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O SÁBADO NO ANTIGO TESTAMENTO

:
TEMPO PARA O SENHOR, TEMPO DE ALEGRIA NELE (II)
Gerard Van Groningen*

No presente artigo, damos prosseguimento à reflexão sobre o Sábado no Antigo
Testamento iniciada no número anterior de Fides Reformata Na primeira parte, !imos os
seguintes pontos" o autor da carta aos #ebreus fa$ importantes afirma%&es sobre o repouso
sabático oferecido por 'eus ao seu po!o (caps )*+, -sse repouso tem seu fundamento no
pr.prio descanso usufru/do por 'eus ao t0rmino da sua cria%ão, foi experimentado pelos
primeiros seres 1umanos entre a cria%ão e a 2ueda e foi tipificado pela entrada dos israelitas
na terra prometida 3esus 4risto torna a realidade desse descanso acess/!el ao ser 1umano,
mas o pleno descanso de 'eus somente será desfrutado na consuma%ão de todas as coisas
-mbora toda a -scritura fale do descanso sabático de 'eus, no presente estudo nos
concentramos nos ensinos do Antigo Testamento acerca do assunto
-m seguida, fi$emos algumas considera%&es preliminares sobre o tema, destacando a
unidade da mensagem b/blica, a necessidade de um conceito ade2uado de re!ela%ão e a
import5ncia de uma abordagem condi$ente com o caráter dessa re!ela%ão No ponto
seguinte, foram definidos alguns termos básicos como 6sábado7, 6repouso7 e 6sete,7
discutindo*se a seguir a rela%ão entre as festas 8udaicas e o sábado, a origem do sábado e o
seu desen!ol!imento 1ist.rico 9 último t.pico procurou mostrar a conexão existente entre
a cria%ão e o sábado, demonstrando 2ue o repouso sabático 0 uma institui%ão permanente
2ue !isa propiciar ao ser 1umano uma ocasião especial e alegre de culto e comun1ão com o
seu 4riador
-m continua%ão, obser!emos ainda alguns pontos fundamentais para a nossa compreensão
do sábado
V 9 Sábado e a :ei ;oral
A lei fre2<entemente 0 mencionada como a ra$ão básica para a guarda do sábado cristão na
era do No!o Testamento -sse fato tem causado muitos conflitos e di!is&es A culpa dessa
situa%ão não de!e ser colocada na lei como tal Antes, as dificuldades resultam de uma
interpreta%ão err=nea da lei, de isolar*se essa lei dos pactos da cria%ão e da gra%a,
limitando*a exclusi!amente ao pacto sina/tico (mosaico,, e>ou de considerar*se a lei como
absoluta em sua apresenta%ão literal no Antigo Testamento
Todos n.s sabemos 2ue, em sua ess?ncia, a lei de 'eus 0 mais abrangente do 2ue está
descrito no 'ecálogo (6de$ pala!ras7, Toda!ia, 3esus di$ 2ue a lei pode ser resumida em
menos de de$ express&es -le usou somente uma pala!ra" amor -sse amor de!e ser
expresso de maneira ade2uada 'eus auxiliou graciosamente o ser 1umano pecador -ssa
gra%a foi demonstrada de modo particular à na%ão teocrática de @srael Algumas normas
básicas para a !ida de amor foram formuladas explicitamente, ou se8a, no 'ecálogo @sso
não significa 2ue essas normas tornaram*se a lei de 'eus 2uando foram formuladas 'e
modo nen1um, pois a !ontade de 'eus 8á era con1ecida antes disso Somos informados 2ue
Abraão obedeceu a 'eus pela guarda de seus mandados, preceitos, estatutos e leis (Gn
ABC, A desobedi?ncia à autoridade, o assassinato, o roubo e o adult0rio são mencionados
D
como ra$&es básicas para a necessidade do sangue Tem 1a!ido tentati!as de encontrar*se
afirma%&es expl/citas no G?nesis em 2ue cada um dos 'e$ ;andamentos se8a mencionado
direta ou indiretamente -ssa busca não 0 frut/fera, não mais 2ue a busca da origem dos
sacrif/cios
9 prop.sito da promulga%ão da lei moral no Sinai não foi legali$ar, regular de maneira
estrita, amarrar e confinar a !ida da na%ão teocrática A sua pr.pria ess?ncia, o amor, 2ue
;ois0s acentuou repetidamente no li!ro do 'euteron=mio, 0 uma pro!a concreta desse
fato A lei foi o gracioso aux/lio de 'eus ao ser 1umano @srael te!e o grande pri!il0gio de
contar com a assist?ncia espec/fica de 'eus Eesgatada do -gito, tomada por 'eus como
sua noi!a espiritual (Fx DG)*B,, a ser usada para a sal!a%ão de pessoas de todas as na%&es,
a na%ão de @srael tin1a grande necessidade de normas explicitamente re!eladas sobre como
relacionar*se com seu noi!o santo e perfeito @srael 1a!ia estado na escra!idão, sob pesado
8ugo de trabal1o opressor, e não ti!era a liberdade de regular a sua pr.pria !ida @srael 1a!ia
testemun1ado o despre$o dos eg/pcios para com 'eus na forma do culto à lua e ao rio Nilo
#a!ia testemun1ado trágicos abusos de autoridade, a morte gratuita de seus fil1os (por
exemplo, rec0m*nascidos e escra!os espancados, e o adult0rio Sem dú!ida, a sensibilidade
de @srael 1a!ia se embotado A consci?ncia moral tanto dos adultos 2uanto dos 8o!ens fora
maculada, distorcida e deformada pelo contexto em 2ue 1a!iam !i!ido
Assim, 2uando repentina e miraculosamente foi redimido da escra!idão, 2uando
repentinamente tornou*se um po!o li!re, não mais su8eito aos a%oites dos capata$es e aos
guardas 2ue o !igia!am a cada momento, @srael precisou muito de um aux/lio gracioso
4omo po!o de 'eus, @srael tin1a de ser!ir a 'eus como seu parceiro Assim sendo, 'eus
concedeu alguns elementos básicos e essenciais da sua !ontade para regular e guiar a !ida
de @srael -sses elementos da sua !ontade não eram regras temporárias -les eram e são a
expressão da !ontade eterna de 'eus para o ser 1umano H importante repetir 2ue foi um
pri!il0gio para @srael receber a expressão da !ontade de 'eus Ioi um !erdadeiro pri!il0gio
espiritual amoldar*se à !ontade de 'eus Toda!ia, não de!emos es2uecer 2ue o pri!il0gio
trouxe consigo responsabilidades e obriga%&es @sso @srael tamb0m precisa!a aprender
A forma em 2ue a lei foi dada reflete a situa%ão 1ist.rica de @srael e tamb0m a sua situa%ão
moral Jm po!o 2ue 1a!ia estado debaixo da tirania, e agora !ia*se repentinamente li!re,
tin1a de aprender a !i!er como um po!o pri!ilegiado 'a/ a ?nfase nas obriga%&es e
responsabilidades A forma negati!a da maior parte dos mandamentos tamb0m se explica
em parte pelas circunst5ncias 1ist.ricas, assim como pelas inclina%&es pecaminosas de toda
a 1umanidade

9s mandamentos foram dirigidos especificamente a @srael ;as isso não limita a lei moral a
@srael, como alegam alguns @srael tin1a um papel !icárioK de!ia !i!er diante de 'eus,
por0m como um transmissor de sua !ontade e sal!a%ão a pessoas de todas as na%&es A
!ontade de 'eus 0 para todos os seres 1umanos A lei moral, 2uer os 1omens a con1e%am
ou não, mesmo 2ue ten1am desen!ol!ido costumes contrários a ela (por exemplo, os
ca%adores de cabe%as,, não diminui a uni!ersalidade da lei
9s mandamentos tamb0m foram formulados em termos da 1ist.ria de @srael 4onsiderem*
se alguns exemplos 9 segundo mandamento fala em imagens de coisas 2ue estão acima da
A
terra, na terra e debaixo da terra ;uitos estudiosos insistem 2ue isso reflete uma
cosmo!isão antiga e primiti!a H poss/!el Jm fato 2ue podemos aceitar com naturalidade 0
2ue, se o segundo mandamento ti!esse de ser promulgado nesta era de a!i&es supers=nicos,
na!es espaciais e armas nucleares, certamente seriam empregados diferentes termos e
referenciais 4onsidere*se o 2uinto mandamento Nele encontramos refer?ncias à terra de
4anaã 2ue o Sen1or iria dar em possessão a @srael No d0cimo mandamento, as refer?ncias
a cobi%ar esposa e casa certamente são rele!antes para os nossos dias Lor0m, para 2uantos
mil1&es de 1abitantes de cidades, assim como modernos fa$endeiros 2ue possuem frotas de
tratores e camin1&es, a refer?ncia ao boi e ao 8umento, animais de carga e de !iagem, tem
2ual2uer rele!5ncia espec/ficaM Sim, na ess?ncia, na inten%ão, a realidade da lei não 0
alterada A !ontade de 'eus permanece a mesma para todos os aspectos da sua cria%ão
Lermitam*me fa$er refer?ncia a um incidente ocorrido durante a min1a adolesc?ncia, na
d0cada de DG)N Nosso !i$in1o, descendente de franceses e muito incr0dulo, tin1a 2uatro
ca!alos 8o!ens, fortes e bonitos para preparar sua fa$enda de +N 1ectares para o plantio da
prima!era ;eu pai tamb0m tin1a +N 1ectares para preparar a cada prima!era, mas somente
dispun1a de um precário con8unto de 2uatro ca!alos mais !el1os 4erto dia de prima!era,
depois 2ue nossa fa$enda esta!a toda plantada, con!ersamos com nosso !i$in1o franc?s,
2ue ainda precisa!a de mais dois ou tr?s dias de trabal1o para terminar o seu plantio Num
tom 2ueixoso, ele disse ao meu pai" 6Voc?, 1oland?s, sempre termina o plantio antes de
mim -u ten1o ca!alos mais 8o!ens e fortes e trabal1o sete dias por semana -xpli2ue*me
por 2ue !oc? termina primeiro7 ;eu pai sorriu e disse" 6N.s trabal1amos cinco dias e
meio por semana Sábado à tarde limpamos e esco!amos os ca!alos !el1os e no domingo
os deixamos descansar -les sempre estão re!igorados na segunda*feira 9s seus ca!alos
nunca estão descansados e re!igorados7
-sta foi uma introdu%ão um tanto extensa ao 2uarto mandamento, 2ue 0 a nossa principal
preocupa%ão Sem dú!ida, o contexto geral da lei explica certos elementos desse
mandamento 2ue t?m causado dificuldades para muitas pessoas As refer?ncias do
mandamento a ser!os e ser!as, bois e 8umentos podem não ser particularmente rele!antes
na !ida moderna, não mais 2ue no d0cimo mandamento ;as a ?nfase, a mensagem relati!a
à !ontade de 'eus, não 0 diferenteO
9s dois principais problemas 2ue o 2uarto mandamento nos apresenta 1o8e são a refer?ncia
enfática ao s0timo dia e a forte proibi%ão de todo trabal1o Puanto ao problema do s0timo
dia, 0 importante lembrar os tempos do Antigo Testamento aos 2uais 8á nos referimosD 9
ciclo do tempo era !isto em termos de seis dias de trabal1o e um dia de culto, seguindo o
padrão de regulamenta%ão do tempo estabelecido por 'eus na cria%ão A obra recriadora de
'eus ainda não 1a!ia c1egado à2uele estágio em 2ue o padrão de regulamenta%ão de!eria
ser a ressurrei%ão e o Lentecoste, os grandes e!entos 2ue assinalaram antecipadamente a
perfei%ão da obra recriadora @srael ainda tin1a 2ue aguardar o túmulo !a$io e os c0us
abertos no Lentecoste Ao atra!essar o ciclo do tempo, @srael tin1a somente o modelo
criador original para seguir
9 fato importante 0 2ue a ?nfase tanto de Fxodo ANQ 2uanto de 'euteron=mio CDAA está
posta no dia de Sábado, e não no s0timo 9 sábado de!e ser lembrado e ade2uadamente
obser!ado segundo a !ontade de 'eus 9 dia santo, dia de 'eus, de!e ser uma pausa na
)
se2<?ncia das ati!idades diárias 4omo po!o escra!o, @srael não ti!era a oportunidade de
fa$er isso No deserto, pro!a!elmente era muito dif/cil fa$?*lo, em todos os sentidos
Toda!ia, 'eus insistiu em 2ue @srael utili$asse esse pri!il0gio e 2ue o fi$esse de acordo
com a 0poca pactual em 2ue !i!ia e ser!ia a 'eus A ordenan%a e o tema da cria%ão
esta!am presentes de modo predominante Assim, o fato de 2ue o s0timo dia 0 mencionado
como o dia do sábado não torna necessariamente o s0timo dia em um dia a ser obser!ado
por todas as pessoas de todas as 0pocas Toda!ia, as refer?ncias à cria%ão e ao ciclo
estabelecido certamente mostram 2ue o m/nimo 2ue se pode di$er 0 2ue 'eus acentuou 2ue
um s0timo do tempo do 1omem 0 tempo de 'eus H um tempo para o culto, tempo para as
pessoas terem comun1ão com o seu 'eus -ssa adesão ao padrão de tempo estabelecido por
'eus esta!a no 5mago da !ida religiosa do ser 1umano 'eus exigiu 2ue a 1umanidade
expressasse de maneira espec/fica o seu amor pelo 'eus criador>redentor 9 amor re2uer
tempo para ser expresso ade2uadamente
A ?nfase positi!a do 2uarto mandamento 0 2ue o ser 1umano de!e lembrar e obser!ar esse
padrão definido estabelecido por 'eus e usar o tempo para as finalidades 2ue 'eus mesmo
determinou 9 fato de 2ue a ?nfase não de!e ser colocada no s0timo dia como tal 0
mostrado de modo especialmente claro no No!o Testamento, onde lemos de pessoas 2ue
obser!a!am o ciclo e seguiam o padrão, guardando um dia em sete para terem comun1ão
com 'eus Toda!ia, elas o fa$iam no dia 2ue assinalou os e!entos do triunfo da obra
recriadora de 'eus
Ainda precisamos mencionar o forte aspecto negati!o deste mandamento #á uma ?nfase
muito clara no fato de 2ue o ser 1umano não de!ia reali$ar nen1um trabal1o f/sico ou
ocupar*se de suas ati!idades diárias -le de!ia afastar*se tanto do controle direto do seu
trabal1o 2uanto da participa%ão no mesmo -le de!ia repousar dos seus labores e liberar*se
dos mesmos -stes não de!iam embara%á*lo, en!ol!?*lo, ser um fardo e um problema 'i$*
se antropomorficamente 2ue 'eus descansou (nu’ach, 9 termo em si não significa
ociosidade, inati!idade completa Significa parar de fa$er alguma coisa, ficar li!re da
mesma #umanamente falando, isso pode ser dito de 'eus em rela%ão à sua obra criadora
At0 2ue ponto o 1omem de!ia repousar dos seus laboresM -le não de!ia tornar*se indolente,
ficar sem fa$er absolutamente nada Antes, de!ia ficar li!re da rotina do seu trabal1o diário
em todos os seus diferentes aspectos Al0m disso, 2uais2uer aspectos da !ida diária ligados
ao sábado de!iam, se poss/!el, ser tratados nos seis dias de trabal1o 9 Sen1or foi enfático
nesse ponto, no in/cio da 1ist.ria do po!o teocrático Antes de o 2uarto mandamento ser
promulgado formalmente, o Sen1or instruiu o seu po!o libertado a obser!ar o padrão de
tempo regulamentado -le os a8udou de modo muito espec/fico -le rete!e o maná no
sábado (Fx DB, @srael não de!ia ocupar*se inde!idamente com o problema do alimento
2uando tin1a o pri!il0gio de afastar*se do labor diário e ocupar*se de seus exerc/cios
espirituais Assim, o Sen1or instruiu graciosamente o seu po!o da maneira mais prática
poss/!el
-m Números DC)A*)B, lemos de um 1omem 2ue saiu a apan1ar len1a no sábado 9s
l/deres sabiam 2ue o 1omem 1a!ia transgredido a !ontade de 'eus 2uanto ao sábado -le
1a!ia tido seis dias para apan1ar len1a -les não sabiam o 2ue fa$er nesse caso 9 1omem
tin1a 2ue morrerM (Ver Fx )DD+, 9 Sen1or re!elou a ;ois0s e a seus auxiliares 2ue esse
+
ato aparentemente sem import5ncia R apan1ar len1a R, foi toda!ia um desafio
premeditado e calculado da !ontade expressa de 'eus No mesmo cap/tulo, lemos sobre
pecados praticados in!oluntariamente Puanto a estes, podia*se oferecer sacrif/cios e
receber o perdão Lor0m, para pecados gra!es, isto 0, calculados, premeditados e
plane8ados, não 1a!ia sacrif/cios 9 pecador tin1a de fa$er um sacrif/cio oferecendo a sua
pr.pria !ida -sse pecado deliberado 0 exemplificado pelo 1omem 2ue apan1ou len1a no
dia de sábado
4on!0m destacar a2ui 2ue, em todos os casos de pecado premeditado contra um dos 'e$
;andamentos, sobre os 2uais lemos no Antigo Testamento, não se exigia 2ue as pessoas
dessem a sua !ida 'a!i plane8ou friamente e cuidadosamente o assassinato de Jrias ap.s
ter conscientemente c1amado Sate*Seba e cometido adult0rio com ela No Salmo CD, 'a!i
confessa o seu pecado de assassinato Nos !ers/culos DT a DG, ele admite não ter sacrif/cios
2ue possam agradar a 'eus ;as ele não perde a sua !ida f/sica Lor0m, mesmo assim ele
fa$ um sacrif/cio !erdadeiro, seu esp/rito 2uebrantado e cora%ão contrito 4ertamente esse
foi um sacrif/cio aceitá!el Assim, !emos a gra%a do No!o Testamento atuando claramente
no Antigo Testamento Vemos 2ue na 0poca do Antigo Testamento não 1a!ia um legalismo
r/gido A ess?ncia da lei era o mais importante Lredomina!a a ?nfase espiritual da lei
Toda!ia, o 1omem 2ue apan1ou len1a no dia de sábado, 2ue foi aprisionado mas não
parece ter demonstrado arrependimento, 2ue !i!eu e deliberadamente pecou nos estágios
iniciais da !ida teocrática da na%ão, tin1a de perder a sua !ida por transgredir a lei -le
recusou*se a experimentar os pri!il0gios espirituais 2ue era obrigado a aceitar
Puando consultamos o Antigo Testamento, podemos compilar uma interessante lista de
de!eres praticados e de ati!idades proibidas A prop.sito, não lemos sobre limita%&es
definidas impostas a todos os tipos de !iagens e ao socorro dos enfermos Al0m dos
incidentes do maná e da len1a, encontramos as seguintes proibi%&es" trabal1ar no dia de
sábado na 0poca da aradura e da col1eita (Fx )+AD,K acender fogo nas moradias (Fx )C),K
!ia8ar ou cuidar dos pr.prios interesses no santo dia de 'eusK seguir os pr.prios camin1os,
fa$er a pr.pria !ontade e falar pala!ras !ãs (@s CQD),K transportar cargas a neg.cio ou para
o sustento diário no sábadoK introdu$ir cargas pelas portas de 3erusal0mK tirar cargas da
pr.pria casa (3r DTAD*AA,K e fa$er 2uais2uer transa%&es comerciais (Am QC, -m Neemias
D)DC*AA, lemos sobre as exorta%&es gerais de Neemias no sentido de não permitir 2ue os
estrangeiros fa%am !in1o, transportem produtos agr/colas e os !endam na cidade de
3erusal0m
As ati!idades ou de!eres reali$ados no dia de sábado eram muito !ariados (o fato de serem
mencionados não significa 2ue eram permitidos, mas tamb0m não 1á o registro de
ob8e%&es," (a, Sacrif/cios eram tra$idos no sábado, o 2ue en!ol!ia transportar, abater,
acender o fogo (Nm AQG*DNK -$ +BD*+, (b, 9s pães da proposi%ão eram trocados @sto 0
particularmente interessante em !ista da proibi%ão de recol1imento do maná (c, 9s guardas
do palácio esta!am em ser!i%o e eram mudados regularmente (A Es DDC*Q, (d, As pessoas
!ia8a!am para ou!ir a Lala!ra da parte dos profetas (A Es +A), e !ia8a!am ao templo para o
culto (A Es DDC*QK -$ +CBss,
9 estudo cuidadoso da aplica%ão do 2uarto mandamento torna claro a todos 2ue não 1a!ia
uma aplica%ão r/gida e legalista da lei Ao mesmo tempo, o despre$o do mandamento ou,
C
mais especificamente, do sábado, não era ignorado -$e2uiel lembra a @srael 2ue a sua
cont/nua transgressão do sábado no deserto foi um ato de profana%ão (-$ AND), -sse
pecado 0 colocado em uma categoria especial em distin%ão a outras ordenan%as No
cap/tulo AAQ, lemos sobre a 2ueixa de 'eus contra @srael no ex/lio" !oc?s despre$aram as
min1as coisas santas e profanaram os meus sábados -$e2uiel afirma categoricamente 2ue
ao profanar o sábado de 'eus @srael profanou a 'eus entre as na%&es (AAAB, Assim, a
2ueixa de 'eus contra @srael não foi pelo fato de 2ue o po!o transgrediu ocasionalmente
um preceito, de 2ue ele não obser!ou rigidamente um detal1ado sistema legal, mas pelo
fato de 2ue @srael recusou*se considerar como o Sen1or 1a!ia se en!ol!ido no ciclo do
tempo de maneira 2ue o seu po!o pudesse ter comun1ão com ele 'eus 1a!ia separado
a2uele tempo, santificando*o para o culto ;as @srael transformou*o em um tempo comum,
usou esse tempo para o seu pro!eito e pra$er pessoal Assim, 'eus foi profanado
@sa/as 0 espec/fico ao mostrar como @srael, ao obser!ar a forma exterior do mandamento,
toda!ia não satisfe$ o seu re2uisito espiritual 9u%am como 'eus re8eitou a guarda do
sábado por parte de @srael, os seus sacrif/cios e o seu culto" 6Puando !indes para
comparecer perante mim, 2uem !os re2uereu o s. pisardes os meus átriosM Não continueis
a tra$er ofertas !ãs as festas da lua no!a, os sábadosK não posso suportar ini2<idade
associada ao a8untamento solene a min1a alma as aborreceK 8á me são pesadasK estou
cansado de as sofrer7 (@s DDA*D+, As mãos de @srael esta!am c1eias de sangue A opressão
dos pobres e a explora%ão dos .rfãos e das !iú!as anula!am todos os atos externos e
formais de obser!5ncia do sábado, dos sacrif/cios e das assembl0ias de culto 9 2ue as
pessoas 1a!iam feito do sábado foi inteiramente re8eitado, sim, at0 mesmo o pr.prio
sábado, por causa da2ueles 2ue se recusa!am a 1onrar, amar e ser!ir ao Sen1or do sábado
com amor !erdadeiro e consagra%ão espiritual
Vemos 2ue 'eus sempre exigiu uma atitude profundamente espiritual em rela%ão ao
sábado, o tempo para o culto e a comun1ão alegre -ssa era a ?nfase da lei Lara a8udar
@srael a alcan%ar a b?n%ão desse grande pri!il0gio, 'eus insistiu 2ue as pessoas o imitassem
2uanto ao ciclo do tempo e a distribui%ão do trabal1o Assim, os seres 1umanos reali$ariam
o ideal de 'eus A glorifica%ão do trabal1o semanal por parte de 'eus não seria !anta8osa
para a ?nfase espiritual da !ontade di!ina Sim, o trabal1o diário consagrado e santificado
seria durante seis dias uma barreira entre o 4riador e a sua criatura, 2uando fosse 1ora de
comun1ão espiritual pessoal e /ntima 9 ser 1umano de!ia des!encil1ar*se tanto 2uanto
poss/!el da2uilo 2ue impedia uma comun1ão !erdadeiramente espiritual, um momento de
culto realmente alegre
-xiste outro fator 2ue de!emos abordar rapidamente nesta se%ão sobre a lei e o sábado -m
Fxodo AN, 1á uma refer?ncia à cria%ão ao se estabelecer o pri!il0gio e a obriga%ão do culto
Eecordemos 2ue !imos como foi suprida a comun1ão espiritual entre 'eus e o ser 1umano
@sso propiciou o contexto sal!/fico depois 2ue o pecado maculou a cria%ão Ao apresentar a
lei a @srael, 'eus colocou*a no contexto da liberta%ão do -gito com sua escra!idão,
ser!idão e morte 'epois, toda a lei foi colocada em um contexto de reden%ão 9 ?xodo de
@srael do -gito 0 o grande tipo do ?xodo da 1umanidade para longe do pecado A gratidão
por essa liberta%ão, tanto da parte de @srael 2uanto da 1umanidade em geral, de!e moti!ar
re!er?ncia pela !ontade de 'eus e obedi?ncia à mesma
B
-m 'euteron=mio C !emos reiterada essa refer?ncia à liberta%ão, não somente no pr.logo,
mas substituindo a refer?ncia à cria%ão no 2uarto mandamento H !erdade 2ue essa
refer?ncia deuteron=mica cont0m um elemento 1umanitário e social, mas a ?nfase, 2ue
muitos estudiosos ignoram, está em 6o Sen1or, teu 'eus, te tirou dali com mão poderosa e
bra%o estendidoK pelo 2ue o Sen1or, teu 'eus, te ordenou 2ue guardasses o dia de sábado7
(CDCb, Voc? percebe a mudan%a 2ue ocorreu a2uiM A ?nfase transferiu*se para a obra
recriadora de 'eus, parte da 2ual foi a liberta%ão de @srael do -gito 9 sábado de @srael
de!e tornar*se uma comemora%ão de sua liberta%ão di!ina do cati!eiro eg/pcio Assim
sendo, a guarda do sábado por @srael recebe uma no!a perspecti!a 2ue irá tornar*se a ?nfase
do No!o Testamento
@sso nos le!a à terceira ra$ão dada no Antigo Testamento para o sábado de 'eus Lor uma
2uestão de bre!idade, utili$aremos a expressão encontrada em Fxodo )D e -$e2uiel AN R o
sinal da alian%a
V@ 9 Sinal da Alian%a
Normalmente, 2uando lemos sobre os sinais da alian%a, pensamos nos sacramentos 9
sábado nunca foi um sacramento Toda!ia, ele está relacionado mais intimamente com a
alian%a do 2ue 2ual2uer outro dos elementos enfati$ados no 'ecálogo Al0m disso, em
#ebreus ) e + o sábado está relacionado com a grande obra redentora de 'eus,
especialmente com o al!o e o resultado dessa obra, o repouso sabático de 'eus
Não podemos abordar a2ui a id0ia, a inten%ão, as partes e as condi%&es da alian%a, nem as
distin%&es entre as alian%as do Antigo e do No!o Testamento) -ntendemos a alian%a como
sendo o ato di!ino e abrangente do 'eus Soberano pelo 2ual ele estabeleceu
unilateralmente um !/nculo de amor e !ida com o portador da sua imagem e com o ser
1umano pecador ap.s a 2ueda, no 2ual sal!a%ão, !ida eterna e b?n%ãos gloriosas são
prometidas e seladas para o ser 1umano 2ue está no camin1o da f0 e da obedi?ncia -sse
pacto eterno e gracioso te!e uma administra%ão especificamente temporária no Antigo
Testamento, 2ue 8á se encerrou No entanto, essa administra%ão inicial encerrou*se 2uando
os seus prop.sitos se cumpriram no desen!ol!imento da alian%a eterna
:emos em Fxodo )DDB*DT 2ue o sábado de!e ser uma alian%a perp0tua, por todas as
gera%&es, entre 'eus e @srael Puando se afirma 2ue ele 0 um sinal+ perp0tuo entre 'eus e
@srael, as pessoas t?m entendido isso como uma refer?ncia à administra%ão mosaica da
alian%a -$e2uiel, ao recapitular a 1ist.ria de @srael, lembrou aos exilados da Sabil=nia 2ue
'eus 1a!ia poupado a @srael no deserto 2uando este profanou os seus sábados e o cora%ão
do po!o !oltou*se para os /dolos (ANDB*DT, 9 profeta continuou a narrati!a referindo*se
aos apelos de 'eus no sentido de 2ue @srael não se corrompesse, mas andasse nos seus
estatutos, guardasse os seus 8u/$os e santificasse os seus sábados, para 2ue ser!issem de
sinal entre ele e @srael, 6para 2ue saibais 2ue eu sou o Sen1or, !osso 'eus7 (ANDQ*AN,
Sem dú!ida, !emos uma refer?ncia ao relacionamento espec/fico entre 'eus e o @srael do
Antigo Testamento A guarda dos sábados era de suprema import5ncia para a manuten%ão
de relacionamentos espirituais ade2uados Lor0m, o relacionamento aludido em ambos os
exemplos 0 mais profundo e mais abrangente do 2ue entendemos 2ue o relacionamento
nacional ou mesmo o teocrático*go!ernamental de!eria ser 9 elemento predominante 0 o
T
relacionamento espiritual profundamente duradouro, 2ue 0 a ess?ncia da alian%a eterna e 0
fundamental para a administra%ão sina/tica da alian%a -sse 0 o único sentido poss/!el da
expressão enfática 6eu sou o Sen1or, !osso 'eus7 (ANAN,
Vemos a mesma id0ia expressa em Fxodo )D Ia$*se refer?ncia à guarda apropriada do
sábado depois 2ue 'eus deu a ;ois0s instru%&es detal1adas acerca do tabernáculo, do
sacerd.cio e de outros elementos relacionados ao culto de @srael ;ois0s de!ia di$er ao
po!o" 64ertamente, guardareis os meus sábadosK pois 0 sinal entre mim e !.s nas !ossas
gera%&esK
para 2ue saibais 2ue eu sou o Sen1or, 2ue !os santifica7 ()DD), -ssa santifica%ão tem a
conota%ão espiritual de liberta%ão, purifica%ão e preser!a%ão do pecado -sse não 0
simplesmente um conceito do pacto mosaico, e sim um elemento integral da alian%a eterna
Puando consideramos diferentes pontos discutidos em se%&es anteriores, como, por
exemplo, a !i!a comun1ão 2ue de!ia ser desfrutada no sábado aben%oado e santificado (Gn
A),, e os aspectos recreati!os 2ue repetidamente !?m à tona no estabelecimento das leis
relati!as ao sábado, compreendemos 2ue está inteiramente de acordo com a analogia da f0
apresentada nas -scrituras !er o sábado como um sinal, uma e!id?ncia e uma pro!a da
!inda de 'eus ao ser 1umano para libertá*lo do seu pecado e para restabelecer a comun1ão
entre 'eus e o 1omem Tamb0m !ale lembrar 2ue 0 no sábado 2ue esse compan1eirismo e
essa !i!a comun1ão entre 'eus e o ser 1umano de!em ser usufru/dos de modo especial
No contexto pactual da ordenan%a da cria%ão 2ue 0 o sábado e na inclusão do sábado na lei,
!emos o significado profundo e duradouro do sábado, o dia do Sen1or 'eus, o dia
estabelecido por ele para uma !i!a comun1ão com o ser 1umano Nesse contexto, tornam*
se claras as pala!ras de 3eremias DTDG*AT -m uma leitura casual, 3eremias parece sugerir
uma 8usti%a deri!ada de obras, mais especificamente a sal!a%ão pela guarda do sábado 9
profeta fala em termos comuns à sua situa%ão 1ist.rica, mas isso não esconde a amea%a de
destrui%ão espiritual em meio à con!ulsão e à ru/na nacional e social -le afirma 2ue a
sal!a%ão R f/sica, nacional, social e espiritual R depende de se santificar 6o dia de sábado,
como ordenei a !ossos pais7 (! AA,, 6se, de!eras, me ou!irdes e santificardes o dia de
sábado7 (! A+,, então 1a!erá a garantia de !ida, prosperidade e liberta%ão 6;as, se não me
ou!irdes, e por isso não santificardes o dia de sábado, e carregardes alguma carga então,
acenderei fogo nas suas portas7 (! AT, e !irá plena destrui%ão
Nesse texto, 3eremias simplesmente toma uma parte em lugar do todo -le não descre!e
cada etapa 2ue o po!o da alian%a de!e cumprir para alcan%ar as promessas da alian%a eterna
re!elada a Adão, No0, Abraão e patriarcas posteriores Toda!ia, um dos mandamentos da
lei moral 0 utili$ado para indicar todo o modo de !ida da alian%a Lor 2ue 'eus usa o
sábado dessa maneira, atra!0s de 3eremiasM Lor2ue o sábado está relacionado de modo
muito profundo com o !/nculo pactual !i!o 2ue existe entre 'eus e o seu po!o -speramos
ter tornado isso claro anteriormente Neste momento, basta acentuar enfaticamente 2ue a
mel1or maneira pela 2ual 3eremias poderia apresentar a !ida positi!a e redimida de f0 e
obedi?ncia seria pela alusão à guarda do dia no 2ual a doce comun1ão com 'eus de!ia ser
repetidamente experimentada e usufru/da
Q
4oncluindo esta se%ão, !emos como certos fatores espec/ficos como o sábado são utili$ados
para apresentar os fatos eternos e assegurados da !ida espiritual Ningu0m pode negar 2ue o
sábado, em sua forma !eterotestamentária, desempen1ou um papel primordial na alian%a
mosaica Assim foi por causa da sua inclusão em todo o drama do relacionamento do ser
1umano com 'eus, antes da 2ueda e no contexto da alian%a eterna 'e fato, assim foi
por2ue o sábado pode, mel1or do 2ue 2ual2uer outra coisa, falar tão bem a um @srael
imaturo e pecador acerca do repouso duradouro de 'eus, o al!o e o resultado da eterna
alian%a, o refúgio para todos os pecadores aflitos e cansadosC
Assim sendo, como um sinal da alian%a, o significado redentor 2ue 'eus atribuiu ao sábado
torna*se mais claro 9 sábado continuou a ser uma ordenan%a da cria%ão, uma parte integral
do padrão de tempo regulado, estabelecido para a comun1ão entre 'eus e o ser 1umano 9
sábado continuou a ser um aspecto integral da lei moral, mas assim foi por causa do seu
significado para a reden%ão eterna do ser 1umano ca/do 2ue foi soberanamente escol1ido
para entrar no eterno repouso sabático de 'eus
V@@ 9 Sábado, Jm 'ia Lara o 4ulto
Temos acentuado o significado redentor do dia de sábado Nesse contexto, podemos !er
facilmente por 2ue o sábado era um dia de culto Toda!ia, não de!emos es2uecer 2ue o
sábado foi destinado para o culto desde o pr.prio in/cio da 1ist.ria -le era o tempo de
comun1ão alegre e feli$ 9 pecado destruiu essa comun1ão, mas 'eus mante!e o seu dia
para o contentamento de sua obra criada e como um al!o colocado diante do ser 1umano
deca/do Assim, o 1omem pode continuar a desfrutar do sábado -le fala!a da recria%ão,
assim como da cria%ão -le fala!a da !ida, a !ida de amor com 'eus -le fala!a de alegria
eterna e bendita pa$
Nas se%&es 2ue tratam da cria%ão, da lei e do sinal da alian%a, apresentamos o contexto
básico do sábado como dia de culto Ioi mostrado claramente 2ue esse era o seu primeiro
grande prop.sito, o descanso do trabal1o sendo um meio para esse fim 9 uso do sábado
como um modo de pro!ar a @srael encaixa*se nesse contexto Eesta*nos obser!ar como as
-scrituras do Antigo Testamento apresentam o prop.sito de adora%ão na institui%ão do
sábado
-m primeiro lugar, podemos considerar o fato de 2ue os sacrif/cios de!iam ser tra$idos no
sábado Puando estudamos Números Q e :e!/tico DUB, !emos 2ue esses sacrif/cios não
foram enfati$ados de maneira especial como s/mbolos e 6meios7 de confissão de pecados,
mas foram concebidos para expressar consagra%ão a 'eus, bem como gratidão e alegria no
Sen1or H !erdade 2ue os israelitas foram exortados a afligir as suas almas em um sábado
solene (:! DBAG,)D,, mas isso de!ia ser feito no 'ia da -xpia%ão @srael foi exortado a
confessar o seu pecado A oferta pelo pecado e a oferta pela transgressão podiam ser
tra$idas em 2ual2uer dia ;as no sábado predomina!am os sacrif/cios de consagra%ão,
gratidão e comun1ão alegre
:emos 2ue Salomão prescre!eu esses sacrif/cios de gratidão e lou!or 2uando o templo foi
conclu/do e dedicado para o culto a 'eus (D 4r A))DK A 4r A+, Vemos 2ue a id0ia de culto
tamb0m esta!a presente 2uando @srael reunia*se no templo no sábado, na 0poca dos reis (A
Es DDDB,
G
Na 1ist.ria da mul1er rica de Sun0m cu8o fil1o morreu, obser!amos 2ue o sábado era um
dia no 2ual @srael busca!a o profeta para ou!ir a pala!ra do Sen1or (A Es +A),
No!amente, esse 0 um contexto geral de festi!idade e culto, pois o sábado está relacionado
com a festa da lua no!a, 2ue certamente era um e!ento alegre e pra$eroso, uma ocasião
para ban2uetes e comun1ão (D Sm ANDQ*AG, 'e fato, 0 importante mencionar 2ue a maior
parte das refer?ncias ao sábado no Antigo Testamento ocorrem no contexto do culto, da
comun1ão de 'eus com o ser 1umano e da resposta deste a 'eus
-sse dia de culto de!ia ser um dia de alegria e celebra%ão 9s comentaristas e mestres
8udeus t?m dado muita ?nfase a esse fato -m seu li!ro bastante informati!o acerca do
8uda/smo, # VouW fe$ uma descri%ão muito detal1ada do prop.sito alegre e do caráter
festi!o do sábado do Antigo Testamento 3oX 'a!idman, uma autora cristã*8udia,B discute o
2uarto mandamento sob o t/tulo 6'ia de Eego$i8o7 -ssa era a nota dominante 2ue 'eus
pretendia para o dia de sábado -le de!ia ser um dia festi!o 'e!ia ser um antego$o alegre
e agradá!el da gloriosa festa do c0u @sa/as exalta esse caráter festi!o do sábado do Sen1or
di$endo 2ue os estrangeiros 2ue se c1egam ao Sen1or, o eunuco, todos os 2ue guardam o
sábado, não profanando o nome de 'eus, e abra%am a sua alian%a (obser!e*se a conexão
entre sábado, nome e alian%a,, entrarão no santo monte de 'eus e se alegrarão na casa de
ora%ão a casa de ora%ão para todos os po!os (@s CBD*DA, 9s elementos redentores da
alian%a eterna são apresentados de modo claro e direto Todos os po!os 1a!erão de
participar da alegria
dessa reden%ão ao guardarem a alian%a e o sábado do Sen1or
9 elemento de alegria no contexto festi!o 0 indicado por 9s0ias at0 mesmo no meio de sua
ad!ert?ncia de destrui%ão iminente, 2uando ele di$, como porta*!o$ de 'eus" 6Iarei cessar
todo o seu go$o, as suas festas de lua no!a, os seus sábados7 (9s ADD, H e!idente 2ue
todas as festas, a/ inclu/dos os sábados, eram dias de rego$i8o
-$e2uiel descre!e a gloriosa consuma%ão e o eterno repouso de 'eus ao falar pala!ras de
consolo, 5nimo, pa$ e alegria aos exilados da Sabil=nia 2ue c1ora!am a 2ueda da sua
cidade natal, 3erusal0m (!er -$ ))AD*AA e -$ +T U +Q, 9s cap/tulos ++ U +B falam das
festas preparadas pelos sacerdotes para serem celebradas nos dias de festas e nos sábados
'e fato, @sa/as admoesta o po!o a tornar o sábado uma ocasião alegre e festi!aK ele o
conclama a tornar o sábado um dia mui pra$eroso, mas na comun1ão com o Sen1or (@s
CQD),
9 salmista entendeu a !erdadeira inten%ão e o esp/rito do sábado do Sen1or 9 Salmo GA 0
especificamente identificado como um 645ntico para o dia de sábado7 9 c5ntico come%a
com uma nota de lou!or" 6Som 0 render gra%as ao Sen1or e cantar lou!ores ao teu nome, .
Alt/ssimo7 (! D, 9 salmista canta como 0 bom declarar o amor e a fidelidade de 'eus
-n2uanto o salmista considera o 'eus criador e restaurador (redentor, fiel, amoroso,, ele
canta no sábado" 6Lois me alegraste, Sen1or, com os teus feitosK exultarei nas obras das
tuas mãos7 (! +, 4ertamente 0 notá!el 2ue neste salmo para o sábado, neste c5ntico de
alegria e contentamento, tanto a obra criadora 2uanto a obra restauradora de 'eus se8am
exaltadas @sso 0 feito no contexto de uma comun1ão !i!a entre 'eus e o pecador redimido
9utros salmos, embora não se8am identificados especificamente como salmos sabáticos,
DN
claramente indicam 2ue são salmos de culto, salmos para o sábado Ve8am*se os salmos 2ue
encontramos no contexto do Salmo GA, por exemplo, os de nY QG, GN, GD, G), GC e DNN
'uas coisas precisam ser colocadas no seu contexto apropriado a2ui A proibi%ão do
trabal1o !isa!a fortalecer essa alegria no Sen1or As pessoas não podiam celebrar diante do
Sen1or en2uanto esti!essem ocupadas com o trabal1o diário, 2ue tamb0m o glorifica
4omo acontece com as crian%as nos nossos dias, @srael tin1a de aprender como poderia
alegrar*se
no Sen1or da mel1or maneira poss/!el A ordem de repousar do trabal1o era um c1amado à
alegria e ao contentamento Toda!ia, 0 bom lembrar 2ue o c1amado para o repouso não
significa!a 2ue se de!ia negligenciar os animais e o pr.ximo, ou mesmo o pr.prio corpo
Antes, esse c1amado !isa!a aprimorar o bem*estar f/sico de todos, assim como o seu bem*
estar espiritual N.s não !amos entrar na discussão do bem*estar f/sico como uma b?n%ão
adicional deri!ada da guarda de um sábado alegre e festi!o 9 2ue afirmamos 0 2ue essa
b?n%ão está dispon/!el para a2ueles 2ue !erdadeiramente guardam o sábado do Sen1or
Nesse contexto, pode ser útil mencionar a distin%ão 2ue os autores 8udeus fa$em 2uanto ao
trabal1o no dia de sábado 9 trabal1o criador e produti!o de!e ser e!itado, mas as obras de
manuten%ão e restaura%ão (at0 certo ponto, nunca são proibidas pelo Sen1or @sto
certamente pode ser um guia útil para os cristãos na sociedade contempor5nea, 2ue tanto
carecem da alegria e contentamento da comun1ão com 'eus
9 segundo fator 2ue de!emos colocar numa perspecti!a ade2uada são os aparentes apelos e
exig?ncias, particularmente de alguns profetas (por exemplo, 3eremias DT e Neemias GD+K
DN)D*))K D)DC*AA,, no sentido de tornar o sábado um dia de restri%&es -sses apelos e
ordens de!em ser !istos no contexto de suas circunst5ncias 1ist.ricas @srael esta!a fingindo
guardar o sábado ou simplesmente o esta!a ignorando @sso exigiu ad!ert?ncias se!eras e
algumas proibi%&es estritas, 2ue, em circunst5ncias normais, poderiam ser consideradas
como em desarmonia com o !erdadeiro caráter e inten%ão do sábado Assim, como lemos
di!ersas !e$es, o sábado tamb0m tornou*se um meio para testar @srael
-ssas s0rias ad!ert?ncias possibilitaram 2ue os l/deres do po!o 8udeu ap.s a 0poca de
;ala2uias, -sdras e Neemias tornassem cada !e$ mais estritas as regras referentes ao
sábado Z medida 2ue as regras tornaram*se mais rigorosas, a alegria diminuiu Z medida
2ue as leis aumentaram, o !erdadeiro descanso tornou*se imposs/!el Assim, certas
circunst5ncias trágicas da 1ist.ria de @srael resultaram em um trágico desdobramento na
1ist.ria do sábadoT Puando 3esus entrou em cena, a !erdadeira inten%ão e o caráter alegre
da festa da cria%ão e da reden%ão esta!am suprimidos de modo tão pleno 2ue ele desafiou
abertamente os l/deres de @srael com respeito à atitude dos mesmos 2uanto ao sábado 3esus
!i!eu e agiu segundo o !erdadeiro esp/rito !eterotestamentário do sábado -le afirmou o
seu sen1orio sobre o mesmo -le declarou 2ue o sábado foi feito por causa do 1omem, sim,
para o supremo bem do ser 1umano, para 2ue este pudesse usufruir da comun1ão e do
repouso de 'eus Assim, 2uando 3esus !iu o po!o oprimido por leis 1umanas, ele bradou
das profunde$as do seu cora%ão c1eio de simpatia" 6Vinde a mim e eu !os ali!iarei7 (;t
DDAQ, 'esse modo, 3esus não esta!a ab*rogando o sábado, mas colocando*o no!amente na
perspecti!a ade2uada 'a mesma maneira de!em ser interpretados os escritos de Laulo aos
gálatas (cap +, e aos colossenses (cap A,
DD
V@@@ 9 Sábado 0 Somente uma @nstitui%ão do antigo TestamentoM
E de Vaux escre!e" 63esus rei!indicou 2ue [o Iil1o do 1omem 0 sen1or tamb0m do
sábado\ (;c AAQ,K portanto, ele podia abolir o sábado, e de fato o fe$, pois a No!a Alian%a
2ue ele trouxe ab*rogou a Antiga Alian%a, da 2ual o sábado era um sinal7Q
4ertamente, existem muitos estudiosos 2ue concordam com esse autor 2uando ele afirma"
69 domingo cristão não 0 em nen1um sentido uma continua%ão do sábado 8udeu7 A
mudan%a do dia, do s0timo para o primeiro, 0 a única e!id?ncia 2ue ele apresenta -n2uanto
isso, de Vaux ignora o aspecto criacional e o seu significado, e não fa$ 2ual2uer refer?ncia
à lei moral e à sua cont/nua autoridade Al0m disso, ele tra%a uma forte distin%ão entre a
Vel1a Alian%a mosaica e a No!a Alian%a A cru$ de 4risto 0 !ista como algo 2ue di!ide,
não 2ue une -le não !? a continuidade do pacto básico, eterno, da gra%a e da reden%ão, 2ue
se constitui no fundamento e fornece os elementos básicos de cada alian%a 'e Vaux não
fa$ 8usti%a ao !erdadeiro caráter e ao esp/rito de alegria e pra$er do sábado do Antigo
Testamento como um dia de culto Na se%ão de onde foram tiradas as cita%&es acima, de
Vaux trata, em grande parte, do 2ue o po!o 8udeu, especialmente os te.logos (escribas,
fariseus e rabis,, 1a!iam feito do sábado, e certamente concordamos 2ue todos os
acr0scimos, aplica%&es e transforma%&es 1umanas do sábado foram anulados por nosso
Sen1or 3esus 4risto
Na realidade, 3esus, se não em pala!ras, pelo menos em atos, tornou inúteis para a era do
No!o Testamento as formas do sábado calcadas na Vel1a Alian%a 4omo dissemos, alguns
elementos foram remo!idos 9s sacrif/cios prescritos para o sábado foram ab*rogados Não
mais 1a!ia a necessidade de derramar o sangue de cordeiros 9 sangue do 4ordeiro 1a!ia
sido derramado ;uitas das proibi%&es restriti!as foram despidas da sua autoridade
mosaica Assim, muitas coisas ditas acerca do sábado, as prescri%&es para o sábado 2ue
eram sombras e s/mbolos, foram deixadas sem efeito por 4risto Lor0m, como o sen1or do
sábado, ele declarou 2ue o mesmo foi feito por causa do 1omem -le pr.prio participou
fielmente do culto no sábadoK ele participou da comun1ão dos santos Lela prega%ão do
e!angel1o, ele introdu$iu os elementos positi!os de consolo, esperan%a, pa$ e alegria (!er
:c +D+ss, 9s cristãos do No!o Testamento, ao ac1arem esse consolo, esperan%a, pa$ e
alegria no e!angel1o do Sen1or 3esus, responderam espontaneamente buscando a
comun1ão do seu Sen1or -les fi$eram isso sem uma ordem direta (se o sil?ncio significa
isso, -les consideraram um pri!il0gio buscar uma comun1ão !i!a e /ntima com o seu
Sen1or amoroso e redentor - eles seguiram naturalmente o ciclo de tempo estabelecido por
'eus, aderindo ao padrão do ordenamento di!ino do tempo -les não seguiram o padrão
dos romanos -le não adotaram o primeiro dia do ciclo de no!e dias dos romanos como o
seu dia de alegre comun1ão e culto Não, eles aderiram ao padrão estabelecido por 'eus -
pro!aram 2ue eram seguidores do Sen1or 3esus ao guardarem um dia dos sete como um
santo dia de comun1ão e culto, esse dia sendo o primeiro dos sete para comemorar
especificamente os grandes e!entos da obra restauradora de 'eus
-m contraste com o sábado, podemos apontar para os sacrif/cios 2ue foram ab*rogados pela
morte de 4risto e por in8un%&es espec/ficas na -p/stola aos #ebreus Não 1á uma
declara%ão espec/fica 2uanto à origem dos sacrif/cios e a lei moral não cont0m nen1uma
refer?ncia a eles -les não foram postos como um sinal da alian%a -les eram aux/lios para
o culto no per/odo de sombras e s/mbolos 9 relato b/blico acerca do sábado 0 inteiramente
DA
diferente H !erdade 2ue, numa era de sombras e s/mbolos, alguns destes foram ligados ao
sábado !isando instruir, pro!ar e transformar o po!o escol1ido de 'eus em um instrumento
apto para o ser!i%o
'e Vaux prontamente declara" 6No entanto, o domingo simboli$a o cumprimento de
promessas prefiguradas pelo sábado7 @sso 0 !erdade, mas muito mais de!ia ser dito 'e
Vaux afirma 2ue 6as promessas de 'eus são cumpridas na pessoa de 4risto, e não em uma
institui%ão7 @sso tamb0m 0 muito correto Toda!ia, o erro de de Vaux está em aceitar a
id0ia de 2ue o sábado originou*se com os 8udeus e para os 8udeus, e terminou com a
administra%ão mosaica da alian%a Al0m disso, ele 0 confuso 2uanto à inten%ão e ao caráter
concreto do sábado, como fica e!idente ao colocar o sábado e 3esus 4risto como
alternati!as
Não podemos aceitar a conclusão de de Vaux com respeito ao sábado por2ue o !emos
como uma institui%ão di!ina sustentada pela lei moral e como um sinal, uma pro!a da2uele
pacto de reden%ão atra!0s do 2ual temos eterna pa$ e alegria na comun1ão e culto ao nosso
Sen1or, 2ue nos promete entrada no seu sábado eterno

]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]
* Gerard Van Groningen tem mestrado em Vel1o Testamento pelo Vestminster T1eological SeminarX, em
Iilad0lfia, e doutorado em Vel1o Testamento pela Jni!ersidade de ;elbourne, Austrália 'urante )N anos
lecionou Vel1o Testamento em institui%&es teol.gicas ao redor do mundo, inclusi!e no 4entro Lresbiteriano
de L.s*Gradua%ão Andre^ 3umper, do 2ual 0 um dos fundadores -scre!eu !ários li!ros, dos 2uais dois estão
tradu$idos para o portugu?s" Revelação Messiânica do Velho Testamento (:u$ para o 4amin1o, e A Família
da Aliança (-ditora 4ultura 4ristã,
D Ver a primeira parte deste artigo em Fides Reformata )>A (3ul*'e$ DGGQ,, DCB*CG
A Não iremos discutir a 2uestão de 2ual dos dois relatos 0 anterior A nossa con!ic%ão 0 2ue o relato do
'euteron=mio 0 posterior -m 'euteron=mio CDA, o uso do termo guardar, bem como a refer?ncia à ordem
do Sen1or 'eus, acentuam o fato de 2ue os israelitas tin1am a lei diante de si
) G Vos, em Biblical Theolog (Grand Eapids" -erdmans, DGQC,, apresenta .timas reflex&es sobre esses
pontos Ver tamb0m 9 Lalmer Eobertson, ! "risto dos #actos (4ampinas" :u$ Lara o 4amin1o, DGGT,K
Villiam 3 'umbrell, "ovenant and "reation (No!a _orW" T1omas Nelson, DGQ+,K G Van Groningen,
Revelação Messiânica no Velho Testamento (4ampinas" :u$ Lara o 4amin1o, DGGC, e From "reation to
"onsummation (Sioux 4enter" 'ordt Lress, DGGT,
+ Eecomendamos 2ue os leitores consultem comentários confiá!eis sobre as passagens a2ui discutidas
#a!erá diferentes opini&es e explica%&es sobre determinados pontos Toda!ia, o 2ue expomos neste ensaio
está basicamente de acordo com a posi%ão da maior parte dos comentaristas Via de regra, os comentários são
muito sucintos e não apresentam de modo completo a explana%ão e as implica%&es das passagens
C `uXper, Tractaat van de $abbat, +Bss, discute à sua pr.pria maneira o sinal da Alian%a -le tem muita coisa
!aliosa a oferecer*nos Ver tamb0m Alfred -ders1eim, Bible %istor, !ol @, DAC
B 3oX 'a!idman, $mo&e on the Mountain (Iilad0lfia" Vestminster, DGQC,
T 'i!ersos autores tem apresentado a 1ist.ria do sábado e apontado o desdobramento ocorrido nos tempos
neotestamentários
D)
Q de Vaux, Ancient 'srael, GQ)
D+