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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA CÍVEL DA COMARCA DE ROLÂNDIA - PR

Sr. XXXXXX XXXXX XXXX, brasileiro, casado, agricultor, inscrito no CPF/MF nº 003.X
XX.XXX-XX, residente e domiciliado na Av. Expedicionários, n° XXX, ap. XXX, CEP: 86.
600-000, Rolândia PR, por intermédio de seu advogado ao final subscrito (procuração em a
nexo), com endereço profissional na Av. Salgado Filho, nº. 989, sala: 09, Centro, Lo
ndrina- PR, onde recebe intimações, vem, mui respeitosamente, à presença de Vossa Excelênc
ia, com fulcro no art. 282, do Código de Processo Civil e demais dispositivos lega
is aplicáveis ao caso, para propor a presente
AÇÃO DE INDENIZAÇÃO CUMULADA COM PEDIDO DE DANO MORAL
em face de BRASIL XXXXXX xxxxxxxxx SEGUROS XXX, pessoa jurídica de direito privado
, inscrita no CNPJ nº XXX.XXX.XXX/0001-81, com endereço à Rua da Alfândega, Centro, Rio
de Janeiro-RJ, nº xxx e SEGUROS XXXXXXXXX , Centro, Rio de Janeiro-RJ, pelas segui
ntes razões:
I DOS FATOS
As partes firmaram um contrato de seguro nº 13482021, tendo por objeto o veículo FOR
D RANGER XL CD 3.0 PSE 4X4, com garantias equivalentes a 100% do valor de mercad
o do aludido automóvel, além de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais) para danos materiai
s e R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais) para danos corporais, tendo como prazo de v
igência o período de um ano, tendo como início a data de 23/08/2008.
No dia 13/06/2009 o veículo objeto do contrato envolveu-se num acidente fatal com
outro automóvel, tal evento ceifou as vidas de todos os envolvidos, inclusive a do
filho do autor, que conduzia o automóvel segurado.
Para apurar mais esclarecimentos acerca do fator determinante para a ocorrência do
acidente, foram realizados exames toxicológicos das vítimas, sendo que a forma com
que o material colhido, bem como os procedimentos corretos para a lavratura dos
laudos periciais, não observaram as formalidades legais, que idoneamente apontaria
m a culpa do acidente. Isso é comprovado pelo fato de não terem sido adotados os mes
mos métodos e pela ausência de dois peritos nos exames do outro condutor envolvido n
o acidente e que tal exame só fora realizado após um lapso de dois meses após o fático a
cidente.
De qualquer modo o exame referente ao filho do autor somente foi constatado a pr
esença de álcool em dosagem etílica de 8,2 dg/l (oito decigramas e dois décimos de decig
rama) por litro, já no condutor do outro veículo envolvido no acidente, constatou a
presença de álcool em um resultado de 13,8 dg/l (treze decigramas e oito décimos de de
cigramas).
Ocorre que não foi possível apurar a culpabilidade e quais seriam os fatores determi
nantes para a ocorrência do acidente. Assim sendo, o inquérito policial foi arquivad
o a pedido do Ministério Público, conforme se verifica nos autos nº xxxx.ccccc-2 da xª V
ara Criminal de Londrina-PR.
Sustentando a embriaguez do filho do autor como excludente de responsabilidade e
agravamento do risco, a empresa ré se recusou a efetuar o pagamento da indenização de
vida. Diante de tal negativa, o autor ajuizou ação de cobrança, visando receber o que é
seu de direito, autos nº XXXX/2010 em tramite na Vara Cível da Comarca de Rolândia-PR.

Não bastante a negativa injustificada e a forma desprezível com que tratou da situação a
ré continuou agindo de forma imprudente e negligente contra o autor.
Antes de apresentar a negativa da indenização do sinistro, a ré apresentou um laudo de
avaliação do automóvel na data de 22/06/2009 informando um valor total do sinistro em
R$ 44.333,15 (quarenta e quatro mil trezentos e trinta e três reais e quinze cent
avos). Todavia, no dia 24/06/2009 a ré retirou o veículo segurado da oficina XXXXXXX
X apresentando para tanto uma autorização de retirada em que informava o valor de es
timativa de reparos em R$ 71.212,65 (setenta e um mil duzentos e doze reais e se
ssenta e cinco centavos). A conduta da empresa ré gera estranheza e desconfiança, po
is dois dias após apresentar um valor passível de cobertura de indenização, apresenta ou
tro valor de reparos contendo uma diferença a maior de R$ 26.879,50 (vinte e seis
mil oitocentos e setenta e nove reais e cinqüenta centavos).
No dia 01/10/2009, ocasião em que apresentou a negativa do pagamento da indenização, e
ncerrando o sinistro, a empresa ré informou que seria de responsabilidade do autor
retirar o veículo das dependências da XXXXXXXX (documento em anexo). No entanto, ch
egando ao local indicado pela empresa-ré para retirar o veículo, o autor foi surpree
ndido ao ser informado que o automóvel já havia sido retirado pela ré, sem nenhuma aut
orização do autor, caracterizando o crime de apropriação indébita!
Ocorre que além de não indenizar o valor do sinistro, a ré tomou posse indevidamente d
o automóvel e simplesmente não sabe informar onde o mesmo se encontra. Vale frisar q
ue o autor procurou diversas vezes a ré para localizar o veículo, porém todas as busca
s restaram infrutíferas.
Ademais, seguindo as orientações da ré, a família do autor entregou todos os documentos
pertinentes ao automóvel do veículo, entre eles a certidão de registro do veículo, que s
egundo a empresa, seria utilizado para proceder a baixa do cadastro do automóvel p
erante o DETRAN-PR.
Em recente consulta ao site do DETRAN-PR, o autor apurou que o automóvel ainda está
com situação regular perante o órgão, inclusive constata-se que foram geradas as cotas p
ara pagamento do IPVA emitidas em desfavor do autor.
Impende ressaltar ainda que, para adquirir o automóvel objeto do contrato de segur
o, o autor firmou um contrato de leasing perante o banco UNIBANCO, e continuou e
fetuando os pagamentos das parcelas, mesmo não estando na posse do automóvel, deixan
do de gerar riquezas em troca de cumprir com a obrigação assumida. Todavia, esta obr
igação deveria ser integralmente quitada quando houvesse a indenização dos 100% garantid
os pelo contrato de seguro, posto que, segundo a própria avaliação da seguradora ré, o s
inistro do acidente mencionado apontou um valor de conserto acima do valor do veíc
ulo, o que significa que houve perda total do mesmo.
Em suma, esta é a síntese dos fatos.
II DO MÉRITO
1) DA APLICABILIDADE DO CDC AO CASO IN TELA E DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA
Cumpre observar, prefacialmente, como regra, que a natureza jurídica do contrato d
e seguro que é genuinamente de adesão, pois se apresenta como cláusula predisposta ao se
gurado e este não participa de sua elaboração e nem das condições gerais. Ou seja, são impos
tas pela Administradora e o fato de, eventualmente, serem adicionadas cláusulas ma
nuscritas ou datilografadas não lhe retira essa natureza. Isto significa, que não ha
vendo uma harmonização das cláusulas contratuais com o Código de Defesa do Consumidor, r
estaria prejudicada a relação jurídica entre os pólos.
Não somente por isso, a aplicação do Código de Defesa do Consumidor ao caso in tela é inqu
estionável, pois somente assim o autor deixa a condição de hiposuficiente e vulnerável e
passa a ter seus direitos agasalhados contra as práticas dolosas costumeiramente
adotas por tais empresas de seguro. Neste sentido, tem-se às lúcidas palavras de Sílvi
o de Salvo Venosa :
Sendo contrato destinado sempre ao consumidor final da prestação de serviços, costumeir
amente de adesão e presente o requisito da vulnerabilidade, está alcançado, como regra
, pelos ditames do Código de Defesa do Consumidor.
(...) A interpretação do contrato, na dúvida, obscuridade ou contradição deve favorecer o
aderente-segurado. Ainda que assim não fosse, o art. 47 do Código de Defesa do Consu
midor determina que as cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais fav
orável ao consumidor.
(destacamos)
Neste sentido, julgou o egrégio Tribunal de Justiça do Paraná. In verbis:
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA DE INDENIZAÇÃO DE SEGURO DE VEÍCULO. FURTO. CERCEAMENTO DE D
JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE. DESPACHO NÃO PUBLICADO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. PRODUÇÃO DE
PROVA EM AUDIÊNCIA. DESNECESSIDADE. ART. 330 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. ALEGAÇÃO DE MO
DIFICAÇÃO DO PERFIL DECLARADO. APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. AUSÊNCIA DE MÁ-FÉ.
ECURSO NÃO PROVIDO. (...) 2. Aos contratos de seguro, reconhece-se a aplicação do Código
de Defesa do Consumidor, que impõe interpretação mais favorável ao consumidor, de modo
que a negativa ao pagamento de indenização, sob o argumento de alteração da situação de risc
o informada na formação do contrato, é apenas admitida quando comprovada a má-fé do Segura
do." (TJ/PR AC 372.491-6, 8ª C. Cível, rel. Des. Luis Espíndola, j. 02.08.2007) (desta
camos)
"AÇÃO DE COBRANÇA - CONTRATO DE SEGURO - FURTO DE VEÍCULO - SENTENÇA PARCIALMENTE PROCENDE
NTE - APELAÇÃO 1 - ALTERAÇÃO DO PERFIL DO CONDUTOR - ALEGAÇÃO DE MÁ-FÉ POR PARTE DO SEGURADO N
PREENCHIMENTO DA PROPOSTA - INFRAÇÃO LEGAL E CONTRATUAL - APELAÇÃO 2 - DANOS MATERIAIS D
ECORRENTES DE GASTOS COM LOCOMOÇÃO - DANOS MORAIS ADVINDOS DO DESCUMPRIMENTO DO CONT
RATO PELA SEGURADORA - RECURSOS DESPROVIDOS.
1. Os contratos de seguro devem ser interpretados de forma mais benéfica ao consum
idor, cuja má-fé no preenchimento da proposta não ficou demonstrada pela seguradora.
2. Para fazer jus a reparação por danos matérias, deve o autor comprovar o nexo de cau
salidade entre o ilícito e o dano.
3. No caso de danos morais, tem-se que o inadimplemento do contrato, por si só, não
gera o dever de indenizar, pois, em princípio, trata-se de desconforto a que todos
podem estar sujeitos, pela própria vida em sociedade." (TJ/PR, AC 385.605-5, 8ª c.
Cível, rel. Des. Carvilio da Silveira Filho, j. 26.04.2007) (destacamos)
Ademais, o inciso VIII do artigo 6º do CDC, em atenção à vulnerabilidade e à hipossuficiênci
a técnica e econômica para produção de provas do consumidor, como é o caso dos autos, auto
riza a inversão do ônus da prova quando o mesmo demonstrar hipossuficiência diante do
fornecedor ou demonstrar a verossimilhança de suas alegações.
A aplicação do CDC, no presente caso, torna-se imprescindível para que o autor tenha m
ais proteção. Aliás, o autor nada pôde fazer para fazer valer seu direito, simplesmente
ficou a mercê das práticas dolosas cometidas pela ré, que injustificadamente e intenci
onalmente deixou de indenizar o sinistro ocorrido.
Portanto, a fragilidade e a hipossuficiência do autor perante a ré será amenizada atra
vés da aplicação do CDC e sendo-lhe concedidas as benesses da inversão do ônus da prova.
Dessa forma, prudente mencionar que estão presentes os dois requisitos citados no
parágrafo anterior para a inversão do ônus probandi, muito embora a satisfação de um seja
o bastante, vejamos.
Verossímil é aquilo que é crível ou aceitável em face de uma realidade fática. Não se trata de
prova robusta e definitiva, mas da chamada prova de primeira aparência, prova de
verossimilhança, decorrente das regras da experiência comum, que permite um juízo de p
robabilidade.
A verossimilhança, portanto, encontra-se pautada nas atitudes cometidas pela ré, ent
re elas, destaca-se: a ausência de pagamento do sinistro, apresentando uma negativ
a carente de fundamentos legais e não observando os fatos ocorridos; o sumiço do aut
omóvel segurado; e o desprezo que teve com autor não dando-lhe satisfação sobre a locali
zação do veículo, bem como os procedimentos que seriam adotados, entre eles a inexistênc
ia de baixa perante o Detran. Todas as práticas realizadas pela são veementemente re
pudiadas pela doutrina e jurisprudência, conforme se verá.
Restando aclarada a existência da hipossuficiência do consumidor bem como da verossi
milhança, revela-se necessário a inversão do ônus da prova, a fim de que a parte contrária
seja responsabilizada pela juntada aos autos dos documentos de comprovação de que a
giram com prudência e boa-fé na relação de consumo em tela.
Comprovada a existência dos pressupostos expressos no inciso VIII do artigo 6º do CD
C, requer seja deferida a inversão do ônus da prova.
2) DA NEGATIVA INJUSTIFICADA PARA O NÃO PAGAMENTO DA INDENIZAÇÃO DECORRENTE DO SI
NISTRO E DA AUSÊNCIA DE BOA-FÉ
Como já acenado nos fatos, houve a negativa do pagamento da indenização pela ré sem qual
quer fundamento legal, colocando fim o sinistro. Entretanto, ao agir assim, a ré d
emonstrou ausência de boa-fé, quebrou o pacto contratual e gerou, conseqüentemente, um
a série de prejuízos ao autor, como será explicado a seguir.
Inicialmente, convém registrar que a boa-fé é princípio basilar dos contratos em geral e
está presente também no Código de Defesa do Consumidor. A rigor, o Código Civil, em seu
art. 422 impõe às partes que resguardem tanto na conclusão, como na execução do contrato
os princípios da probidade e boa-fé.
A ré se justifica ao não pagamento de indenização do sinistro pelo fato de não ter sido o
segurado (autor) o condutor do veículo e pelo fato do terceiro acidentado estar co
m teor alcoólico acima dos limites legais. Todavia, os entendimentos adotados pela
ré carecem de fundamentos legais e afrontam as posições dos Tribunais Superiores. Iss
o ocorre pelo fato do STJ ter posição consolidada de que a culpa há de ser direta do s
egurado, ou seja, o contratante do seguro tem que agir diretamente de forma a au
mentar o risco, não podendo prejudicá-lo, nesse caso, a culpa de seu filho (condutor
).
Além disso, a embriaguez deve ser indicada como causa determinante para a ocorrência
do acidente, fato este que inexiste no caso em apreço, pois como já dito nos fatos,
não se pôde concluir o que realmente causou o acidente, não existindo, assim, nexo en
tre a embriaguez e o evento fatal.
Quando negou o pagamento da indenização a ré justificou que o sinistro não possui cobert
ura securitária, conforme especificado no manual do segurado. O item 2.11, alínea I
do referido manual, estipula que:
I) perdas ou danos ocorridos quando for verificado que o veículo segurado foi condu
zido por pessoa embriagada ou drogada, desde que demonstrado pela Seguradora que
o sinistro ocorreu devido ao consumo de álcool acima dos limites previstos pelo Cód
igo Nacional de Trânsito e ou uso de drogas pelo condutor, cuja infração poderá ser cara
cterizada por qualquer meio de prova admitido em direito.(destacamos).
Cabe elucidar que, no caso desta cláusula poder ser aplicada e, de conseqüência, exclu
ir o dever de indenizar da seguradora, é imprescindível que a ré prove estar o conduto
r embriagado na ocasião em que recebeu a chave do automóvel das mãos do autor, ensejan
do assim o agravamento do risco, bem como que o sinistro decorreu diretamente da
embriaguez do filho do autor, ou seja, demonstrando plenamente o nexo causal en
tre o que entende como aumento de risco e o sinistro vivenciado.
A ré desconsidera o fato de que não foi possível apurar os fatores que influenciaram p
ara a ocorrência do sinistro, pois o simples fato de existir a presença de álcool no s
angue do filho do segurado não exclui da ré o dever de indenizar, pois não existe relação
comprovada entre a embriaguez e a ocorrência do evento fatal, como única forma razoáve
l de explicar o acidente. Tanto é que o processo penal aberto para apurar a culpa
do acidente foi arquivado, diante da impossibilidade de averiguar a causa do aci
dente e conseqüentemente a culpabilidade dos envolvidos.
Da doutrina de Ricardo Bechara Santos extrai-se a salutar explicação: "É preciso cons
iderar que a embriaguez, como determinante de recusa de uma indenização no seguro há d
e figurar como causa eficiente do acidente e do dano". A propósito, o entendimento
da jurisprudência trilha mansa e pacifica neste sentido. In verbis:
DIREITO CIVIL. CONTRATO DE SEGURO. ACIDENTE PESSOAL. ESTADO DE EMBRIAGUEZ. FALECI
MENTO DO SEGURADO. RESPONSABILIDADE DA SEGURADORA. IMPOSSIBILIDADE DE ELISÃO. AGRA
VAMENTO DO RISCO NÃO-COMPROVADO. PROVA DO TEOR ALCÓOLICO E SINISTRO. AUSÊNCIA DE NEXO
DE CAUSALIDADE. CLÁUSULA LIBERATÓRIA DA OBRIGAÇÃO DE INDENIZAR. ARTS. 1.454 E 1.456 DO CÓD
IGO CIVIL DE 1916.
1. A simples relação entre o estado de embriaguez e a queda fatal, como única forma ra
zoável de explicar o evento, não se mostra, por si só, suficiente para elidir a respon
sabilidade da seguradora, com a consequente exoneração de pagamento da indenização previ
sta no contrato.
2. A legitimidade de recusa ao pagamento do seguro requer a comprovação de que houve
voluntário e consciente agravamento do risco por parte do segurado, revestindo-se
seu ato condição determinante na configuração do sinistro, para efeito de dar ensejo à pe
rda da cobertura securitária, porquanto não basta a presença de ajuste contratual prev
endo que a embriaguez exclui a cobertura do seguro.
3. Destinando-se o seguro a cobrir os danos advindos de possíveis acidentes, geral
mente oriundos de atos dos próprios segurados, nos seus normais e corriqueiros afa
zeres do dia-a-dia, a prova do teor alcóolico na concentração de sangue não se mostra su
ficiente para se situar como nexo de causalidade com o dano sofrido, notadamente
por não exercer influência o álcool com idêntico grau de intensidade nos indivíduos.
4. A culpa do segurado, para efeito de caracterizar desrespeito ao contrato, com
prevalecimento da cláusula liberatória da obrigação de indenizar prevista na apólice, exi
ge a plena demonstração de intencional conduta do segurado para agravar o risco obje
to do contrato, devendo o juiz, na aplicação do art. 1.454 do Código Civil de 1916, ob
servar critérios de eqüidade, atentando-se para as reais circunstâncias que envolvem o
caso (art. 1.456 do mesmo diploma).
5. Recurso especial provido. (STJ, Recurso Especial nº 780.757-SP, Rel. Min. João Otávi
o De Noronha, Quarta Turma, Dj 01/12/2009) (destacamos)
CIVIL. ACIDENTE DE TRÂNSITO. BENEFICIÁRIO DE SEGURO. MOTORISTA ALCOOLIZADO. SITUAÇÃO QUE
NÃO EXCLUI O PAGAMENTO DA INDENIZAÇÃO CONTRATADA. RISCO INERENTE À ATIVIDADE. CC, ART. 7
68.
I. Para a configuração da hipótese de exclusão da cobertura securitária prevista no art. 7
68 do Código Civil vigente, não basta a identificação de que o motorista segurado se ach
ava alcoolizada, mas que o estado mórbido constituiu elemento essencial para a oco
rrência do sinistro, prova que a ré, cuja atividade é precisamente a cobertura de even
tos incertos, não logrou fazer.
II. Precedentes do STJ.
III. Recurso especial conhecido e provido. (4ª Turma, REsp 1012490/PR, Relator Mini
stro Aldir Passarinho Júnior, julgado em 25/03/2008, publicado no DJe de 28/04/200
8).
"RECURSO ESPECIAL - CONTRATO - SEGURO DE VIDA -EMBRIAGUEZ - CONDIÇÃO INSUFICIENTE A
AFASTAR O DEVER DE INDENIZAR - PRECEDENTES - CIRCUNSTÂNCIA EM QUE O SEGURADO, AGIN
DO COM CULPA, CAUSA O EVENTO DANOSO EXCLUDENTE CARACTERIZADA - RECURSO NÃO CONHECI
DO.
1 - Este Tribunal já se manifestou no sentido de que a constatação de dosagem etílica no
sangue do condutor em patamar superior ao permitido por lei, por si, não é causa ap
ta a eximir a seguradora de pagar a indenização.
2. É de se afastar o dever de o ente segurador indenizar em ocasiões tais em que a e
mbriaguez do segurado agrava potencialmente o risco do acidente, tendo sido, inc
lusive, condição determinante para a ocorrência do sinistro.
3. Recurso especial não conhecido." (REsp n. 1.081.130-SC, Terceira Turma, Rel. Mi
n. Massami Uyeda, DJe de 17/12/2008.) (destacamos)
"RECURSO ESPECIAL. SEGURO. EMBRIAGUEZ. SINISTRO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA RELAÇÃO DE CA
USA E EFEITO. EXCLUSÃO DA COBERTURA IMPOSSIBILIDADE.
- A circunstância de o segurado, no momento em que aconteceu o sinistro apresentar
dosagem etílica superior àquela admitida na legislação de trânsito não basta para excluir a
responsabilidade da seguradora, pela indenização prevista no contrato.
- Para livrar-se da obrigação securitária, a seguradora deve provar que a embriaguez c
ausou, efetivamente, o sinistro." (STJ, REsp n. 685.413-BA, Terceira Turma, rela
tor Ministro Humberto Gomes de Barros, DJ de 26/6/2006.) (Grifo Nosso)
A recusa alegando a embriaguez é injustificada e carece de respaldo jurídico, a prov
a do teor alcoólico na concentração de sangue do filho do segurado é suficiente para sit
uar como nexo de causalidade com o dano sofrido. Ademais, as provas colhidas não f
oram aceitas para apurar a causa do acidente, pois, como já dito, foram cometidas
várias irregularidades.
Agora, quanto ao fato do veículo segurado estar sendo conduzido por terceiro, também
não existe óbice para que a empresa-ré não proceda ao pagamento da indenização, pois o obje
to do seguro é o veículo e no caso in tela, não existiu interferência alguma do autor pa
ra aumentar ou configurar a embriaguez do filho. Neste sentido, vale trazer à bail
a. In verbis:
RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE COBRANÇA - SEGURO DE AUTOMÓVEL - SUJEIÇÃO À LEI CONSUMERISTA - EMB
AGUEZ DE TERCEIRO CONDUTOR (FILHO DO SEGURADO) COMO CAUSA DETERMINANTE DO SINIST
RO - FATO NÃO IMPUTÁVEL À CONDUTA DO SEGURADO - EXCLUSÃO DA COBERTURA - IMPOSSIBILIDADE
- RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.
I - A perda do direito à indenização deve ter como causa a conduta direta do segurado
que importe num agravamento, por culpa ou dolo, do risco objeto do contrato;
II - A presunção de que o contratante-segurado tem por obrigação não permitir que o veículo-
segurado seja conduzido por pessoa em estado de embriaguez é válida e esgota-se, efe
tivamente, até a entrega do veículo a terceiro;
III - Inexiste nos autos qualquer menção de que, na oportunidade em que o segurado e
ntregou o veículo ao seu filho, este já se encontraria em estado de embriaguez, caso
em que se poderia, com razão, cogitar em agravamento direto do risco por parte do
segurado. Aliás, considerando que o contrato de seguro sujeita-se ao Código de Defe
sa do Consumidor, o ônus da prova acerca de tal demonstração incumbiria a Seguradora,
que, como visto, nada produziu nesse sentido;
IV - Recurso Especial conhecido e provido. (STJ, REsp nº 1.097.758-MG, Terceira Tu
rma, Rel. Min. Massami Uyeda, DJe de 10/02/2009). (destacamos)
"DIREITO CIVIL. SEGURO. ACIDENTE DE TRÂNSITO. TERCEIRO CONDUTOR. EMBRIAGUEZ. AGRAV
AMENTO DO RISCO.
Firme o entendimento desta Corte de que o agravamento do risco ensejador da perd
a do direito ao seguro deve ser imputado à conduta direta da própria segurada. Recur
so especial conhecido e provido." (STJ, REsp 578290/PR, Relator Ministro Cesar A
sfor Rocha DJ 14/06/2004) (destacamos)
Vislumbra-se no Manual do segurado, bem como na negativa de cobertura do sinistr
o, que a recusa da seguradora parte da premissa de que o contratante-segurado te
m a obrigação de não permitir que seu veículo seja conduzido por qualquer pessoa em esta
do de embriaguez. Entretanto, tal premissa não se revela inteiramente verdadeira.
Convém para deslinde da controvérsia, trazer o que estipula o art. 768 do Código Civil
. In verbis:
"Art. 768. O segurado perderá o direito à garantia se agravar intencionalmente o ris
co objeto do contrato."
Constata-se, numa primeira análise, que o dispositivo legal condiciona a perda ao
direito de indenização à conduta direta do segurado no agravamento, por culpa ou dolo,
do risco objeto do contrato. Na espécie, é incontroverso que a conduta do autor cin
giu-se na entrega do veículo segurado a seu filho, que tinha habilitação para tanto.
A presunção de que o contratante-segurado tem por obrigação não permitir que o veículo-segur
ado seja conduzido por pessoa em estado de embriaguez é válida e esgota-se, efetivam
ente, até a entrega do veículo a terceiro já embriagado. In casu, é certo inexistir nos
autos qualquer menção de que, na oportunidade em que o segurado entregou o veículo ao
seu filho, este já se encontrasse em estado de embriaguez, caso em que se poderia,
com razão, cogitar em agravamento direto do risco. Aliás, considerando que o contra
to de seguro sujeita-se ao Código de Defesa do Consumidor, o ônus da prova acerca de
tal demonstração incumbiria a Seguradora, que, como visto, nada produziu nesse sent
ido.
Portanto, a tentativa de exclusão de responsabilidade da ré caracteriza a ausência de
boa-fé e a quebra injustificada do contrato de seguro. As alegações da ré afrontam com o
s entendimentos dos Tribunais Superiores, além da legislação aplicável ao caso.
O autor firmou um contrato respeitou com sua parte, por outro lado, a ré não cumpriu
com as obrigações assumidas (a de pagar o valor do veículo no caso de perda total apura
da em sinistro). Frise-se que o contrato de seguro gira em torno do risco, a obr
igação de pagar a indenização subordina-se a um evento futuro e incerto.
Oportuno salientar que a responsabilidade da ré é objetiva, pautada no risco contrat
ual, e a exclusão de sua responsabilidade só deve existir quando comprovado o dolo e
a má-fé do segurado, o que definitivamente não ocorreu no caso. Este raciocínio é consoli
dado na jurisprudência. Veja:
SEGURO - INCÊNDIO E ESTOQUE - COBRANÇA - ALEGAÇÃO DE MÁ-FÉ DO SEGURADO - ÔNUS DA PROVA DA SEG
ADORA - APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR - PERDA TOTAL DO OBJETO SEGURADO -
INDENIZAÇÃO PELO VALOR DA APÓLICE E NÃO PELO VALOR DE MERCADO - 1. Na atual sociedade d
e massa, impende que o contrato de seguro seja examinado a luz do Código de Defesa
do Consumidor, para que haja a verdadeira justiça contratual, razão pela qual, have
ndo dúvidas acerca da configuração de situações que dão ensejo a proteção securitária, opera-s
inversão do ônus probandi, como preconiza o Código de Defesa do Consumidor, em seu art
. 6 , VIII (RT 764/365). 2. Assim, se a seguradora alega que o segurado agiu de
má-fé, é dela o ônus da prova cabal a respeito de tal circunstância, eis que, na dúvida, a i
nterpretação deve ser feita em favor do segurado. 3. Nos contratos de seguro, verifi
cada a perda total do bem segurado, não há que se indagar do valor de mercado do mes
mo, eis que a indenização deve se dar pelo valor máximo constante da apólice, porque foi
sobre este valor que o segurado pagou o prêmio auferido pelo segurador (art. 1.46
2 do CC). Recurso desprovido. (TAPR - AC 150055200 - (12551) - Porecatu - 4ª C.Cív.
- Rel. Juiz RUY CUNHA SOBRINHO - DJPR 28.04.2000)." (destacamos)
AÇÃO DE COBRANÇA. CONTRATO DE SEGURO DE AUTOMÓVEL. RECUSA DA SEGURADORA EM PAGAR O PRÊMIO S
OB A ALEGAÇÃO DE QUEBRA DA "CLÁUSULA PERFIL", ANTE A MODIFICAÇÃO DO PERFIL DO CONDUTOR PRI
NCIPAL. INEXISTÊNCIA DE PROVAS DE QUE NA VERDADE O FILHO/AUTOR SERIA O CONDUTOR PR
INCIPAL, E NÃO O PAI COMO CONSTA NA APÓLICE. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO E/OU DECLARAÇÃO INEXATA NÃO
OMPROVADA. APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. BOA-FÉ PRESUMIDA. ÔNUS DA PROVA DA
MÁ-FÉ DA SEGURADORA, QUE NÃO O CUMPRIU. IMPOSSIBILIDADE DE INVOCAÇÃO DA CLÁUSULA PERFIL PAR
A RECUSA DE PAGAMENTO DA INDENIZAÇÃO. GARANTIA SECURITÁRIA DEVIDA. (TJ/PR AC Nº 522.438-8
, Londrina, Rel. Des. EUGÊNIO ACHILLE GRANDINETTI, DJ 25/09/2008) (Grifo Nosso)
Impende ressalvar que a empresa-ré tem como objeto de sua atividade exatamente a c
obertura de eventos incertos, ou seja, sua obrigação é a de pagar a indenização contratada
caso o contratante venha necessitar de tal serviço. Cite-se a respeito às reiterada
s decisões do E. Superior Tribunal de Justiça. In verbis:
"CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. ACIDENTE DE TRÂNSITO. COLISÃO. ESTADO DE EMBRIAGUEZ DO SEGURADO
. AUMENTO DO RISCO. EXCLUDENTE DE COBERTURA NÃO CONFIGURADA. CC, ART. 1.454. I. Pa
ra a configuração da hipótese de exclusão da cobertura securitária prevista no art. 1.454
da lei substantiva civil, exige-se que o segurado tenha diretamente agido de for
ma a aumentar o risco, o que não ocorre meramente pelo fato de ter sido constatado
haver ingerido dose etílica superior à admitida pela legislação do trânsito, sem que tenh
a a ré, cuja atividade se direciona exatamente para a cobertura de eventos incerto
s, demonstrado, concretamente, que sem o estado mórbido o sinistro inocorreria. II
. Precedentes do STJ.III. Recurso conhecido e provido" (STJ, REsp 341.372/MG, Re
l. Min. Aldir Passarinho Junior, 4ª T., j. 06.02.2003, DJ 31.03.2003 p. 227) (grif
o nosso)
RECURSO ESPECIAL. SEGURO. EMBRIAGUEZ. SINISTRO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA RELAÇÃO DE CAUS
A E EFEITO. EXCLUSÃO DA COBERTURA IMPOSSIBILIDADE.- A circunstância de o segurado, n
o momento em que aconteceu o sinistro apresentar dosagem etílica superior àquela adm
itida na legislação de trânsito não basta para excluir a responsabilidade da seguradora,
pela indenização prevista no contrato.- Para livrar-se da obrigação securitária, a segura
dora deve provar que a embriaguez causou, efetivamente, o sinistro" (STJ, REsp 6
85.413/BA, Rel. Min. Humberto Gomes De Barros, 3ª T., j. 07.03.2006, DJ 26.06.2006
p. 134) (destacamos)
Como já amplamente demonstrado, não existiu razões para que houvesse a recusa do pagam
ento da indenização, eis que a responsabilidade da ré é objetiva, e as razões apontadas po
r esta para negar-se ao pagamento do sinistro carecem de respaldo legal. Não obsta
nte, a ré agiu com desprezo às normas que se sujeitou no contrato firmado entre as p
artes, não cumprindo com sua obrigação.
Sendo assim, partindo-se da premissa de que existia uma expressa previsão contratu
al estipulando quanto ao pagamento de indenização, tem-se que a recusa cobertura sec
uritária foi abusiva.
Isto posto, resta claro que a negativa da seguradora em pagar a indenização foi inju
stificada, gerando-se diversos prejuízos ao autor, como se verá a seguir.
3) DA RETIRADA DO VEÍCULO DO AUTOR
Conforme narrado, ao apresentar a negativa de pagamento de indenização do sinistro,
a ré informou que caberia ao autor a responsabilidade pela retirada do veículo das d
ependências da oficina XXXXXXX, inclusive arcando com as despesas de estadia após a
data limite para retirada.
Ao chegar nas dependências da XXXXXXXXX para proceder a retirada do veículo e visand
o obter outros orçamentos para fazer os reparos necessários para que pudesse usá-lo no
vamente ou tomar outras providências, o autor foi surpreendido ao tomar conhecimen
to de que a empresa-ré havia retirado o automóvel, sem sua autorização.
Num primeiro momento o fato da ré ter procedido a retirada por iniciativa própria, f
ez com que o autor presumisse que a indenização do sinistro fosse ocorrer, pois não fa
ria sentido a seguradora ficar com o automóvel se não fosse pagar o sinistro. Porém, i
nfelizmente, foi exatamente isso que ocorreu.
A empresa-ré não informar o que foi feito com o veículo e nem onde o mesmo se encontra
, além disso, questiona-se o que foi feito com os documentos entregues pelo autor
a ré? Por quê o automóvel está ativo perante o Detran, gerando inclusive seu respectivo
imposto?
Diante do exposto, requer-se que a ré apresente em Juízo o aludido automóvel ou esclar
eça o que feito com o mesmo.
4) DOS PREJUÍZOS GERADOS CONTRA O AUTOR
O veículo segurado, era utilizado pelo autor e sua família para que se deslocassem d
a cidade até a fazenda da família, bem como transportar equipamentos de manutenção mecânic
a, além de outras cargas, inclusive alimentos.
A demora injustificada e demasiada para ocorrer o pagamento da indenização ao autor
o impossibilitou de adquirir outro veículo com as mesmas características para atende
r as necessidades do dia-a-dia. Por tal razão, desde que ocorreu o lamentável aciden
te, o autor tem-se utilizado do aluguel de veículos semelhantes, para transportar
o que o momento requer.
Não se sabe precisar o custo total e efetivo dessas despesas, todavia, a intuito d
e indenização por perdas e danos deve-se levar em consideração o valor médio praticado pel
o mercado para utilização mensal de um veículo com as mesmas características do objeto d
o seguro.
Além disso, o autor tem débitos oriundos da aquisição do veículo, sendo que está ocorrendo à a
cumulação de juros, e não tem a posse do veículo para realizar seu labor para obter rend
a e assumir com suas obrigações.
O contrato de leasing do autor estaria quitado, caso houvesse o pagamento do val
or da indenização. A empresa-ré não levou este fato em consideração ao negar a cobertura do
sinistro, e mais, simplesmente tomou posse, indevida, do veículo e não sabe precisar
onde o mesmo está.
Atualmente, além de não ter a posse do veículo, existe a pendência de pagamentos de valo
res consideráveis de juros contra o autor. Porém, diante da morosidade e da negativa
injustificada da ré, requer que a mesma suporte pelos valores acrescidos de juros
do contrato de leasing do autor com o XXXXX Leasing S/A, tendo em vista que os
pagamentos não estariam atrasados caso o autor já houvesse recebido o valor de inden
ização regularmente previsto em seu contrato de seguro com a ré.
Ademais, embora estivesse na posse de todos os documentos necessários para efetuar
a baixa do cadastro do veículo perante o DETRAN, a empresa-ré não procedeu assim, abs
tendo de proceder neste sentido, já foi gerado mais de R$ 1.294,40 (um mil duzento
s e noventa e quatro reais e quarenta centavos) de Imposto de Produto de Veículos
Automotores.
Assim, requer que o pagamento do aludido imposto seja de responsabilidade da ré, q
ue além de ter a posse injusta e indevida do automóvel e de seus respectivos documen
tos, não procedeu como esperado pelo autor.
Por derradeiro, vale frisar que diante da análise pertinentes ao caso, não se pode c
oncluir com firmeza as causas efetivas e determinantes que contribuíram para a oco
rrência do acidente. Além disso, tão só o estado de embriaguez do filho do autor não exclu
i o direito à percepção do seguro, incumbindo à empresa-ré provar que, se o motorista esti
vesse sóbrio, não haveria ocorrido o sinistro.
Mesmo que constatada a ingestão de álcool pelo condutor do veículo segurado, somente é a
dmissível a escusa em cumprir com a contraprestação a que a ré se obrigou, caso esta log
re demonstrar que o sinistro decorreu diretamente da atitude do segurado, que en
sejou o agravamento do risco; noutras palavras, é necessário que a seguradora demons
tre o nexo causal entre o que entende como sendo aumento do risco e o sinistro.
O que até o presente momento desde a negativa de pagamento de indenização não ocorreu.
DOS PEDIDOS
Diante de todo o exposto, requer-se:
a) Citação dos réus, por correio, com aviso de recebimento, no endereço informado, nos t
ermos dos artigos 221 à 223 do CPC, para, no prazo legal, responder aos termos da
presente, sob pena de revelia, com as cominações legais;
b) Que seja os réus condenados ao pagamento de indenização pela negativa injustificada
de pagamento à indenização do sinistro ocorrido, a quantia a ser arbitrada por Vossa
Excelência, à guisa de sugestão, vislumbra-se o valor de R$ xx.000,00 (xx mil reais) p
ara se fazer justiça;
c) Que seja os réus condenados ao pagamento de indenização pela posse indevida do auto
móvel do autor por valor a ser arbitrado por Vossa Excelência, bem como que o réu trag
a aos autos, como depósito judicial o bem até o final julgamento dos autos nº XXXX/201
0;
d) Que seja os réus condenados ao pagamento do IPVA, impossto que somente foi gera
do em face da omissão da ré, uma vez que o autor entregou todos os documentos necessár
ia para realizar-se a baixa do veículo perante o DETRAN;
e) Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos;
f) Requer-se ainda a aplicação do CDC no caso in tela e que lhe seja aplicada as ben
esses da inversão do ônus da prova;
g) Condenação da empresa-ré nos honorários advocatícios (art. 20, parágrafo 3°, do CPC), custa
s processuais e demais cominações de direito;
Requer, ainda, a concessão dos benefícios da assistência judiciária gratuita, na forma d
o art. 4º da Lei nº 1.060/50, haja vista que o autor não possuí, neste momento, os recur
sos financeiros para pagar as custas do processo e os honorários de advogado sem p
rejuízo do sustento próprio e de sua família.
Dá-se à causa o valor de R$ xx.000,00 (reais) para efeitos meramente fiscais e de alça
da.
Nestes Termos,
Pede Deferimento
Rolândia-PR, XX, XXXXX, XXXX
ADVOGADO
OAB/MT