Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG - Escola de Engenharia

TRABALHO
INTEGRALIZADOR
MULTIDISCIPLINAR I
Diagnóstico e Proposta de Diretrizes de Engenharia
para Planejamento da Ocupação da Área da Bacia
do Córrego Floresta (Região Norte de Belo
Horizonte) – 1º Semestre de 2014.

Tutor:
Professor Adalberto Carvalho de Rezende

Integrantes:
Rafael Antunes Cabaleiro
Luiz Marcos Baptista Santos
Bruno Alvarenga Fonseca
Henrique Sergio Lambertucci
Grupo: A1

TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR - BACIA DO FLORESTA - 1º SEMESTRE DE 2014.

Sumário
ÍNDICES ......................................................................................................................... 3
i. ÍNDICE DE FIGURAS .................................................................................. 3
ii. ÍNDICE DE GRÁFICOS ............................................................................... 4
iii. ÍNDICE DE TABELAS ................................. Erro! Indicador não definido.
1 - INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 5
2 - HISTÓRICO .............................................................................................................. 7
3 - MEIO BIÓTICO ....................................................................................................... 9
3.1 - DESCRIÇÃO DO MEIO BIÓTICO ................................................................................ 9
3.2 - FAUNA E FLORA ................................................................................................... 10
3.3 - PRINCIPAIS ALTERAÇÕES NO MEIO BIÓTICO .......................................................... 18
3.4 - CRITÉRIOS DE ÁREAS DE RESTRIÇÃO CONSTRUTIVA ............................................. 19
4 - MEIO FÍSICO ......................................................................................................... 20
4.1 - CLIMA .................................................................................................................. 20
4.2 - GEOLOGIA, RELEVO E SOLOS ............................................................................... 22
4.3 - HIDROGRAFIA ...................................................................................................... 25
4.4 - HIDROGEOLOGIA.................................................................................................. 27
4.5 - COBERTURA VEGETAL ......................................................................................... 29
4.6 - ÁREAS DE RESTRIÇÃO CONSTRUTIVA .................................................................. 30
5 - MEIO ANTRÓPICO .............................................................................................. 31
5.1 - INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 31
5.2 - A OCUPAÇÃO DO VETOR NORTE .......................................................................... 32
5.3 - INDICADORES SOCIOECONÔMICOS ....................................................................... 35
5.4 - EQUIPAMENTOS URBANOS E COMUNITÁRIOS EXISTENTES ................................... 37
5.4.1 - Educação...................................................................................................... 37
5.4.2 - Saúde ............................................................................................................ 37
5.4.3 - Parques e Praças ......................................................................................... 39
5.4.4 - Política Social .............................................................................................. 40
5.4.5 - Limpeza urbana ........................................................................................... 40
5.4.6 - Obras do Orçamento Participativo ............................................................. 41
6 - PLANEJAMENTO FÍSICO TERRITORIAL - DIAGNÓSTICO ..................... 42
6.1 - CONTEXTUALIZAÇÃO ........................................................................................... 42
6.2 - ÁREA DE INFLUENCIA........................................................................................... 43
6.3 - LEGISLAÇÃO URBANA .......................................................................................... 44
6.4 - USO E OCUPAÇÃO DO SOLO .................................................................................. 49
6.5 - CARÊNCIAS DA REGIÃO ........................................................................................ 50
6.6 - IMPACTOS CAUSADOS .......................................................................................... 51
7 - PLANEJAMENTO FÍSICO E TERRITORIAL – DIRETRIZES ..................... 52
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TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR - BACIA DO FLORESTA - 1º SEMESTRE DE 2014.

7.1 - VOCAÇÃO ECONÔMICA ........................................................................................ 52
7.2 - DIRETRIZES BÁSICAS DE PLANEJAMENTO ............................................................ 52
7.3 - IMPACTOS E MEDIDAS MITIGADORAS ................................................................... 55
8 - ESTUDOS DEMOGRÁFICOS.............................................................................. 56
8.1 - ESTUDO POPULACIONAL DA BACIA DO FLORESTA ............................................... 56
8.2 - MODELO DE CRESCIMENTO LOGÍSTICO ................................................................. 59
9 - SISTEMA DE TRANSPORTES ............................................................................ 61
9.1 - CONTEXTUALIZAÇÃO ........................................................................................... 61
9.2 - DIAGNÓSTICO DO SISTEMA ATUAL DE TRANSPORTES.......................................... 63
9.3 - DIRETRIZES PARA O SISTEMA DE TRANSPORTES ............................... 64
10 - ABASTECIMENTO DE ÁGUA .......................................................................... 69
10.1 - CONTEXTUALIZAÇÃO ......................................................................................... 69
10.2- DIAGNOSTICO DA INFRAESTRUTURA ATUAL DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA ........ 71
10.2.1 - Sistema Rio das Velhas .............................................................................. 72
10.2.2 - Sistema Serra Azul ..................................................................................... 72
10.2.3 - Sistema Rio Manso..................................................................................... 72
10.3 - DIRETRIZES DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA ........................................................ 73
10.3.1 - Escolha de Mananciais .............................................................................. 73
11 - ESGOTAMENTO SANITÁRIO ......................................................................... 75
11.1 - CONTEXTUALIZAÇÃO ......................................................................................... 75
11.2 - DIAGNOSTICO DA INFRAESTRUTURA .................................................................. 77
11.3 - DIRETRIZES DE ESGOTAMENTO .......................................................................... 77
11.3.1 - Sistema de esgotamento ............................................................................. 77
11.3.2 - Previsão da vazão de esgotos .................................................................... 79
11.3.3 - Dbo e Coliformes fecais ............................................................................. 82
11.3.4 - Coliformes Fecais ...................................................................................... 83
12 - GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS ........................ 84
12.1 - CONTEXTUALIZAÇÃO ......................................................................................... 84
12.2 – DIAGNÓSTICO DA INFRAESTRUTURA ATUAL DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS
SÓLIDOS ....................................................................................................................... 85
12.3 - DIRETRIZES PARA O GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS ............................ 85
13 - CONCLUSÃO ....................................................................................................... 86
14 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................... 87

2

TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR - BACIA DO FLORESTA - 1º SEMESTRE DE 2014.

ÍNDICES

i.

ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 1: Limites Físicos da Bacia do Floresta. Fonte: Arquivo grupo. .......................... 7
Figura 2: Espécie encontrada no Parque Estadual Serra Verde. Fonte: Arquivo grupo. 11
Figura 3: Espécie encontrada no Parque Estadual Serra Verde. Fonte: Arquivo grupo. 12
Figura 4: Vegetação do Parque Estadual Serra Verde. Fonte: Arquivo grupo. .............. 14
Figura 5: Vegetação do Parque Estadual Serra Verde. Fonte: Arquivo grupo. .............. 15
Figura 6: Mudas de reflorestamento no Parque Estadual Serra Verde. Fonte: Arquivo
grupo. .............................................................................................................................. 16
Figura 7: Tipos de usos e ocupações das áreas Verdes na Região da Bacia do Floresta.
........................................................................................................................................ 20
Figura 8: Relevo da Bacia do Floresta. .......................................................................... 23
Figura 9: Mapa de declividades da região da Bacia do Floresta. ................................... 24
Figura 10: Relevo da Bacia do Floresta em três dimensões. .......................................... 25
Figura 11: Mapa Hidrológico da Bacia do Floresta. ...................................................... 27
Figura 12: Mapa Hidrogeológico de Belo Horizonte. .................................................... 28
Figura 13: Áreas de Risco na Região da Bacia do Floresta. Fonte: Prefeitura de Belo
Horizonte. ....................................................................................................................... 31
Figura 14: Cidade Administrativa. Fonte: Arquivo grupo A1. ...................................... 34
Figura 15: Renda média do chefe de Família na região da Bacia do Floresta. Fonte:
IBGE 1991. ..................................................................................................................... 36
Figura 16: Unidade do Colégio Tiradentes no Bairro Minas Caixa. Fonte: Google Maps.
........................................................................................................................................ 37
Figura 17: Centro de Saúde Serra Verde. Fonte: Arquivo do grupo A1. ....................... 38
Figura 18: Hospital Universitário Risoleta Tolentino Neves. Fonte: Google maps. ...... 39
Figura 19: Trilha do Parque Estadual Serra Verde. Fonte: Arquivo Grupo A1. ............ 40
Figura 20: Tipos de Zoneamento da área da Bacia da Floresta. Fonte: Prefeitura de Belo
Horizonte. ....................................................................................................................... 48
Figura 21: Zoneamento proposto para a Bacia do Floresta. Fonte: Arquivo do Grupo
A1. .................................................................................................................................. 54
Figura 22: Distribuição da População na região da Bacia do Floresta. Fonte: IBGE
1991. ............................................................................................................................... 58
Figura 23: Densidade Demográfica da região da Bacia do Floresta. Fonte: IBGE 1991.
........................................................................................................................................ 59
Figura 24: Linha do BRT - MOVE em operação na Avenida Vilarinho e Dom Pedro I.
Fonte: Google maps. ....................................................................................................... 62
Figura 25: Seção tipo de vias coletoras. Fonte: Adaptado de Barbosa H M – Circulação
viária - Planejamento e projeto. ...................................................................................... 65
Figura 26: Secção tipo de vias locais. Adaptado de Barbosa, H M – Circulação viária –
Planejamento e projeto. .................................................................................................. 66
Figura 27: Proposta de malha viária para a Bacia do Córrego do Floresta. ................... 68
3

........................ ............................................. 33 Tabela 4: População............................ M......... Figura 28: Mapa do índice de atendimento total de água...... ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1: Média das temperaturas mensais em Belo Horizonte................ ...................... ÍNDICE DE GRÁFICOS Gráfico 1: Abrangência de coleta de resíduos...................MYR.......... ........ 75 Figura 31: Mapa do índice de atendimento total de água............................................................. palestra sobre esgotamento sanitário......... Fonte: Site do Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento........................ 80 Tabela 9 : Valores de Taxa de Infiltração......... Fonte: EMPRESA PROJETOS SUSTENTÁVEIS . V....... ...TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR ....................................................................... Fonte: Prefeitura de Belo Horizonte.................. Fonte: Prefeitura de Belo Horizonte..... 81 Tabela 10: Ocorrências típicas de micro organismos.......... Fonte: Site do Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento........ 61 Gráfico 4: Projeção de esgotos................... ................................... 56 Tabela 5: População estimada para ocupação da Bacia do Floresta proposta pelo grupo A1...................... ......................................................... ... 79 Tabela 8: Quota per Capita de esgoto................................................................................................................................ Fonte: Sperling.................BACIA DO FLORESTA ... Fonte Adaptado de SPERLING (1995).................... . 60 Tabela 6: Capacidade dos sistemas produtores para RMBH e BH............................. Fonte: Arquivo do grupo A1...................................... Fonte: Copasa (2008)................... .................. ................ Fonte: site ETG............................... 22 Tabela 3: Grupo de Programas e Projetos ......................... Fonte: Sperling.............. ....... ................ 71 Tabela 7: Valores usuais do Coeficiente de Retorno (CR).............................. (1996).......................... 83 4 ............................. 42 Gráfico 3: Gráfico estimado de Crescimento logístico para a População da Bacia do Floresta... 82 Gráfico 5: Projeção de Carga de DBO..... RIMA Granja Werneck 2011..... Fonte: Arquivo do grupo A1....................... (1996)................... 21 Tabela 2: Precipitação Mensal em Belo Horizonte.........Vetor Norte............... .... 73 Figura 30: Esquema de abastecimento de agua............ ...................... ................... 79 ii.... densidade demográfica e área de alguns bairros que compõem a Bacia do Floresta............................ 83 iii.... ................... V........................ Fonte: Copasa.................................... .... 70 Figura 29: Localização do reservatório mais próximo............................... 78 Figura 33: Demonstração de Avenidas sanitárias........................ ............... Universidade Federal do Espirito Santo....... Fonte: Fonte: Prefeitura de Belo Horizonte................ M............................................................ 76 Figura 32: Mapa da localização das ETEs da cidade de Belo horizonte..............1º SEMESTRE DE 2014............................................. Fonte: Ricardo Franci Gonçalves e Giovana Martinelli da Silva........ 41 Gráfico 2: Unidades do Orçamento participativo na Regional Venda Nova...............

A região em foco neste trabalho é delimitada pela Bacia do córrego Floresta. como São Paulo e. Dessa forma esse relatório traz o diagnóstico da região assim como faz diversas propostas de diretrizes na formulação do seu plano diretor.BACIA DO FLORESTA .7% em 2010 (IBGE). 1 . Mas outra parte que não foi considerada por muito tempo foi o planejamento do crescimento das cidades.175 em 2013 e um crescimento médio do Brasil de 1. Através de um plano diretor que deve estabelecer as diretrizes e regulamentar de que forma se dará o crescimento de uma região. de modo a contemplar os diversos aspectos do planejamento ambiental.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . Já em 1549. como a nascente do córrego que nomeia a bacia. arquiteto nomeado pela coroa portuguesa.1º SEMESTRE DE 2014. Exemplos de cidades assim não são poucos. que faz fronteira com o distrito de Santa Luzia. inclusive.145 novos habitantes em média por ano. econômico e social. Com uma população de 2. prevendo e evitando condições desfavoráveis ou mesmo perigosas para a população e a cidade.479.Introdução O planejamento de uma cidade tem importância imensurável. é possível ter um melhor controle nesse crescimento. fica claro que é necessário se precaver de manter a cidade crescendo de forma planejada para esses 42. a localização da Cidade Administrativa de Minas Gerais Presidente Tancredo Neves entre outras. 5 . Belo Horizonte. A cidade de Salvador . Esses números provam que é imprescindível que se adotem soluções técnicas de engenharia para um planejamento de ações eficiente. Essa área contém diversas particularidades. O estudo da região foi feito de maneira interdisciplinar.BA foi construída tendo como base um traçado geométrico feito por Luís Dias. havia uma preocupação na forma em que a cidade seria ocupada. na Região administrativa de Venda Nova em Belo Horizonte. o parque estadual que o envolve.

Com esse relatório pretende-se dar embasamento aos demais estudos que virão sobre essa região. assim como um estudo diagnóstico sobre o meio físico. O segundo capítulo contém um estudo diagnóstico sobre a ocupação atual. com informações que devem orientar na tomada de decisões futuras.1º SEMESTRE DE 2014. com um diagnóstico atual e uma simulação sobre a qual se baseará várias propostas futuras.BACIA DO FLORESTA . no terceiro capítulo serão apresentados os estudos demográficos.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . assim como as primeiras diretrizes das quais o grupo deve se orientar para o zoneamento que for proposto. 6 . Por fim. biótico e antrópico. sobre o planejamento e zoneamento da região. de forma que sejam propostas melhorias seguindo o preceito do desenvolvimento controlado e sustentável. No primeiro capitulo será apresentada um breve histórico da região.

ligada à agricultura e pecuária.1º SEMESTRE DE 2014. em 1701. os políticos progressistas de Minas Gerais partiram para uma longa discussão 7 . Figura 1: Limites Físicos da Bacia do Floresta. 2 .TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . dando origem ao pequeno povoado Curral Del Rei. o bandeirante João Leite da Silva Ortiz alcançou a serra de Congonhas. Com o fim da monarquia e a implantação da República Federativa dos Estados Unidos do Brasil. hoje serra do Curral.BACIA DO FLORESTA . inicialmente ocupada poucos anos depois que. A bela paisagem persuadiu o aventureiro a erguer ali a Fazenda do Cercado.Histórico A região onde hoje está assentada a cidade de Belo Horizonte foi. Fonte: Arquivo grupo.

principalmente com as regiões norte do Estado e o nordeste do Brasil. mas principalmente culturas e costumes dentro da colônia. a ganhar seu caráter de cidade dormitório. Nesse contexto. vários loteamentos foram abertos pela prefeitura.1º SEMESTRE DE 2014. Passavam pela região o “Caminho dos Currais da Bahia” para o norte e “Caminho das Minas” para o sul. em 1893. Venda Nova manteve estrutura semelhante à que possuía no início do século XX.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . a pedido dos moradores. na forma de um ofício que solicitava autorização para o comércio de secos e molhados junto aos tropeiros e viajantes que por ali passavam. conta a historiadora Ana 8 . criando uma outra cidade dentro da capital. já que as condições do terreno eram favoráveis à ocupação Ao longo do tempo. A área era então vinculada à Comarca de Sabará. quando a ocupação se intensificava. teria sido resultado da atividade mercantil entre as lavouras e as criações de gado das regiões norte de Minas e nordeste do Brasil com as regiões mineradoras. sobre a mudança da capital do Estado. o povoado serviu como pouso aos muitos tropeiros que faziam circular não somente gado e mercadorias. ocorreu de forma acanhada durante os anos setecentos e. anotando em um caderninho o nome dos compradores e valor da dívida. Venda Nova começava. vários bairros apareceram. O registro documental mais antigo sobre a ocupação da região de Venda Nova de que se tem notícia data de 1781. quando se tornou definitivamente parte da capital. que o local mais adequado seria a região do Curral Del Rei. Desde seus primórdios até a primeira metade do século XX. Nos anos 60 e 70. então. decidiu-se.BACIA DO FLORESTA . a região desenvolveu-se de forma autônoma. os próprios fazendeiros lotearam suas terras. Até 1948. onde está localizado a Bacia do Floresta. assim como ocorreu com o Curral Del Rei. assim como o Curral Del Rei. as construções foram surgindo de forma indiscriminada e até irregular. Grande parte da população saía para trabalhar no Centro e em cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte. A ocupação da região de Venda Nova. prevaleceu o caráter de entreposto comercial associado à agricultura e à pecuária. A partir da década de 1950. Alguns dados apontam que em 1784 existiam 2. Após debates políticos. Desde a década de 50. O objetivo era transformar essa área em um centro residencial.300 almas vivendo naquelas paragens. Sua primitiva capela teria sido erigida em 1787. Como sua ocupação ocorreu sem planejamento.

BACIA DO FLORESTA .. pouco resta em toda Belo Horizonte. servirá como exemplo da Fauna e Flora o Parque Estadual.1 . enquanto as demais áreas de proteção ambiental ficam a cargo da Secretaria de Meio Ambiente do Município de Belo Horizonte. o restante da bacia já foi desmatado pelas regiões que a cercam já habitadas. 3 . devido as várias áreas de proteção. proteção ambiental e de grandes equipamentos que reduzem o desmatamento. Muito embora haja ainda várias partes menos afetadas por processos antrópicos e urbanos. como também do mercado de trabalho. dando origem à atual área jurisdicionada da região de Venda Nova.. a região de Venda Nova foi redividida. Venda Nova. Dessa forma.Descrição do meio biótico Da vegetação original. Houveram melhorias no acesso rodoviário à região. Em 1987. autora do livro Lembranças . Maria da Silva. As áreas que atualmente são de proteção ou proteção ambiental são o Parque Estadual Serra Verde. a área da região Norte e parte da região da Pampulha.Meio Biótico 3. utilizando a hipótese que toda a Bacia seguiria o mesmo padrão de Fauna e Flora. A construção e o funcionamento deste grande equipamento urbano implicaram em um novo perfil de demanda de bens e serviços. 9 . A implantação da Linha Verde e da nova Cidade Administrativa do Governo de Minas Gerais trouxe alterações importantíssimas na configuração econômica e sócio espacial desta área da cidade.Instituto Estadual de Florestas. com um pouco história da região por meio de fontes orais.1º SEMESTRE DE 2014. e a Bacia do Córrego Floresta não é uma exceção.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . com a criação de mais sete Regiões Administrativas em Belo Horizonte. o Cemitério Bosque da Esperança logo ao sul do cemitério da Consolação e uma pequena área já muito alterada entre o Parque Estadual e a Cidade Administrativa. O Parque é responsabilidade do IEF .

dos topos e dos vales das elevações do PESV. Para esta fitofisionomia foram registradas 39 espécies de árvores e arvoretas. a pindaíba-vermelha (Xylopia sericea).). 3. encontra-se no contato entre dois biomas brasileiros: o Cerrado e a Mata Atlântica (IBGE. a embaúba-vermelha (Cecropia pachystachya). A camada de serrapilheira depositada sobre o solo é estreita e muitas vezes ausente. grande número de trilhas e intensa regeneração de espécies pioneiras. aproximadamente. As espécies típicas desses ambientes são o jacaré (Piptadenia gonoacantha). o barbatimão (Stryphnodendron polyphyllum). que ainda podem ser visualizados nas bordas em meio a indivíduos arbóreos de baixo porte e distribuídos esparsamente.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . ocorrendo diferentes fisionomias A formação floresta estacional semidecídua em estágio final cobre. Apresentam dossel descontínuo e com grande penetração de luz até o piso da floresta e as árvores não ultrapassam os 6 m de altura.BACIA DO FLORESTA . PESV. 35% (25 ha) das encostas.Fauna e Flora O Parque Estadual Serra Verde. pertencentes a 16 famílias botânicas. o ruão (Vismia sp.1º SEMESTRE DE 2014. primeiramente. Verifica-se baixa riqueza no sub-bosque e fortes sinais de intervenção antrópica. regenerando onde anteriormente existia uma pastagem de capim-jaraguá (Hyparrhenia rufa) e braquiária (Brachiaria decumbens). o canudo-de-pito (Mabea fistulifera). 2004). o jameri (Celtis iguanea) e a tamanqueira (Aegiphila sellowiana). 10 . o pau-pombo (Tapirira guianensis). em formações florestais e campestres. jatobá (Hymenaea sp. A vegetação do PESV pode ser dividida. o jacarandá-de-espinho (Machaerium aculeatum). como tocos de árvores cortadas.2 . Trata-se de uma Floresta Estacional Semidecídua (FES) em estágio de sucessão inicial. o angico-branco (Pseudopiptadenia contorta).).

Figura 2: Espécie encontrada no Parque Estadual Serra Verde.BACIA DO FLORESTA .1º SEMESTRE DE 2014. Fonte: Arquivo grupo. 11 .TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR .

17% (12 ha) encostas e topos das elevações do PE Serra Verde. principalmente. com árvores ultrapassando os 6 m de altura. que foram distinguidos dos demais. Para esta fitofisionomia foram registradas 40 espécies de árvores e arvoretas. Figura 3: Espécie encontrada no Parque Estadual Serra Verde. exceto algumas clareiras.BACIA DO FLORESTA . Fonte: Arquivo grupo. dossel fechado e a presença de espécies secundárias iniciais e tardias. aproximadamente. Trata-se de uma Floresta Estacional Semidecídua (FES). com dossel contínuo.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . e com reduzida penetração de luz até o piso da floresta. em estágio de sucessão médio/ avançado. pertencentes a 17 12 . em função da altura das árvores (algumas com altura variando entre 10 e 13 m). São dois os principais remanescentes que foram enquadrados como formações em estágio médio/ avançado: um próximo ao Cidade Administrativa e outro mais ao sul da unidade.1º SEMESTRE DE 2014. Na formação estacional semidecídua em estágio médio/avançado recobre.

que é a espécie dominante. o louro-pardo Cordia tricotoma. no domínio de solos hidromórficos sob inundação permanente. Além da taboa.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . o vinhático-do-campo Plathymenia reticulata e o jacarandá-do-mato Machaerium vilosum. (higrófilos) que cobrem 1% (2 ha) da área do PESV e restringem-se às margens do córrego Floresta. a canjerana Cabralea canjerana. características de terrenos aluviais. taboinha Eleocharis acutangula e cruz-de-malta Ludwigia octovalvis. destacam-se as espécies braquiária Brachiaria humidicola. Neste ambiente foram identificadas 16 espécies. com três espécies. São formações herbáceas. sendo uma pteridófita (samambaia – Thelypteris dentata) e 15 angiospermas. com predomínio de tabôa Thypha dominguensis. famílias botânicas. o ingazeiro Inga vera. As espécies típicas desses ambientes são o cedro Cedrela fissilis. 13 . a marmelada Alibertia sessilis.BACIA DO FLORESTA . o jacarandá-branco Platypodium elegans. o pau-pombo Tapirira obtusa. Quanto às formações campestres. uma delas é a formação de campo brejoso com taboa. a guaçatonga Casearia sylvestris. A família mais rica é Poaceae. distribuídas em dez famílias. a copaíba Copaifera langsdorffii.1º SEMESTRE DE 2014. a marmelada-brava Amaioua guianensis.

Dentre as árvores que ocorrem de formas isoladas em meio à área de pastagem. os ipêsamarelo Tabebuia chrysotricha e T.. cylindrocarpum. principalmente ao longo da grande encosta voltada para leste. o leiteiro Tabernaemontana cf. a guaçatonga Casearia sylvestris. em estágio inicial. chamada pastagem com arvores isoladas ocupa. ao longo das linhas de drenagem. Fonte: Arquivo grupo. o angelim-amargoso Andira anthelmia.1º SEMESTRE DE 2014. aproximadamente.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . onde está entremeado com fragmentos de FES. Figura 4: Vegetação do Parque Estadual Serra Verde. A outra. o jacaré Piptadenia gonoacantha. serratifolia. 55% (78 ha) da área do PESV. com oito espécies. A família Poaceae é a que apresenta maior riqueza. o ruão Vismia sp. a goiabeira Psidium guajava e a lobeira Solanum lycocarpum. 14 . laeta. o angico-branco Pseudopiptadenia contorta. a peroba-de-minas Aspidosperma cf. a copaíba Copaifera langsdorffii. o capimjaraguá Hyparrhenia rufa. destacam-se a pimenta-de-macaco Xylopia aromática. humidicola. sendo cinco exóticas: braquiárias Bracchiaria decumbens e B. o capim-gordura Melinis minutiflora e o colonião Panicum maximum.BACIA DO FLORESTA . o murici Byrsonima sericea.

Fonte: Arquivo grupo. 15 .BACIA DO FLORESTA .TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR .1º SEMESTRE DE 2014. Figura 5: Vegetação do Parque Estadual Serra Verde.

Figura 6: Mudas de reflorestamento no Parque Estadual Serra Verde. Por esta razão. O PESV apresenta alterações ambientais profundas ao longo de muitos anos. Neste contexto. brejo e pasto/capoeira. Fonte: Arquivo grupo. Quanto à fauna. a presença de uma mastofauna diversificada por “ambientes” é nula. Mamíferos são vertebrados que se deslocam com facilidade por seus ambientes naturais. ou mesmo por aqueles com algum grau de antropização. O número de espécies registrado está de acordo com o esforço amostral e com o estágio degradado da vegetação do PESV.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . não foi necessário caracterizar detalhadamente a masto-fauna por ambientes. Apenas mamíferos generalistas terão condições de viver nessa área. não existe relação de área e mastofauna em um ambiente tão alterado e tão pequeno quanto o PESV. mesmo considerando a presença de três tipos de ambientes: capoeirão (ou mata). como o gambá-de-orelha-branca Didelphis albiventris. pequena área física e antropização acentuada. Por sua localização urbana.BACIA DO FLORESTA . foram registradas 89 espécies de aves no PESV. Para mamíferos. 16 . Nenhuma delas encontra-se listada como ameaçada de extinção em quaisquer das escalas analisadas. destacam-se espécies da fauna tipicamente associa-32 dos à cidade de Belo Horizonte.1º SEMESTRE DE 2014.

anfíbios e répteis. Bufonidae (2). Tropiduridae (1). Estes ruídos podem se constituir em um fator limitante para a instalação de diversas espécies animais mais sensíveis a esse tipo de interferência. De acordo com os resultados apresentados no EIA/RIMA de 2006 da cidade administrativa. Mesmo em horários de trânsito menor (5:40h. na área do entorno do PESV. Polychrotidae (1). Leptodactylidae (4). Chelidae (1) e Alligatoridae (1). Ambos. Mas a área do PESV encontra-se bastante degradada. podem comprometer a ocorrência de determinadas espécies de anfíbios e répteis menos generalistas. Dipsadidae (6). Colubridae (2). O intenso ruído gerado por veículos na MG-10. em nível nacional ou regional.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . Amphisbaenidae (2).1º SEMESTRE DE 2014. Assim com base nesses dados. Elapidae (2). Leiuperidae (2). atualmente. bem como áreas de lazer e mesmo de banho da comunidade vizinha.BACIA DO FLORESTA . Um fator importante detectado durante os trabalhos de campo é o intenso ruído gerado pelo trânsito de veículos na MG-10. Hylidae (13). Não foram detectadas espécies mais sensíveis às alterações ambientas. sendo utilizada. por exemplo). Scincidae (2). Anguidae (1). são responsáveis por importantes funções no equilíbrio e na manutenção dos ecossistemas ao atuarem como presas e predadores tanto de vertebrados como de invertebrados. como comum em uma área arbustiva muito próxima de residências urbanas. Mycrohylidae (1). a fauna de mamíferos é caracterizada por animais comuns em áreas urbanas. nem nos estudos do EIA/RIMA nem nas vistorias de campo. bem como a sua permanência no local. nem incluídas em listagens de animais ameaçados. Viperidae (2). foi possível diagnosticar como prováveis 26 espécies de anfíbios e 24 de répteis previstas para o PESV. O trânsito de animais domésticos. distribuídas nas famílias: Caeciliidae (1). aliados à grande degradação dos ambientes. pode influenciar negativamente a ocorrência de animais silvestres no local. Cycloramphidae (3). como local de despejo de lixo. pastagens. Teiidae (3). que margeia a área onde estará localizado o novo Cidade Administrativa de Minas Gerais. A espécie de mico-estrela Callithrix penicillata foi reportada pelo gerente da Unidade. a conformação do terreno permite a propagação dos sons por toda a área do PESV. 17 .

As espécies coletadas.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . A área do parque teria resistido à urbanização devido a elevada declividade. Além dos constantes ruídos terem a capacidade de afetar profundamente as 18 . subordem Heteroptera. Pentatomidae e Miridae. com predomínio de espécies das famílias Cicadellidae e Membracidae. Ordem Hymenoptera. associada à vegetação. diagnosticadas por meio de dados secundários. os impactos antrópicos são devastadores ainda dentro do parque estadual. subordem Auchenorrhyncha. Isto pode ser apresentado por espécies mais abundantes das Ordens: Orthoptera: jovens e adultos das famílias Acrididae. com abundante e variada riqueza de espécies da família Formicidae. pode ser considerada como representativa da diversidade de anfíbios da região metropolitana de Belo Horizonte.3 . embora representativas da vegetação em processo de regeneração. típica de ambiente altamente antropizado. Ordem Coleóptera. A coleta de insetos mostrou uma representatividade da entomofauna. a criação da linha verde representou um grande impacto ambiental para toda a região. Ordem Hemiptera. tiveram a sua riqueza e sua diversidade além do esperado. Chrysomelidae e Curculionidae. Com isso pode-se implicar que a ocupação em toda região que circunda a bacia se deu de maneira desordenada. zoogeográficas e conservacionistas para o PESV. permitindo considerações taxonômicas.1º SEMESTRE DE 2014. famílias Syrphidae e Ulidiidae. o que dificultou a ocupação. 3. Ordem Mantódea. Ordem Diptera. Também. A composição de espécies de anfíbios. famílias Mordellidae. ou ao menos desordenada. representantes da entomofauna do PESV foram apenas aqueles insetos que ocorreram na vegetação em regeneração nas proximidades de áreas de matas mais preservadas do Parque. com várias espécies da família Mantidae. Não foram detectadas espécies de anfíbios incluídas em listagens de animais ameaçados em nível nacional ou regional No caso dos insetos terrestres.BACIA DO FLORESTA . com as famílias Rhopalidae. Ordem Hemiptera.Principais alterações no meio biótico Como foi possível perceber com o estudo da flora e fauna. Ordem Neuroptera: família Chrysopidae e Mantispidae.

1º SEMESTRE DE 2014. Por fim. Porem essas áreas não são protegidas atualmente pelo preceito de irretroatividade da lei. a quantidade concentrada de gases oriundos dos carros.800 metros. Além dessas áreas. junto ao cemitério da Consolação. nas encostas com declividade acentuada e nas bordas de tabuleiros ou chapadas com inclinação maior que 45º. com qualquer cobertura vegetal. e uma parte onde o córrego Floresta percorre. sendo a ocupação do topo do morro da serra verde. espécies da região.Critérios de áreas de restrição construtiva Como foi explanado anteriormente. Isso altera drasticamente as características das águas nesses trechos. com o novo código florestal. não fica nessa condição por todo o seu percurso. 19 . Dessa forma há duas irregularidades. uma grande parte das áreas das bacias se enquadram como Área de proteção ambiental. no bairro Nova York. descrito pela lei Nº 12651 de 25 de maio de 2012. Elas são o bosque da esperança. muito embora essas leis devem ser levadas em consideração durante as propostas futuras desse trabalho.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . que apesar de estar canalizado de forma aberta em parte de seu percurso.4 . nos altos de morros. e nas áreas em altitude superior a 1. como acontece com a quantidade de oxigênio absorvido. grande fluxo de pessoas que começou a passar pela região e até mesmo o aumento da ação antrópica na região devem ser considerados ônus da Rodovia.BACIA DO FLORESTA . Entre os Locais determinados como APP estão as florestas e demais formas de vegetação natural situadas às margens de lagos ou rios (perenes ou não). outro detalhe importante para se levar em consideração é a canalização do córrego floresta. e uma área entre a rua Almeida José Maria Alves e a Avenida Presidente Américo Gianetti. há a restrição imposta. Nessas áreas. mesmo que fora da bacia e da área delimitada pro estudo. 3. há duas áreas com zoneamento especifico de proteção ambiental além do PESV. nas restingas e manguezais.

TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . referente ao licenciamento do empreendimento Granja Werneck.515 mm. Figura 7: Tipos de usos e ocupações das áreas Verdes na Região da Bacia do Floresta.1º SEMESTRE DE 2014.490 a 1. Há um período seco que se estende de abril a setembro.BACIA DO FLORESTA . que varia de 1. 20 . no ano de 2010. em volta da nascente do córrego floresta. A precipitação. com clara distinção entre as estações seca e chuvosa. realizado pela empresa MYR Projetos Sustentáveis em 2011.Meio Físico Primeiramente foi realizada uma avaliação dos meios bióticos e abióticos. assim como no Relatório Executivo do Plano de Manejo do Parque Estadual Serra Verde. com base nos dados secundários obtidos pelo relatório EIA/RIMA.Clima O clima da região é do tipo mesotérmico brando. apresenta uma marcha sazonal bem definida em toda região.1 . 4 . 4. com verão brando. próximo da região.

respectivamente. e a média anual das mínimas é de 15 ºC. em regra geral. com precipitações médias variando de 13 a 65 mm Os meses de abril e setembro representam. De acordo com as informações coletadas junto aos habitantes. sendo julho e agosto os mais secos. Belo Horizonte. são ventos de E e NE. os ventos que atingem minas gerais.1º SEMESTRE DE 2014. Os meses de dezembro e janeiro são os mais chuvosos. A ocorrência de estação seca definida.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . Do total anual de precipitação média na área. Tabela 1: Média das temperaturas mensais em Belo Horizonte.BACIA DO FLORESTA . 21 . principalmente em sua parte mais alta e. no trimestre seco e frio. mais de 70% está concentrado no semestre outubro-março. Entretanto a direção do vento possui alterações de acordo com o sistema atmosférico atuante. num geral. devido à área de alta pressão existente no oceano Atlântico. devido ao relevo ondulado formado por mar de morros e especialmente pelos prédios de grandes alturas. A temperatura média anual das máximas é de 21. exerce certa influência numa variedade de fenômenos climático. Os ventos. está associado à queima de lixo nesses locais. favorecem a ocorrência de incêndios nas áreas verdes.1º C. aliada à proximidade de áreas urbanas e à presença generalizada de vegetação herbácea. os ocorridos nos últimos anos têm se originados a partir dos limites do Parque Estadual. alcançando 29 ºC no trimestre mais chuvoso. as transições para os períodos seco e chuvoso.

2 . A região é caracterizada por colinas de topo plano e arqueado. localizadas na porção norte da bacia. e sedimentos Quaternários. A estrutura da Serra e das cabeceiras do Córrego Floresta é posicionada aproximadamente na direção N/NW-S/SE.Geologia. rochas Ultramáficas/Máficas de São Benedito. as altitudes vão de 780 nos vales até picos de 930 metros.1º SEMESTRE DE 2014. migmatizadas e milonitizadas no paleoproterozóico. A região da bacia do córrego floresta fica logo ao sul da Serra Verde. As altitudes variam entre 791 e 821 metros na região.BACIA DO FLORESTA . na costa oeste do parque. com vales e ravinas fortemente encaixados facilmente em terrenos. que dá nome ao parque estadual. sendo que dentro do parque que encosta na serra. Relevo e Solos A área estudada compreende três formações geológicas distintas: o Complexo Belo Horizonte que predomina na região. Tabela 2: Precipitação Mensal em Belo Horizonte. O domínio do complexo Belo Horizonte está dentro da unidade Depressão de Belo Horizonte.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . espigões e encostas poli convexas de declividades variadas. formado por gnaisses arqueanos e magmáticos parcialmente remobilizadas. 4. 22 . ao longo da calha das cabeceiras do Córrego Floresta.

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Figura 8: Relevo da Bacia do Floresta.

Em superfície, solos residuais imaturos, sílicos-aluminosos, micáceos, ácidos, são
frequentes nas zonas milonitizadas e solos vermelho-escuro estão associados a rochas
básicas e ultrabásicas, meso e melanocráticas. De fato, rochas intrusivas como diques de
diabásio não metamorfizado estão presentes, caracteristicamente produtores de solos
argilosos do amarelo ocre ao vermelho sanguíneo. Também há presente veios de
quartzo, alguns espessos, formando massas globosas visíveis na divisa com o município
de Santa Luzia e em outros pontos nas margens do córrego floresta.

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Figura 9: Mapa de declividades da região da Bacia do Floresta.

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Figura 10: Relevo da Bacia do Floresta em três dimensões.

4.3 - Hidrografia
Localizada na Bacia do São Francisco, Belo Horizonte não é banhada por nenhum
grande rio, nas é atendida por duas sub-bacias, do Ribeirão Arrudas e do Ribeirão da
Onça, afluente do Rio das Velhas.

Apesar de, historicamente a cidade ter sido escolhida como capital pelo congresso
mineiro, com a lei nº3 adicionada à Constituição Estadual em 1893, entre outras 4
regiões por apresentar as melhores condições de centralidade, salubridade, topografia e
especialmente, disponibilidade de água potável, o planejamento original da cidade
deixou a drenagem e o cuidado com os recursos hídricos em segundo plano.

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O córrego Floresta, que deságua no Ribeirão Isidoro, nasce na região norte do bairro
Serra Verde, a uma altura aproximada de 835m, dentro do Parque Estadual Serra Verde.
Ainda dentro do parque a qualidade de água é boa, estando dentro dos limites
determinados pelo CONAMA nº357/05, para águas classe 2.

Dentro do Parque observa-se que, durante boa parte do seu trajeto, seu leito é
extremamente raso, apresentando água parada nas épocas de secas. Já na saída do
parque, os primeiros sinais antrópicos são percebidos com o início da presença de
resíduos sólidos urbanos próximos ao leito.

Fora do Parque, nas proximidades com a rodovia Prefeito Américo Gianetti (linha
verde) com a Avenida Leontino Francisco Alves, esse córrego apresenta-se canalizado
em seção aberta, passando sob a linha verde, em seção fechada, e seguindo em canal
aberto. Após atravessar novamente a rodovia Prefeito Américo Gianetti, ele segue até a
confluência com o Ribeirão Isidoro.

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As fraturas produtoras são as relacionadas aos eventos neotectônicos que reativam fraturas préexistentes. São os principais mananciais de água subterrânea do embasamento. estando entre as mais produtoras do Aquífero.BACIA DO FLORESTA .4 .TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . O Aquífero poroso pode atingir espessuras superiores a 50 metros. A vazões normalmente são baixas. mas normalmente variam entre 20 e 30 metros. 4.Hidrogeologia O Aquífero do complexo Belo horizonte é constituído pela porção porosa saturada do manto de decomposição/coberturas de alteração e pelo meio fraturado sotoposto.1º SEMESTRE DE 2014. da ordem de 5 a 10 m³/h e a vazão especifica modal de 0. A espessura modal geralmente menor que 70 27 . As fraturas da região estudada têm a direção NW.3m³/h/m. Figura 11: Mapa Hidrológico da Bacia do Floresta. NS.

1º SEMESTRE DE 2014.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . A recarga desse Aquífero é realizada por infiltração de águas superficiais. 28 .BACIA DO FLORESTA . Trata-se de um Aquífero Heterogêneo. com espessura variável e de baixa produtividade. metros. em zonas de recarga preferencial. ou em todas as partes das sub-bacias e principalmente por percolação das águas fluviais. Figura 12: Mapa Hidrogeológico de Belo Horizonte. Como o aquífero possui uma parte granular porosa superficial. anisotrópico. a capacidade de infiltração de líquido é grande. o que torna o aquífero mais vulnerável à poluição de suas aguas.

provavelmente parte do plano de ação do Instituto Estadual de Florestas. profundamente alterada. e à vegetação original. Pouco se mantem da vegetação natural. onde se pode observar o solo exposto.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . 29 . Devido a isso a cobertura vegetal original é caracterizada por formações florestais e campestre. sujeito à erosão. à exceção de dois fragmentos que estão em melhores condições de conservação. tendo sido substituída. A região da bacia situa-se em uma zona de transição dos biomas da Mata Atlântica e do Cerrado. por gramíneas forrageiras exóticas. a área ainda apresenta as duas características fisionômicas vegetais típicas da região. com áreas apresentando alto grau de degradação. levando em conta que se trata de um parque estadual. responsáveis pelo mosaico de áreas degradadas. grande maioria foram replantadas e são de espécies invasoras. Um processo de reflorestamento também foi encontrado próximo à trilha principal. Vários pontos.Cobertura Vegetal A vegetação em Belo Horizonte apresenta radicais intervenções urbanas. contem suas especificidades. especialmente nos de trilha. sujeito a toda sorte de intervenção humana. pastagens e vários pequenos fragmentos florestais em estágio inicial. Grande parte da área é de cobertura vegetal nativa. foi encontrado resíduos urbanos. Por ser um parque urbano e. as matas mesófilas semidecíduas e o cerrado.BACIA DO FLORESTA .5 . Muitas foram as pressões antrópicas atuantes sobre a vegetação do PESV. Das arvores restantes. Assim. O parque. e outros poucos em melhor estado de conservação. completamente suprimida. principalmente. portanto. após toda impermeabilização que a cidade requer. a vegetação do PESV encontra-se.1º SEMESTRE DE 2014. com predominância de formações secundárias. 4.

Além disso. de acordo com a Lei Municipal Nº 7166 de 1996.1º SEMESTRE DE 2014. Assim. muito íngremes. e com possibilidade de inundação. A parte inferior da bacia apresenta eventuais inundações. Áreas de escorregamento. grande parte das áreas que potencialmente se inserem nessa descrição estão já dentro do parque estadual serra verde.Áreas de Proteção Permanente .Áreas de Restrição Construtiva São consideradas áreas de restrição construtiva. erosão e assoreamento também são passiveis de fiscalização e controle por parte de órgãos especializados. 4.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . a faixa de 15 metros de cada lado da rodovia. por ser faixa de domínio da união. obrigatoriamente há alguns lugares que serão de construção proibida como a faixa non aedificandi. 30 . adiciona novos lugares para serem considerados APP . isso é. com o novo código florestal descrito pela lei Nº 12651 de 25 de maio de 2012. mas com esse problema já previsto na taxa de permeabilidade do zoneamento da área. locais com declividade igual ou acima de 30% devem ser controladas e fiscalizadas pelos órgãos referentes quanto à ocupação.6 . Também. da Secretaria Municipal de Atividades Urbanas.BACIA DO FLORESTA . Na área estudada. áreas cuja construção é proibida. ou apenas permitida caso haja medidas especificas para o local e cujas obras devem ter a fiscalização ou intervenção dos órgãos especializados competentes.e portanto áreas onde a construção civil é quase invariavelmente proibida.

É um termo recente mas de fundamental importância para a compreensão dos fatores econômicos e culturais de determinada população.Meio Antrópico 5. 5 . foi realizado o estudo dos fatores relacionados à ocupação humana na área da Bacia do Floresta.1 .BACIA DO FLORESTA . Figura 13: Áreas de Risco na Região da Bacia do Floresta.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR .1º SEMESTRE DE 2014.Introdução Entende-se como “antrópico” o conjunto de fatores relacionados à ação do homem e suas atividades no meio em que vivem como sociedade. Fonte: Prefeitura de Belo Horizonte. assim como o levantamento de seus índices sociais e análise das condições em que vivem sua população. 31 . Nesse trabalho.

o desenvolvimento da região foi alicerçado na abertura da Avenida Antônio Carlos e na construção de grandes equipamentos institucionais. Adicionalmente. Dotado de tal importância. objetivando atrair empresas que operem nos moldes das aptidões econômicas específicas da região. o desenvolvimento tecnológico e econômico de certas áreas em detrimento de outras e. possuía normas urbanísticas específicas que impunham limitações para usos não residenciais. tais como a UFMG e o Aeroporto da Pampulha. com a implantação da Avenida Cristiano Machado e do Aeroporto Internacional Tancredo Neves.1º SEMESTRE DE 2014.BACIA DO FLORESTA . destacam. que pode ter consequências semelhantes às experimentadas pela Região metropolitana de Belo Horizonte. provendo grande valorização à região. o vetor norte foi consolidado como importante polo de expansão metropolitana.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR .se dois grupos. destaca-se a região cárstica de Lagoa Santa.2 . que já despertava interesse científico e configurava-se como um polo de lazer e turismo. e posteriormente com projetos e ações de iniciativa público e privada. destacam-se os processos de favelização e reprodução de periferias. Atualmente. além dos projetos arquitetônicos modernistas implantados. os programas previstos para o vetor Norte têm caráter polarizador e estruturador. 5. Dentre eles. Dentre os projetos e ações estruturantes. finalmente a degradação ambiental e sociocultural da região. Nos anos oitenta. favorecendo a ocupação residencial unifamiliar. Inicialmente. o vetor Norte é alvo de estudos que pretendem prevenir a região de um processo de expansão desordenado.A ocupação do Vetor Norte A ocupação e desenvolvimento do vetor Norte de Belo Horizonte se iniciou a partir da criação do complexo da Pampulha na década de 50 que. conforme tabela 3: 32 .

a crescente demanda por novas moradias pode vir a se tornar um problema para o desenvolvimento da região. 33 . que irão ter alguma associação à área em questão que irão atrair uma gama maior de trabalhadores. para esse estudo. São eles:  Cidade Administrativa do Estado de Minas Gerais i) 26 mil pessoas/dia. Como consequência. considerados polarizadores.1º SEMESTRE DE 2014. Outro dado interessante é sobre a faixa salarial: 45% dos funcionários recebem entre 1 e 2. instalação e.5 salários mínimos e 26% recebem entre 3 a 6 salários mínimos. Segundo pesquisas realizadas durante a fase de planejamento da cidade Administrativa. irão provocar uma concentração não apenas setorial e espacial.4% dos funcionários em morar próximo ao local de trabalho.Vetor Norte. há interesse de 77.BACIA DO FLORESTA .TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . desde a fase de planejamento. é importante destacar aqueles empreendimentos já implantados ou em projeto. iv) Implantação do Parque Serra Verde. primordialmente na fase de operação.BHTEC Distrito Industrial de Venda Nova Aeroporto Industrial Polo Industrial de microeletrônica Preconpark Reserva Real .Design Resorts Catedral Metropolitana Tabela 3: Grupo de Programas e Projetos .MYR. mas também populacional. Fonte: EMPRESA PROJETOS SUSTENTÁVEIS . Ampliação da acessibilidade Linha Verde Duplicação da Avenida Antônio Carlos Duplicação da MG-20 (Santa Luzia) Via 540 (Isidoro) Ligação Venda Nova/ Ribeirão das Neves Requalificação do Anel Rodoviário Rodoanel de contorno Norte MG-424 (Pedro Leopoldo) Contorno Norte do Aeroporto Internacional Empreendimentos de Inovação Cidade Administrativa do Estado Estação Vilarinho Parque Tecnológico . Assim. iii) Desenvolvimento de centro comercial. hoteleiro e empresarial em área contígua. Todos esses empreendimentos. ii) 93% dos funcionários residem em BH. RIMA Granja Werneck 2011.

i) 185 mil m². estimular o crescimento econômico e intelectual de Belo Horizonte e região.  Aeroporto Internacional Tancredo Neves. O BH-TEC. reunirá empresas dedicadas a lançar novas tecnologias. localizado nas instalações da UFMG.  Precon Park i) Próximo ao aeroporto Internacional. receber laboratórios de pesquisas de instituições públicas e privadas. iii) Empresas de base tecnológica avançada. ii) Aeroporto indústria.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . o aeroporto Industrial terá como objetivo ser um “hub” logístico multimodal no Brasil e na América Latina para empresas dedicadas a exportação e que dependem de cadeias de suprimento globais com base no modal aéreo. ii) Novas tecnologias.BACIA DO FLORESTA .1º SEMESTRE DE 2014. 34 . Figura 14: Cidade Administrativa. i) Retomada das atividades. iii) Centro de Manutenção Gol. Fonte: Arquivo grupo A1.  Parque Tecnológico BH-TEC. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento de Minas Gerais.

1º SEMESTRE DE 2014. onde moradores. iii) Residencial. O objetivo principal será a criação de um polo tecnológico. iv) Ensino. O polo Industrial de Microeletrônica se instalará a 10 km do Aeroporto Internacional Tancredo Neves. com geração de emprego e renda e com qualidade de vida.6% nesse mesmo período. 35 . a regional Venda Nova apresentou um aumento de 42. 5.1%. A título de comparação.Indicadores Socioeconômicos Entre os anos de 1991 e 2000.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR .4% em sua renda per capita enquanto Santa Luzia obteve um aumento de 31. ii) Milhares de empregos gerados.3% de aumento e a Regional metropolitana de Belo Horizonte 27.BACIA DO FLORESTA . iii) Tecnologia de ponta. vi) Logística. Terá uma atividade âncora que será. ii) 5. uma fábrica como esta deve atrair mais de 200 empresas para o seu entorno.000. no caso. Nesse período.3 . Belo Horizonte obteve 34. Dados de empresas correlatas em países como Taiwan e Estados Unidos. num ambiente propício à inovação. todos os territórios que compõem as áreas de influência direta e indireta à Bacia do Floresta apresentaram um aumento da renda per capita.000 m².  Polo de Microeletrônica i) Região de Lagoa Santa. gerando cerca de 37 mil empregos diretos e indiretos. v) Entretenimento. usuários e investidores tenham oportunidade de trabalhar em espaço de grande potencial cooperativo. geralmente acompanhados dos índices de crescimento de Belo Horizonte. uma fábrica de Semicondutores.

36 . que superava 30% em todos os territórios analisados. não se distanciam muito daqueles apresentados pela Região metropolitana de Belo Horizonte. Esses dados. Figura 15: Renda média do chefe de Família na região da Bacia do Floresta. localizados na avenida Vilarinho e na Rua Padre Pedro Pinto. a população apresentou as maiores taxas de desemprego entre a população adulta e alto índice de informalidade. que possibilita que a região ser relativamente menos dependente do centro metropolitano. há uma tendência de aumento nesses índices. Fonte: IBGE 1991. Contudo. Ainda que a Regional Venda Nova e o município de Santa Luzia tenham obtido crescimentos durante o período. porém. os chefes de domicílio com renda superior a dez salários mínimos representavam menos de 10% nas regionais Norte e Venda Nova e não chegavam a 5% no município de Santa Luzia. Em 2000.BACIA DO FLORESTA . Com relação as atividades econômicas em Venda Nova. 40% dos chefes de domicílio auferiram uma renda inferior a dois salários mínimos.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . Nesse mesmo ano.1º SEMESTRE DE 2014. com a potencialização e efetivação das intervenções urbanas de grande porte previstas ou em execução no vetor Norte. o que pode ser observado pelo crescente aumento dos centros comerciais na região. há um importante núcleo comercial e um centro de polarização regional.

Figura 16: Unidade do Colégio Tiradentes no Bairro Minas Caixa.4 . Fonte: Google Maps.2 .Saúde A região da Bacia do Floresta apresenta 3 centros de saúde. Ainda assim. 3 Unidades Municipais de Educação Infantil. havendo a necessidade da criação de novas unidades de saúde.1º SEMESTRE DE 2014. o sistema educacional não tem infraestrutura para acompanhar o rápido crescimento populacional.BACIA DO FLORESTA .TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . 1 creche conveniada e 10 Centros de Inclusão Digital.1 . 5. Contudo o número atual da população excede a capacidade dos centros de saúde. 5. 37 .Educação A região da Bacia do Floresta possui atualmente 7 Escolas Municipais. há a implantação de 100% do programa de Saúde da Família. as condições de atendimento são precárias e a demanda por vagas nas instituições de ensino continua crescendo em vista os empreendimentos em execução na região. Em síntese.4. Devido à vulnerabilidade social da população. 2 Academias da Cidade. 7 Escolas da rede Privada de ensino.4.Equipamentos Urbanos e comunitários existentes 5. e 1 Farmácia Distrital. 5 Escolas Estaduais.

1º SEMESTRE DE 2014.BACIA DO FLORESTA . exames e cirurgias eletivas. Figura 17: Centro de Saúde Serra Verde. 38 . principalmente médicos.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . Ainda que fora dos limites da Bacia do Floresta. Fonte: Arquivo do grupo A1. é importante ressaltar a importância do Hospital Universitário Risoleta Tolentino Neves como um dos principais centros de saúde em todo o vetor Norte de Belo Horizonte. dificuldade de locação de profissionais. oferta insuficiente de consultas especializadas. Outras carências do sistema são: Falta de transporte sanitário adequado às necessidades da população.

1º SEMESTRE DE 2014.BACIA DO FLORESTA . ao mesmo tempo. principalmente em regiões carentes.3 . A região conta com 1 Espaço esportivo. Figura 18: Hospital Universitário Risoleta Tolentino Neves. representando uma forte centralidade produtora de coesão comunitária. educação e a prática esportiva.Parques e Praças Os Parques e as praças são espaços públicos que proporcionam. 3 academias a céu aberto e 1 parque municipal e 1 parque estadual. cuja população depende quase que exclusivamente de espaços públicos para a recreação e o exercício da sociabilidade. 2 campos. 5. Eles atuam nesse sentido como equipamentos sociais. Fonte: Google maps.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . lazer.4. conforme figura: 39 .

5. A abrangência de coletas de resíduos pode ser observada no gráfico comparativo: 40 .4. e 1 Sacolão ABasteCer.1º SEMESTRE DE 2014. responsável pelo atendimento e acompanhamento socioassistencial de famílias em situação de vulnerabilidade e risco social e pessoal.4. Figura 19: Trilha do Parque Estadual Serra Verde. 5. Fonte: Arquivo Grupo A1.Limpeza urbana A Bacia apresenta 2 locais de entrega voluntária e 1 unidade de recolhimento de pequenos volumes.5 .4 .BACIA DO FLORESTA .TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR .Política Social A região conta com 1 Espaço BH Cidadania/Centro de Referência de Assistência Social.

Fonte: Fonte: Prefeitura de Belo Horizonte. sendo essa uma ferramenta fundamental na parceria entre a Prefeitura e os cidadãos. Gráfico 1: Abrangência de coleta de resíduos.4. mais de 1. 5. O número de unidades do Orçamento Participativo realizadas por ano assim como as unidades em andamento na Regional de Venda Nova pode ser obtido no gráfico: 41 .Obras do Orçamento Participativo Desde 1993. As obras escolhidas são o resultado concreto da participação popular no processo.000 obras foram realizadas em toda Região metropolitana de Belo Horizonte.BACIA DO FLORESTA .6 .TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR .1º SEMESTRE DE 2014.

além de garantir locais para a criação de locais de interesse público 42 para criação de infraestrutura.1º SEMESTRE DE 2014.Diagnóstico 6.Planejamento Físico Territorial .TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . .1 . lei 10. ocupação e uso do solo regulamenta o uso do solo na área urbana. Para conseguir realizar o proposto.Contextualização O planejamento Urbano tem o objetivo de estabelecer regras para orientar o crescimento urbano e dar as diretrizes necessárias para o processo de urbanização e modernização. A lei de parcelamento. utilizado para a preservação de bens e áreas de referência urbana. 6 . estabelecendo diretrizes para a ocupação adequada do município. controla e redireciona o adensamento demográfico e restringe a ocupação de áreas impróprias. como previsto no estatuto da cidade. O mais abrangente deles é o plano diretor do município de Belo Horizonte. Ele dá ao Poder Público uma orientação na oferta de serviços essenciais. Gráfico 2: Unidades do Orçamento participativo na Regional Venda Nova.257/01. Fonte: Prefeitura de Belo Horizonte. ele utiliza algumas ferramentas ou instrumentos legais. que por meio do macrozoneamento.BACIA DO FLORESTA .

Lembrando que a área contém diversos locais de proteção ambiental. mas essa importância atinge de diversas maneiras as diferentes partes das suas imediações. de comércio.BACIA DO FLORESTA . fazendo-a se desenvolver muito mais rapidamente que o previsto e. de serviços e infraestrutura que possibilitarão o desenvolvimento da área. cresceu desordenadamente. A ADA é considerada a própria bacia inteira. Segundo o então governador Aécio Neves. seguindo essa região. Área de Influência Direta (AID) e Área de Influência Indireta (AII). seja pela maior quantidade 43 . Com essas medidas esperou-se que o crescimento da capital tomasse essa direção. porem em seu planejamento não levou em consideração ou subestimou o potencial de crescimento populacional. maior fluxo de pessoas na região independente do sentido e crescimento econômico. onde fica a bacia estudada. e foram levados para o Centro Administrativo não somente as Estruturas do Estado. mas uma série de oportunidades de investimentos privados no seu entorno. surgiu a necessidade de retomar ao projeto original. e foram criadas inúmeras ZEIS na região. com foco especial nas áreas de proteção e proteção ambiental.Área de influencia Levando-se em conta a contextualização anterior. não só em Belo Horizonte mas também nos municípios a volta. Dessa forma.1º SEMESTRE DE 2014. o impacto na área em especifica pode ser considerado negativo. 6. A AID pode ser estimada levando em consideração fatores como o aumento na estimativa de crescimento populacional em volta da região. e suas imediações. Sabe-se que a cidade de belo horizonte foi planejada. por causa da geografia favorável da região. Assim. Em 2007 começaram as obras da Cidade administrativa. a área estudada tem uma importância significativa para toda a cidade. seja causado pelo maior fluxo de pessoas causando um maior mercado consumidor local. separaremos as áreas afetadas em Área Diretamente Afetada (ADA).TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . no qual visava redirecionar o eixo de desenvolvimento de Belo Horizonte para o vetor norte.2 . todos os cuidados ambientais e urbanísticos foram tomados.

BACIA DO FLORESTA . havendo menos impactos negativos nessa AID. Como a maioria dos lugares de proteção ambiental se encontram dentro da região estudada. os outros municípios que compõem a Grande Belo Horizonte. Ocupação e Uso do solo e o plano diretor especificam limites para o exercício do direito de propriedade. o impacto ambiental causado por elas é considerado na ADA. assim como o Município de Santa Luzia e. Essa legislação apresenta uma maior preocupação com dois parâmetros: a preservação ambiental e um planejamento de longo prazo para a ocupação de novas áreas da cidade. e se deu de forma desordenada e intensa. Isso por causa do plano de desenvolvimento da cidade que visa atrair o fluxo e desenvolvimento urbano para o vetor norte.Legislação urbana A lei de Parcelamento. A região da bacia do Isidoro foi uma das últimas a serem ocupadas em Belo Horizonte. O aumento da mobilização social reforça a necessidade de controlar a apropriação do espaço urbano.1º SEMESTRE DE 2014. em menor escala. Zona de Adensamento Restrito (ZAR 2) e Zona Especial de Interesse Social 3 (ZEIS 3). 6.3 .TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . Zona de grandes Equipamentos (ZE). Zona de Proteção 1 ZP1. que acaba influenciando toda a cidade em forma do direcionamento de investimentos e progressão da estimativa de densidade populacional. Zona de Proteção Ambiental (ZPAM). assim como a parte de divisa do munícipio de Santa Luzia ficam contempladas nessa área Por fim a AII se torna todo o Município de Belo Horizonte. pode-se notar dois tipos de 44 . Na região existem os seguintes tipos de zoneamento. Em 20 de julho de 2010 foi aprovada a lei 9959 que alterava o zoneamento da região anteriormente regido pelas leis 8137/2000 e 7166/1996. Entre as áreas que tem influência direta sobre a região estudada. de demandas de uma maior população ou mesmo de mais e maiores investimentos voltados para negócios da região. Assim as regionais Venda Nova e Norte.

8º. II . capitulo II: “Art. predominantemente desocupadas. que determinam a ocupação com baixa densidade e maior taxa de permeabilização.São ZPAMs as regiões que. regiões.evitar riscos geológicos. arqueológica ou paisagística ou em que existam condições topográficas ou geológicas desfavoráveis. 7º .São ZPs as regiões sujeitas a critérios urbanísticos especiais. tendo em vista o interesse público na proteção ambiental e na preservação do patrimônio histórico. cultural. Parágrafo único . cultural. III . 10º. 6º . histórica. 45 .proteger as nascentes e as cabeceiras de cursos d'água. e que se subdividem nas seguintes categorias: I .É vedada a ocupação do solo nas ZPAMs. Art.ZP-2.1º SEMESTRE DE 2014. zonas logo ao sul da bacia. nas quais a ocupação é permitida mediante condições especiais.garantir espaço para a manutenção da diversidade das espécies e propiciar refúgio à fauna.BACIA DO FLORESTA . de proteção ambiental e preservação do patrimônio histórico. destinam-se à preservação e à recuperação de ecossistemas. regiões. As descrições desses tipos de zoneamento foram extraídas dos nos artigos 6º. onde devem ser mantidos baixos índices de densidade demográfica. a Zona de Adensamento Preferencial (ZAP) e Zona Central de Venda Nova (ZCVN). 11º 12º e 13º da lei de parcelamento. uso e ocupação. II . exceto por edificações destinadas exclusivamente ao seu serviço de apoio e manutenção. predominantemente ocupadas. cultural. arqueológico ou paisagístico. 7º. arqueológico ou paisagístico ou em que haja risco geológico. visando a: I . de proteção ambiental. por suas características e pela tipicidade da vegetação.ZP-1.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR .

São ZCs as regiões nas quais é permitido maior adensamento demográfico e maior verticalização das edificações. que será controlado visando à proteção ambiental e preservação paisagística.ZARs-1. IV .ZP-3.Zona Central de Belo Horizonte. Parágrafo único . e que se subdividem em: I . 12 . II .Zona Hipercentral.ZHIP . em razão de infraestrutura e topografia favoráveis e da configuração de centro. 46 .São ZAPs as regiões passíveis de adensamento.ZARs-2. Art.ZCVN . 10 . 11 . 8º . e que se subdividem nas seguintes categorias: I .São ZARs as regiões em que a ocupação é desestimulada. III .COMAM.São ZEIS’s as regiões nas quais há interesse público em ordenar a ocupação. em decorrência de condições favoráveis de infraestrutura e de topografia.ZCBH . II .TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . Art.1º SEMESTRE DE 2014. em que se faz necessário manter baixa densidade demográfica.Zona Central do Barreiro.ZCBA . de precariedade ou saturação da articulação viária interna ou externa ou de adversidade das condições topográficas. Art. Art. em razão de ausência ou deficiência de infraestrutura de abastecimento de água ou de esgotamento sanitário.Zona Central de Venda Nova. regiões em processo de ocupação.O parcelamento e a ocupação de área situada em ZP-1 estão sujeitos à aprovação do Conselho Municipal do Meio Ambiente . regiões com articulação viária precária ou saturada.BACIA DO FLORESTA . regiões em que as condições de infraestrutura e as topográficas ou de articulação viária exigem a restrição da ocupação. III .

§ 1º .ZEIS-1. subdivindo-se nas seguintes categorias: I .BACIA DO FLORESTA . quando alienados. visando à promoção da melhoria da qualidade de vida de seus habitantes e a sua integração à malha urbana. urbanística e jurídica.1º SEMESTRE DE 2014. ocupação e uso do solo. As áreas de ZE na região são destinadas à Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves. atraindo a maior densidade da população para a área central de venda nova. e ao cemitério da consolação. nas quais há interesse público em promover programas habitacionais de produção de moradias. a ser classificados sob o zoneamento que. ocupe maior extensão limítrofe.Passam os terrenos de propriedade pública situados na ZE. cuja área foi expandida em 2010. ou terrenos urbanizados de interesse social. III – ZEIS-3. regiões edificadas em que o Executivo tenha implantado conjuntos habitacionais de interesse social. 13 . é possível inferir as diretrizes de controlar o crescimento populacional mais ao norte da cidade.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . nas quais existe interesse público em promover programas habitacionais de urbanização e regularização fundiária. subutilizadas ou não utilizadas. dentre os lindeiros.A lei que estabelecer novas ZE’s deve fixar os parâmetros urbanísticos a que estarão sujeitas. II – ZEIS-2. Uso e Ocupação do solo” Analisando o mapa de zoneamento da região. regiões não edificadas. e que se sujeitam a critérios especiais de parcelamento.São ZE’s as regiões ocupadas por grandes equipamentos de interesse municipal ou a eles destinadas. Art. ou em implantar ou complementar programas habitacionais de interesse social. 47 . por meio de urbanização e regularização fundiária. regiões ocupadas desordenadamente por população de baixa renda. § 2º .

48 . artigos 64º a 71º. Figura 20: Tipos de Zoneamento da área da Bacia da Floresta.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR .1º SEMESTRE DE 2014. A legislação fala sobre o uso do solo em seu capitulo V. Fonte: Prefeitura de Belo Horizonte. tratando de detalhes para cada tipo de zoneamento.BACIA DO FLORESTA .

o uso do solo é feito de acordo com o especificado pelo zoneamento da bacia. 49 . salvo algumas exceções. De forma geral. O local onde está o Parque Municipal Serra Verde atualmente é classificado como ZPAM. com destaque para Venda Nova. A região foi classificada como ZAP.1º SEMESTRE DE 2014. o que pode ser entendido como um obstáculo para a ocupação dessa área e preferência pela região de Venda Nova. 6. Investimentos foram feitos nessa parte da cidade de forma a estabelecer uma estrutura física que comportasse o comércio. Podemos citar os casos dos bairros Canaã e Juliana. Já a parte que engloba a cidade administrativa a classificação é ZE. nossa área de estudo é caracterizada pela ocupação de famílias de baixa renda em residências com no máximo dois andares. Sem espaço para crescimento na área central. onde áreas classificadas como ZAR 2 apresentam uma densidade populacional maior que o especificado. existindo outro zoneamento desse nos bairros Jaqueline e Frei Leopoldo. Outro tipo de zoneamento presente na bacia são as ZEIS. Na parte norte da bacia existem dois grandes zoneamentos.4 . A parte sul da Bacia do Córrego Floresta compreende uma pequena parte da área classificada como ZAP e conforme seguimos em direção ao norte a classificação passa a ser ZAR 2. Existe ainda uma pequena área de proteção ZP 1 ao sul da Cidade Administrativa. para que mais pessoas se concentrassem em uma área com boa infraestrutura. O plano seria criar um novo polo na região ao norte da Pampulha. foi iniciado um avanço em direção ao vetor norte da cidade. onde estão localizados os cemitérios da Consolação e Bosque da Esperança.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR .BACIA DO FLORESTA . presentes em parte do bairro Serra Verde e no bairro Mariquinhas. serviços públicos e um grande fluxo de pessoas. Pode-se dizer também que em sua maioria.Uso e Ocupação do solo Nas últimas décadas a cidade de Belo Horizonte viveu um processo de esgotamento de seu espaço físico.

ambos fora da nossa área de estudo. 6. fora da bacia.5 . Portanto é necessário que a população faça grandes deslocamentos e se concentrem em poucas áreas. a conclusão é que a população precisa se deslocar para fora da bacia em busca de serviços básicos.BACIA DO FLORESTA . piorando por exemplo o transito e o acesso a essas regiões. podendo indicar um pior planejamento na ocupação dessa parte da bacia. Percebemos que existem poucas unidades para atender os moradores. é possível notar que a parte norte e leste são as mais carentes de serviços. Supermercados também são outro ponto deficiente da bacia.Carências da região A Bacia do Córrego Floresta é uma região predominantemente ocupada por famílias de baixa renda. Encontramos dentro dos bairros mercearias de pequeno porte.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . sendo que nas partes leste e norte da bacia. Um primeiro exemplo é a distribuição de hospitais e postos de saúde. Outros tipos de serviço como agencias bancarias e drogarias são insuficientes na região. Além disso. não encontramos esse tipo de serviço. As unidades mais próximas estão concentradas na região de Venda Nova. pois os ofertados dentro dela sãos insuficientes.1º SEMESTRE DE 2014. Percebemos também uma grande dependência em relação à Venda Nova. Percebemos um grande número de residência humildes e conjuntos habitacionais. percebemos que a ocupação não foi feita adequadamente. Analisando os serviços ofertados na região. onde se concentram grande parte dos serviços que a população necessita. Visto isso. Os supermercados de maior porte estão concentrados ao longo da rua Padre Pedro Pinto e da avenida Vilarinho. 50 .

No caso da Bacia em foco. há como ponto positivo a preservação do Parque Estadual Serra Verde. Todos esses fatores podem gerar áreas de alagamento.6 . O desmatamento interfere ainda na parte hidrográfica e climática da região. bacia do córrego Floresta. que possibilita um acesso mais rápido e fácil à região. além de movimentar a região com a criação de empregos e trazer melhorias no sistema viário.Impactos causados O crescimento das cidades é natural e provoca mudanças significativas no ambiente. Sabemos da importância da criação de moradias na nossa sociedade.BACIA DO FLORESTA . Quando se inicia a ocupação de uma nova área um dos primeiros impactos observados é o desmatamento. sujeitos a deslizamento de terra ou inundações. Outro problema causado pela ocupação de uma nova área é o uso indevido de construções em locais de risco. que são intensificados com o início da ocupação. 51 . como as que encontramos na região. A partir do momento que a população inicia suas atividades cotidianas. aumenta a poluição.1º SEMESTRE DE 2014. 6. o que gera crescimento econômico. A região de nosso estudo. a ocupação de novas áreas é necessária e traz ganhos sociais e econômicos para a cidade. É possível ver em alguns locais da bacia a presença de construções frágeis em terrenos íngremes. mudando drasticamente a paisagem e causando perturbação na fauna. É notória a redução do número de espécies e o número de indivíduos de cada uma. que é a Cidade Administrativa. Esta traz ganhos econômicos para a cidade e o estado. Um exemplo de melhoria é a linha verde. é um exemplo da expansão de Belo Horizonte. Surge então a necessidade de um comércio que atenda as demandas locais. Por outro lado. A Bacia do Córrego Floresta conta ainda com um grande investimento do governo estadual. que garante um resquício de habitat para a fauna da região e protege as nascentes.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . que perde grande parte de seu habitat natural. A região estudada apresenta um grande número de residências e conjuntos habitacionais. o volume de resíduos e a impermeabilização do solo.

Vocação econômica A região mostra vários aspectos interessantes. as coletoras. a proximidade com a Zona Central de Venda Nova e as Zonas de Adensamento Preferencial que a cercam. obrigatoriamente deve haver uma APP.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR .2 .1º SEMESTRE DE 2014. permitem diminuir a concentração de comércios. o uso sugerido do solo seria para comércios de pequeno e médio portes. por haver vários morros e montes da serra verde e a nascente do córrego Floresta. Dessa forma. que não apenas é a principal saída norte do município. Por fim. seria irresponsável fazer uma zona de adensamento preferencial ou a criação de um polo industrial na região. na parte norte da região. Assegura-se isso com o zoneamento ZAR 1 na região.BACIA DO FLORESTA . Com as Áreas de Restrição Construtiva que isso implica. o atual Parque Estadual Serra Verde. Os setores destinados ao comercio que atenderia ao fluxo e à região abrigariam as vias arteriais e. Os bairros da região teriam quase inteiramente vias coletoras e locais. Outra característica marcante é a presença da rodovia MG-10. Shoppings e outros comércios de grande porte causariam grande impacto no ambiente e no trafego.Diretrizes Básicas de Planejamento Em ordem de auxiliar o bom trafego pela região e melhorar a qualidade de vida.Planejamento Físico e Territorial – Diretrizes 7. ou linha verde.1 . Assim sendo. diversas vias coletoras podem diminuir o trafego na linha verde em direção ao centro de venda nova. 7. especialmente os de grande porte na região. com poucas arteriais. especialmente. a morfologia do espaço urbano escolhida segue o método de setores. a região mostra características boas para utilizar esse constante fluxo de pessoas para abastecer um comercio local. Primeiramente. Como Supermercados. como representa um fluxo constante de pessoas. 7 . 52 .

o bairro Canaã e o Cemitério da Consolação. é o aumento do Parque Estadual Serra Verde para englobar todas as APPs da região. O Bairro supracitado apresenta um problema de deslocamento severo. além de haver uma redução do impacto ambiental causado pelos habitantes nas zonas de proteção (ZP) e Áreas de Proteção Permanente (APPs). Uma alteração necessária para que a diretriz seja consistente. As vias locais então levariam ao resto da região com um uso prioritariamente residencial. assim como se concentram os impactos antrópicos em áreas especificas e com infraestrutura para minimiza-los. ele se encontra isolado para pequenos trajetos pela Linha Verde e a Avenida Brasília. porem tem uma localização geológica pouco favorável. Por estar localizado numa das regiões de Belo Horizonte com mais fraturas no solo. Caso algum morador dali tivesse que fazer um pequeno deslocamento. Ampliando essa extensão para o lago e tomando parte da área destinada a ZE para a Cidade Administrativa e prédio da UEMG.1º SEMESTRE DE 2014. que é de grande porte. teria que passar por uma dessas grandes vias que não tem passagem de pedestres. Para melhorar a qualidade de vida e incentivar o uso residencial do terreno. uma maior quantidade de agua infiltrada pelo solo 53 . Para que não haja uma perda em área de zona para equipamentos especiais. é um outro ponto de ZE. sem manejo de arvores e com áreas voltadas para visitação e educação ambiental. áreas de lazer devem ser colocadas seguindo um padrão semelhante à morfologia de vizinhança.BACIA DO FLORESTA . Sendo pertencente ao município de Belo Horizonte.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . Para justificar esse crescimento. Dessa forma se torna mais controlada a visita ao atual Parque. Já o caso do Cemitério da Consolação. especialmente os topos de morro da serra que são atualmente impermeabilizados e principais causadores de alagamentos nas avenidas ao sul da área estudada. primeiro é importante explicar a situação de duas outras áreas de interesse. e a área ZP 1 que protege o lago logo abaixo do Parque. Assim o fluxo da população residente da região ficaria mais contida. é sugerido transformar parte do parque em um Horto Florestal.

Por fim.BACIA DO FLORESTA . uma zona ZEIS-3 na região seria de grande utilidade.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . Então a proposta para resolver esses problemas é que o Cemitério da Consolação seja mudado para a região administrativa Norte da cidade. e no lugar seria uma região residencial que supriria a região do atual Canaã. Figura 21: Zoneamento proposto para a Bacia do Floresta. Fonte: Arquivo do Grupo A1. contém uma quantidade de organismos em decomposição. Cemitérios. 54 . cuja necrolixiviação contamina as aguas pluviais que percolam no cemitério. No lugar onde está o atual bairro Canaã seria parte da ZE destinada à Cidade Administrativa que originalmente seriam parte do PESV.1º SEMESTRE DE 2014. especialmente numa região com fendas muito produtoras como foi explicado no subitem de hidrogeologia. quando atingem um tamanho a ser determinado pragmaticamente. Essa necrolixiviação pode contaminar os lençóis freáticos. vai para a formação de lençóis freáticos.

7. podemos propor as seguintes medidas:  Criar um horto florestal no parque onde exista controle de entrada e saída de pessoas e que a consciência ambiental seja incentivada por meio de campanhas educativas. sofreria menos com a drenagem de aguas pluviais.3 .  Criar um sistema de coleta seletiva onde as cooperativas de catadores de materiais recicláveis trabalhem em parceria com a prefeitura e moradores. Assim seria dificultada a ocupação irregular dessas áreas. reduzindo as possibilidades de haver deslizamento de terra. Além disso as nascentes terão uma proteção maior. Para tentar reduzir os impactos da ocupação.  Manter ativos os serviços de limpeza de boca de lobo nas épocas de estiagem para evitar os transtornos recorrentes de alagamentos na época de chuva. Outra vantagem seria o maior espaço para a fauna.Impactos e medidas mitigadoras As diretrizes propostas pelo grupo para ocupação da área irão trazer impactos semelhantes aos que já foram mencionados anteriormente na análise da ocupação atual. Tendo em seu topo uma área de preservação. A retirada dos cemitérios dessa região é outro ponto positivo.BACIA DO FLORESTA . Um ponto positivo da nova proposta de ocupação é a ampliação da área do parque.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . que visa proteger ainda mais o lençol freático.  Manter uma fiscalização nas áreas de preservação e de terreno íngreme. possibilitando o reaproveitamento das águas da chuva e enviando o esgoto para estações de tratamento adequadas antes de serem lançadas nos rios.  Captar águas pluviais e esgoto separadamente. 55 .1º SEMESTRE DE 2014.

1 .65 10. no caso em questão.83 16.115 0.313 320 482 14.31 5.140 4.148 0.489 Tabela 4: População.1º SEMESTRE DE 2014.97 6.31 1.015 0.BACIA DO FLORESTA . Esses dados podem ser vistos na tabela 4: Nome do Bairro REGIONAL TERRITÓRIO POPULAÇÃO 2010 DENSIDADE (hab/km 2) 2010 ÁREA (km 2) Canaã Cenáculo Conjunto Minascaixa Conjunto Serra Verde Europa Frei Leopoldo Juliana Laranjeiras Madri Mariquinhas Minascaixa Parque São Pedro São Damião Satélite Serra Verde Vila Clóris Vila Nova Vila Satélite Xodó-Marize VENDA NOVA VENDA NOVA VENDA NOVA VENDA NOVA VENDA NOVA NORTE NORTE VENDA NOVA NORTE NORTE VENDA NOVA VENDA NOVA VENDA NOVA NORTE VENDA NOVA VENDA NOVA NORTE VENDA NOVA NORTE VN1 VN1 VN1 VN1 VN1 N1 N1 VN1 N1 N1 VN1 VN1 VN1 N1 VN1 VN1 N1 VN1 N1 2.299 4. 8 .004.47 0.01 7.494.96 6.223 0. Entendese como população de saturação a quantidade de habitantes máxima permitida para que o sistema não atinja o seu limite e que essa população tenha condições dignas de habitação e qualidade de vida.48 8.923 0.Estudo populacional da Bacia do Floresta É de fundamental importância para se realizar o Planejamento de uma nova área de expansão.026. 56 .008 0.475 0.248 0. a análise da velocidade de ocupação dessa região assim como a determinação da população de saturação da mesma.592 2.005 591 128 1.31 35.138.34 9.214 0.327 0. densidade demográfica e área de alguns bairros que compõem a Bacia do Floresta.022.346.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR .682. assim como suas densidades demográficas e condições de habitação.420.065 1.96 3.034.042.499 5.995 5. foi realizada uma análise da população atual nos bairros que a compõem.27 10.147 10.500.131 0. a Bacia do Floresta.361.975 0.403.862.70 16.69 16.421 240 10.017 0.447. Fonte: Prefeitura de Belo Horizonte.Estudos Demográficos 8.904.018 0.07 3.214 0. Para que seja estimado a população de saturação da área da Bacia da Floresta.892 163 939 2.76 20.928 0.407 0.614 2.687.04 3.063.

A área de ocupação da Bacia do Córrego Floresta de acordo com as diretrizes propostas pelo grupo é composta pelos Zoneamentos ZAR-2 . um valor razoável para áreas de mesma tipologia. A densidade demográfica relativa para a Bacia seria de aproximadamente 12. o que poderia gerar grandes impactos ambientais na região.360 hab/km². a fim de garantir uma manutenção dos recursos naturais e boa qualidade de vida para a população. Com base no estudo da distribuição da população já existente e de sua densidade demográfica.1º SEMESTRE DE 2014.000 hab/km² distribuídos em uma área de aproximadamente 4. É importante ressaltar que a área da Bacia da Floresta é uma área que vem sendo ocupada de uma maneira muito rápida.BACIA DO FLORESTA . portanto a determinação de uma população de saturação baixa em relação a regiões muito adensadas é necessária para evitar a ocupação desenfreada e muitas vezes irregular. O zoneamento ZAR-2 consiste em unidades unifamiliares e multifamiliares de lotes pequenos cuja densidade demográfica média é cerca de 9.000 hab/km² e ocupa uma área de aproximadamente 0.800 habitantes distribuídos em aproximadamente 5.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR .Zona de Adensamento Restrito em que as condições de infraestrutura e as topográficas ou de articulação viária exigem a restrição da ocupação e ZEIS 1-3 regiões nas quais há interesse público em ordenar a ocupação. o grupo estimou a população de saturação da área da Bacia como sendo de aproximadamente 61.0 km² de área ocupável. portanto possuem densidades demográficas estabelecidas. 57 .2km². das considerações das diretrizes e zoneamentos propostos.8 km². O Zoneamento ZEIS 1-3 consiste em residências multifamiliares de lotes pequenos e edifícios residenciais cuja densidade demográfica é cerca de 30. levando em consideração as áreas de restrições construtivas e de proteção ambiental.

TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR .1º SEMESTRE DE 2014. Fonte: IBGE 1991. Figura 22: Distribuição da População na região da Bacia do Floresta. 58 .BACIA DO FLORESTA .

1º SEMESTRE DE 2014. o modelo de crescimento logístico contínuo pode ser representado pela equação: 59 . 2002) Assim. Figura 23: Densidade Demográfica da região da Bacia do Floresta. Fonte: IBGE 1991.Modelo de crescimento logístico O matemático belga Pierre F. com taxa de crescimento r. Verhurst propôs em 1837 um modelo que supõe que uma população poderá crescer até um limite máximo. (Bassanezi RC.2 . Esse modelo é uma alternativa ao modelo de crescimento exponencial em que a taxa de crescimento é constante e não há limitação para o tamanho da população. 8. para uma população de tamanho N. O limite máximo sustentável é denominado capacidade de suporte (K) em Ecologia. O modelo proposto por Verhurst atende a uma condição em que a taxa de crescimento efetiva de uma população varia ao longo do tempo.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . a partir do qual tende a se estabilizar.BACIA DO FLORESTA .

114 22. a Bacia irá atingir sua população limite no ano 2066.886 7.671 53. O que se espera que ocorra é que haja ou uma elevação da taxa de mortalidade devido à competição por alimento e abrigo ou uma redução da taxa de natalidade.201 13. Estimada 3.743 40. 50 anos após o início de sua ocupação.957 60. Estimada 50.713 4.221 61. Conforme pode ser observado abaixo. que quando a população tende à capacidade de suporte.167 42.675 60.986 9. Ano 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 2024 2025 2026 2027 2028 2029 2030 2031 2032 2033 2034 2035 2036 2037 2038 2039 2040 2041 Pop.472 44.264 56.078 5.116 61.212 55.636 46. Com base nos dados foi feito o gráfico de crescimento logístico da população conforme pode ser observado no gráfico 3: 60 .992 61.504 61.847 60. velocidade de ocupação e escolha do melhor modelo matemático que explica o crescimento de determinada população foi obtida a população estimada para a Bacia à partir do ano de referência 2017.988 57.631 59.185 56.934 15.227 37.549 Tabela 5: População estimada para ocupação da Bacia do Floresta proposta pelo grupo A1.018 54.249 59.232 10.386 61.652 35.836 17.804 59.236 60. ou seja. Pode-se observar. e o tamanho da população permanece estável.921 6.163 51.644 48.310 61.347 5.473 60.1º SEMESTRE DE 2014.684 58.051 32.487 Ano 2042 2043 2044 2045 2046 2047 2048 2049 2050 2051 2052 2053 2054 2055 2056 2057 2058 2059 2060 2061 2062 2063 2064 2065 2066 Pop.463 24.BACIA DO FLORESTA . na equação acima.923 27.635 12. tem-se que dN/dt =0.463 30.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . Com base no estudo da população de Saturação.286 58.450 61.899 20.

Assim como em relação à prestação de serviços. Além disso elas fazem ligação com a MG 10. que em sua maioria estão de passagem pela região. 9 .Contextualização O sistema atual de transporte no interior da Bacia do Córrego Floresta é predominantemente Rodoviária. que é a principal via coletora que leva ao bairro Serra Verde.BACIA DO FLORESTA . A MG-10 é a via que mais se destaca na região. o sistema de transporte da bacia é muito dependente da região de venda nova.1 . Nesta região temos duas importantes vias 61 . importantes na ligação com a cidade de Santa Luzia e as principais saídas do bairro Canaã. Ela também desempenha o papel de ligação com a MG . temos como destaque a Avenida Leontino Francisco Alves.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . Os principais destinos de quem passa por ela são a Cidade Administrativa e o aeroporto de Confins.Sistema de Transportes 9. Gráfico 3: Gráfico estimado de Crescimento logístico para a População da Bacia do Floresta. do Bomfim.10. Na parte sudoeste da bacia. contendo tráfego intenso de veículos.1º SEMESTRE DE 2014. Na parte leste da bacia destacam-se as avenidas Brasília e Sr.

O sistema contará com estações ao longo da avenida Vilarinho. mais precisamente entre as estações do metrô e da estação Venda Nova.1º SEMESTRE DE 2014. Os moradores podem se deslocar de outros pontos da cidade para uma dessas duas estações e então pegar um ônibus que os leve até seu bairro no interior da Bacia. Neste caso as linhas de ônibus têm acesso à bacia pela parte sul preferencialmente pelas avenidas Cristiano Machado e Dom Pedro I. 62 . a avenida Vilarinho e a rua Padre Pedro Pinto.BACIA DO FLORESTA .TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . Em Venda Nova temos dois grandes equipamentos de integração do sistema de transporte. que é o BRT Move. que são a estação Venda Nova e a Estação Vilarinho (metrô). Existe também um grande volume de tráfego que liga diretamente os bairros da região ao centro da cidade. Figura 24: Linha do BRT . Ele se tornará mais uma alternativa para integração além de facilitar a ligação entre as duas estações já citadas.MOVE em operação na Avenida Vilarinho e Dom Pedro I. com grande fluxo de veículos e que influenciam diretamente nossa bacia. teremos em breve outro importante meio de transporte. Fonte: Google maps. Ainda na região de Venda Nova.

BACIA DO FLORESTA . 9.10 é exemplo dos problemas com a travessia de pedestres. devido à falta de passarelas. Outro local crítico é na região sul da bacia na qual há um grande volume de veículos pelas avenidas Cristiano Machado e Dom Pedro I. que não consegue um bom desempenho no atendimento à comunidade. foi identificado alguns pontos de tráfego intenso que geram congestionamentos. Muitos precisam fazer longos trajetos até o centro da cidade ou até a região de Venda Nova para trabalhar. que apresenta problemas de fluidez. além da MG 10. O planejamento da área não foi feito de forma a propiciar a geração de emprego na região. Um primeiro exemplo é o encontro da rua Padre Pedro Pinto com a avenida Vilarinho.Diagnóstico do Sistema Atual de Transportes O Bairro Canaã tem sérios problemas no escoamento de veículos e pessoas. A topografia do local é outro agravante para o sistema de transporte. Além da falta de opções de emprego na região. o que poderia reduzir os grandes deslocamentos da população. Ainda no bairro Canaã é possível notar a existência de ruas e calçadas estreitas. Foi observado que os moradores da região encontram grande dificuldades nos deslocamentos diários.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . O bairro está limitado entre grandes avenidas.1º SEMESTRE DE 2014. dificultando a passagem de ônibus e pedestres. Saindo da bacia. causando congestionamentos.2 . percebemos a deficiência no sistema de transporte. A MG . É válido lembrar também que a segurança nem sempre é priorizada e portanto o risco de acidentes é grande nesses locais com grande fluxo de automóveis. 63 . Essa necessidade existe em função da deficiência no atendimento do transporte público ao interior da bacia. Isso restringe a circulação de pessoas e afunila as saídas do bairro. Um grande número de pessoas precisa se deslocar para a região de Venda Nova onde fazem nas estações Vilarinho (metrô) ou Venda Nova a integração com outras linhas de ônibus para então seguirem rumo a outros pontos da cidade. do Bomfim. como a Brasília e a Sr.

A demanda pelos meios de transportes é grande.BACIA DO FLORESTA . Desse modo ela se torna uma boa opção tanto para os moradores dos bairros que compõem a Bacia quanto para quem mora em Santa Luzia em relação ao deslocamento para a Venda Nova. que gastam muito tempo em seus trajetos.10. concentrados principalmente no Parque Estadual Serra Verde. possui um grande tráfego de veículos que produzem gases poluentes e ruídos. por exemplo. Outro problema da região são os deslocamentos em torno da MG . O sistema de transporte da região causa uma grande poluição sonora e visual.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . na confluência das Avenidas Pedro I. A avenida Brasília será mantida da forma que existe atualmente na parte leste da bacia e será prolongada atravessando a MG – 10 através de túnel e seguirá até a região de Venda Nova. No sentido norte-sul da via. Devido ao grande número de veículos saindo da bacia o transito piora muito e os deslocamentos se tornam lentos. Outro problema é o tempo das viagens.Diretrizes para o Sistema de Transportes Na área planejada. A MG – 10.3 .10 será criada uma via partindo da Avenida Cristiano Machado que 64 . Cristiano Machado e da MG-10. Pistas marginais serão criadas dos dois lados possibilitando a instalação de comércio de pequeno porte ao longo da via e facilitando o acesso aos bairros. 9. É comum a superlotação dos mesmos. causando grande desgaste físico e psicológico. a MG-10 será mantida com o traçado atual. Atualmente existe um grande fluxo de veículos na região sul da bacia. o que causa grande desconforto dos passageiros. Desta forma o fluxo em direção à Venda Nova se tornará mais rápido. Faltam passarelas e segurança para a travessia de pedestres. Isso gera desconforto aos moradores em qualquer parte da cidade. A baixa eficiência do sistema de transporte gera transtornos aos usuários.1º SEMESTRE DE 2014. Mas na área de estudo ainda temos os efeitos nocivos à fauna e à flora. será criada uma alça de acesso à avenida Brasília. Para tentar desafogar o trânsito na entrada da MG . aumentando o risco de acidentes.

Mantendo o mesmo pensamento. Assim a via terá 9. As calçadas terão 3.70 metros para as calçadas. 65 .TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . totalizando 14.80 metros. Nas vias locais a seção tipo será dada da seguinte forma: 2. Fonte: Adaptado de Barbosa H M – Circulação viária .40 metros e mais 5. atravessará todo o lado leste da Bacia. A via se prolonga até encontrar com a MG-10 na altura da Cidade Administrativa. Os principais objetivos desse novo traçado das vias são o descongestionamento da parte sua da bacia e o melhor atendimento aos bairros.40 metros de calçada. se prolongando até o encontro com a avenida Brasília. Ela será importante no atendimento aos bairros onde atualmente se encontram o Jaqueline.20 metros.0 metros para estacionamento de cada lado da rua. Juliana e Canaã.70 metros para a pista de rolamento. Figura 25: Seção tipo de vias coletoras.0 metros de largura. na porção oeste da bacia será criada uma via que se inicia na Avenida Dom Pedro I e segue na direção de onde é hoje os bairros Minas Caixa e Serra Verde.0 metros cada uma. As vias coletoras terão duas pistas de rolamento cada uma com 3.BACIA DO FLORESTA .Planejamento e projeto. 2.1º SEMESTRE DE 2014. uma faixa de estacionamento de cada lado com 2. sendo uma em cada sentido e mais 2.

que é a MG-10. Em locais de grandes fluxos é importante a presença de semáforos. como a Cristiano Machado e A Dom Pedro I. A boa condição das calçadas também é importante para se evitar acidentes no fluxo de pedestres. pela rua Sr. sinal de pedestre e placas que regulamentem a velocidade na via. Por isso deve ser exigido o cumprimento da lei que delega ao proprietário a 66 . do Bomfim e pela via coletora criada como diretriz.BACIA DO FLORESTA . A Bacia do Córrego Floresta conta com uma grande via com infraestrutura capaz de atender ao transporte de carga. Por isso a escolha da matriz modal é a rodoviária. Em locais como portas de escolas podem ser utilizados os quebra-molas e grades que canalizem o movimento de pessoas para os locais apropriados de travessia. Com a presença de vias largas e com acesso a outras importantes avenidas da capital. pela avenida Brasília. faixa de pedestre. o escoamento de produção ou o abastecimento da área de grandes equipamentos se torna mais eficiente. Para uma boa circulação tanto de automóveis quanto de pedestres é necessário uma boa sinalização e fiscalização.1º SEMESTRE DE 2014. H M – Circulação viária – Planejamento e projeto.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . Na porção oeste temos a Cidade Administrativa que será atendida basicamente pela MG-10. Adaptado de Barbosa. Do lado leste o acesso será dado pela própria MG. uma do lado oeste da MG e outra do lado leste. Figura 26: Secção tipo de vias locais. onde atualmente é o bairro Canaã. O zoneamento escolhido coloca duas áreas de grandes equipamentos.

Para isso é importante a criação de programas de educação no trânsito que atinjam toda a comunidade. e também diminui a velocidade das enxurradas.BACIA DO FLORESTA . A poda das encostas da MG é fundamental para garantir a boa visibilidade da sinalização. que devem ser bem cuidados pela companhia de energia elétrica para que não haja casos de fios partidos ou expostos que coloquem a população em risco.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . o que pode gerar danos tanto materiais quanto físicos. a prefeitura deve se responsabilizar pela poda de arvores para evitar quedas em caso de chuva forte. reduzindo os danos que ela causa. Nas áreas mais baixas é comum que ocorram enchentes. diminuindo o volume que chega nas áreas mais baixas da bacia. É inevitável a geração de impactos devido ao desenvolvimento do sistema viário. que terá grande tráfego e em velocidades maiores. Ainda tratando das calçadas. Por isso devemos desenvolver sistemas de drenagem eficientes que atendam a demanda principalmente nos períodos de chuva. Para se evitar acidentes é fundamental que as pessoas sejam conscientizadas e façam sua parte no trânsito. Sabemos que o uso do asfalto diminui muito a infiltração de água no solo e em casos de ruas íngremes a velocidade da água que escoa se torna maior. Contudo. manutenção da calçada de sua residência ou estabelecimento. Esses programas devem ser desenvolvidos obrigatoriamente nas escolas. devemos fazer rampas de acesso às calçadas e o piso em auto relevo. Para aumentar a segurança de pessoas com deficiência. É de conhecimento que toda a regulamentação e fiscalização não são garantias de segurança. A limpeza deve ser frequente e a população deve 67 . No caso da MG-10 é de bom tom o uso de fiscalização eletrônica e boa sinalização dos limites de velocidade. Outra parte que merece atenção no mobiliário urbano são os postes.1º SEMESTRE DE 2014. Para isso faremos a pavimentação de algumas ruas com paralelepípedos. para que as crianças cresçam conscientes e passem a mensagem para seus familiares. A manutenção de bocas de lobo é importante no sentido de manter o desempenho planejado para o sistema. Isso contribui tanto para a maior infiltração de água. é possível minimizá-los. assim como na avenida Brasília.

1º SEMESTRE DE 2014. Outra importante medida é o incentivo ao plantio e manutenção de árvores nas vias. Assim deve ser garantido a presença de lixeiras nas calçadas em número adequado. Isso contribui para a preservação da fauna.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . contribuir evitando de jogar lixo na rua. torna o clima na região mais ameno e mais agradável a paisagem.BACIA DO FLORESTA . É preciso dar a elas o suporte para que elas colaborem. Para incentivar a participação da sociedade nesse sentido é importante a conscientização de todos por meio de campanhas educativas. Figura 27: Proposta de malha viária para a Bacia do Córrego do Floresta. Mas não adianta apenas conscientizar as pessoas. 68 .

800 dessas mortes estão ligadas à água. Obviamente. que deveria ser assumido como um direito básico e universal das pessoas. havendo uma convergência entre a localização dos pobres e dos excluídos do acesso ao abastecimento de água.Contextualização A carência de instalações suficientes de abastecimento de água para as populações constitui um dos maiores desafios ainda persistentes no mundo. essa carência está indissociavelmente relacionada com a pobreza mundial. Interessante observar que não há sequer consenso sobre os números dessa carência.1 . saneamento e higiene no geral. ao saneamento e à higiene. 10 .Abastecimento de Água 10. Segundo a Unicef. uma vez que estes dependem do próprio conceito do que seria um "fornecimento suficiente de água" (HELLER.BACIA DO FLORESTA . 2006) 69 . aproximadamente 2 mil crianças com menos de 5 anos morrem diariamente devido a doenças diarreicas em todo mundo e cerca de 1.1º SEMESTRE DE 2014.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . Permanece um contingente considerável da população mundial ainda afastada ao acesso a boas condições de água.

TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . a região sudeste atende geralmente entre 70 a 90% de sua população. 70 .BACIA DO FLORESTA . Especialmente ocorre isso no norte de Minas Gerais. Levando em consideração o mapa. onde há menor acesso a água por causas climáticas. Fonte: Site do Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento. Figura 28: Mapa do índice de atendimento total de água. com exceção a casos específicos de regiões extremamente ruralizados e com menor poder aquisitivo.1º SEMESTRE DE 2014.

Tabela 6: Capacidade dos sistemas produtores para RMBH e BH. Esses diversos sistemas produtores abastecem diversos tanques de abastecimento para as diversas regiões de Belo Horizonte. conforme apresentado na Tabela abaixo. ** Vazões médias entre janeiro e novembro de 2011.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . * Definida em função de contratos com a concessionária de energia. mais vinte anos. limite de transporte e reserva. Estes sistemas produtores. O principal utilizado é o Rio das Velhas.Diagnostico da infraestrutura atual de abastecimento de água A região metropolitana de Belo Horizonte é abastecida por oito sistemas produtores que trabalham integrados entre si (Sistema Integrado). 10. através de uma linha de abastecimento do sistema integrado chamada de Linha azul.2. Os sistemas produtores que tem em suas áreas de influência a região da Bacia do Córrego Floresta são o Sistema Rio das Velhas. segundo informações da COPASA. além de alguns poços artesianos e outros pequenos sistemas produtores independentes. sazonalidade. 71 .1º SEMESTRE DE 2014.BACIA DO FLORESTA . O município de Belo Horizonte é abastecido pelo Sistema Integrado e por poços artesianos. Sistema Rio Manso e Sistema Serra Azul. garantem o abastecimento do Município e da região metropolitana por. no mínimo.

2. Este sistema foi projetado e implantado em etapas.000 m3. implantada em 1973. 10. A primeira etapa. 10. tinha vazão nominal prevista de 9. represando as águas do Rio Manso e formando um Lago com área inundada de 19 km2 e volume útil de 121. O Reservatório de abastecimento mais próximo da região fica no bairro Nova York. formando uma bacia hidrográfica de 256 km². 10.000 L/s.000 L/s.2.2. Juatuba.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . tinha capacidade de 3.000 L/s e a terceira. junto com os sistemas Serra Azul e Vargem das Flores. Este compõe o Sistema Integrado da Bacia do Paraopeba. 72 . junto com os Sistemas Rio Manso e Vargem das Flores. a segunda etapa 6. implantada em 2010. A captação é realizada em barragem de regularização. de acordo com o aumento da demanda.000. município de Nova Lima e está em operação desde 1969. na rua 70. Igarapé e Itaúna.3 .Sistema Rio das Velhas O Sistema Rio das Velhas localiza-se no distrito de Bela Fama.BACIA DO FLORESTA .Sistema Serra Azul O Sistema Serra Azul localiza-se nos municípios de Mateus Leme.1 . no município de Brumadinho.2 .Sistema Rio Manso O Sistema Rio Manso foi inaugurado em 1991 e compõe o Sistema Integrado da Bacia do Paraopeba. Distrito de Conceição do Itaguá.1º SEMESTRE DE 2014. muito próximo ao Parque Municipal. Sua operação foi iniciada em 1983.

Outra forma que é. chegando a desaparecer durante épocas secas. 73 .Escolha de Mananciais Os estudos do meio físico e biótico mostram que o fluxo de água do córrego floresta é muito pequeno. com épocas de seca fortemente marcadas. Dessa forma a captação dele se torna altamente improvável e sem muitos benefícios. até mais dependente da precipitação para abastecer a população seria a coleta da água pluvial para esse fim.Diretrizes de Abastecimento de água 10.BACIA DO FLORESTA .3 . também descartou-se o uso de captação de águas subterrâneas.1 . Apesar do bom potencial hidrogeológico da região. Figura 29: Localização do reservatório mais próximo.1º SEMESTRE DE 2014. 10.3. a necessidade de se manter a qualidade de água subterrânea alta para preservar a nascente e a grande dependência das chuvas para abastecimento freático.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR .

1º SEMESTRE DE 2014.490 mm de precipitação anual com a mesma marcha sazonal bem demarcada. anualmente 11. apenas 30% poderia ser aproveitada. a bacia do Córrego Floresta possui 7. Da vazão produzida pela bacia.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . Segundo a Agencia Nacional de Águas.622 Litros seriam produzidos por ano. Além de ter a vazão necessária. no Bairro Nova York é abastecido pelo Sistema do Rio Manso. Assim. um dos Sistemas de Abastecimentos que tem a Bacia do Córrego Floresta como deve ser escolhido para a região.BACIA DO FLORESTA . o reservatório mais próximo já instalado na região. Dessa forma. e na região identificou-se no estudo do Parque Estadual.82 L/s destinado apenas à cidade de Belo Horizonte. uma quantidade de 1. por causa do sistema integrado de abastecimento.8 Km² de área. Como foi dito anteriormente. por estar próximo às áreas mais altas da Serra Verde. Com uma produção de 1344. Em casos de emergência. a posição topográfica do reservatório é muito favorável. resultando em 3486. o Sistema de Abastecimento do Rio das Velhas também pode passar a alimentar esse reservatório.6 L/ano. 74 . ele mais do que é suficiente para a região. Assim descartou-se essa opção também por considerar uma vazão extremamente inferior à necessária.

1 . O esgotamento sanitário envolve captação de esgoto.Reservatório .ETA .em Nova lima. 11 . envolvendo inúmeras etapas interdependentes.Rio Manso . tanto residenciais como comerciais são potencialmente contaminantes para os seres humanos da região.Esgotamento Sanitário 11. transporte. seu tratamento e descarte.em Brumadinho. 75 . 2 . Figura 30: Esquema de abastecimento de agua. Fonte: Copasa. 4 . 3 .Rio das Velhas .BACIA DO FLORESTA .ETA . Dessa forma eles devem ser tratados por um esgotamento sanitário devido e assim eliminando patogênicos presentes e minimizando os impactos ambientais causados por estes.Bacia do córrego do Floresta.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR .Bairro Nova York.1 .Contextualização Os resíduos.1º SEMESTRE DE 2014.

76 . Fonte: Site do Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento. Figura 31: Mapa do índice de atendimento total de água.1º SEMESTRE DE 2014.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR .BACIA DO FLORESTA .

76 km² situados na bacia do Ribeirão da Onça (incluindo o seu afluente.BACIA DO FLORESTA . que privilegiava o aspecto sanitário e baseava o traçado no sistema natural de escoamento das águas. sendo. até atingir a ETE Onça. Com uma área de 330. como mostrado a seguir. A região da Bacia do Córrego Floresta é um grande exemplo dessas dificuldades.63 km² na bacia do Ribeirão Arrudas.Diretrizes de Esgotamento 11. em 1894. optou pelo projeto que continha um traçado geométrico. a região do Córrego Lagoa do Mota. 11. recusando a proposta do engenheiro Saturnino de Brito. Isso tem dificultado a implantação/ampliação. o Município está totalmente inserido na bacia do Rio das Velhas.Sistema de esgotamento O sistema escolhido será de o de esgotamento sanitário coletivo.93 km². 157. o Ribeirão Isidoro) e 163. redes coletoras. uma vez que não há espaço o suficiente para a criação de fossas sépticas para cada casa. onde é tratado. Assim coletores levarão esgoto diretamente para os interceptores. por encanamentos esse esgoto vai até o Ribeirão da Onça. manutenção e o gerenciamento da infraestrutura de esgotamento sanitário.1º SEMESTRE DE 2014. interceptores. especialmente por causa do histórico de ocupação desordenada da área. A comissão de construção da Capital. 77 . e destes para o um último interceptor no ribeirão Onça. mostrados na figura 11. 11. estações elevatórias e estações de tratamento.2 . O relevo mostrado na figura 8 mostra os locais de fundo de vale que coincidem com os potenciais corpos de agua receptores.3 .TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR .1 . Atualmente. Apenas 9.54 km² contribuem diretamente para a bacia do Rio das Velhas.Diagnostico da infraestrutura O sistema de esgotamento sanitário existente no município de Belo Horizonte é constituído por ligações prediais.3.

TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . Fonte: Copasa (2008).1º SEMESTRE DE 2014. 78 . seguindo a direção do próprio Córrego Floresta.BACIA DO FLORESTA . Figura 32: Mapa da localização das ETEs da cidade de Belo horizonte. como faz o córrego. na forma de vias Sanitárias e descendo pela força da gravidade. Os canais interceptores seguirão todas as ruas.

palestra sobre esgotamento sanitário.08 0. Esses valores são tabelados por Sperling: Condição CR Grandes Médias Pequenas cidades cidades cidades 0. 11. ele deve ser instalado logo acima da tubulação de captação de esgoto. Já o esgoto.3.1º SEMESTRE DE 2014. e da vazão de infiltração. passaria a ser levado junto da água pluvial como um encanamento secundário. onde é instalado um encanamento de captação especificamente para água de chuva. Fonte: site ETG. Para o tratamento da agua de chuvas. assim em situações críticas. V. A vazão doméstica será definida como: Qdomestica = população x QPC x CR/ 86400 Sendo QPC = quota per Capita e CR coeficiente de retorno.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . foi utilizada a estimativa de crescimento populacional definida anteriormente.BACIA DO FLORESTA . caso o encanamento pluvial comece a não suportar mais a quantidade de agua. caso chegue a um estado crítico.Previsão da vazão de esgotos Para o cálculo da vazão de esgotos.7 Tabela 7: Valores usuais do Coeficiente de Retorno (CR). 79 . foi escolhido o sistema separador. Com um menor diâmetro de Tubulação.2 .85 0. M. (1996). A vazão total será obtida pela soma da vazão doméstica. Fonte: Sperling. Figura 33: Demonstração de Avenidas sanitárias. ele não levará o esgoto para as ruas.

000 110-180 Cidade Média 50.000 150-300 Tabela 8: Quota per Capita de esgoto. Assim fica impossível prever com precisão as vazões de despejos de qualquer eventual indústria.000 . considerando os maiores valores de QPC e CR por se tratar de uma capital. porem.6 (L/s) Ainda sobre a vazão doméstica. para fins de dimensionamento de tubos. (1996).50. Fonte: Sperling. Para o ano 2037. prevemos que há horários por dia em que haverá uma concentração de descarga de esgotos. Assim.000 .000 100-160 Pequena Localidade 10. processo.167 habitantes. Como não é previsto a existência de um polo industrial na região. por segurança extra. Cada caso deve ser estudado separadamente com a natureza dos efluentes industriais para verificar se podem ou não ser lançados diretamente no esgoto. para que o sistema não entre em colapso. etc. a população deve ser aproximadamente 40.000 90-140 Vila 5. V. Qdomestica = 158. além dos 118. usamos um valor sugerido por Sperling 80 . 20 anos após o início da ocupação da região.10. temos: Qdomestica = 40. M.250. Assim. admitiu-se que não haverá tais efluentes na conta. existência de pré tratamento.6 L/s. Porte da Faixa da comunidade População QPC Povoado Rural <5.1º SEMESTRE DE 2014.000 120-220 Cidade Grande > 250.85/86400 = 118.167 x 300 x 0. será estimada até uma vazão extra de 40L/s o equivalente a 144m³/h que é uma vazão de grande porte.BACIA DO FLORESTA .6 (L/s) Von Sperling (1995) comenta que a vazão de esgotos industriais é função precípua do tipo e porte da indústria.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . grau de reciclagem.000 .

5 unicamente para fazer o dimensionamento.94 L/s em 2037 e um valor de Qfinal de 236.6 e assim temos: Qinf. Tabela 9 : Valores de Taxa de Infiltração.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . como o tipo do solo. alem de diversos fatores que formam uma taxa de infiltração. = TI x Qesgoto / 2Pencanamento Qdomestica = 0.BACIA DO FLORESTA .34 (L/s) Assim temos uma Qfinal de 168. Qdomestica = 237.6 /9. Universidade Federal do Espirito Santo. 81 . especificamente o de variação de horário de maior vazão onde k =1. os fatores importantes são vários. com população de saturação. também de coeficiente de variação de vazão.6 x 158. Foi admitido um valor estimado do perímetro aproximado da tubulação como 9.2 = 10.1º SEMESTRE DE 2014. etc.9 (L/s) Para a vazão por infiltração. Fonte: Ricardo Franci Gonçalves e Giovana Martinelli da Silva. profundidade do lençol freático.2 Km e uma taxa de infiltração de 0.11 L/s. O mais importante é a extensão da rede coletora.

Gráfico 4: Projeção de esgotos.dia x Hab Assim.92Kg DBO/dia Na população de saturação os valores são de 3385.055 kg de DBO. passando para 3. a ETE Onça tem uma eficiência de aproximadamente 90%.1º SEMESTRE DE 2014.800 litros por segundo. obtém-se: Carga de DBO = 2209.52 Kg DBO/dia após o tratamento. 82 . é possível determinar que apenas a ETE Onça é o suficiente pois.21 Kg DBO/dia não tratado e 338.185 kg dbo/dia Dos dados tirados da COPASA.3.600 litros por segundo.hab. 11. e poderá ter sua capacidade ampliada futuramente. podemos fazer a mesma estimativa. Fonte: Arquivo do grupo A1. considerando 0. Dessa forma.BACIA DO FLORESTA .Dbo e Coliformes fecais A taxa de DBO segue uma simples função: Carga de DBO = DBO.3 .hab. segundo dados da COPASA.dia.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . fazendo com que a carga de DBO final após o tratamento seja de 220. a unidade tem capacidade para tratar 1.

197 x 109 C.4 . F.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR .3.1º SEMESTRE DE 2014. 11.Coliformes Fecais A estimativa de coliformes fecais é análoga ao cálculo de DBO. C. C. C. seguindo a seguinte Tabela: Tabela 10: Ocorrências típicas de micro organismos. F.BACIA DO FLORESTA . = 40. Gráfico 5: Projeção de Carga de DBO. F. Fonte Adaptado de SPERLING (1995). Fonte: Arquivo do grupo A1. = 109 x hab Aos 20 anos: C. C.197 x 108 83 . Tratado = 40.

à temperatura ambiente não tiverem nenhum de seus constituintes 84 .10. uma vez que os acidentes mais graves e de maior impacto ambiental são causados por esta classe de resíduos. 2004).549 x 108 12 . F. Tratado = 61. além dos resíduos produzidos em varrições.549 x 109 C. tais como: biodegradabilidade.Perigosos ou de resíduos classe II B – Inertes. Entende-se por resíduo sólido.004.  Resíduos Classe II B – Inertes São quaisquer resíduos que. comerciais e de serviços. F. agrícolas. C. C.Gerenciamento de Resíduos Sólidos Urbanos 12.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . armazenados temporariamente. De acordo com a ABNT NBR .BACIA DO FLORESTA .004. os resíduos podem ser classificados como:  Resíduos de classe I: Perigosos. E. Estes resíduos podem ser condicionados. 2004.1º SEMESTRE DE 2014.Contextualização A produção de resíduos sólidos pelas comunidades humanas é inegavelmente crescente. na saturação: C. incinerados. Os resíduos classe II A – Não inertes podem ter propriedades. combustibilidade ou solubilidade em água. = 61. ou dispostos em aterros sanitários especialmente desenhados para receber resíduos perigosos. corpúsculos lodosos produzidos nas estruturas das estações de tratamento de esgoto e água e os resíduos produzidos em equipamentos e instalações de controle de poluição (ABNT NBR – 10. todo acúmulo sólido ou semi-sólido de particulados produzidos por atividades industriais.  Resíduos de classe II – A: Não inertes. quando amostrados de uma forma representativa e submetidos a um contato dinâmico e estático com água destilada ou desionizada. São aqueles que não se enquadram nas classificações de resíduos classe I . domésticas.1 . são estes os resíduos que requerem a maior atenção por parte do administrador.

Diretrizes para o gerenciamento de resíduos sólidos Para o atendimento à demanda de coleta e destinação dos resíduos sólidos gerados na Área da Bacia do Córrego Floresta foi considerado o estudo de geração per capita. públicas e de prestações de serviços.BACIA DO FLORESTA . por meio das nove Seções de Operação da SLU.1 kg/dia/habitante.3 . Em função das características urbanísticas.1º SEMESTRE DE 2014. favelas e conjuntos habitacionais. comerciais. às pesquisas do SNIS realizadas de 2002 a 2005. turbidez. 12. consiste na atividade regular de coleta e transporte de resíduos sólidos gerados em edificações residenciais.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . subsidiariamente.2 – Diagnóstico da Infraestrutura gerenciamento de resíduos sólidos atual de A coleta de resíduos sólidos domiciliares. dureza e sabor. solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água. 2006 e 2007 e. favelas e conjuntos habitacionais de baixa renda. Essa atividade é gerenciada pela Prefeitura de forma descentralizada. contemplando 95% da população de Belo Horizonte. de acordo com a ABRELPE. A geração per capita relaciona a quantidade de resíduos urbanos gerados diariamente por habitante de uma determinada área. Para a quantificação per capita dos resíduos gerados na área da Bacia foi utilizado os dados da pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – ABRELPE junto aos municípios brasileiros em 2005. 85 . cor. 12. é utilizado o valor de 1. excetuando-se aspecto. ou coleta domiciliar. Para Belo Horizonte. são dois os modelos específicos de coleta domiciliar: a coleta domiciliar realizada em áreas de urbanização formal e a realizada em vilas. O serviço de coleta domiciliar porta a porta abrange cerca de 93% da extensão das vias formalmente urbanizadas e 72% da extensão das vias das vilas.

Conclusão O Trabalho Integralizador Multidisciplinar I.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR . ao trabalhar em conjunto e obter resultados e análises. 86 . A partir dos dados apresentados serão implantados sistemas para o correto gerenciamento dos resíduos gerados nas unidades habitacionais e nos equipamentos comunitários.BACIA DO FLORESTA .  Unidade de triagem e compostagem – UTC. 13 .1º SEMESTRE DE 2014. sobre a Bacia do Córrego Floresta proporcionou ao grupo uma grande experiência na análise e diagnósticos na região além de ter gerado uma visão crítica e sistêmica sobre planejamento urbano. São eles:  Educação ambiental.  Coleta Seletiva. O grupo adquiriu experiência em realizar trabalhos de maneira colaborativa. As diferentes visões dos membros possibilitou enxergar novos horizontes e alcançar uma melhor alternativa para as diretrizes urbanas. A aplicação de conteúdos aprendidos até o momento no Curso foi de fundamental importância para a fixação das disciplinas e contextualização da aprendizagem acadêmica na vida prática.

630 p. São Paulo. BRASIL Lei nº 12651.1º SEMESTRE DE 2014. 630 p. C. L.MYR. Plano de Manejo do Parque Estadual Serra Verde. Belo Horizonte..MG. HELLER. 2011 FELIPPE. 1977. 1997.gov. 2009 FERRARI. Minas Gerais. 87 . Curso de Planejamento Municipal Integrado.gov. Belo Horizonte. Curso de Planejamento Municipal Integrado. Resumo Executivo. Ensino-aprendizagem com modelagem matemática. Plano Diretor de Belo Horizonte. DE PÁDUA. Pioneira Ed. FERRARI. 14 – Referências Bibliográficas Bassanezi RC. Geografias 8. Estudo de Impacto Ambiental Granja Werneck.BACIA DO FLORESTA . Viçosa 2010.br BRASIL Lei nº 9959. São Paulo: Contexto. de 20 de julho de 2010.<www. São Paulo.. de 25 de Maio de 2012. 2002. Legislação Federal. Legislação Municipal. Pioneira Ed. Miguel Fernandes. Editora UFMG. Abastecimento de água para consumo humano.planalto. Periódico Cantacantos. 1977.pbh. C. Sítio eletrônico internet . Sítio eletrônico internet .L. 103 p. Antônio Pereira Jr. Espacialização e classificação de topos como zonas preferenciais de recarga natural de aquíferos: o caso de Belo Horizonte . 2005.TRABALHO INTEGRALIZADOR MULTIDISCIPLINAR .. Panorama de Belo Horizonte: Atlas Histórico. V. MAGALHÃES. O capítulo FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO & FAPEMIG.br> EMPRESA PROJETOS SUSTENTÁVEIS .

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