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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE - DEPARTAMENTO DE LETRAS VERNÁCULAS (DLEV)

LINGUÍSTICA --

FICHA NÚMERO 001

MINISTRANTE: Prof. Dr. EUGÊNIO PAGOTTI

LINGUÍSTICA - ESTUDO CIENTÍFICO DA LINGUAGEM

- definição tradicional de "Linguística" > "disciplina que estuda cientificamente a linguagem".

- significados do termo "estudar".

- significados do advérbio "cientificamente".

- significados do termo "linguagem".

- implicações da expressão "estudo científico da linguagem".

- polissemia do termo "linguagem".

- 'linguagem 1 ' > linguagem lato sensu > "qualquer processo de comunicação,

como a linguagem dos animais, a linguagem corporal, a linguagem das artes, a

linguagem da sinalização, a linguagem escrita, entre outras" > "nessa acepção, as

línguas naturais, [

são formas de linguagem, já que constituem instrumentos que

possibilitam o processo de comunicação entre os membros de uma comunidade".

],

- 'linguagem 2 ' > linguagem stricto sensu > "[

humanos possuem de se comunicar por meio de 'línguas'".

]

capacidade que apenas os seres

- definição do termo "língua" > "sistema de signos utilizado como meio de comunicação entre os membros de um grupo social ou de uma comunidade linguística".

- "quando falamos, então, que os linguistas estudam a linguagem, queremos dizer

que, embora observem a estrutura das línguas naturais, eles não estão interessados apenas na estrutura particular dessas línguas, mas nos processos, que estão na base da sua utilização como instrumentos de comunicação".

- o linguista não é necessariamente um poliglota ou um conhecedor do funcionamento específico de várias línguas, mas um estudioso dos processos através dos quais essas várias línguas refletem, em sua estrutura, aspectos universais essencialmente humanos".

-

conjunto de características" > OBS.: comparar o conjunto de características da Linguística com o conjunto de características das Gramáticas Normativas, mostrando em que medida podemos atribuir a estas uma fundamentação científica".

a capacidade da linguagem, eminentemente humana, parece implicar um

"[

]

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FICHA NÚMERO 001.1

MINISTRANTE: Prof. Dr. EUGÊNIO PAGOTTI

CARACTERÍSTICAS QUE ATRIBUEM CIENTIFICIDADE À LINGUÍSTICA

- circunscrição de um objeto de estudo próprio > a linguagem, ou seja, a

capacidade do homem de estabelecer comunicação pela utilização de um código linguístico, manifestada em enunciados falados e escritos (enunciações e enunciados concretos).

- adoção de princípios teóricos, metodologias e terminologias específicas e

apropriadas > metalinguagem rigorosa.

- enfoque universalista dos fenômenos linguísticos e de seus fundamentos teóricos.

- emprego de abordagens empíricas (métodos rígidos de observação), não

especulativas e não intuitivas. - trabalho com dados publicamente verificáveis e com experiências plenamente reproduzíveis.

- ciência descritiva, analítica, não prescritiva e não proscritiva (proscrever = abolir, suprimir) > experimental + teorética + cumulativa + amoral + política + não partidária.

- posição não valorativa em relação aos diversos sistemas linguísticos e suas

realizações concretas > para a Linguística, não existem sistemas linguísticos melhores e/ou piores, nem mais evoluídos e/ou menos evoluídos.

- visão dinâmica em relação aos diversos sistemas linguísticos e suas realizações concretas > para a Linguística, não existem sistemas linguísticos invariáveis / estáveis / imutáveis.

- a língua falada constitui predominantemente o objeto de estudo da Linguística.

ETAPAS DO MÉTODO CIENTÍFICO PARA A SOLUÇÃO DE PROBLEMAS

- descobrimento de um problema ou lacuna em um conjunto de conhecimentos.

- colocação precisa do problema (se o problema não estiver formulado claramente, voltar ao item "1").

- procura de conhecimentos e instrumentos relevantes para a solução do problema.

- tentativa de solução do problema com o auxílio dos meios disponíveis.

- invenção de novas ideias e produção de novos recursos que possam resolver o problema, caso não haja recursos disponíveis até então.

- obtenção de uma solução exata ou, pelo menos, aproximada, do problema.

- investigação das consequências da solução obtida.

- prova ou comprovação da solução encontrada.

- correção das hipóteses, teorias, procedimentos ou dados empregados na

obtenção de uma solução incorreta (caso o item 8 demonstre a inconveniência da solução).

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FICHA NÚMERO 002

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- conjunto de características implicadas pela linguagem >

- uma técnica articulatória complexa > "técnica articulatória": "conjunto de

movimentos corporais necessários para a produção dos sons que compõem a fala".

- "a sutileza que caracteriza esses movimentos e, sobretudo, a particularidade que distingue os vários sons e suas funções no sistema da língua fazem com que o domínio desse processo de produção vocal seja uma tarefa de complexidade tal que apenas a espécie humana parece ser capaz de realizar".

- "esses fenômenos demonstram que o uso da linguagem implica o domínio de um

conjunto de procedimentos bastante complexos, associados não apenas à produção e percepção dos diferentes sons da fala, mas também [associados] aos efeitos característicos da distribuição funcional desses sons pela cadeia sonora".

- uma base neurobiológica composta de centros nervosos que são utilizados

é que o funcionamento

da linguagem, tal como ocorre, está relacionado a uma estrutura biológica que o veicula".

na comunicação verbal > "o que queremos demonstrar [

]

- uma base cognitiva, que rege as relações entre o homem e o mundo

biossocial e, consequentemente, a simbolização ou representação desse

mundo em termos linguísticos > "associado a essa base neurobiológica está o

que poderíamos chamar, [

associados à nossa capacidade de compreender a realidade que nos cerca, armazenar organizadamente na memória as informações consequentes dessa compreensão e transmiti-las aos nossoa semelhantes em situações reais de comunicação. Podemos dizer que o termo 'cognição' se relaciona a esse funcionamento mental e que, em Linguística, existem diferentes teorias que

descrevem esse funcionamento".

de 'funcionamento mental', ou seja, os processos

],

- hipótese do relativismo linguístico > hipótese Sapir-Whorf (Edward Sapir [1884

1939] & Benjamim Lee Whorf [18971941]) > "segundo essa hipótese, cada língua segmenta a realidade de um modo peculiar [relativismo linguístico] e impõe tal segmentação a todos que a falam [determinismo linguístico]. Isso significa que a

linguagem é importante não só para a organização do pensamento, como também

para a compreensão e categorização do mundo que nos cerca. [

determinaria a percepção e o pensamento: segundo essa hipótese, as pessoas que falam diferentes línguas veem o mundo de modos distintos. Por sua vez, as diferenças de significados existentes em uma língua são relativas às diferenças culturais relevantes para o povo que usa essa língua".

a linguagem

]

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FICHA NÚMERO 003

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os autores procuram mostrar, portanto, a importância que a linguagem tem na

a capacidade da linguagem implica

um certo tipo de organização mental sem a qual ela não existiria ou, pelo menos,

não teria as características que tem".

-

compreensão e na construção da realidade. [

"[

]

]

- uma base sociocultural que atribui à linguagem humana os aspectos variáveis que ela apresenta no tempo [variações diacrônicas] e no espaço [variações diatópicas] > "a linguagem é um dos ingredientes fundamentais para a vida em sociedade. Desse modo, ela está relacionada à maneira como interagimos com nossos semelhantes, refletindo tendências de comportamento delimitadas socialmente. Cada grupo social tem um comportamento que lhe é peculiar e isso

vai se manifestar também na maneira de falar de seus representantes [

disso, um mesmo indivíduo em situações diferentes usa a linguagem de formas diferentes".

]

Além

-

as línguas acabam sofrendo mudanças decorrentes de modificações nas estruturas

as línguas variam e mudam ao sabor dos fenômenos de

sociais e políticas. [

nossas vidas, em função da evolução cultural, mudam com o tempo. Assim,

"[

]

]

natureza sociocultural que caracterizam a vida em sociedade".

- uma base comunicativa que fornece os dados que regulam a interação entre

os falantes > "como a linguagem se manifesta no exercício da comunicação, existem aspectos provenientes da interação entre os indivíduos que se revelam na estrutura das línguas".

- > exemplo > "um bom exemplo disso pode ser visto no processo de criação de

formas novas e mais expressivas para substituir construções que perderam sua expressividade em função da alta frequência de uso"; "a construção negativa dupla, como em 'não quero isso, não', ilustra bem esse ponto. No discurso falado no português do Brasil, a pronúncia do 'não' tônico que precede o verbo frequentemente se reduz a um 'num' átono, ou até mesmo a uma simples nasalização. Para reforçar a ideia de negação, o falante utiliza um segundo 'não' no fim da oração, como uma estratégia para suprir o enfraquecimento fonético do 'não' pré-verbal e o consequente esvaziamento do seu conteúdo semântico. Assim, o acréscimo do segundo 'não' tem motivação comunicativa".

- a linguística como estudo científico > "para proceder ao estudo científico da

linguagem, é necessário que se construa uma teoria geral sobre o modo como ela se estrutura e/ou funciona. A partir dessa teoria, criam-se métodos descritivos".

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FICHA NÚMERO 004

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- "em primeiro lugar, a Linguística tem um objeto de estudo próprio: a capacidade

da linguagem, que é observada a partir dos enunciados falados e escritos"; "esses enunciados são investigados e descritos à luz de princípios teóricos e de acordo

com uma terminologia específica e adequada"; "a universalidade desses princípios teóricos é testada através da análise de enunciados em várias línguas".

- "em segundo lugar, a Linguística tende a ser empírica, e não especulativa ou intuitiva, ou seja, tende a basear suas descobertas em métodos rígidos de

observação. [

dados publicamente verificáveis por meio de observações e experiências".

a maioria dos modelos linguísticos contemporâneos trabalha com

]

- "em terceiro lugar, estreitamente relacionada ao caráter empírico da Linguística

está a atitude não preconceituosa em relação aos diferentes usos da língua". > "essa atitude torna a Linguística primordialmente, uma ciência descritiva, analítica e, sobretudo, não prescritiva. Para tanto, ela examina e analisa as línguas sem proconceitos sociais, culturais e nacionalistas [

- "a Linguística considera, pois, que nenhuma língua é intrinsecamente melhor ou pior do que outra, uma vez que todo sistema linguístico é capaz de expressar adequadamente a cultura do povo que a fala".

a Linguística respeita qualquer variação que uma língua apresente,

independentemente da região e do grupo social que a utilize. Isso porque é natural

que toda língua apresente variações - de pronúncia [

ou de

-

"[

]

]

-, de vocabulário [

]

sintaxe [

]

- que manifestam níveis semelhantes de complexidade estrutural e

funcional".

- "a postura metodológica adotada na Linguística, portanto, decorre naturalmente da definição do seu objeto e considera, sobretudo, que:

- "todas as línguas e todas as variedades de uma mesma língua são igualmente

apropriadas ao estudo, uma vez que interessa ao linguista a construção de uma teoria geral sobre a linguagem humana. Cabe ao pesquisador descrever com objetividade o modo como as pessoas realmente usam sua língua, falando ou escrevendo, sem atribuir às formas linguísticas qualquer julgamento de valor, como 'certo' ou 'errado'. Isso significa que a Linguística é não prescritiva".

- "a língua falada, excluída durante muito tempo enquanto objeto de pesquisa, tem

características próprias que a distinguem da escrita e constituem foco de interesse

a Linguística, apesar de se interessar também pela escrita,

apresenta interesse especial pela fala, uma vez que é nesse meio que a linguagem se manifesta de modo mais natural".

de investigação. [

]

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FICHA NÚMERO 005

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"[

]

a Linguística tem como objeto de estudo a linguagem humana através da

].

-

Seu objetivo final é depreender

os princípios fundamentais que regem essa capacidade exclusivamente humana de expressão por meio de línguas. Para atingir esse objetivo, os linguistas analisam como as línguas naturais se estruturam e funcionam. A investigação de diferentes aspectos das diversas línguas do mundo é o procedimento seguido para detectar as características da faculdade da linguagem: o que há de universal e inato, o que há de cultural e adquirido, entre outras coisas".

observação de sua manifestação oral ou escrita [

- Linguística e sua relação com outras ciências > "[a partir das primeiras décadas

do século XX, ] "a Linguística reivindica sua autonomia em relação às outras áreas

do conhecimento".

- "no passado, o estudo da linguagem se subordinava, por exemplo, às

a partir do início do século XX,

com a publicação do Curso de Linguística Geral, obra póstuma do linguista suiço

FERDINAND DE SAUSSURE, instaura-se uma nova postura, e os estudiosos da linguagem adquirem consciência da tarefa que lhes cabe: utilizando uma metodologia adequada, estudar, analisar e descrever as línguas a partir dos elementos formais que lhes são próprios".

investigações da Filosofia através da Lógica. [

]

-

ciências e de outras áreas de pesquisa. Ao contrário, existem relações bastante estreitas entre elas, o que faz com que, algumas vezes, seus limites não se apresentem nitidamente".

isso não significa dizer que a Linguística encontra-se isolada das demais

"[

]

- "temos, [

Por um lado, essa relação é de interface [pontos de intersecção entre a Linguística e outras ciências]: ciências que não têm a linguagem como seu objeto de estudo

específico passam a se interessar por ela, porque a linguagem faz parte de alguns

se interessa pelo estudo da

aspectos do seu objeto de estudo: a Sociologia, [

linguagem, uma vez que a vida em sociedade só é possível em função da comunicação entre os indivíduos".

],

duas abordagens da relação entre Linguística e as demais ciências.

],

- "por outro lado, essa relação é de proximidade ou semelhança: Linguística,

Semiologia estudam específica e

exclusivamente a linguagem, diferindo na concepção que possuem da natureza da linguagem, do foco que dão aos seus diferentes aspectos, dos objetivos a que se propõem e da metodologia que adotam".

Gramática Tradicional, Filologia e, [

],

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FICHA NÚMERO 006

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-

[ciência geral dos signos]", constatamos que "a Semiologia não se interessa apenas

pela linguagem humana de natureza verbal, mas por qualquer sistema de signos

naturais (a fumaça é um sinal de fogo, nuvens negras são um sinal de chuva, etc.)

ou culturais (sinais de trânsito, gestos, formas de danças, etc.)" > "[

estuda a linguagem verbal, enquanto a Semiologia, [ formas de linguagem".

interessa-se por todas as

] a Linguística

estabelecendo uma distinção entre a Linguística e a Semiologia ou Semiótica

"[

]

],

- "quanto à diferença entre Linguística e Filologia, podemos dizer que a última é

uma ciência eminentemente histórica, que por tradição se ocupa do estudo de civilizações passadas através da observação dos textos escritos que elas nos deixaram, com o intuito de interpretá-los, comentá-los, fixá-los e de esclarecer ao leitor o processo de transmissão textual".

- "Edótica" = "ciência auxiliar da Filologia, que busca, por meio de minuciosas regras de hermenêutica e exegese, restituir a forma mais próxima do que seria a redação original de um texto, a fim de que se estabeleça a sua edição definitiva; crítica textual".

- "exegese" [exposição de fatos históricos, interpretação, comentário, tradução] =

"comentário ou dissertação que tem por objetivo esclarecer ou interpretar minuciosamente um texto ou uma palavra; interpretação de obra literária, artística etc."; "hermenêutica" [arte de interpretar; próprio para fazer compreender; arte de descobrir o sentido exato de um texto] = "ciência, técnica que tem por objeto a interpretação de textos religiosos ou filosóficos, especialmente das Sagradas Escrituras; interpretação dos textos, do sentido das palavras; teoria, ciência voltada à interpretação dos signos e de seu valor simbólico; conjunto de regras e princípios usados na interpretação do texto legal".

- "como ocorre com todas as ciências, o que é considerado campo de atuação dos estudos filológicos pode variar de acordo com diferentes autores".

-

das línguas, observando, entre outras coisas, as transformações sofridas pela

forma

sucessivos".

através da verificação de documentos cronologicamente

alguns incluem no campo dessa ciência, por exemplo, o estudo da evolução

"[

]

da

língua [

]

- "um exemplo é o estudo das evoluções do latim em direção às línguas românicas,

tanto nos seus aspectos históricos (história externa) quanto estruturais (história interna). Esse campo de estudo tem sido chamado de 'Filologia Românica'".

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FICHA NÚMERO 007

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- "a Filologia busca descrever, de um lado, os aspectos sociais e históricos

característicos do crescimento do Imperio Romano que tiveram influência na evolução das línguas e, de outro, os aspectos linguísticos associados à mudança

fonética, morfossintática e semântica".

- "podemos dizer, [

contrário da Linguística, cujo interesse é a compreensão do fenômeno da linguagem através da observação dos mecanismos universais que estão na base da utilização das línguas. Isso significa que o estudo chamado 'sincrônico', desde

que a Filologia é uma ciência eminentemente histórica, ao

],

Ferdinand de SAUSSURE, é um procedimento válido entre os linguistas".

- "a Filologia se interessa pelo estudo do texto escrito, enquanto a Linguística,

embora não despreze a escrita, volta-se para a linguagem oral. Essa estratéia se justifica pelo fato de a fala refletir o funcionamento da linguagem de modo mais natural e espontâneo do que a escrita, que é mais planejada e, muitas vezes, retificada em nome de um texto mais elaborado. Isso faz da fala um material mais

interessante para que se possa compreender o funcionamento da linguagem humana".

- "no campo da história das línguas, a Filologia se limita a descrever as formas

A

Linguística, por outro lado, ao desenvolver teorias mais consistentes em relação ao

funcionamento da linguagem, tende a dar conta de alguns aspectos universais da mudança, transcendendo o nível meramente descritivo".

características das diferentes épocas de evolução diacrônica das línguas, [

].

- "os linguistas não querem apenas saber como o latim gerou o português, o

Seu interesse recai sobre os mecanismos universais

que regem a mudança linguística, procurando saber se a mudança ocorre, por exemplo, de geração para geração, se os fatores sociais ou interativos influenciam

francês ou o italiano, [

].

o processo. A relação entre mudança e variação demonstrada pela sociolinguística

e a teoria da gramaticalização [ mudança linguística".

são exemplos de propostas mais universais de

]

- "distinção entre a Linguística e a Gramática Tradicional":

a gramática tradicional foi criada e desenvolvida por

filósofos gregos. Representa uma tradição, que se iniciou em Aristóteles, de estabelecer uma relação entre linguagem e lógica, buscando sistematizar, através da observação das formas linguísticas, as leis da elaboração do raciocínio"; "essa tradição tem, portanto, suas faízes na Filosofia e predominou na base dos estudos

- "em primeiro lugar, [

]

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FICHA NÚMERO 008

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- (cont.) gramaticais até o século XIX, quando se desenvolveram novas teorias sobre a linguagem que caracterizariam o surgimento de uma nova ciência - a Linguística".

- "além disso, essa tradição gramatical se caracterizava por uma orientação normativa, já que, ao tentar impor o dialeto ático grego como ideal, buscou instituir uma maneira correta de usar a língua"; "vale ressaltar que essa concepção normativa é estranha à Linguística - ciência que se propõe a analisar e descrever a estrutura e o funcionamento dos sistemas de língua, e não prescrever regras de uso para esses sistemas".

- "os linguistas, portanto, estão interessados no que é dito, e não no que alguns

acham que deveria ser dito. Eles descrevem a língua em todos os seus aspectos, mas não prescrevem regras de correção. É um equívoco comum achar que há um padrão absoluto de correção que é dever dos linguistas, professores, gramáticos e dicionaristas manter. A noção de 'correção absoluta e imutável' é alheia aos linguistas. É verdade que, através da roda do tempo, um tipo de fala pode ser mais

prestigiado do que outros, mas isso não torna a variedade socialmente aceitável mais interessante para os linguistas do que as outras".

- "é importante observar que os critérios de correção que privilegiam a forma-

padrão em detrimento da forma coloquial não são estritamente linguísticos, mas decorrem de pressões políticas e/ou socioculturais. Isso significa que, em termos linguísticos, não há nada em uma forma de falar que a caracterize como correta ou errada. As formas consideradas corretas são, na realidade, aquelas utilizadas pelos grupos sociais dominantes".

- "essa posição dos linguistas em relação à noção de correção é um reflexo de seu

trabalho como cientistas da linguagem, que observam, sem preconceitos, todas as formas de expressão [oral] a fim de compreender a natureza da linguagem. Entretanto, é evidente que essa posição não deve ser estendida para o ensino da língua materna, sem um mínimo de reflexão".

- "os linguistas têm plena consciência da importância da norma-padrão para o

ensino do português e reconhecem que o aprendizado ou não desse padrão tem implicações importantes no desenvolvimento sociocultural dos indivíduos. Nesse sentido, é válido dizer que para a Linguística não há formas de expressão corretas ou erradas, mas sim formas adequadas ou não aos diferentes contextos de uso".

- "uma segunda diferença importante entre a Linguística e a Gramática Tradicional

é que os linguistas consideram a língua falada como primária [primordial]. Qualquer atividade de escrita representa um processo adquirido mais tardiamente".

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FICHA NÚMERO 009

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ao longo dos anos, os gramáticos têm enfatizado a importância da língua

escrita, em parte por causa de seu caráter permanente reforçado pela padronização

-

[

]

da ortografia e pelo advento da imprensa".

- "a prática educativa tradicional insiste em moldar a língua de acordo com o uso

dos 'melhores autores clássicos', mas os linguistas olham primeiro para a fala, que

Os

linguistas, portanto, consideram as formas faladas e escritas pertencentes a sistemas distintos, já que exibem diferentes padrões de gramática e vocabulário, e

cronologicamente precedeu a escrita em todas as partes do mundo. [

]

seguem regras de uso que lhes são específicas. Logo, embora sobrepostos, esses sistemas devem ser analisados separadamente: a fala primeiro, depois a escrita".

- "do que foi exposto, podemos concluir que, em virtude da natureza complexa do

objeto de estudo da Linguística, torna-se difícil - se não impossível - traçar com clareza os limites dessa disciplina ou mesmo enumerar com segurança suas

tendências de análise que, como é comum em qualquer ciência, variam de acordo com diferentes autores e diferentes escolas".

- "aplicações da Linguística - a Linguística está longe de ser uma disciplina

homogênea; ao contrário, é um vasto território com muitas noções e orientações teóricas em competição. Assim, sendo, ela oferece muitas opções para a pesquisa aplicada, e muitos ramos ou teorias linguísticas são fortemente orientados para a

resolução de questões práticas que envolvem a linguagem".

- Linguística Aplicada: "a linguística aplicada é uma abordagem multidisciplinar para

a solução de problemas associados à linguagem (ensino e aprendizado de línguas, questões de natureza clínica, questões forenses, tecnologia de comunicação, etc.)".

- funções ou teleologia da linguagem > definições [Houaiss Eletrônico (2009)] >

"linguagem" = "qualquer meio sistemático de comunicar ideias ou sentimentos através de signos convencionais, sonoros, gráficos, gestuais etc."; "qualquer sistema de símbolos ou sinais ou objetos instituídos como signos; código"; "o meio de comunicação por meio de signos orais articulados, próprio da espécie humana"; "a capacidade inata da espécie humana de aprender a comunicar-se por meio de uma língua ('sistema')"; "maneira de expressar-se própria de um grupo social,

profissional ou disciplinar; jargão, língua".

- função ou "télos" da linguagem > "τέλος" = ponto ou estado de caráter atrativo ou concludente para o qual se move uma realidade; finalidade, objetivo, destino; fase final, derradeira; a última parte, o remate > qual a principal função da linguagem?

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FICHA NÚMERO 010

MINISTRANTE: Prof. Dr. EUGÊNIO PAGOTTI

- questão > "se a linguagem possui diferentes funções, associadas a comportamentos [discursivos] enraizados na vida social, as quais transcendem a mera transmissão de informações, como delimitar essas funções?".

AS FUNÇÕES DA LINGUAGEM SEGUNDO ROMAN JAKOBSON 1 contexto mensagem

remetente

contato / canal código

destinatário

- condições para o funcionamento eficaz do modelo acima:

- um contexto apreensível pelo remetente e pelo destinatário > "contexto" = "todas as informações referentes às condições de produção da mensagem"

- um código conhecido pelo remetente e pelo destinatário

- contato físico e conexão psicológica entre remetente e destinatário

 

FUNÇÕES BÁSICAS DA LINGUAGEM - FOCOS

função referencial

transmitir informações > foco: contexto

função emotiva

exteriorizar emoções > foco: remetente

função conativa

influênciar comportamentos > foco: destinatário

função fática

manter comunicação >foco: canal

função metalinguística

autorreferenciar linguagem [falar da própria linguagem] >foco: código

função poética

elaborar formas linguísticas > foco: mensagem

- "projeção do eixo da seleção sobre o eixo da combinação" > função poética.

- a dupla articulação da linguagem > "desde o século XIX, os linguistas aceitam

como verdade que a linguagem humana é articulada. De fato, a articulação é uma das características essenciais da linguagem humana, sendo apontada como um dos principais aspectos que a diferenciam da comunicação entre os animais".

que os

- "afirmar que a linguagem humana é articulada significa dizer, [

enunciados produzidos em uma língua não se apresentam como um todo indivisível. Ao contrário, podem ser desmembrados em partes menores, já que constituem o resultado da união de elementos, que, por sua vez, podem ser

encontrados em outros enunciados".

],

1 JAKOBSON, Roman. Linguística e Poética. In Linguística e comunicação. 22ª ed. São Paulo: Cultrix, 2010.

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FICHA NÚMERO 011

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Os violinistas tocavam músicas clássicas

 
 

[ os violinistas ]

 

[

tocavam ]

 

[ músicas clássicas ]

 

[ os ]

[ violinistas ]

[

tocavam ]

[ músicas ]

[ clássicas ]

[o]

[-s]

[violinista]

[-s]

[tocava]

[-m]

[música]

[-s]

[clássica]

[-s]

- "essa sentença - como qualquer sentença em qualquer língua - é divisível em

unidades menores.[

falante escolhe, entre os vocábulos armazenados em sua memória, aqueles que no contexto tem o efeito significativo desejado, articulando-os de acordo com as regras de formação de sentenças de sua língua. Cada um desses vocábulos, portanto, constitui um elemento autônomo, podendo vir a ocorrer em outras sentenças [

isso significa que, para formar sentenças como essa, o

]

- "continuando a análise da sentença acima, observamos que cada um desses

vocábulos resulta da união de unidades morfológicas, o que significa que a

sentença pode ser dividida em elementos ainda menores".

Os

[o] + [s]

violinistas

[violino] + [ista] + [s]

tocavam

[toc] + [a] + [va] + [m]

música

[músic] + [a]

clássica

[clássic] + [a]

- "nos vocábulos acima, notamos a oposição entre, de um lado, a presença do

elemento [-s] e, de outro, sua ausência, que marcaremos com o símbolo [-Ø-] > [o-] + [-Ø] versus [o] + [-s] ; [violinista] + [-Ø] versus [violinista] + [-s] > a retirada do

elemento [-s] acarreta uma diferença no valor do vocábulo, que perde a marca de plural, passando para o singular. Isso significa que o elemento [-s] (desinência de número) é responsável pela expressão da noção de plural".

- a dupla articulação da linguagem (cont.) > nos vocábulos da tabela anterior,

verificamos que todos os elementos depreendidos que os compõem "dão alguma informação acerca do sentido do vocábulo ou acerca de sua estrutura gramatical. Alguns linguistas têm um nome genérico para designar esses elementos:

morfemas. Os morfemas identificam-se como radicais, vogais temáticas, prefixos,

sufixos e desinências e constituem a menor unidade significativa da estrurura gramatical de uma língua".

-

"mas

podemos

'fonemas'" >

dividir

essa

sentença

em

elementos

menores,

chamados

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LINGUÍSTICA -- FICHA NÚMERO 012

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[O][s] [violin][ist][a][s] [toc][a][va][m] [músic][a][s] [clássic][a][s]

/o/ /s/ /v/ /i/ /o/ /l/ /i/ /n/ /i/ /s/ /t/ /a/ /s/ /t/ /o/ /k/ /a/ /v/ /a/ /m/ /m/ /u/ /s/ /i/ /k/ /a/ /s/ /k/ /l/ /a/ /s/ /i/ /k/ /a/ /s/

- "esses fonemas são unidades de natureza diferente dos morfemas, pois fazem

parte da estrutura fonológica das línguas. São utilizados para formar o corpo sonoro do vocábulo e possuem função distintiva, já que a troca de um pelo outro acarreta uma mudança no sentido do vocábulo" > /t/ /o/ /k/ /a/ /v/ /a/ /m/ versus /t/ /o/ /m/ /a/

/v/ /a/ /m/ > [tocavam] versus [tomavam].

- "é importante compreender que /k/ não é um morfema, porque não fornece

informação alguma acerca do sentido ou da estrutura gramatical da palavra. Entretanto, é um elemento estrutural importante na medida em que é capaz de distinguir vocábulos".

- "agora temos condições de entender por que se diz que a linguagem humana é

articulada: porque se manifesta através de sentenças resultantes da união de elementos menores"; "assim podemos compreender a expressão 'dupla articulação': existem dois tipos diferentes de unidades mínimas - os morfemas e os fonemas -; os primeiros [primeira articulação] são elementos significativos (dão alguma informação acerca da estrutura semântica ou da estrutura gramatical dos

vocábulos). Os segundos [segunda articulação] são elementos não significativos, tendo apenas função distintiva".

- "esse tipo de organização baseada em um sistema de dupla articulação, que

caracteriza todas as línguas de todas as partes do mundo, tem uma razão de ser: é

aquele que melhor se adapta às necessidades comunicativas humanas, permitindo que se transmita mais informação com menos esforço".

EXERCÍCIOS

1. indique, por meio de comparações, os elementos da primeira articulação de:

maldade

anormalidade

desestruturássemos

deslealdade

recontávamos

descosturariam

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FICHA NÚMERO 013

MINISTRANTE: Prof. Dr. EUGÊNIO PAGOTTI

QUADRO DE CONCEITOS LINGUÍSTICOS

 

LINGUÍSTICA

 

LINGUAGEM

   

LÍNGUA

 

GRAMÁTICA

 

HISTÓRICA

 

COMPARATIVA

 

NORMATIVA

DESCRITIVA

 

LANGUE

PAROLE

FALA

DISCURSO

COMPETÊNCIA

   

DESEMPENHO

 

SISTEMA

NORMA

 

USO

 

VARIAÇÃO (SINCRÔNICA/DIACRÔNICA)

MUDANÇA (DIACRÔNICA)

DIATÓPICA

DIASTRÁTICA

DIAFÁSICA

 

(DUPLA) ARTICULAÇÃO

RECURSIVIDADE / RECORRÊNCIA

1ª MORFOLOGIA

2ª FONOLOGIA

 

EIXO HORIZONTAL

EIXO VERTICAL

DIACRONIA

SINCRONIA

SEGMENTAÇÃO

COMUTAÇÃO

SUCESSIVIDADE

SIMULTANEIDADE

EFETIVIDADE

POTENCIALIDADE

COMBINAÇÃO

SELEÇÃO

SINTAGMA

PARADIGMA

RELAÇÕES IN PRÆSENTIA

RELAÇÕES IN ABSENTIA

plano do conteúdo plano da expressão SIGNO conceito significado significante som SIGNO substância do

plano do conteúdo

plano da expressão

SIGNO

plano do conteúdo plano da expressão SIGNO conceito significado significante som SIGNO substância do

conceito

significado

significante

som

SIGNO

substância do conteúdo

forma do conteúdo

forma da expressão

substância da expressão

SIGNIFICADO

CONCEITO

DEFINIÇÃO

da expressão SIGNIFICADO CONCEITO DEFINIÇÃO SIGNIFICANTE IMAGEM ACÚSTICA IMPRESSÃO PSÍQUICA DE UM SOM

SIGNIFICANTE

IMAGEM ACÚSTICA IMPRESSÃO PSÍQUICA DE UM SOM MATERIAL

IMAGEM ACÚSTICA IMPRESSÃO PSÍQUICA DE UM SOM MATERIAL CARACTERÍSTICAS ARBITRARIEDADE DO SIGNO - CARÁTER LINEAR

CARACTERÍSTICAS

IMPRESSÃO PSÍQUICA DE UM SOM MATERIAL CARACTERÍSTICAS ARBITRARIEDADE DO SIGNO - CARÁTER LINEAR DO SIGNIFICANTE

ARBITRARIEDADE DO SIGNO - CARÁTER LINEAR DO SIGNIFICANTE IMUTABILIDADE DO SIGNO - MUTABILIDADE DO SIGNO

CARACTERÍSTICAS ARBITRARIEDADE DO SIGNO - CARÁTER LINEAR DO SIGNIFICANTE IMUTABILIDADE DO SIGNO - MUTABILIDADE DO SIGNO

DENOTAÇÃO

CONOTAÇÃO

CONTEÚDO EXPLÍCITO REFERÊNCIA

CONTEÚDO IMPLÍCITO INFERÊNCIA

PRESSUPOSIÇÕES

ENCADEAMENTOS

IMPLICATURAS

FUNÇÕES DA LINGUAGEM

 

ATOS DE FALA

POLIDEZ E INTERAÇÃO

 

DÊIXIS E DISTÂNCIA

RETÓRICA

POÉTICA

ESTILÍSTICA

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FICHA NÚMERO 014

MINISTRANTE: Prof. Dr. EUGÊNIO PAGOTTI

- arbitrariedade e iconicidade > "há aproximadamente dois mil e quinhentos anos

os estudiosos se dedicam a investigar a linguagem e seus mistérios. Na base das

indagações está a tentativa de se compreender não apenas a estrutura da linguagem, mas também sua relação com o mundo que ela simboliza e com o funcionamento da mente humana" > relações entre linguagem vs mundo vs mente.

- O diálogo Crátilo de Platão > indagação central: existência ou não-existência de

relações de similaridade (iconicidade) entre os nomes [formas do código linguístico], as ideias [significados do código linguístico] e as coisas [referentes].

 

RELAÇÕES CONCEITUAIS

 

|| anjo ||

\ anjo \

/ anjo /

| anjo |

' anjo '

{ anjo }

" anjo "

referente

objeto

conceito

conceito

significado

significante

signo

mental

imperfeito

perfeito

linguístico

linguístico

linguístico

|referente| <> |elemento do mundo extralinguístico, real ou imaginário, ao qual remete o signo linguístico, em determinado contexto sociocultural ou discursivo|

|objeto mental| <> |qualquer entidade ontologicamente individualizada cuja existência se verifica no âmbito estritamente mental, em nível individual ou em nível coletivo|

- o diálogo Crátilo de Platão >personagens: a) Crátilo (tese: a língua é o reflexo do mundo; há uma relação icônica - por natureza - entre os elementos da língua e os seres representados por eles); b) Hermógenes (tese: a língua é convencional; há uma relação arbitrária entre os elementos da língua e os seres representados por eles); c) Sócrates (função: integrar ambos os pontos de vista).

- "a noção de arbitrariedade linguística baseia-se no princípio da convenção > não há nada no som da palavra que se relacione, de forma necessária, à coisa que ela designa".

- "a noção de iconicidade linguística baseia-se no princípio da motivação > há uma relação natural entre os elementos linguísticos e os sentidos por eles expressos".

- "no âmbito específico dos estudos da linguagem, é o linguista suiço Ferdinand de

a síntese dos conceitos da tradição

clássica e moderna, inaugurando a Linguística como uma ciência que constituiria um ramo de uma ciência maior: a Semiologia ou Semiótica - a ciência dos signos".

Saussure quem vais realizar na Europa [

]

- "ao pensar o fenômeno linguístico a partir de suas propriedades internas, Saussure abandona a discussão clássica sobre o signo, reinterpretando o conceito de 'arbitrariedade'".

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LINGUÍSTICA -- FICHA NÚMERO 015

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- "Saussure desloca, para o interior do sistema linguístico, a dimensão da arbitrariedade direcionada às referências externas à língua. Em outras palavras:

Saussure evita o debate filosófico que abarca a conexão entre o nome e a coisa que ele designa no mundo biossocial, optando por pensar a relação entre o significante e o significado - elementos constituintes do que ele convencionou chamar de 'signo linguístico'".

- "para Saussure, o signo linguístico passa a ser o resultado da associação -

arbitrária - entre o 'significante' (imagem acústica) e 'significado' (conceito)".

- "o significante não é o som material, mas sim seu correlato psíquico, ou seja, uma estrutura sonora imaterial (puramente mental) que reconhecemos a partir do conhecimento que temos de nossa língua, relacionando-a, então, a um determinado conceito".

- "o significado não é o objeto real a que a palavra faz referência, mas sim um

tanto significante quanto

conceito, ou seja, um elemento de natureza mental. [

significado são caracterizados por Saussure como 'entidades psíquicas'".

]

- "esses dois elementos constitutivos do signo linguístico apresentam entre si uma

relação arbitrária ou imotivada, ou seja, não há entre eles nenhum laço natural. Isso significa que, no ato de nomeação, a língua não se reduz a um mero reflexo da

realidade. Essa relação se estabelece internamente ao sistema linguístico, na relação do signo com outros signos".

- arbitrariedade relativa > "[

possibilidade de uma arbitrariedade relativa, desde que possamos recuperar um conceito e uma forma a partir do signo linguístico > de 'dezenove' abstrair a ideia de 'dezena'; de 'macieira' abstrair a ideia de 'maçã' > "palavras nas quais há uma

é importante registrar que o linguista suiço admite a

]

arbitrariedade relativa são caracterizadas como casos de motivação".

motivação > "relação de necessidade estabelecida entre uma palavra e seu significado; fenômeno linguístico característico de determinadas palavras que refletem um 'motivo' para assumirem uma forma em vez de outra"

- tipos de motivação > a) motivação fonética (onomatopeias) > exemplos: "miar",

"tilintar", "cochichar", "sussurrar"; b) motivação morfológica (processos de formação de palavras) > "leiteiro", "caminhoneiro", "guarda-roupa", "pára-queda"; c) motivação semântica (analogias, metáforas, metonímias, catacreses) > "pé-de- cabra", "dentes da serra", "cabeça do grupo", "pé-de-pato", "pé de mesa".

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FICHA NÚMERO 016

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- entretanto, cabe registrar que esses casos de motivação são considerados

arbitrários por Saussure e seus seguidores. Em primeiro lugar, porque são formados por elementos já existentes na língua e que são arbitrários; em segundo

lugar, porque tais palavras apresentam considerável grau de casualidade em sua formação.

(ou

iconicidade) não são exclusivas, ou seja, não constituem antônimos [não se

excluem mutuamente], mas sim são visões diferentes de um mesmo fenômeno".

- "podemos

concluir

que

as

noções

de

arbitrariedade

e

de

motivação

- "com o advento da linguística funcional e dos princípios teóricos que caracterizam a linguística cognitiva, as questões relativas à discussão arbitrariedade versus iconicidade ganham novos contornos, já que a língua deixa de ser observada apenas como uma estrutura e passa a ser analisada como o reflexo do comportamento de seus usuários em situações reais de comunicação, postura metodológica que não era adotada na linguística estrutural".

- "a visão saussuriana, que foca apenas a relação entre um som e um sentido já

prontos no sistema sincrônico da língua - estático por natureza - dá lugar a uma concepção mais dinâmica, segundo a qual a linguagem funciona como um elemento criador de significação nos diferentes contextos de uso. Assim, passa-se a observar não apenas a palavra ou a frase, mas o texto, o qual reflete um conjunto complexo de atividades comunicativas, sociais e cognitivas".

- "nessa nova perspectiva, a linguagem, longe de ser um conhecimento fechado,

como propõe a visão saussuriana, constitui o reflexo de processos gerais de pensamento que os indivíduos elaboram ao criarem significados, adaptando-os a diferentes situações de interação com outros indivíduos".

- "o uso da língua nas situações reais de comunicação sugere que estamos

constantemente adaptando as estruturas linguísticas para se tornarem mais expressivas nos contextos em que as empregamos" > "isso ocorre porque, por um lado, as formas mais frequentes na língua acabam perdendo seu grau de novidade, ou seja, sua expressividade".

- "por outro lado, o homem muda e, com ele, muda também o ambiente social que o cerca. Assim, surgem novas tecnologias, novas profissões e novas relações sociais, o que faz com que os falantes busquem novos meios de rotular esses

novos conceitos. [

Isso sugere que há muito mais motivação ou iconicidade nas

línguas do que se poderia inicialmente imaginar".

]

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FICHA NÚMERO 017

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-

enunciados resultam da combinação de unidades menores. Na construção desses enunciados, os falantes unem morfemas para formar vocábulos, vocábulos para formar frases e frases para formar unidades ainda maiores, que compõem o texto. Essas unidades podem ser caracterizadas como universais, já que todas as línguas são articuladas - possuem fonemas, morfemas, palavras, sintagmas, enunciados - e não apresentam diferenças significativas quanto à natureza dessas unidades".

conceitos de 'gramática' > "ao tratar da 'dupla articulação', vimos que os

tratar da 'dupla articulação', vimos que os - questões > Como se dá essa combinação? Os

- questões > Como se dá essa combinação? Os falantes combinam os elementos

na frase do modo como bem entendem ou existem restrições impostas pelas línguas no que diz respeito a esse processo? Se existem restrições, qual a sua natureza? Elas provêm dos padrões de correção de uso da língua impostos pela comunidade? São arbitrárias? Refletem o funcionamento natural da mente humana, sendo, portanto, universais?.

- "os falantes não combinam os elementos do modo como querem, já que sua

restrições de combinação

desse tipo existem em todos os níveis gramaticais e se aplicam a todos os elementos linguísticos" > "os falantes não combinam unidades de qualquer modo. Eles seguem tendências de colocação que parecem estar associadas ao conhecimento geral que possuem de sua própria língua, que lhes permite formular e compreender frases em contextos específicos de comunicação".

língua apresenta restrições quanto a esse processo. [

]

-

usado para designar o funcionamento da própria língua, que é o objeto a ser descrito pelo cientista. Nesse sentido, 'gramática' diz respeito ao conjunto e à natureza dos elementos que compõem uma língua e às restrições que comandam sua união para formar unidades maiores nos contextos reais de uso"; b) por outro lado, o termo é utilizado para designar os estudos que buscam descrever a natureza desses elementos e suas restrições de combinação (modelos teóricos criados pelos cientistas a fim de explicar o funcionamento da língua).

dois sentidos os termo 'gramática' > a) "por um lado, esse vocábulo pode ser

> a) "por um lado, esse vocábulo pode ser - como modelo teórico para a abordagem

-

como modelo teórico para a abordagem e o ensino de nossa língua nas escolas, tem origem em uma tradição de estudos de base filosófica que se iniciou na Grécia Antiga. Os filósofos gregos se interessaram por estudar a linguagem, entre outros motivos, porque queriam entender alguns aspectos associados à relação entre a linguagem, o pensamento e a realidade".

> "a gramática tradicional, utilizada

gramática tradicional (gramática normativa)

- "o que melhor caracteriza, entretanto, essa tradição é a visão, inaugurada por Aristóteles, de que existe uma forte relação entre linguagem e lógica".

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FICHA NÚMERO 018

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- "Desenvolveu-se a partir daí a tendência de considerar a gramática um estudo

relacionado à disciplina filosófica da Lógica, que trata das leis formais de elaboração do raciocínio. Segundo essa visão, a linguagem é um reflexo da organização interna do pensamento humano; essa organização interna é universal,

já que, por ser inerente aos seres humanos, manifesta-se em todas as línguas do mundo".

- "Para Aristóteles, a lógica seria o instrumento que precede o exercício do

pensamento e da linguagem, oferecendo-lhes meios para realizar o conhecimento e

o discurso. Assim, a lógica aristotélica buscava descrever a forma pura e geral do

pensamento, não se preocupando com os conteúdos por ela veiculados".

- "para o pensamento aristotélico, o mundo em que vivemos possui existência

independente de nossa capacidade de expressá-lo. Ou seja, conhecemos o mundo exterior pelas impressões que provoca em nossos sentidos, e a linguagem seria, portanto, uma mera representação de um mundo já pronto - um instrumento para nomear ideias preexistentes [fundacionalismo ou realismo]".

13.4.4 "ao lado dessa preocupação de caráter filosófico, a gramática grega apresentava uma preocupação normativa, ou seja, assumia a incumbência de ditar padrões que refletissem o uso ideal da língua grega. Podemos ver a tendência normativa da gramática grega na atitude de impor o dialeto ático [dialeto de Atenas] como ideal".

"os princípios básicos da gramática grega foram adotados pelos romanos e

adaptados à língua latina" >

"os romanos dedicaram maior atenção ao aspecto

normativo, já que o crescimento de seu império tornava imprescindível uma

unificação linguística".

 

"na época medieval, o latim permaneceu como língua de erudição, adquirindo ainda mais prestígio por ser adotada pela Igreja. Assim, a atitude normativa permanece, mas dessa vez com o objetivo de conservar o latim puro como língua universal de cultura entre as novas línguas vernáculas".

"a partir do século XVI, quando se elaboraram as primeiras gramáticas das línguas vernáculas, as gramáticas latinas foram fonte de inspiração, já que o latim (por seu prestígio como língua de expressão culta) servia como modelo para as novas línguas - assim, quanto mais parecidas com o latim fossem as novas línguas, melhores elas seriam".

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FICHA NÚMERO 019

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"nos séculos XVII e XVIII, as reflexões sobre a natureza da linguagem, assim como as análises de sua estrutura, deram continuidade às propostas gregas. A chamada 'Gramática de Port Royal', publicada em 1660, retoma de forma vigorosa a visão aristotélica da linguagem como reflexo da razão e busca construir - tendo como base a lógica - um esquema universal de linguagem, que estaria subjacente a todas as línguas do mundo. Essa visão de base aristotélica perde força com o surgimento dos primeiros linguistas no século XIX, sendo apenas mais tarde retomada por Chomsky e pelos linguistas gerativistas" > GRAMÁTICA GERATIVA (1957).

13.4.5 reflexões sobre o poder explanatório da proposta teórica chamada 'gramática tradicional' > a) o caráter normativo da gramática tradicional implica reconhecer que "não há como negar que existe uma influência dos padrões de correção impostos pela gramática sobre as restrições de combinação de elementos

linguísticos. [

basicamente pelos ideais de correção não parece ser uma boa estratégia, já que

todas as línguas do mundo apresentam, em número extremamente elevado,

Isso significa que o uso da

língua não está regido, pelo menos em sua essência, pelos padrões de correção".

b) "ao contrário do que implica essa tradição, é um processo natural que toda língua

mude com o tempo e apresente, em um mesmo momento, variações com relação aos usos de seus elementos. Assim, qualquer atitude de valorizar uma variação em detrimento de outra implica critérios de natureza sociocultural, e não critérios linguísticos". c) "ao conceber a existência de formas gramaticais corretas, os gramáticos

construções alternativas aos padrões gramaticais. [

Entretanto, propor que as restrições de combinações se explicam

]

]

tradicionais abandonam determinadas formas consideradas erradas, mas que são efetivamente utilizadas pelos falantes na comunicação diária > isso implica uma

visão parcial da língua, sendo incapaz de explicar a natureza da linguagem em sua totalidade".

d) "no que diz respeito à outra característica da tradição gramatical, a que relaciona

a linguagem e lógica, [

fazem severas críticas, argumentando que essa perspectiva carece de uma abordagem empírica dos fatos ou que ela restringe seu foco aos aspectos formais da língua".

linguistas que trabalham em outras linhas de pesquisa

]

-

d.C. > estudo comparativo dos elementos gramaticais de línguas de origem comum, visando determinar as estruturas da língua originária, língua-fonte ou língua-mãe.

gramática histórico-comparativa > Alemanha: primeira metade do século XIX

língua-fonte ou língua-mãe. gramática histórico-comparativa > Alemanha: primeira metade do século XIX

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FICHA NÚMERO 020

MINISTRANTE: Prof. Dr. EUGÊNIO PAGOTTI

"a tradição gramatical grega e seu caráter normativo > a questão do ensino do grego (dialeto

ático) em caráter de padrão linguístico e de ideal de expressão > questões políticas: na Grécia, a gramática surgiu no período alexandrino, depois das conquistas de Alexandre Magno e da

mas o grande feito de Alexandre foi o de tornar a língua grega a

língua comum [

ocidental, [

Pensou-se então em regras práticas: um conjunto de

informações necessárias para que o falante de outra língua pudesse aprender rapidamente a língua grega. Essa é a origem da gramática normativa: ela dispensa o 'porquê'; quer ser prática, objetiva" (MURACHCO, Henrique. Língua grega: visão semântica, lógica, orgânica e funcional. São Paulo: Discurso / Vozes, 2001.).

formação de seu império [

];

]

de todo o Mediterrâneo, o que vale dizer, de todo o mundo antigo conhecido,

].

E a gramática do grego foi concebida para que estrangeiros, isto é, os não gregos,

aprendessem a língua de todos ("koiné").

- constatação > a) grande semelhança entre o sânscrito, o latim, o grego e diversas outras línguas europeias; b) alto grau de regularidade e sistematicidade das diferenças entre tais línguas, apontando para a existência de uma origem comum:

sâncrito

latim

grego

inglês

alemão

maatar

mâter

méter

mother

mutter

latim

francês

italiano

espanhol

português

caput

chef

capo

cabo

cabeça

carus

cher

caro

caro

caro

campus

champ

campo

campo

campo

caballus

cheval

cavallo

cabalo

cavalo

- "considera-se que essa tendência marca o início de uma nova ciência, a Linguística, já que pela primeira vez um grupo de cientistas se interessa por analisar as características inerentes às línguas naturais, sem interesses filosóficos ou normativos, mas observando critérios estritamente linguísticos".

chamou a

atenção para a necessidade de se estabelecerem estudos comparativos sobre as línguas, abandonando ideias preconcebidas acerca da essência da linguagem. Isso viria a dar o caráter empírico, e ao mesmo tempo, comparativo que marca as

pesquisas linguísticas do século XVIII".

13.5.3 Gottfried Wilhelm von Leibniz (início do século XVIII) > "[

]

gramática

histórico-comparativa

-

fundamentavam a tradição gramatical de base greco-aristotélica > século XVII em diante: surgimento da ciência moderna (Copérnico, Galileu, Newton) > métodos científicos de investigação > distanciamento em relação à abordagem apriorístico- filosófica > ênfase sobre a experimentação.

que

>

ruptura

com

os

princípios

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FICHA NÚMERO 021

MINISTRANTE: Prof. Dr. EUGÊNIO PAGOTTI

- contexto histórico da gramática histórico-comparativa > a) surgimento do

Romantismo alemão, em oposição à tradição greco-latina clássica, visando à busca

do passado e da origem dos povos (mitos de fundação); b) descoberta do sânscrito e suas semelhanças com línguas da Europa > inspiração para os estudos comparativos e as teorizações sobre o parentesco e a unidade do ramo linguístico indo-europeu; c) Darwin e as teorias sobre a origem das espécies e a seleção natural (que explicariam as mudanças nas línguas, assim como seu desaparecimento).

- "os linguistas Franz Bopp e Jacob Grimm lançaram as bases que nortearam a

comparação sistemática das línguas. Bopp é considerado o fundador da gramática comparativa do indo-europeu. Seu trabalho, publicado em 1816, apresenta um estudo comparativo dos verbos do sânscrito, grego, latim, persa e das línguas germânicas, observou essencialmente aspectos morfológicos e desenvolveu uma comparação metódica entre as principais famílias indo-europeias, abrindo espaço para a concepção histórica de gramática característica dessas época" > "Grimm, por sua vez, além de interpretar as correspondências fonéticas como o resultado de transformações históricas, enumerou algumas regularidades associadas a essas correspondências, que constituíram o que ficou conhecido como a 'lei de Grimm'".

- "essa lei registra um processo histórico que consiste em uma mutação ocorrida

nas consoantes oclusivas em um ponto de evolução das línguas germânicas, nas quais as oclusivas surdas tornaram-se aspiradas, e as sonoras tornaram-se surdas. Essa é uma diferença básica existente entre o grupo germânico frente a outras línguas indo-europeias".

CORRESPONDÊNCIAS FONÉTICAS REGULARES PREVISTAS POR GRIMM

"as línguas germânicas apresentam um fonema fricativo labiodental surdo /f/ no lugar em que o grego e o latim apresentavam um fonema oclusivo bilabial surdo /p/"

pāter (latim)

patēr (grego)

father (inglês)

Vater (alemão)

pēs (latim)

podos (grego)

foot (inglês)

Fuß

"as línguas germânicas apresentam um fonema fricativo glotal surdo /h/ no lugar em que o grego e o latim apresentam um fonema oclusivo velar surdo /k/"

canis (latim)

kyon (grego)

hound (inglês)

Hund (alemão)

cor (latim)

kardia (grego)

heart (inglês)

Herz (alemão)

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FICHA NÚMERO 022

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- "com base nesses métodos de comparação, os linguistas do século XIX

propuseram a hipótese da existência de um parentesco entre essas e uma série de

outras línguas, sendo todas provenientes de uma língua pré-histórica chamada indo-europeu primitivo".

- "com o desenvolvimento dos estudos comparatistas, August Schleicher enriquece

as propostas iniciais de Bopp e Grimm e aplica à Linguística as idéias darwinianas

sobre a origem das espécies e a seleção natural (as línguas transformar-se-iam segundo um ciclo natural de nascimento, crescimento, envelhecimento e morte)".

- "essa concepção de que as línguas mudam em direção a uma espécie de

envelhecimento ou deterioração foi combatida por uma segunda geração de comparatistas - os chamados 'neogramáticos' -, que propuseram uma visão de mudança uniforme, ou seja, circular, constante e não degenerativa".

- "últimas décadas do século XIX > os neogramáticos, influenciados pelo

positivismo de Auguste Comte, aproximaram o método de pesquisa em Linguística dos métodos aplicados pelas ciências naturais > diferentemente dos comparatistas anteriores, apresentaram as leis fonéticas como processos que teoricamente não admitem exceções.

- na prática, as exceções são explicadas, em primeiro lugar, por processos

analógicos (analogia ["processo segundo o qual a mente humana, estabelecendo semelhanças entre formas originalmente distintas, interfere nos movimentos naturais dos sons, atrapalhando a atuação das leis fonéticas". Exemplo: stella > estela ~ estrela < astro < astrum < aster] vista como um componente universal - um ingrediente cultural - que explica a mudança linguística).

campāna (latim = espécie de balança romana) > campãa > campã > [analogia = campo] > cãmpa > campa (português = sino)

- na prática, as exceções são explicadas, em segundo lugar, por processos de empréstimos lexicais (ver conceitos de 'adstratos', 'substratos' e 'superstratos') > influência de uma língua sobre outra, ou de um falar sobre outro dentro de uma mesma comunidade linguística.

- um exemplo de empréstimo pode ser visto no francês, em que além da palavra

"chef", decorrente do latim "caput", de acordo com a aplicação das leis fonéticas, encontramos a palavra "cap" (como na expressão 'de pied em cap' [dos pés à

cabeça]).

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FICHA NÚMERO 023

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- (cont.) a palavra "cap" viola as leis sonoras que seriam esperadas para a formação de palavras no francês: a expectativa era a transformação da oclusiva /k/ em //. Ocorre que a forma "cap" foi tomada de empréstimo pelo francês ao provençal, ao qual não se aplicavam as leis sonoras em questão.

- considerações sobre o movimento neogramático >

a) proposta metodológica dominante na segunda metade do século XIX

b) características > 1. apresentar as leis fonéticas agindo conforme uma necessidade mecânica, independentemente da vontade individual; 2. mostrar que as mudanças ocorrem em nível individual (o indivíduo, utilizando a língua, concretiza as tendências mecânicas ou as evita, por meio de processos analógicos); 3. entender que as mudanças linguísticas provêm de hábitos linguísticos individuais; 4. focalizar o estudo dos dados oriundos da língua escrita e, também, da língua falada (variações dialetais).

- gramática histórico-comparativa: méritos >

a) desenvolver métodos empíricos de comparação entre os diversos estágios das

línguas.

b) desenvolver conceitos básicos sobre o funcionamento da linguagem, sendo

alguns deles ainda hoje adotados.

c) romper com a tradição lógico-aristotélica, dominante até o século XVIII.

d) ressaltar o caráter mutável das línguas, destacando o ceticismo em relação ao

caráter universalista das bases lógicas propostas pelas gramáticas de inspiração greco-romana.

e) substituir a abordagem linguística filosófica por uma abordagem histórico-

comparativa.

f) implantar uma abordagem de caráter social, segundo a qual a arbitrariedade e as diferenças culturais passam a ser importantes, em lugar da visão lógico- universalista.

- Wilhelm von Humboldt e a tese do relativismo linguístico (cada língua refletiria sua própria história, não obedecendo a propriedades universais, a não ser em âmbitos muito gerais).

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FICHA NÚMERO 024

MINISTRANTE: Prof. Dr. EUGÊNIO PAGOTTI

- a importância da arbitrariedade e das diferenças culturais > foco sobre a grande diversidade de estruturas linguísticas e sobre a influência que tais estruturas exercem em relação à organização do pensamento e à percepção do mundo concebido.

- gramática histórico-comparativa: limitações >

a) restringir a visão a uma abordagem histórica do funcionamento gramatical,

justificando-o como fruto de mudanças linguísticas regulares (ênfase exagerada

sobre o viés diacrônico em detrimento do viés sincrônico).

b) não chegar a elaborar uma teoria global consistente sobre a estrutura de

funcionamento das línguas naturais, especialmente sob o ponto de vista sincrônico.

c) não explicitar sistematicamente como os contextos de interação interferem nos

usos individuais, reduzindo-se a mencionar os processos de analogia e de

empréstimo.

d) analisar as línguas em nível de elementos isolados e suas transformações, sem

observar o papel desses elementos dentro dos sistemas linguísticos a que pertenciam (abordagem atomista que obliterou a percepção dos valores que os diversos elementos podem vir a assumir na língua em uso, sincronicamente

considerada como um sistema).

-

gramática estrutural > "a tendência de analisar as línguas [análise intrínseca dos

códigos], conhecida como 'gramática estrutural' ou 'estruturalismo', desenvolveu-se na primeira metade do século XX, sob a influência das ideias de Ferdinand de

Saussure [

Essas ideias revolucionaram os estudos da época, dando às

pesquisas em Linguística, sobretudo na Europa, uma nova direção, distinta da que

caracterizava a gramática histórico-comparativa".

]

- gramática estrutural > "tendência de descrever a estrutura gramatical das línguas, vendo-as como um sistema autônomo, cujas partes se organizam em uma rede de relações de acordo com leis internas, ou seja, inerentes ao próprio sistema. [ ] para compreender bem essa definição, é interessante lembrar a distinção entre langue e parole".

- "Saussure propunha que a langue constitui um sistema linguístico de base social, que é utilizado como meio de comunicação pelos membros de uma determinada

comunidade. [

compartilhada e produzida socialmente".

para Saussure, a langue constitui um fenômeno coletivo, sendo

]

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FICHA NÚMERO 025

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- "isso significa que a língua é exterior ao indivíduo, sendo interiorizada coercitivamente por eles" > conceito de 'parole' > uso individual do sistema (langue) > "os falantes, ao se comunicarem, adaptam as restrições presentes no sistema de sua língua não apenas aos diferentes contextos de comunicação, mas às suas preferências pessoais".

- dicotomia langue versus parole > fatos relevantes = "Saussure, ao caracterizar o

conceito de langue, empregou o termo 'sistema' para demonstrar que os elementos de uma língua não estão isolados, mas formam um conjunto solidário" > impossibilidade de analisar os elementos linguísticos isolados do sistema que eles compõem > primazia do todo sobre as partes.

- proposta básica para toda a linguística estrutural > ideia de que a língua é um

sistema > objetivo: análise dessa estrutura, ou seja, do modo como esse sistema se organiza (origem das denominações 'gramática estrutural' e 'estruturalismo').

- aspectos ligados à concepção saussuriana de 'sistema':

a) existência de um conjunto de elementos.

b) cada elemento só tem valor em relação a outros, organizando-se solidariamente

em um todo que tem prioridade sobre as partes componentes.

c) existência de um conjunto de regras que comanda a combinação dos elementos

para formar unidades maiores.

- o aspecto apresentado pelo item "b" acima melhor representou a novidade da

proposta saussuriana e serviu ao desenvolvimento posterior dessa visão teórica > a

tendência comparatista de trabalhar com unidades isoladas é abandonada em favor de uma metodologia em que a relação entre os elementos dentro do sistema passa a ser essencial para a compreensão da estrutura das línguas.

- "o segundo fato a ser destacado em relação à dicotomia entre langue e parole é a

atitude assumida por Saussure de propor a langue como objeto de estudo da Linguística, retirando a parole do campo de interesse dessa ciência" > "para ele, os atos comunicativos individuais são assistemáticos e ilimitados, e uma ciência só

pode estudar aquilo que é recorrente e sistemático" > "no caos da linguagem, a sistematicidade e a recorrência estão na langue, que se mantém subjacente aos atos individuais".

- "isso significa que, na concepção saussuriana, o estudo linguístico deve deixar de lado os aspectos interativos associados ao ato concreto de comunicação entre os indivíduos, restringindo-se a observar o conhecimento compartilhado que os interlocutores possuem e sem o qual a comunicação entre eles seria impossível:

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FICHA NÚMERO 026

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- "análise do sistema linguístico" > "a questão é saber qual a natureza dos elementos formadores do sistema e como eles se agrupam para lhe dar uma estrutura peculiar".

] podemos

dizer que a análise estrutural das línguas busca constatar que elementos constituem o sistema daquela língua, assim como observar como eles se organizam dentro desse sistema e como eles se unem para formar unidades maiores. Como esses dados se concretizam de modo diferente em línguas diferentes, a gramática estrutural via nesse processo uma natureza convencional e se limitava a descrever as diferentes línguas".

- "voltando aos três aspectos básicos associados à noção de 'sistema' [

- "agora podemos compreender melhor a definição de 'gramática estrutural' [ ]

como uma tendência de descrever a estrutura gramatical das línguas, vendo-as como sistemas autônomos cujas partes se organizam em uma rede de relações internas. A retirada da parole restringiu as análises aos fatores de natureza estrutural, que se resumem aos elementos que compõem uma determinada língua, o modo como eles se estruturam internamente e as restrições que caracterizam sua combinação para formar unidades maiores. Como esses fatores diferem de língua para língua, a tendência estruturalista é descrever o que ocorre em cada sistema linguístico".

- relações entre o estruturalismo e a corrente filosófica conhecida pelo termo "empirismo" > postulados.

- o empirismo condiciona o conhecimento à experiência > a mente seria uma tabula rasa em que se grava a experiência > as ideias que constituem nossa estrutura cognitiva são representações mentais das impressões que captamos do mundo com nossas sensações > o comportamento humano, de um modo geral, é uma consequência do contato com o mundo e das experiências que emergem desse contato.

- é importante destacar que Saussure negava a existência de uma estrutura inata

de pensamento adjacente às línguas > para ele, o homem possui a capacidade da linguagem, mas a estrutura da linguagem é arbitrária e cultural, e é ela que dita o

pensamento, e não o contrário.

- de acordo com Saussure, o homem seria incapaz de pensar sem o auxílio dos

signos. Podemos ver um interessante exemplo da concepção empirista na linguística na proposta conhecida como "hipótese de Sapir-Whorf" ou "hipótese da relatividade linguística".

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FICHA NÚMERO 027

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- Edward Sapir [18841939] & Benjamim Lee Whorf [18971941] > influenciados

pelas ideias de Herder e Humboldt, propuseram a hipótese de que cada língua

possui uma maneira peculiar de interpretar a realidade, ressaltando que a linguagem é fundamental para a organização de nosso pensamento e da concepção que temos do mundo que nos cerca.

- segundo essa visão, o mundo tal como o concebemos reflete hábitos de linguagem construídos culturalmente por um determinado grupo social > os humanos interpretam a realidade criando diferentes categorias porque elas são parte de um acordo para interpretá-la e organizá-la dessa maneira.

- essa concepção nega a existência de um mundo real já pronto de uma linguagem que apenas criaria símbolos verbais para expressá-lo, como queria a tradição grega.

- a hipótese de Sapir-Whorf propõe então que o mundo em que vivemos é um

ambiente criado socialmente pelos humanos através da linguagem e que as línguas naturais, mais do que um conjunto de símbolos para expressar ideias já existentes na mente dos indivíduos, funcionam como um guia para a atividade mental.

- segundo a hipótese, o vocabulário das línguas indica bem esse processo > os

esquimós apresentam várias palavras para indicar diferentes tipos de neve, enquanto o português, por exemplo, apresenta apenas uma > há línguas africanas que possuem apenas uma palavra para designar as cores 'verde' e 'azul' > isso significa que os esquimós, através de sua língua, habituaram-se a ver na realidade diferentes tipos de neve. Por outro lado, os falantes dessas línguas africanas entendem que aquilo que nós, falantes do português, identificamos como cores diferentes, não passa de tonalidades da mesma cor (como o 'azul claro' e o 'azul escuro' para nós).

- críticas à abordagem estrutural > as limitações dessa proposta teórica estão

associadas sobretudo aos seus métodos de base empirista, os quais descreviam bem as diferentes línguas, mas tinham dificuldade em explicar a existência de universais linguísticos (passo importante dado pela proposta teórica conhecida como "gramática gerativa") > além disso, ao colocar de lado a parole, Saussure isolou a linguagem em relação aos indivíduos que a utilizam, dando-lhe vida independente. Com isso, o estruturalismo promove a exclusão do sujeito e de sua criatividade para adaptar sua fala aos diferentes contextos, retirando do âmbito dos estudos linguísticos os fenômenos sociointerativos, que, pelo menos para alguns linguistas modernos, mostram-se fundamentais para a compreensão da natureza da linguagem.

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FICHA NÚMERO 028

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-- FICHA NÚMERO 028 MINISTRANTE: Prof. Dr. EUGÊNIO PAGOTTI gramática gerativa > com o livro "Estruturas

gramática gerativa > com o livro "Estruturas sintáticas" (1957), Noam Chomsky

-

faz uma crítica profunda ao behaviorismo (abordagem mecanicista do empirismo).

'behaviorismo' = [psicologia] teoria e método de investigação psicológica que procura examinar do modo mais objetivo o comportamento humano e dos animais, com ênfase nos fatos objetivos (estímulos e reações), sem fazer recurso à introspecção; [linguística] doutrina apoiada na psicologia behaviorista e proposta inicialmente por L. Bloomfield (1887-1949) e depois por B.F. Skinner (1904-1990), que busca explicar os fenômenos da comunicação linguística e da significação na língua em termos de estímulos observáveis e respostas produzidas pelos falantes em situações específicas

'empirismo' = [filosofia] doutrina segundo a qual todo conhecimento provém unicamente da experiência, limitando-se ao que pode ser captado do mundo externo, pelos sentidos, ou do mundo subjetivo, pela introspecção, sendo geralmente descartadas as verdades reveladas e transcendentes do misticismo, ou apriorísticas e inatas do racionalismo

- destaque para o componente criativo da linguagem humana > papel fundamental atribuído a determinados processos mentais inerentes à espécie humana (faculdade da linguagem).

- natureza da linguagem relacionada à estrutura biológica humana > objetivo da teoria linguística: explicar o funcionamento de um órgão mental particular, responsável pela operacionalidade da linguagem humana.

- o papel do estímulo externo fica restrito à função de ativar o funcionamento

desse órgão mental particular, o que se dá através da experiência do indivíduo em constante contato com a língua da comunidade em que nasceu.

- a experiência (fenômeno externo) estimula a faculdade da linguagem - capacidade esta já inscrita na estrutura biológica humana - a organizar uma "gramática" que, de acordo com certos parâmetros básicos, produz enunciados com determinadas características estruturais (formais) e semânticas.

- "a gramática gerativa analisa a estrutura gramatical das línguas, vendo-a como o

reflexo de um modelo formal de linguagem preexistente às línguas naturais e faz desse modelo o próprio objeto de estudo da Linguística" > "a linguagem passa a ser vista como reflexo de um conjunto de princípios inatos (e, portanto, universais)

referentes à estrutura gramatical das línguas" > "as línguas naturais, [

sejam bastante diferentes em sua aparência, apresentam muitas semelhanças em sua essência, já que refletem os mesmos princípios inatos que regem o funcionamento gramatical das línguas".

embora

]

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FICHA NÚMERO 029

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- princípios teóricos básicos da gramática gerativa > dois princípios básicos. 1. princípio do inatismo >

'inatismo' = [filosofia] doutrina que afirma o caráter inato das ideias no homem, sustentando que independem daquilo que ele experimentou e percebeu após o seu nascimento; [linguística] na teoria gerativa, hipótese segundo a qual a estrutura da linguagem estaria inscrita no código genético da natureza humana e seria ativada pelo meio [contexto] após o nascimento do homem

- existência de uma estrutura inata > conjunto de princípios gerais que se

manifestam como parâmetros universais e que impõem limites à variação entre as

línguas > conceito de 'gramática universal' (GU).

GRAMÁTICA UNIVERSAL > conjunto de princípios gerais inatos

dados linguísticos empíricos

línguas naturais > português, inglês, frances, etc.

- "de acordo com esse esquema, a GU transmite princípios gramaticais básicos

Isso significa não apenas que essas línguas

exibem um conjunto de fatores em comum, mas também que elas apresentam diferenças que estão previstas dentro do leque de opções disponíveis na própria GU e que são ativadas conforme a experiência linguística do sujeito em contato com sua língua ambiente".

para as diferentes línguas naturais [

].

2. princípio da modularidade da mente > postulado = a mente humana é 'modular' (formada por módulos ou partes que se caracterizam como sistemas cognitivos diferentes entre si e que operam separadamente) > a cada módulo corresponde à estrutura e desenvolvimento de uma atividade cognitiva > um módulo se relaciona, por exemplo, à nossa capacidade de armazenar informações na memória; outro é responsável pelo coordenação motora; outro, pela faculdade da linguagem, e assim por diante > cada módulo opera autonomamente e apenas tem acesso ao resultado final do trabalho dos outros módulos.

- tese 'localista' > postulado = as atividades mentais (dentre elas a linguagem)

localizam-se em partes específicas do cérebro (tese que se opõe à tese 'conexionista', que considera o cérebro como um processador geral não modular).

- "esse raciocínio se estende para os diversos níveis, ou componentes, da

gramática, que devem ser analisados como módulos autônomos, independentes entre si" > "ou seja, o funcionamento do módulo relativo à sintaxe independe das operações relacionadas à fonologia, por exemplo".

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FICHA NÚMERO 030

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- "é interessante registrar que Chomsky introduz nos estudos linguísticos a noção de 'cognição', acentuando a importância da natureza da mente humana e dos princípios gerais inatos que a caracterizam para a compreensão do fenômeno da linguagem.

- "a noção gerativista de 'cognição' está associada à especificidade biológica da linguagem humana, isto é, ela propõe que a linguagem é regulada por fatores associados ao desenvolvimento de uma capacidade inerente à nossa estrutura genética e que se dissocia de outras capacidades mentais referentes ao processamento de informações ou à inteligência de um modo geral".

- distinção entre 'competência' e 'desempenho' >

competência

desempenho

capacidade, em parte inata e em parte adquirida, que o falante possui de formular e compreender frases em uma língua natural

utilização concreta da competência

- "apenas na competência se encontra o 'módulo da linguagem', já que no

desempenho (o único que é observável diretamente) podemos notar vários módulos em interação, como 'linguagem', 'memória', 'emoção', 'concentração', entre outros".

- Chomsky e a noção idealizada de 'competência' > conceito de |falante ideal| > |aquele que é capaz de utilizar de modo regular seu conhecimento linguístico, independentemente das diferentes situações gerais de comunicação|.

- aproximação entre Chomsky e Saussure > o objeto de estudo da linguística

deve ser a competência, e não o desempenho > isso significa que, mais uma vez, o sujeito, como usuário real da língua (e suas habilidades sociointerativas) ficam de

fora dos estudos linguísticos.

- aproximação entre o movimento gerativista e a corrente filosófica do 'racionalismo' > três características básicas:

1. a razão é fonte de conhecimento: existem ideias inatas > "os racionalistas

baseiam o conhecimento na razão, e não só na experiência, ou seja, acreditam na existência de uma estrutura mental inata, que caracteriza o conhecimento" > os gerativistas privilegiam em suas análises a busca de aspectos linguísticos universais, tendendo, portanto, a deixar de lado as questões sociais e interativas que caracterizam, de modo mais localizado, o uso concreto da língua nas situações

fica restrito à mera estimulação

reais de comunicação. O papel da experiência, [

do desenvolvimento dos princípios gramaticais para direções já previstas pela GU.

],

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FICHA NÚMERO 031

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'racionalismo' = modo de pensar que atribui valor somente à razão, ao pensamento lógico; [filosofia] qualquer doutrina que privilegia a razão como meio de conhecimento e explicação da realidade; [filosofia] conjunto de teorias filosóficas (eleatismo, platonismo, cartesianismo etc.) fundamentadas na suposição de que a investigação da verdade, conduzida pelo pensamento puro, ultrapassa em grande medida os dados imediatos oferecidos pelos sentidos e pela experiência; [filosofia] toda doutrina (o hegelianismo, por exemplo) que considera o intelecto humano capaz de atingir a plenitude da verdade objetiva, já que a realidade estaria organizada segundo leis, recorrências e subdivisões equivalentes e semelhantes à organização do pensamento cognitivo

2. o método dedutivo é empregado > os racionalistas, em suas análises, partem de

hipóteses estabelecidas e vão aos dados confirmar ou não essas hipóteses.

EXEMPLO DE RACIOCÍNIO DEDUTIVO

premissa um: a estrutura física do corpo humano é geneticamente determinada, e os sistemas motor e perceptivo são modulares

premissa dois: os órgãos mentais podem ser estudados nas mesmas bases em que se estudam os órgãos físicos e os sistemas motor e perceptivo

conclusão: as teses do inatismo e da modularidade, adotadas para o estudo da estrutura dos corpos, podem ser estendidas ao estudo dos órgãos mentais e da linguagem

3. o racionalismo apresenta um caráter explicativo e universalista > "o racionalismo

transcende o nível da pura descrição, formulando hipóteses teóricas a partir dos dados analisados de modo que se pode predizer dados novos e não apenas avaliar os já analisados" > "a noção de |Gramática Universal| dá aos gerativistas uma ferramenta teórica que o estruturalismo não possuía, fornecendo aos linguistas a possibilidade de observar o que há de universal nas línguas".

- comentários sobre a gramática gerativa > "essa escola linguística deixou para

trás uma concepção empirista de linguagem, que não conseguia dar conta da aquisição e do uso das línguas, demonstrando a existência de mecanismos inatos subjacentes a esses processos".

- "demonstrou que os humanos não decoram por estímulo externo as frases que

utilizam, ressaltando a criatividade humana para a linguagem - no sentido de que somos capazes de criar um número infinito de frases a partir de princípios básicos

finitos"

- o gerativismo significa, portanto, não apenas uma teoria capaz de descrever indutivamente um conjunto de dados observados, mas também uma teoria capaz de prever dedutivamente dados novos, ou seja, uma formulação não apenas descritiva, mas explicativa.

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FICHA NÚMERO 032

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- por outro lado, os gerativistas, destacando a competência em detrimento do

desempenho, mais uma vez deixam de lado aspectos de ordem sociointeracionista associados à linguagem > mantém-se a noção de |linguagem| como um sistema autônomo, indiferente aos interesses do sujeito que o utiliza e às características do ambiente social em que atua.

- essa noção de |linguagem|, associada à lógica universal, não leva em conta a

perspectiva de quem produz o discurso, ou sua criatividade ao adaptar sua fala aos diferentes contextos comunicativos, não dando conta adequadamente de traços

básicos, como variação e mudança.

-

cujos pontos em comum são:

a) observar o uso da língua, considerando-o fundamental para a compreensão do

funcionamento da linguagem.

b) observar não apenas a frase / as orações, mas, sobretudo, o texto e o diálogo.

c) assumir uma visão dinâmica das línguas, ou seja, focalizar a criatividade do

falante para adaptar as estruturas linguísticas aos diferentes contextos de comunicação. d) considerar que a linguagem reflete um conjunto complexo de atividades comunicativas, sociais e cognitivas, integradas à psicologia humana; ou seja, sua estrutura é consequência de processos gerais de pensamento que os indivíduos elaboram ao criarem significados em situações de interação com outros indivíduos.

gramática cognitivo-funcional > conjunto de propostas teórico-metodológicas

> conjunto de propostas teórico-metodológicas - podemos afirmar que a gramática cognitivo-funcional

- podemos afirmar que a gramática cognitivo-funcional alarga o escopo dos estudos linguísticos para além dos fenômenos estruturais e que, portanto, seu ponto de

vista é distinto >

esse tipo de gramática analisa a estrutura gramatical, assim como

as gramáticas estrutural e gerativa, mas também analisa a situação de comunicação inteira: o propósito do evento de fala, seus participantes e seu

contexto discursivo.

 

- segundo essa concepção, portanto,

gramatical,

a situação comunicativa motiva a estrutura

o que significa que uma abordagem estrutural ou formal não é apenas

limitada a dados artificiais, mas inadequada como análise estrutural.

- em outras palavras, no uso da língua, determinados aspectos de cunho comunicativo e cognitivo são atualizados e, se queremos compreender o funcionamento da linguagem humana, temos de levar em conta esses aspectos.

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FICHA NÚMERO 033

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- segundo essa concepção de gramática, não se pode analisar a competência como

algo distinto do desempenho, ou, nos termos funcionalistas, a gramática não pode

ser vista como independente do uso concreto da língua, ou seja, do discurso.

- quando falamos, valemo-nos de uma gramática, ou seja, de um conjunto de

procedimentos necessários para, através da utilização de elementos linguísticos, produzirmos significados em situações reais de comunicação. Mas, ao adaptarmos esses procedimentos aos diferentes contextos de comunicação, podemos remodelar essa gramática, que, na prática, seria o resultado de um conjunto de princípios dinâmicos que se associam a rotinas cognitivas e interativas moldadas, mantidas e/ou modificadas pelo uso.

- temos entre o 'discurso' e a 'gramática' uma espécie de relação de simbiose: o

discurso precisa dos padrões da gramática para se processar, mas a gramática se alimenta do discurso, renovando-se para se adaptar às novas situações de

interação.

- essa é uma visão dinâmica da gramática, que prevê a atuação de mecanismos

expressivos associados à subjetividade dos falantes, que recriam padrões gramaticais a fim de conferir força informativa ao discurso. Da ritualização - consequente da repetição desses novos padrões - emerge a gramática.

- esse mecanismo não é arbitrário, já que reflete dois tipos de habilidades

essencialmente humanas que regulam a atividade verbal, estando, portanto, de algum modo, relacionado à gramática das línguas:

a) o primeiro deles tem natureza sociointerativa e se relaciona com nossa habilidade de compartilhar informações com nossos semelhantes e de nos engajarmos em atividades compartilhadas, cuja compreensão é fundamental para o processo comunicativo > caso das 'inferências" e dos "atos de fala".

b) o segundo tipo de habilidade está relacionado a aspectos do funcionamento da nossa mente que interferem no modo como processamos as informações e, consequentemente, no discurso. Nossa capacidade de ver e interpretar o mundo, assim como nossa habilidade de transferir dados de determinados domínios da experiência para outros, manifesta-se na maneira como formamos nossas frases > caso dos 'dêiticos'.

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FICHA NÚMERO 034

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primeiro tipo de habilidade ("a") Contexto: um cliente retorna à loja de eletrodomésticos onde acabou de comprar uma televisão. Procura o vendedor e com ele produz o seguinte diálogo:

Cliente: - Esta televisão não está funcionando! Vendedor: - Não há problema, senhor. Vamos providenciar a troca do aparelho.

segundo tipo de habilidade ("b")

- O tempo fechou. Isso vai me fazer usar o guarda-chuva

- O tempo fechou, por isso usei o guarda-chuva

- o pronome "isso", que originalmente funciona como um dêitico, localizando os

objetos no espaço físico e tendo como referência a localização dos participantes do ato de comunicação, passa a se referir, no exemplo acima, a uma informação mencionada dentro do texto (o tempo fechou). O que temos aqui é uma extensão da dêixis espacial para a dêixis textual, procedimento altamente produtivo nas línguas naturais: a organização espacial/temporal do mundo físico é usada analogicamente para caracterizar o universo mais abstrato do texto.

- a partir desse valor anafórico, o vocábulo pronominal pode desenvolver função de conjunção ("isso" → "por isso") > esse é um processo altamente produtivo nas línguas, e os linguistas que trabalham com a perspectiva cognitivo-funcional associam-no a um fenômeno mais geral segundo o qual a experiência humana mais básica, que se estabelece a partir do corpo, fornece as bases de nossos sistemas conceptuais.

- isso caracteriza a perspectiva filosófica do chamado 'realismo corporificado' >

nosso primeiro contato com o mundo se dá através dos nossos sentidos corporais e, a partir daí, algumas extensões de sentido são estabelecidas > segundo esse ponto de vista, nossa estrutura corporal é extremamente importante, já que a percepção que temos do mundo é limitada por nossas características físicas > segundo essa concepção, a mente não pode ser separada do corpo: o pensamento é corporificado, no sentido de que sua estrutura e sua organização estão diretamente associadas à estrutura de nosso corpo, bem como às nossas restrições de percepção e de movimento no espaço.

- o realismo corporificado pode ser identificado por três características básicas:

a) abandono da dicotomia 'empirismo' versus 'realismo' > a corrente cognitivo- funcional propõe que as dicotomias tradicionais do tipo 'racionalismo' versus 'empi-

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FICHA NÚMERO 035

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["a"] (cont.) -rismo' ou 'inato' versus 'aprendido' devem ser repensadas, já que é difícil distinguir com exatidão o que é inato e o que é aprendido > o mesmo se dá para a dicotomia 'relativismo' versus 'fundacionismo'.

- a gramática cognitivo-funcional adota a concepção de que realmente existem

universais conceptuais, mas eles apenas motivam os conceitos humanos, não tendo a capacidade de prevê-los de modo determinante > esses universais conceptuais não delineiam de modo fechado e definitivo o pensamento humano, já que, por se concretizarem em situações reais de interação social, sua natureza

admite a influência de fatores socioculturais.

- o uso da linguagem implica restrições provenientes de nossa capacidade de

atenção, de percepção, de armazenamento de informações na memória, de simbolização, de transferência entre domínios da realidade, entre outras atividades que não são estritamente linguísticas, mas que são altamente conectadas ao processo comunicativo.

- trata-se de uma visão integradora do fenômeno da linguagem que propõe não

haver necessidade de distinguir entre conhecimento linguístico e conhecimento não

linguístico, ou seja, de adotar uma visão modular da mente humana > a linguística associa os conceitos humanos à época, à cultura e até mesmo a tendências individuais que se manifestam no uso da língua.

- aspectos de ordem cultural incidem sobre parâmetros biológicos, de modo que o comportamento humano somente poderia ser caracteriza por uma relação entre biologia e cultura.

b) incorporação do método abdutivo-analógico > segundo o pensamento cognitivo-funcionalista, as concepções estruturalista e gerativista têm adotado posições redutoras, mantendo-se entre dois extremos: a indução (típica do estruturalismo de Saussure) e a dedução (típica do gerativismo de Chomsky).

- um terceiro tipo de raciocínio é o "abdutivo-analógico", responsável por novas

hipóteses e novos insights teóricos > método abdutivo = consiste em uma espécie de intuição que se dá passo a passo até chegar à conclusão, ou seja, o método caracteriza-se pela busca da conclusão através da interpretação de sinais, de indícios e de signos > exemplos de tal método de trabalho: o trabalho dos detetives em contos policiais; o trabalho dos arqueólogos. > o método abdutivo-analógico é bastante característico da gramática cognitivo-funcional e pode ser visto como um mecanismo inerente aos processos de aquisição e uso da língua, assim como um tipo de procedimento científico utilizado com a finalidade de formular hipóteses.

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FICHA NÚMERO 036

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Ronaldo pisou na bola

- a frase acima pode assumir um sentido literal ou, então, um sentido metafórico > o

que conduz o usuário da língua a uma ou outra dessas possibilidades é a inferência que ele faz a partir dos dados contextuais de que ele dispõe no momento da comunicação.

- no uso da língua, o usuário trabalha com generalização de informações, tentando

estabelecer relações estáveis entre as estruturas linguísticas e os efeitos que as caracterizam nos diferentes contextos de uso > desse modo, o usuário pode inferir dentro dos valores possíveis da estrutura aquele que melhor se adapta ao contexto, ou, entre as estruturas possíveis a que, naquele contexto, vai causar o efeito desejado.

c) apresentação de um caráter explicativo e universalista > "Chomsky demonstrou definitivamente que o paradigma empirista não é capaz de explicar a aquisição e o uso das línguas. Assim, a gramática gerativista propõe o princípio do inatismo, buscando dar conta da existência, de um lado, dos universais linguísticos e, do outro, da facilidade que toda criança tem de aprender uma língua. Esse quadro teórico objetiva explicar dados novos, além de descrever os já observados".

- "a linguística cognitivo-funcional caracteriza-se por uma tendência semelhante.

Adota a ideia de que existem universais conceptuais, partindo para uma tendência explicativa, e não apenas descritiva do fenômeno da linguagem. O universalismo da proposta cognitivo-funcional, entretanto, é diferente do universalismo gerativista, porque sua procedência não está apenas na biologia, mas em uma relação

equilibrada entre biologia e cultura".

- "a tendência entre os cientistas que adotam a perspectiva cognitivo-funcional é

aceitar a existência de universais conceptuais; por outro lado, esses cientistas também aceitam o fato de que existem conceitos que diferem de língua para língua.

Em função disso, eles tendem a adotar uma terceira posição em relação ao problema, baseando-se na observação empírica dos fatos linguísticos".

o modo como compreendemos os fenômenos associados à gramática das

línguas mudou ao longo dos anos, desde a gramática grega até as escolas mais modernas da linguística - de uma concepção filosófica que relacionava, sem comprovações empíricas, a lógica do pensamento com a linguagem até o surgimento da linguística do século XIX, quando foram incorporados procedimentos científicos característicos da chamada 'ciência moderna', surgida no século XVII".

-

"[

]