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O PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA

Evolução e efeitos sobre a pobreza
SÔNIA ROCHA
Economista/Pesquisadora do Instituto de Estudos do Trabalho e
Sociedade (IETS-RJ)
Publicado em dezembro de 2009
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INTRODUÇÃO
 Em 2003 no Governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi criado o
Programa “Bolsa Família”;

 Em 2007, cerca de 11 milhões de benefícios mensais foram
concedidos, cobrindo 19,4 % do total de domicílios brasileiros;

 Estudos mostram que as transferências realizadas em 2004 foram
capazes de reduzir a proporção de pobres. Paralelamente, 20% da
queda da desigualdade deveram as exclusivamente as novas
transferências. ( Soares, 2006)

 O objetivo desse texto é avaliar através dos resultados
obtidos em 2004 em que medida e em que direção avançaram as
novas transferências no momento em que o governo considerou
estarem praticamente finalizados os processos de expansão de
cobertura e de unificação sob o BF dos programas de transferência
de renda preexistentes.
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PROGRAMAS FEDERAIS DE TRANSFERÊNCIA
DE RENDA
 Transferências de renda focalizadas nos mais pobres já
existiam no Brasil desde a década de setenta;
 Pouco visibilidade desses programas iniciais, devido a
cobertura limitada da sua população alvo (idosos e pordadores
de deficiência sem renda monetária suficiente para garantir sua
sobrevivência);
 Constituição de 1988 e a Lei Orgânica da Assistência Social
(LOAS, 1993), faz com que os programas assumam uma importância
crescente, tanto em função do aumento da clientela, quanto
devido o valor (que passou a ser de um salário mínimo);
DA CRIAÇÃO E EXPANSÃO DOS PROGRAMAS FEDERAIS DE
TRANSFERÊNCIA DE RENDA
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PROGRAMAS FEDERAIS DE TRANSFERÊNCIA
DE RENDA
 Tiveram como ponto de partida a proposta de criação de programas
de transferência de renda para famílias pobres com crianças na
idade de escolaridade obrigatória.
 Fazia parte da plataforma de candidatura presidencial do Partido
dos Trabalhadores às eleições de 1989.
 A proposta era atrativa por atenuar a insuficiência das famílias
e ao mesmo tempo incentivar a escolarização das crianças de
famílias de baixa renda. Deste modo, objetivava-se atuar sobre as
causas estruturais da pobreza de forma a reduzi-la no futuro.
 Com a derrota do PT na campanha presidencial, as iniciativas
pioneiras de implementação efetiva de um programa desse tipo, que
passou a ser conhecido como Bolsa Escola, se deram em nível local.
O SURGIMENTO DOS NOVOS PROGRAMAS
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PROGRAMAS FEDERAIS DE TRANSFERÊNCIA
DE RENDA
 Por volta de 1996/1997, houve um grande número de iniciativas municipais
no sentido de criar bases legais para a implementação de programas de renda
mínima financiados com recursos locais.

 Na maioria dos casos, foram ignoradas as condições necessárias para a
implementação bem-sucedida deste tipo de programa.

 A maioria dos municípios optou por replicar o desenho bem-sucedido do
programa do Distrito Federal. Esse desenho acabou não sendo bem aplicado em
outras realidades municipais devido as diferenças de recurso e organização.

 Projeto de Lei 2.561: projeto que previa o apoio financeiro aos governos
municipais para a implementação de programas de garantia de renda mínima. O
governo cobriria 50% dos gastos, mas a iniciativa de implementação pertencia
ao município.

 Poucos municípios aderiram a parceria e nos que aderiram, houve múltiplos
problemas operacionais (cadastramento, recebimento, logística dos recursos).
INICIATIVAS LOCAIS
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PROGRAMAS FEDERAIS DE TRANSFERÊNCIA
DE RENDA
 Devido as evidências irrefutáveis do fracasso do modelo de parceria financeira, o governo federal
relança, em 2001, o Bolsa Escola em novas bases, cobrindo 100% do valor dos benefícios. Permaneem
como responsabilidade local as tarefas de cadastramento e seleção dos beneficiários e a garantia de
infraestrutura.
 Outros programas de transferência foram criados durante a década de 90.Programa de Erradicação do
Trabalho Infantil (PETI, 1996), auxílio Gás (2001) e o Bolsa Alimentação (2001),
 A superposição de programas de transferência tornou aevidente a necessidade de coordenação e
controle através da criação de um cadastro único. Criado em 2001, o cadastro único continuava
atrelado a organismos governamentais diversos, sem qualquer coordenação entre si.
 Decisões tomadas no início do governo Lula modificaram de forma fundamental a política de
transferência de renda.
 A clientela alvo ampliou-se, passaram a qualificar-se para o recebimento de R$ 50/mês todas as
famílias com renda familiar per capita inferior a um quarto do salário mínimo. Em conseqüência a
população alvo dos novos programas praticamente dobrou.
 Após um início confuso e semeado de contradições conceituais e operacionais, em outubro do mesmo
ano o programa de transferência de renda foi relançado sob o nome de Bolsa Família.
 Mudanças no programa: elevação no teto de renda familiar per capita, que foi desatrelado do
salário mínimo, assim como mudanças na forma de estabelecimento do valor do benefício que passou a
ser variável – de R$ 15 a R$ 95, conforme a renda da família e o número de filhos.
 O processo de unificação dos novos programas sob o BF continua desde então, tendo sido alcançada no
final de 2006.
INICIATIVAS LOCAIS
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EVOLUÇÃO DO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA
2004-2006
- Quadruplicação de beneficiários/as do programa (de 2 MI
para 8 MI);
- Unificação de programas sociais anteriores no agora
Bolsa Família;
- Descompasso entre número de beneficiários/as: com a
unificação dos programas sociais, alguns ainda declararam,
na PNAD, serem beneficiários/as de outros programas, mesmo
que já fosse do Bolsa Família;
- Descompasso entre número de beneficiários/as: para PNAD:
8,1 milhões de beneficiários; para MDS: 10,9 milhões;
- No período estudado pela autora, houve grandes avanços
em termos de racionalização do sistema de transferência.
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EVOLUÇÃO DO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA
2004-2006
 A redução no número de domicílios não beneficiários mas
elegíveis não se deveu preponderantemente à expansão do
programa, mas a um aumento da renda na base da
distribuição;

 Se não houve expansão relevante, o processo de
unificação dos novos programas foi crucial, eliminando a
superposição desordenada de benefícios;

 A melhoria da renda que ocorreu no período contribuiu
para melhorar os índices de cobertura do programa,
principalmente nas faixas de renda mais baixas, mas ainda
existe o desafio atender aos domicílios elegíveis mas não
beneficiários do programa.
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IMPACTOS DO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA
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POTENCIALIDADES E LIMITES
 A pobreza e desigualdade vem diminuindo no brasil de forma
sustentada desde 2004 - as transferências de renda
assistenciais, e o bolsa família tem contribuído para esta
melhora

 Sônia Rocha discute sobre os possíveis impactos do programa
Bolsa Família - utilizando imputações simuladas

 Esses impactos incidem sobre as populações de baixa renda
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IMPACTOS DO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA
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POTENCIALIDADES E LIMITES
 É feita uma simulação sobre qual seria o impacto da expansão do
programa bolsa família a uma porção de população poderia ser
atendida pelo programa mas ainda não era:

As constatações diante da simulação
 A inclusão dessa camada da população que ainda não é
beneficiada pelo programa afeta muito pouco o número de
pobres no Brasil, isso porque a inclusão do benefício só tira
os domicílios da pobreza que estão presentes nas zonas rurais
e nas áreas urbanas da região sul;
 Os indicadores de pobreza melhoraram, mas ainda existem um
contingente importante de pessoas que podem ser contempladas.
 SIMULAÇÃO A
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IMPACTOS DO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA
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POTENCIALIDADES E LIMITES
 SIMULAÇÃO B
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IMPACTOS DO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA
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POTENCIALIDADES E LIMITES
 Valor do beneficio
 Função do beneficio
 Tipos de benefícios do Bolsa Família:
 Básico: R$ 68,00
 Variável: R$ 22,00
 Variável vinculado ao adolescente: R$ 33,00
 O Novo Benefício
 Opção do MDS em relação ao receptor do benefício
 Redução da pobreza


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IMPACTOS DO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA
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POTENCIALIDADES E LIMITES
 Diferença das simulações em termos de
custo/benefício
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IMPACTOS DO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA
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POTENCIALIDADES E LIMITES
 Custo simulado de redução dos indicadores de hiato
e de renda
 Simulação C
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
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Operacionalidade
Colaboração entre Governo Federal e Governos Municipais
Cadastro Único
Mecanismos de controle e avaliação
Cartão magnético
Economia urbana
monetizada
Renda
monetária
CIDADANIA
TRANSFERÊNCIA
DE RENDA
Fatores de elegibilidade
Condicionalidades
Frequência escolar
Saúde
BOLSA FAMÍLIA
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
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• COBERTURA:
– Aumento de 337 mil domicílios;
– Racionalização e unificação dos programas de
transferência de renda;
• FOCALIZAÇÃO:
– 48% dos beneficiários do BF tinham RDPC acima do
limite de 130R$
• Crescimento da renda;
• Metodologia da pesquisa;
• SIMULAÇÃO:
– Aumentar cobertura do BF aos elegíveis descobertos x
Novo benefício aos jovens de 16 e 17 anos
– RESULTADO:
• Quanto maior o número de domicílios atendidos na faixa de
renda mais baixa, maior o retorno obtido em termos de
redução de pobreza para cada real adicional de dispêndio com
o programa.