You are on page 1of 4

1

Exma. Sra. Presidente do Conselho Geral Transitório, restantes
membros do Conselho Geral, alunos, colegas, funcionários, caros convidados.
As minhas primeiras palavras são de agradecimento ao Conselho Geral
por permitir que este acto seja realizado à porta aberta.
Como diz um provérbio índio muito citado “É preciso toda uma aldeia
para educar uma criança”. Nós começamos bem, porque temos cá a nossa
aldeia toda para prepararmos a mais difícil de todas as artes, a mais difícil de
todas as missões, - educar.
Como sabemos não se vivem dias fáceis na Educação e muito menos
nas Escolas. Essa dificuldade advém essencialmente de três tipos de factores:
factores de ordem social, económica e política.
As famílias, essencialmente os pais, não desempenham (uns porque
não podem, outros porque não sabem, outros porque não querem) as funções
de socialização que historicamente lhe foram confiadas.
Como diz o filósofo Fernando Savater, as crianças não encontram em
casa a figura de autoridade. Ninguém cresce direito sem autoridade. Os pais
como passam pouco tempo com os filhos não querem assumir essa
autoridade, preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos seja
alegre e sem conflitos, empurrando o papel disciplinador quase em exclusivo
para os professores.
Mas quando os professores tentam exercer essa autoridade, esse papel
de disciplinador são os próprios pais e mães que não exerceram autoridade
sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores.
Não estou a caricaturar, esta é a realidade e eu gostava que em Mação,
nesta nossa aldeia a realidade fosse um pouco diferente.
Vamos todos trabalhar para que assim seja.
Em termos económicos a realidade que vivemos é também ela de
alguma complexidade com reflexos directos na Escola pelo que, todos,
devemos estar atentos para que esses problemas tenham a mínima influência
possível no rendimento e em toda a vida escolar das nossas crianças e jovens.
Para lá das dificuldades que têm na base factores de ordem social e
económica há também factores de ordem política que, nos últimos tempos,
criaram um clima de instabilidade demasiado visível que coloca em causa a
2

serenidade que deve estar na base da mais importante da relação em
ambiente escola - a relação pedagógica.
Utilizarei, até ao limite, as minhas competências para garantir essa
serenidade. É essa garantia que aqui deixo a todos, essencialmente aos meus
colegas professores.
O meu projecto de intervenção, como os membros do Conselho Geral
puderam analisar, centra-se em quatro áreas ou dimensões fundamentais:
- Dimensão curricular;
- Dimensão psicossocial;
- Dimensão ecológica;
- Dimensão organizacional.

Quatro dimensões que ancoram quatro objectivos fundamentais:

- Aumentar a qualidade do sucesso educativo;
- Aumentar as expectativas em relação à escola;
- Aumentar o envolvimento da comunidade em projectos de
desenvolvimento de atitudes de sustentabilidade humana e ambiental;
- conhecer em cada momento o resultado das várias acções
implementadas pelas várias agentes, instalando dispositivos de reflexão e auto-
regulação internas.
Congregando vontades e motivação é possível continuar, até potenciar o
bom trabalho já feito. Aqui aproveito para deixar uma palavra de apreço ao
Conselho Executivo pelo trabalho desenvolvido.
Potenciar os processos práticos que se revelaram positivos, corrigindo o
que não resultou tão bem, é o meu trabalho no imediato.
Pelo que conheço, o quadro deste Agrupamento está recheado de bons
profissionais, professores dedicados, empenhados, disponíveis e competentes,
apoiados por um pessoal não docente capaz de auxiliar com brio o corpo
docente. Por isso estão criadas as bases de um futuro risonho.
Como sabem este é um ano de novas colocações de professores agora
para quatro anos, pelo que o início do próximo ano lectivo vai ter uma
importância fundamental. A dinâmica que, nós que cá estamos, conseguirmos
3

incutir naqueles que chegam de novo, a cultura da escola que lhe
conseguirmos transmitir, de certa forma marcará todo o ciclo.
Vamos, por isso, preparar com cuidado a abertura do próximo ano
lectivo e certa forma a abertura de um ciclo de quatro anos.
Gostava imenso e vamos fazer tudo para que seja possível,
desencadear um processo de avaliação interna que posteriormente continuará
como observatório de qualidade.
Posteriormente, penso que estamos em condições de submeter o
Agrupamento a uma avaliação externa. Vamos certamente conseguir formar
uma equipa coesa e motivada, capaz de levar avante este importante trabalho
A estreita relação do Agrupamento com as dinâmicas sociais e culturais
da comunidade local deve ser uma preocupação permanente; disponibilizarmo-
nos para colaborar e simultaneamente solicitarmos colaboração em múltiplas
situações dever ser uma preocupação permanente.
Autonomia, responsabilidade e cooperação são os meus imperativos
categóricos e gostava que se tornassem normas de conduta obrigatória de toda
esta comunidade educativa. Alunos, professores e funcionários autónomos,
responsáveis e cooperantes é algo que perseguirei durante todo o meu
mandato.
Gostava imenso e farei tudo o que estiver ao meu alcance para que o
nosso agrupamento seja cada vez menos formado por pessoas solitárias e
cada vez mais por pessoas solidárias.
A equipa que me vai acompanhar são vocês todos, professores,
funcionários, pais e comunidade.
Por razões funcionais escolhi três professores, ou melhor três
professoras, que vão trabalhar comigo de uma forma mais próxima. Com
formações académicas diferentes, experiências profissionais diversas, julgo
que preenchem na plenitude os requisitos para assumir as responsabilidades
decorrentes das funções que vão desempenhar.
Não vão assumir funções a tempo inteiro de imediato dado que ainda
têm funções pendentes nas suas escolas.
-Chamo para o meu lado as professoras Rufina Costa, Clara Maia e
Margarida Cardoso.
4

Às três bem como aos restantes colegas e aos funcionários solicito
apenas uma coisa; lealdade, para comigo e para com o Agrupamento.
Da minha parte, garanto-vos, encontrarão sempre lealdade na minha
relação convosco.
Muito obrigado.
José António Santos Almeida

Mação, 23 de Junho de 2009