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Movimentos sociais no campo até o golpe militar de 1964:

a literatura sobre as lutas e resistências dos trabalhadores rurais do


século XX*

Clifford Andrew Welch**

Resumo: Este artigo aborda a historiografia dos movimentos sociais no campo


a partir da literatura sobre a luta dos trabalhadores rurais do Brasil até os
anos 70 do século XX. Oferece uma resenha coletiva dos livros publicados e
aponta novas direções para a pesquisa.
Palavras-chave: Movimentos sociais; Historiografia; Trabalhadores rurais.

História
Dependendo de sua perspectiva e sua garra como pesquisador, é
possível encontrar evidências da existência de movimentos sociais de
trabalhadores rurais da época colonial até hoje, mas não seria possível encontrar
registro de um movimento sindical rural até o século passado. Como
camponeses livres ou trabalhadores escravizados, os trabalhadores rurais se
revoltaram contra sua exploração em inúmeras ocasiões desde o século XVI
(PALÁCIOS, 2004). Nos casos mais famosos – os quilombos de Palmares,
no século XVII, a resistência de Canudos no século XIX e o Contestado de
1912 – ocorreram movimentos organizados envolvendo milhares de pessoas
(REIS; GOMES, 1996; LEVINE, 1995; MACHADO, 2004). No início do
século XX, a influência de anarquistas e socialistas sustentou movimentos
clandestinos nas fazendas de café e cana-de-açúcar, estimulando levantamentos
e greves até prolongados. Mas a questão do movimento sindical é outra e,
para respondê-la, precisamos olhar cuidadosamente a história a partir dos
anos 1930.
Fundado em 1932, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Campos
(RJ) é considerado o primeiro sindicato de trabalhadores rurais (STR)
(MEDEIROS, 1989, p. 27). Constituído por pequenos lavradores e cortadores
de cana-de-açúcar, sua proximidade à capital nacional no Rio de Janeiro fez
com que virasse um sindicato modelo. Contudo, até o fim de 1931, outros

*
Revisão técnica de Paulo Fontes.
Professor doutor de História na Grand Valley State University nos EUA e pesquisador no
**

Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária na UNESP – Presidente


Prudente.
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seis sindicatos rurais já haviam sido reconhecidos pelo governo. O programa
da Aliança Liberal, liderada por Getúlio Vargas, pregava um desenvolvimento
econômico mediado pelo conceito corporativista de sindicalização, como
maneira de organizar as forças produtivas da sociedade e assim pacificar os
conflitos gerados. A idéia já estava sendo instituida no estado natal de Vargas,
o Rio Grande do Sul, mas não na área agrícola. Inicialmente, outros campos
eram mais propícios para experimentar com a organização sindical,
principalmente os setores industriais e comerciais, onde o governo encontrou
mais apoio dentro da classe dominante. Assim, a meta de instigar a formação
de mais sindicatos rurais, programada pelo primeiro ministro de trabalho do
governo Vargas, ficou longe de ser cumprida já que não foi registrado nenhum
aumento no número de sindicatos rurais reconhecidos pelo governo até 1960
(WELCH, 1999, p. 54-58; LINHARES & DA SILVA 1999, p. 125-35).
A sindicalização dos trabalhadores rurais também foi desejada pelo
Partido Comunista Brasileiro (PCB). Em 1928, no terceiro congresso do
partido, os delegados exigiram a ampliação da liberdade de associação e a
organização de “sindicatos de assalariados agrícolas” e o direito dos sócios
elegerem representantes para entidades governamentais de fiscalização das
condições de trabalho, como o Patronato Agrícola, que foi estabelecido no
estado de São Paulo em 1913, depois de uma greve longa de colonos de
café (ZAIDAN FILHO, 1985, p. 139-43; WELCH, 1999, p. 47-54).
Na ideologia deste partido, o camponês faria parte da classe
trabalhadora e deveria ser organizado e mobilizado junto aos operários
urbanos para construir e fortalecer o proletariado que um dia tomaria o
poder e construiria o comunismo no mundo. Por isso, a organização classista
foi um passo importante e, portanto, o sindicalismo rural recebeu apoio
constante do PCB. De 1949 até 1964, o setor do campo do partido publicou
o primeiro jornal camponês de circulação nacional – Terra Livre – redigido
unicamente para identificar os problemas dos trabalhadores rurais e mobilizá-
los para reivindicar soluções frente às autoridades. Em 1954, o PCB organizou
a primeira conferência nacional dos trabalhadores rurais e fundou a União
dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do Brasil (ULTAB). Organizadores
da ULTAB militaram na defesa dos camponeses e na organização de
associações e sindicatos em muitos estados do Brasil. Lutaram para fazer
efetiva a extensão das leis trabalhistas para os camponeses e fizeram pressão
para a implantação do Estatuto do Trabalhador Rural (ETR) em junho de
1963. A ULTAB continuou a funcionar até ter seu papel superado pela
CONTAG – a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura.
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Na ocasião de seu estabelecimento, em dezembro de 1963, o presidente da
ULTAB, o militante comunista Lyndolpho Silva, passou a ser presidente da
CONTAG.
O caráter corporativista da estrutura sindical fragmentou antigos
blocos e criou novas alianças. Para os estadistas vinculados a Vargas, o sindicato
oferecia uma maneira de controlar a classe trabalhadora e algumas facções
da oligarquia rural concordavam com a idéia, confiantes de que o sindicato
patronal sempre seria mais forte e hábil que o dos trabalhadores. Com a
expansão dos eleitores depois da Segunda Guerra mundial, a politização dos
trabalhadores rurais virou algo de valor para muitas forças políticas, dos
comunistas até os coronéis. Assim, a sindicalização, a reforma agrária, e outras
inciativas entraram com força na agenda nacional, criando uma dinâmica
sócio-política que trouxe novas oportunidades para os trabalhadores rurais.
Mesmo assim, a luta pela sindicalização dos trabalhadores rurais no
Brasil é melhor entendida como uma luta da vanguarda revolucionária contra
a classe dominante reacionária. Entre os amigos da causa de sindicalização, a
competição foi feroz, mas produtiva. A partir de 1960, a Igreja Católica, as
Ligas Camponesas e políticos populistas entraram na concorrência para ser
identificados como representantes autênticos dos trabalhadores rurais. Criado
em 1963, uma nova entidade do governo – a SUPRA – Superintendência da
Política de Reforma Agrária – foi incumbida de ajudar os trabalhadores e
seus representantes a formarem centenas de sindicatos. Entre os inimigos da
sindicalização, a resistência de grupos de fazendeiros, usineiros e outros patrões
e políticos foi tão grande que nem a Constituição de 1946 conseguiu segurá-
los. Foi a oligarquia rural, principalmente do Rio Grande do Sul e São Paulo,
que bancou e facilitou a mobilização da sociedade civil em apoio ao golpe
militar, revogando a Constituição e introduzindo duas décadas de ditadura.
A ditadura não perdeu tempo em sua repressão ao movimento
sindical dos trabalhadores rurais. Quase 80% dos sindicatos recém formados
tiveram seus registros cancelados, preservando apenas os sindicatos que
estavam vinculados com anticomunistas assumidos, geralmente padres e seus
aliados católicos. No entanto, ao contrário das piores expectativas, que previam
a extinção do sindicalismo pelo regime, os militares adotaram a perspectiva
corporativista, vendo nos sindicatos um braço útil para construir sua
hegemonia e organizar a produção do país.
Historiografia
Até 1980, o pesquisador da questão sindical no campo encontrava
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uma escassa coleção de obras. Começando nos anos 30, foram publicados
estudos de casos, jornalísticos ou sociológicos, ora de mobilizações
contemporâneas, ora dos problemas e oportunidades associadas com a
organização das relações rurais. Já nos anos 1980, aparecem estudos regionais
e sínteses preliminares de bastante importância. A partir dos anos 90, surgem
novas obras acadêmicas sobre os movimentos nas diversas regiões do país.
A preocupação do governo Vargas com a produtividade agrícola e
a resistência dos fazendeiros contra um diversificado desenvolvimento
econômico da nação, estimularam os primeiros estudos da questão. A maneira
como o amparo estatal podia aumentar a produtividade dos trabalhadores
foi o tema do livro O trabalhador rural brasileiro, publicado pelo Ministério de
Trabalho em 1937. Em 1939, o advogado baiano Pericles Madureira de
Pinho defendeu os fazendeiros contra as pretensões corporativistas do Estado
Novo em seu ensaio O problema da sindicalização rural. Mas, o governo Vargas
não desistiu e organizou a Comissão Especial de Estudos da Sindicalização
Rural para compor a legislação sobre a questão. Em 1943, o debate da
comissão foi reproduzido em “O problema da sindicalização rural” na revista
A Lavoura da Sociedade Nacional da Agricultura, um lobby de agricultores
tradicionais sediado no Rio. O resultado final dessa campanha ainda está
sendo estudado, mas algumas das influências da iniciativa na geração de
orientações, conflitos, resistências e esperanças do movimento sindical dos
trabalhadores rurais já são documentadas.
Os conflitos sobre a natureza da legislação continuaram nos anos 50.
Há dois livros essenciais para resgatar a história parlamentar: Escravos da terra
do deputado federal Fernando Ferrari (1963) e O Estatuto do Trabalhador
Rural e sua aplicação, de Segadas Vianna (1965). Um político populista de
Rio Grande do Sul, Ferrari documentou com indignação a resistência da
oligarquia rural. O livro de Segadas Vianna, um advogado que foi Ministro
de Trabalho na última gestão do Vargas, revela bem a evolução legislativa
das leis trabalhistas para o campo (LINHARES; DA SILVA, 1999, p. 91-
107). Junto com a literatura sobre a sindicalização, são livros que questionam
profundamente a velha tese do “pacto oligárquico e agrário” e de
“modernização conservadora”, repetida por analistas como Otavio
Guilhermo Velho (1979) e Fernando Antonio Azevedo (1982, p. 29-41). São
fontes que fazem o leitor ficar confuso quando encontrar, no escrito do
sociólogo José de Souza Martins, a alegação de que o governo Vargas “não
interferiu diretamente nem decisivamente nas relações de trabalho rural, não
as regulamentou, indiferente ao seu atraso histórico” (MARTINS, 1999, p. 32).
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Na década de 1960, quando os conflitos aumentaram bastante em
número, tamanho e frequência, uma contribuição importante foi feita pela
Revista Brasiliense com a publicação de estudos de Nestor Vera (1962), Araguaya
Feitosa Martins (1962), Ibiapaba Martins (1962), José Chasin (1962), e do
próprio editor, Caio Prado Junior (1963 e 1964). Cada artigo ajuda entender
a força de mobilização dos trabalhadores rurais na época anterior a 1964 e
o medo da “ameaça vermelha” que levou a Igreja Católica a investir na
organização de sindicatos rurais na época, uma campanha defendida por
Frei Celso Maria em Os cristãos e o sindicato na cidade e o campo (1963). A obra de
Prado – seus artigos do período foram reunidos em 1979 em A questão
agrária –valoriza bastante o poder progressivo do movimento sindical entre
os trabalhadores rurais. É, assim, consistente toda uma literatura que apóia a
idéia de que o movimento sindical dos trabalhadores rurais existia antes do
que o governo Goulart tomasse a iniciativa no sentido de promover a
sindicalização, e dá uma base para questionar a relação entre a iniciativa
governamental e camponesa.
O golpe militar de 1964 não acabou com a produção acadêmica,
mas foram poucas as obras publicadas até os anos 70, quando as mobilizações
populares e o processo de abertura criaram uma conjuntura nova que
possibilitava a crítica aberta.
Impressionante foi a publicação em 1970 da primeira síntese do
movimento do pré-64. No ensaio “Peasant Leagues in Brazil”, Clodomir de
Moraes, um militante e estudioso vinculado com o movimento dos
trabalhadores rurais (primeiro através do PCB, depois das Ligas Camponesas
de Francisco Julião, daí como organizador de focos – “dispositivos militares”
– da luta armada, e mais recentemente como conselheiro do MST),
reconheceu a miltância do Partido Comunista entre os trabalhadores rurais,
mas elogiou a atuação do advogado Julião por estar mais ligada com a
realidade fundiária e conceitos sociológicos brasileiros, como, por exemplo,
a noção de que o campesinato formou uma classe aparte da classe operária.
Tema de várias publicações no exterior durante a ditadura – a saber, Cynthia
Hewitt (1969), Joseph Page (1972) e Florência Mallon (1978) - as Ligas
Camponesas conseguiram virar no papel uma força bem maior que foram
na realidade (GALJART, 1964; JULIÃO, 1968; CAMARGO, 1973). A fama
das ligas levou muitos – a coordenação do MST, por exemplo – a pensar
que elas tiveram um papel histórico maior que toda a história das atividades
do PCB dos anos 20 até os anos 60, deixando os pesquisadores com dúvidas
sobre a balança da participação das diferentes organizações dos movimentos
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sociais no campo e suas leituras daquela conjuntura (STÉDILE, 2002).
Sem discutir diretamente as Ligas, a Fundação Ford e outras entidades
apoiaram, no início dos anos 70, um projeto de pesquisa sobre emprego no
Nordeste que acabou produzindo cerca de seis estudos sobre os trabalhadores
rurais e seus sindicatos. Na mesma época, foram publicados vários estudos
sobre os milhares de bóias-frias, o nome popular dado a nova categoria de
trabalhador rural, o cortador ou colhedor volante. Sem vínculos formais
com o empregador, o bóia-fria não gozava dos direitos das leis trabalhistas,
precisava migrar para encontrar emprego e era explorado com impunidade.
A importância desta literatura para entender o movimento sindical rural do
pré-64 vem de suas interpretações do período mais do que novas informações
das conquistas da época.
Em seus respectivos livros, O “bóia-fria”: acumulação e miséria (1976) e
Os clandestinos e os direitos: estudo sobre trabalhadores de cana-de-açúcar de Pernambuco
(1979), as autoras Maria Conceição D’Incao e Lygia Sigaud argumentam que
a expansão das leis trabalhistas para os trabalhadores rurais – o que Caio
Prado viu como um grande avanço – trouxe problemas para os trabalhadores.
A lei estimulou a expulsão dos trabalhadores residentes e permanentes das
fazendas, criando assim condições para a formação de um excedente de
trabalhadores rurais subempregados e hiperexplorados, os clandestinos e
bóias-frias. Sigaud anota, ironicamente, que se os sindicatos estivessem com
mais poder, poderiam ter utilizado a mesma lei para assegurar melhores
condições para os rurais. No caso do Estado de São Paulo, a antropóloga
Verena Stolcke, em seu livro Cafeicultura: homens, mulheres e capital (1986),
desprezou a idéia da responsibilidade da lei e concluiu que a situação
econômica do café já havia estimulado os fazendeiros a expulsar os colonos
residentes. Em A modernização dolorosa: estrutura agrária, fronteira agrícola e
trabalhadores rurais no Brasil (1982), o economista José Graziano da Silva viu
neste processo a criação de um proletariado rural pronto para se unir com
outros setores da classe operária.
Nos anos 80, a produção intelectual voltou com força, inspirada por
uma onda explosiva de mobilizações dos trabalhadores rurais que irrompeu
no final dos anos 70. Três livros importantes sobre o PCB e Ligas foram
publicados neste período: dois com o mesmo título – As ligas camponesas –
um por Fernando Azevêdo (1982), outro por Elide Rugai Bastos (1984), e A
vitória dos vencidos (Partido Comunista Brasileiro e Ligas Camponesas, 1955-
1964) de Bernardete Aued (1986). Esta década também foi fundamental
para o resgate e publicação de depoimentos de militantes do movimento
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camponês do pré-64. Os dois volumes das memórias do líder comunista
Gregório Bezerra merecem destaque; também, foram publicadas as memórias
de Manuel da Conceição, liderança rural do Maranhão (1980), José Pureza,
que atuou no Rio de Janeiro (1982) e José Leandro da Costa, militante
sindicalista do Ceará (1988). Os depoimentos foram essenciais na reconstrução
dos eventos regionais que resultaram na publicação de estudos de caso como
O campesinato fluminense: mobilização e controle político de Mario Grynszpan
(1986), A revolta camponesa de Formoso e Trombas de Maria Esperança Carneiro
Fernandes (1988) e As origens do movimento sindical de trabalhadores rurais no Ceará:
1954-1964 de Maria Glória W. Ochoa (1989). No filme Cabra marcado para
morrer (1984), o documentarista Eduardo Coutinho combinou história oral
com filme arquival da época para examinar as Ligas de Paraíba e sua memória
coletiva.
Finalmente, novas sínteses importantes foram produzidas nos anos
80, como Os camponeses e a política no Brasil de José de Souza Martins (1981),
“A questão agrária: crise de poder e reformas de base (1930-1964)” por
Aspásia de Alcântara Camargo (1981), e História dos movimentos sociais no campo
de Leonilde Sérvolo de Medeiros (1989). Os ensaios de Camargo e Martins
foram muito bem divulgados e já passaram por várias edições. Pesquisadora
e historiadora da Fundação Getúlio Vargas, Camargo examinou as ações do
Estado, principalmente do executivo, e deu destaque à questão da terra, mais
que aos trabalhadores rurais e seus sindicatos. Assim, para ela, as Ligas
Camponesas foram mais importantes que os sindicatos e o papel do PCB
mereceu pouca atenção, já que – para ela – o movimento sindical só iniciou-
se a partir dos anos 60. Camargo argumentou que o projeto de sindicalização
dos trabalhadores rurais significa a sua incorporação na política populista da
época.
Baseada na pesquisa de orientandos e em sua própria experiência
como assessor da Comissão Pastoral da Terra (CPT) nos anos 70, a obra do
Martins questionou a militância do PCB entre os trabalhadores rurais. Para
ele, o partido subestimava a capacidade política dos camponeses na era pré-
64, condenando a estratégia de incorporá-los como parte da classe operária,
ao invés de vê-los como uma classe em si, capaz de resistir ao capitalismo
selvagem no campo e contribuir para a construção de um Brasil socialista.
Pior, na opinião de Martins, foi a decisão do PCB de privilegiar alianças com
a chamada burguesia nacionalista e de ver no aparelho do sindicalismo rural
um avanço no caminho para o socialismo. Com uma orientação que o cientista
político Raimundo Santos chama de “agrarista”, o ensaio do Martins contribuía
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significativamente para desprezar a luta dos trabalhadores rurais para direitos
trabalhistas e da valorização de movimentos sociais camponeses em torno
da luta pela terra (SANTOS, 1999).
O livro de Medeiros inicia-se com uma citação do ensaio de Martins
e uma critica à inclinação urbana da historiografia brasileira, mas ela conseguiu
valorizar os movimentos sociais no campo sem desvalorizar o movimento
sindical rural. Como integrante do GT dos movimentos sociais do campo
da PIPSA – Projeto de Intercâmbio de Pesquisa Social em Agricultura, outro
projeto financiado pela Fundação Ford nos anos 80 – Medeiros já tinha feito
várias contribuições quando foi convidada pela FASE – Federação de Órgãos
para Assistência Social e Educacional – para preparar uma história a ser
colocada “à disposição dos trabalhadores rurais e dos seus assessores [...e...]
a todos os que acreditam que é possível mudar a nossa sociedade”
(MEDEIROS 1989, p. 8). O livro é rico em dois sentidos: 1) abrangeu todos
os movimentos até então conhecidos e colocou-os no contexto histórico e
2) trouxe para o leitor muitas fontes primárias, como resumos de romances
e filmes, fotos de militantes e cenários da luta, e cópias de documentos
históricos como capas de jornais e resoluções de congressos. Ela argumentou
que no pré-64 “as bandeiras que até hoje são centrais nas lutas [dos
trabalhadores rurais]: os direitos trabalhistas, a previdência social e
principalmente a reforma agrária” se formaram. A lista é mais extensa e
relevante, como o livro mostra na seqüência, adicionando a construção de
organizações nacionais, a criação de uma “linguagem política” na identificação
de todo tipo de trabalhador rural como “camponês”, e a procura de “novas
formas de inserção desse segmento” no processo de desenvolvimento do
país. Na sua interpretação, a contribuição do pré-64 foi fundamental
(MEDEIROS, 1989, p. 13-15). Mesmo assim, concluindo o livro em 1987,
Medeiros nos dá elementos para entender o desgaste do movimento sindical
e sua relação com a luta pela terra que, na época da publicação do livro, já
estava criando novas bases para ameaçar a (nova) velha guarda da CONTAG.
Dos anos 90 até o século atual, a modernização dos mecanismos de
produção agrícola e a luta pela terra, dois processos integralmente ligados
que se intensificaram no pós-64, causaram um ajustamento no foco da pesquisa
para a questão da reforma agrária. Neste sentido, surgiram alguns livros
importantes sobre o movimento sindical dos trabalhadores rurais no pré-64.
Foram publicadas mais memórias de militantes do movimento sindical,
estudos de movimentos em vários estados, e análises do movimento sindical
no pós-64 que também analisavam o período anterior. A tensão existente na
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relação entre os trabalhadores rurais que dependiam de salários e os
trabalhadores rurais que dependiam mais da sua própria produção como
lavradores tem sido mais analisada. É interessante notar que o reconhecimento
da complexidade da sociedade rural fez com que ninguém mais tentasse
escrever uma síntese. Em geral, os estudos mostraram menos confiança nas
explicações estruturais e no progresso linear, mostrando uma preferência
para o empirismo e uma valorização do processo.
Dois depoimentos publicados deram destaque para o movimento
sindical no pré-64. Em Lutas camponesas no interior paulista (1992), os
organizadores Cliff Welch e Sebastião Geraldo apresentaram a memória do
comunista Irineu Luis de Moraes, o Índio, que militou na base dos movimentos
nos estados de São Paulo e Paraná, organizando a resistência dos camponeses,
greves de colonos e cortadores e construindo ligas, associações e sindicatos.
Moraes trabalhava para as organizações do PCB que eram dirigidas por
Lyndolpho Silva, o depoente do livro O camponês e a história (2004), organizado
pelo cientista político Paulo Cunha. As duas memórias revelam, por um
lado, a incrível disciplina dos militantes e, por outro, as complicações
institucionais que desmoralizaram o movimento.
Na linha de frente, Moraes sentia-se abandonado pelo partido e
acabou concluindo que o PCB continuamente “subestimava” a força
revolucionária dos camponeses. Falando de Silva, Moraes o descreveu como
alguém que “não fazia nada [...], um carreirista...” (WELCH; GERALDO,
1992, p. 123, 132). O depoimento de Silva sustenta, em parte, as alegações
do Moraes, mostrando como foi difícil a posição de um burocrata do partido.
Com outros estrategistas urbanos, eles tentaram pensar como guiar rebeliões
e movimentos remotos e desconhecidos. Pressões políticas e partidárias
interferiram no desempenho das organizações dirigidas por Silva. Quando o
PCB interferiu na direção da ULTAB, por exemplo, mandando embora
alguns militantes camponeses, o emprego de Silva foi salvo. “Eu fiquei, mas
fiquei sem fazer nada, me deixaram ficar também sem saber o que eu ia
fazer, fiquei vendo esse negócio todo” (CUNHA, 2004, p. 70). Os dois
livros deixam claro que precisamos estudar mais o papel do partido no
campo.
Dois analistas no Rio de Janeiro, Luíz Flávio de Carvalho Costa e
Raimundo Santos têm dedicado bastante atenção ao papel do PCB e sua
interpretação da questão agrária. Nos capítulos na coletânea Política e reforma
agrária (1998), os organizadores deixaram claras as vantagens e desvantagens
criadas pelo compromisso do partido com o conceito da “frente única”,
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especialmente suas alianças com a burguesia nacional. Como mostra The Seed
Was Planted: The São Paulo Roots of Brazil’s Rural Labor Movement, 1924-1964
(1999), a meta de assegurar poder político através de demonstrações de
influência sobre o movimento sindical freqüentemente colocou o partido
numa posição oportunista. Quando Lyndolpho Silva chegou ao palco, ao
lado do Presidente João Goulart durante seu famoso comício de 13 de
março, ele achava que tinha chegado “quase lá,” no centro do poder
(CUNHA, 2004, p. 107-109). Menos de três semanas depois, a incapacidade
do partido em mobilizar as forças populares no apoio a Goulart e contra o
golpe militar provou como o poder do PCB foi superestimado.
Precisamos entender melhor como o movimento camponês avançou
em todas as regiões do país para compreender melhor o potencial e os
problemas do movimento. No Nordeste, por exemplo, o PCB teve muito
menos influência que no centro-sul. O livro de Regina Reyes Novaes, De
corpo e alma: catolicismo, classes sociais e conflitos no campo (1997), ajuda
bastante a entender o jogo de forças entre o partido, os políticos, as Ligas
Camponesas e a Igreja, um ator importante e pouco analisado. Na história
de São Paulo, como The Seed Was Planted documenta, a Igreja era dividida,
com uma ala conservadora e uma reformista. Na Paraíba, o catolicismo do
povo neutralizou a militância do PCB e as disputas dentro das Ligas abriram
o espaço que permitiu à Igreja ganhar “a corrida da fundação e
reconhecimento dos [...] sindicatos dos padres” (NOVAES, 1997, p. 64).
Precisamos de mais estudos que examinem a história em cada estado, para
poder escrever uma nova síntese dos movimentos dos trabalhadores rurais.
Apesar da extensão e importância do movimento sindical na vida de
milhões de trabalhadores e aposentados, são poucos os estudos dos sindicatos
rurais hoje em dia. Ruda Ricci, que trabalhou no movimento, também comenta
sobre o período pré-64 em seu livro Terra de ninguém: representação sindical
rural no Brasil (1999). Outro estudioso do assunto, o cientista político Claudinei
Coletti, o processo de sindicalização dos trabalhadores rurais antes do golpe
militar foi um de cooptação pela classe dominante. O chamado “sindicalismo
oficial rural” foi organizado para controlar as “organizações autônomas”
dos trabalhadores que já estavam construindo um caminho independente de
cidadania para os camponeses. Os sindicatos oficiais chegaram para “abortar
e substituir” este movimento, servindo como “limitador da cidadania das
massas rurais” e colocando um “poderoso instrumento de controle político-
social nas mãos do Estado” (COLETTI, 1998, p. 61).
Coletti tem um pouco de razão. Depois do golpe e até o final dos
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anos 60, os militares usaram os sindicatos para ajudar no controle dos
movimentos sociais no campo. Mas a conclusão do Coletti ignora a história
das lutas e resistências dos trabalhadores na busca de uma estrutura oficial e
igual dos operários industriais. A idéia do Coletti tem fundo na crítica dos
sindicatos pós-golpe quando serviram, também, para atender às necessidades
dos trabalhadores, como clínicas e outros serviços de assistência social. A
noção nos lembra das hipóteses exaustas da consciência falsa dos camponeses.
No final de 1963, por exemplo, os representantes dos STRs se reuniram para
fundar a CONTAG – Confederação Nacional dos Trabalhadores na
Agricultura, e elegeram os militantes comunistas Lyndolpho Silva como
presidente e Nestor Vera como tesoureiro (WELCH, 1999, 2004; CUNHA,
2004). O documentário Grass War: Peasant Struggle in Brazil (WELCH;
PERRINE, 2001) também documenta a ligação entre a resistência dos
trabalhadores rurais, a sindicalização e a luta pela reforma agrária.
Para Ricci o período pré-64 é essencial para entender o movimento
sindical pós-64. A Igreja é vista como a fonte do assistencialismo da CONTAG,
já que a campanha sindical da Igreja foi orientada pela definição do sindicato
como fonte de assistência ao trabalhador rural. Do PCB viriam as tendências
de mobilização política dos associados e um dom institucional para trabalhar
nos corredores do poder e com a burocracia. Ricci destacou, também, a
ênfase das lideranças na história da fundação da CONTAG, que envolveu
jogos pesados entre dirigentes de facções, sem nenhuma preocupação com a
participação das bases.
A questão da importância das lutas entre lideranças, ora indivíduos,
ora instituções, é uma das muitas que persegue o pesquisador dos movimentos
sociais no campo. Da classe dominante vem a afirmação que nenhum grupo
subalterno é suficientemente responsável para organizar sua própria política.
Os intelectuais, em geral, inculcaram esta perspectiva e a literatura a respeito
forneceu alguns subsídios para considerar que, na cultura autoritária do Brasil,
a construção e papel do líder são importantíssimos. Em 1964, Benno Galjart
concluiu em seu artigo “Class and Following in Rural Brasil” que as Ligas
Camponesas e sindicatos rurais encontraram legitimidade na cultura brasileira
através de sua capacidade de duplicar e assim des-localizar o coronel na
relação clientelista tão típica no Brasil. Em “Mudança e continuidades na
política rural brasileira” (1988), Elisa Reis chegou à mesma conclusão, uma
conclusão que orienta a obra do sociólogo José de Souza Martins (2000).

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Lutas & Resistências, Londrina, v.1, p. 60-75, set. 2006.
Fontes e novas questões
À medida que a literatura recente multiplicou nosso conhecimento
do movimento dos trabalhadores rurais no pré-64, multiplicaram também
as questões sobre a época, como o questionamento do significado da
cronologia política para os trabalhadores rurais. Os antropólogos, com sua
tendência de pesquisa comunitária, têm mostrado através de depoimentos
com camponeses – muitas vezes pessoas não-identificadas, como nos estudos
de Stolcke, dificultando assim a construção de conhecimento científico – que
o golpe não tinha importância nenhuma. Vimos como o governo tentou
interferir nas relações de trabalho rural, mas ficou para ser pesquisado o
impacto real desta interferência. Sabemos que a reivindicação para um
movimento sindical dos trabalhadores rurais existiu desde os anos 20, mas
não temos ainda estudos que ajudam a medir a influência dela. Os relatos
oficiais de 1930 para frente mostram como as autoridades estavam
preocupadas com o movimento, mas falta trabalho de campo suficiente –
pesquisa local – para confirmar se tiveram base verdadeira as reclamações
da classe dominante. Novos estudos revelaram a participação do PCB, da
Igreja e das Ligas na formação do movimento sindical, mas não está claro
ainda todo conteúdo desta participação nas distintas regiões do país. Enquanto
a reforma agrária radical foi uma bandeira de luta no período pré-64, sua
articulação dentro e fora do movimento sindical não está bem entendida.
Estas questões e muitas outras restam a serem investigadas.
O historiador e o pesquisador do campesinato no Brasil não podem
ignorar o movimento sindical dos trabalhadores rurais do pré-64. São muitas
questões a serem investigadas para entender a história social do campo e
compreender os conflitos do presente. São questões de fato e interpretação
que só pesquisa e tempo podem ajudar a resolver.
Além das memórias publicadas e depoimentos arquivados, a imprensa
anarquista, socialista e comunista é uma importante fonte de informação
sobre o movimento sindical dos trabalhadores rurais no pré-64. Uma fonte
única de matérias da imprensa esquerdista encontra-se no livro Subsídios à
história das lutas no campo em São Paulo (1870-1954), organizado por José Cláudio
Barriguelli (1981). Desta imprensa, outra fonte imprescindível é o jornal Terra
Livre, que pode ser encontrado em várias bibliotecas, inclusive a Nacional no
Rio de Janeiro e a Mário Andrade em São Paulo. Em geral, a imprensa local
não é uma boa opção para o pesquisador, já que os jornais dependeram
muito das prefeituras que raramente apoiaram movimentos sindicais. Mas,
na época de 1959 a 1964, o ambiente populista era tão forte que havia uma
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tendência maior dos jornais em relatar os conflitos, às vezes como meio de
criar apoio para um partido ou político vinculado ao periódico.
Outras fontes primárias publicadas estão em Luís Flávio de Carvalho
Costa, org., O congresso nacional camponês: o trabalhador rural no processo político
brasileiro (1993), Raimundo Santos, org. Questão agrária e política, autores
pecebistas (1996), Christian Brannstrom, Documentos do Arquivo do Fórum da
Comarca de Assis (1997), e Emiliana Andréo da Silva O despertar do campo: lutas
camponesas no interior do estado de São Paulo (2003).
Os dois últimos livros são coleções de documentos que podem ser
investigados com mais cuidado em arquivos. O livro de Silva revela a riqueza
do material que pode ser encontrado nos arquivos da policia social e política,
o DEOPS, que operou em muitos estados entre os anos 20 e 80 do século
passado. O livro de Brannstrom aponta uma fonte possivelmente ainda mais
rica: os arquivos das juntas de trabalho que abrangeram regiões agrícolas,
como a Junta de Conciliação e Julgamento de Ribeirão Preto, que inicialmente
concentrava os apelos trabalhistas de uma área que envolvia três estados.
Outras fontes primárias das lutas dos trabalhadores rurais pela igualdade
perante a lei são as revistas dedicadas à análise da legislação, como por exemplo,
a Revista Legislação do Trabalho, que foi publicada em São Paulo entre 1941 e
1964.
Esta revista e outras são disponíveis nas estantes da biblioteca da
Faculdade de Direto da USP no Largo de São Francisco em São Paulo.
Outros acervos para reconstruir a história do movimento sindical dos
trabalhadores rurais no nível nacional podem ser encontrados na biblioteca
do CPDA – Curso de Pós-Graduação em Desenvolvimento, Agricultura e
Sociedade da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, no arquivo da
CONTAG em Brasília, no acervo da coleção do Brasil: Nunca Mais, no
Arquivo Edgard Leuenroth na UNICAMP; no acervo Movimentos Sociais
no Campo no CEDIC – Centro de Documentação e Informação Científica
– na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; nas cartas dos
trabalhadores rurais para Vargas, no Fundo da Secretaria da Presidência da
República no Arquivo Nacional; nos acervos do PCB, ASMOB – Archivio
Sorico del Movimento Operario Brasil – e no Instituto Cultural Roberto
Morena no CEDEM – Centro de Documentação e Memória da UNESP,
em São Paulo; e nas caixas de recortes de jornais no arquivo da sede da
Comissão Pastoral da Terra em Goiânia.
É aconselhável “pensar no mundo”, mas pesquisa histórica tem que
ser desenvolvida no local. Já que a história das lutas e resistências dos
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trabalhadores rurais faz parte da história subalterna, para resgatar a voz e
atuação deles, ferramentas como história oral são essenciais. Um bom lugar
para começar sua pesquisa sempre é a sede do sindicato do trabalhador rural
em sua comunidade.

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