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20 MARÇO 2002

Golpistas - Fraudes Contra Fornecedores

Por DR. DENI S SI QUEI RA


"Araras" são empresas que aplicam GOLPES contra fornecedores.

O fundamento do golpe é simples, e o principal objetivo é adquirir mercadorias com
pagamento a prazo e, já estando de posse dessas mercadorias, frustrar (não honrar) o
pagamento, seja fugindo, literalmente, com todas as mercadorias ou utilizando meios mais
elaborados para não pagar os fornecedores.

Neste artigo vamos falar da estratégia que os golpistas utilizam, e como devemos nos proteger.
Para obter êxito, o golpista compra uma empresa já com um bom histórico no mercado ou inicia
um novo empreendimento fazendo compras à vista e pagamentos pontuais para ganhar
credibilidade na praça.

Além de deixar o fornecedor no prejuízo, os produtos adquiridos pelos golpistas irão parar no
mercado e serão vendidos a preços baixos, exercendo então uma "concorrência predatória",
prejudicando os empresários honestos. Se seu concorrente vende mercadoria roubada, você não
tem chances de competir com ele!

Definitivamente é preciso ter uma Atenção Especial à ação de golpistas, para isso, no nosso dia-
a-dia devemos utilizar de políticas internas de prevenção. Esta importante tarefa requer
muito empenho do Analista de Crédito.

A maioria das empresas golpistas não apresenta restrição de crédito, protestos ou cheques
devolvidos. Portanto para identificá-las é necessário ter atenção aos pequenos detalhes e
estarmos preparados para perceber estes sinais, que podem passar despercebidos.

Alguns procedimentos de prevenção são básicos:

• Verificar a vida e o comportamento dos sócios. Se existem gastos excessivos com
supérfluos (carros importados, luxo nos escritórios);
• Desconfie se houve recente alteração de contrato social (mudança de nome, troca de
sócios ou ampliação do ramo de atuação, como por exemplo, uma modificação de “comércio de
calçados” para outra mais abrangente como representação comercial ou distribuidora);
• Suspeite do aumento contínuo do volume de compras e limite de crédito. Não acredite que
uma empresa, que trabalhe dentro da Lei, possa crescer rapidamente a ponto de dobrar ou
triplicar seu faturamento em poucos meses;
• Não vender ao cliente sem informações cadastrais suficientes. Mesmo com a justificativa
de que seu concorrente também está vendendo. Acreditar que seu concorrente já procedeu todas
as verificações necessárias é um erro grave;
• Se você se tornar vítima de um golpista ou identificar indícios, informe imediatamente aos
serviços de proteção ao crédito ou associações das quais você fizer parte.

Somente o trabalho do Analista de Crédito, mesmo que efetuando análises criteriosas, não é o
suficiente. O ideal é unir todas as forças disponíveis, mesmo que isso represente um aumento de
custos. Entenda que a economia não se justifica quando se trata da prevenção da ação desses
criminosos.

Utilize sempre os serviços de informação e proteção ao crédito, e também participe de
associações de empresas com a finalidade de trocar informações comerciais. Estes grupos
possuem a grande vantagem de unificar um imenso volume de informações, o que possibilita o
cruzamento de diversos dados, e ao primeiro sinal da ação de golpistas podem disparar o alerta.
Portanto, a utilização destes serviços é uma eficiente maneira de reduzir o risco de fraudes.

Todos devem discutir abertamente este assunto. Sejam os profissionais de vendas, de crédito,
contabilidade, enfim, todos envolvidos no processo de venda.

O importante é que todos tenham a noção da importância de Identificar e Evitar os Golpistas.

Participar de cursos, palestras e adquirir livros que abordem técnicas de como prevenir a ação de
golpistas também é INDISPENSÁVEL. Já que em caso de golpes, ninguém quer aprender na
prática.

Por fim, esteja atento, porque mais cedo ou mais tarde você vai receber um pedido de compra de
uma "Arara".

Saudações,
Dr. Denis Siqueira
www.creditoecobranca.com

PS. Veja o vídeo que gravei sobre o comportamento do golpista: ASSISTA AGORA!
PSS. Deixe deu comentário e suas dicas pessoais de como evitar cair em um golpe na hora de
conceder crédito.