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Ação de Restituição de Quantia Paga c/c

Reparação de Danos Materiais e Morais e
Pedido de Antecipação dos Efeitos da Tutela
Restituição da quantia empregada na compra de um aparelho celular, o qual, no prazo
da cobertura da garantia, apresentou defeitos, sendo que, estes, não obstante o
aparelho ter sido destinado à autorizada por duas vezes, não foram sanados.
Texto enviado ao JurisWay em 13/5/2009.
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EXCELENTÍSSIMO SR. DR. JUIZ(A) DE DIREITO DO(A) COMARCA DE _______.








Ação de Restituição de Quantia Paga c/c Reparação de Danos Materiais e Morais e
Pedido de Antecipação dos Efeitos da Tutela.




(nome qualificação, endereço e nº do CPF), por intermédio de seu advogado
devidamente constituído, vem à presença de V. Exa., com fulcro nos artigos 186 e
927 do Código Civil Brasileiro, na Lei 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor),
bem como no artigo 273 do Código de Processo Civil, propor a presente de AÇÃO
RESTITUIÇÃO DE QUANTIA PAGA c/c REPARAÇÃO POR DANOS
MATERIAIS E MORAIS c/c PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA
TUTELA contra a empresa contra a empresa ......, com sede na cidade de ....,
inscrita no CNPJ/MF sob o nº .., em vista das razões de fato e de direito a seguir
esposadas:

1.0 - DOS FATOS:

O autor adquiriu da empresa (...), no dia (...), um aparelho telefônico de celular, marca (...),
modelo (...),conforme se verifica da nota fiscal nº (...), pela quantia de R$ (...) para seu uso
próprio.

O aparelho, insigne magistrado, alguns meses após sua aquisição, veio a apresentar
defeitos, eis que esse não estava funcionando o seu cartão de memória, ensejando,
destarte, quando da leitura dos arquivos neles contidos, a paralisação de suas atividades
essenciais.

O autor envidou todos os esforços no sentido de remeter o aparelho defeituoso para a
assistência técnica mais próxima, seguindo, para tanto, os ditames requestados pela
empresa promovida.

Outrossim, impende destacar, que só após reiteradas tentativas, ou seja, após frustradas
ligações, as quais não surtiram efeito prático algum, tendo em vista a existência de
diversas falhas no sistema de auto-atendimento da empresa promovida, consegui remeter
meu aparelho para a autorizada mais próxima no dia (...), consoante se infere da Ordem de
Serviço nº (...).

Em torno de 15 dias após o envio, Excelência, o autor recebeu o aparelho que, teoricamente,
deveria está consertado, porquanto ainda estava protegido pelo manto da garantia.

Todavia, nobre julgador, da mesma forma que foi enviado o aparelho, ou seja, com os vícios
que ensejaram a sua remessa à loja autorizada acima mencionada, ele foi ao autor
devolvido, isto é, sem ter sido sequer tentado o seu conserto.

Quando do ingresso, pela segunda vez, na prestadora de serviço autorizado, à avaliação, a
título de Ordem de Serviço, foi dado o nº (...).

Para surpresa do autor, Excelência, não obstante a prestadora de serviço autorizado
asseverar que solucionou completamente o problema que motiva esta ação, o aparelho
eletrônico viciado, desde seu retorno, não funciona normalmente, permanecendo,
destarte, o problema que o acomete, porquanto não foi sanado em momento algum.

Como se vê, o autor adquiriu o aparelho em questão para seu uso, eis que exerçe função que
dele depende, constantemente, para angariar novos contratos, ficando, assim, sem poder
usufruir do mesmo por um período, proporcional, de nada menos do que 40 (quarenta) dias,
sem contar o aborrecimento, os transtornos, a perda de tempo, que aquele teve para levar
o celular para a assistência técnica.

A acionada, por sua vez, apesar da garantia que diz oferecer no aparelho, sempre se
recusou a trocar o aparelho por um novo, sempre devolvendo o mesmo por mim adquirido,
mas com defeito, que tornou impossível seu uso, o que perdura até a presente data, não
atendo sido solucionado o problema reclamado.

2.0 - DO DIREITO

Descumpridas, foram, portanto, as disposições do código de Defesa do consumidor. O
parágrafo 1º do art. 18 de tal dispositivo prevê:

"Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo,
duráveis ou não duráveis, respondem solidariamente
pelos vícios de qualidade que os tornem impróprios ou
inadequadas ao consumo a que se destinam, ou
mensagem publicitária, respeitadas as variações
decorrente de sua natureza, podendo o consumidor
exigir a substituição das partes viciadas.
§ 1º. Não sendo o vício sanado no prazo máximo de (30)
dias, podendo o consumidor exigir, alternativamente, e
à sua escolha:
I - a substituição do produto por outro da mesma
espécie, em perfeitas condições de uso;
II, - a restituição imediata da quantia paga
monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais
perdas e danos;
III - o abatimento proporcional do preço.".
É evidente que o produto adquirido tornou-se inadequado ao fim destinado, caracterizando-
se assim, a impropriedade do mesmo (parágrafo 6º do art. 18 do CDC).
Resta, portanto, ao autor postular a restituição do valor que pagou pelo aparelho,
devidamente corrigido monetariamente desde a compra.
Em sede de doutrina Zelmo Denari em sue Código Brasileiro de Defesa do consumidor.
Comentado pelos autores do anteprojeto, Rio de Janeiro, Forense Universitária, 2001, p.
186, escreveu que:
"Embora o art. 18 faça referencia introdutória às duas
espécies de vícios (qualidade e quantidade), seus
parágrafos e incisos disciplinam, exclusivamente, a
responsabilidade dos fornecedores pelos vícios de
qualidade dos produtos, ou seja, por aqueles vícios
capazes de torná-los impróprios, inadequados ao
consumo ou lhes diminuir o valor. A propósito, vejamos
quais são as sanções previstas nos aludido dispositivo,
para reparação dos vícios de qualidade dos produtos.
Em primeira intenção, o dispositivo concede ao
fornecedor a oportunidade de acionar o sistema de
garantia do produto e reparar o defeito no prazo de
30 dias. Não sendo sanado o vicio no prazo legal, o
consumidor poderá exigir, à sua escolha, três
alternativas:
I - a substituição do produto ou outro da mesma
espécie em perfeitas condições de uso;
II - a restituição imediata da quantia paga,
monetariamente atualizada, sem prejuízos de
eventuais perdas e danos;
III - o abatimento proporcional do preço. Quanto à
segunda alternativa do consumidor, que determina "a
restituição imediata da quantia paga". Tenha presente
que o conceito de imediatismo é relativo e, sendo certo
que numa conjuntura inflacionaria, essa restituição
deve ser corrigida monetariamente prevalecendo a
data-base do efetivo pagamento do produto."
Além da restituição em apreço, pretende o autor a reparação dos danos pelos fatos então
mencionados.
Estamos diante de uma relação de consumo, cujos direitos outorgados ao autor são aqueles
constantes do Código de Defesa do Consumidor, pelo que pede o autor que se aplique aqui a
regra da inversão do ônus da prova (art. 6ª, VIII, do CDC), de modo que os direitos do
autor sejam respeitados.
O aparelho pelo autor adquirido apresentou defeito acobertado pelo manto da garantia
contratual, o que fez levá-lo à assistência técnica por diversas vezes, ficando privado do
uso do aparelho por vários dias desde, prejudicando sobremaneira meus negócios, devendo
se levar em conta, ainda a perturbação, o desconforto, as ofensas, o desgaste emocional
com tal situação, o que gerou dano moral suscetível de indenização, tal como assegura o art.
5ª, V da Constituição Federal de 1998 e o art. 6ª, VI, do Código de Defesa do consumidor.
SÍLVIO DE SALVO VENOSA escreveu:
"Os danos projetados nos consumidores, decorrente
da atividade do fornecedor de produtos e serviços,
devem ser cabalmente indenizados. No nosso sistema
foi adotado a responsabilidade objetiva no campo do
consumidor, sem que haja limites para a indenização.
Ao contrário do que ocorre em outros setores, no
campo da indenização aos consumidores não existe
limitação tarifada". (Direito Civil, Responsabilidade
Civil, São Paulo, ED. Atlas, 2004, p. 206).

2.1 – Do pleito indenizatório
O autor pretende uma indenização à título de danos morais, considerando os fatos aqui
narrados, de modo que seja compensada pelos prejuízos que me foram e estão sendo
causados, e que haja uma punição à empresa suplicada, pela desídia, pela falta de cuidado e
atenção para seus produtos e especialmente para seus cliente, de modo que seja coibido tal
atitude por parte da suplicada.

O Des. Pinheiro Lago, na ocasião do julgamento da apelação Cível n. 90.681/8, no TJMG,
com muita propriedade asseverou em seu voto que
"não se pode perder de vista que o ressarcimento por dano moral não objetiva
somente compensar à pessoa ofendida o sofrimento que experimentou pelo
comportamento do outro, mas também, sobre outra ótica, punir o infrator, através da
imposição de sanção de natureza econômica, em beneficio da vítima, pela ofensa á
ordem jurídica alheia."
Em sede de jurisprudência já se entendeu que:
"CIVIL - CDC - DANOS MORAIS COMPROVADOS - RESPONSABILIDADE OBJETIVA
DA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES - INDENIZAÇÃO DEVIDA -
VALOR FIXADO DENTRO DOS PARAMÊNTROS DETERMINADOS PELA DOUTRINA E
JURISPRUDÊNCIA, A SABER: COMPENSAÇÃO E PREVENÇÃO I Restando patentes os
danos morais sofridos e o nexo causal entre a lesão e a conduta negligente da instituição
prestadora de serviços, esta tem responsabilidade civil objetiva na reparação dos mesmos,
conforme determina a lei nº. 8.078/90 (CDC). II - correta é a fixação de indenização
por danos morais que leva em conta os parâmetros assentados pela doutrina e pela
jurisprudência, mormente os que dizem respeito à compensação pela dor sofrida e à
prevenção, este com caráter educativo a fim de evitar a repetição do evento
danoso; III - Recurso conhecido e improvido. Sentença mantida". (Ac. 1ª Turma Recursal
dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais do DF, na Ap. Cív. 20020110581572, j. 12.08.03).
2.2 – Da antecipação dos efeitos da tutela:

Requeiro, com amparo no art. 273 do Código de Processo Civil, considerando-se os fatos
aqui narrados e o prejuízo já experimentado por mim, que me encontro até a presente data,
impossibilitado de utilizar todas as funções do aparelho adquirido, se digne V. Exa.,
antecipar os efeitos da tutela, de modo que imediatamente seja a suplicada instada a pagar
o valor reclamado, frisando-se estarem presentes aqui os requisitos para tanto. Uma vez
concedido o presente pedido, que aqui ao se proferir sentença de mérito, que se confirmem
os efeitos da tutela antecipada, na forma e para os fins de direito.
LUIZ GUILHERME MARIONI, Manual do Processo de Conhecimento. Ed. RT, 2004, p. 234,
escreveu a respeito:
"A tutela antecipatória pode ser concedida no curso do processo de conhecimento,
constituindo verdadeira arma contra os males que podem ser acarretados pelo tempo do
processo, sendo viável não apenas para evitar um dano irreparável ou de difícil reparação
(art. 273, I, CPC), mas também para que o tempo do processo seja distribuído entre as
partes litigantes na proporção da evidencia do direito do autor e da fragilidade da defesa
do réu (art. 273), II e § 6ª, CPC. Em última analise, é correto dizer que a técnica
antecipatória visa apenas a distribuir o ônus do processo. É preciso que os operadores do
direito compreendam a importância do novo instituto e o usem de forma adequada. Não há
motivos para timidez no seu uso, pois o remédio surgiu para eliminar um mal que já está
instalado, uma vez, que o tempo do processo sempre prejudicou o autor que tem razão. É
necessário que o juiz compreenda que não pode haver efetividade sem riscos. A tutela
antecipatória permite perceber que não é só a ação( o agir, a antecipação) que pode causar
prejuízo, mas também a omissão. O juiz que se omite é tão noviço quanto o juiz que julga
mal. Prudência e equilíbrio não se confundem com medo, e a lentidão da justiça exige que o
juiz deixe de lado o comodismo do antigo procedimento ordinário de um novo juiz, de um
juiz que trata dos "novos direitos" e que também tem responsabilidade social - que as novas
situações carente de tutela não podem, em casos não raros, suportar o mesmo tempo que
era gasto para a realização dos direitos de sessenta anos atrás, época em que foi publicada
a célebre obra de CALAMANDREI, sistematizando as providências cautelares."
3.0 – DO PEDIDO:

À vista do exposto, requer:
a) A citação da suplicada, por via postal, no endereço
mencionado, para contestar querendo, os termos da presente
ação, acompanhando-a até final decisão, quando a presente
haverá de ser julgada como procedente, para o fim de
condenar a mesma a indenizar-me na razão de R$ (...)
acrescido de juros de mora, referente ao preço pago do
aparelho, além de indenização pelos danos na ordem de R$
(...).

b) A antecipação dos efeitos pretendidos na tutela inicial,
nos moldes do art. 273 do Código de Processo Civil.

c) A inversão do ônus da prova, tratando-se de relação
de consumo amparada no CDC.

Protesto por provar o alegado por todos os meios de provas
admitidas pelo Direito.

Dá-se a causa o valor de R$ (...).

Nestes termos,
Pede deferimento.
(local e data)
(assinatura e nº. da OAB do advogado)