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99 , Goiânia, v. 11, n. 1, p. 99-107, jan./jun. 2008.

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Marcos Antonio da Silva
*
O QUE É UMA
“BOA MONOGRAFIA”?
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obre a monografia muito foi, é e será dito/escrito/prescrito. Esta
produção acadêmica, em certa medida, integra parcela da moder-
na história do conhecimento, ao divulgar resultados de investigações de
várias ordens e, em particular, do ensino superior no mundo e no Brasil,
por se constituir em trabalho de conclusão de curso (TCC). Admito, no
entanto, que abordar a dimensão de “boa monografia” é algo que susci-
ta variadas expectativas sobre qual enfoque será dirigido. Por se apre-
sentar como o grande desafio a ser vivenciado e transposto até a de se
constituir em única chance para a iniciação científica de alunos/as, vári-
as são as possibilidades de enfocar este trabalho.
Mas vale enfatizar que tudo o que se tem publicado e divulgado
sobre o que é, para que serve e como produzir o texto monográfico não
esgota outras retomadas, devido a que sempre paira no ar as possíveis
aspirações de bem realizar esta empreitada, quase sempre pontuada de,
em maior ou menor dimensão, incômodos a quem tem, por força de sua
matriz curricular, a incumbência de planejar, coletar dados, selecionar,
organizar as informações, escrever e apresentar os resultados em ses-
são pública. Não é incomum existir contradições entre os autores sobre
como conduzir esta elaboração, mas todos acordam que sempre promo-
ve a abordagem de um tema em profundidade.
Por atuar como orientador de monografia e desse modo lidar com
problemas de variadas ordens: das metodológicas às posturas do/a aluno/
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a autor/a e de como o/a professor/a orientador/a é captado/a no processo
(se cuidador/a ou o pior dos pesadelos). A abordagem aqui pretendida
dirige-se a algumas questões normalmente observadas neste processo e
que pretendo – se não responder – pontuar em direção a sendas que
proporcionem iniciais reflexões e procedimentos para os/as alunos/as e
professores/as que lidam com esta expressão de conhecimento.
O QUE FAZ A MONOGRAFIA SER TÃO IMPORTANTE?
Sem dúvida as exigências que se impõe à elaboração deste trabalho
e que incluem, além daquele/a que a produz, uma parcela significativa de
avaliação da qualidade do curso que a inclui como produção obrigatória.
Constitui produção intelectual ímpar e denota se ocorreu ou não o aprendi-
zado desejável para quem a elabora. Mas, destaco o medo de realizá-la
como um dos fatores mais significativos para elevá-la à condição de maior
desafio a ser transposto para finalmente receber o título de graduado.
A esta questão relacionada, o trote em off não sujeitado à puni-
ção dos/as alunos/as mais adiantados/ e que geralmente estão a vivenciar
esta experiência ao repassar aos calouros, tal qual uma lenda urbana
permeada de terror, um enigma, a ser desvendado e proposto por
górgonas a determinar uma parcela de incômodos à vida e, não por
acaso no imaginário, travestidas de professores/as a empunhar doloro-
sos meandros metodológicos. Desde então, um desenho terrível é traça-
do, próximo de apocalipses, algo de Dante, de surrealismos e de
inomináveis sofrimentos, cujo destino aguarda a todos aqueles/as que
chegarem aos últimos períodos do curso. E somente alguns sobrevive-
rão sem profundas marcas pela vida afora...
Fosse somente prevalecer esta condição valeria à pena desistir
antes que este mal viesse purgar pecados e promover febres mal sãs,
uma assinalada tortura medieval a atormentar piedosos cristãos. Mas,
há de se convir que a elaboração de um trabalho estruturado, de modo
geral, sempre exige redobrados esforços, se almejar-se um bem sucedi-
do texto. Deste modo, as tortuosidades, e caminhos de pedras assinala-
dos são os prováveis limites a espreitar o aluno/a-autor/a. E, na realidade,
o que oferece essa aventura? Alternativas de facilidades a ser ofereci-
das? Grandes turbulências? De fato, pode ser que não ocorra problema
algum, devido a existir normas e procedimentos que facilitam a elabora-
ção deste documento, mas, por outro lado, o processo pode se apresen-
tar como muito, muito complexo.
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Na direção do que pode ser uma má experiência, muitos são os
fatores que podem contribuir para que essa condição prevaleça: para
aquele/a aluno/a que viveu a graduação somente para cumprir com os
requisitos mínimos exigidos, sem nenhum interesse que não fosse con-
cluir o curso; para quem nunca se comprometeu a vivenciar a necessá-
ria desconstrução e, assim, deixar de ser aluno/a e se transformar em
estudante; para aqueles/as que se negam a aprender e, quase sempre,
recorreram à cópia para elaborar suas atividades; e outras tantas ques-
tões a estas correlatas.
Por hora, o desafio que me compete é apresentar a tese de uma
“boa monografia”. E minha hipótese primordial é que a “boa monografia”
tem estreita relação com o tipo de compromisso que se pretende assu-
mir para a sua elaboração, quer por parte do/a aluno/a-autor/a, quer
pelo/a professor/a-orientador/a. Neste caso, se por um lado existem
pessoas que se esforçam para cumprir com as exigências decorrentes
da formação, por outro é visível que significativa parcela não desenvol-
ve o interesse para que se atinja uma relação de ensino-aprendizagem
de boa qualidade. As exceções ficam por conta daqueles/as que por
participarem de uma formação diferenciada (iniciação científica,
monitoria, estágios e outras experiências acadêmicas) detêm os instru-
mentos/capacitação para um tranqüilo e bom desempenho.
De toda forma há variados perfis de fazedores/as de monografias
e seus correspondentes orientadores/as e, no decorrer do processo,
vivenciam-se histórias de todas as ordens, mesmo porque a vida de to-
dos os envolvidos prossegue com seus acontecimentos permeados de
fatos a ditar bons e maus momentos e, que o advento da monografia não
interferiria, não fosse o grau de relevância a ela atribuída. Como é pra-
ticamente impossível tecer todos os possíveis perfis, destaco os dois
casos mais recorrentes no âmbito de minhas experiências e que ilustram
o campo das dificuldades/aspirações para o sucesso.
No primeiro caso, há aquele/a que se esforça e dentro do possível
elabora o seu trabalho e ao enfrentar as dificuldades cumpre as exigên-
cias, porque se mostra pleno/a de vontade em ter um bom desempenho,
por outro lado, mesmo com interesse ocorre o/a que se arvora em inca-
paz de ser bem sucedido. E recorro a algumas observações de Maria
Ester de Freitas, em seu livro Viva a Tese, no qual ela apresenta a singu-
lar obviedade sobre o/a aluno/a se constituir em seu maior inimigo, por-
que em vias de escrever o seu trabalho, se propõe infindáveis adiamentos,
sempre a recorrer a lamentações sobre esta ou aquela dificuldade que,
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naturalmente, se apresenta. Em alguns casos, a conveniente postura de
vítima e se dizer sem tempo algum para viver porque tem que desenvol-
ver pesquisa, o frêmito das intermináveis leituras e das cobranças aos
resultados esperados. Situações que se estendem por dias e noites, nas
manifestas inquietações do sono, transformadas pequenos dramas.
No segundo, as expectativas do/a professor/a, que espera a cada
orientação encontrar o/a “aluno/a dos sonhos”, que seja receptivo/a as
instruções, sem trauma algum relacionado à elaboração do trabalho aca-
dêmico, haja vista que possui o passaporte da elaboração bem sucedida:
um plano de trabalho já esboçado, em que se delineia um pesquisador
iniciante apto e afeito às nuanças da Metodologia Científica, um/a leitor/
a contumaz, capaz de elaborar sínteses e organizar as idéias, quer nos
aspectos práticos de sua vivência, quer na dimensão teórica. Mas, fren-
te às vicissitudes em que se revela o/a “aluno/a real”, passa a entoar um
“rosário de lágrimas”, propício ao desempenho de um papel que o/a
remete a ser mais do que um/a orientador/a: no mínimo, um co-autor e,
no máximo, o/a atormentador/a-mor e arauto dos possíveis desastres (a
personagem dos pesadelos), durante e ao final do trabalho.
Que mistérios cercam para diante esta modalidade de trabalho
acadêmico, cuja característica principal consiste na exigência de dedi-
cação diuturna em sua elaboração? A exigir afastamentos de algumas
atividades sociais e familiares, sob o risco de se assim não proceder
ocasionar sérios comprometimentos na qualidade mínima desejável para
a elaboração desse trabalho. Quais fatores determinam que o organis-
mo reaja a quadros que vão de um mal-estar passageiro, a acentuado
estresse e situações que, por vezes, muito se aproxima de crises exis-
tenciais, ou manifestações físicas próximas de graves conseqüências?
A exigir desde claras afirmações de razoáveis convicções, até ocasio-
nar o desvario a misturar “alhos e bugalhos”, e nem perceber que o
documento final pode expressar tudo isso.
Como explicar a exigência de uma humildade, reconhecida até
mesmo por intelectuais que cultuam vaidades extremadas ao lidar com
a produção do conhecimento? Decerto, não é em vão que se apresen-
tam depoimentos e registros que mais se assemelham a cumprir a via
cruces, rumo ao calvário, com direito a estigmas a denunciar estados de
sofrimento, devidamente evitáveis, e menos rumo a uma experiência
prazerosa, caso fosse possibilitada novas posturas em torno de seu sig-
nificado. O que ocorre, de forma mais comum, é que a monografia en-
contra-se elevada a um grau de representatividade que em muito
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ultrapassa o que ela realmente se presta a ser, uma produção acadêmi-
ca, e como tal pode ser mais/menos incômoda a depender de sua
assumência e tomada de responsabilidade, por aquele/a que a elabora e,
naturalmente, por aquele/a que a orienta.
AFINAL, O QUE É E POR QUE A MONOGRAFIA?
Como já afirmado, a produção deste trabalho se confunde com a
moderna história da universidade. Há um dado que somente em 1855 foi
publicada a primeira monografia, de autoria de Le Play, consagrado como
o criador desta modalidade, intitulada Les Ouvriers Européens, um estu-
do econômico sobre operários. Mas, isto não elimina a possibilidade de
existirem outras tantas produzidas anteriormente porque, em certa me-
dida e em determinados períodos e espaços, os relatos sobre estudos
específicos, em essência são monográficos. Sobre esta questão, existe
a menção de uma monografia publicada por Peter Wilhelm Lund, sobre
crustáceos, em 1824.
Constitui domínio público que este trabalho consiste em abordar um
tema em profundidade, o que implica em ser especificado e, em alguns
casos, devidamente delimitado. Ou seja, impossível pensar em escrever
uma monografia cuja temática se apresente como a Educação em Ques-
tão. Porque, pela amplitude pretendida nunca seria possível escrever algo
que, pelas limitações, trata-se de um assunto, e que no máximo resultaria
em um tratado de generalidades. Ao contrário, ao supor que o enfoque
seria “Problemas Identificados na Alfabetização de Crianças de Seis a
Oito Anos e Relacionados às Teorias que Enfocam Carências Alimenta-
res como Fatores de Aprendizagem, na Escola Municipal Muiraquitã
(Goiânia, Goiás), em 2008”, neste caso, atende-se plenamente ao que
recomenda como um tema possível de ser desenvolvido.
Neste sentido, a monografia não se constitui em tratado, manual
ou qualquer modalidade similar, mas o recorte que possibilita a explica-
ção de um aspecto da realidade e diferente disso seria praticamente
impossível cumprir com a sua finalidade. O detalhe é que se reveste de
exigências que, grosso modo, vão além do que se contemplou no pro-
cesso de formação, e aqui não cabe buscar os culpados (se aluno/a,
professor/a), nem mesmo vale à pena recorrer – dadas as dimensões
que se exigiriam para tal finalidade – contextualizar e incorporar argu-
mentos que apontam para um sistema cujas limitações se expressam na
cultura da reprodução e da escassa capacitação para análise, interpre-
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tação e correlação entre a teoria e a prática, elementos não devidamen-
te contemplados pelas práticas/políticas educacionais.
Para ser uma monografia o trabalho deve decorrer de procedi-
mentos que abrange da escolha do tema, ao plano de trabalho, da decor-
rente pesquisa, do tratamento dos dados (se de revisão teórica, constituído
de leitura e sínteses), da organização dos resultados e de uma redação
de forma estruturada e lógica. Devidamente permeada de análises críti-
cas e apreciativas, integradas de fundamentação teórica, com referên-
cias relevantes e, finalmente, apresentada em impressão formatada,
gravada em CD e submetida a uma apresentação oral (defesa de con-
teúdo) frente a uma banca avaliadora designada para tal finalidade.
FINALMENTE, O QUE É UMA “BOA MONOGRAFIA”?
Pode ser entre tantas aquela que resulte em uma boa nota, cerca-
da de elogios para que seja à base de uma produção a determinar a
continuidade de produção de conhecimento e, ao contrário, não ser nada
disso e se constituir naquele documento possível e que atende plena-
mente as exigências da Instituição. Em várias oportunidades fui sonda-
do: “Olha professor! Estou em dúvida sobre o que abordar em minha
monografia?”; “O que o senhor sugere? Qual o caminho mais fácil?”
Mas, adianto não existe este ou aquele tema que exija menos de quem
vai escrever o seu TCC. Porque, não existe fórmula pronta. Fórmulas
prontas servem bem para estabelecer reações orgânicas, químicas,
matemáticas, físicas e congêneres.
A monografia não tem receita, mas exigências em termos de dis-
ciplina intelectual, normas recomendadas, elementos de criatividade e
uma imensa vontade de realizá-la e uma gama de sentimentos que a
norteia, especialmente representado por uma paixão que deve aflorar
em sua realização. E se paixão é ao mesmo tempo algo que acontece de
forma intensa e temporária, cabe o cuidado em aproveitar o máximo
essas condições que de tão humanas, ao mesmo tempo, deixam aflorar
algumas outras espécies animais em nós adormecidos, em especial tor-
cer para que não seja despertada a preguiça, porque não há tempo para
arrefecimentos. Antes, um laborioso joão-de-barro, a construir e alimentar
suas crias.
Neste caso, o grande paradoxo é conviver sentimentos fortes com
estreita disciplina. Aí reside o X da questão. Visto que em cada indivíduo
se manifesta, mesmo que alheio as suas vontades, suas histórias e seus
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percursos. E, sem dúvida, todos estes fatores dimensionados pelos aci-
dentes. Isto se considera-los fatos inerentes à condição humana, quer
para o bem, quer para o mal. Quando as trajetórias apontam para esta
ou aquela direção e uma hora qualquer as circunstâncias assinalam e
cobram uma posição, como o momento da definição sobre qual pesquisa
desenvolver para escrever o seu TCC, e se algo de indefinido se ante-
por a um projeto já amadurecido e – conforme o caso – até cruel, pode
determinar que se opte por algo que não possibilite demonstrar o que se
aprendeu, se é que de fato ocorreu algum aprendizado, durante o curso.
Portanto, neste crucial momento vêm à tona alguns fatores que
não podem ser desconsiderados. Se realmente ocorreu a aprendizagem
– na qual se desconstruiu o/a aluno/a e o/a transformou em estudante –
vai possibilitar coexistir muito trabalho, com agradáveis vivências, haja
vista que decorrem de experiências devidamente relacionadas com as
teorias que se imbricam e ponto a ponto surge um tecido, cujas tramas e
estampas têm um singular efeito de realização pessoal. No entanto, se o
contrário viveu estes anos de academia “em brancas nuvens” é algo
inominável o que irá surgir e cujos efeitos se manifestam a cada encon-
tro para discutir, desde a temática, o processo de investigação, até a
construção do texto, pior, quando estes não se realizam.
A “boa monografia” é aquela das possibilidades. E sobre esta
questão deve-se levar em conta o que possível (em termos da boa von-
tade e de assinalado empenho), ou seja, o que se pode e o que não se
pode fazer. Nenhum vôo sem asas e prumo que sustente a rota e, muito
menos, sem a previsão de onde pousar. Ter um desenho que se aproxi-
me muito das metas que quase todas as pessoas se propõem para viver:
entre o que cada um se permite e o que se permite pelas contingências.
Algo entre condições e vontades, a anteposição de determinações: ne-
nhum passo em vão e que se superponha à condição de que, antes de
tudo, o processo prescinde de se reconhecer como aprendentes enquanto
aluno/a-autor/a e professor/a-orientador/a.
Aprendi uma grande lição sobre a escolha do que escrever em
TCC, por meio de Rejane de Medeiros Cervi, minha professora-orientadora
do Mestrado em Educação da Universidade Federal do Paraná, inestimá-
vel presente sobre que a escolha do tema deve sempre recair sobre algum
aspecto da trajetória, da história de vida. A maravilha do óbvio, porque
tanto a investigação quanto a produção do texto resultará em algo prazeroso
e, como é certo a grande exigência para sua realização, têm-se esse bô-
nus a acalentar os momentos em que tiver que se deparar com tantos
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haveres/desfazeres. A prerrogativa do conforto em saber sob qual mar
navegar e a certeza de um porto seguro no qual atracar.
Neste momento cabe um alerta. Ao chegar à hora de elaborar a
monografia, medidas as devidas circunstâncias, deve-se atentar para as
seguintes indagações: Tem medo de desafios? De ousar profundas pai-
xões? De deixar aflorar criatividades perdidas no tempo? De dobrar-se
às exigências da disciplina intelectual? Porque, certamente se prevale-
cer os temores quanto às exigências não se viverá à plenitude desta
experiência, ímpar no processo de formação acadêmica e que determi-
na o momento da eclosão de mais um/a pesquisador/a no ambiente da
Academia. Saber, com toda a certeza, se é “boa”, “ótima”, “excepcio-
nal”, está mais para os princípios que norteiam a avaliação pessoal, do
que a banca que irá processar o julgamento.
Vale à pena contrapor algumas questões. Se o medo persiste, em
seu desfavor tem-se a vontade. Se não afeito/a as paixões tem-se sen-
timentos mais brandos e de intensidades que nada ficam a dever. Se
reconhecer que toda a criatividade forçosamente adormecida para que
desperte depende somente de sua imaginação para que se faça plena.
Se ainda não prevalece o acatamento à disciplina, reconhecer que sua
vontade é a sua melhor orientação torna-se um fundamento a favor. E
somente o momento de sua apresentação é que vai responder a cada
um destes pontos assinalados. Porque se você é capaz de dizer: “Não
consigo”! Na mesma medida deve ser de contrapor: “Por que não?”
Não haveria como encerrar sem deixar um alerta que sustenta os
argumentos favoráveis a esta realização e que diz respeito à necessida-
de de se firmar um acordo entre quem elabora e quem orienta. Assenta-
do sobre posturas e princípios que têm como fundamento a confiança.
Porque se em algum momento esta se romper, fica praticamente impos-
sível cumprir com as exigências de a monografia tornar-se algo próximo
de uma “boa” qualidade. Neste acordo deve prevalecer o assinalado
compromisso de ambas as partes para tornar possível o sucesso dessa
empreitada.
CONCLUSÃO
Por fim, admitir que se fosse possível apresentar todos os argu-
mentos em um resumo de poucas palavras diria que a elaboração da
monografia inclui decisões pessoais, de retomar histórias construídas
anos a fio. De ousar não permanecer no limbo e afeito/a ao que se
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coloca como impedimentos externos e, principalmente, as coisas do es-
pírito científico. De cumprir procedimentos de disciplina intelectual. De
resgatar a criatividade, que em algumas pessoas ficou reprimida e sem
chance de aflorar. Portanto, implica em reconhecer que as exigências
para viver são muitas, mas repito o que aprendi com um conhecido: a
melhor vingança que se tem ante as dificuldades da vida, é viver. E
elaborar a monografia nem mesmo é difícil, dá trabalho. E trabalho so-
mente exige que se cumpra para dar certo.
Monografia. Mo-no-gra-fi-a. Monografia! Quando uma palavra
pode ser maior que o desejo e a vontade de mostrar capacidades que
estão a conviver com cada estudante desde o ingresso na graduação?
Existe um momento em que todos os fantasmas que atormentam têm
que seguir em direção oposta às realizações. Marcar um encontro com
si mesmo/a para definir qual caminho seguir, é dar as mãos a indescritíveis
prazeres, dentre estes ao se apresentar com reconhecida competência
ao demonstrar saber mais de algo específico em uma ótica de análise e
interpretação que têm a sua marca, é a chave-de-ouro para a formação
universitária.
Afirmar o que é uma “boa monografia” é algo vago, mas apesar
de toda a relatividade que envolve essa questão pode-se afirmar que: “É
o trabalho que resulta do esforço comum entre aluno/a-autor/a e profes-
sor/a-orientador/a, portanto compartilhado e, que, dentro de possibilida-
des contextuais, atende às mínimas exigências que a comunidade
acadêmica determina para fins de sua elaboração”. Ou seja, apesar de
tudo a vida continua e ela pode ser bem melhor e será, como admitia o
compositor Gonzaguinha. Quem sabe, uma alternativa melhor para o
ainda a ser vivido como um todo, na medida em que ao se cumprir
qualquer desafio o ser humano se reconhece mais capaz para enfrentar
outros que certamente estão por acontecer.
* Doutor em Educação pela Unesp. Professor no Mestrado em Ecologia e Produção Sustentável da
Universidade Católica de Goiás (UCG) e das disciplinas Pensamento Científico e Organização
do Trabalho Intelectual e de Monografia, no Departamento de Educação da UCG. E-mail:
marcos.edu@ucg.br