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Cogeração

&
Trigeração




Autores:
Nuno Oliveira nº2005110597
Pedro Costa nº2006111215

Planeamento e Produção de electricidade
Engenharia Electrotécnica e de Computadores
2009/2010


Planeamento e produção de electricidade
2009/2010
Cogeração & Trigeração Página 1

Índice
1.Resumo ................................................................................................................ 3
2. Introdução ......................................................................................................... 3
3. Cogeração / Trigeração (Conceito) ........................................................... 3
3.1 – Aplicações de Cogeração ........................................................................................................ 5
3.2 – Vantagens e Limitações da Cogeração / Trigeração .............................................................. 6
3.2.1- Vantagens ............................................................................................................................. 6
3.2.2- Limitações ......................................................................................................................... 9
3.2.3. Barreiras: ......................................................................................................................... 10
4.Tecnologias de Cogeração/Trigeração ................................................... 13
4.1-Tecnologias Convencionais de Cogeração .............................................................................. 15
4.1.1 – Turbina de Gás (ciclo de Brayton) ................................................................................. 15
4.1.2 – Turbina de vapor (ciclo de Rankine) .............................................................................. 17
3.1.3 – Ciclo Combinado ............................................................................................................ 20
4.1.4 – Motor alternativo de Combustão Interna (ciclo Diesel ou Otto) .................................. 23
4.1.6 – Microturbinas ................................................................................................................ 26
4.1.7 – Células/ Pilhas de Combustível ..................................................................................... 29
4.1.8- Motores Stirling .............................................................................................................. 34
4.1.9. Sistemas híbridos micro-turbina / pilha de combustível ................................................ 36
4.2 - Tecnologias de Trigeração ..................................................................................................... 39
4.2.1 – Unidades Produtoras de água refrigerada .................................................................... 39
5. Cogeração em Portugal ................................................................................ 45
5.1 Produção por Tecnologias e Sectores ..................................................................................... 45
5.2. Metodologias: ........................................................................................................................ 50
Critérios de selecção do sistema de cogeração ............................................................................ 52
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Análise para implantação da cogeração ........................................................................................ 53
Metodologia para a atribuição de licenças de emissão a instalações de cogeração ...................... 53
5.3. Projectos de Cogeração ......................................................................................................... 54
5.4. Analogia com outros países/União Europeia: ........................................................................ 55
5.5. Cogeração até 2020 ................................................................................................................ 59
6. Trigeração em Portugal .............................................................................. 59
6.1 Projectos de Trigeração ........................................................................................................... 63
6.2 Instalações Hospitalares .......................................................................................................... 65
6.2.1. – Hospital Pedro Hispano ................................................................................................ 67
6.2.2.-Hospital Garcia de Horta ................................................................................................. 68
6.2.3. - Hospital São Francisco Xavier ........................................................................................ 69
7. District Heating and Cooling ...................................................................... 70
8. Legislação ......................................................................................................... 72
9. Conclusão ......................................................................................................... 72
10. Referências ................................................................................................... 79
10.1 – Referências na Internet ...................................................................................................... 80
10.2 – Bibliográficas ...................................................................................................................... 80
Anexos: .................................................................................................................. 82






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1.Resumo
Na nossa perspectiva a qualidade do conteúdo deste trabalho é de elevada qualidade e
portanto não tivemos necessidade de efectuar alterações muito significativas. Contudo, nos
aspectos onde nos pareceu forçosamente necessário efectuamos algumas melhorias, quer a
nível de conteúdo, quer a nível da expressão escrita.
De um modo geral, este trabalho consegue exprimir ao leitor o conceito de
Cogeração/Trigeração e todas as tecnologias, aplicações e actividades que lhe estejam
subjacentes.
2. Introdução

A necessidade de diminuir os consumos de energia, não só por questões financeiras mas
também por questões ambientais fez com que fossem feitos esforços no sentido da implementação
de sistemas de energias renováveis ou mesmo com rendimentos o quanto mais elevados
possíveis.
É neste sentido que surge a Cogeração / trigeração pois consegue o reaproveitamento da
energia desperdiçada sob a forma de energia térmica, aumentado desta forma claramente o
rendimento.
A Cogeração, também denominada CHP (Combined Heat and Power), consiste na
produção simultânea de energia eléctrica (ELECTRICIDADE) ou mecânica e energia
térmica (CALOR) através do mesmo combustível numa determinada instalação.
Por sua vez a Trigeração é denominada por CHCP (Combined Heat, Cooling and Power) e
é um processo alargado de Cogeração produzindo electricidade, calor e frio.
A sua implementação é conhecida desde os anos 80 nos E.U.A. apesar de não ser até ai uma
tecnologia completamente desconhecida.

3. Cogeração / Trigeração (Conceito)

As centrais termoeléctricas convencionais convertem apenas 1/3 da energia do combustível
em energia eléctrica. Os restantes são perdas sob a forma de calor. O efeito adverso no
ambiente derivado deste desperdício é óbvio. Portanto, a necessidade de aumentar a
eficiência do processo de produção de electricidade é essencial e imperativa. Um método
para se conseguir isto é através da Cogeração, em que mais de 4/5 da energia do
combustível é convertida em energia utilizável, resultando em benefícios financeiros e
ambientais.

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Figura 1-Balanço energético de um sistema convencional. Figura 2 - Balanço energético de um sistema
Cogeração / Trigeração.

No sector terciário dos países do Sul, as necessidades de aquecimento são limitadas a alguns
meses de Inverno. Há, contudo, necessidades de arrefecimento (ar condicionado) significativas
durante os meses de Verão. A energia térmica proveniente de uma instalação de Cogeração
pode, neste caso, ser utilizada para produzir frio, através de um ciclo de absorção.
Sabendo que a Cogeração / Trigeração é um processo de produção de energia muito
eficiente, possibilitando uma série de benefícios, é nesse sentido que a nível local, pode
reduzir significativamente a factura energética do utilizador, enquanto a um nível global
reduz o consumo das reservas de combustíveis fósseis, conduzindo a uma redução
significativa do impacto ambiental do uso destes mesmos combustíveis. Substituindo o
combustível fóssil pelo calor que normalmente é dissipado no processo de geração de
energia, este sistema tem uma eficiência três, ou até mesmo quatro vezes superior ao
convencional. Pode aplicar-se à indústria e aos edifícios onde há necessidades de energia
eléctrica e energia térmica e, usualmente, em situações em que o número de horas anuais de
operação seja superior a 4.500 horas. As unidades de Cogeração / Trigeração são
classificadas segundo a sua dimensão como micro (<50 kW) e pequena escala (< 1MWe).
Outro conceito que é introduzido é que a eficiência global é determinada pelo total de
energia produzida e combustíveis gastos anualmente. Define-se como Cogeração /
Trigeração de elevada eficiência as instalações que permitam uma poupança de energia
superior a 10%. Como foi referido anteriormente a Cogeração consiste no aproveitamento
do calor residual dos processos termodinâmicos, que de outra forma seria desperdiçado.
Assim, um processo de Cogeração consiste em aproveitar o calor não convertido em
energia mecânica, ou seja, perdas sob a forma de energia térmica do processo, para uma
aplicação secundária. Definindo então desta maneira podemos dizer que a sua eficiência
poderá ser dada pela relação:
ε = (Trabalho útil produzido+ Energia térmica produzida) / (Energia térmica fornecida)
ε = (Wútil+Qprocesso) / (Qin)
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3.1 – Aplicações de Cogeração

Os sistemas de Cogeração foram desenhados e construídos para variadas aplicações.
A capacidade das centrais vai desde alguns kW até à gama dos MW, pelo que qualquer
consumidor de energia poderá utilizar este tipo de sistema. E assim, surgem aplicações
diversificadas em vários sectores, nomeadamente no:
 Sector Primário
 Aquecimento de estufas;
 Aquecimento de abrigos aos animais;
 Aquecimento de casas rurais;
 Secagem de madeira;
 Produção de etanol.

 Sector Industrial – Calor de Processo – Produção de Vapor
 Indústria Química, Petroquímica e Farmacêutica;
 Indústria de Alimentos e Bebidas;
 Indústria de Papel e Celulose;
 Indústria Têxtil.

 Sector Industrial – Aquecimento Directo – Forno Alta Temperatura
 Indústria de Vidro;
 Indústria de Cimento;
 Siderúrgica.

 Sector Comércio e Serviços – Ar Condicionado Central, Aquecimento de
água
 Centros Comerciais;
 Supermercados;
 Hotéis;
 Hospitais;
 Clubes Desportivos;
 Lavandaria e tinturaria;
 Edifícios de escritórios e urbanizações com climatização
centralizada.




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Gráfico 1 - Consumo de electricidade produzida na Cogeração nos vários sectores.

A Cogeração é mais frequente na indústria, contudo, no Sector Terciário, se bem que o seu uso
possa ser razoavelmente intensivo (um grande número de horas por ano), não se verifica uma
relação muito estreita entre o consumo de energia e o tipo de actividade, dependendo este
mais das condições climatéricas.
As principais necessidades de energia térmica são para aquecimento, ventilação e ar
condicionado e em menos extensão como vapor e água quente para várias utilizações, tais como
lavandarias, cozinhas, esterilização, etc.
A Cogeração também tem aplicações na área dos recursos renováveis, sendo que se
aproveitam os biocombustíveis sólidos como a Biomassa, (com origem em indústrias
transformadoras de resíduos, tipo cortiça ou madeira) e gasosos (com origem industrial ou
em aterros sanitários) como fontes de energia.

3.2 – Vantagens e Limitações da Cogeração / Trigeração

3.2.1- Vantagens
Sabendo que a Cogeração consiste no aproveitamento do calor residual dos processos
termodinâmicos, que de outra forma seria desperdiçado, entre 70% a 90% da energia
contida no combustível pode ser utilizada de uma forma útil, o que permitirá reduzir as
emissões de CO2, (gráfico 2), principal gás de efeito de estufa (GEE), face a outras
tecnologias de produção, ou no caso da Cogeração a gás natural, a utilização daquele que é
considerado o mais limpo dos combustíveis fósseis. O gás natural é, em princípio, isento de
enxofre e de cinzas, o que torna dispensáveis as custosas instalações de dessulfuração e
eliminação de cinzas que são exigidas nas térmicas a carvão e a óleo.
O problema da chuva ácida é mínimo numa central térmica a gás natural, e a contribuição
para o aquecimento global, por kW gerado, é muito menor que nas correspondentes a
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carvão e óleo, por força da melhor eficiência térmica. Como o gás natural é rico em
hidrogénio quando comparado com os demais combustíveis fósseis, a proporção de gás
carbónico gerado durante a sua combustão é significativamente mais baixa. O problema
ambiental mais acentuado nas instalações a gás natural é o de emissão de óxidos de
nitrogénio, conhecidos por “NOx”. Isto, para além das melhorias que são notórias, vai
permitir uma maior preservação das reservas energéticas não renováveis.
Por cada MW de electricidade produzido em cogeração, pode, reduzir-se a emissão de
dióxido de carbono do sistema eléctrico convencional em aproximadamente 150 kg, pelo
que, se uma unidade de cogeração tiver uma potência de 1 MW e funcionar 7.000 horas por
ano, a redução que induz ultrapassa as 1.000 toneladas anuais.


Gráfico 2 - Emissões de CO2 com a cogeração.
No sector terciário a Cogeração / Trigeração já provou ser uma solução adequada para
instalações como Hotéis, Hospitais, Centros de lazer, Piscinas, Escolas, Aeroportos,
Hipermercados e grandes Centros Comerciais. Naturalmente que um sistema de Cogeração
é mais eficiente do que o sistema tradicional alternativo para obtenção do mesmo serviço de
electricidade e calor, composto por um sistema gerador e por uma caldeira.



Figura 3 - Comparação dos rendimentos de um sistema de Cogeração e de um sistema convencional de produção.

A Figura 3 ilustra o acréscimo no rendimento global do processo. Pode observar-se que,
para obtenção do mesmo produto final, os sistemas de Cogeração / Trigeração requerem
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apenas cerca de 70% da energia primária necessária num sistema tradicional. Como
consequência deste ganho de eficiência, advêm benefícios ambientais significativos,
decorrentes da diminuição das emissões poluentes por unidade de energia útil produzida.


Figura 4 - Comparação de eficiências - Cogeração/trigeração Vs convencionais.

Na figura 4, o sistema de Cogeração refere-se a valores correspondentes a uma turbina de
gás com recuperação de calor (estes valores variam consoante a tecnologia de Cogeração
utilizada).
Este esquema ajuda-nos a perceber as grandes vantagens que a Cogeração/trigeração tem
em relação a outras tecnologias pois uma aposta num sistema deste tipo tem os seguintes
benefícios:
 Economias de energia primária: A implementação bem sucedida de cogeração e
trigeração conduz a uma redução do consumo de combustível em aproximadamente
25% comparativamente à produção convencional de energia eléctrica;

 Redução de emissões poluentes: A redução da poluição atmosférica segue a mesma
proporção. Com a utilização de gás natural em vez de combustíveis derivados do
petróleo ou carvão, as emissões de SO2 e partículas são reduzidas a zero;

 Benefícios económicos: As vantagens para o utilizador final são económicas.
Os custos energéticos das instalações de trigeração são menores do que os das
instalações “convencionais”. Em instalações bem sucedidas de CHP a redução
de preços pode ser da ordem dos 20-30%;

 Aumento da fiabilidade do aprovisionamento energético: Uma central
CHP ligada à rede eléctrica, à qual fornece ou de que recebe energia eléctrica,
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garante a operação ininterrupta da unidade, no caso de falha do funcionamento
da central ou do abastecimento a partir da rede. Ao nível nacional favorece a
produção descentralizada, reduzindo a necessidade de instalação de grandes centrais
termoeléctricas, e aumenta a estabilidade da rede eléctrica do país. Contribui
também para o aumento do emprego a nível local;

 Aumento da estabilidade do sistema eléctrico: As unidades de trigeração
proporcionam um alívio significativo às redes do sistema eléctrico durante os
meses de Verão. Cargas de arrefecimento são transferidas da electricidade
para um combustível fóssil, uma vez que o processo de
arrefecimento/refrigeração muda dos largamente utilizados ciclos de
compressão de vapor para os de absorção. Isto contribui ainda para o aumento
da estabilidade das redes eléctricas e para a melhoria da eficiência do sistema,
porquanto os picos de Verão são servidos pelas empresas eléctricas
distribuidoras através de unidades de apoio ineficientes e linhas de transporte
de energia eléctrica sobrecarregadas;

 Descentralização da produção de energia eléctrica: Permite uma redução
das perdas, bem como uma redução da necessidade de aumento da capacidade
dos sistemas de T&D.

3.2.2- Limitações
É ponto assente que os sistemas de Cogeração/Trigeração trazem bastantes vantagens
relativamente a outros sistemas de geração de energia, no entanto nada é perfeito e há
alguns inconvenientes a considerar:

× A necessidade de efectuar estudos de viabilidade económica de modo a
determinar até que ponto o investimento é economicamente rentável;
× O investimento inicial elevado. O custo de investimento numa central de
Cogeração/trigeração ronda em média os 750 €/kW;
× Os lucros dependem do preço da electricidade e do combustível utilizado e
estes estão em constante alteração;
× Problemas com poluição sonora e poluição local;
× A energia térmica produzida só pode ser utilizada perto do centro produtor
visto que o transporte da mesma é bastante difícil devido às perdas nas
tubagens, o que limita estas unidades a estações relativamente pequenas
quando comparadas com grandes centrais termoeléctricas.


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Figura 5 - Central de Cogeração.

3.2.3. Barreiras:

A cogeração é importante para a competitividade da economia nacional pelos benefícios
energéticos e ambientais, face aos sistemas convencionais de produção de calor e de
electricidade e pela redução da dependência exterior em combustíveis. Por outro lado,
apresenta vantagens competitivas para as empresas através de uma utilização eficiente de
energia e assegurando maior fiabilidade no seu aprovisionamento.
Há, contudo, dificuldades para os investidores, promotores e cogeradores quer intrínsecas
às tecnologias e dimensões dos projectos, quer decorrentes do enquadramento legislativo
actual e futuro que podem pôr em risco o desenvolvimento da cogeração em Portugal,
incluindo a potência prevista no PNAC (Programa Nacional para as Alterações Climáticas)
Pode-se classificar as barreiras à introdução das energias renováveis e a cogeração em três
grupos:
1-Relativo a segurança e protecção: As barreiras mais comuns a nível da segurança têm a
ver com a necessidade de garantir uma fiabilidade, segurança e qualidade de serviço do
sistema. Para uma distribuição de rede o aspecto mais importante ao nível da segurança é a
protecção do funcionamento em rede isolada.
2-Relativo a qualidade de serviços: Ao nível da qualidade de serviços a preocupação é
com a perturbação da tensão e frequência, flicker da tensão e distorção da onda. Em maior
parte das instalações, as empresas de distribuição exigiam a instalação de aparelhos de
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protecção que asseguravam o cumprimento dos limites estabelecidos. Hoje em dia adopta-
se soluções alternativas que respeitam as normas mais exigentes do ponto de vista da
qualidade, mas no entanto a falta de experiência das empresas de distribuição em dominar
este tipo de tecnologia, torna difícil a sua aceitação.
3-Relativo a aspectos relacionados com o planeamento: Outra barreira é ao nível do
planeamento, os métodos utilizados põe de parte o valor dos recursos renováveis.
Outro impedimento é o impacto na rede, o estudo da avaliação do impacto na rede que visa
a determinação de um possível melhoramento desta tem de ser suportado pelo produtor
independente.
Dentro destas barreiras podemos salientar outros aspectos:
 Capacidade limitada na negociação de combustíveis e descriminação no
acesso ao mercado;
 Preços de combustíveis totalmente desajustados para as pequenas cogerações;
 Risco de desaparecimento da entidade consumidora de energia térmica;
 Riscos da estabilidade da remuneração face ao desenvolvimento dos
mercados energéticos (MIBEL (Mercado Ibérico de Electricidade));
 Falta de acesso à rede eléctrica (SEP, Sistema Eléctrico Português) para
interligar novos projectos;
 Exigências ambientais com base num quadro regulamentar sobre emissões
não adequado às tecnologias e combustíveis disponíveis;
 Metodologia para atribuição de direitos de emissão (PNALE, Plano Nacional
de Atribuição de Licenças de Emissão de CO2) penalizantes para a
cogeração.
Os dois últimos aspectos merecem uma referência especial pelas preocupações e prejuízos
que estão a provocar às empresas resultante da falta de publicação dos novos VLE (Valores
Limites de Emissão) e porque a metodologia do PNALE põe em sérios riscos novos
projectos de cogeração, mesmo a optimização dos existentes.


4-Comercialização de Energia: outra barreira é ao nível da comercialização de energia.
 Falta de garantia de compra da energia gerada em contratos de longo prazo;
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 Preço não competitivo sendo oferecido pelas concessionárias: informações
levantadas reportam que, para contratos de curto ou longo prazo, o preço
oferecido não viabiliza a venda de excedentes;
 Necessidade de pagamento da tarifa de transmissão (“pedágio”), ao contrário do
que ocorre com a energia de PCH´s (isenção de até 100%);
 Dificuldades de interligação com a rede de transmissão local: apesar de não
existirem dificuldades técnicas reais, é necessária a definição de regras claras
que permitam a resolução deste problema, visto que o investimento necessário
para viabilizar a interligação do produtor de energia e a rede de transmissão em
muitos casos pode vir a anular o projecto.
Tendo em conta todas estas barreiras a cogeração enfrenta alguns problemas, dos quais:
 Liberalização do sector eléctrico e criação do MIBEL;
 Liberalização do sector do gás natural;
 Introdução do comércio de emissões de CO2;
 Transposição das directivas europeias relativas à cogeração e
eficiência energética dos edifícios;
 Regulamentação da atribuição de pontos de interligação.
Assim o desenvolvimento da cogeração fica dependente de certos aspectos tais
como:
 O risco do investimento ameaça a cogeração na Europa;
 A insuficiente informação política faz com que a cogeração na
indústria tenha uma atitude negativa;
 A economia da cogeração depende do preço do gás.
As soluções para as barreiras impostas à cogeração podem passar pelas seguintes
medidas:
 Rever o Protocolo de Quioto, para ajustar os preços da produção de energia;
 Estabelecer uma legislação específica para a cogeração;
 Regulamentar o mercado da energia por forma desenvolver o crescimento da
cogeração;
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 Estabelecer certificados de mercado da cogeração, para a ajuda aos benefícios
da cogeração para o ambiente;
 Abrir e incentivar novos mercados, particularmente o domestico para a
micro-geração;
 Descentralizar o mercado da electricidade;
 Incentivos do governo relativamente à aposta na cogeração:
 Garantia de continuidade de tarifa e regime de excepção da
cogeração no âmbito do MIBEL para o futuro próximo;
 Apoio a micro e mini cogeração;
 Atribuição das licenças de emissão de CO
2
necessárias para
novos projectos;
 Transposição da directiva da cogeração e da eficiência
energética dos edifícios e inventário do país.
 Pioneirismo na aplicação das Directivas aos edifícios do
estado;
 Criação de maior capacidade de recepção da RNT (Rede
Nacional de Transporte).
4.Tecnologias de Cogeração/Trigeração

A parte básica de uma instalação de Cogeração é a máquina que produz electricidade e
energia térmica. Esta máquina caracteriza a instalação ou central de Cogeração. A segunda
parte mais importante é o aparelho que produz frio (no caso de Trigeração), utilizando a
energia térmica do processo de Cogeração (chiller de absorção). Esses dois componentes
serão aqui apresentados em separado. Presentemente, as tecnologias mais importantes
disponíveis no mercado para Cogeração/Trigeração são:

o Turbina de Gás (ciclo de Brayton);

o Turbina de Vapor (ciclo de Rankine);

o Ciclo Combinado;

o Motor alternativo de Combustão Interna (ciclo Diesel ou
Otto);
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o Microturbinas;

o Células/Pilhas de combustível;

o Motores Stirling;

o Unidades Produtoras de água refrigerada (Vulgo “Chillers”);

o Sistema híbrido.



As primeiras quatro tecnologias, usando Turbinas ou Motores alternativos de Combustão
Interna têm, sido aplicadas adequadamente em instalações de Cogeração nas últimas
décadas. As tecnologias de Pilhas de Combustível e microturbinas e motores stirling estão
ainda numa fase de desenvolvimento e início de comercialização. Todas estas máquinas
motrizes e sistemas têm sido continuamente desenvolvidas e produzidas por empresas
Europeias durante muitas décadas. Para Trigeração, os tipos vulgarmente mais aplicados
são os Motores de Combustão Interna, muitas das vezes em grupos de mais do que um para
fazer face à variação de cargas. As Turbinas de Gás são utilizadas em grandes complexos
de edifícios tais como hospitais ou redes urbanas de calor e frio. As turbinas de vapor não
são utilizadas no Sector Terciário. As Pilhas de Combustível são ideais para operação no
Sector Terciário, devido ao seu funcionamento eficiente e silencioso. Actualmente o seu
custo de produção é demasiado elevado para permitir a sua penetração no mercado, o que
espera que venha a ocorrer dentro de poucos anos. A outra vantagem fundamental deste
sistema, na verdade, reside nos subprodutos da operação, nomeadamente o hidrogénio. Este
pode ser utilizado como meio de armazenamento de energia, criando um tampão entre as
necessidades energéticas e a produção. Isto é extremamente importante para o aumento do
rendimento global (e do factor de utilização) da instalação de Cogeração/Trigeração. Uma
última tecnologia, sob intensa investigação durante os anos mais recentes, é as
microturbinas. Uma notável investigação tem tido lugar principalmente nos E.U.A., para o
desenvolvimento de tais turbinas, dando ênfase à sua aplicação em veículos e em
instalações de Cogeração. Como seria de esperar neste estágio, o rendimento é baixo e o
preço elevado.
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4.1-Tecnologias Convencionais de Cogeração
4.1.1 – Turbina de Gás (ciclo de Brayton)


Gama de potência eléctrica (MW): 0.2-100 ou até superior;
Tipos de configuração:

• Turbina de gás de ciclo aberto;
• Turbina de gás de ciclo fechado;
Componentes:

• Compressor;
• Câmara de combustão;
• Turbina de Gás;

Funcionamento:
O ar entra no compressor, onde a pressão e a temperatura são aumentadas, misturado com
um combustível a combustão ocorre. Os gases quentes são expandidos na turbina até à pressão
atmosférica, produzindo-se trabalho. O compressor funciona com 65% da energia da
turbina, enquanto os restantes 35% são energia mecânica disponível no eixo da turbina. Um
alternador acoplado ao veio da turbina produz electricidade. A energia térmica dos gases de
combustão é recuperada em caldeiras de recuperação de calor.

Condições de Funcionamento:
A combustão dá-se com um excesso de ar elevado. Os gases de escape saem da câmara de
combustão a uma temperatura elevada e com teores de oxigénio até 15-16%. A temperatura
mais elevada do ciclo aparece neste ponto, quanto maior é esta temperatura (na ordem dos
1300ºC) maior é o rendimento. Os gases de escape saem da turbina a uma temperatura
considerável de cerca de 450-600ºC.

Tipos de Combustível:
Gás natural, derivados do petróleo (gasóleo, diesel) e produtos de gasificação de carvão. Deve ser
dada atenção ao facto das pás da turbina, numa turbina de gás de ciclo aberto, estarem
directamente expostas aos gases de exaustão, pelo que os produtos da combustão não
devem conter constituintes que provoquem corrosão. Numa turbina de ciclo fechado podem
ser utilizados resíduos industriais ou mesmo urbanos e ainda energia solar ou nuclear.

Rendimento: 60-80%

Período de instalação: 9-14 meses e para grandes sistemas pode atingir os dois anos.

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Tempo de Vida: 15-20 anos.

A figura 6 ilustra o funcionamento típico de uma turbina a gás.


Figura 6 - Funcionamento típico de uma turbina a gás.
No que diz respeito às aplicações desta tecnologia podemos referir que este tipo de
Cogeração é habitualmente usado em sistemas de média e grande dimensão, onde são
exigidas potências no escalão entre os 40KW e os 250MW, e em que as exigências de
energia são constantes. Das diversas aplicações pode destacar-se o sector alimentar, o
sector petroquímico e o sector papeleiro. Tal como todos os sistemas, o uso da Turbina a
Gás tem vantagens e desvantagens, das quais se destacam as seguintes:

Vantagens:

 Manutenção simples (menores tempos de paragem);
 Elevada fiabilidade;
 Baixa poluição ambiental (Emissões reduzidas);
 Não necessita de vigilância permanente;
 Disponibiliza energia térmica a temperaturas elevadas (500º a 600º);
 Unidades compactas e de pequeno peso;
 Arranque rápido;
 Baixo nível de vibrações;
 Não necessita de refrigeração;
 Variedade de combustíveis a utilizar;
 Investimento inicial relativamente reduzido.

Desvantagens:
× Requer gás a alta pressão ou a existência de um compressor;
× Tempo de vida útil curto;
× Ineficácia em processos com poucas necessidades térmicas;
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× Necessidade de uso de dispositivos anti-poeiras/sujidade, anti-corrosão
(em especial em casos de pausas de funcionamento prolongado);
× Sensibilidade a aumentos da temperatura ambiente;
× Custos de manutenção elevados;
× Rendimento reduzido a carga parcial.



Figura 7 - Central industrial com 4 Turbinas a Gás (USA).



Figura 8 - Sistema de Turbinas a Gás (Fábrica de Cerveja
Brahma –Brasil)

4.1.2 – Turbina de vapor (ciclo de Rankine)

Gama de potência Eléctrica (MW): 0.5-100 (potência superior também é possível)

Tipos de Configuração:

o Contrapressão: neste tipo de turbina de vapor, o vapor sai da turbina à pressão
atmosférica ou a uma pressão mais elevada;
o Condensação: neste tipo de turbina de vapor, o vapor é “extraído” da turbina por
subtiragens intermédias a pressões inferiores à pressão atmosférica;
o Ciclo de base;
o Sistema com fluído orgânico, funcionando segundo um ciclo de base Rankine;

Componentes:

o Fonte de calor/ Caldeira de vapor;
o Turbina de Vapor;
o Fonte fria/ Condensador;


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Funcionamento:
O sistema funciona segundo o ciclo de Rankine, quer na sua forma básica ou em versões
melhoradas com reaquecimento de pré-aquecimento de água regenerativa. A turbina utiliza o vapor
que é produzido numa caldeira aquotubular de alta pressão. Utiliza vapor de elevada entalpia como
“combustível” para produzir trabalho mecânico e vapor de menor conteúdo entálpico. O vapor é
extraído (expandido) em vários andares da turbina, dependendo das necessidades de energia
térmica.

Condições de Funcionamento:
A pressão de vapor pode variar desde uns poucos de bars até cerca de 100 bar; no sector
energético (por exemplo em centrais termoeléctricas), pressões mais elevadas podem ser
usadas. A temperatura do vapor pode variar desde uns poucos de graus de
sobreaquecimento até cerca de 450ºC, e, no sector energético até cerca de 540ºC. Os
sistemas de turbina de vapor têm uma grande fiabilidade, a qual pode atingir a 95%, e uma
eficácia elevada (90-95%).

Tipo de combustível:
Qualquer tipo de combustível ou certas combinações de combustíveis, até mesmo nuclear e
fontes de energia renováveis e subprodutos de desperdício.

Rendimento: 60-65%
Período de instalação: 12-18 meses para pequenas unidades e até três anos para sistemas
maiores;
Tempo de Vida: Duração prolongada, cerca de 25- 35 anos;


A figura 9 ilustra o esquema típico de funcionamento base de Cogeração com turbina a
vapor.

Figura 9 - Esquema típico do funcionamento base do sistema de Cogeração com Turbina a Vapor.


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De seguida são descriminadas, as principais vantagens e desvantagens da Cogeração com
Turbinas a Vapor:

Vantagens:

 Tempo de vida útil elevado;
 Não necessita de vigilância constante;
 Equipamento seguro;
 Eficiência global elevada;
 Capacidade de fornecer vapor a alta pressão e/ou pressão atmosférica;
 Qualquer tipo de combustível pode ser utilizado;
 Elevado tempo de trabalho entre manutenções;
 Grandes quantidades de energia térmica disponível;
 Fiabilidade elevada.

Desvantagens:

× Reduzido número de aplicações;
× Baixo rendimento eléctrico;
× Arranque lento;
× Problemas de controlo de emissão de poluentes;
× Dependência de um tipo de combustível no dimensionamento, ou seja só pode
usar o combustível idêntico aquele para que foi projectado o sistema;
× Reduzido número de aplicações;
× Investimento inicial elevado;
× Custos operacionais elevados.



Figura 10 - Exemplos de turbinas a vapor usadas na Cogeração.
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3.1.3 – Ciclo Combinado

Gama de Potência Eléctrica (MW): 4-100 MW. Há também sistemas CCTG de 400MW.

Tipos de Configuração:
 Ciclo combinado de Joule – Rankine:
 Ciclo combinado de Diesel – Rankine;

Componentes:

 Turbina de vapor;
 Turbina de gás;
 Caldeira de recuperação de calor;
 Sistemas auxiliares (bombas, etc);

Funcionamento:
O sistema é uma combinação de turbinas de gás e de vapor, com uma caldeira de
recuperação de calor entre elas. Uma turbina de gás produz electricidade e vapor de elevada
entalpia, o qual é expandido numa turbina de vapor para produzir mais electricidade e vapor de
menor entalpia;

Condições de Funcionamento:
Os sistemas de ciclo combinado mais utilizados são os de Joule- Rankine. A temperatura de
vapor máxima possível de queima suplementar é perto de 25-40ºC mais baixa do que a
temperatura dos gases de exaustão à saída da turbina de gás enquanto a pressão de vapor
pode atingir os 80 bar. Se for requerida uma temperatura e pressão mais elevadas, então a
caldeira de recuperação dos gases de exaustão com queimador(es) é utilizada para a queima
suplementar do combustível. Com queima suplementar, a temperatura do vapor pode
aproximar-se dos 540ºC e a pressão pode ultrapassar os 100 bar.


Tipo de combustível:
Gás natural, derivados do petróleo (gasóleo, diesel) e produtos de gasificação de carvão.

Rendimento: 70-90%;

Período de instalação:
2-3 anos. A instalação pode efectuar-se em duas fases: o sub-sistema de turbina a gás é
instalado em primeiro lugar, podendo ficar pronto para funcionar em 12-18 meses.
Enquanto este está em funcionamento, pode instalar-se o sub-sistema a vapor.
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Tempo de Vida: 15-25 anos

A figura 11 ilustra um esquema típico de um sistema de ciclo combinado.



Figura 11 – Esquema típico de um sistema de Ciclo Combinado.

Este tipo de Cogeração é predominantemente utilizado em situações em que se deseja
produzir energia eléctrica e térmicas úteis em quantidades variáveis, de acordo com as
cargas consumidoras, ou para satisfazer mercados específicos. Sendo ainda a melhor opção para as
aplicações nas quais a demanda de electricidade é superior à demanda de vapor, ou seja nas
industrias electrointensivas. Outro modelo deste tipo de Cogeração é aquele em que os
accionamentos são de equipamentos mecânicos em vez dos habituais geradores eléctricos.

Os sistemas em Ciclo Combinado apresentam uma grande flexibilidade na relação de
produção de electricidade e calor, face às várias possibilidades de arranjo destes sistemas.
Em comparação com grande parte das tecnologias apresentadas, a de Ciclo Combinado
permite, de uma maneira geral, uma maior extracção de potência por unidade de calor.

Na figura 12 é possível perceber o trabalho das duas turbinas utilizadas e a respectivas
potências geradas.

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As principais vantagens e desvantagens deste tipo de Cogeração podem resumir-se do
seguinte modo:


Vantagens:

 Elevada eficiência;
 Grande flexibilidade na quantidade de energia térmica produzida;
 Redução custos globais de operação;



Desvantagens:

× Sistema global sujeito a um somatório das desvantagens dos dois sistemas
em separado (Cogeração com Turbina a Gás e a Vapor);
× Maior complexidade do sistema global;
× Aplicação reduzida a plantas de larga escala.


Figura 12 - Distribuição energética da Cogeração em Ciclo Combinado.
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4.1.4 – Motor alternativo de Combustão Interna (ciclo Diesel ou Otto)


Gama de potência eléctrica (MW): 0.015-2. Há também algumas aplicações de MCI de 6
MW.

Tipos de Configuração:

• Ciclo Otto;
• Ciclo Diesel;

Componentes:

• Motor de combustão interna;
• Máquina de absorção;
• Sistema de controlo;
• Sistemas auxiliares (bombas, etc);
• Caldeira de recuperação de calor;


Funcionamento:
Num motor de ciclo Otto, uma mistura de ar e combustível é comprimida em cada cilindro
e a ignição é provocada por uma faísca externa. Num motor de ciclo a Diesel, apenas ar é
comprimido no cilindro, sendo o combustível injectado na fase final do ciclo de
compressão e dando a sua ignição espontânea devido à alta temperatura do ar comprimido.


Condições de Funcionamento
Num ciclo de Otto, a energia mecânica para a produção de electricidade está disponível no
veio e há uma grande quantidade de energia térmica que pode ser aproveitada por intermédios dos
circuitos da água de arrefecimento e do arrefecimento do óleo de lubrificação do motor (90-
120ºC) e dos gases de combustão (400-700ºC). Num ciclo Diesel, temperaturas
ligeiramente superiores podem ser encontradas nos gases de exaustão.


Tipos de combustíveis:
Uma grande variedade de combustíveis líquidos e gasosos. Os Motores de Explosão
utilizam como combustível mais frequente o gás natural, mas também podem fazer a
combustão de propano, butano ou uma mistura dos dois, biogás, gás de síntese, nafta
química, entre outros. Em relação aos motores que usam o ciclo Diesel, os combustíveis
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permitidos e mais utilizados abrangem uma grande variedade de combustíveis líquidos,
desde os vários tipos de fuelóleo ao gasóleo e ainda misturas de combustíveis gasosos com
líquidos em proporções que permitam a auto-ignição, denominados de dual fuel. Em
diversas situações/indústrias torna-se vantajoso o uso do gás natural como combustível de
sistemas de Cogeração com motor alternativo, quer por questões logísticas/físicas, quer por
questões económicas.


Rendimento: 70-85%


Período de instalação: Período curto, no máximo de 9-12 meses;


Tempo de Vida: Para pequenas unidades: 10.000 – 30.000 horas.
Para grandes unidades: 3 – 6MW, 15-20 anos


A figura 13 ilustra o esquema típico de funcionamento de um sistema com motor
alternativo:
Figura 13 - Esquema típico de funcionamento de um sistema de Cogeração com motor alternativo
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A diferença básica entre o Ciclo Otto e Diesel está na forma como ocorre a combustão do combustível que
é demonstrado nas figuras 14 e 15 e como foi explicado anteriormente.



Figura 14 - Esquema das 4 etapas do Ciclo Otto.



Figura 15 - Esquema das 4 etapas do ciclo Diesel.

As principais vantagens e desvantagens deste tipo de Cogeração estão descritas seguidamente:

Vantagens:

 Arranque rápido;
 Fácil adaptação a variações das necessidades térmicas;
 Elevada eficiência mecânica;
 Custos de investimento relativamente baixos;
 Operações de manutenção simples;
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 Não necessita de vigilância constante;
 Bom desempenho em regime de carga variável;
 Rendimento eléctrico elevado;
 Operação com gases a baixa pressão.


Desvantagens:

 Tempo de vida útil curto;
 Limitado a aplicações de cooperação com baixas temperaturas;
 Baixo rendimento térmico;
 Custos de manutenção elevados (paragens frequentes);
 Emissões relativamente elevadas;
 Necessita de refrigeração mesmo que o calor recuperado não seja utilizado;
 Níveis de ruído elevados, a baixas frequências.
4.1.6 – Microturbinas
Gama de potência eléctrica (MW): as microturbinas situam-se na gama 25 – 500 kW.
Para sistemas semelhantes mas com potências entre 250kW e 1MW é usualmente utilizado o termo
“miniturbina”. Existem módulos de 30 KW e 100 KW, podendo ser instalados conjuntos de módulos que
podem chegar a 1,5 MW.

Componentes:
• Compressor;
• Câmara de combustão;
• Turbina;
• Gerador eléctrico;


Figura 16 - Esquema de um sistema Microturbina.
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Funcionamento:

O funcionamento da microturbina segue a seguinte ordem de estágios:
1. O ar é aspirado e forçado para o interior da turbina a alta velocidade e a alta pressão;
2. O ar é misturado ao combustível e queimado na câmara de combustão onde o processo de queima é
controlado para se obter a máxima eficiência e baixos níveis de emissões;
3. Os gases produzidos na queima sofrem expansão nas palhetas da turbina produzindo trabalho;
4. Os gases não aproveitados são exauridos para atmosfera.

Tipos de combustíveis:
• Gás Natural;
• Gás Propano Liquefeito (GPL);
• Biogás;
• Gás de poços de petróleo o plataformas offshore,
• Diesel/Gas Oil;
• Querosene;
Vantagens:
 Número de partes móveis reduzido;
 Dimensões e peso reduzidos;
 Emissões reduzidas;
 Não necessita de refrigeração;
 Tem tempos de arranque muito rápidos;
 Tem elevada fiabilidade e necessita muito pouca manutenção;
Desvantagens:
× Custos elevados;
× Eficiência mecânica relativamente reduzida;
× Limitado a aplicações de cogeração com baixas temperaturas;
× Tecnologia ainda em desenvolvimento.


A tabela seguinte compara as microturbinas com outras tecnologias, a nível de potência, rendimento e emissões
de NOx.
Tabela 1 - Comparação das microturbinas com outras tecnologias






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Rendimento:
O rendimento eléctrico atingido é da ordem dos 30% em microturbinas com recuperador de calor. Em
sistemas de Cogeração o rendimento global pode atingir mais de 80%.
A maioria das microturbinas existentes no mercado têm como função principal produzir electricidade,
podendo funcionar em Cogeração utilizando equipamento adicional.
No entanto existem microturbinas criadas de raiz para funcionamento em Cogeração. Em alguns casos
raros a produção de calor é mesmo a função principal da Microturbina.
Os últimos desenvolvimentos tecnológicos apontam para a utilização de materiais cerâmicos nas secções
quentes da Microturbina, o que permite atingir temperaturas mais elevadas e consequentemente
rendimentos mais elevados. Quando se pretende que a Microturbina funcione em Cogeração é utilizado
um permutador de calor adicional de forma a tirar partido da elevada temperatura dos gases de escape.
Algumas microturbinas vêm preparadas de série com o referido permutador, enquanto que em outras o
equipamento auxiliar é vendido separadamente.



Tabela 2 - Exemplos de microturbinas.

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Figura 17 – Exemplos de Sistemas de Cogeração com o uso de microturbinas.
4.1.7 – Células/ Pilhas de Combustível

Por pilha de combustível (PC) entende-se um empilhamento de células galvânicas em que a energia
química do combustível se transforma directamente em energia eléctrica por meios electroquímicos. O
combustível e o oxidante introduzem-se de forma contínua e separadamente nas células, transformando-
se na vizinhança imediata dos eléctrodos.
As pilhas de combustível são, de certo modo, semelhantes às conhecidas baterias, no sentido em que
ambas geram energia em corrente contínua através de um processo electroquímico, sem combustão, nem
transformação intermédia em energia mecânica. Contudo, enquanto as baterias convertem a quantidade
finita (e muito limitada) de energia química armazenada em energia eléctrica, as pilhas de combustível
podem, em teoria, operar indefinidamente, desde que lhes seja fornecida continuamente uma fonte de
combustível, no caso, o hidrogénio. O hidrogénio requerido pode ser obtido, no local, a partir de um
hidrocarboneto, tipicamente o gás natural, enquanto o oxigénio é retirado do ar ambiente.
O rendimento eléctrico é superior ao que se obtém no caso dos motores de combustão interna. Neste
segundo caso a energia química contida no combustível sofre uma série de conversões até atingir a
forma de energia eléctrica (química - térmica – mecânica - eléctrica), resultando em sucessivas perdas de
energia.
Numa célula de combustível, durante o processo de conversão da energia química do combustível em
energia eléctrica, liberta-se calor, o que implica que uma parte da energia química não é convertida em
electricidade e portanto o processo não tem um rendimento de 100%. Em sistemas de cogeração, o calor
libertado pode ser aproveitado, o que faz aumentar o rendimento global.



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Figura 18 - Esquema típico de representação de uma célula de combustível.

O rendimento de uma pilha de combustível varia de forma inversa à potência devido a perdas por efeito
de Ohm e de polarização (Figura 18.1).De forma a obter potências mais elevadas podem associar-se
várias células de combustível em série, resultando numa denominada pilha de combustível (fuel cell
stack) como pode ser visto na Figura 19.


Figura 19 – Variação da potência com a diferença de potencial numa pilha de combustível (fonte: website da AMERLIS - Agência
Municipal de Energia de Lisboa )



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Figura 20 - Célula de combustível (à esquerda) e Pilha de Combustível ( à direita )

O electrólito pode ser um meio líquido ou sólido e tem grande influência no desenho e temperatura de
funcionamento da pilha de combustível. O tipo de electrólito determina:
• A natureza e pureza do combustível e do oxidante;
• A temperatura de funcionamento da pilha de combustível;
• O desenho da pilha de combustível.



Hoje em dia são conhecidos 5 tipos diferentes de pilhas de combustível:
• AFC – Alkaline Fuel Cell
• PEFC / PEM – Polymer Electrolyte Fuel Cell / Proton Exchange Membrane
• PAFC – Phosphoric Acid Fuel Cell
• MCFC – Molten Carbonate Fuel Cell
• SOFC – Solid Oxid Fuel Cell


Tipos de configuração:

• PEMFC- Célula de combustível de electrólito de membrana polimérica (Proton
Exchange Membrane ou Polymer Electrolyte Membrane Fuel Cell);
• PAFC- Célula de combustível de ácido fosfórico (Phosphoric Acid Fuel Cell);
• AFC - Célula de combustível alcalina (Alkaline Fuel Cell);
• MCFC- Célula de combustível de carbonato fundido (Molten Carbonate Fuel Cell);
• SOFC- Célula de combustível de óxido sólido (Solid Oxide Fuel Cell);


Gama de potência eléctrica (MW): 0.01-0.4


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Condições de Funcionamento:
Há vários tipos de elementos de células de combustível, caracterizados pelo tipo de electrolítico, com
temperaturas de operação de 80-100ºC.
• PAFC com módulos de cerca de 400KW, 400ºC
• MCFC com módulos de 50-100KW, 1100ºC
• SOFC, de 25KW e experimental, 1100ºC
• AFC- 90-250ºC
• PEMFC- 65-85ºC


Tipo de Electrolítico: Hidróxido de potássio (KOH), ácido fosfórico (H3PO4), etc


Tipo de Combustível: Hidrogénio, gás natural, metanol, etc


Período de instalação: Curto


Tempo de Vida: Curto;


Um sistema de produção de electricidade baseado em pilhas de combustível necessita de equipamento
auxiliar que pode incluir componentes tais como:
• Compressor ou ventilador para fornecer o ar ao cátodo;
• Reformador;
• Circuito de refrigeração;
• Separador para remoção da água obtida nos produtos da reacção;
• Bomba para recirculação dos gases rejeitados pelo ânodo;
• Controlador do sistema;
• Dispositivos de controlo de CO;
• Sistema de armazenagem e alimentação do combustível.

O campo de aplicação das Pilhas de Combustível é extremamente vasto, abrangendo desde unidades
móveis de cerca de 50W até centrais de produção eléctrica de 10MW. As aplicações mais importantes
para as células de combustível são as centrais de produção de electricidade estacionárias e de
distribuição, veículos eléctricos motorizados e equipamentos eléctricos portáteis. A tabela 3 mostra
algumas vantagens e desvantagens do uso desta Tecnologia na Cogeração consoante o tipo de pilha:

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Tabela 3 - Vantagens e Desvantagens das Pilhas de Combustível em Cogeração



Figura 21– Sistema de cogeração utilizando Pilhas de Combustíveis.
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4.1.8- Motores Stirling

O motor Stirling é um motor de combustão externa, aperfeiçoado pelo pastor escocês Robert Stirling
em 1816, auxiliado pelo seu irmão engenheiro. Eles visavam a substituição do motor a vapor, com o
qual o motor stirling tem grande semelhança estrutural e teórica. Este tipo de motor funciona com um
ciclo termodinâmico composto de quatro fases e executado em dois tempos do pistão: compressão
isotérmica (=temperatura constante), aquecimento isométrico (= volume constante), expansão isotérmica
e resfriamento isométrico. Este é o ciclo idealizado (válido para gases perfeitos), que diverge do ciclo
real medido por instrumentos. Não obstante, encontra-se muito próximo do chamado Ciclo de Carnot,
que estabelece o limite teórico máximo de rendimento das máquinas térmicas. O motor Stirling
surpreende por sua simplicidade, pois consiste de duas câmaras em diferentes temperaturas que aquecem
e resfriam um gás de forma alternada, provocando expansão e contracção cíclicas, o que faz movimentar
dois êmbolos ligados a um eixo comum. O gás utilizado nos modelos mais simples é o ar (daí a
expressão citada acima); hélio ou hidrogénio pressurizado (até 150 Kgf/cm2) são empregados nas
versões de alta potência e rendimento, por serem gases com condutividade térmica mais elevada e menor
viscosidade, isto é, transportam energia térmica (calor) mais rapidamente e têm menor resistência ao
escoamento, o que implica menos perdas por atrito. Ao contrário dos motores de combustão interna, o
fluido de trabalho nunca deixa o interior do motor; trata-se portanto de uma máquina de ciclo fechado



Gama de potência eléctrica (MW): 0.003-1.5

Tipos de configuração:

• Disposição Alfa, que tem dois pistões em cilindros separados, que estão ligados em
série por um aquecedor, um regenerador e um arrefecedor;

• Disposição Beta, que utiliza um pistão de deslocamento que em conjunto com um dos
sistemas do tipo atrás referido (aquecedor/regenerador/arrefecedor) estão ligados ao
mesmo cilindro;
• Disposição Gama, que utiliza um pistão de deslocamento, em que este e o sistema do
tipo anterior estão em cilindros separados;
Componentes:

• Aquecedor;
• Regenerador;
• Arrefecedor;


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Funcionamento:

A energia térmica é fornecida externamente ao cilindro. E aquecida uma parte deste, provocando a
expansão do gás no interior e o deslocamento do pistão. O gás de trabalho ópera em circuito fechado e
não participa na combustão. Assim, as partes móveis do motor estão expostas aos produtos de
combustão. Contudo, é necessária uma selagem especial para evitar fugas do fluido (gás) de trabalho de
alta pressão e a sua dissipação para o meio ambiente, assim como a passagem do óleo de lubrificação do
invólucro do veio de manivelas para o lado interno do cilindro.

Tipo de combustível:

Combustíveis líquidos ou gasosos, carvão, produtos de liquefacção ou gasificação de carvão, biomassa,
lixos urbanos, etc. É possível mudar de combustível durante a operação, sem necessidade de parar ou
ajustar o motor.
Energia nuclear ou solar também pode constituir a fonte de calor.

Rendimento: 65-85%

Vantagens:

 Níveis de vibração menores comparativamente aos dos motores alternativos de
combustão interna (MCI);
 Menores emissões poluentes e níveis de ruído do que o que se verifica em MCI;
 Rendimento elevado;
 Bom desempenho a carga parcial;
 Flexibilidade no combustível;
 Fácil instalação.

Desvantagens:

 Esta tecnologia não está ainda totalmente desenvolvida, encontra-se sobretudo
numa fase de investigação;
 Não há aplicação em larga escala;
 Problemas de selagem;

Período de instalação: Curto
Tempo de vida: 20 anos
A figura 21 ilustra os vários tipos de motores Stirling.



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4.1.9. Sistemas híbridos micro-turbina / pilha de combustível

Descrição da tecnologia:
Por sistema híbrido entende-se qualquer sistema de produção de electricidade que englobe mais do que
um tipo de tecnologia. Dentro desta categoria de sistemas, temos os sistemas de Pilha de combustível /
(Micro) Turbina de gás têm sido alvo de atenção por parte de grandes fabricantes de equipamento para
produção de electricidade.
As (micro) turbinas a gás apresentam a vantagem de produzir electricidade a baixo custo e com baixas
emissões mas a sua eficiência está termodinamicamente limitada pelo processo de combustão.
As pilhas de combustível oferecem o potencial para baixas emissões e elevadas eficiências a escalas
relativamente pequenas, mas são ainda muito dispendiosas para a maioria das aplicações correntes.
Conjugando uma pilha de combustível de alta temperatura (T>600ºC) com uma (micro)turbina a gás é
possível produzir energia eléctrica a uma eficiência superior à que seria obtida com qualquer uma das
tecnologias isoladamente e a um custo que potencialmente poderá ser intermédio.
Figura 22 - Esquema de motores Stirling: a) tipo Alfa; b) tipo Beta; c) tipo Gama.
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Ilustração 1 – Eficiência dos sistemas híbridos face a outras tecnologias.
Os sistemas híbridos pilha de combustível / turbina de gás podem apresentar várias configurações.
Devido ao facto de as pilhas de combustível do tipo SOFC (Célula de combustível de óxido sólido (Solid
Oxide Fuel Cell)) atingirem uma temperatura de cerca de 1000ºC podem funcionar no modo “topping”, ou seja,
podem ser colocadas no ponto de temperatura máxima do ciclo.
As pilhas de combustível do tipo MCFC (Célula de combustível de carbonato fundido (Molten Carbonate
Fuel Cell)) atingem temperaturas na ordem dos 600ºC e funcionam no modo “bottoming” sendo colocadas no
ponto de temperatura mínima do ciclo. A ilustração 2 ilustra as duas configurações. Outros tipos de configurações
também podem ser possíveis.

Ilustração 2 - Funcionamento de sistemas híbridos com pilhas de combustível do tipo SOFC e MCFC.

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O quadro 1 resume as características de funcionamento dos sistemas híbridos pilha de combustível /
turbina de gás.

Quadro 1 – Características gerais dos sistemas híbridos pilha de combustível / turbina de gás
4.1.10. Comparação de custos de instalação das tecnologias

Tipo de equipamento Custos típicos de instalação (€/KW)
Motores de combustão interna 400 - 700
Turbina a gás 340 - 1500
Turbina a gás – ciclo combinado 400 - 900
Turbinas a vapor 300 - 900
Células de combustível 2500 - 5000
Tabela – Custos de instalação de equipamentos

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4.2 - Tecnologias de Trigeração
4.2.1 – Unidades Produtoras de água refrigerada

Um chiller é uma máquina que tem como função arrefecer água ou outro líquido em diferentes tipos de
aplicações, através de um ciclo termodinâmico. Os três principais tipos de chillers são:

 Chiller de compressão ou eléctrico;
 Chiller de absorção e estes ainda podem ser divididos em:
• Chiller de ignição directa;
• Chiller de ignição indirecta;
• Chiller de efeito simples;
• Chiller de efeito duplo;

 Chiller de adsorção;
4.2.1.1- Chillers de compressão e de absorção

Os chillers de compressão utilizam um compressor mecânico, usualmente accionado por um motor
eléctrico, de forma a aumentar a pressão em determinada fase do ciclo termodinâmico do sistema. A
desvantagem deste processo reside no seu relativamente elevado consumo energético.
O que distingue o funcionamento dos chillers de absorção dos chillers de compressão é o facto do
primeiro ter como princípio de base um “compressor termoquímico”. Os chillers de absorção
permitem produzir água gelada a partir de uma fonte de calor, utilizando para tal uma solução de um sal
(e.g. brometo lítio) num processo termoquímico de absorção.
Os chillers de absorção são muitas vezes integrados em sistemas de Cogeração, de forma a permitir o
aproveitamento do calor que de outra forma seria desperdiçado.
Os chillers de absorção, por sua vez, subdividem-se em dois tipos:
 Chiller de absorção de queima directa: nestes sistemas o calor necessário ao
processo é obtido queimando directamente um combustível, tipicamente gás
natural.
 Chiler de absorção de queima indirecta: nestes sistemas o calor necessário é
fornecido na forma de vapor de baixa pressão, água quente ou de um processo.
Os chillers de absorção são muitas vezes integrados em sistemas de cogeração, de forma a permitir o
aproveitando do calor que de outra forma seria desperdiçado. O chiller de absorção de queima indirecta
utilizando água quente como fonte de calor (hot water fired absorption chiller) representa o tipo de
chiller mais apropriado para a integração com sistemas de micro-cogeração, já que estes produzem água
quente com temperaturas adequadas ao chillers.
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Existem essencialmente dois tipos distintos de chillers de absorção de queima indirecta:
 Sistemas onde o absorvente é o amoníaco: estes sistemas representam um
investimento relativamente elevado, sendo normalmente aplicados apenas em
instalações de grande capacidade;
 Sistemas onde o absorvente é o brometo de lítio: representa o sistema mais utilizado
nos casos de integração com sistemas de micro-cogeração, devido essencialmente a
uma melhor relação entre o seu custo e a sua eficiência energética.

Os principais componentes de um chiller de absorção estão representados na figura 22 e são:

• Secção do evaporador: zona onde é arrefecida a água a gelar. O fluido refrigerante
(normalmente água) evapora ao absorver calor dos tubos onde circula a água a gelar.
• Secção do absorvedor: zona onde o vapor de água evaporada é absorvido pela
substância absorvente (solução de brometo de lítio). O calor libertado no processo de
absorção é dissipado através da passagem dos tubos de água do condensador ao
atravessarem o absorvedor.
• Secção do gerador: zona onde é fornecido o calor pela fonte quente, de forma a
separar novamente o vapor de água da substância absorvente e reconcentrar a solução.
• Secção do condensador: zona onde o vapor de água produzido no gerador é
condensado pela água do condensador que circula nesta secção.



Figura 23 - Princípio básico de uma máquina de refrigeração por absorção.
Relativamente aos sistemas de frio por absorção que utilizam brometo de lítio como absorvente e água
como refrigerante, a fonte de calor (proveniente do sistema de Cogeração) deve estar a uma temperatura
mínima de 60-80
o
C. O consumo eléctrico de um chiller de absorção é tipicamente 10% do consumo dos
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chillers de compressão eléctricos. Nas regiões onde existe uma forte procura de electricidade e/ou em
que o preço é bastante elevados, é possível reduzir a factura energética investindo num sistema de
arrefecimento que praticamente não necessita de electricidade. Na tabela 4 estão resumidas algumas das
características principais dos Chillers de absorção:
Tabela 4 - Características dos Chillers de Absorção

* Chillers de triplo efeito não são considerados dado que os equipamentos existentes deste tipo são máquinas experimentais.
Estas máquinas têm COPs acima de 1,6 e funcionam na gama de temperaturas de 170 a 200ºC.

Os custos de manutenção das máquinas de absorção variam fortemente em função do tipo de contrato.
Na maior parte dos casos é utilizado outsourcing e o contrato existente inclui a manutenção de todo o
sistema de ar condicionado. Muitas vezes a operação é também assegurada por via de outsourcing e a
mesma empresa sob um único contrato é responsável pela operação e manutenção de todo o sistema.

Seguidamente estão representados na figura 23 alguns exemplos de Chillers de absorção usados no
sector terciário e industrial.

Figura 24 - Chillers de Absorção.





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Vantagens:

 Como o princípio de base de um chiller de absorção é um sistema termoquímico, não existem
componentes móveis no sistema (para além das bombas hidráulicas necessárias). Como consequência,
este tipo de chillers apresenta uma vida útil longa, geralmente superior a vinte anos, e exigindo
muito pouca manutenção;

 Nos chillers onde se usa água como fluído refrigerante, não é utilizada nenhuma substância
nociva da camada de ozono (como os CFC por exemplo);

 O consumo eléctrico dum chiller de absorção é tipicamente cerca de 10% do consumo dos chillers
de compressão eléctricos. Nas regiões onde existe uma forte procura de electricidade e/ou em que o preço
é bastante elevados, é possível reduzir a factura energética investindo num sistema de arrefecimento que
praticamente não necessita electricidade;

 Os chillers de absorção de queima indirecta apresentam também a vantagem de funcionar com
uma ampla gama de fontes quentes: vapor de baixa pressão, água quente, energia solar e processo de
purga quente.



Desvantagens:

× A grande desvantagem dos chillers de absorção frente aos chillers de compressão reside
no seu, relativamente, reduzido rendimento energético - Coeficiente de Performance (COP). Os
chillers de absorção apresentam COPs de 1,1, enquanto nos chillers de compressão o valor pode
subir até de 6,0. Por outro lado, os chillers de absorção representam um investimento inicial
muito superior (entre 1,5 e 2,5 vezes mais caro).

Uma solução alternativa consiste em usar um sistema híbrido integrando os dois tipos de chillers: um
chiller eléctrico como base, e um chiller de absorção funcionando durante os períodos de cheia e de
ponta.

4.2.1.2- Chillers de adsorção

Um chiller de adsorção (Figura 24) é uma instalação térmica que converte calor em frio utilizando como
fonte calor inutilizado.


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Figura 25 - Chiller de adsorção
A adsorção é um fenómeno de adesão reversível, da qual resulta a acumulação de uma substância gasosa ou
dissolvida na superfície de um corpo, tipicamente uma superfície constituída por um material poroso. Quando as
moléculas da substância são fixadas, libertam energia: a adsorção é um processo exotérmico. A diferença
entre adsorção e absorção reside no facto de que, neste ultimo processo, o fluído mistura-se com o
absorvente para formar uma solução.
Os chillers de adsorção utilizam apenas água como refrigerante e um gel de sílica como adsorvente.
Também se utiliza carvão activo ou resina sintética como absorvente nos processos industriais, para
purificar a água ou para secar (com a adsorção da água). Os chillers de adsorção com gel de sílica
podem funcionar com temperaturas inferiores a 80º C, o que os torna mais interessante do que os chillers
de absorção em aplicações onde a fonte de calor é de baixa temperatura, como por exemplo integrados
com sistemas solares térmicos.
Para obter uma grande capacidade de adsorção é necessário ter uma grande superfície de adsorvente
disponível. Assim, a dimensão dos micro poros determina a capacidade de adsorção do adsorvente. Os
chillers de adsorção utilizam apenas energia térmica.


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Aplicações com água quente como fonte de calor
Geralmente, água quente a uma temperatura de 70 a 90ºC é suficiente para permitir a fase de
desadsorção, sendo a temperatura máxima adequada é 95ºC. É possível utilizar água quente com
temperaturas até cerca de 55 ºC, resultando no entanto eficiências bastante reduzidas para o
funcionamento do chiller.
Os chillers de adsorção apresentam uma melhor eficiência do que os chillers de absorção para a gama
de temperaturas entre 70 e 85º C, mas estes últimos têm uma eficiência melhor para temperaturas mais
elevadas (entre 95 e 150º C). Neste caso, é possível usar um chiller de adsorção em série com um chiller
de absorção para utilizar mais calor da água quente. Os chillers de adsorção podem também ser usados
com um chiller de compressão convencional, aumentado a capacidade deste chiller sem gastos de
energia suplementar significativos.











Figura 26 - Rendimento energético: Adsorção vs. Absorção



Analogamente ao caso dos chillers de absorção, quando toda a energia necessária para aquecer o
adsorsor é fornecida pela fonte de calor, designa-se por “ciclo de efeito simples”.
Quando existe mais do que um adsorsor no ciclo, pode-se recuperar calor entre os diferentes adsorsores,
aumentando a eficiência do ciclo. Diz-se então que se trata de um “ciclo de efeito duplo” ou “ciclo com
recuperação de calor”.
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Vantagens:

 Os chillers de adsorção podem utilizar-se mesmo com fontes de calor de baixa
temperatura (55º C) com um Coeficiente de Performance (COP) de 0,5 – 0,6. Assim podem ser
utilizados em aplicações de sistemas solares térmicos ou de sistemas de cogeração de baixa
temperatura. O consumo de electricidade ronda apenas 6% da capacidade do chiller.
 A manutenção é muito reduzida pois os chillers de adsorção praticamente não têm peças
móveis (apenas as bombas). O custo da manutenção de um chiller de adsorção representa apenas
cerca de um décimo do que é necessário para um chiller de compressão convencional. Para além
disso, a equipa de manutenção não necessita de preparação especial.
 Os chillers de adsorção que usam gel de sílica não apresentam riscos para o ambiente pois
este gel é quimicamente neutro (SiO2).

Desvantagens:
× Elevado custo. Por exemplo, o preço de um chiller de adsorção com gel de sílica ronda os
500 €/kW.

5. Cogeração em Portugal

Como foi referido no ponto 2.2.1 a Cogeração não é tão prejudicial para o ambiente como as outras tecnologias de
produção exceptuando, claro, as renováveis. A Cogeração é então uma das soluções que pode contribuir para
a redução das emissões de CO2, uma vez que a produção de energia eléctrica é feita a rendimentos energéticos
mais elevados do que os conseguidos pelas centrais termoeléctricas não nucleares. A nível internacional,
ao abrigo do Protocolo de Quioto e do compromisso comunitário de partilha de responsabilidades,
Portugal assumiu o compromisso de limitar o aumento das suas emissões de gases com efeito de estufa
(GEE) em 27% no período de 2008 - 2012 relativamente aos valores de 1990, por esse motivo a
Cogeração é uma tecnologia benéfica, onde se deve continuar a investir e com fortes potenciais em
Portugal, como vai ser especificado seguidamente.


5.1 Produção por Tecnologias e Sectores

O consumo de energia eléctrica em Portugal tem aumentado de forma consistente nos últimos anos. A
maior parte dessa energia é de origem térmica, produzida em centrais termoeléctricas dedicadas (83%) e
em centrais de Cogeração (17%).
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Gráfico 3 - Produção de termo electricidade em Portugal (dados 2006).

A potência instalada em Cogeração em Portugal ao longo dos anos é visível na Gráfico 4, permitindo
verificar que existem três fases de implementação de sistemas de Cogeração, sendo o primeiro em
grandes indústrias como por exemplo nas fábricas de pasta de papel com base em ciclos de vapor. A
implementação de sistemas de Cogeração Diesel em edifícios e em indústrias ocorre na década de 90
com o aparecimento de legislação para o sector (DL 186/95) e o estatuto de produtor independente,
sendo a tecnologia Diesel gradualmente substituída por instalações a gás natural (turbinas a gás).


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Grafico 4 - Potência instalada em Cogeração por anos, tecnologia e total acumulado
(dados 2005).

A Cogeração representa assim uma parcela importante na oferta da produção de energia eléctrica como
se pode observar na Gráfico 5.

Grafico 5 – Comparação entre potências instaladas em Portugal (Cogeração a vermelho) (dados 2005)
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Actualmente o mercado da Cogeração em Portugal é constituído por uma potência instalada de cerca de
1 207,84 MW, assim distribuídos:

o 520 MW com caldeiras e turbinas a vapor;
o 350 MW com motores a fuel;
o 300 MW com motores e turbinas a Gás Natural, estando programados mais de 200
MW a curto prazo, tornando este combustível o principal no sector.

Ainda devemos realçar que cerca de 5.7 GWh de energia eléctrica é produzida em Cogeração, o que
representa, 13% da produção de energia eléctrica no Sistema Eléctrico Nacional, o equivalente a
aproximadamente 800 milhões de euros investidos.

Face a um enquadramento favorável, aos elevados custos da electricidade que, então se verificavam e à
inexistência de alternativas de abastecimento, o que preocupava seriamente as empresas e, de um modo
especial, as que competiam em países com custos energéticos mais baixos, levou a que, a partir de 1990,
tivessem sido instaladas em Portugal 64 novas centrais de Cogeração com motores a Diesel, o que leva a
concluir que Portugal apostou forte na Cogeração, estando esta dividida pelos vários sectores como já
foi referenciado anteriormente a nível global.

A Indústria Têxtil é o sector que mais contribui para o total de energia eléctrica com origem nesta forma
de produção, com 29,76% do total. Outro dos sectores industriais com importância relativa é a indústria
papeleira, com cerca de 19.38% do total nacional Co- gerado. O gráfico 6 ilustra com precisão a
produção de Electricidade por Cogeração em Portugal nos vários sectores de actividade.


Grafico 6– Distribuição de Cogeração em Portugal por Sectores.
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Apesar desta distribuição relativa, observa-se um crescimento marcado da utilização de Cogeração em
praticamente todos os Sectores industriais.
Relativamente à desagregação da potência instalada por subsectores (sector terciário) (visível no gráfico
7), os Hóteis representam 63,5% da potência total instalada do sector e as Estações de Tratamento de
Águas Residuais aproximadamente 32.6%, enquanto o subsector dos Hospitais/Serviços de Saúde têm
uma expressão insignificante, representando apenas 0,8%. O subsector das Piscinas, que contabiliza
30% do número de instalações de Cogeração, em termos de potência instalada representa cerca de 3,1%
da potência total do sector.






















A respeito das Piscinas, além da baixa potência instalada, há uma situação semelhante às ETARs, isto é,
não há necessidades de arrefecimento que possam justificar a evolução das instalações de Cogeração
existentes para instalações de Trigeração. Uma excepção poderia ser naquelas piscinas de grandes
dimensões, para competições desportivas (dimensões olímpicas), mas devido ao pequeno número de
piscinas deste tipo que existe no país, o respectivo potencial de Trigeração é diminuto.
O cumprimento dos objectivos nacionais, quanto à redução de emissões, consagrados no Plano Nacional
de Alterações Climática (PNAC) aprovado pelo Governo em 2004, estabelecem que a potência adicional
em Cogeração, a instalar até ao ano 2010, deverá ser de aproximadamente 800MW, mantendo-se
operacionais todas as instalações que se encontram já licenciadas.
Grafico 7 – Distribuição de Cogeração em Portugal por Sub-sectores (sector terciário).
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5.2. Metodologias:

Para uma boa implementação de um projecto de cogeração, é necessário seguir alguns passos a seguir
descritos para o dimensionamento de uma central de cogeração.
Dimensionamento:
1. Optimização da produção e utilização de energia;
2. Conhecimento detalhado dos diagramas de cargas térmicas e eléctrico;
3. Possibilidade de alteração dos diagramas de carga;
4. Sistema tarifário de energia eléctrica que permite obter custos do kWh mais baixo;
5. Máximo aproveitamento da energia;
6. Optimização da escolha do sistema de cogeração/combustível em função das reais necessidades
(calor e electricidade) da instalação;
7. Depende de questões técnicas e económicas;
8. Deve ser definido tendo em conta a curva térmica anual para evitar desperdiçar calor;
9. A cogeração, em regra, deve cobrir 20 a 50% do pico de consumo anual de calor, 60 a 90% das
necessidades anuais de calor;
10. Deve ser testada com base numa análise de sensibilidade;
11. Deve pressupor uma auditoria prévia e detalhada.

Dimensionamento específico:
 Obtenção de calor:
 Resposta às necessidades térmicas importando / exportando energia eléctrica.
 Obtenção da energia eléctrica:
 Utilizando caldeiras independentes para produzir o calor adicional, se necessário;
 Minimização de custos (total anual: investimento+manutenção+operação);
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 Resposta às necessidades mínimas de calor e energia eléctrica utilizando caldeiras
independentes e importando / exportando energia eléctrica, se necessário.

No dimensionamento devem ter-se em conta os seguintes parâmetros:
 Quantidade:
 Vapor (ton/h);
 Calor (kWh);
 Energia Eléctrica (KWh).
 Qualidade:
 Pressão;
 Temperatura;
 Tensão.
 Perfil de consumo:
 Perfil anual;
 Perfil diário (Verão / Inverno);
 Perfil diário de paragem.
Após análise extensiva de todos estes itens, os parâmetros identificados e quantificados e escolhida a
opção de dimensionamento pode passar-se à elaboração de um projecto de cogeração, onde se identifica
as tecnologias mais adequadas, seguindo-se de uma avaliação técnico-economica.

Concepção e elaboração de um projecto de cogeração:
A elaboração de um projecto divide-se em três partes:
1. Concepção e licenciamento:
 Concepção da central de Cogeração;
 Solicitação de Condições de Interligação;
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 Instrução do processo de Licenciamento junto da DGE (Direcção Geral de Energia).
2. Desenvolvimento do caderno de encargos:
 Desenvolvimento de um documento de consulta para o fornecimento e montagem da
central de cogeração, atendendo aos requisitos da instalação, processos envolvidos e
exigências de performance da instalação.
 Consulta ao mercado, selecção ao fornecedor e elaboração de contractos:
 Consulta a fornecedores existentes no mercado;
 Relatório de comparação das propostas e selecção;
 Contratos de fornecimento e de disponibilidade / Manutenção.
3. Execução de projecto:
 Gestão da obra;
 Realização de Testes;
 Aceitação da Obra;
 Vistoria [DRME e EDIS].

Critérios de selecção do sistema de cogeração
A adequada selecção de um projecto de cogeração é primordial ao retorno económico que se busca na
idealização do empreendimento. Para satisfazer as necessidades térmicas e electromecânica de um dado
processo, existem inúmeras soluções, sejam elas economicamente, tecnicamente, comercialmente ou
legalmente viáveis; entretanto é necessário que se satisfaça simultaneamente a todas estas condições. A
melhor solução será a que melhor satisfizer as necessidades do investidor. Desta forma, existem
importantes variáveis a considera-se na análise de um projecto de cogeração:
- Relação de necessidade de calor/ electricidade;
- Regime operativo da central;
- Porte do empreendimento;
- Custo da energia térmica;
- Custo da energia eléctrica;
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- Custo da tecnologia;
- Desempenho da tecnologia;
- Ponto de conexão à rede;
- Importação/ exportação de electricidade;
- Modo de contratação de compra/ venda da electricidade;
- Disponibilidade de combustível;
- Aspectos legais e reguladores/ impacto ambiental;
- Qualidade da energia eléctrica (cogeração/ rede eléctrica);
- Confiança nos sistemas (cogeração/ rede eléctrica).
Basicamente, os dados de entrada preponderantes na escolha do sistema de cogeração mais adequado
são a relação entre as necessidades térmica e eléctrica e o factor de capacidade da instalação. Neste
sentido, é muito importante que se faça a análise das necessidades de um processo ao longo das horas do
dia bem como dos dias do ano, de onde vai se determinar a tecnologia utilizada, a necessidade de
interligação com a rede para o intercâmbio de electricidade ou a instalação de um acumulador de calor
ou de queima suplementar para picos de necessidade térmica. Como se pode observar existem inúmeras
possibilidades de arranjos tecnológicos e de estratégias operativas.

Análise para implantação da cogeração
Decorridos todos os aspectos técnicos, económicos e legais inerentes ao empreendimento de cogeração,
será feito um estudo de caso real para implantação de uma central cogeradora, envolvendo as
tecnologias da cogeração e suas aplicações, a legislação pertinente aos aspectos ambientais, à
interligação da central, a contratação de energia, reserva de capacidade e venda de excedentes, a
qualificação para fins de participação em políticas de incentivo e as metodologias para avaliação
económica dos sistemas de cogeração.

Metodologia para a atribuição de licenças de emissão a instalações de cogeração
Para definir a metodologia mais adequada à atribuição de licenças de emissão das instalações de
cogeração, é necessário ter em conta a situação particular que enfrentam estas unidades energéticas no
âmbito da Directiva do Mercado de Emissões.
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Com efeito, o princípio estabelecido na Directiva de contabilizar as emissões anuais por instalação,
obriga a um tratamento especial das unidades de cogeração, uma vez que estas induzem no local em que
são implementadas um volume de emissões superior ao que antes aí existia, em consequência da
produção exclusiva de energia térmica. Esse aumento é obviamente provocado pela produção de
electricidade na unidade de cogeração, que antes era produzida numa qualquer central convencional do
sistema electroprodutor.
Este aumento localizado não reflecte assim a redução de emissões induzida pela cogeração, tal como lhe
foi especificamente reconhecido pelo PNAC face à produção separada das duas formas de energia em
causa, tal como se pode esquematicamente deduzir da figura seguinte.
Assim, é lógico inferir que a atribuição de direitos de emissão às instalações de cogeração, deverá ter em
conta a produção das duas formas de energia que estão em causa, a electricidade e a energia térmica, que
no caso de não existir a cogeração, seriam produzidas em instalações separadas, com rendimentos
característicos de tecnologias convencionais.
5.3. Projectos de Cogeração

No caso Português existem várias empresas interessadas em investir na Cogeração. A GDP e a Petrogal,
Empresas do Grupo Galp Energia, têm-se empenhado fortemente no desenvolvimento da Cogeração em
Portugal, criando as condições necessárias para que os produtores possam contar com serviços,
combustíveis e lubrificantes de alta qualidade a custos competitivos.

A Cogeração no Grupo Galp Energia é desenvolvida pela Galp Power a qual tem, neste momento,
quatro Projectos de Cogeração em exploração e desenvolvimento, detalhados na tabela 6 :


Tabela 5 – Alguns Projectos de Cogeração em Portugal


Estes projectos representam uma potência total de 166 MW, dos quais estão já instalados 73 MW e
outros 93 MW actualmente em execução, consolidando um consumo de Gás Natural de 408Mm
3
/ano. Este
volume representa mais de 3 vezes o consumo actual de gás natural na Grande Lisboa e quase metade do
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volume contratado pela Central da Tapada do Outeiro.

Para além das indústrias podemos encontrar sistemas de Cogeração em novos edifícios de habitação e
serviços e em alguns Hospitais (ex. Hospital S.José (Lisboa) [Ver ponto 5.2]), estando ainda por
aprofundar em Portugal a exploração do conceito, muito utilizado nos países nórdicos, “District
Heating”, apesar de este apresentar grandes potenciais.

Para além das instalações já em funcionamento alguns dos futuros potenciais projectos de Cogeração na
indústria estão especificados na figura 25:




Figura 27 – Futuros projectos de Cogeração na indústria em Portugal.

5.4. Analogia com outros países/União Europeia:
 Em Espanha:
Produção e potência Instalada em Espanha pode dividir-se em dois sectores:
 Plantas consideradas de autoprodução:
Em Dezembro de 2006 a potência instalada referente a cogeração de autoprodução era de 5874 MW, repartidos
em 860 plantas.


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Grafico 8 - Plantas de cogeração consideradas de autoprodução instaladas anualmente.


Grafico 9 - Potência instalada do ponto de vista geográfico.

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Grafico 10 – Potência instalada acumulada considerada de autoprodução. Fonte: CNE.
Os sectores com maior participação em termos de potência instalada em co-geração consistem em
sectores de alimentação, química e papel e cartão, sendo que estes ocupam aproximadamente metade da
potência total instalada.
No que se refere à energia eléctrica produzida por cogeração de autoprodução em 2005 foi de 11,4 %
com uma contribuição de 31400 GWh.

Grafico 11 - Origem da energia eléctrica produzida a partir de 1994 e sua projecção até 2011. Fonte: Ministério da indústria, turismo e
comércio espanhol.
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Quanto ao rendimento, a parte que diz respeito à co-geração tem uma eficiência energética de 29,7 % e
aproveita 73,2 % da energia contida no combustível utilizado. O rendimento eléctrico equivalente é de
57,6 %. Sendo estes rendimentos significativamente superiores aos rendimentos convencionais de
produção de energia eléctrica.
 Plantas de tratamento de resíduos:
Este tipo de sistema é utilizado em explorações de pecuária e de tratamento de lamas, sendo que a potência em
2006 se situava em 596 MW de potência instalada.
Tabela 6 - Potência instalada em MW de cogeração no tratamento de resíduos. Fonte: CNE.

A situação actual e previsões de calor útil em Espanaha para 2010,2015 e 2020 estão indicadas na tabela
8.
Tabela 7 – Potencial de calor útil em GWh em Espanha e previsões.

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5.5. Cogeração até 2020

A capacidade da cogeração na Europa até 2001 era de 100GW, mas o potencial tem vindo a aumentar.
Prevê-se um aumento para 174GW até 2010 e de 252GW até 2020. Contudo só será possível no melhor
caso do Protocolo de Quioto, se a política dos países em questão não for favorável a cogeração , então
teremos um futuro para a cogeração bem diferente.
Nos próximos 10 anos, a capacidade na Europa está a decrescer. Só se espera uma recuperação dos 2000
level em 2015. Os gráficos seguintes refletem o potencial mercado da cogeração na EU (união
europeia).


Ilustração 3 - Capacidade da cogeração na UE (GWh/ano).
Nos países da Europa a incerteza e o alto risco de investimento na cogeração dificultam o crescimento
do desenvolvimento da cogeração e gera uma atitude pessimista em torno da tecnologia. Mas de 2010 a
2020 espera-se um aumento da cogeração devido a um desenvolvimento da consciência ambiental.
Um aumento de 40% na União Européia e 20% Comunidade Econômica Européianos próximos 20 anos
seria uma marca a nível do desenvolvimento da cogeração.

6. Trigeração em Portugal

Perto do final de 2006, havia 11 instalações de Trigeração em Portugal, estando apenas 10 a funcionar
satisfatoriamente. Aquelas 10 instalações representam aproximadamente 26,3 MWe, o que equivale a 2,4% da
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potência total instalada de Cogeração em Portugal. Todos os Chillers de Absorção utilizados nessas instalações
têm água-LiBr como par de trabalho.
As instalações existentes distribuem-se por 5 subsectores, sendo o dos Centros Comerciais o mais representativo
em termos de número de instalações (33%) e de potência eléctrica instalada em Trigeração (56,7%) no Sector
Terciário e essa distribuição é visível no gráfico 8:


Grafico 12 – Desagregação da potência eléctrica total de Trigeração instalada.

Sabendo que a Trigeração necessita de uma tecnologia de Cogeração para se “alimentar”, o gráfico 9
representa a desagregação da potência eléctrica total de Trigeração instalada no Sector Terciário
português por tecnologia de Cogeração utilizada (100% =26,3 MWe).


Grafico 13 - Percentagem das tecnologias de Cogeração usadas na Trigeração.

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Um dos primeiros passos no investimento da Trigeração em Portugal foi dado pela Parque EXPO'98, S.A.
quando esta decidiu lançar a ideia de implementar uma rede urbana de frio e calor na Zona de Intervenção da
EXPO'98, constituindo assim um projecto pioneiro e inovador quer em Portugal quer na Europa. Com esta
solução energética, para a climatização dos edifícios, a Parque EXPO'98, S.A., procurou gerar sinergias
através de uma abordagem sistémica de planeamento urbano, inserindo um conceito de estratégia global
para a eficiência energética e o ambiente.


Figura 28– Parque Expo – Edifícios servidos de Trigeração
Neste momento ainda só três Hospitais Portugueses (Hospital São Francisco Xavier (Lisboa),
Hospital Garcia de Orta (Almada), Hospital Pedro Hispano (Matosinhos)), onde há grandes
necessidades de Electricidade, calor e frio em média/grande escala e com rapidez e eficiência
obviamente desejadas, aderiram a esta tecnologia, que tem grandes benefícios em todos os
aspectos (ver 5.2). A tabela 7 mostra como a Trigeração no sector Hospitalar tem vantagens a
curto, médio e longo prazo, considerando o cenário 1 como o cenário que se vive actualmente em
Portugal, com a aplicação das tarifas e políticas que vigoram e o cenário 2 como um futuro estado
de políticas e tarifas mais favorável.
Tabela 8 – Potenciais da Trigeração no Sector Hospitalar em vários cenários da economia.





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Nos últimos tempos o investimento nesta área tem aumentado e novos projectos urgem (ponto 5.1 e 5.2),
o que leva a crer que a curto prazo o gráfico 8 tome posições um pouco diferentes.
A seguir é apresentada a tabela 8, que para além de reflectir as necessidades (eléctricas, térmicas e de
refrigeração) que cada tipo de instalação necessita, nos vários Sub-sectores do Sector Terciário, ainda
indica algumas curiosidades.
Tabela 9 – Síntese detalhada dos projectos Trigeração nos sub-sectores do Sector terciário.



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6.1 Projectos de Trigeração

Apesar da distribuição disforme da Trigeração no sector terciário (gráfico 4), têm-se desenvolvido
alguns projectos que visam combater essa tendência, nomeadamente em alguns novos edifícios de
serviços, habitação e hotéis.
Alguns desses novos projectos são o edifício da Câmara Municipal da Mealhada, e o Tâmega Park
(Futuro parque industrial de Amarante), que irá ser constituído por 59 armazéns, 54 unidades industriais,
38 escritórios e comércio, distribuídos por 13 edifícios com uma área coberta de 50600 m2. Dado que
uma parte significativa das empresas que se instalaram neste Park têm como ramo de actividade a
transformação de madeira e uma vez que a região do baixo Tâmega possui uma grande área de floresta,
foi realizado um estudo com a finalidade de aferir as possibilidades de sucesso de uma central de
trigeração funcionando a biomassa.
A implementação duma central a biomassa com estas dimensões insere-se perfeitamente no actual
contexto energético nacional e europeu, onde recorde-se, devido ao protocolo de Quioto, a
incrementação significativa do uso de energias renováveis constitui um objectivo prioritário de todos os
estados membros.
Aprofundando mais o estudo deste projecto de Trigeração no Tâmega Park, os resultados obtidos,
presentes na tabela 9, para o qual esta instalação foi projectada, permitem-nos ter uma percepção dos valores
reais necessários para uma construção destas dimensões (figura 29) em várias alturas do dia e do ano.



Figura 29 – Planta do futuro Tâmega Park.

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Tabela 10 – Estudo das Potências necessárias para o funcionamento do Tâmega Park.



Relativamente aos estudos de viabilidade económica foram apresentados os resultados dos 5 primeiros
anos de exploração da central considerando um funcionamento de 16 h/dia, sendo que durante 8 horas a energia
será consumida pelo parque e nas restantes 8 horas a energia eléctrica será vendida à EDP. Não foi tido em conta
a solução de utilização de uma turbina de condensação nem o sistema de distribuição de calor municipal, ou seja
a energia térmica restante não foi contabilizada. No que diz respeito à climatização dos edifícios do parque,
os cálculos foram efectuados tendo por base um consumo diário de 8 horas durante dez meses (seis de Inverno e
quatro de Verão), a uma carga média de 70% da potência máxima de Inverno e Verão.
Em relação ao aquecimento das águas sanitárias admitiu-se que a potência necessária é a referente à
potência máxima de Inverno durante sete meses, e a referente à potência máxima de Verão durante os
restantes.

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A tabela 12 apresenta valores relativos a investimentos, receitas e rentabilidade previstos para a
instalação.



Tabela 11 – Valores obtidos com o estudo de viabilidade económica no Tâmega Park.

Os resultados deste estudo preliminar afiguram-se extremamente positivos, pois foi possível a
apresentação de uma solução técnica para um central de Trigeração a biomassa a instalar no futuro Tâmega
Park, com índices de rentabilidade bastante promissores para futuros investidores.
6.2 Instalações Hospitalares
Os exemplos de aplicação desta tecnologia existente em Portugal são essencialmente em hospitais, de
referir:

Figura 30- Hospital Pedro Hispano.
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Figura 31 - Hospital Garcia da Horta.


Figura 32 - São Francisco Xavier.

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6.2.1. – Hospital Pedro Hispano

O projecto inicial do Hospital incluía a instalação de uma unidade de Trigeração, que foi abandonada a
meio da construção. Ficando:
 Central térmica com espaço disponível para a central de Trigeração
 Um chiller de absorção instalado e respectiva torre de arrefecimento
 Espaço disponível para o transformador da Trigeração
 Um chiller eléctrico e 2 caldeiras de água quente.


Solução adoptada:
 Instalação de uma terceira caldeira de água quente
 Limitação da área climatizada, já instalada, por deficiência de produção de água Gelada.
o Solução Trigeração
 Colocação em funcionamento do Chiller de Absorção com uma potência
de kW, mas limitado a 600 kW, pela dimensão da torre
 Redução dos custos de energia em 10% (Eléctrica) e 12% (Térmica)

o Evolução
 Alteração em 2004, da torre de arrefecimento ampliando a potência do
chiller de absorção para 1.000 kW
 O mercado Liberalizado de energia eléctrica, regime não vinculado, forçou
em 2005 a descida dos preços de energia eléctrica:
 A Trigeração passou a exportar a totalidade de energia eléctrica
 O Hospital passou a adquirir a energia eléctrica ao regime não vinculado,
obtendo um desconto total (Trigeração + Não Vinculado) de 25%
 Em 2007, necessidades de consumo de água gelada, origina um estudo de
crescimento da produção desta Energia.

o Equipamento
 2 Motores DEUTZ a gás natural, de 1018 kWe cada
 1 chiller de absorção de 1MW



o Instalação
 Investimento de 1,5 M€ Euros
 Arranque em Março de 2001
 37.000 horas de funcionamento
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o Recuperação de Energia
 Energia Eléctrica de 12,3 GWh/ano
 Energia Térmica:
o Água Quente de 5,8 GWh/ano
o Água Gelada de 3,5 GWh/ano

6.2.2.-Hospital Garcia de Horta

Este projecto de Trigeração previa:
 Construção de uma unidade de Trigeração, com um chiller de absorção de 1.000 KW
 Rede de gás natural e conversão para equipamentos de queima a gás
 Desmantelamento da central de vapor
 Construção de uma rede de água quente eliminando as subestações a vapor.
 Instalação de 2 caldeiras de água quente (Back Up à cogeração)
 Instalação de 2 caldeiras de vapor de vaporização rápida, dispensando a presença de
fogueiros, garantindo o fornecimento de vapor à Cozinha,
 Esterilização e Humidificação.

Equipamento utilizado:
 2 Motores DEUTZ a gás natural, de 1018 kWe cada
 1 chiller de absorção de 1.000 kW
Instalação:
 Investimento de 2,5 M€ Euros
 Arranque em Dezembro de 2002
 24.000 horas de funcionamento

Recuperação de Energia:
 Energia Eléctrica de 12,7 GWh/ano
 Energia Térmica:
Água Quente de 6,5 GWh/ano:
Água Gelada de 1,6 GWh/ano
Evolução:

 A criação de uma central de frio e aumento da potência de produção:
 Disponibiliza água gelada para a climatização do novo edifício de Psiquiatria
recentemente construído.
 Criou condições para a construção de uma rede de ventiloconvectores (em execução
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faseada) que climatizará a totalidade do Hospital
 Melhoria na produção instantânea de vapor
 Instalação de uma 3 caldeira de vaporização rápida
 Criação de uma central de Osmose Inversa, para a produção de vapor.

6.2.3. - Hospital São Francisco Xavier

O Projecto hospitalar São Francisco Xavier previa:

 Nova Central Térmica
A construção do novo edifício Hospitalar, implicou a criação de um espaço designado edifício
energia, que passaria a desempenhar a função de fornecer a totalidade da energia ao Hospital (Novo
Existente):
 Produção de água quente e água gelada
 Posto de Seccionamento e Transformação
 Central de Emergência e QGBT
 O Edifício energia foi dimensionado para abraçar uma central tradicional,
sendo necessário algumas transformações, ainda na fase da obra Civil, para
poder receber a Central de Trigeração

Trigeração – solução:

 Implementação de uma unidade de Trigeração, aproveitando o espaço do
edifício energia.
 Redução do investimento inicialmente previsto pelo Hospital, tendo-se
reduzido o número inicial de Chillers eléctricos e caldeiras, bem como os
equipamentos associados.
 Redução dos custos das energias (Eléctrica e Térmica) entre 10% e 15%
 Instalação desenhada ao ínfimo pormenor, recorrendo a modelações 3D, de
modo a racionalizar o pequeno espaço disponível, obrigando à revisão do
projecto inicialmente previsto.
 A Construção foi efectuada na sua maioria em estaleiro, sendo montada no
local
o Equipamento
2 Motores Caterpillar a gás natural, de 1165 kWe cada
 1 chiller de absorção de 1.100 kW

o Instalação
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 Investimento de 2,0 M€ Euros
 Arranque em Janeiro de 2006
 6.000 Horas de funcionamento

o Recuperação de Energia
 Energia Eléctrica de 11,5 GWh/ano
 Energia Térmica:
 Água Quente de 5,0 GWh/ano
 Água Gelada de 2,6 GWh/ano

6.3 Vantagens e motivos de aplicação da Trigeração

6.3.1. Porquê Trigeração?

A trigeração permite compensar diferenças entre necessidades térmicas de Inverno e de Verão
maximizando o aproveitamento da unidade de cogeração, tem como objectivo produzir electricidade e
AQS durante todo o ano, calor no inverno, frio no verão. No entanto há situações que requerem frio e
calor permanentemente (e.g. hospitais).

6.3.2 Vantagens da Trigeração

Apresentamos agora as principais vantagens da aplicação de sistemas de trigeração:
 Eficiência global superior;
 Diminuição de perdas de transporte devido à produção local;
 Emissões poluentes reduzidas;
 Podem em alguns casos ser aproveitados resíduos industriais, domésticos e biomassa;
 Redução da potência em horas de ponta à rede, reduzindo a necessidade do recurso a centrais
menos eficientes ou à importação em períodos de ponta;
 Investimentos facilmente recuperáveis num horizonte de 5 anos.

7. District Heating and Cooling
Aquecimento Urbano
Aquecimento urbano é uma fonte dominante no abastecimento energético da Europa Central e Oriental
(PECO, Países da Europa Central e Oriental), cerca de 40% da população são os clientes das redes de
aquecimento urbano. Além disso, o estado geral das redes de aquecimento urbano não é bom. Muitos
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sistemas de aquecimento urbano parecem ser sobredimensionados em termos de capacidade instalada,
em comparação com a real procura de calor. Em alguns países, as capacidades de geração térmica
instalada excede os requisitos reais de carga térmica em cerca de 50%. Ao mesmo tempo, em grande
parte do sistema de aquecimento urbano são atingidos ou ultrapassados os limites de vida. Isto leva a
uma baixa na eficácia do sistema. Há também problemas associados ao mau estado das redes de
aquecimento que sofrem de diâmetros super-dimensionada, corrosão, fugas e inadequada bombas. São
também necessárias melhorias na contagem das saídas de calor.
Os mercados da energia na maior parte dos PECO estão actualmente a ser liberalizado. Por conseguinte,
existe um enorme foco público e político sobre a questão da protecção do ambiente, poupança de
recursos escassos, e mesmo sobre a economia local. Todos os países afirmam que o aquecimento urbano
tem um importante contributo para oferecer a estas questões, especialmente a partir de cogeração, que
tem provado ser uma tecnologia central na tentativa de equilibrar os objectivos de um mercado livre e de
pressões ambientais. Aquecimento urbano, portanto, proporciona uma base importante para uma maior
expansão cogeração.
Um interesse comum de todos os países é a segurança do abastecimento de energia a preços acessíveis, a
criação / extensão de redes de energia e uma politica de preço razoável, especialmente quando todos os
subsídios foram retirados. Para ser mais competitivo, as empresas distribuidoras de aquecimento urbano
têm estendido os seus negócios através da introdução de novos produtos e serviços, principalmente
relacionados ao aquecimento urbano. Marketing agressivo é necessário para lançar esses novos produtos
aos clientes.
Vantagens do aquecimento e arrefecimento urbanos
As principais vantagens de aquecimento e arrefecimento urbano a partir da aplicação de tecnologias de
cogeração/trigeração:
 Aumento da eficiência (média de 37% nas centrais de condensação para 70% em cogeração);
 Segurança do fornecimento de calor nas cidades;
 Redução do consumo dos recursos energéticos;
 Redução de emissões poluentes;
Potencial de aquecimento urbano
Uma vez que a quota de calor aquecimento urbano em sistemas de abastecimento na maioria dos PECO
é elevado, não há muito potencial para crescer mais. No entanto, através da introdução de regulamentos
e legislação promovendo a ligação a redes urbanas de aquecimento, continua a existir algum potencial.
O pequeno crescimento potencial é ainda mais reduzido pelo período de transformação em todos os
países pós-comunismo. A procura total de energia caiu com a recessão económica, principalmente nos
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sectores industriais da economia. Por isso, os actuais esforços estão centrados na melhoria da eficiência
dos actuais sistemas de aquecimento urbano e da utilização máxima da sua capacidade, com novos
consumidores estando ligado aos actuais sistemas de aquecimento urbano.
Os sistemas de aquecimento urbano debatem-se para ser economicamente competitivos, ao abrigo das
actuais condições de mercado, uma mudança de atitude em relação a produção é necessária. Um
elemento essencial desta mudança é o movimento no sentido da protecção ambiental.
Arrefecimento urbano
No Verão há a necessidade de obter fontes de arrefecimento, quer seja da água, quer seja do ambiente. É
neste âmbito que surge também o arrefecimento urbano. Este arrefecimento consiste em fazer chegar aos
edifícios em causa água gelada que proporciona o arrefecimento pretendido. Este processo é conseguido
através de chillers de absorção (trigeração).

Vantagens da cogeração/trigeração para aquecimento/arrefecimento urbano
A cogeração/trigeração é um dos únicos processos de produção de energia que pode ajudar a reduzir as
emissões de CO2, tem também uma alta eficiência, convertendo 85-90% do conteúdo energético do
combustível, em comparação com 30-40% de uma central eléctrica convencional de condensação.
As centrais têm geralmente um alto nível de disponibilidade, permitindo a ininterrupta da produção de
energia, têm também potencial para serem altamente automatizadas o que permite uma redução de
pessoal e uma consequente redução dos custos de manutenção e operação.
Com os recentes avanços tecnológicos é possível cogeração/trigeração eficiente ao nível micro. Este
programa abriu um mundo de possibilidades para utilizar as centrais de cogeração em pequenos
consumidores.
Esta aplicação visa a diminuição do consumo dos recursos energéticos, nomeadamente, energia
eléctrica, surtindo efeitos positivos ao nível do diagrama de carga, contribuindo para a redução das
pontas de consumo.






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9. Conclusão

A implementação das tecnologias de cogeração/trigeração traz diversos benefícios para os
consumidores, empresas fornecedoras e até para a sociedade em geral. Estes benefícios
podem ser económicos, operacionais e sobretudo ambientais. Este tipo de tecnologia permite
um melhor aproveitamento da energia, atingindo os 85% de eficiência energética, que é um
valor excelente tendo em conta os 35% de eficiência dos sistemas convencionais de produção.
É importante referir que a cogeração/trigeração é um impulsionador muito importante para o
cumprimento de Quioto, dado que as emissões de CO
2
são consideravelmente mais baixas
neste tipo de produção de energia eléctrica.
Contudo, actualmente, ainda decorrem estudos para o desenvolvimento destes equipamentos
com o objectivo de melhorar o seu rendimento, daí os custos de investimento serem ainda
muito elevados. É por esta razão que em muitos casos a implementação destas tecnologias
não é economicamente viável, como é o caso dos utilizadores domésticos ou mesmo das
pequenas e médias indústrias. Outra grande limitação da produção descentralizada de energia
eléctrica é o facto da energia térmica não ser fácil de transportar e portanto tem de ser
utilizada nas proximidades do centro produtor. Apesar da tarifa de venda de electricidade à
rede por parte da cogeração ser favorável à maioria dos projectos, os riscos do negócio
exigem sinais fortes da parte do Governo de que efectivamente a cogeração não será
prejudicada no futuro.
Em Portugal as aplicações mais consideráveis podem ser vistas em hospitais, tal como
referido anteriormente, visto terem grandes necessidades de energia, tento eléctrica como
térmica e o payback ser considerado razoável. Portanto falamos de uma tecnologia que
demonstra claramente os seus benefícios e que tem vindo a tomar um lugar de destaque nos
últimos anos quando se fala de eficiência energética e de questões ambientais inerentes á
energia.
O “District heating” e o “District cooling” revelaram ser interessantes aplicações da
cogeração e da trigeração. Em relação ao primeiro conceito este já está a ser implementado
nos países do norte da Europa obtendo óptimos resultados. No sul da Europa, incluindo
Portugal, o “District cooling” seria uma aplicação a ter em conta visto cada vez mais as
pontas de consumo anuais se verificarem no verão. Contudo um desenvolvimento desse
conceito é muito difícil, visto ser necessário o dimensionamento de toda uma rede, e para isso
teríamos que consciencializar toda a população para que qualquer projecto de condomínio
fosse pensado nessa eventualidade.





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8. Legislação

De acordo com o decreto-lei n.º 186/95, a Cogeração é definida como: O processo de produção
combinada de energia eléctrica e térmica, destinando-se ambas a consumo próprio ou de terceiros, com
respeito pelas condições previstas na lei. A publicação do Decreto-Lei n.º189/88, a primeira legislação
orientada para a promoção da produção de energia eléctrica a partir de recursos renováveis,
combustíveis nacionais ou resíduos industriais, agrícolas ou urbanos, bem como da Cogeração,
representou um marco fundamental na história da produção independente em Portugal.

Seguidamente apresenta-se a evolução em termos cronológicos da principal Legislação relativa á
Cogeração em Portugal:
 Decreto-Lei nº 189/88, de 27 de Maio de 1988

o Criação de um acentuado desenvolvimento de utilização do processo de
Cogeração;
o Surgimento de muitas especialidades;
o Necessidade de autonomização do enquadramento legal da
o Cogeração;

 Decreto-Lei nº 186/95 de 27 de Julho de 1995

O Consagra a separação legislativa das formas de produção de energia eléctrica,
aplicando-se exclusivamente à produção de energia em instalações de Cogeração;
O Regula a produção de Energia através de processo de Cogeração;


 Decreto-Lei nº 118/98 de 7 de Maio de 1998

O Revisão do “Regulamento dos Sistemas Energéticos de Climatização em
Edifícios” (RSECE) criado pela primeira vez em 1992 com a seguinte sigla:
RQSECE;

Este Regulamento destina-se aos edifícios em que há consumos efectivos de energia para climatização
(aquecimento e/ou arrefecimento).
Dirige-se sobretudo aos edifícios de serviços, mas também se aplica a todos os edifícios residenciais que
tenham sistemas de aquecimento ou de arrefecimento com mais de 25 kW de potência instalada. Este
regulamento estabelece um conjunto de regras de modo que “as exigências de conforto e de qualidade
do ambiente impostas no interior dos edifícios, possam vir a ser asseguradas em condições de eficiência
energética”.
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Relativamente á Cogeração este documento refere que tem de haver uma concepção correcta dos
sistemas primários fornecedores de energia e opções de URE (utilização racional de Energia), avaliando
a viabilidade económica de sistemas menos convencionais do tipo Co-gerações ou micro Cogerações,
captação de energias renováveis, redes urbanas de distribuição de calor e/ou frio, etc., e ainda dos
sistemas já previstos no actual RSECE (recuperação de calor, arrefecimento gratuito, gestão
centralizada, repartição de potências, etc.), tal como imposto pela Directiva Europeia;

 Decreto-Lei nº 538/99 de 13 de Dezembro de 1999

o Criação do Mercado Interno de Electricidade;
o A defesa do Ambiente – estreitamento das políticas ambiental e energética;

A limitação em matéria das emissões dos gases que provocam o efeito de estufa (GEE), em resultado da
implementação da Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas e do Protocolo de
Quioto, dela decorrente, foram alguns dos motivos que provocaram uma revisão da legislação referente á
Cogeração por parte do Governo. O Decreto-Lei nº 538/99 de 13 de Dezembro de 1999 vem operar essa
revisão, destacando-se:
o A alteração do tarifário aplicável ao fornecimento para a rede do Sistema
Eléctrico Público (SEP) da energia eléctrica produzida em instalações de
Cogeração, estabelecendo-se os princípios necessários à internalização dos
benefícios ambientais proporcionados por essas instalações;
o O alargamento das situações em que é autorizado o fornecimento a terceiros da
energia eléctrica produzida, seja nos casos em que a Cogeração se encontra
associada a um processo de autoconsumo da energia eléctrica produzida, seja
nos casos em que a energia é fornecida às filiais e empresas associadas do Co-
gerador;
o A alteração das regras para definição da potência máxima de ligação das
instalações de Cogeração à rede do SEP com vista a facilitar o acesso a essa
rede;


 Portaria nº 31/2000 de 27 de Janeiro de 2000

 Estabelecimento da Fórmula de cálculo da remuneração, pelo
fornecimento da energia à rede (SEP), das instalações de Cogeração
licenciadas ao abrigo do Decreto-Lei n.º 538/99, de 13 de Dezembro, cuja
potência de ligação seja superior a 10 MW.

Como uma síntese desta portaria podemos dizer que se estabelecem três tarifários distintos, aplicáveis a
toda a energia eléctrica fornecida pelas respectivas instalações à rede do SEP, consoante:
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o A potência de ligação das instalações de Cogeração seja inferior ou igual a 10
MW;
o A potência de ligação das instalações de Cogeração seja superior a 10 MW;
o As instalações de Cogeração sejam utilizadoras de energia primária que, em
cada ano, seja constituída em mais de 50% por recursos renováveis ou
resíduos industriais, agrícolas ou urbanos, independentemente da potência de
ligação.

 Decreto-Lei nº 313/2001 de 10 de Dezembro de 2001

 Criação de um regime especial para a Produção de Energia Eléctrica;
 Foram criadas as condições de exploração de Cogeração e novos
tarifários;

A maior parte deste Decreto foi uma revisão ao Decreto nº 538/99 já apresentado anteriormente, pois este
estabeleceu as regras aplicáveis à produção combinada de calor e electricidade, vulgarmente conhecida como
Cogeração. A experiência derivada da sua aplicação postulou a necessidade de introduzir alguns ajustamentos no
articulado, no sentido de propiciar o desejável desenvolvimento das instalações de Cogeração, por forma a serem
atingidas as recomendações da União Europeia.


 Despacho nº 7127/2002 de 14 de Abril de 2002

 Revisão da fórmula de cálculo da remuneração, pelo fornecimento da energia
entregue à rede, das instalações de Cogeração licenciadas;
 Fixação dos valores de referência já previstos em Portarias anteriores;

A fórmula de cálculo que é fixada no Despacho anterior que já é proveniente do Decreto-Lei nº 313/2001 de
10 de Dezembro de 2001, é dada por:

 REE = E/[C - [T/(0,9 - 0,2 x (CR/C))]] em que REE é um coeficiente
adimensional designado rendimento eléctrico equivalente, E é a energia eléctrica
produzida anualmente, T é a energia térmica útil consumida anualmente, C é a
energia primária consumida anualmente e avaliada a partir do poder calorífico
inferior dos combustíveis usados e CR é o equivalente energético dos recursos
renováveis ou resíduos industriais, agrícolas ou urbanos consumidos.
Naturalmente que E, T, C e CR estão expressos nas mesmas unidades de
energia. O rendimento eléctrico equivalente tem um valor mínimo, o qual é
diferenciado em função do combustível usado. Assim, tem-se:
• REE ≥ 0,55 – para o caso do gás natural e gás de petróleo
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liquefeito;
• REE ≥ 0,50 – para o caso do fuelóleo;
• REE ≥ 0,45 – para o caso de instalações de biomassa;
Para finalizar no caso de CR=0 e de se usar gás natural, a fórmula anterior toma
a forma: REE = E/[C - [T/0,9 ]] ≥ 0,55 .



 Despacho nº 19151/2002 de 8 de Agosto de 2002

 Aprovação do Guia para a realização de Auditorias Energéticas às
instalações de Cogeração;
 Criação do Guia para aceitação e reconhecimento de Auditores para
realização de Auditorias Energéticas às instalações de Cogeração;


Relativamente a este Despacho podemos referir que actualmente a lei reconhece às instalações de
Cogeração o direito de serem remuneradas pelos benefícios relativos ao custo e emissões de poluentes
que evitam, quando comparadas com as formas de energia tradicionais de conversão de energia. Assim
torna-se necessário medir a eficiência global do processo que varia muitas vezes no tempo. Neste
contexto a actual legislação relativa às instalações de Cogeração estabelece a obrigatoriedade de avaliação das
condições de funcionamento dessas instalações, de dois em dois anos, a realizar por um auditor
independente reconhecido pela DGGE (Direcção-Geral de Geologia e Energia).


 Despacho 19111 / 2005 de 19 de Agosto de 2005

 Nova e última alteração dos valores unitários de referência já alterados
anteriormente em outros Despachos;


 Conselho de Ministros de 26 de Janeiro de 2006

A última Legislação aplicada á Cogeração até então, saiu do Conselho de Ministros de 26 de Janeiro de
2006 onde foi aprovado o novo RSECE (apesar de este continuar a não ser aplicado).
Este novo regulamento, para além da adequação da anterior regulamentação à realidade presente do
sector em Portugal, inserem-se também no espírito da Directiva 2002/91/CE relativa ao desempenho
energético dos edifícios, e que tem por principal objectivo a redução dos consumos energéticos, através
da implementação de soluções técnicas eficientes e da utilização de fontes de energias renováveis.
Nestas soluções técnicas eficientes subentende-se a Cogeração, que nesta revisão passou a ser
obrigatória para os grandes edifícios (>1000 m2), onde os países-membros deverão exigir estudos de
viabilidade técnica, ambiental e económica para sistemas descentralizados de fornecimento de energia e
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designadamente Cogeração e “district heating”, antes de ser concedida a autorização de construção. Os
edifícios a reconstruir/restaurar, onde a energia tiver um peso significativo, deverão, caso não façam
provas de lhes ser desfavorável o investimento, considerar a instalação da Cogeração para atingir os
critérios de eficiência energética. As economias de energia, resultantes dos sistemas de Cogeração, são
reconhecidas nos cálculos da eficiência energética dos edifícios.

No que respeita a questões ambientais, dependendo da natureza, dimensão e localização das instalações,
importa referir, nomeadamente: o Impacte Ambiental (Decreto - Lei nº. 69/2000, de 3 de Maio), o
Regulamento Geral do Ruído (Decreto-Lei nº. 292/2000, de 14 de Novembro), a emissão de poluentes
(Portaria nº. 1058/94, de 2 de Dezembro e Portaria nº. 268/93, de 12 de Março), e a autorização para a
queima de resíduos (Decreto - Lei nº. 239/97, de 9 de Setembro e Decreto-Lei nº. 273/98, de 2 de
Setembro).
Depois de analisado todo este enquadramento legal, podemos concluir que a energia entregue à rede
passou a ser remunerada de acordo com os custos evitados pelo sistema público na produção e transporte
dessa mesma quantidade de electricidade a que acresce um prémio ambiental sempre que a eficiência da
Cogeração exceder o do processo convencional equivalente. Isto significou para os Co-geradores
nacionais uma melhoria evidente e bastante importante relativamente ao que era pago ao abrigo das
legislações de 1988 e 1995.


Pelo facto de o preço pago pela rede ao produtor estar parcialmente indexado ao preço do combustível
do mercado internacional, os riscos de exploração devidos a variações nos custos da principal matéria
prima, como aconteceu nos últimos anos, estão agora controlados, salvaguardando-se assim a
estabilidade económica durante a vida útil dos projectos.

DIRECTIVA 2004/8/CE DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO de 11 de Fevereiro
de 2004 relativa à promoção da cogeração com base na procura de calor útil no mercado interno
da energia e que altera a Directiva 92/42/CEE

A cogeração de elevada eficiência é definida na presente directiva pela poupança de energia que é obtida
com a produção combinada de calor e electricidade, em comparação com a produção separada. Uma
poupança de energia superior a 10 % permite a classificação na categoria de «cogeração de elevada
eficiência». Para maximizar a poupança de energia e evitar que a mesma se perca, há que dar a maior
atenção às condições de funcionamento das unidades de cogeração.

Para garantir que o apoio à cogeração, no contexto da presente directiva, se baseie numa procura de
calor útil e numa poupança de energia primária, é necessário desenvolver critérios para determinar e
avaliar a eficiência energética da cogeração identificada na definição de base.
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O objectivo geral da presente directiva deverá ser a elaboração de um método de cálculo harmonizado
da electricidade produzida em cogeração, bem como das necessárias orientações em matéria de
implementação, tendo em conta metodologias como as que são actualmente utilizadas pelas
organizações europeias de normalização.
Este método deve ser ajustável ao progresso tecnológico. A aplicação dos cálculos constantes dos
anexos II e III às unidades de micro cogeração poderia, em consonância com o princípio da
proporcionalidade, basear-se em valores resultantes de um processo de ensaio-tipo certificado por um
organismo competente e independente.

Para efeitos da presente directiva, a definição de «unidades de cogeração» abrangerá igualmente os
equipamentos em que seja possível gerar apenas energia eléctrica ou apenas energia térmica, tais como
as instalações de combustão auxiliares e as instalações de pós-combustão. Para efeitos da presente
directiva, a produção desses equipamentos não deverá ser considerada como cogeração para efeitos da
emissão de uma garantia de origem e para efeitos estatísticos.

Para garantir que o apoio à cogeração, no contexto da presente directiva, se baseie numa procura de
calor útil e numa poupança de energia primária, é necessário desenvolver critérios para determinar e
avaliar a eficiência energética da cogeração identificada na definição de base.

A directiva apresenta-se em anexo.










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10. Referências
10.1 – Referências na Internet

 www.google.pt
 www.cogenportugal.com
 www.energiasrenovaveis.pt
 www.dgge.pt
 www.ist.pt
 www.trigemed.com
 www.tecnoveritas.net
 www.cogeneration.net/
 www.edp.pt
 www.erse.pt
 www.ren.pt
 www.climanet.pt
 www.ieee.com
 www.plugpower.com
 www.SULZERHEXIS.com
 www.fscc-online.com
 www.wikipedia.com
 www.semanario.pt
 www.leonardoenergy.org
 www.energy.gov
 www.ceeeta.com
 www.epa.gov
10.2 – Bibliográficas

 Revista “O Electricista”

 Revista “Tecno Hospital”

 Revista “Diálogo”(Siemens)

 Micro-CHP Fact Sheet Portugal – COGEN Europe

 Analysis of Trigeneration Systems with respect to energy Consumption, C02-
Emission and Economics.
Planeamento e produção de electricidade
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Cogeração & Trigeração Página 81

Institute für Energietechnik
Technische Universität Berlin

 Produção de Energia em Edifícios Hospitalares - III Congresso da ATEHP

 [Azevedo, João Luís Toste]
Apontamentos sobre Cogeração, IST;

 [Carvalheiro, João]
“Um modelo de pilhas de Combustível ligadas ao Sistema de Energia Eléctrica ”
Tese de Mestrado, IST

 [Leitão, André Craveiro]
 [Fonseca, João Miguel Afonso dos Santos]
“ Células de Combustível e Integração na Rede para Sistemas com elevada
Qualidade de Energia”
Projecto final de Curso, DEEC, FCTUC, Setembro 2005

 [TRIGEMED]
“Promotion of tri-generation technologies in the tertiary sector in Mediterranean
countries (Greece, Italy, Spain, Portugal),
Contract no. 4.1031/Z/01–130/2001”

 [Brandão, Sérgio da Silva ]
“Cogeração”
 ALMEIDA, Aníbal Traça; MOURA, Pedro. Cogeração Trigeração. 2007. -PDF


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Anexos:

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Anexo IV:

DIRECTIVA 2004/8/CE DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO de
11 de Fevereiro de 2004 relativa à promoção da cogeração com base na procura de
calor útil no mercado interno da energia e que altera a Directiva 92/42/CEE

Artigo 1.o
Objectivo
É objectivo da presente directiva aumentar a eficiência energética e a segurança do
abastecimento mediante a criação de um quadro para a promoção e o desenvolvimento
da cogeração de elevada eficiência de calor e de electricidade com base na procura de
calor útil e na poupança de energia primária no mercado interno da energia, tendo em
conta as condições específicas nacionais, nomeadamente em matéria de condições
climáticas e económicas.
Artigo 2.o
Âmbito de aplicação
A presente directiva aplica-se à cogeração, na acepção do artigo 3.o, e às tecnologias
de cogeração enumeradas no anexo II.
Artigo 3.o
Definições
Para efeitos da presente directiva, entende-se por:
a) «Cogeração», a produção simultânea, num processo único, de energia térmica e de
energia eléctrica e/ou mecânica;
b) «Calor útil», o calor produzido num processo de cogeração a fim de satisfazer uma
procura economicamente justificável de calor ou de frio;
c) «Procura economicamente justificável», a procura que não excede as necessidades
de calor ou frio e que, se não fosse utilizada a cogeração, seria satisfeita nas condições
do mercado mediante outros processos de produção de energia;
d) «Electricidade produzida em cogeração», a electricidade produzida num processo
ligado à produção de calor útil e calculada de acordo com a metodologia estabelecida
no anexo I I;
e) «Electricidade de reserva», a electricidade que deve ser fornecida pela rede eléctrica
sempre que haja perturbação, inclusivamente em períodos de manutenção ou de avaria
do processo de cogeração;
f) «Electricidade de reforço», a electricidade fornecida pela rede eléctrica caso a
procura de electricidade seja superior à produção pelo processo de cogeração;
g) «Eficiência global», o total anual da produção de energia eléctrica e mecânica e da
produção de calor útil dividido pelo consumo de combustível utilizado na produção de
calor num processo de cogeração e na produção bruta de energia eléctrica e mecânica;
h) «Eficiência», a eficiência calculada com base no poder calorífico líquido dos
combustíveis (também denominado «poder calorífico inferior»);
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i) «Cogeração de elevada eficiência», a cogeração que corresponde aos critérios do
anexo III;
j) «Valor de referência da eficiência para a produção separada », a eficiência da
produção separada de calor e de electricidade que o processo de cogeração se destina
a substituir;
k) «Rácio electricidade/calor», o rácio entre a electricidade produzida em cogeração e
o calor útil produzido exclusivamente em modo de cogeração e utilizando dados
operacionais da unidade em causa;
l) «Unidade de cogeração», uma unidade capaz de operar em modo de cogeração;
m) «Unidade de micro-cogeração», uma unidade de cogeração cuja capacidade
máxima seja inferior a 50 kWe;
n) «Cogeração de pequena dimensão», as unidades de cogeração com uma capacidade
instalada inferior a 1 MWe;
o) «Produção de cogeração», a energia eléctrica e mecânica e de calor útil produzida
em cogeração.
Aplicam-se também as definições pertinentes contidas na Directiva
2003/54/CE e na Directiva 2001/77/CE.
Artigo 4.o
Critérios de eficiência da cogeração
1. Para efeitos de determinação da eficiência da cogeração nos termos do anexo
III, a Comissão deve estabelecer valores de referência harmonizados em
matéria de eficiência para a produção separada de electricidade e de calor, nos
termos do n.o 2 do artigo 14.o, até 21 de Fevereiro de 2006. Esses valores de
referência harmonizados em matéria de eficiência consistem numa matriz de
valores diferenciados por factores pertinentes, incluindo o ano de construção e
os tipos de combustíveis, e devem ter por base uma análise bem documentada
que tenha, designadamente, em conta os dados operacionais de utilização em
condições reais e o comércio transfronteiriço de electricidade, a estrutura de
combustíveis, as condições climáticas, bem como as tecnologias de cogeração
aplicadas nos termos dos princípios estabelecidos no anexo III.
2. A Comissão deve rever, nos termos do n.o 2 do artigo14.o, os valores de
referência harmonizados em matéria de eficiência para a produção separada de
electricidade e de calor a que se refere o n.o 1, pela primeira vez em 21 de
Fevereiro de 2011, e, posteriormente, de quatro em quatro anos, por forma a
tomar em conta a evolução tecnológica e as alterações na distribuição das
fontes de energia.

3. Os Estados-Membros que transponham a presente directiva antes de a
Comissão estabelecer os valores de referência harmonizados em matéria de
eficiência para a produção separada de electricidade e calor referidos no n.o 1
deverão, até à data indicada no n.o 1, aprovar os seus valores de referência
nacionais em matéria de eficiência para a produção separada de calor e de
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electricidade a utilizar no cálculo da poupança de energia primária permitida
pela cogeração, de acordo com a metodologia estabelecida no anexo III.
Artigo 5.o
Garantia de origem da electricidade produzida em cogeração de elevada eficiência
1. Com base nos valores de referência harmonizados em matéria de eficiência a que se
refere o n.o 1 do artigo 4.o, os Estados-Membros devem, o mais tardar seis meses após
a aprovação desses valores, assegurar que possa ser garantida a origem da
electricidade produzida em cogeração de elevada eficiência, de acordo com critérios
objectivos, transparentes e não discriminatórios, estabelecidos por cada Estado-
Membro. Os Estados-Membros devem assegurar que esta garantia de origem da
electricidade permita aos produtores demonstrar que a electricidade por eles vendida é
produzida em cogeração de elevada eficiência e que, para o efeito, seja emitida em
resposta a um pedido do produtor.
2. Os Estados-Membros podem designar um ou mais organismos competentes,
independentes das actividades de produção e de distribuição, para supervisionar a
emissão da garantia de origem referida no n.o 1.
3. Os Estados-Membros ou os organismos competentes devem criar mecanismos
adequados para assegurar que a garantia de origem é correcta e fiável e devem
descrever no relatório referido no n.o 1 do artigo 10.o as medidas tomadas para
garantir a fiabilidade do sistema de garantia.
4. Os regimes de garantia de origem não implicam por si só um direito a beneficiar dos
mecanismos nacionais de apoio.
5. A garantia de origem deve:
— especificar o poder calorífico inferior da fonte de combustível a partir da qual foi
produzida a electricidade, a utilização do calor produzido em combinação com a
electricidade e, finalmente, as datas e locais da produção,
— especificar a quantidade de electricidade produzida em cogeração de elevada
eficiência, em conformidade com o anexo II, que é coberta pela garantia,
— especificar a poupança de energia primária calculada de acordo com o anexo III,
com base em valores de referência harmonizados em matéria de eficiência
estabelecidos pela Comissão, tal como refere o n.o 1 do artigo 4.o

Os Estados-Membros podem incluir na garantia de origem informações
complementares.
6. As garantias de origem, emitidas nos termos do n.o 1, deverão ser mutuamente
reconhecidas pelos Estados-Membros, exclusivamente enquanto prova dos elementos
referidos no n.o 5. A recusa em reconhecer como prova uma garantia de origem,
nomeadamente por motivos relacionados com a prevenção de fraudes, deve basear-se
em critérios objectivos, transparentes e não discriminatórios. No caso de ser recusado
o reconhecimento de uma garantia de origem, a Comissão pode obrigar a parte que
emitiu essa recusa a reconhecer essa garantia, tendo em conta designadamente os
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critérios objectivos, transparentes e não discriminatórios em que se baseia o
reconhecimento.
Artigo 6.o
Potencial nacional de cogeração de elevada eficiência
1. Os Estados-Membros devem efectuar uma análise do potencial nacional de
cogeração de elevada eficiência, incluindo a micro-cogeração de elevada eficiência.
2. Essa análise deve:
— basear-se em dados científicos bem documentados e respeitar os critérios
enumerados no anexo IV,
— identificar o potencial em matéria de procura de calor e frio úteis, adequado à
cogeração de elevada eficiência, bem como a disponibilidade de combustíveis e de
outras fontes de energia a utilizar em cogeração,
— incluir um estudo separado dos entraves que podem impedir a realização do
potencial nacional de cogeração de elevada eficiência. A análise deve, em especial, ter
em conta os entraves em matéria de preços e custos de acesso aos combustíveis, os
ligados a questões de rede, os associados a procedimentos administrativos e os ligados
à ausência de internalização dos custos externos nos preços da energia.
3. Os Estados-Membros devem avaliar, pela primeira vez, até 21 de Fevereiro de 2007,
e, posteriormente, de quatro em quatro anos, a pedido da Comissão formulado, pelo
menos, seis meses antes da data aprazada, os progressos realizados para aumentar a
parte da cogeração de elevada eficiência.
Artigo 7.o
Regimes de apoio
1. Os Estados-Membros devem assegurar que o apoio à cogeração — unidades
existentes e futuras — seja baseado na procura de calor útil e na poupança de energia
primária, tendo em conta as oportunidades disponíveis para reduzir a procura de
energia através de outras medidas economicamente viáveis ou vantajosas do ponto de
vista ambiental, como outras medidas de eficiência energética.
2. Sem prejuízo dos artigos 87.o e 88.o do Tratado, a Comissão avalia a aplicação dos
mecanismos de apoio utilizados nos Estados-Membros segundo os quais os produtores
de
cogeração recebem, com base em regulamentações emitidas pelas entidades públicas,
apoio directo ou indirecto, que possa vir a restringir as trocas comerciais.

A Comissão verifica se esses mecanismos contribuem para a realização dos objectivos
estabelecidos no artigo 6.o e no n.o 1 do artigo 174.o do Tratado.
3. No relatório referido no artigo 11.o, a Comissão deve apresentar uma análise
devidamente documentada da experiência adquirida com a aplicação e a coexistência
dos diversos mecanismos de apoio referidos no n.o 2 do presente artigo. O relatório
deve avaliar o sucesso, incluindo a relação custo-eficácia, dos regimes de apoio na
promoção da utilização da cogeração de elevada eficiência em conformidade com o
potencial nacional referido no artigo 6.o O relatório deve examinar também em que
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medida os regimes de apoio contribuíram para a criação de condições estáveis para o
investimento na cogeração.
Artigo 8.o
Questões relativas à rede de electricidade e às tarifas
1. Para garantir o transporte e a distribuição da electricidade produzida em cogeração
de elevada eficiência, são aplicáveis os n.os 1, 2 e 5 do artigo 7.o da Directiva
2001/77/CE, bem como as disposições pertinentes da Directiva 2003/54/CE.
2. Até que o produtor de cogeração seja um cliente elegível ao abrigo da legislação
nacional, na acepção do n.o 1 do artigo 21.o da Directiva 2003/54/CE, os Estados-
Membros devem adoptar as medidas necessárias para assegurar que as tarifas
cobradas pela aquisição de electricidade de reserva ou de reforço sejam fixadas com
base em tarifas e condições publicadas.
3. Sob reserva de notificarem a Comissão, os Estados-Membros podem facilitar, em
especial, o acesso à rede de electricidade produzida em cogeração de elevada
eficiência a partir de unidades de cogeração de pequena dimensão e de micro-
cogeração.
Artigo 9.o
Procedimentos administrativos
1. Os Estados-Membros ou os organismos competentes por eles designados devem
avaliar o quadro legislativo e regulamentar existente relativamente aos processos de
autorização, ou aos outros processos estabelecidos no artigo 6.o da Directiva
2003/54/CE, aplicáveis às unidades de cogeração de elevada eficiência.
Essa avaliação deve ser feita por forma a:
a) Promover a concepção de unidades de cogeração que correspondam a uma procura
economicamente justificável de calor e que evitem a produção de calor para além do
considerado útil;
b) Reduzir as barreiras regulamentares e não regulamentares ao aumento da
cogeração;
c) Simplificar e acelerar os procedimentos ao nível administrativo adequado; e
d) Assegurar que as normas sejam objectivas, transparentes e não discriminatórias e
tomem em devida consideração as particularidades das diversas tecnologias de
cogeração.

2. Os Estados-Membros devem fornecer, sempre que tal se revele pertinente no quadro
legislativo nacional, uma exposição sumária do estádio alcançado, nomeadamente no
que diz respeito à:
a) Coordenação entre as diversas entidades administrativas em matéria de prazos,
recepção e tratamento dos pedidos de autorização;
b) Redacção de eventuais directrizes relativamente às actividades referidas no n.o 1, e
viabilidade de um procedimento de planeamento acelerado para os produtores de
cogeração; e
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c) Designação de autoridades que actuem como mediadores nos diferendos entre as
autoridades responsáveis pela concessão de autorizações e os candidatos a essas
autorizações.
Artigo 10.o
Relatórios dos Estados-Membros
1. Os Estados-Membros devem publicar até 21 de Fevereiro de 2006 um relatório com
os resultados da análise e da avaliação realizadas em conformidade com o n.o 3 do
artigo
5.o, o n.o 1 do artigo 6.o, e os n.os 1 e 2 do artigo 9.o
2. Os Estados-Membros devem publicar até 21 de Fevereiro de 2007 e, posteriormente,
de quatro em quatro anos, a pedido da Comissão formulado, pelo menos, seis meses
antes da data aprazada, um relatório com os resultados da avaliação referida no n.o 3
do artigo 6.o
3. Os Estados-Membros devem transmitir à Comissão, pela primeira vez antes do final
de Dezembro de 2004, os dados relativos a 2003, e, posteriormente, todos os anos,
estatísticas sobre a produção nacional de electricidade e calor em cogeração, em
conformidade com a metodologia prevista no anexo II.
Devem igualmente transmitir estatísticas anuais sobre as capacidades de cogeração e
os combustíveis utilizados na cogeração. Os Estados-Membros podem igualmente
transmitir estatísticas relativas à poupança de energia primária conseguida através da
aplicação da cogeração, em conformidade com a metodologia prevista no anexo III.
Artigo 11.o
Relatórios da Comissão
1. Com base nos relatórios apresentados nos termos do artigo 10.o, a Comissão deve
rever a aplicação da presente directiva e apresentar ao Parlamento Europeu e ao
Conselho até 21 de Fevereiro de 2008 e, posteriormente, de quatro em quatro anos, um
relatório sobre a execução da presente directiva.
Este relatório deve, nomeadamente:
a) Ter em conta os progressos registados na realização do potencial nacional de
cogeração de elevada eficiência referido no artigo 6.o;
b) Avaliar em que medida as regras e os procedimentos que definem as condições-
quadro para a cogeração no mercado interno da energia assentam em critérios
objectivos, transparentes e não discriminatórios e que tenham devidamente em conta os
benefícios da cogeração;
c) Examinar as experiências adquiridas com a aplicação e coexistência de vários
mecanismos de apoio à cogeração;
d) Rever os valores de referência em matéria de eficiência para a produção separada à
luz das actuais tecnologias. Se necessário, a Comissão apresentará, juntamente com o
relatório, outras propostas ao Parlamento Europeu e ao Conselho.
2. Ao avaliar os progressos referidos na alínea a) do n.o 1, a Comissão debruçar-se-á
sobre a questão de saber em que medida foram realizados ou se prevê sejam realizados
os potenciais nacionais de cogeração de elevada eficiência a que se refere o artigo 6.o,
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tendo em conta as medidas dos Estados-Membros, as suas condições, designadamente
climáticas, bem como as repercussões do mercado interno da energia e as implicações
de outras iniciativas comunitárias, designadamente a Directiva 2003/87/CE do
Parlamento e do Conselho, de 13 de Outubro de 2003, relativa à criação de um regime
de comércio de licenças de emissão de gases com efeito de estufa na Comunidade e que
altera a Directiva 96/61/CE do Conselho (1).
Se apropriado, a Comissão apresentará outras propostas ao Parlamento Europeu e ao
Conselho visando, nomeadamente, o estabelecimento de um plano de acção para o
desenvolvimento da cogeração de elevada eficiência na Comunidade.
3. Ao avaliar se se justifica uma maior harmonização dos métodos de cálculo, nos
termos referidos no n.o 1 do artigo 4.o, a Comissão terá em conta o impacto da
coexistência dos cálculos referidos no artigo 12.o, no anexo II e no anexo III, no
mercado interno da energia, bem como as experiências adquiridas com os mecanismos
nacionais de apoio.
Se apropriado, a Comissão apresentará outras propostas ao Parlamento Europeu e ao
Conselho visando uma maior harmonização dos métodos de cálculo.
Artigo 12.o
Métodos de cálculo alternativos
1. Até ao final de 2010, e mediante aprovação prévia da Comissão, os Estados-
Membros podem utilizar outros métodos em lugar dos indicados na alínea b) do anexo
II para subtrair dos valores comunicados os valores correspondentes à electricidade
que não tenha eventualmente sido produzida num processo de cogeração. No entanto,
para os efeitos referidos no n.o 1 do artigo 5.o e no n.o 3 do artigo 10.o, a quantidade
de electricidade produzida em cogeração deve ser determinada de acordo com o anexo
II.
2. Os Estados-Membros podem calcular a poupança de energia primária a partir de
uma produção de calor e de energia eléctrica e mecânica nos termos da alínea c) do
anexo
III, sem recorrer ao anexo II para excluir do mesmo processo as quantidades de calor e
de electricidade não produzidas em cogeração. Essa produção pode ser considerada
como cogeração de elevada eficiência, desde que sejam satisfeitos os critérios de
eficiência estabelecidos na alínea a) do anexo III e que, no caso das unidades de
cogeração com uma potência eléctrica superior a 25 MW, a eficiência global seja
superior a 70 %. No entanto, para emitir uma garantia de origem e para efeitos
estatísticos, a especificação da quantidade de electricidade produzida em cogeração
nessa produção deve ser determinada de acordo com o anexo II.
3. Até ao final de 2010, os Estados-Membros podem, utilizando um método alternativo,
definir uma cogeração como cogeração de elevada eficiência sem verificar se a
produção em cogeração satisfaz os critérios estabelecidos na alínea a) do anexo III, se
se provar que, ao nível nacional, a produção em cogeração identificada por esse
método de cálculo alternativo satisfaz em média os critérios estabelecidos na alínea a)
do anexo III. Se para essa produção for emitida uma garantia de origem, a eficiência
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da produção em cogeração especificada na garantia não deve exceder os limiares dos
critérios estabelecidos na alínea a) do anexo III, excepto se os cálculos de acordo com
o anexo III derem um resultado diferente. No entanto, para emitir uma garantia de
origem e para efeitos estatísticos, a especificação da quantidade de electricidade
produzida em
cogeração nessa produção deve ser determinada de acordo com o anexo II.
Artigo 13.o
Revisão
1. Os limiares utilizados para o cálculo da electricidade produzida em cogeração
referidos na alínea a) do anexo II devem ser adaptados ao progresso técnico nos
termos do n.o 2 do artigo 14.o
2. Os limiares utilizados para o cálculo da eficiência daprodução em cogeração e da
poupança de energia primária referidos na alínea a) do anexo III devem ser adaptados
ao progresso técnico nos termos do n.o 2 do artigo 14.o
3. As orientações para a determinação do rácio electricidade/ calor referido na alínea
d) do anexo II serão adaptadas ao progresso tecnológico nos termos do n.o 2 do artigo
14.o
Artigo 14.o
Comitologia
1. A Comissão é assistida por um comité.
2. Sempre que se faça referência ao presente número, são aplicáveis os artigos 5.o e 7.o
da Decisão 1999/468/CE, tendo-se em conta o disposto no seu artigo 8.o
O prazo previsto no n.o 6 do artigo 5.o da Decisão 1999/486/ /CE é de três meses.
3. O comité aprovará o seu regulamento interno.
Artigo 15.o
Transposição
Os Estados-Membros devem pôr em vigor as disposições legislativas, regulamentares e
administrativas necessárias para dar cumprimento à presente directiva até 21 de
Fevereiro de 2006 e informar imediatamente a Comissão desse facto.
Quando os Estados-Membros aprovarem essas disposições, estas devem incluir uma
referência à presente directiva ou ser acompanhadas dessa referência aquando da sua
publicação oficial. As modalidades dessa referência serão aprovadas pelos Estados-
Membros.
Artigo 16.o
Alteração da Directiva 92/42/CEE
Ao n.o 1 do artigo 3.o da Directiva 92/42/CEE é aditado o seguinte travessão:
«— as unidades de cogeração tal como definidas na Directiva 2004/8/CE do
Parlamento Europeu e do Conselho, de 11 de Fevereiro de 2004, relativa à promoção
de cogeração com base na procura do calor útil no mercado interno da energia (*).
Artigo 17.o
Entrada em vigor
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A presente directiva entra em vigor na data da sua publicação no Jornal Oficial da
União Europeia.
Artigo 18.o
Destinatários
Os Estados-Membros são os destinatários da presente directiva. Feito em Estrasburgo,
em 11 de Fevereiro de 2004.

Pelo Parlamento Europeu
O Presidente
P. COX

Pelo Conselho
O Presidente
M. McDOWELL