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ANÁLISE CRÍTICA DO RELATÓRIO PLANETA VIVO - 2006

Disciplina: Monitoramento integrado de ecossistemas

Alunos Leonardo Scalon de Oliveira 284360

Paulo Vinicius Davanço 284548

Rafael Zanelli Rissoli 284483

Sorocaba

14 de outubro de 2009

Este estudo é uma agregação de três índices distintos. favorecendo a interpretação dos dados obtidos. O índice caracterizado pela Pegada Ecológica se preocupa em determinar a pressão que cada indivíduo (ou também cidade. ao menos em parte. dulcícolas e marinhos. a dinâmica da abundância de cada espécie é acompanhada individualmente e. deve-se primeiramente estimar a biocapacidade do planeta. também são agrados. país. Tal agregação resulta em índices para cada classificação: vertebrados terrestres. que é representada pela área produtiva (tanto terrestre quanto aquática) necessária para a provisão de recursos naturais e para a ciclagem dos resíduos gerados em seu modo de vida. dulcícolas e marinhos de diversas regiões do mundo. pode-se traçar uma estimativa . que corresponde ao espaço biologicamente produtivo e disponível às atividades humanas. seus organizadores se baseiam em dois indicadores principais: o Índice Planeta Vivo e a Pegada Ecológica. para este fim. que resultam do monitoramento da abundância de populações de vertebrados terrestres. por sua vez. etc. dando origem a um índice único. Para a determinação desse índice. a determinação de tais índices pode auxiliar na visualização da dinâmica das espécies tanto em uma escala específica (quando se avalia a situação de habitats específicos) quanto em uma escala geral (quando se avalia os índices agregados). As espécies são caracterizadas conforme o bioma onde estão inseridas (onde foram delimitados 14 deferentes tipos) e suas regiões biogeográficas (onde se delimitou 8 tipos). posteriormente. Através da comparação destes dados. Para a determinação de cada índice. e a quantidade relativa de espaço utilizado por cada indivíduo. Desta forma. os impactos ambientais decorrentes do consumo acelerado dos recursos naturais pela sociedade e. produzido para indicar o comportamento da biodiversidade de forma geral durante o período monitorado. O Índice Planeta Vivo apresenta a principal função de dar subsídio para a avaliação das condições dos ecossistemas do planeta.Introdução O relatório estudado é uma tentativa de se estimar. Estes. agregada através de métodos estatísticos.) está exercendo sobre a biosfera.

em sua maioria. Talvez por estarem a mais tempo expostas às pressões antrópicas. Espécies Marinhas. uma vez que não é possível calculá-los na forma de hectares globais. Portanto. o que compromete sua confiabilidade. industrial e agrícola). por isso entre o índice de espécies terrestres e de águas doce é realizada a divisão entre espécies de região temperada e tropical. ou seja. Para isso abrem mão de cenários que nos projeta o que se espera se determinadas medidas forem.do quanto às exigências humanas excedem a capacidade de produção e regeneração da biosfera. Segundo o relatório. dessa forma. Análise Espécies Terrestres. Visto que é um índice global e trabalha com dados distintos coletados por pesquisadores diferentes e com metodologias variadas. os erros inseridos nesse índice são extremamente altos. Com base nestes dois indicadores. Algo que deixa a desejar no Relatório é o desprezo na explicação dos métodos e cálculo utilizados para que se chagasse a esses índices. O uso da água está dividido por país e em cada país calculou-se seu uso relacionado com a capacidade de água renovável disponível. Um dos problemas levantados pelos autores é a escassez de dados na região tropical. a procura e o uso da água não estão incluídos na Pegada Ecológica. Espécies de Água Doce O índice Planeta Vivo é calculado de acordo com as tendências populacionais levantadas em estudos realizados com espécies por todo o globo. Este é outro motivo para que se separem os índices entre as duas regiões. no relatório são apresentados os dados de captação de água doce de acordo com seus usos (doméstico. Não são apresentadas as fórmulas de nivelamento dos índices. o relatório pretende estabelecer diretrizes para que a sobrevivência das populações humanas não comprometa a biodiversidade e a conservação dos recursos naturais. tomadas. ou mesmo de união entre eles. Captações de Água. evidenciando uma forte queda no índice na região tropical. as espécies da região temperada (Hemisfério Norte) mostram uma estabilização ou uma melhora. Não foram explicitados quais dados foram utilizados e qual a . nas tendências populacionais observadas. ponderação entre cada nível hierárquico. ou não.

No final do relatório são apresentados os fatores utilizados para o cálculo. como recurso.2 bilhões de hectares globais. o que em certas ocasiões pode ter interpretações subjetivas. Nos dados expostos é possível notar que o uso da água dobrou entre 1960 e 2000 e o consumo é majoritariamente feito pela agricultura. Pegada Ecológica e Desenvolvimento Humano . determinada pela quantidade de área terrestre e aquática biologicamente produtiva. se mostra renovável e. se utilizaram monitoramento remoto. Mais uma vez.fonte para que se calculasse a disponibilidade de água superficial anual. Há problemas aqui também quanto à preparação dos dados. altera-se com a densidade populacional. Isso demonstra o crescimento inconseqüente do consumismo levado pela melhor no poder de compra da população como um todo. por ser um recurso com disponibilidade não uniforme. enquanto o tamanho populacional duplicou. se utilizaram dados próprios ou de órgãos específicos. etc. mas provavelmente foram baseados em dados de média de pluviosidade de cada região. extremamente estressado. A água. Porém em alguns países. portanto. de forma geral. o que não foi explicado como foram feito esses cálculos. Pegada Ecológica: Global e por Região A Pegada Ecológica se baseia em quantidade de hectares por pessoa necessários para as atividades realizadas no planeta. enquanto a biocapacidade da Terra – aproximadamente 11. mas mais uma vez sem as explicações cabíveis. a Pegada Ecológica global. com pouco estresse. quase quadruplicando. representando 70% da captação mundial. Por exemplo. ou um quarto da superfície do planeta – altera-se com a sua área total de produção biológica e a produtividade média dessa área. é um recurso super explorado. O que de todo é um sério problema que reflete na confiabilidade dos dados amostrados. o consumo médio por pessoa e a eficiência da utilização dos recursos. A PE mundial cresceu absurdamente entre 1960 e 2000. os autores pecaram em não deixar claro como e com que dados foram calculados seus índices. o que é comparada com a biocapacidade.

do desenvolvimento sustentável. enquanto que países mais ricos aumentaram exorbitantemente seu consumo. Os autores lançaram mão também da comparação entre os dados conseguidos com o cálculo da PE por país e seu IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. excedendo. ou estaria próximo. portanto. onde se tem baixa PE. recorrente. Por outro lado vê-se um considerável aumento do IDH de países com a China e o Brasil (países emergentes) que quase que mantiveram sua PE. o IDH também se mostra abaixo do desejado. O que foi encontrado foi um vazio onde se considera a faixa de desenvolvimento sustentável. aos “países desenvolvidos” em respeito ao seu aumento no padrão de consumo. e muito. com um aumento tímido no IDH. que já se apresentava alto. então o país teria alcançado. Isso mostra mais uma vez a crítica. E o mesmo ocorre no inverso. considerando. Pegada dos integrantes do grupo Rafael Zanelli Rissoli Paulo Vinícius Davanço .8 – alto desenvolvimento humano – e PE de até 1. que os países que obtivessem o IDH acima de 0.8 ha por pessoa – capacidade média disponível por pessoa. sua biocapacidade regional.

como transporte coletivo ou bicicleta. poderiam ser tomadas medidas de redução do consumo de proteína animal e produtos industrializados (que demandam extensas áreas e grandes quantidades de recursos naturais para serem produzidos) redução no desperdício de energia elétrica e de água. . bem como da área necessária para gerá-los. bem como da redução do consumo de bens descartáveis. Leonardo Scalon de Oliveira A determinação da pegada ecológica dos membros do grupo revelou que os hábitos adotados são não sustentáveis e que seriam necessários cerca de 2 à 3 planetas para suprir as necessidades da população mundial. se cada habitante adotasse os mesmos hábitos. Outros hábitos que poderiam ser adotados são a adoção de formas menos poluentes de transporte. Para que houvesse uma redução no ritmo de utilização dos recursos. e a adoção da separação do lixo para a reciclagem. da utilização de aparelhos eletrônicos de pouca vida útil.

que será também obtida através da tecnologia. contando tanto com os ecossistemas naturais como antrópicos. Cenários Os autores apontam que se a tendência de consumo acelerado de recursos naturais continuar a humanidade utilizará. onde através da tecnologia os meios produtivos economizariam ao máximo os recursos. . no entanto. em conformidade com as teorias malthusianas. A quarta se refere ao aumento da área bioprodutiva. o equivalente a dois planetas. a discussão que fazem está bem entremeada pela hipótese dele. onde as parcelas da sociedade mais ricas deveriam restringir seu consumo para que as mais pobres pudessem melhorar sua qualidade de vida. bem como de articulações superficiais sobre as desvantagens e dificuldades que a adoção de cada uma trará. em um futuro próximo. os autores discutem certas alternativas para a diminuição dos excessos e de suavização dos impactos ambientais. O primeiro fator apontado se refere à redução do contingente populacional global que. A terceira se refere à diminuição da pegada ecológica. se não for restringida de alguma forma excederá a capacidade de reposição dos recursos. Desta forma. pela revitalização de áreas inutilizadas. Este fato alarmante coloca em risco toda a biodiversidade existente no planta. e a quinta se refere ao aumento da bioprodutividade por hectare. visando à redução dos danos em longo prazo. O segundo se refere ao consumo de bens e serviços por pessoa. Uma característica que pode ser notada no discurso realizado pelos autores é a falta de discussões e justificativas aprofundadas para a adoção de tais alternativas. Malthus não é citado pelo relatório.