You are on page 1of 18

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA

BAHIA
CENTRO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES
LICENCIATURA EM FÍSICA

LUCAS GUIMARÃES BARROS

P.E.F. - Projeto de Ensino de Física

Amargosa - BA
26 de Março de 2014

BA 26 de Março de 2014 . Glênon Dutra no CFP/UFRB.E. .LUCAS GUIMARÃES BARROS P. sob a orientação do Prof.Projeto de Ensino de Física Trabalho produzido como requisito para nota no componente curricular Instrumentação para o Ensino de Física III.F. Amargosa .

. . . . p. . . . . . . . . . p. . . . . . . .❙✉♠ár✐♦ ✶ ■♥tr♦❞✉çã♦ p. . 9 3. . . . . . . . . . .4 Conclusão . . . . . . . . . 12 3. . . . . . . . . . 3 ✷ ❆♥t❡❝❡❞❡♥t❡s ❤✐stór✐❝♦s p. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 ✸ ❖ Pr♦❥❡t♦ ❞❡ ❊♥s✐♥♦ ❞❡ ❋ís✐❝❛ p. . . . . . . . . . . . .2 Metodologia . . . 16 . . . . . . . 14 ❘❡❢❡rê♥❝✐❛s p. . . . . . . .3 Resultados . . . . . . . p. . . p. . . . . . .1 Estrutura . . . . . 8 3. . . . . . . . . . . 14 3.

1: Capa do curso de eletricidade do PEF . apresentamos uma breve nota histórica sobre os projetos de inovação curricular no ensino de ciências e. Figura 1. especialmente os que não iriam estudar Física a posteriori. metodologia empregada e limitações encontradas. Inicialmente. materiais. desenvolvido no IFUSP na década de 1970. em seguida.3 ✶ ■♥tr♦❞✉çã♦ Neste trabalho. apresentamos os resultados de uma pesquisa realizada sobre o Projeto de Ensino de Física .PEF. cujo objetivo era o de se tornar material de apoio para os alunos do segundo grau. passamos à descrição do Projeto. englobando suas características.

O objetivo desse investimento era superar a defasagem educacional em ciências dos americanos frente aos soviéticos e colocar os Estados Unidos na liderança da corrida espacial. 1986.4 ✷ ❆♥t❡❝❡❞❡♥t❡s ❤✐stór✐❝♦s Figura 2. 1972).1). Nesse período Organizações internacionais patrocinaram encontros para debates e estudos sobre o ensino de ciências e.1: Sputnik O ano de 1957 marcou o início de um processo histórico de investimento na educação em ciências nos Estados Unidos da América. . p. principalmente. graças a acontecimentos que marcaram o século como o lançamento do satélite soviético Sputnik (figura 2. LORENZ. A partir dos encontros foram organizados nos Estados Unidos e na Inglaterra centros e comitês nacionais para a produção de materiais didáticos (BARRA. colocando assim a União Soviética na liderança científica e tecnológica da época. sobre a necessidade de elaborar novos textos para diminuir a distância entre os países ocidentais e a União Soviética.

graças à influência da corrida espacial e preocupações com o ensino de ciências por parte dos países desenvolvidos. Cultura e Ciência (IBECC). a saber. o Physical Science Study Committee . 1973). culminando no surgimento dos grandes projetos de inovação curricular no ensino de ciências. 2008.5 Como resultado desses esforços. 378).BSCS e o School Mathematics Study Group .. LORENZ. contudo. 66). contribuindo para um ensino de ciências pouco experimental. No início. o objetivo intrínseco à criação dessas instituições está diretamente relacionado com a produção de materiais didáticos destinados ao ensino de ciências brasileiro entre os anos de 1950-1980. LORENZ. “teria mais condições de desenvolver sua capacidade de raciocinar e sua habilidade de identificar e solucionar problemas não só em sala de aula como também na vida diária” (BARRA. 1986. 1971). o Biological Science Curriculum Study . surgem no país as primeiras iniciativas de elaboração de materiais didáticos de ciências adaptados à realidade brasileira. o ensino de ciências era marcado sobretudo pela adoção de livros didáticos traduzidos de materiais didáticos europeus cujas finalidades eram “essencialmente ilustrativas. entidades como a National Science Foundation (agência americana responsável pela promoção da educação em ciências) trabalharam na elaboração de materiais didáticos.SMSG e o Projeto Nuffield na Inglaterra (DIOGO. 1971). até o presente período.). por sua vez. concretizadas através da criação de instituições educacionais como a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento do Ensino de Ciências (FUNBEC). p.PSSC.. enfatizando a transmissão e aquisição de conteúdos e não o desenvolvimento de habilidades específicas” (BARRA. Com os movimentos de renovação curricular ocorridos nos Estados Unidos e na Inglaterra. De acordo com Barra e Lorenz (1986. Esses materiais tinham como característica comum a ênfase no processo de investigação científica feito pelo aluno que. p. o Harvard Project Physics. este último tido como marco na produção de projetos para o ensino de ciências do país (NARDI. p. fora realizada uma parceria entre a Fundação Ford e o IBECC para projetos voltados à “distribuição de kits (. 1986. treinamentos de . GOBARA. o Projeto Nacional para a Melhoria do Ensino de Ciências (PREMEN) e o Instituto Brasileiro de Educação. nos EUA. p. p. No Brasil. 2005.

p.BA em 1970 foi marcado por acaloradas discussões sobre o uso dos seus materiais em sala de aula.6 professores e distribuição de materiais didáticos de ciências elaborados nos Estados Unidos” (MAYBURY. em uma das sessões coordenadas do evento. p. 2006. a implantação desses projetos no contexto brasileiro mostrou-se insatisfatória.. I Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF) realizado em Salvador . No que se refere ao campo educacional. Convém notar que a experiência nos mostrou ser impraticável êste [sic] método no curso colegial. no contexto das escolas no Estado do Ceará: “Os cursos do CECINE. 1986. por diversos fatores. 27). 34). p. p. atribuiu o fracasso da implantação do PSSC no país como consequência do comportamento radical e eufórico de . é impossível dar cursos como o PSSC (. IBECC e SUDENE são ministrados baseando-se no PSSC. O professor Juarez Pascoal de Azevedo. Garcia (2006) faz a conexão entre a entrada dos projetos de ensino de ciências americanos e o contexto brasileiro da época. 1970. p. e pelo professor Fuad D.). 4-5). Apesar do investimento realizado. pois reforçavam a importância dos conhecimentos ligados à ciência e tecnologia em detrimento daqueles ligados ao entendimento do momento pelo qual passava a sociedade ((GARCIA. 1975 apud BARRA. os projetos americanos foram traduzidos e adaptados pelo Instituto. 1973). Torres. LORENZ. 34). em que a formação dos professores deixava muito a desejar” (HAMBURGER et al. que são cursos criados para uma realidade inteiramente diversa da nossa” (Idem.” (FíSICA. no Estado de São Paulo: “A maioria dos cursos científicos. como relatado pelo professor Eduardo A. além da produção de equipamentos de laboratório voltados para a realização dos experimentos sugeridos pelos livros-textos e o treinamento dos professores para uso dos novos materiais. o mesmo “se revelou difícil demais mesmo para a maioria das escolas norteamericanas. pois eles “não eram adequados para a situação das escolas brasileiras. Como resultado dessa parceria.. 2001. p. logo. Saad. Diversos professores que participaram do evento tiveram problemas com o uso dos materiais do PSSC nos cursos básicos ministrados em sala de aula.. A exemplo do PSSC. as ações vinculadas aos acordos enquadravam-se nos interesses dos mandatários brasileiros. em São Paulo por exemplo. exigia um intenso treinamento de professores” (Idem. 30). que afetou a organização da sociedade em diversos aspectos. é noturno e a maioria dos nossos alunos trabalha. ao afirmar que os acordos ocorreram no momento em que o Brasil atravessava um período de inflexão política devido ao golpe militar de 1964.

Para outros. mas nós temos de elaborar os nossos textos. Por essa razão. p. a modernização do ensino passou a constituir em familiarizar os alunos do curso médio com os capítulos da Física Moderna. havia uma grande reclamação da formação deficiente dos alunos ao ingressarem na universidade (MARQUES. tal tipo de avaliação (FíSICA. Alguns entenderam que o ensino moderno era a ênfase que se devia dar ao uso e abuso dos gráficos. Traduzir projetos estrangeiros. ou.” (Idem. os pesquisadores brasileiros passaram a pensar na elaboração de projetos de física nacionais. Ainda. é a verificação da Aprendizagem. que deve fugir inteiramente dos tipos convencionais. indiscriminadamente. baseados em determinados objetivos. Como prova de que o projeto gerara pouco impacto no ensino de física brasileiro. p. p. é ótimo. o importante. 79). nós temos interêsse [sic] em saber. que nunca foram definidos (FíSICA. 1970. 1970. 37-38). São os próprios estudantes que exigem as provas tipo testes. venham de onde vierem. então. 335). Somados a fatores como superlotação das salas de aula. de Norte a Sul. todos êles [sic]. Que nos coloquem em mãos tudo o que se faz de melhor no mundo. na modernização. p. 2005. falta de preparo dos professores e falta de materiais para as atividades experimentais. destinado a resolver todos os problemas da educação em ciências no país. a proposição de perguntas e questões cuja solução exija discussões prolongadas e laboriosas lucubrações. .7 muitos professores na adoção do material. colocando o PSSC como o projeto do século. foi aprovada uma moção a qual solicitava ao governo “que sejam sejam concedidas verbas para a implantação de projetos brasileiros de elaboração de textos e material de ensino de Física. 40). em acompanhar o desenvolvimento tecnológico. porque as escolas superiores do país passaram a usar. para muitos. Como produto das discussões e debates ocorridos no I SNEF e do consenso entre diversos professores presentes sobre a necessidade de renovação do currículo de ensino de ciências brasileiro.

a partir de 1973.PEF. Hamburger e Giorgio Moscati. . cada unidade. p. a maioria dos quais não estudará mais Física. uma equipe formada por professores do Instituto de Física da USP. p. culminando na produção do Projeto de Ensino de Física . apresentado no II Simpósio Nacional de Ensino de Física. que deverá produzir e distribuir o material elaborado (textos e aparelhos).8 ✸ ❖ Pr♦❥❡t♦ ❞❡ ❊♥s✐♥♦ ❞❡ ❋ís✐❝❛ Apoiados pelo Ministério da Educação (MEC). passou a se reunir com o intuito de discutir e planejar materiais voltados para o ensino de física na escola secundária brasileira. apoiado inicialmente pela FAPESP e agora pela FENAME (Fundação Nacional de Material Escolar). através do estudo de alguns fenômenos e conceitos da Física contemporânea. 1974. O material se destina a todos os alunos de 2o grau. através da Fundação Nacional de Material Escolar (FENAME) e pelo Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). liderados pelos professores Ernst W. nessa época o ensino médio passava por uma reforma drástica (LDB 5692) em que o número de aulas semanais de Física havia sido grandemente reduzido e em alguns casos a disciplina ficava reduzida aos dois anos iniciais (MARQUES. saber trabalhar com estes conceitos. A sequência lógica do conteúdo do Projeto “foi subdividida em unidades e. resolver problemas simples e realizar experiências simples. O Projeto procurava desenvolver o conteúdo de Física de forma coerente com as necessidades do ensino nacional e com a nossa realidade escolar. 1974.. ao fim do curso.MG. O material está adaptado às condições atuais das escolas de ensino médio no Brasil (SANTOS et al. realizado em 1974 na cidade de Belo Horizonte . 2005. 120). 17). em passos de complexidade crescente” (PACCA. 209). De maneira geral. O aluno deve. Pretende levar o aluno a conhecer o método científico e a visão da natureza que tem os cientistas. O Projeto de Ensino de Física desenvolve-se desde 1970 no IFUSP. p.

exercícios de aplicação.9 A elaboração do Projeto levou em conta “objetivos de conhecimento e algumas habilidades específicas requeridas de um aluno que termina o secundário e irá. a FUNBEC e o MEC. além do “aperfeiçoamento dos materiais experimentais. texto optativo e leitura suplementar.3 Quantidade de movimento. envolvendo a inserção de “leituras suplementares e ilustrativas em quase todos os capítulos. p. eram compostos por capítulos. • 1.4 Energia e trabalho. • 1.1 Segunda Lei de Newton. Os textos. A versão preliminar foi produzida entre 1970 e 1972 com o objetivo de ser testada em várias escolas (BITTENCOURT. Já a versão comercial foi produzida através de convênio entre o IFUSP. 82). p. 3). • 2. publicados em fascículos. ✸✳✶ ❊str✉t✉r❛ Os materiais produzidos pelo PEF culminaram em duas versões. esses dois últimos eram destinados às classes que tivessem maior número de aulas semanais. • 1. 1990. 2009.3 Medidas de tempo. 2 .2 Grandezas vetoriais. • 1.4 Movimento uniforme. • 2. uma preliminar e outra comercial. os quais eram constituídos por um texto principal. • 2..Mecânica II • 1. p. para adequação à fabricação em grande escala” (Idem. A estrutura do PEF foi organizada da seguinte forma (Idem.1 Órbita de um satélite.Mecânica I • 1.2 Medidas de espaço. • 2. 16). ou não.3): 1 . eletricidade e eletromagnetismo. o aumento do número de exercícios e a reformulação do tratamento de algumas seções”. . p. ou mesmo para atender a alunos mais interessados (NIEVES et al. Era constituída de quatro volumes de textos e três conjuntos experimentais onde eram abordados conteúdos de mecânica. continuar um curso de ciências” (Idem.6 Força. incorporando as modificações indicadas após a aplicação da versão preliminar. inércia e aceleração.5 Velocidade média e velocidade instantânea. 80). p.

pois o êxito em uma resposta significa um avanço em direção ao objetivo final.2 Estrutura dos ímãs. De modo geral. • 3. ria. em que estão explicitados os assuntos a serem abordados no curso. essas questões fornecem ao aluno o reforço necessário para prosseguir no programa. As sequências elaboradas para levar os alunos a atingir os objetivos são. • 4. construir gráficos. Além disso. 1974.8 Efeito Joule. • 3. oferecendo aos estudantes a oportunidade de emitirem respostas observáveis. visto que a forma de apresentação dos conteúdos e a interpretação dos textos minimizava a necessidade de conhecimentos matemáticos (idem.4 Corrente em campos magné• 3.5 Conservação da energia. 16).6 Resistência e resistividade.3 Campo magnético.4 Corrente elétrica. p. • 3.5 Indução eletromagnética. o material foi desenvolvido tendo como tema central o Efeito Joule e suas aplicações. participar de discussões. 1974. Além de orientar a leitura. • 4. a sequência dos conteúdos obedecia a uma sequência lógica.2 Campo elétrico e pilha. • 4.1 Eletricidade e ímãs. p. sequências lógicas de conteúdo. por exemplo. aos alunos cabiam atividades como (a) ler o texto. as questões subdividem-nas.10 • 2.1 Cargas e estrutura da maté- • 4. ticos. • 4. .9 Circuitos elétricos. No caso do curso de eletricidade. resolver problemas e responder a questões. • 3.6 Aplicações do eletromagnetismo. 3 . A análise para a produção do material levou à construção de uma “árvore de conceitos”. preencher tabelas com cálculos e dados experimentais. • 2.6 Gravitação.Eletricidade 4 . 71).7 Condução nos sólidos. em geral. Vê-se que havia uma grande valorização pela atividade do aluno. (b) montar experiências. (PACCA.3 Potencial elétrico. • 3.Eletromagnetismo • 3. • 4. (PACCA.5 Resistência elétrica. 18). p. • 3. • 3.

R.de "E" -IX- el em "E"termice 2. P.R. Figura 3.1 ENERGIA ENERGIA ENERGIA TRANSFORMA- MECANICA ELETRICA TERMICA DE ENERGIA cAO P.11 ARVORE DE CONCEITOS APLICAOES DO -X- EFEITO JOULE EFEITO JOULE (transf. SOLI DOS -VII- Materia Campo Eletrico -ty Pi lha Eletrica Corrente Potenci —0 Eletrica al Resisten Eletrico carga t — cia Eletrica II Algarismos ar5bicos = distribuicio segundo a ariaIlse Algarismos romanos = sequencia = pre-requisitos P. . .4 2.R.R. .1: “Árvore de conceitos” do curso de eletricidade.2 .R. CONDUcA0 DOS -VIII- 3.

principalmente. de forma que o professor se tornasse. como o aumento de alunos em turmas de Física básica nos cursos de graduação”. 78). . p. p. habilidades e conhecimentos anteriores dos alunos” (BITTENCOURT.12 ✸✳✷ ▼❡t♦❞♦❧♦❣✐❛ Com o objetivo de proporcionar aulas que se distanciassem do caráter totalmente expositivo. a abordagem skinneriana “não leva em consideração o que ocorre na mente do indivíduo durante o processo de aprendizagem. as orientações dadas para o professor 1 De maneira sucinta. O papel do professor deveria se dar de maneira ativa. No caso dos experimentos. estimulando o raciocínio para que os alunos se auto-esclarecessem suas dúvidas e finalmente complementando a aula com exemplos diferentes e melhores do apresentado no texto” (Idem. Havia. após estabelecerem-se os objetivos. a teoria behaviorista de Skinner teve grande influência nos materiais e procedimentos usados em sala de aula. Nesse processo. (Idem. alicerçadas em elementos teóricos do comportamentalismo1 .. p. 1990. 78-79). o PEF buscou em técnicas pedagógicas modernas para a época. Para Nardi (2005. 2009. mas também respostas às perguntas e realização de cálculos e atividades práticas. p. De acordo com Moreira (1999). nessa mesma época. em que o mesmo estaria “auxiliando. 79). um coordenador dos trabalhos dos alunos” (VIOLIN.50). as teorias comportamentalistas foram consideradas como itens-chave “para a implementação de projetos na tentativa de resolver as questões de ensino. Assim. o próximo passo seria o de “formular as condições necessárias para seu alcance. exigindo não só a leitura. “observável por meio das respostas do indivíduo” (Oliveira. coordenando. independentemente do professor. 4). uma preocupação sobre a elaboração dos textos e experimentos sendo que. 1999. as ferramentas para promoção do aprendizado do aluno. o texto seria entremeado de questões. p. eles também apareciam durante o decorrer dos textos. 50). O que interessa é o comportamento observável” (p. “o estudante teria participação ativa no processo de aprendizagem. Isto é. 1990. de simples utilização e baixo custo. especialmente entre as décadas de 1960 e 1970. inclusive. Com uma simples leitura e com o material do experimento em mãos o aluno era capaz de faze-lo sem maiores dificuldades. e respeitar os pré-requisitos. os materiais instrucionais deveriam ser completos. 3). A preocupação da teoria skinneriana está voltada para o controle do comportamento. As atividades desenvolvidas pelo aluno estimulavam o mesmo a trabalhar com as leituras e experimentos. p. 1973. apud Moreira. 4). p. As questões referentes ao experimento induziam o aluno a realizar uma observação detalhada (NIEVES et al.

os objetivos pretendidos para o curso. deixando claro que a aplicação do projeto pressupunha não apenas o desenvolvimento de temáticas mais próximas dos interesses dos alunos.13 foram elaboradas pensando num trabalho docente que valorizasse o acompanhamento dos alunos. em seguida. avaliador e muito pouco como expositor da matéria’. orientador. principalmente para vencer a inércia dos alunos. e também que essa atitude iria exigir um esforço inicial intenso do professor. os capítulos dos fascículos sempre iniciavam com uma breve nota histórica do assunto e. que estimulasse a elaboração de respostas por parte deles e no qual o ’professor atue principalmente como coordenador. acostumados a aulas somente expositivas e a não terem que trabalhar por conta própria. Deste modo. Ressaltava também que essa ’participação ativa do professor é uma característica da aplicação do PEF’. p. 2006. mas também o desenvolvimento de uma metodologia adequada à sua participação mais intensa (GARCIA.2: Apresentação de um dos capítulos do curso de eletromagnetismo . Figura 3. organizador. 4).

envolveu a aplicação dos volumes 1 e 2 do curso de mecânica do PEF para alunos da rede pública e privada de ensino no Estado de São Paulo. Como resultado. a nosso ver. a qualidade do material experimental e a dificuldade de obtenção dos guias do professor” (GASPAR. 24-26). foram identificadas várias limitações no projeto. até para essa função orientadora. 26). muitas delas advindas das diferenças sócio-econômicas existentes entre os alunos da pesquisa. 2004. Outro fator que contribuiu para o declínio no uso do PEF foi a demasiada ênfase no trabalho autônomo do aluno em detrimento do apoio pedagógico e das orientações oferecidas pelo professor. proporcionaram algumas melhorias e modificações no ensino de física do país.. 76). a exemplo do PEF. 2004. Apesar do cuidado com que foram elaborados os guias destinados ao professor. o professor podia ser dispensado.o aluno trabalhando sozinho aprenderia melhor e. 76-77). evidenciam a função orientadora. Uma pesquisa realizada por Pacca (1990). um dos maiores erros cometidos . a aprendizagem não depende somente da qualidade do programa: o nível sócio-econômico dos alunos. p. a causa principal do insucesso do PEF foi. a mesma já atribuída ao PSSC: a superestimação da capacidade do material instrucional na promoção da aprendizagem ancorada basicamente na experimentação. p. ✸✳✹ ❈♦♥❝❧✉sã♦ Apesar do declínio no uso pelas escolas brasileiras. 1990.. reservada ao professor na concepção do projeto . não essencial.14 ✸✳✸ ❘❡s✉❧t❛❞♦s Embora tenha tido algumas respostas positivas (PACCA. dele se pedia e se esperava muito pouco. a natureza da escola e o desempenho do professor são fatores importantes a serem considerados na utilização de um sistema instrucional (PACCA.). o PEF entrou em declínio devido a diversos problemas encontrados que envolviam a “ineficiente distribuição do material. os projetos de ensino. Para Moreira (2000). p. 1990. O estímulo à interação individual do aluno com o material era explícito (. bastava o aluno recorrer ao próprio texto (GASPAR. p.

p. cuja época foi extremamente fértil e. ser equiparada a uma “revolução industrial”. foi revolucionária frente ao que já se tinha feito em relação a propostas educacionais na área de ciências.. 2000. projetos. hoje dia. Quer dizer.15 pelos projetos. 95). história da Física. com vários cursos de pós-graduação e com um número crescente de investigadores (FILHO. . a despeito das reais condições da educação brasileira”. a aprendizagem não é uma consequência natural (MOREIRA. sob certos aspectos poderia. porém. “hands on”. 2000. em sua essência. mostra uma área de pesquisa madura.). quais os caminhos que seriam percorridos nesse processo. promoveu um incentivo enorme às investigações em ensino. . O resultado. encontrou eco junto aos professores. estimulando um maior número de profissionais a se dedicarem a ela. Diogo e Gobara (2008. Por conseguinte. p. A disseminação desses projetos nos mais diferentes países. com suas abordagens metodológicas quebrando a estrutura monolítica dos antigos textos escolares.. A dinâmica organizacional e didática que envolveu a elaboração desses projetos. Ensino e aprendizagem são interdependentes. Filho (2000) reitera a amplitude dos desenvolvimentos na área de ensino de ciências advindos da elaboração dos projetos. por melhor que sejam os materiais instrucionais. os projetos foram muito claros em dizer como se deveria ensinar a Física (experimentos. se deu porque suas “filosofias de curso” não levavam em consideração como deveria se dar a aprendizagem em física. guardadas as proporções. demonstrações. “efeitos colaterais” no sentido de estimularem o desenvolvimento de “novas propostas de melhoria de ensino e de pesquisa em ensino de física. mas pouco ou nada disseram sobre como aprender-se-ia esta mesma Física. 379). p. destacam. do ponto de vista de quem os elabora. 25). que tais projetos acabaram provocando também.

A popularização da ciência no Brasil. GOBARA. M. Goiânia . 1990. Cinquenta anos de ensino de física: muitos equívocos. dez. Ensino de física no brasil: Retrospectiva e perspectivas. 22. M. J. p. 12. D. S. mai. A. 1970–1983.n. (Ed. Teorias de Aprendizagem. n. R. C. MOREIRA. São Paulo: Editora Livraria da Física. n. In: Trabalho apresentado no IV Congresso Brasileiro de História da Educação. Investigações em Ensino de Ciências. G.BA: [s. Memórias da educação em ciências no brasil: A pesquisa em ensino de física. Educação: Revista de estudos da educação. v. V. de. cap. período: 1950 a 1980. Revista Brasileira de Ensino de Física. 38. LORENZ. 13. 63–101. 89. E. Ensinando a ensinar física: Um projeto desenvolvido no brasil nos anos 1970. 94–99. R. da C. n. Pesquisas sobre o ensino de física. Uma análise do Projeto de Ensino de Física Mecânica. 2004. (Ed. 2001. São Paulo: Editora Livraria da Física. 1. 71–91. p. M. p. 1. Ciência e Cultura. Technical assistence and innovation in science education. 2000. S. In: São Paulo: IFUSP. Educação e ensino de ciências naturais/física no brasil: do brasil colônia à era vargas. 222. 31–40. p.]. S. Salvador . Educação para a ciência: curso para treinamento em centros e museus de ciências. p. D. A. BITTENCOURT. GARCIA. cap. In: .16 ❘❡❢❡rê♥❝✐❛s BARRA./ago. 21. alguns acertos e a necessidade de recolocar o professor no centro do processo educacional. 2005. Science Education. M. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. In: HAMBURGER. IFUSP: Passado. 2005. 1970. 10. n. R. M. p. v. de P. v. NARDI. N. São Paulo: EPU. v. 1999.n. DIOGO. GASPAR. v. da R. 1975. . Atividades experimentais: do método à prática construtivista..GO: [s. 2008. A. et al. K. FILHO. 1986. 76–91. MARQUES. Presente e Futuro. FíSICA. 2000. MAYBURY.). .). Produção de materiais didáticos de ciências no brasil.].. 365–383. W. Atas do i simpósio nacional de ensino de física. B. Tese (Doutorado) — UFSC. Florianópolis. T. 2006. p. MOREIRA. n. A.

projeto de ensino de física. In: Atas do II Simpósio Nacional de Ensinod de Física. 1974. In: 1990. [S. O projeto de Ensino de Física (PEF) . p.n. A. São Paulo: IFUSP. L. et al. p. Belo Horizonte . O projeto de ensino de física.]. J. cap. 1974. P. Otimização de um programa de ensino a partir da análise da sequência das atividades propostas. Pesquisas sobre o ensino de física. 2–14.n. J. G.Mecânica I em um Curso Programado Individualizado. PACCA. de A. 2009. 208–219. Departamento de Física.]. cap. In: Atas do II Simpósio Nacional de Ensino de Física. p.MG: [s. . J.l. Pesquisas sobre o ensino de física. . UFSC. 1990. L. 16–17. de A. VIOLIN.]: IFUSP. 15–26. In: . PACCA. Belo Horizonte .MG: [s. Instrumentação para o Ensino de Física A. Pef . p.17 NIEVES. SANTOS. et al. Análise do desempenho de Alunos frente aos Objetivos do Projeto de Ensino de Física.