístico da
Energia Divina, manifestada como Luz, criando o Universo.


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As Joias da Loja são em número de seis. Três são
chamadas “Móveis”, e três “Imóveis”. O ESQUADRO, o
NÍVEL e o PRUMO eram, antiga e propriamente, chamados de
Joias Móveis, porque passam de um Irmão para o outro. É uma
inovação moderna chamá-las de imóveis, só porque elas devem
sempre estar presentes na Loja. As joias imóveis são a PEDRA
BRUTA, a PEDRA PERFEITA ou PEDRA CÚBICA, ou, em
alguns Rituais, o CUBO DUPLO, e a TÁBUA DE TRAÇAR.

Sobre estas joias nossos Irmãos do Rito de York dizem: “O
Esquadro inculca Moralidade; o Nível, Igualdade; e o Prumo, Retidão
de Conduta.” Suas explicações das Joias imóveis podem ser lidas em
seus manuais.

* * * * * *

Nossos Irmãos do Rito de York dizem que “em toda Loja
bem dirigida existe um certo ponto representado, dentro de um círculo; o ponto
representando um Irmão, individualmente; o Círculo, a linha delimitadora de
sua conduta, além da qual ele nunca sofrerá danos ou paixões que o traiam”.

Isto não é interpretar os símbolos da Maçonaria. Alguns dizem
que, com uma abordagem mais próxima a fim de interpretação, o
ponto dentro do círculo representa Deus no centro do Universo.
É um sinal Egípcio comum para o Sol e Osíris, e ainda é usado
como sinal astronômico do grande luminar. Na Cabala, o ponto é
YŌD, a Energia Criativa de Deus, irradiando com luz o espaço
circular que Deus, a Luz universal,