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AULA 14 – GÊNESIS 14

LEIA GÊNESIS 14

Antes de discutirmos este capítulo, eu gostaria de


tomar alguns minutos para discutir algo de natureza
geral, mas importante, relativo à Bíblia. E, isto
envolve um termo academico-jurídico: a palavra é
"revisão".

Revisão é uma palavra que você vai ouvir com certa


regularidade na classe de Torah, que significa
simplesmente, "editado". E, eu sei que o fato de ser
informado de que NÃO está lendo as Escrituras
originais em suas Bíblias incomoda alguns cristãos.
Estes escritos passaram por muitas revisões ao
longo dos tempos. Mas, também quero assegurar-
lhes, que estas revisões.....especialmente quanto ao
AT.....são muito pequenas. Sabemos disto porque,
uma vez que com o achado dos Manuscritos do Mar
Morto, que foram escritos pelos Essênios ao longo
de um curto periodo de tempo, de cerca de 50 a. C.
a pouco antes de 70 d.C., fomos capazes de
Revisão significa que o texto foi editado comparar as palavras das escrituras do AT hebraico
encontradas entre os documentos do Mar Morto com
aquelas que temos utilizado ao longo de séculos, e são praticamente idênticas.
Apenas algumas pequenas variações ortográficas foram encontradas e, talvez, uma
frase aqui ou ali foi adicionada ou retirada ou modificada…..geralmente por adição,
exclusão ou alteração de um nome de pessoa ou de uma cidade…..e isso porque esse
nome ou a cidade mais recentemente mudou para um nome ou título diferente devido
a evolução da língua; nenhuma destas variações menores teve qualquer efeito sobre
o significado.

Agora, compreenda que os mais antigos documentos


do AT escritos em hebraico atualmente em uso nas
nossas modernas Bíblias foram cópias feitas a partir
das últimas décadas dos anos 900 AD.....um pouco
antes do tempo das Cruzadas. A descoberta dos
Manuscritos do Mar Morto foi um salto gigante, que nos
levou de volta quase 1000 anos a partir daquele
momento, o que é, em parte, a razão de esta
descoberta ser tão importante para nós, portanto, ver
que praticamente não se verificaram alterações
significativas ao longo de 1000 anos atesta a dedicação
de centenas e milhares de judeus que copiaram à mão
a Bíblia hebraica para posterior utilização e distribuição
ao longo daquele periodo de 10 séculos. Aquilo que Fragmento de Manuscrito do Mar Morto
lemos na Torah é muito preciso…..pelo menos no
original hebraico.
Onde nós temos alguns problemas é com as traduções do hebraico para outras
línguas. E, a primeira tradução do AT hebraico para outra língua foi em grego…..e ela
foi realizada cerca de 200 anos antes que os Manuscritos do Mar Morto fossem
escritos. Chamada Septuaginta, a versão grega do AT também provou ter sido
fielmente copiada e transmitida ao longo dos séculos, por isso, também, é um
documento muito útil e preciso. No entanto, como já discutimos antes, há muitos
verdadeiros desafios em traduzir os PENSAMENTOS de uma cultura e sua língua, em
outra cultura e língua. O pensamento hebraico e o pensamento grego estavam,
então, e permanecem até hoje, muito distantes um do outro, há muitas palavras e
pensamentos em hebraico que não têm paralelo no grego. Então, algo próximo, ou
pelo menos semelhante, teve de ser escolhido.

Este fato é ainda mais problemático com o NT, porque os documentos mais antigos
do NT que possuímos são todos escritos em grego. No entanto, é evidente e
incontestável que os escritores do NT eram judeus, eles eram judeus completamente
imersos na cultura e pensamento hebraicos. Podemos comparar o grego antigo da
Septuaginta com o hebraico antigo do AT e bastante facilmente encontraremos onde
estão os problemas de tradução, mas é um pouco diferente com o NT, porque temos
relativamente poucas passagens do NT que foram escritas em hebraico em algum
momento ou outro, e todas elas parecem ter sido tomadas a partir do grego, e não o
contrário. Recentemente, porém, um grupo de estudiosos judeus ESCREVEU um NT
hebraico completo, utilizando os enormes avanços na compreensão da cultura
hebraica nos dias de Yeshua, o que também nos dá uma melhor compreensão da
Igreja do primeiro século. Esta Bíblia é escrita pela Sociedade Bíblica do Estado de
Israel, e é um paralelo completo entre o AT e o NT em inglês e hebraico…..uma
valiosa ferramenta para qualquer estudante sério da Bíblia.

Agora, o problema da tradução é multiplicado quando você toma um pensamento


hebraico, tenta escrevê-lo em um idioma estrangeiro, como o grego, e depois toma o
grego e ainda o traduz em outra língua, como o português. Ainda mais, ao longo do
tempo, palavras dentro de um determinado idioma podem assumir diferentes
significados. O que uma palavra em português significava quando a primeira versão
de Almeida foi escrita, em comparação aos dias de hoje, pode ser bastante diferente.

Aqui está o ponto: compreender que a simples tradução de um documento é, pela


sua própria natureza, uma revisão, uma edição. O simples fato de se traduzir do
hebraico para o grego, do grego para português, acrescenta variações. Por que você
acha que temos uma absolutamente infindável série do que nós chamamos versões
da Bíblia em português hoje? E não se esqueça, a Bíblia também tem sido traduzida,
agora, em literalmente centenas de outras línguas, e um montante substancial dessas
são traduções DO Inglês!

Deixem-me dar uma pequena dica para estudar a Bíblia…..especialmente o NT para


aqueles de vocês que são sérios estudantes da Bíblia. Algo que poucos estudiosos
cristãos irão informá-los, e ainda menos farão realmente, consiste em comparar os
escritos de muitos versos do NT com os seus homólogos do AT. Soa estranho? Quais
versículos do Antigo poderão estar no Novo? Lembre-se, o NT é composto de, no
mínimo, 50%, de citações do AT. Uma boa Bíblia de estudo mostrará exatamente
quais versículos são citações do AT no NT, e até mesmo dirá que livro, capítulo e
versículos do AT estão sendo apresentados na seção do NT que você está lendo.
Não basta tomar nota mentalmente de que certo versículo ou parágrafo do NT é uma
citação do AT: pare, procure aquela passagem do AT, e a leia. Mentalmente insira
essa porção do AT, tal como se lê no AT, no NT. Dependendo da sua versão bíblica,
mais frequentemente do que se imagina as supostas palavras do AT escritas no NT
não irão efetivamente ser as mesmas que as escritas na mesma passagem do AT.
Deixe isto se aprofundar em sua mente apenas por um momento. Por que, se o
tradutor reconhece plenamente que o que está sendo dito é apenas uma citação
direta do AT, as palavras não têm uma correspondência exata? Muitas vezes é porque
o AT está sendo traduzido de documentos hebraicos para o português, enquanto que
o NT está sendo traduzido de documentos gregos para o português. E, muitas vezes o
significado no grego está alguns graus fora de curso a partir do significado hebraico;
somem-se a isto OUTRAS traduções do grego para português e hebraico para
português, e isso complicará a questão ainda mais.

Mas, frustrantemente, ainda existe mais. Toda denominação cristã de hoje, tem um
conjunto de doutrinas e um credo próprios, e em geral, os tradutores bíblicos,
consciente ou inconscientemente, aderem às doutrinas e crenças religiosas de uma ou
de outra destas denominações. Então, quando surge a oportunidade de traduzir uma
palavra, muitas vezes quando o que está escrito no original, não parece corresponder
a suas doutrinas preconcebidas, eles irão substituir uma palavra ou frase que está
fora de contexto, mas que mantém o significado do versículo dentro dos limites das
crenças que eles adotam. Assim, a tradução muitas vezes tem algumas inclinações
enterradas profundamente dentro dela. É por isso que é tão necessária a utilização de
várias versões de estudo, e, melhor ainda, ganhar uma compreensão da língua e da
cultura hebraica. Recomendo que todos tenham uma Bíblia hebraica para
correlacionar com a tradução para o português, porque, mesmo se você não tem
nenhuma proficiência em hebraico, você pode facilmente dizer quando duas palavras
em hebraico são semelhantes, mas podem existir duas palavras muito distantes
usadas em português para traduzir essa mesma palavra hebraica. Então, deve-se
desconfiar, e fazer um estudo aprofundado da palavra hebraica para ver exatamente
o que essa palavra significa para a mente hebraica.

POR FAVOR, entenda o seguinte: a Bíblia não foi escrita em um vácuo. Todos os
pensamentos e frases e sentidos das palavras estavam no contexto da cultura
hebraica dessa época. Nosso objetivo, então, é descobrir o que significavam aquelas
palavras para o autor original; porque elas devem ser tomadas para dizer exatamente
a mesma coisa para nós. Caso contrário, tornamos a Bíblia em um documento vivo,
isto é, algo que é feito para evoluir com os tempos.

a Bíblia não foi escrita em um vácuo


Agora, eu não estou emitindo qualquer condenação. Estou simplesmente apontando
que:

a) há muito mais variação nos escritos do NT entre as várias traduções do que para o
AT, e,

b), isto é principalmente porque o NT é onde as várias doutrinas cristãs encontram o


seu fundamento, e onde argumentos doutrinários são feitos para defender ou criticar
crenças de qualquer denominação.

Felizmente, ao longo dos últimos 20 anos, com muitos estudiosos judaicos vindo a
crer no Messias, ou pelo menos a ter uma abordagem mais aberta para estudar e
analisar o NT, alguns importantes trabalhos estão sendo feitos no ajustamento das
traduções do NT de forma a que estejam em sintonia com a cultura hebraica e
padrões de pensamento do 1 º século d.C. Ainda mais, com a descoberta do que é
normalmente chamado de documentos da Comunidade dos Manuscritos do Mar
Morto, estamos descobrindo que um espantoso número de frases e teologia no NT
que, até ao momento, se pensava que era novo ou único com Jesus e seus discípulos,
na verdade estas teologias já estavam em desenvolvimento, e as frases já em
utilização, com os separatistas Essênios no deserto de Judá.

Então, enquanto eu tento conectar a Torah ao NT para você às vezes, eu também


estou ocasionalmente tentando correlacionar alguns Documentos do Mar Morto com
ele tambem, de modo a ajudar-nos a compreender melhor o que certas coisas
significavam para as mentes dos autores do NT, e o que determinadas palavras e
frases significavam para o grande público para o qual Jesus falou. E, isto tem sido
tornado mais possível, dentro dos últimos 10 - 15 anos do que nunca antes na
história.

E, deixe-me garantir-lhe, você não tem nada a temer. Sua fé em Cristo vai crescer
ainda mais e ser validada enquanto estudamos a Torah e os Manuscritos do Mar
Morto. Algumas das coisas confusas e misteriosas do NT que temos tanta dificuldade
em compreender, muitas vezes tornam-se mais claras e compreensíveis e reais com
a ajuda dos Manuscritos do Mar Morto e a comparação com o AT.

OK, armados com esse entendimento, vamos entrar em Gênesis 14.

LEIA Gênesis 14

Há muito mais neste este capítulo do que o olho pode ver. Estamos realmente
entrando em algumas partes deliciosas da Torá que estabelecerão o palco para o
futuro.

A área para onde Ló tinha ido viver, no vale do Jordão, que segue até ao Mar Morto, e
inclui as cidades de Sodoma e Gomorra, era, em essência, parte de um reino
controlado por um rei chamado Quedorlaomer; e Quedorlaomer aparentemente tinha
algum tipo de tratado de proteção mútua com este pequeno grupo de nações e reis
mencionados no início do versículo 1. Agora, os nomes de vários reinos aqui listados
não podem ser identificados em uma área específica de um mapa moderno, mas
alguns podem. O lugar é chamado Elasar é, quase com certeza, Ashur, uma das
várias cidades antigas construídas por Nimrode, e que finalmente foi chamada Assíria.
Anrafel, um dos reis que se aliaram com Quedorlaomer, vivia no norte, em uma área
chamada Sinar.....o mesmo local que Nimrode tinha chamado de casa, e também
onde ficava localizada Ur.....a cidade de Abraão.

O lugar chamado Elão, que era o reino de Quedorlaomer.....ou melhor, cidade-


estado.....é também conhecido por outro nome bíblico, Susã (que podemos encontrar
no livro de Ester). Hoje, ele é chamado por outro nome, Cuzistão (uma das 30 províncias do
Irã – N. do T.). Lembre-se, vamos encontrar muitos nomes de pessoas e lugares na
Bíblia, que mudaram ao longo dos séculos, tanto como resultado da evolução das
línguas quanto pela de mudança de controle de uma cidade para as mãos de um rei
ou império rival. Elão, Susã, e Cuzistão estão todos no mesmo lugar, e nos tempos
modernos, este lugar está localizado no sudoeste do Irã, a poucos quilómetros de
Ur.....portanto Sinar e Elão provavelmente partilhavam uma fronteira.

O rei Tidal é conhecido por ser um rei dos Heteus, pois o seu território que se chama
"Goim" abrangia as áreas ocidentais da Turquia e Síria. Aqueles de vocês que têm
estudado um pouco de hebraico sabem que a palavra hebraica goyim significa
"nações", e também significa, "gentios". Antes de Abraão, goyim era uma palavra
muito genérica para nação num sentido muito geral.....assim como usamos a palavra
"nação" hoje. Mas, quando Deus separou Abraão e, em seguida, ele o designou como
o primeiro "hebreu", o que o colocava à parte como uma nação ESPECIAL e ÚNICA de
pessoas separadas para o propósito de Deus, a palavra goyim assumiu um tom
ligeiramente diferente. Ela, então, significava "todas as outras nações e povos do
mundo com exceção de Abraão e seu povo". Então, por volta de 1900 a.C., goyim
significava "nações gentias" ou, "pessoas gentias". Aqui, em Gênesis 14, é muito
provável que quem quer que tenha sido a última pessoa a redigir este capítulo de
Gênesis na Antiguidade, estava tentando simplesmente mostrar que, nos documentos
Escriturais originais, o reino que o Rei de Tidal governou não foi nomeado, então ele

H
e
Elasar
t
e
u
s

Susã

Sodoma e Gomorra
Sinar
foi simplesmente inserido antes do termo genérico "goyim", indicando que Tidal era
realmente um rei de algum país ou outro.

É justamente através de novas evidências arqueológicas que agora sabemos com


certeza que o Rei Tidal governava sobre um povo chamado de Heteus. E, os Heteus
eram uma enorme, dominante, e muito avançada cultura dessa época. Desconfio que,
quando Gênesis foi escrito pela primeira vez, não foi necessário explicar que povo era
governado pelo rei Tidal; mais do que teria de ser explicado, hoje, para a maioria das
culturas em todo o mundo moderno, que o presidente Obama é o presidente dos
Estados Unidos.....tal fato é simplesmente de conhecimento comum.

O elemento comum entre os territórios desses reis aliados que estavam vindo para o
Oriente Médio fazer guerra, é que eles estavam todos no que chamamos de
Mesopotâmia, e os territórios que eles detinham eram substanciais.

Este distrito que tinha se rebelado tinha seus próprios governantes, e estes eram
seus nomes: Bera, Birsa, Sinabe, Semeber, e o rei de Zoar, cujo nome não é citado;
sabemos que eles tinham pagado tributo a Quedorlaomer por 12 anos, como parte de
um tratado de paz. Cada um destes pequenos reis comandava exércitos
relativamente pequenos e muito limitados em comparação com as áreas daqueles
quatro reis da Mesopotâmia. No 13º ano desde a elaboração do tratado estes
governantes rebelaram-se.....o que significa que eles simplesmente se cansaram de
prestar tributo a estes senhorios ausentes na Mesopotâmia, e se recusaram a
continuar pagando. Então, um ano mais tarde, Quedorlaomer e seus aliados
marcharam em direção ao Sul e atacaram o distrito rebelde.

Os exércitos aliados reuniram-se no vale de Sidim; um vale que não existe mais,
porque agora faz parte do Mar Morto. Aqui é um desses lugares na Bíblia onde a
revisão teve lugar. Porque quando esse evento aconteceu e foi escrito, o vale de
Sidim ainda EXISTIA. Mais tarde, quando algum copiador da Bíblia foi copiar o texto,
acrescentou a expressão "que é o Mar Morto". Caso contrário, ninguém teria sabido o
que ou onde era o agora inundado Vale de Sidim. Ainda mais, as palavras que o
editor realmente escreveu não eram "Mar Morto", mas "mar salgado". Mesmo mais
tarde ainda, quando o nome Mar Salgado caiu em desuso e se tornou conhecido como
o Mar Morto, os copiadores da Bíblia naturalmente começaram a usar Mar Morto, em
vez de mar salgado. Como você pode perceber NADA disto representa mudanças
substanciais, nem altera a localização ou significado. Tudo que faz é esclarecer e
apresentar fatos que, de outra forma, se tornariam obscuros e perdidos. Esta é a
espécie mais típica de revisão bíblica.

Para vocês que curtem geografia, vocês também gostarão de saber que o Mar Morto
é composto basicamente de duas partes: a norte e a sul. A parte norte é a que existia
nos dias de Abraão, era muito profunda.....uns 40 metros. A parte sul não existia até
depois da época de Abraão, e foi o resultado da parte norte se encher e, em seguida,
transbordar para o Vale de Sidim que era adjacente e para o sul do país. Então, o
Vale de Siddim ficou cheio de água, e simplesmente se tornou uma parte
relativamente rasa do recém-expandido Mar Morto.

A rota que os reis da Mesopotâmia tomaram foi a já bem marcada "Estrada Real" que
se estende de Damasco no Norte, eventualmente, por todo o caminho para o Egito.
Eles atacaram e derrotaram os refains em um lugar chamado Asterote-Carnaim, aos
zuzins em Hã (não sei onde é isso), os emins em Savé-Quiriataim e, finalmente,
agora para o sul, os horeus na área de Seir. Depois, mais tarde, então voltaram para
o norte e derrotaram os amalequitas em Cades, que também é chamado En-Mispate.

Agora, os povos chamados refains, zuzins e emins são difíceis de identificar. Várias
lições atrás, nós falamos sobre os nefilins.....aquela a raça de gigantes, ou homens
poderosos e tirânicos de antes do Dilúvio. Eles teriam sido o resultado do
acasalamento de anjos caídos com fêmeas humanas. Muitos sábios pensam que os
refains, zuzins e emins podem muito bem ser uma espécie de nefilim, pós-diluvianos.
Eles não parecem ser conhecidos como uma tribo em lugar nenhum, de modo que
isto parece mais ser uma descrição, e os seus nomes refletem a linguística e cultura
da região na qual cada um se encontra Mas, isso é conjectura, não é de todo claro
quem estes 3 grupos de pessoas foram. Os outros nomes mencionados.....como os
horeus, amalequitas e amorreus, são bem comprovados de antigas tribos do Oriente
Médio.

Quando os reis rebeldes viram que tinham de reagir aos exércitos que estavam
chegando contra eles, eles se juntaram e encontraram os exércitos do Rei
Quedorlaomer no Vale de Sidim. Portanto, sem entrar em detalhes, os vários
governantes deste distrito rebelde saíram à batalha contra Quedorlaomer e os seus
homens, e eles guerrearam como seria de se esperar. O exército aliado de
Quedorlaomer levou todo o suprimento de alimentos do distrito, os seus bens de
valor, e mesmo algumas pessoas para serem utilizadas como escravos.....isto era um
protocolo normal de batalha naqueles dias. Entre aqueles levados como escravos
estavam Ló e sua família, que viviam em Sodoma, quando o ataque veio.

Abraão ouve que Ló havia sido sequestrado, e imediatamente toma 318 de seus
próprios homens, e parte para resgatar Ló. Quando Abraão recebeu esta notícia, ele
estava vivendo entre alguns dos povos cananeus, com quem ele tinha aparentemente
entrado em uma aliança formal por meio de tratado. Mas, ele escolheu não usar
nenhum desses cananeus para ajudá-lo, mas os 318 homens que ele tinha com ele
eram homens leais a Abraão, visto que muitos tinham sido nascidos em seu clã, e
tinham sido treinados para guerra. Isto dá-nos uma ideia da dimensão da nação ou
povo no qual Abraão tinha-se tornado em um período bastante curto de tempo. A
propósito: isso não significa que Abraão era o pai biológico de todos esses homens.
Quase certamente estes eram os filhos de muitos servos e escravos. Pessoas
compradas como escravos, das quais muitas eram propriedade de Abraão; eram
consideradas parte da família. Devido à história familiar do brutal e ímpio comércio
escravo africano que forneceu muitos trabalhadores do campo no início do Brasil,
ficamos com uma ideia muito distorcida do que era a escravatura entre os hebreus
bíblicos. A escravatura entre os hebreus não ficava muito longe da adoção dos dias
modernos, onde muitas vezes alguém paga uma mãe para ter o direito de adotar o
seu filho, ou, pelo menos, paga todas as suas despesas médicas durante a gravidez e
parto, além de uma bolsa. Portanto, apesar de os filhos de Abraão certamente
possuírem autoridade e direitos de herança acima destes escravos e dos filhos
nascidos a esses escravos, os escravos não eram maltratados, eles eram geralmente
valiosos e amados membros do clã e, em geral, recebiam respeito e amor.

Abraão e os seus guerreiros perseguiram estes reis todo por todo caminho até onde
acabaria por tornar-se conhecido como Damasco, Síria.....um longo caminho. Repare
que o versículo 14 diz que eles foram tão longe como a região de "Dã". Aqui há outra
revisão; porque Dã recebeu este nome de um dos filhos de Jacó.....uma das 12 tribos
de Israel. Jacó era um dos netos de Abraão, Dã um dos filhos de Jacó, e a terra
chamada Dã uma eventual
localização da tribo de Dã após
o Êxodo. Assim, a área
denominada Dã, aqui, não
poderia ter recebido este nome
por, pelo menos, 600 anos após
ter ocorrido a história de Abraão
resgatando Ló.

Depois de Abraão e seus


homens terem feito um ataque
surpresa, à noite, ao exército
esgotado de Quedorlaomer, e
alcançado vitória, todo o espólio
é recuperado e Ló e sua família
são libertados, e quando do seu
regresso Abraão e seu homens
recebem uma calorosa saudação
dos gratos governantes (os reis
do distrito) e os moradores do
distrito agora restaurado, os
quais recuperaram a maior parte
das suas coisas de volta.

Começando no versículo 18 nós somos levados a uma fascinante, mas breve, história
e conheçemos um dos mais misteriosos personagens na Bíblia: Melquisedeque, rei de
Salém. Além de ser um rei, é-nos dito que Melquisedeque é também um sumo
sacerdote, e que ele adora El'Elyon.....o Deus Altíssimo. Melquisedeque sai para
cumprimentar Abraão, traz pão e vinho e abençoa Abraão, e Abraão, em seguida,
presenteia-o com um décimo de tudo o que foi recuperado. Então, uma cena
interessante se desenrola aqui: dois governantes vêm cumprimentar Abraão: o rei de
Sodoma, o governante de um lugar mal; e Melquisedeque, o governante de um lugar
justo. Um padrão verdadeiramente importante é estabelecido nesta história, e como
ela continua nos primeiros versículos do capítulo 15, nós vamos chegar ao seu
significado em breve.

Vamos tomar um pouco de tempo com isso, pois eu descobri que quando nos
deparamos com estas cenas ímpares, é melhor olhar para elas
cuidadosamente.....pois sempre algo de grande importância está ocorrendo, e não é
diferente aqui.

Quem, ou o quê, é Melquisedeque? Que bom que você perguntou. A primeira coisa a
compreender é que Melquisedeque não é um nome formal ou pessoal, é um título,
por isso não define exatamente quem é esta pessoa. Por exemplo, Presidente Obama
não é o nome do presidente: o nome é Barack Obama. Presidente é apenas o título
do cargo que ele ocupa. Isto também é válido para todos os chamados "nomes de
Deus" que temos encontrado até agora em Gênesis. Na verdade, o título utilizado
para Deus nesta história, El Elyon, Deus Altíssimo.....também NÃO é um nome da
forma como nós tipicamente estamos acostumados. Mas, ele INDICA que
Melquisedeque é um crente no Deus da Bíblia, e que é talvez um dos poucos
monoteístas.....aqueles que adoram um só deus.....que ainda existiam. Portanto,
nenhum dos chamados nomes de Deus são realmente Seu nome: eles são todos
títulos. Mas, eles também são mais uma coisa: assim como presidente é o título do
cargo que Barack Obama detém, assim são estes vários títulos de Deus indicativos do
cargo, da autoridade, que Deus exerce. Além disso, precisamos ter em mente que,
quando a Bíblia refere-se a El Elyon, El Shaddai, e vários outros títulos de Deus como
"nomes".....isso não significa um nome próprio como Tom ou Jerry ou Becky. Em vez
disso, nome (em hebraico, Shem) a maior parte do tempo na Bíblia significa
"reputação". Então, o nome de Deus, como reputação, na verdade são muitos, e Ele é
o Deus Altíssimo, o Deus das Hostes Celestiais, o Deus Que Me Esconde, o Senhor
que Provê, o Senhor que Cura, e vários outros. E assim vai ser até o tempo de Moisés
em que Deus realmente e formalmente divulga seu nome pessoal YHWH.....que é
como Tom ou Jerry ou Becky; YHWH NÃO é uma reputação ou um título. Portanto, no
que diz respeito ao TÍTULO Melquisedeque, Melchi significa "meu rei" e "tzedek"
significa "justiça"..... Portanto, é um título que, traduzido para o português, significa
"meu rei é justiça" ou "o rei da justiça". E, é um nome no sentido de que é uma
reputação desconhecida do homem.

Agora, existem algumas preciosas palavras sobre este intrigante camarada. Mas,
temos que absorver o máximo possível disto, porque ele é referido de forma poderosa
no NT, o que significa que até 1900 anos depois do encontro de Abraão com
Melquisedeque, aparentemente muito mais se lembrava e sabia sobre ele do que
tenha sido escrito. Melquisedeque é visto pelo escritor de Hebreus como uma parte
muito especial da história de Israel e, talvez, do futuro Israel espiritual.

Vamos olhar para este ponto-chave do NT, e fazer algumas ligações entre a Torah e o
livro de Hebreus no NT.

LEIA Hebreus 7:1 - 17

Os antigos sábios e estudiosos hebraicos tinham


algumas coisas interessantes a dizer sobre este
misterioso colega que São Paulo e outros,
obviamente, invocavam e acreditavam como
verdade, ou Melquisedeque não teria sido utilizado
para extrair alguns importantes paralelismos com
Yeshua HaMashiach. E, a primeira coisa a
compreender é que Melquisedeque era real.....ele
não é um símbolo ou uma metáfora. Mesmo Josefo, o
historiador judeu romano da época de Cristo, atestou
que Melquisedeque era uma pessoa real. Achamos,
por exemplo, nas passagens em que acabamos de
ler, que ele era rei e sacerdote sobre uma cidade
chamada Salém. Há alguma evidência de que, ANTES
que a cidade fosse chamada Salém, ele tenha sido
chamada Tzedek; e que este lugar era, ou era
adjacente, a Jerusalém que viria mais tarde.

Alguns dos antigos escribas disseram que


Melquisedeque era realmente Sem, o filho de Noé.
Agora, você pode perguntar se isso significa uma
segunda vinda de Sem, ou um indivíduo como Sem,
Melquisedeque abençoa Abraão
ou talvez mesmo um descendente de Sem? Não,
estes escribas queriam dizer que Melquisedeque era
o verdadeiro, real, literal Sem. E, isto é inteiramente possível porque Sem, pelos
registros e cronologias bíblicos, ainda estava vivo naquela época! E, naturalmente,
Sem era o representante da linha do bem que se estendia desde Noé, e se havia
ALGUÉM vivo neste momento que era completamente fiel ao Único Deus, teria sido
Sem, que escapara do grande dilúvio.