OS MAIS BELOS SERMÕES DE

HUGO DE SÃO VÍTOR
(1096 - 11 fev. 1141)
- traduzidos do original latino da obra
`Sermones Centum'
onstante na !atrologia "atina de #igne
vol. 1$$ %gs. &99-1'10 -
(e)to dis%on*vel %ara +o,nload no site de
-ntrodu./o ao Cristianismo
segundo a obra de
Santo (om0s de 12uino e 3ugo de S. 4itor
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1
ÍNDICE
!r9logo
Sermo 4
- Sobre a 8atividade da 4irgem #aria.
Sermo ':
- 1os Saerdotes reunidos em S*nodo.
Sermo :9
- Sobre a Cidade Santa de ;erusal<m= segundo o sentido moral.
Sermo >6
- Sobre a 1lma ?bediente= segundo a 5ist9ria do "ivro de @ute.
Sermo >$
- Sobre os !relados e os +outores da -greAa= segundo o mesmo
"ivro de @ute.
Sermo 60
- Sobre todos os Santos.
2
Sermo 61
- Sobre a ?bra dos Seis +ias.
Sermo $0
- Sobre o dia de !enteostes.
Sermo &4
- Sobre a %erfei./o e as alegrias da -greAa militante e triunfante=
%or oasi/o da festa de Santo 1gostin5o.
Sermo &&
- Sobre o #andamento do 1mor.
Sermo 9>
- Sobre a #esa da !ro%osi./o desrita em B)odo= em louvor das
Sagradas Csrituras.
Sermo 100
- !or oasi/o da festa da Santa Cruz.
3
Hugo de São Vitor
SERMONES CENTUM
Pr!ogo
Irmãos caríssimos, a Escritura nos testemunha que a palavra de Deus é
DlEm%ada %ara os nossos %assos e
luz %ara os nossos amin5osD.
Salmo 118, 105
Devemos, pois, entrear!nos todos ao estudo das Saradas Escrituras por todos os meios
que nos "orem possíveis, pela leitura, pela medita#ão, pela escuta, pelo ensino e pela escrita,
e isto principalmente n$s, que somos companheiros de claustro, que renunciamos ao tumulto
dos ne$cios e para c% viemos para atender apenas & tranq'ilidade da contempla#ão. De sua
virtude a (em aventurada )aria, irmã de )arta, nos o"erece um e*emplo muitíssimo
evidente, pois dela, sentada aos pés do Senhor com os ouvidos atentos, (em diversamente
de sua irmã muito ocupada com uma diversidade de a"a+eres, lemos que, em sua sede pelas
palavras que lhe di+ia, o pr$prio Senhor "oi testemunha de haver escolhido a melhor parte,
e*emplo louv%vel e admir%vel de virtude que muitos despre+am. Entre estes encontramos
aluns que em outro tempo "oram capa+es de compreender a aleria que emana das
Escrituras por um entendimento que lhes havia sido dado do ,éu- no entanto, aora
ouvimos terem caído em uma tal enormidade de vícios e imundície de costumes que as suas
almas desostaram!se da .alavra de Deus a ponto de a(ominar este alimento espiritual,
apro*imando!se assim das portas da morte. Estes devem ser considerados ho/e mais como
estando entre os Eípcios do que entre os Israelitas, e mais entre os cidadãos de 0a(il1nia
do que entre os de 2erusalém. 3emos, porém, a outros que, pelo empenho de seu estudo,
com o au*ílio da ra#a de ,risto, a(andonaram uma vida de deprava#ão e alcan#aram tanta
(ondade na virtude e tão rande honestidade nos costumes que em sua lu+ podemos
conhecer mais claramente ter sido reali+ado o que estava escrito na Salmo4
DCnviou o Sen5or a sua !alavra=
e os urou=
e os livrou de sua ru*naD.
Salmo 105, 60
4
7ue todos n$s, portanto, se/amos e*ortados ao estudo da .alavra de Deus. Se/am e*ortados
tam(ém, aqueles que a conhecem mais pro"undamente, ao seu ensino. 8queles que a
conhecem menos se/am e*ortados & sua escuta, mas que em todos n$s se veri"ique o que
havia sido pro"eti+ado por Isaías, quando disse4
DSer0 vareAada a oliveira=
e fiar/o umas %ouas azeitonas=
e alguns rabisos.
Cstes= %or<m= levantar/o a sua voz=
e antar/o louvores.
!or isto=
glorifiai ao Sen5or
em sua doutrinaD.
Is. 69, 1:!15
Em outra ocasião /% tive a oportunidade de reunir para v$s aluns dos ensinamentos que
"lorescem no verde/ante campo das divinas escrituras. ;os serm<es que se seuem dese/o
aora propor!vos alo através do que possais e*ercitar o vosso entendimento. Deveis,
porém, sa(er que não devemos entrear!nos em todo o nosso tempo apenas ao estudo, pois,
seundo Salomão,
D(odas as oisas tem o seu tem%o=
e todas elas %assam debai)o do <u
segundo o termo
2ue a ada uma foi %resritoD.
Ec. :,1
=%, portanto, um tempo para estudar, e h% um tempo para meditar. =% um tempo para
investiar a verdade para que se enrique#a o entendimento, h% um tempo para e*ercitar a
virtude para sanar os nossos a"etos, e h% tam(ém um tempo para praticar a (oa o(ra para
que se au*ilie o pr$*imo. =% um tempo para orar e um tempo para cantar, h% um tempo
para assistir ao o"ício divino e um tempo para dedicarmos a qualquer outra coisa necess%ria.
De todas estas coisas, como uma a(elha que retira o seu mel de "lores diversas, devemos
colher para n$s a do#ura de uma suavidade interior, para que possamos consumar, através
de uma vida santa, o "avo de uma melí"lua /usti#a.
5
SERMO IV
So"re # N#ti$id#de d#
Virge% M#ri#
D1ve= Cstrela do #arD
Irmãos caríssimos, o mundo presente é um mar. > semelhan#a do mar, ele
"ede, incha, é "also e inst%vel. ?ede pela lu*@ria, incha pelo orulho, é inst%vel pela
curiosidade. ?a+!se necess%rio, pois, irmãos caríssimos, possuir um navio e as coisas que
pertencem ao navio se quisermos atravessar sem perio um mar tão perioso. Importa que
tenhamos um navio, um mastro, uma vela e duas traves entre as quais se estende a vela, uma
trave superior e uma trave in"erior, assim como um sinali+ador ao alto pelo qual possamos
avaliar a dire#ão do vento. Devemos possuir cordas, remos, leme, Ancora e a comida que
nos "or necess%ria. Benhamos tam(ém uma rede, com a qual possamos pescar alum pei*e.
3e/amos, porém, o que todas estas coisas sini"icam.
C navio sini"ica a "é, que em 8(raão teve início como em sua primeira
t%(ua. ,om Isaac e 2ac$ o navio aumentou consideravelmente. Depois deles o navio passou
a crescer com a propaa#ão das de+ tri(os. 7uanto maior o n@mero dos que criam, tanto
mais se dilatava o navio da "é. )ais ainda se dilatou em seuida, ap$s a passaem do )ar
3ermelho, rece(endo os "ilhos de Israel a Dei de Deus e multiplicando!se na terra prometida.
3indo depois ,risto e padecendo pelo Enero humano, ouviu!se em toda a terra o som da
prea#ão apost$lica, e este navio muito se dilatou com a multidão dos povos que nele
entravam. ;o tempo do 8nti ,risto, es"riando!se a caridade de muitos, e*cluir!se!ão os
"alsos "iéis e o navio ser% aca(ado na sua parte superior e mais estreita. E assim como em
8dão "oi colocada na proa a primeira t%(ua da "é, assim o @ltimo /usto ser% na popa a sua
@ltima t%(ua.
,ertamente todos aqueles que, desde o início, atravessaram proveitosamente
o mar do tempo presente, todos aqueles que escaparam de seus perios, todos os que
alcan#aram o porto da salva#ão, todos eles navearam no navio da "é, e "oi por ele que
reali+aram a travessia.
.ela "é 8(el o"ereceu a Deus uma h$stia mais arad%vel do que ,aim, pela
qual o(teve o testemunho de sua /usti#a e pela qual, /% "alecido, ainda "alava. .ela "é =enoc
aradou a Deus, e "oi transladado. .ela "é ;oé construíu uma arca para a salva#ão de sua
casa. .ela "é, ao ser chamado, 8(raão o(edeceu diriir!se ao luar que lhe haveria de ser
dado. .ela "é Sara, a estéril, rece(eu a capacidade de conce(er. .ela "é Isaac a(en#oou cada
6
um de seus "ilhos. .ela "é 2osé, ao morrer, lem(rou!se do retorno dos "ilhos de Israel & terra
prometido, e lhes ordenou para l% transportarem os seus ossos. .ela "é )oisés "oi escondido
ao nascer. .ela "é neou ser "ilho da "ilha do ?ara$. .ela "é cele(rou a .%scoa. .ela "é os
"ilhos de Israel atravessaram o )ar 3ermelho. .ela "é se derru(aram os muros de 2eric$. E
que mais ainda direiF C dia não ser% su"iciente para "alar dos santos da antiuidade que pela
"é venceram reinos, operaram a /usti#a, alcan#aram as promessas. Destes aluns "echaram as
(ocas dos le<es, como Daniel. Cutros e*tin'iram o ímpeto do "oo, como os trEs /ovens-
outros convalesceram de sua en"ermidade, como 2$ e E+equias- tornaram!se "ortes na
uerra, como 2osué e 2udas )aca(eu- por meio de Elias e Eliseu alumas mulheres
rece(eram de volta seus "alecidos que ressuscitaram. Cutros "oram cortados, não aceitando
serem livrados da morte temporal em troca da transressão da Dei, como os sete irmãos cu/o
martírio lemos no Seundo Divro dos )aca(eus. Cutros "oram apedre/ados como 2eremias
no Eito e E+equiel na 0a(il1nia- "oram cortados, como Isaías- mortos pela espada, como
Grias e 2osias, ou andaram errantes, como Elias e outros eremitas H=e(. 11, 9!:8I. E todos
estes, e muitos outros, atravessaram pela "é os perios do mundo presente, e "oram
encontrados provados pelo testemunho da "é.
8s t%(uas deste navio são as senten#as das Saradas Escrituras, e para sua
"a(rica#ão alumas destas t%(uas nos são tra+idas pelo 3elho Bestamento e outras pelo
;ovo. Cs preos, pelos quais se unem estas t%(uas, isto é, pelos quais se unem estas
senten#as, são os escritos dos santos, pelos quais são colocadas em concordAncia as coisas
contidas em am(os os testamentos. Estas t%(uas são cortadas pelo estudo e aplainadas pela
medita#ão.
C mastro, que se dirie para o alto, sini"ica a esperan#a, pela qual nos
eruemos & (usca e ao conhecimento das coisas celestes, con"orme est% escrito4
DFusai as oisas do alto=
n/o vos interesseis %elas terrenas=
%ensai nas oisas do alto=
onde Cristo est0 sentado
G direita de +eus !aiD.
,ol. :, 1!:
8 vela é a caridade, que se estende para a "rente, para a direita e para a
esquerda. Estende!se para a "rente pelo dese/o das coisas "uturas- para a direita pelo amor
dos amios, para a esquerda pelo amor dos inimios. 8s duas traves superior e in"erior
sini"icam a re+ão e a sensualidade- a superior é a ra+ão, e a in"erior é a sensualidade. 8
caridade deve "irmar!se superiormente pela ra+ão, na qual deve permanecer imovelmente
presa- in"eriormente, porém, deve "icar presa mas movendo!se, pois por ela deve e*ercitar!se
na (oa o(ra. J assim que é "eito no navio material, porque a trave superior não se move,
mas sim a trave in"erior.
7
C sinali+ador superior do vento sini"ica o discernimento dos espíritos. .ara
isto o sinali+ador, ou o que quer que o su(stitua, é colocado so(re o mastro, para que
através dele se distina o vento ou a dire#ão de onde ele sopra. Deste sinali+ador, isto é, do
discernimento dos espíritos, "oi escrito4
DC)aminai os es%*ritos=
%ara ver se s/o de +eusD.
I 2o. 9, 1
E tam(ém4
D1 outro < dado o disernimento dos es%*ritosD.
I ,or 16, 10
8s cordas são as virtudes, a humildade, a paciEncia, a compai*ão, a modéstia, a castidade, a
continEncia, a constAncia, a mansidão, a (ondade, a prudEncia, a "ortale+a, a /usti#a, a
temperan#a. Estas cordas, isto é, as virtudes, devem pelo seu e*ercício ser sempre
estendidas para que por elas possa "irmar!se o mastro da nossa esperan#a. De "ato, não h%
mastro da esperan#a que possa manter!se "irme se estiver ausente o e*ercício das virtudes.
Seuem!se os remos, que saem do navio e merulham nas %uas, os quais
sini"icam as (oas o(ras, que procedem da "é e se estendem &s %uas, isto é, aos pr$*imos.
8s %uas são os povos, que tem suas oriens pelo nascimento, "luem pela mortalidade, e
re"luem pela morte. Devemos, porém, ter estes remos não apenas & direita, para que não
"a#amos o (em apenas &queles que nos "a+em o (em, mas tam(ém & esquerda, para que
"a#amos o (em &queles que nos "a+em o mal, con"orme est% escrito4
DHazei bem aos 2ue vos odeiamD.
)t. 5, 99
E tam(ém4
DSe o teu inimigo tem fome=
d0-l5e de omerI
se tem sede= d0-l5e de beberD.
Kom. 16, 60
C leme, pelo qual se dirie o navio, sini"ica o discernimento pelo qual somos condu+idos
em "rente, de modo que não nos dissipemos & direita pela prosperidade, nem sucum(amos &
esquerda pela adversidade. 8 nossa Ancora é a humildade, que é lan#ada para (ai*o e pela
8
qual nosso navio se esta(ili+a, para que não ocorra que, soprando o vento das suest<es
dia($licas e aitando!se o mar de nossos pensamentos nosso navio se rompa e a"unde nas
pro"unde+as. C navio de nossa "é deve, portanto, tornar!se "irme e est%vel pela humildade,
para que no tempo da tenta#ão em(ora não possa se entrear a um livre curso, possa
permanecer "irme em seu luar.
Devemos ter nosso alimento pelo estudo das Escrituras. Cs maus não
apetecem este man/ar, con"orme est% escrito4
DSua alma aborreia todo alimento=
e 5egaram Gs %ortas da morteD.
Salmo 105, 18
Ele é dado aos (ons, con"orme est% escrito4
DCnviou a sua %alavra %ara ur0-los=
%ara livr0-los da ru*naD.
Salmo 105, 60
8 rede sini"ica a prea#ão. Devemos utili+%!la sem cessar, para poder com ela pescar os
homens su(mersos nas ondas do mundo presente e, retirando!lhes as escamas dos pecados,
prepar%!los para ;osso Senhor 2esus ,risto. Devemos tam(ém, con"orme o costume dos
marinheiros, cantar as can#<es do mar pela modula#ão do louvor divino, con"orme nos di+ o
Salmista4
DFendirei o Sen5or em todo o tem%o=
o seu louvor estar0 sem%re na min5a boaD.
Salmo ::, 1
Depois de tudo isto, porém, ainda ser% necess%rio para n$s a a#ão do vento, que sini"ica a
inspira#ão do Espírito Santo, para que por ela nos diri/amos ao porto da tranq'ilidade, ao
médico da salva#ão, & terra prometida, & casa da eternidade. C Senhor nos dar% o vento pela
inspira#ão de seu Espírito, con"orme est% escrito4
D(oda d0diva e)elente
e todo dom %erfeito
vem do alto
e dese do !ai das luzesD.
9
Biao 1, 1L
8s lu+es são os dons- o .ai das lu+es é o autor, o doador e o distri(uidor destes dons. C
dom per"eito sini"ica os dons da ra#a. Ele, que nos deu os demais (ens, se/a os que nos
vem pela nature+a, se/a os que nos são dados pela ra#a, nos dar% tam(ém o vento
"avor%vel, isto é, o Espírito Santo.
.ara que, porém, irmãos caríssimos, possamos atravessar este mar com
proveito, saudemos "req'entissimamente a Estrela do )ar, isto é, a (em aventurada )aria, e
invoquemo!la saudando!a di+endo4
D1ve= Cstrela do #arD.
Seundo o costume dos marinheiros, eramos sempre nossas preces & (em aventurada
)aria, assim como ao seu ?ilho. Se/a ela para n$s uma mãe espiritual, por meio de 2esus,
"ruto de seu ventre, o qual, nascido dela e por n$s entreue, é Deus, e reina "eli+, pela
vastidão dos séculos que hão de vir. 8mén.
10
SERMO &&III
Ao' S#(erdote' reu)ido'
e% S*)odo+
D-de= anAos velozes=
a uma gente desolada e dilaerada=
a um %ovo terr*vel=
a%9s o 2ual n/o 50 outro=
uma gente 2ue es%era e < %isada=
uAos rios destro.aram sua terraD.
Is. 18, 6
Eis, irmãos caríssimos, o divino o"ício que nos "oi con"iado. Eis o cuidado, a
solicitude e o tra(alho dos sacerdotes. Eis a piedosa, mas periosa responsa(ilidade que lhes
"oi imposta4
D-de= anAos velozesD.
8 palavra pro"ética, ou melhor, a palavra divina, nos admoesta nesta passaem que não
despre+emos o ministério que nos "oi divinamente con"iado, nem que a(andonemos esta
santa responsa(ilidade, para que não ocorra que os homens, "ormados & imaem e
semelhan#a de Deus, redimidos pelo precioso sanue de ,risto, por nossa neliEncia
desli+em para a condena#ão eterna por suas culpas temporais. E que não venha a ocorrer
que não somente neles se encontre o pecado por causa de seus pr$prios delitos, mas que
tam(ém em n$s, além dos nossos pr$prios, se acrescentem os pecados alheios. =averemos,
e"etivamente, de dar conta não somente de n$s, mas tam(ém das almas que nos tiverem sido
con"iadas, a não ser que lhes tivermos anunciado insistentemente a palavra da salva#ão.
Cu#amos, pois, mais atentamente o que nos é divinamente ensinado4
D-de= anAos velozes=
a uma gente desoladaD.
11
Cs sacerdotes são an/os, como se depreende de uma passaem da Escritura em que se
a"irma que
D?s l0bios do saerdote s/o os guardas da sabedoria=
e %ela sua boa se 50 de busar a lei=
%or2ue ele < o anAo do Sen5or dos e)<ritosD.
)al. 6, L
Se somos, portanto, sacerdotes do Senhor, tam(ém somos, pelo mesmo o"ício, seus an/os,
isto é, seus mensaeiros, e devemos anunciar ao povo as coisas que são de Deus.
D-de= anAos velozes= a uma gente desoladaD.
Demonstra!se de dois modos que a nature+a humana provém de Deus e que nEle possui
suas raí+es, con"orme /% o dissemos em outro luar. .rimeiramente, por ter sido criada &
imaem de Deus, na medida em que pode conhecer a verdade- depois, por ter sido criada &
Sua semelhan#a, na medida em que pode amar o (em. Seundo estes dois modos pode ser
reconhecida como unida a Deus não apenas a criatura humana, como tam(ém a anélica, na
medida em que pelo conhecimento contempla a Sua sa(edoria e pelo amor "rui de Sua
"elicidade. .or estes dois modos evita o mal, pois pelo conhecimento da verdade que possui
desde a oriem na divina imaem que lhe "oi en*ertada repele o erro e pelo amor da virtude
que possui na semelhan#a divina odeia a iniquidade. .ela suestão dia($lica, porém,
entrando a inorAncia na nature+a humana, e desarraiou!se no homem a rai+ do
conhecimento divino- so(revindo tam(ém a concupiscEncia, arrancou!se a planta do amor.
7ualquer ente ímpia, portanto, a"astada pela culpa dos (ens divinos e
celestes, plantada primeiramente no (em pelos dois (ens precedentes, so(revindo!lhe os dois
males seuintes é corretamente apresentada e chamada de desolada do (em4
D-de= anAos velozes=
a uma gente desoladaD.
E, deve!se notar, a palavra divina não di+ apenas desolada, como tam(ém acrescenta
DdilaeradaD, desolada por ter sido a"astada do (em, dilacerada por ter merulhado no mal.
8 nature+a humana, e"etivamente, depois que é a"astada do (em, é imediatamente e de
m@ltiplas maneiras dilacerada pelo mal, condu+ida por diversos vícios e pecados &
condena#ão. 8luns pelo orulho, outros pela inve/a, outros pela ira, outros pela acédia,
outros pela avare+a, outros pela ula, outros pela lu*@ria, outros pela usura, outros pela
rapina, outros pelo "urto, outros pelo "also testemunho, outros pelo per/@rio, outros pelo
homicídio, outros contemplando a mulher para dese/%!la, outros chamando `louo' a seu
12
irmão, e por tantos outros vícios ou pecados, interiores e e*teriores, os quais pela (revidade
do presente não queremos nem podemos enumerar.
D-deD, portanto,
DanAos velozes=
a uma gente desolada e dilaeradaD=
para que, pelo vosso ensino, torneis a unir o que "oi dilacerado pelo mal, e replanteis o que
"oi desenrai+ado do (em. D-de= anAosD, ide DvelozesD, ide
Da uma gente desolada e dilaerada=
a um %ovo terr*vel=
a%9s o 2ual n/o 50 outroD.
Bodas as ve+es, irmãos caríssimos, que o homem pela /usti#a conserva a no(re+a, a
eleAncia e a (ele+a de sua condi#ão, veri"icamo!lo possuir uma aparEncia "ormosa. 7uando,
porém, pela culpa mancha em si mesmo o decoro da (ele+a, encontramo!lo imediatamente
de"orme e horrível, dessemelhante de Deus, tornado semelhante ao dem1nio.
E entãoF ;os dias de domino e nas solenidades "estivas o povo con"iado
aos vossos cuidados a"lui & ire/a, a/usta sua "orma corporal, reveste!se com roupas mais
ornamentadas e tinidas de diversas cores. 3$s, talve+, contemplando homens e mulheres
tra/ados de modo tão "ulurante, vos loriareis de terdes tais s@ditos e de serdes seus
prelados. ;ão é (oa, porém, esta vossa l$ria se é nisto que vos loriais e se o povo a v$s
con"iado "or encontrado desolado e a"astado do (em, dilacerado pelo mal e terrível pelos
diversos vícios e pecados. .restai dilientemente aten#ão em suas vidas, considerai seus
costumes, /ulai a sua (ele+a seundo as coisas que pertencem ao homem interior e não
seundo as que pertencem ao e*terior, enru(escei e compadecei!vos deste povo que é vosso
s@dito, se tal o virdes como aqui ouvis, isto é,
Duma gente desolada e dilaerada=
um %ovo terr*vel=
a%9s o 2ual n/o 50 outroD=
porque talve+ vossa se/a a culpa, vossa a neliEncia, vossa a preui#a, por ele ser tal
porque não lhe anunciastes os seus pecados e as suas impiedades.
D-deD, portanto,
DanAos velozes=
a uma gente desolada e dilaerada=
a um %ovo terr*vel=
13
a%9s o 2ual n/o 50 outroD.
D-de= anAosD, porque é o vosso o"ício. D-de= velozesD, para que a vossa demora não cause
perio.
D-de a uma gente desolada e dilaerada=
a um %ovo terr*vel=
a%9s o 2ual n/o 50 outroD=
para que pelo vosso ensino se alcance o remédio4
D8/o 2ueirais sentar-vos
no onsel5o da vaidade=
nem assoiar-vos
om os 2ue %laneAam a ini2uidade.
?diai a soiedade dos malfeitores=
e n/o 2ueirais sentar-vos om os *m%iosD.
Salmo 65, 9!5
8luém de v$s poder% pensar silenciosa ou mesmo responder a(ertamente, di+endo4
D(u nos %ro*bes=
%elo e)em%lo 2ue nos oloas do Salmista=
de nos dirigirmos a estes=
mas < a estes 2ue o Sen5or nos enamin5a
2uando nos diz6
`-de= anAos velozes=
a uma gente desolada e dilaerada=
a um %ovo terr*vel=
a%9s o 2ual n/o 50 outro'D.
Entendei, porém, que onde o Senhor di+4 D-de= anAos velozes= a uma gente desolada e
dilaerada= a um %ovo terr*vel= a%9s o 2ual n/o 50 outroD, Ele vos imp<e aqui um o"ício,
e vos d% o preceito de ensinar aos ímpios- ali, porém, onde dissemos4 D8/o 2ueirais sentar-
vos no onsel5o da vaidade= nem assoiar-vos om os 2ue %laneAam a ini2uidadeI odiai a
soiedade dos malfeitores= e n/o 2ueirais sentar-vos om os *m%iosD, aqui, dio, vos é
continuamente neada a permissão para pecar com os ímpios.
D-deD, portanto, DanAosD, para ensinar- não queirais ir para pecar. D-de a
um %ovo terr*velD, para que pela palavra da salva#ão o torneis de "ormosa aparEncia- não
14
queirais ir, para que pela de"ormidade de seu pecado vos torneis a v$s mesmos semelhantes
a eles. ,risto comeu com os pecadores para associ%!los consio mesmo no (em, mas não
comeu com eles para que se associasse com eles no mal. D1ssim omo Cristo o fJz= assim
fazei-o v9s tamb<mI assim omo Cle n/o fJz= assim n/o o 2ueirais v9s fazerD.
D-de= anAos velozesD.
7uão velo+esF Bão velo+es que D%elo amin5o n/o saudeis a ningu<mD HDuc. 10, 9I, e,
Dse algu<m vos saudarD,
Dn/o l5e res%ondaisD.
6 Keis 9, 6M
;ão que a salva#ão não deva ser anunciada a todos- por estas palavras o Espírito Santo quer
dar a entender quão velo+es e pressurosos importa que se/am os sacerdotes no an@ncio da
salva#ão, como se dissesse4
D!rega a %alavra=
insiste a tem%o e fora de tem%o=
re%reende= su%lia=
admoesta om toda a %aiJnia e doutrinaD,
6 Bim. 9, 6
e
Dn/o 2ueirais adiar a %alavra dia a%9s dia=
de domingo a domingo=
de solenidade a solenidade=
mas 2ue= ao menos nos domingos
e nas solenidades festivas
n/o vos seAa sufiiente elebrar somente as missas
%ara o %ovo reunido na igreAa segundo o ostume.
8/o seAa sufiiente %ara o 5omem a%ost9lio
e %ara ada uma das ordens
fazer um disurso gen<rio
ou anuniar a festa da semana seguinte.
1ntes= astigai o %ovo sobre o mal=
ensinai-o e formai-o no bem=
delarai-l5es a %ena 2ue 50 de vir sobre os %eadores
e a gl9ria reservada aos AustosD.
15
D-de= anAosI ide velozesD. Se adiais de domino a domino prear ao povo a palavra da
salva#ão, quem sa(er% di+er se então estareis vivos, sãos ou presentesF E ainda que ocorra
que este/ais vivos, sãos ou presentes, quem sa(er% se aluém que antes estava presente
estar% então ausente e não mais ouvindo o (om conselho para a sua alma, surpreendido por
uma morte inesperada e s@(ita, se/a arre(atado para a pena eterna sem se ter lavado da sua
culpaF .orventura de vossas mãos Deus não pedir% com /usti#a contas do sanue deste
homemF
D-deD, pois,
DanAos velozes=
a uma gente desolada e dilaerada=
a um %ovo terr*vel=
a%9s o 2ual n/o 50 outroD=
C que sini"ica4 `+e%ois do 2ual n/o 50 outro'F .orventura depois deste povo não haver%
mais de nascer ou de viver quem "a#a o (em ou quem "a#a o malF ,ertamente que não. C
que sini"ica, então, o `a%9s o 2ual n/o 5aver0 outro'F Sini"ica que não haver%, diante do
supremo /ui+, ninuém pior, mais torpe pela culpa, mais terrível do que este. BrEs são os
povos4 o cristão, o /udeu, e o paão. 8queles que no povo cristão são cristãos seundo o
nome, mas que pela in/usti#a servem ao dem1nio, são mais terríveis que os /udeus ou os
paãos, /% que são piores pela iniquidade. De "ato, quanto mais "acilmente, a/udados pela
ra#a, se quiserem, podem permanecer na /usti#a, tanto mais ravemente o"endem não
querendo a(ster!se da culpa. 8quele a quem mais "oi con"iado, mais lhe ser% e*iido. 7uanto
mais alto "or o derau, tanto maior ser% a queda, e mais pecou o dem1nio no céu, do que o
homem no paraíso. ,on"orme no!lo ensina a Escritura,
D12uele servo=
2ue on5eeu a vontade de seu Sen5or=
e n/o se %re%arou=
e n/o %reedeu onforme a sua vontade=
levar0 muitos a.oites.
? servo= %or<m= 2ue n/o a on5eeu=
e fJz oisas dignas de astigo=
levar0 %ouos a.oitesD.
Duc. 16, 9L!8
8ssim como no!lo é mani"estado por esta senten#a, assim tam(ém o Senhor repreendeu as
cidades em que havia "eito v%rios prodíios, pelo "ato de não haverem "eito penitEncia,
di+endo4
D1i de ti= CorozaimK
16
1i de ti= FetsaidaK
!or2ue= se em (iro e em SidLnia
tivessem sido feitos os milagres
2ue se realizaram em v9s=
50 muito tem%o eles teriam feito %enitJnia
em il*io e em inza.
!or isso eu vos digo 2ue 5aver0 menor rigor
%ara (iro e SidLnia no dia do ;u*zo
do 2ue %ara v9s.
C tu= Cafarnaum=
elevar-te-0s %orventura at< o <uM
8/o= 50s de ser abatida at< o inferno.
Se em Sodoma tivessem sido feitos
os milagres 2ue se fizeram em ti=
ainda 5oAe e)istiria.
!or isso vos digo 2ue no dia do ;u*zo
5aver0 menos rigor %ara a terra de Sodoma 2ue %ara tiD.
)at. 11, 61!69
Deste mesmo modo pode!se repreender tam(ém este povo de "alsos cristãos, depravado por
diversas impiedades, "eito terrível, distante da divina semelhan#a da qual se a"astou seundo
a sua iniquidade4
D1i de ti= %ovo in*2uo=
%ovo mentiroso= %ovo a%9stata=
2ue %ela tua m0 vida onulas o Hil5o de +eus=
2ue man5aste o sangue do (estamento
em 2ue foste santifiado
e fazes inANria ao Cs%*rito da gra.aK
#el5or seria %ara estes
`n/o on5eer o amin5o da Austi.a do 2ue=
de%ois de o terem on5eido=
tornarem %ara tr0s da2uele mandamento
2ue l5es foi dado.
+e fato realizou-se neles a2uele %rov<rbio verdadeiro6
`4oltou o /o %ara o seu vLmito
e a %ora lavada tornou a revolver-se no lama.al''(' !e. '= '1-'')D.
,omo não vemos, portanto, que este povo não poder% ser pior do que si mesmo e que
nenhum outro povo mau haver% de vir depois deleF ;este o peso dos males mani"estado pela
palavra pro"ética /% parece ter!se espalhado, pelo que se di+4
17
D1i de v9s= os 2ue ao mal 5amais bem=
e ao bem mal=
2ue tomais as trevas %or luz=
e a luz %or trevas=
2ue tendes o amargo %or doe=
e o doe %or amargoK
1i de v9s= os 2ue sois s0bios a vossos ol5os e=
segundo v9s mesmos= %rudentesK
1i de v9s os 2ue sois %oderosos %or beber vin5o=
e fortes %ara fazer misturas inebriantesK
49s os 2ue Austifiais o *m%io %elas d0divas=
e ao Austo tirais o seu direitoKD.
Is. 5, 60!6:
De todas estas coisas, irmão caríssimos, h% muito mais que poderia ser dito, as quais temos
que omití!las por causa da (revidade.
D-de= anAos velozes=
a um %ovo terr*vel=
a%9s o 2ual n/o 50 outro=
a uma gente 2ue es%era e < %isadaD.
C que ela esperaF 8 vossa palavra, o vosso e*emplo, o vosso amparo e, pela vossa solicitude
e pelo vosso servi#o, o au*ílio e o dom divino. Espera a vossa palavra, para que possa
aprender- o vosso e*emplo, para que dele rece(a a "orma- o vosso amparo, para que se/a
de"endido- por vossa solicitude e servi#o, o au*ílio e o dom divino para que possa ser
li(ertado do mal e /usti"icado no (em.
DC < %isadaD.
7uem a pisouF Bodos os dem1nios, que continuamente di+em & sua alma4 DCurva-te= %ara
2ue %assemos %or tiD. De "ato, os maus, os que despre+am as coisas celestes, e se curvam
para as terrenas, o"erecem aos dem1nios o caminho para serem por eles pisados e
atravessados.
Seue!se4
DCuAos rios destro.aram sua terraD.
18
7uem são estes rios que destro#am a terra dos que vivem malF Cnde os vícios "luem com
impetuosidade, carream consio os maus aos tormentos. C que é a destrui#ão da terra,
senão a dissipa#ão de qualquer virtudeF Cs rios, portanto, destro#am a terra dos maus
quando os vícios lhes removem as virtudes. 8 so(er(a, de "ato, remove a humildade, a ira
remove a pa+, a inve/a a caridade, a acédia a e*ulta#ão espiritual, a avare+a a li(eralidade, a
lu*@ria a continEncia.
D-de= anAos velozes=
a uma gente desolada e dilaerada=
a um %ovo terr*vel=
a%9s o 2ual n/o 50 outro=
uma gente 2ue es%era e < %isada=
uAos rios destro.aram sua terraD.
D8a2uele tem%oD, acrescenta loo em seuida Isaías,
Dser0 levada uma oferta ao Sen5or dos e)<ritos
%or um %ovo desolado e dilaerado=
%or um %ovo terr*vel= a%9s o 2ual n/o 5ouve outro=
%or uma gente 2ue es%era e < %isada=
uAos rios destro.aram a sua terraD.
Is. 18, L
De que tempo nos "ala o pro"etaF Daquele tempo em que tiverdes ido a este povo ao qual
sois enviados e, pelo vosso ensino, o tiverdes curado dos males que /% mencionamos. 7ue
o"erta então ser% levada ao SenhorF Gma o"erta de ratidão, um holocausto entranhado e
medular, um voto interior, que ser% levado ao luar do nome do Senhor, ao monte Sião, isto
é, & Santa Ire/a.
Ide, pois, an/os velo+es, e ensinai ao povo terrível, cumpri o vosso
ministério. Se assim o "i+erdes, alcan#areis para v$s um (om luar. 7ue a v$s e a n$s
conceda esta ra#a aquele que nos promete tam(ém a l$ria, 2esus ,risto, ;osso Senhor, o
qual vive e reina, por todos os séculos dos séculos.
8mén.
19
SERMO &&&I&
So"re # Cid#de S#)t# de
,eru'#!-%. 'egu)do
o 'e)tido %or#!+
D;erusal<m= idade santa=
e idade do SantoD.
8poc. 61, 6
Is. 56, 1
2erusalém, seundo o sentido hist$rico, é a cidade terrena- seundo o
sentido ale$rico, a santa Ire/a- seundo o sentido moral, a vida espiritual- seundo o
sentido ana$ico, a p%tria celeste. Dei*ando de lado os outros sentidos, e*poremos a
seuir o que di+ respeito ao sentido moral, es"or#ando!nos para que, com sua descri#ão,
possamos edi"icar os (ons costumes.
8ssim como 0a(il1nia, isto é, a vida mundana, tem as suas vias e as demais
coisas que /% descrevemos, assim tam(ém a santa 2erusalém, que é a vida espiritual, possui a
disposi#ão de sua edi"ica#ão no (em. .ossui, a sa(er, o seu muro, as suas vias, os seus
edi"ícios, as suas portas. Gm muro e*terior circunda!a em toda a sua volta, pelo qual é
proteida por uma riorosa, contínua e per"eita disciplina de (ons costumes. Em seu interior
possui sete vias nas sete virtudes contr%rias aos sete vícios que /% descrevemos quando
"alamos de 0a(il1nia. ;a vida santa e espiritual encontramos, de "ato, a humildade, que é
contr%ria & so(er(a- a caridade, que é contr%ria & inve/a- a pa+, que é contr%ria & ira- a aleria
espiritual, que é contr%ria & acédia- a li(eralidade, que é contr%ria & avare+a- a a(stinEncia,
que é contr%ria & ula- a continEncia, que é contr%ria & lu*@ria. ;ão ser% tam(ém in@til
descrever as partes destas vias, tanto as que estão de um lado como as que estão de outro.
;a primeira via da santa cidade, que dissemos ser a humildade, encontra!se
de um lado aquela humildade que o homem possui e que e*i(e interiormente apenas a Deus
em seredo, e de outro aquela humildade que o homem possui e e*i(e e*teriormente e de
modo mani"esto ao pr$*imo por causa de Deus. C Senhor nos mostra o (om "ruto desta
virtude ou via quando nos di+4
D(odo a2uele 2ue se 5umil5a
20
ser0 e)altadoD.
Duc. 19, 11
7uanto mais, de "ato, aluém por causa de Deus se humilha no presente, tanto mais su(lime
ser% /unto de Deus no "uturo.
8 seunda via é a caridade, na qual de uma parte encontra!se o amor de
Deus, e de outra o amor do pr$*imo. De um lado, com e"eito, é!nos preceituado que
amemos a Deus com todo o cora#ão, com toda a alma, com todas as "or#as e com toda a
mem$ria- e de outro é!nos preceituado amar o pr$*imo como a n$s mesmos. C Senhor nos
mostra por si mesmo qual e quão (om é o "ruto da caridade, onde nos di+ que
D+estes dois mandamentos
de%ende toda a "ei e os %rofetasD.
)at. 66, 90
J daqui tam(ém que procede o que nos di+ o 8p$stolo4
D1 %lenitude da "ei < o amorD.
Kom. 1:, 10
8 terceira via da 2erusalém espiritual é a pa+. ;um dos lados desta via
encontra!se a conc$rdia interior com Deus, no outro a conc$rdia e*terior com o pr$*imo. C
Senhor nos preceitua que ha(itemos em am(as e que esta via este/a no meio de n$s quando
nos di+4
D(ende sal em v9s=
e tende %az uns om os outrosD.
)c. M, 50
7uão rande se/a o seu "ruto Ele tam(ém no!lo mostra em outro luar, onde di+4
DFem aventurados os %a*fios=
%or2ue ser/o 5amados fil5os de +eusD.
)at. 5, M
21
Nrande é este "ruto, um rande (em. .orque,
DSe somos fil5os=
tamb<m somos 5erdeiros6
5erdeiros de +eus
e o-5erdeiros de CristoD.
Kom. 8, 1L
8 quarta via espiritual desta cidade é a aleria, da qual em um lado
encontra!se aquela e*ulta#ão que somente é perce(ida interiormente pelo a"eto, e em outro
aquela que tam(ém se mani"esta e*teriormente aos sentidos. >s ve+es, de "ato, tanta aleria
nos é in"undida do céu na alma que não somente ela pode ser perce(ida interiormente, como
tam(ém pode ser reconhecida e*teriormente no sem(lante, na vo+, nos estos e nos
movimentos, con"orme nos di+ o Salmista4
D#eu ora./o e min5a arne
e)ultaram no +eus vivoD.
Salmo 8:, :
Se a Sarada Escritura narra que a vo+ do povo de Deus, quando se alerava e louvava ao
Senhor, era ouvida ao lone, quem se admirar% que quando aquele pai e*ultou interiormente
de aleria pelo "ilho que retornava ao cora#ão depois de haver prevaricado, o coro e a
sin"onia de aleria eram ouvidos /untos do lado de "ora HDuc. 15,65IF .or isso é que tam(ém
a mesma Escritura testemunha ser!nos proi(ida a triste+a nas solenidades dos dias sarados,
quando declara4
DCste dia < santifiado ao Sen5or vosso +eus.
8/o esteAais tristes= nem 2ueirais 5orar.
-de= e omei arnes gordas
e bebei vin5o misturado om mel=
e mandai 2uin5Oes aos 2ue n/o tJm nada
%re%arado %ara si=
%or2ue este < um dia santo do Sen5or.
8/o esteAais tristes=
%or2ue a alegria do Sen5or < a nossa fortalezaD.
6 Esd. 8, M!10
J pelo mesmo motivo que tam(ém o Salvador nos di+4
22
D!orventura %odem os amigos do es%oso AeAuar=
en2uanto o es%oso est0 om elesMD
Duc. 5, :9
Esta aleria que é vivida ou e*i(ida aos "iéis no comer e no vestir nas solenidades dos dias
sarados é (oa para os que dela "a+em (om uso, pois assim como é da casa de Deus que
procede para eles, assim tam(ém é para a honra de Deus que é vivida por eles. 7ual e quão
rande se/a a utilidade desta virtude no!lo é declarado pelo 8p$stolo .aulo onde ele di+,
escrevendo aos ,oríntios so(re as coletas4
DCada um (doe) onforme %ro%Ls no seu ora./o=
n/o om tristeza= nem onstrangido=
%or2ue +eus ama o 2ue d0 om alegriaD.
6 ,or. M, L
8 quinta via da cidade santa é a li(eralidade, constituída em um de seus
lados pela /usta aquisi#ão e em outro pela distri(ui#ão "eita com discernimento. 8 /usta
aquisi#ão constitui um de seus lados porque a li(eralidade reliiosa e honesta despre+a a
viver ou dar a rique+a adquirida pelo saque, pela torpe+a, pela "raude, pelo "urto ou por
qualquer outro modo in/usto, assim como despre+ado!se o sacri"ício de louvor "eito com
pão "ermentado. C outro lado desta via é construído pela distri(ui#ão "eita com
discernimento pois, de "ato, se ela desse menos do que o /usto, tornar!se!ia avare+a- e se
desse mais do que o /usto, /% não seria li(eralidade, mas prodialidade. 7uão rande se/a o
"ruto da li(eralidade o Salvador no!lo mostra quando nos di+ no Evanelho4
D+ai= e dar-se-vos-0.
Pma medida boa= 5eia=
realada e aogulada=
vos ser0 lan.ada no seioD.
Duc. 5, :8
8 se*ta via de 2erusalém é a a(stinEncia, na qual de um lado encontra!se a
parcim1nia e, de outro, a so(riedade. 8 parcim1nia é contr%ria & lutonaria, e a so(riedade &
em(riaue+. ;as Escrituras encontram!se muitos e*emplos de /e/uns e a(stinEncias, dos
quais os principais são os /e/uns de )oisés, Elias, e de ;osso Senhor e Salvador.
Kesplandece nos ninivitas quão rande é o "ruto do /e/um e da a(stinEncia, os quais, por uma
a(stinEncia de trEs dias, aplacaram a ira divina e no luar da destrui#ão com que haviam sido
amea#ados, mereceram o perdão H2on. :I.
23
8 sétima via da santa cidade é a continEncia ou castidade. Esta de um lado
tem a pure+a do cora#ão, e de outro a pure+a do corpo- ou tam(ém, de uma parte a pure+a
do pensamento e de outra a pure+a da a#ão. Kesplandece nas vi@vas e nas virens quão
rande é o "ruto e o (em desta virtude, da qual as vi@vas possuem o se*aésimo e as virens
o centésimo "ruto.
Denominamos, caríssimos, corretamente estas virtudes de vias ou, para
sermos mais precisos, de `%lateas' na línua latina, isto é, caminhos laros, adequados para a
ha(ita#ão, pr$prios para a caminhada e a corrida espiritual, assim como tam(ém para todo
ne$cio espiritual, pois todo caminho que condu+ & vida, ainda que para os principiantes ou
mesmo para os aproveitados pare#a estreito e %rduo, para os adiantados e per"eitos é
comprovadamente laro e plano. J por isto que di+ o Salmista4
DCorri %elo amin5o
dos teus mandamentos=
%ois dilataste o meu ora./oD.
Salmo 118, :6
E tam(ém4
D+e toda a %erfei./o vi o fimI
teu mandamento= %or<m=
< imensamente am%loD.
Salmo 118, M5
De "ato, quem quer que possua a per"eita caridade, a qual Dlan.a fora o temorD HI 2o.
9,18I, considera doce toda a tenta#ão ou adversidade que lhe possa ocorrer , e pode di+er
ainda com o 8p$stolo4
D?s sofrimentos do tem%o %resente
n/o tJm %ro%or./o om a gl9ria vindoura
2ue se manifestar0 em n9sD.
Kom. 8, 18
Eis o motivo pelo qual so(re a caridade est% escrito no ,Antico dos ,Anticos que
D? amor < mais forte do 2ue a morte=
o zelo do amor < tenaz
24
omo o inferno=
suas lEm%adas s/o lEm%adas
de fogo e de 5amas.

1s muitas 0guas n/o %uderam
e)tinguir a aridade=
nem os rios ter/o for.a
%ara a submergir.
1inda 2ue o 5omem dJ
todas as ri2uezas de sua asa %elo amor=
ele as des%rezar0 omo um nadaD.
,ant. 8, 5!L
;a cidade espiritual h% tam(ém uma torre "ortíssima, da qual est% escrito4
D? nome do Sen5or
< uma torre fort*ssima=
a ele se aol5e o Austo=
e enontra um refNgio elevadoD.
.rov. 18, 10
Sa(ei, caríssimos, que quaisquer homens que de"endam sua cidade não tEm tanta con"ian#a
nos cavalos, nas armas, nas portas, nos muros, ou tam(ém em suas "or#as quanto a tEm na
torre de sua cidade. 8o "uirem e procurarem a(rio é a torre o seu @nico re"@io e a sua
@nica seuran#a. 8ssim tam(ém, para os "iéis que pele/am contra os inimios espirituais, a
@nica esperan#a e a @nica seuran#a não somente na adversidade como tam(ém na
prosperidade é a invoca#ão do nome divino. De "ato, não inoram que
D12uele 2ue invoar
o nome do Sen5or
ser0 salvoD.
2oel 6, :6
Daqui procede iualmente que a santa Ire/a universal tenha em suas institui#<es invocar em
primeiro luar o nome do Senhor ao iniciar as preces divinas, proclamando com "é e
con"ian#a4
D+eus= vinde em meu au)*lioD.
25
Salmo 5M, 6
2erusalém espiritual tem tam(ém duas portas, das quais a primeira e in"erior
é a "é cat$lica. 8 seunda e superior é a contempla#ão divina. Destas duas portas est%
escrito4
DCntrar0 e sair0=
e enontrar0 %astagemD.
2o. 10, M
;a primeira porta encontraremos a pastaem da ra#a, na seunda encontraremos a
pastaem da l$ria.
J possível entender!se, ademais, de diversas passaens da Escritura, assim
como de declara#<es de outros escritores e via/antes, que a pr$pria 2erusalém terrestre,
seundo a sua antia locali+a#ão, estava assentada so(re um declive. 8ssim como esta,
porém, tam(ém aquela cidade que é a vida espiritual est% assentada so(re um declive e
possui seus deraus de uma porta a outra, deraus pelos quais su(imos das coisas in"eriores
&s superiores, de modo que, su(indo por cada um destes nos a"astamos das coisas terrenas e
nos apro*imamos das celestes.
Cs que querem viver santamente, portanto, deverão primeiro entrar pela "é.
Depois, pelo crescimento da /usti#a, deverão su(ir até & contempla#ão das coisas celestes. C
primeiro derau, portanto, est% na primeira porta, ou melhor, esta mesma porta é o primeiro
derau ou a primeira escada da su(ida. Elevados, assim, do que é terreno, devemos em
primeiro luar por o pé na primeira escada, que é a "é. Em seundo, devemos su(ir da "é &
esperan#a. Em terceiro, su(ir da esperan#a & caridade. Em quarto, su(ir da caridade ao
e*ercício das demais virtudes, principalmente ao do seten%rio das principais virtudes, as que
nos são descritas naquele luar do Evanelho onde se di+4
DFem aventurados os %obres de es%*rito=
%or2ue deles < o @eino dos C<us.
Fem aventurados os mansos=
%or2ue %ossuir/o a terra.
Fem aventurados os 2ue 5oram=
%or2ue ser/o onsolados.
Fem aventurados os 2ue tem fome e sede de Austi.a=
%or2ue ser/o saiados.
26
Fem aventurados os miseriordiosos=
%or2ue alan.ar/o miseri9rdia.
Fem aventurados os %uros de ora./o=
%or2ue ver/o a +eus.
Fem aventurados os %a*fios=
%or2ue ser/o 5amados fil5os de +eusD.
)t. 5, 1!M
Em quinto devemos su(ir do seten%rio das principais virtudes ao sen%rio das (oas o(ras,
aquele que nos é descrito no luar do Evanelho onde ,risto nos di+4
D(ive fome=
e me destes de omerI
tive sede=
e me destes de beberI
era %eregrino=
e me reol5estesI
estava nN=
e me vestistesI
enfermo=
e me visitastesI
no 0rere=
e me fostes visitarD.
)t. 65, :5!:5
Em se*to devemos su(ir do sen%rio das (oas o(ras ao ensino. 8 /usti#a e a idoneidade se
comprova no homem quando quem "a+ o (em tam(ém o ensina aos outros. Deste modo ele
se torna imitador do Salvador, do qual est% escrito4
DHalei de todas as oisas
2ue ;esus ome.ou a fazer e a ensinarD.
8tos 1, 1
C ensino, porém, reali+a!se alumas ve+es de dois modos, a sa(er, pelas palavras e pelos
milares. .or isso é que dos primeiros e dos maiores preadores est% escrito4
27
DCles= tendo %artido=
%regaram %or toda a %arte=
oo%erando om eles o Sen5or=
e onfirmando a sua %rega./o
om os milagres 2ue a aom%an5avamD.
)c. 15, 60
Em sétimo luar devemos su(ir do ensino & contempla#ão. Destas escadas ou destes deraus
de su(ida est% escrito4
D!ara l0 subiram as tribos=
as tribos do Sen5or=
testemun5as de -srael=
%ara onfessarem o nome do Sen5orD.
Salmo 161, 9
E tam(ém, em outro luar4
DFem aventurado o 5omem
uAo au)*lio vem de ti=
as subidas dis%Ls em seu ora./o.

8o vale das l0grimas=
no lugar onde o "egislador
o tiver oloado=
Cle l5e dar0 a bJn./o.
Camin5ar/o de virtude em virtude=
e ver/o o +eus dos deuses em Si/oD.
Salmo 8:, 5!8
7uem tiver su(ido por estes deraus até & porta da contempla#ão, que est% colocada na
parte mais alta e como que na saída da cidade, sair% ele pr$prio espiritualmente, e
so(ressair%, para que de 2ac$ se trans"orme em Israel, de Dia em Kaquel, de ?enena em 8na,
e de )arta em )aria, e aqueles que tiverem praticado as (oas o(ras possam trans"ormar!se
nos que contemplam a divindade. .or isto é que di+ o pro"eta 2eremias4
28
DQ bom %ara o 5omem
ter levado o Augo
desde a sua moidadeI
sentar-se-0 sozin5o=
%ois se levantar0 sobre si mesmoD.
Dam. :, 6L!8
.or isto tam(ém é que se encontra escrito no ,Antico dos ,Anticos4
DSa*= fil5as de Si/o=
e vJde o @ei Salom/o=
om o diadema om o 2ual
sua m/e o oroou
no dia de seu asamento=
e na alegria de seu ora./oD.
,ant. :, 11
Daqui vem iualmente que dia o Salmista4
D1li est0 o Aovem FenAamim=
em grande eleva./o de menteD.
Salmo 5L, 68
8pressemo!nos, portanto, irmãos caríssimos, para que depois do tra(alho da
o(ra possamos sair para o repouso e a li(erdade da contempla#ão, para que possamos
admirar, ainda que de lone, o rei em seu esplendor e a nossa p%tria. Su(amos de virtude em
virtude con"orme convém & salva#ão, para que pelo seten%rio da su(ida que descrevemos,
possamos chear ao octon%rio das (em aventuran#as.
E que para tanto se dine vir em nosso au*ílio 2esus ,risto, ;osso Senhor,
que é, acima de todos, o Deus (endito, pelos séculos dos séculos.
8mén.
29
SERMO LVI
So"re # A!%# O"edie)te.
'egu)do # /i'tri# do
Li$ro de Rute+
Demos nas p%inas do 3elho Bestamento que Kute, a )oa(ita, seuindo a
;oemi sua sora, e o(edecendo aos seus preceitos, mereceu unir!se em matrim1nio a 0oo+,
homem poderoso e rico.
;oemi, nome que tradu+ido quer di+er `formosa' HKute 1,60I, sini"ica
tam(ém o doutor e pastor da Ire/a ornamentado não apenas e*teriormente, mas tam(ém
interiormente pelos v%rios dons da ra#a celeste, renunciando, seundo o 8p$stolo, & oculta
indecEncia, não caminhando na ast@cia e não adulterando a palavra de Deus. Ele é "iurado
por uma mulher, pois não cessa de dar & lu+ e de educar para Deus, pelo seu ensino, uma
prole espiritual. .or isto é que o 8p$stolo, escrevendo aos N%latas, di+4
D#eus fil5in5os=
%or 2uem eu sinto de novo as dores de %arto=
at< 2ue ;esus Cristo se forme em v9sD.
Nal. 9, 1M
Kute, nome que tradu+ido quer di+er `a 2ue se a%ressa', sini"ica a alma que o(edece
prontamente aos santos conselhos de seu prelado, não (uscando prete*tos para demorar!se
na e*ecu#ão de seus preceitos, sa(endo que
Do Sen5or deseAa n/o tanto 5oloaustos ou v*timas
omo 2uer 2ue se obede.a G sua voz=
e 2ue a obediJnia vale mais do 2ue as v*timas
e esutar mais do 2ue ofereer a gordura dos arneiros=
A0 2ue a rebeli/o < omo o %eado da adivin5a./o=
e n/o 2uerer ser d9il < omo o delito da idolatriaD.
1 Sam. 15, 66!:
30
Kute, portanto, se apressa verdadeiramente e (em na medida em que a alma o(ediente
inclina prontamente o ouvido a todas as coisas que lhe são ordenadas, quer elas lhe pare#am
honrosas ou despre+íveis.
8 o(ediEncia, entretanto, &s ve+es é nula, se possui alo de seu- outras ve+es
é mínima, mesmo que não possua nada de seu. De "ato, se nos é ordenado su(ir a um luar
elevado, quem a isto anela esva+ia para si a virtude da o(ediEncia pelo pr$prio dese/o. Se,
porém, nos é ordenado o despre+o de n$s pr$prios, a não ser que a alma apete#a isto por si
mesma, quem descesse a isto descontente diminuiria para si o mérito da o(ediEncia. ?oi por
isto que )oisés humildemente recusou o principado do povo HE*. :,11I, e .aulo di+
audaciosamente4
DCstou %ronto n/o s9 %ara ser atado=
mas at< %ara morrer em ;erusal<m
%elo nome do Sen5or ;esusD.
8tos 61, 1:
Kute, portanto, por causa de ;oemi a(andona a sua terra e os seus deuses HKute 1,19I,
quando a alma verdadeiramente o(ediente, estimulada pelo e*emplo ou pela palavra do
doutor da Ire/a, dei*a para tr%s todas as coisas terrenas e pra+erosas que lhe "oram
o"erecidas pelos dem1nios. E a seue inseparavelmente HKute 1,15I, na medida em que
o"erece amiavelmente o assentimento aos preceitos de sua doutrina. 8companha!a por
todos os caminhos pelos quais passa HKute 1,1LI quando o imita nos vícios que a(andona e
nas virtudes que e*ercita. ?inalmente, mora com ela em 0elém HKute 1,1MI quando, dentro
da santa Ire/a, so( o seu conselho ou overno, convivem santa e honestamente.
0oo+, nome que tradu+ido quer di+er `fortaleza de +eus', homem poderoso
e de randes rique+as HKute 6,1I, que possuía seadores e de quem era o campo em que
Kute colheu espias HKute 6,:I, sini"ica ,risto. ,remos, de "ato, e con"essamos com o
8p$stolo que ,risto é virtude de Deus e sa(edoria de Deus, e é tam(ém homem poderoso,
porque
DHoi-l5e dado todo %oder no C<u e na (erraD.
)at. 68, 18
Ele é tam(ém homem de randes rique+as, porque
D8ele est/o esondidos
todos os tesouros da sabedoria
e da iJniaD.
,ol. 6, :
31
Seu campo é a Sarada Escritura. Este campo possui cevada pelo 3elho Bestamento e trio
pelo ;ovo Bestamento. Cs seadores são os preadores que quotidianamente colhem neste
campo as senten#as pelas quais alimentam os "iéis e os apascentam esplendidamente. 2% os
imper"eitos e os en"ermos não seam com as "oices, mas recolhem as espias, porque não
entendem as coisas maiores, mas apenas as menores. Cs quais "a+em (em em permanecer no
campo, assim como Kute, desde a manhã até & tarde HKute 6,LI, pois tra(alham virilmente
para que, desde o pr$prio início possam chear & per"ei#ão. De onde que 0oo+ ordenou aos
seus seadores que se estes @ltimos quisessem colher com eles, isto é, investiar e
compreender as coisas maiores, não os proi(issem- antes, ao contr%rio, que lhes o"erecessem
do tra(alho de suas "oices HKute 6,15!15I, isto é, ordenou!lhes que não os instruíssem
nelientemente mesmo a respeito de suas senten#as. Crdenou tam(ém 0oo+ aos seus
seadores que ninuém molestasse a Kute quando recolhesse as espias HKute 6,MI, porque
deve!se evitar de todos os modos que a alma que se inicia no (em, isto é, que se apro*ima
da "é ou é recém cheada & (oa conversa#ão, encontre uma pedra de trope#o. .or isto é que
nos di+ o Salvador4
D? 2ue reeber em meu nome
um %e2uenino omo este=
< a mim 2ue reebeD.
)at. 18, 5
D12uele 2ue= %or<m=
esandalizar um destes %e2ueninos
2ue rJem em mim=
mel5or seria %ara ele
2ue se l5e %endurasse ao %eso.o
uma m9 de moin5o
e 2ue o lan.assem ao fundo do marD.
)at. 18, 5
E, loo adiante4
D4ede= n/o des%rezeis um s9 destes %e2ueninos=
%ois vos delaro 2ue os seus anAos nos <us
vJem inessantemente a fae de meu !ai=
2ue est0 nos <usD.
)at. 18, 10
C pequenino é aquele que se inicia no (em e que ainda não se elevou & "ortale+a da virtude
ou & altura da per"ei#ão. ;ão apenas 2esus, mas tam(ém o (em aventurado .aulo se re"ere &
malícia do escAndalo que não deve ser o"erecido aos irmãos en"ermos4
32
D8/o nos AulguemosD,
di+ o 8p$stolo,
D%ois= uns aos outrosI
%ro%ondo antes n/o %Lr tro%e.o
ou esEndalo ao vosso irm/oD.
Kom. 19, 1:
E tam(ém4
D8/o 2ueiras %erder=
%or ausa de teu alimento=
a2uele %or 2uem Cristo morreuD.
Kom. 19, 15
E a mesma coisa a repete novamente, quando di+4
DSe um alimento serve de esEndalo a meu irm/o=
nuna mais omerei arne=
%ara n/o esandalizar meu irm/oD.
1 ,or. 8, 1:
E "inalmente, concluindo4
D8/o seAais motivo de esEndalo
nem %ara os Audeus= nem %ara os gentios=
nem %ara a -greAa de +eusI
omo tamb<m eu em tudo %rouro agradar a todos=
n/o busando o meu %roveito=
mas o de muitos= %ara 2ue seAam salvosD.
1 ,or. 10, :6!:
0oo+ tam(ém concedeu a Kute que comesse o pão com as suas mo#as, que
molhasse o seu (ocado no vinare HKute 6,19I, e que (e(esse da %ua que havia nas
sarcínulas HKute 6,MI, pequenos recipientes em "orma de trou*as ou "ardéis, pois ,risto, que
33
é clementíssimo pai de "amília, de (om rado concede & alma recém convertida o pão da sã
doutrina para que não des"ale#a no caminho da virtude e da (oa o(ra, assim como o vinare
do temor amaramente punente, do qual est% escrito4
DCrava %elo teu temor
as min5as arnes=
%ois temi os teus AulgamentosD=
Salmo 118, 160
para que não se dissipe na properidade, e a %ua da re"rescante consola#ão, para que não se
que(re na adversidade. De "ato, o pão sustenta, o vinare pune, a %ua re"riera.
DSe tiveres sedeD,
disse ainda 0oo+,

Dvai Gs sar*nulas=
e bebe as 0guas
de 2ue bebem os meus riadosD.
Kute 6, M
8 respeito desta %ua deve!se notar que se lhe ordena procur%!la nas sarcínulas, pois ao que
livremente o"erecer o om(ro para apoiar o "ardel da virtude a ser e*ercida e da (oa o(ra a
ser e*i(ida se promete o re"riério da pr$pria consola#ão divina. .or isto é que di+ o
salmista4
DSegundo a multid/o das min5as
dores no meu ora./o=
tuas onsola.Oes alegram
a min5a almaD.
Salmo M:, 1M
E tam(ém4
D8o dia de min5a tribula./o
bus2uei a +eus=
de noite estendem-se
as min5as m/os %ara Cle=
e n/o sou enganado.
34
#in5a alma reusa-se
a ser onsolada=
reordei-me de +eus
e fui onsoladoD,
Salmo L5, :!9
7uando ele di+ que sua alma recusava!se a ser consolada, re"ere!se & consola#ão terrena-
acrescentando, porém, que ao recordar!se de Deus "oi consolado, nos mostra ter aceito a
consola#ão divina. 7u8queles que, portanto, se a"astam do piedoso 1nus da virtude e da
(oa o(ra, de"raudam!se a si pr$prio do re"riério da consola#ão do alto. De onde que
corretamente se di+ da Sa(edoria que
D8/o se enontra na terra
dos 2ue vivem nas suavidadesD.
2o. 68, 1:
7uem quer que dese/e, portanto, (e(er a %ua da sa(edoria da salva#ão, diri/a!se para os
"ardéis, isto é, aos e*ercícios e ao tra(alho da virtude e da (oa o(ra.
0oo+, porém, "ala de sarcínulas, e não de sarcinas, o que est% de acordo
com a palavra do Senhor, quando di+4
D? meu Augo < suave=
e o meu %eso < leveD.
)at. 11, :0
C mesmo tam(ém no!lo di+ o (em aventurado 2oão4
DSeus mandamentos n/o s/o %esadosD.
1 2o. 5, :
De "ato, os mandamentos divinos, que para os répro(os parecem impossíveis de cumprir,
para os principiantes e os en"ermos são um pouco pesados, mas para os per"eitos são
comprovadamente leves. .ara os que amam per"eitamente a Deus o salmista no!los
demonstra serem leves, ao di+er4
35
DCorri %elo amin5o dos teus mandamentos=
%ois dilataste o meu ora./oD.
Salmo 118, :6
Kute tinha, deste modo, /unto aos criados de 0oo+, pão, vinare e %ua, porque a alma
verdadeiramente penitente possui com as almas puras e eleitas dos que crEem em ,risto o
pão na doutrina, o vinare na repreensão e a %ua na visita#ão. Este pão con"ere a virtude
do sustento- o vinare, a salu(ridade do temor- a %ua, o re"riério da consola#ão.
Cs restos de comida uardados por Kute HKute 6,19I podem ser entendidos
como alumas palavras menores da sarada doutrina que os per"eitos dei*am ap$s si, na
medida em que e*ercitam a si mesmos nas maiores e as distri(uem aos outros. 8s quais
menores Kute uardou de (oa vontade, porque para a alma "aminta as coisas mínimas e
tam(ém amaras parecem randes e doces.
0oo+ disse então a Kute4
D8/o v0s res%igar em outro am%o=
nem te afastes deste lugar=
mas Aunta-te om as min5as mo.as=
e segue-as %or onde tiverem segadoD.
Kute 6, 8
C outro campo, o campo alheio, é todo livro dos herees, no qual 0oo+ dissuade Kute de
colher espias, pois ,risto adverte a alma que se converteu a Ele que não rece(a as m%s
asser#<es dos herees. 8 qual alma verdadeiramente se /unta &s suas mo#as e as seue para
onde tiverem seado quando, "ielmente unida &s almas santas, as imita nas saradas li#<es.
Kute, uma estraneira, colhe portanto espias no campo de 0oo+ quando a
alma pecadora, mas convertida, estuda atentamente a palavra de Deus.
.rosseue a narrativa declarando que Kute
DFateu= de%ois= om uma vara
e saudiu as es%igasD.
Kute 6,1L
Kute (ate e sacode as espias com uma vara na medida em que, por uma perspica+
medita#ão, naquilo em que estuda das Escrituras, distinue corretamente o verdadeiro do
"also e a inteliEncia espiritual da letra. ,olhidas e sacudidas as espias, estas são
condu+idas até a casa HKute 6,18I, quando aquilo em que Kute lE e medita no interior de sua
36
santa conversa#ão prepara o e"eito da (oa o(ra. 8 casa em que vivemos, de "ato, sini"ica a
nossa conversa#ão. De onde que certo s%(io nos di+4
DSe n/o te mantiveres firmemente no temor do Sen5or=
de%ressa a tua asa ser0 arruinadaD,
Ecl. 6L, 9
isto é, ser% arruinada a casa da tua (oa conversa#ão. .ode!se entender tam(ém que condu+ir
a messe colhida e (atida para dentro de casa sini"ica que as coisas conhecidas e
comprovadas pelo estudo e pela medita#ão como sendo (oas são colocadas no interior da
consciEncia pelo a"eto e pelo e"eito da virtude e da (oa o(ra.
?eitas todas estas coisas, vendo ;oemi a rande ra#a que sua nora havia encontrado /unto
a 0oo+, d%!lhe o conselho pelo qual poderia encontrar /unto a este homem ra#a ainda
maior. Isto sini"ica que todo (om pastor, quando adverte que a alma que a si lhe "oi
con"iada se ro(ustece pela ra#a de ,risto, empenha!se cuidadosamente para que possa
conseuir /unto a Ele ainda maior ra#a. J movida por estas inten#<es que di+, portanto,
;oemi a Kute4
D#in5a fil5a= %rourarei %ara ti desanso=
e %rovideniarei %ara 2ue fi2ues bem.
Cste Fooz= om uAas mo.as estiveste Aunto no am%o=
< nosso %arente %r9)imo=
e esta noite %adeAar0 a evada na sua eira.
"ava-te= %ois= e unge-te=
toma os teus mel5ores vestidos
e dese G eira.
8/o te veAa este 5omem
at< 2ue ten5a aabado de omer e beber.
Ruando for dormir=
observa o lugar em 2ue dorme.
-r0s= levantar-l5e-0s a a%a
om 2ue se obre da %arte dos %<s=
e ali te oloar0s e deitar0s.
Cle mesmo te dir0 o 2ue deves fazerD.
Kute :, 1!9
Cra, sendo ;oemi o pastor da Ire/a, Kute o seu s@dito e 0oo+ o ,risto, a parentela
pr$*ima é a (ondade. Esta pro*imidade de parentesco não é resultado da rela#ão do sanue
e da carne, mas da a"inidade da santidade. .or isto é que nos di+ o Salvador4
37
D(odo a2uele 2ue fizer a vontade de meu !ai=
2ue est0 nos <us=
esse < meu irm/o e irm/ e m/eD.
)at. 16, 50
C que tam(ém no!lo di+ o (em aventurado 2oão4
D1 todos os 2ue o reeberam=
deu-l5es o %oder de se tornarem
fil5os de +eus=
aos 2ue rJem no seu nome=
os 2uais n/o do sangue=
nem da vontade da arne=
nem da vontade do 5omem=
mas de +eus naseramD.
2o. 1, 16!1:
8 noite em que 0oo+ pade/aria a cevada é a vida presente, na medida em que é so( o véu
dos mistérios e dos sacramentos que nos damos conta da ra#a dos dons celestes. J noite
tam(ém porque entre n$s um não pode en*erar a consciEncia do outro, e cada um inora o
que o outro pensa de si. J noite, porque
D4emos omo %or um es%el5o e em enigma=
n/o ainda fae a faeI
amin5amos %ela f<=
n/o ainda a desobertoD.
1 ,or. 1:, 16
;esta noite 0oo+ pade/ar% a cevada na sua eira porque ,risto não apenas pura
dilientemente a santa Ire/a de seus perseuidores ou dos homens de m% vontade, como
tam(ém puri"ica cada uma das almas "iéis de seus maus pensamentos e da inteliEncia "alsa e
carnal das Saradas Escrituras. Kute se lava para encontrar a 0oo+ HKute :,:I quando a
alma "iel e o(ediente pelas suas l%rimas se puri"ica da imundície da antia culpa. J por isto
que 2eremias nos aconselha, di+endo4
D+errama omo 2ue
uma torrente de l0grimas=
dia e noite=
n/o te dJs desanso=
38
nem re%ouse
a %u%ila dos teus ol5osD.
Dam. 6, 18
Cs un'entos de que Kute se utili+ou ap$s lavar!se HKute :,:I são os diversos dons
espirituais. 8ssim como os un'entos aliviam as "eridas e as dores dos corpos, assim
tam(ém pelos dons sarados as "eridas ou as dores das almas são curadas e aliviadas. Destes
dons o 8p$stolo assim nos "ala4
D1 ada um < dada
a manifesta./o do es%*rito
%ara utilidadeI
a um < dado %elo Cs%*rito
a linguagem da sabedoria=
a outro a linguagem da iJnia=
a outro a f<= a outro o dom das uras=
a outro o dom de o%erar milagres=
a outro a %rofeia=
a outro o disernimento dos es%*ritos=
a outro a variedade das l*nguas=
a outro a inter%reta./o das %alavrasD.
1 ,or. 16, L!10
Deles tam(ém Isaías nos "ala, di+endo4
DC re%ousar0 sobre Cle o Cs%*rito do Sen5or=
Cs%*rito de sabedoria e de entendimento=
Cs%*rito de onsel5o e fortaleza=
Cs%*rito de iJnia e de %iedade=
e ser0 5eio do Cs%*rito de temor do Sen5orD.
Is. 11, 6!:
Estes dons, irmãos, são verdadeiramente un'entos, e rece(E!los é a verdadeira un#ão. )as
tam(ém as virtudes que se oriinam destes dons são chamados não inconvenientemente de
un'entos, porque o seu e*ercício é a un#ão per"eita que em n$s consome os vermes dos
vícios e restitui & sa@de os a"etos "eridos pelos pecados.
Cs melhores vestidos com que Kute se dirie & eira de 0oo+ HKute :,:I são
as principais (oas o(ras, as seis o(ras de miseric$rdia, que consistem em dar pão aos que
tEm "ome, dar de (e(er aos que tEm sede, recolher os pererinos, vestir os nus, curar os
39
en"ermos e visitar os presos H)at. 65,:5!:5I. 7uando aluém aluém se reveste com estas
o(ras, espiritualmente procede como se se ornamentasse com vestidos puros e preciosos.
Kute, portanto, depois de colher e (ater as espias, lava!se, une!se e veste!
se HKute :,5I porque a alma "iel, depois de ter rece(ido o conhecimento da verdade pelo
estudo e pela medita#ão das Saradas Escrituras, lava!se pela compun#ão, une!se pela
emula#ão dos carismas espirituais e pelo e*ercício das virtudes, e veste!se pela (oa a#ão.
8ssim ornamentada, Kute desce & eira HKute :,5I, o que sini"ica humilhar!se a si mesma,
depois dos (ene"ícios rece(idos, na planície do cora#ão. Se, de "ato, pelo orulho o homem
se eleva so(re si mesmo, pela humildade retorna e desce para si mesmo. =% uma outra
humildade que precede a esta, pela qual nos são con"eridos primeiros (ene"ícios- por esta da
qual tratamos aora nos são aumentados estes (ene"ícios.
;oemi pede a Kute que levante a 0oo+ a capa da parte dos pés e que ali se
coloque e se deite HKute :,9I. Devantar a capa da parte dos pés sini"ica considerar,
investiando humildemente, o mistério da nossa Keden#ão- ali co,ocar!se e deitar!se sini"ica
pedir humilde e incessantemente a perpétua união com ,risto pela "é em sua Encarna#ão.
7ue a alma, porém, não presuma de modo alum tanta pro*imidade e "amiliaridade se antes
0oo+ não tiver se satis"eito com a comida e a (e(ida e não tiver se deitado no leito da pa+ e
da quietude. Cra, a comida e a (e(ida de ,risto é, con"orme Ele pr$prio no!lo di+, "a+er a
vontade de seu .ai. Isto é o que Ele mesmo declarou aos seus discípulos4
D(en5o um alimento %ara omer
2ue v9s n/o sabeisD.
2o. 9, :6
D1 min5a omida < fazer a vontade
da2uele 2ue me enviou
e um%rir a sua obraD.
2o. 9, :9
.ortanto, nenhuma alma ouse de modo alum discutir, tratar ou compreender o mistério de
,risto ou pedir!lhe a "elicidade que dEle emana se primeiro, e*i(idas santas o(ras, não o
reconhecer contente e pací"ico para consio. De "ato, assim di+ a Escritura4
DRue omuniar0 o aldeir/o
%ara a %anelaM
Ruando se olidirem= ela 2uebrar0D.
Ecle. 1:, :
40
E tam(ém o 8p$stolo4
D12uele 2ue ome e bebe indignamente=
ome e bebe %ara si a ondena./oD.
1 ,or. 11, 6M
Daqui tam(ém ocorreu que )oisés, ap$s a morte de ;ada( e 8(iu, repreendendo a Elea+ar
e Itamar por não terem comido o (ode que havia encontrado queimado, respondeu!lhe
8arão4
D3oAe foi ofereida a v*tima %elo %eado=
e o 5oloausto diante do Sen5or.
1 mim= %or<m= aonteeu-me o 2ue tu vJsI
omo %odia eu omer desta v*tima=
ou agradar ao Sen5or nas erimLnias=
om o es%*rito entristeidoMD
Dev. 10, 1M
E da ora#ão tam(ém est% escrito que
D12uele 2ue afasta o seu ouvido
%ara n/o ouvir a "ei=
sua ora./o ser0 e)er0velD.
.rov. 68, M
7uem quer que, portanto, de alum modo queira apro*imar!se de Deus, ou pedir!lhe alo, é
necess%rio que cuide primeiro de sua consciEncia, e*ercitando!se, em sua presen#a, nas (oas
o(ras e serenando!se a si mesmo pela humildade. .or meio destas coisas ,risto como que se
alimentar% e saciar% pela comida e pela (e(ida e então poderemos encontra!Do descansado
para conosco. 8 comida e a (e(ida que 0oo+ tomou, porém, não lhe "oram dadas por Kute,
mas eram do pr$prio 0oo+, /% que nossas o(ras são um dom de ,risto, e não pertencem &
nossa "aculdade, mas & ra#a celeste, con"orme mensina a Epístola aos Komanos, quando
nos di+4
D8/o de%ende do 2ue 2uer=
nem do 2ue orre=
mas de +eus=
2ue usa de miseri9rdiaD.
41
Kom. M, 15
Deitada aos pés de 0oo+, Dele mesmoD, e*plica ;oemi a Kute,
Dte dir0 o 2ue deves fazerD.
Kute :, 9
Isto se repete sempre que, "a+endo o(edientemente aquilo que nosso prelado nos preceitua,
quanto ao demais a un#ão de ,risto
Dnos ensina de todas as oisasD.
I 2o. 6, 6L
3endo Kute deitada aos seus pés, 0oo+ louva!a por não ter (uscado os /ovens HKute :,10I.
J assim tam(ém que ,risto louva a alma que com "idelidade se lhe apro*ima, não seuindo
os dem1nios ou os homens répro(os, h%(eis e prontos para o mal.
8ora, portanto, irmãos caríssimos, retornemos a n$s mesmos e de tudo
isto procuremos dilientemente apro"undarmo!nos no conhecimento da verdade,
in"lamarmo!nos ao amor da (ondade, incentivarmo!nos ao e*ercício da virtude e "ormarmo!
nos ao e"eito da (oa o(ra, para que possamos merecer o prEmio da salva#ão pela ren@ncia
de nossas maldades passadas e das suest<es do dem1nio.
Siamos nosso pastor, imitando!o nas coisas que ele "i+er com retidão.
Gnamo!nos a ele, amando!o verdadeiramente. C(ede#amo!lo, cumprindo com empenho
tudo o que ele nos preceitua. =a(itemos com ele em 0elém, honestamente convivendo com
ele na santa Ire/a.
,olhamos a (atamos as espias no campo de 0oo+, e levemo!las & nossa
casa, estudando, meditando e recordando em nossa mem$ria ou nossa consciEncia,
con"orme dissemos acima, as palavras de nosso Salvador. ;ão respiuemos em campo
alheio, repelindo as m%s asser#<es dos herees.
Davemo!nos, então, deplorando nossos crimes- un/amo!nos, emulando os
dons espirituais e seuindo as virtudes, principalmente a caridade, con"orme no!lo ensina o
8p$stolo. 3istamo!nos, entreando!nos & e*ecu#ão das seis o(ras de miseric$rdia.
Des#amos, "inalmente, & eira, humilhando!nos em nosso cora#ão.
Devantemos a capa com que 0oo+ se co(re da parte dos pés investiando,
por uma humilde considera#ão, o mistério de nossa Keden#ão- e ali, pela .ai*ão que "oi o
42
seu "im, nos coloquemos e deitemos, pedindo!lhe humildemente e sem cessar que nos
conceda que nos unamos a Ele. Insistindo deste modo dEle o(teremos, assim como Kute o
o(teve de 0oo+, rece(er primeiro, pela "é na santa e indivídua Brindade, trEs m$dios de
cevada HKute 6,1LI- depois, pela per"ei#ão de toda santidade, mais seis m$dios HKute :,15I,
e "inalmente nos ser% concedido que nos unamos a Ele no t%lamo nupcial HKute 9,1:I, no
mundo pelo o+o da do#ura interior, no céu pela l$ria da (em aventuran#a.
E que para tanto se dine vir em nosso au*ílio 2esus ,risto, ;osso Senhor,
que é Deus, (endito pelos séculos.
8mén.
43
SERMO LVII
So"re o' Pre!#do' e o'
Doutore' d# Igre0#. 'egu)do
o %e'%o Li$ro de Rute+
,aríssimos, lemos nas Saradas Escrituras como, no tempo dos 2uí+es HKute
1,1I, "aleceu )aalon, marido de Kute, a moa(ita, dei*ando!a vi@va e sem descendEncia.
8conselhada por ;oemi, sua sora, Kute deitou!se aos pés de 0oo+ HKute :,LI, seu parente
pr$*imo, roando!lhe humildemente que lhe concedesse unir!se a ele pelo matrim1nio, para
não dei*ar sem descendEncia a casa de seu esposo HKute :,MI. Disse então 0oo+ a Kute4
D8/o nego 2ue sou teu %arente %r9)imo=
mas 50 outro mais %r9)imo do 2ue eu.
Se ele te 2uiser reeber
%elo direito de %arentela= est0 bem.
Se= %or<m= n/o o 2uiser=
eu sem dNvida te reebereiD.
Kute, :, 16!1:
Kute, nome que tradu+ido sini"ica `a 2ue se a%ressa', retamente "iura a santa Ire/a, que
se apressa para cumprir com toda a devo#ão os preceitos que lhe são dados do céu. Seu
marido entende!se não inconvenientemente ser ,risto, do qual est% escrito4
D? 2ue tem a es%osa < o es%osoDI
2o. :, 6M
e do qual o (em aventurado 8p$stolo di+4
DCristo amou a -greAa
e %or ela se entregou a si mesmo=
%ara a santifiar=
%urifiando-a no Fatismo da 0gua
na %alavra da vida=
%ara a%resentar a si mesmo a -greAa gloriosa=
44
sem m0ula nem ruga=
mas santa e imauladaD.
E". 5, 65!6L
.ara esta esposa seu esposo de certo modo est% morto, na medida em que ,risto, enquanto
homem, cessou de estar e de conviver entre os homens, con"orme di+ o 8p$stolo4
D3umil5ou-se a si mesmo=
feito obediente at< G morte=
e morte de ruzD.
?il. 6, 8
,risto, de "ato, ainda que tenha ressuscitado entre os mortos, ainda que /% não morra e que a
morte não mais domine so(re Ele, pois Ele
Dvive= e vive %ara +eusD,
Kom. 5,10
diriiu!se, porém, para uma reião lonínqua, para rece(er para si o Keino. .or este motivo
est% corporalmente ausente e est%, de certo modo, como se estivesse morto. Seu parente
pr$*imo, ou melhor, seu parente mais pr$*imo, é aora a assem(léia dos prelados da Ire/a.
Em(ora, e"etivamente, todos os verdadeiros cristãos possam retamente ser ditos parentes
pr$*imos de ,risto, con"orme Ele pr$prio no!lo atesta, di+endo4
D(odo a2uele 2ue fizer a vontade de meu !ai=
2ue est0 nos <us=
esse < o meu irm/o e irm/ e m/eDI
)at. 16, 50
são, todavia, os pastores da Ire/a, a cu/o ministério pertence ensinar, (ati+ar, instruir nos
demais sacramentos, con"irmar os que crEem e erar para ,risto a descendEncia espiritual,
os que ma*imamente lhe são mais pr$*imos.
Isaías nos "ala da descendEncia de ,risto com as seuintes palavras4
DSe ofereer a sua alma %elo %eado=
45
ver0 uma desendJnia %erdur0vel=
e a vontade do Sen5or
em sua m/o ser0 governadaD.
Is. 5:, 10
,a(e ao parente pr$*imo de ,risto, isto é, ao coro dos santos prelados, providenciar de
todos modos para que, através do ensino, em nenhum tempo lhe "alte esta descendEncia. De
"ato, quando os santos doutores ensinam, não eram para si, mas para o Senhor, porque ao
erarem a prole espiritual através do ensino, não (uscam o seu louvor, mas o de ,risto. E /%
que todas as coisas que "a+em, o "a+em para a l$ria de Deus, verdadeiramente podem di+er4
D8/o a n9s= Sen5or=
n/o a n9s=
mas ao teu nome d0 a gl9riaD.
Salmo 11:, M
8ssim como o parente mais pr$*imo de Kute HKute 9,8I, os santos prelados ou doutores da
Ire/a tam(ém possuem dois cal#ados interiores, pelo conhecimento da verdade e pelo amor
da virtude, e dois cal#ados e*teriores, pela palavra do ensino e pelo e*emplo da (oa o(ra.
7uem estiver desprovido de um ou de am(os destes cal#ados não ser% id1neo para suscitar a
descendEncia para ,risto.
.ara que nos utili+emos não de nossas palavras, mas das dos santos padres,
o doutor da Ire/a deve resplandecer tanto pela vida como pela doutrina, pois a doutrina
sem a vida o torna arroante, e a vida sem a doutrina o torna in@til. C ensino do sacerdote
deve ser con"irmado pelas o(ras, para que aquilo que ensina pela palavra o demonstre pelo
e*emplo. J verdadeira, de "ato, aquela doutrina & qual se seue a "orma de viver, e nada é
mais torpe do que o despre+o em cumprir pela o(ra o (em que se ensina. C ensino aproveita
com utilidade quando é e"etivamente cumprido.
,ada doutor, portanto, deve dedicar!se para que possua tanto os (ens da
o(ra como os (ens do ensino, pois qualquer uma destas coisas sem a outra não produ+
aproveitamento. De "ato, assim como a doutrina sem a vida, tam(ém a vida sem a doutrina
não é su"iciente. Cs prelados devem viver santamente por causa do e*emplo e ensinar
piedosamente por causa do o"ício que lhes "oi con"iado, na certe+a de que não se salvarão
apenas pela sua pr$pria /usti#a, pois de suas mãos lhes ser% e*iida tam(ém a alma de seus
s@ditos. De que lhes aproveitar% não serem punidos pelos seus pecados se "orem punidos
pelos alheiosF Estaríamos mentindo, "alando deste modo, se o pr$prio Senhor, em uma
terrível amea#a, não no!lo tivesse comunicado pelo pro"eta, di+endo4
DHil5o do 5omem=
46
se= dizendo eu ao *m%io6
`-nfalivelmente morrer0s'=
tu n/o l5o anuniares e n/o l5e falares=
%ara 2ue ele n/o se retire
de seu amin5o *m%io e viva=
este *m%io morrer0 na sua ini2uidade=
mas eu re2uererei de tua m/o o seu sangue.
Se= %or<m= avisares o *m%io=
e ele n/o se onverter de sua im%iedade
e de seu mau amin5o=
morrer0 ele %or erto na sua ini2uidade=
mas tu livraste a tua alma.
+o mesmo modo=
se o Austo dei)ar a sua Austi.a=
e ometer a ini2uidade=
eu %orei diante dele uma %edra de tro%e.oI
ele morrer0= %or2ue tu n/o l5e advertisteI
morrer0 no seu %eado=
mas eu re2uererei de tua m/o o seu sangue.
Se= %or<m= avisares o Austo %ara 2ue n/o %e2ue=
e ele n/o %ear= viver0 a verdadeira vida=
%or2ue tu o advertiste=
e assim livraste a tua almaD.
E+. :, 1L!61
J, portanto, evidente que nem a doutrina sem a vida, nem a vida sem a doutrina é su"iciente
para que o prelado possa erar para ,risto a prole espiritual. Se, porém, suceder que "alte
uma destas duas coisas, entre as duas alternativas imper"eitas ser% melhor possuir uma santa
rusticidade do que uma eloq'Encia pecadora. Se, porém, "altarem am(as, este prelado não
somente ser% in@til para suscitar a descendEncia para ,risto, como tam(ém, como %rvore
in"rutí"era que ocupa a terra, ser% pre/udicial para os que lhe "orem con"iados. De onde que a
Santa Ire/a com mérito não reconhece como parente pr$*imo de ,risto semelhante pastor
que somente de nome, e não tam(ém de "ato, preside pelo poder e não pela utilidade, e
humildemente pede a 0oo+, isto é, a qualquer doutor da Ire/a, rico pela palavra de
sa(edoria e de ciEncia e "orte pelo vior das virtudes, que suscite a descendEncia espiritual
para conservar a perenidade do nome cristão HKute :,MI. De "ato, o doutor da Ire/a é
parente pr$*imo de ,risto pela ra#a da doutrina, mas h% ainda
Doutro %arente mais %r9)imo do 2ue eleD=
Kute, :, 16
que é o pastor, a quem "oi con"iado o cuidado das almas, que é ainda mais pr$*imo pelo
dever e pela o(ria#ão do cuidado pastoral. Este, reverentemente advertido diante dos
anciãos de 0elém HKute 9,6I, isto é, diante dos homens mais per"eitos da santa Ire/a, para
que se empenhe no o"ício de que é incum(ido, na medida em que se recusa em cumpri!lo
HKute 9,5I, como que perde, "req'entemente pela providEncia da ra#a divina, am(os os
47
cal#ados HKute 9,8I, na medida em que recusa a solicitude de reer pela qual deveria
"ecundar a santa Ire/a por uma prole espiritual. Em seu luar, o doutor da Ire/a rece(e
am(os os cal#ados HKute 9,10I, na medida em que, su(stituindo!o, instrui incessantemente a
santa Ire/a pela palavra e pelo e*emplo para que, para a honra de ,risto, se/a ela "ecundada
pela descendEncia espiritual. ?oi assim que, para o luar de 2udas, o sínodo dos ap$stolos
escolheu )atias, e no luar dos /udeus entrou a plenitude dos entios, con"orme o pr$prio
Senhor o havia predito aos /udeus4
D? @eino de +eus vos ser0 tirado=
e ser0 dado a um %ovo
2ue %roduza os seus frutosD.
)at. 61, 9:
Daqui procede tam(ém ter sido dito ao (ispo de ?iladél"ia4
DSuarda o 2ue tens=
%ara 2ue ningu<m tome a tua oroaDI
8poc. :, 11
e iualmente, ao (ispo de J"eso4
D(en5o ontra ti
2ue dei)aste a tua %rimeira aridade.
"embra-te %ois de onde a*ste=
arre%ende-te e volta Gs tuas %rimeiras obras=
do ontr0rio virei a ti
e removerei o teu andelabro do teu lugarD.
8poc. 6, 9!5
De "ato, o candela(ro de qualquer pastor répro(o é removido de seu luar quando, por
e*iEncia de seus pecados, a dinidade eclesi%stica que lhe "oi concedida lhe é retirada como
a um in@til e indino e trans"erida a outro dino e capa+ de produ+ir "rutos. Bal é o que
vemos acontecer com "req'Encia, isto é, que os répro(os, a"astados de seus caros, são
su(stituídos por outros pelos quais os deveres da Ire/a são e*ercidos con"orme é devido.
Semelhante pastor, "inalmente, é merecidamente chamado descal#o, na
medida em que, no que di+ respeito ao ministério eclesi%stico, é espoliado das vestimentas
da palavra e do e*emplo, e tam(ém despo/ado tanto do mérito como do prEmio. ;a medida
em que amou erar e propaar a "amília de seus vícios, a(andonou ao outro os cal#ados do
48
ensino e da o(ra, pelos quais deveria ter "ortalecido aos seus, que lhe haviam sido con"iados,
em prepara#ão ao Evanelho da pa+. C*al% que então se cumpra a impreca#ão do salmista4
DSeAa e)terminada
a sua %osteridade=
e 2ue em uma gera./o
se a%ague o seu nomeD.
Salmo 108, 1:
Demos tam(ém no livro de Kute que, com a recusa do parente mais pr$*imo, todas as coisas
que haviam sido do de"unto passaram por priviléio para a posse de 0oo+, que se tornou
seu novo usu%rio HKute 9,MI. Isto sini"ica que, principalmente no que di+ respeito aos
santos e aos per"eitos reitores de almas, eles mesmos "a+em, con"orme no!lo ensina o
Evanelho, as mesmas o(ras que ,risto "E+, e ainda
Das fazem maiores do 2ue estasD.
2o. 19,16
Entende!se tam(ém que eles, assim como 0oo+, comprem todas as coisas Dda %arte do
am%o de Climele 2ue estava %ara ser vendidoD HKute 9,6I, na medida em que renunciam
&s suas coisas e &s suas vontades para o(edecerem & divina vontade. J por isto é que o (em
aventurado .edro di+ a ,risto4
DCis 2ue n9s abandonamos tudo=
e te seguimosD.
)at. 1M, 6L
8ssim "E+ tam(ém o mercador prudente, que
Denontrando uma %<rola %reiosa de grande valor=
vende tudo o 2ue tem e a om%raD.
)at. 1M, 6L
?eitas estas coisas, "elicitaram então os anciãos de 0elém a 0oo+, di+endo!lhe4
DHa.a o Sen5or 2ue esta mul5er=
2ue entra na tua asa=
seAa omo @a2uel e "ia=
2ue edifiaram a asa de -sraelD.
Kute 9, 11
49
Cs anciãos de 0elém oram por 0oo+ em "avor de Kute, o que sini"ica que na santa Ire/a
os per"eitos au*iliam por suas contínuas ora#<es ao prelado eclesi%stico e a toda a
conrea#ão que lhe é con"iada. E assim como Kaquel e Dia edi"icaram a casa de Israel,
assim tam(ém Kute edi"ica a casa de 0oo+, na medida em que a santa conrea#ão con"iada
ao prelado "iel, "ecundada a descendEncia espiritual pelo seu ministério, multiplica!lhe a
posteridade que são os homens espirituais, aluns dos quais se dedicam & contempla#ão,
enquanto outros se ocupam com a a#ão.
DRue ela seAa um e)em%lo de virtude
em QfrataD,
Kute 9,11
resplandecendo na Ire/a universal pela sua o(ediEncia.
DRue ela ten5a um nome <lebre
em Fel<mD,
Kute 9,11
di"undindo!se e cele(rando!se a sua (oa "ama por toda a Ire/a.
E, "inalmente,
D2ue a tua asa se torne
omo a asa de Har<s=
2ue (amar deu G luz de ;ud0=
%ela desendJnia 2ue o Sen5or te der desta AovemD.
Kute 9,16
Isto ocorrer% sempre que muitos entre os que dela "orem erados pelo ensino, puri"icados
dos antios pecados pelo amaror de uma salutaríssima con"issão e, em seuida, escolhidos
e divididos entre v%rios outros principalmente pelo dom da ciEncia e da virtude, mere#am
alumas ve+es ser e*altados & culminAncia de reer a Ire/a. Bamar, e"etivamente, sini"ica
`amargor', 2udas sini"ica `o 2ue onfessa', e ?arés sini"ica `divis/o'. E nisto a
descendEncia de ?arés, a quem Bamar deu & lu+, teve uma divisão mais duradoura do que a
das demais tri(os de Israel, pois dela procedeu, com a linhaem de Davi, a dinidade real,
con"orme tam(ém se declara no livro de Kute, onde est% escrito4
DCstas s/o as gera.Oes de Har<s6
50
Har<s gerou a Csron=
Csron gerou a 1ram=
1ram gerou a 1minadab=
1minadab gerou a 8aason=
8aason gerou a Salmon=
Salmon gerou a Fooz=
Fooz gerou a ?bed=
?bed gerou a -sa*=
tamb<m on5eido omo ;ess<=
e -sa* gerou a +aviD.
Kute, 9, 18!66
8ora, portanto, irmãos caríssimos, retornando a n$s mesmos, dese/emos
que este 0oo+ espiritual sempre nos presida, e temamos que aquele in@til parente pr$*imo
reine so(re n$s. 7uando é dado & Ire/a um (om pastor, ele provém do dom de Deus.
7uando, porém, é um répro(o que preside, isto ocorre porque assim o e*iem os pecados
do povo, pois, con"orme o declaram as Escrituras, Deus "a+ reinar o hip$crita so(re os
homens por causa dos pecados do povo H2$ :5,8!MI. C reitor desordenado, portanto, na
medida em que os homens reconhe#am terem rece(ido o reime de um pontí"ice perverso
por causa de seus pr$prios méritos, não deve ser /ulado pelo povo. Deus, e"etivamente,
disp<e a vida dos overnantes de acordo com os méritos do povo, como é mani"esto no
e*emplo do pecado de Davi, o qual pecou & semelhan#a dos príncipes que prevaricam por
causa do mérito do povo. Se o reitor e*or(itar da "é dever% ser repreeendido pelos s@ditos,
mas pelos costumes répro(os mais dever% ser tolerado pela ple(e do que despre+ado. 8ora,
portanto, caríssimos, não presumamos despeda#ar temerariamente os prelados naquilo em
que eles tenham procedido desordenadamente. Seundo a senten#a do (em aventurado S.
Nre$rio, nenhum de n$s, mesmo que in/ustamente ordenado, repreeenda temerariamente a
senten#a de seu pastor, para que não ocorra que, ainda que in/ustamente ordenado, pela
so(er(a de uma repreensão inchada sur/a uma culpa que antes não e*istia. Se, porém,
virmos um verdadeiro 0oo+ solicitamente suscitar a descendEncia espiritual para propaar o
nome de ,risto pela palavra do ensino e pelo e*emplo da (oa o(ra, aleremo!nos. E n$s
mesmos, (em vivendo, e admoestando!nos um ao outro, empenhemo!nos em ser seus
consortes no mérito, para que mere#amos tornar!nos tam(ém seus consortes no prEmio.
E que para tanto se dine vir em nosso au*ílio ;osso Senhor 2esus ,risto,
que é, em tudo, Deus (endito, pelos séculos dos séculos.
8mén.
51
SERMO L&
So"re todo' o' S#)to'+
Diletíssimos irmãos, ,risto 2esus, ;osso Salvador, esposo da santa Ire/a
universal, louva eleantemente no ,Antico dos ,Anticos o variado e m@ltiplo "ruto de sua
esposa. Ele dese/a, por meio deste louvor, incentiv%!la e in"lam%!la a coisas ainda maiores.
Dela Ele di+, em alum luar, o seuinte4
D;ardim fe5ado <s=
irm/ min5a es%osa=
Aardim fe5ado= fonte selada.
(uas %roedJnias s/o um %ara*so de rom/s
om 0rvores frut*feras.
?s i%res om o nardo=
o nardo om o a.afr/o=
a ana arom0tia e o inamomo=
om todas as 0rvores do "*banoI
a mirra e o alo<s=
om todos os %rimeiros ungTentosD.
,ant. 9,16!1:
Em todas estas coisas o esposo se alera e se conratula com a esposa, e o (em da esposa é
louvado com eleAncia pelo esposo. 8 pr$pria santa Ire/a no ,Antico dos ,Anticos é
chamada por v%rios nomes. 8lumas ve+es, e"etivamente, é chamada de esposa, outras de
amia, de irmã, de pom(a, de (ela ou de "ormosa. Ela é, de "ato, esposa pela "é, amia pelo
amor, irmã pela participa#ão da heran#a celeste, pom(a pela simplicidade, "ormosa pela
do#ura da /usti#a.
D;ardim fe5ado <s=
irm/ min5a es%osa=
Aardim fe5adoD.
52
.elo /ardim da santa Ire/a entendemos a sua santa conversa#ão, da qual incessantemente
vemos oriinar!se o re(ento das virtudes e das (oas o(ras. ,orretamente este /ardim é dito
"echado, por ser de"endido em toda a sua volta pela "orte uarni#ão da disciplina, para que
não aconte#a que o inimio trai#oeiro irrompa em alum luar e arranque e leve a planta#ão
da /usti#a. Este /ardim é nomeado a(ertamente por duas ve+es, para com isto desinar
mani"estamente seu duplo "ruto, a sa(er, a "é e a o(ra, ou os casados e os continentes, ou
tam(ém a distin#ão de Deus e do povo, ou certamente a vida ativa e a contemplativa. Est%,
portanto, escrito4
D;ardim fe5ado <s=
irm/ min5a es%osa=
Aardim fe5ado= fonte seladaD.
,ant. 9, 16
.ela "onte deste /ardim entende!se a sa(edoria celeste. Esta "onte, como para irriar o
paraíso, divide!se em quatro rios, na medida em que a divina sa(edoria se estende so(re toda
a Ire/a pela prea#ão dos quatro evanelhos. Este /ardim tam(ém no!lo é corretamente
apresentado como selado, porque a sa(edoria de Deus est% velada nas Saradas Escrituras
por muitos e diversos enimas. .or isto é que o 8p$stolo .aulo di+4
D!regamos a sabedoria de +eus no mist<rio=
2ue est0 enoberto=
2ue +eus %redestinou antes dos s<ulos
%ara a nossa gl9riaD.
I ,or. 6, L
Este é aquele livro selado, do qual di+ Isaías4
DRuando o derem a um 5omem 2ue sabe ler=
e l5e disserem6 `"J este livro'I
ele res%onder06 `8/o %osso= %or2ue est0 selado'D.
Is. 6M, 11
Brata!se tam(ém do mesmo livro da vida, aquele so(re o qual o (em aventurado 2oão a"irma
ter visto
D8a m/o direita do 2ue estava sentado sobre o trono=
um livro esrito %or dentro e %or fora=
53
selado om sete selos=
2ue ningu<m %odia=
nem no <u= nem na terra=
nem debai)o da terra=
abr*-lo= nem ol5ar %ara ele=
sen/o o le/o da tribo de ;ud0=
a estir%e de +avi=
2ue veneu e era omo um Cordeiro
2ue %areia ter sido imolado=
o 2ual tin5a sete 5ifres e sete ol5os=
2ue s/o os sete es%*ritos de +eus
mandados %or toda a terraD.
8poc. 5, 1!5
Somente Ele p1de a(rir esta "onte ou este livro. Somente Ele p1de tam(ém, com todo o
direito, di+er aos seus discípulos4
D1 v9s < onedido on5eer
o mist<rio do @eino dos C<usD.
)t. 1:, 11
.or isto é que est% tam(ém escrito em outro luar dEle e de seus discípulos4
D1briu-l5es o entendimento=
%ara 2ue om%reendessem as CsriturasD.
Duc. 69, 95
;inuém, portanto, poder% provar o osto desta "onte salutar senão aquele a quem o
Salvador, o @nico que a a(re a a "echa, dinar!se a(rir o seu selo. )as não poder% tam(ém
possuir os "rutos deste /ardim aquele a quem esta "onte não "ornecer uma salutar irria#ão, o
pr$prio Salvador demonstrando que a(re a aluns e "echa a outros o rio desta "onte, quando
di+ aos seus discípulos4
D1 v9s < onedido on5eer
o mist<rio do @eino dos C<us=
mas a eles n/o l5es < onedidoI
%or isso l5es falo em %ar0bolas=
%ara 2ue vendo n/o veAam=
e ouvindo n/o ou.amD.
54
)at. 1:, 11!1:
E, em outro luar, di+ ao .ai4
DSra.as te dou= 9 !ai=
Sen5or do <u e da terra=
%or2ue esondestes estas oisas
aos s0bios e aos %rudentes=
e as revelaste aos %e2ueninosD.
)at. 11, 65
C /ardim, portanto, é "echado, e a "onte é selada. C /ardim é "echado pela disciplina, a "onte
é selada pela aleoria. C /ardim é "echado para que nela não irrompa o inimio trai#oeiro- a
"onte é selada para que o estranho não (e(a dela. C /ardim é a /usti#a- a "onte, a sa(edoria.
C esposo "ala primeiro do /ardim "lorescente e da "onte irriante. Depois e*p<e mais
amplamente o "ruto do "lorescimento e da irria#ão, di+endo4
D(uas %roedJnias
s/o um %ara*so de rom/s
om 0rvores frut*ferasD.
.rocedem da santa mãe Ire/a os seus partos espirituais. ;esta passaem, porém,
mencionam!se principalmente os m%rtires, desinados pelo nome de romãs, os quais são
admitidos no céu saindo do mundo e procedendo da Ire/a. 8 Ire/a não os perde, mas os
envia e con"ia ao ,risto. 8s romãs, pelo seu suco, são a+edas em seu interior e contém
sementes ru(ras. São, por isto, "iuras dos m%rtires, os quais podem ser ditos ru(ros não
apenas e*teriormente, como tam(ém interiormente, porque h% dois Eneros de martírio, um
interior e outro e*terior, um no cora#ão e outro na carne, e de nada vale o que é e*terior se
"alta o que deve ser interior. De "ato, de nada aproveita a pai*ão da carne a quem "alta a
compai*ão do cora#ão, con"orme est% escrito4
D(oda a gl9ria do rei %rov<m do interiorD.
Salmo 99, 19
8s romãs que procedem deste /ardim são comparadas ao paraíso porque assim como o
paraíso é repleto de diversas %rvores, assim tam(ém a santa Ire/a é repleta e densamente
ornamentada de in@meros m%rtires. 7uem, de "ato, entre os calculadores mais peritos poder%
compreender ainda que apenas o n@mero talve+ centen%rio ou milen%rio dos m%rtiresF Dos
55
quais, con"orme clama a Escritura, aluns "oram mortos em "erros, outros queimados pelas
chamas, outros ainda a#oitados pelo chicote, a"oados na %ua, escalpelados vivos,
per"urados pelos nari+es, atormentados no patí(ulo, aprisionados &s correntes, outros
tiveram suas línuas cortadas, "oram mortos por apedre/amento, so"reram "rio e "ome,
tiveram cortadas mãos e partes do corpo ou "oram entreues, por causa do nome do Senhor
que levavam, como espet%culo ao despre+o do povo H=e(. 11,:5!:8I.
.ode ser causa de admira#ão como o martírio se compara ao paraíso, se o
martírio possui amarura enquanto que o paraíso possui aleria. Isto não ser% causa de
espanto, porém, se e*aminarmos o assunto com mais diliEncia. Bodos os Eneros de
tormentos "oram causa de aleria para os santos m%rtires, e tudo para eles era doce. C que o
poder adverso lhes podia in"rinir pelo nome da cristandade era tido por eles como pouco,
con"orme est% escrito dos ap$stolos4
DSa*ram os a%9stolos da %resen.a do Consel5o
ontentes %or terem sido a5ados dignos
de sofrer afrontas %elo nome de ;esusD.
8tos 5, 91
E o 8p$stolo .aulo, considerando quão rande dom era para ele poder so"rer por ,risto,
di+, escrevendo aos ?ilipenses, que
D1 v9s < dado %or amor de Cristo
n/o somente 2ue reiais nele=
mas tamb<m 2ue sofrais %or eleD.
?il. 1, 6M
Di+ ainda o ,Antico dos ,Anticos4
D+e ti %roede um %ara*so
de 0rvores frut*ferasD.
Cs santos m%rtires tEm "rutos no mundo e tEm "rutos no céu. ;o mundo tEm os "rutos da
/usti#a, no céu tEm os "rutos da l$ria. ;o mundo, os "rutos do mérito- no céu, os "rutos do
prEmio.
D?s i%res om o nardo=
o nardo om o a.afr/oD.
56
C cipre é uma erva arom%tica do Eito, de semente (ranca e odorí"era, que se co+inha no
$leo para depois espremer!se. Dele se prepara um un'ento chamado real. C cipre,
portanto, é o dom de reinar. Desina o discernimento, e pode!se entender com certe+a que
ele sini"ica convenientemente os reitores de almas.
C nardo é uma erva de pouca estatura- desina, por isso, os s@ditos
humildes.
C a#a"rão, sendo de cor dourada, desina corretamente aqueles que ensinam
resplandecendo de sa(edoria celeste.
.ensamos que as Escrituras nos apresentam aqui os cipres no plural,
enquanto que todos as demais coisas que se lhe seuem no!las são apresentadas no sinular,
para que por isto possamos entender que qualquer prelado deve ser, entre todos, rico de
todas as virtudes e (oas o(ras. Eis o motivo pelo qual o (em aventurado 8ostinho
preceituava so(re o prelado, di+endo4
D?fere.a-se %ara om todos
omo e)em%lo de boas obras.
CorriAa os in2uietos= onsole os %usilEnimes=
soorra os enfermos=
seAa %aiente %ara om todos.
Siga a disi%lina om alegria=
mas saiba tamb<m im%L-la om res%eito.
C= embora ambas estas oisas seAam neess0rias=
todavia mais deseAe ser amado do 2ue ser temidoD.
Ensinados por estas palavras do (em aventurado 8ostinho, os prelados devem dedicar!se a
todos os que lhe "orem con"iados com toda a (ondade, e es"or#ar!se para que, pela plenitude
de suas virtudes, "eitos tudo para todos, aproveitem a todos. Cs cipres com o nardo são,
portanto, os prelados quando se su(metem humildemente aos preceitos divinos /untamente
com os seus s@ditos. .or isso é que est% escrito4
DSe te onstitu*rem %ara governar=
n/o te ensoberbe.as %or issoI
%ermanee entre eles omo um deles mesmosD.
Ecles. :6, 1
7uando, de "ato, os santos reitores, con"orme o devem, di+em o que é reto e /untamente
com os seus s@ditos "a+em humildemente o que di+em, verdadeiramente então serão cipres
com nardo.
57
C nardo est% com o a#a"rão quando as multid<es dos humildes s@ditos,
apro*imando!se dos santos doutores resplandecentes de sa(edoria celeste, ouvem de (oa
vontade sua doutrina salutar e, crendo e operando com "idelidade, assentem &s suas
palavras, cumprindo o preceito do 8p$stolo Biao, quando di+4
DSeAa todo 5omem %ronto %ara ouvir=
tardo %or<m %ara falar e tardo %ara se irarD.
B. 1, 1M
;estes tam(ém cumpre!se o testemunho de )oisés, que di+ destes homens4
D?s 2ue se a%ro)imam dos %<s do Sen5or=
reebem de sua doutrinaD.
Deut. ::, :
Cs pés do Senhor, de "ato, são os santos doutores, que pelo seu ensino condu+em o cora#ão
dos que os ouvem. Kece(em por meio deles a doutrina do Senhor aqueles que se apro*imam
com humildade de seus pés, porque est% escrito4
D12uele 2ue anda om os s0bios= ser0 s0bioI
o amigo dos insensatos= %or<m=
tornar-se-0 semel5ante a elesD.
.rov. 1:, 60
,ontinua o ,Antico4
D1 ana arom0tia e o inamomoD.
8 cana é uma pequena %rvore arom%tica, de casca ro(usta e purp@rea, @til para curar as
doen#as das vísceras. .ode sini"icar, portanto, todos os que pelo temor de Deus, que é
princípio da sa(edoria, se arrependem de seus pecados e que, pela verdadeira con"issão,
puri"icam as vísceras de seus cora#<es espirituais do pernicioso amontoado dos torpes
pensamentos. De "ato, os que se arrependem verdadeiramente se tornam como aqueles que
pela cana arom%tica são curados das doen#as de suas vísceras quando, pela per"eita
con"issão do que se oculta em suas mentes, se puri"icam de sua maldade. São, portanto,
cana arom%tica todos aqueles que, pela ra#a do arrependimento, da con"issão, ou mesmo
58
de admoesta#<es mais e"ica+es, e*pelem as doen#as interiores dos pecados ocultos, tanto em
si mesmos como nos outros.
C cinamomo é uma %rvore pequena, odorí"era, doce, de cor cin+enta, duas
ve+es mais @til para uso medicinal do que a cana arom%tica. ,hama!se cinamomo porque sua
casca se "orma ao modo da cana. E porque a cana, quando cortada para este "im, costuma
emitir sons na (oca das crian#as, pode!se desinar pelo cinamomo a con"issão dos santos
sacerdotes, como 2er1nimo, Nre$rio, 8ostinho e 8m(r$sio, e todos os que "oram como
eles. De "ato, na medida em que estes não apenas creram pelo cora#ão para a /usti#a, mas
tam(ém pela (oca con"essaram para a salva#ão HKom. 10,10I, estendendo para lone a
escuta da salva#ão, podem!se entender pelo cinamomo, cu/a casca se "orma circun"le*a ao
modo da cana sonora, os santos con"essores. 8ssim como, portanto, entendemos pela cana
arom%tica os arrependidos e aqueles que, pela verdadeira con"issão, e*pelem de seus
cora#<es as doen#as dos pecados, assim tam(ém, pelo cinamomo, entendemos os santos
con"essores.
DCom todas as 0rvores do "*banoD.
Dí(ano, tradu+ido, sini"ica a a#ão de alve/ar. 8s %rvores do Dí(ano, ademais, se destacam
entre todas as %rvores pelo modo como crescem para o alto. 8ssim é que encontramos, na
pro"ecia de E+equiel, que para poder descrever!se a su(limidade, ou melhor, a so(er(a de
8ssur, esta "oi comparada &s %rvores do Dí(ano4
DCis 1ssur omo o edro no "*bano=
formoso %elos ramos=
frondoso %ela fol5agem e e)elso %ela altura=
e entre as suas densas ramadas elevou a sua o%aD.
E+. :1, :
.elas %rvores do Dí(ano, portanto, pode!se convenientemente entender o coro das santas
virens, que se eruem para o alto pela eleva#ão de sua pure+a, e que, pelos dons da mesma,
mais alto do que os demais se apro*imam dos (ens celestes. De "ato, a per"ei#ão das virens
é mais celeste do que terrena. Sua vida é mais anélica do que humana, pois a virindade
tem como que um parentesco com os an/os. 8s %rvores do Dí(ano são as santas virens
como InEs, ,ecília, Oata, D@cia e todas as outras cu/os nomes não podem ser aqui
enumerados. 8 santa mãe Ire/a, com todas as plantas precedentes, possui tam(ém as
%rvores do Dí(ano, porque /untamente com os santos mencionados possui tam(ém as santas
virens, alve/antes pela sua pure+a e elevando!se su(limemente aos (ens celestes.
D1 mirra e o alo<sD.
59
Estas duas espécies possuem tal amaror que quando se unem os corpos com elas, "icam
proteidos da putre"a#ão. ,omo a mirra, porém, possui maior "or#a do que o aloés, por
causa disto entendemos por ela a continEncia e pelo aloés a a(stinEncia. 8 a(stinEncia, de
"ato, é pesada, mas a continEncia é ainda mais pesada. 8 mirra e o aloés repelem os vermes e
a podridão dos corpos- a continEncia e a a(stinEncia repelem as corrup#<es dos vícios do
cora#ão e do corpo. Cu, mais corretamente, entendemos melhor nesta passaem pela mirra e
pelo aloés os pr$prios continentes e a(stinentes que se e*ercitam a si mesmos por estas
virtudes.
DCom todos os %rimeiros ungTentosD.
Cs primeiros un'entos são os dons principais, isto é, a caridade e a pro"ecia. C ap$stolo
.aulo, ap$s enumerar os dons espirituais, acrescenta4
D4ou mostrar-vos um amin5o
ainda mais e)elente.
1inda 2ue eu falasse as l*nguas
dos 5omens e dos anAos=
se n/o tivesse aridade=
seria omo o bronze 2ue soa=
ou o *mbalo 2ue tineI
nada seria= nada me a%roveitariaD.
I ,or.16,1-1:,1!:
E a seuir, pouco depois4
D1gora= %ois= %ermaneem a f<=
a es%eran.a e a aridade=
mas a maior delas < a aridadeD.
I ,or. 1:, 1:
DSegui a aridadeD, di+ ainda São .aulo, Demulai os dons es%irituaisDHI ,or. 19,1I, isto é,
amai os dons divinos.
DSobretudo= %or<m= a %rofeiaD,
I ,or. 19, 1
60
isto é, o ensino. 8ssim, em primeiro luar São .aulo nos recomenda a caridade- recomenda,
depois, que pro"eti+emos, isto é, que ensinemos, pois o ensino é aquilo que mais pr$*imo
reside do "ruto da caridade.
,aríssimos, estas são as rique+as espirituais da santa mãe Ire/a, deste
/ardim tão "értil, desta "onte da qual emana tanta rique+a. Imitemos, caríssimos, a mãe Ire/a
em todas estas coisas, para que com ela mere#amos contemplar o esposo em seu esplendor,
e com a esposa alcancemos a l$ria no céu. Benhamos tam(ém n$s um paraíso de romãs,
padecendo constantemente adversidades por ,risto e compadecendo!nos cotidianamente
dos oprimidos. Benhamos cipres, reendo!nos com discernimento. Benhamos o nardo,
su(metendo!nos humildemente aos nossos prelados- o a#a"rão, e*pelindo nossos pecados
pelo pranto e pela con"issão de nossos cora#<es- o cinamomo, entoando a#ão de ra#as
pelos (ene"ícios rece(idos- as %rvores do Dí(ano, e*i(indo o(ras de pure+a- a mirra,
contendo!nos dos a"aos da carne- o aloés, a(stendo!nos tam(ém das comidas lícitas- e
todos os primeiros un'entos, pela posse dos principais dons.
Esta é a via, por ela caminhemos, para que possamos chear & "elicidade que
possuem milhares de santos.
E que para tanto se dine vir em nosso au*ílio 2esus ,risto, ;osso Senhor,
que é Deus, (endito pelos séculos.
8mén.
61
SERMO L&I
So"re # O"r# do' Sei' Di#'
D8o %rin*%io riou +eus o <u e a terraD.
Nen. 1,1
;o primeiro dia "E+ Deus a lu+ primordial, no seundo o "irmamento, no
terceiro conreou as %uas in"eriores em um @nico luar, no quarto "E+ os luminares, no
quinto as aves e os pei*es, no se*to os animais. ,riado, pois, o mundo, ordenado e
ornamentado, e preparado primeiro tudo o que "osse necess%rio, c1modo e arad%vel ao
corpo do homem, naquele mesmo se*to dia "E+ tam(ém Deus o homem, constituindo!o
senhor de tudo e possuidor de todas as coisas. Deste modo, em(ora tenha sido criado
posteriormente no tempo, por causa de sua dinidade, o homem é anterior e superior a todas
as demais criaturas. Deus "E+, e"etivamente, o mundo sensível por causa do homem, para
que o mundo estivesse su(metido ao seu corpo, o corpo ao espírito, e o espírito ao ,riador.
.reparou tam(ém o ,riador dois (ens para o homem, visto ele ter sido "eito
de uma dupla nature+a. Gm destes (ens era visível, o outro invisível- um era corporal, o
outro espiritual- um transit$rio e outro eterno, am(os plenos e per"eitos em seus Eneros. C
primeiro destes (ens "oi "eito para o corpo, o seundo para o espírito, para que pelo
primeiro os sentidos do corpo "ossem "avorecidos & aleria e pelo seundo os sentidos da
alma se saciassem pela "elicidade. .ara o con"orto do corpo e para a aleria do espírito, os
(ens visíveis haviam sido "eitos para o corpo e os invisíveis para o espírito. C primeiro
destes (ens "oi concedido por Deus para que "osse ratuitamente possuído- o seundo "oi
prometido para que "osse (uscado pelo mérito. C (em que era visível "oi concedido
ratuitamente, para que, pelo dom ratuito, "icasse demonstrada a e*celEncia da promessa- e
o que era invisível "oi proposto para que "osse (uscado pelo mérito, para que pudesse
tam(ém ser demonstrada a "idelidade de quem o prometia. Depois que o homem, porém,
o(scurecido pelas trevas do pecado, perdeu o olho da contempla#ão, a totalidade das coisas
visíveis não somente continuou a lhe o"erecer o amparo para a sustenta#ão do corpo, como
tam(ém passou a lhe prestar o au*ílio para a apreensão do conhecimento divino. De "ato,
est% escrito4
D1s oisas invis*veis de +eus=
62
de%ois da ria./o do mundo=
tornaram-se vis*veis ao entendimento
%elas oisas 2ue foram feitasD.
Kom. 1, 60
BrEs são as coisas invisíveis de Deus4 a potEncia, a sa(edoria e a (eninidade, e destas trEs
procede tudo o que "oi "eito. 8 potEncia cria, a sa(edoria overna, a (eninidade conserva.
Estas trEs coisas, porém, assim como em Deus são ine"avelmente apenas uma @nica, assim
tam(ém não podem ser separadas nas opera#<es e*teriores de Deus. ;elas a potEncia divina
cria pela (eninidade com sa(edoria, a sa(edoria overna pela potEncia (eninamente e a
(eninidade conserva pela sa(edoria com poder. 8 imensidade das criaturas mani"esta a
potEncia divina, a (ele+a a sua sa(edoria, e a utilidade a sua (eninidade. 8 cria#ão das
coisas visíveis é um rande dom de Deus e um rande (em para homem pois por elas o
corpo é sustentado e a alma, iluminada pela contempla#ão das mesmas, é admiravelmente
su(limada ao conhecimento, & admira#ão e ao amor de seu ,riador.
E"etivamente, o Deus escondido chea & notícia do homem de quatro
maneiras, das quais duas são interiores e duas são e*teriores. Interiormente, pela ra+ão e
pelo dese/o- e*teriormente, pela criatura e pela doutrina. 8 ra+ão e a criatura pertencem &
nature+a, o dese/o e a doutrina pertencem & ra#a.
Ditas estas coisas, e tendo mencionado (revemente a o(ra dos seis dias,
ve/amos que ensinamentos morais se encontram escondidos nas mesmas e investiuemos
com diliEncia o que nos poder% ser de proveito para a nossa edi"ica#ão.
D8o %rin*%io riou +eus o <u e a terraD.
Nen. 1,1
C céu é o espírito, a terra é o corpo. .elo céu, de "ato, pode!se convenientemente entender
o espírito do homem, "ormado & imaem e semelhan#a de Deus, criado para o
conhecimento, para o amor e para a (usca e a posse dos (ens celestes. .ela terra
entendemos o corpo do homem, que é de terra, e & terra muito (revemente haver% de
retornar, con"orme se encontra escrito4
D(u <s terra= e G terra 50s de voltarD.
Nen. :,1M
,éu, que na línua latina se di+ oelum, vem de elare, que sini"ica ocultar.C céu,assim, é
o espírito, porque ao seu (el pra+er nos oculta as coisas que h% nele, do mesmo modo como
tam(ém est% escrito4
DRual dos 5omens on5ee as oisas
2ue s/o do 5omem=
63
sen/o o es%*rito do 5omem=
2ue est0 neleMD
1 ,or 6,11
8 terra, por sua ve+, é o corpo, porque cotidianamente esmaado, !teritum na línua latina!,
até que & terra retorne. C céu, tam(ém, é o espírito e a terra é o corpo porque assim como o
céu é mais su(lime e mais s$lido do que a terra, assim tam(ém o espírito é mais e*celente do
que o corpo.
C mundo, em seu caos primordial, é o homem em sua iniq'idade. 8ssim
como, de "ato, no mundo ainda envolvido no caos primordial não havia nem lu+ nem
aparEncia de ordem "utura, assim tam(ém para o homem su(metido & iniq'idade nem a lu+
(rilha pelo conhecimento da verdade, nem a ordem se "a+ presente pela disposi#ão da
eq'idade.
Em meio ao caos Deus cria, no primeiro dia da vida espiritual, a lu+
primordial, quando, pelos raios de uma lu+ interior, ilumina o pecador imerso na con"usão de
seus diversos pecados, para que conhe#a não s$ o que ele é como tam(ém e o que deve ser,
e se disponha a si mesmo seundo a norma do reto viver. 8 lu+ primordial sini"ica,
portanto, o conhecimento do pecado.
C "irmamento entre as %uas superiores e in"eriores é o discernimento entre
os vícios e as virtudes. 8s %uas in"eriores, de "ato, desinam os vícios, e as %uas
superiores as virtudes. ,oloca!se um "irmamento entre am(as as %uas quando pela virtude
do discernimento distin'em!se as virtudes dos vícios e os vícios das virtudes.
Sucede!se depois a conrea#ão das %uas que estavam so( o "irmamento.
8 conrea#ão das %uas sini"ica o domínio dos vícios. Cs vícios, de "ato, não podem nesta
vida ser inteiramente evacuados ou eliminados dos rec1nditos da nature+a humana por causa
de seus auilh<es que residem naturalmente em n$s- devem, portanto, o quanto "or possível,
mediante o au*ílio da ra#a divina, ser dominados, diminuídos e redu+idos a um @nico luar,
para que não se disseminem pelo todo, tudo ocupem e corrompam, impedindo nossos
sentidos da (usca da verdade, nossos dese/os do e*ercício da virtude e nossos mem(ros da
e*i(i#ão da (oa o(ra. 8ssim como, de "ato, a terra ocupada pelas %uas não pode erminar,
assim n$s, imersos nos vícios, não entenderemos o sentido da (usca da verdade, nem
dese/aremos o e*ercício das virtudes ou poderemos usar de nossos pr$prios mem(ros para a
e*i(i#ão das (oas o(ras. 8s %uas, conreadas em um s$ luar, "a+em com que o ar se
torne claro e aquecido e com que a terra ermine porque, dominados os vícios, a nossa alma
(rilha pelo conhecimento, aquece!se pelo amor, e a carne "ruti"ica pela (oa a#ão.
8 cria#ão dos luminares sini"ica, removida a ne(ulosa ceueira da
inorAncia, a per"eita visão da verdade. C Sol pode sini"icar o conhecimento das coisas que
pertencem & Santa Ire/a- as estrelas o conhecimento das coisas que pertencem a qualquer
criatura ou a qualquer alma "iel.
Cs pei*es, que vivem no mundo in"erior, isto é, nas %uas, sini"icam as
solicitudes das (oas a#<es, e*ercidas entre as ondas escorreadias da vida. 8s aves, que
64
voam nas alturas, sini"icam a contempla#ão dos (ens celestes, pela qual nos elevamos das
coisas in"eriores &s superiores.
Cs animais terrestres sini"icam os sentidos de nosso corpo, pois os animais
tem os sentidos em comum com os homens. 8demais, quando nossos sentidos corporais,
antes corrompidos pela vaidade, são restaurados pela ra#a divina, eles se tornam em n$s
como os animais "eitos por Deus no se*to dia da o(ra da cria#ão.
Keali+adas que "oram todas estas coisas, por @ltimo é criado o homem &
imaem e semelhan#a de Deus pois, ordenadas desta maneira em n$s todas as coisas pelas
virtudes e pelas (oas o(ras, o pecador, que antes era de"orme e dessemelhante pela culpa,
torna!se con"orme e consemelhante a Deus pela /usti#a. C homem, assim criado, é
"inalmente transportado para o paraíso das delícias, pois o pecador reenerado no mundo
pela ra#a é su(limado ao céu pela l$ria.
Eis, irmãos caríssimos, um outro mundo. Banto este mundo maior como o
mundo sensível "oram criados antes de todos os dias. ;os trEs primeiros am(os "oram
ordenados e nos trEs seuintes am(os "oram ornamentados.
3e/amos, pois, caríssimos, se assim como possuímos a e*istEncia pela
cria#ão, tam(ém possuímos a ordena#ão pela ra#a, e o ornamento pela e*celEncia da vida.
3e/amos se e*iste em n$s a lu+ primordial pelo conhecimento dos nossos pecados, se e*iste
o "irmamento pelo discernimento dos vícios e das virtudes, se as %uas se conream pelo
domínio dos vícios, se as %rvores e a erva verde erminam pelo e*ercício das virtudes.
3e/amos tam(ém se h% em n$s luminares pelo conhecimento da verdade, se h% pei*es pela
e*i(i#ão das (oas o(ras, aves pelo v1o da contempla#ão, animais por uma sensualidade /%
imaculada. 3e/amos se em n$s a dinidade humana "oi restaurada pela /usti#a, aquela mesma
que havia sido "oi de"ormada pela culpa, e se, "inalmente, podemos constatar que tudo
quanto "i+emos
D< imensamente bomD,
Nen. 1,:1
para que possamos descansar com Deus e em Deus pela (oa consciEncia.
Se "or tudo assim, tam(ém pela l$ria poderemos nelas descansar, para que
se cumpra em n$s o que se encontra em Isaías, onde se di+4
D+e s0bado em s0bado=
toda a arne vir0 %rostrar-se diante de mim
e me adorar0= diz o Sen5orD.
Is. 55,6:
65
E que, para tanto, dine!se vir em nosso au*ílio 2esus ,risto, Senhor ;osso, que é Deus,
(endito por todos os séculos.
8mén.
66
SERMO L&&
So"re o di# de Pe)te(o'te'
DSra.a e gl9ria
dar0 o Sen5orD.
Salmo 8:, 16
,aríssimos, o homem "oi "eito & imaem e semelhan#a de Deus para isto4
para que pudesse ser participante pela ra#a daquele (em que Deus é por nature+a. O
imaem de Deus "oi "eito seundo a ra+ão, & semelhan#a de Deus seundo o amor. O
imaem seundo o conhecimento da verdade, & semelhan#a seundo o amor da virtude. O
imaem seundo o intelecto, & semelhan#a seundo o a"eto. Deus artí"ice "E+ assim a
criatura & sua imaem e semelhan#a para que, sendo "eito & semelhan#a de Deus, a Deus
amasse e, conhecendo e amando, possuísse a Deus, e possuindo pudesse ser (em
aventurado, assim como em um s$ elemento, a sa(er, o "oo, h% duas coisas diversas e
distintas entre si, isto é, o esplendor e o calor. ;em o esplendor é o calor, nem o calor é o
esplendor, porque o esplendor (rilha e é visto, enquanto que o calor arde e é sentido- nem o
esplendor arde ou é sentido, nem o calor (rilha ou é visto. 8ssim tam(ém na criatura
humana a imaem e a semelhan#a de Deus parecem ser diversas e de certo modo distintas
entre si, pois seundo aquele (em pelo qual "oi "eito & imaem de Deus a pr$pria criatura
humana (rilha para o conhecimento e seundo aquele (em pelo qual "oi "eito & semelhan#a
de Deus aquece!se ao amor. 7ue, porém, a imaem e a semelhan#a de Deus possam ser
tomadas seundo as precedentes distin#<es, os doutores o declaram ao e*porem as palavras
do salmista, onde se lE4
D"evanta sobre n9s
a luz do teu rosto=
9 Sen5orK
-nfundiste no meu ora./o
a alegria.D
Salmo 9,L!8
67
.ela lu+ que se levanta so(re n$s ou em n$s distin'em, de "ato, a divina imaem, que a
apontam na discri#ão da ra+ão- /% pela aleria distin'em a divina semelhan#a, que a
apontam na radiosidade do amor.
C homem, portanto, criado & imaem e semelhan#a de Deus, "oi ele pr$prio
constituído como que na parte mais e*celente da providEncia divina como senhor do mundo
no paraíso das delícias. 8 mesma divina providEncia acrescentou & ra+ão do homem a
advertEncia necess%ria para conservar o (em que possuía e o instruíu na (usca e na o(ten#ão
dos (ens que ele ainda não possuía pelo preceito da o(ediEncia /untamente com a opera#ão
da ra#a. C dem1nio porém viu e inve/ou que aquele homem su(iria pela o(ediEncia ao
luar de onde ele pr$prio pela so(er(a havia caído. ,omo, porém, não poderia causar!lhe
dano pela violEncia, voltou!se para a "raude, para poder vencer pela trapa#a ao homem, a
quem não poderia superar pela virtude. Enanando assim o dem1nio ao homem, in"liniu!lhe
dois males principais que se op<em a estes dois (ens principais, "erindo!o com duas chaas
mortais. Cnde o homem havia sido "eito & imaem de Deus seundo a ra+ão, "eriu!o pela
inorAncia do (em. Cnde o homem havia sido "eito & semelhan#a de Deus seundo o amor,
"eriu!o pelo dese/o do mal. Estes são os dois males principais a partir dos quais procedem
todos os demais males do homem. Da inorAncia procede o delito, da concupiscEncia
procede o pecado. C delito ocorre quando não se "a+ o que deveria ser "eito. C pecado
ocorre quando se "a+ o que não se deve "a+er. C homem, portanto, espoliado e "erido,
espoliado dos (ens, "erido pelos males, "oi dei*ado semivivo, pois ainda que na nature+a
humana a divina semelhan#a que consiste no amor possa ser inteiramente corrompida,
todavia a imaem divina, que est% na ra+ão, não pode ser totalmente apaada. De "ato,
em(ora a malícia possa tomar conta de aluém a tal ponto que nada mais ele possa dese/ar
de (om, ninuém pode, porém, tornar!se ceo por uma tamanha inorAncia que nada mais
possa conhecer da verdade. Isto é patente no pr$prio dem1nio, o príncipe do mal, o qual,
em(ora tenha!se corrompido a tal ponto que nada mais ame do (em, ainda assim não lhe "oi
possível tornar!se ceo a tal ponto que nada mais conhe#a da verdade. ,orretamente,
portanto, se di+ que o homem "oi dei*ado semivivo, pois ainda que pelos males primordiais
tivesse se corrompido em parte, não est%, todavia, inteiramente ceo. ;ão é de se admirar,
pois, que mesmo depois de assim ser "erido, tenha vivido aquele ao qual "oi dei*ada uma
centelha de alum entendimento- a espada do inimio não p1de e*tin'ir completamente o
homem, na medida em que nele não p1de destruir completamente a dinidade do (em da
nature+a.
C salmista canta este entendimento onde di+4
DCria em mim= 9 +eus=
um ora./o %uro=
e renova em mim
um es%*rito retoD.
Salmo 50, 16
.elo cora#ão puro, de "ato, o salmista desina a semelhan#a divina, e pelo espírito reto
desina a divina imaem. Enquanto pede que lhe se/a criado um cora#ão puro, pede que lhe
se/a renovado o espírito reto, indicando com corre#ão que a divina semelhan#a pode ser
68
inteiramente corrompida, enquanto que a divina imaem nunca pode ser totalmente
destruída. 8li, de "ato, onde nada restou de (om, se o (em é restaurado, estar% sendo criado,
e ali, onde alo de (om ainda e*iste, ele se renova. 8 pure+a do cora#ão consiste no per"eito
amor de Deus e a retidão do espírito na sa@de da ra+ão. ,oncorda tam(ém com este sentido
aquele outro verso do Salmo 10:4
D(odos= Sen5or=
es%eram de ti.
Cnvia o teu es%*rito=
e ser/o riados=
e renovareis a fae da terraD.
Salmo 10:, 6L!:0
C homem, portanto, "oi honrado por estes dois (ens principais. ;ão
entendeu, porém, a honra a que tinha sido elevado- e, consentindo ao dem1nio, corrompeu
em si estes dois (ens pelos males de que /% "alamos. ;ão podendo, depois disto, nem
des"a+er!se deste mal, nem sendo capa+ de re"ormar o (em que ainda possuía, a divina
providEncia concedeu!lhe estes dois principais remédios pelos quais poderia curar!se dos
males que lhe haviam sido in"linidos e recuperar os (ens que havia perdido- são estes o
conselho e o au*ílio.
.ara que o homem conhecesse a sua en"ermidade, "oi em primeiro luar
entreue inteiramente a si pr$prio, para não suceder que viesse a /ular a ra#a como coisa
supér"lua, não conhecendo antes o de"eito de sua en"ermidade. 3eio assim o tempo da lei
natural, para que a nature+a operasse por si pr$pria, não porque pudesse aluma coisa por si
mesma, mas para que conhecesse a sua impossi(ilidade. Entreue a si mesmo, come#ou a
a"astar!se da verdade pela inorAncia- o(riado a admitir a sua ceueira, seria depois
tam(ém o(riado a admitir a sua en"ermidade. ?oi!lhe dado, então, a lei escrita, para que
iluminasse a sua inorAncia, mas não "ortalecesse a sua en"ermidade, para que o homem
pudesse ser a/udado naquela parte em que tivesse reconhecido o seu de"eito, sendo
a(andonado, porém, a si pr$prio ali onde ele ainda achava que poderia sustentar!se por si
pr$prio. Kece(ida, assim, a ciEncia da verdade que lhe veio através da lei, principiou o
homem a es"or#ar!se para proredir- pressionado, porém, pelo dese/o do mal, pois não
possuía o au*ílio da ra#a, "oi incapa+ de entrear!se & o(ra da virtude. 8 senten#a do
ap$stolo concorda per"eitamente com este sentido, ali onde di+4
D!ois %elas obras da lei
n/o ser0 Austifiado
nen5um 5omem diante de +eusD.
Kom. :, 60
E tam(ém4
69
D1 lei nen5uma oisa levou G %erfei./oD.
=e(. L, 1M
.or queF C que nos vem pela leiF 8penas o conhecimento do pecado a que estamos
su(metidos. .ela lei nos vem apenas o conhecimento do pecado, não a sua e*tin#ão. 8 lei
preceitua ensinando, mas o homem que possuía o conselho da lei sem possuir o au*ílio da
ra#a era incapa+ de pratic%!la. 8 lei dava o conhecimento do que deveria ser "eito, não,
porém, o vior para "a+E!lo. C po(re en"ermo continuaria em sua "raque+a a não ser que o
médico que lhe havia dado o conselho de escapar dela lhe o"erecesse tam(ém o seu remédio.
;ão pode o homem en"raquecido pelo pecado /usti"icar!se apenas pela lei, a não ser que se
lhe o"ere#a a ra#a, que é o remédio do pecado. C homem "oi assim o(riado a admitir
am(as estas coisas, isto é, que por si pr$prio não poderia nem conhecer a verdade, nem
reali+ar o (em. ;o tempo da lei natural "oi o(riado a admitir a sua ceueira- no tempo da
lei escrita a sua en"ermidade. ?oi assim que o pro"eta Davi, vendo que nem a nature+a, nem
a lei poderiam ser su"icientes para li(ertar o homem, compreendendo a ra#a ser necess%ria e
o(servando na lei a (enevolEncia divina para com o Enero humano, e*ortou a si pr$prio e a
todos para que con"iassem não nas o(ras da lei mas na ra#a de Deus, di+endo4
D1 gra.a e a gl9ria
dar0 o Sen5orD.
Salmo 8:, 16
8ssim, depois que o homem conheceu sua ceueira e sua en"ermidade, convenientemente
lhe "oi dada a ra#a, pela qual se iluminaria o ceo e se sararia o en"ermo- iluminaria a
inorAncia, es"riaria o dese/o do mal- iluminaria para o conhecimento da verdade, in"lamaria
ao amor da virtude. .or causa disto o Espírito "oi dado em "oo, para que tivesse lu+ e
chama. Du+ para o conhecimento, chama para o amor.
8 sarada solenidade desta d%diva e*celente e per"eita,
D2ue vem do alto
e desende do !ai das luzesD,
B 1,1L
não é coisa nova, desconhecida e repentina, mas é antia, céle(re e autEntica, /% cele(rada
"iuradamente por )oisés e pelos "ilhos de Israel no monte Sinai. 8 lei, de "ato,
Dfoi dada %or #ois<s=
a gra.a e a verdade foram feitas
70
%or ;esus CristoD.
2o. 1,1L
8 lei "oi dada no alto do monte, a ra#a "oi dada no alto do cen%culo. 8 lei "oi dada nos
"ulores do "oo, a ra#a "oi dada em línuas de "oo. 8 lei "oi dada para do+e tri(os, a
ra#a "oi dada primeiro para do+e ap$stolos. 8 lei "oi escrita em duas t%(uas, a ra#a se
consuma nos dois preceitos da caridade. 8 lei "oi escrita pelos dedos de Deus em t%(uas de
pedra, a ra#a "oi escrita pelo Espírito Santo em cora#<es humanos. 8 lei "oi dada no
q'inquaésimo dia depois de ter sido cele(rada a .%scoa na terra do Eito, a ra#a "oi dada
no q'inquaésimo dia depois da ressurrei#ão do Senhor. De "ato,
D2uando se om%letaram os dias do !enteostes=
estavam os dis*%ulos igualmente no mesmo lugarI
e= de re%ente= veio do <u um estrondo=
omo de um vento 2ue so%rava im%etuoso=
e en5eu toda a asa onde estavam sentados.
C a%areeram-l5es re%artidas
umas omo l*nguas de fogo=
e %ousou uma sobre ada um deles.
C foram todos 5eios do Cs%*rito SantoD.
8tos 6,1!9
C Espírito, cu/a plenitude est% na ca(e#a, a participa#ão est% nos mem(ros. 8 ca(e#a é
,risto, o mem(ro é o cristão. 8 ca(e#a é uma, os mem(ros são muitos- e o corpo é
constituído de ca(e#a e mem(ros, e um s$ Espírito em um s$ corpo. Se, pois, h% um s$
corpo e um s$ Espírito, quem não est% no pr$prio corpo não pode ser vivi"icado pelo
Espírito, assim como est% escrito4
DSe algu<m n/o tem o Cs%*rito de Cristo=
este n/o < deleD.
Kom 8,M
7uem, portanto, não possui o Espírito de ,risto, não é mem(ro de ,risto. Gm s$ corpo, um
s$ Espírito. ;ada h% de morto no corpo, nada h% de vivo "ora do corpo. Esta é aquela un#ão
na ca(e#a a qual
Ddese sobre a barba=
a barba de 1ar/o=
2ue dese at< a orla de seu vestidoD.
71
Salmo 1:6,6
8 ca(e#a, con"orme dissemos, sini"ica ,risto, que é a ca(e#a de todos os "iéis. 8 (ar(a, que
est% /unto & ca(e#a e é sinal de virilidade, desina os ap$stolos, que aderiram a ,risto
enquanto ele vivia no mundo, /unto com ele comeram e (e(eram, ouviram a sua doutrina de
salva#ão, viram seus milares e, depois de sua ascensão, tendo rece(ido o Espírito Santo,
mais plenamente "ortalecidos, airam com virilidade, preando a "é em ,risto pelos reinos
do mundo, sendo levados por causa de seu nome aos tri(unais, "laelados nas sinaoas,
condu+idos diante de reis e overnantes4 e em tudo isto "oram vencedores. 8 un#ão,
portanto, do Espírito Santo, que est% na ca(e#a em sua plenitude, DdeseD, por participa#ão,
Dsobre a barbaD, isto é, so(re os ap$stolos, quando ,risto lhes di+4
D@eebei o Cs%*rito SantoD-
2o. 60, 66
e tam(ém quando, depois de sua ascensão, ele lhes enviou o mesmo Espírito. Desceu Dat< a
orla de seu vestidoD, porque o mesmo Espírito é concedido aos santos que haver% no "uturo
até o "im do mundo.
E aora, caríssimos, volvamos nosso olhar a n$s mesmos, e o(servemos se
nos puri"icamos de toda m%cula da carne e do espírito, para que possamos dinamente nesta
solenidade sarada possuir ou rece(er o Espírito Santo4
D8a alma maligna
n/o entrar0 a sabedoria=
nem 5abitar0 no or%o suAeito ao %eado=
%or2ue o Cs%*rito Santo=
2ue a ensina= foge das fi.Oes=
e afasta-se dos %ensamentos
2ue s/o sem entendimento=
e < e)%ulso %ela ini2Tidade su%ervenienteD.
Sa(.1, 9!5
Imitemos, pois, os nossos pais, os santos ap$stolos, de cu/as o(ras rece(emos nosso odor.
Imensamente recomend%vel e dino de imita#ão é o que deles "oi escrito4
DCstavam todos igualmente
72
no mesmo lugarD.
8tos 6,1
Este/amos tam(ém n$s, irmãos, iualmente não apenas no mesmo luar da casa, mas
tam(ém em uma s$ "é, esperan#a, caridade, devo#ão, ora#ão, invoca#ão e e*pectativa do
Espírito Santo, para que iualmente mere#amos sua aceita#ão e participa#ão para que, assim
como se/amos por Ele /usti"icados no tempo,
iualmente se/amos lori"icados na eternidade.
Dine!se para tanto 2esus ,risto, ;osso Senhor, vir em nosso au*ílio, ele
que é Deus, (endito por todos os séculos.
8ssim se/a.
73
SERMO L&&&IV
So"re # 1er2ei3ão e #'
#!egri#' d# Igre0# %i!it#)te
e triu)2#)te. 1or o(#'ião d#
2e't# de S#)to Ago'ti)/o+
DU min5a alma=
bendize ao Sen5or=
%or2ue libertou ;erusal<m= sua idade.
+itoso de mim= se restar algu<m
de min5a desendJnia
%ara ver o es%lendor de ;erusal<m.
1s %ortas de ;erusal<m ser/o onstru*das de
safiras e de esmeraldas=
e de %edras %reiosas todo o iruito
de seus muros.
(odas as suas ruas ser/o al.adas de %edras
branas e %uras=
e %elas suas vilas se antar0 aleluia.
Fendito seAa o Sen5or= 2ue a e)altou=
2ue o seu reino sobre ela seAa
%elos s<ulos dos s<ulos.
1m<nD.
Bo(ias 1:, 1M!6:
Estas palavras que propusemos "oram tomadas de Bo(ias. São as palavras
pelas quais ele louvou o Senhor depois de ter rece(ido a lu+ de seus olhos.
Bo(ias, tradu+ido, sini"ica Dbem do Sen5orD. Bo(ias, portanto, desina
corretissimamente a assem(léia dos santos doutores e prelados que são, verdadeiramente e
de modo e*celente, o (em do Senhor, não apenas porque vivendo santamente condu+em os
preceitos do Senhor ao seu e"eito, como tam(ém porque, pelo ensino, condu+em as almas
que lhes "oram con"iadas para a "é e as "ormam para o reto viver. C (em aventurado Santo
8ostinho, cu/a solenidade ho/e cele(ramos, "oi mem(ro eminente do n@mero destes
74
prelados e doutores, por ter per"eitissimamente ensinado seus discípulos e sua rei e por tE!
los, não menos per"eitamente, instituído no servi#o de Deus. Bam(ém ele convidou
merecidamente sua alma ao louvor do Senhor, não inorando a lu+ do conhecimento do alto
que lhe tinha sido concedida.
.ela cidade de 2erusalém entendemos a santa Ire/a, a qual em parte
pererina na terra, em parte est% na l$ria do céu. 8qui ela e*ulta, ali ela reina- aqui ela é
"ilha, ali ela é mãe. Gma s$, porém, é a cidade, uma s$ a Ire/a, uma s$ a pom(a, uma s$ a
amia, uma s$ a esposa. Ela é cidade pela ha(ita#ão comum dos cidadãos, Ire/a pela
assem(léia dos "iéis, pom(a pela simplicidade, amia pelo amor, esposa pela "é. Suas n@pcias
são cele(radas em am(os os luares, tanto no mundo como no céu- aqui, porém, são
cele(radas na "é, ali na visão- aqui são cele(radas na esperan#a, ali na su(stAncia. D4emos
agoraD, di+ a Escritura,
Domo %or um es%el5o= em enigmaI
mas ent/o veremos fae a faeD.
I ,or. 1:, 16
;estas n@pcias (rinda!se aqui o vinho da ra#a, l% (rinda!se o vinho da l$ria, assim como
no princípio das palavras que propusemos di+!se desta cidade que Deus a li(ertou e no "im
que Deus a e*altou. ;o início elas di+em4
DU min5a alma=
bendize ao Sen5or=
%or2ue libertou ;erusal<m= sua idadeDI
e no "im di+em4
DFendito seAa o Sen5or=
2ue a e)altouD.
De "ato, Deus primeiramente a li(erta- depois a e*alta. Di(erta!a do mal, e*alta!a no (em-
li(erta!a na via, e*alta!a na p%tria. Di(erta!a pela ra#a, e*alta!a pela l$ria.
Seue!se4
D+itoso de mim= se restar algu<m
de min5a desendJnia
%ara ver o es%lendor de ;erusal<mD.
75
,onsidere, quem o puder, quão rande é a caridade espiritual dos pais para com os "ilhos, os
quais, como se pode entender por estas palavras, consideram sua a salva#ão dos "ilhos, e
verdadeiramente a amam como se "osse sua e a consideram como pr$pria. Daqui é que
.aulo di+ aos Bessalonicenses4
DRual < a nossa es%eran.a=
ou a nossa alegria=
ou oroa de gl9riaM
!orventura n/o o sois v9s=
diante do Sen5or ;esus Cristo=
na sua vindaMD
I Bess. 6, 1M
.aulo demonstra esta mesma caridade, onde di+ aos N%latas4
D#eus fil5in5os=
%or 2uem eu sinto de novo
as dores de %arto=
at< 2ue ;esus Cristo se forme em v9sD.
Nal. 9, 1M
E deve!se notar que Bo(ias não di+ Dmin5a desendJniaD, mas
Dse restar algu<m de min5a desendJniaD.
De "ato, ainda que muitos se/am os chamados, poucos, todavia, são os escolhidos H)at. 66,
19I, e entre os mesmos escolhidos muitos são os imper"eitos, e menos ainda os per"eitos
para verem o esplendor de 2erusalém.
Dois são os esplendores da santa Ire/a. Gm deles est% no tempo, o outro na
eternidade. Gm consiste na /usti"ica#ão, o outro na (em aventuran#a- um no mérito, o outro
no prEmio. E*teriormente, porém, ela se escurece, não importando o quanto resplande#a
interiormente, pois
Dtodos os 2ue deseAam viver
%iedosamente em ;esus Cristo=
%adeer/o %ersegui./oD.
II Bim. :, 16
76
Deste esplendor e deste escurecimento a pr$pria santa Ire/a nos "ala no ,Antico dos
,Anticos4
DCu sou negra= mas formosa=
9 fil5as de ;erusal<mD.
,ant. 1, 9
8 Ire/a, de "ato, é e*teriormente nera pela an@stia da perseui#ão, mas interiormente
"ormosa pelo esplendor da caridade. 8 este respeito o 8p$stolo tam(ém a"irma que
Dembora se destrua em n9s o 5omem e)terior=
todavia o interior se renova de dia a diaD.
II ,or. 9, 15
)as as palavras de Bo(ias, ao di+er4
D+itoso de mim= se restar algu<m
de min5a desendJnia
%ara ver o es%lendor de ;erusal<mD=
mais parecem re"erir!se & l$ria "utura da Ire/a que Isaías lhe promete, quando a"irma4
D8/o 5aver0 mais %ara ti Sol %ara luzir de dia=
nem o es%lendor da "ua te iluminar0=
mas o Sen5or ser0 %ara ti luz eterna=
e o teu +eus ser0 a tua gl9ria.
8/o mais se %or0 o teu Sol=
e a tua "ua n/o minguar0=
%or2ue o Sen5or ser0 %ara ti luz eterna=
e ter/o aabado os dias de teu %rantoD.
Is. 50, 1M!60
7ualquer santo prelado, portanto, reconhece!se como ditoso se houver aluém de sua
descendEncia para ver o esplendor de 2erusalém porque o ser% verdadeiramente se chear a
ver contemplando consio no céu a l$ria suprema da santa Ire/a aluns daqueles que
aora parecem imit%!lo no mundo. Ditoso ser% pela sua (oa o(ra, ditoso ser% tam(ém pela
(oa conversa#ão dos que lhe tiverem sido con"iados. Em(ora, pois, ha/a de e*istir para
77
todos os santos uma dupla l$ria, a de um vestido talar tanto para o corpo como para a
alma, todavia nos santos prelados haver% de se cumprir de um modo especial o que "oi
escrito4
DCm sua terra %ossuir/o
uma du%la %or./oD.
Is. 51, L
;eles, de "ato, haver% de se cumprir esta passaem tanto pela sua /usti#a como pela /usti#a
dos que lhes tiverem sido con"iados.
D1s %ortas de ;erusal<m ser/o onstru*das
de safiras e de esmeraldas=
e de %edras %reiosas
todo o iruito de seus murosD.
8 esmeralda pelo seu verdor sini"ica a "é. 8 sa"ira, que tra+ diante de si a cor do
"irmamento, sini"ica a (oa o(ra.
C verdor da esmeralda sini"ica a "é pois assim como o verdor é a primeira
coisa que sure no que ermina, assim tam(ém a "é é a primeira pela ordem entre as
virtudes, sem a qual, di+ a Escritura,
D< im%oss*vel agradar a +eusD.
=e(. 11, 5
Deste modo, a primeira porta da santa Ire/a é a "é, "iurada pela esmeralda, a seunda das
pedras mencionadas. 8 sua seunda porta é a o(ra, a o(ra que se "a+ pelo amor de Deus e
do pr$*imo, desinada pela sa"ira, a primeira pela ordem das pedras mencionadas.
.ara a(rir a primeira porta, que é a "é, é necess%rio a(rir as duas metades de
que esta porta é constituída, metades estas que são como que as suas duas partes. Estas
partes, em(ora se/am duas, são tam(ém uma @nica. Elas são o ,riador e o Salvador os
quais, em(ora di"iram pelo nome, mas são um s$ na realidade. Cs nomes de ,riador e de
Salvador, todavia, tam(ém desinam coisas diversas. Deus é ,riador, porque nos "E+- é
Salvador, porque nos salvou. C ,riador, e tudo o que se re"ere ao ,riador, eis uma parte da
"é- o Salvador, e tudo o que se re"ere ao Salvador, eis a outra parte da "é. 7uanto & primeira
parte, pertence & "é con"essar o ,riador e por ele terem sido "eitas todas as coisas que
possuem ser- quanto & seunda parte, pertence & "é venerar o Salvador e con"essar ter ele
restaurado os que estavam perdidos, aos quais "oi dada ou ser% dada a (em aventuran#a. 8
primeira parte da "é di+ respeito & dívida da nature+a, a seunda di+ respeito & dívida da
ra#a. ;aquela devemos crer porque "omos criados seundo a nossa nature+a- nesta
78
devemos crer por termos sido restaurados pela ra#a. Se, portanto, crEs naquela, tens uma
metade da primeira porta- se crEs nesta, tens a outra metade.
;ão é su"iciente, porém, entrar apenas pela primeira porta, a não ser que se
entre tam(ém pela seunda, porque
Da f<= sem as obras= < mortaD.
B. 6, 1L
8 o(ra é a seunda porta, "iurada pela primeira pedra, a sa"ira. De "ato, toda o(ra que é
empreendida pelo amor de Deus e do pr$*imo é mais celeste do que terrena, porque não é
"eita por causa das coisas da terra, mas pelas do céu, sendo este o motivo de ser "iurada
pela sa"ira.
8 seunda porta tam(ém se nos apresenta possuindo duas metades como
partes. Se, de "ato, operares o que é (om amando a Deus, tens aí uma metade- se operares o
(em amando ao pr$*imo, tens aí a outra metade.
Se quiseres, portanto, se/a no presente como no "uturo, ser cidadão de
2erusalém, é necess%rio entrar por am(as as portas, a da "é e a da o(ra, daquela o(ra que se
empreende pelo amor, pois assim como a "é sem a o(ra é morta, assim tam(ém a o(ra sem o
amor é vã.
DC de %edras %reiosas ser0 onstru*do
todo o iruito de seus murosD=
porque a santa Ire/a em seus méritos é circundada por todos os lados pela solide+ da
virtude, e no prEmio é ornamentada em todo o seu redor pelo esplendor dos prEmios, "irme
no mérito e resplandecente no prEmio. ;o mérito nada lhe "alta da virtude e no prEmio nada
lhe "alta da (em aventuran#a. Ela, todavia, resplandece em am(os e é s$lida tam(ém em
am(os, pois resplandece aora pela virtude para depois ser con"irmada para sempre em seu
esplendor.
DSuas ruas ser/o al.adas de %edras
branas e %urasD=
porque são ladrilhadas no (em pelas pedras (rancas e puri"icadas do mal pelas puras. Suas
ruas são cal#adas com estas duas pedras quando os imper"eitos que se utili+am das coisas da
terra são com muita ordem dispostos no tempo pela pure+a das (oas o(ras e na eternidade
pelo ornamento dos prEmios. 8inda que care#am da cor ru(ra da pai*ão, são todavia alvos
pelo linho da sua /usti"ica#ão, que possuem pela pure+a da (oa a#ão e pelo ornamento da
honesta conversa#ão.
DC %elas suas vilas se antar0 aleluiaD.
79
=% muitas ordens na santa Ire/a, tanto no mundo como no céu. Em(ora di"iram entre si
pelo mérito ou pelo prEmio, são como suas muitas vilas. .or todas elas se canta aleluia
quando /orra o louvor divino tanto dos que estão no céu como dos que estão na terra. De
onde que est% escrito4
DSeu louvor est0 aima do <u e da terraD.
Salmo 198, 19
Budo tudo quanto dissemos até aqui e*pusemo!lo seundo am(os os estados da santa
Ire/a. Devemos reconhecer, porém, que todas estas coisas di+em melhor respeito & Ire/a
que é "utura, motivo pelo qual o pr$prio Bo(ias acrescenta4
DFendito seAa o Sen5or= 2ue a e)altou=
2ue o seu reino sobre ela
seAa %elos s<ulos dos s<ulos.
1m<nD.
Bo(ias 1:, 1M!6:
Em(ora, de "ato, o reino de Deus so(re a Ire/a tam(ém se/a no presente, haver% porém de
ser visto muito maior no "uturo, quando tiver cessado toda a cal@nia do pecado, quando nem
a morte nem a mortalidade dominar mais so(re n$s, quando
Deste orru%t*vel se tiver revestido
de inorru%tibilidade=
este mortal se tiver revestido de imortalidade=
2uando o Hil5o tiver entregue
o @eino a +eus e ao !ai=
e +eus for tudo em todosD.
I ,or. 154 5:!9, 69, 68
E aora, caríssimos, ve/amos se somos da descendEncia de nosso (em
aventurado pai 8ostinho. C que sini"ica di+er4 ve/amos se somos seus imitadores como o
devemos ser.
3e/amos se, contemplando o seu e*emplo, amamos a palavra de Deus,
estudando!a, meditando!a, escrevendo so(re ela, ensinando!a, con"orme a ra#a que nos "oi
concedida. 3e/amos se imitamos a sua honestíssima reliião, vivendo santamente com todas
as nossas "or#as. Se tudo isto "a+emos, somos verdadeiramente sua descendEncia, e
verdadeiramente contemplaremos com ele o esplendor da 2erusalém celeste.
E que para tanto se dine vir em nosso au*ílio 2esus ,risto, nosso Senhor,
que é Deus (endito, pelos séculos dos séculos.
80
8mén.
81
SERMO L&&&VIII
So"re o M#)d#%e)to do A%or
D1mar0s o Sen5or teu +eus
de todo o teu ora./o=
e de toda a tua alma=
e de toda a tua for.aD.
Deut. 5, 5
Depois que o homem a(andonou a caridade pela culpa primordial e decaíu
para a miséria deste mundo su/eitou!se a muitos cuidados, ocupou!se com muitas a#<es e
a"adiou!se com muitos tra(alhos. De tudo pelo que o homem se a"lie de(ai*o do Sol, uma
s$ é a melhor parte. ,onsiste em servir a Deus, a @nica coisa que permanece. Bodas as
demais são passaeiras, e como são vãsP
7uem não serve a Deus, portanto, é vão, e sua vida deve ser estimada como
nada. )elhor seria que ele não "osse do que "osse mau, e melhor seria que não tivesse vivido
do que mal vivido. Se tal homem pudesse nesta vida ter a "or#a de Sansão, a (ele+a de
8(salão, a sa(edoria de Salomão, a velocidade de 8+ael, as rique+as de ,reso, a pro(idade
de 8le*andre, o poder de Ctaviano, que tinha o mundo so( o seu poder, a lonevidade de
Enoc o qual, nascido no princípio do mundo, até o "im não morrer%, se tal homem pudesse
possuir tantas e tais coisas no presente, tudo isto de nada lhe aproveitaria se não servisse a
Deus. 7uando, ao morrer, tudo en"im lhe "or co(rado, a miser%vel carne ser% entreue aos
vermes e o espírito aos dem1nios e aos tormentos in"ernais até que no dia da ressurrei#ão
toda a carne retorne & sua oriem. Então, retomada a carne pela qual e na qual pecou,
novamente rece(er% a eterna condena#ão. )elhor é, portanto, servir a Deus, e ainda que o
homem em toda a sua vida estivesse destituído de au*ílios temporais e corporais, se nela se
tiver entreue ao servi#o de Deus, passar% da miséria da vida presente & eterna (em
aventuran#a.
Entre todos os (ens do mundo presente que o Enero humano (usca ou
alcan#a, o melhor e o @nico (em que permanece é servir a Deus. Devemos, portanto, (uscar
de todos os modos o que se/a servir a Deus. Se, (uscando!o, o encontrarmos, sem som(ra
aluma de desAnimo deveremos nele perseverar, pois é somente ao que persevera que est%
prometida a (em aventuran#a.
82
Irmãos, podemos compreender e declarar o que se/a servir a Deus com
(reves, doces e aleres palavras. Servir a Deus é amar a Deus. 7uem não ama não serve, e
quem ama serve. 7uem pouco ama, pouco serve- quem muito ama, muito serve- e quem
per"eitamente ama, per"eitamente serve.
7uem possuir coisas temporais, terras, vinhas, re(anhos, armamentos,
vestes preciosas, casas, prata, ouro ou esposa, &s quais tenha muito amor, se perce(er que
possui uma de todas estas coisas, ou mesmo todas elas simultaneamente, contra o amor de
Deus, deve a(andon%!las todas, pospor todas ao amor de Deus e a todas antepor este amor.
8té mesmo a sua pr$pria vida o homem deve entrear pelo amor de Deus se vier a
acontecer que não possa conserv%!la /untamente com ele. 8ssim o "E+ .edro, assim o "E+
.aulo, assim o "i+eram todos os demais ap$stolos e m%rtires de ,risto, entreando por amor
a Deus não somente as suas coisas, como tam(ém a si mesmos. Bodos estes, homens como
n$s, nos learam tais e*emplos de como devemos air.
Devemos, portanto, amar a Deus porque Ele nos amou primeiro, dando!nos
e prometendo!nos a multidão de seus dons. Em todos estes Ele como que mereceu de n$s
que o am%ssemos. C menor de todos os dons que Deus deu ao homem para que "osse
amado por ele é todo este mundo. ?oi por causa do homem que Deus "E+ o mundo, o céu, a
terra, o mar, o sol, a lua, as estrelas, os p%ssaros, os pei*es, os animais da terra, as plantas,
as %rvores, e todas as coisas que su(sistem visivelmente. Cra, se entre todos os dons de
Deus o menor é todo este mundo, quanto consideraremos que ser% o m%*imoF
C seundo dom que "oi concedido por Deus ao homem "oi tE!lo criado & sua
imaem semelhan#a. Nrande e admir%vel dom é certamente a criatura ser tornada semelhante
e con"orme ao ,riador.
C terceiro dom é a ra#a, que nos "oi concedida na Keden#ão. Deus, de
"ato, di+ a Escritura,
Dn/o %ou%ou o seu %r9%rio Hil5o=
mas o entregou %or todos n9sD.
C quarto dom Deus no!lo conserva e no!lo promete. J o dom da l$ria
"utura, do qual se di+ que
Dnem o ol5o viu=
nem o ouvido ouviu=
nem entrou no ora./o do 5omem
o 2ue +eus %re%arou
%ara a2ueles 2ue o amamD.
I ,or. 6, M
83
.odemos di+er, portanto, que o primeiro dom é o (em da criatura, o seundo dom é o (em
da nature+a, o terceiro dom é o (em da ra#a e o quarto dom o (em da l$ria. .or todos
estes devemos amar a Deus.
)as quanto devemos am%!DoF
DCom todo o ora./o=
om toda a alma=
om todas as for.as=
om todo o entendimentoD.
,om todo o nosso cora#ão, isto é, com sa(edoria- com toda a alma, isto é, com do#ura- com
todas as "or#as, isto é, com "ortale+a- com todo o entendimento, isto é, com toda a mem$ria,
e por quaisquer outros modos que puderem ser ditos, pois não se pode e*cessivamente di+er
aquilo que não se pode e*cessivamente amar.
DC o teu %r9)imo omo a ti mesmoD.
)at. 66, :M
Devemos amar o pr$*imo como a n$s mesmos pelo (ene"ício, pela palavra, pela inten#ão.
;o (ene"ício temos a (oa o(ra, na palavra o conselho sadio, na inten#ão a autenticidade do
dese/o. Em tudo isto amemos o pr$*imo na via, do qual seremos consortes na p%tria.
E que para tanto se dine vir em nosso au*ílio 2esus ,risto, nosso Senhor,
que é Deus (endito, pelos séculos dos séculos.
8mén.
84
SERMO &CV
So"re # Me'# d# Pro1o'i3ão de'(rit# e% 45odo.
e% !ou$or d#' S#gr#d#' E'(ritur#'+
Demos em Q*odo, a respeito da mesa da proposi#ão, ter dito o Senhor a
)oisés4
DHar0s tamb<m uma mesa de madeira de etim=
2ue ten5a dois Lvados de om%rimento=
um Lvado de largura e Lvado e meio de altura.
Cobri-la-0s de ouro %ur*ssimo=
far-l5e-0s um l0bio de ouro em roda=
e (%or0s) sobre o mesmo l0bio uma oroa ental5ada=
de 2uatro dedos de alturaI
e= sobre esta=
uma outra oroa aureolada.
Har0s tamb<m 2uatro argolas de ouro=
e as %or0s nos 2uatro antos da mesma mesa=
uma em ada %<.
1s argolas de ouro estar/o
da %arte de bai)o da oroa
%ara se meterem %or ela varais=
a fim da mesa %oder ser trans%ortada.
Har0s varais de madeira de etim=
e os obrir0s de ouroI
servir/o %ara trans%ortar a mesa.
!re%arar0s tamb<m aet0bulos=
vasos %reiosos= tur*bulos
e ta.as de ouro %ur*ssimo=
em 2ue se dever/o ofereer as liba.Oes.
!or0s sem%re sobre a mesa
os %/es da %ro%osi./o na min5a %resen.aD.
E*. 65, 6:!:0
7ue é mesa é esta, irmãos caríssimos, se não a Sarada EscrituraF .ois quantas são as ve+es
em que ela nos e*orta a (em viver, tantas são as ve+es em que ela nos o"erece o pão da vida.
85
Demos que esta mesa "oi "eita de madeira de cetim, pois, assim como a
verdade da Sarada Escritura, não deveria corromper!se pelo envelhecimento. > semelhan#a
desta mesa, as Escrituras possuem tam(ém dois c1vados de comprimento, pois nos ensinam
as duas partes da "é, pelas quais cremos no ,riador e no Kedentor. .ossuem iualmente um
c1vado e meio de altura, pois nos ensinam qual é a altura da esperan#a e o início da
contempla#ão. .ossuem, "inalmente, um c1vado de larura, quando nos ensinam qual é a
amplitude da caridade. 8ssim as Saradas Escrituras, tal como a mesa, possuem
comprimento, altura e larura, na medida em que nos ensinam per"eitamente a "é, a
esperan#a com o início da contempla#ão, e a caridade.
Esta mesa espiritual é toda co(erta de ouro, pois ela resplandece não apenas
pelos seus milares, mas tam(ém pela caridade da sa(edoria celeste. Seu l%(io são as (ocas
dos doutores, que a circundam em toda a roda porque nada,em luar alum, "oi dei*ado
pelos santos doutores sem corre#ão. .ela autoridade que emana das Saradas Escrituras,
repreendendo de todos os lados aos maus pelo mal, e ensinando aos (ons o melhor, são,
e"etivamente, os santos doutores, como o l%(io ao redor desta mesa.
8s duas coroas que se seuem, das quais uma é dita entalhada e a outra é
dita aureolada, sini"icam os dois (ens do homem /usto, o primeiro dos quais est% neste
mundo e o outro no céu. 8 primeira destas coroas, de "ato, é a /usti#a, e a seunda é a
recompensa eterna- a primeira é o mérito e a seunda é o prEmio- a primeira é a (oa
consciEncia e a seunda é a l$ria que se lhe h% de seuir. E am(os estes (ens comparam!se
corretamente a uma coroa, se/a porque são per"eitos, se/a porque e"etivamente nos con"erem
a coroa.
8 primeira coroa "oi preceituada entalhada, pois o e"eito da (oa o(ra no
tempo presente é m@ltiplo e variado, e possuindo quatro dedos de altura, porque a /usti#a
dos santos, operando pela ra#a do Espírito Santo, erue!se pelo e*ercício das quatro
virtudes principais. ;os dedos estão "iurados os dons do Espírito Santo e, no n@mero
quatern%rio, as quatro virtudes da prudEncia, "ortale+a, /usti#a e temperan#a. Gnida ao l%(io
da mesa, esta coroa nos mostra que a /usti#a se consuma seundo as e*orta#<es dos santos
doutores.
So(re a primeira coroa, porém, havia uma outra aureolada. J assim tam(ém
que a l$ria não apenas seue, como tam(ém e*cede a /usti#a. ?oi preceituada aureolada,
pois pelo ouro sini"ica!se o "ulor da contempla#ão. ;ote!se que ela nos é descrita não
como sendo de ouro, mas aureolada- as Escrituras nos insinuam, por meio deste diminutivo,
o quanto é pequeno, diante da plenitude do (em que se lhe h% de seuir, tudo o que aora
pode por n$s ser apreendido, mesmo pela contempla#ão. 8s Escrituras, de "ato, nos narram
Isaías ter visto o Senhor sentado so(re um alto e elevado trono. Desta visão que teve do
Senhor o pro"eta nos di+ que
Das oisas 2ue estavam abai)o dCle
%reen5iam todo o (em%loD.
Is. 5,1
86
Cra, se as coisas que estavam a(ai*o dEle preenchiam todo o Bemplo, quem poder%
considerar quais e quantas são, e o que são as coisas que estão nEleF Eis, pois, o motivo
pelo qual daquela recompensa eterna que nos é apresentada como uma coroa superior e
aureolada encontramos tam(ém escrito4
D+ai= e dar-se-vos-0I
uma medida boa= 5eia=
realada e aogulada
vos ser0 lan.ada no seioD.
Duc. 5,:8
C princípio desta mesa, ou desta coroa aureolada, pode ser discernido e apreendido por
aluns /% no tempo desta vida presente pela contempla#ão- completar!se!%, contudo, na vida
"utura, quando o pr$prio Deus, que é a recompensa e a coroa dos /ustos, "or visto não como
por um espelho ou em enimas, mas "ace a "ace.
Em primeiro luar, pois, coloquemos a mesa- depois o seu l%(io- em
terceiro, a coroa entalhada- em quarto, a coroa aureolada. 8 mesa é a Escritura, o l%(io são
as e*orta#<es dos doutores, a coroa entalhada a /usti#a dos santos, a coroa aureolada a
retri(ui#ão eterna.
8s quatro arolas são os quatro livros dos Evanelhos, que são chamados
com propriedade de arolas, pois, sendo circulares, sini"icam o que é per"eito. Cs
Evanelhos, de "ato, nos tra+em a per"eita doutrina da "é e das o(ras, do mérito e do prEmio.
,olocam!se nos quatro cantos da mesa, um em cada pé, na medida em que, pela sua
autoridade e pela sua per"ei#ão "orti"icam os quatro sentidos das Escrituras e as tornam
aptas para que, em seus quatro sentidos, se/am levadas pela prea#ão do Evanelho &s
quatro partes do mundo. Esta mesa, de "ato, possui quatro pés porque as palavras do
or%culo celeste podem ser entendidas em seu sentido hist$rico, ale$rico, moral ou
ana$ico.
8 hist$ria ocorre quando, através do sentido mani"esto das palavras usadas,
nos é narrado literalmente como alo sucedeu em seus "atos ou di+eres. J deste modo que
nos é narrado como o povo que saiu do Eito salvou!se pelo sanue do cordeiro, e como
um ta(ern%culo "oi eruido no deserto.
8 aleoria ocorre quando por palavras ou por coisas são sini"icados os
mistérios da presen#a de ,risto e da sacralidade da Ire/a. 8 pro"ecia de Isaías, no luar
onde se lE4
DSair0 uma vara do trono de ;ess<=
e uma flor brotar0 de sua raizD,
Is. 11,1
é uma aleoria que se utili+a de palavras. Sini"ica o mesmo que di+er que da estirpe de
Davi nascer% a 3irem )aria, e que de sua estirpe nascer% o ,risto. ;o povo de Israel
87
salvado do Eito pelo sanue do cordeiro encontramos uma aleoria que se utili+a de coisas-
sini"ica a Ire/a, li(ertada da condena#ão do dem1nio pela pai*ão de ,risto.
C sentido moral se reali+a quando, por palavras mani"estas ou de modo
"iurativo, h% um discurso que quer nos corriir ou instituir nos costumes. 7uando o
8p$stolo 2oão nos di+4
DHil5in5os= n/o amemos
de %alavra e om a l*ngua=
mas %or obra e em verdadeD,
I 2o :, 18
temos o sentido moral mani"esto. 7uando lemos no Eclesiastes4
D?s teus vestidos seAam em todo o tem%o branos=
e n/o falte o 9leo 2ue unAa a tua abe.aD,
Ecl. M,8
estamos diante das Escrituras utili+ando!se "iurativamente das palavras para nos proporem
o discurso moral.
8 anaoia, isto é, alo que condu+ ao que é elevado, é um discurso que,
se/a com palavras mani"estas, se/a "iurativamente, versa so(re a recompensa eterna e a vida
do céu. DFem aventurados os %uros de ora./o= %or2ue ver/o a +eusD H)t. 5,8I4 eis a
anaoia utili+ando!se de palavras mani"estas. DFem aventurados a2ueles 2ue lavam as
suas vestes no sangue do Cordeiro= %ara terem %arte na 0rvore da vida e entrarem %elas
%ortas da idadeD H8poc. 66,19I4 temos aqui outra anaoia- esta se utili+a, porém,
"iurativamente das palavras.
,olocam!se, portanto, quatro arolas nos quatro pés da mesa para que,
introdu+idos nelas os varais, a mesa possa ser carreada, pois os quatro sentidos da
Escritura se unem aos livros dos Evanelhos para que, pela sua autoridade, a pr$pria
Escritura possa ser ensinada pelos doutores em toda a parte. Estas arolas são de ouro
porque os livros dos Evanelhos (rilham pela sa(edoria de Deus, que é ,risto. 8s arolas
tam(ém situam!se a(ai*o das coroas, tanto da primeira como da seunda, porque pela
ordem primeiro vem a doutrina do Evanelho- depois, & doutrina seuir!se!% a /usti#a, e &
/usti#a seuir!se!% a l$ria. Cs varais, pelos quais a mesa é carreada, são aqueles que
ensinam, pelos quais são anunciadas as Escrituras. São de madeira de cetim, pois é /usto que
aqueles que devem ensinar aos demais a santidade, vivam eles pr$prios sem a corrup#ão dos
vícios. Ke"ulem pela sa(edoria divina- são tam(ém por isto reco(ertos de ouro.
D!re%arar0s tamb<m aet0bulos= vasos %reiosos= tur*bulos e ta.as de
ouro %ur*ssimoD4 estes v%rios recipientes em que se deveriam o"erecer as li(a#<es são as
v%rias distin#<es da palavra de acordo com a capacidade dos ouvintes. .ois nem tudo
convém a todos. 8 palavra diriida ao s%(io deve sE!lo de modo diverso daquela que é
88
diriida ao inorante. 8ssim tam(ém, é de modo diverso que devem ser ensinados o rico e o
po(re, o são e o en"ermo, o ancião e o mo#o, o homem e a mulher, o solteiro e o casado, o
prelado e o s@dito. Cs acet%(ulos são os ensinamentos morda+es, os vasos preciosos são a
doutrina "ecunda e a(undante, os turí(ulos são a ora#ão devota, as ta#as de ouro puríssimo
são a elevada ciEncia. Bodos estes recipientes pertencem & mesa do ta(ern%culo para o
o"erecimento das li(a#<es, pois toda esta diversidade de coisas, ensinadas seundo a
diversidade dos ouvintes, são encontradas todas nas Saradas Escrituras e estimulam o
cora#ão dos que as ouvem a o"erecerem a Deus o dese/o das (oas o(ras.
DC %or0s sobre a mesa os %/es da %ro%osi./o na min5a %resen.aD4 os
pães da proposi#ão são as palavras da sa(edoria celeste, corretamente chamadas de pães da
proposi#ão, porque a palavra da salva#ão deve permanecer sempre mani"esta para todos os
"iéis, e na Ire/a /amais dever% "altar a palavra de au*ílio. 8través dos preadores que vivem
na Sua presen#a, o Senhor quis que a Ire/a estivesse perpetuamente repleta destes (ens,
preparados para todos aqueles que tEm "ome e sede de /usti#a, até o "im dos tempos.
Esta mesa, irmãos caríssimos, é repleta de todas as rique+as, servida de
todas as delícias. Se quereis ,pães e pei*es, tomai nela Dino %/es e dois %ei)esD H)t.
19,1LI, ou certamente Dsete %/es e alguns %ei)in5osD H)t 15, :9I. ,om aqueles saciaram!
se cinco mil homens, e com os seus restos encheram!se do+e cestos- com estes saciaram!se
quatro mil homens, e com seus restos encheram!se sete alco"as. Bomai, portanto, estes e
aqueles pães, e tam(ém estes pei*es, ainda que poucos, e sa(ei que o alimento a(undar% e
so(e/ar%. Se quiserdes carne, tomai Dum novil5o gordoD HDuc. 15, 6:I, Dtouros e animais
evadosD a(atidos para v$s H)t. 66,9I. Se quiserdes o sa(or, tomai o Dgr/o de mostarda=
2ue < na verdade a menor de todas as sementes= mas lan.ado G terra rese e se torna
maior do 2ue todas as 5ortali.asD H)t. 1:, :6I. Se quiserdes manteia e mel, comei am(as
com o Emmanuel, para que sai(ais com ele DreAeitar o mal e esol5er o bemD HIs. L, 15I.
Se quiserdes "rutos de Eneros diversos, tomai!os todos, Dde toda a 2ualidade= os novos e
os vel5osD, que a esposa uardou para o esposo H,ant. L, 1:I, e comei as no+es do DAardim
das nogueirasD H,ant. 5, 10I. Se quiserdes (e(ida, tomai o vinho escolhido, do qual "oi
escrito4
D(u= %or<m= tiveste guardado
o bom vin5o at< agoraD.
2o. 6, 10
Se quiserdes ainda mais (e(ida,
Dom%rai sem din5eiro
e sem nen5uma troa= vin5o e leiteD,
Is. 55,1
e (e(ei com a esposa Dvosso vin5o om o vosso leiteD H,ant. 5, 1I. Se dese/ais sa(orear o
néctar, tomai as consola#<es de Deus, pois
89
D1 tua miseri9rdia= Sen5or=
foi o meu au)*lio.
Segundo a multid/o das min5as dores
em meu ora./o=
tuas onsola.Oes alegraram
a min5a almaD.
Salmo M:, 1M
Se quiserdes aromas, tomai
Dos i%res om o nardo=
o nardo e o a.afr/o=
a ana arom0tia e o inamomo=
om todas as 0rvores do "*bano=
a mirra e o alo<s=
om todos os %rimeiros ungTentosD.
,ant. 9, 1:!19
E sendo perioso, e torpe tam(ém, que estando pr$*imos de tal e tamanha mesa.
de"inhemos mori(undos, vítimas da "ome, e encontremos a morte por inani#ão, a pr$pria
Escritura nos convida, di+endo4
DComei= amigos= e bebei=
e inebriai-vos= ar*ssimosD,
,ant. 5, 1
isto é, com todas as coisas que aora, pela ra#a, são servidas para n$s nesta mesa, para que
depois, pela l$ria, as possamos possuir ainda mais per"eitamente.
E que, para tanto, dine!se vir em nosso au*ílio 2esus ,risto, ;osso Senhor.
8mén.
90
SERMO C
Por o(#'ião d# 2e't#
d# S#)t# Cru6+
D(endo ;esus tomado o vinagre= disse6
`(udo est0 onsumado'.
C= inlinando a abe.a=
rendeu o es%*ritoD.
2o. 1M, :0
8s palavras que propusemos, caríssimos, são curtas mas e*celentíssimas,
pois são as que nos descrevem a consuma#ão da nossa reden#ão. ;a morte de ,risto
consumaram!se todos os enimas das "iuras antias que a Ele se re"eriam, e todos os
vaticínios dos pro"etas que so(re Ele pro"eti+aram. De onde que o pr$prio Senhor disse aos
ap$stolos4
DCis 2ue vamos %ara ;erusal<m=
e ser0 um%rido
tudo o 2ue est0 esrito %elos %rofetas
relativo ao Hil5o do 5omemD.
Duc. 18, :1
D(udo est0 onsumadoD4 na morte de ,risto, seundo a sini"ica#ão ale$rica, consumou!
se Deus ter "eito Eva do lado de 8dão que dormia HNen. 6,61!66I, pois isto sini"icava que
do sanue que "luía do lado de ,risto morto seria redimida a santa Ire/a. ,onsumou!se
,aim pela inve/a ter matado a 8(el seu irmão HNen. 9,:!8I, pois isto "oi sinal de que o povo
/udeu, pela sua inve/a, teria entreue ,risto para ser cruci"icado por .ilatos. ,onsumou!se,
seundo a mística sini"ica#ão, 8(raão ter colocado Isaac seu "ilho so(re um altar co(erto
de lenha para o"erecE!lo a Deus HNen. 66,1!9I, pois isto "iurava que o Enero humano
o"ereceria a ,risto, nascido de si seundo a carne, na cru+. ,onsumou!se, seundo a mesma
sini"ica#ão, Deus ter li(ertado os "ilhos de Israel da servidão do Eito na morte do
,ordeiro .ascal HE*. 16,1!1:I, pois isto desinava que os israelitas espirituais seriam
91
li(ertados do /uo dos dem1nios pela morte de ,risto. ,onsumou!se )oisés ter ado#ado as
%uas amaras com sua vara HE*. 15,66!65I e "eito /orrar as %uas da pedra HE*. 1L,1!LI,
pois isto sini"icava que ,risto, pela amarura de sua morte, converteria para n$s a
austeridade da Dei em do#ura, e que de si, verdadeira pedra, "aria /orrar para n$s as %uas
espirituais. ,onsumou!se o (ode e*piat$rio ter levado para o deserto os pecados do povo
HDev. 15,60!66I, pois isto era sím(olo de ,risto que tomaria os nossos pecados. ,onsumou!
se a mulher de Sarepta ter /untado duas madeiras HI Keis 1L,16I, pois isto e*pressava que a
entilidade haveria depois de rece(er a "é na pai*ão de ,risto. ,onsumou!se o an/o Ka"ael
ter liado, nas n@pcias de Bo(ias, o dem1nio pelo "el retirado do pei*e HBo(ias 8,:I, pois isto
sini"icava que ,risto, tendo (e(ido "el e amarurado pela morte, venceria o dem1nio.
,onsumaram!se os vaticínios dos pro"etas. ,onsumou!se o que )oisés disse4
DQ maldito de +eus
a2uele 2ue est0 %endente do len5oD.
Deut. 61, 6:
.or isto é que o 8p$stolo di+ que
DCristo remiu-nos da "ei=
feito maldi./o %or n9s=
%or2ue est0 esrito6
`#aldito todo a2uele
2ue est0 %endurado no len5o'D.
Nal. :, 1:
,onsumou!se o que disse Davi4
D+eram-me fel %or omida=
e em min5a sede deram-me
vinagre %ara beberD.
Salmo 58, 66
,onsumou!se tam(ém o vaticínio de Isaías, quando disse4
DCu o feri
%or ausa da maldade
de meu %ovoDI
Is. 5:, 8
e tam(ém4
DHoi ofereido %or2ue Cle mesmo o 2uisD.
92
Is. 5:, L
)uitos enimas de "iuras se consumaram, caríssimos, e consumaram!se muitas predi#<es
de pro"etas que "iuravam e anunciavam a morte de ,risto. 7uem, porém, poder% enumerar
a todos, e para que isto aproveitariaF Budo est% consumado. Budo o que antes da morte de
,risto convinha "a+er consumou!se na morte de ,risto.
8 morte de ,risto é para n$s, portanto, a per"eita restaura#ão da vida, é
para n$s a reconcilia#ão divina. 8 morte de ,risto é a remo#ão da culpa, a morte de ,risto é
a atri(ui#ão da /usti#a, a morte de ,risto é para n$s o "echamento do in"erno, a morte de
,risto é a a(ertura do céu, a morte de ,risto é a destrui#ão da pena, a morte de ,risto é a
recupera#ão da l$ria. .ortanto,
Dtudo est0 onsumadoD.
Est% consumado tudo o que pertence & e*tensão do mal- est% consumado tudo o que
pertence & consuma#ão do (em. Est% consumado o que "oi predito pelo /usto Simeão HDuc.
6,65!:5I. Est% consumado o que pro"eti+ou ,ai"%s, ainda que "osse répro(o H2o. 11,9M!56I.
Est% consumado o que o detest%vel 2udas prometeu aos "ariseus H)c. 19,10!11I. Est%
consumado o que .ilatos, in/usto /ui+, in/ustamente /ulou que deveria ser "eito HDuc.
6:,69I. Est% consumado o que o in"eli+ /udeu escolheu para a sua pr$pria perda H)t. 6L,65I.
Est% consumado o que Deus proveu para nossa utilidade. Est% consumada a Dei. Est%
consumada a pro"ecia. Est% consumado o an@ncio anélico. Est% consumado o que os /ustos
esperaram no mundo. Est% consumado o que depois auardaram nos in"ernos. Est%
consumado que, santamente vivendo, mereceram possuir o céu. .ortanto,
Dtudo est0 onsumadoD.
Est% consumada em n$s a /usti#a pela ra#a, e pela /usti#a ser% consumada a l$ria. 8 /usti#a
est% consumada no e"eito, a l$ria est% consumada na causa. Bodos, de "ato, os que
verdadeiramente crEem em ,risto /% são /ustos, (em aventurados na causa, (em aventur%veis
no e"eito. C ap$stolo .aulo nos "ala da causa desta (em aventuran#a quando assim se re"ere
a ,risto4
DConsumado=
tornou-se %ara todos os 2ue l5e obedeem
ausa de salva./o eternaD.
=e(. 5, M
DC se o Cs%*rito da2uele 2ue ressusitou
a ;esus dos mortos 5abita em v9s=
93
Cle= 2ue ressusitou a ;esus Cristo dos mortos=
tamb<m dar0 vida aos vossos or%os mortais=
%or meio de seu Cs%*rito= 2ue 5abita em v9sD.
Kom. 8, 11
,orretamente di+, portanto, o Evanelho que
D(endo ;esus tomado o vinagre= disse6
`(udo est0 onsumado'.
C= inlinando a abe.a=
rendeu o es%*ritoD.
C osto do vinare sini"ica o amaror da morte, a inclina#ão da ca(e#a a dinidade da
humildade, enquanto que a rendi#ão do espírito é a consuma#ão da reden#ão humana. ;a
morte de ,risto, pois, consumaram!se todas as coisas, na medida em que no presente
consuma!se a /usti#a e no "uturo consumar!se!% a l$ria. 7uandoF
DRuando este orru%t*vel
se revestir de inorru%tibilidade=
e 2uando este mortal
se revestir de imortalidadeDI
I ,or. 15, 5:!9
7uando, de "ato,
D1%areer Cristo= 2ue < a vossa vida=
ent/o tamb<m v9s a%areereis om Cle na gl9riaD.
,ol. :, 9
.orém, caríssimos, não podemos descrever su"icientemente, nem louvar dinamente a
pai*ão de ,risto e a reden#ão do Enero humano. 3oltemos, por isso, para n$s mesmos o
nosso discurso e e*aminemos se, no que comporta a nossa pequena medida, seuimos os
vestíios de ,risto tolerando o mal. E /% que ho/e cele(ramos a solenidade da santa cru+ e
"a+emos lem(ran#a da .ai*ão do Senhor, parece /usto que nos e*ortemos mutuamente a
respeito da paciEncia4
94
DSe= de fato= sofremos om Cle=
reinaremos om CleI
e se %artii%armos de suas dores=
estaremos tamb<m Auntos nas suas onsola.OesD.
Kom. 8, 1L
II Bim. 6, 11
C que a esposa, considerando atentamente, di+4
D? meu amado < %ara mim
omo um ramal5ete de mirra=
oloado sobre o meu %eitoD.
,ant. 1, 16
.rocuremos, portanto, entrar pela porta estreita, su(ir pelo caminho %rduo, porque não h%
em outro luar entrada para a /usti#a, nem su(ida para a l$ria.
,aríssimos, estando /% consumado para n$s neste livro este centésimo
sermão, consideremos tam(ém com ele consumado este mesmo livro. .rocuremos
consumar, portanto, as coisas que estão escritas neste sermão e neste livro, crendo,
esperando e amando, para que mere#amos chear & l$ria suprema.
E que para tanto se dine vir em nosso au*ílio 2esus ,risto, nosso Senhor,
que é Deus (endito, pelo séculos dos séculos.
8mén.
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