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Avaliação da cobertura vegetal as margens da BR 429 antes e

depois da pavimentação no trecho de São Miguel do Guaporé a
Alvorada o !este" utili#ando imagens de satélite$
Karoline Costa Mendes¹
¹ Universidade Federal de Rondônia – UNÌR
CEP – 76940-000 – Rolim de Moura – RO, Brasil.
Karol_kcoal@hotmail.com
Resumo% A região Amazônica Brasileira é o maior ecossistema do país, muito
rica em biodiversidade, porém nas ultimas décadas vem sofrendo ocupação
desordenada, muito disso se deve aos programas de ocupação implantados
pelo governo nas décadas de 60 a 80. A construção da BR429 se deve a esse
período. Esse trabalho teve por objetivo analisar índice de cobertura vegetal as
margens da BR429 no trecho de Alvorada do Oeste a São Miguel do Guaropé
antes e após a sua pavimentação, que teve inicio no ano de 2009 e foi
concluída em 2011. Para isso foram utilizadas imagens do satélite LANDSAT 5
sensor TM, bandas 5,4 e 3. O processamento digital das imagens se deu pelo
programa SPRÌNG 5.2.3. Analisando as imagens não se nota redução
significativa da cobertura vegetal, possivelmente pelo recente termino da obra,
para melhores resultados são necessários estudos futuros na região.
&alavras'(haves% região Amazônica, pavimentação, BR429, cobertura
vegetal.
)valuation o* the vegetation along the BR 429 be*ore and a*ter
paving the stretch o* São Miguel Guaporé the Alvorada do
!este" using satellite images$
Abstract% The Brazilian Amazon region is the largest ecosystem, rich in
biodiversity, but in recent decades has been undergoing sprawl, much of this is
due to the occupation programs implemented by the government in the decades
60-80. The construction of the BR429 whether that period. This study aimed to
analyze index cover the edges of the BR429 stretch of Alvorada do Oeste of the
São Miguel do Oeste Guaropé before and after paving, which began in 2009
and was completed in 2011. For this, images from LANDSAT 5 TM sensor,
bands 5,4 and 3. The digital image processing was made by the program
SPRÌNG 5.2.3. Analyzing the images do not notice a significant reduction in
vegetation cover possibly by the recent end of the work, for best results future
studies are needed in the region.
+e,'-ords: Amazon region, paving, BR429, vegetation cover.
.$ /ntrodução
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A Amazônia brasileira é o maior bioma do país correspondendo a
49,29% da área total do Brasil (ÌGBE, 2004). É rica em biodiversidade e dotada
de valiosos recursos florestais. Na última década as regiões oeste e sul têm
passado por mudanças do uso e ocupação da terra com projetos de
colonização, obras de infra-estrutura, agricultura extensiva, pecuária e
madeireiros, Almeida e Uhl, 1995; Margulis, 2003 ( apud Piontekowski et al
2011). Este processo iniciou-se na década de 1960, quando o Governo
Brasileiro forneceu infra-estrutura e crédito para a ocupação da Amazônia.
Desde meados dos anos 80, especialmente com a promulgação da
Constituição em 1988 e do Código Florestal Brasileiro no ano de 2000, o
Governo Brasileiro tem mudado a forma de atuação, buscando ordenar e
controlar o processo de ocupação, incentivando iniciativas de monitoramento e
zoneamento Almeida e Uhl 1995; Ab'saber, 1989 (apud Piontekowski et al
2011). O Ìnstituto Nacional de Pesquisas Espaciais (ÌNPE) vem desde 1988
acompanhando e monitorando a dinâmica do uso da terra, produzindo taxas
anuais do desflorestamento na Amazônia Legal, através do Projeto PRODES
(Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite). Os dados têm
mostrado que até o ano de 2009, a média anual de desflorestamento na
Amazônia é de 17 mil Km², causando grande preocupação ao Governo
Brasileiro. (PÌONTEKOWSKÌ et al 2011).
Por outro lado a construção e pavimentação de rodovias é de extrema
importância para melhoria da qualidade de vida da população, além de
subsidiar o desenvolvimento dos aspectos sócio-econômicos. Desde a
antiguidade, a sociedade tem se preocupado com a construção de estradas,
uma vez que estas melhoram o tráfego entre as cidades circunvizinhas,
trazendo benefícios para a população local, no que tange o setor econômico,
facilitando o transporte de mercadorias e aumentando a geração de renda e
novas oportunidades de emprego. (MAGALHÃES et al 2011).
O objetivo desse estudo foi verificar se houve redução da cobertura
vegetal nas margens da BR 429 no trecho de Alvorada do Oeste a São Miguel
do Guaporé após a pavimentação, comparando imagens da vegetação das
margens da BR antes e depois de sua pavimentação. Utilizado como
ferramentas imagens orbitais do satélite TM / Landsat-5, bandas 5, 4 e 3.
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2$ Material e Métodos
2$.$(aracteri#ação de 0rea
A BR 429 liga Costa Marques a BR 364, o trecho analisado situa-se entre
as cidades de São Miguel do Guaporé e Alvorada do Oeste, como observado
na figura 1, totalizando 49,3 km, distante aproximadamente 470 km da capital
Porto Velho. A precipitação média anual da região é de 2250 mm, umidade
relativa do ar elevada, no período chuvoso, em torno de 85%. Segundo a
classificação de Köppen o clima é tropical quente e úmido com estações seca
bem definido (junho a setembro) e com chuvas intensas nos meses de
novembro a abril. As temperaturas médias anuais são em torno de 28ºC, sendo
que as temperaturas médias mínimas são de 24ºC, e as máximas são de 32ºC.
A pavimentação do trecho teve inicio no ano de 2009 e foi concluída no
inicio do ano de 2011.
1igura .$ Localização da área
Figure 1. Location of the area
2$2$ 2ratamento igital das /magens
3
No presente trabalho foram utilizadas imagens do satélite TM /
LANDSAT-5 referente a órbita 231, ponto 68, bandas 5, 4 e 3, as imagens
foram disponibilizadas pelo Ìnstituto de Pesquisas Espaciais ÌNPE, através do
site (http://www.dpi.inpe.br/spring). As imagens foram processadas através do
aplicativo Spring 5.2.3, disponível também no site do ÌNPE. Os processos de
segmentação e classificação realizou a composição das cores (RGB), para as
bandas 5, 4 e 3 respectivamente, a fim de visualizar com melhor detalhe as
formas dispostas na imagem. Estas imagens foram submetidas a um pré-
processamento onde realizou a construção e organização do banco de dados,
utilizando projeção UTM e Datum SÌRGAS2000 e a correção geométrica da
imagem. No processo de classificação das imagens foi utilizado o método não
supervisionado Ìsoseg, e após testar varias segmentações a utilizada foi a 27
30.
No presente trabalho foram utilizadas imagens dos anos de 2008 e
2011, antes do inicio da pavimentação e após a conclusão da obra
respectivamente.
3$ Resultados e discussão
Ao se trabalhar com imagens multitemporais, para avaliação de
cobertura vegetal é possível observar a dinâmica do desflorestamento, é
possível delimitar e calcular a taxa do desflorestamento referente aos períodos,
definindo-se a taxa de expansão, bem como a direção do crescimento e os
prováveis impactos ambientais que este processo poderá causar.
A princípio foi utilizado um maior número de classes, entretanto na etapa
de classificação, as classes confundiam entre si, ficando difícil identificar as
áreas florestadas e as desflorestadas, isso fez com que as classes fossem
rearranjadas para diminuir a confusão entre elas gerando apenas 3 categorias.
Na tabela 1 podemos observar os valores encontrados para as categorias.
4
2abela .. Valores encontrados, por anos, para cada classe pelo método
Ìsoseg.
Table 1. Values found, for years, for each class method Isoseg.
Ano
Floresta
(ha)
Percentua
l de
floresta
Área
desfloresta
da (ha)
Percentual
de área
desflorestad
a
Água
(ha)
Percentua
l água
Total (ha)
200
8
1409535 5143! 133098"" 485#! 2#853 102!
2#40521
"
201
1
13#23299 5010! 13""#949 4990!
323"1
3
118!
2#39124
8

Como observado na tabela 1 houve um aumento de 1,36% da área
desflorestada no período de 2008 a 2011, porém ao obsevar as imagens da
área não se nota alteração na cobertura vegetal.
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1igura 2$ Área (ha) de cada classe em formato de gráfico e mapa
demonstrando pontos de desmatamento nos anos de 2008 e 2011.
Figure 2. Area (ha) of each class in chart format and map showing points of
deforestation between 200 and 20!!.

A grande área florestada observada no lado esquerdo do mapa é o
Parque Nacional da Serra da Cutia e por esse motivo não há desmatamento na
região.
Estudo realizado por Sampaio 2009 na Linha verde (Trecho da BA-099)
apontou que apesar de muito bem elaborada em termos de projeto rodoviário,
causou e, consequentemente, vem causando danos ao meio ambiente e à
população local.
A alteração da cobertura vegetal não foi significativa possivelmente, pelo
curto período analisado, neste caso seria necessário mais estudos futuramente
na área, com maior espaço de tempo após a pavimentação.
Segundo World Bank 2005 (apud Pires 2010) a pavimentação de BRs
traz alguns benefícios diretos destacando-se a redução do tempo de viagem e
números de acidentes, redução dos custos operacionais dos veículos e dos
gases poluentes. Sendo assim no presente estudo a pavimentação trouxe
mais benefícios à população do que impactos ambientais até o momento.
Alguns impactos ambientais são causados pela construção de estradas
pavimentadas mais que não são observados por imagens de satelite, como
ruido dos veículos que acarreta perturbação da especie faunistica
( MAGALHÃES, 2011), atropelamento de animais devido a falta de proteção às
margens das estradas (SAMPAÌO, 2009).
4$ (onclusão
Neste estudo conclui-se que a pavimentação da BR429 não trouxe
redução significativa da cobertura vegetal ao longo de sua margem, no período
observado, sendo a pavimentação um ponto positivo para a população sem
causar impacto ao meio ambiente.
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O estudo foi realizado em um curto período de tempo, para resultados
mais conclusivos são necessários futuros estudos com maior intervalo de
tempo após a pavimentação.
Embora os dados obtidos pelo programa SPRÌNG mostrarem uma
diferença de 1,36% no aumento do desflorestamento, essa diferença não é
notada na observação das imagens.
Apesar de ser de extrema importância para o desenvolvimento da
região, às rodovias devem ser projetadas e executadas colocando o conceito
de consciência ambiental sempre em primeiro lugar, garantindo assim que
impactos ambientais negativos ao meio ambiente e, consequentemente, à
população prévia e posteriormente inserida que vive à margens da rodovia,
sejam evitados.
4$ Re*er5ncias
ÌBGE. Ìnstituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Mapa de Biomas e de
6egetação$ Rio de Janeiro: 2004. Disponível em:
http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/21052004biomashtml.shtm
Acesso em: 18 ago.2013
MAGALHÃES, Ì.A.L.; MARTÌNS.R.F.; SANTOS, A.R. Ìdentificação dos impactos
ambientais relacionados à pavimentação da rodovia MG 307 no município de
Grão Mogol – MG$ Revista 6erde de agroecologia e desenvolvimento
sustent0vel (Mossoró – RN – Brasil) v.6, n.5, p. 10 – 16 dezembro de
2011(EDÌCAO ESPECÌAL) http://revista.gvaa.com.br
PÌONTEKOWSKÌ, V.J; SÌLVA, S.S; PÌNHEÌRO,T.S; COSTA,F.C;
MENDOZA,E.R.H. O avanço do desflorestamento no município de Boca do
Acre, Amazonas: estudo de caso ao longo da BR-317. Anais XV Simp7sio
Brasileiro de Sensoriamento Remoto - SBSR, Curitiba, PR, Brasil, 30 de abril
a 05 de maio de 2011, ÌNPE p.3021
PÌRES, R.F. Avaliação socioecon8mica do pro9eto da rodovia BR 44% uma
abordagem expedita utilizando a analise de custo-benefício. nº de folhas 100.
Trabalhos de diplomação apresentado ao departamento de engenharia civil
para obtenção de título. Escola de engenharia civil, Rio Grande de Sul, 2010.
SAMPAÌO, R. S. Ìmpactos Ambientais (ausados pela (onstrução de
Rodovias$ Salvador: 2009. Disponivel em:
http://info.ucsal.br/banmon/Arquivos/Mono3_0047.pdf. Acesso em 20 jan 2014
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