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Terapia Familiar

A vida não é um Sonho
Darren Aronofsky – 2001

Mestrado em Trabalho Social e Intervenção sócio-educativa
Docente: Professora Doutora Ângela leite
Discente: Susana Fonseca
16 Novembro de 2009
 

................................................................................................. 11      ...........................................................................................Conteúdo    Sinopse .............. 3  Identificação dos problemas .............. 4  Terapia Familiar .............................................. 6  Propostas ....................................................... 3  Caracterização dos indivíduos ................. 8  Bibliografia ................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................ 5  Proposta de modelos .......................................................................................

pede ao filho que se vá embora. assim como a energia e boa-disposição que os comprimidos lhe provocam. e acaba por ir preso. adquirem comportamentos destrutivos. Harry irado consegue convencer a mãe a dar-lhe a chave do cadeado e acaba por conseguir levar o televisor para penhorar .2001 Harry quer desesperadamente o televisor de casa que está acorrentado à parede. acabando por ficar sem o braço. Esse facto é motivo para ser mais apreciada e admirada pelas amigas. Os sintomas “estranhos” pioram e começa a ter alucinações com o frigorifico e com o programa de televisão. facto que a faz sentir bem consigo mesma. para obter rendimento para o consumo de droga. Tem uma ferida no braço – consequente dos constantes “chutos”. misturando-os e alterando a dosagem. Avisa o médico que sente “coisas estranhas”. não só para poder consumir. Na cadeia piora o seu estado de saúde e acaba por ser internado entre a vida e a morte. a sua mãe Sara. cuja mãe é dona de casa. Vive em função de um reality show. por causa dos seus usos compulsivos. O consumo agrava-se. Namora com uma jovem criativa. O uso compulsivo de droga vai levar os personagens à sua ruína. com que partilha alguns momentos do dia. Harry. para o efeito. tem algumas amigas do bairro. até que tem a oportunidade de traficar heroína. Termina na cama de hospital percebendo que está sozinho e que não virá ninguém. namorada Marion e o seu melhor amigo Tyrone. Lá sinalizam-na com problemas mentais e acaba por ser internada num hospício. Sara – Dona de casa solitária. que a levam a sair de casa e procurar a estação de televisão para poder participar no concurso.começa o filme “A vida não é um sonho”. Fá-lo. e entre uma guerra de gangs. que terminam com a amputação de um braço a Harry. mas este minimiza e dá-lhe outra receita. e tem um único amigo. Começa a tomar cada vez mais comprimidos. até que ganha a oportunidade de ir ao concurso. Caracterização dos indivíduos Harry – Jovem órfão de pai. Assalta todos os dias a mãe. onde é denunciado por um médico. Decide emagrecer e para isso vai ao médico. como também juntar dinheiro e abrir uma loja com a namorada e ter “uma vida melhor”. A intempérie fá-lo encetar uma serie de acções na busca de heroína tornando-o desesperado e com atitudes destrutivas. o internamento por loucura de Sara. a mãe com medo tranca-se no quarto. num estado de demência grande. com a chave do cadeado e assustada. onde . sente-se só e sem objectivos. a prostituição de Marion e o encarceramento de Tyrone. mãe de um toxicodependente. fica sem fornecimento de drogas. Agrada-lhe não ter que fazer esforço para parar de comer.Sinopse Filme: A vida não é um Sonho – Darren Aronofsky . com ele e com a namorada. que lhe receita ecstasy. viúva.que se agrava durante a viagem e que acaba por leva-lo ao hospital. para que a façam sentir “bem”. deixando-a inclusive sozinha para ir a outro Estado buscar a droga. Ao longo do filme observamos os comportamentos destrutivos das quatro personagens.

onde está feliz com o marido e o filho. levando-os a tomar decisões erradas nas suas vidas. que acaba por lhe dar um contacto.recusa os tratamentos e a fazem perder a lucidez completa. pelos pais. quando ela é convidada para o concurso ela imagina-se de novo naquele vestido. acompanha o amigo em todos os esquemas para consumir e comprar droga. Os indivíduos mostram também baixa tolerância à frustração. Começa aí a obstinação por emagrecer. como quando falta droga em Brooklyn e vão procura-la à Florida. depois de ter passado o domingo a prostituir-se. Ela responde que além de a fazerem sentir bem. A sua amizade pelo outro rapaz leva-o a preocupar-se. Sara reage assim quando o filho lhe explica que os comprimidos que ela toma são droga. Mais tarde. vestindo um vestido vermelho. quando este lhe mostra o braço a gangrenar. Assimilam preferencialmente os estímulos favoráveis ao uso de drogas. em que experienciaram sensações agradáveis em situações idênticas. Também quando os três amigos decidem parar de consumir. foram receitados pelo médico. por exemplo quando Marion se prostitui. aumentam as discussões com o namorado. Identificação dos problemas Em todos os personagens observamos disfunções sociais e familiares. No entanto estes dão-lhe um apartamento e pagam-lhe um terapeuta. mas não passa de um operacional. onde são denunciados por um médico e presos por consumo de drogas. esperando obter a mesma realização. e fraca tolerância à monotonia. calmo e saudoso da mãe (que morreu quando ele tinha 8 anos). É ele que possui os contactos dos traficantes. Por exemplo quando Sara relembra a formatura do filho. e usa cada vez mais drogas para trabalhar e relacionar-se com os que a rodeiam. para poder fugir à terapia. Marion – Jovem criativa e talentosa. desconsiderando aqueles que os chamam à razão. Obtêm sempre a sensação de alívio. é afastada do seu seio familiar por esse mesmo motivo. levando-o ao hospital. por não conseguirem parar de usar. a Harry a Tyrone acontece o mesmo quando eles se “premeiam” com um “chuto”. Estas crenças podem estar relacionadas com vivencias anteriores. Termina na cama da instituição mental a alucinar com o concurso de televisão e com o filho. que lhe dará o que ela quer a troco de sexo. valores morais distorcidos. minimizando o problema. quando alguma coisa não corre como planeado. Tyrone – melhor amigo de Harry. Acaba na cadeia sozinho a sofrer maus tratos. Os indivíduos possuem pensamentos e crenças distorcidas. Quando escasseia a heroína e a cocaína. obtém sempre essas sensações quando consome a seguir. com quem se envolve. usando drogas para terem criatividade para lidar com o dia. Sonha com o namorado em montar uma loja. Depois do namorado viajar para conseguir abastecimento. consumidora de drogas. gratificação e fuga à realidade no consumo. juntamente com uma série de criminosos. ela contacta o traficante e começa a prostituir- se a troco de droga e de dinheiro. baixa auto-estima e respeito próprio. Termina deitada no sofá agarrada a um maço de notas. ao fim de duas horas consideram que é exagerado o seu zelo e que já tinham provado que . que executa as tarefas que o amigo inventa.

2005) A própria família é percebida como um sistema de interacção que contém subsistemas e os seus membros são interdependentes. a família inteira é vista como paciente. Harry pede atenção a Marion e vice-versa em vários momentos da acção. (Leite. O que tem sido universalmente aceite no movimento da terapia familiar é a teoria geral dos sistemas (Von Bertalanffy. Nesta linha de pensamento um elemento da família não pode ser compreendido estando isolado dos seus restantes membros. Terapia Familiar (6ª ed. 2009) A terapia familiar centra-se mais no sistema da família do que nos elementos que a compõem. que procura relacionamentos entre os vários níveis de um sistema. que de alguma forma. Desta forma. Todos mostram grande necessidade de ser aceites por outros membros da sociedade. Daniel Sampaio define terapia familiar como “um método psicoterapêutico que utiliza como meio de intervenção sessões conjuntas com os elementos de um família” 1 A pessoa que apresenta sintomas e comportamentos perturbadores é encarada como fazendo parte de uma família. Terapia Familiar A terapia familiar é uma abordagem psicológica à compreensão de comportamentos e sintomas humanos e também uma modalidade de tratamento que vai para além da perspectiva dinâmica intrapsíquica que temos do paciente. Por outras palavras. A carência afectiva é constantemente demonstrada. isolado do meio-ambiente. a fim de alterar o sistema familiar. Igualmente a auto-estima e o relacionamento interpessoal são muito deficientes. cada vez mais eles vêm a droga como um estímulo às suas acções. passando os membros individuais para um plano secundário. reagindo automaticamente com consumo para lidar com todas as situações diárias. nem se pode perceber o funcionamento familiar conhecendo apenas o funcionamento de apenas uma das suas partes. Apesar da crescente alienação demonstram preocupação uns com os outros e acabam por fazer as coisas erradas por “desculpas” de melhoria de vida. percorrido através de estágios de evolução diversificados”. 1968). Neste tipo de terapia                                                              1  Daniel Sampaio e José Gameiro. Para ajudar o paciente o terapeuta familiar trabalha com a família como se fosse um grupo. ou seja o paciente identificado não será apenas aquele que apresenta os sintomas mas toda a família. (2005). sendo muitas vezes verbalizada e mesmo solicitada: Sara pede ao filho atenção. Ou seja o pensamento automático a um determinado estímulo é o consumo de substâncias. não se relacionam com elementos saudáveis da sociedade. de se realizarem e de “terem uma vida melhor”. especialmente a mãe. que ocupa o plano principal. em continua relação com o exterior e mantendo o seu equilíbrio ao longo de um processo de desenvolvimento. “a família é um conjunto de elementos ligados por um conjunto de relações. por falta de competências sociais e referencias adequadas.podiam estar o tempo que quisessem sem consumir.)  . A medida que o consumo aumenta. contribui para a génese ou manutenção do transtorno. (Sampaio & Gameiro. Todas as escolas de terapia familiar acreditam que a patologia do paciente é intensamente influenciada pela interacção familiar.

aprendendo a lidar construtivamente com os seus problemas e situações reais do dia-a-dia. reconstruir crenças e valores e implementar pensamentos automáticos positivos. que se divida entre diferentes realidades subjectivas ou seja arrastado para o sistema familiar. História e Escolas da Terapia Familiar) . mas permanecendo objectivos e conscientes das suas próprias reacções emocionais. para desenvolverem juntos novos significados e realidades. uma quarta abordagem defende uma terapia familiar múltipla. Terapia Familiar e Terapia Multifamiliar (Definição. a terapia multifamiliar e os modelos ecléticos da terapia familiar bem com alguns aspectos da terapia estrutural. Porto Editora. e ingresse numa folie à deux. Abordando múltiplos aspectos de escolas acima identificadas. poderão ajudar a família. Numa terceira abordagem denominada terapia de rede ou entrelaçamento a terapia recai não só sobre a família como também noutros elementos que têm interesse e lhes são significativos (vizinhos. no tratamento clínico de pacientes esquizofrénicos e demonstrou que a reunião dos pacientes e famílias traz efeitos positivos: Os membros do grupo aprendiam através da analogia. atender conjuntamente o pai e a mãe ou a mãe e os filhos. eliminar as dependências. Proposta de modelos 3 De acordo com as características dos indivíduos. possa ser atraído para a distorção defensiva do self de um dos membros. Os terapeutas ajustam constantemente a sua compreensão à dos membros da família e. Harold Goolishian e Harlene Anderson (1992). amigos. trabalhar as carências afectivas. procura-se devolver à família a sanidade e a capacidade de viver uma realidade satisfatória e produtiva.A nova abordagem construtivista foi desenvolvida a partir do trabalho de Paul Dell (1989). a redescobrir-se. e envolve um diálogo colaborativo aberto. de Infopédia: http://www. Os modelos ecléticos da terapia familiar . Lynn Hoffman (1990) entre outros. bem como técnicas que visem aumentar a auto-estima. Uma segunda abordagem apresenta uma terapia de impacto múltiplo onde uma equipa terapêutica trabalha com cada um dos membros individuais e faz variadas combinações familiares como. Terapia multifamiliar – Peter Laqueur (1980) que deu origem à terapia múltipla grupal em 1951. Obtido em 09 de Novembro de 2009. como os                                                              2  Terapia Familiar. Estabelece-se uma aliança terapêutica cooperativa em que o terapeuta e a família trabalham juntos para compreender os acontecimentos numa perspectiva diferente da habitual (da família). Os terapeutas necessitam de se incorporar empaticamente no mundo da família.pt/$terapia-familiar  3  Professora Ângela Leite. Existe o perigo de que o terapeuta familiar construtivista. melhorar o relacionamento inter-pessoal. (2009).). Sebenta Terapia Familiar.infopedia. (2003-2009). por exemplo. etc. Porto  . através do diálogo.podem apontar-se quatro abordagens 2 distintas e que defendem diferentes tipos de actuação com a família. Nesta abordagem um certo número de famílias é visto ao mesmo tempo (utiliza-se mais este método quando a família tem um elemento alcoólico). Uma primeira abordagem assenta numa terapia familiar conjunta em que o terapeuta se centra nos padrões de relacionamento entre os membros da família. Por último.

Assim. que não são imediatamente confrontados. Ele parte do princípio que embora as personalidades das pessoas sejam formadas por acontecimentos passados. A estrutura da família. e podem gradualmente. dentro de um meio ambiente seguro. incluindo os seus subsistemas e limites. Thomas Detre e Arthur Schwartz (1967). em vez da comunicação verbal.outros lidavam com os problemas e os conflitos. é diagnosticada em termos de comunicação e estruturas hierárquicas de poder. o comportamento vinculava-se a padrões de reacção. conflitos e cisões enquanto se exploram as fronteiras. Terapia Familiar Estrutural . os pacientes faziam experiências com novos comportamentos que o grupo apoiasse. o que influenciará as personalidades individuais. parentais e de irmãos) à procura de rupturas de gerações. Robert Becker. na Wiltwik School for Boys.Salvador Minuchin (1974) desenvolveu a terapia familiar estrutural a partir do seu trabalho clínico com delinquentes de baixo estatuto socioeconómico e suas famílias. que á agora visto como um bondoso observador ou mediador. A terapia multifamiliar tornou-se mais abrangente e passa a ser utilizada para tratar não só doentes esquizofrénicos como também uma ampla variedade de programas psiquiátricos e de comportamento. Os grupos auto-ajudam-se e espelham-se alterando a sua resposta cognitiva a determinada situação. bem como de conquistar insight a respeito de interacções familiares. Assim os indivíduos podem ser levados a identificar os pensamentos automáticos negativos ou disfuncionais e a substitui-los por outros mais positivos. de Nova Iorque. aprender com outras famílias e com o terapeuta. È especialmente útil para famílias não sofisticadas e defensivas. a regulação não verbal (cinésica) da interacção era verbalizada. bem como identificar. as interpretações do terapeuta eram indirectamente ensinadas. copiavam o modelo de uma família relativamente sadia. Examinam-se subgrupos (conjugais. Boris Astrachan. Martin Harrow. à procura de firmeza e flexibilidade. elas são contidas e governadas principalmente pelas interacções do presente. A presença de outras famílias dilui a transferência para o terapeuta como figura omnipotente e ameaçadora. Esta terapia proporciona uma imagem de espelho e o tom das reuniões é mais positivo. emaranhamento ou desengajamento. incide menos stress sobre o paciente e o prognóstico é melhor. mudando a estrutura familiar actual. o terapeuta pode alterar a sua função. descobriram que a terapia multifamiliar facilitava uma maior interacção verbal e que questões familiares e da vida real eram debatidas e solucionadas. O terapeuta utiliza intervenções físicas activas. Proporciona uma rede de apoio social e uma oportunidade de partilhar e exprimir sentimentos. alianças. As intervenções mostram-se especialmente úteis para famílias oriundas de níveis sócio económicos mais baixos. avaliar e modificar as crenças erradas e criar novas. onde a acção concreta pode ser mais eficaz . A terapia multifamiliar oferece as vantagens da terapia familiar e as vantagens da terapia de grupo. A sua abordagem era directiva e envolvia tratar a família como um sistema. Quando a família se torna conhecedora do transtorno psiquiátrico e o aceita. rigidez ou difusão.

Pode unir-se a um dos subsistemas ou apoiar a parte mais fraca para facilitar a resolução de problemas. construídos ao longo vida. Pode mudar a disposição dos assentos para modificar a filiação a subsistemas. Uma vez mudados os ciclos negativos de feedback e padrões transaccionais alternativos obtêm sucesso e podem tornar-se auto-perpetuantes. com a realidade socialmente estabelecida. O. como me sinto. . Assim. O objectivo não consiste apenas em mudar o sintoma no paciente identificado. a fim de romper ciclos negativos de feedback e alterar o rígido equilíbrio homeostático. podemos imaginar. ex. através da qual passa a ver o mundo. selecção e significação. 1997).) e juízos de valor (p. Novos padrões transaccionais são criados entre os membros e os subsistemas. pensa e comporta. o terapeuta tenta desequilibrar o sistema. N.do que a linguagem. mas sim melhorar o funcionamento familiar total.: isto é certo. auxiliar o paciente no ajuste ou no aperfeiçoamento de padrões mais verdadeiros e concordantes. como vejo o mundo.. nesta postura. ex. o terapeuta. As concepções cognitivistas mostram aqui toda a sua força e competência. Tem como alicerce básico a compreensão dos processos cognitivos e a sua rede de significados.                                                              4 Abreu. Esta visão é modelada pelas crenças (p. as técnicas de ‘reestruturação cognitiva’ (Beck & Freeman. F. escutando-o) e por mímese (copiar o estilo e a gama afectiva de comunicação ou ainda os movimentos físicos da família). cabendo ao terapeuta. Os membros podem ser retirados da sala ou instruídos a observar a família através de um espelho unidireccional. que cada pessoa no decorrer de sua história adquire uma lente. como eu sou. & Vasques. que são estabelecidos através da percepção. confirmando o que esse membro diz. etc. Propostas Terapia cognitivo-comportamental 4 – é uma das abordagens de psicoterapia que tem demonstrado grande êxito pelos resultados obtidos no tratamento dos mais variados transtornos e patologias. M. As metas são reestruturar a família no aqui e agora.). C. ou fortalecer uma hierarquia de poder. errado. 1988). sem precisar de compreender a sua causa. o terapeuta estrutural tenta reunir-se à família para experienciar como é que ela sente. Saikali. Metaforicamente. 1993) ou o processo de ‘identificação das crenças irracionais’ (Ellis. estabelecer fronteiras apropriadas para os subsistemas. Aceita-se que o ‘conhecimento’ é uma representação directa do mundo exterior.Nucleo de Psicoterapia Cognitiva de São Paulo. bem como facilitar a comunicação e a solução de problemas. O que é Terapia Cognitiva com base Construtiva?. Estas ferramentas sustentam a prática da correcção ou de substituição dos padrões disfuncionais por padrões mais funcionais do pensamento. A percepção da realidade que a família tem é alterada. imoral. Beck. das informações provenientes do meio externo.. A união do terapeuta com a família pode ser realizada por rastreio (incentivar um membro da família a falar. ao exibirem as mais diversificadas ferramentas de ajuste cognitivo: os ‘registos de pensamentos disfuncionais’ (J. Ainda que a posição de poder do terapeuta seja utilizada para intervir de modo activo. Depois de ter formado uma aliança terapêutica. ‘sabe’ aquilo que é melhor para seu cliente. Cada indivíduo "percebe" e "interpreta" a vida de um modo único. moral e etc..

A terapia familiar sistémica. estruturada em torno desses conceitos. de Revista Catharsis:  . Homeostase . Parte do princípio que a experiência individual é resultante de um processo evolutivo. procura entender e ampliar os padrões de significados emocionais. O que é construído como verdadeiro pelo indivíduo.capacidade do sistema em absorver inputs do meio e mudar sua organização (sistemas abertos). O mundo é um lugar único.organiza-se em torno de alguns conceitos básicos.Terapia Familiar Sistémica . Psicoterapia Construtivista 5 . Através das técnicas cognitivas propõe-se. entende a família como um sistema aberto que se auto-governa através de regras que definem o padrão de comunicação mantendo uma interdependência entre os membros e com o meio. Morfogénese . É a partir da construção interna que os pacientes atribuem os significados às coisas que os circundam. que. um sistema aberto apresenta uma organização que garante os resultados de seu funcionamento.a relação entre os elementos do sistema é bilateral. mesmo que aos olhos do terapeuta possam ser irracionais ou desprovidos de lógica. definidores de sistemas: Globalidade – um sistema comporta-se como um todo coeso. converte-se num elemento soberano e determinante aos sentidos. o que implica que a mudança de uma parte altera todas as outras partes e o sistema como um todo. Assim o terapeuta estará atento às lentes pelas quais o indivíduo vê o mundo e ajuda-o a construir novos pensamentos e crenças adequados à sua vivencia na sociedade. O aspecto fundamental é a de que o ser “doente” ou a pessoa que apresenta problemas. Equifinalidade – independentemente de qual for o ponto de partida. a mudança dessas crenças e. Não- somatividade . consequentemente.O objectivo da Terapia Cognitiva . no que diz respeito a troca de informações e usa de recursos de retro alimentação para manter o grau de equilíbrio em torno das transacções entre os membros.A psicoterapia construtivista. Obtido em 14 de Novembro de 2009. então.processo de auto-regulação que mantém a estabilidade do sistema. Assim sendo considera-se relevante priorizar o trabalho directo e                                                              5 Ibidem  6  Adriana Carbone .   Terapia familiar sistémica 6 .Breve histórico: origem e desenvolvimento da terapia familiar. com um sentido próprio para aquele que o estrutura.Circularidade . sendo inadequadas ou disfuncionais. onde a realidade em que vivemos é (re) interpretada por nós através de nossa estrutura cognitiva (e emocional) e os significados finais são o produto de atribuições pessoais de carácter múltiplo. Retro alimentação - garante o funcionamento circular pelo mecanismo de circulação da informação entre os componentes do sistema por princípio de feedback (negativo funciona para manutenção da homeostasia e o positivo que responde pela mudança sistémica). o que pressupõe uma interacção que se manifesta como sequência circular. podem vir a criar conflitos e sofrimento para a pessoa. o alívio do sofrimento emocional.um sistema não pode ser considerado como a soma de suas partes. é apenas um representante circunstancial de alguma disfunção no sistema familiar.Levanta hipóteses gerais acerca de como cada indivíduo constrói a sua realidade e analisa os padrões de pensamento gerados por estas crenças.

mas que normalmente com o tempo o corpo altera. de forma a combater a solidão e a melhorar a sua capacidade de relacionamento pessoal. em detrimento de rebuscar somente dificuldades de ordem intra-psíquica individuais. O grupo familiar é relacionado com a comunidade que o rodeia. que façam os indivíduos experienciar momentos agradáveis e satisfatórios. bem como faze-los partilhar com os restantes pensamentos e emoções com as quais seja difícil lidar. - . a satisfação pessoal e o relacionamento interpessoal deverão ser treinados através de indicações terapêuticas. o combate à solidão. isso é normal e um sinal de maturidade. Levar os indivíduos a colocarem-se no lugar do outro para que percebam atitudes e comportamentos. com quem eles se identifiquem. Através destas terapias poderá ser possível combater a dependência. Demonstrar a Marion que o seu talento não depende do uso de drogas. levando o indivíduo a reformular pensamentos construtivos que o levem a recusar a substância. sendo que esta família é definida pelos seus padrões de interacção. através de acções saudáveis. Tais como realizar actividades desportivas ou lúdicas com grupos saudáveis. uma vez que a família está em contínua relação com o meio ambiente. O terapeuta não considera a família isoladamente. e que ela conseguirá sustentar- se sem ter que se prostituir.efectivo com as necessidades da família e do meio ambiente. e na procura de novos amigos saudáveis. mas sim do seu próprio empenho. e satisfazendo as necessidades daquela família. Levar por exemplo Sara a concluir que não esta gorda. a elevação da auto-estima. Ao mesmo tempo o auto-conceito de si mesmo. Conduzir Harry e Tyrone na procura pela realização pessoal através da aposta na sua formação ou procura de objectivos exequíveis e positivos. Melhorando assim a convivência familiar. alterando as crenças e os pensamentos errados quanto aos “benefícios” do uso de drogas. interagido com eles.

 Obtido em 09 de Novembro de 2009..  Porto Editora. 332‐350). N. Sebenta Terapia Familiar..d.Bibliografia Abreu.  Carbone. Rangé. J. P.).br/nucleo/index. M.psicoterapia. (2001). de Revista Catharsis:  http://www.infopedia.  Leite.d.. & Baldisserrtto. Nucleo de Psicoterapia Cognitiva de São Paulo.com.. & Vasques. In B. D. & e.. (s.html  Aronofsky. Porto Alegre.  História e Escolas da Terapia Familiar) . Saikali.revistapsicologia. Terapia Familiar. F. A. Porto. Psicoterapias Cognitivo‐Comportamentais:um  diálogo com a psiquiatria (pp. Portugal: Edições  Afrontamento.htm  Knapp. (Realizador).com..). (2003‐2009). & Gameiro. D. Obtido em 14 de Novembro de 2009. (2001). al. (s. Brasil: Artmed. C. Terapia Familiar Sistémica ‐ Breve histórico: origem e desenvolvimento da  terapia familiar.br:  http://www. Terapia Familiar (6ª ed. O. G.pt/$terapia‐familiar  Sampaio. de  Infopédia: http://www. A Vida não é um Sonho [Filme].com. Terapia Cognitiva no tratamento da  dependencia quimica. (2005). Luz Jr. (2009).  Obtido em 15 de Novembro de 2009. d.    . de www.br/materias/hoje/terapiaFamiliarSistemica. Terapia Familiar e Terapia Multifamiliar (Definição.psicoterapia.). A. Porto . E.