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AFINAÇÃO

Decidi colocar esse assunto na minha apostila porque percebo que é uma dúvida recorrente
de muitos dos meus alunos.
Antes vou contar a história de um aluno que sempre me falava nas aulas, que não gostava
da bateria dele, dizia que o som era ruim, e queria vendê-la. Certa vez arrumou um
comprador e me pediu para dar um “jeito “na bateria, pois o comprador naquela noite
passaria na casa dele para olhar a bateria. E meu aluno por sua vez queria impressionar o
comprador.
Pois bem fui até lá logo na chegada percebi que tratavá-se de uma bateria chinesa(ding-
ling) de uma marca que não era das melhores, mas eu já havia conseguido tirar um bom
som de um instrumento como aquele, a bateria do meu aluno numa primeira análise estava
somente muito desafinada. A minha filosofia na hora de afinar uma bateria é não me
apavorar, por pior que pareça o cenário.
Armado de esparadrapo e uma chave de afina, comecei o trabalho e depois de vinte minutos
os olhos do meu aluno até brilharam, ele correu para telefone para avisar o ex-futuro
comprador que a venda havia sido cancelada.
Pois isso pode estar acontecendo com você então vou passar aqui a MINHA MANEIRA de
afinar a bateria, digo isso porque cada um tem um método para isso, uns começam pelo
bumbo, outros pelo surdo.
Para mim sempre a minha referência é o primeiro tom, pois ele servirá de base para
afinação das outras partes da bateria.
Existe hoje no mercado uma variedade enorme de peles para bateria, vamos falar um pouco
sobre de cada uma delas.
Porosas: Elas possuem um filme sintético fino com a coloração branca e em sua superfície
umacamada de um produto tornando-a áspera. Essas peles possibilitam um som com
harmônicos mais altos e geram um sustain no som, ideal para aqueles que gostam de sons
acústicos como jazz e blues
Hidráulicas: São compostas por dois filmes entre eles existe uma camada de um produto
lubrificante como um tipo de óleo. Elas possuem um filme mais espesso, possibilitando um
som mais grave, ideal para quem toca rock, heavy metal etc...

Existem outras derivações de peles, mas as que mencionei acima são as mais utilizadas.
Procure sempre deixar seu instrumento bem afinado, pois isso é essencial para uma boa
apresentação e evitará que o técnico de som “ mascare “ o som , isso definitivamente não é
bom. O técnico tem apenas que transpor um som que já está bom no palco para o PA.
O primeiro passo é saber escolher um kit,,aonde os tambores tenham um som que lhe
agrade, por exemplo se você gosta de funk , procure kits com bumbos menores aonde você
poderá tirar um bom “ KICK “ ou seja um som mais seco do seu bumbo.
O bumbo tem uma afinação livre, ou seja, de acordo com o gosto do músico, não se
esquecendo que você deverá utilizar ou um travesseiro ( nem se usa mais isso ) ou comprar
um Muffle que nada mais é do que um abafador, o que sinceramente aconselho.

A caixa também é de livre afinação agora é como sempre digo uma boa caixa é como um
bom taco de bilhar para o jogador, ou ele te ajuda a ganhar o jogo ou te atrapalha Escolha
uma caixa, com um bom automático, uma boa esteira, e isso não necessariamente implica
em ter uma caixa cara. Se você precisar fazer pequenas correções de harmônicos ( timmm,
timmmm ) não se envergonhe de utilizar uma fita adesiva nas bordas.

Já nos tons e surdo utilizaremos um processo diferente, afine o primeiro tom sempre dando
meia volta em cada parafuso em cruz, vá ouvindo. Assim que chegar no som desejado tente
memorizar e imitar com a voz o som que saí do tambor, essa será a sua referência para
afinar os outros tambores. Se você precisar fazer pequenas correções, faça-as na pele de
resposta ( pele de baixo ) essa é uma das suas principais funções da bateria com afinação
dupla.
Uma vez memorizado o som do primeiro tambor, comece afinar o tom 2 , ele vai ser o
intervalo de quarta descendente do primeiro, em relação ao primeiro ele deverá ser afinado
abaixo. Tocando os dois tambores você irá perceber que parecerá uma campainha
( DIMDOM ) MEMORIZE ESSE SOM DE CAMPAINHA.
O surdo será também a quarta do segundo e por sua vez uma oitava do primeiro tom, toque
uma peça de cada vez, devagar e veja se o som lhe parece coerente. Se mesmo com as
correções na pele inferior os harmônicos permanecerem (e eles devem existir) utilize a fita
adesiva.
Lembrando que o ato de afinar um instrumento não é só subir afinação, apertando os
parafusos. Em alguns casos você deverá afrouxar os parafusos para chegar numa afinação
satisfatória.