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INFLUÊNCIA DO TAMANHO DE PARTÍCULA NA COMPRESSIBILIDADE DE

PÓS METÁLICOS
Kahl Dick Zilnyk (PROVIC/UEPG), Carolina Hitomi Miki (IC Voluntária/UEPG),
Danielle Cristina Camilo (IC Voluntária/UEPG), Osvaldo Mitsuyuki
Cintho(Orientador).
061040724@uepg.br

Universidade Estadual de Ponta Grossa/Departamento de Engenharia de
Materiais – Ponta Grossa – PR

Palavras-chave: Pós metálicos, curva de compressibilidade, tamanho de
partícula.

Resumo:

No presente trabalho a influência do tamanho de partícula de pós
metálicos em sua compressibilidade uniaxial foi analisada utilizando-se uma
máquina de ensaios mecânicos computadorizada, seguindo as recomendações
da ASTM¹. Foram construídas curvas de compressibilidade mais detalhadas e
precisas que as previamente existentes para amostras de ferro reduzido em pó,
e os resultados obtidos confirmaram que a compressibilidade cresce com o
aumento do tamanho de partícula, bem como com a mistura de granulometrias
diversas.

Introdução

Compressibilidade pode ser definida como sendo a tensão necessária
para conferir a uma massa de pó certa densidade, a qual geralmente é dada em
relação à densidade teórica do material². Portanto, a densidade verde é uma
função da tensão aplicada, e a relação entre estas grandezas é melhor
demonstrada em uma Curva de Compressibilidade³.
Usando uma máquina de ensaios mecânicos programável, a obtenção de
curvas de compressibilidade torna-se uma tarefa simples. A variação de
resultados reside na casa de 5%, o que confere excelente confiabilidade e
reptibilidade ao método. Assim, foi possível estudar com mais detalhes a
influência do tamanho de partícula do pó em sua compressibilidade.
Levou-se em consideração nos cálculos da densidade que parte da
deformação elástica do pó gerada pela aplicação de tensão não é recuperada
durante o descarregamento, devido ao atrito entre o pó e as paredes internas
da matriz, sendo somente recuperada quando o compactado é ejetado da
matriz
4
.


Materiais e Métodos:
Durante este trabalho foi utilizada uma máquina de ensaios mecânicos
Shimatzu® Autograph-I, uma matriz de aço ferramenta D2 com diâmetro interno
de 8 mm para compressão uniaxial, solução de ácido esteárico em etanol,
peneiras de diversas abertura, analisador granulométrico a laser CILAS,
balança analítica, micrômetro e ferro metálico em pó obtido comercialmente. O
ferro em pó foi separado por peneiramento e submetido a exame de distribuição
granulométrica. Foram escolhidos os pós com tamanho de partícula entre 180 e
150 micra, entre 53 e 45 micra e inferior a 38 micra. Em seguida foram feitas
curvas de compressibilidade de três amostras de aproximadamente um grama
de cada pó. A máquina de ensaios foi programada para construir uma curva
com 39 pontos. Foi feito, para controle, curvas utilizando o pó sem separação,
contendo todas as faixas granulométricas. Considerou-se que a deformação
elástica não liberada é proporcional à altura da amostra. Medindo o compactado
com um micrômetro após ser ejetado da matriz e relacionando essa medição
com a ultima altura apresentada pela máquina, corrigem-se as demais. A
densidade em cada ponto é então calculada através da formula¹ (sendo m a
massa do compactado, d o diâmetro e h a altura corrigida):
h d
m
D
×
×
=
²
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Resultados e Discussão

Os tamanhos médios de partícula detectados para os pós foram,
respectivamente, 180 micra, 53 micra e 30 micra. Segundo a literatura, pós
finos possuem densidade inferior a de pós mais grosseiros. A compressibilidade
de pós finos também é menor, exigindo maiores tensões para atingir a mesma
densidade de pós grosseiros. Esta foi a tendência observada nas curvas de
compressibilidade, exibidas na figura1. A compressibilidade dos pós separados
foi menor que a do pó com granulometria mista, pois neste as partículas
menores ocupam o espaço entre as maiores, promovendo uma melhor
densificação. Esta é a razão para a densidade inicial do pó de 30 micras ser
superior as demais, pois este é uma mistura de pós ainda mais finos. A tabela 1
apresenta os valores de densidade para alguns pontos da curva.

Tabela 1- Valores de densidade dos pós em algumas etapas da compactação
Densidades (g/cm³)
Tensão (MPa) 30 micra 53 micra 180 micra Pó sem separação
10 3,54 ± 0,07 3,14 ± 0,03 3,28 ± 0,05
3,51 ± 0,06
50 3,93 ± 0,05 3,66 ± 0,02 3,76 ± 0,04
4,01 ± 0,05
100 4,34 ± 0,04 4,14 ± 0,01 4,22 ± 0,03
4,47 ± 0,04
500 6,07 ± 0,02 6,02 ± 0,01 6,13 ± 0,03
6,24 ± 0,07
1000 6,84 ± 0,03 6,87 ± 0,01 7,01 ± 0,04
7,09 ± 0,08
1500 7,19 ± 0,03 7,25 ± 0,02 7,38 ± 0,04
7,47 ± 0,08

Figura 1 - Curvas de compressibilidade para pós de Fe puro com diferentes composições granulométricas.


Conclusões

Verificou-se que tanto a densidade do pó quanto a compressibilidade
crescem com o aumento do tamanho de partícula, como esperado. Mostrou-se,
também, que pós contendo partículas de diferentes granulometrias possuem
densidades e compressibilidades superiores.

Referências

1- ASTM B331-95 Standart Test Method For Compressibility of Metal Powders
in Uniaxial Compaction.
2- Steve Lampman in: ASM Handbook. Volume 7. 10 ed. USA: ASM
international, 1998, 704-716.
3- THÜMMLER, F.; OBERACKER, R. An Introduction to powder metallurgy.
1.ed. London: The Institute of Materials, 1993. 332p
4- C.L. MARTINS; Unloading of powder compacts and their resulting tensile
strength, Acta Materialia v.51 (2003) 4589–4602